Últimas indefectivações

domingo, 31 de março de 2013

A morte desceu do céu

"Ficou para a história como «O Desastre de Superga». Regressado de Lisboa, o avião que transportava o «Grande Torino» despenhou-se quando se aproximava de Turim. Tinha acabado de perder com o Benfica num jogo extraordinário. Recorde-se a viagem...

Quando fez o avião correr pela pista da Portela e elevar-se molemente como uma gaivota preguiçosa nos céus de Lisboa, o comandante, Pier Luigi Meroni, estava longe de pensar que esse poderia vir a tornar-se num voo complicado. Aliás, Meroni era um piloto com experiência e conhecia amplamente o trimotor G.212 I-ELCE que comandava, bem como o percurso que previa uma escala técnica em Barcelona.
E estava um dia bonito, ainda por cima. Tanto assim que a primeira etapa da viagem decorreu de forma agradável e absolutamente sem incidentes. É claro que os tempos eram outros. Em 1949 não se ia de Lisboa a Turim nas pouco mais de duas horas de hoje. Às 9h45, o controlador aéreo do aeroporto de Lisboa registou, muito provavelmente, a partida do aparelho da companhia Avio-Lire-Italiane com a satisfação de mais um dever cumprido. A chegada a Turim estava programada para cerca das 17h15. O voo não cumpriria o seu destino.
Convenhamos que Pier Luigi Merino já não saiu de Barcelona com a mesma tranquilidade com que tinha iniciado a sua manhã portuguesa. Sobre o norte da Itália chovia há três dias. Na véspera, uma intempérie terrível abatera-se sobre a Ligúria e o Piemonte cortando estradas, danificando edifícios, deixando gente sem abrigo. Razões mais do que suficientes para um redobrar lógico de todas as atenções.
Superga dista meia-dúzia de quilómetros de Turim. É um local aprazível, de passeios domingueiros em redor de uma colina onde se ergue a basílica e o cemitério onde repousam os velhos Reis italianos da casa de Savóia. Mas talvez sejam precisamente os sossegos as atracções milenares das tragédias.

Os dias de Maio
Em Maio os dias já são longos. Todavia, nessa tarde escurecera cedo por causa das nuvens negras que se acastelaram nos horizontes e foram descendo do céu como um prenúncio de morte. Por volta das cinco horas da tarde um nevoeiro espesso atravessou-se no caminho da aeronave que já deixara Lisboa há tanto tempo. Pier Luigi Merino e os seus coadjuvantes, o co-piloto Cesare Bianciardi, o telegrafista Antonio Tangrazi, iam fazendo os possíveis e impossíveis para se orientarem dentro de um cokpit no qual o altímetro deixara pura e simplesmente de funcionar. Diria mais tarde o relatório do inquérito levado a cabo pelo Governo italiano que as fortíssimas rajadas de vento terão provocado a deslocação do aparelho para uma rota diferente da habitual. Merino continuou a descida de aproximação ao aeroporto, tudo indica que convencido de já ter ultrapassado os montes de Superga e a colina da basílica que se ergue até praticamente setecentos metros de altura. Seria um erro terrível e irremediável. Quando os recortes da igreja surgiram, aterradores, na frente de uma tripulação ansiosa, era já demasiado tarde. A máquina choca contra a cúpula do templo e despenha-se em chamas pelo derredor. Tudo será sido, porventura, demasiado rápido para o drama colectivo dos pânicos, das preces e das certezas inequívocas do fim. Exactamente às 17h20 a notícia caiu, taxativa e crua, nas redacções dos jornais italianos: «O avião-especial - um trimotor da companhia Avio-Lire-Italiane - no qual viajava de regresso a equipa do Torino caiu perto de Superga. Morreram todas as pessoas que seguiam a bordo da aeronave - 31, incluindo a tripulação.» Os adjectivos tinham ainda de esperar mais um pouco. Aliás, os próprios jornais sentiram na intimidade a extensão dessa noite de desgraça. Renato Casalbore, director do Tuttosport, Renato Tosatti e Luigi Cavallero, redactores da Gazzetta del Popolo e do La Stampa eram três dos cadáveres carbonizados que se espalhavam por entre uma amálgama de ferros entortecidos. Como se o infortúnio fizesse questão de abraçar a todos.
Chamavam-lhe em Itália, Il Grande Torino. E os jornais e jornalistas sempre dispostos a promover heróis, refiram-se-lhe como «uma das mais poderosas e maravilhosas equipas que o Futebol italiano jamais soube exprimir».

A equipa que fez nascer a lenda
Falava-se, ao tempo, das extraordinárias proezas de uma squadra capaz de marcar 125 golos no campeonato de 1947/48 e de golear o Alessandria, por 10-0, na mesma época. E ninguém punha em causa que tal obra de arquitectura futebolística tinha sido obra de um industrial turinense, Ferrucio Novo, conhecido por commendatore Novo, chegado à presidência do Torino aos 42 anos, em 1939, com vontade de transformar o clube num exemplo de organização à... inglesa. Ferrucio Novo rodeou-se de sábios. Sobretudo dois: Roberto Copernico e Ernst Egri-Erbstein, um trânsfuga húngaro que chegou a ser por mais de uma vez treinador da equipa. Foram eles os responsáveis pelo reforço de um conjunto que sonhava com o título italiano. E a obra foi ganhando corpo com a aquisição, a pouco e pouco, daquela que seria a sua constelação de estrelas: o médio de ataque Ossola, do Varese; o ponta-de-lança Gabetto, da Juventus; os alas Menti, da Fiorentina, e Ferraris, do Inter. Mas o passo decisivo deu-se no momento em que Novo garantiu o concurso da dupla de centro-campistas do Veneza, Ezio Loik e Valentino Mazzola. E Mazzola rapidamente de transformou na grande figura do Torino, capitão e símbolo de uma squadra que venceria nada menos de cinco scudetos consecutivos, embora interrompidos pelas épocas de 43-44 e 44-45 durante as quais as sequelas da II Grande Guerra impediram a disputa do campeonato italiano.
O Torino era um clube de ideias futuristas e de uma dinâmica imparável. Pretendia formar dois conjuntos de igual qualidade, um para disputar as competições internas, outro com nomes mais sonantes para viajar pelo Mundo globetrotters, recebendo os cachets elevados que esses nomes garantiam. Seria o Torino Esportazione. E a curiosidade do Mundo para ver esta squadra da sognare ia-se fermentando na maneira como ela se passeava no calcio onde conseguira manter-se invencível em casa durante nada menos de 88 jogos consecutivos.
Quando a mecânica da morte, da forma brutal como geralmente funciona, pôs um fim a esta sede insaciável de vitórias do Grande Torino, a equipa então treinada pelo inglês Leslei Lievesley seguia na frente da classificação e, no domingo anterior à sua viagem a Lisboa, empatara 0-0 no campo do Inter, obtendo dois novos recordes para a época: 19 jogos seguidos sem perder no campeonato e dando 10 jogadores titulares à selecção italiana.

Homenagem
Seria esse empate, que lhe garantia praticamente o título de 48/49, que faria o presidente Novo dar a autorização definitiva para a deslocação a Portugal onde o Torino defrontou o Benfica num jogo de homenagem a Francisco Ferreira, «capitão» dos encarnados e da selecção portuguesa.
O Benfica venceria, por 4-3, num confronto espectacular. Para o Torino seria a última derrota antes daqueloutra, dolorosa e irrevogável. A Federação Italiana, com o acordo expresso de todos os outros clubes, declarou o Torino campeão a título póstumo. A squadra granata respeitou os seus derradeiros compromissos apresentando a equipa júnior. Os adversários, cavalheirescamente, jogaram contra eles com jogadores da mesma idade. Seriam precisos vinte e sete anos para que o Torino voltasse a ser campeão de Itália. A calamidade de Superga pusera fim ao que o L'Equipe chamava «orgulho do desporto latino». A morte destruíra a técnica e a beleza plástica de um grupo de futebolista extraordinários mas dera-lhes, em troca, um lugar único na lenda e no catálogo dos heróis. Porque, como toda a gente sabe, só a morte nos dá a eternidade."

Afonso de Melo, in O Benfica

Definição de imoralidade !!!

"Ontem - n' A Bola TV - e hoje - n' A Bola - Miguel Sousa Tavares afirma - e cito: "Rui Gomes da Silva espirra ódio contra o FC Porto".
Para ser franco, tomo a afirmação como elogio.
Porque se ter ódio ... é insurgir-me contra o que ouvi, no "Apito Dourado", contra o que vejo fazer, aos árbitros, favorecendo, sempre, o clube dele e prejudicando, invariavelmente, o Benfica, então, sim, tenho ódio...
Não ao Porto, mas a quem age como age!
Tenho, de facto, ódio à falsificação de resultados, aos "roubos" orquestrados, aos resultados preparados, aos castigos negociados e reduzidos, aos conselhos matrimoniais a árbitros nas vésperas de jogos, a árbitros que se enganam sempre no mesmo sentido (a favor dos dele e contra os meus), a "fruta" oferecida como prémio de arbitragens inacreditáveis, a ameaças físicas a quem ousa apitar sem falsear a verdade, a tudo o que acontece num Estádio que ele tanto gosta.
Ódio a tudo o que nos últimos anos foi acontecendo, contra a verdade desportiva, sim, tenho!
Porque não acredito que ele ache que "espirro ódio" porque quero - sempre - que o Porto perca (tal como ele, em relação ao Benfica, quando afirma "Não torço pelo Benfica em nenhuma ocasião").
Só não percebo a sua preocupação, sobre as minhas atitudes, quando afirma que - acha ele - "... causo danos terríveis ao Benfica".
Compreendo o recado, mas sinto que o desiludiria se lhe fizesse chegar as centenas de mensagens semanais de apoio, por aquilo que digo... contra aquilo que ele diz gostar...
Não estou onde estou - Caro Miguel - para agradar a quem quer que seja.
E muito menos a quem manda no seu clube ou na empresa ligada ao futebol que tenta manietar a liberdade no futuro das transmissões televisivas da 1ª Liga, em Portugal!
Estou onde estou para defender o que o meu Pai me ensinou, sobre o que deve ser o comportamento público de alguém que tem a responsabilidade - mesmo que não seja oficial - de defender o Benfica.
Contra tudo aquilo que eu sei que você condena, mas não pode dizer.
Tenho, nesse aspecto, também, mais sorte: é que, para além de ser do Benfica, sou livre de dizer o que penso, de falar contra o que ambos sabemos ser imoral (pelo menos para pessoas de bem, de acordo, com a definição de imoralidade de Kant). Por isso, e apesar disso, ... Boa Páscoa!"

6 golos, que só valem 3 pontos !!!


Benfica 6 - 1 Rio Ave

O treinador pediu, e a equipa cumpriu, desta vez não foi preciso um festival de oportunidades perdidas para marcar muitos golos, e matar o jogo... foi um Benfica pragmático de entrada, que só depois de resolver a partida, resolveu 'poupar' alguns golos, para os próximos jogos!!!
Quando vi o Rio Ave com 3 centrais fiquei descansado, pois o Benfica de Jesus, sempre gostou de jogar contra este sistema, aliás todos os outros treinadores portugueses já desistiram de tentar contrariar o Benfica desta forma... aleluia que ainda temos o Espírito Santo!!!
O jogo só não foi perfeito, porque o apitadeiro, depois de ver frustradas as suas expectativas de ajudar o Benfica a perder pontos, resolveu carregar nos amarelos!!! Tendo direito até a um brinde com expulsão do Melga, nos últimos minutos!!! Um verdadeiro artista...!!! Também 'apreciei' a forma agressiva como os jogadores do Rio Ave disputaram todas as bolas, deixando sempre as 'marcas' nas pernas e tornozelos dos nossos jogadores, havendo inclusive uma tentativa de homicídio ao Salvio, que nem falta foi...!!!

Estou na expectativa para ver se o Jesus vai continuar a efectuar a rotação... Entre o jogo desta noite, e o jogo Quinta-feira, existe muito tempo para recuperar, mas depois para Olhão as coisas podem ser mais complicadas, ainda por cima vamos ter o Luisinho em Olhão (recordo que a última 'não vitória', foi na Choupana com o Luisinho)!!!

PS1: O Cardozo entrou, e falhou algumas oportunidades, e ouviu-se logo um burburinho nas bancadas!!! Quero deixar as almas inquietas um pouco mais descansadas, o Tacuara teve só a afinar a pontaria para Quinta-feira!!!

PS2: Lanço um desafio: com o critério que hoje serviu para expulsar o Melga, quantos minutos o Mangala ficaria em campo?!!! Opção a) 10m; b) 15m; c) 20m; d)25m !!! E o Otamendi?!!! E o Fernando?!!!

PS3: Porque será que o Bebé não é convocado pelo Paulo Bento?!!!


Vitória Gloriosa, na estreia do 'Azevedo' esverdeado...!!!


Sporting B 1 - 3 Benfica B

Como não vi o jogo, não posso comentar as queixas Lagartas... mas se o primeiro vermelho por protestos pode ter sido exagerado, o 2.º com o Cavaleiro isolado, não me parece deixar muitas dúvidas. E já agora não devemos esquecer o vergonhoso início de Campeonato, onde esta equipa Lagarta foi levada ao colo, com penalty's em catadupa...!!! E se alguém pensar usar um jogo de equipas B, com um interesse competitivo, quase nulo, para inventar histórias sobre o domínio da arbitragem, pode tirar o cavalinho da chuva...!!!

Esta equipa do Benfica, tem demonstrado, que sempre que joga com alguns 'reforços', normalmente o Miguel Vìtor (Jardel no início da época, os Andrés, o Urreta, ou o Kardec...), transfigura-se, e consegue bons resultados. Hoje, até parece que jogando contra 9, cerca de uma hora, podíamos ter jogado melhor, e podíamos ter marcado mais golos... mas vencemos, e logo numa das poucas localidades onde existe mais Lagartos do que Benfiquistas (Rio Maior)!!!

Agora, espero que o novíssimo presidente Lagarto tenha aproveitado este jogo, para ir treinando o discurso, após cada jogo do Sporting...!!!

Vitória (intermitente!!!)


Física  56 - 70 Benfica
17-28, 13-13, 16-23, 10-6

Vitória fácil... agora marcar 6 pontos no último período, denota, mais uma vez, terem desligado completamente do jogo, valeu os 18 pontos de vantagem no início do 4.º período!!!

Parece que o Doliboa não irá jogar mais esta época (e não irá ser substituído), temos alguns jogadores a jogar condicionados: Heshimu, Carreira, Fonseca... Dito isto, a diferença entre os plantéis, é tão grande, que mesmo com todos estes contratempos, temos a obrigação de vencer todos os jogos, agora, se continuarem a demonstrar pouca aplicação nos jogos, ou em partes de jogos, arriscamos, ter mais algumas desilusões!!!

Juniores - 7.ª jornada - Fase Final

Bernardo Silva

Benfica 1 - 0 Rio Ave

Mais um triunfo suado, mais um festival de oportunidades falhadas... Só vi a primeira parte, mas as crónicas da segunda parte, não são muito diferentes...

Com a grave lesão do João Gomes, perdemos o nosso ponta de lança, não temos nenhum jogador com as mesmas característica, mas não creio que o Bernardo seja a melhor opção para ponta-de-lança... Eu sei que até foi ele que marcou o golo, mas por exemplo: o Dino tem muito mais potencial para jogar a ponta-de-lança, aliás creio que o futuro do Dino é a ponta-de-lança, porque a extremo dificilmente triunfará, toma demasiadas decisões erradas. Além disso, ainda temos o Clésio e o Elton...

Sporting..........14
Corruptos........11
Benfica..........11
Setúbal............8
Guimarães........8
Nacional..........4
Rio Ave...........3

sexta-feira, 29 de março de 2013

Acordar a tempo...


Benfica 3 - 2 Castêlo da Maia
25-23, 19-25, 19-25, 25-18, 15-10

Só no 4.º Set com a equipa a perder por 1-2 (em Set's) é que o Benfica jogou ao nível exigido, com intensidade, ganhando blocos e recuperando bolas 'impossíveis' na defesa baixa, até lá, muitos erros defensivos (estranho tantas más recepções do Roberto...), e pouca criatividade na distribuição. A entrada do Kibinho acabou por ser decisiva.
A equipa não jogou bem, os árbitros como é habitual tiveram uma daquelas actuações cheias de anti-caseirismo, como é característico nos Pavilhões da Luz: toques na rede, fomos só nós; dois toques, fomos só nós; erros na formação, fomos só nós; reverter decisões dos fiscais de linha, só contra nós; transporte ao passador contrário, nunca... um festival, a equipa já escaldada, tentou não perder a cabeça, mas sentiu-se o nervosismo, bem notório nas bolas que iam claramente para fora, e os nossos jogadores mesmo assim iam atrás delas, não fosse o árbitro marcar dentro!!! O trauma das lesões também anda a pairar sobre esta equipa, todos os contactos - ou apoios mal dados - são motivos de preocupação e de 'entrada' do spray milagroso!!!

Antes deste jogo ficámos a saber, que o Reffatti não deverá jogar mais esta época. Uma baixa de vulto, a defesa baixa do Benfica já é um problema, com o Chino em campo, sabemos que os adversários vão tentar aproveitar os erros do nosso Cubano... por mim fazia mesmo a substituição, sempre que o Chino fique em zona defensiva!!!

Prescrever

"Prescrever é um verbo muito nosso, usado a preceito e abusado com mais rigor ainda. Prescrever está no ‘antes’ – no tempo do que é de regular, de estabelecer, de preceituar – e também no ‘depois’ – no tempo do que cessou de existir com o decorrer do tempo. Prescrever nunca é do tempo útil do agir.
Assim, no Portugal da bola e da Federação e da Liga e da Nau Catrineta e das verdades relativas, tudo se pré-escreve na lei e tudo, na mesma lei, se prescreveu. Só assim se compreende que os dirigentes do Boavista exijam que a mesma justiça que condenou o clube os ressacie agora, porque essa mesma justiça exerceu a atitude muito lusitana do ‘deixar prescrever’ com a mesma competência com que se exerce o ‘deixar andar’. Aliás, de uma deriva a outra e das duas deriva esta podre sensação de impunidade que transforma a justiça desportiva portuguesa numa anedota de prostíbulo rasca.
No mesmo âmbito, foi-nos comunicado que a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu arquivar um processo a um ex-dirigente do Sporting, por prescrição. Afinal, umas famosas imagens de alguém a depositar dinheiro na conta de um fiscal de linha não existem porque a realidade das mesmas prescreveu, deixou de existir. Da mesma forma, aquela célebre lista com informações pessoais sobre os árbitros, também não deve ter existido, ou, se existiu, deixou de o ser porque prescreveu. Ainda nesta semana, o Sr. Costa recebeu um prémio da Associação de Futebol do Porto. Algures no tempo deve ter prescrito uma realidade chamada Apito Dourado. Porque isto de prescrever acontece sempre em desencontro com o tempo da Justiça é que o Torga dizia que “a História é morosa e nunca chega a tempo. Mesmo quando condena, é sempre fora de horas, depois dos crimes prescritos, numa altura em que já nenhum dos culpados pode cumprir a penitência.” "

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Conflito latente

"Há um conflito latente entre os clubes e as selecções a quem emprestam os jogadores. A questão não é nova e não acabará por aqui. Algum benfiquista gosta de saber que ficou sem Cardozo, Maxi Pereira e Melgarejo ao serviço das suas selecções? É um orgulho para os atletas representarem os seus países e um problema para os clubes ficarem sem os seus melhores (são os melhores que vão às selecções) em alturas decisivas das provas.
Com estes calendários tipo entremeada será sempre inevitável esta questão.
As eleições do Sporting mostraram com muita precisão o que é hoje o grande emblema de Alvalade. Pouco mais de 30.000 sócios com capacidade eleitoral activa, o que é manifestamente pouco para a grandeza e história do clube, mas por outro lado quase 15 mil votantes, o que é excelente atendendo ao pequeno universo que podia votar. O Sporting pode e deve voltar a crescer para não ficar apenas um gueto radicalizado.
A parte mais irónica nas declarações genuínas do novo presidente do Sporting foi ter exclamado: «O Sporting voltou a ser nosso» quando se sabe que com os VMOC está prestes a deixar de ser.
Amanhã regressa o campeonato, o jogo contra o Rio Ave lembra o último título nacional pois foi obtido precisamente contra os de Vila do Conde.
Basta lembrar o jogo da primeira mão, ou recordar que no último mês o nosso adversário precisou de dois penalties para derrotar o Rio Ave por 2-1 no Dragão. Vai ser muito difícil vencer uma das melhores equipas deste campeonato.
Estou em Madrid, onde o tema é quase exclusivamente Mourinho. Mou como é aqui tratado tem manifestações de adeptos para que não saia e programas de horas na TV para debater os seus méritos e deméritos. Punto y pelota transforma todas as discussões portuguesas em coisas de meninos de coro.
No Adeptos do Real ninguém acredita que fique e poucos querem que abandone. Sara Carbonero já é por aqui mais culpada que Casillas e Sérgio Ramos."

Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 28 de março de 2013

Juntos... até à vitória final !!!

Sempre muito bem acompanhados

"Bento massacrou Moutinho na Selecção, crime de lesa-FC Porto, ou Bento está a recuperar Moutinho na Selecção, crime lesa-Benfica? Depende do ponto de vista clubista.

NA semana passada foi notícia a vontade do Olhanense em receber o Benfica no Estádio do Algarve e não no seu reduto próprio, o Estádio José Arcanjo, cujo relvado não se encontra nas melhores condições, foi essa a razão apresentada.
Os jornais acrescentaram ainda mais uma razão, muito simples, a acrescentar ao interesse dos algarvios na alteração do local do jogo: a receita.
A lotação do Estádio do Algarve, construído de raiz para o Europeu de 2004, é bastante superior à do histórico José Arcanjo e permitiria ao Olhanense um encaixe significativamente mais farto, tanto mais que o Benfica anda empenhado na luta pelo título e é de prever casa cheia.
Trata-se de um assunto do interesse do Olhanense, está visto.
Tal como foi, na época de 1997/98, do interesse do Vitória de Setúbal deslocar uma recepção ao Benfica para o Estádio das Antas por indisponibilidade do Estádio do Bonfim.
Se de Setúbal ao Porto são 358 quilómetros de distância, já do centro de Olhão até as bilheteiras do Estádio do Algarve, em Faro, serão os 15 quilómetros bem contados. Nada que meta medo, portanto.
Jogando-se ou não o Olhanense-Benfica no Estádio do Algarve, não faltará aos nossos rivais ensejo para criticar a hipotética mudança de palco em nome da verdade desportiva e das facilidades ao Benfica.
É injusto que o façam. É verdade que, nesta edição do campeonato, o Sporting jogou com o Olhanense no José Arcanjo e ganhou por 2-0 apesar do estado da sua equipa e do estado do relvado que também não estava na melhor das condições.
Já o FC Porto, jogo na 3.ª jornada da prova, jogou com o Olhanense e ganhou por 3-2 precisamente no Estádio do Algarve porque o José Arcanjo estava impraticável por motivo de obras de beneficiação e sobre o assunto não houve conversa alguma.
O certo é que onde quer que o Benfica jogue com o Olhanense não deixará, certamente, de se sentir muito bem acompanhado. O resto é conversa.

RICARDO SÁ PINTO é o novo treinador do Estrela Vermelha de Belgrado, um histórico clube sérvio com um palmarés notável: 22 campeonatos da Jugoslávia, 3 campeonatos sérvios, 1 Liga dos Campeões e 1 Taça Intercontinental.
Sá Pinto é um treinador português com um currículum profissional de principiante e sem títulos averbados. Nada disto impediu o Estrela Vermelha de Belgrado de o contratar numa semana em que quer José Mourinho quer Jorge Jesus vieram a público dizer a mesma coisa: os treinadores portugueses são os melhores do mundo.
Lá que têm bom nome na praça, têm. E isso muito se deve a José Mourinho, o primeiro a galgar fronteiras para um patamar de glórias ao mais alto nível nunca antes ao alcance de um treinador compatriota.
Sá Pinto contará em Belgrado com a ajuda de um tradutor meio sérvio meio português: Nemanja Filipovic, filho de Zoran Filipovic, antigo jogador do Benfica.
Está bem entregue o Sá Pinto.

O clubismo turva a vista. Todos o sabemos e devemos admitir que é assim que as coisas se passam em função da paixão bruta que informa e deformar o ponto de vista de cada um.
Tomemos o exemplo recente de João Moutinho, o dínamo do FC Porto e da Selecção Nacional, que, para variar, se lesionou. Para variar porque é muito difícil recordar qualquer outra lesão de João Moutinho, ele que vende saúde e é o mais imparável dos jogadores portugueses da sua geração.
Moutinho lesionou-se, falhou o jogo do FC Porto com o Sporting, saiu a meio do jogo do FC Porto em Málaga e nem alinhou no jogo do FC Porto com o Marítimo, no Funchal. Foi convocado por Paulo Bento e alinhou os 90 minutos do jogo de Portugal em Israel o que logo motivou um remoque público de Pinto da Costa dirigido ao seleccionador nacional.
Bento afirmara antes do compromisso de sexta-feira passada que Moutinho só jogaria se lhe dissesse que estava a 100 por cento e o presidente do FC Porto, depois do 3-3, não escondeu o seu espanto sobre a matéria: «Agora é o João Moutinho que decide se joga ou não joga?»
Convenhamos, amigos benfiquistas, que a reacção de Pinto da Costa é ajustada e que, provavelmente, um outro Pinto da Costa, mais dinâmico, ter-se-ia esticado noutro tipo de comentários explosivos e imortais.
De uma maneira geral, para os adeptos do FC Porto a situação de Moutinho na selecção é um caso de lesa-FC Porto porque o jogador, não se encontrando bem, está a ser massacrado com minutos e mais minutos de jogo em paragens longínquas quando devia de estar na enfermaria do Dragão a sopas e a descanso.
Também de uma maneira geral, os benfiquistas vêem a situação de um modo completamente diferente. Trata-se de um caso de lesa-Benfica porque Paulo Bento está a dar rodagem a um Moutinho diminuído de modo ao jogador poder ter os motores a funcionar no regresso do campeonato, já neste fim-de-semana.
É o tal clubismo que nos faz ver as coisas com olhos e suspeições diferentes conforme os afectos.
Outro exemplo recente do modo como o clubismo informa e deforma o ponto de vista é o da porventura excessiva divulgação pelas estações de televisão da gravação da aula dada por Jorge Jesus na Faculdade de Motricidade Humana. Isto para não falar das consultas on line à referida palestra do treinador do Benfica a uma multidão de estudantes candidatos à profissão de treinador.
De uma maneira geral, para os adeptos dos nossos rivais esta promoção de Jorge Jesus a catedrático oficial das televisões nacionais é um manifesto exagero, um questionável endeusamento do treinador do Benfica, uma ostensiva manobra de propaganda pró-benfiquista num momento escaldante do campeonato.
Já para alguns adeptos do Benfica, não todas, trata-se precisamente do contrário. De uma manobra antibenfiquista flagrante porque passar e repassar a aula de Jesus nos nossos canais da TV não é mais do que partilhar a «ciência» que nos move com os adversários e, na pior das hipóteses, oferecer-lhes até a possibilidade de aprenderem alguma coisa com o mestre quando já só faltam sete jornadas para o fim do campeonato.
Se até lá virmos e ouvirmos o recentemente tão desconsiderado Vítor Pereira citar um filósofo francês ou dar um provérbio popular uma organização linguística toda ela logicamente surpreendente, teremos a certeza de que a aula de Jesus chegou a todo o lado e que até ao rival aproveitou.
Isto são raciocínios de pessoas desconfiadas, obviamente.

O nosso futebol tem sempre as suas graças. Um dia destes o Inácio treinador do Moreirense vai a Alvalade jogar com o Inácio director do Sporting. É uma situação cómica, por certo invulgar a que o próprio Augusto Inácio já dedicou algumas sábias palavras recordando o «profissionalismo» com que se entregou no passado, com honras e distinções, aos clubes por onde passou e recusando fazer da visita do Moreirense a Alvalade um caso assombroso.
Tem razão o Inácio. O próximo Sporting-Moreirense, pela parte que lhe toca, é apenas uma curiosidade. No entanto, para o profissionalismo de Inácio viver um momento de verdadeira consagração, o jogo terá de acabar forçosamente empatado entre o Moreirense do treinador e o Sporting do dirigente. 50% de eficácia para cada lado. Assim é bonito.

O mundo está a mudar? Parece. Nunca se ouvira um presidente de um clube desfazer a exibição de um jogador seu ao serviço da Selecção. O vetusto estreante nesta arte foi Pinto da Costa para quem João Moutinho foi igual a zero no jogo com Israel. E disse-o. Paulo Bento respondeu-lhe com grande desrespeito e Moutinho respondeu-lhe com mais 90 minutos em gozo de saúde no jogo com o Azerbaijão."

Leonor Pinhão, in A Bola  

quarta-feira, 27 de março de 2013

Respirar Benfiquismo

Narigudos

Zangam-se as comadres

"1. Finalmente, Sepp Blatter converteu-se às novas tecnologias e agora acusa Platini de ser o único a estar contra. Federações, ligas, árbitros e jogadores já se decidiram a favor. O patrão da FIFA aponta o dedo ao roi: «Não é a UEFA que não quer a tecnologia, é só ele». E prosseguiu em tom recriminatório: «Os árbitros de baliza que Platini quis não servem para nada e muito menos como solução para o problema do golo-não golo, tanto assim que só são utilizados nas competições europeias e no campeonato italiano, neste caso graças à intervenção de Collina que trabalha para a UEFA». Mas o boss suíço não se fica por aqui. Dois dias antes, na revista Kicker, havia estigmatizado a decisão do Euro-20 a 13 países. «É um erro crasso, uma coisa sem pés nem cabeça, que nem pode ser classificada como campeonato da Europa, pois falta-lhe coração e a alma do país organizador». Aguarda-se a réplica de Platini, que não costuma ficar calado. Um e outro chegaram à fase dos ferros curtos e estes ataques frontais inserem-se na estratégia para as próximas eleições à presidência da FIFA em 2015, quando Blatter terá 80 anos e 17 no cadeirão de Zurique. A questão de fundo é que Blatter, que ainda controla os votos de meio mundo, não quer Platini como sucessor. Se não se candidatar ele próprio.

2. Aos 36 anos, Francesco Totti é quem carrega a Roma às costas cuja (única) camisola veste há 21 anos. Não só a orientar os colegas como a marcar golos. Com a doppietta infligida ao Parma na última jornada, a sua conta pesoal atingiu a bola soma de 226. É o vice-rei dos marcadores na história do calcio, só 2.º para Piola, o fabuloso goleador dos anos 30 e 40, bicampeão do Mundo. Já o baptizaram de Francisco II. Famosos artilheiros do passado como Meazza, Altafini, Paolo Rossi, Batistuta, Signori ficam a perder de vista. Mas Totti é também o mais empenhado em que no seio da equipa prevaleça a amizade e o companheirismo, promovendo e pagando almoços de convívio."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 26 de março de 2013

O mecânico de automóveis, guarda-redes infalível...

"Mário Rosa Gomes: em Marrocos era um guarda-redes marcador de penáltis; em Lisboa passou oito épocas no Benfica apesar da vontade do tio que o levou a treinar no Sporting.

HOJE vamos à baliza. Isto é: vamos falar de Mário Rosa Gomes. Há muita gente que lhe rouba o Gomes do nome, mas parece não haver motivo para tal injustiça.
Mário Rosa não foi um dos históricos, mas teve história. E uma história curiosa por sinal. Primeiro porque veio de Marrocos directo a Lisboa; depois porque foi logo disputado por Benfica e Sporting.
Veio a bordo do «Formese», proveniente de Casablanca.
Sabem-se algumas coisas sobre a sua carreira, sobre como representou o Benfica, de 1938 a 1959, sempre com interrupções, sempre sem verdadeiramente se conseguir impor, não indo além de 47 jogos com a camisola 'encarnada' que, no caso dos guarda-redes, até costuma ser tudo menos encarnada, como mandam as regras. 1944/45 foi a sua melhor época: assumiu-se como titular.
Também se sabe, na generalidade, que nasceu em Vila Real de Santo António, lá nos confins do Algarve, raia de Espanha, de onde viria também um dos grandes jogadores que passou pela Luz, Domiciano Cavém.
Tinha 11 anos quando a família embarcou para Casablanca. Por necessidade e espírito de aventura.
Mário foi, desde logo, um amante do Desporto, da cultura física. Foi nadador, apaixonou-se pelo Futebol. Era ágil, corajoso: o posto de guarda-redes ficava-lhe bem.

Do Roches Noires ao Benfica
AOS 17 anos, Mário Rosa Gomes chegou às primeiras categorias do seu «team» marroquino, o Roches Noires. E era mecânico de automóveis.
Vivia-se o tempo do que se chamava, por toda a parte, o Marrocos Francês. Um tratado assinado em Fez, no dia 30 de Março de 1912, entre franceses e marroquinos, proclamou naquele território um protectorado francês. Durou até 1956. Algo que valeu, por exemplo, com que Larbi Ben Barek, a primeira grande estrela do Futebol africano, conhecido pela «Pérola Negra», viesse a ser internacional pela França.
Roches Noires de Casablanca francesíssimo sem surpresa. Um dos bairros coloniais de Casablanca, a meias com o Belvèdére um dos mais elegantes da cidade. Quando Mário chegou à baliza do Club des Roches Noires, o clube atravessava uma fase de penúria de títulos. O português foi arauto da fortuna e a sua equipa ganhou o Campeonato.
Foi escolhido para a selecção regional de Casablanca: defrontou Oran e Tânger.
Não chegou: vieram as desavenças. Mário Rosa Gomes troca o Roche Noires por um dos rivais deste, o Union Sportive Athlétique, campeão em 1927 e 1929, entretanto desaparecido. Estávamos em 1934. A vida não tardaria a empurrá-lo na direcção da foz do Tejo e da luz transparente de Lisboa.
Não veio por gosto, no entanto. Veio forçado, contrariado. Os pais não renegavam nem a pátria nem os sacrifícios que por ela se fazem. No dia 13 de Abril, ao cumprir 21 anos, marcha (com toda a propriedade do termo) para Portugal e para a incorporação no serviço militar. Mas não esquece o Futebol nem as balizas.
Dizem os repórteres da época que não era nem muito alto nem muito baixo, aí metro e setenta e dois, exibindo boa estampa e parecendo vender saúde.
Falava um português «retorcido», dizem outros. Assim com laivos afrancesados.
Um amigo de Casablanca põe-lhe nas mãos uma carta de recomendação para alguém ligado ao Benfica. Só que, pelo caminho, Mário Rosa Gomes, treina-se no Sporting. Estranho? Ele próprio explicava: «O meu tio, em casa de quem estou, é adepto do Sporting. Perguntou-me se tinha preferência pelo Benfica e disse-lhe que não. Perante a minha resposta afirmou que gostaria de me ver nos 'leões'. Para mim, repito, é indiferente. E fui a dois treinos no Sporting».
Em Casablanca jogava no mais puro dos amadorismos. Em Portugal, Mário procura a melhor proposta possível. «Em caso de igualdade visto ser agradável ao meu tio, escolherei o Sporting», diz.
Marcador oficial de penáltis nos seus clubes marroquinos, vangloriava-se de ser, todas as épocas, um dos melhores goleadores. «Era infalível!», exclamava.
Os jornais estranhavam: «Um guardião ganhador de castigos máximos? Entre nós nunca tal houve. Mário é, pois, uma novidade digna de atenção...» Em Portugal iria esquecer os golos.
Mário Rosa, apesar de indiferente, jogou no Benfica. Estreou-se contra a Académica, nas Amoreiras, para o Campeonato Nacional. O Benfica venceu, por 3-1. Hpuve um penalti contra a Académica. Mário não marcou. Marcou Rogério «Pipi»: e falhou.
Ter-lhe-á arrancado um sorrido... Continuou a ser o único infalível."

Afonso de Melo, in O Benfica 

História....

Ser...

Benfica 3 - 2 Barcelona, 1961, Berna

segunda-feira, 25 de março de 2013

Memória...

Rei...

Porque gosto eu do Jorge Jesus

"Não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa.

quem tenha a opinião de que, nos tempos modernos, um bom treinador de futebol tem de ser conhecedor do jogo e dos jogadores, culto, preocupado com a imagem, capaz de comunicar em várias línguas, capaz de lidar com facilidade com as novas tecnologias às quais deverá chamar ferramentas e ainda saber escolher as equipas multidisciplinares necessárias à preparação da equipa.
Não contrario a ideia de que o treinador de futebol tenha de ter cada vez mais conhecimento e, por isso, tenha óbvias vantagens em ter uma base de sustentação escolar que melhor o capacite de lidar com as mais diversas e complexas competências necessárias ao entendimento do jogo e ao relacionamento com os jogadores.
Mas, como em tudo na vida, há excepções à regra. Uma delas, talvez, mesmo, uma das mais exuberantes, é Jorge Jesus.
Eu, confesso, sou fã do treinador e do homem. Não consigo deixar de gostar de um ser humano que despreza a moda e se está nas tintas para os padrões sociais em voga. Percebe-se que não o faz de uma forma estudada e hipócrita, mas por modo de ser, por personalidade, por privilegiar uma forma genuína de viver, como se nada verdadeiramente o tivesse mudado, lá por se tornar rico e famoso.
Ouve-se Jorge Jesus numa conferência de imprensa e pode-se assinalar as frases de muito duvidosa pureza sintáctica  mas o que não se pode é deixar de reconhecer uma vivacidade e uma naturalidade no discurso, que não resiste a esquemas de comunicação traçados a régua e esquadro por uns quantos comissionários de serviço.
Claro que há sempre quem aproveite o impacto da clareza nua e crua para atingir, numa única canelada, o homem e o treinador. Ainda assim, não o vejo espumar de raiva. Às vezes inquieta-se e irrita-se, mas passa-lhe, como se a vida fosse também como um jogo de futebol, onde as coisas que acontecem lá dentro, não devem passar cá para fora.
E, lá fora, é o mundo, onde Jorge Jesus se sente, visivelmente, menos confortável.
Não deixo de pensar muitas vezes no caso de Jorge Jesus para tentar entender o sucesso da excepção que ele representa. Pergunto-me se será, apenas e só, uma imensa intuição. Uma capacidade quase sobrenatural para entender, no jogo, o que quase ninguém entende ou vê. Um dom inimitável pata formar jogadores, fazê-los crescer, criá-los e moldá-los no que têm de melhor.
É difícil dizer, aliás, que Jorge Jesus seja o protótipo do autodidacta. Claro que é atento em quem confia, como tem vindo a ser o caso curioso e especialmente interessante do professor Manuel Sérgio, um dos raríssimos filósofos mundiais do futebol e da vida. Mas isso não faz de Jorge Jesus um autodidacta  a não ser no sentido em que ouve para aprender e para melhor conhecer. Mas não há, em Jesus, uma prática de auto-formação  de estudo bibliotecário, de procura própria da investigação do novo. Há, isso sim, uma paixão vivida, sem intervalos, pelo futebol. Ver jogos, ver jogadores, ver lances, estudar as pedras no tabuleiro da relva real dos estádios de todo o mundo, o que a televisão lhe proporciona a cada momento, é o ponto essencial de estudo e de evolução do treinador.
E isso basta? - perguntará, legitimamente, o académico de pestanas queimadas por anos e anos de leituras de compêndios.
Que outras provas teremos para dar que não sejam as dos resultados desportivos? E por essas, basta. Pode ser estranho, pode ser quase inexplicável, mas tem bastado. Pode não bastar para o Manchester United, para o Real Madrid, para o Bayern de Munique, agora, do cultíssimo e antimourinhista Guardiola, não se sabe se sim ou se não, mas o que se sabe é que tem bastado para a realidade concreta do futebol português. E não é uma realidade menor, por muito que alguns dela mal digam. É uma realidade ímpar e, reconheça-se, emergente no contexto internacional, sobretudo ao nível dos grandes clubes, como é obviamente o caso do Benfica.
«Last but not least» como diriam os britânicos, a verdade é que não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa..."

Vítor Serpa, in A Bola

Tribunal à portuguesa (2)

"A lei que aprovou o Tribunal Arbitral do Desporto pode ser vista ainda como uma oportunidade: nela estará a forma como se compõe a lista dos juízes-árbitros que decidirão os recursos e os conflitos.
Ainda será sempre isso que se discute: o estofo e a independência de quem decide, de forma que possamos ter garantias de salubridade na resolução dos litígios; de forma, portanto, que deixemos de ter aberrações (sob a forma de “acórdãos” de “conselhos de justiça”) sobre insultos a jornalistas acreditados, assistentes de recinto desportivo, prescrições e suspensões de processos, proibições temporais, entre outros temas, a entrar sucessivamente no lote das ininteligibilidades metódicas.
A lei desenha um esquema curioso para o número máximo de 40 árbitros, que terão de ser “juristas de reconhecida idoneidade e competência” e “personalidades de comprovada qualificação científica, profissional ou técnica na área do desporto”. Primeiro propõem-se nomes a cargo de várias entidades: 5 para as federações olímpicas, 5 para as federações não olímpicas, 5 para a Confederação do Desporto de Portugal, 2 para as federações com provas profissionais e mais 2 para a liga respectiva  1 árbitro para cada uma das associações de jogadores, treinadores e árbitros das provas profissionais, 2 para a Comissão de Atletas Olímpicos, 2 para a Confederação Portuguesa das Associações dos Treinadores, 2 para outras associações de classe reconhecidas, 1 para a Associação Portuguesa de Direito Desportivo e 5 para o Comité Olímpico de Portugal. Depois, os nomes vão ao crivo do “Conselho de Arbitragem Desportiva” (CAD), que assume justamente a função de receber essas propostas e aprovar uma lista final, na qual indica ainda o número restante de árbitros. A este CAD assiste o poder de recusar árbitros e de devolver, nesse caso, as propostas à procedência. E, depois de estar a funcionar o TAD, o CAD pode até excluir árbitros por “incapacidade”. Um órgão, portanto, que fiscalizará a qualidade dos árbitros e que, nessa tarefa, não deverá ter em conta a norma mais absurda da lei: “Pelo menos metade dos árbitros designados devem ser licenciados em Direito” (!!!).
Para que este procedimento de escolha correspondesse a um novo ciclo, falta o óbvio: instituir na(s) lei(s) a possibilidade de recrutar, nomeadamente através de comissão de serviço ou requisição, professores universitários e magistrados, sem prejuízo para a sua carreira. Assim elevaríamos (pelo menos em princípio) o nível desejado e faríamos ingressar (com limpidez) no TAD os juízes dos tribunais. Ainda vamos a tempo?"

Não é que não acredito nisto?

"1. Quinta-feira, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que estabelece o regime jurídico do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, de forma a possibilitar a realização dos mesmos com segurança. Reza o comunicado oficial, entre outros aspectos, que a proposta promove uma maior responsabilização dos promotores dos espectáculos desportivos, agravando-se o regime sancionatório, nomeadamente pela possibilidade de recurso à punição directa, solução que é decalcada das melhores práticas internacionais. Revêem-se as responsabilidades individuais dos adeptos e as regras relativas à possibilidade da interdição de acesso a recintos, bem como o regime aplicável aos grupos organizados de adeptos e à sua relação com os clubes, associações e sociedades desportivas.

2. Na mesma reunião aprovou-se, na generalidade, uma alteração ao regime de policiamento de espectáculos desportivos realizados em recinto desportivo e de satisfação dos encargos com o policiamento de espectáculos desportivos em geral. Esta alteração determina que os espectáculos desportivos integrados em competições desportivas de natureza profissional, como tal reconhecidas nos termos da lei, devam sempre, obrigatoriamente, ser objecto de policiamento. Quanto a este último texto ele representa mais um acto de uma trágico-comédia normativa do Governo e insere-se, por outro lado, num beco sem saída a que tinha chegado a segurança nas competições profissionais de futebol. A ver vamos se desta o Governo acerta e não repete o espectáculo que iniciou com a publicação do “novo diploma” sobre o policiamento, em parte afastado posteriormente por “instruções administrativas”.

3. No que respeita à “lei da violência”, ainda a aprovar pela Assembleia da República, conseguimos fazer um prognóstico antes do fim do jogo, quanto à sua ineficácia. Como é possível adiantá-lo sem conhecer o texto da proposta? Eis, no essencial, a minha explicação.

4. Coube ao Decreto-Lei nº 339/80, de 30 de Agosto, concretizar as primeiras medidas tendentes a conter “a curto prazo” (como afirmava) a violência nos recintos desportivos. Esse diploma veio a ser alterado pela Lei n.º 16/81, de 31 de Julho e, mais tarde, pelo Decreto-lei n.º 61/85, de 12 de Março. Sucede-lhes o Decreto-Lei n.º 270/89, de 18 de Agosto. Depois veio a Lei n.º 38/98, de 4 de Agosto. Depois (II) a Lei n.º 16/2004, de 11 de Maio. Depois (III) a Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho. Agora, algures no tempo próximo, uma lei “nova” em 2013.

5. Todas as leis anteriores foram apresentadas, em manifesta propaganda política, como encerrando um ponto final miraculoso nesta matéria. Sempre de acordo com as melhores práticas internacionais. Todavia, sempre “morrendo”, alguns anos depois, por não lograrem atingir os objectivos a que se propunham. É desta? Não, claro que não. Enquanto não se cortar a seiva negra que liga os clubes às claques, bem podem fazer periodicamente novos diplomas. Enquanto o Estado – e toda a Administração Pública – não fiscalizar rigorosamente o cumprimento da lei – de qualquer lei, velha ou nova – e omitir-se do exercício dos seus poderes/deveres, eu acertarei sempre."

domingo, 24 de março de 2013

Atitude


Benfica 75 - 63 Guimarães
14-11, 18-11, 24-16, 16-19

Eu compreendo, que uma equipa, que durante a maior parte da época, não tem adversários à altura, acaba por facilitar em alguns jogos, não será fácil encontrar a motivação durante a semana... mas o discurso que são profissionais, ganham bem, têm que respeitar a camisola que vestem, também é válido...
A vitória de hoje não vinga a derrota da semana passada, porque simplesmente a Taça já foi !!! Mas prova que com outra atitude, tudo se torna mais fácil...
Dito isto, este Vitória pode ser um adversário duro de roer nos Play-off's o Ivan Almeida é jogador (hoje só marcou 25 pontos!!!), creio mesmo que é o melhor marcador do Campeonato... Foi pena a equipa ter 'desligado' no 4.º período  porque podíamos mesmo ter dado uma cabazada monumental, com possivelmente o Vitória a marcar 'metade' dos pontos da semana passada!!!

Triatlo...


Em Alpiarça, o João Silva estreou-se com a camisola do Benfica, vencendo naturalmente a primeira prova do Nacional de Clubes da temporada de 2013. Este foi só um ensaio, pois o nível do João é outro... o objectivo são as provas da Taça do Mundo:
João Silva (1.º), Pedro Mendes (5.º)(sub-23), Pedro Gaspar (7.º)(Jun.), Alexandre Nobre(10.º)(Jun.), Francisco Machado (11.º)(Jun.), Rafael Domingos (25.º)(Jun.), Nuno Nogueira (32.º)(Jun.), Bruno Pereira (34.º)(sub-23), João Gabriel (38.º)(Cadete), Nuno Laurentino (53.º).

Óptima semana

"1. Excelente a semana passada. Chegámos (mais uma vez!) aos quartos-de-final de uma competição europeia - na qual somos apontados como um dos favoritos - e aumentámos para quatro pontos a vantagem na I Liga, passando a ser os principais candidatos. Muito bom mas... ainda nada ganhámos. Dei por mim a pensar: fiquei mais satisfeito com os quatro pontos de vantagem nacionais do que com a passagem europeia. Claro que sonho em regressar às finais europeias, mas a prioridade deve continuar a ser o Campeonato. E, neste, temos mais cinco finais antes da ida ao Dragão. Não nos podendo esquecer que, muitas vezes, é em casa, nos jogos aparentemente mais fáceis que tudo se deita a perder. Gostei muita da equipa em Guimarães (nem parecia que havia jogado três dias antes em Bordéus) mas... há que continuar assim!

2. Bordéus dista 1150 Km de Lisboa. O Benfica meteu no estádio cerca de 10 mil portugueses, a larga maioria emigrantes de França e países limítrofes (Paris fica a 600 Km). Que outro Clube no Mundo conseguiria isso? Merecida prenda deu a nossa equipa ganhando o jogo e passando a eliminatória.

3. A justiça neste País é o que é. A justiça desportiva não é melhor. Eu ia a escrever que era inacreditável a decisão que salva o FC Porto da desclassificação na Taça da Liga mas, pensando bem, qual a surpresa? O que vem acontecendo de há 30 anos para cá? Enfim, é mais do mesmo. Tal como não causa surpresa a declaração do presidente do FC Porto, colocando em dúvida a continuação do clube na prova. Claro que tinha que mostrar desprezo por uma competição que nunca ganhou. Mas, é óbvio, vai aparecer a jogo e vai tentar ganhar o troféu. Mesmo que depois menospreze o triunfo. Já todos o conhecemos bem...

4. Alguns No Name Boys (com a conivência dos outros) lançaram mais alguns petardos na jornada 21 da Liga e o Benfica foi multado em 7650 euros, valor que corresponde às quotas mensais de 765 sócios. Neste  Campeonato já vão 89.328 euros, ou seja, estiveram 7444 sócios a pagar para as 'brincadeiras' desses meninos. Lamentável."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Objectivamente (mau perder)


"No clube das riscas azuis e brancas quando as coisas andam mal todos são culpados menos um. Aliás, agora, menos dois, porque o suplente-efectivo Antero também já está imune e chocou ver os super-maus-dragões insultarem toda a comitiva... menos P da C e o anunciado sucessor!
Não haveria nada de anormal em tudo isto se não viesse de novo à memória alguns «apertões» que estes mesmos super-maus deram em tempos de Argel a Co Adriense, de Paulo Assunção a Del Neri ou Yuran a Mourinho, (que envolveu também cenas de ciúmes com a bela «ragazza» da Ribeira)!

Isto tudo no espaço de três semanas, no tal clube-modelo onde tudo se faz com rigor, DISCIPLINA, profissionalização e sabedoria!
Como é possível este coro de indignação só pelo facto de a equipa de futebol fraquejar um pouco nas exibições e nos resultados e onde até então o expoente máximo dos goleadores Jackson Martinez - intocável - ter falhado uns penaltis e daí ter dado uma folgazinha de quatro pontos ao Glorioso SLB!
A velha máxima de que não estão habituados a perder, não cola! Isso não pode servir de desculpa para as arruaças e os maus-exemplos das claques que passam sempre para outros irmãos do norte estes «feitos»! Pelos vistos, há muita gente a aprender com o tal clube exemplar!
Mas estes cânticos entoados à entrada do Dragão não foram a única crítica forte ao «grupo». Também os cronistas do reino azul, como MSTavares, rebentaram autenticamente com os eleitos de Vítor Pereira! O treinador-campeão, afinal já não presta - e Varela (p. exemplo) já é coxo -, que salta do Santa Clara da 2.ª Divisão para o clube que é crónico campeão - sem o merecer, acrescento eu!
O descontrole desta gente é irritante!
Não sabem perder nem ganhar! A arrogância das vitórias transforma-se em violência nas derrotas!
Muito mau para quem quer ser exemplo do clube de rigor, etc, etc."

João Diogo, in O Benfica

Roques e aliados

"Foi esta semana. Na placidez doméstica, desfruindo emocionalmente o bom momento do nosso Benfica, um zapping televisivo fez-me esbarrar os olhos e magoar os ouvidos nos vários programas sobre futebol, de registos semelhantes, com protagonistas também semelhantes, com ressabiamentos ainda semelhantes.
O FC Porto viveu a sua semana horribilis, meteu a bola da sobranceria ao saco, a equipa até foi recebida, no regresso do Funchal, com impropérios e petardos por adeptos furiosos. Os comentadores azuis, em desespero, viram penáltis ou não viram penáltis, em tudo o que foi sítio, de acordo com as conveniências. Até se esqueceram que, frente ao Málaga, no Dragão, a considerada exibição transcendente apenas rendeu um golo, por sinal obtido em fora-de-jogo. Como deu jeito ignorar que a turma espanhola apontou um tento limpo, não validado pelo juiz da contenda.
O Sporting conseguiu ganhar, de forma tangencial, ainda que continue posicionado na segunda metade da tabela. O complexo antibenfiquista faz dos seus comentadores autênticos sequazes do FCP, cujo eventual triunfo na liga nacional serviria de refrigério àqueles traços doentios de pequenez relativamente ao nosso Clube. De um lado, os roques; do outro lado, os aliados.
Por essas e por outras é que, a páginas tantas, optei pela Benfica TV; ouvindo o meu amigo Fernando Chalana. E o que concluí? Aquilo que, há uns tempos, deixei em letra de forma numa das minhas publicações. No Futebol, a bola são os jogadores e os treinadores, o resto são, um ror de vezes, bolas fora."

João Malheiro, in O Benfica

sábado, 23 de março de 2013

Melhores...


ABC 20 - 26 Benfica

Começamos muito bem (1-4), mas rapidamente perdemos a vantagem, com as exclusões e com os livres de 7 metros (os primeiros 8 golos do ABC, 5 foram de 7 metros!!!), ao intervalo 10-10... No início da 2.ª parte abrimos uma boa vantagem, e nunca mais permitimos a aproximação do ABC, até os árbitros deixarão de empurrar os de casa para 'cima', apesar de continuarem a ser permissivos com o ABC a defender: o Carneiro tem uma entrada aos 6 metros, remata, falha, mas sofre uma falta clara, com o jogador do ABC dentro da área, e o árbitro dá livre de 9 metros!!! A exclusão do Álvaro Rodrigues foi absurda!!! O 1.º 7 metros a favor do Benfica é num lance, onde existe realmente falta, mas o Costa mesmo assim marca golo... sendo assim, golo anulado, e 7 metros (o Tavares não falhou!!!)... As armas não são iguais, temos que ser muito melhores...

Susto


Os Tigres 4 - 6 Benfica

Mais uma vitória arrancada nos últimos segundos - 2 minutos para ser mais exacto!!! -, num jogo que se esperava um pouquinho mais fácil...

Juniores - 6.ª jornada - Fase Final



Corruptos 2 - 1 Benfica

Acabámos por perder o jogo nos últimos minutos, num jogo onde valeu tudo... a roubalheira foi tão grande, que até difícil fazer a 'contabilidade': pontapés de baliza transformados em cantos (o 1.º golo Corrupto nasce assim!!!); agressões (num 2.º golo Corrupto existe uma agressão a um jogador do Benfica); cortes com os braços, impunes, foram muitos; simulações Corruptas constantemente, sempre atendidas (excepto um pedido de penalty, tão escandaloso que nem este árbitro conseguiu marcar!!!); enfim uma autêntica macacada...

Corruptos..........13
Sporting.............11
Braga.................10
Benfica..............8
Setúbal...............7
Guimarães...........5
Nacional.............4
Rio Ave..............3

Capitão...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Juiz Feijão

"O juiz Phantly Roy Bean (Feijão, à portuguesa) foi uma das figuras mais extraordinárias do velho Oeste americano. Acho que já falei aqui dele, mas não se perde nada em trazer de volta a estas páginas as peripécias de tamanho personagem. Juiz de Paz em Val Verde County, no Texas, Feijão tornou-se um administrador autoritário da justiça, entitulando-se vaidosamente como «A Lei a Oeste de Pecos».
Também temos um Feijão neste País de favas. E juiz. Dizem que Feijão da Trofa. Surgindo na televisão, grandiloquente, a avaliar uma trampolinice barata, tratou de esfregar na lama toda a magistratura. Que faz correr Feijão?
Geralmente, estes juízes de vão de escada, com uma carreira atrás de si capaz de envergonhar o menos competente dos oficiais de diligências, movem-se pela visibilidade. Dois minutos de espaço num telejornal qualquer provocam-lhes espasmos de prazer. Uns convites para assistirem a uns joguinhos de bola no camarote das Antas transforma-nos em julgadores baratos de saloon mancumunados com os pistoleiros sem escrúpulos.
É esta a sua vida-vidinha. Não têm pactos com a Justiça nem com a sua consciência. Limitam-se a ser trapos, usados, sujos, atirados para o balde dos desperdícios quando deixam de ser úteis ao Madaleno. Volta e meia entram-nos pela casa adentro, através da televisão: enquanto vomitam umas porcarias, fixamos-lhe os nomes. E convém fixá-los: nada pior do que um juiz que está do lado do criminoso.
O nosso Feijão não cabia em si de orgulho. Cumpriu a ordem. Talvez receba como prémio uma palmada no pescoço. Depois, como todos antes dele, será corrido a pontapés na boca."

Afonso de Melo, in O Benfica

Boa aspirina...


Benfica 6 - 3 Braga

Depois da semana atribulada, a vitória era ainda mais importante.. como é óbvio, não houve tempo para se observar mudanças, mas a atitude da equipa foi um excelente sinal. As perdas de bola, em zonas proibidas, continuam ser um dos principais problemas da equipa, hoje, o Bruno Coelho teve em especial evidência nesse 'campo'...
Depois dum início tremido, com os golos, o jogo pareceu sempre controlado, mas para isso muito valeu a espectacular exibição do Marcão. Em Braga para a Taça temos que jogar melhor, principalmente a defender.
A arbitragem foi o costume: uma desgraça!!! Penalty descarado sobre o César não assinalado... O primeiro cartão ao César é um absurdo... o critério dos 4 segundos nas reposições de bola uma autêntica vergonha... a 6.ª falta do Braga na 1.ª parte, só não foi marcada, porque eles não quiseram... Num jogo, onde os jogadores do Benfica sofreram várias entradas violentas, acabou por ser o César expulso!!! O que prova a 'embirração' das equipas de arbitragem com o César, creio que é a 4.ª expulsão esta época!!! 

A fronteira entre o êxito e o fracasso

"A vitória em Guimarães foi importante para quem aspira a ser campeão nacional no fim da época. Mas a euforia mediática gerada por uns míseros quatro pontos de vantagem é deslocada da realidade.
Bem o treinador e presidente que de forma sensata colocaram água na fervura. Festejos planfletários levarão a que não se ganhe nada no fim da época, uma atitude competitiva e profissional poderá fazer desta uma época ímpar. A fronteira entre o êxito e o fracasso é muito ténue e a visão mediática é sempre feita apenas em função dos resultados.
O Benfica está a fazer uma época óptima, mas o FC Porto também tem feito um dos melhores campeonatos dos últimos anos. Só a incapacidade de reconhecer os méritos do Benfica faz com que se menorize a prova dos portistas.
Em Guimarães vimos um Benfica menos exuberante e mais seguro e controlador dos destinos do jogo. Foi um Benfica com menor nota artística mas com menor exposição ao erro. Para chegar ao êxito também é importante saber fazer esta parte do percurso. 21 pontos dos quais teremos que conquistar 18. De nada interessa o campeonato dos ses... Nesse campeonato o Benfica poderá dizer que sem erros de Xistra em Coimbra e em Braga e já era campeão ou que sem a asneira de Artur na Luz contra o FC Porto e já estava resolvido.
Mas do lado portista não haverá adepto que não clame por um avançado que não falhe penaltis decisivos. Jackson já deve quatro pontos aos azuis e brancos, e quatro pontos já é um lanho grande a precisar de curativo.
No fundo Xistra prejudicou tanto o Benfica como Jackson o FC Porto. Este FC Porto lutará com o Benfica até ao fim, e qualquer clube poderá vencer. Pela tradição recente o FC Porto era favorito, pelo futebol jogado o Benfica leva vantagem.
Desejo sorte ao Sporting com as eleições de amanhã mas, pelo andar da carruagem, não antevejo nada de muito bom."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: O Cervan enganou-se, o Xistra só nos apitou em Coimbra, na Luz com o Braga foi o Soares Dias... a Xistralhada em Braga foi em Março de 2011 !!!

A opinião e a realidade

"Minutos antes de começar o jogo entre o Bordéus e o Benfica, na SICN, uma dupla de comentadores (Rui Santos e Ribeiro Cristóvão) entretinha-se a imaginar debilidades no plantel do Benfica. Jogar com a dupla de centrais Roderick e Jardel foi o ponto de partida para garantir profecias de desgraça que, mais do que opiniões, pareciam desejos de catástrofe. Um deles, o menos afoito na crítica, ouviu o parceiro de comentários dizer que o jogo que se seguiria confirmaria a sua agoirenta tese. Tudo isto alicerçado num chorrilho de superficialidades e lugares comuns debitados com a presunção e a ousadia da ignorância.
No final do jogo, e perante aquele aborrecimento de ver a realidade desmentir a fábula produzida na lucubração do pré-jogo, um deles, o que tem menos tempo de carreira e mais tempo de antena, apressou-se a dizer que, apesar da vitória do Benfica em Bordéus, a sua tese vingaria, sem dúvidas, no próximo jogo contra o Guimarães. E assim, entre a birrinha por ter sido desmentido pela realidade e a certeza de que a sua razão apenas fora adiada uns dias, lá se despediu o mais encarapinhado dos dois comentadores de serviço.
Para azar do dito cidadão, coube-lhe ter de comentar em directo a vitória do Benfica, por quatro golos, em Guimarães. Mais uma vez, a realidade ultrapassara o douto vaticínio da criatura. Onde menos de setenta e duas horas antes vaticinara pecados quase via agora virtudes e acabou por desdizer o que dissera como se nunca o tivesse dito. Fê-lo com a mesma convicção, o mesmo sorriso, a mesma ausência de contraditório e com o mesmo respeito pelo código deontológico que, óbvia e semanalmente, exibe.
Alheio a estas piruetas, o plantel do nosso Benfica segue em primeiro lugar no campeonato, preparando-se para enfrentar um outro plantel equilibradíssimo e recheado de Olegários, Xistras e Proenças. Atentos, à espera e à espreita, estão os do costume, os que aproveitam o tempo extra do jogo para poderem espetar a faca que vão, semanalmente, afiando, entre sorrisos e desejos mascarados de opiniões."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

À beira do zero

"Ainda há pouco tempo o treinador portista empolava as qualidades do seu 'Barça das Antas', mas anteontem aterrou em Pedras Rubras ao som de petardos e de impropérios de adeptos.

O futebol é ingrato. Ainda há pouco tempo Vítor Pereira gabava a beleza do futebol praticado pela sua equipa e cantava o prazer que dava aos seus jogadores a posse de bola e a circulação mágica que com ela faziam.
Ainda há pouco tempo o treinador portista empolava as qualidades do seu Barça das Antas, mas em cerca de três semanas viu desmoronar-se o castelo de fantasia e aterrou em Pedras Rubras ao som de petardos e de impropérios adequados à fase desconfortável vivida pela franja menos tolerante de adeptos do dragão.
Ainda há pouco tempo Vítor Pereira valorizava as suas proezas na UEFA. Recordou que na Champions residia o FC Porto e não enxergava nenhum outro inquilino português. Mas o futebol é ingrato, insisto, e num instante foi-se diluindo a excessiva euforia portista, principalmente a partir do empate em Alvalade, não pelo resultado em si, porque empatar na casa do leão, independentemente do seu estado se saúde, nunca poderá ser olhado como um desfecho negativo para qualquer visitante, mas pela impotência relevada pelo dragão para se libertar dos grilhões com que Jesualdo Ferreira o manietou. Foi desde aí que nuvens de preocupações começaram a roubar espaço à esperança que iluminava o caminho de Vítor Pereira
Em cerca de três meses viu-se afastado da Taça de Portugal, excluído da Liga dos Campeões e, sequência de dois empates na Liga, colocado quatro pontos abaixo do Benfica e, por isso, na dependência de terceiros. Ou seja, se confirmar-se a ameaça de desistência da Taça da Liga disparada pelo presidente portista, como em termos de Campeonato, a sete jornadas do fim, o quadro não é entusiasmante, o FC Porto corre o risco de ficar à beira do zero quanto a mais conquistas (além da Supertaça, claro). Não se trata de uma afirmação, como é óbvio, antes de uma dedução sugerida pela lógica da coisa, ou não?...

PARECE cada vez mais próxima a necessária mudança de ciclo no futebol português. A infalível organização portista vai apresentando sintomas de cansaço e as virtudes que muitos apregoavam, e alguns apregoam, vão fazendo menos sentido. Aliás, sem entrar na discussão dos meios para atingir os fins, creio que o domínio azul e branco sobrevive por absurda distracção do treinador/cientista, que na época transacta perdeu desajeitadamente o título para o FC Porto. Como diz o povo, à primeira todos caem (e já estou a abrir uma excecção para ele: duas quedas), à segunda só cai quem quer, e se é vontade de Jesus prolongar a sua ligação ao Benfica deve saber muito bem que a condição essencial para poder alimentar o processo negocial é ser campeão nacional. Isto sou eu a falar, note-se. Apesar de não possuir o dom de pensar pela cabeça de Luís Filipe Vieira, julgo ser esta premissa uma evidência. No entanto, como aqui escrevi há uma semana, mesmo que ela se concretize, falta conhecer qual o entendimento do presidente benfiquista acerca de matéria tão sensível.

IZMAILOV  e Liedson: que papel desempenham, afinal, no plantel do dragão? Foi imenso o alarido provocado por estas contratações no mercado de inverno, mas até hoje de efeitos discretíssimos. O primeiro estreou-se na Luz, com o Benfica, para impressionar, a 13 de Janeiro, e desde lá tem alinhado a espaços sem que se vislumbre benefícios inquestionáveis com a sua aquisição. Pelo contrário, tudo leva a crer que o FC Porto foi amigo do Sporting ao livrá-lo de um peso financeiro e de um incómodo social. Sobre Liedson, o caso é ainda mais intrigante: soma 38 minutos de utilização. Fantástico! Dois exemplos claros da (des)afinação da máquina portista, antes eficaz, agora soluçante. As presenças do presidente no treino para dar sinal de autoridade e no balneário para arrefecer o ambiente só servem para empurrar Vítor Pereira para a porta de saída. Sendo um treinador do regime, e aceitando esse rótulo desde sempre, deixou-se esvaziar."

Fernando Guerra, in A Bola

PS1: Fernando Guerra é dos poucos jornaleiros Benfiquistas com espaço para dar a sua opinião nos jornais... mas o seu trauma anti-Jesus é difícil de explicar!!!

PS2: Engraçado como o Mito da organização infalível, é sempre posto em causa quando, desportivamente, as coisas correm mal aos Corruptos... basta algumas Proençadas, e a Organização perfeita, volta a ser infalível  independentemente de tudo o resto...!!!

Das religiões...

"É a velha sina: no futebol não há nada mais fácil do que arranjar-se um bode expiatório que deixe ficar à sua sombra dezenas de falsos inocentes a assobiar para o ar. Por isso, sem espanto, nos últimos dias, me apercebi de linha (cruel) a enrodilhar-se, fugaz, na tese de que quando o FC Porto ganha, ganham todos, quando o FC Porto falha, falha o Vítor Pereira. (Se contra o Marítimo as substituições foram feitas ao deus-dará - a equipa de arranque não, era a que eu faria. E não foi ele que falhou o penalty, como já falhara com o Olhanense, nem foi ele que escorregou para o empate do Suk...)
Não, para mim, a questão da sua culpa, não é a sua culpa, é a sua circunstância, tem a ver com o futebol ser o que é: um jogo onde o treinador pode construir uma equipa ou uma ideia na cabeça - mas só alguns jogadores conseguirem levá-la, à equipa e à ideia, mais adiante. É o que sucede com Moutinho. (Ou antes, diferente, com Hulk) Com ele, toda a equipa joga a entender melhor o jogo, as suas peripécias, os seus alçapões, a equivocar-se menos com a bola, os seus ritmos, os seus caprichos. (Por isso é que sem ele em Alvalade o FC Porto perdeu o tino, sem ele em Málaga o FC Porto perdeu o carácter, sem ele no Funchal o FC Porto talvez tenha perdido o destino.)
Não querendo fazer de Vítor Pereira responsável principal pelo que suspeito que acontecerá: o Benfica ser campeão (o que seria injusto, sobretudo para o Benfica) - há, contudo, crença a que não fujo: que sem Moutinho, Vìtor Pereira teria de ser menos ortodoxo para compensar o não o ter tido quando o não teve (e não foi). E que sem Moutinho o que se viu foi que Vítor Pereira não é o que Jorge Jesus é: treinador sagaz que não se prende a um sistema como a uma obsessão e faz evangelho da ilusão (ou não) de que só se vence com a alma além da fé. E sim, eu acho: não é por ter caído na tentação do disparate que Vítor Pereira pode acabar a penar no purgatório, chegando lá, ironicamente, apenas com uma Taça da Liga em sua salvação (ou não) - é por não ter sido dessa religião de Jesus (e não ser tão subversivo como ele, o Jesus é...)"

António Simões, in A Bola

Benfica tentado a ganhar tudo

"O Benfica tem o campeonato na mão e o maior desafio de Jorge Jesus será o de evitar a euforia do «está quase». Daí que o discurso do treinador do Benfica, após o jogo de Guimarães, tenha sido inteligente, fazendo questão de lembrar que nada nem ninguém poderá garantir que esta diferença de quatro pontos para o FC Porto se mantenha até ao Dragão.
Será, no entanto, difícil controlar a ansiedade dos benfiquistas que, de repente, vêem a sua equipa como natural favorita a conquistar o título, à beira de ser finalista da Taça de Portugal e ainda com a legítima ambição de vencer uma final europeia.
Dirão os prosaicos que um grande clube se arrisca a ganhar todas as provas em que entra. Não é bem assim. Mesmo numa fase adiantada das três competições julgo que o Benfica só por milagre as poderia ganhar, a todas. A pressão psicológica aliada ao natural desgaste físico (apesar de Jesus ter vindo a gerir muito bem a época) não deixará de se fazer sentir.
Pode acontecer que ed tanto querer ganhar, ou de tanto ser obrigado a querer ganhar, o Benfica ainda possa poder o essencial das oportunidades que aparentemente se lhe oferecem? Pode! O futebol não é, porém, uma ciência exacta e admito que seja impossível, perante a espantosa perspectiva histórica, que o Benfica possa, agora, abdicar de lutar em qualquer uma das três frentes. Os pessimistas lembrarão que quem tudo quer tudo perde, mas os optimistas haverão de contrapor que quem não arrisca não petisca.

NOTA FINAL - Estranha (falta de) reacção do FC Porto no Funchal. Do meu ponto de vista, muito pior do que em Málaga. A equipa pareceu triste e insegura, demasiado longe de Jackson Martínez e com muita gente cansada. Que João Moutinho volte depressa!"

Vítor Serpa, in A Bola

As 'remontadas' espanholas

"1. Remontada é a palavra da moda em Espanha. Primeiro, foi o Real Madrid em Manchester, onde teve a ajuda do turco Çakir que decidiu (com a bênção de Collina) virar a eliminatória do avesso; depois, foi o Barcelona que, humilhado e dado por morto em Milão, resolveu equipar-se de gala e transformar o Camp Nou no Teatro della Scalla para recitar uma ópera épica, mais uma, sob a batuta de Messi, o maior maestro de todos os tempos; finalmente, o Málaga a quem o Porto estendeu a passadeira vermelha para fazer das fraquezas (bem visíveis no Dragão) forças. E assim, graças à fortuna e ao valor próprio conjugados com a inépcia alheia, os espanhóis continuam com três equipas em prova e podem cantar olé. Deve dizer-se que a eliminação do FC Porto não era esperada mas Vítor Pereira, mais uma vez condicionado pelo medo, quis improvisar. Apesar da enorme superioridade manifestada no jogo da 1.º mão que o 1-0 não traduz de todo, optou por jogar com um só atacante (Jackson) embora houvesse outro em campo a fazer número (Varela). Ao renunciar a James em benefício de Defour, transmitiu à equipa a sua apreensão e pouca convicção. Tanto mais que, moralmente, o adversário estava de rastos: vinha de quatro jogos sem vitórias e apenas um golo marcado! O próprio Helton não se coibiu do inevitável sketch de que Rizzoli gostou tanto que até lhe perdoou a fífia.

2. Rolando está à prova no Nápoles, estreou-se na Série A no passado dia 10 e só tem mais oito jogos para convencer a exigente crítica italiana. Nessa partida em Verona contra o Chievo, que o Nápoles perdeu (0-2), foi um dos dois melhores juntamente com Behrami (um Kosovar naturalizado suíço), classificados com a nota de 5,5 em 10. Antes disso, Rolando tinha sido utilizado apenas na Liga Europa, no duplo confronto com o Viktoria Plzen e, ao que rezam as crónicas, desiludiu quer como líbero quer como stopper. Por este andar, dificilmente virá a ser resgatado pelos, sete milhões acordados."

Manuel Martins de Sá, in A Bola