Últimas indefectivações

sábado, 10 de outubro de 2015

Sustos !!!

Benfica 3 - 1 Vilacondense
25-11, 19-25, 25-22, 25-12

O ano passado, com a excepção da Fonte do Bastardo, praticamente não perdemos Set's (acho mesmo que não perdemos um único Set, mas não posso confirmar...), este ano, estivemos muito perto de perder um ponto, logo na 1.ª jornada!!!
Houve demérito nosso, mas o 2.º Set foi daquelas situações onde saiu tudo bem ao Vilacondense, e tudo mal ao Benfica...
No 3.º Set foi diferente, estava tudo a correr normalmente, estávamos a vencer 16-8, quando após o tempo técnico, permitimos um parcial de 1-12 !!! Não sei se o João Oliveira está disponível, sei que o Roberto ainda não está a 100%, mas este parcial foi feito essencialmente com Serviços para cima do André Lopes, achei estranho a apatia do Professor... A perder por 17-20, lá conseguimos dar a volta, com algumas jogadas de 'Futebol'!!!
O 4.º Set foi um passeio, tal como tinha ser o 1.º!!!

Gostei de ver o Kolev, que não tinha sido utilizado anteriormente; o Mart ganhou vários pontos do Bloco... mas nota-se a falta de mais uma opção para o Centro, o Duff só chega no final de Outubro; o Gaspar voltou a ser o salvador; o Gelenski entrou sempre bem; em épocas anteriores, quando tínhamos problemas na Recepção, havia sempre o Magalhães para fazer a rotação defensiva, do nosso pior jogador na Recepção, quem vai fazer esse papel este ano?!

Complicado

Boavista 3 - 7 Benfica

Resultado mentiroso, num jogo muito difícil. Entrámos mal, praticamente a perder, com o Boavista a aproveitar praticamente a 100% os nossos erros individuais!!! Sempre a perder, após a expulsão do Henmi, conseguimos aguentar a desvantagem mínima até ao intervalo... Só não foi pior, porque continuamos a ter uma enorme eficácia nas 'bolas paradas'!
Na 2.ª parte tudo foi diferente, tivemos mais concentrados defensivamente, o adversário também começou a quebrar fisicamente, e os golos foram aparecendo naturalmente...
Já agora, os dois penalty's que beneficiámos, são clarissimos.

A gestão entre os compromissos Europeus (ou Selecções) e os jogos do Campeonato, nem sempre é fácil, e muitas vezes nem é a questão física, é a questão mental. Hoje, tivemos um Benfica desconcentrado no inicio da partida, algo muito raro com o Joel no banco...
Notou-se também a ausência do Chaguinha (problema muscular), mas com a nova expulsão de um 'não local' fica provado, que a opção de ter mais um 'estrangeiro' foi uma boa opção!

Mais um festival de azia - gigante - no canal público de televisão... Inacreditável como nada muda, o Benfica é tratado como fosse um estrangeiro, por gente que é paga com o dinheiro dos contribuintes.

PS1: Mais um episódio típico do Tugão desta vez na bola ao cesto!!! O jogo 1.ª jornada da Liga de Basket, Benfica-Guimarães não se realizou, por falta de árbitros!!! Em protesto, supostamente com dinheiros atrasados...  A FPB continua a demonstrar extrema 'competência'!!!

PS2: Só costumo acompanhar os nossos Juniores de Futebol na Fase Final, mas com os maus resultados das últimas jornadas, tenho que elogiar a forma como hoje os putos conseguiram a vitória, nos últimos minutos, acabando por vencer a Académica no Seixal, por 3-2. Com muitos Juniores na equipa B, temos um plantel com alguns Juvenis, e muitos Juniores de primeiro ano, acaba por ser normal estas dificuldades... O mais importante é a qualificação para a Fase Final (os quatro primeiros), depois logo se verá...

PS3: O Museu Cosme Damião, anunciou ter chegado ao bonito numero de 150.000 visitantes, com 2 anos e alguns meses desde da inauguração. Sinceramente, acho pouco...

Um colégio na Suíça

"Enquanto o Benfica demora eternidades a negociar o prolongamento do seu vínculo contratual com o indispensável Júlio César, o Sporting conseguiu em menos de uma semana resolver as injustiças de algumas situações internas duplicando o ordenado do seu presidente e triplicando o ordenado do seu lateral-esquerdo Jefferson. Também Teo Gutiérrez está na calha para lhe ser, no mínimo, triplicado o vencimento, tendo em conta as celebrações nas redes sociais oficiais suscitadas pela sua entrada feroz sobre André Carrillo no decorrer do jogo entre a Colômbia e o Peru a meio da semana.
Trinta e dois anos depois, a selecção portuguesa vai voltar a França para disputar a fase final de um Campeonato da Europa. As memórias de 1984 estão carimbadas pelo génio absoluto de Fernando Chalana. Veremos quem entre os nossos jogadores do presente se atreverá a marcar o torneio de 2016 com a distinção do seu talento. Candidatos, há uns poucos, Chalanas é que já não há mais.
Para Bruno de Carvalho poder vir a exercer na idade adulta, com modos básicos e maneiras elementares, o cargo de presidente de qualquer Junta, Fundação, agremiação social ou até desportiva - e nem refiro especificamente o Sporting - teria sido imprescindível que, logo na sua mais tenra idade, os previdentes serviços de assistência do Estado não tivessem hesitado em mandá-lo a educar num colégio na Suíça. E, mesmo assim, há dúvidas se não seria grande o desperdício do bom zelo helvético neste caso particular e tão desesperado.
Ainda a propósito da Suíça do esmero educativo e dos relógios de cuco, note-se que duas poderosas organizações sediadas naquele país viram os seus presidentes afastados de todas as funções por suspeitas de desvios de milhões em proveito próprio. O Comité de Ética da FIFA, composto por uns quantos velhotes educados com esmero em colégios suíços, decidiu suspender Joseph Blatter e Michel Platini das presidências da FIFA e da UEFA enquanto prosseguir o inquérito policial às alegadas actividades criminosas destes dois dirigentes que, entre outras disparidades no consumo, decretaram um limite máximo de 200 francos suíços para o valor dos 'souvenirs' atribuíveis pelos clubes de futebol do Mundo inteiro aos árbitros que os visitam. Para Blatter e Platini, o limite era o quase tudo. Para os árbitros, quase nada. Depois dá nisto."

«E o essencial é estarmos preocupados apenas connosco, apenas com o Benfica!»

"Quero começar por manifestar a minha satisfação por estar aqui, por continuar a testemunhar a profunda renovação e a dinâmica que estamos a conseguir implementar nas nossas Casas espalhadas por todo o País.
É um sinal da nossa vitalidade, mas é ao mesmo tempo o melhor indicador do nosso inconformismo.
É sinal da nossa dinâmica, mas é também a melhor prova de que, quando trabalhamos juntos, as coisas acontecem mais depressa.
Nunca esqueço – porque foi aí que muitas vezes procurei forças – que uma das minhas principais preocupações foi sempre a de devolver o Clube aos Sócios, aos adeptos, porque é aí que reside a verdadeira força do Sport Lisboa e Benfica.
Podemos cair na tentação de pensar que a força do Clube está no seu património físico ou, até, na sua história.
Tudo isso é seguramente muito importante, mas a verdadeira força do Benfica são os Sócios.
Foi por eles que conseguimos chegar até aqui!
As Casas do Benfica são uma garantia de defesa e promoção do Clube, fazem parte do património humano e da marca Benfica. E isso está bem patente nesta sala!
Este foi o espírito que nos trouxe até aqui e é o espírito que eu quero que se mantenha: Todos juntos, todos unidos em torno de um projecto comum que é o Benfica!
O Benfica tem sido impulsionado pela nossa capacidade, pelo nosso inconformismo, mas acima de tudo pela enorme vontade e determinação com que temos conseguido transformar sonhos em realidade.
E se hoje temos futuro é porque soubemos merecer o nosso presente e, acima de tudo, porque conseguimos – juntos – corrigir erros do passado.
Se um Clube como o Benfica consegue fazer tanta diferença na vida de tanta gente, é precisamente porque é um Clube que gera um entusiasmo verdadeiramente diferenciador.
A energia que os seus Sócios e adeptos nos conseguem transmitir, esse é o nosso principal património e algo que nunca podemos perder.
É claro que esta energia tem de ser alimentada, trabalhada, acarinhada, e é por isso que aqui quero deixar, na pessoa do presidente da Casa do Benfica em Castelo Branco, Pedro Lopes, uma palavra de reconhecimento a todos os que contribuíram para pôr de pé este projecto.
Já ontem [sexta-feira] falei, na Casa de Algueirão-Mem Martins, do nosso projecto desportivo, e hoje [sábado], na Guarda, da necessidade de continuarmos a crescer em número de Sócios.
Aqui, em Castelo Branco, quero deixar uma mensagem de optimismo e um apelo de apoio incondicional dos Benfiquistas a todas as nossas equipas. Desde o Futebol profissional até às modalidades!
É que acima deste ou daquele resultado está sempre o futuro do Benfica. Nunca se esqueçam disso!
Eu tenho essa responsabilidade sempre bem presente.
Durante anos, passámos por momentos que puseram à prova o valor das nossas convicções e a força da nossa união.
Conseguimos chegar até aqui porque acreditámos que era possível, porque decidimos avançar sem medo, porque conseguimos transformar os problemas em oportunidades.
É este o espírito que nos motiva e nos move. É esta a nossa força e aquilo que faz que, mais do que nunca, eu esteja esperançado no futuro.
Apesar das dificuldades que sei que irão surgir, não podemos baixar os braços, porque foi por isso que conseguimos chegar aqui.
Por mais que nos queiram desviar deste caminho, devemos ter a força e a convicção de ignorar as provocações, de nos mantermos concentrados no essencial.
E o essencial é estarmos preocupados apenas connosco, apenas com o Benfica!
Obrigado a todos, e viva o Benfica!"

«E a nossa reputação e bom-nome estão bem acima de qualquer insinuação, venha ela de onde vier.»

"Aqueles que sabem o esforço que sempre dediquei e a importância que sempre reconheci às Casas do Benfica imaginam a satisfação de poder estar aqui hoje.
A minha primeira palavra é, por isso, de reconhecimento para todos os que trabalharam e dedicaram o melhor do seu esforço para levar por diante este projecto.
Geralmente, em organizações com a dimensão do Benfica, com o passar do tempo, as pessoas acomodam-se, conformam-se com aquilo que em determinado momento conseguiram alcançar.
A verdade é que, no Benfica, nestes 14 anos, isso nunca aconteceu, e este foi o segredo para termos chegado até aqui.
Ninguém no Benfica se acomodou, todos nos mantivemos atentos a novas soluções e a novas formas de fazer evoluir as Casas do Benfica.
Lembrar-me do que encontrei no Benfica quando cá cheguei é a ferramenta mais importante que tenho e o maior estímulo que encontro diariamente para continuar a fazer coisas novas, para continuar a inovar, para continuar a fazer crescer o Benfica.
A nossa responsabilidade passa por acreditar sempre que podemos fazer mais e fazer melhor.
E é este pensamento que orienta todos aqueles que trabalham no Clube.
As Casas sempre foram para mim um pilar fundamental do Benfica e do seu crescimento, mas a essência de que vive o Clube são os seus Sócios.
Os Sócios são a nossa maior força, a força que mexe e faz crescer o Clube. Sem eles, nada disto faria sentido. Os Sócios do Benfica sempre souberam reagir perante as dificuldades, sempre souberam contrariar o pessimismo e sempre se bateram por garantir o futuro do Clube.
Juntos soubemos superar momentos muito difíceis, e se hoje vivemos uma época de grande estabilidade institucional e um justo reconhecimento internacional, é porque tivemos uma base de Sócios que sempre esteve presente nos momentos mais difíceis do Clube.
Se olharmos para os últimos 14 anos e pensarmos no que fizemos – todos nós – devemos sentir um tremendo orgulho no caminho percorrido. O Estádio, o Caixa Futebol Campus, a Benfica TV, o Museu Cosme Damião, tudo isto foi fruto do trabalho de todos!
Estamos – como sabem – num ciclo que continua a ser exigente do ponto de vista económico, que nos vai obrigar a um enorme esforço em que todos devem sentir-se envolvidos.
Quando olhamos à nossa volta vemos uma conjuntura difícil e em que a maioria dos grandes clubes de futebol já não pertence aos seus Sócios.
Comigo, como presidente do SL Benfica, e como sempre tenho repetido, isso não vai acontecer.
Os Sócios são e serão os donos do Clube.
Mas, para que isto nunca se perca, é fundamental – e este é o meu apelo – que a base de Sócios seja cada vez maior.
Como todos sabem, fizemos neste ano uma renumeração.
Temos nesta altura 160 mil sócios.
Em 2005, o Benfica tinha 95 mil. Crescemos e consolidámos nesta década mais de 50%.
Foi uma década terrível do ponto de vista económico, em que as pessoas foram sujeitas a grandes sacrifícios, e isso deve ser lembrado.
O nosso desafio, a partir de agora, é rapidamente voltar a ultrapassar a fasquia dos 200 mil sócios e continuar a crescer de forma sustentada.
- Por cada novo Sócio, seremos mais fortes!
- Por cada Sócio com quotas em dia, teremos maior capacidade de afirmação!
É verdade que a contribuição dos actuais Sócios representa anualmente para o Benfica – em números – o acesso a uma Liga dos Campeões.
Algo que nenhum outro clube em Portugal, nem de perto, nem de longe, pode reivindicar.
Mas o meu desafio é continuar a crescer. Porque foi a nossa dimensão que levou a Emirates a querer ser nosso patrocinador.
- É pela nossa dimensão que somos admirados e respeitados a nível internacional.
- É pela nossa dimensão que temos projectos na China, em Angola, Moçambique e Espanha.
- É pela nossa dimensão que a BTV está em 10 países, e que os nossos jogos são vistos em 135.
Esta é a realidade do Benfica e a razão por que somos uma referência internacional.
E a nossa reputação e bom-nome estão bem acima de qualquer insinuação, venha ela de onde vier.
Não nos importa o que outros digam. Eles que falem de nós.
O que importa é que nós continuemos apenas concentrados com o que importa. E o que importa é o Benfica!
Obrigado a todos, e viva o Benfica!"

Os programas feios, porcos e maus

"Quanto mais rasquice mais audiência e isso sugere aos 'media' que abdiquem de quem tem mais ideias e chamem que tem mais músculo

O povo, na sua paciente e santa sapiência, costuma dizer que não é por se gritar mais alto que se tem mais razão. Porém, o povo nem sempre acerta no que diz e conforme qualquer criança de cinco anos reconhecerá, apesar do que se afirma como lei universal dos Homens, o povo também está muito longe de ser quem mais ordena.
A verdade é que nos tempos que correm e nas sociedades civilizadas, o povo é, não raras vezes, um género de animal de estimação da sociedade. Uma entidade ingénua e passiva, porque acredita estar a ser permanentemente representada sem ter que descalçar os chinelos, apagar a televisão e sair de casa para o desconforto da rua.
É este povo tantas vezes inócuo e eunuco que se planta nos sofás do mundo a ler revistinhas cor de rosa, jornalecos metediços na vida alheia, programinhas que são, de facto, tesourinhos deprimentes, o que não invalida de serem também tesourinhos de audiências e, como tal, geradores de receitas, que os transformam em virtudes absolutas e universais.
A minha significativa diferença para o batalhão de ingénuos que recrimina a nova lógica de interesse do público é que eu não a desconsidero. Ou seja: não a desvalorizo, nem me atrevo a fazer parte da nobreza frágil e desencorajada da elite dos cidadãos que lastima este povo, considerando-o apenas uma vítima dos jornais, das rádios e das televisões, a quem condenam a insensibilidade do interesse público e a ausência da vontade de educar novos e velhos num género de escola nacional de princípios e de valores.
Lamento, mas os jornalistas não são o camarada Arnaldo Matos, que se afirmava, nos seus tempos de activista político, o educador do povo e da classe operária. Em boa verdade, a missão do jornalista nunca foi a de educar.
Mas também nunca foi a de deseducar. E nisso concordo com muitos críticos que acusam um certo de jornalismo de ser conivente com os poderes constituídos, passivo com as autoridades, conformado com as inverdades mais notórias; alinhado com os sistemas mais confortáveis.
É neste quadro que olho e analiso o que se tem passado em matéria de debates rascas sobre o futebol. Eles existem num quadro de audiências que progride na razão directa do primarismo e da rasquice. Sejamos claros: a única coisa que terá faltado no último programa televisivo que teve a presença do presidente do Sporting foi que alguém tivesse andado à pancada, ou que tivesse desafiado o outro para um duelo de morte, com transmissão directa na TVI. Foi só isso que faltou, mas o que houve e o que se viu chegou para a TVI 24 ter tido uma colossal audiência e isso sugere aos canais concorrentes que abdiquem de quem tem mais ideias e chamem quem tem mais músculo. Se o não fizerem têm as audiências em risco e se tiverem as audiências em risco têm o emprego e a própria sobrevivência em risco. E como deve então reagir um jornalista ou um responsável de canal de televisão se tiver a sua sobrevivência (e de toda a sua equipa) em risco? Claro, vai para casa estudar e planear um próximo programa ao estilo dos filmes realistas italianos, verdadeiramente feio, porco e mau.
Percebe-se, assim, que ninguém possa contar com essa demagógica ingenuidade de que tudo se resolveria se os media educassem o povo. Não. Tirem todos daí o sentido. Até já há quem diga, e com forte poder argumentativo, que a educação, nem sequer deve pertencer à escola. A educação pertence à família e à casa de cada um. A responsabilidade da educação pertence aos pais e não aos professores que têm o já difícil dever de ensinar, mas não a obrigação de educar os meninos que chegam à escola sem educação alguma.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

A Taça já não é para todos

"A Federação introduziu no regulamento da Taça de Portugal uma alteração há muito reclamada por significativa franja de apoiantes, entre os quais me incluo, com a intenção de valorizar o seu nível competitivo. Desde sempre encarada como a festa do futebol, por razões várias tem vindo a perder a sua amplidão territorial. É notória a concentração de jogos nos principais centros populacionais em que, regra geral, os mais fortes pisam os mais fracos.
Também no futebol, o interior do País e as pequenas localidades foram ignorados em nome das exigências do progresso. Tentou a FPF equilibrar as forças e enriquecer o espírito da competição ao determinar que nas 2.ª e 3.ª eliminatórias os clubes da Liga 2 e da Liga, por esta ordem, fossem visitantes. No entanto, no capítulo «requisitos dos estádios» diluem-se as boas intenções, na medida em que as instalações desportivas dos pobres visitados não oferecem as condições impostas. Assim, o Vianense recebe o Benfica em Barcelos e o Vilafranquense o Sporting no Estoril. O Varzim foi o único que resistiu, por apresentar uma casa que não fere a rigidez regulamentar e também por respeito à tradição e à comemoração do seu centenário.
A festa da Taça já não é para todos. Distantes os anos em que qualquer espaço servia para se jogar futebol, relvado ou não, e, na míngua de lugares sentados, em cadeiras ou em árvores, a multidão se apinhava no terreno envolvente para ver os artistas da bola. A Taça era mesmo de Portugal inteiro, apesar de se demorar mais tempo a viajar de Lisboa a Chaves do que a Moscovo, como ironizou o antigo presidente do Benfica, João Santos. Hoje, no emaranhado de autoestradas, dá a ideia de um país encolhido. E o mais desolador é que a Taça encolheu com ele..."

Fernando Guerra, in A Bola

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A estratégia de BC

"A estratégia de Bruno de Carvalho faz algum sentido. Depois de comprar guerras com dirigentes e ex-dirigentes, jogadores e ex-jogadores do Sporting, colunistas e outros diversos sportinguistas de referência, o presidente leonino resolveu finalmente inventar uma batalha com um rival. Embora a substância seja bacoca, na forma tenta unir os apaniguados sportinguistas contra o rival em vésperas de derby.
Todas as anteriores batalhas, por terem carácter de guerra civil, criavam desconforto no universo leonino. Desta vez, pensando que o Benfica não é um rival mas um complexo para muitos sportinguistas, o ainda presidente de Alvalade desembestou contra o Benfica na ânsia de não perder o resto da nação leonina que ainda lhe resta. Não é destituída a estratégia mesmo que ridícula na forma.
Excelentes estiveram do lado encarnado todos os que o deixaram a falar sozinho. Quem sabe não será uma boa terapia.
O Benfica não jogou na Madeira por óbvia impossibilidade climatérica, e não deve jogar este jogo de palavras, por ser de um campeonato diferente. O primeiro foi adiado e este deve ser anulado. O facto de ter um jogo em atraso causa ao Benfica desconforto classificativo mas mesmo assim tivemos que ouvir as queixas de quem tendo subido à primeira divisão não tem estádio para nela jogar.
O futuro do Benfica deve continuar centrado e concentrado nos seus objectivos. Se o Benfica for competente e o trabalho for bem feito poderemos chegar aos nossos objectivos. A estabilidade e a seriedade são valores que custaram muito a alcançar e não podem ser desperdiçadas por manobras circenses. Mesmo assim o respeito pelos adversários, pela sua história, e por aquilo que representam deve manter-se intocável.
Ganhar ao Vianense, sem lesões nem castigos, na sexta dia 16 é a próxima meta porque o derby vende jornais mas ainda vem longe."

Sílvio Cervan, in A Bola

Barca Velha ?!!!

«Ignorem o ruído»

"Uma das grandes manifestações da força, da mística e do querer do Sport Lisboa e Benfica tem que ver com a expansão das nossas Casas e com a sua modernização.
É nas Casas do Benfica que o nosso crescimento se consolida.
Queria, por isso, na pessoa do Presidente da Casa de Algueirão-Mem Martins, Avelino de Almeida, agradecer a todos quantos trabalharam e dedicaram o melhor do seu esforço na renovação deste projecto.
A todos, o meu muito obrigado e os parabéns pelo trabalho realizado.
O que tem vindo a ser feito nas Casas do Benfica é uma verdadeira revolução dentro do Clube.
E tudo isto só foi possível porque vocês acreditaram que juntos podíamos fazê-lo.
O segredo para termos chegado até aqui é que ninguém no Benfica se acomodou.
Quisemos sempre ir mais longe, quisemos sempre fazer melhor.
A inauguração desta Casa, e das Casas de amanhã, revela a dinâmica e a modernidade que o Clube atingiu ao longo da última década.
Assumimos este ano – como todos sabem – uma opção difícil, uma opção de mudança, uma aposta clara na formação do Seixal e num treinador que acredita na competência e no trabalho dos jogadores, tenham eles 30 anos ou apenas 18.
Fizemos esta mudança por convicção, sabendo o risco, sabendo que o caminho não seria fácil, mas sabendo também que o nosso futuro deve passar por aí.
O nosso trajecto na Champions League revelou que estamos a dar passos seguros, revelou que contamos com um grupo unido e motivado, e revelou um treinador que assume a dimensão europeia do Benfica, um treinador sem medo e decidido a levar o Benfica ao tri.
Chegamos aqui de forma planeada, depois de um período – longo – em que foi necessário recuperar a credibilidade do Clube, e de um outro período em que foi necessário um forte investimento – em que a construção e o desenvolvimento do Caixa Futebol Campus se inclui.
Agora, estamos no tempo de apostar nos talentos gerados no Seixal, num modelo que equilibra a competitividade desportiva com a redução do nosso endividamento.
De um modelo que dá oportunidades aos nossos jovens de trabalharem e crescerem junto da equipa principal.
Sempre acreditei que este tempo chegaria.
Conheço o Caixa Futebol Campus como ninguém, conheço tudo o que se fez para aqui chegar.
Conheço os treinadores e todos os que diariamente contribuem para que o Seixal funcione como um centro de excelência.
A mudança que fizemos foi grande, e só foi possível – repito – porque temos um treinador corajoso, capaz e que gosta de assumir desafios que não são para todos.
Este plantel dá-nos garantias de trabalho, de empenho e total dedicação.
Um plantel sólido, mas um plantel que precisa do apoio dos sócios e adeptos.
Por isso, o meu apelo para que encham o Estádio da Luz, para que nos acompanhem de norte a sul e no estrangeiro.
O sucesso desta equipa também depende do vosso apoio, e sei que ele não vai faltar.
Como Presidente do Benfica, sempre tive esta ambição: a de ver os nossos jovens chegar à primeira equipa.
A ambição de ver o Caixa Futebol Campus reconhecido como centro formador de referência mundial.
A ambição de ver reconhecido o Benfica como clube inovador. A ambição de ver a nossa equipa ser apoiada sem necessidade de haver tochas ou petardos!
Mas confesso que também tenho e vivo a ambição de poder ver os dirigentes do futebol português contribuírem para um futebol saudável, responsável e competitivo.
- Um futebol sem violência que atraia público ao estádio.
- Um futebol que se valorize apenas pelo jogo.
A ambição de que a indústria do futebol português se desenvolva cada vez mais, que as receitas aumentem, que os patrocinadores venham em maior número.
A ambição de que a Federação, a Liga e os clubes trabalhem em conjunto.
A ambição de ver uma selecção renovada com os jovens talentos portugueses formados em todos os nossos clubes. Tenho esta ambição e a responsabilidade de contribuir para que ela se realize.
Estou empenhado nisso, e é esse o sentido da minha acção diária.
Uma nota final: Recuperar a credibilidade do Benfica demorou anos, foi uma dura batalha. Não contem comigo para voltar atrás no tempo.
Mas também sei que, como Presidente do Sport Lisboa e Benfica, tenho o dever e a obrigação de defender de forma intransigente o bom-nome do Clube.
Quero deixar aqui uma garantia: Podem ter a certeza de que assim será, mas nos locais próprios.
Ignorem o ruído, porque ao contrário do que alguns pensam, o ruído não beneficia ninguém.
Falemos de nós e preocupemo-nos apenas com o Benfica!
Muito obrigado a todos.
Viva o Benfica!"

Uma bola no divã

"Como todos bem sabemos, Sigmund Freud era um neurologista austríaco que ficou perpetuado na História por ter sido o fundador da Psicanálise. Uma das suas obras mais marcantes, porventura até a mais conhecida do grande público, é 'A Interpretação dos Sonhos'. À sua época o futebol não tinha, nem de perto, a dimensão de que hoje goza, mas tenho a certeza de que, nos dias de hoje, Freud dificilmente encontraria outro microcosmo que invocasse tantos sonhos. Sim, não ignoro que não se pode viver sem sonhar. Literalmente. Mas a crueza da realidade obriga-nos a reconhecer que aquilo que faz girar a roda da vida é a vontade, não o sonho. Seja como for, não duvido que se possa descobrir muito sobre a verdadeira natureza de um homem só a partir do que ele sonha, mesmo sabendo que os sonhos são involuntários. Pessoalmente, todavia, de tudo quanto li de e sobre Freud o ensinamento que mais me marcou está contido numa única frase. Esta: «Quanto Pedro me fala sobre Paulo sei mais de Pedro que de Paulo». E não é por me chamar Paulo e não Pedro. É que quem diz Paulo e Pedro pode dizer também Aarão e Abraão ou Zaqueu e Zebedeu. Ou Bruno. Ou Jorge Nuno. Ou Luís Filipe. No entanto, o mais interessante nesta lição de Freud é a frase que imediatamente antecede a ora em análise. Aliás, creio mesmo que esta não pode ser amputada, porque as duas são, afinal, uma só. Desta sorte, o pensamento de Freud sobre Paulo e Pedro, para ser percebido em toda a sua latitude, obriga a que a citação seja completa, ou seja: «O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo».
Como seria o mundo da bola se todas as vozes soubessem ouvir?"

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Comentadores pressionados?

"Cada jogo tem uma história. Mesmo quando jogado entre quem se defronta com frequência, a história não se repete na totalidade. Parte dela pode ser semelhante, mais que não seja pelas características aleatórias do jogo, mas o todo nunca é repetido. As condições em que as equipas se encontram nesse momento, a dimensão dos clubes, o local do jogo, e muitas outras questões, influenciam os intervenientes.
Alguns profissionais disputam os jogos em condições de extrema pressão psicológica, jogam o seu futuro durante esse mesmo jogo. E quando digo isto, refiro-me inclusivamente aos salários, ao futuro das suas próprias famílias. Contudo, a exposição pública a que normalmente estão sujeitos, mesmo em equipas de menor dimensão, obriga-os a conseguirem um rendimento elevado mantendo um comportamento adequado. Quando isso não acontece raramente a crítica deixa passar em claro a falha.
Com o futebol falado, este complemento ao jogo que se estende por toda a semana, com incidência especial às segundas e terças, momento em que combatem os guerreiros dos três maiores clubes, tornando o jogo algo menor comparado com tão eloquente espectáculo. Os comentadores passaram a ser agressivos, têm inimigos e não adversários. Estarão pressionados pelos clubes? Dependem do sucesso do programa para manterem o salário? Não creio. Têm liberdade para comentar os erros dos intervenientes no jogo, mas não têm capacidade para resistir a uma pequena pressão exterior. Ou será que os níveis de audiência justificam tudo? Não me parece.
Existe uma responsabilidade social que não pode ser ignorada. Deviam todos rever o programa, com um coach para auto-análise. Cada programa tem uma história diferente, não deve é conter comportamentos que promovam a agressividade entre os adeptos. O futebol é um jogo. Também é falado, mas é muito mais bonito jogado."

José Couceiro, in A Bola

Campeonato sem o Carcavelinhos...

"Das 12 equipas que vão disputar o Campeonato não consta... o Carcavelinhos, um nome que saiu da boca de um dirigente com grandes responsabilidades no desporto nacional para desvalorizar os adversários do Benfica. O Carcavelinhos, o Cucujães, tal como todos as outras colectividades que contribuíram e contribuem para a história do desporto em Portugal merecem todo o nosso respeito. Há clubes que já deram muito à modalidade, que agora estão fora dela, mas que esperemos, sinceramente, voltem aos pavilhões. Todos fazem falta. O Benfica não joga então com o Carcavelinhos, mas joga com o Sp. Espinho, recordista de títulos e a única equipa com uma Taça europeia, joga com o Castelo da Maia, campeão quatro vezes joga com a Fonte do Bastardo, a mais recente equipa a entrar nas contas do título, ou com o Leixões, um histórico da modalidade. As expectativas são altas para que possamos ter um bom campeonato. Veremos se na prática se confirma."

Ana Paula Marques, in Record

Ainda Madrid

"A vitória em Madrid foi extraordinária: pela dificuldade e importância da partida nas contas da LC; pelo escasso pecúlio Benfiquista em Espanha (não vencíamos desde 1982); pelas diferenças tácticas e comportamentais da equipa constantes com os desempenhos em jogos fora nesta prova nos últimos anos (com Jorge Jesus, em 17 jogos, o Benfica venceu apenas três nos recintos do Otelul, Basileia e Anderlecht e empatou quatro); e, também, com o descalabro anunciado no início da temporada pelos arautos da desgraça, por ter colocado definitivamente de lado as dúvidas lançadas relativamente à competência do nosso treinador e plantel.
Não fosse a questão da tocha a ensombrar a magnífica vitória alcançada, teria sido perfeito. Aprecio o espectáculo cénico das tochas, ao contrário do rebentamento de petardos ou lançamento de very lights, os quais abomino. Não sou o único, dizem-no vários indicadores: os adeptos que, pelo mundo fora, utilizam este engenho para colorir o apoio dado às suas equipas; os jogadores que partilham fotografias e vídeos das fumaradas nas suas redes sociais; a comunidade social que usa e abusa, pela positiva, destas imagens para a promoção das suas transmissões.
O que não entendo é como, sabendo-se da proibição de uso deste engenho, há quem se sinta tentado em ir mais além, atirando-o para outra bancada ou relvado, com as consequências que daí advêm. Pagam os justos pelos pecadores. Terão que ser tomadas medidas duras para banir por inteiro as tochas dos estádios e o Benfica será seriamente penalizado. E a culpa não será da UEFA, do Benfica ou dos Benfiquistas. Apenas e só de um ou outro indivíduo a quem o bom senso não lhe tocou."

João Tomaz, in O Benfica

Castigo a caminho

"Por causa de alguns, pagamos todos. Esta poderia ser uma crónica sobre as Legislativas de domingo passado, mas não. É 'apenas' sobre o que se passou nas bancadas do Vicente Calderón e que poderá afectar um dia de jogo na Catedral. Um dia, na melhor da hipóteses.
Mais de três mil adeptos do SL Benfica foram a Madrid ver o seu Clube ganhar ao Atlético. A festa foi rija, merecida, histórica e estragada. Rija porque não é fácil ganhar fora na Champions; merecida porque o SL Benfica foi mais inteligente e eficaz do que o adversário; histórica porque há 33 anos que o Bicampeão português não triunfava em Espanha e porque o Atlético de Simeone ainda não tinha perdido qualquer jogo europeu em casa; estragada porque meia dúzia pensaram que seria boa ideia festejar a vitória vermelha com o arremesso de tochas para o relvado. Por falta de força e/ou de inteligência, as tochas acabaram por cair em cima de outros adeptos presentes no estádio da capital espanhola. E assim se pôs em causa os jogos do SL Benfica em casa para a Champions deste ano. E logo agora que a equipa orientada por Rui Vitória - duas partidas na Liga dos Campeões, duas vitórias - está bem encaminhada para se apurar para a próxima fase da competição.
Não é da receita de um jogo europeu que estou a falar, é a imagem do SL Benfica e dos seus adeptos que está em causa. Confundir meia dúzia com os restantes milhões é muito fácil. Já não chegava a triste memória do que se passou em 1996 no Estádio Nacional, ainda temos que levar com mais este episódio. À hora em que entrego este texto, nada estava decidido pela UEFA, mas temos que aconteça o pior.
Acontecendo ou não o castigo, há que tratar este tema delicado com toda a eficácia. O Benfica é muito mais do que isto."

Ricardo Santos, in O Benfica

Um artista

"É natural que, num debate televisivo onde participam adeptos de três clubes, as vozes por vezes se elevem, e os ânimos por vezes aqueçam. Sempre foi assim desde que o modelo existe, e embora o grau de esclarecimento seja quase sempre baixo, o grau de entretenimento torna-se compensador para quem aprecia o estilo. As audiências sobem, as estações agradecem. Quem não gosta, não vê.
O que já não é normal é o presidente de um grande clube aceitar expor-se a registos desta natureza, colocando-se ao nível do simples adepto sem responsabilidades, debitando retórica comprometedora para o clube que dirige, e envergonhando aqueles que era suposto representar.
A figura que o presidente do Sporting fez na TVI24 entristece-me enquanto adepto do futebol. Independentemente das rivalidades, habituei-me a ver em Alvalade dirigentes cujo comportamento cívico era inatacável. João Rocha, Amado de Freitas, José Roquette e Dias da Cunha são apenas alguns exemplos. Agora, olhamos para o outro lado da rua, e vemos um artista sem categoria, cujas habilidades chocam aqueles que prezam um futebol acima do nível da taberna. Quando se juntam os holofotes do mediatismo à mediocridade, o resultado é este.
Fundos, empresários, jornalistas, jogadores, treinadores, funcionários, antigas glórias, árbitros, dirigentes, ex-dirigentes, clubes, UEFA, comentadores, grupos de adeptos, hotéis, etc. Todas as guerras servem para ganhar popularidade, num indivíduo que não consegue esconder o deslumbramento pela sua nova vida de figura pública.
Infelizmente, também já tivemos disto cá em casa. Conhecemos a espécie.
Pobre Sporting."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O Benfica-Sporting? Ainda faltam mais de... 2 semanas!

"Nunca poderemos entrar no jogo de quem sendo 'pequenino', precisa de muito barulho para se colocar ao nosso nível...

Lições da política que não devemos esquecer no futebol
1. Há lições da política que não devemos esquecer no futebol! Porque, à imagem daquela, também este é um campo de confronto.
Não de um confronto de ideias mas, antes, de um confronto de resultados. Esta é a especificidade do futebol, onde - por mais que existam valores, ética, princípios, capacidade, inteligência, estratégia ou conhecimento - tudo cede perante o resultado (ou, como diria José Mourinho, «o resultado é que faz o espectáculo»).
Onde se pode fazer tudo bem e perder, sendo-se um perdedor... ou fazer tudo mal e ganhar, sendo-se neste caso, um verdadeiro vencedor. De facto, a vitória - como sabemos da história dos últimos 30 anos do futebol português - fez jus a esse princípio maquiavélico, onde os fins (os títulos) justificaram, muito especialmente para quem os ganhou, a forma (os meios) como foram conquistados, de que o processo Apito Dourado é o expoente máximo!
O problema, hoje, é alguém querer repetir soluções de poder que germinaram e tiveram a sua época há 30 anos, como se o mundo não tivesse evoluído.
Ou não perceberem que, para além do tempo em que essas formas de poder foram desenhadas e concretizadas, contaram com a conivência de muitos silêncios, bem como com a colaboração activa e empenhada de muitos agentes políticos e judiciais, que, como o escrutínio e a vigilância actuais, não podem mais existir.
Ou seja: repetir o Porto, dos anos 80, em Lisboa, neste nosso tempo, só lembra a um «aprendiz de feiticeiro»!

O radicalismo como forma de evitar a marginalização
2. Os novos líderes hoje emocionam-nos, interagem,... e até erram.
Não se apresentam como seres superiores que não se enganam, sempre prontos a atirarem para os seus fiéis lacaios a culpa de alguma coisa que possa não ter corrido bem.
E não dará para desconfiar saber que - com tanta asneira feita - nem uma pode ser assacada ao líder do projecto?
Se até, na Igreja, se vai questionando o dogma da infalibilidade do Papa, será que estarão dispostos, numa qualquer agremiação, onde a esperança na vitória se vai assemelhando a uma miragem... do além, a não questionar a responsabilidade por tanto erro?
Diziam os antigos romanos que, se não tiveres um amigo que te corrija, paga a um inimigo. Eu sei que, por aquelas bandas, inimigos é o que há mais. Inimigos, até, entre os antecessores, numa limpeza geral de destruição de tudo o que possa representar perigo de derrota num próximo ato eleitoral.
Melhor do que ganhar nas urnas é impedi-los de concorrer.
Mas o que mais me entusiasma, nesta fuga desesperada para a frente é o recurso ao radicalismo como forma de evitar a marginalização.
É uma prática comum, entre pequenos partidos, quase todos com projectos caudilhistas de poder, como o será entre clubes pequenos ou médios, acossados e com projectos de sobrevivência pessoal. Recorrem, assim, ao messianismo, à comparação entre o antes e depois, numa atitude maniqueísta, de forma a poderem legitimar-se... para todo o sempre.
Sabemos, por experiência, que o todo o sempre acaba, quase sempre,... ao virar da esquina. E melhor seja que acabe, para quem gosta da instituição em causa, por que... se demorar um pouco mais, quando virarem a esquina, apenas depararão com o que restará desse clube (e será muito pouco),... como outros sabem de saber feito!
Como sempre (como em Nuremberga, por exemplo), os fiéis de sempre tentarão desculpar-se de forma a que o mal seja apenas da responsabilidade de um só.
Como estarão, então, enganados e... arrependidos!

Um líder arrogante evita discutir ideias
3. Sabemos, também, que um líder arrogante e que gosta de se armar em militante de base faz as delícias dos... militantes de base.
Evitando discutir as suas ideias (talvez porque não as tenha), nem que para isso tenha de só falar das ideias dos outros.
Como o Presidente de um clube agradará aos seus consócios se for básico, se enquistar e destilar ódio pelo emblema mais odiado desses mesmos sócios (por muito que os do outro lado já não lhes liguem nada, porque o tempo é implacável).
Aqueles agradecer-lhe-ão penhorados, mas esse mesmo chefe perderá toda a relevância junto dos líderes de opinião, daqueles que farão e formarão ideias sobre o seu futuro e sobre o futuro da instituição a que preside.
A que se juntará a falta de bom senso, de estabilidade e de visão para inventarem um futuro que não seja o da maledicência!
Pode, até, aumentar o número dos respectivos adeptos e simpatizantes em 50% e reduzir o número de adeptos e simpatizantes dos outros, também em 50% (um critério uniforme, há que reconhecê-lo)! Mas isso não trará nem mais um voto - quando eles forem precisos...
Sabemos que... «a fama e tranquilidade não coexistem».
Mas daí a aceitar como lei o princípio de que «quem não é por mim, é contra mim» vai uma grande distância.
Outros clubes - nunca nos cansámos de o repetir - enveredaram, em momentos concretos da sua história, por experiências parecidas.
Pois nem assim perceberão como acabam?
Pelo meio, encarregarão alguém de reescrever a história com elogios e hossanas ao novo poder e de morte ao antigo regime.
Sabemos como começa e - hoje, também - sabe-se como acaba... Acabando, de vez, com quem a quis reescrever.

Ganha quem merece, não quem faz mais barulho
4. Se é verdade que a obstinação leva à ditadura (sendo o poder absoluto uma das causas da decadência dos povos peninsulares, no dizer de Antero de Quental...), então teremos de deixar a falar sozinho quem opta pela conflitualidade gratuita, para, em bicos de pés, se tentar parecer com os Homens.
Já lá vai o tempo em que os jovens infantes se tentavam libertar das garras da adolescência desafiando os maiores, os senhores para torneios, primeiro,... duelos, depois,... rixas, já nos nossos tempos...
Tentando a afirmação - num mundo onde poucos lhe ligam - apenas e só pela criação de conflitos!
Tenho (para mim) que nunca se deve responder a mentiras de uma só fonte, de uma só origem, criadas em laboratório unipessoal, porque apenas estaremos a servir de câmara de eco a tanta asneira e a fazer o jogo de quem as lança...
Nunca devemos responder a provocações gratuitas!
Nunca poderemos entrar no jogo de quem, sendo pequenino, precisa de muito barulho para se colocar ao nosso nível...
Não devemos, por isso, transformar uma vontade inconsciente de vingança (que poderia ter passado pela cabeça de todos e de cada um de nós) numa guerra declarada.
Com a calma que eles não têm - a pretensa juventude faz com a insensatez, a má criação e a impreparação passem por voluntarismo - haveremos de construir a nossa vitória.
Dizia Albert Einstein que «só os loucos é que, continuando a fazer as mesmas coisas, querem ter resultados diferentes»!
Pois alguém achará que os loucos querem fazer as coisas de outro modo?
Ou que... deixaram de ser loucos?
Sendo assim,... ganharão os mesmos dos últimos anos!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

A pouca sorte de Rui Vitória

"Fez ontem uma semana que o Benfica venceu em Madrid e há uma conclusão que se pode tirar: Rui Vitória não é um homem com muita sorte. Os ecos do brilhante triunfo no Vicente Calderón duraram apenas 24 horas, porque daí para cá o espaço mediático tem sido ocupado, basicamente, por três assuntos - Football Leaks, o nevoeiro da Choupana e a ida de Bruno de Carvalho ao 'Prolongamento', da TVI24.
Um dos maiores feitos internacionais nos últimos 30 anos do Benfica desapareceu, assim, enquanto ardeu um fósforo. Uma vitória em casa do Atlético Madrid será apenas comparável nos tempos modernos, a outras que os encarnados conseguiram nos terrenos de Liverpool (2006, com Koeman), Arsenal (1991, Eriksson) e Roma (1983, Eriksson). Para encontrar melhor ou igual já será preciso recuar à década de 60. 
Rui Vitória também não tem aquilo a que se chama 'boa imprensa'. Se vencessem o Atlético - em Madrid e num jogo da Liga dos Campeões - outros treinadores estariam ainda a esta hora a nadar em elogios. E até faria sentido, neste caso, onde os números falam por si. Em 67 jogos de equipas portuguesas em Espanha, apenas 11 vitórias. No caso do Benfica, foi a segunda em toda a história dos encarnados. Antes, apenas Eriksson, em 1983, no terreno do Bétis. E depois há esse 'pormenor' de ter sido esta a primeira derrota na Champions de Diego Simeone no Vicente Calderón desde que chegou ao clube, em 2011. Por fim, a lembrança de que em 2015, que está a caminhar para o fim, apenas duas equipas venceram naquele estádio: Barcelona e Benfica. Rui Vitória é, ou não um homem com pouca sorte?"

Ninguém para Portugal: será rotura?

"Como espero que, hoje, Portugal fique apurado para o Europeu, tenho um pretexto para voltar ao Acordo Ortográfico (AO).
Amanhã, a manchete de um jornal poderia ser 'Ninguém para Portugal', de acordo com as novas regras. Imagine-se um completo leigo nestes assuntos de futebol a ler na banca este título de primeira página. Teria ficado no mínimo admirado. Então ninguém vem para Portugal? Será que os turistas já não gostam do nosso País? Ou será que quem emigrou jamais regressará? Ou não iremos receber a nossa quota de refugiados do Médio Oriente? Uma outra pessoa mais atenta ao desporto, ali ao lado deste simpático leitor de títulos na banca matinal, tê-lo-á descansado: o que está escrito, meu caro senhor, é que ninguém pára Portugal chegado à fase final do Europeu! O nosso distraído da bola, ficou aliviado. Mas, como igualmente não dominava o AO, logo retorquiu que faltava um acento agudo no primeiro 'a' da palavra 'para'. O outro, mais 'acordista', disse que não: deixou de ter acento e teremos que ler de acordo com o contexto. O diálogo continuou: Sim, mas se houver mais do que um contexto ou não se souber do contexto? Terá que adivinhar, concluiu o interlocutor.
A confusão do AO é, também, geradora e multiplicadora de erros. Por exemplo, há quem tire o 'c' a facto como se nós lêssemos 'fato'. Ou, como na capa de domingo de A BOLA, onde li que há rotura total entre Carrilho e o SCP. Ou seja transformou-se a ruptura (rutura, versão AO) de negociações numa qualquer rotura de ligamentos. Ter-se-á instaurado um processo disciplinar ao peruano por causa de uma rotura muscular?"

Bagão Félix, in A Bola

Mundial de râguebi

"Enquanto no futebol planetário se transaccionam influências, se vem conhecendo a ponta do iceberg da corrupção e pouco se avança na adaptação das regras aos novos tempos, temos podido ver o que se passa, de bem diferente, em redor do Mundial de râguebi.
Confesso que não conheço todas as regras deste desporto, mas mesmo assim dá para perceber a emoção do espectáculo. Um torneio jogado com tanto entusiasmo, como de suficiente lealdade desportiva. Num desporto duro e intenso, de constante contacto físico, as quezílias e querelas à volta do jogo são incomparavelmente menores do que noutros desportos.
Disputado na tradicionalista Grã-Bretanha, os estádios estão sempre cheios, sem claques estúpidas e violentas, onde não há lugares reservados para os apoiantes dos contendores, antes pelo contrário todos se misturam na alegria do jogo. Neste Mundial, os estádios estão cheios e bateu-se até o recorde de espectadores (89.019) no jogo inaugural entre a Nova Zelândia e  a Argentina.
Haverá algum desporto colectivo onde o que o árbitro diz durante o tempo de jogo é ouvido e escrutinado por todos? E que dizer de recorrência às imagens para esclarecer dúvidas legítimas deste decisor? E alguém vê discussões estéreis e inconsequentes dos atletas e técnicos sobre as decisões tomadas?
A superabundância do dinheiro (para poucos) e a apoplexia de passivos (para quase todos) que constatamos no futebol não residem neste desporto que, apesar do primado monetário, ainda guarda algumas interessantes características amadoras, no melhor sentido da palavra."

Bagão Félix, in A Bola

Normal

Corruptos 30 - 25 Benfica
(16-14)

Acabou por ser um resultado normal, agora tal como ficou provado nos confrontos directos do ano passado, a diferença não é tão grande como parece: com 3 Livres de 7 metros falhados, imumeros erros nossos aos 6 metros... bastava estas duas variáveis serem positivas para o nosso lado, e o equilibro seria outro, mesmo com o Gilberto e o Quintana... aqueles que verdadeiramente fazem a diferença.

Mundial de atletismo

"Acompanhei, a par e passo, o Mundial de atletismo que teve por palco o imponente estádio de Pequim. Ninho de grandes proezas e que parece ter um significado especial para Nelson Évora. Por lá protagonizou feitos inesquecíveis e terá sentido de forma muito especial a medalha de bronze que trouxe na bagagem e que, juntamente com o ouro do Europeu recente, vieram confirmar o que do nosso atleta se pensa e que já foi dissecado, analisado, louvado e glorificado por quem teve a obrigação ou a necessidade de o fazer, em cima dos acontecimentos.
Mas não foi só o homem do Benfica a emocionar-me. O fair play, de que falamos nestas colunas em nome do CNID e do Plano Nacional da Ética Desportiva, foi esmagador nesta competição, eventualmente único na história do desporto. As serenas celebrações dos vencedores, a camaradagem e os sorrisos nos lábios de quem ganhou e de quem perdeu tiveram a naturalidade... das coisas naturais.
E as comparações são inevitáveis. Especialmente com o futebol, o do nosso Portugal arrebatado e emotivo que parece caprichar em escrever torto por linhas direitas, as dos recintos de jogos. Arbitragem, treinadores. dirigentes. alguns jogadores e alguns jornalistas, felizmente poucos, travam uma 'luta' diária para que as coisas sejam cada vez piores. 'Apoiados' pelos comentadores quase profissionais que, para defenderem as suas cores, não hesitam em pôr todos contra todos.
Olhem para o atletismo e, já agora, para muitas outras modalidades que capricham em dignificar os princípios sagrados do Desporto."

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Náufragos à deriva num mar branco e furioso

"Dias antes de se estrear na Taça dos Campeões Europeus, o Benfica recebeu o Barcelona no Restelo e realizou uma das mais brilhantes exibições da sua história destruindo por completo o adversário, marcando quatro golos e chutando por duas vezes aos postes.

As conversas são como as cerejas, diz-se. Talvez as crónicas sejam como as ginjas: recordação arrasta recordação e cada história traz consigo, presa pelo mesmo espigão, outras histórias.
Hoje recordo um episódio curioso dos primórdios do grande Benfica europeu. E, para isso, recuo até 1957. Setembro de 1957. Estavam os 'encarnados' à beirinha de se deslocar a Sevilha para o seu primeiro jogo da Taça dos Campeões que, como todos sabemos correu mal, com uma derrota por 1-3 que os deixou logo de fora na primeira eliminatória.
Não esqueçamos no entanto que já havia taças da Europa há muitos e muitos anos, que esta coisa de reduzir tudo ao que a UEFA regula e manda só serve para enganar pacóvios, o Futebol já existia organizado muito antes de surgirem os mostrengos que hoje em dia o lideram com mão de ferro e nem sempre muito limpa.
Um dia falaremos aqui da Challenge Cup (que punha em confronto desde 1987/88 os campeões dos países que compunham o Império Austro-Húngaro) ou da Copa Mitropa (iniciada em 1927 e que englobava os grandes clubes das federações centro-europeias), tal como por várias vezes já falámos da Taça Latina.
Pois em 1957, já o Benfica conquistara a Taça Latina (1950) e perdera no mês de Junho uma final da mesma prova em Chamartín, face ao Real Madrid.
Agora, no dia 5 de Setembro, defrontava o Barcelona, no Restelo.
O Barcelona já vencera a Taça Latina por duas vezes (1947, batendo o Sporting na final, e 1952), sonhando com a Taça dos Campeões Europeus conquistada até aí duas vezes pelos rivais do Real.
Ah! havia gente fantástica nessa equipa catalã: Ramallets, Gensana, Segarra, Seguer, Bosch, Luisito Suarez, Vergés, Basora, Sampedro, Tejada, Ramon Villverde, Ladislao Kubala.
Kubala, o grande húngaro, não veio a Lisboa...
Sorte dele.

Rezando à Nossa Senhora dos Afogados
Entre o público que se deslocou ao Restelo, estava Guilherme Espírito Santo que uns anos antes, precisamente em Barcelona, tinha levantado as bancadas do Les Corts graças à sua técnica maravilhosa.
Ele viu. E todos os outros foram testemunhos.
O Benfica destruiu o Barcelona! Não há forma de o descrever sem ser assim. Foi uma destruição pura e dura de uma equipa que toda a imprensa considerava muito superior.
Por falar em imprensa: Tavares da Silva esteve presente.
Ainda bem para nós, que gostamos da prosa escorreita e clara.
Tavares da Silva: já o tenho trazido aqui por diversas vezes.
João Joaquim Tavares da Silva: formado em Direito, jornalista de «A Bola» (não esta, uma que existiu entre 1932 e 1934), da «Standium», do «Diário de Lisboa», do «Norte Desportivo»; treinador da Académica, do Belenenses, do Lusitano de Évora, do Sporting; seleccionador nacional; o homem que inventou a expressão «Cinco Violinos».
Tavares da Silva nunca escondeu que o seu clube do coração era o Sporting. Por que haveria de fazê-lo? Faria dele mais sério, mais profissional?
Julgue o leitor por si próprio: «Arrasam-se-nos de lágrimas os olhos ainda hoje ao relembrar-mos aquele deslocação a Barcelona (N. do A. - 1940, derrota do Benfica por 2-4) que tão intensamente vivemos, nós, sportinguistas de gema, e por isso mesmo nos sentimos ontem à noite irmanados com Guilherme Espírito Santo no mesma luz, uma alegria superior à média dos benfiquenses».
Isso mesmo, benfiquenses como era uso à época.
Isso mesmo, é ao relato de Tavares da Silva que vamos recorrer para falar da impressionante vitória do Benfica sobre o Barcelona: 4-0!
«Ao começo, ainda os barceloneses deram uma imagem ou um apontamento de mérito, mas à medida que o tempo se gastava as operações do Barcelona diminuíam e as do Benfica cresciam de forma assustadora. Quando os lisboetas, que na época passada se cobriram de glória não só em território nacional mas também em terras de Espanha (N. do A. - Taça Latina), chegaram aos 4-0 (havia somente 49 minutos de jogo), o encontro findou... O adversário estava por terra, já não tinha velocidade, sentia-se diminuido e acabrunhado, estava completamente desfeito o seu poder de reacção e o Benfica tinha perdido, logicamente, a raiva do jogo. (...) O Barcelona era, verdadeiramente, uma imagem de Futebol esfrangalhado, impotente, com vários sectores desligados, e as suas unidades mantinham-se em campo só para cumprir a obrigação. Apenas aos 90 minutos do jogo acabou a tortura dos espanhóis. Uma única equipa vivia em campo; a outra estava morta».
Dificilmente haverá maior eloquência de uma superioridade. O Benfica havia transformado o seu adversário numa equipa banal e sem fogo.
Aos 35 minutos, Palmeiro tenta um remate distante: a bola sai alta, atrapalhando Ramallets que soca para a frente; Coluna vem na passada e é fulminante como um raio - o pontapé é tremendo, o golo magnífico.
Como estupenda foi a cabeçada de José Águas para o 2-0 em cima do intervalo.
O Benfica atacava com seis, às vezes sete e oito jogadores. Fernando Caiado e Coluna dominavam por completo as respostas do meio-campo do Barcelona. Cavém faz o 3-0 e Águas o 4-0 sobre o minuto 50, novamente de cabeça.
Os catalães podem agradecer à sorte. Vêem Coluna e Salvador estarem à beira do quinto golo; assistem à forma como Águas desperdiça um «penalty» chutando ao poste e como Calado faz a recarga à trave.
Envoltos num mar branco e encapelado (o Benfica jogava todo de branco) são náufragos à deriva, rezando à Nossa Senhora dos Afogados para que o tempo passe depressa e possam regressar a casa.
Só voltarão a defrontar o Benfica dentro de quase quatro anos: em Berna. Para conhecerem de novo o amargo da derrota."

Afonso de Melo, in O Benfica

Sobre Gaitán

"Escritor notável, Nobel da Literatura, referência ética de uma Europa a colapsar e guarda-redes de futebol no Racing de Argel, Albert Camus foi tudo isto e, certamente por isso, disse um dia que "depois de muitos anos, nos quais vi muitas coisas, o que sei de mais seguro sobre moralidade e os deveres do homem, devo-o ao desporto e aprendi-o no Racing de Argel". A citação surge amiúde e vive de forma autónoma, contudo só recentemente apreendi o seu verdadeiro sentido.
Recorro a Eduardo Galeano, que cita ainda Camus, que nos revela ensinamentos dos anos de guarda-redes: "Aprendi que a bola nunca vem ter connosco por onde esperamos que venha. Isso ajudou-me muito na vida, sobretudo nas grandes cidades, onde as pessoas não são, como se usa dizer, rectas."
Moralidades à parte, o que Camus também identificou com precisão foi a magia singular do futebol. Uma coreografia assente em regras, disciplina táctica, movimentos previsíveis, mas que acaba por ruir porque, por mais que procuremos antecipar o que vai acontecer, "a bola nunca vem ter connosco por onde esperamos"
Hoje o futebol pode parecer uma exibição de organizações quase espartanas, com pouco espaço para a afirmação individual. Nada de mais errado. O futebol persiste grandioso porque no meio da organização burocrática, do modelo de jogo ensaiado, há sempre uma nesga de criatividade que leva a bola por caminhos inesperados. Sem o rasgo irresponsável de um par de mágicos que resistem às amarras, o futebol poderia existir, mas não nos ensinaria nada sobre moralidade."

União está a mais na Liga

"Não se chama Sebastião, nem sequer é rei, mas mostra habilidade na oratória este presidente do União que, num fim de tarde de nevoeiro, se aproveitou do espaço de antena que lhe foi dispensado para verberar o adiamento do jogo com o Benfica que minutos antes havia sido decidido por quem detinha poderes para tal, como se tivesse sido praticado pecado sem perdão. Em primeiro lugar, o referido presidente, porventura deslumbrado por tamanha deferência mediática, entendeu espalhar críticas em várias direcções, começando, é bom que se assinale, por rotular de parvos quantos naquele instante seguiam a transmissão da Sport TV, os quais, com o mínimo de atenção, puderam verificar que em termos de condições climatéricas as imagens foram mais fortes do que as palavras, contrariando o que o dirigente ousou afirmar sobre a matéria. É claro que o jogo poderia ter-se iniciado naquele intervalo que jornalista e comentador da estação assinalaram com oportuno sentido de reportagem mas apenas isso. Tratou-se apenas de uma aberta que depressa se diluiu na espessa neblina que, por informações recolhidas, assentou arraiais desde manhã e não mais de lá saiu.
À parte o farrapo de argumentação utilizada com o suposto objectivo de, no essencial, dar uma bicada na posição assumida pelo Benfica, o presidente unionista endereçou bizarros reparos aos que contribuíram para dar uma «má imagem da região, de um clima que não é o seu»... Além de um rol de queixas, ao considerar o União «altamente prejudicado» e, entre outros arremessos, sugerir ao actual Governo Regional que fiscalize o contrato de cedência ao Marítimo do Estádio dos Barreiros.
O presidente unionista falou muito, mas esqueceu-se, ou talvez não, de abordar a questão que verdadeiramente interessa e que se prende com o facto de três clubes da mesma cidade (Funchal) competirem na principal Liga profissional (Marítimo, Nacional e União), o que só encontra paralelo na capital do país (Benfica, Sporting e Belenenses), aconselhando o bom senso, no entanto, que não se estabeleçam comparações entre as duas realidades por serem incomparáveis... A introdução do União na Primeira Liga é, pois, a expressão de mais uma exuberância futebolística made in Madeira. Exuberância essa que vai gerar custos elevados que terão de ser pagos.
Já que se mostrou tão empenhado na proclamação de alguns valores, podia o presidente da SAD unionista ter aproveitado a ocasião de estar em rede de grande audiência para informar quanto recebe o seu clube do Governo da Região. Não se lembrou ou tal manifestação de transparência não coube no alinhamento da sua demorada intervenção. Não é segredo, mas, mesmo assim, ter-lhe-ia ficado bem essa declaração, em nome da verdade. Pois é... talvez não interesse despertar esse sentimento de concorrência desleal em relação aos clubes continentais, principalmente aos de menor dimensão, porque se todos pudessem beneficiar dos mesmos apoios financeiros, provavelmente, esta situação nem se colocaria...
Com todo o respeito pela história de um emblema centenário, carece de sentido a presença do União na Liga portuguesa. Pode não gostar-se dos estilos dos respectivos presidentes (Carlos Pereira e Rui Alves), mas é inquestionável que, cada qual com a sua linha de orientação, Marítimo e Nacional são notáveis representantes da Região, além de apresentarem obra.
O União depara-se-nos, pois, sobre a onda de um capricho político-social que os contribuintes não têm obrigação de continuar a suportar..."

Fernando Guerra, in A Bola

Pecados mortais

"A propósito de alguns fenómenos desportivos anómalos, reveladores da condição humana, relembro os 'pecados mortais' e aproveito para renovar as críticas pela forma como alguns clubes têm vindo a coagir os seus jogadores para que aceitem a cessação ou renovação do contrato de trabalho.
Orgulho. Quer na pré-época quer no decurso das competições desportivas têm sido recorrentes as práticas abusivas infligidas a jogadores, colocados a treinar à margem do 'grupo normal de trabalho', ou na 'equipa B', para que abandonem o clube ou renovem o vínculo.
Avareza. Embora os clubes estejam mais conscientes do papel que devem desempenhar as equipas B, nalguns casos estas continuam a funcionar como espaços de punição e desvalorização de jogadores. 
Luxúria. Prosseguem também os casos de jogadores com indicação por parte dos clubes para aguardar pela sua chamada, sendo depois confrontados com processos de despedimento por abandono do trabalho. 
Inveja. Para além de violarem as garantias laborais essenciais, as práticas descritas têm fomentado a celebração de acordos de revogação desfavoráveis aos interesses dos jogadores, comprometendo o progresso da sua carreira desportiva.
Gula. Reitero que os jogadores devem poder treinar com o seu 'grupo normal de trabalho'. Qualquer diferenciação de tratamento que não seja justificada por razões disciplinares e aplicada proporcionalmente constitui uma forma de discriminação ilegal violadora das obrigações a que os clubes, enquanto entidades empregadoras, estão sujeitos.
Preguiça. As sanções disciplinares aplicadas pelos clubes devem resultar de um processo devidamente instruído que permita a apresentação de meios de defesa.
Defeitos e virtudes. Os jogadores envolvidos nas práticas enunciadas devem estar conscientes de que não estão sozinhos e procurar ajuda junto do Sindicato. Dando o primeiro passo terão um parceiro de diálogo com os clubes que pautará a sua actuação pelo respeito, integridade e facilitação das vias de comunicação. O nosso compromisso é claro, o de apoiar os jogadores, com o máximo respeito pelos clubes que representam, em prol da dignidade do futebol!"

"Um pombo à cabeça e um cão ao ombro..."

"A história do jogador de futebol que era columbófilo e que vivia numa casa que mais parecia a Arca de Noé.

José Torres (1938-2010) teve uma longa carreira como jogador, somando 23 anos de carreira no futebol profissional. Nunca é demais relembrar que o avançado esteve ao serviço do Sport Lisboa e Benfica durante 12 épocas, ao longo das quais auxiliou o Clube na conquista de 16 títulos.
Os seus feitos desportivos, tal como a sua inconfundível figura - alta, esguia, de rosto estreito e sobrolho carregado  - são já bem conhecidos. O que muitos desconhecem é que José Torres tinha uma paixão para além do relvado: a columbofilia. Em sua casa tinha cerca de uma centena de pombos que ele próprio treinava mas, de todas aquelas aves, uma era especial: o Menino.
O Menino, ao contrário dos restantes, não era um pombo-correio e não vivia no pombal. O Menino circulava livremente entre a casa e o quintal, onde brincava com José Augusto, Francisco José, Maria da Nazaré e Ana Maria, os filhos do jogador, mas sobretudo com o Pitó, o cão.
Quem nos dá a conhecer a curiosa histórica do Menino e do Pitó é o jornalista Carlos Pinhão que, ao serviço do jornal A Bola, se deslocou juntamente com o fotógrafo Nuno Ferrari a casa do jogador. O objectivo inicial era, como seria de supor, fazer uma reportagem sobre futebol mas, sendo recebidos entusiasticamente pelos dois bichos, logo a temática foi alterada.
Sentaram-se para dar início à entrevista e, de repente, o jornalista tinha 'um pombo à cabeça e um cão ao ombro...', um momento que descreve como 'verdadeiramente inesperado'.
'-São amigos' - começou Torres a explicar.
'-Quem?
-O cão chama-se «Pitó» e o borracho é o «Menino». São muito amigos um do outro, andam sempre na brincadeira.'
E assim, o pombo e o cão ganhavam o papel de protagonistas na entrevista. Na página d'A Bola, Pinhão continuava:
'É giro ver o cão a correr e o pombo a acompanhá-lo, voando. (...) diz-nos Torres que brincadeiras assim se estendem às galinhas, aos patos, aos gatos...'. 'Mas isto é uma casa ou a Arca de Noé?', perguntou  o jornalista.
O fotógrafo, 'a rir-se às escâncaras', disparava continuamente. Torres limitou-se a responder:
'-Ainda bem que vocês vieram cá a casa (...) é que ninguém acredita, (...) agora é diferente, vendo as fotografias do Nuno...'.
No Museu Benfica - Cosme Damião, são vários os locais onde Torres é recordado, entre eles a área 23. Inesquecíveis."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Lixívia 7 (Benfica -1 jogo)

Tabela Anti-Lixívia:
Sporting.............17 (0) = 17
Benfica............ 12 (-4) = 16
Corruptos....... 17 (+2) = 15

Os dois jogos disputados, não tiveram casos graves, alguns foras-de-jogo mal decididos em Alvalixo, mas sem influência no jogo... A expulsão do jogador do Guimarães foi justa.

O 'caso' da jornada foi mesmo o adiamento do União-Benfica. Construir um Estádio de futebol, num local propício a Nevoeiro dá nisto...
Agora, a questão mais importante parece ser o regulamento!!! É engraçado, já que em Portugal, os regulamentos foram feitos para não serem respeitados...!!! Então no Tugão, é prática corrente, abrir-se excepções... mas aparentemente, existe uma vontade justiceira, em fazer respeitar do regulamento deste vez, principalmente na parte onde é dito, que a partida adiada, seja disputada nas 4 semanas seguintes...!!!
Noutra parte do regulamento de competições, também diz que todas as equipas têm direito a 72 horas de descanso entre jogos, mas esse pormenor, parece que não é muito importante...!!!
Vejamos: nas próximas 4 semanas o Benfica, não tem nenhum 'buraco' de 72 horas, para encaixar o jogo do União. O Tondela-Benfica, já está marcado para Sexta-feira (já que na Terça-feira seguinte, jogamos com o Galatasaray na Luz), portanto na Quarta-feira anterior não dá... E após o jogo no Cazaquistão, vamos jogar a Braga numa Segunda-feira, logo nessa Quarta-feira também não dá...
Sendo assim, o mais fácil e lógico seria adiar o jogo para Dezembro, após o fim dos jogos da fase de grupos da Champions...
A única solução, para evitar o adiamento tão prolongado, seria marcar o União-Benfica para um fim-de-semana de Taça de Portugal. A 3.ª eliminatória da Taça de Portugal já foi sorteada, e já tem os jogos marcados, além disso disputa-se dentro de pouco tempo... e além do Vianense-Benfica, tinha-se que adiar o União-Rio Ave.
Agora, seria possível marcar o União-Benfica para o fim-de-semana da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal, como ainda não foi sorteada (nem se sabe se as duas equipas se vão qualificar) seria mais fácil, 'encaixar' o jogo... mas como as competições são organizadas por instituições diferentes, duvido que isso aconteça...
Qualquer outra solução, que implique o Benfica, por em causa o nosso futuro na Champions, e no Campeonato, é inaceitável...

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0, Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
Épocas anteriores:

O que vai mudar com o 'Football Leaks'?

"Além do 'voyeurismo' associado ao 'Football Leaks', há duas dimensões mais: a do caminho do dinheiro e a de eventuais ilegalidades.

O fenómeno do Football Leaks está a marcar o futebol português e a suscitar a atenção da Europa. Em Espanha, por exemplo, aquilo que mais interessaria, segundo a comunicação social, era conhecer os termos exactos do contrato de Iker Casillas...
Há três vertentes, neste caso, que devem ser identificadas e separadas: uma dimensão voyeurista, que resulta da curiosidade em saber os detalhes de operações normalmente vedadas aos olhos da opinião pública; uma outra que pode resultar da eventual ilegalidade de alguns passos dados nas operações contratuais; e uma terceira, que dotará os comuns mortais de instrumentos capazes de tornar perceptíveis os caminhos do dinheiro nos negócios do futebol. Seja como for, estamos perante matéria de interesse, capaz de fazer luz sobre matérias sensíveis e normalmente reservadas. Quando o fenómeno Wikileaks incendiou as relações internacionais, os principais jornais do mundo decidiram que os factos trazidos à luz eram mais importantes do que a forma como tinham sido obtidos. E, segundo esse princípio, e contrariando a vontade especialmente do Governo dos Estados Unidos, foram publicados muitos segredos embaraçosos. Com que consequências? Houve debate alargado em relação a algumas práticas erradas e vários comportamentos acabaram por ser alterados. Esse foi o mérito da Wikileaks e, mutatis mutandis, esse poderá ser, também (excluindo o voyeurismo, de que o contrato de Jorge Jesus é outro exemplo) o benefício a colher do Football Leaks.
Futebol e eleições
Em dia de eleições, ao contrário do que vinha sendo norma, houve jogos de futebol dos principais clubes portugueses, a contar para o Campeonato Nacional. A resposta à contestação a esta decisão, feita em muitos casos através de uma indignação histérica e plena de demagogia, foi dada pela redução da abstenção. Afinal, o futebol não foi uma força contra a participação democrática, ninguém terá deixado de votar pelo facto de haver jogos. Já o tinha escrito, perante a calendarização das competições europeias e das datas FIFA, não haveria alternativa a esta solução de se jogar a 4 de outubro. E, como ficou à vista de todos, os jogos não foram nem intrusivos da consciência democrática nem dissuasores do voto.

Crónica de um prejuízo anunciado
«A Sporting SAD está agora convencida de que o projecto com o qual o jogador (Carrillo) se encontra comprometido não é o nosso.»
Comunicado Sporting Clube de Portugal
Acabou mal a novela André Carrillo. Acabou mal para o jogador, que não deverá jogar mais no Sporting e acabou ainda pior para o clube, que perdeu a mais-valia desportiva que o peruano representa e não terá nenhum benefício financeiro quando este partir. Os leões optaram por seguir uma linha dura, de antes quebrar que torcer. Resta saber o que ganharam com isso. Se calhar, nada.

(...)
Problema sério
A irresponsabilidade criminosa, em Madrid, de um punhado de idiotas da claque do Benfica vai custar caro ao clube da Luz. E não valerá a pena dizerem, os encarnados, que não reconhecem as claques. O mal está feito (como tem sido feito, em forma de petardos e tochas, ao longo dos últimos anos) e há que encontrar, com carácter de urgência, uma solução que inviabilize a entrada nos estádios destes marginais que nada acrescentam ao espectáculo. A situação não é fácil, mas carece de uma resposta enérgica e corajosa. Mais de Madrid é que não!"

Maldade galesa na hora da humilhação
Inglaterra fora do (seu) Mundial de râguebi, País de Gales e Austrália a caminho dos quartos-de-final e a rivalidade a tornar-se evidente no gozo com que o 'Wales on Sunday' carregou na humilhação da selecção da rosa. 'You Beauties!' foi a formula encontrada pelo jornal de Cardiff para elogiar os australianos...

José Manuel Delgado, in A Bola

Os arruaceiros

"Não há bela sem senão. Ao derrotar o A. Madrid, que perdeu a segunda partida europeia, no Calderón, nos últimos 28 jogos, o Benfica não pôde regressar a Lisboa sem uma mágoa: a causada pelo comportamento daqueles energúmenos que sempre se juntam às claques de futebol não para assistirem aos jogos mas para promoverem as arruaças que sentem dificuldade em concretizar noutras circunstâncias.
Uma criança ferida, atingida por material pirotécnico, é o balanço mais negro da postura dos anormais, que o Benfica vai ter de pagar com língua de palmo. E muito por dois motivos que ultrapassam a responsabilidade dos criminosos. O primeiro tem a ver com a Liga, com a Federação e com todos os agentes com poder para minimizar o mal incluindo as forças policiais, que não identificam e não punem os baderneiros. Nos estádios portugueses, basta atentar na benignidade com que se revistam os espectadores 'problemáticos' e no 'nevoeiro' que se instala sobre os relvados no início de alguns desafios, para se confirmar que brincamos com o fogo. Felizmente, a UEFA não.
O segundo motivo é o da tolerância do próprio Benfica à acção dos crónicos autores dos desacatos. Ao clube, seria fácil identificá-los e barrar-lhes o acesso aos recintos, o que só não faz porque se acha absurdamente, que um emblema que reclama ter 6 milhões de adeptos não pode perder duas ou três dezenas de doentes mentais. Foi bom ouvir Luís Filipe Vieira aplicar a "essa gente" a designação que bem lhes assenta: a de "arruaceiros". Mas melhor será que, perante o peso das consequências, o Benfica acorde de vez para o flagelo e o destrua."

Alexandre Pais, in Record