Últimas indefectivações

sábado, 14 de abril de 2018

Sem espinhas...!!!

Benfica 34 - 27 Corruptos
(18-15)

Excelente jogo... estivemos quase sempre bem, na defesa e no ataque... e se não tivéssemos desperdiçado quatro livres de 7 metros o resultado teria sido mais desnivelado!!! No final da 1.ª parte, e nos últimos minutos da partida, os apitadeiros também tentaram equilibrar, aquilo que não estava equilibrado!!!

Vitória importante, na luta pelo 2.ª lugar... não acredito que os Lagartos desperdicem pontos com estes Corruptos, portanto a 'nossa' luta será mesmo pelo 2.º... Agora, é importante continuar a este nível, o próximo jogo em Braga é um dos mais complicados que vamos ter até final da temporada...

Uma Semana do Melhor... Rui Águas

Sabe quem é? Com sangue de chinês - Shéu Han

"Pai era pescador de Cantão e foi para Moçambique; No foguete que rebentou na mão, logo se viu o seu espírito

1. Nasceu em Inhassoro, na província de Inhambane, a 3 de Agosto de 1953. Aos 10 anos, estando a brincar com um foguete que não estoirara, o foguete rebentou-lhe na mão direita, causando-lhe uma deficiência. Não, não se deixou abalar ou abater pela partida do destino, de pronto começou a escrever com a mão esquerda - e, assim, deu sinal do que era o seu espírito, sempre seria.
2. Ao chegar à idade escolar, o pai mandou-o de Inhassoro para um colégio da Beira - e logo mostrou o jeito que tinha para o futebol. Não tardou a ir para o Sport Lisboa e Beira, primeira filial do Benfica em África - e, estando por lá, em missão, o tenente-coronel Manuel da Costa, andou, encantado, para Lisboa notícias do que garantia ser um «belo achado». E era.
3. Começou por ser extremo-direito - e uma vez contou: «Talvez pela ânsia que tinha do golo, de marcar golos, era muitas vezes apanhado em fora-de-jogo e foi por isso o que o treinador decidiu tirar-me de avançado, passar-me a médio». O encanto foi ainda maior, assim se lhe percebeu melhor a graça do jogo, a magia fina da bola na ponta das chuteiras, a esperteza do jogo na sempre na cabeça. De tal forma que levou a que, certa vez, Lajos Baroti afirmasse: «Pela sua eficácia serena em pezinhos de lã, bem merecia vestir a camisola com as insígnias da FIFA» - mas o destino, ingrato, não o levou a tanto, a uma selecção mundial (ou europeia).
4. Estando Francisco Calado de passagem por Moçambique - foi vê-lo jogar para perceber se havia ou não exagero no que dele se dizia. Mal lhe pôs os olhos em cima largou, a brincar, o desabafo: «Se calhar, o que o rapaz precisa é de comer, não é de jogar à bola» - e o campo saiu convencido: «Sim, é jogador para o Benfica...»
5. Tendo José Augusto, o José Augusto que ganhara duas Taças dos Campeões pelo Benfica, ido à Beira buscar documentação de que Nené precisava também aproveitou para o espiolhar - e contou: «Apesar de ainda ser júnior, já jogava nos seniores e mostrava pormenores daqueles que não enganam, nem hesitei em trazê-lo de imediato comigo...»
6. A mãe era de Inhambane, o pai não: era um pescador de Cantão que para Moçambique fora fazer negócio com exportação de peixe - e o que mais queria era que o filho continuasse a estudar. Ouvindo falar dos 100 contos que o Benfica tinha para a sua contratação, avisou: «Não vendo o meu filho?. A custo se convenceu, decisiva foi a promessa que ouviu: «Continuarei a estudar...»
7. Convencido o pai, outro problema se levantou, entretanto: o diferendo entre o Benfica e o Sport Lisboa e Beira. Por isso, em Lisboa, esteve vários meses sem poder jogar. Depois, tendo como treinador Mário Coluna, um dos seus ídolos, o outro era, claro, o Eusébio - o Benfica foi campeão de Lisboa graças a golo que marcou ao Sporting e também foi campeão nacional.
8. Cumpriu a promessa que fizera ao pai: acabou o curso da Mecânica e Desenho Industrial, continuou a espantar os colegas por ir sempre para estágio com os livros debaixo do braço - e de um instante para o outro ouviu rumor de que Jimmy Hagan pensara convocá-lo para o jogo do campeonato que o Benfica teria de fazer, no domingo seguinte, no Barreiro.
9. Perante o rumor de que a equipa principal poderia estar a abrir-se aos seus pés de veludo, fez mala no Lar onde vivia, levou-a escondida para evitar que pudesse ser alvo de paródia se fosse boato. Não foi - e contra o Barreirense entrou aos 80 minutos para o lugar de Toni - foi a 15 de Outubro de 1972 e foi o bastante para ser o seu primeiro de nove campeonatos conquistados no Benfica.
10. O adeus aos relvados, mas não ao Benfica (onde continua nas funções que se sabem, discreto como de costume...) foi a 20 de Maio de 1989 - na festa do Benfica (de Toni) campeão contra o Boavista. Era o seu capitão - e nunca escondeu: faltou-lhe a Taça dos Campeões, a Taça UEFA. Na final da Taça dos Campeões e na final da Taça UEFA esteve - e nessa Taça UEFA foi dele o golo do Benfica que não chegou para a ganhar aos belgas do Anderlecht."

António Simões, in A Bola

Por falta de espaço não se consegue criar 'ambiente'

"O momento do Sporting pertence aos sportinguistas. As ocorrências, os seus contornos e as soluções que se adivinham – e as que não se adivinham – são espólio de Alvalade, e basta. No entanto, e por ser exterior ao Sporting, autorizo-me a comentar uma flagrante tendência presentíssima em muitos órgãos da comunicação social. Trata-se da convocatória de profissionais da saúde mental para o preenchimento dos postos tradicionalmente entregues aos opinantes-adeptos. Estamos no domínio das opções editoriais. E isto sim, é uma novidade.
Num recente protesto, o director de comunicação do Sporting abordou o tema acusando os "jornais sensacionalistas" de "andarem a contactar psiquiatras e psicólogos" para "fazerem insinuações sobre o estado emocional do presidente do Sporting". Se substituirmos a palavra "insinuações" pela palavra "diagnósticos", mais acertada em virtude da qualificação profissional desta nova vaga de comentadores, estaremos perto dos propósitos desta linha editorial que se vem ocupando do momento de Alvalade. Constituirá uma originalidade portuguesa, uma extravagância só nossa, uma moda definitivamente rasca, esta opção jornalística que convoca psiquiatras e psicólogos para esclarecerem as fatigadas massas sobre o comportamento de uma qualquer figura pública ou, como é o caso, de um líder? Não.
Não se trata de um pecado deste cantinho. É, aliás, facilmente verificável como jornais norte-americanos - o "The New York Times" ou o "Washington Post" ou o "Los Angeles Times"- têm recorrido frequentemente à colaboração de psiquiatras e de psicólogos como complemento qualificado das suas análises jornalísticas ao mandato de Trump na Casa Branca. Mas será moralmente aceitável diagnosticar alguém publicamente? Depende do perigo que esse "alguém" representa, afirmam perentoriamente os "mídia" norte-americanos. São capazes de ter razão do outro lado do oceano. Deste lado, nem sei o que vos diga.
Compreende-se a frustração que o segundo golo de Jiménez no Bonfim provocou em muita gente. Mas houve falta de Luís Felipe no lance com Sálvio e a penalidade fatal foi bem assinalada. Passou-se o mesmo em Madrid. Nos "descontos", houve uma falta, não menos insensata, de um "juventino" e daí nasceu o penálti e o golo de que o Real precisava. Uma pena, é verdade, mas foi penálti. Ocupando todo o espaço disponível na imprensa nacional, os episódios psicóticos alheios que marcaram a última semana impediram que o penálti de Jiménez fosse o tema irradiante das discussões futeboleiras até à hora do clássico de amanhã. O presidente em exercício do Porto, Francisco J. Marques, bem se esforçou mas sem êxito. Não houve, na realidade, ambiente para se criar "aquele" velho ambiente (diário, bélico e odiento) em torno do Benfica-Porto. Que sossego. 
Amanhã é dia de carregar, Benfica. Luisão, explica-lhes lá como é que se faz."

Venha o clássico

"Aproveitemos as tréguas, aparentemente temporárias, que Bruno de Carvalho concedeu - a si próprio e, em especial, ao Sporting, que, já se percebeu, bem delas precisava - para falarmos de futebol. Até porque este fim de semana pode trazer-nos, quatro jornadas do fim da Liga, alguma luz quanto ao campeão de uma época que será, sempre, emocionante até ao fim, independentemente daquele que for o desfecho do clássico de amanhã.
Dizer que quem ganhar na Luz será campeão é, neste momento, quase obrigatório, embora todos tenhamos noção de que não será, necessariamente, assim. A questão do título ficará, é verdade, muito bem encaminhada se for o Benfica a sair por cima, porque os encarnados, cavarão um fosso de quatro pontos para o segundo classificado e será, efectivamente, difícil desperdiça-lo em apenas quatro jogos. Mas convém lembrar que há, na penúltima ronda, uma visita a Alvalade e antes as águias terão de ultrapassar Estoril (fora) e Tondela (casa). Se for o FC Porto a vencer na Luz e diferença entre primeiro e segundo ficará apenas nos dois pontos, tendo os dragões ainda duas deslocações bem complicadas até ao fim do campeonato: Marítimo e V. Guimarães. Dizer, portanto, que da Luz sairá o campeão será sempre falar mais da vantagem moral (sempre muito importante, sem dúvida) do que a pontual. Porque será, sempre, uma luta até ao fim - sem esquecer a hipótese de um empate, que conseguiria até meter ainda o Sporting ao barulho...

PS - Talvez seja apenas circunstancial, mas fica bem a Luís Filipe Vieira apelar ao fair play para o clássico. Seria bom que os seus próprios adeptos o ouvissem. E que todos percebessem de vez a que se referia o presidente do Benfica quando disse que «rivais fortes é bom para todos». Já chega de (e isto vale para os três grandes) querer crescer tornando os outros mais pequenos."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Eliminados da Taça de Portugal

Corruptos 5 - 2 Benfica

Mudam os apitadeiros e a merda é sempre a mesma!!! A estratégia é sempre a mesma, o nosso ex-jogador Carlitos, que também jogou nos Corruptos, deu uma entrevista à pouco tempo, recordando que quando era jogador dos Corruptos, a 'técnica' era fácil: atirar-se para o chão é os árbitros marcavam!!!
Hoje, foi mais ou menos assim: 3 Cartões Azuis para jogadores do Benfica, 0 para os Corruptos, com os 3 dos 4 primeiros golos dos Corruptos, na sequência dos Cartões Azuis!!! Mergulhos atrás de mergulhos...!!!
É verdade que o Benfica podia defender melhor, mas quando se entra no jogo praticamente em desvantagem, quando se sabe à partida, que todos os contactos, vão ser decididos sempre para o mesmo lado, tudo fica mais complicado...

Juniores - 7.ª jornada - Fase Final

Leiria 0 - 0 Benfica


Independentemente das analises ao jogo jogado, não posso deixar de recordar, que é absolutamente ridículo, nas Fases Finais Nacionais, das camadas jovens, continuar-se a permitir jogos, em campos sem condições para tal!!! Estes sintéticos, praticamente com medidas se Futebol 7, desvirtuam completamente o jogo... A forma como algumas equipas usam estes campos, para pontuar em casa (e depois serem goleadas fora...), é absurdo... Fala-se tanto, na reformulação dos quadros competitivos da formação, e ninguém se lembra de proibir esta pouca vergonha...

Juvenis - 2.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 1 Sporting
Penetra


2 pontos perdidos, depois do empate em Belém, esperava-se mais...
O regresso do Umaro (mesmo que seja nos Juvenis) é uma boa notícia, pois estava lesionado desde da 1.ª jornada da Fase Final de Juniores.

Buffon bufando

"Will Gompertz, editor de arte da BBC, é autor de um livro muito interessante chamado What are you looking at?, sobre arte moderna, no qual relata conversa como o escultor italiano Marizio Cattelan, um polémico dadaísta, um satírico. Gompertz, escreve ele, estava a organizar exposição no Tate, em Londres, Inglaterra, na qual Cattelan desejava usar uma sala para instalar um fantoche igual a Johnny Rotten, dos Sex Pistols, que insltasse os visitantes. Gompertz prezou a sugestão (evidentemente), em todo o caso propôs colocar o boneco perto da bilheteira, ainda na rua, como chamariz. «Nem pensar», devolveu Maurizio Cattelan, «se não estiver no museu já não será arte».
Buffon expulso por gritar com o árbitro no Real Madrid - Juventus, no descontrolo de quem via uma reviravolta mítica dissipada no último instante, foi, estou convencido, um momento realmente artístico, dadaísta também, porque não? Note-se, resumidamente, que os dadaístas, naquele esforço intelectual que os levava a negar valores estéticos (entenda-se, aqui, um golo de Cristiano Ronaldo, mesmo que de penalty) ou significados maiores (leia-se uma contenda de futebol decidida de forma tão admiravelmente teatral como a da última quarta-feira), existiam como talentos negadores da própria arte, contra ela protestando; e dessa forma dependiam dela, por oposição. Só nela existiam, para dela saírem. Buffon, devidamente dentro do museu do futebol que é o relvado do Bernabéu, como Cattelan recomendaria, atirando-se ao árbitro, desarvorado, bufando, expulso, foi a arte a desfazer-se por dentro, minada, um artista a contrariar o talento dos outros e, nisso, continuou distinto como sempre.
Fomos apenas nós, visitantes do museu agradavelmente ofendidos por uma inesperada instalação, que o vimos pela primeira vez socorrer-se de novo estilo, iniciar-se talvez num outro movimento artístico. Porque Buffon é Buffon."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Formação ou deformação?

"Esta é aquela altura do ano em que, por todo o país, são organizados torneios de futebol infantil, nos quais se tentam formar jovens jogadores e árbitros. Momentos que deveriam fazer parte do percurso de formação, mas infelizmente é cada vez mais recorrente assistir a momentos de 'deformação', verdadeiramente vergonhosos, normalmente protagonizados por pais de jovens que apenas querem ter a oportunidade de fazer aquilo que mais gostam: jogar futebol.
Alguns clubes desportivos propõem árbitros para patronos dos seus torneios (alguns em actividade, noutros casos ex-árbitros), demonstrando um sinal de respeito e consideração para com a classe que tem sido tão maltratada. Mas sempre que falamos de futebol infantil surge muitas vezes a imagem dos comportamentos desviantes que alguns pais insistem em ter, ao invés de serem exemplos, motivadores, parceiros e conselheiros. É triste quando tomo conhecimento de casos de pais que olham para os filhos como se de PPR se tratassem, colocando-lhes uma pressão desmedida em cima, que resulta muitas vezes no abandono precoce destes jovens. Pais que colocam tudo em causa não podem esperar que os seus filhos adquiram princípios básicos de educação e respeito, pois o exemplo que deve vir de cima está completamente desvirtuado.
Temos assistido a exemplos de jovens que se veem obrigados a confrontar os pais durante os jogos, pedindo-lhes que se calem, que não sejam treinadores de bancada, que deixem o árbitro apitar ou que respeitem os pais da equipa adversária. Acima de tudo, estão ali para se divertirem e subirem mais um degrau na sua formação desportiva e cívica. Será normal que estes pais não entendam que a educação desportiva e cívica faz parte do processo de crescimento destes jovens que serão os adultos de amanhã?"

A NBA do futebol

"Quais os segredos do entusiasmo planetário que a Liga dos Campeões gera? Em primeiro lugar, claro, a qualidade, com nove em cada dez dos melhores jogadores do mundo presentes na competição e equipas treinadas à exaustão e por isso necessariamente mais fortes e preparadas até do que as selecções nacionais que em Junho se vão encontrar no Mundial.
Em segundo lugar, a organização impecável que se traduz numa distribuição milionária de lucros.
E em terceiro a imprevisibilidade. Apesar da presença do papa-Champions Real Madrid, ninguém arriscará o seu salário a cada início da competição na vitória dos merengues. Porque há o Barcelona, porque há o Bayern, porque há o Paris Saint-Germain, porque há a Juventus, porque há o contingente inglês e porque pode haver um outsider.
A Premier League supera as outras ligas de topo, entre outros motivos, também por causa da relativa imprevisibilidade – tem meia dúzia de equipas com ambições de título - quanto ao vencedor. A concorrente espanhola é assunto de Barça e Madrid, eventualmente de um Atlético Madrid excepcional; e as ligas italiana, alemã e francesa são cada vez mais monólogos de Juventus, Bayern e Paris Saint-Germain.
Pois hoje, caro leitor, começa uma liga onde tudo pode acontecer: a humanidade já consegue prever o sexo dos bebés, o horóscopo de cada signo, a próxima tempestade tropical mas ninguém tem a mínima pista sobre quem será o campeão brasileiro de 2018. Assim como não tinha em 2017, 2016, 2015 e por aí vai.
O Brasileirão tem, portanto, mais até do que a Premier League, essa condição essencial das grandes competições: a imprevisibilidade. Porque há 12 clubes grandes – grandes mesmo, com número de adeptos de fazer corar de vergonha os gigantes europeus – e ainda mais uns quantos remediados que são, no entanto, grandes nos seus estados, estados esses tantas vezes maiores do que países do Velho Continente.
Porque é que o Brasileirão, disputado no único país pentacampeão mundial, não é então uma das maiores competições de futebol do mundo? Porque o que lhe sobra em imprevisibilidade, o terceiro dos segredos do sucesso da Liga dos Campeões, falta-lhe em qualidade e organização, os dois primeiros.
Actores do passado, como Carlos Alberto Parreira, chegaram a chamar ao Brasileirão a NBA do futebol. Actores do presente, menos ufanistas, como Leonardo, jogador, treinador e dirigente de elite, corrigiram a trajectória da comparação: o Brasileirão poderia – no condicional - ser a NBA do futebol. 
Eis o trauma psicológico eterno do Brasil: não aquilo que ele é mas aquilo que ele podia ser e não é. 
No Brasileirão, só de há uns dois anos para cá a maioria das equipas joga em 30 metros – nos anos anteriores à derrocada brasileira no Mundial-2014 jogava-se em 70, com espaço entre as linhas para plantar coqueiros ou para um ensaio de uma escola de samba.
Sem liga para o gerir profissionalmente com base no interesse comum dos clubes, afinal a sua alma, o Brasileirão entrega-se à corrupta CBF, organismo que vive há 100 anos da mesma receita clientelista em torno das obsoletas federações estaduais, e que não tem vergonha de marcar jornadas da prova para datas FIFA ou interromper a liga por interminável mês e meio para ver a Copa passar.
Passando por cima de detalhes – como a anunciada e depois retirada presença do VAR por falta ridícula de planeamento ou a possibilidade de clubes pequenos venderem o factor casa e jogar assim em locais onde o rival tem muito mais adeptos – repare-se que só no mês passado, o Brasil foi surpreendido por uma notícia muito “anos 90” portugueses: um clube, o Figueirense, da Série B, tornou-se a primeira sociedade anónima do futebol local.
Como diz Leonardo, o Bayern é da Mercedes, a Juventus é da FIAT, o Manchester United de um americano, o Paris Saint-Germain de um qatari, o Chelsea de um russo mas no Brasil se algum estrangeiro quiser investir no Flamengo e nos seus 40 milhões de torcedores, não pode.
Ninguém vê a prova em nenhuma televisão importante no mundo, nem na internet é fácil de encontrá-lo, os horários dos jogos são proibitivos para a Europa e para a Ásia e até o nome – Brasileirão – é impossível de pronunciar por quem não for luso-falante.
E, no entanto, hoje há um Cruzeiro-Grêmio, uma partida absolutamente de tripla no totobola com talentos em acção como Thiago Neves ou De Arrascaeta, de um lado, e Arthur ou Luan, do outro, a abrir as 38 jornadas do campeonato. É um jogo entre dois dos seis, oito ou 10 favoritos a ganhar a prova. Definitivamente, o drama não é aquilo que o Brasileirão é; mas aquilo que podia ser e não é."

Acabou o gabinete de crise, crie-se o gabinete de festas (teremos de reunir os maiores especialistas, não das leis mas da paródia)

"Acima de tudo, o que espero do clássico é que se proceda a uma importante mudança organizacional na estrutura do Sport Lisboa e Benfica. Não esperemos sequer por segunda-feira. A noite de domingo será tão boa como outra qualquer para se anunciar a todo o país a extinção do gabinete de crise e a criação de um novo gabinete, desta feita dedicado às festas, muitas, que se farão um pouco por todo este país que veste e sente encarnado como o sangue que lhe corre nas veias.
Desse gabinete de festas espero tudo menos advogados. Teremos de reunir os maiores especialistas, não das leis mas da paródia. Imaginem uma task force formada pelos benfiquistas mais espirituosos, de língua mais afiada, gente capaz de golear na ironia e na mordacidade. Se quiserem alguém para servir cafés, contem comigo.
Eu sei no que estão a pensar. O Benfica já tem gente assim, mas esqueçam o Pedro Guerra e outros que tais. O líder do novo gabinete de festas, se quiserem o próximo director de comunicação do Benfica, devia ser alguém como o autor da página As Minhas Insónias em Carvão. Porquê? Porque precisamos cada vez mais, nomeadamente no limiar de perder a oportunidade de um pentacampeonato, da importante capacidade de nos rirmos de nós mesmos como rimos dos outros. Eu já estou a treinar para domingo à noite, se porventura o Benfica meter a pata na poça e se vir relegado novamente para segundo lugar.
O sistema de rega está pronto, o quadro da luz pronto para ir abaixo, a cerveja geladinha pronta para congelar como na noite em que esqueci dela no congelador por causa de um golo do Kelvin. Enquanto não soubermos lidar com estas inflamações benignas da nossa cabeça, vulgo melão, não seremos capazes de saborear verdadeiramente as vitórias. Para os portistas que leram até aqui e viram nisto um qualquer exemplo de desportivismo ou saber perder, deixem-me explicar-vos que tudo isto não passa de uma piada, pura encenação a armar ao adepto dotado de civismo. Na verdade, o que nós queremos mesmo é comer-vos vivos, assistir à vossa acelerada putrefacção e passar a noite inteira a fazer memes com os vossos restos mortais.
Que mais? Eu podia dizer que espero um bom jogo, mas estaria a mentir ou, na minha visão romântica das coisas, simplesmente a expressar uma redundância. Todos os jogos do Benfica são bons, porque joga o Benfica (excepto durante a década de 90, em que todos os jogos do Benfica eram maus). Se tiver que ser mais frio, diria que espero um jogo qualquer, seja ele qual for, desde que o Benfica ganhe. Benfiquista que se preze vive bem com as derrotas morais desde que levante a taça no final. Não somos imorais, somos, isso sim, suficientemente amorais para rir da tragédia moderna que é o adepto que se leva demasiado a sério. A sério."

Era mesmo com esta faísca

"A “Romantada” contra o Barça e a réplica da Juventus no Bernabéu emocionaram muita gente e as noites europeias precisavam desta faísca. E, em bom rigor, o conjunto de Allegri não nos desiludiu na discussão de uma eliminatória que parecia condenada. Sem o génio e os repentes de Dybala, as zebras agilizaram-se com a corpulência de Mandzukic e com a presença mais firme resultante da linha de três centrocampistas que faltou no jogo em Turim. O desenho de Allegri, agora com a manobra tecnicista de Pjanic, potenciava as invasões de Khedira e Matuidi, tanto que o ‘toulousain’ incorporou a zona de finalização em todos os três golos dos ‘bianconeri’.
Verdade seja dita, a Juventus explorou bem o facto de o Real não ter defendido bem os flancos. Isco defendia centrado, para impedir a fluidez da construção de Pjanic, mas não houve, na primeira parte, Asensio e Lucas Vásquez para ajudar Marcelo e Carvajal com mais proximidade nas faixas, como na fórmula do Parque dos Príncipes. E não defendendo bem os flancos, possibilitou-se que Khedira e Lichtsteiner tivessem efectuado cruzamentos para o gigante croata, situação que iria sempre vulnerabilizar a defesa do Real no domínio físico. Allegri ia jogar de acordo com o perfil de Mandzukic. E o Real não atentou tanto a esse detalhe na primeira parte.
O momento mais badalado do jogo, amplificado com os protestos descontrolados de Buffon, aconteceu nos instantes finais, quando Michael Oliver assinalou penalty a favor do Real, por falta cometida por Benatia sobre Vásquez. Embora toda a discussão tivesse gravitado em torno da leitura do árbitro – e, na minha leitura, a falta de Benatia existiu – acreditem que o mais inquietante foi a acumulação de tantos erros na estrutura defensiva da Juventus só naquela jogada.
Todos os ‘bianconeri’ estavam afundados no terço mais recuado, sem se posicionarem em camadas. Kroos, livre de pressão, libertou à vontade para Cristiano, que ia naturalmente ganhar a bola pelo ar a Alex Sandro. Repararam na distância entre Chiellini e Benatia, os dois defesas-centrais? Por alguma razão o marroquino vinha bem atrás de Vásquez na caça da bola. Porque o posicionamento inicial era incorrecto e também porque, antes disso, Alex Sandro não tinha a referência habitual (Chiellini) perto dele para colaborar mais convictamente na armadilha de fora-de-jogo. O brasileiro perdeu as hipóteses de sobrevivência quando deixou que Cristiano encostasse nele, em posição legal.
Oliver decidiu bem. Depois disso, foi barulho até dizer chega. Buffon passou-se e, ao ver aquelas imagens, lembrei-me daquilo que aconteceu em Turim há vinte anos, a 26 de Abril de 1998, no famoso Juve v Inter que praticamente decidia o ‘scudetto’. Só houve uma diferença: a decisão de Ceccarini, o árbitro desse Derby d’Italia, foi errada, pois deixou seguir em vez de ter assinalado falta de Mark Juliano sobre Ronaldo na área da Juve. Por acaso, logo na resposta imediata, a Juventus contra-atacou e Taribo West derrubou Del Piero na área ‘interista’. Aí, Ceccarini assinalou penalty e podem imaginar como fez inflamar os 'nerazzurri'... Por acaso, o ‘Pinturicchio’ falhou a conversão, mas o Inter continuou a sentir-se escandalizado. Até hoje...
De qualquer forma, o terramoto já era incontrolável após o lance de Juliano com o Fenómeno, ainda hoje recordado como um dos episódios mais icónicos da história do ‘calcio’ e que até motivou pancadaria no parlamento italiano entre deputados. A Juve tinha Zidane a ‘trequartista’ e sagrar-se-ia campeã em detrimento da equipa de Gigi Simoni, muito em função dessa vitória por 1-0 no Delle Alpi com um bom golo de Del Piero na baliza de Pagliuca. Foi um autêntico encontro de gladiadores. O ‘Cholo’ Simeone, que era dos que mais apoiava Djorkaeff e Ronaldo no ataque, passou o tempo envolvido em despiques violentos com Davids, mas acabou por ser Zé Elias a ver o vermelho por agressão a Deschamps.
Eram jogos com faísca, aqueles da Serie A daquela época. E vimos alguma coisa nesta semana de provas europeias. Convenhamos é que Buffon deu um pouco habitual "frango", tanto pelos protestos exagerados no lance capital, como pelas declarações proferidas na zona mista em que troçou o árbitro. Oliver decidiu bem e ponto final."

Benfiquismo (DCCCVII)

10

Jogo Limpo... Apesar de tudo... a meta está à vista!!!

Sabe quem é? Com o avô no banco - Humberto Coelho

"Não é só essa peripécia que faz história nos seus jogos do Benfica contra o FC Porto; Aos 18 anos, o Pelé no bolso

1. Nasceu em Cedofeita, filho de um operário metalúrgico - e para compor o orçamento lá de casa a mãe lavava roupa para hospitais. O jeito para os jogos de bola na rua, percebeu-se-lhe depressa - e descalço os fazia todos, dinheiro não havia para sapatilhas (e ainda menos para estragar sapatos).
2. No recreio da Escola São João não eram proibidas apenas as bolas de borracha, também eram proibidas as de trapos. Havia, porém, nele e nos amigos, forma de fintar o interdito: era jogar-se às escondidas, chutando batouques de cortiça das pipas de vinho que para a escola se levavam no fundo das malas - e tinha um sonho: ser como José Águas.
3. Algures pelos 13 anos atreveu-se o treino no Leixões - e logo lhe deram contrato a assinar. Levou a papelada para casa, a mãe manteve firme ideia que já lhe passara: não o querer no futebol a sério para não estragar os estudos. E o pai fez o mesmo. Decidiu ir estudar à noite - para ter dinheiro para ir ao cinema ou mais que fosse. Empregou-se numa fábrica de tinturaria, ao trabalho entrava pelas cinco da manhã - e os estudos continuavam de vento em popa.
4. No Ramaldense (onde o pai jogara hóquei em campo) encantaram-se por ele. Ao saber o que sucedera com o Leixões, director tanto se empenhou na missão que convenceu o pai a autorizar-lhe a inscrição nos juvenis. Não tardou receber convite para o FC Porto, no FC Porto, Artur Beata tratou, de pronto, de dar-lhe papelada a assinar. O pai, que era boavisteiro, perguntou-lhe: «Então e dinheirito, nada?». Baeta, sabendo que a mãe era portista, brincou: «Tira-se foto do rapaz equipado à FC Porto para dar à senhora» - e apanhou em remoque: «E a gente vai comer a fotografia, é?!»
5. No Ramaldense era avançado-centro que às vezes ia para a defesa - e Custódio Antunes, dono de uma fábrica de conservas de Matosinhos, pôs-lhe o Benfica na rota, o Ramaldense recebeu os 40 contos que queria pela carta, ele teve direito a 25 contos de luvas. Acabara de fazer 16 anos, estava-se em 1966 - e com o primeiro dinheiro do Benfica comprou um apartamento para os país.
6. Otto Glória regressaria a treinador do Benfica - e, como Humberto Fernandes andava em complicações para renovar contrato, levou-o para central na equipa que foi em digressão ao Brasil. Estreou-se nela a 8 de Agosto de 1968 contra o Clube de Remo de Belém do Pará. Dois dias depois, contra o Santos, manteve-se a titular. Coube-lhe marcar Pelé, Pelé não marcou nenhum golo - e logo se disse: é novo Félix, e novo Germano. Foi mais - e por duas vezes haveria de ser chamado à Selecção da Europa.
7. O campeonato de 1971/72 abriu contra o FC Porto nas Antas. O avô andava pelos 80 anos, nunca o vira jogar, quis vê-lo. Para evitar confusão das bancadas, ele pediu a Hagan que o deixasse ficar na zona do banco, Hagan deixou - e o avô vendo-o sair do campo aos 55 minutos espantou-se. Explicou-lhe que fora expulso e muito a custo evitou que fosse tirar satisfações do árbitro - e o Benfica ganhou 3-1.
8. Mais épico o que fez contra o FC Porto na época seguinte: a 15 minutos do fim, o Benfica perdia por 2-0, ganhou por 3-2, graças a golo que marcou nos descontos, num sublime golpe de cabeça, seu sinal de marca. Não fora isso e não teria sucedido o que sucedeu: o Benfica campeão sem derrotas, com dois empates apenas (um deles contra os portistas).
9. Aos 23 anos e 208 dias tornou-se capitão da selecção, Ronaldo só o foi antes porque Scolari quis satisfazer, sentimental pedido que Carlos Silva, lhe fizera à beira de morrer.
10. Em 1975 foi contratado pelo PSG - e muito do tempo por Paris passou-o infernizado por lesões. Ainda assim, o PSG acertou vendê-lo ao Internacional de Porto Alegre por 10 mil contos. Não era o que queria, exigiu para si o que sabia que não lhe dariam - e não lho dando regressou à Luz.
11. Antes de eliminar a Roma, João Paulo II recebeu dele bola autografada. O Papa abençoou o Benfica, não bastou para lhe dar a Taça UEFA que o Anderlecht lhe levou. Com o Euro 84 à vista, num treino da selecção, sofreu a lesão que o incapacitou para o futebol. Tinha 32 anos - e já se tornara eterno."

António Simões, in A Bola

O jogo

"Benfica e FC Porto disputam jogo de crucial importância pelo título. Sporting está envolvido em telenovela repleta de folhetins de mau gosto.

Enquanto Benfica e FC Porto disputam um jogo de crucial importância na luta pelo título nacional, o Sporting está envolvido numa telenovela repleta de folhetins de mau gosto. Sobre a agonia e as questões internas de um clube que não é o meu não me pronuncio, mas esta última semana resume bem os últimos 35 anos do desporto em Portugal. Benfica e FC Porto ocupam o espaço mediático porque são desportivamente determinantes, já o Sporting ocupa esse mesmo espaço porque se mantém um clube socialmente representativo, mas desportivamente insignificante. Sucessivamente alimentado pelo ódio ao Benfica, pelo azedume e pela incapacidade de afirmação autónoma, os leões sobrevivem neste momento graças a competência e astúcia do seu treinador. Não lhe reconhecer os méritos é miopia. Bem sei que não faltam sorrisos trocistas pelo merecido castigo à postura do seu presidente ou pelo estado moribundo com que se apresenta ao mundo este Sporting, mas é mau para o futebol e para o desporto ver um rival cair assim. Serei o único benfiquista (ou dos poucos), mas não me regozijo nada com o que sucede ao vizinho e posso garantir que gosto tanto como os demais adeptos do Benfica de vencê-los no campo, nas pistas e nos pavilhões.
No sábado, o Benfica venceu em Setúbal num filme com o suspense do Crime no Expresso do Oriente, com o drama de A Vida é Bela e com o final de Música no Coração. Gosto mais destes epílogos nos filmes dos jogos do Benfica, mas não fizemos um grande jogo no Bonfim. No domingo, o Benfica - FC Porto não é um jogo, é o jogo. Não vale a pena relativizar a importância deste desfecho quando faltam cinco jogos e os candidatos estão separados por um ponto. Muito ou quase tudo se decide nos próximos 90 minutos. Espero contar com Jonas e Grimaldo em condições, pois sem eles temos um Benfica mais fragilizado. Venha o melhor Benfica, empurrado por 60 mil, num ambiente de festa que se exige no futebol, para alcançar o objectivo proclamado desde início da época.
Parabéns ao voleibol do Benfica por mais uma Taça de Portugal (17.ª) e parabéns ao treinador José Jardim pelas bonitas e justas palavras dedicadas a Rui Mourinha, um gentleman do desporto, do voleibol e do Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Tudo Jóia !!!

Vitória no Funchal...

CAB Madeira 62 - 78 Benfica
18-12, 14-27, 19-19, 11-20

Boa vitória na Madeira, com o regresso do Barroso e do Todic, mas com o João Soares a fazer somente 3m36...!!!

Vieira em Alcácer do Sal

SuperFlash: Grimaldo

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Analgésicos & pensos rápidos

"O Sporting é, neste momento, um paciente a precisar de uma intervenção profunda, que erradique de vez a doença. Porém, como está por demais fragilizado, e porque pode não aguentar, no imediato, o trauma de uma cirurgia que o ponha são, vai procurando ganhar tempo e recuperar alguma fortaleza, com o recurso a analgésicos e pensos rápidos. É uma estratégia que se compreende. Mas só será válida se quem a está a levar por diante tiver a consciência de que o que faz mesmo falta é o tal cirurgia; se se prolongar o tratamento com os paliativos, o desfecho nunca irá de encontro aos interesses do Sporting.
Como sempre acontece na vida de qualquer clube, os resultados do futebol determinam o humor (altamente flutuante) da massa adepta. Depois de consumada a eliminação dos leões às mãos do Atlético de Madrid (sem surpresa, os colchoneros são, de facto, melhores, apesar da óptima prestação da equipa de Jorge Jesus) seguem-se dois jogos transcendentes, para competições diferentes, no Restelo para a Liga e em casa com o FC Porto, para a Taça de Portugal. O binómio jogadores/treinador, para quem foi atirada, através da desistência por parte da SAD dos processos disciplinares, uma responsabilidade acrescida, precisa, assim, de traduzir em resultados a resposta mais adequada.
Importantíssima, em todo este contexto, a posição de Bruno de Carvalho. Regressa nos próximos dias ao activo? Aceita meter baixa por doença? Equaciona o afastamento da SAD, continuando no clube? Pensa na demissão, mantendo o brunismo, por intermédio de Carlos Vieira, no poder? Por esta decisão passa o futuro dos leões."

José Manel Delgado, in A Bola

Futebol português

"O futebol português, ou seja, o que inclui todos os que estão a trabalhar fora do País, e não o futebol em Portugal, tem hoje uma imagem internacionalmente muito interessante. Jogadores, treinadores e dirigentes são reconhecidos lá fora. Temos campeões europeus, e somos o País campeão da Europa de futebol e futsal. Este quadro de honra, com Cristiano Ronaldo, José Mourinho em primeiro plano, mas com muitos mais jogadores e treinadores, também te dirigentes em destaque, como Fernando Gomes, presidente da FPF e membro das direcções da UEFA e FIFA. Numa primeira fase, exportámos jogadores, depois surgiram os treinadores, e neste momento também dirigentes são despejados por clubes estrangeiros. Para quem em 1995, com o processo Bosman, afirmava que a abertura de fronteiras imposta pela União Europeia era o fim do futebol português,  os dias de hoje devem ser de grande surpresa, para não dizer outra coisa.
Essa mesma corrente, ainda que minoritária, continua a ter seguidores nas direcções de alguns clubes, e, dessa forma, importância decisiva na estrutura do futebol em Portugal. Continua a não se perceber que a competição não se faz apenas para o nosso clube ganhar de qualquer forma, impedindo os outros de crescer e ser competitivos. Continua a não se perceber que o equilíbrio da competição é um elemento basilar para o sucesso da mesma. Nada se faz sem entender o jogo, pensando exclusivamente no que se passa ao lado do jogo. Importante é o desenvolvimento e crescimento sustentado de todos, e não impedir que os nossos adversários tenham essas oportunidades. Quem se preocupa mais com os outros do que a sua própria equipa tem um problema constante. Pode ter sucesso internamente, por vezes pontual, mas não conseguirá atingir um nível de excelência na competição global.
O futebol português só tem o actual imagem internacional porque saiu das suas fronteiras, mas internamente continua subdesenvolvido. Infelizmente, isso parece ainda dar jeito. A muitos!"

José Couceiro, in A Bola

Alvorada... do Valdemar

Jonas e Marega, incógnitas na identidade

"A influência do brasileiro e do maliano na forma de jogar de Benfica e FC Porto

Jonas e Marega.  Dúvidas no ataque ao Clássico, incerteza na forma como Benfica e FC Porto vão abordar o jogo que pode decidir a Liga, sobretudo no plano ofensivo, dada a especificidade dos nomes referidos.
Rui Vitória tem Raúl Jiménez, que na ronda anterior até mostrou que é mais do que uma «arma secreta», mas nem o «bis» no Bonfim escondeu a dificuldade que o Benfica sentiu para adaptar-se a outra referência ofensiva (e vice-versa).
O mexicano é incansável, positivamente agressivo na forma como luta pela bola e como pressiona, forte no jogo aéreo e a atacar a profundidade, frio na finalização. Mas menos competente nas combinações, a ligar o jogo, a interpretar aquilo que o rodeia.
Embora seja mais «mexido», Raúl Jiménez não deixa de ser um 9, daqueles «chatos», que impõem a sua presença. E Jonas, mais «interpretativo», decide sem aparato. É dois em um, 9 e 10 ao mesmo tempo. É caso para dizer que Jiménez faz com que o Benfica seja 60 por cento vertigem e 40 por cento de cérebro, e com Jonas a percentagem é inversa.
No FC Porto a dúvida é semelhante, com a diferença de que a equipa parece mais forte quando a dose de vertigem é maioritária. E isso é dado por Marega.
O maliano compensa as limitações técnicas com uma verticalidade que Sérgio Conceição soube aproveitar. As diagonais para o corredor direito já eram imagem de marca no Marítimo, mas o técnico portista encaixou-as inteligentemente na sua ideia de jogo.
E se Aboubakar ou Tiquinho Soares são mais fortes em zonas interiores, a jogar de costas ou na luta com os centrais, Marega desequilibra pela forma como ataca o espaço, como aparece nas costas do lateral esquerdo. E tendo em conta as características de Grimaldo, isso seria um trunfo importante para o FC Porto na Luz. Sobretudo se Conceição mantiver a aposta em Otávio como falso ala direito e conte com este para ajudar Herrera e Sérgio Oliveira na zona central, onde o Benfica terá Fejsa, Pizzi e Zivkovic.
A ausência de Marega dá ao Benfica a possibilidade de subir um pouco a sua linha defensiva, concedendo um espaço nas costas que Aboubakar e Soares têm mais dificuldade do que o maliano a explorar. O FC Porto teria de trocar alguma vertigem por uma abordagem mais ponderada, mas já mostrou esta época que essa não é a sua melhor faceta. Mesmo no plano defensivo a presença de Marega é importante, pela agressividade que coloca na primeira linha de pressão.
Sérgio Conceição decidiu atacar o título com um dragão impulsivo, de vertigem, a chegar rápido à frente e a querer recuperar a bola o quanto antes. Sem Marega a chama é um pouco menor."

As (muitas) faces de um clássico inimitável, inenarrável e incomparável, onde o árbitro sabe que provavelmente algo correrá muito mal

"O árbitro que irá apitar o Benfica-FC Porto de domingo (18h, BTV) terá percorrido milhares e milhares de quilómetros em terra batida, sintéticos e relvados e será, quase certamente, mais velho, mais maduro e mais experiente que grande parte dos atletas que o disputarão. Mas nada disso chegará, nada disso contará, nada disso importará

No domingo, às 18h (transmissão BTV), é quase certo que o país, todo o país, irá parar durante cerca de duas horas (mais coisa menos coisa, vá).
Joga-se em Lisboa o inimitável, o inenarrável, o incomparável "SL Benfica-FC Porto", momento desportivo recheado de história e de histórias mas que, por força das (muitas) circunstâncias do momento, será garantidamente aquilo que muitos antecipam como... o jogo do título. Do tudo ou nada.
O jogo das ilusões e das desilusões, das alegrias e das frustrações, dos que sairão derrotados e dos que se sentirão campeões.
É incontornável: aos olhos dos aficionados, o tamanho deste clássico é maior, bem maior do que outro alguma vez foi. Naturalmente. Compreensivelmente.
Mas o clássico de domingo não é apenas dos adeptos apaixonados e dos fiéis associados, das claques empenhadas e dos indefectíveis e apaixonados.
O clássico de domingo é também o dos jogadores e dos treinadores. Antes de tudo e acima de tudo. É o do seu talento, do seu empenho e do seu profissionalismo. O clássico de domingo é dos seus organizadores e promotores. Daqueles que o pensam, preparam e concretizam. O clássico de domingo é o das forças policiais e das equipas médicas. Que zelam pela segurança, pelo bem-estar e pela saúde física dos que pagam para assistir e aplaudir. O clássico de domingo é dos jornalistas, dos olheiros, dos patrocinadores e dos empresários. Que procuram criar valor, rentabilizar investimentos e detectar talentos.
O clássico de domingo é também o dos árbitros e da arbitragem. Daqueles que regulam a força entre duas forças. Daqueles que gerem emoções, avaliam situações e tomam decisões.
Ser árbitro de um clássico é estar no centro do mundo. No olho do furacão. É alegria imensa, expectativa enorme e ansiedade constante. É saber que dificilmente tudo correrá muito bem e que provavelmente algo correrá muito mal.
Não há juiz que resista à sentença da emoção. Nem aqui, nem na China nem no Paquistão. E, num clássico, não há emoção que perca a batalha com a razão. É derrota garantida, mesmo que na verdade o coração seja vencido e o jogo seja bem conseguido.
O árbitro que dirigirá o próximo Benfica-Porto será categorizado. Terá muitas e muitas centenas de jogos no currículo. Será (seguramente) internacional ou de estatuto equiparado. Terá percorrido milhares e milhares de quilómetros em terra batida, sintéticos e relvados. O árbitro que dirigirá o próximo Benfica-Porto será, quase certamente, mais velho, mais maduro e mais experiente que grande parte dos atletas que o disputarão.
O árbitro que dirigirá o próximo Benfica-Porto já escalou muitas montanhas, já dirigiu jogos intensos e já provou que tem valor. Mas no próximo domingo, nada disso chegará, nada disso contará, nada disso importará.
O árbitro que dirigirá o jogo de domingo será sempre aquele que não mostrou o amarelo aqui, não marcou o fora de jogo ali, não expulsou o jogador acolá.
O jogo que ele dirigirá será sempre discutido, julgado e condenado, porque aquilo que for certo aos olhos de uns, será falha grave aos olhos outros. Mesmo que a tecnologia ajude. Mesmo que o videoárbitro intervenha. Mesmo que a dúvida legitime.
Não há nada mais injusto do que tentar explicar a um mundo de emoções quais foram as nossas momentâneas razões.
Não há como explicar-lhes que aquilo que vêem nas imagens televisivas não é o mesmo que intuem, sentem e percepcionam em campo. Não há como contar-lhes que no relvado o jogo tem vida, corpo e humanidade e que a televisão despe-lhe parte da alma e da intensidade. Em campo, as pancadas ouvem-se. As malandrices topam-se. Os olhares denunciam. A dúvida alimenta.
Em campo, os sentidos estão despertos, apurados. O que não se vê de verdade, o que não se vê na totalidade, cheira-se. Intui-se. Adivinha-se. Pressente-se.
Mas nem com faro apurado se acerta sempre. O cansaço surge. As pernas pesam. O suor escorre. O ângulo encurta. O ruído ensurdece. A adrenalina aumenta. O coração dispara. A lucidez dilui.
E num clássico, as situações ganham outra dimensão. As jogadas multiplicam-se e o grau de dificuldade dispara, em que cada lance, a cada entrada, em cada disputa.
Num clássico, os jogadores estão mais tensos, mais empenhados, mais nervosos. Cada falta pode ser o fim da picada, pode desencadear pancada. Cada infracção pode gerar protestos. Cada decisão pode espoletar conflitos, empurrões e agressões.
Num clássico, o público assobia, protesta e insulta ainda mais. Os bancos transbordam de nervosismo e saltam, como molas, em cada micro-decisão, em cada banal reposição. Num clássico, há mais flashes e luzes, que disparam balas de luz entre os fios de nylon que cosem as redes das balizas. É muito, mas mesmo muito difícil.
Há momentos em que um árbitro, por mais forte e seguro que seja, sente a sua limitação humana perturbada, ameaçada por tamanha floresta de sensações, por aquele turbilhão de reacções.
E sendo certo (mais do que certo até) que há quem avalie bem e quem avalie menos bem, que há quem acerte mais e quem acerte menos, que há quem tenha mais feeling e quem tenha menos sensibilidade para a função... no clássico de domingo, o inferno estará bem mais perto do que o céu, a serenidade bem mais longe do que a aflição.
Esperemos, no entanto, que seja um espectáculo de qualidade. Um espectáculo que se cinja apenas e só ao relvado. Um espectáculo que não se arraste para além dele, que não se alastre para fora dele. 
Esperemos que seja um hino ao civismo, ao respeito e ao desportivismo. Que seja uma prova global de saber vencer e de saber perder. De aceitar acertos e de tolerar erros. De saber estar na alegria e na desilusão.
Quando as más notícias são quase garantidas, qualquer coisa boa soa a excepção. E no domingo há muita gente que pode tornar o clássico numa lição memorável de cidadania e educação.
Venha daí o milagre."

Ganhar é o melhor remédio

"Domingo será dia de clássico na Luz. Um jogo importantíssimo nas contas do título, com Benfica e FC Porto à procura de uma vitória que os coloque mais perto dessa meta que é o principal objectivo da temporada para ambos os clubes. O duelo entre águias e dragões terá ainda no Sporting um espectador atento, face à possibilidade de se aproximar dos lugares da frente.
Há algumas semanas, a maioria dos prognósticos apontava para que o FC Porto chegasse ao clássico na frente da classificação. Tal não aconteceu. Duas derrotas nas últimas duas deslocações (Paços de Ferreira e Belenenses) inverteram o cenário e neste momento os portistas têm um ponto a menos do que os encarnados. O Benfica conseguiu capitalizar o facto de apenas ter o campeonato para disputar e, após a eliminação das taças e competições europeias, arrancou para um ciclo de 12 vitórias e 2 empates na Liga (neste momento, leva mesmo 9 vitórias consecutivas).
Depois de um início de época algo atribulado, Rui Vitória acertou um novo sistema e a equipa começou a crescer de jornada em jornada. O jogo com o Sporting, no qual as águias foram dominadoras e fizeram uma exibição consistente, acabou por servir de tónico para a melhoria que se verificou nos jogos seguintes, chegando a esta altura com o melhor ataque do campeonato.
Já o FC Porto, que durante vários meses se exibiu com grande fulgor e dinâmica colectiva, começou a ressentir-se das lesões de alguns jogadores importantes e também do cansaço que alguns atletas começaram a evidenciar (vários atletas têm 40 ou mais jogos nas pernas esta temporada). No entanto, a equipa mantém-se firme no objectivo de conquistar o campeonato, tem a melhor defesa da prova e depende apenas de si própria. E não há melhor forma de motivação do que enfrentar o principal rival e tentar superá-lo.
Será um jogo de grande tensão. Por tudo aquilo que tem acontecido ao longo da temporada, dentro e fora das quatro linhas. Interessa sobretudo que o jogo se destaque pela qualidade técnica dos jogadores, pela dimensão táctica que os treinadores vão trazer à partida (prevêem-se interessantes duelos em várias zonas do terreno) e pelo bom desempenho da arbitragem.
Olhando para cenários, uma vitória do Benfica criaria uma distância de 4 pontos, que, não sendo decisiva, daria uma almofada pontual confortável para encarar os restantes 4 jogos, dando claro favoritismo aos encarnados. Por seu lado, se forem os dragões a ganhar na Luz, passariam a ter novamente 2 pontos de vantagem. Ficando em boa posição, reforçariam a candidatura ao título, porém, sem margem para erro nas partidas seguintes. Já um empate entre as duas equipas, além de manter tudo como está (embora apenas o Benfica passasse a depender de si mesmo para ser campeão), pode aproximar o Sporting dos dois primeiros lugares. E é bom relembrar que, na próxima época, apenas duas equipas se vão apurar para a Liga dos Campeões.
Nestes derradeiros momentos do campeonato, todos os pontos são vitais. Daí que surja uma grande curiosidade para ver a forma como as duas equipas vão encaixar e que dinâmicas vão tentar implementar para superar o adversário. Ninguém quer perder. Ganhar vale 3 pontos e vantagem no confronto directo. Teremos, por isso, um jogo mais fechado, decidido em pormenores (bolas paradas, jogada individual ou um deslize fatal), ou uma partida mais aberta com ambos os lados à procura do golo? Têm a palavra Rui Vitória e Sérgio Conceição.

O craque -- Selo de qualidade
Quando Rúben Neves foi lançado pelo FC Porto, rapidamente se viu que era um jogador acima da média. A venda precoce levou-o para o Wolverhampton, equipa do segundo escalão inglês, que está prestes a garantir subida à Premier League. Ali, o jogador tem sido uma das principais estrelas, mostrando qualidade para actuar a um nível superior. Titular absoluto, já apontou 6 golos, fazendo uso da boa meia distância. A óptima leitura de jogo, capacidade de passe e inteligência posicional, fazem do jovem médio um dos candidatos à vaga de Danilo na lista de 23 que Fernando Santos levará à Rússia.

A jogada -- Semana difícil
O Sporting viveu uma semana conturbada. O extremar de posições entre presidente e jogadores, que depois se alastrou a adeptos, dirigentes e accionistas, numa fase decisiva da temporada, acaba por surgir no pior momento possível. A partir daqui, nada será como dantes, o que coloca algumas dúvidas em relação ao futuro leonino. Alguns sócios entendem que Bruno de Carvalho deve deixar a liderança do clube, mas acredito que este pretenda continuar o seu projecto. Uma coisa parece certa: algo vai ter de mudar para se acabar com o constante clima de instabilidade.

A dúvida -- Desafio grego
Pedro Martins será treinador do Olympiacos na próxima época. Uma excelente oportunidade de carreira par a o técnico, num clube que luta por títulos e tem a hegemonia do futebol grego. No entanto, trata-se de um desafio peculiar. Leonardo Jardim, Vítor Pereira, Marco Silva e Paulo Bento também passaram pelo clube com sucesso, mas nenhum deles ficou mais do que uma temporada na Grécia e alguns até saíram a meio do projecto. E esta época o Olympiacos já vai no terceiro treinador. Conseguirá Pedro Martins trazer maior estabilidade ao comando técnico?"

O Princípio de Peter do adepto Bruno

"Bruno de Carvalho é a prova de que o Princípio de Peter se aplica. Um adepto fervoroso, com todas as qualidades para ser um bom chefe de claque, chegou à liderança de um grande clube. Pouco aprendeu ao longo do exercício do cargo e acaba por prejudicar a instituição.

um presidente de uma empresa cotada em bolsa que desvaloriza os activos da entidade com ameaças de suspensão desses activos e continua ao leme da empresa.
Recentemente escrevi a propósito da gestão de Bruno de Carvalho no Sporting que as SAD davam mau nome à bolsa. Nessa altura estávamos na véspera de uma assembleia-geral extraordinária destinada a plebiscitar o líder leonino. Mas no futebol, como tudo muda em função dos resultados, o ex-bestial Bruno mudou rapidamente o seu estatuto e após declarações infelizes e ameaças de suspensão aos jogadores, o homem que teve a maioria esmagadora dos votos no pavilhão é agora vaiado e insultado no estádio.
Esta não é uma mera discussão sobre futebol. Este desporto hoje é um importante produto económico, é o conteúdo mediático mais importante do país e o Sporting é uma das três empresas e marcas mais relevantes em Portugal nesse negócio.
Numa empresa normal cotada em bolsa, um gestor com este desempenho já teria sido destituído pelos accionistas, mas neste caso ele ainda tem o poder do accionista maioritário e só uma mudança no clube pode desencadear alteração na SAD.
Além dos accionistas da SAD, dos bancos credores, está também em causa o dinheiro dos obrigacionistas. Gerir uma empresa cotada não é compatível com a revelação de estados de alma tão díspares em redes sociais.
Bruno atingiu o Princípio de Peter do adepto de futebol. Ninguém duvida de que seja adepto empenhado, mas o seu perfil seria mais adequado para chefe de claque, estágio pelo qual não passou, apesar da natural aptidão demonstrada, do que gestor do clube e da SAD.
O futebol e a política são áreas em que é possível alcançar um nível elevado sem grande preparação para o cargo. Bruno chegou à liderança do clube por insistência, com um passado empresarial irrelevante e pouco escrutinado.
Sem experiência empresarial em organizações complexas, o adepto Bruno até fez algumas coisas com mérito, mas na gestão, sem experiência, ou qualificação adequada, dificilmente se tem sucesso.
Nos activos da SAD estão jogadores valiosos, que arriscaram sofrer algum dano reputacional com a ameaça de suspensão, que nunca passou de desabafos em redes sociais. Em todas as organizações tem de haver pressão e exigência para bons resultados, mas não é com estes métodos.
Ao fim de tanto tempo e mantendo as boas graças da massa associativa, Bruno desperdiçou oportunidade de aprender e acabou por cometer erros infantis, prejudicando a marca e o clube que serve.
(...)"

O método de Bruno de Carvalho

"Analisando o perfil de alguns populistas, como Sílvio Berlusconi ou Donald Trump, podemos também encontrar em Bruno de Carvalho comportamentos convergentes.

É possível que Bruno de Carvalho tenha ido um pouco mais além nestes últimos dias do que é seu hábito, mas a raiz da sua personalidade, comportamento e a atitude vem sendo esta ao longo dos últimos três anos. Desde então, já foi reeleito pelos sócios com perto de 90% dos votos, e viu legitimada as suas alterações estatutárias com semelhante percentagem em assembleia geral convocada para o efeito. E são muitos os que ainda têm dúvidas se Bruno de Carvalho não voltaria hoje a ser reeleito…. Goste-se ou não, estamos perante um caso de sucesso.
Dei por mim a pensar como é que a sua liderança consegue impactar pela positiva sócios de uma instituição desportiva centenária, com um palmarés invejável à escala mundial. Procurei então respostas na sociologia e na conceptualização política do fenómeno do populismo, e rapidamente percebi que existe um paralelo entre a política e o futebol, o Estado e o clube, os políticos e os presidentes, os eleitores e os sócios, e entre a vida e a vitória.
Analisando o perfil de alguns populistas, como Sílvio Berlusconi ou Donald Trump, podemos também encontrar em Bruno de Carvalho comportamentos convergentes.
Em primeiro lugar o “Aparecimento”. O populismo prolifera em sistemas altamente competitivos, onde os líderes tradicionais perdem credibilidade junto dos seus eleitores. Alimenta-se das expectativas defraudadas e das situações de crise económica.
Em segundo lugar a “Personalidade”. O líder possui uma capacidade mobilizadora e promove o culto à sua personalidade. É geralmente autoritário e apresenta um discurso agressivo, arrogante ou teimoso. Cria uma espécie de realidade paralela, baseada em exageros e emoções exacerbadas, que infantilizam e confundem o eleitor, com o objectivo de manipular o seu julgamento. Promete metas megalómanas, mas raramente comunica medidas concretas em prol desses objectivos.
Em terceiro lugar a “Conduta”. Invoca permanentemente o “nós” e os “outros”, e afirma lutar incansavelmente pelos direitos do povo que representa o bem e a justiça social, contra a elite privilegiada que representa o mal e a corrupção. Vangloria-se de ser o porta-voz da maioria injustiçada contra os lobbies instalados, afirmando procurar uma rotura com o status quo.
Em quarto lugar a “Comunicação”. Utiliza mensagens simplificadas e directas, que sejam perceptíveis pelos eleitores, e recorre a publicações e manifestos que unem a maioria a seu favor. Quando os eleitores reconhecem a linguagem, identificam-se com o plano de acção. Convence, sobretudo, as camadas sociais menos instruídas, mais desiludidas com a vida, e com menos rendimentos.
Por último a “Evolução”. Com o tempo, os meios passam a justificar os fins, e o líder comporta-se de forma extremista. Diaboliza as instituições existentes, procurando afastar os rivais e admite fazê-lo violentamente.
Constatamos assim que existe uma diferença entre ser-se popular e ser-se populista: enquanto o primeiro promove a ordem democrática, o segundo é uma causa da desordem; a estratégia popular é moderada, construtiva e segura, e a populista é extremista, paternalista, destrutiva e perigosa; medidas de política populares são construtivas e realistas, baseadas em medidas concretas, e modelos idealistas são difusos, imprevisíveis, e prometem o que não sabem se podem cumprir. Não obstante, o líder que distorça a verdade para obter ganhos pessoais e que lute por sobreviver sacrificando a sua equipa apresentará, mais tarde ou mais cedo, resultados negativos."

O vício de Trump e Bruno de Carvalho

"Donald Trump é um viciado na rede social Twitter e vai disparando tweets à medida que os disparates lhe assaltam a cabeça. Como é fácil de perceber, Trump passa a vida a twittar.

O problema é que Trump é o homem que tem o comando da armada mais mortífera da história e as ameaças que faz abanam o mundo inteiro. Ninguém sabe muito bem onde irá acabar esta crise da Síria, apesar de ser nítido que não há inocentes nesta história, excluindo as crianças e todos aqueles que apenas querem paz na sua vida e não pegam em armas. Mas Trump que deve sofrer de algum problema psiquiátrico – psicopata não deve ser de certeza – gosta de confundir a plateia: ora diz uma coisa para logo afirmar que nada disse, como se de um jogo se tratasse. Já ameaçou que atacava a Coreia do Norte, tendo recentemente dito o mesmo sobre a Síria, provocando o caos.
A história é tão patética que Trump consegue transformar figuras sinistras – algumas com tiques de psicopata – em vítimas ou quase... Com os Tweets de Trump quem quer saber do que faz Vladimir Putin, um homem que tem estampado no rosto o seu passado de KGB, ou do líder supremo Kim jong-un, já para não falar de Bashar Al-Assad? O presidente americano é uma criança com problemas de atenção que põe o mundo em sentido. Será que alguém conseguirá afastar Trump do Twitter? Quem o conseguir merecerá um prémio da Academia de Estocolmo. Já se sabe que as redes sociais fazem mal à saúde, mas só as utiliza quem quer.
Bruno de Carvalho tem esse vício em comum com Trump. Usava, neste caso, o Facebook para lhe dizer o que lhe ia na alma, sem se preocupar com as consequências. Como chegou longe demais, para a nação sportinguista, foi convencido por alguém a afastar-se desse microfone aberto para o país. E o que aconteceu com o seu silêncio? Os sportinguistas que queriam a sua cabeça já estão mais retraídos, pois ninguém se pode esquecer do que Bruno de Carvalho alcançou durante a sua gerência. Mas até quando conseguirá Bruno não mandar os seus “bitaites” no Facebook? Essa é que é uma pergunta para um milhão!"

Futebol com reflexão - no jogo de campeão

"Além de emoção, de manifestação global, envolvente e sedutora, o futebol tem uma linguagem de sentidos e de palavras que é um bom exemplo de esperanto. Arte e engenho, inteligência e técnica, táctica e movimentação, esforço e estratégia, assim se cria um espaço de sonho objectivo, sem fingidores, porque ao vivo e em directo… Só é enganado quem fechar os olhos.
Como tesouro da Humanidade, exige-se conhecimento, dedicação e sabedoria, para uma constante progressão. Fanatismos e fundamentalismos (que chegam ao limite de impedir que adeptos de clubes diferentes se possam sentar juntos, com os cachecóis, camisolas e bandeiras das suas preferências) são vestígios de horror por vencer, de ignorância por resolver.
A todos os níveis, detectam-se atitudes louváveis (raramente divulgadas) e muitas arbitrariedades destrutivas (que conquistam audiências incompreensíveis).
São vários os protagonistas do jogo que deixam marcas exemplares ainda que, paradoxalmente, cresça o número daqueles que são ferozes a desarmar a ética, violentos nas entradas sobre a responsabilidade, agressivos contra o espírito desportivo, lesionados por tanta atracção pelo abismo, pelo lado primitivo que impede o pensamento… E sem cartão amarelo, no mínimo.
A evolução dos tempos nunca é linear e, por isso, sucedem-se fases que aperfeiçoam evoluções.
No próximo jogo SLB x FCP joga-se com uma probabilidade muitíssimo elevada, o destino de um título nacional.
Jogo sempre marcante e que atrairá atenções de todo o país e não só.
Por outro lado, o jogo acontece num momento de quebra do equilíbrio emocional e num contexto caótico, que se arrasta há demasiado tempo, onde um “clima de guerra descontrolada” revela a evidente incapacidade de muitos, em particular das entidades que tutelam o futebol.
Divergências são salutares; desentendimentos, suspeições e faltas dentro da área da responsabilidade, ameaçam a credibilidade e o futuro do próprio desporto.
Num jogo de equipa, os génios destacam-se mas nunca se podem sobrepor ao colectivo: fazem parte do todo. E neste caso, não se trata de génios mas de líderes, a quem uma “corte” elogiosa e sedenta de brilho ocasional apoia, eliminando críticas com omissões de contraditório.
Quais comissários de passados horrendos, serão os primeiros a fugir quando a pirâmide ameaçar ruir. 
Voltemos ao jogo.
SLB e FCP disputarão o jogo praticamente decisivo (embora a última eliminatória da Champions, felizmente, deu nova dimensão e sentido ao termo decisivo).
Jogo que envolve milhares de pessoas concentradas, deslocações, planos de segurança e que carece de organização sem falhas.
Que os protagonistas, particularmente dentro das quatro linhas, sejam excelentes, dignos, correctos, intensos, sem ”fitas desprestigiantes” e que tenham bem presentes as implicações que atitudes sem dignidade nem verdade podem causar. Que o jogo seja exigente, disputado, transparente e verdadeiro, ou seja, sem intervenções que subvertam o seu andamento.
A ética, como presença indispensável, não pode ser ferida com atitudes de quem não está preparado para assumir essa função de participante no jogo.
Os adversários são profissionais do mesmo ofício, os árbitros terão de ser sempre exigência e garantia da verdade desportiva e o acessório não pode “lesionar” o essencial. Compreensão para o clima emocional que o jogo cria naturalmente, mas sempre o rigor, a coerência e transparência nas decisões. 
Naturalmente, todos têm preferência por um resultado favorável para as suas cores, mas que um dos maiores vencedores seja o futebol, com o golo imprescindível da verdade desportiva.

“O SISTEMA 1
Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam, mas não dizem.
Os votantes votam, mas não elegem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas. (…)
As pessoas estão ao serviço das coisas.”
(Eduardo Galeano, “O Livro dos Abraços”, Antígona, 2018;129)

Com base na ideia de Galeano é possível reconstruir um texto relativo ao estado actual do nosso futebol e não só. Pelo menos que sirva de alerta.
Atrevo-me a deixar duas sugestões, certamente muito discutíveis:
1 - Atendendo ao estado de suspeição e agressividade contínua, quase podemos afirmar que ganhe quem ganhar, haverá sempre um lado a discordar e a imputar culpas a alguém, a duvidar da seriedade das decisões, aprofundando suspeições para níveis potencialmente com risco de violência. A arbitragem, muito por culpa própria mas também por exagero de outros protagonistas (que deveriam dar exemplos positivos em vez de espectáculos deprimentes), neste momento deveria ser protegida, evitando situações com eventual gravidade.
FCP e SLB são equipas habituadas a jogarem na Champions e em torneios internacionais.
Para este jogo não se poderia ter contratado árbitro de outro país, prestigiado internacionalmente? 
Pelo menos ganhava-se um tempo de acalmia, de salvaguarda da arbitragem nacional e de segurança dos próprios árbitros. Sei que podem considerar um desprestígio para o sector, mas a ausência de árbitros de campo no próximo Mundial confirma essa realidade que temos de saber inverter.
Será que não poderia permitir uma reflexão profunda e uma preparação intensiva e qualificada para a próxima época?
2 - Acusações constantes de manipulação de imagens, interpretações inclinadas perante decisões dos árbitros e a defesa da transparência não poderiam ter levado a negociações (não tenho certeza se possíveis) para que esse jogo do título fosse também transmitido em canal público aberto?
Muito se reduziam as novelas posteriores de mau dizer e mau olhar.
Volto a acrescentar que a arbitragem precisa de bons ventos e mar calmo para se preparar para temporais que sempre surgem.
Nunca pretendi desvalorizar a arbitragem nacional mas somente sugerir medidas que possibilitem uma janela de concórdia, de pacificação, para na próxima época, termos também árbitros mais consistentes, critérios mais rigorosos e uniformizados e tempo para preparação dos árbitros nas diversas valências das suas acções.
Arbitrar é sempre exigente, complexo e contestado (mesmo injustamente).
Esta época que está a terminar foi um ano horrível para o sector, com episódios lamentáveis, evitáveis e ainda a revelar que urge aperfeiçoar muitos aspectos.
Enquanto o árbitro não for um agente reconhecido pelo rigor, pela imparcialidade, pela competência e pela efectiva importância para o futebol, temos muito que fazer, sem cair na tentação de tratar assuntos sérios em publicações nas redes sociais que, sem responsabilização, alargam pântanos já existentes e, como recentemente, podem dar origem a situações explosivas e incontroláveis. 

Finalmente, com base em notícias de jornais, para não ficar a ideia de desvalorizar o que é nosso, o que acham de um Presidente da FIFA que recebeu uma oferta superior a 20 mil milhões de euros para vender os direitos do primeiro Mundial de Clubes - 2021?
Convém acrescentar que o Presidente da FIFA, por acordo de confidencialidade, não divulga o autor da proposta, embora se saiba ter como base o Médio Oriente e a Ásia!
A FIFA nunca vendeu, ao longo da sua existência, o controlo das competições que organiza. 
Transparência não é provavelmente e obscuridade será certamente.
Poiares Maduro deverá estar a sorrir, com sabor a triunfo anunciado e confirmado."


PS: Não posse de notar a minha estranheza, como pessoas supostamente esclarecidas, conseguem ter comportamentos bipolares: o autor desta crónica é um defensor de Jorge Nuno Pinto da Costa, nunca li uma frase da sua autoria, condenando as atitudes do seu Presidente... e depois, consegue escrever este texto...
Apesar do 'alvo' pretendido ser o Benfica, não deixa de ser uma excelente analise, à influência nefasta no Tugão, da postura e das atitudes iniciadas pelo Pedroto e continuadas pelo Pintinho... 'mal' adaptadas pelo Babalu!!!
'Gostei' particularmente do 'não vamos atribuir culpas' (quando o Insolvente o o Pug são os principais culpados pelo clima que se vive no Tugão...); e da transmissão do jogo em canal aberto (a ignorância não tem limites...!!!