Últimas indefectivações

sábado, 4 de janeiro de 2014

Goleada

Benfica 10 - 3 Mealhada

Vitória fácil, para tentar esquecer o último empate... mas não podemos continuar a desperdiçar situações de 'bola parada' (penalty's e Livres Directos)!!! 

Liderança

Ovarense 75 - 85 Benfica
11-24, 14-23, 26-17. 24-21

Excelente primeira parte, com 22 pontos de vantagem, mas um 3.º período muito abaixo do normal 'equilibrou' o resultado!!! Sofrer 50 pontos nos 20 minutos do 2.º tempo, não é um bom indicador...
Também não é bom sinal, quando mais de metade dos pontos do Benfica foram obtidos somente por 2 jogadores... sendo que um deles, o Jobey Thomas, cometeu a proeza de fazer um 0/7 em triplos, a sua especialidade!!!
Mas o que interessa, é a vitória, e independentemente dos tempos, a Ovarense nunca é presa fácil...

Desperdício...

Benfica 2 - 2 Rio Ave

Mau regresso das mini-férias. O Rio Ave no 'papel' tem um dos melhores plantéis do Campeonato, mas os resultados normalmente não correspondem...
Desperdiçamos muitos golos quando o jogo estava 0-0, chegámos mesmo a mandar uma bola à barra, e na recarga ao poste, sem que ninguém do Rio Ave tivesse tocado na bola!!! Mas quando finalmente conseguimos marcar o 1-0, baixámos a intensidade, e em duas desconcentrações permitimos a reviravolta no marcador...!!! Num livre, inteligentemente marcado pelo Joel, conseguimos o empate!!!
Nos últimos minutos, tentámos o 5x4, mas não criamos quase perigo nenhum (pelo menos não sofremos o golo da derrota!!!).

Com este empate, inesperado, permitimos o 'empate' na classificação com os Lagartos, que hoje, venceram depois da hora!!! Sim, o golo da vitória do Sporting, foi obtido depois da buzina!!! Nada de novo para aqueles lados...!!!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Clínica da Luz

"Artur, Siqueira, Sílvio, Fejsa, Matic, Salvio, Enzo Perez, Ruben Amorim, Sulejmani, Cardozo e Markovic. Ao contrário do que possa parecer, não se trata de uma proposta de “onze” apontada aos próximos jogos. Trata-se, sim, da longa lista de ausências (a maioria por lesão, algumas também por castigo) que afligiram o Benfica nesta primeira fase de temporada. Para completar o inusitado cenário, resta acrescentar o próprio treinador Jorge Jesus - também ele ausente por castigo durante várias semanas.
Salvio, que havia estado em destaque na pré-temporada, lesionou-se à 3.ª ronda, para não mais voltar a jogar. Amorim, que se fixou como titular em Atenas, permitindo então a adopção de um novo sistema táctico, lesionou-se no jogo seguinte. Cardozo, que depois da novela de início de época recuperara a sua melhor forma, e mostrava pontaria mais afinada do que nunca, também ficou no estaleiro, onde se mantém. Siqueira, que aparentava ter condições para resolver o velho problema da ala esquerda da defesa, rapidamente se viu, também ele, impedido de jogar. Matic e Enzo foram castigados à vez, inviabilizando, durante duas jornadas, a construção do melhor meio-campo encarnado. Sílvio só em Outubro pôde discutir um lugar. Fejsa lesionou-se em Paris. Markovic em Lisboa. Sulejmani em Belgrado, e, por fim, Artur em Olhão.
Quando um destes dias ouvia um comentador televisivo culpar Jesus pela indefinição do onze-base do Benfica, quase tive vontade de rir. É verdade que nem sempre os jogadores têm demonstrado a fibra de campeões que se vira, por exemplo, ao longo da maior parte da temporada passada. É também verdade que alguns dos reforços demoraram tempo demasiado a adaptar-se ao grau de exigência do clube. Mas, caramba, com tantos contratempos, manter ainda assim o 1.º lugar da tabela (embora de forma partilhada), é algo que deveria conferir algum pudor à crítica.
Sejamos justos. O que seria dos nossos adversários directos caso padecessem de tão extenso rol de contrariedades? Estariam na luta?"

Luís Fialho, in O Benfica

Elogio de Sporting e FC Porto à Taça da Liga

"FC Porto e Sporting mostraram no último fim-de-semana de 2013 que a Taça da Liga está ao nível da Liga dos Campeões nos seus objectivos para esta época. Ambas as equipas apresentaram os seus melhores jogadores e com uma entrega digna de registo. Curiosamente o FC Porto conseguiu um empate (que não mereceu) graças ao único não titular que apresentou: o guarda-redes Fabiano Freitas foi o herói da equipa azul e branca.
Esta vontade de ganhar a competição só não é verbalizada com mais coragem, porque isso era dar valor a quem ganhou dois terços das vezes esta prova. E o que une Sporting e FC Porto é não conseguir dar valor a nada que o Benfica vença.
Eu elogio o Sporting e o FC Porto por quererem muito vencer a Taça da Liga, já ambos chegaram duas vezes à final desta competição e nunca conseguiram conquistá-la. É justo e prestigiante esta entrega à prova por parte dos nossos rivais.
Por exemplo, eu festejei o golo contra o Nacional da Madeira a passear na Madison Avenue. Durante o jogo com a equipa madeirense recebi 23 preciosos sms, que me mantiveram informado mesmo à distância de um continente.
Escrevo com o frio de Nova York a atingir os 15 graus negativos, mas com a convicção de que os sms de amanhã vão noticiar mais uma vitória contra o Gil Vicente, na Taça de Portugal.
Com o Central Park coberto de neve, um frio siberiano, e uma paisagem dos deuses, basta uma vitória contra o Gil Vicente para o ano de 2014 ter entrado de forma perfeita, até porque o cordeiro no Balthazar também estava perfeito.
Mesmo nas condições mais simpáticas da vida, a vitória do Benfica é fundamental."

Sílvio Cervan, in A Bola

O preço da desigualdade no futebol

"Joseph Stiglitz apresentou, neste ano de 2013, o livro O preço da desigualdade onde defende a ideia de que a troika mais ricos/mais políticos/mais influentes ganha com a desigualdade sócio-económica. Quem investiga o futebol, depressa observará também que a desigualdade entre Grandes e os outros (que acontece em todos os campeonatos profissionais europeus) tem alimentado a pretensa grandeza de uns e poderá, em breve, levar a uma implosão (no mínimo, a um retrocesso histórico) do desporto-rei no Velho Continente. Esta ameaça tem três dimensões: desregulação financeira, descapitalização e desigualdade. 

Desregulação financeira
Os actuais fundos de investimento mais não são que a modernização do patronato que nas décadas de 50 a 70, alguns mecenas realizavam sobre determinados clubes assegurando a fidelização dos craques. Neste momento, os empresários/investidores reúnem capital, criam um fundo (por vezes, sediado em offshores) e adquirem percentagens dos passes dos jogadores, beneficiando das mais-valias pelas sucessivas transferências. Em primeiro lugar, quem perde algum controlo é a figura do agente tradicional que recebia a figura da comissão. Em segundo lugar, devido à emergência da figura no panorama financeiro, creio que a mesma possibilita perdas de receitas fiscais para os Estados. Por último, complexifica as finanças do futebol – cada vez mais anónimas e cada vez mais longe dos estádios. O pedido da UEFA em 2012 (dirigido à FIFA, para proibir a actividade global destes fundos, agilizadores de transferências de jogadores de campeonatos emergentes) é um toque a rebate.

Descapitalização
No caso de um clube de futebol representado por uma SAD, os primeiros decisores deveriam ser os sócios detentores do capital da SAD. Desde o momento que o clube não está controlado pelos sócios locais e pelos adeptos, fica à mercê dos interesses dos verdadeiros donos da bola. Obviamente, esta ausência de controlo pode, numa escala maior, deteriorar os respectivos campeonatos e a indústria no global, se existir um ciclo de descapitalização das SAD devido a necessidades financeiras. Nessa altura, corremos o risco de deixar de ter clubes, mesmo num sentido estético. Para acautelar a realidade contra a eventualidade desse cenário, seria útil que as Ligas internas, mas também a UEFA/FIFA criassem um fundo de capitalização obrigatória por parte dos clubes SAD que funcionasse como um seguro de resposta imediata perante os cenários de descapitalização emergente (este fundo teria alguma semelhança com o Fundo de Resgate europeu sediado no BCE).
A transição para que os clubes voltem a deter, por inteiro, os passes dos jogadores é um processo complexo que ninguém quer discutir. Haverá possivelmente direitos compensatórios, haverá possivelmente jogadores a perder valor, e haverá muito possivelmente clubes sem capacidade de intervenção. 

Desigualdade
O financiamento por obrigações (que virou ‘moda’ no futebol português) é tão só o resultado das necessidades de reestruturar o passivo dos clubes, levando a que a dívida aos fornecedores de capital de curto prazo seja atirada para os passivos de médio e longo prazo, dando alguma margem de liquidez para os clubes. No entanto, quando estes empréstimos vencerem, gera-se a necessidade de recorrer novamente ao processo de pagar as dívidas em vencimento com dívidas em contracção. No entanto, este processo não é garantido para sempre; chega um ponto em que os financiadores duvidam da capacidade dos clubes solverem as dívidas, quer pelo crescendo das taxas de juro, quer pelo peso dos seus passivos. Nesse momento, não bastarão garantias reais – a liquidez só será garantida com a alienação de curto prazo dos activos. Neste momento, as fontes de financiamento mais adequadas passam pela capitalização dos direitos dos activos intangíveis: marcas, publicidade/merchandising, e direitos televisivos. Obviamente o aproveitamento dos direitos de formação, se bem gerido, pode ser uma almofada nestes tempos para clubes de menor dimensão.
A crise agrava o fosso entre clubes ricos, com mais craques e com mais pontos, e os clubes menos ricos, com menos craques, com menos pontos. A crise nunca diminui esse fosso. Olhem-se os resultados dos clubes portugueses por exemplo e a exposição conseguida com a representação nas provas europeias. Observe-se ainda uma representação histórica.
Muitos dirão que a desigualdade é aceite tacitamente. Todos, no caso português, têm uma preferência de 1.ª ou 2.ª escolha por um dos 3 grandes. E depois há o nosso hedonismo intrínseco – todos gostamos de apostar no cavalo que ganha, de sofrer durante e ganhar no fim, de saborear mais golos que o vizinho. Daí, tendermos a ser simpatizantes, adeptos e sócios dos Grandes que concentram maiores probabilidades de vitória e de sucesso. Afinal, a desigualdade começa em nós."

Doping: a questão filosófica

"Nos últimos tempos têm sido recorrentes as notícias relativas aos casos de doping no mundo do desporto. Do ciclismo ao atletismo, passando pelo futebol (e até no wrestling turco ou nos pombos de corrida…), são cada vez mais os competidores apanhados com substâncias proibidas.
Os casos do ciclismo têm merecido especial destaque, uma vez que surgiram confissões de ciclistas vencedores que conseguiram escapar à detecção nos controlos anti-doping (o que põe em causa a sua eficácia). Isso corrobora a ideia de que a “ciência” do doping está sempre à frente da “ciência” da detecção e de que a implantação do doping é, provavelmente, muito mais generalizada do que os números da detecção permitem supor. Tendo esta realidade como pano de fundo, duas questões levantam-se: o que deve ser considerado doping? Deve o doping ser proibido?
Uma tentativa de resposta pronta a estas questões parece simples: o doping é o conjunto daquelas substâncias externas que produzem um aumento artificial do desempenho atlético; e devem ser proibidas porque desvirtuam a competição, o mérito e podem causar danos a médio e longo prazo na saúde dos atletas. Porém, uma análise mais cuidada às perguntas não nos permite ser tão lineares. Na realidade, as respostas não são fáceis e exigem uma análise filosófica.
Primeiro, a classificação de algo como doping está longe de ser inequívoca (não é por acaso que a lista das substâncias proibidas está em constante mutação, com entradas e saídas de novos e velhos produtos). Depois, na definição de doping entram as ideias de “aumento de rendimento”, “artificial” e “prejudicial para a saúde”. Porém, nenhum desses atributos é exclusivo do doping. O plano alimentar de um atleta está desenhado de forma a maximizar a sua performance e nesse plano alimentar são incluídas substâncias manipuladas artificialmente, como suplementos proteicos ou complexos multivitamínicos. A metodologia do treino é também uma forma artificial de melhorar a performance do atleta e mesmo os equipamentos (ex. sapatilhas, fatos de banho ou raquetes) também condicionam o desempenho. Se pensarmos nos efeitos secundários, também teremos dificuldades. O desporto profissional, é sabido, faz mal à saúde e origina problemas, a médio e longo prazo, devido ao excesso de esforço a que os competidores submetem a sua “máquina” – ou seja, a classificação de algo como doping é complexa e subjectiva.
A segunda questão também não é fácil, porque não só o doping desvirtua o mérito. Na realidade, o mérito nas competições desportivas está muito mal compreendido. Em bom rigor, o mérito só devia ser medido em função do esforço relativo que cada atleta fez (e do seu progresso), não em função de quem ganha a competição. Senão, vejamos: que mérito tem um nadador que já nasceu com mãos e pés de tamanho desproporcionado, e com todas as características aquadinâmicas, face a um outro, de um metro e sessenta, mãos e pés pequenos, mas que se dedica e esforça muito mais? Que mérito tem um competidor de um país desenvolvido que tem ao seu dispor toda uma infra-estrutura física e humana potenciadora das suas capacidades, face a um de um país miserável? Na realidade, as competições desportivas servem muito mais para assinalar dons genéticos e condições de contexto (que tornam certos seres humanos especialmente dotados para a actividade em questão) do que para destacar o mérito. Não é por acaso que, numa mesma modalidade, os campeões são, fisicamente, muito parecidos. Não foi o treino que os moldou assim, foi a genética que lhes permitiu ficarem assim e a competição que os foi seleccionando. Não haja dúvida: um campeão tem que treinar muito para o ser. Mas o que o torna campeão não é o treinar mais que os outros senão o ser mais dotado. O doping entra nesta equação como uma tentativa de tudo superar: o atleta em desvantagem, ou mais ambicioso, usa o doping para ganhar. Depois, por pressão competitiva, os outros também têm que o usar para poderem continuar a lutar…
Enfim, a grande questão é saber o que queremos do desporto profissional. Se o objectivo for apenas produzir campeões e gerar receitas televisivas, então, poderemos vir a ter competições futurísticas entre mutantes especificamente desenhados para as provas, com a nanotecnologia e engenharia genética a terem o papel principal. Se quisermos enaltecer o mérito e a natureza humana, então, teremos que redesenhar, filosoficamente, todo o desporto profissional."

Morte errada

"Estou longe de ser um fã de Fórmula 1. E estou muitíssimo longe de ser um fã de Michael Schumacher. Ao desporto, considero-o repetitivo e pobre de alma nas paixões que desperta. Do piloto, acho praticamente o mesmo. Seja como for, é um dos melhores pilotos de todos os tempos e não é fácil encontrar semelhante currículo de vitórias noutra qualquer modalidade. Será essa a razão que leva um tamanho interesse global no seu estado de saúde? Ao ponto dum jornalista idiota se ter mascarado de padre para tentar entrar no seu quarto para supostamente nos informar sobre o seu estado de saúde? Talvez. Mas outra razão contribuiu para o interesse geral, o que me inclui a mim, que não ligo grande coisa à Fórmula 1. Há qualquer coisa de inusitado no acidente que ia tirando a vida a Schumacher.
Se Schumacher estivesse em risco de vida por uma doença crónica qualquer, seria banal. Se estivesse na cama do hospital por um acidente ligado à condução, seria expectável. Mas estar às portas da morte por ter ido contra uma rocha quando esquiava relativamente devagar, depois de anos a arriscar a vida a pilotar máquinas a velocidades pouco recomendáveis, é contranatura. É como ver um veterano de guerra morrer por um crime passional. É como se a morte tivesse de fazer justiça à vida. Não por ter de ser grandiosa ou banal, mas por dever ser adequada no seu contexto à história pública de quem se fina.
Conhecemos as figuras públicas pelas actividades que as fizeram públicas. E esperamos que essas pessoas morram de morte comum – a que é genericamente adequada a todas as vidas - ou de morte compatível - o cantor de rock morre de overdose, o escritor de cirrose, o ator suicida-se de forma dramática, o político é assassinado ou morre de “doença prolongada”, o desportista morre de mazelas antigas ou de velhice. O piloto de Fórmula 1 não morre a esquiar fora de uma pista. Não lhe fica bem. Por isso, Schumacher não está destinado a esta morte. É aquilo a que costumamos chamar de “morte estúpida”. O que, bem vistas as coisas, é a mais estúpida das afirmações. Como se não fossem todas as mortes inevitavelmente estúpidas. Ou apenas lamentavelmente necessárias."

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Poupa-se imenso no Latim

"Demos por certo que se Daúto Faquirá fosse o treinador do FC Porto e Manuel Cajuda o do Benfica, Fabiano e Oblak seriam os guarda-redes titulares das suas equipas.

ESTÃO tão parecidos o Benfica e o FC Porto nesta temporada que, francamente, até faz confusão. Basta ouvir os adeptos de um e de outro emblema para se dar conta de quão iguaizinhos estão os arquirrivais no que diz respeito às opiniões que emitem sobre a produção de jogo das respectivas equipas de futebol. 
Dizem os benfiquistas:
- Não estamos mesmo a jogar nada.
E dizem os portistas:
- Não estamos a jogar rigorosamente nada.
E os seus olhares, carregados de pesar, cruzam-se piedosamente e sem deitar chispas, que seria o normal. 
Ou não é assim que estão os moods nos dois campos?
Estes estados de espírito, tão raros de ver conjugados, são, no entanto, benéficos para a paz e para o sossego do país. Como os dois adversários reconhecem que não estão a jogar nada, poupa-se logo imenso no latim ficando as azedas discussões do costume reduzida a zero por falta de material.
E, se bem repararam, já nem sequer falam mal de árbitros os potentados da Luz e do Dragão. Silêncio absoluto sobre penaltis, foras-de-jogo e quejandos.
Terão combinado entre eles, à socapa, absterem-se de emitir comunicados sobre tudo o que meta um apito, deixando esse fardo a pesar nas costas do novo presidente do Sporting?
É o que parece. Mas há quem diga que, neste capítulo, até já estão a abusar.
Tenho um amigo sportinguista que não concorda nada com isto. Garante ser impossível qualquer tipo de combinação entre o FC Porto e o Benfica para prejudicar o Sporting porque isso é «contranatura», nas palavras dele. Poderá ter razão.
Exibiu, no entanto, um argumento fraquíssimo para me demonstrar que ainda no último clássico, para a Taça da Liga, ficou provado que é entre o Sporting e o FC Porto que se arranjam as melhores combinações.
- Ambas as equipas iniciaram o jogo com os seus pontas-de-lança argelinos e terminaram-no com os seus pontas-de-lança colombianos. Foi uma combinação!
Enfim, um disparate. Não deixa de ser verdade que foi exótica a situação. Mas nada mais do que isso. 
Adiante.
Falava-vos de como estão parecidos, esta temporada, os adeptos do Benfica com os do FC Porto e vice-versa. Consideram por aparente unanimidade que as suas respectivas equipas não estão a jogar nada e encolhem os ombros com estupefacção quando olham para a tabela classificativa do corrente campeonato e constatam que seguem em primeiro lugar com o mesmo número de pontos.
Não é o mesmo número de pontos que os alarma, pois se ambos jogam a mesma coisa – isto é, nada – é de esperar que tenham somado o mesmo parco pecúlio. O que os surpreende é o facto de estarem em primeiro lugar. E quase consideram como imerecida essa posição. Isto é o que se ouve por aí.
Como se não bastasse esta anormalidade do espírito que vem durando desde o início da prova, surgiu agora uma outra consonância entre o Benfica e o FC Porto que, não sendo uma anormalidade do espírito, é antes uma anormalidade de carne e osso.
Trata-se da questão muito humana dos guarda-redes. E, lá está, dos respectivos guarda-redes dos dois emblemas. Pois estão a viver exactamente o mesmo transe, e com requintes de malvadez, os pobres Helton e Artur, ambos por coincidência brasileiros não sendo, no entanto, coincidentes os respectivos currículos, há que dizê-lo. Titulares indiscutíveis das suas balizas, Artur e Helton, viram-se de repente relegados para a condição de empata-talentos, de atrasa-futuros e, para tanto, bastou que Jorge Jesus abrisse, finalmente, a porta a Oblak e que Paulo Fonseca confiasse a Fabiano, como é norma nestas ocasiões menores, a defesa das redes do FC Porto no jogo com o Sporting a contar para a Taça da Liga.
Isto se considerarmos a Taça da Liga como uma questão menor o que, vendo o empenho posto em campo pelas duas equipas na noite de domingo, custa um bocado a avalizar. Mas são cada vez mais os treinadores que colocam os habituais guarda-redes suplentes em acção quando os jogos não são a contar para o campeonato, que é de longe o que realmente interessa.
Adiante.
Sem, provavelmente, atingir a unanimidade do coro do «não estamos a jogar nada» no Dragão e na Luz no que se refere à qualidade do espectáculo, esta questão dos novos guarda-redes e dos velhos guarda-redes também faz com que os adeptos do Benfica e os adeptos do FC Porto venham exprimindo uma confiança idêntica em Oblak e em Fabiano.
Trata-se de uma onda iniludível. A própria comunicação social foi atrás do assunto comum aos do Dragão e aos da Luz e consultou especialistas na matéria. Antigos treinadores de Oblak e de Fabiano confirmaram à imprensa as melhores expectativas geradas nos dois campos.
«Fabiano dificilmente perde a titularidade se Helton vacilar», disse Daúto Faquirá, que foi treinador de Fabiano em Olhão. Faquirá falava no rescaldo do Sporting-FC Porto de domingo passado. «Fabiano é completo», acrescentou. «Fabiano é irrepreensível», acrescentou ainda mais. Fabiano fez uma belíssima exibição negando ao Sporting uma vitória que seria merecida.
Manuel Cajuda, que foi treinador de Oblak em Leiria, nem esperou pelo jogo de estreia do esloveno como guarda-redes da equipa principal do Benfica – ocorreu em Setúbal, uns dias antes do Natal – para vaticinar certas coisas de forma muito directa: »Artur, o teu lugar é capaz de ter ido ao ar.»
Entre o jogo de Setúbal e o jogo na Madeira, contra o Nacional, Cajuda, já com o apoio de muita gente, voltou a falar sobre o seu ex-pupilo em termos que não deixam dúvidas. »Oblak é uma monstruosidade na baliza.»
Demos, assim, por certo que se Daúto Faquirá fosse o treinador do FC Porto e se Manuel Cajuda fosse o treinador do Benfica, Fabiano e Oblak seriam os guarda-redes titulares das suas equipas.
Como não são, vamos todos ter de esperar para ver o que vai acontecer. Todos, os da Luz e os do Dragão estão presos neste suspense.
Eu, confesso, estou. Até porque tenho Manuel Cajuda em grande conta.

EM Espanha, a versão preliminar da Lei da Segurança e Cidadania, já aprovada pelo actual governo de Mariano Rajoy, aponta para multas até mil euros para quem se atreva a jogar à bola nas ruas, em espaços públicos, em jardins, em praias.
Os espanhóis são campeões do mundo de futebol mas, depois disto, não merecem. E, cá para mim, a lei é inexequível. O futebol de rua será sempre o berço democrático dos futuros campeões.
Lembram-se de cada coisa.

ACABOU 2013, facto em si que é um bem para a língua portuguesa que levou tratos de polé depois de um ano inteiro a ouvir-se dizer dois mil e treúze para cá, dois mil e treúze para lá. Milhares, quiçá milhões, descobriram um ú na palavra treze, é obra.
Foi um fenómeno linguístico que não conheceu classes sociais, nem graus académicos nem, muito menos, qualificações profissionais. Acabou anteontem dois mil e treúze, já era tempo. Pode ser que dois mil e catorze corra melhor e correrá, por certo, desde que não se lembram agora os criativos da língua de descobrir outro ú que o transmude, por exemplo, em cuatorze que também é chique.
No campo dos relatos de futebol, pelo contrário, há coisas que já nunca vão mudar, como o saudável hábito de transformar substantivos em verbos. Assim, continuaremos a ouvir, e para todo o sempre, que um jogador «temporizou» enquanto outro, por ser mais afoito, «desposicionou-se» com grande pinta.
No fim do jogo «parabenizaram-se» todos.
Provavelmente até é bom português. Mas que soa esquisito, soa. A propósito desta questão de estilo, partilho convosco um pequeno texto de Millor Fernandes, escrito no distantíssimo ano de 1946, em que o humorista brasileiro abordou o fenómeno da transformação de substantivos em verbos, que também o devia incomodar, numa suposta carta escrita a um seu irmão.
Cá vai:
«Maninho, ao meio-dia papelei-me e canetei-me para escriturar-te. E paragrafei finalmente aqui porque é hora de adeusar-te pois ainda tenho de correiar esta carta para ti e os relógios já estão cincando.»
É bom, não é? E até se aprende que no Brasil de 1946 os Correios fechavam as portas às cinco da tarde.
A brutal criatividade de Millor Fernandes inspira-me a anunciar-vos que não podia ter ficado mais contente pelo próximo Benfica-FC Porto se ir Catedralizar no dia 12 de Janeiro quando os relógios estiverem quatrando em ponto.
É que gosto do futebol à luz do dia."

Leonor Pinhão, in A Bola

«Prioridade de 2014 é conquistar o título nacional»

"«Trabalho para cumprir o sonho dos benfiquistas: um Benfica 'made in' Benfica»
(...)

«É evidente que esperava ter mais títulos conquistados nestes anos»
- Como viveu o presidente do Benfica os dias em que o seu clube tudo foi perdendo, Liga portuguesa, Liga Europa, Taça de Portugal?
- Não há palavras que possam traduzir o sentimento, a sensação de frustração que senti - como todos os benfiquistas - durante esses dias e que acompanhou durante muitas semanas. Tivemos mérito em chegar lá, creio que não tivemos a sorte do jogo em duas dessa finais e, claramente, não estivemos a altura do que nos era exigido na final da Taça de Portugal. É um ano para não esquecer, foi se dúvida dos momentos mais difíceis que vivi aqui no Benfica.

- A decisão de renovar  contrato de Jorge Jesus, no contexto em que sucedeu, foi a mais difícil, no âmbito desportivo, dos seus mandatos?
- Acho que a pergunta deve ser feita de outra forma. Que gestor, analisando o que tinha sido feito nos últimos 4 anos, tomaria uma opção diferente? Houve uma avaliação séria do trabalho de Jesus. Este foi o primeiro ano em que, no actual formato da Champions, estivemos no pote 1. No primeiro ano de Jesus o Benfica era 23.º do ranking europeu, na época passada acabamos em 5.º, atrás do Bayern de Munique, do Dortmund, Chelsea e Real Madrid... Isto são factos. Em quatro anos estivemos numa meia-final e numa final europeia... Quando se lidera um Clube como o Benfica há muitas vezes a tentação de gerir com o coração, e isso é o pior que podemos fazer. Jesus cresceu e evoluiu ao longo destes quatro anos, mas o Benfica também evoluiu e cresceu com ele. É evidente, tenho essa noção, seria sempre uma decisão que não mereceria a concordância de todos, mas qual é a decisão que merece unanimidade?

- Fica a ideia de que o Benfica tem tido muita dificuldade em ultrapassar o bloqueio psicológico do maio maldito...
- Acho que efectivamente durante demasiado tempo não nos conseguimos desligar desse final de época. Não começamos o campeonato com zero pontos, começamos muito abaixo de zero, porque efectivamente foi traumático, mas creio que passados estes meses esse capítulo já está fechado. Porventura ainda não estamos a jogar o que jogamos no ano passado, mas vamos lá chegar, estou convencido disso.

- Seis meses depois, já a frio, que balanço faz do caso entre Jesus e Cardozo?
- O mesmo que fiz no próprio dia. Não devia ter acontecido, mas também é verdade que ganhou uma dimensão maior do que devia porque foi um caso que envolvia futebol e envolvia o Benfica. Como é evidente não fiquei satisfeito, mas não podemos nunca retirar do contexto as situações. Sinceramente creio que foi bem resolvido. Não houve nenhum ultimato de ninguém, houve ofertas mas não houve garantias, o jogador reconheceu o erro, foi penalizado e, finalmente reintegrado.

- Não levou muito a resolver?
- Essa é a crítica mais ouvida da parte daqueles que estão de fora, que não percebem que o futebol é um jogo de emoções, que acham que tudo se resolve de forma simples. Muitas vezes acontecem situações que os jogadores não conseguem controlar, há inúmeros casos desses e em todos eles a solução nunca é fácil porque envolve três vertentes: a desportiva, a financeira e a humana. Quem disser que um caso destes é fácil de gerir e resolver não sabe o que está a dizer.

JORGE JESUS, PARTE DA SOLUÇÃO
- Continua a sentir Jorge jesus como parte da solução?
- Pelo que disse atrás, a resposta é sim. Temos beneficiado com a estabilidade da equipa técnica. É evidente que esperava ter mais títulos conquistados nestes anos, mas precipitar uma decisão pode significar destruir u longo caminho que foi construído até aqui.

- A mensagem de Natal que enviou a todos os benfiquistas tinha recados para o treinador?
- Eu não mando recados ao meu treinador, eu falo com ele quando é necessário. Isso não passou de um título de jornal que muito provavelmente não tinha nada melhor para ter na primeira página nesse dia e que, depois, alguns especialistas desenvolveram. Não acha que expressei o sentimento de todos os benfiquistas? Se não digo nada é porque devia, quando manifesto o sentimento de todos os benfiquistas é porque estou a enviar recados... Há uma coisa que tenho a certeza, Jesus concorda com a mensagem de Natal na totalidade, como aliás já o manifestou publicamente.

- O treinador, como se viu, por exemplo, em Guimarães, não anda com os nervos demasiado à flor da pele?
- Não. O Jesus sempre foi assim, desde o primeiro ano em que chegou ao Benfica sempre foi igual. Não é uma questão de nervos, é uma questão de feitio. Há quem goste, há quem não goste, mas aquilo é ele.

- A irregularidade exibicional do Benfica, de mãos dadas com a crise que continua a assolar Portugal, tem afastado adeptos da Luz. Como inverter este ciclo?
- Há uma coisa que é verdade, que é a irregularidade exibicional do Benfica. Quando ao afastamento de adeptos da Luz não corresponde à verdade. Dos seis jogos em casa disputados para o campeonato, em termos comparativos com o ano passado, estamos com mais espectadores, mesmo tendo em conta que no primeiro jogo tivemos menos 18 mil espectadores, fruto da ressaca do fim de época. O que significa que nos restantes cinco jogos estivemos sempre acima da média de espectadores da época passada. Mas isso não invalida que efectivamente estejamos a apresentar exibições que não estão ao nível do que podemos fazer. Já agora, também não podemos esquecer a crise económica e , principalmente, a carga fiscal cega que taxou o futebol com 23% IVA.

- Sente-se compensado do esforço que fez ao manter os jogadores mais valiosos do Benfica no plantel?
- Foi um esforço assumido e que não me arrependo de o ter feito. É evidente que ficar de fora da Liga dos Campeões foi uma desilusão e mais duro é esse golpe quando ficamos de fora perante um Olimpiakos em cujo campo fizemos o melhor jogo da época e num jogo onde deveríamos ter ganho de forma folgada. É duro ainda quando conseguimos 10 pontos e houve equipas a passar à fase seguinte com 6, mas isso é futebol e nada podemos fazer. Ficaria arrependido se não tivesse feito esse esforço.

- Lembrou que o Benfica fez 10 pontos na Champions, mas mesmo assim ficar em terceiro lugar num grupo acessível não é demasiado frustrante?
- Frustrante foi não ter passado a fase de grupos, o resto é secundário. Grupos acessíveis? Essa é a parte do futebol falado. Não adiante dizer que fomos superiores ao Olimpiakos, porque o fomos, infelizmente as bolas não entraram.

- No mercado de Janeiro o que vai suceder?
- No verão fizemos um grande esforço e mantivemos todo o grupo, a eliminação da Champions foi, evidentemente, um duro golpe desportiva e economicamente, o que nos vai obrigar a analisar as propostas que chegarem. Não creio poder conseguir repetir o esforço que fizemos o verão.

- O que está a dizer é que vai ser obrigado a vender?
- Não é uma questão de obrigação, é de gestão. Se houver sondagens ao nível das que houve no verão, não as vamos poder ignorar.

- Matic?
- Não vou individualizar porque felizmente temos muitos jogadores cobiçados por clubes que não depednem das suas receitas ordinárias para comprar.

- E entradas?
- Vamos aguardar... Não vou antecipar cenários. Podem acontecer ou não! Os reforços estão na equipa B ou nos jogadores emprestados.

APOSTA NA FORMAÇÃO É VIA INCONTORNÁVEL
- A formação do Benfica já produz internacionais e consegue títulos em todos os escalões. Mas os jogadores não passam da equipa B, sendo que as oportunidades na equipa principal são residuais. Isto não é um contrassenso?
- Há uns anos era porque a formação não produzia jogadores, agora é porque não jogam todos na equipa principal? Temos de ter calma, a formação é um projecto de sete a dez anos, como sempre o assumimos, e os frutos começam a aparecer, mas não podemos querer que de um momento para o outro haja cinco, seis jovens da formação na equipa principal. Há etapas que não devem ser queimadas, há uma maturidade que se tem de ganhar com paciência. As oportunidades já surgiram e vão continuar a aparecer...

- Quando a SAD do Benfica renova com os jovens talentos e introduz cláusulas de rescisão milionárias, não está à espera de outro comportamento do treinador, mais adequado à filosofia do clube?
- As cláusulas são um acto de gestão. O trabalho do treinador é um capitulo à parte, mas já agora aproveito para lhe dizer que o treinador sabe qual é a estratégia e o caminho traçados em relação à nossa formação. Convém que ninguém se iluda, a pressa é sempre má conselheira, mas é evidente que os jovens vão ter obrigatoriamente cada vez mias espaço nas nossas equipas de competição. O sonho de todos os benfiquistas, e o meu também, é ter, tanto quanto possível, porque haverá sempre lugar para quem nos venha ajudar a ser mais fortes, um Benfica made in Benfica.

- André Gomes pouca joga. Pode sair?
- Vou responder da seguinte forma: qualquer jogador pode sair se surgiram propostas consideradas irrecusáveis. No caso do André em específico creio que já teve oportunidades e, no caso de ficar no plantel, elas vão continuar a surgir.

- Sobre o política de contratações, como se explica a chegada de tantos sérvios?
- Porquê? Se fossem brasileiros ou argentinos não havia problema? O Benfica investe onde há bons jogadores, esse é o critério e a verdade é que a escola de futebol sérvio tem tradição e já estava a ser acompanhada pelo nosso scouting há algum tempo. Aliás, fruto do trabalho do scouting é que foram identificados os jogadores que foram contratados, nada mais que isso. A única linguagem que vale no balneário é a linguagem do futebol.

- Os jogadores emprestados são fonte de receita, de despesa ou são um investimento?
- Até agora fonte de receita, raramente o Benfica empresta sem gerar receita, mas é evidente que também representam um investimento. O ano passado tivemos um encaixe de quase 5 milhões de euros com jogadores emprestados. Mas ao mesmo tempo, os empréstimos visam um outro objectivo. Sabemos que há jogadores que cabem no futuro do Benfica, mas que no imediato não têm espaço no plantel. Nesses casos é preciso que eles ganhem competitividade.

- Mas mesmo assim o Benfica não tem jogadores a mais?
- É uma situação controlada e em permanente estudo. Sem querer entrar em detalhes, garanto que estamos muito atentos à forma de optimizar os activos do Benfica.

- Ficou muito agastado com o empate caseiro com o Arouca, um resultado que, por tão inesperado, entra para a história da Liga. O que fez sentir à equipa técnica e aos jogadores?
- Como podem imaginar fiquei decepcionado. Mesmo que estivéssemos a jogar com 10 tínhamos a obrigação de ganhar, foi isso que transmiti àqueles que diariamente me acompanham. Foi um resultado totalmente injustificado.

AS FINANÇAS DO BENFICA
- Como estão as finanças do Benfica?
- O Benfica atravessa as mesmas dificuldades da maioria das empresas portuguesas, ou seja, dificuldades no acesso ao crédito, quebras de receitas e uma necessidade permanente de reduzir custos. Temos, ainda assim, um plantel cujo valor é por todos reconhecidos e que foi recentemente valorizado em 250 milhões de euros. Situação que se fosse reconhecida no balanço nos permitia estar com capitais próprios positivos e com o balanço equilibrado.

-Fala-se num passivo a rondar os 450 milhões de euros. Esta situação preocupa-o? Ou tem sido mal apresentada?
- Respondo da seguinte forma: É uma situação controlada, que alguns têm querido empolar. Mais, somos o único clube a consolidar as suas contas, portanto, quando aparecem, de vez em quanto, contas comparadas com os outros clubes, não o podem fazer, ou pelo menos não deviam, porque são realidades completamente diferentes.
Desses 450 milhões de euros, há 50 milhões que não são exigíveis. O restante é um valor alto, mas, como disse atrás, seria muito inferior ao activo se pudéssemos reconhecer o real valor do nosso plantel. Os nossos parceiros financeiros e os nossos auditores acompanham regularmente a situação do Benfica e, conforme é público, mantêm total confiança na gestão. Há uma coisa que posa garantir, não estamos a negociar qualquer perdão de dívida.

- Qual a estratégia financeira do Benfica para o futuro?
- Manter uma gestão equilibrada de tesouraria que nos permita não aumentar o nosso endividamento e cumprir os planos de reembolso acordados. Essa estratégia é hoje possível porque temos finalmente a formação do Benfica a gerar jogadores com qualidade suficiente para integrarem no curto-médio prazo o plantel principal, reduzindo assim o nível de investimento.

- A menor disponibilidade da banca para o crédito penalizou o Benfica?
- Não, apenas nos obriga a ser mais racionais nos nossos investimentos.

OS ASSINANTES DA BENFICA TV
- A Benfica TV chegou aos 230 mil assinantes. Está em linha com o previsto?
- Está claramente acima do que eram as nossas expectativas para os primeiros meses. É um número absolutamente impressionante e que demonstra bem que tínhamos razão quando decidimos avançar para este projecto.

- Que valorização deve ser atribuída, agora, aos direitos televisivos do Benfica?
- Saberemos isso no final desta época quando contabilizarmos as receitas que o Benfica atinge através da sua televisão.

- Não renovar com a Olivedesportos foi uma decisão de raiz política ou económica?
- Fundamentalmente económica, como facilmente fica demonstrado, mas é evidente que ganhámos uma independência que nunca teríamos se fosse outro operador a gerir os nossos direitos televisivos.

- Se a centralização dos direitos televisivos desejada pela Liga avançar, como vai proteger os direitos do Benfica?
- Duvido que a centralização avance e não será certamente por qualquer oposição do Benfica, mas sim porque todos os outros clubes têm contratos assinados de longa duração que não podem ser desfeitos a não ser pode decisão judicial. Mas mesmo que a centralização avance, uma coisa é certa, os valores gerados pela Benfica TV serão aproveitados como valor de referência para aquilo que o Benfica deverá receber num cenário de centralização.

- Mário Figueiredo tem sido muito atacado e vários clubes querem vê-lo demitido. Qual a posição do Benfica face ao presidente da Liga?
- Empenhou-se em cumprir com o projecto apresentado aos clubes e é bom lembrar que o Benfica não o apoiou na sua candidatura, mas seguiu o caminho que disse que ia seguir, isso tenho de reconhecer. Teve batalhas muito difíceis e tem mérito por isso. Combateu poderes instalados e isso é visível e creio que este é o melhor elogio que lhe posso fazer.

- Estaria disposto a apoiar uma eventual reeleição de Mário Figueiredo?
- Primeiro é preciso saber se ele será candidato, analisar outras eventuais candidaturas, ver os respctivos programas e só depois é que se pode responder a esta questão.

- Como qualifica os dois anos de mandato de Fernando Gomes da FPF?
- A avaliação é positiva, cumpriu até agora com as propostas apresentadas, nomeadamente com a profissionalização da arbitragem, arrancou com um projecto que há muito tempo não conseguia sair do papel, que é a Casa das Selecções e, finalmente, conseguiu criar condições para que Portugal se pudesse apurar para o Mundial do Brasil. Aproveito aqui a oportunidade para saudar a Selecção no seu todo e o seleccionador que liderou o grupo. Tenho a esperança de que possam fazer um bom Mundial. Portanto, por todas estas razões creio que estes dois anos de mandato foram muito positivos.

- Como caracteriza as relações do Benfica com o FC Porto?
- Há um relacionamento profissional entre os quadros dos dois clubes. Quanto ao resto a história é conhecida e não se passa nada por isso.

- E com o Sporting?
- Nós temos boas relações com quem respeita o Benfica. Isso não aconteceu no passado com o Sporting, mas espero sinceramente que com esta Direcção isso possa mudar.

- As palavras do presidente do Sporting a seguir ao jogo com o Nacional da Madeira merecem-lhe algum comentário?
- Cada um escolhe o seu estilo e a forma como intervém publicamente. O presidente do Sporting entendeu que aquela era a melhor forma de defender o seu clube, eu não vou comentar. É algo que só a ele diz respeito.

- Como que estado de espírito está a encarar o ano novo?
- Com optimismo, como disse na mensagem de Natal. Houve um tempo em que, como todos sabem, não tínhamos meios para discutir em condições de igualdade com outros clubes a liderança desportiva, e mesmo assim tive um discurso de optimismo e de ambição, e até fui criticado por isso. Quanto mais agora que temos todas as condições e um plantel que nos dá garantia.

- Quais são os grandes objectivos do Benfica para 2014?
- O que para mim é prioritário é ganhar o título nacional, mas é evidente que nas restantes competições temos de ter ambição de as ganhar, pensando jogo a jogo, com humildade mas com determinação, quer seja na Taça da Liga, na Taça de Portugal ou na Liga Europa.

«Carraça quebrou todos os códigos de balneário»
(...) 
Luís Filipe Vieira não quis entrar no detalhe da polémica, dizendo não gostar «de falar de casos que devem ser geridos internamente» e garantindo que «António sabe porque saiu.» No entanto, o líder encarnado fez questão de lamentar que Carraça tivesse «divulgado assuntos de pura gestão interna e que assim deviam ter continuado», sublinhando que, ao fazê-lo, «quebrou todos os códigos de balneário. E vou ficar por aqui.»

«Cenário de operação não está completamente afastado»
(...)
Vieira, nitidamente melhor mas mesmo assim sujeito a tratamento regular, revelou a A BOLA que se trata de «um problema na coluna, na cervical. Uma situação muito incómoda e que provoca muitas dores. Tenho tentado evitar a operação, e acho que o consegui, embora esse cenário ainda não esteja totalmente afastado.»

TRISTEZA PELA MORTE DE MANUEL SEABRA
(...)
«Quero, neste momento triste, deixar uma palavra de admiração e o testemunho da minha frustração pela perda de um homem cujo carácter e determinação vão fazer falta à vida pública portuguesa e ao Benfica.»

«Ainda não desisti da Rádio Benfica»
(...)
«Estamos numa fase de alargamento do Caixa Futebol Campus (mais 3 campos de futebol) que ainda vai levar um ano a estar concluído, quero construir um centro de apoio - também no Seixal - para ex-jogadores do Benfica que por quaisquer razões estejam a passar dificuldades, ainda não desisti de concretizar o projecto da rádio, portanto como podem ver há muitos projectos. E quando estes acabarem de certeza que outros vão surgir, porque isto é o Benfica.»

«Vi o pássaro que foi sugado pela turbina»
(...)
«O avião estava a levantar e eu vi, porque vinha junto à janela numa das primeiras filas, o pássaro que foi a seguir sugado pela turbina. Aliás o avião era um Airbus e a turbina ficava perto do sítio onde estava sentado. Houve um barulho, depois silêncio, a seguir percebemos que o motor deixara de funcionar e o avião regressou à pista. Felizmente tudo acabou sem consequências de maior, mas o susto ficou. Até porque houve alguns segundos em que não se sabia o que ia acontecer a seguir...»"

FCD

"O único clube que é capaz de mudar os corações mais empedernidos de paixão é o FCD, Futebol Clude do Dinheiro. O manager do FCD é uma tróica formada pelo mister Draghi do BCE, mister Ben Bernanke do Reserva Federal Americana e mister Alister King do Banco de Inglaterra. A táctica do FCD depende sobretudo da posição do 'trinco' fiscal e dos 'alas' comissionistas. É também  melhor clube a despedir: fá-lo depressa e paga principescamente e equívoco.
Nos últimos dias li, sem surpresa, duas notícias.
Uma relativamente ao ex-treinador do FCP André Villas-Boas. Disse - peremptoriamente - que é impossível vir a treinar o Benfica e o Sporting. Como benfiquista agradeço o seu pudor clubista. Percebo que só mesmo um clube - o FCD - foi capaz de ousar tirá-lo in extremis da sua «cadeira de sonho» no Porto. Chelsea e Tottenham, extremosas filiais do FCD, levaram-no para a fascinante praça londrina, onde por libras sedutoras anestesiaram a sua paixão portista e antibenfiquista.
A outra notícia tem a ver com a hesitação (?) de Carlos Martins em aceitar a proposta de rescisão do seu contrato com o SLB, mesmo que tal implique não jogar. Na pré-época de 2012, o jogador terá feito uma gracinhas e, vai daí, teve uma prenda de Natal antecipada: uma renovação por quatro anos (até aos 34 anos) com um estipêndio fabuloso (segundo li em A Bola, 9000 mil€ líquidos por ano). Depois disso, a nossa memória esgota-se naquela inacreditável expulsão no jogo decisivo com o Estoril que, em qualquer outra profissão, justificaria um despedimento com justa causa!
Villas-Boas e Martins, ambos com o seu emblema no coração."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Nem de propósito, no dia que saiu esta crónica, foi anunciado a transferência do Carlos Martins para o Al Wahda dos Emiratos Árabes Unidos, treinados pelo José Peseiro.

Engarrafamento

"Em anos anteriores, as especulações sobre contratações do Benfica no mercado de Inverno eram imparáveis. Umas capas de jornais passadas, lá assinava um par de jogadores que, com raras excepções, acabava por se revelar redundante – é preciso ter muito boa memória para nos recordarmos de boas contratações em Janeiro. Este ano parece diferente: a entrada de novos jogadores é pouco provável. Há boas razões para que assim seja. Mas há também um engarrafamento de jogadores no plantel do Benfica que é motivo de preocupação.
Um plantel como aquele que o Benfica tem este ano, com muitas soluções para quase todas as posições, acabou por ser muito importante na primeira metade da temporada. Com um sem-número de lesões, não fora a existência de tantas alternativas, o Benfica estaria arredado da luta pelo título. Logo, a principal razão para não contratar alguém é porque o Benfica tem um plantel que peca por excesso e não por defeito. Depois, é claro, a conjuntura financeira está longe de ser propícia a investimentos.
Mas o excesso de jogadores, tendo sido salvífico nestes meses, em condições normais, não é positivo: frustra as expectativas de quem não consegue ter minutos de jogo e, acima de tudo, impede a afirmação de novos jogadores.
Quando não existia equipa B e se perdia o rasto aos jogadores saídos da formação, a margem para contratar jogadores e mais jogadores – muitos de qualidade hiperduvidosa – era muita. Agora já não é bem assim.
Pense-se apenas no caso da posição de médio-centro atacante (8 ou 10, como lhe quisermos chamar). Neste momento o Benfica tem um titular indiscutível, Enzo Pérez, mas logo depois tem demasiados jogadores jovens em fila de espera – Djuricic, André Gomes, Bernardo Silva e ainda, convém não esquecer, Fariña a rodar nos Emirados Árabes Unidos. A consequência é apenas uma: marcam-se uns aos outros e fica diminuída a capacidade de afirmação de, pelo menos, um deles.
Se nada mais, o contexto financeiro deveria obrigar a que racionalidade desportiva e económica passassem a andar de braço dado e se colocasse fim ao engarrafamento no Seixal."

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Quando a águia planou sobre o lago...

"Em dois anos seguidos, o Benfica foi o representante português no famoso Torneio de Montreux de Hóquei em Patins - um segundo lugar e uma vitória, a única de clubes portugueses na prova.

ORA, se me dão licença, vamos lá finalmente ao curioso caso do Torneio de Montreux conquistado pelo Benfica em 1962. Montreux, bonita cidade da Suíça, entornada sobre o Lago Geneva. Quase todos nós, sobretudo os que já caminham dos 50 para cima, têm gratas recordações do célebre Torneio de Montreux, também conhecido por Taça das Nações. Só que ne sempre foi das nações, por vezes foi de clubes, como já iremos espreitar.
Aliás, o torneio passou por diversas designações. Em 1921 aquando das sua primeira edição, chamava-se Tournoi des Pâques, isto é Torneio da Páscoa, e com esse nome se manteve nos dois anos seguintes, dominado pelo Montreux Hockey Club, com duas vitórias, e pela selecção de Inglaterra, com uma.
Ainda não tínhamos chegado àquela espécie de Tratado de Tordesilhas que acabou por dividir o Mundo do Hóquei em Patins entre Portugal e Espanha. Os ingleses, inventores do jogo, davam cartas. Os suíços e alemães batiam-se pelos primeiros lugares, e antes da evolução do Desporto nos países ibéricos, também a França e a Itália nos foram tomando a dianteira. De pouco serviu, como sabemos. E em 1937, a orgulhosa Alemanha nazi não perdeu o ensejo de sujar com o seu nome a lista dos conquistadores.
Até 1949, o Torneio de Montreux serviu para tudo e para mais um par de botas acolchoadas. Foi Torneio de Montreux propriamente dito, foi o Campeonato da Europa não oficial (1924 e 1925), desempenhou o papel de Campeonato da Europa (1927, 1929 e 1931), e foi até Campeonato do Mundo (1939), chegando ao cúmulo de juntar no mesmo ano, em 1948, a designação de Campeonato do Mundo e Campeonato da Europa, assim mesmo, tudo junto, belo título duplo conquistado por Portugal.

As visitas do Benfica
ASSENTE-SE num pressuposto: não foi o Benfica a única equipa de clube a vencer o prestigiado torneio, como aliás já vimos no ano da sua primeira edição. O Montreux Hockey Club, fundador da prova, conta com cinco vitórias. O Herne Bay, da Inglaterra, soma duas. Tal como o Benfica, também Faversham (Inglaterra), Estugarda (Alemanha), Stade Bordeux (França), HC Monza (Itália), Voltregá, Barcelona e RCD Español (Espanha), têm o seu nome na lista.
Em 1962, o Hóquei em Portugal vivia um período confuso. O Campeonato Nacional jogava-se sob nome de Taça de Portugal, o que pode parecer estúpido, e até é, mas como não havia a taça, alguém teve a ideia peregrina de baptizar deste modo o Campeonato numa fase em que se desenrolava uma reestruturação do modelo da prova. Bizantinices, como se compreende, em que o nosso desportozinho português foi e é tão fértil.
Em 1961, curiosamente, já o Benfica tinha ficado em segundo lugar no Torneio de Montreux, atrás do Voltregá, de Espanha, num grupo decisivo no qual se encaixaram também o Modena, de Itália (3.º lugar) e o inevitável Montreux, da Suíça (4.º).
No ano seguinte, o da bonita vitória 'encarnada', participaram na prova oito equipas, divididas inicialmente por dois grupos - Benfica (Portugal), Monza (Itália), Herten (Alemanha), Audomarrois (França), selecção da Inglaterra, Hockey Montreux (Suíça) RCD Español (Espanha) e Nova Gorica (Jugoslávia). Os quatro primeiros da lista ficaram no Grupo 1, e o Benfica venceu todos: 10-2 ao Monza, 4-1 ao Herten e 6-1 ao Audomarrois. No Grupo 2, a selecção de Inglaterra e o Montreux seguiram em frente.
Pois muito bem, no grupo decisivo, o Benfica repetiu a dose: três jogos; três vitórias. Para que não restassem dúvidas quanto à justiça da conquista. 3-2 à Inglaterra; 3-0 ao Montreux e 3-1 ao Monza. Faziam parte dessa equipa nomes como o inolvidável Torcato Ferreira, um dos grandes mestres da modalidade, Livramento, Mário Lopes, Vítor Sousa, Nogueira, Albino, Urgeiro e José Pereira, entre outros.
Portugal ainda é o maior dos vencedores do Torneio de Montreux, com 17 troféus conquistados, um a mais do que a Espanha. A selecção de Lisboa conta com uma vitória (1947) e a selecção de Lourenço Marques também (1958). De resto, só o Benfica. A Taça está no Museu: vão lá vê-la!"

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Fim de ano, com vitória... e qualificação muito bem encaminhada !!!

Nacional 0 - 1 Benfica

Tendo como objectivo conquistar a nossa 5.ª Taça da Liga, hoje, na Choupana, o mais importante era não perder. Pessoalmente, sabendo que em caso de qualificação para as Meias-finais vamos jogar fora, no Alvalixo ou no Dragay - muito provavelmente... -, tudo isto no super-carregado mês de Fevereiro - com PAOK e Tottenham se tudo correr bem... além dos Quartos-de-final da Taça de Portugal -, nem me 'importava' com uma não qualificação, mas com a vitória desta noite, será quase impossível este cenário não acontecer...!!!
Aos lesionados, por opção, juntámos mais alguns titulares na lista de ausentes - Luisão, Matic, Maxi... -, mesmo assim, mais uma vez sem deslumbrar, vencemos. Com alguma sorte no golo, é verdade, mas sem que o Nacional - recente 'carrasco' dos Corruptos e dos Lagartos, relembro isto, porque tenho a certeza que nas próximas horas e dias vamos ouvir e ler a habitual campanha de desvalorização do nosso adversário...!!! -, a jogar na máxima força, tivesse criado muitos problemas, com excepção a uma boa defesa do Oblak e uma bola no poste, numa jogada onde cometemos vários erros: mau passe do Sulejmani; Siqueira não tem que subir naquele momento do jogo; Fejsa não consegue 'matar' a jogada, fazendo falta; e o Jardel deixou-se antecipar...!!!
Começamos bem, fomos perdendo gás, permitimos alguns 'contra' perigosos. Voltámos a estar por cima, marcámos, e voltámos a recuar. Mesmo assim fechámos a 1.ª parte com 60% de posse de bola. No 2.º tempo optámos por uma postura mais recuada, o Nacional acreditou, aumentou a agressividade, o Xistra recorreu à velha estratégia de estar vários minutos consecutivos sem marcar uma única falta a nosso favor (além da impunidade disciplinar aos Madeirenses...), mas com a entrada do Rúben Amorim, voltámos a ter controle do meio-campo, e depois de uma longa ausência, voltámos a aproximar da baliza adversária, com alguns remates...
A única surpresa da noite terá sido a aposta do Nico atrás do Lima, uma estratégia muitas vezes reclamada pelos adeptos, mas pouco utilizada pelo Jesus. Com o Matic na equipa, o Enzo pode perfeitamente fazer aquele papel, como fez com o PSG na Luz.
Ninguém merece especial referência, dos menos utilizados, apesar do erro na jogada da bola ao poste, gostei do Jardel... O Lima continua inconsequente; o Markovic continua ingénuo!!! O Nico esteve nas suas sete quintas, se fosse ele a decidir era ali que jogava sempre!!! O Sílvio dá-se melhor na esquerda, o Siqueira entrou com a vontade toda, se calhar demasiada, pois parecia um extremo...!!!

Benfica Elite Training Camps 2014

Revolta dos pobres e remediados

"Era uma questão de tempo: a revolta contra o regime de transferências de jogadores de futebol. Depois da coragem de Bosman quanto às indemnizações para possibilitar a mudança de clube, o “sistema” reconstruiu-se à volta do “Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores” da FIFA, repercutido nos regulamentos das federações internacionais. Uma reconstrução baseada no pagamento de “compensações pela formação” dos atletas, por um lado, e na possibilidade irrestrita de clausular o montante das indemnizações pela “rescisão” unilateral, antecipada e sem fundamento dos contratos de trabalho.
Uma reconstrução que fundou a construção de “direitos económicos” e “direitos desportivos” para a transacção dos “passes” dos jogadores, com a concomitante entrada dos “fundos” na partilha económica. Uma reconstrução que potenciou uma oligarquia de clubes ricos, jogadores “galácticos” (ou perto disso) e empresários opulentos, funcionando numa espécie de oligopólio conjunto. Uma reconstrução que compartimentou “mercados” e “campeonatos”, tendo em conta onde se “recruta”, onde se “valoriza” e onde se “vende” com os valores mais elevados e especulativos das cláusulas de rescisão (ou, se quisermos, “de negociação”).
A FIFPRO (a federação internacional que representa os jogadores profissionais) anunciou neste final de ano o início da batalha contra o “sistema” junto da Comissão Europeia, do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e do Tribunal de Justiça da União Europeia: “uma acção legal bem sustentada” contra o modelo vigente. Um modelo que, segundo a FIFPRO, atenta contra os princípios de liberdade de circulação dos trabalhadores; “cria uma espiral de desequilíbrios que só beneficia os clubes mais ricos e os empresários”, evidenciada com a percentagem residual de 2% dos valores de transferências que chega aos clubes mais pequenos; concentra 28% dos 550 milhões de euros movimentados em transferências anuais nos bolsos dos empresários; gerou um fosso entre jogadores pagos como reis e a horda de trabalhadores sem salários pagos, que, por isso, se tornam “vulneráveis para a indústria de manipulação de resultados e ameaçam a credibilidade das competições”; um modelo em que urge, por fim, corrigir os abusos das “cláusulas de rescisão”. A FIFA e a UEFA parecem não querer avançar com uma reforma global, em que se juntariam as disciplinas dos “fundos” e do fair play financeiro. Seria a melhor forma de prevenir uma nova onda de “desregulação” caso a FIFPRO consiga fazer de “novo Bosman”. Pois a precaução valeria mais que a cura. A verificar em 2014."

domingo, 29 de dezembro de 2013

Em frente na Taça...

Benfica 96 - 47 Guifões
25-15, 27-21, 23-3, 21-8

Obrigação cumprida, com uma segunda parte onde 'não deixámos' o adversário marcar... A única nota 'negativa' foi não ter chegado aos 100 pontos!!! Assim estamos nos Quartos-de-final da Taça de Portugal, a competição que nos tem 'escapado', inexplicavelmente, nas últimas épocas!!!!
Ainda bem que este jogo foi adiado, assim deu para 'matar' as saudades, de um joguinho das modalidades nesta quadra...!!!

Mão de Lolo !!!

Atlético 0 - 1 Benfica

Não estamos nada habituados a vencer com um golo ilegal!!! É um fenómeno tão invulgar, que ficamos quase sem palavras!!!
Em directo, não me apercebi de nada, aliás a maior parte dos jogadores do Atlético também não... e mesmo aqueles que viram uma Mão na bola, provavelmente não sabiam se era do Lolo, ou de um defesa do Atlético!!! Mas na repetição a ilegalidade é clara... não sei se o Espanhol, teve intenção, mas foi 'muito bem' disfarçado!!!
Também não deixa de ser curioso, que ainda esta semana ouvi o Pedro Henriques (ex-árbitro, actual comentador...) a elogiar o Hélder Malheiro (e não é o primeiro a fazê-lo...). A nomeá-lo mesmo como o próximo 'Proença'!!! 'Taltento' parece que tem, só falta acertar a 'cor'!!!
Este não foi o único erro do árbitro na partida, mas foi aquele que teve influência directa no resultado: houve cantos ao contrário, lançamentos ao contrário... e muitas faltas para a amarelo, principalmente feitas pelos homens da casa, que ficaram em branco..!!!

O jogo, até foi agradável, na 1.ª parte. O relvado estava em muito mau estado, mas o Benfica jogou bem, com vários remates perigosos à baliza, e com o Varela a ser um espectador... Ao intervalo, em vantagem, o Benfica resolveu controlar o resultado, e isso quer dizer que jogámos mais recuados. O Varela voltou a ter pouco trabalho, não não havia necessidade...
Destaco os 9 jogadores da Formação no 11 inicial: só o Semedo e o Lolo são 'estranhos'!!! A dupla Rúben Pinto, João Teixeira está em muito boa forma, o Dino e o Semedo estão a ganhar ritmo... e estou curioso para ver o Lolo 'encaixado' na equipa principal: o oportunismo, técnica q.b.,  remate espontâneo, e a raça/esperteza castelhana parecem ser uma boa mistura!!!

ADENDA:  A forma como a Benfica TV (e o site do Benfica) tentaram esconder o erro do árbitro, não fica bem, ao Benfica. Este tipo de estratégias são de outros, não são do Benfica. Quem não deve não teme. Um erro de arbitragem, é admissível... décadas de erros, sem para o mesmo lado... não tem comparação!!!

Mulher do Benfica !!!

A nossa Ana Dulce Félix, venceu ontem a São Silvestre de Lisboa, no formato 'guerra dos sexos', com a prova feminina a sair com alguns minutos de avanço!!! Este tipo de competição creio que nasceu no Triatlo, e normalmente são os homens que vencem... Sendo que em Lisboa, com este triunfo, temos 3-2 para as meninas!!!
O Ricardo Ribas, marido da Dulce, ficou em 2.º na prova masculina, atrás da sua esposa (vai levar nos ouvidos de certeza!!!), e o nosso homem do Triatlo, João Pereira, ficou em 3.º!!!