Últimas indefectivações

sábado, 27 de janeiro de 2018

Vitória no Ribatejo

Benavente 18 - 45 Benfica
(9-23)

Não houve 'Taça' em Benavente, a equipa mais forte ganhou bem, com segurança e tranquilidade...

Líderes...

Sp. Tomar 2 - 5 Benfica

Começamos a sofrer um golo de penalty nos primeiros segundos do jogo (a existir falta seria sempre fora da área...), mas acabámos por dar a volta antes do intervalo...
No 2.º tempo após uma agressão que o Miguel Rocha sofreu, transformada em falta contra o Benfica, a equipa desconcentrou-se, e acabámos por sofrer um golo (2-3), deixando o jogo em aberto...
Só nos últimos 3 minutos, atingimos a tranquilidade...

Vitória, com um percalço !!!

Benfica 3 - 1 A. Espinho
25-14, 25-15, 22-25, 25-16

O objectivo era de 'poupar' jogadores para a eliminatória Europeia, mas o 3.º Set acabou por ser demasiado mau... especialmente as acções do Mrdak que acabou por contaminar o resto da equipa! O Sérvio começou a época dando maus sinais; depois fez alguns jogos onde parecia estar a melhorar; mas o rendimento voltou a 'cair' a pique... Sem o Gaspar, a equipa perde muita qualidade...

O novo substitui o velho? Sim, talvez, mas calma aí...

"Ainda que entradote na idade e, por isso mesmo, já esfumada aquela verve que lhe foi tão preciosa nas batalhas contra o Terreiro do Paço, deu-nos o presidente do FC Porto esta semana – a semana em que pelo décimo ano consecutivo se conseguiu "ver livre" de mais uma Taça da Liga – prova cabal de que em matéria de bom senso e de agilidade mental nada tem a temer no confronto directo com o seu anunciado sucessor Francisco José Marques. O funcionário em questão será, em função das circunstâncias, um bom director de comunicação do FC Porto mas, realmente, tem de contratar com urgência um director de comunicação para si próprio se quiser avançar para a presidência.
É que este Francisco, sendo umas boas décadas mais jovem do que o presidente do FC Porto, saiu-se esta semana com uma frase de índole autopromocional – "no futebol português tem de haver um Chico esperto" – que, certamente, nem como slogan lhe renderá proveitos. Porque se é para ser "esperto" que se candidata, com franqueza, apenas "esperto" é, enfim, coisa pouca.
Esperto a valer foi o ainda Pinto da Costa quando a imprensa – ávida de sururus e nostálgica daquelas tiradas "com a ironia do costume" (tão século XX!) – quis saber a sua opinião sobre o modo e, sobretudo, os modos com que o presidente do Sporting celebrou na tribuna VIP de Braga a grande penalidade convertida por Bryan Ruiz que colocaria a sua equipa na final da Taça da Liga. Ao contrário de qualquer Chico esperto intelectualmente capaz de dedicar a semana que antecede a visita do Benfica ao Restelo a insultar de alto-a-baixo "Os Belenenses", o presidente do FC Porto sabe dar importância às urgências do momento e sabe dar valor à utilidade prática de um parceiro institucional por mais idiota que se apresente aos olhos vesgos de escrutinadores parciais.
Frustrando os intentos sensacionalistas dos jornalistas, e mantendo com firmeza o rumo da estratégia traçada, disse Pinto da Costa não estar ali "para dar lições" a ninguém. Isto, sim, é de estadista consciente da sua obra, do seu currículo, do seu legado. No dia – que venha longe! – em que o presidente do FC Porto quiser e puder "dar lições", aí sim, vamos ter o caldo entornado.
Na semana passada, como estarão recordados, nasceram e morreram milhões de especialistas instantâneos em estruturas de betão e esta semana, para variar, foi a vez de milhões de especialistas instantâneos em leitura labial surgirem do nada e para nada. O Tiquinho já pediu desculpa ao treinador que de tão traumatizado que ficou nem conseguiu ver os penáltis. O Coentrão não pede desculpa a ninguém porque, segundo explicou, é "um homem" e não "uma máquina". Mas está equivocado. É uma máquina. Se fosse um ser humano tinha sido expulso em Setúbal e em Braga. Agora, francamente, expulsar uma máquina…"

Mais esclarecimentos...

Benfiquismo (DCCXXX)

Simão...

Uma Semana do Melhor... S. João !!!

Jogo Limpo... Lenga-lenga !!!

Mais longe do título e mais tristes

"Não é verdade que haja sempre um 'Manel' capaz de substituir um lesionado. Só Jonas é mais difícil de substituir do que Krovinovic.

A vitória sobre o Desportivo de Chaves teve sabor amargo. Mesmo depois de uma boa exibição e um de resultado inequívoco, na cabeça dos benfiquistas só havia espaço para lesão de Krovinovic. Fez magia no passe do primeiro golo para Jonas, rouba a bola e lança a jogada do segundo golo de Jonas, esteve sempre bem e em todo o lado e até depois de lesionado esteve soberbo a marcar encontro com os colegas no Marquês de Pombal. Com o resultado decidido, numa bola sem nenhum perigo, uma lesão de gravidade afasta um dos co-autores da reviravolta exibicional do Benfica esta temporada. Ganhámos ao Chaves e ficámos mais longe do título e mais tristes. Não é verdade que haja sempre um Manel capaz de substituir um lesionado com esta classe e influência, embora seja missão dos treinadores fazer crer que sim. Neste Benfica só Jonas seria mais difícil de substituir do que Krovinovic e todos os benfiquistas sabem isso. No meu exercício de treinador de bancada, diria que era Pizzi quem melhor faria o lugar de Krovinovic, mas, ainda assim, ficaria a faltar alguém para fazer de Pizzi. É contigo Rui Vitória, resolve-nos lá mais esta! O lema terá que ser mais uma dificuldade, mais uma superação. Vai ser preciso ainda mais alma, querer, competência e ambição para superar esta dificuldade.
Na próxima segunda-feira contra o Belenenses, estão em jogo três pontos, um modelo de jogo e a aspiração ao 37.º título por parte do Benfica. De repente ficou de enorme importância a deslocação a Belém, não para ver a aspiração Benfica nascer mas para ver a ambição Benfica renascer. Diga-se que, ali mesmo, ao lado da Farmácia Franco seria o local ideal para fazer algo de especial. Esperamos ter um Benfica no Restelo capaz de dobrar as tormentas e muito apoiado pelos adeptos que nunca faltam e nunca fraquejam.
Na passada quarta-feira jogou-se em Braga uma meia-final de uma das mais importantes e prestigiadas competições. Um presidente aos saltos na tribuna presidencial, um treinador que não consegue ver a marcação dos penalties e abandona o relvado rumo ao balneário só acontece nas disputas das mais importantes provas. Parabéns ao vencedor da presente edição da Taça da Liga. Destas taças que muitos almejam pela primeira vez a sua conquista, temos cá sete no Cosme Damião."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória na Madeira

CAB Madeira 72 - 76 Benfica
21-20, 20-14, 13-18, 18-24

Jogo complicado, contra um adversário difícil, que quando tem todos os jogadores disponíveis, é uma das equipas mais fortes da Liga...

Continuaremos na luta

"É opinião generalizada (e acertada, do meu ponto de vista) de que houve um Benfica pré e outro, para muito melhor, pós-Krovinovic. Mas se me parece indiscutível que o jovem croata se revelou uma peça fundamental na melhoria substancial da produção futebolística da nossa equipa, já me parece abusivo considerar-se que tal se deveu unicamente à sua enorme capacidade técnica e táctica. A alteração de sistema foi fundamental, face ao rendimento titubeante de Pizzi e às dificuldades de Jonas, na primeira metade desta época, para ser, simultaneamente, o principal concretizador e criador das manobras ofensivas. Pizzi passou a jogar apoiado no meio-campo, o que o libertou de algumas responsabilidades ofensivas e, sobretudo, reduziu-lhe o espaço que lhe cabe nas tarefas defensivas. Jonas, por seu turno, ganhou liberdade de movimentos e, curiosamente, por jogar sem um jogador mais fixo ao seu lado, tem beneficiado de mais espaço na área contrária. Krovinovic revelou-se o apoio ideal a Pizzi e demonstrou a importância de dar seguimento a todas as jogadas, não só pela intencionalidade ofensiva, mas também por raramente perder e posse de bola, evitando assim desequilíbrios defensivos. A mudança de sistema beneficiou também os extremos e laterais pois passaram a rarear as situações de inferioridade numérica junto às linhas. Porém, entretanto, a equipa, como um todo, subiu de forma, reencontrou-se com o seu objectivo principal, o penta, pois é notório que os níveis anímicos estão mais elevados. Neste momento, é bastante mais fácil para João Carvalho ou Zivkovic (acredito que seria uma boa opção) assumirem as despesas que têm estado a cargo de Krovinovic do que teria sido há uns meses..."

João Tomaz, in O Benfica

Rainhas do Drama

"Primeiro era porque o SL Benfica tinha vendido jogadores importantes e esta época não ia render nada. E ganhámos a Supertaça. Depois foi porque a equipa estava cansada e os outros é que eram espectaculares. E esqueceram-se de que somos Tetracampeões.
A seguir, vieram as eliminações das taças internas e das provas europeias e os adversários saltaram de contentes porque o Glorioso estava afastado de tudo. Antes do jogo com eterno terceiro classificado do campeonato português, vieram as acusações de que o Benfica não tinha fio de jogo, nem treinador com capacidade para dar a volta ao atraso na classificação do campeonato. E veio um baile da bola. E mais três seguidos: Moreirense, Braga e Chaves. Notas artísticas, elogios públicos, tudo sem espinhas, como dizem os comentadores que interessam: nós, o povo. Agora é a lesão de Krovinovic. E lá vem a esquizofrenia colectiva dizer que, a um ponto do segundo e a dois do primeiro, estamos arrumados. Mas será que dá para paragem com a histeria? A história - recente e antiga - do Sport Lisboa e Benfica é da superação. Já ficou mais do que provado que os nomes pouco interessam, porque há sempre alguém que surge a substituir e a marcar a diferença. Sim, o miúdo Krovinovic é craque e tem feito um excelente trabalho no meio-campo da equipa. E então? A única coisa que podemos fazer é dar-lhe força e ajudar a cumprir o seu desejo de nos encontrarmos no Marquês. Temos banco, temos vontade, temos mentalidade, temos tudo para chegar ao Penta. Deixem-se de dramas e de invenções, por favor. Mais respeito pelo plantel.
E um abraço Krovinovic, põe-te bom depressa porque fazes falta ao futebol e ao clube. Tu e todos os outros que vestem a nossa camisola."

Ricardo Santos, in O Benfica

Um artista maior que os outros

"O que têm em comum Beethoven, Bach, Mozart, Vivaldi, Schubert e Chopin? A resposta é fácil: todos eles pertencem ao leque de mais talentosos compositores de todos os tempos. E para além disso, o que têm estes músicos em comum? A resposta é ainda mais fácil: nenhum deles foi capaz de conceber uma única melodia mais apaixonante e suave do que Jonas.
Aquilo que Jonas faz a cada fim de semana é humilhar estes pobres rapazes da música clássica. A 9.ª sinfonia de Beethoven não passa de um 'Chupa, Teresa' ao lado do golo de Jonas ao Chaves. Harmonia não é misturar drama e ternura numa partitura. Harmonia é ganhar espaço à entrada da área com uma subtil simulação e pontapear um objecto esférico contra um conjunto de redes protegidas por um privilegiado que assiste de bem perto a tamanha astúcia. Uma das singularidades da Língua Portuguesa é a sua riqueza flexível. A variedade e elasticidade de palavras que nos permitem dizer exactamente o mesmo da mais variada forma. Ainda assim - e apesar de ter percorrido dez vezes o dicionário à procura de resposta - não há uma palavra capaz de descrever Jonas. Uma! Mas o que é isto? Os cientistas da Linguística andam a dormir? Há quem se envergonhe de ser português devido à falta de transparência política. Eu tenho vergonha de ser português porque ainda ninguém inventou uma palavra que faça juz à genialidade de Jonas.
Deus é injusto. O que fez Krovinovic para merecer esta lesão? Se foi pelo egoísmo de não deixar os adversários tocaram na bola e passá-la só aos amiguinhos, eu assumo aqui publicamente que já cometi atrocidades bem piores. Senhor Deus, teria sido mais justo castigar os ligamentos do meu joelho. Eu preferia."

Pedro Soares, in O Benfica

9x9=81

"Há casos em que os números falam por si. Não porque imperam hoje na comunicação, mas porque se trata de pessoas, de vidas concretas que a solidariedade benfiquista tocou. Estes números contam uma história: a pequena história da Fundação dentro da grande história do Benfica imenso.
No primeiro nove contam-se os anos do nascimento, da ideia do Presidente, da criação pelos pioneiros, dos primeiros passos dados e da construção do sonho até ao ponto, de crescimento, em que hoje nos encontramos. Pelo meio fica a experiência extraordinária de desbravar os primeiros caminhos, identificar objectivos, chamar parceiros, experimentar projectos, corrigi-los e fazê-los ganhar escala. 'Para ti Se não faltares!', 'KidFun - Educação para Valores', 'Benfica Faz Bem', 'Desporto Adaptado', 'Walking Football', não eram mais que ideias numa folha branca e são hoje parte da vida de tantos e tantos portugueses...
No segundo nove contam-se os lugares do Universo Benfica a que a Fundação já conseguiu chegar, cumprindo Portugal à maneira de Pessoa, fazendo da nossa Língua a nossa Pátria e ligando, pelo sonho e pela identidade, latitudes e hemisférios de Lisboa à Gorongosa, do Haiti a São Tomé e Príncipe.
No produto deste trabalho, 81, contam-se as vidas, de corpo e alma, que são a nossa razão de existir.
Das crianças e jovens aos mais idosos, das cidades aos campos, das paixões clubísticas ao cultivo da tolerância entre os diferentes, das famílias às instituições, do Exercito aos estabelecimentos prisionais, o Benfica está onde tem de estar e deu a honra desse trabalho à Fundação.
Obrigado, Benfiquistas!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Ti Si Prvak

"Tudo estava a correr bem. O Benfica ganhava folgadamente, e aproximava-se dos rivais na classificação. Parecia encontrada a equipa-tipo, onde um jovem croata, ao fim de uma parca dezena de jogos, se tornara peça-chave, e símbolo da recuperação competitiva dos encarnados. Krovinovic chegara aos 89 minutos desta partida como um dos melhores em campo. Talvez o melhor, não fossem os dois golos de Jonas. Com um pulmão inesgotável na recuperação de bolas em zonas adiantadas, com uma precisão de passe ao nível da perfeição, com uma leitura de jogo digna de craque, o jogador contratado ao Rio Ave era uma das grandes revelações da temporada. Um médio de grande classe, como o Estádio da Luz sabe apreciar.
Pudéssemos voltar atrás no tempo, e ter-lhe-íamos gritado para que deixasse aquela estúpida bola sair. O jogo estava ganho, e disputava-se a meio-campo. Mas Krovi tem o sangue dos campeões, e não dá um lance por perdido, mesmo quando tem de desafiar as leis da física.
O joelho cedeu. A temporada acabou para ele. O sonho de estar no Mundial esfumou-se. O futebol, como a vida, traz-nos obstáculos, por vezes cruéis, dos quais temos de saber reerguer-nos. Aos 22 anos, Krovinovic está a tempo de ganhar muitos títulos, de fazer uma grande carreira, como a sua qualidade futebolística impõe.
E a equipa vai certamente encontrar soluções. Em 2013-14 ficámos sem Salvio. Em 2014-15 ficámos sem Fejsa. Em 2015-16 ficámos sem Luisão. E em 2016-17 estivemos meia temporada sem Jonas. Do azar fizemos forças, e tudo acabou em festa.
Agora vai ser igual: estaremos no Marquês com Krovinovic, e por Krovinovic."

Luís Fialho, in O Benfica

O Atletismo

"Semana após semana, continuam as conquistas do Sport Lisboa e Benfica. Depois do Futsal, seguiu-se o Atletismo. No passado fim-de-semana, em Pombal, as nossas equipas masculina e feminina de Juniores escreveram mais duas páginas brilhantes. Superiormente orientados pela professora Ana Oliveira, mais de meia centena de jovens talentos conquistaram o Campeonato Nacional em Pista Coberta. A equipa masculina alcançou o 8.º título consecutivo. Quanto à nossa equipa feminina, fez o tricampeonato O que mais impressiona nestes resultados é a política do Sport Lisboa e Benfica. Tal como acontece em todo o Clube, a aposta na formação continua a ser uma das principais bandeiras. Quem vê os atletas do Glorioso em pista sente orgulho na forma como representam o nosso emblema e, sobretudo, o espírito colectivo. A professora Ana Oliveira e toda a estrutura que lidera são os principais responsáveis por esta forma de estar.  Sublinho que alguns atletas se têm sacrificado nestas competições, apesar de não estarem a 100 por cento. Como se trata de provas em que todos os pontos contam, alguns dos nossos atletas são verdadeiros exemplos de dedicação, determinação e espírito de sacrifício. A forma categórica como as nossas equipas bateram o eterno rival Sporting diz tudo acerca da qualidade dos nossos talentos. Destaque especial para três recordes nacionais. Manuel Dias, no Heptatlo, é um nome a reter. Tal como devemos pôr os olhos em dois quartetos - Delvis Santos, David Reis, João Geadas e João Coelho; e ainda Gisela Cruz, Delphine Nkansa, Érica Grangeia e Patrícia Rodrigues. Estes oito talentos bateram os recordes nacionais nas estafetas 4x200 metros."

Pedro Guerra, in O Benfica

Mais pernas. E mais cabeça

"Durante milhares de anos, a competição desportiva era essencialmente interpretada apenas a partir dos aspectos positivos mais simples, subjacentes à prática física: a manutenção e salvaguarda das capacidades físicas do indivíduo, o ânimo próprio que leva à superação individual, a concorrência directa com o outro, o esforço conjugado no seio das equipas para o vitória colectiva sobre opositores e, por fim, o reconhecimento e glorificação pública dos vencedores, com a inevitável projecção da imagem do campeão sobre o ego do espectador passivo.
Todavia, nos tempos modernos, a formidável pressão mediática potenciada pelas transmissões directas da rádio e da televisão não só desenvolveu exponencialmente o interesse e o consumo dos públicos relativamente aos eventos desportivos, como lhes carreou colossais investimentos publicitários, tendo provocado o dramático sobredimensionamento daquele último factor - o da glorificação - no paradigma em que as sociedades definem agora todo o processo desportivo.
Do saudável exercício físico-somático inicial, em que o Homem fundamentalmente desfruía de si próprio e da Natureza, aos restritos campos de jogos fechados em parques e pavilhões baptizados por regras, e às competições universais organizadas e aos seus grandes eventos mediáticos, decorreram séculos e séculos. Mas bastaram apenas quatro ou cinco décadas para que chegássemos onde hoje estamos, podendo dizer-se, sem erro, que toda a epifenomenologia envolvente do Desporto parece muito mais influente do que o esforço e o exercício primordiais do Atleta. Os conflitos em torno do Desporto que agora vivemos nas bancadas e nos sofás (e nos corredores da Justiça...) até aparentam ser mais determinantes e são, certamente, muito mais escandalosos do que os desafios em campo. Mas, na verdade, não vale a pena iludirem-se os ingénuos e os corrécios, porque, nos registos finais, não é assim que fica escrito: como dantes, como sempre, só ganha, mesmo quem tiver mais pernas. E mais cabeça.

PS: Quero deixar aqui um grande abraço solidário ao jovem Filip Krovinovic: sê forte e não desesperes, porque, felizmente, estás no Benfica e, aqui, todos juntos, sabemos esperar por ti!"

José Nuno Martins, in O Benfica

Em primeira pessoa...!!

Direito à opinião

"Ainda bem que temos direito à diferença de opiniões. A análise a um jogo de futebol pode ter várias abordagens, nem sempre temos acesso a toda a informação mas podemos sempre comentar o que vemos dentro das quatro linhas. Só que uns olham para o jogo e não vêem o mesmo que outros. É perfeitamente normal, as nossas vivências e experiência são diferentes. A emoção com que se aborda o jogo, o desconhecimento de muitas das variáveis e o bom senso, ou falta dele, são três factores determinantes para muitas falhas evidenciadas por quem critica os intervenientes no jogo. As questões técnicas, tácticas e físicas têm uma abordagem diferente das psicológicas. Nas primeiras, as opiniões, são normalmente mais peremptórias, a certeza de que o problema é técnico, táctico ou físico ganha certezas que não acontecem quando se abordam os problemas de ordem psicológica. Estes são entendidos, muitas vezes, como desculpas para o insucesso. Poucos são os que entendem que estas condicionam todas as outras. Há muitos exemplos, mas teimam em não lhes dar a devida importância.
Por outro lado as questões fisiológicas, fundamentalmente as relacionadas com a recuperação entre jogos, têm hoje uma importância decisiva no rendimento das equipas. As viagens e as condições em que as mesmas se fazem, e a habituação a um ritmo competitivo mais intenso, são, por exemplo, dois factores que influenciam essa mesma recuperação. As condições estruturais marcam uma diferença fundamental entre os competidores de uma mesma prova. A exigência é cada vez maior, e quem não acompanha este desenvolvimento fica irremediavelmente para trás. Há uns anos falava-se de treino invisível, uma excelente forma de referir a importância das condições em que se processa a recuperação entre treinos e jogos. Claro que a maioria só comenta os jogos, sem perceber o que de facto é invisível."

José Couceiro, in A Bola

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

A arbitragem e o espectáculo

"O jogo das meias-finais da Taça da Liga entre Sporting e FC Porto não foi um grande espectáculo, pese embora o empenho que as duas equipas colocaram na contenda. Para o cinzentismo da partida muito contribuiu a estratégia de apitar a tudo seguida pelo árbitro Nuno Almeida, que fez com que fossem assinaladas 53 faltas ao longo dos 90 minutos, um número que não se vê em partidas de alto nível. Enquanto que, por exemplo, na pedreira de Braga o jogo entre leões e dragões foi interrompido, em média, a cada 1m 42s, em Londres, à mesma hora, onde se defrontaram Arsenal e Chelsea, a média para cada falta foi de 3m 06s; e no estádio Louis II, onde o Mónaco recebeu o Lyon, as interrupções verificaram-se a cada 3m 45s.
Apesar de estar auxiliado por uma vastíssima equipa de assistentes (dois nas linhas laterais, dois nas linhas de fundo, dois no VAR, 4.º árbitro e olho de falcão), Nuno Almeida optou por uma estratégia conservadora, que muito prejudicou o andamento do jogo. O árbitro defendeu-se mas não defendeu o espectáculo, ao contrário do que são as tendências da arbitragem ao mais alto nível, e isso deve ser motivo de reflexão, numa discussão que vá para além da clubite disparatada.
Em relação ao VAR, sem perder de vista que estamos no ano zero, seria pedagógico que fossem dadas explicações públicas por parte do Conselho de Arbitragem em relação aos lances de penalty pedido sobre Bas Dost e de golo anulado a Tiquinho Soares.
O sucesso do VAR será tão mais rápido quanto melhor e de forma mais transparente se perceberem os fundamentos das decisões tomadas.
Boas ou más..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: A estratégia foi de marcar tudo, mas o Coentrão e o Marega, não foram expulsos!!!

Muitos ficheiros, várias novidades

"As últimas horas, futebolisticamente, e colateralmente, falando, têm sido pródigas em múltiplas notícias, e novidades. Uma delas, no meu entender, a merecer forte penalização por parte dos agentes da Lei, uma vez que acho repugnante a divulgação de exames clínicos - sejam eles quais forem -, do mais comum dos cidadãos a um qualquer futebolista. Exames que podem dar espaço a todo o tipo de análises, por vezes até de forma simplista por parte de quem não estará habilitado para o fazer. E independentemente da triagem que poderá ser feita sobre esses muitíssimos diagonósticos - que até pode prefigurar o uso de substâncias proibidas - e de eventuais punições, a ideia que deve ressaltar é a de que se vivem dias de devassa permanente e tudo serve como arma de arremesso. Daí a pergunta: ainda se vai a tempo de travar esta invasão do nosso recato?
No que diz respeito a novidades, a Taça da Liga provou que ninguém escapa ao vírus que invadiu negativamente o VAR - nem Soares Dias… -, com o Sporting a voltar à final nove épocas depois; Jorge Jesus estará presente na sua sexta decisão; o Vitória sadino regressa ao palco maior depois da estreia em 2007/08, precisamente com os leões; ainda não foi desta que o FC Porto leva para o museu o troféu. Que BdC viu consagrada pelo MP a sua luta contra os vouchers, que João Mário está a caminho do West Ham (?) e que o Real Madrid está muito perto de ver ruir o seu castelo. Vá lá que no meio disto tudo CR7 parece disponível para regressar a Portugal. Segundo Miguel Paixão…"


PS: A sério, o BdC viu consagrada a sua luta contra os vouchers?!!!! Se o ridículo matasse!!!!

Alvorada... do Horácio

O Estoril - FC Porto

"1 - Por que foi adiado jogo entre Estoril e FC Porto e qual o procedimento a seguir?
O jogo foi interrompido e adiado por verificação de "causa fortuita ou de força maior" e, nestes casos, nos termos do Regulamento de Competições da Liga Portugal, o jogo deveria completar-se no mesmo estádio e dentro das 30 horas seguintes. Essa regra comporta excepções, sendo uma delas a impossibilidade de realizar o jogo sem colocar em causa a segurança dos agentes desportivos ou espectadores - algo que o Estoril assumiu publicamente após reunião e recomendação das forças de segurança. Nos casos de excepção e tratando-se de um jogo da segunda volta, há que realizá-lo no decurso da mesma semana ou, caso um dos clubes jogue outro jogo de competições oficiais (da Liga, UEFA, FIFA ou Selecção Nacional) na mesma semana (o FC Porto jogou na sexta para a Liga), dentro das 2 semanas seguintes (as de 22/1-28/1 e de 29/1-4/2). Em todo o caso, a marcação de nova data para o jogo adiado deve, salvo acordo escrito entre os clubes, respeitar um intervalo entre os jogos de 72 horas. Tendo em conta o calendário do FC Porto, só seria possível respeitar este intervalo e agendar o jogo dentro das 2 semanas se o clube perdesse a meia-final da Taça CTT, algo que a Liga não poderia antever, pelo que se deu uma situação de inaplicabilidade do Regulamento.

2 - Como decidir?
A Liga decidiu marcar para 21.02, talvez para proteger o Porto de desgaste antes dos jogos da Liga dos Campeões (não censuro) e expôs-se ao fogo da guerrilha que vive o futebol português. Na minha opinião, nesta situação de inaplicabilidade do Regulamento impunha-se uma interpretação analógica e fiel à sua ratio, que protegeria a Liga e levaria à marcação do jogo entre os jogos Porto-Braga (04.02.18) e Chaves-Porto (11.02.18) - isto é, para o dia mais próximo possível, com respeito pelo intervalo das 72 horas."

Infelizmente, o Sporting continua a dar cama e comida ao filho irrequieto, insolente e irremediável - o presidente (...)

"Comecemos pelo mais importante. Do ponto de vista de um benfiquista, a ausência desta prova traduz-se fundamentalmente em menos dois jogos sem Krovinovic em campo. Adiante.
Senti uma certa estranheza por ontem não ver a minha equipa em campo. Pareceu-me pouco natural, como se a festa da Taça da Liga fosse menos legítima sem o Benfica. E é. Gosta de fazer pouco quem não conquistou o troféu, mas a Taça da Liga é, por questões de natureza histórica, a competição do Benfica. E é bom que assim seja. É esse o compromisso simbólico a que uma instituição como o Benfica se vê obrigada: o de tornar toda e qualquer competição uma coisa quase caricatural, de tão previsível que é o seu vencedor. É por isso que o penta não chega.
Precisamos de um hexa, de um hepta e assim por diante, até os dirigentes, treinadores, jogadores e adeptos das equipas adversárias serem vergados a admitir, pelo menos no seu íntimo, que a prioridade para a época seguinte passou a ser a Taça de Portugal, e assim por diante, até que a prioridade seja conseguir apertar os atacadores, eventualmente apresentar onze indivíduos em campo.
E, mesmo chegado esse dia, a missão do Benfica manter-se-á tão válida como até então: dizimar os sonhos e as ambições dos demais intervenientes nesta caldeirada a que chamamos futebol português. Portanto, compreendam que tenha assistido com perplexidade, acima de tudo, às meias-finais de uma competição interna em que o Benfica não se encontra presente.
Nisto, como em tudo na vida, há que ver o copo meio cheio. Ver o jogo de ontem relembrou-me duas coisas. Primeira: tão importante como saber perder, é essa distinta elevação a que chamamos saber ganhar. Parece fácil. Ganhámos, que se dane. Mas não. Segunda: Nem todos sabem ganhar. Dirão que faz parte, e têm razão. Faz mesmo. Está no seu código genético.
Não é uma provocação gratuita. É estatisticamente comprovável. Se a cultura de um clube não se alimenta e evolui no tempo à base de vitórias, do que vive? Alimenta-se do passado, do insucesso, da meia vitória, da vitória moral, da vitória na vida, do troféu imaginário da verdade desportiva, da espuma dos dias que, dia após dia, vai apurando essa caldeirada que é o futebol português. É válido para todos e calhou a todos, mas alguns souberam reerguer-se.
Falo-vos do Sporting, portanto.
Oscar Wilde disse que estamos todos na sarjeta mas alguns de nós estão a olhar para as estrelas. Adaptemos ao futebol português: estamos todos na sarjeta quando nisto vemos Bruno de Carvalho a correr pela bancada fora porque ganhou uma meia-final da Taça da Liga. Desde a célebre volta olímpica após o jogo com o Praiense que não se via tal coisa. Por momentos pensei: será que o formato da competição foi alterado? Seria hoje a final da Taça da Liga? Seria, quiçá, a final da Champions League? Ligo a amigos a dar-lhes os parabéns?
Calma. Os amigos achariam que estava a fazer pouco. Nada disso, era apenas uma meia-final da Taça da Liga ganha nos penáltis pela pior equipa. Nada que não mereça ser celebrado com uma corrida desenfreada pela bancada, mas não era nada que não antecipássemos. É nas derrotas que melhor se conhece o feito, o carácter que molda o comportamento das pessoas.
Bruno de Carvalho teve amplas oportunidades de nos mostrar quem verdadeiramente é ao longo dos últimos anos. Reagiu a uma vitória como quem palita os dentes à mesa no Belcanto. Para um clube de aristocratas, foi digno de canalizador. Peço desculpa aos canalizadores pela comparação. O racismo social é como Bruno de Carvalho: não devia ter lugar nesta sociedade.
Os minutos vão passando. Jorge Jesus, por quem terei sempre afecto e respeito intelectual, explica que o Sporting não está em crise e tem razão. Muitos sportinguistas amigos celebram de forma relativamente moderada, como adeptos razoáveis de uma instituição séria. Sérgio Conceição, imune a um certo portismo de rede social que teima em contrariar a natureza vencedora do seu clube, explica e muito bem que o Futebol Clube do Porto foi melhor no jogo jogado, mas que o Sporting foi mais competente nos penalties.
Coisas de quem sabe ganhar e portanto está mais preparado para perder. Bruno de Carvalho lá continua a correr esfuziante e indiferente ao importante momento formativo contido numa vitória que Pinto da Costa (reparem nestas palavras de um benfiquista) teria celebrado com um aperto de mão a alguém sentado ao seu lado. Quem tem filhos e já os viu fazer semelhante figura sabe que não é assim que se celebra uma vitória, a não ser que queiramos criar um hooligan - quem celebra assim uma vitória arrisca-se a perder algo mais importante quando sair novamente derrotado: a dignidade. 
Infelizmente, o Sporting Clube de Portugal continua a dar cama e comida a este seu filho irrequieto, insolente e irremediável. Alguém mais dado a eufemismo chamar-lhe-á enfant terrible. Eu cá chamo idiota.
No meio disto tudo, onde está o copo meio cheio, perguntam? Simples. A felicidade infantil de Bruno de Carvalho acaba por confirmar aquilo que o próprio já tinha negado.
Afinal a Taça da Liga é uma competição a sério, que até faz as pessoas correrem e saltarem em êxtase. É bom para a competição e bom para o dono natural deste troféu, o Benfica.
Por isso, fica a pergunta: quantos de nós, incluindo sportinguistas, vimos Bruno de Carvalho celebrar aos saltos, a correr por entre adeptos tolerantes da equipa adversária, o mítico título nacional da verdade desportiva 2015/16?"

Ser contra Margaret Court e defender o seu estádio

"Quando os clubes de Lisboa celebram os títulos de futebol no Marquês de Pombal algum clérigo proclama deitar abaixo a estátua do ministro de D. José I por ter perseguido os jesuítas?

Alguma organização judaica exigiu a remoção da estátua de D. João III da Universidade de Coimbra, o rei que trouxe a inquisição para Portugal, por aquele monumento ser um insulto aos estudantes judeus?
Então expliquem-me porque deverão o Governo do estado australiano de Victoria e a Tennis Australia rebatizar a Margaret Court Arena, o segundo estádio mais importante de Melbourne Park, a sede do Open da Austrália?
É o que exigem as campeoníssimas do ténis Billie Jean King e Martina Navratilova, defensoras dos direitos da chamada comunidade LGBT, alegando que Margaret Court, de 75 anos, hoje em dia reverenda pentecostal, tem proferido declarações homofóbicas.
Há um ano trouxe a esta coluna essas declarações de Court, que são, sem dúvida, violentas, repulsivas e repudiantes.
Mas Margaret Court não tem o nome naquele estádio pela sua actividade e ideologia religiosa. É simplesmente a recordista mundial de títulos do Grand Slam, com 24 de singulares, sendo uma das três únicas mulheres que completaram o chamado Grand Slam, isto é, venceu no mesmo ano os quatro Majors. Na Austrália ainda é considerada a melhor tenista de sempre.
Nos Estados Unidos e na Europa os seus feitos desportivos têm sido esbatidos por estar sempre no lado errado nas chamadas questões fraturantes, e por ter sido contra a separação do circuito profissional feminino do masculino, cuja principal porta estandarte foi... Billie Jean King, vencedora de 12 troféus de singulares do Grand Slam.
As duas quase se odeiam. Foram grandes rivais dentro e fora do campo. Em currículo desportivo Court superou King, com 22-10 no ‘mano-a-mano’, incluindo vitórias nas duas finais de Majors que decidiram entre si.
Mas em tudo o resto foi a versão dos acontecimentos de King que prevaleceu. É mais mediática, mais influente e é... americana. Basta ver no recente filme Guerra dos Sexos, com a actriz Emma Stone a representar Billie Jean, quem sai favorecida no guião!
Odeio quase tudo o que defende Court, mas insurjo-me igualmente contra a ditadura do politicamente correto em que vivemos cada vez mais, vigiados até ao tutano pelas redes sociais.
E a ironia reside na intolerate Court, nunca ter exigido que o nome de King – uma homossexual, que para ela representa o diabo – fosse removido do complexo de ténis de Flushing Meadows, onde se realiza o Open dos Estados Unidos."

Benfiquismo (DCCXXIX)

Festa...

Aquecimento... Onda...

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Ui, de fazer faísca!

"Meia-final 'a ferver' porque, para ambos, valia bem mais que a Taça da Liga! Benfica pós-Krovinovic...: Análise de alternativas... bem difíceis!

Em qualidade técnica, não foi grande coisa... Tacticamente e na intensidade de pujança atlética ainda mais impulsionada pelas ganas de vitórias, duelo de fazer faísca este Sporting - FC Porto rumo à final da Taça da Liga e à previsível sua conquista (com respeito pelo V. Setúbal, o qual, porém, para levar o troféu, terá de jogar 50 vezes melhor do que fez na outra meia final a bater a Oliveirense num dos desfechos mais mentirosos de que tenho memória!).
Braga, território neutro, foi palco de exuberantemente renhido confronto entre os dois primeiros do campeonato, desta vez interessadíssimos na Taça da Liga para marcarem supremacia sobre o outro, reforçando ímpeto anímico para a 2.ª metade da temporada e seu máximo objectivo. Daí a tremenda carga nervosa de Sérgio Conceição ao ponto de recusar ver os ditos penalties de desempate! Daí a enorme festança sportinguista! Para Sporting e FC Porto, esta meia final, por ser travada entre ambos nesta época para ambos híper especial!, valia bem mais do que a Taça da Liga propriamente dita.
De formas diferentes, voltaram a mostrar idêntico valor competitivo. Até repetiram, o 0-0 do despique em Alvalade para o campeonato. Ou seja: essencialmente, defesas e capacidade táctica muito fortes! Vai dar brado a luta pelo título! Ainda mais ao rubro se o Benfica se mantiver ressuscitado...

Krovinovic: a sua grave lesão é grande rombo na capacidade do Benfica para atingir o penta. Houve o 'antes dele' e o 'durante ele'. Foi enorme a diferença que estes períodos vincaram no rendimento da equipa. E o 'depois dele'?
Há uma semana, apontei as razões, que considero tecnicamente tão óbvias!, de só com Krovinovic o Benfica ter podido engrenar a mudança táctica para 4x3x3 que o tirou de naufrágio. Agora em síntese: não pôde ser com Filipe Augusto (esbanjador de múltiplas oportunidades), ainda menos com Samaris (4+3=7 jogos de suspensão!) e, pelo escassamente visto, de todo não com o jovem Chrien, mais uma compra para rápida dispensa...
Custa-me entender - não querendo admitir embirração com o treinador, na cegueira de tentar tapar responsabilidades do comando directivo que, por aperto financeiro quiçá acrescido de deslumbramento/arrogância, pessimamente preparou estrutura de plantel para esta época - quem rejeita, sem sequer mínima base técnica, muito pelo contrário!, que só em Novembro o 4x3x3 fosse possível. Qualquer sistema táctico depende de jogadores a ele adequados. Só em Novembro Krovinovic, vindo de operação, pôde ter condição física e ritmo competitivo para ser firme titular. Antes dele, que outro convincente médio houve para formar trio com Fejsa e Pizzi? Pergunta, muito simples, à qual os críticos não respondem...
E agora, sem o talento e o vigor do médio croata? Estando já bem engrenado o sistema de 3 médios, ilógico seria, creio, correr a desmanchá-lo. Então quem para a posição que Krovinovic deixou vaga? Onde estão firmes alternativas?! Samaris ex-n.º 8, enraizou-se n.º 6, opcional a Fejsa, desde a era Jorge Jesus. Filipe Augusto já saiu. Chrien parece estar na mesma porta. Rakip, até agora única aquisição em Janeiro, foi soma e segue de imediatos empréstimos... (até parece que o Benfica tem muitos e bons médios, ou que lesões e castigos eram impensáveis!). Restam dois miúdos: João Carvalho e Keaton Parks. Qual deles, tão promissor quanto inexperiente, estará mais apto face a grande responsabilidade? Keaton indica (?) ser mais um n.º 8, quiçá n.º 6, do que médio pautando ataque. Esse médio é João Carvalho. Rui Vitória tem vindo a lança-lo, nas últimas semanas, naturalmente pouco a pouco. Talento possui. E estrutura, também física/atlética, para se impor já com a alta dinâmica que a função exige? Incógnita a resolver depressinha...
Caso falhe esta via de manter o 4x3x3, que alternativas? Todas difíceis...
1 - Fulgurante aquisição de centro-campista com provas dadas e com as necessárias características.
2 - Apressada adaptação de Cervi, ou Zivkovic, de extremo para médio esquerdo. Ah!, mais complexo: Grimaldo avançando, Eliseu defesa esquerdo...
3 - Regresso ao 4x4x2, que deu quatro títulos e muitos mais troféus, mas falhou esta época. Seria necessário desaparecem os motivos de fiasco; isto é: Pizzi reencontrado com o seu altíssimo nível nas épocas anteriores; e Seferovic, afinal, capaz de ser o ponta de lança à frente de Jonas.
Há quem afirme que riqueza de excelentes soluções não falta a Rui Vitória!..."

Santos Neves, in A Bola

Alvorada... do José Nuno

Empate em Londres

Tottenham 3 - 3 Benfica B
Félix, Heri, Santos


Com este empate, ficámos em 3. lugar no grupo, e assim fomos eliminados da competição.
Destaco a ausência do Ferro, do Parks e do Gedson, confirmando assim que estão mesmo a treinar no plantel principal...

Não! Não caiam nessa!

"Puskás tinha uns pés pequeninos. Inusitadamente pequenos. Mas um segredo: o esquerdo era maior do que o direito

Acho que entrei na velhice de forma oficial. Não porque tenha, mais uma vez, caído na asneira de fazer anos recentemente, revelando com isso, tal como dizia João de Deus, não parecer ter muito miolo, mas porque cada vez mais ando a vasculhar pelos bolsos os óculos que me esperam encavalitados na testa. E isto não pode deixar de querer dizer algo de muito sério.
Assim de repente, lembrei-me de Lúcio Cardozo. No dia em que fez 50 anos irritou-se: «Não sei como isto me foi acontecer! Logo a mim que tenho um talento tão grande para ser criança…».
Faltar-me-á o talento de Lúcio para ser criança, mas acreditem que – a despeito da minha inaugural declaração de vetustidade – ainda me divirto como um miúdo a vasculhar jornais antigos, pobres deles tão mais velhos do que eu.
Enfim: um vício.
Embora acrescente, em minha defesa, que ainda não passei a fase de substituir a idade por uma obscenidade.
Portanto, estava eu a ler jornais antigos, quando por entre a prosa luminosa do meu bom amigo e mestre Luís Alberto Ferreira, dou de caras com Puskás. Isto é, uma história de Puskás que me fez lembrar de outra história passada num estádio único em Portugal que se situava no terraço da Drivimpe, à Cidade de Bolama, nos Olivais Sul da minha adolescência, e que levava por nome Maracangalha.
Parece que o bom do Ferenc Puskás, o elegante Major Galopante, tinha uns pés pequeninos, mesmo pequeninos, de tal forma que nem sempre era fácil encontrar chuteiras que lhe assentassem como luvas, logo a ele que tinha uma espécie de pés que funcionavam como mãos. E tanto assim era que fazia apostas arriscadas. Uma delas era colocar pinos ao longo do relvado, metro a metro, e meter uns cobres em jogo se conseguisse deitá-los abaixo consecutivamente com o pequenino pé esquerdo que era o melhor dos seus dois pequeninos pés que pareciam mãos. O seu colega no Real Madrid, Don Alfredo Di Stéfano, não se metia em tais apostas. Dizia a propósito: «Ese hijo de puta!? Tem uns pés tão pequenos que parecem caixas de fósforos e faz com eles o que lhe apetece».
Tirando a referência à senhora que o deu à luz em Budapeste no dia 1 de Abril de 1927, até que era um belo elogio.
Puskás foi sempre assim um pouco para o gorducho. Correr não era bem com ele. Mas, lá está, tinha aquela engenharia esquerdina que punha a bola onde lhe apetecia. Que corressem os outros e ela surgia-lhes à frente, redondinha, alegre como um cachorrinho vadio. No dia em que conheceu Raul, avançado do Real tão mais novo do que ele, avisou-o: «És um grande jogador, mas corres demasiado depressa».
Cair no cimento do Maracangalha não era nada bom para os joelhos e cotovelos da malta. Provocava rasgões, feridas, crostas posteriores que levavam ao arrancar das mesmas e à repetição aborrecida de todo o processo. O meu amigo João Matias, hoje em dia desterrado no Alentejo, mais conhecido por Facadas nos meios olivalenses, era um guarda-redes temerário, cimento e tudo. Um dia – e aqui já a velhice entretanto estabelecida dá pontapés na memória – derrubou um adversário com inusitada perversidade, coisa que nem era nada do seu género. Perante o espanto do caído em combate, encolheu os ombros: «Tu corres muito...».
Voltando a Puskás, conta-se também que rapidamente se adaptou à linguagem desbragada de certos bairros de Madrid. Irritado por um passe mal medido que lhe foi dirigido por um companheiro menos dotado, ficou furioso. Foi-se a ele de dedo espetado no nariz: «Hijo de puta, cabrón! De cada vez que me passares a bola, passa-a como deve ser! Se não sabes fazê-lo com o pés, fá-lo com as mãos!»
A questão é mesmo essa: nem todos, como Puskás ou Di Stéfano, tinham mãos no lugar dos pés. 
Quem diria que Ferenc Puskás, o Major Galopante, já morreu há doze anos? E que todos os grandes do seu tempo, tirando Pelé e mais um ou outro, correm com a bola colada aos pés pela planície da eterna saudade? É o que dá essa brincadeira tola de fazer anos da qual falava João de Deus. Por mim não os faria se não me apanhassem sempre desprevenido nesse dia de Janeiro em que acordo mais velho.
Sobra-me a nostalgia dos jornais antigos e um monte de amigos mortos que ainda não tive tempo de arquivar devidamente. Desta vez calhou-me o estranho mistério dos pés de Puskás. Pareciam caixinhas de fósforos, mas o esquerdo era definitivamente maior do que o direito. E, de súbito, como um passe para o golo definitivo, uma réstia de memória que me faz recitar de cor a infância de Pessoa: «A criança que fui chora na estrada./Deixei-a ali quando vim ser quem sou;/Mas hoje, vendo que o que sou é nada,/Quero ir buscar quem fui onde ficou».
Anos? Não caiam nessa..."

O adeus a um génio inigualável

"Assente nos princípios da liberdade, habituou-se a criar o assombro nas ruas de Porto Alegre. No sangue corriam-lhe os genes que identificam o Brasil como berço universal do futebol e, desde então, não parou de crescer. Com a bola colada aos pés cumpriu todos os sonhos da infância e chegou, referenciado como sublime intérprete, a ilustres salas europeias - Paris Saint-Germain, Barcelona e Milan. Pelo caminho mostrou ser futebolista da cabeça aos pés e não um mero artista de circo, extravagante mas inconsequente. Ronaldinho Gaúcho era, ele próprio, uma gigantesca mentira cuja dimensão aumentava até falar verdade, só quando o golo estava perto. Foi assim desde menino, quando lutava pela afirmação social, até agora que nos deixou órfãos do malabarista mais concreto que o futebol conheceu. Com ele vão, também, as celebrações exclusivas de quem exaltava a glória com os dentes (sorriso largo, genuíno e feliz), as mãos (dedos polegar e mindinho) e a dança (ao ritmo do samba) que antecedia o abraço agradecido dos companheiros.
RG devolveu pureza ao fenómeno silvestre degradado pelos milhões da nova indústria e deu ao recreio o bónus sagrado da eficácia. Era um fantasma que aparecia e desaparecia num estalar de dedos; despertava os melhores sentimentos em todas as plateias, incluindo as mais hostis e, mesmo nos cenários mais bélicos e perigosos, festejava com bons instintos os quadros de beleza inconcebível que ia assinando. Nada do que fazia era contra alguém, pelo contrário, tudo revertia a favor do espectáculo. Num futebol dominado pelo conceito de fábricas em série, no qual a bola tende a tornar-se paixão clandestina, RG foi um desenho animado que corrompeu com graciosidade, inocência e imaginação filmes de cowboys, gangsters, polícias e ladrões e até de marcianos.
Foi um ser superior que desafiou o senso comum e pôs em causa as leis da gravidade; um talento desenquadrado da realidade que passava hora e meia a implodir o que déramos como verdades adquiridas, inventando sucessivas maravilhas que decidiam jogos e deslumbravam o Mundo. Passou mais de uma década a seduzir-nos com gloriosas transgressões aos manuais instituídos: humilhava adversários com magias fantasmagóricas, só pelo prazer juvenil de os ver atrapalhados; driblava quando não devia, rematava de onde estava condenado ao fracasso e, mesmo assim, transformou improbabilidades físicas em obras-primas; se tinha campo aberto para correr, travava, se tinha as vias congestionadas, acelerava; em euforia ou em depressão, falava sozinho, com adversários, companheiros, árbitros e vendedores de pipocas, diálogos que estendia à bola e até a Deus, com quem tinha pacto secreto para despertar a inspiração.
RG foi um dos mais extraordinários génios da centenária história do futebol, um artista assombroso, gerador de truques inimagináveis que nos encheram a alma e de milagres que credibilizaram o jogo como expressão de arte. Se à chegada suscitou as reservas habituais dos que, em vez de se renderem à evidência de uma nova dimensão, lhe apontaram desfasamento competitivo, superficialidade e intenções perversas, agora que pendurou as botas e se foi, devemos lamentar o adeus de um dos actores mais amados de sempre. RG nunca mostrou a irascibilidade de Maradona, a obstinação de Cristiano Ronaldo ou a regularidade de Messi; mas quanto ao talento puro, esse dom divino de que são feitos os extraterrestres, em nada ficou a dever-lhes. Foi tão grande, mas tão grande, que parece impossível (um sacrilégio) só ter ganho uma Bola de Ouro (2005). O futebol fica a dever-lhe, pelo menos, três - as de Nedved (2003), Shevchenko (2004) e Fabio Cannavaro (2006) deviam ter sido dele. Nada que altere o essencial: não precisa delas para ser um protagonista eterno e sublime do filme das nossas vidas.

Rúben Dias de pedra e cal
No futebol, a sorte de uns costuma resultar da infelicidade de outros
Rúben Dias sempre contou para Rui Vitória. Os episódios da sua afirmação, porém, não lhe sorriram, tendo como ponto mais alto a apendicite que o afastou por seis semanas. Mesmo quando jogou, no início, fê-lo à esquerda de Luisão, ele que se formou como central descaído para a direita. O infortúnio do capitão permite-lhe agora jogar como e onde gosta. Se não tiver mais azares, será muito difícil tirá-lo dali.

Welthon subiu mais um degrau
Às vezes o caminho até ao ponto mais alto não se concretiza em linha recta
Welthon foi contratado pelo V. Guimarães. Na impossibilidade de saltar directamente do Paços de Ferreira para um dos três maiores clubes portugueses (chegou a falar-se que esteve quase no Sporting), o Vitória é uma boa estação intermédia para os anseios de um dos melhores avançados a jogar em Portugal. Aliás, a cláusula de 30 milhões significa que até os vimaranenses acreditam no voo do jogador.

Fábio Veríssimo perdeu audição
Diz-se que os árbitros são mais dóceis com quem actua nos grandes.
E é verdade Fábio Veríssimo expulsou Jubal e Zainedine por insultos mútuos no V. Guimarães-Marítimo (24/9/2017). A peculiar decisão, validada pelas instâncias superiores, configurou a acção do mestre-escola sobre pecados de dois meninos malcomportados. Foram reguadas. Em Setúbal, Coentrão gritou-lhe aos ouvidos impropérios inaceitáveis; mas agora sofreu ataque de surdez e não agiu. É preciso ter uma lata..."

Do carro de Ayrton Senna ao Ferrari do Benfica

"Ayrton Senna da Silva.
Um nome que causa arrepios na espinha, um ponto amarelo de preocupação no retrovisor dos restantes pilotos.
Senna foi campeão dos campeões. Não é o mais titulado deles, Schumacher ainda tem esse recorde e Hamilton já lhe bateu outros. Mas Ayrton foi campeão do povo e da emoção. Foi o maior na adversidade, no sofrimento e debaixo de chuva.
Deixemos Tamburello para trás. Esqueçamos por momentos que aquela curva maldita deixou o Brasil em lágrimas e engrandeceu a lenda do homem. Lembremos os momentos de glória.
Ayrton Senna da Silva fez muitas corridas de Fórmula 1. Muitas delas extraordinárias.
Esta, por exemplo, ele nem ganhou.
No Mónaco – onde mais podia ser – saiu da 13ª posição e terminou no segundo posto, numa altura em que se aproximava do líder Alain Prost e a corrida foi finalizada antes do total das voltas. Que carro conduzia Senna? O famoso McLaren? Não. Um Williams. Não? Nem um Lotus. Era um Toleman!
P.S- chovia no Principado.
Em 1985, Ayrton Senna teve a primeira vitória num GP. Local: autódromo Fernanda Pires da Silva, Estoril, Portugal. Depois da Pole Position, o primeiro lugar de sempre, ao volante de um Lotus.
Já agora, chovia nesse domingo.
Também chovia em Donington, Inglaterra, em 1993.
Ao volante de um McLaren, Senna partiu do quarto posto. E depois fez isto. Fez aquela que é considerada a melhor volta de sempre na F1 e terminou a corrida com uma volta de avanço a todos, como no Estoril em 1985, menos ao segundo classificado: ainda assim, Damon Hill ficou a 1:23 minutos do brasileiro!
Já lhe disse que chovia?
Para mim, a maior vitória de Senna, a corrida de uma vida, sucedeu, porém, em 1991.
Ayrton nunca tinha vencido em Jacarepaguá ou Interlagos. O homem que acordava o Brasil aos domingos nunca tinha sido primeiro diante de seu povo.
1991 mudou isso.
Em Interlagos, Senna arrancou da pole position.
Mansell perseguiu-o de perto desde a primeira volta. Mais tarde teve um furo e depois desistiu. 
Ayrton ficou com caminho livre para a vitória.
A oito voltas do final, no entanto, ficou sem Ederson, Nelson Semedo e Lindelof. Ou melhor, teve problemas na caixa de velocidades e perdeu a quarta, depois a terceira e por fim a quinta. Senna tinha de fazer o resto do Grande Prémio apenas em sexta.
Riccardo Patrese já lhe surgia no retrovisor e aproximava-se a uma velocidade vertiginosa. O sonho de Ayrton vencer em casa parecia fugir-lhe outra vez.
Perto do fim, começou a chover…
De dentro do carro, Senna apontou para o céu e com o McLaren sempre em sexta, quase parado nas curvas, levou-o até à bandeirola de xadrez. Ayrton berrava de alegria. Pediu a bandeira do Brasil e, poucos metros à frente, parou o McLaren de vez. Exausto, com cãibras e febre.
A cerimónia do pódio foi todo outro capítulo.
Sem forças, Ayrton Senna do Brasil ergueu a bandeira do país, não conseguiu levantar a taça como devia, mas tomou banho de champanhe.
Não foi por acaso que Ederson, Nelson Semedo e Lindelof entraram numa história de Senna que nada tinha a ver com eles. Primeiro porque Ayrton era sócio do Belenenses e depois porque os três nem eram nascidos. Mas foram subtraídos a um carro de sucesso – a analogia ao Ferrari não é minha, como sabem – e que agora se vê, também, sem Krovinovic.
Mesmo que o FC Porto seja líder do campeonato – e justo que é -, mesmo que o dragão tenha tido o melhor futebol até ao momento, porque tem tido – isto ainda é o meu espaço de opinião -, mesmo que o Sporting tenha investido em melhorias e pareça bastante fiável, o Benfica tem sabido ultrapassar as adversidades, e a comparação com Senna, num longo texto como este, pode ser absurda em todos os pontos menos neste: a capacidade de superação dos campeões nunca deve ser subestimada. Mesmo que eles percam a terceira, a quarta e a quinta velocidade. E sobretudo se começar a chover.
Em 2015/16, choveu.
Aquela teria sido a corrida de uma vida e até pelo facto de apenas o FC Porto o ter conseguido, o Penta é a corrida de uma História.
No último fim de semana, apareceu e desapareceu à velocidade de um tweet a analogia do Ferrari dos encarnados que Jorge Jesus lançou em 2015/16. Foi-se a ver, e afinal era um Lotus."

King 76

Benfiquismo (DCCXXVIII)

Saudade...

Lanças... Invasões e afins !!!

Vitória...

Benfica 35 - 24 Belenenses
(19-10)

É este o tipo de atitude que é preciso ter, quando os jogos são teoricamente mais fáceis... transmitindo assim, confiança e tranquilidade...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

... e, contudo, uma semana com tudo

"Já em Setúbal, o Sporting provou da 'cicuta' de que tanto beneficiou na primeira volta.

Cada qual com a sua ó(p)tica
Sobre o Benfica - D. Chaves, e em síntese: vitória categórica, ensombrada, todavia, pela grave lesão do croata Krovinovic, que muita falta vai fazer nesta fase crucial do campeonato. Que solução para a sua difícil substituição é o que agora pergunto ansiosamente, ainda a dias de fechar o 'mercado de Inverno'?
Depois das manobras de toda a espécie em que esta época tem sido fértil, e neste período em que o Benfica tem jogado com classe e vencido com indiscutível merecimento, eis que surge na coligação entre Campanhã e Lumiar uma nova inventona: a de que nos jogos contra o SLB, os opositores 'facilitam' (tenho de pôr entre aspas, por respeito a estes clubes), jogam pouco, começam vencidos, etc. Sporting de Braga e Tondela foram os alvos preferidos. Abel Ferreira já respondeu categoricamente aos insultos (aqui sim, sem aspas). No caso do Tondela lá tiveram de engolir (saborosamente, claro) um infeliz lance e assistência de um defesa tondelense para o golo solitário do FCP. Ai se fosse com o Benfica, o que já estariam a expelir nas redes sociais os que insinuam aparvalhadamente que a vida tem sido facilitada ao meu clube!
Já em Setúbal,o Sporting provou da 'cicuta' de que tanto beneficiou na primeira volta (contra o mesmo Vitória, com um penálti discutível, Rio Ave, Braga, Feirense...). Percebo a frustração, mais do que justificada. Já não percebo a atitude de Fábio Coentrão. Ou melhor, compreendo toda a sua fúria própria de um adepto fervoroso (como ele disse, «sou um homem e não uma máquina»). Mas não compreendo que um profissional que já passou por grandes clubes não seja capaz de se controlar e de evitar cenas impróprias. É também para isso que ele e outros são pagos e peso de ouro. Dir-se-á «Coentrão mostra a sua força"»... tudo bem, como excelente jogador que é, mas tudo mal dando cabo de propriedade alheia e insultado o árbitro sem qualquer razão.
Parece estar na moda que árbitros sejam complacentes para com atitudes indignas ou precipitadas de jogadores. Há pouco tempo, foi Brahimi que, com um gesto indisfarcável, nao a quente, e a um metro do árbitro Artur Soares Dias, lhe sugeriu que não estava bom da cabeça. Punição: zero. Agora foi Coentrão que, a centímetros de cara de Fàbio Veríssimo (sempre tão garboso a mostrar cartões), lhe atirou com impropérios que se podiam bem ler nos lábios do jogador, já depois de ter levado um cartão amarelo por pontapear a bola para o quintal. Punição: zero. O quarto árbitro deve ter visto o rombo no banco de suplentes ainda com o jogo decorrer. Punição: zero. Já agora, noutro plano, Mathieu fez o penálti assinalado sobre Edinho que estava isolado. Punição: cartão amarelo, em vez de vermelho. Ai se isto tudo fosse com o Benfica, o que já teriam dito os doutos chefes das propagandas verde e azul!
Nesta altura, lembro-me de mais uma das muitas tolices do chamado Acordo Ortográfico. É que óptico (relacionado com a vista) perdeu, coitado, o p e passou a ótico. Tal e qual se escreve ótico (dos ouvidos). Alguém que se apresente com um problema ótico, logo se porá a questão se tem de ir ao oftalmologista ou ao otorrinolaringologista...
Com os casos atrás citados, percebi, finalmente, a utilidade ao AO. Os árbitros em causa têm problemas óticos, não há dúvida: um, ótico do olho, o outro, ótico do ouvido. E o VAR esse tem problemas óticos, simultaneamente do olho e da orelha. Uma verdadeira enfermeira arbitral, oticamente falando!

De repente tantos especialistas
Toda a expertise em sobressalto. Para todos os gostos e para todas as possibilidades de decisão. Engenheiros civis, mestres de obras, supervisores, geólogos, técnicos hidráulicos, juristas, jurisconsultas, especialistas em direito desportivo, dirigentes federativos, treinadores, encanadores, sismólogos, fiscais de obras, técnicos municipais, pedreiros, projectistas, amadores, ambientalistas. Não faltou sequer a sentença definitiva do novo técnico de estruturas cimenteiras que costuma falar às terças-feiras, no Canal Porto. Um rodopio,ao qual só faltou o emplastro. horas e horas a fio, entre comentadores encartados a encarreirados pela imagem mil vezes repetida de uma sanita em modo inactivo. Avisadamente, o Conselho de Estado, que reuniu na passada sexta-feira, não se pronunciou sobre o assunto. Finalmente, calaram-se veio o ditame do LNEC.
Assim vai o nosso querido futebol. De caso em caso, até ao acaso (ou será ocaso?). «Queremos ganhar no campo», dizem em uníssono os novos paladinos da verdade desportiva. Mas - hélas! - 'há os regulamentos», afirmam quase com um ar compungindo, embora sempre acompanhado de um cínico e falso «Ganhar na secretaria? Jamais!»
Neste caso do Estoril, será que, para os mesmos pensadores, os regulamentos seriam interpretados de igual modo se o resultado dos primeiros 45 minutos fosse 0-1 e não 1-0?
Há, aliás, um aspecto que continuo a não entender: por que razão se falou agora tanto de um nexo de causalidade (?) entre a interrupção do jogo e a responsabilidade do clube visitado e nunca o ouvi invocar quando as torres de iluminação deixarem de funcionar em alguns jogos. Ainda há duas semanas no Feirense - Vitória de Setúbal isso aconteceu, pelo que o jogo - o jogo, repito - não podia realizar-se às escuras. Mas, claro, não houve polémica, porque não estava nenhum 'grande' em causa...
Agora deve seguir-se a parte B desta novela: jogar ou não no campo do Estoril, depois, aliás, de a temerosa e obediente Liga não ter tido os regulamentos no sítio, ou seja, não ter sido capaz de impor o que neles está previsto: continuação do jogo nas 30 horas seguintes.


Afinal, Estoril e Vitória têm campos grandes!
Depois de ter lido a crónica de Miguel Sousa Tavares sobre a dimensão dos estádios em Portugal fiquei, com acrescida curiosidade, em pesquisar sobre o assunto. Para isso servi-me dos Cadernos de A Bola 2017/18 e - confesso - tive algumas surpresas. Como se pode ver no quadro, o maior relvado é o do velhinho Bonfim (em área e comprimento) e os dos 3 grandes todos com a mesma dimensão (tal como o Marítimo), só surgem na 6.ª posição, atrás do agora tão badalado e considerado na crónica referida como um campo pequeno, o Estádio Coimbra da Mota. Aliás, este juntamente com o Restelo e o Bessa até são os campos com maior largura! Se exceptuarmos os campos do Aves, Chaves, Feirense e Portimonense, o tamanho não tem grandes variações.

Ou seja, não é por aqui que a situação se pode considerar prejudicial para o futebol jogado. Já o mesmo não se pode dizer de outras condições, a mais notória das quais é o estado de alguns relvados, ainda que registando melhorias face a épocas transactas.

Dimensões dos relvados
1.º V- Setúbal, 7383 m2; Comp. 107m; Larg. 69m
2.ª Belenenses, 7350 m2; 105m; 70m
3.ª Boavista, 7350 m2; 105m; 70m
4.ª Estoril, 7350 m2; 105m; 70m
5.ª V. Guimarães, 7208 m2; 106m; 68m
6.ª Benfica, 7140 m2;m 105m; 68m
7.ª FC Porto, 7140 m2; 105m; 68m
8.º Sporting, 7140 m2; 105m; 68m
9.ª Marítimo, 7140 m2; 105m; 68m
10.ª Tondela, 7140 m2; 105m; 68m
11.ª SC Braga, 7035 m2; 105m; 67m
12.ª Moreirense, 7035 m2; 105m; 67m
13.ª P. Ferreira, 7020 m2; 104m; 67,5m
14.ª Rio Ave, 6930 m2; 105m; 66m
15.ª Feirense, 6630 m2; 102m; 65m
16.ª Portimonense, 6592 m2; 103m; 64m
17.ª Chaves, 6500 m2; 100m; 65m
18.ª Aves, 6400 m2; 100m; 64m

Contraluz
- O título que falta: A Taça da Liga
FCP e SCP vão lutar pela final da competição que sempre 'enjeitaram', mas que agora visam conquistar pelo seu irradiante significado competitivo. Seria bom fazer-se uma compilação do que disseram sobre a mesma quando o Benfica conquistou as já suas 7 Taças...
- Assistência: 55.952 espectadores
É a média registada pelo Benfica em 2016/17 e que, segundo o mais recente relatório da UEFA, está no 12.ª lugar europeu e no 1.º lugar se excluirmos as ligas britânica, alemã e espanhola. No jogo do passado sábado estiveram quase 58.000 pessoas na Luz!
- Frase: «Prefiro ser um bom homem a um bom treinador»
Assim reagiu o treinador do Sporting de Braga Abel Ferreira às diatribes e insinuações maldosas de colegas da mesma profissão. Muito bem!"

Bagão Félix, in A Bola

'Supernanny'

"1. «Ele (Manuel Fernandes) foi o pior funcionário que já vi no Sporting».
Bruno de Carvalho, 19-09-2014
«Mas quem és tu meu labrego (Rodolfo Reis) para chamares, lambe-rabos a uma figura do futebol português como o Manuel Fernandes?»
Bruno de Carvalho, 16-01-2018
2. Há cada vez mais estrangeiros na Liga Portuguesa. Nada contra, não sou xenófobo, mas questiono: quantos deles são melhores do que os portugueses? O que vale é que Bruno de Carvalho tem cumprido a promessa de maior aposta na formação (no intervalo da compra de estrangeiros) e Luís Filipe Vieira tem cumprido a promessa de não vender mais pérolas do Seixal (Embaló foi o último antes do próximo).
3. Desde a primeira hora que se percebeu que o FC Porto ia tentar ganhar na secretaria o jogo que estava a perder no campo com o Estoril, ao intervalo. Até Sérgio Conceição alinhou (tive esperança que não o fizesse...). Claro que há regulamentos, e para todos os gostos e sentidos de oportunidade. O regulamento da chico-espertice é o meu preferido. E se o FC Porto estivesse a ganhar 5-0?
4. Em primeiro lugar, após Fábio Coentrão dar cabo do banco de suplentes do V. Setúbal, alguém tinha de lhe ter passado de imediato um telemóvel para ver a extensão dos cortes nas mãos. Em segundo lugar, este é claramente um caso para a supernanny.
5. Uma má e uma boa notícia para os adeptos do Benfica, respectivamente: a lesão de Krovinovic (não joga mais esta época) e a saída de Filipe Augusto (não estorva mais esta época - nem na próxima, se não foi devolvido). Entre erros (sobretudo) e azares do tamanho de uma onda gigante da Nazaré, o Benfica, que continua sem reforços, lá vai surfando na Liga a dois pontos do FC Porto (menos um jogo mas está a perder ao intervalo) e a um do Sporting. Quem diria.
6. Apenas uma palavra para a conferência de imprensa de Abel Ferreira, treinador do SC Braga, antes do jogo com o Portimonense: chapeau!"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

A importância da Taça da Liga

"Foi preciso chegar à 11.ª edição para que a Taça da Liga tivesse um reconhecimento generalizado. Mais vale tarde que nunca. Porque se trata de uma competição que se estranha nas primeiras fases, mas que se entranha na hora das grandes decisões. E hoje o país desportivo está suspenso da meia-final entre Sporting e FC Porto, jogo de onde sairá o principal favorito a vencer o troféu. Deve lembrar-se, contudo, que V. Setúbal, SC Braga e Moreirense já foram capazes de contrariar a lógica e levar o caneco, que já foi depreciativamente chamado de Taça Lucílio Baptista e Taça da Cerveja, para casa. Hoje, felizmente, ninguém diz que está em disputa a Taça do Código Postal, e é com muito agrado que se constata o respeito merecido com que esta competição já tratada.
Jorge Jesus (vencedor deste troféu em cinco ocasiões, quando estava no outro lado da segunda circular) e Sérgio Conceição não fizeram segredo de que vão colocar a carne toda no assador, não só porque querem marcar território numa competição particular entre leões e dragões que tem hoje apenas o primeiro de quatro episódios emocionantes já agendados, mas também porque os clubes que lideram não têm levantado muitos troféus nos últimos anos. Daí, também, a importância que é dada a esta meia-final, uma forma de poder vir a dar uma alegria a adeptos que muito têm jejuado.
Mas o que importa sobretudo salientar, ao dia de hoje, é que estamos perante uma mudança de paradigma relativamente a uma prova que foi mal-querida por muitos durante demasiado tempo, por razões de mera conjuntura táctica, mas que se vê agora amplamente reconhecida."

José Manuel Delgado, in A Bola