Últimas indefectivações

sábado, 20 de julho de 2019

Uma antiga paixão

"No dia 20 de Julho de 2019, 50 anos após da chegada do Homem à Lua, chega o jogador que promete levar os Benfiquistas aos céus.
Carlos Vinicius, um antigo amor do clube, assinou pelo Benfica até 2024. Uns chamam a transferência de "valores exagerados e desnecessária", outros dizem que foi uma "boa compra". Aqui explicamos tudo.

Valores da transferência
O ponta de lança chega do Nápoles (estava emprestado ao Mónaco) por 17 milhões de euros, 3 milhões a menos que RDT, sendo assim a 3ª transferência mais cara do clube (apenas atrás de Raúl Jiménez e de RDT) e uma das mais caras do futebol português.

Números do jogador
Na última época, o brasileiro jogou a primeira metade no Rio Ave tendo realizado 14 jogos e marcado 8 golos. Na segunda metade da época foi emprestado ao Mónaco e em 16 jogos (3 a titular) marcou 2 golos e fez 1 assistência.

Mais um jogador no lote dos avançados
O brasileiro tem uma grande capacidade física, é rápido e como, a isto, alia uma boa capacidade técnica e grande finalização, encaixa como uma luva a ponta de lança, daí ser na teoria uma boa contratação.

Porém, neste defeso saíram do clube João Félix e Jonas e entraram RDT, Cádiz e agora Vinicius, três jogadores completamente diferentes dos que saíram. Por um montante de 17 milhões, é de esperar que seja aposta e isto só faz sentido com a saída de um dos pontas de lança, daí a transferência ser um pouco desnecessária, já que temos jogadores competentes para essa função até porque no 4-4-2 de Bruno Lage, só vai jogar um ponta de lança de cada vez.
O mais indicado seria Vinicius jogar com um jogador do estilo de Chiquinho ou Taarabt a segundo avançado, pois este tem maior capacidade de atacar a profundidade do que recuar no campo para vir buscar jogo às entre linhas.
Resta-nos esperar para ver como Bruno Lage vai gerir tanta qualidade ao longo da época."

Carlos Vinícius realiza o sonho e reforça o Benfica!

"Carlos Vinícius é o quinto reforço do SL Benfica para atacar a temporada 2019/2020! Aos 24 anos, foi contratado em definitivo ao Nápoles por 17 milhões de euros. Assinou contrato por cinco temporadas, até 2024, com a cláusula de rescisão fixada em 100 milhões, informou o clube à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O ponta de lança brasileiro regressa a Portugal, depois de ter representado o Real SC (2017/2018) e o Rio Ave FC (2018/2019), antes de ser emprestado ao Monaco, onde jogava até se mudar de novo para o futebol português.
Formado no Santos e no Palmeiras, iniciou a carreira profissional em 2016 no também clube brasileiro Caldense. Antes de chegar a Portugal por empréstimo, representou o Grémio Anápolis em 2017. Nesse percurso, começou por chamar as primeiras atenções. Até concretizar, em Julho desse ano, o sonho de jogar na Europa! Ao serviço do Real SC, na Segunda Liga, o camisola 95 – número que partilhou no Nápoles e Rio Ave – foi o segundo melhor marcador da competição com 19 golos, tendo apontado mais um na Taça da Liga. Totalizou 39 jogos. Mas não foi suficiente para salvar o clube da descida de divisão (terminou na última posição).
Seguiu-se o Nápoles. Fez a pré-temporada e saiu de imediato. Não vingou. Foi de novo emprestado, desta vez ao Rio Ave, onde na Primeira Liga, adquiriu os minutos e a experiência que precisava. Num patamar de maior exigência, foi o melhor marcador dos vila-condenses em toda a época, com 14 golos em 20 partidas. Três deles aos três grandes, curiosamente!
As boas prestações e o destaque que mostrou levaram-no, em Janeiro, para o Mónaco, onde cumpriu a segunda metade da época. E, de novo, emprestado pelo Nápoles! Pela terceira vez na curta e já promissora carreira! Com o regressado Leonardo Jardim no comando, estreou a camisola 11 e foi utilizado por 16 vezes. Continuou a marcar golos. Desta vez, foram mais dois.
No final da época, o mercado de transferências coincidiu com o namoro com o Benfica, onde chega na segunda metade de Julho. Em declarações à BTV, Vinícius afirma que é “um sonho realizado”. Por se tratar da terceira temporada em Portugal, mostra-se conhecedor da realidade que vai encontrar. Já conhece o inferno da Luz enquanto adversário e desta vez irá vivê-lo enquanto jogador das águias. Esta consciencialização torna-se um factor importante para se adaptar ao campeão em título, onde pretende ser mais um para ajudar a cumprir os títulos e os objectivos para a nova temporada.
Quem já privou com Carlos Vinícius aponta-lhe características que podem ser mais-valias para um clube grande como o Benfica: além da potência muscular, aliada à forte estrutura (1,90 cm e 86 kg), tem vindo a transformar a capacidade de remate, pressiona e desequilibra bem, é explosivo e agressivo, domina o um para um, o controlo e a progressão com bola. Daí resultaram muitos dos golos que marcou ao longo da carreira.
Como já foi referido, é ponta de lança, embora começasse por jogar a médio centro no Brasil. Mas as características que apresentava assemelhavam-se mais a um homem forte no ataque, pela forma habilidosa como ganhava a bola e arrancava para a baliza, deixando os oponentes para trás.
Constitui uma aposta de futuro e o valor que o Benfica pagou por ele, bem como a cláusula de rescisão, provam isso mesmo. Como é óbvio, a pressão não podia ser maior. Sendo um clube campeão, cujos objectivos passam por revalidar os títulos e ganhar outros tantos, as expectativas são muitas. Por isso, para um reforço, a adaptação tem de ser mais rápida. O que não duvido, dado o método de trabalho de Bruno Lage e restante equipa técnica. A este nível, adequa-se ao sistema táctico do setubalense, que privilegia o ataque organizado, que resulta na maior parte das vezes em contra-ataque e/ou ataque rápido. Sendo ponta de lança, Vinícius mais facilmente pende para um dos corredores, onde habitualmente recupera as bolas e estabelece um trajecto rápido para chegar às redes adversárias. O Benfica pode e certamente vai explorar essa vertente, que Vinícius irá intensificar sempre que for chamado.
Mas não nos esqueçamos da forte concorrência para a posição, onde existem mais três opções para um, eventualmente dois lugares no onze-tipo (Seferovic, Raul de Tomas e Cádiz – que deve ser emprestado), o que pode influenciar o tempo e a forma de utilização. Ao que tudo indica, o brasileiro será a terceira opção no ataque, sendo mais provável o espanhol e o suíço alinharem de início. A não ser, no entanto, que Lage adapte Vinícius para segundo avançado ou para um dos corredores, visto que também se sente confortável nessa posição. Se o mercado significar as saídas de Cervi, Zivkovic e eventualmente Jota, sobrarão Caio Lucas, Pizzi, Rafa e Chiquinho. E, mesmo assim, a concorrência volta a ser forte!
É certo que, com Lage, os jogadores têm utilização regular desde que o provem nos treinos. A chegada de Vinícius significa isso mesmo: a prova de que realmente vai constituir um ponto forte no Benfica. Caso contrário, voltará a não vingar e os 17 milhões poderão significar uma perda significativa de dinheiro quando se trata de uma aposta que, sendo de futuro, é para aplicar de imediato. Mas sou positivo e acredito que Carlos Vinícius será uma grande mais valia para o Benfica versão 2019/2020. Tem é de fazer por isso! E o trajecto, esse, não será nada fácil!"

Carlos Vinícius

"Chega ao Benfica um ponta de lança com muita facilidade na zona de finalização, maioritariamente com o pé esquerdo.
A chegada de Vinícius e de Rau de Tomas é um uprade no que concerne à capacidade finalizadora do homem mais avançado dos encarnados. Mas, terão os dois capacidade para jogar em conjunto, isto é: Terão nível e competência para mais do que na zona de finalização ajudarem a equipa a criar e a chegar a essa mesma zona de finalização?
Dúvida a ser esclarecida nos próximos tempos.
Eis Carlos Vinícius na “cara do golo”:

"

Fernando Redondo, in Lateral Esquerdo

Benfica no Feminino

"Na última temporada, o Sport Lisboa e Benfica teve equipas femininas nos principais desportos colectivos, tornando-se num caso único em Portugal e quiçá no mundo inteiro. Assim alcançara mais um marco na história do clube, mostrando-se como um clube ecléctico e capaz de promover o desporto feminino em Portugal.
Nesta época que foi história para as nossas "desportistas de salto alto", irei aqui fazer um pequeno balanço do desempenho de cada uma das principais equipas femininas do Benfica e um ponto da situação do estado actual.

Futebol
O principal feito da nova temporada foi a criação de uma equipa de futebol feminino pela primeira vez na história do clube. Começando a competir na Segunda Divisão, foi feito um investimento estratosférico na equipa que lhe permitisse lutar pela conquista da Taça de Portugal. O objectivo foi cumprido com a equipa a conseguir a subida de divisão sem quaisquer dificuldades, mas o ponto alto seria mesmo a conquista da "Prova Raínha", eliminando o SC Braga (que conquistou a Liga BPI e a Supertaça) nas meias-finais e derrotando o Valadares Gaia na final por 4-0. Como se não bastasse, o futebol feminino ainda ganharia todas as provas nos escalões de formação (sub-15, sub-17 e sub-19). Foi claramente uma entrada a todo o gás.
Para a nova época já foram feitas algumas alterações no plantel. Saíram as brasileiras Rilany (fim da carreira) e Ana Alice e as portuguesas Filipa Rodrigues e Jassie Vasconcelos. Chegaram a canadiana Cloé Lacasse e as jovens portuguesas Lúcia Alves, Catarina Amado, Ana Seiça e Adriana Rocha. Carlota Cristo, Evy Pereira, Darlene Souza, Beatriz Carneirão e Ana Rita Lopes (Tita) já renovaram contrato.
Este Verão também fica marcado pela mudança no comendo técnico, com João Marques a ser substituído pelo antigo jogador do Benfica Luís Andrade, que já integrava a estrutura da secção como Secretário Técnico. Vai também ser criada uma equipa B para competir na Segunda Liga.

Futsal
Na última temporada deu-se continuidade à hegemonia no futebol feminino, com a equipa a ganhar tudo o que havia para ganhar a nível nacional pela terceira época consecutiva, ficando ainda em terceiro lugar no Torneio de Desenvolvimento da UEFA.
A nova época fica já marcada pela saída do treinador Bruno Fernandes. O Treinador que liderou a equipa para este domínio nacional será substituído por Pedro Henriques, que passou pela equipa masculina como treinador de guarda-redes e treinador-adjunto. De saída também estão as atletas Bety Delgado, Cláudia Costa e Ana Mendonça. Destaque ainda para a promoção das juniores Marta Costa (guarda-redes) e Beatriz Marques (fixa). As restantes atletas renovaram contrato.

Hóquei em Patins
Para não variar, a equipa orientada por Paulo Almeida voltaria a ganhar tudo internamente só com vitórias, enquanto na Liga Europeia, a equipa seria eliminada nos quartos-de-final pelo CP Voltregà. A época ficaria ainda marcada pela participação na Taça Intercontinental em Dezembro do ano passado, onde a equipa perderia nas meias-finais contra a equipa argentina do Concepción por 4-3.
A nova época fica marcada pela entrada do Sporting CP na modalidade, clube para o qual vão as gémeas Lopes. De saída está também a espanhola Aina Arxé para o CP Voltregà, bem como Sandra Coelho e Raquel Abreu. Também já foram garantidas as contratações da guarda-redes Margarida Brandão e da avançada Sofia Contreiras, da internacional espanhola Marta Piquero e ainda o regresso da internacional chilena Maca Ramos após um ano em Espanha. Maria Vieira, Inês Vieira, Marlene Sousa, Andreia Leal e Maria Sofia Silva renovaram contrato.

Basquetebol
O basquetebol feminino também voltou à actividade recentemente, tendo regressado à primeira divisão em 2013/2014. No entanto, ao contrário do futsal e do hóquei, a equipa não tem tido sucesso desportivo, não tendo ainda conquistado qualquer título desde então. Isto acontece porque o projecto não tem qualquer sustentabilidade e solidez, sendo que todos os anos a estrutura base da equipa é alterada.
O melhor conseguido até ao momento foi a chegada à final da Taça da Federação em 2016/2017 e a chegada às meias-finais do play-off da Liga Feminina em 2017/2018. Nesta última temporada, houve mudança de treinador, com André Cardoso a ser substituído por Isabel Ribeiro dos Santos. O plantel sofreu ainda duas alterações nas jogadoras estrangeiras durante a época. A equipa chegaria aos quartos de final do play-off, sendo eliminada pela equipa açoriana do União Sportiva.
Para a nova época, o clube já anunciou a saída da capitã de equipa Joana Ramos, as renovações de Dora Duarte e Mariana Silva e as contratações de Joana Soeiro e Josephine Filipe, oriundas do União Sportiva, clube que ganhou três dos últimos cinco campeonatos na modalidade.

Andebol
O andebol feminino foi mais uma modalidade que regressou na última temporada, com a equipa a começar na Segunda Liga. Depois de ter feito o pleno na fase da Zona Sul, na Fase de Promoção, a equipa disputou o acesso à primeira divisão taco-a-taco com o ABC e o AC Ílhavo. A tão desejada promoção chegaria já no último jogo, onde a equipa orientada por Ana Rita Sobral derrotaria o AC Ílhavo por 36-30. Na Taça de Portugal, a equipa seria eliminada na segunda eliminatória pelo Colégio de Gaia, clube que se sagraria campeão nacional.
Apesar de ter poucos anos de existência na sua história, o Benfica é o segundo clube mais titulado no andebol feminino, estando apenas atrás do Madeira SAD.

Voleibol
O voleibol está associado a um dos períodos mais dourados do desporto feminino do Benfica, com a mítica "Equipa das Marias", que conquistou nove campeonatos entre 1966 e 1975. Mais de vinte anos depois, o Benfica voltou a ter uma equipa de voleibol feminino, que iria começar na Terceira divisão. 
A equipa orientada por Nuno Brites (ex-adjunto de José Jardim na equipa masculina) fez o pleno na Terceira divisão, vencendo os jogos todos na competição por 3-0, alcançando a subida sem quaisquer dificuldades. Na Taça de Portugal, seriam eliminadas na segunda eliminatória pelo CD Aves da Segunda Liga por 3-0, o que mostra que terão de se fazer alterações na equipa para conseguir lutar por mais uma subida na próxima época.

Pólo Aquático
Apesar de não estar englobada na matriz do futebol e das modalidades de pavilhão, não posso deixar de mencionar o pólo aquático feminino, que tal como o futebol, o futsal e o hóquei, fez o pleno a nível interno: campeonato, Taça de Portugal e Supertaça.
Fundada em 2014, o pólo aquático feminino é uma modalidade completamente ignorada pelo clube, com o investimento a sair do bolso dos seus responsáveis. Nestes cinco anos, a equipa já conquistou três Taças de Portugal e na última temporada conseguiu finalmente a conquista do campeonato, acabando com a hegemonia do Clube Fluvial Portuense."

Notícia falsa

"O Sport Lisboa e Benfica esclarece que é falsa a notícia que dá conta do interesse do Clube nos serviços do jovem jogador Gonçalo Cardoso do Boavista.
Mais se esclarece que nunca foi nem vai ser feita a apresentação de qualquer proposta junto do Boavista ou empresa que representa o jogador em causa, a Gestifute, para a sua aquisição, pelo que a notícia hoje publicada pelo suplemento “Sport” do “Correio da Manhã”, sob o título “Ex-assessor do Benfica leva central para a Luz”, é totalmente falsa nos pressupostos e também nos elementos supostamente envolvidos em algo que nunca existiu."

“Governo quer medalhas e não controlar o doping. Fui afastado por ser amigo de Carlos Alexandre. Secretário de estado é próximo de Sócrates”

"Em entrevista ao "Record", Rodrigo Jóia, Ex-presidente da ADoP diz que foi afastado por razões políticas e que lança suspeitas sobre o número de medalhas conquistado nos Jogos Europeus de Minsk. "Está tudo bem, está tudo em família"

O antigo presidente do organismo que combate o doping em Portugal garantiu, em entrevista ao Record, que algo se passa no desporto português, lançando suspeitas sobre o número de medalhas conquistadas pelos atletas nacionais nos Jogos Europeus de Minsk. Além disso, Rodrigo Jóia insinua que foi afastado do cargo e substituído por Manuel Brito por razões políticas: é amigo do juiz Carlos Alexandre e o secretário de estado da Juventude e do Desporto era próximo do engenheiro José Sócrates.

O Afastamento
“Não traga o dr. Carlos Alexandre para esta situação, porque ele já é perseguido o suficiente pelo facto de ser um homem sério e corajoso. Em Portugal os homens sérios, corajosos, que combatem a corrupção e que enfrentam lóbis são perseguidos e não reconduzidos. Mas, claro, tenho de acreditar que haja ligação e que esta seja uma destas. O secretário de Estado era o presidente da Movijovem e a ligação dele ao eng. Sócrates e ao Grupo Lena é publicamente conhecida. Mas quero acreditar que o primeiro-ministro nada sabe disto. Porque tenho dele a ideia de que, se soubesse, isto levava uma volta… Acredito que [António Costa] não pode saber, porque isso era dar razão a quem diz que era o segundo ministro do eng. Sócrates. Por isso, acredito que vai demitir o ministro da Educação e o secretário de Estado do Desporto. Se assim não for, como dizia um vizinho meu há pouco tempo e um pouco na brincadeira, um pouco a sério: como há dias nacionais para tudo, o primeiro-ministro podia criar um dia a favor da corrupção”.

As Medalhas de Minsk
“Competência e sucesso no combate ao doping são coisas que algumas pessoas não querem. E o que o Governo quer são medalhas como as de Minsk [Portugal conquistou 15 medalhas nos Jogos Europeus] e não a ‘chatice’ do combate ao doping. E hoje não, porque ainda tenho muito para contar e isto deve ser bem digerido, mas na altura certa direi por que é que o COP tem a Secretaria de Estado do Desporto na mão. Agora está tudo bem, está tudo em família, mais medalhas, menos controlo. Esta promiscuidade entre o secretário de Estado, o COP e esta ADoP faz-me recordar o escândalo de doping na Rússia, que levou à proibição dos atletas russos de competirem internacionalmente. Isto não é só o que é, mas também o que parece. Esta promiscuidade é muito grave para o desporto português”.

As Amostras Roubadas
“Percebi que queriam roubar as amostras do Benfica e do Sporting e denunciei-o à PJ; denunciei ao MP a falsificação do caso [do ciclista] Rúben Almeida, quando a FPC do vice-presidente do COP, Artur Lopes, o queria absolver e a ADoP, sob a minha presidência, lhe aplicou oito anos de suspensão; denunciei ao MP o caso de Caminha, quando o ministro e o secretário de Estado, alegadamente, disseram que há instituições que estão acima da lei. O resultado de tudo isto foi que não fui reconduzido. Isto é um sinal claro do Governo para qualquer dirigente da Administração Pública: caso esteja perante uma situação de corrupção, não a deve denunciar. Essa situação [das amostras do Benfica e do Sporting] está em segredo de Justiça, pelo que não posso adiantar muito sobre isso.""

Golo...

Palavras...

Benfiquismo (MCCXXXVII)

Posses!!!

Ainda Jonas...

Desejos e delírios

"É bom ler, rir e guardar as declarações dos comentadores de outros emblemas. Vão dar boas gargalhadas durante a época.

Nesta fase da época, aconselho os benfiquistas a leram essencialmente os comentadores clubísticas afectos a outros emblemas. Na silly season futebolística, são a parte mais divertida do verão. Atrapalhados com a realidade, confundem os sonhos, os desejos e os delírios de forma muito engraçada. É bom ler, rir e guardar porque vão dar boas gargalhadas durante a época. Eu já tenho boas recortes guardados.
O Benfica venceu por números pesados a Académica num treino no qual o resultado não tinha importância alguma mas deixou indicadores interessantes. Percebeu-se o que quer Bruno Lage e, mais ainda, tudo aquilo que ainda falta que a equipa faça, para estar no nível pretendido pelo treinador.
Perin, se estiver recuperado de todas as suas limitações físicas, é um excelente guarda-redes mas isso não invalida que Odysseas Vlachodimos tenha deixado de ser uma solução segura e que garante tranquilidade. O grego entrou na segunda parte em Coimbra e demorou um minuto a fazer a melhor defesa de todo o jogo. Qualidade e soluções nunca são de mais.
A partida (anunciada) de Salvio não causa grande dano desportivo, mas é justo referir que o argentino tinha uma característica rara, pois quanto maior era a qualidade do adversário melhor era o seu desempenho em campo. Os grandes jogos de Salvio com o manto foram, na sua maioria, contra adversários de grande valia. A saídas de Luisão na época passada e de Salvio e Jonas esta época baixam os níveis de maturidade e experiência desde Benfica.
Chiquinho parece confirmar tudo o que se esperava dele, um jogador muito interessante e parece ser de total acerto a sua contratação. Raul de Tomas, mesmo sem jogar ao seu melhor nível fez dois golos em meia parte, parece haver razões para esperar coisas boas desde novo avançado.
Este torneio de prestígio internacional em que o Benfica participa nos Estados Unidos dará uma noção mais clara do que já temos, como estamos e daquilo de que ainda precisamos. Sendo que a contratação de um avançado de qualidade parece consensual no universo benfiquista, depois das saídas de Jonas e Félix e dos empréstimos de Castillo e Ferreyra.
Nas pré-épocas, não há nada para vencer, preparam-se, sim, as vitórias de uma época. Tudo o resto é a espuma de efémero, com pouco interesse e nenhum valor."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: O Castillo foi vendido, não está emprestado.

Bom problema

"Os números divulgados recentemente acerca da venda de Red Passes (incremento de cerca de 125% desde 2013/14 até 44 mil) são impressionantes e revelam, por um lado, o entusiasmo em torno da equipa e a satisfação pelo percurso no campeonato nas últimas temporadas; e, por outro, o sentimento generalizado de que deter um lugar de época é realmente compensador e diversos níveis, incluindo, tendo em conta a capacidade limitada do estádio, que o lugar estará garantido para este e para os próximos anos.
A manter-se a tendência de procura de Red Passes no futuro próximo, a que se tem de acrescentar camarotes e executive seats, além da obrigatória cedência de 5% da lotação do estádio aos adversários, sobrarão poucos bilhetes disponíveis em cada jogo, os quais terá de existir sempre de forma a proporcionar a possibilidade de aquisição de ingressos a sócios que, por esta ou aquela razão, não conseguiram ou quiseram comprar Red Pass. Ou seja, é real a possibilidade de, a curto prazo, terem de se criadas listas de espera para quem quiser adquirir Red Pass.
Do meu ponto de vista, o maior problema neste âmbito está relacionado com a capacidade de criar novos públicos, mesmo sabendo-se que, todos os anos, há lugares que não são renovados devido a causas como morte, envelhecimento, emigração, etc. Com a taxa de ocupação verificada, haverá, por exemplo, uma dificuldade enorme para os pais comparem Red Pass para os seus filhos quando estes atingirem a idade mínima de entrada (3 anos).
Se tivermos de facto este problema, só vejo duas soluções: Reconfiguração da disposição dos lugares. Ampliação do estádio conforme julgo ter sido anunciado, aquando da construção, que é possível."

João Tomaz, in O Benfica

Um caso isolado

"Vou chamar-lhe Zé António', com o devido pedido de desculpas a todos os Josés Antónios adeptos e sócios do Sport Lisboa e Benfica. Escolho este nome fictício porque sei pouco sobre esta pessoa. O episódio passa-se no primeiro jogo da pré-temporada, em casa, com os belgas do Anderlecht. O SLB vai perdendo por dois a zero no jogo de despedida de Jonas. A apresentação do plantel já tinha sido feita, a ovação ao avançado brasileiro também já tinha sido ouvida em todo o estádio. Até as lágrimas já me tinham chegado à beira dos olhos quando me tive de despedir do Pistolas.
A mim e a milhares de outros adeptos presentes na Catedral. Foi um dia de emoções fortes. É na segunda parte do jogo que este tal de Zé António começa a assobiar e a insultar a equipa e os jogadores que ousaram falhar um passe, um corte ou um remate no primeiro jogo-treino de uma época em que a camisola do nosso clube leva o escudo de campeão. Lamento muito, mas eu não estou para isto.
E saiu-me um frase com um sonoro palavrão para quem foi capaz de tal desplante. Podem encher a boca com a conversa da exigência e que no Benfica tem de ser assim, mas isso comigo não pega. Quem assobia a equipa e os nossos jogadores no jogo de apresentação só pode ser um frustrado. Todos queremos o melhor para o SL Benfica: os melhores jogadores, o estilo de jogo mais bonito, o maior número de golos, as melhores defesas ou uma excelente saúde financeira. E todos sofremos quando as coisas não correm pelo melhor, mas a atitude deste adepto ultrapassa o que é razoável. O que ficamos a saber com este episódio é que o valor pago pela quota mensal, pelo lugar anual ou pelo bilhete daquele jogo específico - não sei qual terá sido o caso deste Zé António - não incluiu cultura desportiva. Nem inteligência emocional."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Dicas para o João Félix triunfar

"Esta é a primeira vez que escrevo sobre o João Félix desde que foi confirmado oficialmente como reforço do Atlético Madrid. O puto que aos 18 anos já marcava ao Sporting. O craque que parecia um jogador de PlayStation em Alvalade e no Dragão. Os sortudos dos espanhóis levaram o nosso menino. Aos 19 anos lá vai ele à conquista do mundo. Li alguns comentários no Instagram e, sinceramente não compreendo o sentido daquelas mensagens. 'Força, Félix, és um craque!', 'Sem medos, puto, jogar muito'. Malta, isso ele já sabe. Estão apenas a ser chatos. Há pensamentos bastante mais úteis para lhe transmitir. Aos 19 anos, a viver sozinho em Madrid e a jogar num clube como o Atlético, o conselho que lhe podemos deixar é para se deitar cedo, usar sempre preservativo e pouco mais.
Para bem do João, temos de pensar mais como os pais dele e menos como adeptos. E para bem do Benfica, devíamos aprender a fazer filhos como o Sr. Carlos e a Dona Carla. Eu estou disponível para integrar uma turma de aprendizes. Circulou imensa informação em relação a esta transferência. Eu ainda me vou fazendo de entendido no que diz respeito ao jogo - até porque tenho no currículo uma Liga dos Campeões conquistada com o Tourizense no FM 2012. Em questões financeiras nem sequer me atrevo a intervir. Deixo essas apreciações para quem realmente percebe e confesso que fiquei um pouco alarmado com algumas análises. Tem-se debatido tanto o destino dos 126 milhões de euros que o Atlético vai pagar, que eu até já começo a ficar convencido de que para os cofres do Benfica só devem sobrar aí uns 50€. Eu sugiro que sejam investidos em Cerelac para que os garotos não passem fome nos EUA."

Pedro Soares, in O Benfica

Obrigado, Craque!

"Na passada enviei a crónica antes do anúncio oficial da despedida de Jonas, pelo que acabei por escolher outro tema. Mas é sempre boa altura para falar do craque brasileiro, que já nos deixa saudades.
Chalana era o meu ídolo de infância, e desde então talvez não tenha desenvolvido uma admiração tão grande por um jogador de futebol como por Jonas. Foi - e ainda me custa utilizar o pretérito perfeito - o melhor avançado que alguma vez vi jogar de Manto Sagrado, e seguramente o mais completo jogador do Benfica deste século. Juntou a magia de Aimar à eficácia de Cardozo, a influência de Simão, ao perfume de Gaitán, a fogosidade de Di Maria ao carisma de Luisão. Sagrou-se campeão em quatro dos cinco campeonatos que disputou em Portugal, e ninguém me tira da cabeça que, não fosse a inoportuna lesão na fase final da época 2017 - 2018 (que o retirou do decisivo Benfica - FC Porto), teria alcançado o pleno.
Faltou-lhe a consagração europeia, deixando ainda assim a sua marca no percurso internacional do clube, com os decisivos golos obtidos, por exemplo, frente ao Zenit em 2016, ou diante do Dínamo Zagreb nesta última temporada. Mas foi no campeonato português que mais intensamente brilhou, com para lá de uma centena de golos em somente cinco épocas.
Toda a sua história no Benfica é um verdadeiro conto de fadas, desde a forma como chegou até ao dia em que partiu - deixando a Luz em lágrimas a aplaudi-lo de pé, coisa que não se via desde a despedida de Rui Costa. Não vai ser fácil substituir Jonas. Jogadores deste nível não aparecem todos os dias. Fica a lenda, e um eterna gratidão."

Luís Fialho, in O Benfica

We are Benfica

"A presença do Sport Lisboa e Benfica na International Cup (ICC) é altamente prestigiante para o futebol português. Estamos a falar do torneio de pré-época de maior dimensão a nível global. Na ICC marcam presença 12 clubes de classe mundial, com 18 jogos nos EUA, Europa e Ásia. Desde a sua estreia, em 2013, mais de 4,8 milhões de adeptos já assistiram a jogos desta competição. Mais de 150 milhões de pessoas assistem ao torneio em todo o mundo.
Para o SL Benfica, disputar este torneio nos EUA é uma excelente oportunidade para estarmos junto dos milhares de benfiquistas que vivem e trabalham na Costa Leste e na Califórnia. Seguramente iremos jogar em casa, com o SL Benfica a ter a preocupação de transportar para cada um dos estádios todo o ambiente de festa e apoio que sentimos em qualquer campo onde jogamos em Portugal.
O SL Benfica faz dos EUA um dos países onde quer estar no futuro, não só pela ligação aos seus adeptos e às 11 Casas, mas também pelo enorme potencial que o futebol tem neste grande país. E com um aspecto curioso - sempre que participámos na ICC fomos campeões nacionais. Assim aconteceu em 2015, com Rui Vitória ao leme, defrontámos o PSG (derrota por 3-2), empatámos com a Fiorentina (0-0), perdemos com os NY Red Bulls (2-1) e empatámos com o América (0-0). No final da época, conquistámos o 35.º Campeonato. Na última época, defrontámos três grandes clubes europeus e perdemos apenas um jogo - Borrusia Dortmund (2-2), Juventus (1-1) e Lyon (2-3). No final da temporada, conquistámos o 37.º Campeonato. Acredito que acontecerá o mesmo no final de 2018/20."

Pedro Guerra, in A Bola

Bola

"Ir às aulas, estar com atenção e estudar aproveitando a inteligência toda que se tem. Pelo caminho, criar um bom ambiente na escola, na família e no bairro. E jogar, jogar à bola, muito e bem! São coisas simples que muitas vezes escapam aos jovens quando perdem a perspectiva de si próprias e do seu valor por entre as encruzilhadas da vida, que, mais cedo do que devia, lhes prega rasteiras e os põe à prova como não faz a muitos dos adultos que leem estas linhas.
Nessas alturas, a família é um suporte indispensável, mas, infelizmente, nem todos a têm em condições de dizer 'pronto' quando mais dela precisam. Por isso, muitas adolescências são vividas em sobre-esforço pelos jovens, tentando conhecer o mundo e navegar solitariamente nele sem mapa nem bússola, contando apenas consigo próprios e com uns tantos colegas. Nessas alturas, pertencer a um grupo forte e coeso torna-se num património de valor inestimável. Ter um suporte e uma confirmação social, aprender a cair e ter onde cair, é de uma importância extrema para todos nós, mas acentua-se na adolescência, como quase tudo nas nossas vidas. Uma equipa, pares solidários e lideranças fortes e inspiradoras são uma das principais armas do projecto 'Para ti Se não faltares!'. Uma arma que actua em cima de um poderosíssimo princípio activo chamado futebol. E assim se transformaram angústias em acção, armários em lideranças, esforço em prazer e, claro está, crianças em homens ou mulheres, e ambos em cidadãos.
É isto que se consegue fazer com uma simples bola cheia de ar: encher vidas de sonhos e lançar caminhos individuais para a sua concretização. É tal o poder do futebol, que se torna um privilégio trabalhar na Fundação de um clube como o Benfica porque se conquista a possibilidade de o canalizar para a valorização pessoal e daí para a transformação social do país!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Bestas - fora do futebol

"Na semana passada, os portugueses mais ligados ao desporto, e em especial ao futebol, voltaram a ser sacudidos com nova investida da brutalidade cega. Num jogo que era (e foi) amigável, no específico contexto da preparação da temporada para ambas as equipas, a que os adeptos - já com saudades da competição a sério - comparecem tanto de um lado como do outro, para conferirem as suas certezas com as suas novas expectativas, eis que, de repente, sem qualquer razão para o justificar, alguém toma os mosquitos por cordas e faz despoletar uma violenta batalha generalizada em determinado sector da bancada, com as infelizes consequências que, escassos minutos depois, sobraram sobretudo para outra vítima inocente, desprevenida e muito infeliz.
A festa - designadamente a festa dos adeptos benfiquistas ali presentes em número significativamente superior ao dos antagonistas - não ficou definitivamente estragada, apesar dos perigos incidentais surpreendentemente detonados, porque a polícia e o sistema de segurança do estádio rapidamente souberam pôr cobro ao despropósito dos provocadores e defender os incautos adeptos que, sem mais cautelas, tinham acorrido ao chamamento dos seus clubes e ao fascínio pelo grande futebol. Nada, nunca, absolutamente nada e jamais pode gerar ou justificar uma bandeira daquelas. E se num qualquer jogo de campeonato já é intolerável que situações desta natureza se continuem a verificar tão frequentemente nas bancadas dos estádios portugueses, ainda é mais absolutamente inacreditável que a bestialidade tome as rédeas na boca dos irracionais que se dedicam a tais práticas quando se trata de um jogo sem intenção competitiva, podendo ser disputado com maior acento na performance e no sentido do mais puro futebol.
Daí que eu releve, por um lado, a correctíssima decisão tomada pelo árbitro Vítor Ferreira (AF Braga), ao suspender a partida por longos sete minutos, logo que - aos 39' quando o Benfica já se havia adiantado ao marcador - se apercebeu da gravidade da inesperada situação. E, por outro lado, que saliente a atitude claramente condenatória assumida por Bruno Lage, logo nas suas primeiras declarações após o final do jogo: o nosso treinador voltou a demonstrar que mantém uma ideia clara e justa sobre o que deve ser o espírito desportivo essencial a nortear o comportamento dos atletas, dos dirigentes e do próprio público do futebol.
Assim espero eu que a própria decisão adequada do árbitro tenha correspondido não apenas a um  desígnio pessoal do juiz naquela triste circunstância, mas um ditame do Conselho de Arbitragem e das entidades que tutelam a disciplina no futebol que, de futuro, passem a ser menos complacentes com circunstâncias como as que tristemente se viveram na tarde de Coimbra."

José Nuno Martins, in O Benfica

O pecado!

"Resta ao Benfica esperar que não se confirme a sabedoria popular, segundo a qual «o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita»

Pode Mattia Perin ser um guarda-redes fantástico ou, no mínimo, como disse o internacional português Miguel Veloso, um guarda-redes que é «um autêntico gato». Mas a verdade é que, bem pior do que ter contratado um guarda-redes que já teve lesões graves nos dois joelhos e acaba de ser operado a uma clavícula, é o Benfica ter, afinal, contratado um guarda-redes que toda a gente sabe que foi contratado para ser titular e só pode contar com ele, na melhor da hipóteses, lá para Dezembro, como ficou a saber-se ontem, ao final do fia, depois dos testes médicos feitos, em Lisboa, ao jogador. E porque é que é pior a emenda do que o soneto?
Porque admitindo, como temos de admitir, que o Benfica sabe que está a contratar um guarda-redes que, apesar de toda a novela, vai acabar por estar fisicamente em condições de competir ao mais alto nível quando regressar, em Dezembro, repito, à Luz, a verdade é que o Benfica vai exigir ao jovem guarda-redes Odysseas Vlachodimos que seja titular até Perin estar apto e se resigne, depois, a ser suplente quando Perin estiver, por fim, em condições de ser titular porque foi para isso que foi contratado.

Ou seja: o Benfica contrata para titular um guarda-redes que ainda está longe de poder ser titular e diz a Odysseas que vai, mais tarde ou mais cedo, deixar de ser o titular, mas que por mais algum meses precisa que seja ainda o titular. Parece esta uma situação bem resolvida? Não, claro que não!
É, pois, a contratação de Perin já um romance de cordel - como chamavam às antigas novelas mexicanas - mesmo antes de se saber se virá ou não a ser uma boa história encarnada, e é, a propósito, bastante difícil de não nos lembramos do que sucedeu também no Verão de 2018 então com o Sporting, então com o também italiano Sturaro, então, também, com a Jiventus, com a única diferença de Sturaro ter sido então emprestado ao Sporting.

Recordo que Sturaro também chegou a Lisboa ainda a recuperar de lesão, regressou a Itália com a promessa que voltaria aos leões quando estivesse recuperado e acabou por nunca fazer sequer um treino entre os verdes e brancos.
No caso, agora, do Benfica, a questão é, porém, mais complexa, porque não se trata apenas de saber o que vai acabar por suceder com Perin; trata-se, também, queira-se ou não, de saber o que vai suceder com Odysseas Vlachodimos. Pior do que não poder contar até Dezembro com Perin será, porventura, para o Benfica, não saber que Odysseas Vlachodimos vai passar a ter a partir de agora. Resta ao Benfica esperar que não se confirme a sabedoria popular, segundo a qual o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita.

Se considerarmos a primeira época que fez no Benfica como emprestado pelo Atlético de Madrid, Salvio era, actualmente, o mais antigo jogador do Benfica, o jogador com mais jogos (266 e mais de 60 golos), o jogador com mais títulos (14 no total, cinco dos quais como campeão da Primeira Liga) e, seguramente, o jogador com mais classe e experiência internacional.
Correm nos bastidores duas versões sobre a saída do argentino, como quase sempre sucede nestas circunstâncias; a de que foi Salvio a querer ir-se embora do Benfica e a de que foi o Benfica a querer que Salvio se fosse embora. Em bom rigor, será sempre difícil saber qual delas é a verdadeira versão, ou, no mínimo, qual delas está mais próxima da história real. Em qualquer caso, o que a saída de Salvio acentua é o debate sobre a perda de tão importantes referências no plantel, como já foi o caso de Luisão no final do Verão de 2018, ou mais recentemente o de Jonas, podendo ainda o Benfica vir a perder Fejsa. É muito experiência junta perdida em tão pouco tempo.
Uma equipa que luta por títulos precisa no balneário de carisma, espírito e, sobretudo, a tal experiência. Viu-se na parte final do último campeonato, quando discutia o título quase palmo a palmo com o FC Porto como foi importante para a equipa saber que podia, a todo o momento, contar com a experiência de Jonas ou de Salvio. Todos nos lembramos de alguns jogos (com o Portimonense, na Luz, por exemplo) em que os mais jovens quase respiraram de alívio quando puderam ter os mais velhos em campo.
A experiência e a classe dos mais velhos não se nota apenas em campo, quando eles puxam dos galões para serenar espíritos, acalmar tensões e sossegar ansiedades. Nota-se também, e provavelmente mais ainda, no trabalho que não se vê, no dia a dia dos treinos e no dia a dia do balneário, naquilo que se passa de exemplos, comportamentos, compromissos e atitudes.
Não sei se foi Salvio que quis ir embora ou se foi o Benfica que, de algum modo, empurrou Salvio para fora da Luz. Creio que Salvio foi sempre um exemplo de profissionalismo e carácter no Benfica, elogiado por tudo e por todos, e admito que Salvio quisesse continuar na Luz se o treinador contasse com ele (como parece que contava, nem que fosse a lateral-direito...; é forçoso, por outro lado, admitir igualmente que Salvio tenha acabado por se sentir feliz com a mudança para o Boca Juniors porque não apenas regressa ao país natal como vai para uma equipa onde se sentirá francamente desejado.
O que falta saber é se o Benfica está a avaliar bem as possíveis consequências de deixar de contar no balneário da Luz com jogadores com o peso de Salvio ou Jonas, já para não falar da perda (que teria sempre de acontecer) de um peso pesado como foi Luisão.
Não pode o Benfica impedir que Luisão ou Jonas decidam terminar a carreira. Evidentemente que é normal chegarem ao fim determinados ciclos de jogadores como Salvio (com oito anos de clube) ou Jardel (também com oito) ou mesmo Fejsa (com seis anos de Luz). O problema é se se fehcam ao mesmo tempo muitos dos ciclos de jogadores com o peso de balneário que tiveram ou tinham agora jogadores como Luisão, Jonas, Salvio ou Fejsa, que ainda não deixou a Luz mas é tudo como baixa para a nova época.
Nenhuma grande equipa se constrói apenas com talento e nenhum balneário de uma equipa grande sobrevive ao excesso de juventude. É preciso talento, mas também experiência, carácter, compromisso, disciplina e atitude. E isso só se ganha com o tempo."

João Bonzinho, in A Bola

Ganhar com respeito

"Para quem vê jogos na TV, seguindo a sua equipa apenas nesses dias, torna-se difícil perceber o que está por detrás do ecrã. Mesmo quem acompanha treinos tem, por vezes, dificuldade em perceber como se preparou o jogo. Ou seja, não tem exacta noção do trabalho entre momentos competitivos.
As equipas crescem e desenvolvem-se em torno de princípios e valores. Questões que não podemos abdicar, mesmo que em última instância isso possa colocar em risco a vitória. Contudo, a realidade do futebol profissional passa, num crescente número de casos, por ganhar a qualquer custo. A falta de respeito pelo adversário está a torná-lo no inimigo. Algo que infelizmente tem cobertura mediática, porque o importante é vencer, mas que não pode servir de exemplo para os treinadores da formação. É importante formar a ganhar. Os campeões fazem-se com vitórias. Mas nunca um jovem pode crescer sem respeito pelos adversários.
Quem não percebe que só com três boas equipas temos bom jogo, está claramente fora de jogo. Por muito que queiram ganhar a qualquer custo, recorrendo ao condenável, tornando o adversário inimigo, dessa forma justificando os métodos usados, estão a condenar o jogo ao insucesso.
A velocidade e quantidade da informação ajuda a criar, por vezes, problemas adicionais a quem trabalha com jovens, seja no futebol ou noutra modalidade. O eu sobrepõe-se ao nós com demasiada facilidade. O importante para a grande máquina financeira são as figuras, quando estas só existem se existir colectivo. Os valores da equipa têm que ser respeitados por todos, caso contrário não temos equipa, temos um grupo, mais ou menos amigável. O respeito pelo adversário é fundamental para nos respeitarmos a nós próprias, seja como equipa, seja individualmente. Não vale tudo para ganhar, e que não quer dizer que não queiramos ganhar sempre."

José Couceiro, in A Bola

Futebol é do povo e de mais ninguém

"Há uns anos, em Manchester, onde estava para a cobertura de um jogo do United, deparei-me com uma fila imensa, que dava a volta a Old Trafford, onde milhares de adeptos dos red devils aguardavam pacientemente pela oportunidade de se inscreverem na lista de espera para acesso a lugares de época no mítico estádio. Aquela realidade, que traduzia um misto de fidelidade dos supporters e de estabilidade do clube, começa a haver um mínimo garantido de presenças nos estádios muito significativo e o facto do Benfica ter ontem encerrado a venda de red passes, depois de ter fixado um novo recorde em 45 mil unidades entregues aos sócios, não pode passar sem a merecida referência. Nestes dias em que a principal receita dos clubes vem da televisão, o espectáculo ao vivo, conservando a essência popular, é um bem a preservar. Os preços para o futebol não podem ser elitistas, sob pena de vermos replicados noutras latitudes os males da recente Copa América, que só teve nas bancadas quem podia pagar os preços estratosféricos, para a realidade brasileira, dos bilhetes.
Não são tão fundamentalista, como outras pessoas que muito prezo, quanto ao perigo de uma superliga europeia de clubes, algo que, com mais este ou aquele acerto na forma, será inevitável. No entanto, quando confrontado com a possibilidade do futebol ao vivo passar a ser só para os ricos, já me assusto e tempo pelo futuro. Desmond Morris dizia que os estádios deviam ser desconfortáveis, para os adeptos manifestarem, na provação, a sua fidelidade. Não irei tão longe. Mas compreendo. O povo é a alma do futebol."

José Manuel Delgado, in A Bola

Quinta da Bola - Benfica

O homem que levou Maradona à glória luta pela vida

"Carlos Bilardo foi campeão mundial com a Argentina em 1986

O treinador Carlos Bilardo, campeão mundial de futebol com a Argentina em 1986, está hospitalizado em estado grave, depois de uma intervenção cirúrgica ao cérebro, noticiou esta sexta-feira a agência AFP.
Bilardo, de 80 anos, que sofre de um problema neurológico, a síndrome de síndrome de Hakim-Adams, encontra-se há 48 horas na unidade de cuidados intensivos do Instituto de Diagnóstico de Buenos Aires.
"Tenho de lhe agradecer eternamente por nos ter incutido o respeito pela camisola da Argentina, o que significa pertencer à selecção", disse o antigo guarda-redes Sergio Goycochea, preocupado com o seleccionador que o levou ao Mundial 1990.
Médico de profissão, Carlos Bilardo assumiu a selecção argentina em 1982 e esteve no último Mundial conquistado pelo país, na famosa edição da 'mão de Deus' de Maradona, no México, e na final de 1990, em Itália, em que perdeu com a Alemanha."

Digressão exemplar

"O périplo pelos Estados Unidos da América tem sido marcado pelo sucesso em várias vertentes. Enquanto a equipa de futebol tem treinado afincadamente com vista à preparação para a nova temporada, há um intenso programa social, empresarial e institucional que tem sido cumprido à risca.
Também aqui definimos o objectivo de dar um enorme salto qualitativo e projectar toda uma nova era, no que às digressões da equipa de futebol diz respeito, incluindo inúmeras actividades relacionadas com a partilha de experiências com organizações relevantes no desporto e com a promoção da marca Benfica, as quais têm decorrido conforme planeado.
Neste âmbito, mais visível ao grande público foi o encontro entre representantes do Benfica e dos San Francisco Giants, oito vezes campeões da Major League Baseball, que culminou com a recepção, a Rui Costa e Luisão, no estádio dos Giants, por lendas da equipa norte-americana antes da partida frente aos New York Mets.
O empenho nas frentes comercial e empresarial não dispensa, no entanto, o tradicional convívio com os muitos Benfiquistas residentes nos Estados Unidos da América. Este é mesmo o principal objectivo extra futebol.
Hoje, às 19 horas locais, será inaugurada a Casa do Benfica de San José, na Califórnia. Existem onze Casas do Benfica na América do Norte, entre as quais sete serão visitadas (incluindo a inauguração de outra, em New Bedford).
O treino à porta aberta realizado ontem, às 10 horas locais, em Stanford, foi uma excelente oportunidade para os Benfiquistas estarem perto da equipa e demonstrarem o seu fervor clubístico. O colorido nas bancadas e o apoio ao plantel marcaram a sessão de treino, cuja intensidade habitual foi elogiada pelos vários adeptos entrevistados pela BTV.
E, amanhã, o Benfica iniciará a sua terceira participação, em quatro temporadas, no mais importante torneio de pré-época de futebol, a International Champions Cup. O primeiro adversário será o Chivas, o segundo clube mais titulado do México. O jogo – o 39.º do Benfica no país – terá início às 21 horas de Lisboa (13 horas locais) e será mais uma oportunidade para rever os consagrados e avaliar os reforços e os vários jovens formados no Caixa Futebol Campus que integram o plantel.
A reputação e a notoriedade da marca Benfica sairão seguramente mais fortalecidas depois desta digressão num dos mercados prioritários na afirmação internacional do nosso Clube."

Cadomblé do Vata (lesões...)

"Stefano Sturaro era até ontem um excelente tema para início de conversa com um lagarto. Um italiano carregado de credenciais, que deixou o Sporting a palpitar de desejos, até chumbar nos testes médicos e ir recuperar da lesão para o clube de origem, sem cancelamento do acordo de compra. Foi um daqueles filmes com emblema do Sporting CP ao canto, abrilhantado pela direcção artística do homem da pior cerveja alguma vez produzida em Portugal e isto digo eu que no Festival Med de há 3 anos, bebi cerveja artesanal com medronho e nunca mais fui o mesmo.
Acontece que ontem o Benfica fez um "Sousa Cintra". Estivemos 1 mês de olhos arregalados a aguardar a chegada de um guarda redes internacional italiano (é impressão minha ou o único italiano que nunca jogou na selecção foi o Pesaresi?), na última semana descobrimos que estava lesionado até Setembro e após testes médicos ficamos todos a saber que não o vamos ver na relva antes de Janeiro. Em vez de avançarmos para outra opção, decidimos respeitar o contrato assinado com o muito respeitável clube do Calcio Caos e vamos atacar metade da temporada com Vlachodimos a prazo.
Por muito que odeie os campeões da Série B 06/07, tenho de os congratular pela forma hábil como conseguem vender lesionados a longo prazo aos clubes de Lisboa, sem que estes pensem sequer em cancelar os negócios quando os exames médicos dão raia, de forma avançarem para alvos saudáveis. Praticam esta arte com tal excelência, que se até final deste mês assinarem com o Mantorras, antes de 31 de Agosto vendem-no ao Belenenses SAD, ou quem sabe, ao Benfica pela cláusula de 18 milhões."

Mattia Perin

"Odysseas Vlachodimos teve uma boa época no ano passado. Salvo raras excepções, foi segurando a baliza e podemos dizer que se estivesse lá outro qualquer guarda-redes do Campeonato em vez do grego, o Benfica teria sofrido mais golos do que sofreu. No entanto, a realidade do Benfica, neste momento, não se pode limitar ao Campeonato. O Benfica tem que ser mais ambicioso na Europa e depois do futebol praticado nos últimos seis meses, o Benfica partia para este verão a dois-três reforços cirúrgicos de ser uma equipa candidata a estar nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, ou seja, uma das oito melhores equipas da Europa. Uma das posições onde é possível melhorar, é o guarda-redes. Não porque Vlachodimos seja mau, mas porque há uma diferença significativa entre um Ederson ou Oblak e o grego.
O Benfica desde início tem andado à procura de guarda-redes que estão tapados por outros grandes guarda-redes. Primeiro foi o Jasper Cillessen, que recentemente assinou pelo Valência. Depois foi o Keylor Navas que continua tapado no Real Madrid pelo Thibaut Courtois. Quando tudo parecia que íamos ficar até ao final de Agosto à espera que o Real Madrid cedesse no Keylor Navas, eis que Gianluigi Buffon decide regressar à Juventus e cortar por completo os minutos de Mattia Perin, que já estava atrás de Wojciech Szczęsny. Isto não faz do Perin um mau guarda-redes. Faz do Perin um guarda-redes que ainda não conseguiu corresponder às expectativas em Turin. Nos últimos anos o Benfica teve vários craques que clubes grandes dispensaram. Nomes como Jonas, Matic, Javi Garcia ou Rodrigo. O Mattia Perin há um ano era visto como um dos futuros melhores guarda-redes do mundo. E isso não mudou em um ano
 Há ainda uma externalidade positiva que Mattia Perin trazia que para mim não deveria ser desvalorizada. Mattia Perin já foi internacional italiano. Se o Benfica conseguisse fazer de Perin um internacional italiano outra vez e o levasse à seleção no Europeu 2020, isto poderia ter impacto noutras contratações que temos falhado. Há muitos jogadores que acreditam que se forem para um Campeonato fora do Top5 ficam fora do baralho dos seus seleccionadores. Mattia Perin poderia mudar isso.
Ao que parece o ombro do Mattia Perin tem mais problemas do que inicialmente poderia parecer. A recuperação vai ser demorada e o Benfica não está preparado para dar 15M por um guarda-redes que não sabe como irá recuperar. O Benfica estará a tentar alterar o negócio para um empréstimo com cláusula de compra obrigatória caso o jogador faça um número mínimo de jogos, e a verdade é que tudo isto faz sentido. É uma decepção bastante grande, mas é melhor não gastar 15M do que arriscar e poder ter o jogador no estaleiro os próximos cinco anos. Abrem-se logo à partida três caminhos diferentes:
1. Empréstimo com cláusula de compra. Era o ideal para o Benfica, mas não sei se é o ideal para a Juventus. No entanto, a verdade é que só se um clube quiser arriscar 15M é que os italianos têm uma alternativa melhor.
2. Esperar até Janeiro. O que é uma situação parecida com a do ponto 1. mas onde não garantimos que o jogador seja nosso, pois pode parecer outro concorrente, nem sabemos se o preço na altura é o mesmo. Pode também ter limitações a nível de inscrições na UEFA pois se a Juventus assim o quiser, podemos não o utilizar na Europa.
3. Avançar para outro. Neste cenário, o ombro do Mattia Perin está mesmo mal, e o comunicado do Benfica de ontem foi só para salvaguardar o activo da Juventus. Assim sendo, não sobram muitos guarda-redes do calibre de Mattia Perin. Do que se fala no mercado a nível europeu, só vejo mesmo duas alternativas: Keylor Navas, que o Real Madrid está a reter e que com 32 anos não é, para mim, o guarda-redes que deveríamos procurar (pese embora a carreira dos guarda-redes ser mais longa) ou Kevin Trapp, que não tendo um tecto tão alto como Mattia Perin, é mais barato, joga bem com os pés - que com os novos pontapés de baliza vai ser importante para Lage - e é também um guarda-redes muito bom. Se o objectivo é ter um guarda-redes com potencial para top10 do Mundo, não vejo outros que estejam disponíveis.

O que é que este cenários podem significar para os guarda-redes que temos in-house?
1. Odysseas Vlachodimos. O grego terá noção da sua qualidade e tem noção que isto é o Benfica, não é o Panathinaikos. No cenário em que Perin vem em Janeiro, se o grego tiver a mentalidade correcta, vai ver estes meses de avanço como um incentivo a que se supere. Só será titular do Benfica em Janeiro se tiver quatro meses de sonho e é para isso que terá que trabalhar. No cenário em que avançamos para outro guarda-redes, o grego deve ficar na mesma porque ainda iria juntar bons minutos no Benfica, na minha opinião.
2. Mile Svilar. Independentemente de qualquer cenário, Svilar deveria ser emprestado. É muito jovem. Tem apenas 19 anos. Tem um grande potencial. Precisa é de jogar.
3. Ivan Zlobin. É um guarda-redes que está longe de me convencer. Não sei como é que é visto internamente, mas se tiverem confiança nele, é deixá-lo assumir a segunda posição atrás de Vlachodimos, no tal cenário em que Perin só vem em Janeiro. Se vier outro guarda-redes, será o terceiro guarda-redes e para isso serve bem.
4. Quarto Nome. Caso o Benfica avance para um cenário onde Perin só regressa em Novembro/Janeiro e Bruno Lage e a sua equipa técnica não tenha confiança em Zlobin como número dois, acho que o Benfica deveria jogar pelo seguro e ir buscar um guarda-redes por empréstimo que ofereça algumas garantias. Um Helton Leite, por exemplo. Tenho muitas dúvidas que o Benfica faça isto, no entanto.
Nas próximas horas vamos descobrir o que afinal irá acontecer. Ou um novo comunicado cai na imprensa, onde o Benfica e a Juventus chegam a algum tipo de acordo, ou o Benfica vai avançar para outro guarda-redes. Seria demasiado irresponsável não fazer uma destas, pois iria contradizer tudo o que LFV tem dito desde do 37. O Benfica Europeu precisa de um guarda-redes melhor que Vlachodimos (que é bom, mas é possível melhorar). E não é por termos falhado Mattia Perin que essa necessidade vai desaparecer. Há bons nomes no mercado. Logo à partida Kevin Trapp. É só fazer acontecer."

Luisão: homenagem por descobrir

"O Benfica não tem jeito para cerimónias. Seja por força do hábito ou não, a forma como tanto Jonas e Luisão, capitão do ressurgimento pós 2000 e com 15 anos de casa, se despediram denotam na organização uma total falta de brio. Entre uma despedida à pressa com a Luz vazia ou um adeus ás “três pancadas”, com direito a show-off presidencial pelo meio, qual delas honra mais as memórias de duas figuras centrais da nossa história recente?
Merecia mais, muito mais Luisão! Depois de 15 anos e tantos momentos de relevo, o brasileiro merecia todo um estádio em ebulição a despedir-se. Merecia uma melhor gestão da sua imagem, enfraquecida numa temporada 2017-2018 na qual o seu rendimento desportivo não era nem semelhante ao de anos anteriores. O seu estado físico já não permitia uma temporada ao mais alto nível, sendo esse um dos erros da gestão de Rui Vitória, impotente perante um assunto tão sensível no balneário. A pesada herança do seu currículo, as 538 toneladas de jogos traduzidas em seis Ligas, três Taças de Portugal, quatro Supertaças e sete Taças da Liga que o tornaram o jogador mais titulado de sempre do Benfica foram peso a mais para o treinador português, que nunca teve coragem de renovar as apostas iniciais.
Luisão assume-se como O gigante entre gigantes, superando Néné e Mario Coluna. Ingrata, no entanto, foi a forma como foi anunciada a sua retirada. Constituiu uma das falhas da estrutura, que nem o posterior cargo entregue de mão beijada apagou uma despedida cinzenta do Girafa do Benfica.
A memória, que nunca deve ser selectiva, vai de encontro ao conceito kármico e talvez ajude a explicar a retirada tão insonsa. Foram variadas as vezes em que Anderson Luiz da Silva veio a público com declarações que causaram burburinho junto da massa adepta. Experimente isto: na barra do Google, digite “Luisão quer sair” e atente no número de resultados: 57.900! Algarismos mais que suficientes para alguém tão ambicioso como ele, que se tornou uma lenda do Benfica por mérito próprio mas que ao mesmo tempo sempre cultivou um hábito peculiar pelos pedidos públicos de saída. Sinais de uma personalidade forte, sempre ácida mas fulcral em alturas que a equipa e o grupo se encontravam em cacos.
Se, apesar disto, Luisão merecia uma despedida com a Catedral cheia e em festa? Sem sombra de dúvidas. Se havia momento para a total reconcialização era esse. Comandou o Benfica na travessia no deserto, foi o seu principal representante e a sua carreira é uma obra gigantesca de Vieira que puxou dos seus mais honrosos pergaminhos na construção civil para construir este líder de uns incríveis 1.93 centímetros de altura e a largura de uma grande área.
Apesar de toda essa imponência, as suas naturais vontades em experimentar ligas mais fortes acompanhadas por uma frontalidade admirável, tornaram muitas vezes a figura de Luisão persona non grata junto de vários círculos de adeptos. A forma como Luisão se despede numa Luz vazia, num evento à pressa e depois de, três meses antes, ter renovado, demonstram que até na hora do adeus não existiu total tranquilidade nem sintonia entre todos. Uma tristeza que se torna inadmissível no Benfica actual, com uma estrutura tão elogiada por todos os que a conhecem e que continua a não dar importância aos timings, vendo-se atrapalhada para terminar ciclos de forma correcta.
Tanto Luisão como Jonas mereciam despedidas com muita mais pompa e circunstância, mereciam horas e horas de homenagem por tudo o que nos deram em termos desportivos e pela influência social que ainda têm. O tempo acabará por desvanecer os aspectos inúteis e extra-campo, fazendo sobressair as qualidades de dois críptideos da fauna benfiquista, mistificando-os ainda mais e guardando a sua imagem na galeria dos imortais da Luz."

Benfiquismo (MCCXXXVI)

Cabem todos?!

Jonas, mais umas palavras...

USA Tour #4

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Toto Salvio, Lenda...

"Toto Salvio, de 29 anos, transfere-se do Sport Lisboa e Benfica para o Boca Juniors. O extremo argentino está de regresso ao seu país, depois de, ao serviço dos encarnados, ter conquistado 14 troféus.
Chegou ao Benfica em 2010/11, por empréstimo do Atlético de Madrid, e regressou – para ficar – em 2012/13. Desde então, e oito épocas depois, títulos, golos, assistências, dribles inesquecíveis, jogadas arrebatadoras e mais de 250 jogos.
Internacional argentino, Salvio tem o nome gravado na história do Clube também por ser Tetracampeão. Um dos cinco – a que se juntam Jardel, André Almeida, Fejsa e Luisão – que estiveram na conquista dos quatro títulos consecutivos e ainda um dos que mais contribuíram para a obtenção deste feito inédito na história do Benfica. São, ao todo, 14 troféus conquistados em oito anos: 5 Campeonatos Nacionais, 4 Taças da Liga, 2 Taças de Portugal e 3 Supertaças.



A estreia
28 de Agosto de 2010. O Benfica recebia o Vitória de Setúbal em jogo da 3.ª jornada do Campeonato Nacional 2010/11, a primeira época de Salvio no Benfica. Em pleno Estádio da Luz, fez parte do onze titular, tendo sido sacrificado aos 24’ para dar lugar ao... guarda-redes espanhol Roberto (Júlio César, ex-Belenenses, havia sido expulso), num encontro onde os encarnados ganhariam por 3-0.

O(s) primeiro(s) golo(s)
Menos de quatro meses depois [18 de dezembro] marcaria o primeiro golo com o Manto Sagrado. Na recepção ao Rio Ave – em jogo da 14.ª jornada do Campeonato – os encarnados bateram a formação de Vila do Conde por 5-0, com um bis assinado por Salvio (62’ e 74’), que esteve em campo durante os 90 minutos.

Os 250 jogos
23 de Outubro de 2018. Atingia uma marca por poucos alcançada. Em Amesterdão, na Holanda, Salvio faria o 250.º jogo com a camisola do Benfica das águias, diante do Ajax, para a Liga dos Campeões (derrota por 1-0). Uma partida – onde alinhou durante 90 minutos – que faria dele um dos jogadores estrangeiros com mais jogos pelo Benfica. É o quarto, mais precisamente, numa lista liderada por Luisão (538). Até à sua saída faria ainda mais 16 jogos pelos encarnados (266 no total). 
Olhando para as competições europeias, na Liga dos Campeões foram 38 as ocasiões em que o extremo envergou a camisola das águias, somando mais 22 na Liga Europa. No que toca às competições internas: 166 jogos no Campeonato Nacional, 21 na Taça de Portugal, 16 na Taça da Liga e 3 na Supertaça.

Números no Benfica
Época      Jogos    Golos     Assistências
2018/19     28          6                  5
2017/18     34          9                  4
2016/17     42          9                  8
2015/16     12          0                  0
2014/15     38         13                10
2013/14     22          2                  2
2012/13     51         13                 9
2010/11     39         10                 6
TOTAL     266        62               44"

International Champions Cup: should we stay or should we go?

"Após dois testes de pré-época, que tiveram finais diferentes, mas em que a equipa deixou boas indicações, o SL Benfica partiu para os States ou, como se diz em bom português, para os Estados Unidos da América. Com que propósito? Com o de completar a fase preparatória da época com a (terceira) participação na International Champions Cup (ICC), um dos mais prestigiados e, por consequência, prestigiantes torneios de pré-temporada.
Na prova, cujo pontapé de saída foi dado em 2013, sob o nome de Guinness Cup e com a participação de “meros” oito clubes, os encarnados vão realizar três partidas: frente ao CD Guadalajara – conhecido por Chivas – (20 de Julho, 21h05, hora de Lisboa), 14º classificado do mais recente campeonato Clausura; frente à ACF Fiorentina (24/25 de Julho, 1h05, hora de Lisboa), 16º classificado da Serie A 2018/19; e frente ao histórico gigante adormecido AC Milan (28 de julho, 20h05, hora de Lisboa), 5º classificado da última edição da Serie A.
Posto isto, vamos ao que me interessa analisar neste artigo. Apesar de no seio do clube não existirem dúvidas relativamente à participação neste torneio amigável, ainda subsistem, entre os adeptos, algumas reservas quanto a esta participação. Dizem que a primeira vez nunca se esquece e na memória benfiquista ficou cravada – e parece-me que para sempre perpetuada – a primeira vez que o SL Benfica disputou a prova, em solo estadunidense (sim, este vocábulo existe. Sim, soa um bocado estranho). Traumatizados, há benfiquistas que não pretendem reviver o trauma que foi o péssimo início de época 2015/2016, para o qual muito contribuiu o cansaço das viagens transatlânticas e entre cidades norte-americanas. Compreendo a preocupação. No entanto,…
… é redutor ficar preso a um medo que, sob análise, acaba por ter um quê de irracionalidade. Por dois grandes motivos. Primeiro, essa época começou muito mal, mas acabou com a conquista do tricampeonato. Segundo, o mau início de campanha na temporada 15/16 não se deveu apenas à participação (mal preparada, diga-se) na ICC. Não podemos nem devemos nem conseguimos esquecer que se tratou de uma época de profundas mudanças. Mudou o treinador (Jesus – Vitória), mudou o plantel, mudou a estratégia, mudou o paradigma. A instabilidade era demasiada para que o clube colhesse os devidos frutos da digressão pelos Estados Unidos.
Todavia, o receio acorrentou mesmo o SL Benfica à inação e nas duas edições seguintes não houve representante português no torneio. No entanto, mediante convite, o clube da Luz voltou a terras de sua majestade Donald Trump (ele pediu-me para ser assim apelidado) no ano de 2018. Uma boa prestação que, apesar dos receios, não comprometeu o exigente início de época vermelha e branca, que dessas cores acabou pintada, com os festejos do 37. Contas feitas, duas participações na ICC, dois campeonatos.
Como já se percebeu, sou a favor da participação benfiquista na International Champions Cup (e de outras coisas que não interessam ao caso). Contudo, parece-me sensato, nos parágrafos seguintes, elencar os prós e contras… ou melhor, os prós e os contras, uma vez que a primeira designação pode ser marca registada da RTP. Assim, e canalizando a Fátima Campos Ferreira que há em mim, vamos à análise.
Guardando o melhor para o fim, comecemos pelos contras. Como noticiou o diário Record, o SL Benfica vai voar um total de 19 mil quilómetros, segmentados em quatro viagens. Até a águia Vitória ficou atónita. São muitas milhas aéreas e, consequentemente, é muito cansaço acumulado. É natural que, tal como eu, haja quem, do alto da sua portugalidade, diga: “Cansaço? Cansado fico eu que viajo em económica, eles é só mordomias!”. É verdade, mas acalmem-se, não é preciso exaltarem-se. No entanto, o desgaste físico e psicológico é inegável e faz-se sentir em alta competição.
Um contra que pode parecer de somenos importância mas que pode constituir um aspecto desestabilizador do grupo de trabalho é o facto de os jogadores contratados terem que se deslocar para os EUA e integrar a equipa de Bruno Lage longe, muito longe de casa. Volvidos a Portugal, terão de passar por um novo processo de integração e concluir todos os trâmites da transição para Lisboa e para o SL Benfica. Além do mais, integram a equipa a meio de um estágio. Todo este processo pode revelar-se moroso, complexo e difícil.
Por entre a bruma (não é uma referência ao jogador) dos contras puros, surge um contra vira-casacas, um contra que já foi pró. Nas edições anteriores, a viagem compensava por possibilitar confrontos com equipas como a Juventus FC, o Borussia Dortmund, o O. Lyon ou o Paris SG. Ora, como referi, este ano o campeão nacional vai andar pelos ares 19 mil quilómetros para defrontar o 14º classificado do campeonato mexicano e o 5º e 16º classificados da Liga Italiana. Escusado será dizer que nenhuma destas equipas disputará a Liga dos Campeões. Valerá mesmo a pena?
Sim. Não só pelo tamanho da alma benfiquista, que não é nada pequena, mas também pelos prós que enuncio de seguida. Ainda que não entrem em confronto com o SL Benfica, participam na ICC clubes como a campeã italiana Juventus FC, o campeão alemão FC Bayern Munchen, o vice-campeão europeu Tottenham FC, o comprador-mor Club Atlético de Madrid e o comprador ainda maior Real Madrid FC. A presença de clubes de tão grande magnitude prestigia o torneio e, claro, o SL Benfica beneficiará invariavelmente com esse prestígio.
Por outro lado, a valorização e a internacionalização da marca Benfica ganham muito com a participação na ICC. Todas as actividades paralelas – as visitas de Luisão às cidades por onde passará a comitiva encarnada, a parceria com os San Francisco 49ers, equipa californiana de futebol americano (o que me custa escrever esta expressão, aquilo não é futebol) – contribuem de sobremaneira para exportar, fazer crescer e dinamizar a marca Sport Lisboa e Benfica.
Num momento em que no mundo do futebol impera a lógica comercial, tudo isto é importantíssimo. Ainda numa lógica de mercado, veicularam, há alguns meses, notícias que davam conta de um prémio de cerca de três milhões de euros pela participação na ICC. Peanuts, para quem vende por 120 milhões, mas é dinheiro.
Mas como não só de dinheiro vive o futebol (não se riam, vá), importa destacar os adeptos, que vivem separados por um oceano de uma das suas maiores paixões e que, desta forma, podem matar saudades do SL Benfica e, a uma certa extensão, de Portugal.
Então, should we stay or should we go? Devemos ficar ou devemos ir? Pesando os prós e os contras, acredito que devemos ir. Um clube da dimensão do SL Benfica não pode ficar fora destes eventos. Um clube da dimensão do SL Benfica não se pode deixar acorrentar por grilhões de medos e inseguranças. Um clube da dimensão do SL Benfica tem de fazer jus à sua águia e voar. Mesmo que sejam 19 mil quilómetros."