Últimas indefectivações

sábado, 19 de setembro de 2015

A arte de estar na média

"Os serviços da propaganda choram cada cartão amarelo mostrado a Maxi Pereira como uma afronta miserável. Proclamam, indignados, que em quatro jogos da corrente Liga, o uruguaio já igualou o mesmo número de 'amarelos' com que foi contemplado nos trinta e dois jogos da última Liga que disputou ao serviço do Benfica. Não é verdade. Em 2014/2015, o sub-capitão do Benfica viu 11 cartões amarelos no campeonato e outros 4 na mesma cor em jogos das demais competições. Na época não menos glorioso de 2013/2014, Maxi recebeu 9 amarelos e um cartão vermelho em 25 jogos disputados na Liga e mais 3 amarelos distribuídos pelas outras provas em que o Benfica participou. É esta a sua média natural. A pior temporada disciplinar de Maxi foi a de 2011/2012, também ao serviço do Benfica, em que lhe foram exibidos 19 cartões amarelos e um cartão vermelho. O Maxi do Porto é em tudo igual ao Maxi do Benfica, por muito que custe aos seus novos patrões. É para estas mistificações que serve a propaganda.

Nas mesmas 4 jornadas já decorridas desta Liga, o Sporting beneficiou do mesmo número de grandes penalidades - todas bem assinaladas - de que o Benfica beneficiou nas 34 jornadas da Liga anterior. Ora aqui está uma média avassaladora para quem se delicia a fazer estas contas.

No Dragão chora-se a arbitragem do senhor Brych, o alemão que a UEFA mandou de apito ao peito até Kiev. Na sua 'newsletter' oficial, considerando que 'os árbitros estão a usar critérios que penalizam o Porto', ficou registado o sentido protesto perante o golo (limpo) com que o Dínamo selou o resultado do jogo. Este árbitro alemão é o mesmo que dirigiu a final da Liga Europa entre o Benfica e o Sevilha e de tal maneira a dirigiu que até a imprensa espanhola o considerou 'o homem do jogo'. Nem há termo de comparação entre os danos causados à pátria pelo mesmo árbitro em Turim há mais de um ano e em Kiev, na última quarta-feira. No entanto, são bem maiores os protestos formais do Porto pelo seu empate pouco comprometedor na Ucrânia do que foram os do Benfica pela actuação do senhor pela actuação do senhor Byrch na tal final europeia perdida. São estilos.

Por causa dos árbitros estrangeiros, outros que tais, em Alvalade assobiou-se o hino da Liga dos Campeões há duas semanas. Esta semana assobiou-se o hino da Liga Europa. Boa média. E mais nada."

Cultura de vitória...

Fundão 1 - 3 Benfica

Mais um jogo muito complicado com o Fundão. Não jogamos tão bem, como tínhamos feito na Supertaça, não criamos tantas oportunidades, mas a vitória é mais do que justa, e até devia ter sido menos sofrida. Só chegámos ao 3.º golo, já nos últimos segundos, quando o Fundão arriscava o 5x4. Mas nota-se claramente nesta equipa um espírito de vitória impressionante... uma mistura de talento, competência, pragmatismo, e garra!!!

Sou obrigado a destacar mais uma arbitragem miserável, creio que foram marcadas, no jogo todo, 4 faltas a favor do Benfica (isto contra um adversário muito agressivo), mas como isto não fosse suficiente, ainda tivemos que ouvir os senhores da RTP a insinuar que a arbitragem estava a beneficiar o Benfica... principalmente, quando as repetições, provavam que os Benfiquistas não tinham feito falta, mas mesmo assim eles achavam que devia ter sido marcada, só porque parecia!!!
Bom início de época, com alguns jogos bem competitivos, como é desejado, para que os níveis subam rapidamente... Bonita a homenagem ao Jefferson, que vai ficar de fora alguns meses...
AD Fundão 1 - 3 SL Benfica

AD Fundão 1 - 3 SL Benfica Sport Lisboa e Benfica - Modalidades AD Fundão Futsal#LigaSportZone

Posted by Mio futsal on Sábado, 19 de Setembro de 2015

Quarta vitória...

Benfica 30 - 19 Avanca
(13-10)

Bom início, mau final da 1.ª parte, e boa 2.ª parte... Quatro jogos, quatro vitórias, em jogos onde éramos favoritos. Tal com o ano passado, a rotação do Mariano parece que estar a resultar, a equipa está motivada, e existem indicadores positivos, que deixam esperança para o futuro... Hoje por exemplo, notou-se muita preocupação na defesa eficiente do Pivot adversário, algo que em Belém tinha corrido muito mal!!!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Vitória na estreia...

Oliveirense 68 - 77 Benfica
22-23, 16-19, 9-23, 21-12

Vitória do primeiro jogo, mais ou menos a sério, da temporada, no Torneio António Pratas. Um torneio de pré-época, que na prática entrega o primeiro Troféu oficial da nova época.
Devido às várias desistências, o grupo do Benfica, só tem duas equipas (!!!), sendo assim ambas já têm presença assegurada nas Meias-finais!!! Vamos ter um segundo jogo na Luz, no Domingo, que servirá de apresentação aos Sócios e adeptos.
A ausência do Cook, acabou por ser a nota mais importante... A descompressão no último período, permitiu um resultado mais equilibrado do que realmente foi...

O Benfica tem sido um dos Clubes que tem demonstrado a sua discordância com a forma como FPB, alterou as regras do jogo, já depois dos Clubes terem planeado esta época, com o claro intuito de beneficiar um único Clube desportivamente: os Corruptos!!! Que depois de uma desistência aziada, regressam este ano... Pondo mesmo em causa (ainda mais) a sustentabilidade financeira de todos os outros Clubes. Felizmente não tem sido só o Benfica a protestar, mas o mal está feito... E ao Benfica só resta uma coisa: ganhar...

PS: O Relatório & Contas do Sport Lisboa e Benfica, foi aprovado por maioria na Assembleia-Geral do Clube, esta noite...
Não compreendo, como alguns, continuam a aproveitar esta Assembleia-Geral, para demonstrar a sua oposição ideológica (obsessiva) - legitima como é óbvio -, à Direcção. Pois tenho a certeza que os votos contra, não foram por causa das contas...

Depressão, euforia e realidade

"As últimas vitórias do Benfica sobre Belenenses por 6-0 e sobre o Astana por 2-0 são factores de esperança mas não dão direito a passar da depressão para a euforia sem passar primeiro pela realidade. O Benfica está melhor mas o caminho é longo e difícil.
Este domingo, no Dragão, será um teste duro. O Benfica terá de estar muito bem para trazer um resultado positivo, é sempre assim que joga com Soares Dias. Veremos.
Prefiro centrar-me no que o Benfica pode fazer e melhorar e há muito em que podemos melhorar. Mas seria muito injusto não notar que o caminho do último mês tem sido em ascensão contínua.
Gaitán, que muitos escreveram ter ficado na Luz contrariado, resolveu chamar imbecis a todos os que desenvolveram o raciocínio, jogando um futebol de excelência. É hoje o melhor futebolista a actuar no nosso campeonato.
Jonas e Samaris já se aproximam do seu melhor e colectivamente o Benfica ganha como desempenho dos seus melhores elementos. Mas a ambição dos adeptos do Benfica não é ganhar jogos, é ganhar títulos e por isso no Benfica só se festeja no fim e quando se ganham os ambicionados títulos.
Rui Vitória deixou no lançamento do jogo europeu uma vontade de ganhar e os jogadores mostraram em campo essa ambição, por isso o Benfica ganhou. Jorge Jesus deixou no lançamento do jogo europeu a sua prioridade nacional e os jogadores, em campo, cumpriram esse desinteresse perdendo com os russos moscovitas (facto já habitual). Tenho dúvidas de que os adeptos leoninos estejam em linha com este desleixo europeu, ou que pensem que houve culpa do administrador que não comprou o Cervi.
Ontem para os lados de Alvalade só Carrillo saiu vencedor."

Sílvio Cervan, in A Bola

Seis zero

"Um golo de Gaitán numa magnífica exibição repleta de lances de grande classe e técnica apurada, alegria e empenho contagiantes, aliando a fantasia e a eficácia, atributos raramente conciliados num jogador de futebol, só ao alcance dos melhores a nível mundial.
Dois golos de Mitroglou a recordarem Cardozo e a justificarem o azedume de quem tentou mas não o conseguiu contratar.
Três atletas formados no Benfica contribuíram para numa brilhante goleada. Nelsinho, Guedes e Nuno Santos em nada ficam a dever a muitos outros jogadores que já representaram as nossas cores.
Quatro são os pontos a que poderemos ficar da liderança na próxima jornada. Não será uma desgraça. Assim como, no caso da desejada vitória, não validará a euforia.
Cinco golos apontados por Jonas em quatro jornadas demonstram que o bom desempenho da temporada passada, em que, apesar de ter sido o que marcou mais golos, não foi considerado o melhor marcador, está para durar.
Seis tentos apontados ao Belenenses, o último por Talisca, o mesmo que, na época anterior, disfarçou, com excelentes golos, o mau primeiro terço do campeonato no plano exibicional.
Zero é a quantidade de votos contra e abstenções, na AG a realizar esta noite, que o RC do SLB, referente à época 2014/15, merece. 6,25M€ de lucro (4,13M€ de retirarmos o impacto dos resultados das empresas participadas, nomeadamente a SAD do futebol), incremento das receitas de quotização, redução de 7,2% do passivo e desempenho desportivo extraordinário (pleno nacional no Atletismo, Basquetebol e Voleibol, dobradinhas no Futsal e Hóquei), mais que sustentam uma aprovação por unanimidade e aclamação."

João Tomaz, in O Benfica

Genuflexão

"Sei que corro um risco demasiado alto de ser criticado - e, até quem sabe, processado - por utilizar a expressão que dá título a esta crónica, mas o autor que celebrizou este movimento que me desculpe. Ele deve andar muito ocupado à procura de qualidade no saco de gatos onde se enfiou, por isso é que estou a arriscar. Tenha a secreta esperança que ele não tenha tempo para ler o semanário 'O Benfica', mas talvez eu esteja apenas a ser demasiado crédulo - na verdade, ele não perde uma única edição do nosso jornal oficial. Não sabe viver sem este clube.
Faz hoje uma semana, 14 jogadores do SL Benfica (entre eles, cinco portugueses, imagine-se!) entraram em campo para ajudar a cozinhar uma receita secreta de meia dúzia de pastéis de Belém. Estavam apetitosos e foram consumidos de forma moderada, numa média de um a cada dez minutos de jogo e meia hora para fazer a digestão. Os bolinhos estavam tão bons que, no final, alguém se arriscou a dizer que até mereciam 'nota artística'.
O Sr. 'Ajoelhou-vai-ter-que-perder' não gostou que recuperassem a expressão e, numa conferência de imprensa relativa ao seu actual clube, indignou-se com o facto. Ou seja, o treinador que agora trabalha ali para os lados da conceituada Churrasqueira do Campo Grande, deve ter patenteado a expressão junto da Sociedade Portuguesa de Autores. Como se quisesse proibir a sua utilização indevida - o que não é o caso, porque o SL Benfica parecia um 'rolo compressor'... ups, se calhar é melhor não usar esta também. Nem 'invenções em jogos da Champions', 'dispensa de grandes valores do Futebol nacional' e 'Bruno Cortez lateral-esquerdo'. E 'Carrega, Benfica rumo ao Tri', posso usar ou vou levar com um processo em cima?"

Ricardo Santos, in O Benfica

Meia-dúzia

"Chame-se-lhe nota artística ou outra cosia qualquer (o nome é indiferente), a exibição conseguida pelo Benfica diante do Belenenses fica nos registos, para já, como a melhor da temporada. Vou mais longe mesmo puxando pela memória, não me recordo de qualquer partida da época anterior na qual o perfume do Futebol apresentado pelos 'encarnados' tenha atingido o esplendor evidenciado na passada sexta-feira.
Com Gaitán e Jonas endiabrados (que dupla!), com um Mitroglou muito activo no seu papel de jogador de área capaz de marcar e criar espaços, com Talisca de regresso aos golos, com dois jovens da Formação a titulares - e outro entrado mais tarde, terminando a partida com cinco portugueses em campo -, o Benfica deliciou os adeptos, e garantiu, não só estar firmemente empenhado na conquista do tricampeonato, como ter instrumentos para lá chegar.
Quem duvidava que Rui Vitória poderia devolver ao Futebol 'encarnado' o encanto de outras temporadas terá ficado esclarecido. Uma exibição como esta só está ao alcance de equipas que sabem muito bem o que estão a fazer, que sabem muito bem o que querem, e como o alcançar. Ficou pois uma promessa. Esperamos vê-la concretizada nas próximas semanas - começando já por este Domingo, na deslocação ao Porto.
Entretanto, já depois de ter escrito estas linhas, jogou-se para a Liga dos Campeões. Acredito que o resultado tenha sido normal. Assim como acredito que o Benfica ultrapasse a fase de grupos, algo que, desde 2006, só por uma vez conseguiu. O grupo não é proibitivo. Cabe à nossa equipas não facilitar, sobretudo nos jogos em que é favorita."

Luís Fialho, in O Benfica

PS: Existe aqui algum exagero do consócio Fialho, o ano passado, nos jogos na Luz (fora de casa, a história foi diferente), também tivemos vários jogos de muita qualidade e muitos golos: Arouca(4-0), Guimarães(3-0), Boavista(3-0), Setúbal(3-0), Estoril(6-0), Académica(5-1)... até o 2-0 ao Braga foi um excelente jogo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Campeão europeu: um sonho para concretizar

"Apenas se precisa de 6 jogos de regularidade e depois de 9 jogos onde o nosso desejo de vencer seja superior ao desejo que os outros possam ter.

Começou, esta 3.ª feira, a participação do BENFICA na Liga dos Campeões 2015/16. E logo com uma vitória clara coisa de que estávamos desabituados, nestas andanças, há alguns anos!
Mas e porque vem tudo a propósito, vale a pena falar do que penso ser a real possibilidade de um BENFICA CAMPEÃO EUROPEU.

UMA OPORTUNIDADE QUE NÃO PODEMOS VOLTAR A PERDER
O futebol tem destas coisas! Todos os anos se renovam os plantéis, se preenchem as supostas falhas do ano anterior, se reacendem as esperanças de voltar a ganhar.
No que se refere ao futebol europeu, a participação na Liga dos Campeões é um marco único.
Na passada terça feira, convivi com elementos da estrutura profissional do Astana e percebi a importância que tem poder estar numa competição deste tipo, para quem nela... não costuma estar ou, como era o caso, nunca tinha estado.
Somos, por isso, pobres e mal agradecidos sempre que, podendo aproveitar essa oportunidade, a desperdiçamos sem qualquer valoração extra.
Infelizmente, foi isso que aconteceu ao BENFICA, nos últimos anos.
E nem sequer se poderá dizer que, a esse mesmo desperdício, correspondeu uma hegemonia total no nosso País.
Só aí se poderia perceber o ter abdicado de uma participação de grande nível na Liga dos Campeões para apostar em tudo ganhar cá dentro.
O problema é que não foi essa a realidade que vivemos.
Por isso, este ano não poderemos deixar de aproveitar a oportunidade de passarmos a fase de grupos da Liga dos Campeões e, depois, ir, jogo a jogo, construindo o sonho de, mais ano, menos ano, voltarmos a ver o BENFICA CAMPEÃO EUROPEU!

MALDIÇÕES À PARTE, EU ACREDITO
Sabemos, todos, das histórias contadas e recontadas, romanceadas e deturpadas de uma maldição que nunca o foi nos termos em que, hoje, a damos como certa. Mas, também aí, não basta querer, nem sonhar... para a obra nascer.
É preciso ser consequente, interiorizar que tal é possível, apesar das dificuldades e das poucas hipóteses que vamos tendo.
Porque o primeiro passo para que o BENFICA possa voltar a ser CAMPEÃO EUROPEU... é acreditar. 
Para que, com base nessa ideia, nesse objectivo, nesse fim, tudo seja construído à volta disso mesmo!
Tudo pensado em volta desse desígnio, construído em ciclos de 3 anos, para que voltemos a ser o que a geração dos nossos Pais conseguiu... porque acreditou!
Sem afastar as nossas limitações orçamentais, mas adequando uma estratégia de construção da equipa a esse fim! Sem cometer loucuras, mas potenciando os vectores que nos têm tornado especiais entre os clubes europeus!
Contando com a já famosa formação e... perdoem-me os que não o sentem... com esse adicional de alma que poderemos ter com jogadores que, antes de entenderem o BENFICA como plataforma para outros voos, verão o BENFICA como o clube certo para voar muito alto!

UMA EQUIPA, MAIS DO QUE ONZE GRANDES JOGADORES
Contava-me o meu Pai que o segredo da primeira Taça dos Campeões e, depois, da segunda, já com Eusébio, era ter um pouco de tudo.
De grandes jogadores, mas de alguns outros que não virando a cara à luta, eram exemplos dessa raça... à BENFICA!
Podiam, algumas vezes, até, chutar para onde estavam virados, mas nunca se deixavam de se virar para o lugar onde a vitória lhes sorria.
Desses exemplos, dessas vitórias, fixamos, para sempre, a grandeza que, hoje ostentamos.
Não acho, por isso, como se depreende da história recente, que só cheguem às finais os que mais pagam e os que mais gastam.
Como acho possível que voltem a ganhar os que não sendo, porventura, os melhores, provem merecer ganhar porque... o foram em circunstâncias muito especiais.
Apenas se precisa - valendo este apenas tudo o que queiram imaginar - de 6 jogos de regularidade, com uma ou outra excepção de grandes exibições, e, depois, de 9 jogos onde - se é verdade que a sorte tem de ajudar - o nosso desejo de vencer seja superior ao desejo que os outros possam ter.
E, já agora, um Treinador que não perceba só de futebol porque (como muito bem diz o Professor Manuel Sérgio)... «quem só percebe de futebol, não percebe nada de futebol»!

NINGUÉM CONCRETIZA UM SONHO SE NÃO O TIVER
, porém, um princípio anterior, válido para tudo isto. Temos - todos, todos mesmo - de voltar a sonhar que isso é possível. Sem obsessões, mas com a certeza que é isso que queremos.
Sem abdicar do presente, nem hipotecando o futuro, mas fazendo dessa meta um sonho concretizável. 
Mudando o que tem de ser mudado, para que possamos acreditar.
Eu sei que viemos de onde viemos, e estamos onde estamos.
Mas sabem, todos os que me conhecem, que sempre discordei da construção de modelos em que o objectivo da época não seja o de ganhar tudo.
Não o de atingir esta ou aquela fase de cada competição, mas, antes, procurar ganhar, ganhar sempre.
Foi assim que COSME DAMIÃO imaginou o BENFICA.
Foi assim que outros - dos mais desconhecidos aos mais famosos dos que tiveram a honra de servir o BENFICA - construíram o BENFICA.
Foi assim e será assim.
Onde a palavra ganhar - ganhar sempre, desportivamente seja o limite.
Poderei não ganhar? Claro.
Mas o primeiro passo para o não conseguir é... admitir que o não vou conseguir.
Ou, adaptando uma das partes mais famosas do discurso inaugural de John Kennedy, como Presidente dos EUA (*), «poderemos não ser CAMPEÕES EUROPEUS daqui a 100, nem, talvez, daqui a 1.000 dias, mas nunca o voltaremos a ser se não começarmos, já, a pensar nisso».
«Nada disso estará concluído nos primeiros cem dias. Nem se concluirá nos primeiros mil dias, nem durante este mandato, nem mesmo, talvez, durante a nossa vida na Terra. Mas devemos começar.»

SE EU FOSSE...
...adepto do Arouca...
Questionava-me (se é que é mesmo verdade...) porque é que a minha equipa, no último jogo, foi estagiar para S. João da Madeira e o adversário veio estagiar para Arouca... Questionava-me (se é que é mesmo verdade...) porque é que, no último jogo, a relva do meu Estádio teria sido cortada contra a vontade de alguns responsáveis... Questionava-me (se é que é mesmo verdade...) porque é que, no último jogo, um dos jogadores que estava na («ficha técnica», foi para a bancada, de forma a poder dar lugar a um protesto... Questionava-me (se é que é mesmo verdade...) porque é que, no último jogo, o autocarro parou tantas vezes entre o Hotel e o Estádio, com supostas avarias...

...Manuel Machado
Também teria dito que «se Julen Lopetegui ou Marco Silva estivessem no Benfica, com aquele plantel, também eram Campeões». Como também diria que, se o Manuel Machado estivesse a treinar uma certa equipa... com este plantel, também era candidato ao título,... embora talvez fosse à Liga dos Campeões (e não à Liga Europa)... por bem menos dinheiro."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Além dos jogos

"A iniciativa do FC Porto de consignar 1 euro de cada bilhete vendido (na primeira jornada em casa na Champions League) para apoio aos milhares de refugiados, que chegaram a esta Europa dividida e lenta, é muito meritória.
Ao que julgo saber, todos os 32 clubes, no seu primeiro jogo que recebem, terão aderido a tal gesto solidário. Platini apoiou o movimento, bem como, entusiasticamente, Karl-Heinz Rummenigge, presidente da Associação Europeia de Clubes.
Ora aqui está uma iniciativa oportuna e solidariamente inteligente, envolvendo clubes e espectadores, que assim têm um motivo acrescido para irem aos estádios e abraçar este gesto.
Os clubes que movimentam milhões, - às vezes em completa divergência com as crises e as dificuldades que afectam as pessoas, devem ter um sentido ético de responsabilidade social e cidadania empresarial, que nos permita vê-los para além dos jogos e das emoções. Por isso, cumprimento a Direcção portista pelo pioneirismo da acção.
Também o meu clube tem vindo a reforçar a sua função de inspiração solidária e formativa. A Fundação Benfica tem concretizado acções muito bem-vindas nesta área, visando «projectos de carácter social, educacional, ambiental e saúde, em particular de crianças e jovens em situação de risco, e promovendo o desporto inclusivo».
Bem sei que, em vésperas do jogo entre os dois clubes, no domingo, o que atrás referi será submerso pela emoção e discussão acesa de uma partida de futebol, num ambiente quase sempre tórrido. Mas, como português e interessado na ética desportiva, apraz-me registar o papel dos clubes para além dos resultados de cada semana."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Pastéis duros de roer...!!!

Belenenses 21 - 24 Benfica

Vitória muito difícil, numa partida onde estivemos quase sempre em desvantagem, e só no ponta final conseguimos passar para a frente... Creio que já é seguro dizer que o Belone, é claramente o nosso melhor jogador... O Figueira voltou a ser decisivo na parte final da partida com algumas defesas espectaculares, inclusive a um Livre de 7 metros, e a um remate completamente isolado aos 6 metros, após mais um erro defensivo 'impossível'!!!

Defendemos quase sempre mal, demos muito espaço ao Pivot, e voltámos a falhar muitos lances aos 6 metros, principalmente os nossos pontas que tiveram um aproveitamento muito baixo... O Uelington voltou a fazer um mau jogo!

A arbitragem também não ajudou, teve momentos surreais, erros sucessivos, praticamente sempre contra o Benfica. Livres de 7 metros a favor do Benfica, só com 'um tiro na cabeça'!!! Os de Belém a defenderem constantemente dentro da área, faltas sucessivas em remates aos 6 metros, e nada... Curiosamente, quando a 4 minutos do fim, enganaram-se a favor do Benfica - finalmente!!! -, parecia o fim do mundo no banco do Belenenses!!! Aliás com duas goleadas nas duas primeiras jornadas, tenho a certeza que a atitude do Belenenses não foi igual... o vermelho continua a fazer muita impressão!!! Perdi a conta, à quantidade de vezes que os jogadores do Benfica tiveram que ser assistidos pelo massagista... mas como é óbvio foi o Semedo a ver Vermelho directo!!!

No Sábado jogamos na Luz com o Avanca, que só perdeu por 3 em Braga!!!
Andebol: Belenenses 21-24 SL Benfica

3ª Jornada da 1ª Fase do Andebol 1Resumo: Belenenses 21-24 SL Benfica #BTV #UmaCamisolaVáriasEmoções

Posted by Sport Lisboa e Benfica - Modalidades on Quinta-feira, 17 de Setembro de 2015

Pronto para o Dragão

"O Benfica voltou a mostrar-se afinado neste teste fácil frente ao Astana. Com alguns momentos de docilidade defensiva, o que está a mostrar-se muito prometedor é o ataque. E aqui cabe um elogio à política de antecipação de problemas seguida por Vieira. A renovação atempada com Jonas e o reconhecimento financeiro da fidelidade de Gaitán já estão a dar frutos no futebol fluído destas duas pérolas. Também Mitroglou se está a afirmar como um bom finalizador. O grego já entende as movimentações dos colegas e começa a arranhar a mesma língua futebolística de Jonas. Com excelente jogo de cabeça, poder físico para esbanjar e nada tosco nos pés, Mitroglou tem tudo para deixar uma forte marca no Benfica como goleador. 
Gonçalo Guedes vai crescendo em boa agressividade, com as já conhecidas velocidade e técnica. Não devemos colocar demasiada pressão sobre este miúdo, que pode chegar longe se se mantiver humilde e trabalhador. A falta de experiência da dupla do flanco direito é compensada pela velocidade, bons recursos técnicos e pulmão inesgotável dos seus componentes. Guedes e Semedo têm futebol para se entenderem às mil maravilhas. Claro que, em jogos de topo, como o do próximo domingo, com o FC Porto, a falta de experiência pode trazer dores de cabeça a Rui Vitória. Mas, como o Benfica sempre fez na sua brilhante história, com inexplicáveis hiatos, os talentos jovens devem jogar e valorizar-se num ambiente de saudável integração com os mais experientes. O grande clássico de domingo promete!"

Mais uma visita amarga...

Aves 3 - 2 Benfica B


Um Benfica desfalcado voltou a não conseguir um bom resultado fora do Seixal. Tivemos sempre a perder, marcámos os dois golos de penalty... aparentemente dominámos no 2.º tempo, mas não conseguimos a reviravolta...

Como escrevi ontem, concordo com a utilização de jogadores da equipa B, na UEFA Youth Cup. O objectivo do Benfica não é ser Campeão da II Liga, além disso, com, ou sem, Youth Cup, o Hélder está 'obrigado' a rodar todo o plantel (assim tem acontecido nas épocas anteriores), dando minutos a todos, portanto se não fosse hoje, seria noutra qualquer jornada... Se acham mesmo fundamental a classificação da B, então existem datas disponíveis, para adiar ou antecipar estes jogos, que calham em cima de jornadas da Champions...

Uma curiosidade: o Aves fez duas penalidades (parece que foi o mesmo jogador) e chegou ao fim do jogo sem um único Amarelo!!! O apitador, chamou-se João Pinheiro de Braga...

O prazer de ver Nicolás Gaitán

"O seu nome é Nicolás Gaitán. Nico para os amigos. É argentino, é jogador do Benfica de venda apenas adiada, mas quando partir (e certamente terá de partir) será uma pena para o futebol português. Há jogadores assim. Não há fronteira nem cor de clube que se intrometa no prazer de os ver jogar. Gaitán é um deles. Em campo, tem o saber dos sábios e a magia dos grandes mágicos. Toca na bola e um simples passe curto tem uma suavidade sedutora. O seu drible torna o lance resplandecente. A sua inquietação, com a bola nos pés, tem o nervoso fascinante de um cavalo de corrida na hora da largada. Gaitán é um príncipe do futebol e torna-se quase absurdo que entre tantas e tantas vendas e compras desse mundo perturbador e perturbado do jogo da bola não esteja este argentino com perfil asteca. Há razões das gentes do futebol que a razão desconhece. Há quem, por fazer menos, valha oitenta ou até cem milhões. Gaitán espera pacientemente a sua vez. Com um profissionalismo irrepreensível. Talvez ajude saber que está na maior montra da Europa quando joga um jogo da Champions. Mas que vale a pena vê-lo, lá isso vale. É um regalo para os olhos. Um prazer raro para quem muito gosta do espectáculo de futebol.
É uma sorte para o Benfica ter Gaitán. Ontem foi, mesmo, um género de sorte grande que valeu milhão e meio de euros ao clube, porque foi o argentino quem levou a equipa às costas até àquele golo perfeito que abriu as portas que pareciam trancadas. E especialmente num dia como o de ontem, devemos todos a Gaitán que o jogo não seja um tédio ou, apenas, um bocejo."

Vítor Serpa, in A Bola

Gaitán a fazer a diferença

"Haverá muitas razões de ordem estratégica e táctica que explicarão como o Benfica deu a volta ao Astana. Mas depois há o fator Gaitán. O argentino fez toda a diferença. Foi ele quem transformou o jogo do Benfica e projectou a equipa para uma dimensão... Champions. Gaitán está em grande forma e, como ele próprio diz, sente-se bem no Benfica. Além disso, sabe que é em jogos como o de ontem, jogos de Liga de Campeões, mesmo quando o adversário dá pelo nome desconhecido de Astana, que tem oportunidade de se mostrar 'ao Mundo', Gaitán está disposto a aproveitar todas as oportunidades que tiver.
O Benfica cumpriu o essencial e arrancou com uma vitória. Os adeptos gostariam de ter visto replicado o 6-0 obtido ao Belenenses, mas apesar das limitações do Astana, a equipa de Vitória ficou aquém daquilo que se esperava. O fundamental, porém, era começar com uma vitória e sair sem queixas deste duelo. Isto é, os encarnados vão chegar ao clássico motivados por dois triunfos importantes, com a equipa inteira e mais fresca que a do rival.
O FC Porto regressa pela terceira vez a Kiev, onde nunca perdeu. É um terreno fértil para os dragões que, de resto, guardam a histórica meia-final de 1987 como recordação memorável. Hoje como no passado, é um jogo de risco e de exigência máxima. Lopetegui deverá recorrer à dupla musculada Imbula-Danilo para alimentar a rotação elevada que espera do jogo. Terá sido já a pensar nisso, que o técnico basco mexeu no sector em Arouca. É impossível que num ciclo tão exigente, um treinador pense exclusivamente, jogo a jogo. Inevitavelmente, é obrigado a pensar no próximo."

A estepe cazaque

"De volta à Liga dos Campeões. Benfica e Porto vão procurar maximizar, tão longe quanto possível, vitórias e dinheiro. O sorteio permite-lhes pensar em atingir a fase a eliminar. Numa coisa, porém, os clubes portugueses podem queixar-se de algum azar: as longas deslocações. O Porto a Israel e à Ucrânia. O Benfica a Istambul e ao longínquo Cazaquistão. Escrevo antes de o Benfica defrontar, na Luz, o clube cazaque Astana (antes chamado Locomotiv), uma novidade e um ilustre desconhecido. O Benfica vai jogar em Astana em 25 de Novembro, em relva artificial, mas em gelo natural. As temperaturas médias, por essa altura, andarão entre os -5,4º de Novembro e os -12,1º de Dezembro. A temperatura mínima registada, nos últimos anos, em Novembro atingiu - 3º! Imagino já Júlio César na baliza...
Astana, capital depois da independência, é, no meio desportivo, mais conhecida pelas suas excelentes equipas profissionais de ciclismo. Dista de Lisboa 6144 quilómetros, quase a distância a Salvador da Baía, mais 56% do que a Moscovo e mais 13% do que a Nova Iorque! De longe, o clube mais distante na Champions League. Bem mais perto está Pequim, que só fica a 3652 quilómetros.
Tudo porque o respectivo país, o Cazaquistão, antiga república soviética, foi admitido na UEFA. Comum território como o da Europa Ocidental, este país de estepes, onde, há séculos, chegou o mongol Genghis Khan, tem apenas um reduzidíssimo território na Europa a ocidente do rio Ural. Uma originalidade, a que se junta Israel (e também a Turquia que só em permilagem é europeia). É assim a geografia futebolística, que chumbaria num exame rigoroso."

Bagão Félix, in A Bola

Boicotes suspeitos em Arouca

"Local de estágio, erros na ficha de jogo e relva cortada foram alguns dos 'problemas'.

O jogo Arouca-FC Porto (1-3) continua a dar que falar. Não por aquilo que se passou nas quatro inhas, mas sim nas oras que antecederam o encontro.
Alguns responsáveis arouquenses, apurou o CM, não entendem o porquê de a equipa ter ido estagiar para São João da Madeira (ao contrário do que é habitual) quando o jogo se realizou no Municipal de Arouca (30 Km de distância). Outra questão tem a ver com os suspeitos problemas mecânicos que afectaram o autocarro que transportou o plantel até ao estádio e que atrasaram a chegada ao jogo, motivando stress na comitiva.
Houve mais: erros na ficha de jogo com a não colocação de jogadores convocados (Dabo e Vuletich) provocaram algum descontentamento entre a equipa técnica de Lito Vidigal, que também não terá gostado que a relva tivesse sido aparada, antes do jogo, contra as suas indicações.
Contactados pelo CM, Carlos Pinho, presidente do Arouca, disse apenas 'vocês tem as suas fontes, eu tenho as minhas'. A seguir, desligou o telefone."


PS: Recordo que na visita do Benfica a Arouca na época anterior, além da relva com meio-metro, despejaram 3 camiões de areia no relvado!!! Bem visível quando a bola batia no chão, e os grãos de areia saltavam!!! Os responsáveis pelo Arouca são os mesmos... Sendo que o próprio presidente do Arouca se vangloria da amizade pessoal com o Corruptor-mor...!!! Tudo normal...

Não foi fácil...

Benfica 2 - 0 Astana


Não foi bonito, mas conseguimos o mais importante: os 3 pontos. O clima de semi-euforia após a goleada ao Belenenses deixou-me algo preocupado, e as dificuldades que previ, confirmaram-se no relvado. É verdade que o adversário tem muitas limitações, mas são organizados, agressivos, e como é óbvio tinham os níveis de motivação no máximo (aparentemente no final do jogo um dos jogadores do Astana teve que ser socorrido nos balneários, pelo INEM... parece que foi um problema cardíaco!!! Não me admirava nada que a dose da amarelinha tivesse sido mal administrada!!! No antigo espaço Soviético, é prática corrente...), além disso estudaram bem o Benfica, pois conheciam perfeitamente os nossos pontos mais fortes (inclusive nas bolas paradas), e tentaram impedir que o Benfica jogasse como gosta: bola entre-linhas com o Jonas...!!! E nós até ao 1.º golo, acabámos por-lhes facilitar a vida, jogando lento, denunciado, quase sempre pelo meio, e com muitos passes errados...

Voltámos a entrar mal na 2.ª parte, mas finalmente conseguimos acelerar a bola, nas laterais, e com facilidade fizemos dois golos... Depois foi só controlar. Por acaso, temos demonstrado vários problemas, mas sempre que conseguimos uma vantagem, temos sido inteligentes na gestão das partidas...
Esta noite conseguimos vencer, fomos capazes de rectificar a má entrada no jogo, agora no final de Novembro do sintético de Astana, vamos ter muitas dificuldades, isso é garantido...
O jogador mais consistente durante a partida acabou por ser o Eliseu!!! O Nico voltou a fazer coisas que só ele sabe fazer, mas não gosto daqueles momentos em que o Nico, resolve não defender... O Jonas fez os únicos remates perigosos na 1.ª parte, mas esteve escondido, o espaço entre a linha defensiva e a linha de meio-campo do Astana era praticamente inexistente... O Mitrogolo, pareceu-me mais solto, esteve melhor fisicamente, nota-se que o entrosamento está a subir, e além disso, marcou um golo... daqueles que são fáceis, mas é preciso estar lá!!! O Luisão voltou a ter alguma hesitações perigosas, e contagiou o Jardel... O Samaris e o Talisca 'sofreram' muito com a falta de espaço para meter os passes na frente, e demoraram muito tempo a compreender que não havia espaço no 'meio' e que era nas alas, que tínhamos que insistir!!! O Nelsinho começou muito bem, mas 'agarrou-se' demasiado à bola... defensivamente, no 2.º tempo, foi ultrapassado várias vezes, sempre da mesma maneira, mas conseguiu rectificar com a velocidade... sendo que depois de ganhar a bola, não foi decidido no corte, e acabou por perder alguns duelos de forma ingénua!!! O Guedes, cumpriu tacticamente, lutou, mas com a bola nos pés é pouco esclarecido, e raramente conseguiu romper as linhas, que para o extremo-direito do Benfica é obrigatório... Eu sei que ele não tem rotinas de extremo, mas neste momento para titular do Benfica, é curto...
A vitória do Atlético em Istambul foi um bom resultado para o Benfica, vamos lutar com os Galatasaray pelo 2.º lugar, isso parece-me claro, e portanto todos os pontos perdidos pelos Turcos são bem.vindos... Não considero o próximo em Madrid decisivo, e nem a exibição frouxa me preocupa, tanto o jogo do próximo Domingo no antro da Corrupção, como o jogo no Vicente Calderon, serão jogos com contextos completamente diferentes, tanto em termos de ambiente, como tacticamente, as exigências serão outras...

UEFA Youth League - 1.ª jornada

Benfica 8 - 0 Astana


Era previsível uma goleada destas o futebol do Cazaquistão é fraco, se na equipa principal dá para 'comprar' estrangeiros para subir o nível, nos Juniores isso é mais difícil...
Gostei da decisão de chamar a este jogo, os nossos Juniores que fazem parte da equipa B (e ainda faltaram alguns!!!). O ano passado esta gestão não foi inteligente, pessoalmente acho que a UEFA Youth League, e mesmo a Fase Final do Nacional são bastante competitivas, e portanto devem jogar os melhores...

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Os parafusos e os aperto

"Ninguém antecipou melhor o benefício da pausa para as selecções do que Jardel quando disse que tinha sido "importantíssima para apertar os parafusos". Como se viu na exibição magistral contra o Belenenses, a questão não era apenas apertar os parafusos e recuperar algum tempo perdido na pré-temporada, a solução passava também por estabilizar os parafusos, isto é, a base da equipa titular.
Com Jardel, o Benfica ganha capacidade na organização defensiva, enquanto o brasileiro compensa as quebras de velocidade dos seus parceiros defensivos; Talisca, mesmo que a posição 8 não seja o seu lugar natural acrescenta verticalidade ao jogo e, de todas as jovens soluções testadas à direita, Gonçalo Guedes é aquele que já passou a fase de projecto de jogador e se aproxima mais de um jogador de corpo inteiro.
Já os apertos tiveram outro efeito. Ao contrário dos jogos anteriores, desta feita viu-se uma ideia de jogo clara, com muita circulação de bola, uma equipa mais de posse do que no passado e um jogo interior muito dinâmico. Acima de tudo, o Benfica revelou uma agressividade defensiva que não se havia visto até agora. Mesmo a vencer desde os primeiros minutos, a equipa cometeu 23 faltas, das quais 16 na primeira parte, enquanto o Belenenses, derrotado copiosamente, cometeu apenas 18. Uma equipa cujo jogo assenta em trocas de bola constantes tem de ser também agressiva na recuperação. Só isso permite que os solistas exibam toda a sua genialidade: o que, aliás, explica as exibições superlativas de Gaitán e Jonas."

Zona de conforto

"O caso dramático de José Tiago, jogador português de 24 anos vítima de mais um atropelo de um clube cipriota, o Ermis FC, e um agente grego, George Eleftheroudis, exige ação. Quanto mais exposição gera o futebol sobretudo a nível financeiro, mais interesse suscita. Muitas das pessoas que se interessam não têm quaisquer escrúpulos, não se importam de arriscar e ultrapassar as normas legais, regulamentares e de conduta para fazer um negócio. Há boas práticas, mas são cada vez mais os jogadores enganados e abandonados. A nós preocupa-nos, em particular, os mais jovens, mais frágeis, que o nosso país enjeita, obrigando-os a sair da 'zona de conforto'.
Há um sentimento de impunidade e irresponsabilidade em muitos dirigentes e empresários que acham que vale tudo porque quem deveria dar garantias, nomeadamente o Estado, demitiu-se das suas responsabilidades. E apesar da FIFA, FIFPro, UEFA e EPFL, no plano internacional, e a FPF e LPFP, no plano nacional aprovarem regulamentos e implementarem circulares, os jogadores não estão protegidos. Não há vontade, fiscalização, nem sanções para os prevaricadores. Algumas pessoas representam vários interesses (de federações, clubes, treinadores, jogadores, agentes) e quando têm de tomar posição estão comprometidas.
Este episódio aconteceu no Chipre, mas repete-se todos os dias, na Roménia, na Grécia, na Rússia ou em Portugal. Desculpem a expressão mas é preciso denunciar estes abutres. É disso que estamos a falar, de bandidos e grupos organizados que não respeitam direitos fundamentais. Os jogadores têm de ser mais ativos e esclarecidos. Devem saber quem são as pessoas que os abordam, se são idóneas e conhecidas no meio, se o clube tem ou teve problemas e receber previamente as condições contratuais por escrito. Quem vai para o estrangeiro deve assegurar condições financeiras para a sua estadia. No momento de assinar deve exigir que o contrato seja feito numa língua que entenda e deve SEMPRE ficar com uma cópia do mesmo e dos documentos que assina. Não deve NUNCA entregar a alguém os seus documentos de identificação pessoal, CC ou passaporte. Podemos continuar a assistir 'de cadeira' a estas histórias de desespero ou podemos agir. O desporto é de todos e para todos. É nosso dever protegê-lo."

Na cauda da Europa

"1. Em termos de organização, regulamentação e credibilidade, o futebol português está na idade da pedra. Para o demonstrar não é necessário recorrer a nenhum arsenal de fundamentos e argumentos. Basta dizer que está entregue a um homem só, cujo arbítrio faz o bom e o mau tempo e, ainda por cima, não é escrutinado por ninguém. Esse homem chama-se Vítor Pereira e há oito longos anos (?) é o designador dos árbitros que, por sua vez, escudados no aforismo errare humanum est, frequentemente condicionam os resultados dos jogos. Uma permanência assim tão demorada é caso único na Europa! Os clubes bem contestam esta inusitada e perversa singularidade, mas para o presidente da FPF isto não passa de futilidades. Em Itália, que sempre teve os melhores árbitros da Europa, nenhum responsável pelas nomeações permanece mais de dois anos na função, a fim de não se acomodar ao lugar nem cair no desleixo e na criação de anticorpos.
Mas há mais. A Série A está a ser pioneira em inovações na área da arbitragem que até já mereceram o aplauso da UEFA: as balizas estão agora dotadas do chamado olho de falcão, concebido para impedir os golos fantasmas.
Por outro lado, as equipas poderão colocar nos seus jogadores, à altura da omoplata, uma espécie de pequeno Gps destinado a recolher dados sobre a velocidade, a distância percorrida, o ritmo cardíaco, o consumo, de energia e não só. Registos estes sumamente úteis para personalizar as cargas de treino, estudar o melhor aproveitamento do jogador, avaliar eventuais quedas de rendimento do 1.º para o 2.º tempo e assim por diante.
2. Rolando, finalmente, libertou-se do jugo do FC Porto, mas não foi para o Inter, como tanto queria, seduzido por promessas que lhe foram feitas enquanto lá esteve por empréstimo, desde que se libertasse a custo zero. Acabou no Marselha, resgatado por dois insignificantes milhões de euros. Acontece que, mesmo assim, apesar do baixo valor nenhum clube transalpino se chegou à frente."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Eusébio «da fruta» à caça da Pantera Negra...

"Em dois dos mais emblemáticos confrontos com o Atlético de Madrid, Eusébio marcou quatro golos. Exibições esfuziantes de categoria 'encarnada' no Vicente Calderón (1967) e em Badajoz (1969) ficaram para a história do Clube escritas a letras de prata lavrada.

Voltemos ao Atlético de Madrid, aos «rapazes dos colchões».
Há histórias suficientes de jogos contra o Benfica para encherem uma boa dúzia de páginas de jornal, mas era o que faltava estar aqui e maçar-vos com exageros, fiquemo-nos por mais esta que completa a da semana passada e deixemos restante prosa para tempos que aí venham.
Ficámos, no último número deste seu semanário, em Caracas, Venezuela, e na Pequena Taça do Mundo conquistada precisamente pelo Benfica frente ao Atlético de Madrid.
Alinhou, se bem se recordam, nesses dois jogos (0-3 e 2-0) um defesa madrileno de nome Griffa. Jorge Bernardo Griffa: nascido no dia 7 de Maio de 1935, em Casilda, Santa Fé, Argentina, foi uma das grandes figuras do Atlético de Madrid, mantendo-se dez anos ao serviço do clube, vencendo taças, campeonatos e uma Taça das Taças e só deixando em 2011 de ser o estrangeiro com mais jogos de camisola às risquinhas vestida.
No dia 1 de Novembro de 1967, o Atlético de Madrid promove um jogo em homenagem a tão distinta figura.
Convidado? O Benfica!
Manzanares assistiu a uma enchente quase total. Ninguém quis perder a festa.
Havia, de um lado e do outro, muita gente a repetir os confrontos de Julho de 1965.
ATLÉTICO DE MADRID - Madinabeytia; Colo, Griffa, Calleja e Glaria; Jayo e Cardona; Luís, Mendonça, Peiró e Collar.
BENFICA - José Henrique; Cavém, Raul, Jacinto e Cruz; Jaime Graça e Coluna; José Augusto, Torres, Eusébio e Amaro Vieira.
Foi um Benfica com pressa. E um Eusébio mais apressado ainda. Não terá sido por acaso que, no ano antes, no Mundial de Inglaterra, os jornais lhe chamaram «A Man in a Hurry».
Aos cinco minutos faz o primeiro golo num pontapé fulminante; aos dez minutos tirou uma fotocópia do primeiro.
Lentos, os madrilenos limitavam-se a ver jogar os portugueses. O povo aplaudia de pé os lances desenhados pelo Benfica. Só à beirinha do final é que Luis tornou o resultado mais simpático.
Griffa saía em ombros.
O Benfica fazia a vénia aos estrepitosos aplausos. Era grande o seu prestígio pelo Mundo.

Eusébio, o caçador...
Passaram-se entretanto dois anos sobre esse dia 1 de Novembro.
Eis-nos no Verão. E ainda em Espanha. Mais precisamente em Badajoz, com Elvas à vista, para a disputa da terceira edição do Troféu Ibérico, ou Torneio de Badajoz.
A ideia que presidia à competição era a de pôr em confronto equipas espanholas e portugueses. Nas duas edições anteriores, vitórias lusitanas de Vitória de Setúbal e Sporting.
Chegara a vez do Benfica.
Cabia-lhe em sorte a Real Sociedad no primeiro jogo; no outro, o Vitória de Setúbal defrontava o Atlético de Madrid.
Cá estamos nós de volta à dita vaca fria.
Vitória 'encarnada' sobre os bascos por 1-0.
Vitória dos colchoneros sobre os setubalenses por 2-0.
Final marcada para o Estádio El Vivero.
Eusébio queixava-se de uma lesão que o obrigara a sair a meio do jogo frente à Real Sociedad.
Mas fui à luta. E luta a sério!
«Foi um dos jogos em que apanhei mais pancada», diria no fim. «Não esperava uma coisa destas».
Pois. E quem mais caçou as pernas de Eusébio foi... Eusébio. O outro. O do Atlético.
Eusébio Bejarano Vilaro, seis anos mais novo do que o autêntico Eusébio. Natural de Badajoz, estava em casa. E distribuía fruta a seu bel-prazer nas canelas do seu homónimo.
Eu escrevi luta, mas devia ter escrito guerra.
Os espanhóis usaram todos os meios, lícitos e ilícitos. Elementos da Guarda Civil colaram-se ao banco do Benfica e provocaram desentendimentos com o treinador Otto Glória e alguns dos dirigentes e suplentes. O jogo foi longamente interrompido. Os protestos de Toni valeram-lhe a expulsão.

E ainda não estavam decorridos 20 minutos!
Nessa altura, o resultado estava em 1-1. Um golo fantástico de Eusébio, de livre directo, e um chapéu de Garate a José Henrique.

Setenta minutos para jogar e o Benfica com dez.
«Eram só dez. Mas quando se esperava que o Atlético de Madrid redobrasse os seus ataques e aumentasse a sua pressão, o que se viu foi o Benfica fazer uma sorte de prestidigitador - 'nada nesta mão, nada naquela' - e dar uma tal volta naquilo tudo que pareciam ser mais os de encarnados».
Este é o testemunho de Mário Zambujal, jornalista ímpar que não perdeu pitada com os seus próprios olhos.
E concluiu: «Cremos ter sido a melhor actuação do Benfica nesta sua tão agitada época. E foi, sem dúvida, uma exibição perfeitamente ao nível dos seus famosos jogos, em épocas anteriores. (...) A segunda parte foi toda ela um 'show' benfiquista».
O resultado? Ah! Claro! Não nos esquecemos desse «pormaior»: 4-1!
Vejamos:
ATLÉTICO MADRID - Zubizarrain; Mariano (Melo), Jayo, Iglesias e Calleja; Eusébio e Irurarte (Benegar); Ufarte, Adelardo, Garate e Hermández.
BENFICA - Zé Henrique; Malta da Silva, Humberto, Zeca e Adolfo; Toni e Coluna; Jaime Graça, Torres, Eusébio e Simões.
Golos de Eusébio - 4 e 44 minutos; Garate - 18; Jaime Graça - 68; Simões - 88.
Uma sumptuosa peça de prata lavrada era erguida por Mário Coluna no final.
Nada a dizer contra uma vitória alicerçada no brio e no saber de uma equipa experiente como poucas.
«Aqueles que têm dito e escrito que eu e toda a equipa do Benfica estávamos acabados, deviam ter assistido ao jogo de hoje», espicaçava Eusébio. Eusébio português, o bom, não o outro, sarrafeiro, claro está.

No calor abafado de Badajoz levantava-se uma brisa de orgulho."


Afonso de Melo, in O Benfica

Franco Cervi

Um bocado 'fora de época', o Benfica oficializou a contratação do Argentino Franco Cervi, ao Rosário Central. O facto de ter a mesma proveniência do Di Maria, é sempre um bom sinal!!! Apesar de ter mais parecenças com o Gaitán...
Médio ofensivo criativo, jovem, baixinho, rápido, habilidoso, canhoto, no Benfica terá que ser um extremo...  o Nico também não era extremo no Boca. O potencial é evidente, vamos ver como é que se vai processar a adaptação em Janeiro...

Normalmente, o Benfica esperaria por Janeiro para fazer a apresentação oficial na Luz, mas devido às 'estranhas' movimentações do mercado, creio que o Benfica não quis arriscar um 'desvio'!!!

É curioso, como a (des)comunicação social desportiva, está a vender a ideia que o Benfica desviou o Cervi do Sporting. Passando por cima do facto do Benfica ter mostrado interesse no jogador muito antes do Sporting... e tal como aconteceu com quase todas as recentes contratações do Sporting, a prospecção Lagarta, baseou-se exclusivamente nas informações que o Judas levou do Benfica para o Sporting... e se com alguns o Benfica não quis entrar em leilão, neste caso, e devido ao potencial envolvido, não hesitámos, e contratámos o jogador.

Um Festival de Luz e Ritmo

"O Benfica quis ir além da actividade desportiva e transformou o Estádio da Luz numa sala de espectáculos notável.

Os anos 80 foram os anos do rock, e Portugal não foi excepção. No Verão de 1988, o Benfica decidiu tirar partido do seu parque desportivo para realizar, pela primeira vez, um Festival de música: o Festival Rock Benfica 88. Com o apoio da Sociedade Portuguesa de Espectáculos, esperava-se um Festival memorável.
Contudo, muitos não partilhavam o entusiasmo, incluindo alguma imprensa especializada que ia dando como certo o fiasco, ponto em causa a participação de Bryan Adams no Festival. Mas a presença do cantor já estava confirmada, tendo feito a sua primeira aparição um mês antes do evento, na apresentação oficial do Festival, dando um pequeno concerto para cerca de 1500 pessoas.
Os críticos apontavam também para uma provável falta de adesão do público. Para contrariar essa tendência, a organização apelou à presença dos benfiquistas em massa e criou a campanha 'Um atleta um bilhete', que possibilitava a ida dos atletas mais jovens do Clube ao Festival. Cada sócio que não tencionasse ir teria a oportunidade de contribuir para o seu sucesso, comprando um bilhete que, por indicação expressa, seria oferecido a um atleta.
Críticas à parte, a 8 de Julho houve espectáculo! Mesmo com tempo de praia, '(...) muita gente jovem, tal como se esperava, aderiu a esta iniciativa participando e vivendo o espectáculo à sua maneira. Quer no palco improvisado no relvado, quer (...) nas bancadas do terceiro anel, os jovens emprestaram o seu corpo aos mais de 90 mil watts de som que se misturaram com cerca de um milhão de watts-luz. Um espectáculo dentro do próprio espectáculo'.
O primeiro grande momento foi a entrada da banda UHF, que apresentou algumas canções do seu álbum Noites Negras de Azul. Seguiu-se Bonnie Tyler, que fez vibrar os milhares de espectadores com a sua voz rouca e provocante. Subiram também ao palco os grupos The Saxon e Special Affair, mas o que todos queriam mesmo era Bryan Adams. O músico canadiano cantou e encantou com os seus sucessos musicais e, a fechar, ainda houve tempo para um dueto com Bonnie. A multidão delirou! Terminou assim uma noite única que os participantes nunca iriam esquecer.
Na área 16. Outros voos do Museu Benfica - Cosme Damião, encontram-se mais ligações entre o Clube e a Música."

Débora Cardoso, in O Benfica

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Lixívia 4

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.............9 (-3) = 12
Corruptos..........10 (0) = 10
Sporting............10 (0) = 10

Uma daquelas jornadas estranhamente calmas, na Luz levámos com o irritante Bruno Paixão, que apitou vezes demais, mas sem erros graves... os jogadores também ajudaram.
Os Corruptos em Arouca normalmente não precisam de empurrões, a atitude da equipa da casa é sempre hospitaleira... algumas dúvidas em lances de fora-de-jogo para os dois lados, mas foram sempre bem decididos. O Capela mostrou muitos amarelos, mas sempre com o critério justo, algo que os Corruptos não estão habituados, e assim compreende-se alguns protestos!!!
Os Chorões em Vila do Conde, também com um visitado hospitaleiro, lá beneficiaram de mais um penalty (4.º em quatro jornadas, boa média!!!), após uma paragem cerebral do Wakaso!!!

Temos Clássico na próxima jornada, provavelmente vamos levar outra vez com o Jorge Sousa...!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada

Épocas anteriores:

Prologo...

Assim se pacifica o futebol português

"Numa semana onde os grandes ganharam, não houve contestação a Bruno Paixão, João Capela e Hugo Miguel. Nem a Vítor Pereira...


Jornada com vitórias dos grandes, mais sofrida a do Sporting, dentro da normalidade a do FC Porto e com nota artística, a do Benfica. Ou seja, como os grandes ganharam não houve nem contestação nem polémica e ninguém falou de Bruno Paixão, João Capela ou Hugo Miguel, muito menos se ouviram os tambores da campanha histérica contra Vítor Pereira. E será bom, desde já, que as vozes mudas, sub-reptícias e anónimas que fazem campanha pela fragilização do presidente da Comissão de Arbitragem sejam desmascaradas. Haverá eleições daqui a um ano para os vários órgãos da FPF e as movimentações já se fazem sentir, umas mais recomendáveis que outras, mas todas com o mesmo sentido: prioridade é abater Vítor Pereira; e, de caminho, se for possível derrubar Fernando Gomes (e será que alguém se preocupa com o facto de estarmos perante alguém que está a realizar um percurso de excelência, dentro e fora de portas?), melhor ainda.

Feita esta nota, tendo em vista a volatilidade da polémica relativa à arbitragem, conjuntural, maioritariamente rasteira e inevitavelmente oportunista, devemos abrir espaço para a semana europeia que amanhã abre portas com o Benfica-Astana. Portugal precisa de pontos UEFA, os desafios do futuro próximo são exigentes e há que lutar com todas as forças para manter os 2+1 na Champions de que actualmente dispomos. Na ronda desta semana, é evidente que o Benfica é favorito (pena é que não tivesse alterado a ordem dos jogos porque actuar em Astana a 25 de Novembro é um congelador anunciado) e o FC Porto vai ter em Kiev a primeira prova de fogo da temporada. Ali se saberá, perante um adversário que tem subido de produção nos últimos dois anos, qual o estado de prontidão da equipa de Lopetegui. Na Liga Europa há um duelo de qualidade em Alvalade entre Sporting e Lokomotiv de Moscovo (curiosidade, José Couceiro já treinou as duas equipas), o SC Braga, ferido pela escorregadela no Estoril vai à República Checa a casa do Liberec, justificar uma candidatura à passagem à fase seguinte da prova e o Belenenses, convalescente da goleada na Luz (Ventura, deixa lá, eu sofri lá oito e o enorme Jorge Martins levou com sete nas Antas...) irá jogar sem nada a perder em Poznan (bonita cidade e excelente estádio). Aos cinco magníficos pedem-se pontos UEFA!.

Aqui se coloca a questão do tempo e do espaço...
«A Académica fez hoje, de longe, o melhor jogo da época. Fomos uma equipa personalizada e forte na organização ofensiva.»
José Viterbo, treinador da Académica
Ao fim de quatro jogos a Académica ainda não pontuou, marcou um golo e sofreu dez. José Viterbo, herói da recuperação na temporada passada, mesmo assim, consegue encontrar razões de esperança no futuro. Precisa de tempo e de espaço para provar a sua tese. E aqui nasce o problema: até que ponto o que mostrou ser capaz de fazer no passado influencia o (seu) futuro?

(...)
Um fim de semana da 'bella Itália'
Uma final do US Open entre as italianas Flavia Pennetta e Roberta Vinci (vitória de Pennetta, fantástico ponto final numa carreira de prestígio) e um triunfo de Aru na Vuelta, marcaram um fim de semana de sonho do desporto italiano, que tem ainda a 'squadra azzura' no Europeu de de basquetebol...

CR5
Longa a seca de Cristiano Ronaldo e ainda na última edição da 'Quinta da Bola', na Bola TV, tive a oportunidade de manifestar a minha preocupação pela alergia do prodígio madeirense ao fundo das redes contrárias. Seria uma questão física? Haveria algum problema psicológico? Ou Madrid já não seduzia CR7? Boas perguntas, todas e cada uma delas respondidas em Barcelona pelo 'sete' merengue. Cinco golos ao Espanhol acabaram com a crise, o 'ketchup' não queria sair do frasco mas acabou a inundar o prato. Com cantavam os Supertramp, 'crisis what crisis'?"

José Manuel Delgado, in A Bola

O melhor evento

"Já por diversas vezes neste espaço de opinião tenho defendido uma maior proximidade entre o Desporto e o Turismo. Entendo esta ligação como estratégica, para um país que cresce de forma sustentada como destino turístico e tem no desporto um factor de agregação e orgulho.
Estive em Albufeira na grande festa anual do Turismo organizada pela Publituris, onde foram entregues os Portugal Travel Awards 2015. Apesar da tutela actual do turismo ligar pouco ao desporto, foi muito interessante perceber que os agentes do sector escolheram a final da Liga dos Campeões como Melhor Evento do Ano realizado em Portugal.
A Liga dos Campeões em Lisboa no ano do centenário da FPF foi um extraordinário sucesso e uma das maiores organizações desportivas e económicas que o país teve oportunidade de receber na sua história recente. As receitas directas e indirectas - quer em receitas de turismo, na arrecadação de impostos, quer na projecção de Lisboa e Portugal como destino turístico de excelência - foram, em eventos de curta duração, praticamente inigualáveis. Foi ainda o evento desportivo mais visto no mundo em 2014, transmitido para mais de 200 países, com uma audiência global estimada em cerca de 165 milhões de pessoas, envolvendo 380 milhões de telespectadores, além da pacífica invasão espanhola. São números impressionantes e fazem alguma justiça em relação à dimensão do evento e do seu retorno económico, bem como o impacto no turismo.
A FPF deu enorme contributo às contas públicas e ao desenvolvimento de um destino turístico de qualidade e excelência. Este reconhecimento dos profissionais do turismo não tem comparação com a indiferença da tutela do sector que nem apareceu na festa no Algarve."

Hermínio Loureiro, in A Bola

PS: Seria assim tão difícil, referir que a Final da Liga dos Campeões em Lisboa, decorreu no Estádio da Luz?!

“Quando saiu no jornal que o Benfica me queria, pensei que era mentira. Sou o Maradona agora, queres ver?”

"A época do melhor jogador do mundo de futsal não poderia ter começado - lá está - melhor: bisou na conquista da Supertaça espanhola pelo Inter Movistar, já depois de ter completado 30 anos, idade que o atormenta. Nascido e criado Ricardo Filipe da Silva Braga num bairro social no Porto onde aprendeu a jogar até com laranjas, passou a Ricardinho quando começou a brilhar no futsal, no Benfica e lhe disseram que ia ser “o melhor desta merda toda”. Jogou no Japão e na Rússia, mas é em Madrid, onde foi campeão na época passada, que se sente melhor

- A Bola TV comprou os direitos da Liga espanhola de futsal. É por tua causa?
- Acho que é uma das causas, claro [risos]. É muito bom para mim e acho que para todos os portugueses também porque podem acompanhar a melhor liga do mundo todas as semanas.

- Vens a Portugal muitas vezes?
- Este ano vai ser mais complicado, porque vamos ter muitas competições, a nível de clube e de seleção, porque temos o Europeu e o apuramento para o Mundial. No ano passado, como jogava à sexta-feira, ia quase todos os fins de semana a casa. Mas este ano acho que vai ser o contrário, infelizmente.

- Gostas de viver em Madrid?
- Gosto muito. Aliás, já não me vejo a fazer vida fora de Espanha. Acho que é a primeira vez que sinto isto. Já vivi no Japão e na Rússia mas aqui sinto-me em casa, fui muito bem recebido. A verdade é que já tenho aqui muitos amigos e passo as minhas folgas cá, a conhecer Madrid. Quando tenho mais tempo vou a casa ver os meus filhos, mas quando não é possível falamos todos os dias pelo Skype. Ajuda a parecer que estou mais próximo.

- E o teu castelhano, que tal?
- Está muito melhor. Eles dizem que estou no top 5 dos estrangeiros que passaram pelo clube [risos]. Adaptei-me rapidamente. Já no Japão também, estudei japonês durante três meses e foi muito difícil, mas já dava para ir sair e pedir qualquer coisa. Claro que agora em Espanha é mais fácil, o idioma é parecido. Também sou uma pessoa que gosta muito de aprender e não tenho vergonha nenhuma de falar e ser corrigido, por isso facilitou. No início gozavam um bocado, "no entiendo nada" [risos], porque nós usávamos o tal portunhol, mas agora já não.

- E cumprem religiosamente a sesta?
- Fazem mesmo e eu já apanhei esse problema [risos]. É incrível, porque antes gozava com eles. Íamos para estágios e quando acabávamos de almoçar eles queriam ir dormir e eu ficava acordado as duas ou três horas que tínhamos de descanso, porque não estava habituado, mas eles com uma facilidade enorme adormeciam e eu ficava sem saber o que fazer. Mas com o tempo... até o café com leite já tomo, já não tomo o café português, portanto é tudo uma questão de hábito.

- Estiveste em Lisboa há pouco a jogar contra o Benfica e o Sporting, na Masters Cup, e marcaste seis golos. Foi perfeito?
- Perfeito era ter jogado com a camisola do Benfica [risos]. Custou-me imenso marcar ao Benfica, acho que foram os únicos golos que não festejei... Até no bairro festejava sempre.

- Como é que tens essa ligação ao Benfica se antes eras do FC Porto?
- É verdade, é uma coisa rara, porque costumamos dizer que não se muda de clube, ainda por cima de um rival para o outro, não é? Mas é simples. Nunca fui fanático, desde que tive aquele problema com o futebol, que foi jogar até aos 13 anos e depois no FC Porto dizerem-me que era pequeno demais. Quando fui para o Benfica, com 16 anos, comecei a criar uma ligação. Cresci ali como atleta e pessoa e fui criando raízes, criou-se dentro da mim a mística do que era o Benfica. Estive dez anos e meio lá por isso acho que foi normal isso acontecer, comecei a ver jogos em futebol, andebol, basquete, hóquei em patins... Criei amigos e o Benfica ficou dentro de mim.

- Essa nega que te deram por supostamente seres demasiado pequeno achas que também acontecia hoje? O Messi é o que é e tem 1,69m.
- Tenho amigos no futebol e já trocámos muitas conversas sobre este tema, e a verdade é que também tem muito a ver com o treinador que apanhas. Lembro-me que jogava no Cerco do Porto e num jogo contra o Salgueiros ganhámos 4-1 e marquei os quatro golos. E estava lá um treinador do FC Porto, era o Frasco, que me convidou para ir jogar para lá. No ano seguinte fui, mas o treinador já não era ele, era outro, que gostava de jogadores fortes e altos, tinha uma ideia diferente da formação. Para mim foi uma desilusão, se calhar para ele agora também. Foi um sonho perdido.
- Onde começaste a jogar?
- O meu pai é do Cerco e a minha mãe de Fânzeres, e eles juntaram-se e foram viver para Fânzeres. E eu comecei a jogar lá, num largo no meio da rua que tinha uns bancos onde os velhotes descansavam, e usávamos a parte de baixo a fazer de balizas. Ficávamos horas a jogar, futebol ou futsal ou lá o que era aquilo. Aí não interessava nem peso nem tamanho nem nada. Depois fomos viver para Gondomar, devia ter uns 8 anos. Aquilo era um bairro social, mas para nós era como um condomínio fechado de grandes condições, porque tinha um ringue [risos]. Íamos para lá todos os dias. Até no dia do baptizado de um primo fui para lá e rebentei os sapatos todos. A minha mãe queria-me matar. Era um miúdo reguila que só queria jogar à bola e não havia horários para isso.

- Então aprendeste a fintar na rua, no ringue, de ténis, de sapatos...
- O meu pai trabalhava no mercado abastecedor do Porto e trazia muita fruta para casa. Eu pegava nas laranjas e nas maçãs para jogar, porque não havia dinheiro para bolas, infelizmente. Começava a fazer truques em casa e levava muita porradinha dos meus pais, porque a fruta não era para estragar [risos]. Mas aquilo para mim era uma coisa redonda e dava para brincar. Ainda este fim de semana estive em Gondomar e estavam laranjas em cima da mesa. E o meu pai disse: “Se fosse há uns anos, já estavam as laranjas todas no chão.” Começaram-me a vir as lágrimas aos olhos. O tempo passa, e hoje em dia os miúdos não valorizam nada disso, só querem computadores e não sei que mais. Até com meias e fita-cola eu jogava. Claro que na minha altura não havia YouTube para ver fintas, mas ia vendo o que os mais velhos faziam, porque jogava sempre com rapazes de 24, 25 anos, tinha eu 14 e 15, e aprendi à força com eles. Claro que quando começava com brincadeiras eles não achavam muita piada [risos].

- Como era a vida no bairro?
- Nunca tive problemas. Mas somos três irmãos, e o mais velho está preso, há sete anos. Porque no bairro há de tudo e és tu que tens de escolher o teu caminho. Mas, atenção, não tenho vergonha nenhuma, o meu irmão continua a ser um exemplo para mim. Isto para te explicar que sempre fui muito feliz no bairro. Não tinha sapatilhas, o vizinho do 2º esquerdo trazia-me umas sapatilhas; se tinha as meias rotas, o senhor do lado dava-me umas meias... Hoje, acho que a maioria das pessoas nem conhece os vizinhos. Eu conhecia todos e ainda agora vou lá e sou para eles como um ídolo, mas chego lá e sou igual para todos. Vou ao mesmo café, tenho os mesmos amigos, falo com os mesmos senhores mais ou menos velhos, vejo os pequeninos que já cresceram...Aliás, há pessoas que trabalham comigo agora, nas minhas redes sociais, e o meu motorista, que são do meu bairro.

- Quando eras miúdo, o que é que querias ser?
- Sempre quis ser jogador. Também me alimentavam isso, porque desde pequeno chamavam-me Maradona, e eu nem sabia quem era. Tive de perguntar ao meu pai.

- Não havia YouTube...
- Nem computador, quanto mais [risos]. O meu pai explicou-me quem ele era, e pensei que era uma responsabilidade enorme. Para mim, girava tudo à volta da bola. Na escola chamavam os meus pais porque eu estava sempre a jogar e depois chegava às aulas todo suado e mal conseguia escrever, a pingar os cadernos. Diziam aos meus pais para me chamarem a atenção, mas para não me proibirem de jogar, porque podia ter futuro.

- Lembras-te dos primeiros trocos que ganhaste?
- Lembro-me perfeitamente da história toda, se quiseres que te conte. Ainda é longa.

- Conta.
- Treinava no Miramar, nos juvenis, juniores e seniores.

- Como é que é?
- Tinha 15 anos e treinava, das 20h às 24h, com os juvenis, os juniores e os seniores. E quem me levava a casa era o André Lima [ex-jogador e treinador do Benfica], no seu Opel Corsa cinzento, lembro-me perfeitamente [risos]. Com os juvenis jogava só jogos mais difíceis, porque normalmente jogava nos juniores e os seniores para mim eram uma espécie de prémio, estar só a treinar com eles era muito bom. E então o que é que aconteceu: há um Miramar-Freixieiro, numa quinta-feira, em que o André Lima é expulso, o Israel é expulso e um guarda-redes é expulso.E nós tínhamos jogo a seguir, sábado, contra o Famalicense. Na sexta-feira, o treinador disse-me que eu estava convocado para o jogo dos seniores e eu fiquei logo todo a suar. Já nem consegui dormir nessa noite. Acho que já dormi com a mochila às costas, para não me esquecer [risos] Combinei com um colega para me ir buscar à rotunda do Freixo, que eram 35 minutos a pé desde a minha casa. Fui a correr o caminho todo, porque estava com medo de me atrasar, mas cheguei lá uma hora antes [risos]. Quando chegámos ao campo, eu todo suado e eles a gozar: “Já estiveste a jogar, Ricardo?” Nunca pensei que fosse entrar, porque eram oito seniores e eu, pensava que estava ali para fazer número. Até que começamos a perder e eu penso logo para mim "agora é que não jogo mesmo". Mas o treinador de repente diz: "Ricardo, anda". Só que na altura havia um outro jogador que se chamava Ricardo, por isso quando ouvi o nome, não me mexi, pensava que era para aquele rapaz. E ele volta a chamar e os outros começam a empurrar-me: "anda lá". E eu pensei "estamos a perder e eu vou lá para dentro fazer o quê?" Entrei... Olha, o Maradona marcou com a ‘mão de Deus’ e eu acho que foi Deus que me deu a mão para marcar três golos. Ganhámos 4-1, mas o treinador tirou-me antes de o jogo acabar, porque disse que eu estava mais branco do que a parede [risos]. Isto para chegarmos então ao que perguntaste: no final, o presidente deu-me um cheque. “Isto é um prémio pelo teu jogo.” Agora imagina, eu nunca tinha tido dinheiro na minha vida - infelizmente a minha mãe, coitadinha, só me dava o que podia para eu levar para a escola, que era uma moeda grande, cinzenta, de 50 escudos - e ele dá-me um papel, o que para mim não era nada. Guardei aquilo e quando cheguei a casa dei à minha mãe, disse-lhe que não sabia bem o que era. E ela pega no cheque e começa a chorar: "Ó filho, isto é dinheiro. São 250 euros." Fiquei muito orgulhoso por poder ajudar os meus pais.

- Pouco depois ligaram-te do Benfica. Acreditaste logo?
- Achas? Aquilo até saiu primeiro no jornal: “Benfica quer Ricardinho”. Comecei-me a rir-me, claro. Sou o Maradona agora, queres ver? Pensei que era mentira. Passados três ou quatro dias, ligaram para os meus pais. Quer dizer para o meu pai, que ele é que tinha telemóvel. E quando ele me diz aquilo comecei logo a chorar, nem sabia se era felicidade ou medo de falar com eles. Os meus pais na altura faziam-me uma coisa muito boa: diziam que eu é que tinha de decidir o que queria, não tomavam decisões por mim. O meu pai dizia: "Se um dia bateres com a cabeça na parede, é por tua culpa, não é por minha. Mas eu vou estar aqui para te ajudar". Quando o Benfica me ligou, eu já ganhava 750 euros, lembro-me perfeitamente, e o engenheiro Luís Moreira ofereceu-me 1900 euros. Aquilo era um câmbio impressionante, como dizem os espanhóis. Na altura a minha mãe não trabalhava e o meu pai acho que ganhava uns 500 euros. Eu, ingénuo, perguntei se aquele dinheiro fazia muita falta à família, e eles disseram que sim. E eu disse que ia, apesar de querer ficar com os meus amigos, na minha cidade e no meu bairro. Já ganhava 750 euros, por isso para mim já estava rico [risos]. Por incrível que pareça, nos primeiros dois anos no Benfica, eu ficava com 50 euros, o resto mandava tudo para os meus pais, para ajudar. Ficava com aqueles 50 euritos e ia ao Porto de vez em quando, de boleia com o André Lima ou o Arnaldo, ainda por cima eles não me deixavam pagar nada, porque eu era o menino deles. Mesmo assim houve uma altura complicada, antes de ir para o Benfica, porque o Freixieiro apareceu-me em casa com uma mala com cinco mil euros. É algo que não se deve fazer, mas pronto, já se fez. Para um miúdo do bairro ver cinco mil euros à frente dele... Mas a minha mãe rejeitou, disse que éramos pobres mas éramos humildes e tínhamos palavra, já tínhamos dito que ia para o Benfica. E fui.

- Como é que te safaste sozinho em Lisboa, com 16 anos?
- Só queria voltar para o Porto. Há coisas do caraças, porque agora sou um viajante, adoro viajar, mas naquela altura não. Lembro-me de que no dia em que me fui embora estava o bairro todo à porta de minha casa, tudo a chorar, porque para eles Lisboa era a 50 horas dali. Parecia que ia para o Japão ou o caraças [risos]. "Ai nunca mais te vamos ver, o nosso menino" e estava eu a duas ou três horas de comboio, não é? No Benfica ainda tinha de aprender e jogava pouco. O mister Alípio Matos perguntou-me se estava triste, e eu disse-lhe que me queria ir embora, porque jogava pouco. Ele respondeu: “Aguenta, miúdo, porque vais ser o melhor desta merda toda” [risos].

- Vivias com quem?
- Vivia em Caneças, no cu de Judas, numa casa do engenheiro Luís Moreira, com o André Lima e com o Arnaldo, o que para mim foi uma salvação, ensinaram-me muito. Ajudaram-me a fazer com que os meus 50 euros parecessem cinco mil euros [risos]. Até parece mal contar isto, mas passei a ir pela primeira vez ao shopping, aquilo para mim era um espanto e eles riam-se de mim, porque eu olhava para tudo, não estava habituado.

- Cozinhavas?
- Não, não, nós tínhamos um patrocínio na altura de uns restaurantes em Caneças e em Loures e íamos lá. Ainda hoje não sei cozinhar [risos].

- E com as miúdas, davas-te bem?
- Por acaso acho que sempre me dei bastante bem [risos]. Porque a minha maneira de ser, assim brincalhão, sempre me safei muito bem. Em Lisboa ainda me custou um bocado ao início, porque com aquele sotaque era mais difícil [risos]. Também fui aprendendo com os mestres André e Arnaldo [risos]. Aliás, a minha mulher - infelizmente hoje em dia estamos a pensar separar-nos - é de Lisboa.

- Quando estavas no Benfica também houve aquela história de ires experimentar o futebol 11, mas depois não se concretizou.
- Infelizmente. Abriu-se uma porta e veio um camião e pôs-se à frente, é o que eu costumo dizer. Entendo que as pessoas que estão nos jornais queiram dar as notícias antes do outros, mas quando isso saiu no jornal, antes do tempo, o Benfica fez marcha atrás, até porque era um ano em que não ganhou nada e estar a arriscar pôr um jogador de futsal no futebol se calhar os adeptos não iam achar muita piada. A ideia era fazer tudo em sigilo mas infelizmente não foi possível. Mas isso fez-me ganhar ainda mais força para continuar a mostrar o meu valor no futsal e chegar a este patamar.

- Falavas há pouco nos 50 euros com que ficavas. Não houve alguma coisa que quisesses mesmo comprar com o primeiro dinheiro?
- Quando comecei a ganhar aqueles 750 euros dava tudo aos meus pais. Mas um dia disse à minha mãe: "No dia em que já não precisares tanto do dinheiro, podes dar-me 500 euros?" E ela muito surpreendida: "Ai filho, para que é que queres tanto dinheiro?" Na altura tinham saído uns telemóveis topo de gama e eu queria comprar um, porque já tinha um amigo lá na escola que felizmente tinha uma vida melhor do que a minha e tinha um. E passados uns tempos, a minha mãe deu-me o dinheiro e foi a primeira coisa a sério que eu comprei, mais para mostrar aos amigos do que para mim até [risos]. A segunda coisa que quis comprar, logo depois de tirar a carta de condução, foi um carro, claro. Foi um Audi A3 cinza. Ainda dormir algumas noites dentro do carro [risos]. Qualquer coisa que acontecesse dizia "vou ali". "Ali onde?", "ali", desde que andasse um bocado de carro [risos].

- Foste para o Japão pelos 30 mil euros por mês?
- Ainda foi mais um bocado [risos]. Já em 2009, quando ganhava 10 mil euros no Benfica - o que em Portugal já era demasiado forte para um jogador de futsal, como algumas pessoas dizem, porque só os de futebol é que merecem esses valores -, queriam que fosse, mas não me quiseram pagar tanto. No ano seguinte, perguntaram-me o que queria, e eu estava com a minha mulher a mandar o e-mail e dizia: carro, viagens, internet, fogão... sei lá, tudo o que me lembrei. Disse-lhe para ela se preparar, porque ela é cantora e as músicas dela já andavam a passar nas novelas, mas se eles dissessem que sim tínhamos de ir. Achávamos que não iam aceitar, mas a conversa nem sequer durou cinco minutos, porque chegou logo o e-mail a aceitar. Ficámos com cara de parvos. Até tivemos de casar à pressa pelo registo para irmos os dois. Não me arrependo de nada, foi uma aventura fantástica, trataram-me muito bem. O único senão eram os terramotos e a distância para Portugal. Perdi mais de 30 internacionalizações com isso, porque eram 22 horas de viagem e era muito desgastante, por isso só vinha para a seleção nos jogos mais a sério.

- E em Espanha ganhas menos?
- Agora está quase ela por ela. Quando vim, no ano passado, ganhava menos 30%, porque tive de me vir mostrar aos espanhóis, eles são muito desconfiados. “És bom em Portugal e no Japão, mas quero ver em Espanha.” Então fizemos um contrato que era revisto de três em três meses, dependendo da minha prestação. Felizmente, já estou com o valor semelhante ao do Japão. E estou muito bem aqui.

- Fizeste quinta-feira 30 anos...
- Acabaste comigo agora. Isso é o pior assunto de todos [risos]. As pessoas dizem que estou sempre a sorrir, mas já tinha dito que quando chegasse aos 30 ia ficar triste. Começam a pesar as pernas e as costas e tudo mais. Se Deus quiser e me proteger das lesões, espero jogar a alto nível, a fazer a diferença, até aos 35 ou 36 anos.

- Como é sentires-te o melhor do mundo - já por duas vezes?
- O que acho é que ser o melhor do mundo é um momento. Porque tu fazes uma temporada fantástica, marcas muitos golos, a tua equipa ganha títulos e é mais fácil seres nomeado melhor do mundo. Mas aconteceu-me isso no Japão e aí não me deram nada. "No Japão até eu", devem ter dito. Foi preciso vir para a melhor liga do mundo, contra os que são supostamente melhores do mundo, para mostrar, até parece que as pessoas só olham para a liga espanhola. Sinto que, mais importante do que ganhar qualquer título, ganhei o respeito dos treinadores contrários, dos adversários, do treinador, dos companheiros... Um português ser recebido em qualquer estádio aqui e ser aplaudido e parado durante uma ou duas horas para fotografias e autógrafos, isso sim é um grande troféu. Por isso é que digo que estou a passar o meu melhor momento. Estou na melhor equipa do mundo para jogar futsal e na melhor liga. Infelizmente não tem os melhores adeptos, porque esses são os do Benfica [risos] mas sou muito bem tratado e espero seguir aqui muitos anos.

- Os teus filhos jogam?
- O meu filho, Lisandro, tem 7 anos, é canhoto e joga futsal. Mas diz que gosta mais de jogar futebol do que futsal porque tem medo do barulho dos pavilhões [risos]. Infelizmente nunca tive oportunidade de ver um jogo dele, porque ele joga ao sábado e eu raramente tenho sábados livres, mas claro que já joguei com ele e já vi que tem um pé esquerdo bem vincado. Mas eu não sou muito aquele pai de dizer "aqui temos o próximo Cristiano Ronaldo ou Maradona" [risos]. Quanto à minha filha, posso dizer-te que adoro futsal feminino, vejo muito e falo com a Mélissa Antunes, com a Rita Martins e com jogadoras espanholas e brasileiras, mas Deus queira que a minha filha vá por outros caminhos.

- Porquê?
- Porque acho que o futsal feminino está muito discriminado, muito subvalorizado. Portanto o que vejo, é verdade que já há mais aposta, mas elas sofrem muito para terem o valor reconhecido e preferia não ver a minha filha a passar por essas dificuldades, claro. É só por isso, porque eu adoro futsal feminino, acompanho muito e vou ver a Supertaça feminina aqui de Espanha, por exemplo. Mas é uma luta quase sem fim.

- Um dia destes disseste que ias escrever um livro no qual ias falar de temas polémicos. A que te referes?
- Ui, está quase pronto e vou contar muita coisa que as pessoas não vão gostar de ouvir. As pessoas de quem vou falar, quero eu dizer. Mas acho que está na hora.

- Como por exemplo...
- Não, não posso contar ainda. Posso dizer que o livro vai falar da minha história, dos bastidores da história. O que aconteceu no Mundial, o que aconteceu quando o Ricardinho voltou ao Benfica seis meses e foi expulso dois ou três jogos seguidos, o problema que houve nessa altura no balneário... Agora é que as pessoas vão saber. Sairá brevemente."