Últimas indefectivações

sábado, 24 de setembro de 2016

Tradição?!

Corruptos 13 - 7 Benfica


As últimas pré-épocas do Hóquei do Benfica, têm sido patéticas!!! O ano passado depois da absurda derrota com o Sporting na Supertaça, ganhámos praticamente tudo... apesar de uma quebra exibicional na 2.ª parte da época!
Se calhar, os jogadores e os técnicos do Benfica, fizeram questão em exibir-se de forma amadora, novamente, neste inicio de época, com esperança que as coisas voltem a correr bem durante o resto da época!!! Qualquer outra explicação, mete-me medo...!!!
E sendo honesto, estou mesmo com muito medo...
Prefiro 'brincar' um pouco com a derrota na Supertaça (mais uma...!!!), do que falar a sério, e faltar ao respeito a quem já me deu algumas alegrias...!!!
E já agora, o facto do Benfica ter recuperado de um 7-2, para um 7-6 no início da 2.ª parte, não desculpa o que aconteceu no resto do jogo!

PS: Também perdemos a Supertaça no Ténis de Mesa, mas neste caso, o facto de estarmos na Supertaça, já é um feito considerável, já que esta secção regressou à I Divisão, à bem pouco tempo..

O exemplo da formação no futebol

"Os nossos clubes de futebol são um exemplo para Portugal, porque têm tudo o que o País precisa para conseguir crescer e desenvolver-se.

A Academia do Seixal fez 10 anos de existência e o Benfica assinalou a data com um conjunto de iniciativas para as quais fez convites e diversas entidades que incluiu - e bem - os três jornais desportivos portugueses, numa sadia manifestação de inclusão e de sentido de responsabilidade de uma instituição com a grandeza e a notoriedade do clube.
Em condições normais, ou seja, num país normal e numa sociedade normalizada, a referência poderia parecer despropositada, de tão óbvia razoabilidade, pois é evidente que os jornais desportivos são parceiros no desenvolvimento e no crescimento dos clubes.
No caso português, porém, nem sempre existe o reconhecimento da liberdade crítica dos órgãos de comunicação, em especial, em matéria tão exaltante quanto é o futebol profissional.
Enfim, não é propriamente desse tema - apesar de interessante e sempre actual - que me interessa aqui e agora falar e desenvolver.
Não é apenas a do Benfica. A Academia de Alcochete, que o Sporting criou com tão expressivos e importantes resultados foi, aliás pioneira. É ma fonte e uma escola de grandes futebolista, tal como também sucede com o Centro de Treinos e Formação Desportiva do FC Porto, em Gaia.
O SC Braga já arrancou com o conceito e com as novas instalações para a formação, sendo curioso dizer que o Vitória Sport Clube, de Guimarães, foi o primeiro a lançar as bases destes projectos de formação com o então presidente Pimenta Machado.
Haverá, certamente, outros exemplos espalhados pelo país, falo dos que conheço e que, de alguma forma, acompanho. São, todos eles, centros de formação de altíssima qualidade e que emprega técnicos da mais elevada competência. Formam atletas, projectam o futuro, criam sustentabilidade financeira dos clubes e, muito especialmente, formam e educam homens para a vida.
Na voragem dos resultados de fim de semana, na inquietação dos discursos mais inflamados e nem sempre sábios, na irracionalidade do sectarismo de uma cultura desportiva cega, surda, mas só muito raramente muda, poucas vezes os portugueses se dão conta de que os centros de formação de jogadores, ou academias, são, hoje, exemplos de sucesso nacional para qualquer outro sector da sociedade e, apesar disso, nem sempre devidamente reconhecidos e elogiados.
Admira-se muitas vezes o país de ter um futebol de topo, um futebol farto em jogadores, treinadores e até dirigentes de elite, todos eles ao mais alto nível da Europa e do Mundo. Surpreendem-se os mais distraídos com o facto do nosso futebol estar entre os melhores, apesar de muito longe de poder acompanhar financeiramente os mais ricos. A explicação é, afinal, bem mais simples do que muitos pensam: trabalho, planeamento, criatividade, organização, competência e acção.
É espantoso: tudo o que parece faltar ao país para crescer e de desenvolver tem o seu futebol. E esta é uma realidade, a um tempo, indiscutível e perturbadora. Indiscutível, porque está à vista de todos. Perturbadora, porque desmente a vulgaridade, o desinteresse e a incompetência dos portugueses em matéria de trabalho e de profissionalismo.
Que os clubes de futebol portugueses são um exemplo para Portugal, disso não tenho a mais pequena dúvida. Em especial estes que, como o Benfica, têm escola e fazem escola porque sabem que só assim podem ser cada vez melhores e maiores no futuro."
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Kaepernick

"Colin Kaepernick, jogador dos San Francisco 49ers que se tem ajoelhado quando escuta o hino dos EUA, protestando contra discriminações raciais, iniciou uma sublevação pacífica, ganhando seguidores em jogadores de várias modalidades.
Há dias, chateado com isto, o congressista republicano Lee Zeldin, depois da captura do suspeito do último atentado em Nova Iorque, twittou «Escusas de agradecer, Kaepernick...», sugerindo que as autoridades, a homeland, os símbolos, não podem ser questionados.
Este é o lado democraticamente mais quebradiço dos EUA, aquele que leva a que uma grande fatia dos americanos pareça lidar mal com críticas a polícias e militares. Sentir, pior, que tal é feito pela grande instituição que é o desporto tem um poder ainda mais sugestionável.
O lado positivo disto, diria, é a própria discussão: Kaepernick faz bem em desrespeitar símbolos da pátria - e, de acordo entendimentos de muitas personalidades, os seus concidadãos - ou teria outras formas de protesto?
Acontece que o desporto nos EUA - que tem forte alicerce nacionalista, ora pelo toque do hino em todos os jogos, ora por alguns rituais militarizados - é um meio de expressão admiravelmente livre e comunicativo. Lá, sempre houve atletas interventivos, mensageiros.
Cá - logo à partida por ser infracção prevista no Código Penal como Ultraje a símbolos nacionais - é difícil imaginar um atleta de elite afrontar assim Portugal. Mesmo em patamares abaixo, na mera expressão de opinião, os nossos atletas reduzem as intervenções políticas às meras circunstâncias da modalidade que representam, à falta de apoios e coisinhas que tais. Nada além disso.
Quis Kaepernick desrespeitar o seu país? Ou negá-lo? Eu acho que quis só questioná-lo, nos valores sociais e na aplicabilidade das leis nacionais. Essa agitação, exagerada ou não, faz sempre falta. Houvesse por aí mais Jarpernicks."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Tiro ao boneco é que não

"Muito se fala em comunicação como se a comunicação jogasse à bola. Disparates. Esta semana, por exemplo, o melhor comunicador do Benfica terá sido o grego Mitroglou, autor de dois lindos golos no jogo com o Sporting de Braga. Atribuem-se à pobre – e quantas vezes miserável – comunicação culpas no cartório em tempo de derrotas. Esta até é uma grande vantagem para os sectores verdadeiramente proeminentes e responsáveis da indústria do futebol que lá vão fugindo às suas responsabilidades a expensas de outras pequenas exibições nas redes sociais ou em amáveis marisqueiras populares. Esta arte de comunicar, novas tecnologias à parte, não traz nada de substancialmente revolucionário. Mas também a fome encoberta não é novidade no mundo e, ainda assim, continua a ser um problema.
Não fugindo à regra, o Benfica tem um novo director de comunicação desde o princípio da temporada oficial. A sua função – bendita seja – tem sido a de estar calado. Poucos lhe conhecem a cara, muito menos a voz e ainda menos o estilo epistolar. Tem sido um descanso, uma tranquilidade, um consolo – presumo – para grande parte dos benfiquistas nestes tempos marcados pela dramática infantilização dos discursos oficiais e pelo triunfo social da vulgaridade na “net”.
Mas futebol é futebol, felizmente. Por isso mesmo espero que a comunicação do Benfica nunca caia oficialmente na esparrela de trocar as nossas alegrias do mundo real, como as dos dois golos do Mitroglou ao Sporting de Braga, pela volúpia fácil de 5 mil “likes” em 10 minutos ou de 10 mil “likes” em 5 minutos, nos casos de maior sucesso. Haverá, no entanto, quem não pense assim no meu clube e exija e dê respostas contundentes à filosofia adversária num contínuo tiro ao boneco que, a meu ver, desonra bem mais os atiradores do que o boneco propriamente dito, isto para utilizar uma terminologia de feira que não ofenda ninguém
Portanto (e pelas alminhas) que continue o novo director de comunicação do Benfica como se tem vindo a apresentar, calado. Tiro ao boneco é que não.

O Benfica viu-se líder na noite de segunda-feira mas como os seus concorrentes directos jogaram ontem e ganharam se quiser voltar a ser líder o Benfica terá de ganhar hoje em Chaves. Aliás, querendo ser campeão, o Benfica teria de ganhar sempre hoje em Chaves independentemente dos resultados de ontem do Porto e do Sporting. Creio que vai lutar por isso. E que vai ser uma trabalheira."

Benfiquismo (CCXXIX)

O nosso grande desejo...

É bom ser primeiro mas nada relevante

"O Benfica ascendeu ao primeiro lugar ao fim de cinco jornadas, numa altura em que tinha metade dos seus habituais titulares magoados, e quando os seus adversários cantavam hossanas. É bom, mas nada de demasiado relevante.
Os últimos anos mostraram que quem lidera por esta altura tanto pode vencer como pode acabar bem longe do topo. A vitória sobre o SC Braga tem no entanto um sabor próprio, de quem vence um dos melhores emblemas da prova. Enquanto outros em frente do espelho perguntam «espelho meu, espelho meu, há alguém melhor do que eu?» o Benfica sobe à liderança com humildade e categoria. Neste momento há uma luta no Benfica para se chegar à prolongada paragem de Outubro sem perder pontos, para aí poder recuperar a totalidade do plantel.
Os nossos adversários mais directos, todos ajudaram ao nosso bom humor. O Sporting depois de um belo jogo em Madrid, estatelou-se com estrondo contra um excelente Rio Ave; o FC Porto depois de um jogo descolorido contra aquela equipa dos «empregados da fábrica de cerveja dinamarquesa», não foi além de um empate contra o último classificado e o SC Braga perdeu na Luz.
Quando fazemos a nossa parte e os outros ajudam, é mais soalheira e sorridente a semana, mas apenas isso, porque outras semanas com outros sorrisos e temperaturas se aproximam. Em Chaves, por exemplo, jogam as únicas equipas que ainda não perderam neste Campeonato. Será muito difícil e importante o jogo em Trás-os-Montes.
O regresso de Mitrolgou ajudou na passada segunda-feira, esperemos que mais algum regresso seja possível amanhã.
O tricampeão, lidera o campeonato e apresentou as contas da SAD com um lucro recorde, mesmo assim ao contrário de outros, está apenas focado no que falta fazer e conquistar.
Gosto assim do meu Benfica, rigoroso, exigente e ambicioso."

Sílvio Cervan, in A Bola

Continuar Benfica

"Uma das qualidades que mais aprecio em Rui Vitória é a coerência do seu discurso que, estou convicto, encontra paralelo na sua actuação. Recordo-me das críticas de que foi alvo relativamente à mensagem que tentou passar semanalmente nos seus primeiros meses no comando da nossa equipa de honra de futebol. 'Vamos continuar o nosso caminho' e 'se fosse fácil não era para estes jogadores nem para esta equipa técnica' são somente dois exemplos entre os muitos que poderia citar. Nestes, como em tantos outros, predomina visão, estratégia, determinação, convicção e, sobretudo, sentido colectivo. Em suma, liderança. Demonstrou estas qualidades no início do seu caminho, ao longo de curvas e contra-curvas, na difícil recta da meta e, não surpreendentemente, quando foi consagrado. Então, o seu foco, como sempre, estava já nos desafios seguintes, não sem antes, mas quase de passagem, partilhar os louros do sucesso com todos os que contribuíram para ele, ao invés de tentar individualizá-lo.
Hoje, realizadas cinco jornadas do Campeonato Nacional, o Benfica é o líder isolado da classificação. 'Não há campeões à 5.ª jornada' e 'é claro que estamos contentes, mas o planeamento para o treino de amanhã mantém-se' são as mensagens fortes de Rui Vitória. Mais uma vez, a primeira pessoa do plural, a humildade e a percepção de que existe vida para além do imediato e de si próprio, caracterizam a sua mensagem. Com isso ganha Rui Vitória, todos os que o acompanham e, indiscutivelmente, ganhará o Benfica.
Seremos campeões no final desta temporada? Ninguém sabe, mas é legítimo acreditar nesse desígnio. Porque o Benfica, ao ser Benfica - 'De Todos, Um' - será sempre mais forte."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Vida real

"Há menos de um mês vim aqui criticar a bazófia de quem, na altura, comandava a classificação do campeonato nacional de futebol. Escrevi-vos sobre pessoas que incham como sapos, que atiram foguetes antes do tempo, que desvalorizam os adversários e só olham para o seu umbigo. São os mesmos que caem no insulto fácil e que cospem para o ar como se a gravidade não existisse.
Pois bem, desta vez somos nós que estamos à frente. E não me vão ouvir dizer que 'está no papo' ou que 'somos os imbatíveis' ou ainda que 'o nosso treinador é o melhor do mundo'.

O que tenho para dizer sobre esta chegada com estilo à liderança não é diferente do que tenho dito noutras temporadas. A diferença é que, à semelhança da anterior, tudo no SL Benfica deve ser pensado como colectivo e não como individualidade. Assim, se por acaso algum adepto adversário - no café, no trabalho, na jardim - quiser falar do actual estado de coisas, temos de ser claros. Não, não 'está no papo'. O êxito só surge depois do trabalho, e nesse campo, não tenho dúvidas de que o Glorioso está capacitado. Não, não 'somos imbatíveis'. Ninguém nos derrota em saber estar calados nos momentos certos e somos, sem dúvida, imbatíveis a festejar em Maio no Marquês de Pombal e um pouco por todo o planeta. Não, o nosso treinador 'não é o melhor do Mundo'. Ainda. Mas pode vir a ser se continuar nesta senda de conhecimento do futebol, responsabilidade, civismo, saber estar, respeito pelos adversários, pelos adeptos e, especialmente, pelos jogadores com quem trabalha.
Rui Vitória é o melhor treinador que o Tricampeão pode ter. E é com ele que quero chegar a este e outros títulos. Passo a passo e sem bazófia. Como deve ser."


Ricardo Santos, in O Benfica

Miss Piggy - Parte II

"(...)
Muitas pessoas me telefonaram a interpelar quem era afinal a Miss Piggy.
É evidente que não vou poder dizer peremptoriamente quem é a Miss Piggy. Sobre esta matéria existe uma piada muito interessante.
Antigamente, podíamos dizer mal de tudo, excepto do presidente do Conselho e afins. Hoje, podemos dizer mal do presidente do Conselho (República) e afins, mas não podemos dizer mal de mais ninguém!
O Estado Português passa a vida a ser condenado no Tribunal Europeu. A coisa funciona desta forma. Os tribunais portugueses condenam as pessoas por difamação, ofensa ao bom-nome, honra e mais um enxurrado de coisas idênticas. Ora, quem tem de pagar é o que violou esses pretensos direitos. Mas este recorre até ao Tribunal Europeu, aí ganha, e o Estado é condenado a pagar ao 'condenado' a verba que ele pagou ao queixoso, ou seja, quem paga são os contribuintes. Mas isto tem alguma lógica!
É que a Miss Piggy (que por acaso na minha rábula é um homem) passa a vida a ameaçar com isto e aquilo, e os processos que mete por pretensa violação do bom-nome, honra e mais umas botas, afinal, quem os vai pagar no fim são os contribuintes.
No final, o tal tipo que se fez de ofendido recebe o guito, fica rico, e quem paga são os contribuintes!

Mas vivemos onde?"


Pragal Colaço, in O Benfica

O mestre da bazófia

"Há duas faculdades que temos de reconhecer ao actual treinador do Sporting.
A primeira é a de, por via de uma hábil gestão de expectativas e/ou de rumores, ano após ano, Julho após Julho, fazer subir o seu próprio salário até níveis muito pouco compatíveis com a realidade do futebol português, e, sobretudo, com a realidade de um profissional que, aos 62 anos, apenas alcançou títulos significativos num dos clubes onde trabalhou.
A segunda é a de, por arte e engenho seus, ou por sortilégio das circunstâncias, conseguir dos presidentes que o contratam, padrões de investimento nos plantéis igualmente acima daquilo que é comum no nosso país, e daquilo que é, ou foi, concedido a diferentes treinadores desses mesmos clubes em momentos anteriores e posteriores – aconteceu entre 2009 e 2015 no Benfica, repete-se agora no Sporting.
As caríssimas equipas de que este técnico dispôs enquanto esteve na Luz, e de que dispõe em Alvalade, quer em termos de investimento, quer quanto a custos com a massa salarial, não têm paralelo na história dos dois rivais lisboetas. Tivessem idênticos meios, e muitos outros treinadores teriam podido encher o peito, e a boca, em conferências de imprensa, como génios de uma lâmpada que, todavia, não acende para todos com semelhante grau de luminosidade.
Quando andou por cá, uma envolvente estrutural de topo permitiu-lhe aproveitar bem os recursos, traduzindo-os em títulos. Veremos o que a sua suprema sapiência consegue até final da carreira, enquanto nos vamos divertindo com declarações que outrora nos faziam sentir desconfortáveis, ou até mesmo envergonhados."

Luís Fialho, in O Benfica

A propósito dos dez anos do Seixal

"É apenas pela via da formação que o futebol português pode manter-se entre os melhores do mundo. Embora seja preciso complementar o trabalho de base com uma prospecção atenta e com aquisições cirúrgicas, é na criação de talentos que reside, através de uma aposta continuada e coerente nas academias, aquilo a que  muitos chamam, lá fora, o milagre português. Escrevo estas linhas a propósito dos dez anos do Caixa Futebol Campus e do extraordinário trabalho que o Benfica tem levado a cabo na última década. Mas seria injusto se não referisse a excelência de Alcochete ou do Olival, o labor de tremenda qualidade levado a cabo, por exemplo, em Braga, Guimarães ou Funchal, os exemplos de sucesso recentes que vieram de Barcelos ou Vila do Conde e da consciência que vai tomando forma noutros clubes que ainda carecem de infraestruturas para a necessidade urgente de não ficarem pelo caminho. Mas que fique bem claro que o futebol não é um caso de sucesso em Portugal por obra do acaso, por uma sorte qualquer ou porque nascemos ensinados. No futebol, ao contrário do que acontece com a generalidade das modalidades, há uma prospecção continuada, meios físicos de treino e uma enorme competência por parte dos técnicos, que deixaram há muito para trás a fase empírica que marcou a formação noutras décadas.
Hoje, o Benfica poderia ter uma equipa made in Seixal capaz de lutar por títulos: Ederson; João Cancelo, Lindelof, Rúben Dias e Yuri Ribeiro; Bernardo Silva, André Gomes, André Horta e Renato Sanches; Gonçalo Guedes e José Gomes. Quem diria, há dez anos, que isto seria possível?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Ovo de Colombo

"No décimo aniversário da academia do Benfica, recupera-se aqui a fórmula que melhor assenta ao futebol português: formar bem e vender melhor ainda!

Este texto esteve para intitular-se 'A fórmula', porque é disso que vai tratar, embora fosse potencialmente menos chamativo. E talvez menos adequado, porque aquilo que os clubes portugueses andam há anos a pôr em prática é uma espécie de fórmula mágica que permite actos de alquimia pura, como fazer deles competitivos a nível internacional, sem a matéria-prima gourmet dos endinheirados. Ou seja, aquilo que define a expressão 'Ovo de Colombo' - uma solução aparentemente simples para um problema complicado.
Ao anunciar lucros e receitas históricas, o administrador da Benfica SAD Domingos Soares de Oliveira enunciou a fórmula e até quem a usou anteriormente com evidente sucesso: 'No nosso modelo, à imagem do que o FC Porto fez durante alguns anos, é muito importante realizar mais-valias com a venda de jogadores, para pagar bons salários e fazer investimentos (...)'.
Rivalidades à parte, a receita é simples e 'pronto a vestir', serve a qualquer 'cliente'. Complicado é concretizar a transformação do chumbo em ouro, porque se de há uns anos a esta parte o 'economês' passou a integrar a linguagem do futebol, dando até a sensação de se ter apropriado dela e do próprio fenómeno, este continua a reduzir-se à sua expressão mais simples: a bola que entra é quem mais ordena e dela dependem todos os economistas, alquimistas e até donos de aviários."

João Araújo, in O Jogo

Mais do mesmo?

"Os Jogos do Rio já eram. Uso o pretérito imperfeito porque se tivesse usado o perfeito, diria que os JO/16, já foram. Relacionar JO com gramática não é tão louco quanto parece. Os gregos foram pioneiros no estudo da estrutura da língua e nos Jogos. Porém, seja qual foi o tempo - perfeito ou imperfeito - o certo é que da trilogia Desporto/JO/Portugal, raramente tem resultado algo que satisfaça aqueles para quem sucesso significa pódio, medalhas ou, vá lá, diplomas. Curiosamente, querem gramática quer em desporto, tendemos para nos atrasarmos: quanto à primeira, só no século XVI alguém se preocupou com a arte; e em desporto tem sido difícil estar em dia com o que se sabe e vai fazendo em países do nosso nível e possibilidades. Basta comparar expectativas com resultados, interpretar justificações e agir em caso de falhanço evidente. Mas, tirar satisfações e responsabilizar alguém não está no nosso ADN.
Por mais que evite, surge-me logo a lenda de Sísifo. E não por haver desportos onde é evidente que iremos passar mais quatro anos a empurrar promessas montanha acima mas porque, como ele, há quem julgue que pode enganar os deuses do Olímpo que, em Tóquio, não perdoarão. Mais um ciclo e aí vêm eleições a todos os níveis. Já abundam promessas vagas e pouco objectivas. É ler, ou ouvir, candidatos. Desde a classe política à dos dirigentes federativos, passando pelos técnicos. E no final, se não forem eles a desaparecer por lhes restar algum pudor, quem pediu, ou pedirá, satisfações?
O que os deuses quiseram mostrar a Sìsifo e raramente retiramos da lenda, é que os mortais não têm liberdade de escolha. Também nós não podemos escolher a sociedade em que vivemos, nem os meios humanos e técnicos de que dispomos e que, em várias áreas, não sabemos rendibilizar. Mas isso não justifica admitir, desde o início de um ciclo olímpico, os objectivos meramente qualitativos que já por aí andam e que, tal como na olimpiada anterior, nunca comprometem que os faz."

Jenny Candeias, in A Bola

Benfiquismo (CCXXVIII)

Chico Buarque rodeado de Estrelas...!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Claro leitor, qual destes treinadores escolheria para a sua equipa?

"O que torna diferentes Rui Vitória, Nuno Espírito Santo e Jorge Jesus? Qual é o melhor para liderar uma grande equipa?

E se estivesse à procura de um (ou de dois) treinadores para a sua equipa, quem destes três, Rui Vitória, Nuno Espírito Santo e Jorge Jesus, escolheria?
Ao fim de 5 jornadas - e já com uma chicotada psicológica (tão previsível...) - desafio-vos, assim, leitores, para um pequeno exercício: quem de entre os treinadores dos três grandes, escolheria para liderar a sua equipa, construir um projecto equilibrado, se tivesse essa responsabilidade... e claro - não vos movessem sentimentos de inveja, nem nenhum complexo de inferioridade por algum dos outros clubes rivais que condicionassem a opção? E, já agora, que não dependesse de um treinador para sobreviver (o que também é importante)...
E também, se cada um dos leitores fosse presidente - independentemente da paixão clubista - dos três treinadores dos grandes (mesmo sendo um deles o melhor do mundo) - quem não escolheria para o seu clube? Qual deixaria de fora? De acordo, com os seus objectivos, mas, também, com os seus princípios, o seu carácter e a sua razão. Como diria Bocage, bem sei que «no mundo há muitos enganos», mas, atendendo à possibilidade de fazer duas escolhas, e meditando no que mais desejariam, o que fariam?

Mas vamos por partes, ou melhor, por treinadores!


Rui Vitória
1. Começo por aquela que é a hipótese mais lógica: a do tricampeão. Bem sei que sou suspeito... E que, quanto a este assunto, me repito várias vezes. Mas, de facto, Rui Vitória é uma ludada de ar fresco, além de ser detentor de uma grande alma benfiquista.
Como afirmou antes de ganhar ao Braga, para o campeonato, «no Benfica somos um todo». Não é Rui Vitória, não é o jogador A ou o jogador B, somos todos um. Porque, correndo o risco de me repetir e de repetir um velho cliché, a união faz a força.
A união do plantel e da equipa técnica, em primeira instância, e a dos adeptos - que na passada segunda-feira, depois de um dia de trabalho, compareceram no Estádio da Luz: mais de 51 mil!
O treinador que, sendo de todos, percebe que só ganha porque todos os seus jogadores se identificam com ele.
O treinador que dá - como é a sua obrigação - oportunidades aos mais novos e que sabe que o azar de uns é a oportunidade de outros, como costuma dizer.
O treinador, ainda, que, apesar de ter sempre presente a sua humildade, desde logo por afirmar que não muda o discurso e que não há campeões à 5.ª jornada, não obstante ser líder, dará, novamente, da concentração e da união de cada um deles, e de cada um de nós, a força de um colectivo.
Porque, no Benfica, o treinador nunca ganha sozinho!
Um treinador que tem o cuidado de apostar, não só nos jovens jogadores da formação, como ainda não tem qualquer tipo de receio (ou de pudor) de escolher jogadores portugueses.
No último jogo, frente ao Braga, o Benfica acabou com seis portugueses em campo: Nélson Semedo, André Horta, André Almeida, Pizzi, Gonçalo Guedes e Zé Gomes.
Escolhê-lo-ia?

Nuno Espírito Santo
2. É um treinador de um clube que fez um grande investimento no plantel para esta nova época! Está a treinar, pela primeira vez, o clube onde jogou muitos anos, o que não impede algum período de adaptação.
Tem uma equipa nova, que se encontra em fase de construção. Mas, apesar disso, é um treinador que não se inibe de dar um murro no banco - como o fez, no último jogo do Campeonato, frente ao Tondela, quando, por circunstâncias óbvias, estava obrigado a ganhar - quando o jogo não lhe corre bem, ou, até, quando os seus jogadores não respondem ao mínimo exigido.
No fim desse mesmo jogo, na flash interview e na conferência de imprensa, assumiu a total responsabilidade pelo resultado obtido.
Um treinador que, depois de perder pontos na última jornada frente à equipa de Petit, não teve qualquer problema em afirmar, publicamente, que, a sua equipa, a continuar assim, não será campeã.
Quem tem uma atitude assim, dando a cara, como responsável máximo, tem, no mínimo, um grande carácter!
Escolhê-lo-ia?

Jorge Jesus
3. Por último, um treinador que puxa dos galões, para se enaltecer, mesmo que isso implique rebaixar os seus jogadores (mesmo os de sua escolha pessoal). Aqueles que deveria defender de tudo e perante todos.
O treinador que se auto-intitulou de cérebro, mas que, recentemente, perdeu (mais uma vez) nos últimos instantes. Nesse jogo, a sua equipa estava a pouquíssimos minutos de conseguir um grande (e histórico) resultado em pleno Santiago Bernabéu.
Mas, ainda assim, e não satisfeito - ninguém sabe com o quê ou quem... - conseguir ser expulso (inevitável será concluir que, lá fora, não há qualquer receio em fazê-lo), quando a sua equipa, mais do que nunca, naquela fase do jogo, precisava da sua ajuda.
Se não tivesse sido expulso talvez não tivesse perdido o jogo da maneira que perdeu!
Ele, fiel a ele próprio - e embeiçado pelos poucos minutos que o separaram da vitória (sempre os poucos minutos finais...) - foi ainda mais longe na conferência de imprensa de antevisão do jogo frente ao Rio Ave, na véspera de uma deslocação difícil. Pois surpreendendo apenas os que se esqueceram, em 48 horas, do que tinha dito em Madrid (eu sei que em espanhol, mas bastante perceptível para um português médio...), veio afirmar que, independentemente dos jogadores que tivesse, o facto de treinar uma equipa faz imediatamente a diferença. Citando-o: «o treinador faz a diferença!»
Ora, sendo ele o factor diferencial - embora não tenha sido isso o que o seu presidente veio dizer posteriormente, reiterando que todos juntos, sem excepção, fazem um plantel de qualidade - fiquei surpreendido como, no dia seguinte, perderam por 3-1, frente ao Rio Ave.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas neste caso, mantêm-se a arrogância e a altivez desmedida, com um ego do tamanho do mundo, como se este não chegasse para ele...
Pois, apesar das suas limitações, não deixará nunca de ser o «rei da selva»...
E como cada um tem a selva que merece...
Escolhê-lo-ia?

Pois, caro Leitor, qual seria a sua escolha?
E, já agora, sem pagar 3 milhões e 850 mil euros líquidos por ano ao treinador que pudesse escolher. Um pequeno detalhe que faz toda a diferença!

PS - Eu sei que ninguém é campeão em Setembro, mas, na verdade, à 5.ª jornada, o Benfica é líder isolado. Vale o que vale, embora se outros lá estivessem, valesse muito mais!
O Benfica, de facto, é muito grande!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Benfica, Braga, Rafa

"Benfica-Braga foi um belíssimo momento de futebol. Um jogo que superou a maioria dos clássicos entre os chamados grandes, que, salvo raras excepções, têm sido jogos de retracção, medo, tacticismo, onde ninguém quer perder, antes mesmo de querer ganhar.
Venceu o Benfica merecidamente, mas o Sporting de Braga evidenciou porque se aproxima passo a passo dos melhores. Joga com personalidade, um futebol esclarecido, aberto, inteligente. Não foi por acaso que dois dos jogadores que, na segunda-feira, mais brilharam na Luz foram precisamente os guarda-redes.
Foi um jogo com poucas faltas e sem árbitros incendiários, bem arbitrado e melhor jogado, numa partida em que, embora à 5.ª jornada, estava em jogo a liderança.
No últimos jogo, o Benfica pôde, finalmente, apresentar um ponta-de-lança não improvisado - Mitrolgou - e isso fez toda a diferença. Nestes jogos, tem-se visto a importância de, perante uma vaga inusitada e concentrada de lesões, se poder contar com um plantel com muitas e diversificadas soluções.
A propósito de um jogador que transitou de um para o outro dos contendores - Rafa Silva - e que não jogou, por lesão, registo aqui a classe que evidenciou no seu primeiro jogos no SLB, tal qual como se já lá estivesse há muito tempo. Personalizado, tecnicamente evoluído, desequilibrador por vocação, lutador constante. Vai ser um caso sério e muito bem fez a direcção do Benfica em o ter contratado pelo valor mais alto alguma vez realizado entre clubes portugueses. O caro, às vezes, sai barato (acredito que será o caso de Rafa) e, não raro, o barato sai bem caro (Taarabt, é um recente exemplo)."

Bagão Félix, in A Bola

Solidez mental no jovem Benfica

"Ultrapassou limites o narcisismo de Jesus! FC Porto: inesperado decalque de Lopetegui! E não ajustem o menino André da grande área...

Caixote de surpresas. Tondela arranca empate com o FC Porto (na ponta final da época anterior, a sua fantástica recuperação fugindo à queda na II Liga incluiu vitória no Dragão!). Rio Ave derrota o então líder Sporting, estando este supostamente ainda mais empolgado pela estupenda jogatana que acabara de realizar em casa do Real Madrid. E eis o Benfica, numa só jornada conquistando nada menos de 8 pontos!, a saltar para a frente do campeonato.
Tratando-se do tricampeão, deveria ser normalíssima esta liderança. Mas não é... Face ao maremoto de lesões que, no último mês, arrasou quase meio plantel, com impressionante máxima tónica em 4 avançados goleadores!, admirável, pura proeza, é, sim, a resistência benfiquista - sofrimento tão invulgarmente sem queixumes,,, -, premiada com regresso ao topo!
Frente ao SC Braga, regresso de Mitroglou aconteceu em dia D. Porque, não esquecendo as cruciais defesas de Júlio César, sem o avançado grego o Benfica não teria ganho (minha convicção). Ou a decisiva importância de um puro ponta de lança.
O Benfica tem equipa jovem, muito jovem; perante o Besiktas, média de 23 anos, com 7 jogadores abaixo dessa fasquia... Daí tanto impressionar a sua robustez mental. Que lhe permite travessia, com tranquilidade digamos insólita, deste calvário de baixas clínicas em inédita dimensão. A robustez mental que, frise-se, foi alicerce do antetior título, depois de catastrófica pré-temporada e penoso arranque de campeonato.
Rui Vitória tem mesmo de ser excelente condutor de homens; neste caso, muito especialmente de tantos jovens. Aliás, valha a verdade, demonstrara-o em Guimarães, num trabalho de fundo que lhe valeu entrada na Luz - bem difícil responsabilidade de pegar no bicampeão... e em tempo de tempestade pela efervescente saída do treinador. No V. Guimarães, Rui Vitória chegara em simultâneo com o caos financeiro que afastou os melhores/mais caros futebolistas. Teve de ir buscar 9 miúdos à equipa B (!), fez surpreendente bom campeonato e conquistou Taça de Portugal... frente ao Benfica.
O tricampeão está resistindo tão bem ao tal maremoto de lesões que tem agora mais 4 pontos do que tinha há um ano (5 jornadas). Bom indício é. Só que escorregadelas espreitam a cada semana (Chaves, recém-promovido e ainda invicto!, já a seguir), disso o V. Setúbal fez prova na Luz... e Tondela e Rio Ave decidiram não lhe ficar atrás.
Este campeonato promete ser reedição do anterior, tão escaldante! Quicá ainda mais, tão provável o renhidíssimo despique pelo título crescer para 3... Com SC Braga e vários dos pequenos firmemente dispostos a fazerem mossas nos protagonistas de topo.

Jorge Jesus teve fulgurante castigo. Violento trambolhão no seu narcisismo, habitual, mas que, desta vez, no espaço de apenas 3 dias, ultrapassou os mais amplos limites. Primeiro, aquela tirada em Madrid: se estivesse no banco nos últimos minutos, o Sporting não teria perdido. Inaceitável! Porque se fez expulsar (não lhe acontece só em Portugal...; e já declarou não corrigir comportamento!) e porque tal afirmação é nunca antes ouvida desconsideração de técnico principal ao seu adjunto! De seguida, de mal a pior: o Sporting tem melhor plantel? Não. A diferença está no melhor treinador. O balneário deve ter gostado imenso! Veio de lá o Rio Ave... Súbito eclipse do melhor treinador. Perdão, ressalta o óbvio: culpa da derrota só dos jogadores pode ter sido...
Levo anos tecendo rasgadíssimos elogios ao excelente treinador Jorge Jesus. Outra coisa é o seu execerbadíssimo egocentrismo, congénito, mas agora acelerando para níveis de insuportável! Digo eu... tentando pôr-me no lugar da sua equipa (?) téncica e dos seus jogadores. Mas se gostarem assim...

Nuno Espírito Santo está, muito insolitamente!, a resvalar para decalque de Julen Lopetegui. Experiências e mais experiências, mudando de esquema táctico e de onze jogo após jogo. Equipa às aranhas num rol de confusões. Acredito na capacidade deste jovem líder técnico, deve é dar muito jeito definição... rápida.
Pormaior: André Silva possui evidentíssimo talento, é crucial projecto de senhor ponta de lança, essa inexistência no fuebol português; apetece pedir ao treinador que não o disperse, e desgaste, com demasiado afastamento da grande área..."

Santos Neves, in A Bola

10 anos

Putos

Presidente & Treinador

Parabéns !!!

A causa Tarantini, contracrónica da vida de Totti

"A contracrónica da vida de Totti não tem paixão, busca lucro, quer dinheiro. Amor? Na cama. Dedicação? Ao próprio. E à família, quando há. Francesco é um homem unânime. Os outros são oposto. Se Totti é um tirambaço, os outros são cafofa.
A bola tem os seus amantes. E estes amam Totti. Não pela piada que tem, pelos golos, ou pelas feições. Amam-no por significado. O deuz da Roma, sem gralha, é a arte do sonho e fantasia, é imaginação de se viver para sempre num só clube. Totti é romantismo. O dele e o nosso, amantes.
Os outros, como disse, são uma história contrária. Realismo por oposição ao racionalismo. Na literatura, no futebol. A razão por base.
É aqui que entra Tarantini.
A causa do médio do Rio Ave preferência o raciocínio.
«Acredito que a esmagadora maioria dos jogadores que fazem uma carreira ao mais alto nível por cá não consigam ter um pé-de-meia vitalício. E isso levanta um grande problema que tem que ver com a preparação dos profissionais de futebol para um pós-carreira com estabilidade e independência financeira. Além disso, há que sensibilizar esta nova geração desde cedo para as dificuldades desta profissão
Todos nós, amantes, queremos Totti. Queremos que o nosso capitão dure para sempre no nosso clube. Que um formando do Seixal, Alcochete ou Olival seja ele próprio uma jura de amor eterno. Quando o contrário sucede, a conta é paga em raiva. Insulto, fúria. Ódio. As traições clubísticas encerram todas as fatalidades do mundo da boca para fora.
Voltemos à razão. Essa coisa cruel. Um jogador que atraiçoe o clube – e aqui seja por um rival, seja por um clube de menor dimensão histórica, mas com mais dinheiro - merece um desdém eterno? Merece que o digam insensível, frio, e outras coisas piores?
A brutalidade da história de Paulo Morais sempre me fez pensar. E o que o Vítor Hugo Alvarenga escreveu depois também. «O futebol usa e deita fora.» É por isso que a opção racional tem de imperar.
E essa opção até pode ser como Totti. Ficar. Ficar para sempre. Desde que se tenham pesado os prós e os contras. Mesmo que seja um ato de egoísmo para com o romântico adepto.
A carreira é curta. Em Portugal, sobretudo, os salários dos futebolistas são baixos e a oferta de outro emprego uma raridade para qualquer profissão. Por isso, Tottis por cá é coisa difícil.
Cada caso é um caso, mas, no fundo, quando essas traições acontecem, os futebolistas podem estar apenas e só a fazer aquilo que Tarantini e Vítor Hugo Alvarenga lhes dizem: «Pensem na vida enquanto sonham com o futebol.»
E isso, perante a histórias dos Paulos Morais, nunca poderá ser criticável, por muito que amemos Totti."

Benfiquismo (CCXXVII)

12 - 2

Vitória... com muitos golos !!!

Benfica 34 - 29 Belenenses
(18-13)

Jogo menos conseguido, mas o mais importante era o regresso às vitórias! Agora, sofrer 29 golos do Belenenses, é mau sinal...!!!
Começamos a perder por 0-4 (!!!) mas depois marcámos 9 de seguida!!!!!
Continuamos a demonstrar fragilidades nos 9 metros, e continuamos a ter 'problemas' quando estamos em superioridade numérica...!!!!!!

PS: Uma nota, para a boa pré-época da nossa secção de Basket. Mesmo com vários jogadores nas Selecções (só agora temos todos disponíveis...).
Ganhámos os dois jogos do Torneio Internacional realizado na Luz, contra duas boas equipas, que provavelmente ganhariam a qualquer outra equipa portuguesa!
Hoje, contra uma das melhores equipas Angolanas, num jogo muito intenso, contra uma equipa muita agressiva, forte fisicamente, ganhámos bem... e ainda falta o Raivio que tem estado lesionado!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vício de ganhar !!!

Benfica 1 - 0 Leixões


Mais uma vitória da consistência... dominámos, mesmo sem criar muitas oportunidades, a diferença tem estado na defesa, onde damos menos abébias!!!
Destaco o excelente jogo do Kalaica, dominador no ar, rápido na antecipação... só pareceu ter que melhorar a leitura na bola nas costas (o Leixões tem jogadores muito rápidos...).
O Pêpê está a 'pedir' oportunidade na A !!!
Espero que o Heri esteja bem... o choque foi violento!
O estilo molengão do Jovic não o ajuda!!!

Contas...

O Benfica apresentou hoje o resumo do relatório e contas, relativo à época 2015/16...
Os números são positivos, como era esperado... mas o passivo remunerado continua alto, houve uma substituição de empréstimos bancários, por empréstimos obrigacionistas... mas o número é idêntico (por volta dos €310 milhões)!
Destaco os resultados operacionais (sem direitos de atletas) positivos a rondar os €8 milhões. No ano anterior deu negativo!
Os quase €236 milhões de rendimentos totais, são um recorde... tendo em conta o mercado nacional, este número é extraordinário, mas se chegarmos novamente aos Quartos da Champions, temos tudo para melhorar na actual época, com a 'entrada' dos novos contratos com os nossos parceiros!!!

10 bagatelas Fur Fussball

"1. Desde que Bruno de Carvalho é presidente do Sporting em épocas completas, o Benfica ganhou todos os campeonatos nacionais;
2. O Tondela na 1.ª Divisão já tirou 5 pontos ao FC Porto e 2 ao Sporting. É um dos meus clubes preferidos;
3. O Benfica apenas com 2 jogos em casa (Vitória de Setúbal e Sp. Braga) teve mais assistências do que os 33 jogos já disputados em casa pelos 13 clubes da 1.ª divisão (excluídos FCP, SCP, Braga e Vit. Guimarães);
4. Um caso curioso na Liga é o do Paços de Ferreira: ainda não marcou sequer um golo em casa e já fez 8 golos fora;
5. Os quatro golos sofridos pelo Benfica no campeonato foram todos de cabeça, dos quais 3 na sequência de bolas paradas;
6. Na próxima jornada da Liga vão defrontar-se as duas únicas equipas que ainda não sofreram qualquer derrota até agora: Benfica e... Desportivo de Chaves;
7. Bastaram 5 jogos para a primeira chicotada psicológica, curiosamente do único brasileiro (treinador do Marítimo), assim honrando a prática habitual no Brasileirão;
8. As 4 equipas portuguesas que estão nas competições europeias não venceram, apesar de todas elas estarem à frente no marcador;
9. Jesus disse que se estivesse no banco até ao fim do jogo com o R. Madrid não teria perdido. O seu adjunto Raul José ter-se-á sentido muito considerado;
10. Lá fora, o Valência e o Schalke, clubes habituados ao ambiente europeu, estão no último lugar com 0 pontos e, nas mais significativas competições, 100% vitoriosos só estão Real Madrid, Manchester City e o surpreendente Hertha de Berlim."

Bagão Félix, in A Bola

PS: O nosso consócio cometeu um ligeiro erro (nada habitual): o Braga nunca esteve em vantagem no jogo com o Gent...!!!

Ser expulso num jogo de futebol

"Ter ou não ter o treinador principal no banco de responsáveis é, ou não, importante para as equipas? Os jogadores sentem-se mais acompanhados se o verdadeiro boss estiver junto deles, ou é-lhes indiferente? E para a eficiência das substituições, será que a presença in loco pode mitigada, sem perda de eficácia, pelam acção de um qualquer pombo-correio?
Para mim, a resposta a estas perguntas é clara: sim, o treinador principal faz falta aos seus jogadores e a ausência do banco penaliza a equipa. Então, por que razão, conhecendo as indicações que foram dados aos juízes de campo pela tutela da arbitragem, continuam os técnicos a protestar até serem expulsos? Não faz sentido e se é apenas por uma questão de feitio, então mude-se o feitio de quem tem pavio curto, porque o bem da equipa é mais importante.
E nem valerá a pena clamar contra os árbitros lusos porque na UEFA o registo disciplinar dos treinadores portugueses deixa ainda mais a desejar...
Curiosamente, o Sporting vê-se agora envolvido numa batalha jurídica a propósito da expulsão do seu médico, por alegadas injúrias à equipa de arbitragem. Depois de condenado pelo Conselho de Disciplina da FPF, o clínico dos leões viu agora confirmada a pena no Plenário, havendo já garantias de novo recurso, desta feita para o Tribunal Arbitral do Desporto.
Bom, mesmo com todas as ressalvas atrás feitas, até percebo que no calor da luta os treinadores possam exceder-se com os árbitros. Agora um médico é um pouco mais difícil de entender. A sua função no futebol é outra e deverá manter-se nos limites do juramento de Hipócrates."

José Manuel Delgado, in A Bola

Demonstração de resiliência

"Impressionante é o Benfica chegar à liderança na sequência de uma onda de lesões que impediu Rui Vitória de contar com jogadores importantes

Tal como fez na última temporada com os resultados que todos conhecemos, o Benfica continua tranquilamente a capitalizar os erros dos adversários. Do Sporting, que perdeu em Vila do Conde, do FC Porto, que empatou em Tondela, mas também do Braga que, à imagem do que tinha acontecido na final da Supertaça, voltou a desperdiçar pelo menos uma mão-cheia de oportunidades de golo que poderia ter servido para escrever uma história com um final mais feliz para a equipa de José Peseiro. 
De tal forma que, em boa verdade, o jogo propriamente dito foi bem menos desequilibrado do que o resultado final, com a diferença entre as duas equipas a cavar-se essencialmente no confronto directo entre a qualidade dos intérpretes à disposição de cada um dos treinadores.
O treinador do Braga bem pode queixar-se de infelicidade num par de ressaltos, mas uma coisa é uma oportunidade clara de golo, em pleno Estádio da Luz, nos pés de um miúdo como Ricardo Horta e outra é uma oportunidade clara de golo, em pleno Estádio da Luz, nos pés ou na cabeça de um avançado tão experiente como Mitroglou.
Até por isso, a questão que realmente deveria preocupar os rivais dos encarnados não é tanto a chegada das águias à liderança com apenas cinco jornadas disputadas, mas sim a forma como a equipa de Rui Vitória manteve o primeiro lugar ao alcance, sobrevivendo, não apenas à ausência de Mitroglou, mas também de Jonas e mais uma meia dúzia de outros jogadores varridos pela onda de lesões que atingiu o plantel nas últimas semanas."

De Jesus e a lição de humildade à pólvora seca do FC Porto

"Em Inglaterra, continua a faltar o factor-Mourinho ao Manchester United.

A derrota do Sporting em Vila do Conde surge na sequência de declarações de Jorge Jesus. Uma delas sobre as dificuldades de mudança de chip, que se confirmaram nos Arcos. A outra, bem mais polémica e pouco apropriada, a sobrevalorizar a influência que um treinador (ele próprio) tem sobre a «melhor equipa» (a sua, porque treinada por si). O resultado acentuou negativamente essas palavras, uma vez que foi-lhe acrescentado o tom de lição de humildade.
Os leões perdem os primeiros pontos, sofrem a primeira derrota e entregam a liderança. À quinta jornada, não tem grande impacto. O Benfica está a apenas um ponto e mesmo que a distância fosse um pouco maior nunca haveria contornos de dramatismo.
Depois de uma grande exibição em Madrid, penalizada com derrota no final, houve certamente algum desgaste em algumas unidades e, também, a tal dificuldade na transição descendente de níveis de exigência e de gestão da adrenalina. É verdade que num ou dois momentos poderia ter marcado primeiro e o resultado teria eventualmente evoluído mais facilmente para um sentido favorável, mas mostrou-se incapaz de reagir ao primeiro golo vila-condense e ao contínuo avolumar do resultado. 
Foi um Sporting diferente. Obviamente, para pior.
Também pareceu que olhando especificamente para o encontro dos Arcos, o Rio Ave pareceu mais preparado, mais trabalhado para o embate.
Primeiro, a atacar Bruno César, depois na forma como foi ultrapassando as barreiras que o meio-campo leonino costuma colocar às transições adversárias e, por fim, ao aproveitar as zonas descompensadas à frente de Rui Patrício. Gil Dias teve aí um papel importante, tal como as movimentações de Guedes e a presença de jogadores experientes como Yazalde e Tarantini.
Nuno Capucho ganhou claramente o duelo. O Rio Ave foi melhor equipa neste encontro.
Mais do que uma lição de humildade, Jorge Jesus ficou com a certeza dos custos de uma gestão precoce, que expôs algumas das zonas mais frágeis, como defesa e meio-campo. Apesar de claramente mais profundo, o grupo ainda precisará de mais trabalho – palavra cara a Jesus – para responder no seu todo ao mesmo nível.
O FC Porto empatou perante um Tondela que já tinha complicado as suas contas no ano passado. O adversário, no plano ofensivo, não se esticou em campo, bem pelo contrário, e conseguiu suster o candidato com relativo à-vontade.
Houve, claro, duas ou três oportunidades claras desperdiçadas e, por isso, mesmo com pouca produção, poderia ter chegado para os três pontos. O «tem de fazer golo» que Nuno Espírito Santo soltou no banco assenta bem aos vários momentos em que a festa passou perto, mas a verdade é que, tudo somado, foi muito pouco.
O treinador voltou ao 4x4x2 com Depoitre e André Silva, entregou a ala a Brahimi e a Otávio, e André André fez dupla com Rúben Neves. Os dragões abusaram do jogo directo, e chamaram em surdina por Oliver do primeiro ao 56º minuto. Tal como Adrián López deu razão à lógica de fazer mais sentido que o concorrente belga assim que entrou em campo. No entanto, foi curto. Deu nulo, e sinais inquietantes para o futuro.
Na Madeira, o Nacional somou os primeiros pontos às custas do Marítimo, que até aí só tinha uma vitória. Se os alvinegros têm ainda como atenuante as muitas lesões que afectaram a equipa, os rivais já deram razão a quem criticava um certo regresso ao passado com a aposta no treinador brasileiro Paulo César Gusmão, primeira chicotada na época. Carlos Pereira não quis esperar e emendou a mão antes que fosse tarde. Para já, um arranque decepcionante de ambos os emblemas.
No plano internacional, José Mourinho voltou a perder. Terceira derrota seguida, depois de City e de Roterdão para a Liga Europa. Os primeiros resultados camuflaram a ideia de que falta ainda muito trabalho ao Manchester United, sobretudo quando confrontado com os principais rivais na luta pelo título. Além disso, a discussão à volta da utilidade de Wayne Rooney enquanto falso dez ou mesmo a presença de Fellaini, há muito patinho-feio para os adeptos, promete alastrar. Se o inglês acrescenta muito pouco na ligação com o meio-campo, o belga é mais uma má sombra de Pogba ou um acrescento físico do que propriamente alguém que traga ideias. Além disso, se olharmos ao investimento feito, a verdade é que persistem as lacunas sobretudo no eixo defensivo.
Falta o factor-Mourinho ao Manchester United. E será o próprio a ter de reencontrá-lo.
Também o Valencia somou quatro em quatro em derrotas. A crise vai longa, e há muito que se perdeu a luz ao fundo do túnel. Tempos difíceis para João Cancelo e Nani."

Futebol, esse lugar comum

"Só um defesa-central é imperial. Não há extremos imperiais, nem sequer trincos. Imperial é o Ricardo Carvalho. É quem desarma e sai a jogar lá de trás com a bola dominada ou vai lá à frente para subir entre os seus pares e de cabeça desviar para a baliza.
Do mesmo modo, não há laterais matadores. Matador é um ponta-de-lança, que por isso fulmina ou fuzila quando chuta. Os remates, aliás, são tiros, bombas, misseis, petardos... E outros belicismos próprios da artilharia pesada.
O passe tem as suas gradações. Se for mesmo, mesmo um bom passe pode ascender a magistral. Mas se por um fenómeno qualquer nascer menina e transformar-se em assistência corre bem o risco de se tornar «primorosa». É mais raro, mas não impossível, haver passes primorosos e assistências magistrais. Talvez porque a assistência tenha uma doçura qualquer inerente ao género. Como se o primor tivesse uma delicadeza quase feminina e a mestria conotação de varão.
Já os cruzamentos só têm conta se também tiverem peso e medida. Mas só os que são feitos com régua e esquadro. Estranhamente, nunca houve um cruzamento que precisasse de balança ou máquina de calcular.
Chegados aqui, posso desde já confessar que vou com regularidade ao futebol e mesmo em pleno inverno tenho visto cantos de mangas arregaçadas. Nunca vi um canto todo agasalhado. (Bem, adiante…)
Também já vi remates com selo de golo. Golos que selam vitórias. E vitórias que carimbam passaportes para a fase seguinte de uma qualquer competição.
Por sua vez, todo o penálti é castigo máximo. Ninguém pede castigos mínimos dentro da área. Se é para castigar, é logo pela medida grande.
Na sequência, todo o guarda-redes que é batido sem apelo também o é sem agravo. Não há guarda-redes batidos sem agravo, mas com apelo. Nem com agravo, mas sem apelo. Só sem ambos.
Apelo e agravo são uma dupla quase tão inseparável na nossa memória como Baresi, sempre imperial, e Maldini, que perdia o adjectivo pomposo quando jogava a lateral-esquerdo e voltava a adquiri-lo quando voltava ao eixo da defesa.
Notem bem: o futebol é um lugar comum para todos nós que gostamos dele; os chavões democratizam a gíria e põem-nos a jogar no mesmo campo lexical. Não torço contra estes e até lhes sorrio quando os ouço passar.
Campeonato diferente é o dos lugares-comuns. Não vou à bola com eles, nem com os seus indefetíveis adeptos.
Sei que «o jogo tem duas partes distintas», que «são onze contra onze» e que depois de uma derrota «há que levantar a cabeça», porém, tenho uma certeza profunda de que falado ou escrito o futebol não pode ser sobretudo «isto mesmo».
Vai daí que aproveito as linhas que me restam para decretar: quem não aprecia entrevistas com frases polémicas ou flash-interviews que escapem estritamente ao tema do jogo merecerá entreter-se com todas as banalidades que irá ouvir ao longo desta época. E em todas as outras que se vão seguir."

Benfiquismo (CCXXVI)

Cruz,
Bicampeão Europeu... 8 vezes Campeão Nacional !!!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Lixívia 5

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.......... 13 (-2) = 15
Corruptos...... 10 (-2) = 12
Sporting........ 12 (+3) = 9


Uma semana relativamente calma, apesar de mais uma dose industrial de hipocrisia dos Corruptos!!! Que sendo beneficiados com um penalty não assinalado, tiveram o desplante de fazer um comunicado denunciado eventuais erros, ignorando o tal penalty!!!!! Isto por parte de um Clube, profundamente corrupto... até ao tutano!!!

Nos jogos de Domingo, o grande erro foi mesmo esse em Tondela com o Filipe a derrubar o Hélder Tavares... no resto da partida o Hugo Miguel, cometeu outros erros menores... normais para apitador tão incompetente!!!! É verdade que o Tondela de Petit joga duro, mas isso acontece em todos os jogos...
O único lance que os Corruptos têm alguma razão de queixa, foi numa lei da vantagem, que devia ter sido dada... e não foi... Mas isso, é algo que acontece em todos os jogos...

Em Vila do Conde, desta vez não houve colinho e os lagartos não ganharam!!! Simples... Além disso, a 'bomba' de Madrid acusou ressaca!!!
Desta vez, a Superstar ficou no banco, até ao fim, e os Lagartos perderam... mas a culpa foi das transições defensivas dos jogadores!!!
Em relação à arbitragem, nada a assinalar de grave, alguns erros a meio-campo, para os dois lados... Recordo que este Pedro Pinheiro, também apitou o Tondela-Benfica, que vistas bem as coisas, foi a arbitragem mais imparcial do Benfica este ano!!!
Curiosa reacções do Babalu à derrota sem apelo nem agravo... ainda me recordo dos três secos em Guimarães, com o Marco Silva e da reacção do Babalu no Facebook... O Babalu sabe que o pescoço dele, está nas mãos do Judas... e portanto, pia mais fino!!!

Estava com muito receio da arbitragem de Jorge Sousa na Luz... E o jogo provou os meus receios!
No 2.º golo do Benfica, o fiscal-de-linha esteve bem, mas no resto do jogo foi uma desgraça...
Começou por não assinalar falta num empurrão sobre o Guedes, quando este 'quase' se isolava... Como o cartão respectivo seria 'alanrajado' preferiu nada marcar!!! Aliás 'fugiu' sempre aos cartões... veja-se um contra-ataque do Benfica, no início da 2.ª parte, com falta sobre o Semedo (dá bem a lei da vantagem), falta sobre o Mitroglou (dá novamente bem a lei da vantagem)... mas quando o jogo parou esqueceu-se dos cartões!!!
Agora, o grande erro, foi o penalty sobre o Pizzi! Ao ler as analises de hoje nos pasquins, ainda fiquei mais 'parvo'!!! O Duarte Gomes, diz que o Goiano não teve intenção!!! Mas desde quando a intenção, é factor, numa rasteira?!!!!
O Goiano não toca na bola, coloca a perna entre as pernas do Pizzi, e derruba-o... dentro da área. Qual é a dúvida?!!!
E além disso, o Goiano no chão ainda joga a bola com o braço, intencionalmente:



Em relação ao 2.º golo, não existe dúvidas neste caso. Não existiu um ressalto, o que houve, foi um corte mal feito... A Lei do fora-de-jogo tem algumas áreas 'cinzentas', mas neste caso não existe dúvidas... excepto para o Coroado!!!
Por acaso, eu até não concordo com a Lei do fora-de-jogo... eu acho que mesmo existindo um ressalto neste caso, nunca poderia ser fora-de-jogo, já que o Mitroglou faz um passe para trás... em direcção de outro jogador...
Uma situação que me deixa muitas vezes irritado, é quando temos um cruzamento para a área, com os avançados em fora-de-jogo; com os Centrais a cortarem a bola, para evitar que os tais avançados em fora-de-jogo, joguem a bola; mas às vezes, o corte dos Centrais é mal efectuado, e a bola vai ter com outro avançado (que nunca esteve em fora-de-jogo)...!!!
Este tipo de situações, acontecem muitas vezes, e raramente o fora-de-jogo é assinalado.
A diferença, é o destinatário do passe... e a Lei deveria fazer essa distinção!

Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

Irrecuperável

"Mais de dezena e meia de títulos internacionais foram assinados por treinadores portugueses nos últimos 55 anos, não constante da lista Jesus

José Maria Pedroto foi o primeiro treinador português a dar ao País um título internacional: em 8 de Abril de 1961, a Selecção de Juniores sagrou-se campeã da Europa, ao derrotar a Polónia (4-0), na final do torneio, com quatro golos de Serafim. Proeza que a FPF teve o cuidado de assinalar no ano do seu cinquentenário, com uma homenagem a jogadores, técnicos, elementos do staff e ao seleccionador David Sequerra no intervalo do jogo com a Noruega (apuramento para o Euro-2012), que se realizou no Estádio da Luz.
Três anos mais tarde, em 1964, Anselmo Fernandes conquistou outro título europeu, quando o Sporting venceu a Taça dos Vencedores das Taças na finalíssima de Antuérpia, frente ao MTK de Budapeste, por 1-0, através do um canto directo apontado por Morais que deu origem a uma música que depressa de celebrizou como O Cantinho de Morais. Além deste relevante feito, nessa mesma época, o Sporting humilhou o Manchester United, ao derrotá-lo, em Alvalade, por 5-0, e virando a eliminatória (o leão perdera em Old Trafford por 1-4)!
Em 1987, pela mão de Artur Jorge, o FC Porto ganhou a Taça dos Campeões Europeus na final de Viena (2-1 ao Bayern Munique).
Em 1989 e 1991, Carlos Queiroz estabeleceu um novo paradigma para o futebol luso, ao conseguir dois títulos mundiais no escalão de sub-20, na altura inimagináveis para o nosso ainda muito curto horizonte. Foi a partir deles que se desenhou a fronteira do futuro, podendo dizer-se que nada voltou a ser como antes, expressão justificada pela mudança profunda observada ao nível dos desempenhos da nossa Selecção principal, a qual desde 2000 não mais deixou de estar presente nas fases finais de Europeus e Mundiais.
Já este século, José Mourinho, treinador do FC Porto, surpreendeu ao conquistar a Taça UEFA (Sevilha, 20003) e a Liga dos Campeões (Gelsenkirchen, 2004). À parte a quantidade de outros troféus amealhados nos países por onda passa, Mourinho voltou a destacar-se internacionalmente ao vencer a sua segunda Liga dos Campeões Europeus, em 2010, então pelo Inter de Milão (2-1 ao Bayern, em Madrid).
André Vilas Boas, deu ao FC porto, em 2011, a vitória na Liga Europa (1-0, ao SC Braga), em Dublin, em final cem por cento portuguesa.
Noutro continente, Manuel José conquistou quatro Ligas dos Campeões Africanos (2001, 2005, 2006 e 2008) e duas Supertaças de África (2001 e 2006), sendo o treinador português com mais títulos internacionais no currículo.
Já neste ano de 2016, sob o comando técnico de Fernando Santos, Portugal chegou ao topo da hierarquia, ao ver a sua Selecção erguer em Paris o troféu correspondente ao título de campeão da Europa de nações.

Mais de dezena e meia de títulos internacionais foram assinados por treinadores portugueses nos últimos 55 anos, não constando dessa sublime lista o nome de Jorge Jesus, nem deverá constar algum dia, creio eu, ao contrário de outros mestres do mesmo ofício, mais jovens, mais cultos e mais bem preparados, os quais, espalhados um pouco por todos os continentes, vão granjeando respeito, essencialmente pela competência.
São em maior número do que se supõe, porque em Portugal as perspectivas de construir carreira enxergam-se mal. É preciso fazer pela vida em outros países, na Europa ou fora dela: Leonardo Jardim, Carlos Carvalhal, Paulo Fonseca, Paulo Sousa e Paulo Bento, só para citar os que preenchem a cabeça do pelotão.

Na arte de ganhar (muito) dinheiro, porém, Jesus tem-se revelado imbatível. É hábil a vender o produto e, nos últimos anos, em função da conjuntura favorável, o seu agente secreto ajudou-o a recolher importantes dividendos ao criar-lhe condições para se insinuar na má relação de vizinhança entre águias e leões. Se o que recebia antes era escandaloso, passou a ser ofensivo. Mas, lá está, se ganha o que ganha é porque arranja alguém que lhe paga...
No Benfica, durante os seis anos que lá esteve fez o que qualquer outro teria feito com as mesmas condições de trabalho e a mesma disponibilidade para satisfazer-lhe todas as vontades na aquisição de jogadores. Jesus ganhou três campeonatos que saíram caro aos encarnados.
Ao contratá-lo, o Sporting pensou ter adquirido um diamante ainda por lapidar e do qual poderia extrair riqueza e poder. Até agora tem sido só promessas e... pacotes de reforços a entrar rumo ao objectivo supremo, que é o título nacional. O limite, porque Jorge Jesus é um bom treinador... para consumo interno, como já se deve ter percebido.
Jesus só destaca os seus méritos, ocultando as suas limitações. Quais pesam mais, não sei. Até chegar à Luz, com 20 anos de carreira, títulos nem um, era igual a zero. Melhor, a zero vírgula qualquer coisa, pois tinha apurado para a UEFA através da Intertoto quando treinava o Braga.
O Benfica deu-lhe notoriedade, gerou um monstro e não conseguiu dominá-lo, porque, tendo gás, é incontrolável, no que diz e no que faz. Pior, como assumiu por estes dias, é irrecuperável: não muda. Ele está certo, o mundo é que está errado..."

Fernando Guerra, in A Bola