Últimas indefectivações

domingo, 23 de julho de 2017

Octávio e os passarinhos

"Vivemos numa sociedade onde quem trabalhou numa casa noctívaga não tem credibilidade.

Nestas conversas do futebol, fala-se muito de "credibilidade" como a qualidade sem a qual ninguém pode ser levado a sério.
Até nas esferas mais altas da nossa Justiça desportiva é essencial essa qualidade de se poder ser levado a sério de modo a não ferir decisões importantes para a moral pública.
Veja-se este caso recente da decisão de um órgão disciplinar da FPF sobre o processo do Apito Dourado em que foi liminarmente desprezada a contribuição de uma testemunha por não lhe ser reconhecida credibilidade.
É um facto que vivemos numa sociedade altamente civilizada onde, por exemplo, quem trabalha ou trabalhou numa casa noctívaga não tem credibilidade, enquanto aos clientes da mesma casa noctívaga é reconhecida toda a credibilidade desde que por lá paguem as contas e exijam os seus números de identificação fiscal nas facturas. É assim que o país progride.
Todo este relambório vem a propósito de Octávio Machado, o ex-director do futebol do Sporting, e da entrevista que concedeu à CMTV tendo como tema central a sua saída voluntária da estrutura do clube de Alvalade que, agora sem ele e segundo as suas próprias palavras, está repleta de "passarinhos", que é a mesma coisa do que dizer que a incompetência campeia.
A mudança de campo de Octávio provocou, naturalmente, acesas discussões entre a opinião pública dividida no que respeita à credibilidade a emprestar ao funcionário diligente e leal à presidência que passou, com a mesma verve de sempre, a dissidente leal à dissidência.
Feridos pela doença intratável de clubismo, milhares de fazedores de opinião – os profissionais dos estúdios de TV e das redes sociais e os amadores que pululam em todos os cafés e cervejarias do país – fizeram passar as declarações contundentes de Octávio Machado pelo crivo da querida credibilidade e chegaram a dois tipos de conclusão: a primeira, aos olhos dos sportinguistas afectos ao regime, é que o ex-dirigente em causa não tem credibilidade nenhuma, e a segunda, aos olhos da oposição interna e dos rivais externos é que o mesmo ex-dirigente tem toda a credibilidade do mundo.
Curiosamente, antes da demissão de Octávio ser uma hipótese a considerar nos terreiros, as opiniões destes grupos em confronto eram em tudo contrárias.
E os que acreditavam no "palmelão" que reunia em si o suprassumo das qualidades de que um homem necessita para ser levado a sério são agora os que menosprezam e fazem por ignorar olimpicamente as opiniões do "palmelinho" a quem acusam do ressabiamento dos não-credíveis. E vice-versa. "Olhó passarinho!", gritavam os antigos fotógrafos de feira.
"Olhó passarinho!", diz agora o novo Octávio que, em boa verdade, é o mesmo Octávio de sempre."

Vermelhão: decisões!

Benfica 0 - 1 Hull City


Mais um treino, desta vez com a intenção clara de dar minutos aos menos utilizados. Eliseu, Samaris, Joãozinho e Mitrolgou acabadinhos de chegar das férias... Lisandro, Horta, Carrrillo ainda com poucos minutos, foram todos titulares... Mesmo assim a grande novidade foi o Buta: os 45 minutos com o Bétis foram positivos, e hoje voltou a dar boas indicações, pessoalmente acho que para titular, neste momento, ainda é curto, mas tem potencial para ficar no plantel...

A 1.ª parte foi fraquinha, e se havia vários jogadores em 'exame', para saber se ficam ou se são emprestados, a 'coisa' não correu bem...
No 2.º tempo, após as substituições melhorámos muito... mesmo antes da expulsão do Central do Hull as melhorias eram claras... Com o Chrien a dar excelentes indicadores; o Willock a fazer os melhores minutos desta pré-época; o Zivkovic a 'estrear-se'... e a 'definição' do Jonas tudo foi melhor!
E só não demos a volta ao marcador, porque desperdiçamos várias oportunidades, algumas delas de forma escandalosa... o Seferovic que o diga!!! Os últimos 20 minutos foram um autêntico massacre...

Jogar contra 10 foi mesmo uma novidade para o Rui Vitória, no início da 3.ª época ao serviço do Benfica, em jogos do Campeonato, o Benfica nunca teve tanto tempo em vantagem numérica... o Rui Vitória deve ter achado 'estranho'!!!

Se a 'estrutura' estava à espera deste jogo para definir as 'dispensas' e as eventuais 'compras', então acho que este jogo reforçou a minha convicção: precisamos de um Defesa-Direito titular (não costumo falar de 'cenouras' mas o jovem Alemão noticiado nos últimos dias, era uma excelente adição); e de um Guarda-redes para lutar pela titularidade (já temos jovens promissores, precisamos de um atleta com garantias...).
Estas duas contratações são obrigatórias, a questão do Central é mais discutível: hoje, e na Quinta-feira, o Jardel já jogou melhor, notou-se o 'salto qualitativo' em relação à Suíça, mas temos que ter uma 3.ª opção do mesmo nível que os dois supostos titulares (Luisão/Jardel). Se a equipa técnica pensa que o Rúben Dias e o Kalaica dão essas garantias, então chega, mas não sei... O Lisandro marca golos, mas defensivamente (e é isso que se pede a um Central) não me dá garantias... e hoje viu-se!!! Além disso tem 'mercado'...

Os próximos jogos de preparação serão em Londres na Emirates Cup, o grau de dificuldade vai aumentar, mas vamos ter finalmente todo o plantel disponível (Pizzi, Jiménez já chegaram... e a tripla Salvio/Krovinovic/Grimaldo está quase!). Hoje, por exemplo foi notório a diferença de intensidade entre os jogadores que chegaram mais cedo, com os que só chegaram esta semana... creio que em Londres tudo vai estar mais equilibrado!
A ausência do André Almeida dos jogos no Algarve, também 'insinua' algum problema físico, aliás foi notória as dificuldades do André quando foi substituído na Suíça...


PS1: Nos Europeus de sub-20 a Final dos 100m barreiras, não correu nada bem à Marisa Vaz de Carvalho. Tal como o ano passado na Final dos Europeus de sub-18, a Marisa voltou a ficar bastante a baixo dos seus melhores tempos na Final... Algo a tomar em conta para a evolução...
13.60 e o 6.º lugar acaba por ser uma desilusão...!!!
O Pedro Pinheiro não ultrapassou as qualificações do Triplo-Salto, com 15.23m e o 14.º lugar. Na mesma prova o Júlio Almeida, fez 14.52m que lhe deu o 26.º lugar.

PS2: Destaque ainda para o regresso da Telma Monteiro, praticamente um ano após a Medalha Olímpica, depois de uma 'longa' lesão. E logo com uma vitória no Open Europeu de Minsk!

sábado, 22 de julho de 2017

Da frontalidade

"Octávio Machado foi, revelou-o Bruno de Carvalho, a terceira escolha quando, no início de 2015/16, foi convidado pelo Sporting para director geral do futebol. Para os mais atentos não terá sido novidade - basta ler as notícias dessa altura -, mas a confirmação desse facto foi a forma encontrada pelo presidente leonino para atingir o agora ex-funcionário onde todos sabem que lhe dói mais: no orgulho.
Diz Bruno de Carvalho que a única coisa que não lhe agradece é a entrevista concedida numa altura inconveniente para os interesses do Sporting. Admite-se, até que Bruno de Carvalho se tenha sentido magoado. Mas não terá ficado, de certeza, surpreendido. Porque foi Octávio Machado a ser ele próprio. E foi por Octávio Machado ser como é, e sempre foi, que o Sporting decidiu convidá-lo numa altura em que a Bruno de Carvalho - e talvez a Jesus - pareceu ser importante contar na estrutura com alguém com o seu perfil: beligerante, sem medo do confronto, disposto a dar o peito às balas sem receio das consequências - mesmo que já então talvez desactualizado quanto às necessidades do futebol moderno. Não estaria agora, por certo, à espera que Octávio saísse (ou fosse empurrado) de forma pacífica. Esperou umas semanas e desabafou. Como se sabia que faria.
Quanto à frontalidade - ou à falta dela - de Octávio Machado, acusado por Bruno de Carvalho de ter demitido por carta e sem com ele falar cara a cara: muito antes do final da época já se sabia que Octávio era visto em Alvalade como estando a mais. Ele percebeu-o sem que alguém lho tivesse dito na cara. E decidiu sair pelo seu próprio pé e de maneira que sempre o caracterizou: sem medo da guerra, não admitindo ser o bode expiatório do insucesso desportivo. Surpresa?
Só para quem não o conhece."

Ricardo Quaresma, in A Bola

PS: O mais 'estranho' ou nem por isso, é numa análise a este 'duelo de palavras', o colunista não ter percebido, que a 1.ª entrevista do Octávio foi completamente inócua, falando muito sobre nada, e não acusando ninguém directamente... se não tivesse existido a 'resposta' do Babalu, tudo teria sido esquecido rapidamente...!!!

Substituição no defeso: sai Cristiano Ronaldo, entra Frederico Morais

"Hoje é o dia seguinte. Terminou ontem a 6.a etapa do circuito mundial de surf, que se realizou em Jeffreys Bay, na África do Sul. Frederico Morais, 25 anos, Cascais, foi brilhante.
Andemos um verão para trás, mais propriamente para os acontecimentos do Euro 2016 de Futebol. Portugal teve uma campanha pautada por timidez na fase de grupos, dando lugar a capacidade de lutar, criatividade e determinação rumo à vitória final. A telenovela desportiva tinha, na altura, uma personagem principal: Cristiano Ronaldo, o maior desportista português dos tempos recentes.
Julho 2017. Cristiano está de férias e não participa na história contada do dia-a-dia. Toda a gente está farta da especulação do afamado mercado de transferências e outras notícias não preenchem a agenda desportiva. Até que o jovem surfista português entra em acção.
Curiosamente, disse a alguns amigos em privado que a entrada de Morais em prova tinha muitas semelhanças com o Euro 2016. Foi passando as suas baterias com mestria, mas a expectativa que lhe confiava deixava aquela certeza de que estava um furo abaixo das suas reais capacidades. Chegamos à 4.a ronda e Frederico defronta o campeão mundial em título, o havaiano John John Florence, e o campeão desta prova em 2016 (ele também ex-campeão mundial), o australiano Mick Fanning. Ajustou o que teve de ajustar. Comportou-se exactamente como ele próprio trabalhou para surfar uma das melhores ondas do mundo, a qual não permite menos que performances desportivas excepcionais. Resultado final: 19.07 num total de 20 pontos e os dois campeões relegados para o round de repescagem.
Um dia mais tarde, entramos naquele que foi considerado o “wildest day” dos tempos recentes do surf profissional. Um tubarão branco empurra quatro surfistas para dentro do barco de apoio. Três campeões do mundo (Florence, Fanning e o brasileiro Gabriel Medina) e Frederico. É uma imagem que vai perdurar no tempo não pela via do encontro improvável, mas antes porque cenas dos próximos capítulos iriam ser escritas logo de seguida, antevendo um futuro sólido para o português. 
Começava então a bateria dos quartos-de-final onde Morais voltava a defrontar Florence. Em regime de “mata mata”, o prodígio havaiano apresentou-se ao mais alto nível, deixando o português à procura da pontuação quase perfeita no último terço da bateria – um teste perfeito à tenacidade de Morais. À semelhança do primeiro penálti de Cristiano que desfez o empate frente à Polónia, Frederico foi brilhante e termina com a onda perfeita (10 pontos) rumo às meias-finais, com uma pontuação de 19.77 em 20 pontos. A onda da decisão foi feita nos segundos finais, nivelando com normalidade o sofrimento que todos nós estamos habituados a vivenciar. Foi a segunda vez que um português atingiu a perfeição no topo do surf mundial, depois de Tiago Pires em 2008, no Taiti. Alguns ficaram de lágrimas nos olhos, outros gritaram de felicidade e muitos bateram palmas. A personagem principal deste dia passou a ser Frederico Morais, com abertura de jornais de TV e rádio, capas na imprensa escrita, ilimitadas conversas de WhatsApp e inúmeras reacções nas redes sociais. É o arrastar de multidões e o conquistar dos portugueses!
Em Portugal, temos por norma começar a celebrar cedo, com ovações de vitória quando a competição ainda vai a meio. É o nosso espírito latino caracteristicamente quente nas emoções. Mas Frederico nem quer saber. Ainda em fase de digestão do momento, indica que se “foi histórico, ainda melhor”, mas que “agora é focar e querer sempre mais”. É a sabedoria popular que diz que não há duas sem três. Depois de o capítulo i ditar o “melhor heat da minha vida” nas palavras de Frederico, o seguinte foi de superação com o “melhor depois do melhor”, chegando o terceiro, ou o dia das finais, se preferirem. Pela frente, outra vez um ex-campeão do mundo, o brasileiro Gabriel Medina, mas o resultado foi pronunciado pelos comentadores internacionais, apelidando Morais de “man o war” (caravela portuguesa) em jeito de ilustração do espírito letal e autoritário com que conquista o seu lugar na final.
Perceba-se a importância do que acabara de acontecer. Frederico está no seu primeiro ano na elite do surf mundial e já contava com um 5.o lugar em Bells Beach, uma das ondas mais icónicas do mundo. Na que foi considerada a melhor etapa do ano até ao momento, e certamente uma das melhores de sempre, dado o impressionante nível de surf que se viu nas ondas de Jeffreys Bay, Morais inscreve-se definitivamente nos livros dos melhores dos melhores, terminando num excelente 2.o lugar frente ao brasileiro Filipe Toledo e arrecadando 8000 pontos para consolidar a sua nova 12.a colocação no ranking mundial. Acima de tudo, posiciona-se para o ataque ao restrito grupo do top-10 mundial, segura garantidamente a sua qualificação para 2018 e fica debaixo de olho para a prestigiante distinção de “rookie of the year” (melhor estreante do circuito mundial). Quando Toledo se dirigiu a ele em palavras durante a entrega de prémios, Frederico, sempre nobre e com a bandeira portuguesa enrolada nas pernas, olhou-o firme e de frente, num misto de raça vencedora e humildade perante o momento de reconhecimento da sua grandeza no clube dos enormes do surf mundial.
Foi a melhor prestação de sempre de um português no World Championship Tour. Dos expatriados espalhados pelo mundo aos portugueses em solo nacional, todos em uníssono aclamam como forma de retribuição de tamanha honra para o país das cinco quinas: Obrigado, Kikas. És um herói nacional!"

Francisco Simões Rodrigues, in i

PS: Alguns podem perguntar: qual a ligação com o Benfica?!
Pois, o heróis desta crónica (e da anterior) é Benfiquista, e neste momento é o 12.º do ranking Mundial!!!

Kikas ganhou à Alemanha de 74, passeou frente ao tiki-taka espanhol, dizimou a Holanda de Cruyff e só perdeu na final com o Brasil de 2002


"Fará em Outubro 21 anos desde que um surfista português venceu pela primeira vez um heat do campeonato do mundo de surf, e logo na primeira etapa alguma vez realizada em Portugal. Antes chamava-se World Championship Tour, mas a lógica já se aplicava: os melhores atletas do mundo competiam nas melhores ondas e o Kelly Slater ganhava que se fartava. Bom, foi mais ou menos isso. O mar naquele dia no Cabedelo não estava propriamente épico, nem isso interessou para nada. A primeira vitória de um português tem um nome: Bruno Charneca, Bubas para os amigos, para os rivais e para os adolescentes como eu que devoravam a SURF Portugal e a Surf Magazine, ou viam o Portugal Radical e sonhavam com a Rita Seguro. Se estiveres a ler, Rita, olha, muááá.
A vitória do Bubas não foi coisa pouca. O local da Caparica eliminou nem mais nem menos que Kelly Slater. Não era este Kelly Slater quarentão cheio de travadinhas (um génio ainda assim). Era um Kelly Slater que nessa temporada ganhou 7 das 14 etapas disputadas e conquistou o quarto título mundial da sua carreira e o terceiro consecutivo, lançadíssimo para ultrapassar o tetracampeonato de Mark Richards. Fez o penta duas épocas depois e ganhou o sexto título da carreira. Talvez não tenha sido esse Kelly Slater sedento de vitórias que naquele dia competiu no Cabedelo, uma vez que se sagrara campeão mundial antes da prova arrancar devido à ausência de Shane Beschen.
Não sei se foi esse o motivo da falta de comparência do Slater na primeira ronda da prova - estava no papo - ou se perdeu mesmo os aviões, mas o facto é que o melhor surfista de todos os tempos começou a prova na segunda ronda. Entrou na água, surfou de forma desinteressada e fez o dia ao Bubas e ao surf português. Chamam-lhe ronda de repescagens ou dos perdedores (losers round), o que é precisamente o que estou a fazer e/ou sou. Sou só um espectador anónimo do surf português, confortavelmente à espera do set na ronda dos perdedores. Uma pessoa aprende a viver com essa inaptidão e às tantas já se dá por satisfeita se molhar o rosto com água salgada na companhia dos amigos. Mas dizia, hoje repesco pelo melhor dos motivos. Hoje fez-se história. O Frederico Morais, Kikas para os amigos e para os adultos como eu que têm saudades da SURF Portugal e da Surf Magazine, o Frederico Morais quase ganhou.
O tanas. O Frederico Morais foi à final em J-Bay! Aviou três campeões mundiais pelo caminho! Surfou que se desunhou! Conquistou o mundo inteiro com a linha de surf mais elegante e entusiasmante de toda a prova, John John, Jordy ou Toledo incluídos. Há muitos anos que os surfistas da bancada gerem as suas vidas pessoais e profissionais de acordo com o fuso horário em que decorrem as etapas do Mundial de Surf, e hoje não foi excepção. Acordei ligeiramente atrasado para as meias-finais e já o Kikas encostava o Gabriel Medina às cordas. 24 horas antes tinha feito o mesmo com o John Johh Florence nos quartos de final, pela segunda vez em dois dias. Nas últimas horas, vi amigos e conhecidos comparar este feito à vitória portuguesa no Euro, o que é compreensível. Mas permitam-me a correcção: nós fomos campeões europeus de futebol depois de jogar contra Hungria, Islândia, Polónia, Croácia e País de Gales e finalmente a França. O feito do Kikas é de facto menor em termos absolutos, mas muito maior na cabeça do adepto de surf. O Kikas ganhou duas vezes à Alemanha de 74, passeou frente ao tiki-taka espanhol, dizimou a Holanda do Cruyff e só perdeu na final com o Brasil de 2002.
O que é que tudo isto tem a ver com o Bubas? Simples. Na cabeça de um adepto de surf que há mais de 20 anos anseia por vitórias portuguesas numa modalidade para a qual nascemos poeticamente destinados, isto é algo que há muito merecíamos. Não por um atleta, mas por todos os atletas e todas as praias. O Bubas mereceu limpar o sarampo ao Slater porque estava a surfar em casa e a minoria de adeptos pediam essa vitória, mas mereceu ainda mais pela beleza e benção de ter nascido português, numa terra que os melhores poetas descreveram quase sempre virados para o mar. Quem diz o Bubas diz o Dapin, o João Antunes, o Rodrigo Herédia, o Marcos Anastácio, o José Gregório ou o Ruben Gonzales que foram espoliados de inúmeras vitórias no EPSA ou em qualquer etapa do WQS. Eu sei lá. Ainda me lembro de comparar o Miguel Fortes ao Tom Curren. Estes tipos que eu não conheço de lado nenhum e me propinaram bastantes vezes foram o meu clube, como são hoje o Kikas ou o Vasco Ribeiro de licra vestida, o Nicolau von Rupp ou o Hugo Vau quando surfam heats contra ondas mutantes na Irlanda ou na Nazaré, ou o Miguel Blanco e o João Kopke quando estão simplesmente a viver vidas mais interessantes do que a minha, quase sempre dentro de água. Se um adulto com dois filhos diz isto de pessoas mais novas do que ele, imaginem um miúdo que começou a surfar há 6 meses. Só quem já esteve dentro de água sabe o quão inspirador ou intimidante é ver esta gente no line-up.
Este adepto sabe que as coisas em competição têm uma explicação quase sempre lógica, mas não sabe se está assim tão interessado nisso. Certo, existiram factores estruturais que impediam a primeira geração de surfistas de competição de vingar lá fora, talvez os primeiros não fossem animais de competição como hoje vemos surgir, e sim, hoje os miúdos estão mais bem artilhados para os 30 minutos de um heat, bem como para as agruras e deslumbramentos de uma vida passada a viajar e a competir. Mas talvez, aliás, quase de certeza que nada disto seria exactamente assim se em 2000 um miúdo chamado Tiago Pires não se tivesse sagrado vice-campeão mundial júnior no Guincho, isto numa altura em que os tais factores estruturais ainda pareciam uma barreira insuperável. O tanas, disse ele com uma gana e talento só superados pelo Dean Morrison. Quis o destino que nesse dia ficássemos novamente em segundo lugar, e mais uma vez ganhámos. Demos uma abada à aparente sina do surf português. Afinal não era impossível. O Tiago Pires continuou a sua carreira brilhante ao longo dos 16 anos seguintes, com uma vitória inesquecível em Ribeira d’Ilhas em 2005 que o deixou à porta do World Tour. Dois anos depois qualificou-se para a primeira divisão do surf mundial e por lá ficou, fruto de talento e trabalho, durante oito anos em que as madrugadas a olhar para um ecrã se tornaram ainda mais interessantes, algumas quase comoventes, porque finalmente tínhamos lá um português. Os anos foram passando e o Tiago tornou-se um surfista como nenhum outro no panorama competitivo português. Hoje, depois dele e de sei lá quantos resultados notáveis dos que vieram a seguir, as coisas alinharam-se de tal forma que o resultado do Kikas, ainda que possa surpreender alguns, não é mais do que o corolário natural do trabalho de quem nasceu num país abençoado. Que ninguém celebre menos à medida que os portugueses forem conquistando vitórias num desporto para o qual nasceram.
Entretanto, fui ver o que é feito do Bubas. Encontrei-o no LinkedIn. Tem trabalhado na área da informática. Não sei quantos de vocês se lembram, mas o Bubas tinha um dos cutbacks mais bonitos do surf português. Os dois empregos mais recentes que teve tinham escritório no Havai e em Santa Bárbara, na Califórnia. Talvez a profissão e a vida o tenham afastado um pouco mais do surf, mas os melhores surfistas são os que procuram obsessivamente uma forma de permanecerem próximos do mar. São peixes que aguentam umas horas fora de água. Quanto a mim, adepto na ronda das repescagend, já lá vai o sonho de um verão sem fim. Esse morreu, mas não me esqueço dos verões ou invernos passados junto ao mar. De cada vez que o Kikas surfar, esperarei o impossível: que regressemos todos ao verão para buscar os instantes que ainda não vivemos junto do mar. Nós e o surf português."


Benfiquismo (DXXXVII)

Bandeiras...

Uma Semana do Melhor... no feminino!

A bazófia gera ilusões de poder

"A notícia da renovação do contrato de Eliseu caiu bem entre os benfiquistas. A somar aos atributos do futebolista há a memória fresca da lambreta da festa de Maio que deu a volta ao mundo pela criatividade e perícia postas na celebração. Sendo uma iniciativa individual logo passou a paixão colectiva tal foi o sucesso da iniciativa motorizada do jogador.
Apesar das garantias prestadas pelo treinador do FC Porto sobre a inevitabilidade de o próximo título ir parar ao Dragão e apesar das garantias prestadas pelo presidente do Sporting sobre a inevitabilidade de o mesmo título ir parar a Alvalade e reconhecendo, facilmente, os benfiquistas que o caminho a percorrer em 2017/2018 será árduo, ninguém poderá levar a mal o facto de haver uns quantos milhões em Portugal que se deitam sonhadoramente a adivinhar como poderá Eliseu surpreender-nos no próximo mês de Maio dando-se o caso de, contra todas as promessas de sucessos alheios, o título for parar à Luz pelo quinto ano consecutivo. Mas não foi por isso, certamente, que o Benfica prolongou por mais uma temporada o vínculo com o seu sempre disponível lateral-esquerdo. Acelera, Eliseu. 
Famoso há décadas pela sua frase-mistério-insondável "vocês sabem do que estou a falar", Octávio Machado foi surpreendentemente pródigo em pormenores e em destinatários para os recados que entendeu dar na sua entrevista à CMTV. A análise das questões que se prendem com a vida da equipa de futebol do Sporting e com a vida da equipa de dirigentes do Sporting, por questão de bom senso, deve ser deixada a cargo dos comentadores, dos jornalistas e dos adeptos afectos ao clube de Alvalade.
Octávio levantou, no entanto, uma questão que tem a ver com a chamada "comunicação social" e que não deixa de ser intrigante para quem – por hobby ou por resquícios do velho ofício – se interessa pela evolução das artes da informação e do jornalismo em Portugal. Afirmou, perentoriamente, o ex-director do futebol do Sporting que, no decurso do seu moroso processo de abandono das funções, lhe foi oferecido por um responsável do clube a hipótese de escolher qual o programa de televisão em que mais gostaria de actuar integrando um dos variados painéis de comentadores de coisas da bola. Ora isto não faz sentido. Não faz sentido e é ofensivo da reputação de estações como a TVI e a CMTV serem os clubes – o Sporting, neste caso – a usar um poder que lhes permitiria impor os seus comentadores e até a retirá-los de cena como se de um mero presidente da Liga se tratassem.
Não será de duvidar da palavra de Octávio. É provável que a proposta de escolher uma estação de televisão lhe tenha sido feita. Mas é de duvidar – e muito – da suposta autoridade para o efeito do "programador" que lhe fez a proposta. A bazófia gera ilusões de poder. Só pode ter sido isso."

Seferovic é o reforço da pré-temporada

"A pré-época serve para colocar a nu debilidades e necessidades a tempo de as colmatar. É assim em estruturas competentes e capazes.

O Benfica venceu (2-1) ontem o Bétis depois de ter sido goleado (1-5) na Suíça pelo Young Boys. Tenho discutido com amigos, muito deles benfiquistas, sobre o que é uma boa pré-época. O que queremos, enquanto adeptos de um clube, da pré-temporada da nossa equipa?
Já aprendi, por experiência própria, que queremos coisas diferentes. Para mim uma boa pré-época foi a que Jorge Jesus fez no Benfica e culminou com duas derrotas (Arsenal e Valência) e uma goleada na Emirates Cup, depois de vários encontros com insucessos desportivos. Foi a consciência da realidade que permitiu que ainda nesse Agosto, Luís Filipe Vieira fosse buscar quatro soluções, entre as quais estava, por exemplo, Jonas. Resultado: Benfica campeão. E foi a competência de saber escolher soluções que permitiu que o tetra seja uma realidade.
Uma pré-época onde se somam vitórias sobre equipas de baixo valor competitivo anima os adeptos, mas esconde a realidade de um desastre anunciado. A pré-época serve para colocar a nu debilidades e necessidades a tempo de as colmatar. É assim em estruturas competentes e capazes.
O pior da pré-época é ver jogadores banais em bom plano. Vendem jornais, ludibriam a realidade e sobem a expectativas dos adeptos. Porém, os dirigentes experimentados sabem ler a realidade e melhorar o futuro.
Ontem, a vitória no Algarve foi mais um passo para se construir o caminho, corrigindo o que é preciso e melhorando nos processos de quem fará o nosso futuro. Seferovic parece não ter sido apenas um reforço, mas sim o reforço desta pré-temporada encarnada.
Vamos começar a época com uma Supertaça e jogos difíceis no campeonato. É aí que temos que chegar em bom nível, são esses os jogos que temos que vencer. Quero chegar a 5 de Agosto e retomar a conquista de títulos.
Os adversários também ganham pouco, ou quase nada nesta pré-época, mas vão chegar preparados ao início das provas oficiais. Respeitá-los é a melhor forma de os poder derrotar. Amanhã, contra o Hull City, vamos, essencialmente, preparar a partida frente ao V. Guimarães. Serenidade e confiança, mas atenção e competência rumo ao 37."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vai Marisa...

Começou ontem em Grosseto, Itália, o Campeonato da Europa sub-20 de Atletismo (Juniores).
Como não podia deixar de ser a grande 'esperança' Benfiquista, é a Marisa Vaz de Carvalho, que hoje não desiludiu, qualificando-se com alguma facilidade para a Final nos 100m barreiras, passando as eliminatórias (13.78s) e a meia-final (13.51s) sem tremer... Fez o 2.º tempo nas Meias-finais, a inglesa é claramente favorita, mas nas barreiras tudo é possível, basta um toque mal dado, e muda tudo...

Ontem o João Esteves, nos 100m, ficou em 16.º nas meias-finais dos 100m com 10,78s... tinha feito, 10,82s nas eliminatórias.

O Diogo Guerra nos 110m bar. não conseguiu ultrapassar as eliminatórias, com 14.95s.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nós, o dinheiro dos outros e o futuro...

"Continua a pré-época, as equipas vão surgindo mais afinadas e paradoxalmente, dos três grandes, quem parece mais disposto a evoluir na continuidade é o FC Porto, afinal o único que mudou de treinador. Mas até ao fim de Agosto e ao fecho do mercado será importante tirar conclusões absolutas de plantéis relativos.
Deixando um pouco de lado a árvore portuguesa e olhando para a floresta europeia, conclui-se: há bolsos mais fundos do que nunca, movimentam-se no mercado clubes que podem gastar 400 ou 500 milhões sem desequilibrarem a tesouraria e o fosso entre os ricos e os outros é cada vez maior.
O fair-play financeiro é travão apenas para os remediados do pelotão e com a entrada em campo de novos players (primeiro russos e norte-americanos, depois árabes e finalmente asiáticos, especialmente chineses) as regras alteram-se, criando dificuldades acrescidas aos clubes nacionais. Não será fácil, nos anos que se seguem. Portugal recuperar a posição perdida no ranking da UEFA. Este quadro remete-nos para uma pergunta obrigatória: por quanto mais tempo estarão fechados os capitais de Benfica, Sporting e FC Porto aos investidores estrangeiros?

PS1 - Bruno de Carvalho reagiu no seu estilo de elefante em loja de porcelana à entrevista de Octávio Machado à CMTV. No ar fica a ideia de estarmos perante o início de uma querela entre o presidente dos leões e o ex-director para o futebol, que não é de levar desaforo para casa. Quem sairá vencedor desse confronto, não sei. A perder, é fácil: o Sporting.

PS2 - Onde terão ido parar os acórdãos do CJ de 2014/15? E porquê?"

José Manuel Delgado, in A Bola

O respeito!

"A regra de ouro no desporto, em minha opinião como é óbvio, é o respeito que temos pelos adversários e dessa forma por nós próprios. No desporto, qualquer que seja a modalidade, temos oponentes de que gostamos mais ou menos, mas nunca inimigos. Valorizamos mais uns do que outros, reconhecemos talento ou falta dele, mas quando acaba a prova, ou o jogo, o mais importante é comemorar ou tentar perceber porque motivo não conseguimos o objectivo. Ficamos aborrecidos, por vezes revoltados, nem sempre aceitamos os erros, nossos e de terceiros, mas isso não nos dá o direito de fazemos dos adversários... inimigos! Isso é matéria que nem para os adeptos deveria ser prioritária. Infelizmente tem vindo a tornar-se comum transformar rivais em inimigos. Uma forma de sobrevivência, desportiva e até política.
Habituei-me, desde muito jovem, a ler este jornal. A Bola tinha um formato maior, era trissemanário, e não havia edição que não fosse recebida com satisfação. Não tínhamos televisão ou internet. As notícias desportivas eram recebidas pela rádio ou pela imprensa escrita. O mesmo jornal era lido por vários leitores. Depois discutia-se, discordava-se, mas no fim acabava tudo como no início. Amigos como sempre, e lá íamos jogar. Pouco importava a cor clubística de Vítor Santos, de Homero Serpa ou de Carlos Pinhão.
Vem isso a propósito do clima que dirigentes e comentadores têm criado em redor dos clubes de futebol, com destaque para os de maior dimensão. Quando leio em tom jocoso que o Sporting empatou 0-3 e o Benfica levou 5 no dia seguinte, como forma primária de afirmação perante os adeptos, recordo-me desses tempos antigos em que lia A Bola mesmo sem a conseguir comprar. Esgotava. Não sou propriamente um saudosista militante, mas assim estamos a regredir. Com este comportamento, as elites, ou pseudo-elites, apenas transformam a rivalidade desportiva num combate entre inimigos. Deviam corar de vergonha. É lamentável!"

José Couceiro, in A Bola

PS: Três notas:
- as palavras do Sílvio Cervan (o Sporting empatou 0-3) foram escritas num contexto, onde o alvo da critica, não era a instituição SCP, mas sim a forma como os maus resultados do Sporting são analisados e 'amparados' pela comunicação social desportiva...
- em tese, todos nós concordamos com este artigo, só tenho pena que José Couceiro não tenha tido a coragem de referir o nome do dirigente que tem contribuído mais do que qualquer outro, para o actual clima...
- já agora, será que agora a Direcção d'A Bola já permite que o colunista, critique outro colunista?!!!

Esconde a rosa dentro do coldre

"O título da coluna até pode ser meio estranho mas não é mais do que uma parte do refrão de uma das últimas músicas do magistral Miguel Araújo.
Axl Rose é o nome da canção que, no fundo, rememoria algumas das figuras, dos pensamentos, das desilusões e dos desenganos de adolescência da minha geração, quando todos andávamos com as rosas escondidas dentro do coldre, mas caiu um bocadinho na realidade quando viu um dos seus deuses, precisamente Axl Rose, estatelado no palco montado no Estádio José Alvalade em 1992.
Fazendo a transposição para o estado actual do futebol português, as rosas há muito que não saem dos coldres. As armas são as palavras em forma de acusações, insultos e incentivos ao ódio de quem não professa a fé do acusador e são cada vez mais os clubes que pagam, encapotadamente, a páginas com títulos pomposos mas de autores anónimos para passarem mensagens que têm vergonha de assumir em termos oficiais.
O futebol jogado dentro das quatro linhas, esse, vai sobrevivendo dentro das possibilidades de um país com nativos com especial apetência técnica - numa boa fatia - para a prática da modalidade.
Os da minha geração, com maior ou menor dificuldade, também sobreviveram à adolescência e até adultos voltámos a ouvir o Angel Dust dos Faith No More, também citado por Miguel Araújo.
As rosas terão saído definitivamente do coldre quando Kurt Cobain fez o que fez. O desejo é que no caso do futebol não seja preciso tanto dramatismo para se desanuviar o clima."

Hugo Forte, in A Bola

Apito desavergonhado

"Eles bem podem andar de artifício jurídico em artifício jurídico, que o conteúdo das escutas ao processo 'Apito Dourado' permanecerá inalterado. Eles bem podem utilizar excertos de e-mails, obtidos sabe-se lá como, e deturpá-los a seu bel-prazer, que nunca conseguirão fazer esquecer o que se passou no futebol português ao longo de décadas e muito menos poderão alguma vez criar a ideia de que os seus esquemas são agora utilizados por outros.
Chega até a ser cómico, sem ter graça alguma, vê-los a acusarem outros de usarem os seus esquemas que, de artifício jurídico em artifício jurídico, afinal nunca foram os seus.
Passados anos, resta apenas um castigado: as empresas de telecomunicações. Nem consigo imaginar os seus prejuízos por aquele gente, aquele gente desavergonhada, despudorada e vigarista, ter restringido o teor das suas chamadas telefónicas. E, já agora, o que pensar sobre a inexistência de qualquer reacção dos patetas alegres? Ai, ai, pobres de espírito... Tanto lhes faz quem ganhará, desde que não seja o Benfica...
Entretanto a vida prossegue e lá continuamos a trabalhar norteados pelo desejo do penta. Não gosto de ver o Benfica perder nem a feijões, e muito menos de o ver goleado, mas o pessimismo desmesurado que detectei em alguns benfiquistas após a derrota frente ao Young Boys parece-me absurdo. E mais ainda atribuir às vendas de Ederson, Lindelof, e Nélson Semedo o estatuto de principal causa da derrocada da nossa equipa no passado sábado. A exibição da nossa equipa esteve longe de ser brilhante, mas enquanto houve pernas também não preocupou. E o mais relevante é que não teria nada que preocupar ou entusiasmar... é pré-época!"

João Tomaz, in O Benfica

Delírios de verão

"Quem aterrar em Portugal e quiser espreitar a realidade do futebol português, escolhendo Julho e Agosto para saber mais sobre o assunto, vai ficar surpreendido. Nestes dois meses, abrindo as páginas dos principais jornais desportivos (e até dos generalistas) - em papel ou na internet - ficamos a saber que há duas equipas fora de série, com contratações maravilhosas de nomes recheados de adjectivos e predicados, planeamentos acima de qualquer suspeita, opções técnicas brilhantes em jogos a feijões e operações financeiras e de charme que deixam roídos de inveja os melhores clubes da Europa e do mundo... Sonham eles... Nestes dias, não faltam elogios e promessas de uma época conquistadora para as duas equipas que ficaram em segundo e terceiro lugar do campeonato nacional de 2016/17. As capas dos jornais e as páginas em destaque nos sites desportivos, bem como os temas em debate nos infindáveis programas televisivos sobre futebol, são dedicadas a esses monstros do futebol da Via Láctea. Risos.
Um não ganha uma taça há quatro anos e continua a sonhar com os anos dourados do apito. O outro não faz parte sequer dos três representantes portugueses nos rankings europeus, além de que, na última vez em que foi campeão, o papa era João Paulo II, Shaquille O'Neal ainda jogava na NBA, e Mike Tyson ainda combatia.
Todos os anos, a história repete-se. Passam o verão a tentar puxá-los para cima, mas na hora da verdade as bailarinas não sabem dançar e metem as culpas no chão, que está torto. Continuem assim.
O tetracampeão está a trabalhar. Não incomodem, por favor."

Ricardo Santos, in O Benfica

Ferramentas de trabalho

"Recordemos alguns dos resultados das últimas quatro pré-temporadas.
Em 2013 o Benfica perdeu a Eusébio Cup em casa perante os brasileiros do São Paulo por 0-2, e depois foi perder a Nápoles por 1-3.
No ano seguinte perdeu a Taça de Honra com o Sporting (0-1), voltou a perder a Eusébio Cup, desta vez com o Ajax (0-1), perdeu com o Marselha (1-2) e com o Atlético de Bilbau (0-2), e na Emirates Cup foi goleado por Valência (1-3) e Arsenal (1-5).
Em 2015 o Benfica saldou os jogos de pré-época com 2 empates e 3 derrotas. A última das quais novamente na Eusébio Cup, por 0-3 com o Monterrey.
Há um ano atrás, mais uma derrota na Eusébio Cup (Torino, nos penáltis), seguida de desaires Sheffield (contra adversário da segunda divisão inglesa) e frente ao Lyon.
Sabemos como terminaram todas estas temporadas: no Marquês de Pombal.
Serve isto para dizer que os resultados de Julho, antes de as competições a sério terem início, com plantéis ainda em formação, com jogadores internacionais ausentes, com 8 ou 9 substituições, por jogo, nada significam relativamente ao que depois se passa em Maio. Estas partidas não meras ferramentas de trabalho, e até são mais úteis quando expõem aspectos a ser melhorados nos jogos a doer.
A pesada derrota com os suíços do Young Boys (equipa em fase muito mais adiantada da preparação, com o seu campeonato a começar mais cedo, e na disputada das pré-eliminatórias da Champions League) insere-se nesse processo, e não belisca minimamente a confiança que todos temos em mais um ano de grande sucesso.
O trabalho continua. Os resultados? Só interessam a partir do dia 5 de Agosto."

Luís Fialho, in O Benfica

Academia das Modalidades

"O Sport Lisboa e Benfica inicia a nova época com muitos projectos e com a ambição redobrada de fazer sempre mais e melhor. Quando outros clubes se vangloriam por terem um pavilhão novo, precisando de 13 anos para construir um novo equipamento para as suas modalidades, nós, em 2004, estreámos dois pavilhões. Mas o Sport Lisboa e Benfica não pode estagnar e tem pela frente dois grandes projectos que merecem toda a nossa atenção e disponibilidade. Além das obras já em curso para dotar a nossa Academia do Seixal de ainda mais condições para subir a excelência e qualidade do trabalho realizado, temos pela frente um desafio que merece ser destacado. Como já é público e notório, o SL Benfica vai ter uma Academia para as Modalidades, inspirado no modelo no nosso Caixa Futebol Campus, as Modalidades do nosso Clube e o Benfica Olímpico terão a grande oportunidade de dar o salto que faltava dar ao nível do Alto Rendimento, permintodo-nos atingir patamares de excelência competitiva nunca alcançados em termos internacionais. Trata-se de um projecto liderado pelo Presidente e que irá transformar por completo o SL Benfica. O projecto tem toda a lógica - se ao longo das últimas 12 épocas fizemos volumosos investimentos na área das Modalidades, com resultados significativos, o que é que nos falta? Desenvolver uma nova abordagem ao treino de Alto Rendimento das Modalidades individuais e colectivas que vise criar a vantagem competitiva
E para que isso aconteça necessitamos de dotar o Clube de uma infraestrutura de alto rendimento com todas as valências de equipamento que permita desenvolver processos de treino únicos e inovadores."

Pedro Guerra, in O Benfica

Alvorada... nos Algarves!

Benfiquismo (DXXXVI)

Geniais...!!!

Aquecimento... pós-Bétis

Vermelhão: "golões" !!!

Benfica 2 - 1 Bétis


Não consegui ver o jogo todo, por isso não me vou alongar...
É sempre bom vencer, mesmo na pré-época, ainda por cima após o resultado anormal da Suíça.
Algumas estreias, com o regresso de alguns Internacionais, além do jovem Buta... Não sei se o Buta é o jogador que precisamos para defesa-direito, mas neste momento a seguir ao André Almeida é claramente a 2.^melhor opção...
O nosso 'esferovite' vai dar-nos muitas alegrias, até aquela cara de pouco sorrisos parece imitar o Mitro!!! O Benfica não tem um avançado com estas características à muito tempo! O Raul até tem potencial para ser idêntico ao Seferovic, mas o excesso de voluntarismo faz com que o Mexicano esteja fora de posição muitas vezes... Talvez o Lima seja o nosso último avançado mais parecido, mas mesmo o Lima acabava muitas vezes por ser o 2.º avançado! O Seferovic até tem potencial para ser o avançado de apoio, mas conhece muito bem as movimentações de ponta-de-lança... aquele tipo de pontas-de-lança que sabe aproveitar a última 'linha' do adversário, com uma mistura de velocidade e força... Vai ser muito útil nos jogos da Champions, e nos jogos internos de grau dificuldade mais elevado!
Tem-se notado alguma dificuldade na fase de construção, a ausência do Pizzi explica muita coisa... e o facto do Krovinovic estar ainda a recuperar da lesão, faz com que aqueles que deverão ser os dois '8' prioritários estejam de fora... A soma destas duas ausências explica de facto muita coisa! O facto que nem assim o Horta tem minutos, poderá antever um empréstimo...

Continuo a pensar, que é obrigatório neste momento, comprar um defesa direito, um guarda-redes... e um central, todos com perspectiva de serem titulares.
Sábado temos novo jogo, desta vez com o Hull... será um jogo diferente, porque o adversário tem características bem diferentes dos nossos adversários anteriores... Será importante para dar minutos aos últimos jogadores a juntarem-se ao plantel... Só em Londres, na Emirates Cup, vamos ter o plantel 'completo'...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

'Cassanatas' e Carvalhadas

"A notícia deixou-me satisfeito: ver António Cassano decidir que afinal vai continuar a jogar é manter vivo o espírito do jogador malandro. Há cada vez menos assim. Talvez porque também no futebol (o europeu) os protagonistas estão reféns dos higienistas dos costumes de dedo em riste para debitar a sua indignação ao computador, no tablet ou no smartphone. Veja-se dois casos: o FC Porto decidiu retirar do programa de apresentação do jogo com o Corunha uma conhecida banda portuguesa (os D.A.M.A) depois de os adeptos mostrarem o seu desagrado pelo facto de alguns dos seus membros serem do Benfica; nos últimos dias, adeptos benfiquistas não calaram a revolta por verem nas redes sociais uma foto de Fábio Coentrão com adeptos do Sporting que exibiam um cachecol com uma inscrição ofensiva para o clube rival.
Não se relativizou no primeiro caso nem houve a capacidade de perceber, na situação de Coentrão, que o lateral-esquerdo provavelmente não só não leu o que estava escrito nem sequer viu a cara dos adeptos que seguravam o cachecol. É a consequência da jihad em curso no futebol português, onde poucos têm a capacidade de se rir e muito menos de se rirem de si próprios. O ódio tomou conta da bonomia.
Cassano conseguiu criar em Itália algo que está ao alcance de poucos - dar corpo a um neologismo: cassanata (o mesmo que brincadeira ou ironia; comportamento ou gesto típico do jogador António Cassano, assim se lê na Treccani, a enciclopédia italiana de ciências, arte e literatura). Foram muitos os episódios polémicos e divertidos de um rebelde puro. Em Portugal, o fenómeno Bruno de Carvalho é o mais parecido que encontro. Só que com metade da piada. Por uma razão: ele não marca golos. E esses é que devem estar sempre na primeira linha. Até dos dicionários."

Fernando Urbano, in A Bola

PS: Duas notas:
- meter no mesmo saco os D.A.M.A com o Coentrão não faz sentido! No caso dos D.A.M.A eles não tiveram nenhuma atitude desrespeitosa com os Corruptos, o crime deles é serem simples adeptos do Benfica; no caso do Coentrão, mesmo que involuntariamente, houve uma ofensa a um Clube que lhe deu praticamente tudo...!!!
- também não faz sentido, queixar-se do clima de ódio que se vive no Tugão, e depois 'elogiar' de forma encapotada o principal incendiário do futebol português! Carvalhadas, só pode significacar algo do género: verme...!

Atiçam os cães aos comentadores

"O futebol português, de ponto de vista social e de elemento gregário de um povo, está a atravessar um dos períodos mais negros da sua história. A verdade é que já nem se respeita a si próprio e instituições que têm o dever de ser pedagógicas e garantir relações de respeito e de dignidade na saudável diferença das opções clubísticas, como é o caso do Conselho de Disciplina, vem surpreender-nos com acórdãos que não apenas admitem uma inaceitável permissividade perversa de comportamentos antidesportivos e antiéticos, como nos deixa perplexos com os seus conceitos de uma justiça corporativa que absolve quem fustiga como destinatários os «comentadores desportivos», desde que não nomeados um a um.
Não sei se o luminoso argumento dos doutos conselheiros seria o mesmo se fossem eles os visados. Certamente não seria. O que parece ficar como perigoso precedente é que, seja quem for que exerça funções de dirigente dos clubes de futebol pode, a partir de agora, atiçar os cães aos «comentadores desportivos», desde que fique claro esse específico grupo destinatário, que os conselheiros não apenas desqualificam, como desconsideram e, pelos vistos, segregam.
Talvez que os conselheiros apenas tenham pensado naqueles comentadores desportivos que também a si próprios não se respeitam e, assim sendo, terão achado que não viria mal ao mundo desrespeitá-los também. Pois, mas eu tenho o direito e o dever de defender, por exemplo, quem de forma digna e responsável exerce o comentário em A Bola, sabendo que não se esgotam neles os que muito úteis têm sido ao futebol português."

Vítor Serpa, in A Bola

Alvorada... Rolices !!!

Benfiquismo (DXXXV)

Dança à Chuva...!!!

Lanças... Apitos!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Primeiras impressões

"Teria preferido que pelo menos o guarda-redes e o defesa-direito permanecessem mais um ano no plantel.

Em jeito de 13 pinceladas (o meu número da sorte), escrevo sobre o meu vestibular estado de alma benfiquista, em pleno defeso. Assim:

1. Não gosto de perder em circunstância alguma. E muito menos ser goleado. Bem sei que se tratou de um jogo de preparação contra uma razoável equipa suíça, em fase mais avançada de treino e pronta a iniciar as competições. Também sei que entraram 21 (!) jogadores e que os últimos golos do Young Boys tiveram lugar quando o Benfica jogava com um onze de young boys absolutamente improvável e com alguns atletas que não ficarão no plantel.
Mas que diabo, Benfica é Benfica e se se compreende a menor capacidade nos primeiros jogos, há que acautelar a parte reputacional do clube e o respeito pelos indefectíveis adeptos emigrantes. Sinceramente, penso que uma coisa é um jogo de preparação, outra é um jogo de experimentação. Para estes últimos, há outras soluções dentro de casa, que bem nos podem evitar estes ensaios à porta aberta e no estrangeiro.
Adiante e que sirva de lição.

2. Dir-me-ão: daqui a uma semana já ninguém se lembrará desta copiosa derrota. Talvez seja assim, mas que, ao menos, tenha (boas) consequências. Ao sabor do teclado, neste preciso momento, lembro-me de um jogo de pré-época em 2012, por sinal a sempre cativante Eusébio Cup, em que o Benfica cilindrou o Real Madrid por 5-2. Claro que os merengues, então treinados por José Mourinho, jogaram desfalcados e sem Cristiano Ronaldo. E o Benfica treinado por Jorge Jesus não foi campeão. Mas lá que foi saboroso foi, e que foi penoso para os madrilenos também. Desta vez o clube suíço de Berna saboreou e os benfiquistas penaram.

3. Apesar de tudo, nos dois jogos já disputados, houve jogadores que me agradaram. Gostei do internacional suíço, Seferovic, que creio vai ser um atacante muito útil durante a temporada, possante, maduro e rápido. Fiquei com vontade de ver jogar mais vezes o jovem Diogo Gonçalves, tecnicamente evoluído, agradavelmente bem integrado e veloz.

4. Com a provisoriedade de juízo tendo em conta os poucos minutos de futebol que já se viram, não me parece que o brasileiro Hermes tenha arcaboiço para estar no plantel, sobretudo a defender. Pedro Pereira, do outro lado da defesa, ainda precisa de provar por que é que o Benfica pagou caro à Sampdoria o seu resgate.

5. Falta um mês e meio para este período de transferências chegar às 24 badaladas de 31 de Agosto. Por isso, ainda muita água (leia-se: liquidez ou falta dela) vai passar debaixo das pontes (e respectivos engenheiros de comissões). Naquele último dia, os tão prestimosos Cadernos de A Bola correm cada vez mais o risco de serem um bom documento quase histórico, porque editados umas semanas antes.

6. Assim sendo e por agora, quanto ao plantel que vai lutar pelo pentacampeonato, a definitividade vira provisoriedade, assim se ilustrando capas e capas de jornais e revistas e se esticando, em jeito de pastilha elástica, programas televisivos sobre transferências e inferências.

7. No dia de Julho em que escrevo, o que mais me preocupa é o sector defensivo do Benfica. Por boas razões a montante, é certo. Saíram Ederson, Linfelof e Nélson Semedo (aqui com uma palavra de gratidão para Maxi Pereira que, com a sua saída, destapou um magnífico jovem) por maquias bem consideráveis. Mas, como dizem os entendidos, os ataques ganham jogos e as defesas ganham (longos) campeonatos. Parece-me imprudente mudar tão radicalmente o sector. Volta Garay!

8. Tenho pena destas saídas e teria preferido que, pelo menos o guarda-redes e o defesa-direito permanecessem um ano mais no plantel. A saída era certa, mas o tempo é uma variável e não uma imposição. Compreendo e aceito as razões financeiras, mas vender as três pérolas ao mesmo tempo envolve risco. Sobretudo, refiro-me a Ederson, guardião de inegável valor e primeiro atacante da equipa. Qualquer alternativa é pior, sem pôr em causa a duradoura classe de Júlio César. Mas não é a mesma coisa e acontece que, neste caso, o factor financeiro não seria assim tão impossível de resistir. O Benfica recebe metade do valor da transferência e o empresário recebe 8 milhões pelos 20% que detinha do passe... Quem terá pressionado mais a venda?

9. Com Luisão na recta final e mais um ano de carreira, tenho esperança de ver um Jardel de novo em pleno. Espero que Grimaldo fique por cá e não pondo em causa o profissionalismo e polivalência de André Almeida, receio que as alternativas defensivas actuais não sejam suficientemente fortes.

10. Do meio-campo para a frente e mesmo dando de barato a saída de Raúl Jiménez ou de Mitroglou e também de Samaris, o plantel é valioso e estável. Com a revelação de Diogo Gonçalves, haverá a possibilidade de sair um ala. De todos, escolheria Carrillo. Mas não Salvio, que é não só um notável atleta como já um símbolo de êxitos e carisma. Tenho expectativas muito positiva quanto a Krovinovic e gostaria que João Carvalho pudesse agarrar esta oportunidade e André Horta tivesse a época que no ano passado prometeu e não concretizou por lesões. E como sonhar não paga imposto, bem gostaria de ver Renato Sanches a voltar à sua alegria contagiante de jogar no Estádio da Luz...

11. Compreendo e aplaudo a estratégia do presidente Luís Filipe Vieira na redução gradual e sustentada do passivo. E tenho a consciência que é complexo fazer convergir a qualidade do plantel e o saneamento do balanço. Todavia, nos últimos anos, foi categoricamente possível avançar nos dois tabuleiros. Para tal, muito contribuíram três factores:
a) maximização das oportunidades de transacções de mercado; 
b) planeamento e scouting de elevadíssima qualidade que permitiram reconstruir plantéis de época para época com a mesma eficácia e resultados;
c) a aposta na formação de jovens jogadores (quer nas camadas etariamente inferiores, quer através da gestão da equipa B), com condições técnicas, operacionais e logísticas que podem meças por esse mundo fora.

12. Muitas coisas se têm feito sobre o produto das alienações realizadas nos últimos tempo. Este jornal elencou-as no passado sábado. No ano civil de 2017, já foram facturados 160 milhões de euros! É obra! Interessante é verificar que, com Rui Vitória no comando da equipa, quatro jogadores vindos da formação e por ele lançados (Renato, Ederson, Lindelof, Nélson Semedo) renderam 140 milhões, a quem bem poderemos juntar mais 30 milhões relativos a Gonçalo Guedes que, verdadeiramente, só com ele se impôs.

13. Tudo considerado, o objectivo de penta (e consequente única ida segura à Champions), talvez devesse ter levado a uma maior moderação de saídas fundamentais e a uma projecção de um ano, não direi de retrocesso na redução do passivo, mas intercalar ou sabático de compromisso entre vitórias desportivas e saneamento do balanço.

Contraluz
- Palavra: Canoa
Ouro e prata para portugueses, num feliz casamento de canoa e seu anagrama nação.
- Número: J44
Depois de CR7, outro grande driblador em peladinhas.
- Frase:
«Chegaram onde nenhuma equipa feminina portuguesa conseguiu chegar»
(Marcelo Rebelo de Sousa, ao receber a equipa de futebol feminino que jogará no Europeu). Então, por exemplo, o hóquei em patins e o atletismo não contam?
- Acontecimento:
O inigualável Tour de France e o melhor torneio de ténis, Wimbledon.
- Pensamento:
«O melhor psicólogo do atacante é a rede do adversário»
(Galvão Bueno)"

Bagão Félix, in A Bola

Eliseu

Fim da 'quase' novela Eliseu... De mal amado, a essencial! O Açoreano tem demonstrado que consegue ultrapassar as dificuldades da veterania, com muita inteligência dentro do campo... Sendo um dos pilares do balneário...
Mesmo com o Grimaldo como suposto titular, é sempre importante ter uma opção segura, e o Eliseu é uma opção segura... Basta recordar os jogos 'grandes', onde o Eliseu nunca falhou!

Má notícia para o Hermes, que assim deverá ser emprestado...

E já agora, o Eliseu renovou, por sua iniciativa, contra os aconselhamentos do empresário... Podia ter ido para a Turquia, ganharia cerca de €3 milhões limpos, preferiu ficar no Clube do coração, ganhado menos...


Deveres e Obrigações...

A Fundação Benfica tem um papel fundamental na difusão do Benfiquismo. O Benfica não promete em vão, no Benfica executa-se...!!!
A Fundação vai ajudar as crianças e as respectivas famílias, que foram vitimas da tragédia pirotécnica de Alvões, Lamego, no passado dia 4 de Abril.
A cor clubística das vitimas até é pouco relevante neste tipo de casos, sendo que neste caso especifico, estamos a falar de famílias Benfiquistas...

A propósito de Ángel Villar

"Há precisamente um ano e nove dias Cristiano Ronaldo, capitão de Portugal, recebeu a taça de campeão da Europa das mãos do presidente interino da UEFA, Ángel Villar. Hoje, Villar, que lidera a Real Federação Espanhola de Futebol há 29 anos, está preso, acusado de corrupção. Este é o mais recente sinal público de como os tempos estão a mudar e a malha apertada chegou em força ao mundo do futebol. De há duas décadas a esta parte, dois fenómenos coexistirem e expandiram-se para alterar o business no beautiful game. O primeiro, associado à lei Bosman, prendeu-se com o aumento exponencial das transferências, colocando os empresários num papel central que não tinham antes; o segundo teve a ver com a entrada em força da televisão no negócio, com todas as perversões que daí acabaram por decorrer. A esta nova realidade emergente nos anos 90, as autoridades fiscais não foram capazes de dar resposta cabal. E tornou-se relativamente fácil e extremamente apetecível negociar por baixo da mesa, dinheiro que saía dos cofres do comprador e até chegar aos bolsos do vendedor fazia a felicidade de muita gente.
A pouco e pouco as coisas foram mudando, a triagem das autoridades passou a ser mais apertada, os países começaram a cooperar tornaram-se frequentes, chegando ao auge no megacaso da FIFA que acabou por custar a presidência a Sepp Blatter e a liberdade a muitos dos seus vice-presidentes. A prisão de Ángel Villa não terá apanhado ninguém de surpresa. E mostra-nos que demasiado tempo no poder desenvolve um sentimento de impunidade muitas vezes fatal..."


José Manuel Delgado, in A Bola

PS: O Delgado está enganado, em Portugal já houve um individuo que se mostrou surpreendido com a prisão do Ángel Villar: Gilberto Madaíl!!!! Pessoalmente, não me surpreende, a surpresa do Madaíl...!!!

Alvorada... mais um passo na preparação!

Benfiquismo (DXXXIV)

Mais um bigode...!!!

105x68... Preparação...

terça-feira, 18 de julho de 2017

O alegre Verão da Minicopa

"A final contra o Brasil (0-1), jogou-se no Maracanã no dia 9 de Julho de 1972. O seleccionador de Portugal era José Augusto. A equipa estava assente numa grande maioria de Benfiquistas comandados por Eusébio.

Cumpriram-se, agora, 45 anos. Pois, parece que foi ontem. No dia 9 de Julho de 1972, Portugal e Brasil jogaram, no Maracanã, a final da chamada Minicopa, o Torneio da Independência, comemorativo dos 150 anos de um país dono de si mesmo.
José Augusto era o seleccionador. E ia advertindo, ao longo da prova: «Se me deixarem continuar a trabalhar como até aqui, como eu entendo que é necessário, tenho boas razões para acreditar que pode estar a formar-se uma equipa capaz de figurar muito bem no próximo Mundial». Fase final do Campeonato do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. A selecção nacional não esteve presente. Como de costume.
Também no Maracanã, frente ao Uruguai. Portugal repete a exibição feita face aos argentinos, mas não consegue repetir o resultado. O seu futebol foi igualmente imaginoso e fluente, mas o golo de Pavoni, marcado aos 20 minutos, e a dureza, às vezes transformada em pura violência, dos sul-americanos obrigaram a selecção nacional a menos toques de bola, menos fintas e menos tabelinhas, recorrendo a mais cruzamentos, mais arrancadas e mais explosões. Jaime Graça empatou em cima do intervalo, e toda a segunda parte foi do domínio português e de imenso sofrimento para o guarda-redes Carrasco. Mas o 1-1 não se alterou e a conjugação dos resultados (a URSS ganhara ao Uruguai e perdera com a Argentina) permitia agora a Portugal um simples empate com os russos, desde que os argentinos não vencessem os uruguaios por mais de três golos de diferença, para chegar à tão ambicionada final.
O jogo foi pobre, e a vitória magra (1-0, golo de Jordão). O estilo combativo de Simeonov, Viktor, Vasenin, Kuksov e Bishovests, que viria, mais tarde, a ser seleccionador da CEI (Comunidade de Estados Independentes) e treinador do Marítimo, serviu para controlar a fantasia de Jaime Graça, Peres, Jordão, Dinis e Eusébio que, além disso, se viu atingindo como tal agressividade, que ficou com o osso da canela à mostra e em dúvida para a tal final tão sonhada com o Brasil, que se apurara entretanto vencendo a Jugoslávia (3-0).



A final
Dia 9 de Julho, portanto. Portugal não jogou de camisola branca, como acontecera na grande maioria dos jogos da Minicopa e como queriam os jogadores, convencidos de que o branco lhes dava sorte. Jogou com o seu habitual equipamento grená e verde, embora fosse, então hábito jogar de calções brancos. Entrou em campo com o onze mais utilizando durante a competição - José Henrique; Artur, Humberto Coelho, Messias e Adolfo; Toni, Jaime Graça e Peres; Jordão, Eusébio e Dinis - e rapidamente tomou conta dos acontecimentos, ignorando a pressão terrível do público do Maracanã, e a aura do campeões do Mundo de gente como Brito, Clodoaldo, Gérson, Rivelino, Jairzinho ou Tostão. Ao contrário do que seria de supor, foram os portugueses a fazer as despesas do futebol de ataque e os brasileiros a oporem-lhes uma toada de contra-golpe. Por uma, duas vezes, Portugal ameaça o golo: Jordão remata ao poste; Eusébio tem uma arrancada sensacional, passando por diversos adversários, arrancando «ohs!» de admiração a um púbico encantado, mas perde a oportunidade de remate por fracções de segundo. Os contra-ataques «canarinhos» são venenosos, mas Humberto Coelho está intratável imperial. Caminha-se para o final do encontro, tudo parece indicar que teremos um prolongamento. Mas, precisamente no último minuto, uma falta desnecessária de Adolfo sobre Jairzinho dá a Tosthão a possibilidade de meter, com um dos seus pés mágicos, a bola na cabeça de Jairzinho. É o golo e a vitória do Brasil. José Henrique queixa-se de que Jairzinho tocou a bola com o braço. O israelita Klein não lhe dá ouvidos e apita para o final. Ainda não tinha chegado a altura de uma vitória num jogo derradeiro. Seria preciso esperar muito e muito tempo."

Afonso de Melo, in O Benfica

Mais 4 'reforços' !!!

B's em modo goleada...

Alvorada... Apito 'não' Final !!!

Também em A Bola era uma vez...

"Viagem ao fantástico mundo do desenho crítico. Histórias pelo traço ditas e por quem jeito ele tem, sentindo como ninguém o que dito devia ser.

Vasculhando o baú das memórias logo pula à nossa frente frase gasta por farto uso, prenúncio de contos que nos transportavam, mais céleres que a velocidade da luz, porque à medida certa do nosso querer, para mundos de reis, de príncipes, de cavaleiros, de heróis, do sobrenatural, de animais humanizados, de humanos animalizados, de encantamento, do magnífico, enfim, mundos onde a imaginação cercada não era. As histórias, todas elas, haviam sempre de começar com o mítico «era uma vez...». Tatá! Sinal dado, apertem os cintos para inesquecíveis ida ao mundo do fantástico.
Muitas dessas viagens foram-nos concedidos por intermédio de arte sublime, preceito do desenho, só à mão e pela mão de quem para a coisa nasce e genialidade tem. Dela agora se fala porque a propósito doutras viagens, desde logo uma efectiva até à velha secretaria do Sport Lisboa e Benfica, no Jardim do Regedor, para contemplação de porção do espólio do jornal A Bola, constituída por desenhos insertos em temática desportiva e temperados com acerada e apimentada crítica. E histórias, errantes, por lá andam. Até aqui, nesta página, irromperam sem licença pedir...
Era uma vez um rei, de nome Stuart de Carvalhais, pouco dado às coisas do futebol mas deste querendo saber junto de quem do assunto cuidava para relatos fazer, em razão de mestria de traço e de coerente texto humorístico, dando azo a verdadeiras crónicas em banda desenhada vertidas.
Era uma vez um príncipe, José Pargana assim se chamava, aluno dileto e da sapiência de Stuart apropriando, exímio na extrapolação de traços e na distorção de peculiaridades até à vertigem do produto caricatural final.
Era uma vez um cavaleiro, tímido individuo que por João Martins respondia, porém enquanto artista timidez não conhecia. Acutilante e crítico mordaz, diabólico na perspectiva do Estado Novo e dos seus fiéis guardiões censórios.
Era uma vez um herói, o Francisco Zambujal no apelido, se bem que no apelido Génio podia ter. Mestre no mando da caricatura, muitos foram aqueles que no estilo lhe pegaram. Mais de 25 anos passados sobre a sua morte, ainda hoje é possível ver, na parede dum café de aldeia, bem lá no fundo duma oficina de carros, onze fulanos, campeões de futebol, no traço exacerbados por outro não menor campeão, este no domínio da arte.
Era uma vez outros reis, príncipes, cavaleiros e heróis, ao serviço da caricatura, do cartune ou do desenho simples. Era uma vez milhares de histórias em A Bola contadas. Da Travessa da Queimada para a Rua do Jardim do Regedor, viagem breve para viagem outra, mais longa, dura há já 72 anos..."

Carlos Marques, in O Benfica