Últimas indefectivações

sábado, 27 de agosto de 2011

Rosas e armas

"Sempre pensei que os assobios dos adeptos benfiquistas a Cardozo eram piropos. Mas não. Desde que percebi o meu erro tenho esperado um bom momento para escrever algo sobre o assunto. Teria sido logo depois do jogo de quarta-feira, contudo acontece que esta coluna é aos sábado.

Ora bem, o próprio Jorge Jesus, numa das suas costumeiras achegas à arte, disse que Cardozo não tinha a magia dos outros, que a arte do paraguaio era o golo. Concordo. É, aliás, arte de mais 100 golos. São mais de 100 artes. Estranho é que, dizia eu, foi precisamente nesta quarta-feira que se deu uma inversão artística do fenómeno: Cardozo não marcou, fez uma assistência para Witsel e foi aplaudido. Não tocou a música dele, tocou a dos outros. E passou a ouvir, como recompensa, uma música diferente na Luz.

Para mal do Benfica, isto pode confundir o rapaz. Ele pode começar a pensar que deve assistir os artistas em vez de marcar golos, incentivando assim passos errados naquele que agora julga ser o caminho para a perfeição que, há tanto, injustamente lhe exigem. Cardozo não tem o talento musical dos colegas, é verdade. É o jogador do acaso, do improviso. Se lhe derem uma guitarra jamais tocará com a perfeição técnica de Carlos Paredes. Porém, do dedilhar constante e sem sentido aparente do paraguaio resulta muita coisa. O lendário guitarrista Slash, por exemplo, compôs o imediatamente reconhecível riff da canção Sweet Child of Mine, dos Guns n'Roses, enquanto treinava a agilidade dos dedos, depois de uma noite desgraçada - uma de muitas - que relata na biografia. E só se tornou música porque alguém se lembrou de gravar o exercício desconexo de Slash. Nasceu sem querer um dos melhores golos da bancada. A perfeição, se existisse, seria esse paradoxal domínio do acaso, faculdade que a ninguém se exige. Uns são rosas, outros são a arma."


Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Quem protege o jogo?

"O que há de mais fascinante no jogo é a imprevisibilidade do desfecho. Não sendo aleatório, é sempre impossível de determinar. Na esperança que antecede todos os jogos reside o fascínio do jogo. Antes do início de um jogo acreditamos que um desfecho é uma possibilidade e nunca uma certeza. Essa incerteza é o que nos faz ter a paixão pelo futebol.
Agora, imaginemos que deixamos de acreditar na imprevisibilidade, deixamos de acreditar que o desfecho do jogo se encontra no final do mesmo e passamos a saber que o desfecho do jogo foi determinado antes do seu início. Deixará de ser um jogo, passará a ser um embuste. Quando isso acontecer, matar-se-á o jogo, acabar-se-á o futebol, porque se acaba a inocência de acreditar.
Actualmente, o jogo está seriamente ameaçado. Declan Hill, em 2008, publicou “The Fix”, uma excelente obra sobre a falta de verdade no futebol. Essa obra foi recentemente publicada em Portugal e titulada “Máfia no Futebol”. Aconselho a sua leitura, sabendo que, após essa leitura, perdemos o que nos restava de inocência, mas percebemos melhor o comportamento de árbitros, dirigentes e futebolistas. Compreendemos melhor o que leva um determinado treinador, num qualquer minuto 58, a substituir os dois futebolistas que melhor estavam a jogar; compreendemos por que motivo um treinador se vê obrigado a substituir um excelente guarda-redes, ao intervalo, com o medo que esse futebolista facilite na segunda parte; compreendemos como a prostituição é tão importante para poder chantagear quem tem o poder de decidir um jogo…Percebemos que nem os jogos das fases finais dos Campeonatos do Mundo estão a salvo de serem decididos antes de terem começado.
Mais do que tudo, percebemos que a protecção do jogo não está na competência das regras, das leis ou dos regulamentos, está na seriedade das pessoas."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

O fanfarrão

"Quando foram tornadas públicas as gravações de Pinto da Costa que evidenciaram, para não dizer mais, a promiscuidade entre aquele dirigente desportivo e muitos árbitros, esperava uma posição pública da arbitragem para defender a honra de uma função sem a qual os jogos são impossíveis. Não aconteceu. Quando rebentou o escândalo do Apito Dourado esperava que fossem, antes de todos, os árbitros a lutar para que finalmente fosse separado o trigo do joio. Não aconteceu. Das muitas vezes que se debateu a mudança nas regras de nomeação de árbitros, esperava que estivessem eles na linha da frente na luta por regras claras. Não aconteceu. Quando se exigiram novas tecnologias para a arbitragem, esperava que fossem os árbitros a tomar a dianteira. Não aconteceu. De todas as vezes que árbitros foram agredidos e ameaçados nos estádios, esperava uma posição de força, sem concessões. Não aconteceu.
Sei que criticar as arbitragens é o mais fácil. Umas vezes com razão – foi o caso da primeira jornada –, outras para disfarçar más exibições. Mas parece haver na arbitragem portuguesa uma convivência demasiado fácil com as águas turvas. É por isso perturbante ver os árbitros a boicotar um clube apenas porque um deles é, como tantas vezes acontece, criticado pelo seu mau desempenho. Porquê esta reação desproporcionada? Porque o Sporting é, dos três grandes, aquele que não conta nas contas dos obscuros corredores do poder do futebol nacional. Os árbitros não mostram, com este patético boicote, a sua força. Tornam apenas evidente a sua fraqueza perante os poderes instalados. Compensam os silêncios e as cumplicidades de sempre, mostrando as suas temerosas garras à presa mais fácil. É o que faz o fanfarrão. Não é o que faz o corajoso."


Positivo



Esperava-se com algum optimismo um lugar no top-10, portanto o 9º lugar conquistado pela Marisa Barros, no Mundial de Daegu, acaba por ser um resultado positivo. É verdade que muitas das especialistas de Maratonas não marcaram presença, principalmente as Europeias, mas devido a um problema com o joelho, a Marisa esteve 'parada' alguns meses, condicionando e muito, a normal preparação para uma Maratona, portanto ser a melhor Europeia acaba por ser um excelente prémio (a Sueca que ficou em 7º, é uma Queniana naturalizada!!!). Apesar de todas as condicionantes, incluindo as meteorológicas, a Marisa não mostrou medo, e fez quase toda a corrida na frente, cedendo somente no momento do ataque das Quenianas, já depois dos 30 Km. Como quase todos os atletas presentes neste Mundial, o principal objectivo da Marisa são os Jogos Olímpicos do próximo ano, creio que sem lesões, a Marisa pode 'incomodar' as favoritas, e num dia bom, fazer uma surpresa...!!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Afirma Pereira

"Afirma Pereira que pouco se importa com a venda de jogadores. Assegura Pereira - que conhece bem os caminhos escuros e as vielas que conduzem à Madalena - que o clube dos cimbalinos continuará a ganhar mesmo que lhe vendam a equipa toda ao desbarato, oferecendo como brinde desvalorizado produtos madeirenses.

Sabe Pereira que pelo menos os rapazinhos de cócoras não serão vendidos. Até porque ou já foram comprados ou nada valem. Está certo Pereira quando confia no trabalho dessa acocorada gente - afinal, em dois jogos já lhe ofereceram seis pontos.

Por isso, rejubila Pereira. Afirma Pereira que Jesus é egocêntrico. O que não dirá Pereira de Deus?

Afirmo eu que, com a ajuda de mais um Olegário, um Proença e Rui Silva (suspenso 20 meses por falsificação de relatório e rapidamente de volta às touradas, com direito a rabo e orelhas...), se fará de Pereira um novo Villas Boas, como se fez de Villas Boas um novo Mourinho.

Afirma Pereira muitas coisas, nenhuma delas reveladora de inteligência fora do vulgar. Está Pereira convicto de que mais uma vez tudo não passará de um passeio, da brincadeira do costume no quintal dos corruptos, com toda a gente de cócoras, sempre mais de cócoras a cada frase de D. Palhaço expelida a custo pelo seu cérebro caliginoso.

Se Pereira afirma, é porque sabe. Ou melhor: é porque o mandam afirmar. Estejam portanto atentos ao silêncio de Pereira. Por cada afirmação de Pereira, há um Pereira que se acanha. Por cada fanfarronada de Pereira, há um Pereira que baixa a cerviz. Estão ambos a cair de pôdre, e serão varridos para debaixo do tapete do nosso esquecimento. Até lá, retouçam na imunda pocilga em que alguns fizeram questão de transformar o futebol português para suprema glória e vaidade de um pobre palhaço triste que ainda julga ter graça."

Afonso de Melo, in O Benfica

Confiança? Sim. Euforia? Não!!!

"A eliminatória com o Twente era dos jogos mais ingratos que se poderia ter.

Ganhar apenas corresponde a uma obrigação realizada. Perder seria entrar em psicodrama antecipado e começar a lamber feridas, antes mesmo delas existirem.

Ganhar não deu título nenhum, mas perder seria o precoce antever que não se ganharia título nenhum durante toda a época.

Em suma, tínhamos muito a perder e pouco a ganhar contra o líder do campeonato holandês, campeão e vice-campeão nos últimos dois anos, do país que lidera o ranking mundial, a Holanda.

Quero fazer minhas as palavras daquele adepto que ontem, retratado em A BOLA, mostrava num cartaz «...só peço a Deus que não tire o Aimar».

Há jogadores do outro mundo, Aimar é um deles. Noventa minutos de sonho, de um sonho de jogador.

Um dia, desejo dizer aos meus netos... «mas eu vi Pablo Aimar jogar muitas vezes...»

Espero que a confiança tenha voltado, porque da euforia não precisamos.

A equipa esteve sempre equilibrada, o jogo sempre dominado, a intensidade e qualidade sempre presentes, e só o secular medo da tragédia não nos fazia ver que... temos Benfica.

Agora vamos suar os dias para ganhar ao Nacional, na Madeira.

O sorteio de ontem foi um justo prémio para o Benfica. Se outros méritos não houvesse, podemos jogar 4 dos 6 jogos em casa. Jogar na Suíça é bom para os largos milhares de portugueses que assim podem encher o estádio de Basileia. Não conheço a equipa romena, algures perdida no caminho da Moldávia, longe de Bucareste e perto do fim do mundo, mas onde as regras do futebol serão iguais e o Benfica terá outros pergaminhos. O Man. United será sempre um clássico para lembrar tantos outros. Um jogo de campeões Europeus agendado para dia 14 de Setembro, depois o caminho tem que ser ganhar a suíços e romenos."

Sílvio Cervan, in A Bola

O fabuloso Witsel

"1. Vive um passo à frente dos acontecimentos, capaz de surpreender pelo inesperado mas também de encantar pela perfeição. Porque domina os segredos do futebol como desporto coletivo e tem soluções individuais para quase tudo, Axel Witsel pertence ao grupo, cada vez mais restrito, daqueles que, somando muitíssimo à produção global, multiplicam o rendimento dos parceiros. Mesmo considerando que, pelo Benfica, ainda só desvendou uma pequena parte daquilo que sabe, já mostrou ser uma brisa de talento, competência, magia e sobriedade que varre o jogo do primeiro ao último minuto. Atendendo às opiniões de quem lidou com ele – quanto melhor o conhecem, maiores são os elogios – e à previsão do que evoluirá no contexto de uma boa equipa como aquela que Jorge Jesus está a construir, é quase nulo o risco da previsão ousada: estamos no prelúdio de um jogador que, em breve, atingirá nível mundial.
2. Senhor de conceito global do jogo, Witsel tem campo de ação extraordinário e uma particularidade interessante: raramente confirma as primeiras impressões que deixa. É alto mas possui articulação motora fantástica; é esguio mas guarda a bola como se fosse lutador de sumo; joga a um ou dois toques mas, quando é preciso, revela-se condutor perfeito a alta velocidade. O belga confirma a razão de César Luis Menotti, quando o velho mestre argentino afirma que “o parâmetro mais importante no futebol não é a dinâmica mas o conhecimento do jogo”, acrescentando os três valores que o identificam: ocupação do espaço, avaliação do tempo e antecipação do erro.
3. Espontâneo e imprevisível, Witsel cumpre regras e é desobediente; seduz pelo modo como segue a pauta e pela exaltação das invenções extraordinárias; por ser funcionário e espírito livre com dotes de artista; por ser competente e mago, que toca bombo mas também pode ser solista ou até dirigir a orquestra. É um jogador multifacetado, com vocação para ser o trapézio dos mais ousados; a partitura de apoio a quem só sabe tocar de ouvido; o mapa que orienta a ação dos mais imaginativos; o comandante silencioso (a autoridade é muito difícil de alcançar aos 22 anos) que inspira nas dificuldades e arrefece na euforia. Mais do que pensar duas ou três jogadas à frente, ele vê o jogo como cadeia de factos previsíveis para os quais é preciso ter resposta imediata. Põe a máquina a funcionar e ainda oferece a exceção da capacidade inventiva deslumbrante.
4. Witsel é o jogador dos novos tempos: talentoso, inteligente, versátil, intenso, forte, responsável e abrangente; que tem argumentos individuais incríveis mas conhece os benefícios de jogar com os outros; que dispõe de sentido tático notável mas revela arte para iluminar os caminhos que conduzem à baliza adversária. Apto para o excecional, o belga alimenta os hábitos quotidianos do funcionamento da equipa, razão pela qual funciona como garante de segurança e equilíbrio. É impressionante como, suportado em cálculo, não danifica o instinto; sendo um geómetra não abdica da liberdade para criar; valorizando a ordem impõe-se por imaginação e habilidade. Witsel é a súmula da evolução do médio-centro, aquele que mantém influência, brilho e eficácia jogando à esquerda e à direita; atrás, à frente, de trás para a frente e da frente para trás. Nem mais nem menos."


Rui Dias, in O Jogo

A uma só voz

"Um, mais drástico e impaciente do que nunca, exige a “demissão” de Vítor Pereira. O outro, bem menos bonacheirão e civilizado do que noutros tempos, vocifera pela “irradiação” de João Ferreira. De repente, os comentadores ao serviço do Sporting – que, por coincidência ou não, assumiram ou assumem papéis de relevo na estrutura diretiva do clube – sentem a necessidade de convergir para a linguagem oficial num ataque à arbitragem que, com maiores ou menores razões de suporte, é desajustado na forma e no tempo, parecendo destinado ao fracasso. Ambos estiveram ligados a sectores de oposição ao presidente eleito, Godinho Lopes, o homem que protagonizou um volte-face nas disponibilidades económicas imediatas do clube e uma inédita revolução do plantel, fatores que pareceram abrir portas a um reencontro da alma leonina, apoiada na chama ganhadora de Domingos Paciência e na experiência acumulada (de negócio, de bastidor, de afirmação) da dupla formada por Luís Duque e Carlos Freitas.
Em poucas semanas, o quadro mudou radicalmente. A gritaria em torno da arbitragem – independentemente da razão de queixa que assiste ao Sporting pelos disparates de Carlos Xistra na primeira jornada – parte de um erro: toma como precedente e como exemplo aquilo que o Benfica fez no ano passado. Mais avisado teria sido olhar para essa precipitação da direção encarnada como uma lição… a não repetir. Contas feitas, o Benfica nada ganhou com a posição de força assumida. Da mesma forma, fico com a ideia de que o Sporting só arranjou lenha para atiçar o fogo em que será o primeiro a queimar-se.
Não há cortina de fumo que impeça sócios e adeptos de ver o que realmente se passa. Tudo fica claro quando um antigo presidente do clube como o atual técnico vieram a público despedaçar o efeito da aplicação do “véu diáfano da fantasia”. Dias da Cunha pôs o dedo na ferida ao garantir que, se o tivesse comprado um Nolito, não estaria agora a “choramingar”. Já Domingos Paciência, apesar dos charters de jogadores que aterraram em Alvalade, continua a clamar por reforços. Acontece que uma equipa que faz uma primeira metade de jogo como a que rubricou em Aveiro, onde nem chegou à figura de corpo presente, tem alguma dificuldade em encaixar no papel de vítima.
Já agora: se há um – único? – dado saudável neste rugido do leão, ele é o ganharmos a certeza de que o Sporting tem uma voz. Depois do prolongado e ensurdecedor silêncio dos seus responsáveis ao longo das fases mais quentes do Apito Dourado, tinham sobrado algumas dúvidas. Resta saber se não é exatamente este atraso a causa do desajustamento e se os dirigentes atuais não vão precisar de terapia da fala."


A dobradiça

"Num documento pífio apresentado pelo presidente do Sporting escoltado por dois advogados, a arbitragem do futuro foi definida como a “charneira da atividade do futebol profissional”. A designação surpreendente acaba por constituir a única inovação da proposta, realmente pobre, genérica e reveladora das nulas competências dos autores nesta matéria.
Dizem-nos os dicionários da língua portuguesa que “charneira” significa um dispositivo de apoio à união entre duas coisas, como a ligação de uma correia a uma fivela ou, mais concretamente, de uma porta à sua armação, vulgo dobradiça. Em sentido metafórico o Houaiss coloca Portugal como charneira entre a Europa e África.
Com esforço, podemos concluir que o Sporting entende a arbitragem como a dobradiça que liga a “atividade” ao “futebol profissional” ou, em concreto, um clube ao título nacional. É rebuscado, para não dizer incompreensível, mas sublinha a relevância que os dirigentes deste clube insistem em atribuir à zona neutra deste jogo, porque uma das linhas da fuga para a frente continua a ser a “profissionalização” dos árbitros, um falso problema quando se sabe que os da elite vivem, atuam e auferem como profissionais.
A abordagem a um problema que o atormenta há tantos anos e de cuja solução parece cada vez mais longe reflete a insegurança gerada pelas dificuldades de alcançar resultados imediatos através de uma revolução técnica tão profunda, com a substituição de jogadores em bloco realizada num ambiente de euforia alienante. A charneira entre o Sporting e os sucessos desportivo e económico seria uma equipa competente e suas vitórias. E as dobradiças que poderiam abrir a janela da felicidade aos leões eram os golos de Wolfswinkel.
Apesar dos condicionalismos que rodeiam um ano de transição como este, fácil de projetar através dos exemplos do passado, os cândidos dirigentes do clube não conseguiram resistir à falácia de enfileirar com adversários mais poderosos, mas assim que a bola começou a rolar sucumbiram, com estrondo, às primeiras contrariedades. E revisitaram o pior das suas memórias, a mais improfícua das suas estratégias, a animosidade conflitual com a corporação mais antiga, fundada em princípios de clã e laços familiares que repelem sem piedade os ataques dos ingénuos.
Se já era bizarro admitir que um erro do árbitro João Ferreira na 3.ª jornada lhe tinha tirado um campeonato, preparemo-nos para o absurdo de, dentro de alguns anos, ouvir lembrar que o título de 2012 possa ter sido perdido porque Carlos Xistra invalidou um dos raros momentos da época em que Hélder Postiga conseguiu acertar com a baliza.
Xistra, Ferreira e todos os outros com “consciência pesada” em relação ao Sporting assumem-se, assim, como charneiras para o insucesso, rangendo estridentemente como dobradiças mal oleadas. E para isto não há solução: enquanto o Sporting considerar que a sustentabilidade e confiança do “negócio” depende dos árbitros e não da capacidade de escolher, preparar e enquadrar bons jogadores, serão mais as frustrações que as alegrias."


Seleção negativa

"O orgulho nacional é uma qualidade apreciável. Mal dos povos que não têm amor-próprio: estão condenados ao declínio e ao domínio por outros com uma vontade mais forte. Mas o orgulho nacional não deve impedir a crítica. Do mesmo modo que não devemos esconder a verdade aos amigos, não podemos dizer que tudo está bem quando o país comete erros.
E foi o que aconteceu no Campeonato do Mundo de Sub-20. Quase toda a gente elogiou a nossa Seleção, louvou o seu espírito competitivo, relevou a sua abnegação. Chegou a chamar-se-lhe “Seleção Coragem”.
Ora, coragem teria sido encarar os jogos de forma aberta, não enveredando por táticas superdefensivas. O jogo com a França, por exemplo, chegou a ser angustiante pelas aflições junto da nossa baliza. Em várias ocasiões só a sorte evitou a derrota.
Se as táticas superdefensivas são sempre condenáveis, contribuindo para matar o futebol, são-no ainda mais em equipas jovens. Porque prejudicam os jogadores, não contribuindo para o desenvolvimento integral das suas potencialidades. E incutem-lhes uma mentalidade mesquinha, onde a regra é não sofrer golos.
Que os jogadores já formados sejam levados, num e noutro jogo, a adotar essas táticas, ainda se admite. Mas em jogadores em formação é inadmissível incutir o espírito de que só o resultado interessa.
O futebol espetáculo é aquilo que faz a magia do futebol, que atrai espectadores aos estádios ou os prende aos televisores – e não as táticas “à italiana”, donde resultam jogos feios, monótonos e sem emoção.
Assim, apesar de a nossa Seleção ter chegado à final, merece nota negativa."


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um Idalécio, cinco Idalécios, vinte Idalécios

"Se os piores árbitros internacionais portugueses continuarem a ter a concorrência dos melhores árbitros distritais portugueses, isto um dia ainda acaba numa revolução


A Liga espanhola é a melhor do mundo e a Liga portuguesa é a sexta da tabela, segundo informou o país o próprio presidente da Liga, Fernando Gomes, pedindo contenção verbal aos árbitros e arbitrados.

Parece assim que a Liga portuguesa se está a aproximar da Liga espanhola no seu esplendor. Mas factos recentes vieram colocar dramaticamente a questão de outra maneira. Afinal, é a Liga espanhola que se está a aproximar da Liga portuguesa no seu pior folclore.

E isto deve dar uma grande preocupação aos espanhóis, nossos vizinhos, que se orgulham de outros atributos nas suas competições oficiais.

É verdade que ainda há cinco degraus entre as suas Ligas, se quisermos utilizar a imagem da escadaria a descer.

E se em Portugal, vá lá saber-se porquê, «os campeonatos decidem-se nas primeiras jornadas», como ainda esta semana se lamentou Domingos Paciência, já em Espanha este tipo de fatalismo, predeterminação ou destino imutável é olhado como um vício típico dos fadistas que habitam do outro lado da fronteira.

Em Espanha não há adepto do Real Madrid que esteja convencido de que esta temporada vai ser um desaire só porque o Real perdeu a Supertaça para o Barcelona a meio de Agosto. Mas em Portugal, ao contrário, é o próprio treinador do Sporting que não se dispensa de agourar em público só porque empatou os três primeiros jogos oficiais.

Na época passada, por exemplo, não foram poucos os benfiquistas que deram a época encerrada logo no jogo de abertura quando perdemos a Supertaça para o FC Porto no princípio de Agosto. E foi o que fizeram melhor...

Este histerismo português com as primeiras semanas da competição afecta todos os envolvidos: treinadores, jogadores, árbitros e adeptos. Em Espanha não era nada assim até há pouco tempo.

As temporadas demoravam os dez meses da praxe, o interesse pelas grandes decisões mantinha-se vivo desde o meio do Verão até ao finzinho da Primavera seguinte e foi assim que o futebol espanhol cresceu ao ponto de se tornar campeão do mundo...

Compreende-se, portanto, o horror de Vicente del Bosque, seleccionador espanhol, ao ver o edifício que ajudou a construir ser desmantelado à paulada por um português - claro, tinha de ser um português! - que, por ter perdido a Supertaça para o Barcelona, baixou-lhe o folclore tuga no seu pior e desatou a tratar toda a gente como se a época já tivesse terminado para o seu Real Madrid.

Ora este não é o José Mourinho que todos conhecemos. Mourinho era diferente, era especial porque não era fadista como os demais e não acreditava em fatalismos, apenas acreditava no seu trabalho. Ou não será assim?

É verdade que todos nós só conhecemos o José Mourinho a ganhar, elegante e vitorioso ao longo de dez curtos anos de uma sensacional carreira. Nunca vimos Mourinho a perder... Estamos a vê-lo agora na maré-baixa e tendo como adversário directo e interno o grande Barcelona de Messi e dos outros todos.

Deve ser tramado para qualquer treinador ter de ganhar ao Barcelona dentro e fora de portas e é este, precisamente, o trabalho de Mourinho que anda não só muito agitado mas também agitando muito.

O espectáculo não tem sido nada bonito de se ver. Ainda que pareça francamente exagerado o comentário de Gerard Piqué - «Mourinho está a destruir o futebol espanhol» -, não há como não dar razão a Vicente del Bosque e às suas preocupações sobre a sanidade mental do futebol espanhol depois deste arranque de temporada tão... português.



UM árbitro das divisões distritais apitou o Beira Mar-Sporting e não fez má figura, antes pelo contrário. Errou na proporção legítima admissível, sem qualquer tipo de influência directa no resultado.

O senhor Idalécio Martins, fiel de armazém nascido em Oliveira do Bairro prestou um grande contributo ao futebol português ao destruir um dogma por implosão.

O senhor Idalécio Martins pode regressar de consciência tranquila ao seu doce anonimato porque não vai ficar célebre pelas mesmas razões que marcaram as actuações recentes de Olegário Benquerença, Rui Silva e Carlos Xistra.

Ora isto dá que pensar. Se um árbitro das divisões distritais em final de carreira actua melhor do que alguns dos nossos árbitros internacionais, quais são os critérios de avaliação que promovem e despromovem os homens do apito?

Idalécio Martins saiu de Aveiro de boca fechada porque, segundo a Imprensa, foi aconselhado por responsáveis da Liga a ficar calado. E que jeito daria aplicar neste caso essa conquista da liberdade de expressão que é estranhamente negada aos árbitros.

Se os piores árbitros internacionais portugueses continuarem a ter a concorrência dos melhores árbitros distritais portugueses, isto um dia ainda acaba numa revolução.

Foi uma pena, uma grande pena, no ano passado os árbitros não terem feito exactamente a mesma coisa quando o Benfica, logo à quarta jornada, protestou com estrondo contra uma arbitragem danosa do inevitável Olegário Benquerença.

Quem nos dera um Idalécio, cindo Idalécios, vinte Idalécios durante a época inteira.



AMANHÃ joga-se no Mónaco a final da Supertaça da UEFA e o FC Porto parte na condição de favorito porque o FC Porto, mesmo desfalcado de Falcao - portanto desfalcoado - não terá grandes problemas em vencer um Barcelona desfalcado de Nolito.

Na sexta-feira veremos quem mais falta a quem.

A UEFA, sempre atenta, já nomeou o árbitro para o Mónaco. É o holandês Bjorn Kuipers, cliente da Marisqueira de Matosinhos.

Chama-se a isto, globalização.



O Benfica qualificou-se para a fase de grupos da Liga dos Campeões com uma exibição categórica frente ao Twente, ontem na Luz. Foi uma alegria para o clube porque entram muitos milhões na tesouraria e foi uma alegria para os adeptos que viram a equipa a jogar lindamente durante 85 minutos.

Os últimos 5 minutos foram mauzinhos, com os jogadores desconcentrados e nervosos, coisa a que já nos habituaram esta época. Mas a boa notícia é que esse período periclitante só durou 5 minutos e contra um adversário de maior valia do que o Gil Vicente, o Feirense ou os turcos do Trabzonspor.

Isto, portanto, deve querer dizer que o Benfica está no bom caminho.

Sobre Axel Witsel é melhor nem dizer nada... que bom para o Benfica o belga não ter sido desviado para o FC Porto.

Deviam andar a dormir, com certeza."


Leonor Pinhão, in A Bola

Vamos a eles...





Comparando com o ano passado, este grupo é teoricamente mais fácil, se o primeiro lugar parece longe, o segundo, parece obrigatório (e o terceiro no pior dos cenários), mas cuidado... Jesus percebeu que o Benfica não pode jogar na Champions na mesma forma que joga no Nacional e isso dá alguma confiança para esta campanha... Sinceramente não gostei do calendário, neste tipo de competição é muito importante entrar a 'marcar' pontos, para diminuir a ansiedade. O Benfica arrisca-se a entrar na 2º volta em desvantagem, a ter que 'correr atrás do prejuízo'!!!




Benfica - Manchester United - 14 Setembro - Quarta-feira
Otelul - Benfica - 27 Setembro - Terça-feira

Basileia - Benfica - 18 Outubro - Terça-feira
Benfica - Basileia - 2 Novembro - Quarta-feira
Manchester United - Benfica - 22 Novembro - Terça-feira

Benfica - Otelul - 7 Dezembro - Quarta-feira




-E lá vamos nós jogar novamente com o Manchester United !!! Depois dos confrontos nos anos 60, uma 'seca' de praticamente 36 anos e agora em 7 épocas este vai ser o terceiro confronto!!!



Com Koeman as coisas até correram bem, com um grande golo de Simão em Old Traford (com muito azar nos golos sofridos)... Mas a grande memória é a de um grande e inesquecível jogo na Luz, com remontada, com muita garra, com muitos titulares ausentes, com a Ronalda irritada, com o Beto a 'dominar' o meio campo (grande jogo do Nuno Assis) e um dos pouco jogos onde o apoio dos Benfiquistas à equipa foi total do primeiro ao último minuto em todos os sectores do Estádio e não só nas claques, garantindo uma passagem aos Oitavos da Champions e uma eliminação do Man United que nem para a Taça UEFA se conseguiu qualificar (4º)!!!
Com o Fernando Santos, em Inglaterra, jogámos muito fechadinhos lá atrás, e nem com o golaço do Nelson, conseguimos ganhar confiança. Num jogo 'estranho' onde sofremos três golos de cabeça, ficou a ideia que podíamos ter arriscado mais... Antes na Luz um contra-ataque mortífero, com o Saha a fugir ao Anderson, uma mistura de grande golo com 'vaca', e perdemos...!!!
Estou curioso para ver como é que o actual Benfica, treinado pelo Jesus, se vai comportar perante os 'meninos' do Alex!!! Quase tudo está contra nós, mas as constantes e repetidas lesões no Man United, principalmente na defesa, podem ser um pormenor importante, sem o Rio, o Vidic, o Evra e o 'Gémeo' da direita, a 'coisa' fica mais equilibrada (e já agora o Chicharito também podia apanhar um vírus qualquer!!!)...

-O Basileia não é tão fácil como parece. A última 'imagem' do Basileia em Portugal, não é famosa: eliminaram o Guimarães com um roubo de todo o tamanho na Suíça, e depois juntamente com o Sporting foram goleados repetidamente pelo Barcelona e pelo Bayern numa histórica campanha Europeia!!! Depois disso, recuperaram, e já reconquistaram o título nacional, é verdade que esta época não lhes está a correr bem, mas têm muitos internacionais no plantel, são uma equipa experiente e em casa são sempre uma equipa difícil...

-Otelul Galati é um perfeito desconhecido, mas foi Campeão Romeno!!! O futebol do Leste Europeu, foi invadido por Máfias e multi-milionários (se calhar é tudo a mesma coisa!!!), algumas das equipas com mais história vão passando dificuldades, e de vez em quanto, aparecem estes nomes estranhos, mas com orçamentos elevados, portanto todos os cuidados são poucos... Numa vista rápida pelo plantel, aparecem alguns Sérvios, um Argentino, um Peruano e um Nigeriano...

Noite à Benfica



Benfica 3 - 1 Twente



Hoje, sem oscilações, quase sempre a fundo, sem abrir buracos atrás, sem assobios para ninguém dos nossos, fizemos claramente a melhor exibição da época... Concentrados e com O Mago à solta tudo ficou mais fácil... Mesmo com um desperdício exagerado (novamente), o jogo acabou por ser menos cardíaco do que eu estava à espera... O adversário apesar dos poucos remates, provou ser uma equipa perigosa no ataque, principalmente quando aposta nos 4 avançados!!! Ironicamente, foi de bola parada que abrimos a lata, e logo por duas vezes, isto depois de muitos jogos a não criar perigo neste tipo de lances... Na Champions vamos ter que defender assim, mas para ganhar, só com a eficácia da segunda parte... Witsel, goleador todo-o-terreno a peça que faltou a época passada, Emerson, a dar confiança aos adeptos, Artur, duas fabulosas defesa e uma extrema tranquilidade, Cardozo sem marcar, mas a fazer um bom jogo, em destaque nas assistências, Javi com muleta ao lado, é mais dominador, centrais adaptados ao estilo de jogo do Twente, Maxi, um pouco melhor em relação aos últimos jogos, Aimar, simplesmente um dos melhores de sempre na longa e gloriosa história do Benfica...!!!

Curiosa a resposta do Jesus no final, dizendo que a equipa joga sempre com o mesmo esquema, só as caracteristicas dos jogadores que ocupam determinadas posições, é que muda, e eu até concordo... esta noite só no final, é que o Aimar 'baixou' para junto do Javi e do Matic, de resto sempre ao lado do Cardozo...

Parece que o Jesus percebeu a importância do Aimar nesta equipa, e hoje não o 'tirou'. O problema é que a jogar duas vezes por semana o Aimar não pode fazer 90 minutos. E neste momento ninguém tem conseguido substituir o Mago. Pessoalmente acho que o Gaitán, neste momento é o jogador que o poderá fazer, mas para isso acontecer, tem que ir para o banco, e jogar os últimos 30 minutos a '10', até porque a extremo direito não tem convencido...
adenda: Mais um penalty escandaloso que ficou por marcar a favor do Benfica. É o que dá não servirmos Marisco nem Fruta...!!!

Já agora o Nolito 'escolheu' o jogo ideal para acabar com a sequência fabulosa de golos. Com esta qualificação para a Champions ninguém ficou chateado com a 'estatística'!!!








Amanhã, de matina, vamos conhecer a nossa sorte no sorteio. Se no Pote 1, não vale a pena escolher muito (o actual Arsenal parece ser o mais simpático!!!), os Potes 3 e 4 são 'manhosos', pois existe uma diferença muito grande entre as equipas. O objectivo tem que ser os Oitavos e para isso ser mais provável, será preferível evitar o City, o Borussia, o Nápoles e o Bayer (trauma germânico!!!):

Pote 1
Manchester United
Barcelona
Chelsea
Bayern
Arsenal
Real Madrid
Inter
Pote 3
Zenit
Ajax
Bayer Leverkusen
Olympiakos
Manchester City
Lille
Basileia
Bate Borisov
Pote 4
Borussia Dortmund
Nápoles
Dinamo Zagreb
APOEL Nicosia
Trabzonspor
Genk
Viktoria Plzen
Otelul Galati

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Força Telma...

Benfica bipolar

"O futebol do Benfica tem sido bipolar. Nos jogos e num só jogo, tem-se passado da euforia à desilusão, da sofreguidão à lassidão, da concentração ao disparate, da eloquência à fadiga. E vice-versa. Tal é vissivel em todos e cada um à sua maneira: jogadores, equipa técnica, sócios e adeptos.

Os primeiros jogos do Campeonato foram a tradução fiel dessa alternância dualista. No campo, intercala-se a magia com a displicência, o fulgor de uma jogada de arte e engenho com uma desatenção de iniciados, o virtuosismo de um jogador com a alienação de um colega. Tanto se é capaz de um grande jogo contra um poderoso adversário como de se deixar ingenuamente empatar diante de um primodivisionário.

Bem sei que a cultura do Benfica sempre foi a da vitória. Fundada e fundamentada num tipo de jogo empolgante e de ataque constante. A ganhar, procura ampliar a diferença e não a defender tão-só uma magra vantagem. O Benfica não sabe jogar a defender. Melhor dizendo, jamais teve essa forma de jogar.

Mas hoje o futebol também é feito de contenção, quase cinismo. Não que me agrade no plano do espectáculo, mas reconheço quantas vezes tem o efeito desejado no plano dos resultados.

Nesta época, o Benfica - apesar de umas tantas despropositadas contratações - tem uma equipa com as condições para garantir solidez, coesão, durabilidades e constância. Com a obrigação de sopesar o 'lítio quanto baste' para reduzir a bipolaridade que vai do oito e do oitenta e do oitenta ao oito.

Hoje é um importante teste contra provavelmente a melhor equipa holandesa da actualidade. E -espero - um ponto de partida para uma época categórica."


Bagão Félix, in A Bola

O Sporting e a birra dos árbitros

«(...) O grande problema do Sporting não são os erros da arbitragem - é não conseguir meter a bola na baliza» Bruno Prata, Público, 23/8/2011

Esta afirmação de Bruno Prata, que tem sido repetida por muitos, é falsa.


Porque o Sporting consegue meter a bola na baliza, mas o golo é mal invalidado. No jogo contra o Olhanense marcámos golos, contra o Beira-Mar é que não. E esse jogo foi depois da birra dos árbitros. E a questão não é essa. A questão é o facto de tanta gente querer fazer pensar que a questão é essa.


Imaginem que um homem, incompetente no seu trabalho, é despedido. Nesse dia volta para casa mais cedo e surpreende a mulher com o amante. Faz um escândalo. Eu digo que o marido é traído porque a mulher é galdéria, o Bruno Prata e outros jornalistas desportivos dirão que é traído porque é incompetente no emprego.


Mas não nos podemos iludir. A culpa desta situação é nossa, do Sporting. Não a culpa de falharmos golos ou de termos ofendido os árbitros, mas a culpa de ter aceitado, passivamente, o que tem acontecido nos últimos anos.


A culpa é nossa por nunca termos dito nada sobre o Apito Dourado. Por termos tido presidentes que se sentaram, como se nada fosse, ao lado de Pinto da Costa, o homem que recebe árbitros em casa, que lhes paga viagens ao Brasil, que lhes oferece fruta e ameaça oferecer o jantar. Por apoiarmos a eleição para a Liga de Fernando Gomes, ex-vice-presidente do Porto do tempo do Apito Dourado. O Sporting ajudou, com o seu silêncio, com a sua conivência, a que os comportamentos corruptos, que prejudicam o clube, passassem impunes e, mais grave, passassem a ser considerados irrelevantes.


Não foi só o Sporting, claro. Também têm culpa os jornalistas que continuam a fingir que não se passou nada. Os directores que evitam os assuntos polémicos, com medo de perder o acesso aos dez minutos iniciais dos treinos e às conferências de imprensa cheias de banalidades. Os comentadores que negam que o que se passou seja grave, para não terem de admitir que festejam títulos ganhos com trafulhice. Os clubes que não protestam quando são prejudicados em favor do Porto. Os dirigentes da Liga e da Federação que olham para o lado. Todos contribuem para que, em Portugal, a trapaça seja normal. Se é normal um presidente receber em casa um árbitro que, dois dias depois, vai beneficiar o seu clube num jogo importante e se, ainda por cima, é o presidente do clube que já pagou viagens ao Brasil a outros árbitros, então qual é o espanto por haver golos mal anulados como o do Sporting -Olhanense?


Os árbitros só fizeram este boicote patético porque acham que, como é o Sporting, podem. Porque, vendo a atitude do Sporting nos últimos anos, julgaram que éramos tíbios. Alguém acha que faziam isto ao Porto, por exemplo quando o Villas Boas criticou João Ferreira, antes de um jogo na época passada? Claro que não faziam. O Porto é que manda. Ou manda dar fruta, ou manda dar o jantar. Ou putas, ou porrada.
Quem não se dá ao respeito, como Sporting não se deu nos últimos anos, acaba assim, com um grupo de bandalhos a achar que nos pode intimidar. Mas ainda podemos mostrar-lhes o quanto estão enganados.


O que há a fazer, aconteça o que acontecer, é não pedir desculpa. Está fora de questão ceder sequer um milímetro. Seria admitir que somos menos do que os outros clubes. E, se palhaçada continuar, então devemos recusar participar neste campeonato. Era a atitude que devia ter sido tomada quando se descobriu que a fraude do Apito Dourado ia passar incólume. Ainda vamos a tempo.


PS - A solução para o problema do futebol português não passa pelo aumento da competência dos árbitros através da sua profissionalização. É uma falácia. A maioria das vezes não erram por incompetência, erram por corrupção. E aumentar-lhes o salário só vai fazer com que se esforcem mais para fazer batota a favor de quem influencia a decisão sobre que árbitro tem melhor nota e sobe de escalão, logo ganha mais. O Apito Dourado mostrou bem quem manda nesta bodega. Enquanto o Presidente do Porto puder oferecer fruta, viagens e cafezinhos à vontade, o que é que interessa se é a árbitros de classe média ou a árbitros de classe média alta? Ou será que, se ganhasse mais dinheiro, Augusto Duarte já não precisava de aconselhamento matrimonial de Pinto da Costa para o seu pai? E Jacinto Paixão, com um aumento de salário, deixava de preferir mulatas?"






PS: Porque esta opinião está assinada pelo Zé Diogo não é surpresa, mas ler um sportinguista escrever um texto deste tamanho e não fazer uma única referência ao Benfica, é sempre digno de registo...!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lixívia Extra-Forte II

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......4 ( 0)...4
Corruptos...6 (+2)...4
Braga........4 ( +1)...3
Sporting....2 ( 0)...2




--A jornada começou sem surpresas!!! Com Rui Silva, árbitro condenado e suspenso no processo Apito Dourado por 20 meses, como mestre cerimonias, o festival começou cedo:
Logo no início do jogo marcou um penalty contra os Corruptos, tão óbvio que seria impossível não marcar, mas inexplicavelmente não mostrou cartão vermelho ao Argentino, este na minha opinião foi o erro mais grave, dos vários cometidos neste jogo; Pouco minutos após, marca penalty a favor dos Corruptos, num lance onde realmente existe contacto, mas dentro das grandes áreas, estes tipos de contacto nunca são considerados faltosos. Se fosse o avançado a empurrar o defesa, nessa situação quase todos os árbitros marcam falta, mas ao contrário só quando a Fruta e o Marisco tiver na agenda... (os critérios de marcação de penalty's a favor dos Corruptos esta época, além dos efeitos imediatos, intimidam os adversários de tal maneira que no segundo golo dos Corruptos, o jogador Corrupto salta à vontade!!!); Os 'meninos' da Sporttv ainda tentaram descobrir mais penalidades a favor dos Corruptos(!!!), a mais cómica é numa jogada do Varela, que quando preparava o remate recebe um encosto legal de um Gilista. Parece que para a Sporttv impedir um remate Corrupto é suficiente para se marcar penalty!!!; Ao minuto 88 Sapanaru, provavelmente bêbado, decidiu abraçar um adversário dentro da área, quando este tentava rematar. Mais uma vez, esta é daquelas faltas que dentro da área raramente são marcadas, mas seguindo o critério do penalty marcado a favor dos Corruptos (neste jogo, e no jogo de Guimarães), este também deveria ser falta, mas não era conveniente... Resumindo, com a expulsão do Otamendi, no primeiro minuto, com os Corruptos em desvantagem, o jogo ganharia uma dinâmica completamente diferente, mas nunca saberemos... o ano passado o Benfica jogou, em casa, contra o Setúbal, em inferioridade numérica, durante bastante tempo, e ganhou, mas estes são os 'testes' que raramente os Corruptos são submetidos!!!
Já agora o 'famoso' e eloquente Tribunal do Jogo, considerou que neste jogo, não houve nenhuma decisão errada, nem controversa!!!
Adenda: No terceiro Corrupto uma nota sobre o zelo do árbitro em empurrar a barreira para trás, foram quase dois minutos, só é pena que nos poucos livres que o Cardozo tem naquela zona, o zelo não seja o mesmo...!!!






--Na Luz houve vários foras-de-jogo mal tirados ao Benfica: ao Cardozo, e principalmente ao Saviola, que ficaria completamente isolado, na zona frontal, repito completamente sozinho... O Nolito é agarrado pela camisola quando tenta ultrapassar o adversário, o Nolito ao sentir que a bola ia sair pela linha de fundo deixou-se cair, boa decisão... Depois de rever o lance do penalty reclamado pelo Feirense, e apesar do desiquilibrio do 'Feirante', eu marcaria penalty. Estes lances são sempre uma questão de intensidade, portanto permitem sempre uma analise subjectiva, mas a falta parece existir... (mas já agora, revejam o golo do Nolito, reparem na luta entre o Cardozo e o central do Feirense, além do contacto corpo a corpo, o jogador do Feirense, coloca o antebraço no pescoço do Cardozo, empurra-o com toda a força, o Tacuara não se atirou para o chão, mas se tivesse 'mergulhado', alguém marcaria penalty? Mesmo se o Nolito falhasse o golo?!!!...).
Estes foram os verdadeiros 'casos' do jogo, mas as analises aos jogos do Benfica, nunca são tão 'simples'!!! Qualquer falta a meio-campo, atrás da baliza, e até no balneário é revista mil vezes!!! O azia Coroado (no tal Tribunal!!!) descobriu 3 penalty's contra o Benfica!!! Na Bola também andaram à procura de supostas expulsões... Como em muitas outras situações, não me importo que os jogadores do Benfica estejam sujeitos a tão rigoroso controle, aquilo que se exige é que o detalhe da analise aos casos dos jogos seja igual para todos!!! E como pelo menos os jogos dos Corruptos e dos Submissos têm o mesmo numero de câmaras, é inaceitável continuarem a desaparecer ângulos de repetição importantes, como aconteceu na primeira jornada em Guimarães, tentando branquear erros de arbitragem, favoráveis aos mesmo de sempre, e depois inventarem penalty's (Garay, e Maxi não fizeram penalty nenhum), ou cartões vermelhos (Javi, e Maxi não mereceram nenhum) aos jogadores do Benfica...
O Vitinho Pereira (convicto treinador Corrupto) decidiu esta semana abrir as hostilidades, com a habitual má educação, ignorância, estupidez, javardice... que a cadeira que ocupa. quase sempre faz realçar!!! Jesus respondeu-lhe bem com silêncio, mas sou obrigado a reafirmar aqui aquilo que escrevi a semana passada: o golo do Nolito em Barcelos, foi completamente legal, não estava em fora-de-jogo. E quem tiver dúvidas é favor clicar aqui.




--Já muito boa gente falou e escreveu sobre o jogo e a arbitragem do Aveiro (parece que o boicote aos Lagartos por parte dos árbitros vai continuar!!! assim o Sporting nos próximos jogos vai finalmente poder ser apitado por um árbitro nomeado pelo seu Presidente!!!). Fernando Martins (este nome agrada-me...) árbitro dos Distritais, categoria B (nem sequer é 'A' !!!), esteve impecável... Não conheço a sua história de vida, mas não deve gostar de Marisco, muito menos de Fruta, e nunca teve Padrinhos...!!! Provou, que afinal apitar um jogo honestamente, não é assim tão difícil como alguns querem fazer parecer... Corromper um jogo através do apito, premeditadamente, isso sim, já requer 'arte'!!! O 'Sistema' começa nas bases, e é nas promoções que se 'reproduz'...
Alguns foras-de-jogo foram mal tirados, mas nada de significativo... o lance mais complicado acabou por ser um encosto no Van Wolf...(qualquer coisa)!!! É curioso que este lance não tenha levantado ondas de indignação Lagarta, nem nos avençados jornaleiros... este lance é exactamente igual ao penalty do Givanildo, o tal que não deixou dúvidas ao Tribunal do Jogo!!!
Uma nota sobre a palhaçada dos árbitros e o Sporting: É muito difícil falar-se em Futebol em Portugal e não falar do Benfica!!! Os Submissos para justificar tudo o que se está a passar, estão constantemente a relembrar que o Benfica o ano passado também se queixou dos árbitros de maneira igual ou parecida!!! O que é MENTIRA. O Benfica reagiu após 3 roubalheiras consecutivas, não comentou Nomeações, on ou off record !!! E já agora, para se queixarem das arbitragens, é importante (acho eu) ter razões palpáveis de queixa!!! E na primeira jornada o erro mais escandaloso do Xistra foi a não expulsão do Jefren!!! O fora-de-jogo foi da responsabilidades do fiscal (um lance muito difícil de decidir bem, já que o central do Olhanense deu um passo em frente no momento do passe...), e o penalty para mim não existiu...!!!







--A Pedreira recebeu mais uma visita do Soares Dias (curioso...), não vi o jogo, mas no rescaldo o treinador do Marítimo queixou-se: é um lance curioso, porque aparentemente vou-me contradizer(!!!). No primeiro golo do Braga, o Robson, central do Marítimo, quando tenta cortar a bola é empurrado no ar, e acaba por 'passar' a bola para o segundo poste, para o adversário marcar golo... Este é mais um contacto, duvidoso, mais uma vez parecido com o do Givanildo, e o do Van Wolf (qualquer coisa...), que eu em ambos os casos considero não existir falta, mas neste caso existe uma grande diferença: quem sofre a falta é o defesa!!! É que os árbitros, facilmente marcam faltas ofensivas nestes lances, mas com muita dificuldade marcam este tipo de faltas aos defesas (excepto aos Corruptos)... os contactos são quase iguais, mas aquilo que está 'convencionado' e é normal ser aplicado, é não marcar penalty's, e marcar as famosas 'inócuas' faltas ofensivas...




Uma nota solta para o Rui Santolas que este fim-de-semana teve uma declaração fantástica(!!!): '...existe uma certa reverência dos árbitros ao FC Porto, é um facto...' !!! A língua portuguesa é tramada, agora 'reverência' é sinónimo de Associação Criminosa!!!




Anexos:




Benfica
1ª-Gil Vicente(f) (2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) (3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar




Corruptos
1º-Guimarães(f) (0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) (3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar




Sporting
1ª-Olhanense(c) (1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) (0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar




Braga
1ª-Rio Ave(f) (0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) (2-0), Soares Dias, Benficiados (1-0), Sem influência

Um certo livro de George Orwell...

"Não conheço pessoalmente João Ferreira. Dele tenho boa impressão como árbitro - não é um sobredotado mas justifica as insígnias da FIFA - e sei tratar-se de alguém que anda pelo Mundo de espinha direita.

Há uns anos, em Alvalade, ficou marcado por um Sporting-Paços de Ferreira ao validar um golo de forasteiro Ronny, obtido com a mão. Estive, nessa noite, no anfiteatro leonino e da bancada de imprensa também não descortinei qualquer irregularidade. Nem eu, nem a esmagadora maioria dos espectadores. O Paços marcou e seguiu-se um silêncio sepulcral entre os leões, que durou cerca de um minuto. Depois, ouviu-se uma vaia monumental. As rádios, após verem a repetição televisiva, tinham acabado de dar conta de que o golo tinha sido altamente irregular, coisa que toda a gente, nos dias seguintes, teve a oportunidade de confirmar. A indignação leonina («com a mão, andebol...», disse na altura Paulo Bento) levou a que João Ferreira ficasse susceptibilizado com o Sporting. Porém, depois dessa noite, já fez oito jogos dos leões. Mas não quis ir ontem a Aveiro, por sentir-se pressionado com notícias que davam conta de algum desconforto sportinguista quanto às nomeações para a segunda jornada. Que mal que fez! Em primeiro lugar porque não foi coerente, uma vez que, em 2009/10, colocado em causa, de viva voz, pelo treinador-adjunto do FC Porto, antes duma partida dos dragões com a Académica (a seguir ao episódio do túnel da Luz de que João Ferreira, quarto árbitro nessa noite, foi testemunha) para que foi noemado, não pediu escusa. Depois, porque, de facto, nenhum responsável leonino produziu on record, pelo menos, quaisquer declarações a contestá-lo. Finalmente, porque ao dizer que não queria ir a Coimbra puxou o tapete a Vítor Pereira e abriu a caixa de Pandora de onde saltou, de imediato, quem viu a sua estratégia de voltar a mandar na arbitragem abortada pela imposição dos novos estatutos da FPF e encontrou, neste episódio, uma oportunidade de ouro...

Os restantes árbitros, alegadamente solidários com João Ferreira, também disseram não a Aveiro, desrespeitando a indústria onde dizem querer ser profissionais. Com esta mentalidade, nem no INATEL deviam apitar (sem ofensa para os árbitros do INATEL...). Acredito que não era isto que João Ferreira pretendia. Mas foi esta a consequência do seu acto.

Em resumo, desgraçadamente, o controlo da arbitragem continua a ser, no futebol português, a jóia da coroa. O Apito Dourado deu a ver (e ouvir) como funcionava o sistema. Este embora ferido, procura recuperar o terreno perdido. E, se calhar, vai conseguir...

Iremos assistir a uma nova versão do clássico Animal Farm, de George Orwell, traduzido para português como O Triunfo dos Porcos? A frase emblemática desse livro é «todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros».



«Um tipo com um apito pode matar o melhor investimento, pode empolar o valor da uva mijona e aldrabar um dos mais poderosos negócios nacionais (o futebol)»

Moita Flores, presidente da CM Santarém, in 'Correio da Manhã'


Duríssimas palavras de Moita Flores que alertam, sobretudo, para o poder das equipas de arbitragem (a propósito, péssimo e preocupante arranque dos assistentes na Liga Zon-Sagres) no futebol. Aliás, só o controlo de tanto poder explica a guerra sem quartel que por aí anda, a propósito da presidência dos árbitros, quando esta passar da Liga para a FPF.

..."


José Manuel Delgado, in A Bola

Solidariedade no futebol

"As sociedades portuguesa, europeia e mundial atravessam crise económica/financeira de mil demónios, com as gravíssimas sequelas sociais de ela cair sobre os costados de quem, sem mais furos para apertar no cinto, já tem o estômago encostado às costas. Os ricos sentem-se protegidos, os remediados minguam em aceleradíssimo ritmo e os pobres alastram, já na miséria ou vendo-a ao virar da esquina.

Também no futebol se vê tal destrambelho, mas dele vieram dois exemplos de a solidariedade não ter de andar por avenidas de terrível amargura. Em Espanha, greve geral ao início da Liga, encabeçada por milionários do Barcelona e do Real Madrid que não esquecem os 200 futebolistas com ordenados em atraso. Em Portugal, árbitros de 1.ª categoria unidos no intelectual desagravo ao colega João Ferreira. Já lhes critiquei corporativismo. Não o vejo neste caso. Porque o árbitro cometeu grave erro, já lá vai mão cheia de anos!, é inadmissível sobre ele lançar suspeitas de errar de propósito, ou por incompetência. A este longo prazo, nenhum escaparia a veto de quase todos os clubes.

E, se é aceitável árbitro dos distritais para jogo da I Liga, a questão mor não está no nível de competência... já agora: qual foi o do Sporting, ontem, em Aveiro?"


Santos Neves, in A Bola

domingo, 21 de agosto de 2011

Objectivamente (Olegarices!!!)

"Começou mais uma Liga Portuguesa de Futebol Profissional e com mais uma OLEGARICE a indicar o caminho que já está traçado para mais uma época de batalhas. Tudo muda em Portugal. Governo, administradores de empresas públicas, pagamentos de novas portagens e impostos. Os únicos que não mudam são os Olégários e os Xistras!... Não há maneira de dar volta a isto. Com apenas uma jornada disputada é só ver a quantidade de disparates a beneficiar e a prejudicar. Sempre os mesmos!

Dizem alguns optimistas que as coisas vão melhorando. Que isto já não é como no tempo dos Silvanos, dos Silvas e dos Calheiros. Entendo por mim que agora ainda é pior. É mais sofisticado, tem outros artistas e como se vê o beneficiado é sempre o mesmo! Aliás, agora até tem uma espécie de Agência de Comunicação (tão na moda) que pretende legitimar as más decisões dos árbitros. Estou a falar do jornal 'O Jogo' que se arroga o direito de na primeira página afirmar categoricamente que «Machado (Manuel) protestou, mas Tribunal de 'O Jogo' considera penalti evidente!». É de rir! Mas quem é o Tribunal de O Jogo para ratificar seja o que for? Alguém acredita na isenção de Coroado, Paraty ou Pedro Henriques?

Toda a gente sabe qual é a tendência deste jornal portista. Toda a gente que tem paciência para o ler sabe interpretar o que ali se escreve e em que sentido vão as opiniões dos seus colaboradores. Eram os analistas dos árbitros (ainda por cima destes...) que iam em sentido inverso! Tenham paciência!

É pois muito preocupante iniciarmos uma competição desta forma. Todos se lembram do que aconteceu a época passada e como se processaram os arranques do Fc Porto nos anos em que foi campeão. Amealhar muitos pontos nas jornadas iniciais quando os distraídos acham que ainda vão a tempo de encurtar distâncias e quando dão por ela... já estão a nove pontos! A história é sempre a mesma e alguém tem de pôr cobro nisto! Não sei como!"


João Diogo, in O Benfica

De cócoras

"Numa das escutas telefónicas que imortalizam a prestação do sr. Costa como dirigente desportivo, ouve-se o dito defender que Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, fica bem de cócoras.
De facto, os ‘vitores pereiras’ que andam há trinta anos pelo futebol português têm-se habituado a ter perante o sr. Costa essa atitude de fiel subserviência de quem abana o rabo na expectativa do osso. Só assim se percebe a nomeação de Olegário Benquerença para apitar o jogo do clube do sr. Costa frente ao Vitória de Guimarães. Já na época passada, este mesmo Olegário decidiu contribuir para a farsa de campeonato a que assistimos, ao ir àquele mesmo estádio prejudicar despudoradamente o nosso Benfica. Agora, foi lá prejudicar os da casa. Nos dois casos há uma constante: de cócoras, foi beneficiado o clube do sr. Costa. Para os mais saudosistas, dá para reviver os tempos de António Garrido, José Pratas, Martins dos Santos, Carlos Calheiros, José Guímaro, António Costa, Isidoro Rodrigues, Donato Ramos, Fortunato Azevedo e tantos outros ‘Coroados’ da vida.
No final, e afinal, está tudo como sempre esteve. E, de cócoras, a comunicação social subverte o primeiro dos seus propósitos, ou seja, silencia-se. Fá-lo de forma cobarde, conivente e hipócrita. No final da primeira jornada, todos – e bem – escreveram como o Benfica perdeu pontos por culpas e responsabilidades próprias; mas todos se esqueceram de referir que o clube do sr. Costa ganhou pontos à custa de ajudas alheias. E, assim, de cócoras e branqueando a voz do dono, ainda nos querem convencer de que as palavras de Falcao a pedir que o deixem sair é apenas uma brilhante estratégia urdida por quem nunca falha, nunca, nem quando o treinador lhe foge na véspera do começo da época…
Nesta imensa farsa, os únicos que nunca falham são os que, solícitos, ficam de cócoras perante o sr. Costa. Esses, realmente, há trinta anos que não lhe falham."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Considerações (1ª jornada)

"Depois de uma noite muito, muito mal dormida escrevo esta crónica antes de partir para férias. E a única coisa que me apraz registar é que o presidente do SLB resolve tudo o que esta na sua mão excepto os resultados desportivos, que não estão, como é óbvio. Não vale a pena crucificar Jesus, porque Koeman ganhou aos andrades os dois jogos e perdeu o campeonato. Quique Flores foi o maior desastre da história do Benfica. Fernando Santos foi o que se viu, etc, etc, etc. Claro está que no jogo de Barcelos depois de estar a ganhar 2-0 se cometeram erros que nos custaram dois pontos. Não vale a pena tentar esconder o sol com a uma peneira. Existiram factos que nos levaram a este resultado. Mas o que me vai deixando mais preocupado é que continuo a verificar que o Benfica é Pablo Aimar e mais dez. Daí Pablo deve ser resguardado com um terceiro elemento no meio campo para evitar lesões.

Antes deste jogo se realizar tinha alertado que o Gil Vicente era um dos jogos em que teríamos de ganhar, pois são um dos seis pontos ganhos que os 'andrades', têm garantidos. Também alertei que teríamos dois meses em que se poderia (pode) ganhar ou perder quase tudo. Jorge Jesus conhece o futebol português como ninguém. Se o Benfica quer ser campeão não pode estar a ganhar 2-0 e deixar-se empatar. Não basta termos um grande plantel. Não basta termos grandes jogadores. Temos que ter mais qualquer coisa. Que agora, tal como na época passada, falhou, só que agora temos soluções. Isto não são palavras à toa. São factos. Foi o que eu vi. E infelizmente não me costumo enganar. Nada contra Jorge Jesus. Apenas realismo. Como o disse, vou ausentar-me um mês e meio. Só peço a Deus que ilumine o seu filho. A bem do SLB.

Boas Férias para todos os benfiquistas."


José Alberto Pinheiro, in O Benfica

Vice-Campeões






Todos os jogadores estão de parabéns. Excederam em muito as expectativas, antes do Mundial ninguém julgaria possível a final, creio que nem os jogadores...!!! Um grupo muito unido, com um grande espírito de sacrifício, que ultrapassou todos os limites na entrega ao jogo... Ninguém podia exigir mais...

É irónico que nos últimos dois jogos, aqueles teoricamente mais difíceis, a equipa tenha jogado com maior atrevimento ofensivo, se calhar não era necessário o ultra-catenacio dos primeiros jogos, que usou e abusou do Nelson...

E se houve jogo onde Portugal repartiu o jogo, e se calhar não merecia perder, foi exactamente o da final, o único que afinal perdeu!!! Foi essencialmente uma derrota do desgaste, com vários jogadores completamente rotos nos últimos minutos do tempo regulamentar, e de rastos no prolongamento...!!! Mas se calhar, se o Caetano tem entrado quando o jogo estava 2-1, com os Brasileiros de cabeça perdida, a dar muitos espaços, o resultado podia ter passado para 3-1 !!!

Para mim, o Danilo foi o melhor jogador de Portugal, está mais agressivo, do que quando jogava na formação do Benfica, tacticamente perfeito... o Nelson jogou todos os minutos de Portugal, na maior parte do tempo completamente abandonado lá na frente, com a ausência de apoio foi obrigado a recuar para ser ele a construir jogo, foi usado e abusado, com uma melhor gestão do esforço do Nelson durante este Torneio, o resultado final deste jogo poderia ter sido diferente...

Foi muito ingrato a forma como o Campeonato terminou para o Mika, mereceu o troféu de melhor guarda-redes do Torneio...

Em sentido contrário, o jogador que mais me irritou foi o Sérgio Oliveira, uma nulidade, em todos os jogos (podem me acusar de clubite, estou-me marimbando), ainda por cima em Portugal ficou o Rúben Pinto que teria feito de certeza absoluta aquela posição muito melhor...

Num Mundial nivelado por baixo, onde um Brasil fraquinho foi Campeão do Mundo, a FIFA também merece uma 'homenagem', pois organizar Campeonatos em locais impróprios para a prática do Futebol, está-se a tornar uma especialidade: a humidade, o calor, a altitude!!! Os jogadores regra geral já eram fraquinhos, os treinadores medrosos na maioria, mas com estas condições é praticamente impossível jogar futebol ofensivo de qualidade... como consequência jogos fraquissimos...!!! Uma última nota: no Brasil faltou o Neymar e o Lucas, na Espanha o Thiago Alcântara, e na Inglaterra 40 jogadores convocados não foram libertados pelos seus Clubes!!! E se calhar fizeram bem...

Altos e baixos... e acabar em alta !!!



Benfica 3 - 1 Feirense



Não vi o jogo. Apanhei alguns minutos na Benfica TV, a seguir no Site da Bola, e na parte final ainda passei pelo suplicio da Antena 1 !!!

Mas a história do jogo não é segredo para ninguém, muitas oportunidades, a maior parte desperdiçadas, o Nolito a fazer o golo da ordem, mais desperdício, e praticamente no primeiro remate à nossa baliza, o Benfica sofre um golo!!! Na ânsia de chegar novamente à vantagem, abre-se espaço na defesa, mas o fúria do Maxi e a 'estranha' capacidade do Cardozo em marcar golos, 'acalmou' as nossas almas!!! Já no final, à bomba, Bruno César levantou a Catedral!!!

Pelo meio, os Anti's tiveram um brinde, que vai provavelmente durar uma semana (ou mais!!!). Já vi as imagens e não existe penalty do Javi, e pelo que parece (não vi as imagens) foram marcados dois foras-de-jogo muito mal marcados ao Cardozo, e ao Saviola. No caso do Conejo completamente isolado!!! Mas desta parte eles não se vão lembrar...

Resumindo, continua a faltar a consistência defensiva, e desta vez a 'culpa' não é do Roberto!!! A falta de eficácia no ataque também é um problema... Acho que alternância táctica é benéfico para o Benfica. Quando pedi um Plano B, era mesmo isso, um Plano B, e não um Plano B para ser usado sempre como Plano A !!! O esquema que jogámos na Holanda, e que provavelmente vamos jogar na Quarta, contra equipas como o Feirense na primeira parte, é demasiado defensivo... aquilo que na minha opinião tem condicionado as segundas partes menos conseguidas do Benfica, tem um nome: Aimar, claramente o melhor jogador da equipa, e o mais importante nos nossos movimentos ofensivos, mas não aguenta os 90 minutos... independentemente do esquema que a equipa utilize. Por isso o golão do Bruno César pode ter sido muito importante, porque é em Bruno César que o Jesus aposta para fazer de Aimar, e quanto mais depressa o Brasileiro se adaptar e ganhar confiança melhor... sim, acho que o Bruno César tem muito potencial, mas precisa de acalmar o jogo, precisa de confiança, nem todos os toques na bola têm que ser mágicos, e ele tenta 'deslumbrar' em todas as jogadas que participa, e às vezes exige-se simplicidade...