Últimas indefectivações

sábado, 20 de abril de 2019

Guerin !!!!!

"Curiosa a informação que consta na carta enviada pela Liga a José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem.
Diz a Liga que a informação sobre os árbitros nomeados é passada através da agência Cosmos e, por fim, à empresa Guerin.
Sabe a Liga que a mesma agência Cosmos a quem é passada a informação sobre o hotel, o avião, os nomes dos árbitros e a região de origem, é mesmíssima agência Cosmos cuja única proprietária é a Olivedesportos. A Cosmos, recorde-se, é a agência oficial da Federação Portuguesa de Futebol e do FC Porto e ficou particularmente conhecida após o seu envolvimento no caso das férias pagas ao árbitro Carlos Calheiros.
Mas o que a Liga talvez não sabe (ou sabe?), é que a empresa Guerin, a quem é passada a informação sobre a morada dos árbitros e as regiões onde se vão localizar os jogos em questão, é a mesmíssima empresa Guerin que disponibiliza carros alugados ao núcleo dos Super Dragões, de entre os quais constam o “Polaco” e o “Manel do Bombo”.
Inbestigue-se."

Comunicado do Polvo das Antas

"A pouco e pouco, os tentáculos do Polvo vão aparecendo à tona da água.
Recebemos a informação dos árbitros na quinta-feira passada, dia 18 de Abril, por volta das 18h00.
A informação surgiu através de um leak que saiu de membros afectos à claque legalizada dos Super Dragões. Repetimos: a informação saiu da claque dos Super Dragões.
A informação seria apenas lançada na sexta-feira, mas após verificarmos que César Boaventura também já tinha a informação, decidimos antecipar a sua saída e lançar a mesma na quinta-feira.
Não é a primeira, a segunda ou a terceira vez que isto acontece. De facto, a claque dos Super Dragões tem sabido Sistematicamente das nomeações dos árbitros dias antes das mesmas serem decididas e referidas oficialmente, desde o início do campeonato. 
Isto leva-nos a algumas questões:
1) Porque é que Fontelas Gomes ainda não abriu um inquérito interno para apurar Quem É A Toupeira do FC Porto que está a permitir que fugas gravíssimas de informação sejam partilhadas previamente com uma claque de futebol, claque essa que depois usa a informação para ameaçar e coagir árbitros e as suas famílias, de forma a obter benefício direto nos jogos do FC Porto?
2) Perante tamanha gravidade, é com muita estranheza que verificamos que Nem Um Único Jornal ou Canal de Televisão deu relevância a este assunto. É grave, é estranho e é demonstrativo da podridão que reina não só no futebol português, mas também na comunicação social portuguesa, que tudo faz para camuflar e omitir a corrupção que existe nos pilares do desporto português e os seus verdadeiros culpados.
3) Uma vez mais, fica claro o organograma que a equipa do Polvo das Antas desenhou. As ligações, a promiscuidade e as influências de um clube perante todo o futebol português e os seus representantes. O futebol português é, todo ele, uma farsa com tons azulados e esverdeados, tendo a complacência da maioria da comunicação social.
4) Sendo que Fontelas Gomes se apressou a apresentar queixa na Polícia Judiciária quando César Boaventura partilhou antecipadamente informação sobre nomeações (informação essa que partiu... dos Super Dragões), ficamos todos à espera que siga o seu próprio exemplo e se apresse em apresentar novamente queixa na Polícia Judiciária, desta vez contra a claque do FC Porto, claque essa legalizada.
5) Se Fontelas Gomes, Pedro Proença ou Fernando Gomes não se pronunciarem nas próximas 48 horas, o Polvo das Antas não terá outra alternativa senão apresentar queixa na UEFA. Isto é absolutamente ultrajante e inadmissível e não permitiremos que a bandalheira continue.
6) Para finalizar, a equipa do Polvo das Antas informa que a fuga de informação relativa às nomeações dos árbitros provém do vogal do Conselho de Arbitragem, Ricardo Duarte. Este passa a informação a Luís Gonçalves que, por sua vez, faz chegar a informação aos Super Dragões para que estes façam o seu trabalhinho de coação e ameaças aos árbitros e suas famílias.
O objectivo é muito claro. Alguém consegue adivinhar qual é?"

Perdoa-lhes Lage, há benfiquistas que não te merecem

"Bruno Lage foi promovido a treinador principal do Benfica há cerca de três meses e meio, chegando a uma equipa desacreditada e traumatizada. Nessa altura, eram poucos os que acreditavam que seria possível recuperar a distância de oito pontos a que nos encontrávamos naquela altura, bem como ganhar as taças nacionais e chegar longe na Liga Europa.
Desviando-me um pouco do cerne da questão, ao ver o seu estilo e a sua forma de estar e de trabalhar, rapidamente me apercebei que o futebol português não estava preparado para ver um treinador como Bruno Lage, muito menos ao serviço do maior clube de Portugal. Primeiro, pelos métodos de treino e pela forma como valoriza o jogo, que não levou muito tempo a abrir as bocas dos mais conspiradores com as alegações de que a equipa jogava dopada e/ou de que o adversário tinha sido comprado. E segundo, pela sua postura lúcida e coerente, pelo seu discurso rico em conteúdo futebolístico e pelo facto de não alinhar em provocações e em jogadas de bastidores, não alimentando jornalistas desesperados por polémicas.
Passando para o que realmente se passa cá dentro, Bruno Lage meteu a equipa a jogar o futebol pelo qual muitos suspiravam (ou talvez não, tendo em conta os assobios que se ouvem em jogos em que a equipa marca quatro golos), recuperou uma liderança que muitos julgavam ser impossível, ganhou em Alvalade e no Dragão, aplicou a maior goleada do campeonato dos últimos 50 anos…
Bruno Lage conseguiu algo que muitos adeptos julgavam ser um milagre e consequentemente, foi elevado ao estatuto de “Deus”, fruto da extrema necessidade de alguns adeptos em criar ídolos e a elevação a esse estatuto origina o chamado Estado de Graça, o período em que se dá a entender que Bruno Lage está imune a erros e a críticas. No entanto, com as eliminações da Taça de Portugal e da Liga Europa, essa necessidade em criar ídolos esbarrou com a sua desilusão ao perceberem que aqueles que tanto idolatram também cometem erros.
Bruno Lage errou nos dois jogos e pagou caro por isso. E as críticas que daí resultam são merecidas. Bruno Lage é um treinador novo nestas andanças e como tal, é normal que por vezes invente e cometa erros, e só passando por essas situações é que poderá crescer e aprender. Isto, sem esquecer que ele trabalha com uma equipa que não foi montada nem preparada por ele e que, fruto da sua juventude e pouca estaleca neste patamar competitivo, o seu rendimento tenha naturalmente algumas oscilações.
Aquilo com o qual eu não me conformo, é com a facilidade com que os adeptos (e atenção, isto não é um mal exclusivo dos benfiquistas) passam do oitenta ao oito, do bestial à besta. Aquele que há umas semanas atrás era intocável, agora é visto como um inventor que abdica de competições e que deve ser despedido caso não seja campeão. Há uma coisa que temos de perceber: se ficámos com azia por esta eliminação da Liga Europa, foi porque Bruno Lage nos fez acreditar que podíamos sonhar na Europa com esta equipa, sendo que há três meses e meio, de certeza que não haveria ninguém que tivesse a ousadia de sonhar em tal coisa.
Vivemos num mundo onde cada pessoa é livre de dar a sua opinião. Porém, opiniões onde imperam a falta de noção e de lucidez é algo que me tira do sério. Temos de saber criticar quando há motivo para tal, mas também temos de ser coerentes ao ponto de considerarmos de Bruno Lage já não presta.
A meu ver, Bruno Lage já mostrou ser o treinador certo para este Benfica. Quanto àqueles que já pedem a sua cabeça, só tenho uma coisa a dizer: perdoa-lhes Lage, há benfiquistas que não te merecem."

Ajax, um livro de estilo

"A campanha europeia da equipa holandesa é uma homenagem à sua própria identidade

A campanha europeia do Ajax é mais do que um brilhozinho nos olhos de quem gosta de apoiar o «underdog».
O trajecto da equipa orientada por Ten Hag é uma apaixonante homenagem. Ao símbolo que levam ao peito, desde logo, mas sobretudo a um nome incontornável para a identidade do Ajax, dentro e fora do campo: Johan Cruyff.
O filho, Jordi, escreveu no início da semana que não se «atreveria a tanto», mas na coluna que assina no El País concordou com a ideia de que há elementos que honram aquele que era o «credo futebolístico» do pai: «estilo, base, juventude, valentia e gestão nas mãos de ex-jogadores». 
Identidade. Tudo se resume à palavra mais utilizada para caracterizar a fantástica vitória do Ajax em Turim (ou antes, no Bernabéu).
Hoje em dia muito se discute o peso da identidade e da estratégia, e este Ajax encanta pela forma como sabe equilibrar esses dois conceitos. Reconhece a importância de compreender o adversário, mas nunca renuncia ao conhecimento de si próprio.
Esta mentalidade não está apenas na cabeça do treinador. Vem de cima, e é transversal a todo o clube. Quem chega encaixa no perfil, e não o contrário.
Todos os clubes têm a sua história, mas poucos têm uma identidade tão vincada. É como se o Ajax tivesse um livro de estilo. Um guia que não garante vitórias, mas define um caminho.
Os dirigentes seguem um modelo, os treinadores respeitam uma filosofia e os jogadores assimilam a ideia.
Promove a fidelização de quem está dentro da estrutura, mas sobretudo de quem está do lado de fora e não é menos importante. Os adeptos do Ajax sabem qual o rumo do clube, e isso é menos frequente no mundo do futebol do que seria desejável.
E também por isso há quem diga que, tirando os adeptos de Barcelona, Liverpool e Tottenham, todos os outros estão a torcer pelo Ajax.
O que há para não gostar?"

A Inteligência como atributo fundamental no Futebol

"Gosto de jogadores que entendam o jogo. Que tenham uma visão ampla, global e integrada de tudo o que um jogo de futebol envolve, nos seus distintos momentos. Que estejam familiarizados com a ideia de jogo que a equipa quer adoptar, que consigam perceber e interpretar as estratégias colectivas, que saibam por que é que se devem comportar de determinada forma. Não gosto de jogadores com uma percepção limitada, que se preocupam apenas com a acção seguinte, que sabem que têm de fazer algo, mas não percebem bem porquê. Ao fim e ao cabo, gosto de jogadores marcadamente inteligentes, com apurada tomada de decisão, embora haja bons jogadores que não decidem particularmente bem, mas mais que compensam essa lacuna com outros atributos. E é por isso que tenho preferência por determinado tipo de jogadores, em detrimento de outros.
Prefiro laterais que, ofensivamente, privilegiem a associação com os companheiros, que invadam amiúde espaços interiores e que tenham um futebol diversificado, em vez dos laterais mais estereotipados que, apesar de bons tecnicamente, baseiam muito as suas acções em subir ao longo da linha em velocidade e tentar o cruzamento em qualquer circunstância. Prefiro Grimaldo a Alex Telles, por exemplo. Ou Raphael Guerreiro a Mendy.
Prefiro centrais com grande capacidade para construir e sair com qualidade desde trás, àqueles que fazem da capacidade física e da compleição atlética as suas principais forças. Prefiro os centrais calmos e ponderados, que jogam com sobriedade, aos centrais muito voluntariosos e agressivos, que varrem a sua zona de acção sem dó nem piedade. Prefiro uma boa cobertura, uma boa contenção, a um corte de carrinho ou uma bola aérea ganha, só porque sim. Não gosto de centrais demasiado faltosos, sempre impetuosos, que 'mordem' constantemente os calcanhares adversários. Agrada-me muito mais a compreensão correcta das necessidades da equipa em cada momento. Prefiro, portanto, Mathieu a Felipe, por exemplo. Ou De Ligt a Sérgio Ramos.
Prefiro médios defensivos que pensem aos médios defensivos que lutem. A inteligência será sempre mais importante no futebol que a abnegação por si só. Prefiro um 6 competente a nível posicional, com e sem bola, que dê apoios, se sinta confortável a iniciar a construção e seja corajoso a ligar as diferentes fases do jogo da equipa; a um 6 muito físico, que abrange grandes parcelas de terreno, que vai a todas, que passa 90 minutos a correr, mas muitas vezes de forma errada. Naquela posição determinante para uma equipa jogar com qualidade, prefiro um 6 que consiga meter aquele passe interior a deixar adversários para trás, àquele 6 muito bom na marcação e que está sempre em cima do portador, mas que se 'esconde' na altura de começar os ataques. Prefiro, por isso, William Carvalho a Danilo. Ou Matic a Kanté.
Prefiro alas/extremos que saibam identificar as soluções ideais para fazer a equipa aproximar-se do golo e que, por isso, consigam distinguir as alturas de ir para cima do defesa e tentar desequilibrar individualmente em drible, dos momentos de criar sociedades com os colegas mais próximos, em passes e tabelas, ou mesmo dos momentos de temporizar e esperar pela equipa. Detesto aquele tipo de jogador unidimensional que, assim que recebe a bola, só pensa em galgar metros e ultrapassar o adversário em velocidade, sendo incapaz de olhar à sua volta e identificar possíveis caminhos mais vantajosos. Assim, prefiro Corona a Salvio, por exemplo. Ou Hazard a Salah.
Prefiro avançados que vejam o filme completo, que se comportem como parte integrante de um colectivo e que não se preocupem apenas em marcar golos. Um jogador que se movimente apenas com o intuito de facturar os seus golos, nunca prestará um serviço completo à sua equipa. Gosto de um avançado que, além da boa capacidade de finalização (como é evidente), consiga praticar um futebol combinativo, que baixe para servir de apoio aos colegas e tenha a capacidade para segurar, deixar a equipa subir e entregar com qualidade. Ou que derive para as linhas quando tal se justifica. Não gosto de avançados que só vêem a baliza! Prefiro, por isso, Gonçalo Paciência a Seferovic. Ou Mertens a Lukaku, por exemplo.
Isto não quer dizer que todos os jogadores que eu preteri em favor dos primeiros, não tenham grande qualidade e não evidenciem também muitas boas decisões em variadas alturas. Mas pela forma como olho para o jogo, na minha equipa jogariam sempre aqueles que fizessem da inteligência e do entendimento permanente do jogo, as suas principais valências."

Judo: o caminho da suavidade

"O judo (o caminho da suavidade) é uma disciplina criada no Japão em 1882 por Jigoro Kano (1860-1938). Ele serviu de protótipo de uma nova forma de artes marciais japonesas. A novidade, se assim podemos dizer, não é a capacidade de realização dos gestos técnicos. Ela surge pelas finalidades pretendidas. Trata-se de um desporto inventado a partir de uma reflexão racional, visando responder a uma necessidade particular, por um japonês influenciado pela ideologia desportiva ocidental, mas desejando realizar uma síntese entre Oriente e Ocidente. O próprio Kano dizia que seguia um método científico, seleccionava os melhores aspectos das escolas mais antigas de jujutsu, eliminava outras, e construía um novo sistema mais em consonância com a sociedade moderna.
Enquanto encontro privilegiado entre o Oriente e o Ocidente, o judo ilustra a forma mais marcante da reciprocidade da difusão cultural. Ele implementou-se no Ocidente quando o Japão, num contexto de derrota e de ocupação militar, se recompunha da destruição da Segunda Guerra Mundial.
As modificações das técnicas do judo correspondem à “ocidentalização” da prática. O judo deveria ser, segundo Kano, uma forma de educação. Ele insiste sobre o “dô” (via) em vez do “jutsu” (técnica). A sua ideia foi a de combinar as dimensões desportivas, intelectuais e espirituais, a fim de assegurar um aperfeiçoamento físico e moral do indivíduo.
Não é correto pensar-se que a acção isolada de Kano permitiu o desenvolvimento do judo. Alguns dos seus precursores, considerados como os mais importantes ou os mais mediáticos, foram certamente influenciados pela sua própria história e a concepção da sua prática. As suas posições pessoais e institucionais permitiram favorecer ou, pelo contrário, travar um processo de desportivização.
Para os homens, esta disciplina foi incluída nos Jogos Olímpicos (JO), na edição de Tóquio de 1964. Entre a sua fundação (1882) e o seu reconhecimento (1964), várias dinâmicas plurais e contraditórias marcam o seu percurso. Talvez, por isso, ficou ausente na edição seguinte, em 1968, vindo a ser integrado quatro anos depois. Em 1992, nos JO de Barcelona, tornou-se disciplina olímpica para as mulheres, mas com vários preconceitos e discriminações.
As regras do judo foram adaptadas para que fosse reconhecida disciplina paraolímpica, em 1988. Actualmente, divide-se em várias categorias (masculinas e femininas) e formas (judo de competição, judo educativo, judo de lazer, judo de defesa pessoal, etc.).
O judo é hoje um desporto muito popular. A referência à tradição deixa lugar às questões relativamente desportivas. A progressão dos dans (graduações), materializada pelas cores dos cintos (inovação inglesa de 1927), faz-se com base em critérios quantitativos, explícitos, públicos e formalizados. As classes de pesos (introduzidos em 1965), reforçam a igualdade de oportunidades. O instrutor funda a sua autoridade mais em dimensões técnicas do que em dimensões carismáticas. As referências ao budismo desaparecem. A federação europeia, contra a federação japonesa, impôs o uso do kimono azul para um dos combatentes, por forma a distinguir melhor o adversário. No fundo, os grupos organizados têm a necessidade de se afirmarem, distinguindo-se dos outros pelas marcas visíveis. Esta formulação leva a imaginar uma certa proximidade com os princípios da diferenciação social.
Existem duas concepções do judo:
i) um “judo tradicional”, que representa uma ética marcial renovada ou educativa, segundo a inspiração de Kano. Os praticantes procuram realçar os seus valores morais tradicionais. O progresso de um é o progresso do outro;
ii) um “judo desportivo”, cuja ética é da competição. Procura se afirmar em relação ao adversário (comparação social), no respeito pelas regras desportivas. O outro é visto mais como um adversário do que como parceiro.
Vários autores procuram explicar o sucesso e a notoriedade do judo. Cremos que o sucesso se baseia na originalidade “técnica e ética” do “produto” (e do seu refinamento), em relação aos desportos de combate ocidentais e aos sistemas de representação social, político e de excelência corporal. Ele é também um espectáculo, que a televisão, com ou sem razão, torna familiar aos olhos do público. A sua notoriedade deve-se também aos atletas e a alguns dirigentes.
Em Portugal, mais concretamente em Lisboa, a Academia de Judo foi o primeiro clube de artes marciais. Foi fundado pelo António Hilmar Schalch Corrêa Pereira, em 1946, com o objectivo de se aperfeiçoar o “judo marcial”. Corrêa Pereira é considerado o primeiro português com o cinto negro 1.º dan do judo Kodokan, mas isso nunca foi reconhecido pela Federação Portuguesa de Judo, na medida em que esta sempre privilegiou o judo desportivo. Com a adesão de vários praticantes (numa primeira fase, essencialmente engenheiros e militares), o clube viria a ser transferido, em 1958, para Entrecampos. Atribuíram-lhe o nome de “Academia de Budô”. É neste espaço que viriam a ser promovidos vários treinos e estágios com mestres japoneses e são introduzidas novas disciplinas marciais (karaté, aikido).
A participação de Portugal nas Olimpíadas, com o judo, data de 1964. Nuno Delgado conquistou em Sidney, em 2000, a primeira medalha olímpica (bronze). Os resultados obtidos por Telma Monteiro, e outros judocas menos conhecidos, têm contribuído para o desenvolvimento e reconhecimento do judo nacional."

Os insubmissos: o motor do Progresso

"Se não estou em erro, é de Gide a frase: “Os insubmissos são o motor do progresso”. Insubmissos foram Jesus Cristo, Sócrates, Giordano Bruno, Galileu, Descartes Espinosa, Pascal, Leibniz, Newton, Voltaire, Nelson Mandela (entre muitos, muitos outros, alguns portugueses, como o Raúl Proença, um lutador antifascista de que pouco se fala) – todos eles, exemplos de cultura, porque há só uma única maneira de ser culto – é fazer cultura! Em face da lassidão tradicional, Jesus Cristo, numa linguagem precisa, incisiva, aconselhava uma práxis que o aproximava de quem tinha fome, de quem tinha sede (e não só de água, também de justiça), isto é, de todos os deserdados, designadamente pela sociedade injusta. Como o refere Leonardo Boff, em Jesus Cristo Libertador (Editora Vozes, Petrópolis, 2001): “Jesus Cristo não propugna um amor despolitizado, deshistorizado, mas um amor político, ou seja, situado e que tem repercussões visíveis para o homem” (p. 31). Em Jesus Cristo, o anúncio de uma fé não invalida a luta histórica por um mundo em que todos nos amemos como irmãos. São palavras suas: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos”. A cultura supõe a prática. Demais, um conceito não exprime nunca, adequadamente, a experiência, ou a prática, de que é o conceito. Continuando a meditar o livro, acima citado, de Leonardo Boff, saliento o seguinte: “Jesus se tornou um perigo, para a ordem estabelecida”. E chega a ser condenado como blasfemo e guerrilheiro. Como trabalhei 13 anos, nos Armazéns do Arsenal do Alfeite, privei bem de perto com os sofrimentos e a contestação e a indignação da classe operária, que se sentia explorada e manipulada pelo salazarismo. Foram também muitos os intelectuais que, desafiando todas as proibições e riscos, se rebelaram contra a ditadura. Ocorrem-me, neste momento: o Mário Soares, o Raúl Proença, o Bento de Jesus Caraça, o Jaime Cortesão, o Raúl Rego, o Álvaro Cunhal, o Aquilino Ribeiro, o Jorge de Sena, o António Sérgio, o Sottomaior Cardia, o José Medeiros Ferreira, o Eurico de Figueiredo e… tantos, tantos mais! Sofreando a tentação de tornar-me enfadonho, centro-me tão-só num deles, de que pouco se fala: o Raúl Proença (1884-1941). Licenciado em Ciências Económicas e Financeiras, pelo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, integrou o grupo dos fundadores da Seara Nova, em 1921 e trabalhou como bibliotecário, na Biblioteca Nacional de Lisboa, colaborando directamente com o médico e famoso historiador, Jaime Cortesão, quando este ascendeu a director daquela instituição pública.
Combateu, com grande ciência política e voz cáustica, o sidonismo e, em 1926 e 1927, a Ditadura Militar, o que levou a polícia do Estado Novo a persegui-lo com tão encarniçada aversão, que o condenou ao exílio em Paris. Quando a filha mais velha de Raúl Proença faleceu, vítima de tuberculose, o ministro do Interior da Ditadura, general Vicente de Freitas, mostrou-se insensível às instâncias feitas junto dele, para que autorizasse a presença do pai, nos últimos momentos de vida da filha. E, com uma resposta de sinistra memória, despediu assim os amigos de Raúl Proença: “Se ele vier a Portugal, mando-o prender, nem que seja à cabeceira da filha moribunda”. Acometido de grave doença mental, regressou a Portugal, em 1932, para ser internado no Hospital Conde de Ferreira, onde faleceu. Sofia de Melo Breyner Andresen traduziu, em magistral poema, a mulher e o homem insubmissos e que as páginas da História jamais poderão esquecer:

Porque os outros mascaram mas tu não.

Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se comprem e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não”.

O ensaio, se não laboro em erro grave, ´é o género literário dos insubmissos, dos que procuram um novo paradigma. Numa tese de doutoramento, de carismática vivacidade, sobre Fidelino de Figueiredo (1889-1967), um ensaísta português inconformista, que investiu porfia e lucidez num paradigma pós-positivista, tanto literário, como filosófico e político, escreve José Cândido de Oliveira Martins: “Assim como o ensaio de Montaigne representava uma reacção contra o pensamento escolástico medieval, também o de Fidelino pode ser lido como exercício de distanciamento crítico, em relação ao Positivismo que dominava a Ciência e o pensamento, desde finais do século XIX, sob a forma de novo dogmatismo escolástico (…). Como deixámos sugerido, para Fidelino e tantos outros pensadores seus contemporâneos, o ensaio constituía claramente o género mais adequado ao estudo reflexivo sobre situações históricas complexas, à procura de um sentido explicativo e integrador. Não será por acaso que ele prolifera manifestamente, em períodos de crise, como aconteceu com a Geração de 98, em Espanha, que Fidelino tão bem conhecia e não se esquece de citar frequentemente” (Fidelino de Figueiredo e a crítica da teoria literária positivista, Instituto Piaget, Lisboa, 2007, p. 45). Eu mesmo, embora os meus enormes limites, tenho procurado pensar o desporto, através do género “ensaio”. Profundamente enraizado na minha época; convivendo com desportistas desde criança; aprendiz do desporto, como ciência e filosofia, desde que entrei de trabalhar no INEF (Instituto Nacional de Educação Física), em 1968 – eu mesmo encontrei, na natureza rebelde e utópica do ensaio, o modo (para mim, ideal) ao ressurgimento de uma axiologia, típica do desporto (os “valores do desporto”) e ao surgimento de uma nova axiologia que não tenha em conta, acima do mais, os valores dominantes, na “sociedade de consumo”. Por exemplo: o desejo de vencer, sem olhar a meios, rouba ao desporto a hipótese de transformar-se numa ética em movimento e numa estética entendida como ética do futuro. A celebração do corpo belo do atleta deverá percecionar-se como um fenómeno simultaneamente ético e estético.
Na revista Sábado, de 2019/4/17, os valores do desporto surgem desfigurados, por agressões bárbaras aos árbitros de futebol, mormente nos Distritais e no Campeonato de Portugal. “Narizes partidos, tímpanos furados e até um árbitro em coma (…) são o reflexo do ambiente de guerra, que se vive no futebol português”. São de uma bruteza cruel as palavras com que se agridem os árbitros de futebol, durante as competições oficiais e as incompreensões e maledicências que alguns “críticos” não escondem, sistematicamente, na análise do seu trabalho. Cria-se, assim, um ambiente em que o árbitro é desrespeitado, mesmo por qualquer motivo fútil e a sua profissão se torna uma actividade eriçada de perigos. Por seu turno, há dirigentes que estão permanentemente em guerra, sem o indispensável alicerce daqueles valores que nos mostram o caminho de um homem e mulher novos, de um mundo novo. O desporto, ou se transforma num espaço de criação de uma sociedade diferente – ou não é Desporto! Que o Desporto se converta numa nova utopia, que seja a síntese do “Amai-vos uns aos outros como a vós mesmos” de Jesus Cristo, da República de Platão, da Cidade do Sol de Campanella, da Cidade da Eterna Paz de Kant, da Sociedade Sem Classes de Marx, da Situação de Total Amorização de Pierre Teilhard de Chardin. Que o desportista seja, pela transcendência, um homem, ou mulher, que morreram para o egoísmo, para o economicismo, para o consumismo, para a “exploração do homem pelo homem” e ressuscitem, num corpo glorioso, com a certeza que é possível uma total comunhão entre os homens de boa vontade, que é possível dar primazia à misericórdia, à generosidade e à ternura – que é possível amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos!
Releio A Gaia Ciência, de Nietzsche: “Para onde terá ido Deus?... Matámo-lo! – vós e eu! Os seus assassinos somos nós, todos nós! (…) Deus está morto! A grandeza deste ato é demasiada para nós. Não teremos nós próprios que nos tornarmos deuses, para simplesmente parecermos dignos dela?”. Mas, para Nietzsche, o super-homem é o reencontro Apolo-Dioniso: Apolo, o deus da bela aparência, da ordem, da medida; Dioniso, o deus dos excessos e das pulsões imparáveis. Não passa, afinal, de um homem, como tantos outros homens. E um homem nem sempre exemplar. Hoje, por mais que os detractores se conluiassem, ainda é em Jesus Cristo (talvez o Jesus Cristo de Teilhard de Chardin e do Papa Francisco) que encontro a Esperança e o Futuro. Poucos dias antes de suicidar-se na noite de 26 de Setembro de 1940, Walter Benjamin escreveu: “Paul Klee tem um quadro intitulado Angelus Novus. Faz lembrar um anjo que parece prestes a afastar-se de algo que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca aberta e as asas insufladas. Assim deve ser o anjo da História. O seu rosto está virado para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê apenas uma única catástrofe, que vai amontoando escombros sobre escombros, lançando-os perpetuamente aos seus pés. O anjo gostaria de demorar-se um pouco mais, despertar os mortos e juntar o que foi desmembrado. Do paraíso, porém, sopra uma tempestade que lhe agita as asas com uma tal violência, impedindo-o de as recolher. A tempestade impele-o irresistivelmente para o futuro, ao qual vira as costas, enquanto diante de si o monte de escombros cresce até ao céu. Esta tempestade é aquilo a que chamamos Progresso” (in Oeuvres III, Gallimard, Paris, 2000, p. 434). O texto de W. Benjamin contrasta nitidamente com o artigo de Kant, 150 anos antes, glorificando o Iluminismo e o Progresso. Que vivemos imbuídos de Progresso (progresso tecnocientífico) quem o poderá contestar? Mas que, nem por isso, somos melhores – quem o poderá contestar também? Falta-nos ressuscitar, numa presença viva e concreta de transcendência. Feliz Páscoa!"

Condolências por Amadeu Rocha

"Faleceu, nesta sexta-feira, o seccionista da equipa de basquetebol Amadeu Rocha, aos 80 anos.
Com uma longa ligação ao Clube, foi jogador e também seccionista da extinta equipa de hóquei em campo do Sport Lisboa e Benfica.
Desde 1986 até à presente data, desempenhou funções de seccionista do Basquetebol e também ficou ligado ao enorme palmarés do Clube na modalidade.
Neste momento de dor e pesar, o Sport Lisboa e Benfica endereça as mais sentidas condolências aos familiares e amigos de Amadeu Rocha."

Benfiquismo (MCLVI)

Artistas...!!!

Sensação amarga

"E, Frankfurt foi pior no segundo jogo do que na Luz. Custa mais perder quando se acaba com a certeza de ser melhor que o adversário

No último domingo, o Benfica venceu bem o Vitória de Setúbal, no Estádio da Luz, um 4-2 que poderia ter sido mais expressivo tal a qualidade de futebol apresentado.
Só o penálti falhado e o primeiro golo sadino colocaram algum suspense (desnecessário) num jogo no qual o Benfica foi superior desde o primeiro minuto.
Rafa, por ter sofrido um penálti, levou um amarelo que o retira do próximo jogo, com o Marítimo. Rúben Dias viu um cartão amarelo num penálti marcado em queda libre.
Apesar de sermos muito melhores, vai ser muito difícil. Ainda faltam 450 minutos e em cada minuto pode haver um truque ou ratoeira.
Cinco jogos intermináveis, um calvário com cinco estações, que requer qualidade e atenção para acabar com justiça e verdade.
Na próxima segunda-feira, mais uma etapa, segue o caminho Marítimo para o desejado 37.
Bruno Lage não desvia o foco, o Benfica não pode abrandar na intensidade.
O Benfica foi para Frankfurt com um resultado traiçoeiro e com adeptos do principal rival a torcer por nós. Um pouco mais de carga competitiva aumentada a probabilidade de falhar na luta directa pelo título.
Mas eu queria essa carga competitiva e esse cansaço. Queria jogar com Chelsea a meia-final que nos poderia levar a Baku. Eu acredito que era possível.
Não gosto de perder, mas custa mais quando se acaba com a certeza de ser melhor que o adversário
Este Eintracht de Frankfurt foi pior no segundo jogo do que foi no Estádio da Luz. Fica a sensação amarga e não se pode negá-la.
Houve parecenças com o jogo de Alvalade. Um golo irregular, uma exibição irregular e uma sorte irregular ditaram um desfecho que os milhares de adeptos benfiquistas na Alemanha não mereciam. Adeptos de luxo.
As contas ficaram simples, temos cinco jogos para ganhar o essencial, temos cinco jogos para vencer o título nacional. O essencial é tudo. E tudo está nem para nós."

Sílvio Cervan, in A Bola

Juvenis - 4.ª jornada - Fase Final

Benfica 3 - 1 Guimarães


Não foi fácil: primeiro o golo consentido ao Guimarães no arranque...; e depois a excelente exibição do guarda-redes do Guimarães, que no final acabou por dar um 'frango'!!!

Temos muito talento neste escalão, colectivo e individual, em todos os sectores... e alguns nem sequer jogaram hoje! Mas tenho que deixar uma nota sobre um jogador especial: o Sarmiento! Tem que aprender a jogar colectivamente, mas no drible é claramente acima da média... ao nível do Jota (nesta idade...), sendo que fisicamente tem mais 'potencial'!!!

Cinco finais

"Muito se tem versado sobre vaias, abandonos prematuros do estádio, manifestações de impaciência, cadeiras vazias em lotações esgotadas, apoio aquém do esperado ou exigível e afins, ao ponto de trespassar a falsa ideia de existência de uma certa insatisfação geral entre os benfiquistas com o momento que a equipa de futebol atravessa. Nada mais falso, ou seria caso para perguntar quem salvaria o Benfica dos benfiquistas... Não nego que ocorra qualquer dos comportamentos acima referidos. O que refuto é a conclusão errada da constatação desses comportamentos. Não entendo as vaias, nunca saio do estádio antes de a equipa se juntar ao centro do relvado para saudar os adeptos a ser ovacionada, sou defensor militante da paciência redobrada que se deverá dedicar aos nossos jogadores a darem os seus primeiros passos de águia ao peito, só falho um jogo muito raramente e empresto o meu Red pass nessas ocasiões e apoio na medida que a minha personalidade me permite.
Mas não é de hoje que estranho quem se comporta de outra forma. Vou à bola há quase quarenta anos e sempre foi assim. Não há qualquer novidade, apesar das variantes do tempo em que vivemos. Os benfiquistas são e sempre foram exigentes, e sobretudo são susceptíveis às contrariedades, sejam elas reais, antecipadas ou imaginadas.
E aí reside a questão. Para o benfiquista médio, o Benfica vence por direito divino. Não ganhar é contranatura, não faz qualquer sentido. Julgamo-nos meros executantes de uma história gloriosa previamente determinada, não nos permitindo sequer, entre os mais puristas, falarmos dos adversários (mesmo que intimidem árbitros). Venham lá as cinco finais!"

João Tomaz, in O Benfica

Cinco

"São 450 minutos que nos separam da glória. Cinco jogos de futebol de 90 minutos mais uns pozinhos. Estamos a cinco vitórias de reconquistar aquilo que é nosso por direito. Aquilo que nos estão a tentar roubar desde a primeira jornada. E não somos só nós, os benfiquistas, que o dizemos. É olhar para os números, para os casos de cada jornada, para as expulsões perdoadas, para os golos ilegais, os foras-de-jogo que ficaram por marcar. Este campeonato é nosso por direito.
Não precisamos de favores de ninguém e muito menos precisamos de coação sobre árbitros, mensagens de terror, ameaças, promessas de pancada. Nós ganhamos dentro de campo. E quando não nos validam um golo, marcamos outro. E mais outro. Até que fiquem sem argumentos.
Estamos quase lá, mas ainda falta muito. E precisamos de todos os benfiquistas nesta luta, nesta onda vermelha que não tem como ser parada. Precisamos de benfiquistas que pensem e que ajam com o coração. Precisamos de que troquem os assobios de uma jogada falhada por aplausos, por incentivos. Sejam homens e mulheres a sério e guardem os assobios para o que realmente interessa. Assobiem os patrões que vos pagam o ordenado mínimo. Assobiem o Estado que nos obriga a pagar dívidas de bancos que nos enganaram durante décadas. Assobiem a falta de médicos e professores no interior do País. Assobiem os candidatos políticos que só se lembram de nós quando há eleições. Assobiem os corruptos. Assobiem a fala de apoio à cultura e à investigação científica. Assobiem o compadrio. Assobiem o preço dos combustíveis. Assobiem à séria e guardem os aplausos para o Sport Lisboa e Benfica."

Ricardo Santos, in O Benfica

Rafa, o saco de pancada

"Já chega, não? Os 16 golos marcados pela Rafa nesta época resultaram dos únicos 16 lances em que se conseguiu esquivar dos adversários sem levar com uma marretada em cima. Nenhuma outra arrancada resultou em golo, porque mesmo driblando as tentativas de homicídio de cinco adversários, ainda apareceu outro a abalroá-lo antes de ele chegar à baliza. Tudo bem que o Rafa veste de vermelho, mas o futebol ainda não é tourada. Atenção, esta crónica foi escrita antes da 2.ª mão com o Eintracht Frankfurt portanto é possível que, quando o leitor estiver a ler estas palavras, o Rafa já tenha ampliado o número de golos para 19 ou 20 quem sabe? - lá está, se escapar dos homicidas que o perseguem.
Pobre Rafa. O rapaz nasceu para ser jogador de futebol, não lutador da WWE. Só nesta temporada, o Rafa já levou mais pancada do que o Undertakar, o The Rock e o John Cena durante toda a carreira de lutadores de wrestling. Tendo em conta a dureza com que os adversários o têm cumprimentado à flor do relvado, parece-me que o Rafa iria bocejar de aborrecimento num combate Hell in a Cell.
'Então, Rafa, estás bom? Estás? Então deixa cá tatuar os meus pitons na tua coxa'.
Eu até já fiz um estudo e posso assegurar que milhares de adeptos de desportos de combate estão a trocar o ringue e o octógono pelos jogos do Benfica. Sei de fonte segura, inclusive, que Conor McGregor endereçou um convite ao Rafa a desafiá-lo para o Combate do Milénio. Espero que o Rafa rejeite e mantenha o foco no Benfica, mas pelos calduços com que ele brinda o Pizzi e o André Almeida quando há golos para festejar, até acredito que o nosso craque pudesse ter boas hipóteses de dar um KO ao lutador irlandês."

Pedro Soares, in O Benfica

Venham mais cinco

"Depois de mais um obstáculo ultrapassado, ficaram a faltar cinco finais para podermos todos, enfim, ir para a rua gritar. À primeira vista, cinco jogos podem parecer pouco. Mas, despida de qualquer margem de erro, a nossa equipa tem pela frente uma autêntica cordilheira de dificuldades. A viagem a Braga sobressai, naturalmente, no calendário. Diz a tradição que a visita a Vila do Conde também pode trazer problemas.
Se nos lembrarmos do jogo com o Tondela, percebemos, porém, que o perigo espreita em qualquer esquina, chame-se ela Marítimo, Portimonense ou Santa Clara. Até porque o arreganho com que a generalidade das equipas defronta o Benfica não tem paralelo com a atitude que demonstram noutras partidas do campeonato - quer entre elas, quer diante do outro candidato ao título. Na verdade, o FC porto vai passeando por estádios onde só faltam balões e serpentinas de boas-vindas. No jogo de Portimão podia ter apostado a minha casa em como vencia. E outras vitórias mais ou menos naturais se seguirão. Em qualquer país da Europa, uma equipa que disputa os quartos-de-final da Champions League acaba por perder dois ou três pontos na prova doméstica.
Em Portugal, sabe-se lá porquê, tal não acontece. Dito de outra forma, temos mesmo de vencer os cinco jogos! Não é retórica: são mesmo finais!
E tanto que merecemos ganhar este campeonato. A equipa, pelo trabalho que tem desenvolvido. O jovem treinador, pela dinâmica que imprimiu ao grupo. E o clube por tudo o que o fizeram passar nos últimos dois anos. Deus não dorme. Unidos e determinados, o título será nosso. Vamos a ele!
Força, Benfica!"

Luís Fialho, in O Benfica

A avenida marginal

"A Constituição da República Portuguesa - essa bela obra de arte, depositada no Museu da História, possui o título II, denominado 'Direitos, Liberdades e Garantias'.
No entanto, analisando os artigos que compõem esse título, faltam lá o direito à estupidez e o direito à maldade!
O Benfica perdeu com o Portimonense no dia 2 de Janeiro de 2019, por 2-0. O Portimonense alinhou nesse jogo com os seguintes jogadores: Ricardo Ferreira; Jadson, Rúben Fernandes, Vítor Tormena, Wilson Manafá, Pedro Sá, Paulinho, Dener Clemente, Ewerton Pereira, Jackson Martínez e Shoya Nakajima. Jogaram ainda Lucas Fernandes, João Carlos e Wellington Carvalho.
O FC porto ganhou por 0-3 ao Portimonense no dia 13 de Abril de 2019. O Portimonense alinhou nesse jogo com os seguintes jogadores: Ricardo Ferreira; Jadson, Lucas, Rúben Fernandes, Vítor Tormena, Ailton Boa Morte, Pedro Sá, Lucas Fernandes, Bruno Tabata, Jackson Martínez e Dener Clemente. Jogaram ainda Henrique Custódio, Wellington Carvalho e Ruster.
Quais as diferenças? Temos que Wilson Manafá, Paulinho, Ewerton Pereira e Shoya Nakajima não jogaram contra o FC Porto.
Wilson Manafá foi contratado pelo FC porto ao Portimonense em Janeiro de 2019. Paulinho foi sempre um jogador do FC Porto, esteve emprestado ao Portimonense e agora tem vínculo a este clube. Ewerton Pereira, é jogador do FC Porto, estava emprestado ao Portimonense e em Janeiro de 2019 foi emprestado pelo FC Porto ao Urawa Red Diamonds do Japão. Shoya Nakajima, a grande estrela do Portimonense até ao jogo com o Benfica, foi transferido logo de seguida, por uma verba astronómica do Portimonense, para o Al Duhail, clube do Catar, cujo proprietário é o mesmo que do PSG:
Recorde-se que o PSG tem Antero Henriques, e o Al Duhail tem como treinador Rui Faria. Shoya Nakajima proveio do FC Tokyo. No Japão, coexistem o Urawa Red Diamonds (ver supra Ewerton), o FC Tokyo (proveniência de Shoya Nakajima) e o Tokyo Verdy, onde jogou Hulk antes de rumar ao FC Porto.
Parem de chamar nomes aos outros! Parem de nos fazer burros! Parem de dizer aleivosias! Parem de ameaçar as pessoas! Parem!
Toma e vai buscar, Avenida dos Marginais!"

Pragal Colaço, in O Benfica

15 anos

"Escrevo a 16 de Abril de 2019. Faz hoje 15 anos que Jorge Nuno Pinto da Costa recebeu um árbitro em sua casa, na antevéspera de um jogo do FC Porto. Não deixa de ser escandaloso que passados 15 anos o mesmo dirigente continue em funções. Há pessoas que não têm emenda, e não deixa de ser confrangedor constatar que as instituições desportivas em Portugal não tiveram a capacidade de irradiar quem prevaricou. A farsa deste episódio negro é conhecida. Dois dias antes de um jogo decisivo da Liga 2003/04, o presidente do FC Porto recebeu, em casa, o senhor Augusto Duarte, árbitro de Braga, nomeado para o Beira-Mar - FC Porto da 31.ª jornada. Todos sabemos as desculpas que fora invocadas quando foi ouvido - o árbitro teria ido a sua casa receber conselhos matrimoniais. Todos sabemos a mentira em que foi apanhado, anos mais tarde, quando, em entrevista a uma TV, disse que o FC Porto já era campeão. Além de ser apanhado a mentir, convém recordar que o FC Porto estava em plena disputa das meias-finais da Liga dos Campeões Nesse jogo decisivo, em Aveiro, alinhou com 9 suplentes, poupando os titulares para o jogo da 1.ª mão, três dias depois, frente ao Corunha. Todos sabemos quem condenou o presidente do FC Porto e o seu clube. Tal como sabemos a forma como esses membros do Comissão Disciplinar foram afastados. Após as graves declarações do presidente do FC Porto e dos comentadores portistas, o árbitro Bruno Paixão, VAR no Feirense - Benfica, foi alvo de ameaças. Para quem tinha dúvidas de que há árbitros que estão a actuar sob coação, aqui está mais uma prova.
Onde está o Conselho de Disciplina?"

Pedro Guerra, in O Benfica

É muito jogo!

"O Walking Football veio para ficar. Começou devagarinho há três anos pela mão de Fundação Benfica e de mais uma dúzia de fundações de clubes europeus.  É assim que deve ser. Pensar, experimentar, testar, aprender e desenvolver continuando a inovar, experimentar e aprender. Este era o plano inicial, como de resto fazemos com todos os projectos novos da Fundação. Mas tínhamos uma expectativa elevada e a noção clara de que um projecto que permite devolver o jogo da infância às pessoas com mais de 50 anos, reganhando a capacidade de jogar e experimentar todas as sensações do jogo como protagonistas e não espectadores. É uma mais-valia extraordinária e uma oferta irresistível. Por isso, quando emparceirámos com a RUTIS para espalhar o projecto pelas universidades seniores, sabíamos que a recepção e o entusiasmo com que nos receberam eram o prenúncio de um amplo movimento nacional que veio a verificar-se e que não se limita às universidades seniores nem às grandes cidades, porque o Walking Football, como o futebol, é de todos e de todas. Nem podia ser doutra forma na Fundação Benfica."

Jorge Miranda, in O Benfica

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Time Added #7

Tipo Frankfurt

"Não sei o que acham os grandes chefs mas pelo tom a preto e branco com que nos brindam com as novas tendências culinárias, não acredito que a salsicha tipo Frankfurt seja vista como algo muito apreciado. Talvez Anthony Bourdain fosse a excepção, ele que em dias de grande cacetada poderia fazer de uma não-iguaria um deleite para o seu paladar. É assim um título tão fácil como rasco, um pouco como o jogo entre Frankfurt e Benfica que, ao contrário da 1.ª mão há uma semana em Lisboa, nos fez bocejar pela maior parte do tempo. Ainda assim, o resultado final fez despertar, pelas considerações exageradas que já são normais na análise futebolística portuguesa, a fúria dos adeptos encarnados para com uma equipa que deixou escapar, em solo alemão, uma vantagem de dois golos. Ora, se é verdade que o Benfica não conseguiu ser aquilo que foi descrito, na maior parte do tempo, na era Bruno Lage, também será verdade que a intenção do técnico para segurar a vantagem não seria, certamente, a de que o Benfica pudesse ser inofensivo em toda a 1.ª parte. As rotas, é verdade, não foram encontradas, mas não é verdade que não houvesse uma intenção para encontrar o(s) golo(s) fora.
Mas por mais que Bruno Lage explique – que Félix defendeu na esquerda mas que se posicionou mais ao centro (à esquerda dos médios adversários) – o rótulo da análise estará sempre lá. Se perdeu, a culpa é do que mudou. Se ganhasse, acreditamos, não haveria mal no Mundo, até porque, se bem nos lembramos, não foi com um festival de futebol que o Benfica levou de vencido o Galatasaray, quer na Turquia, quer na Luz. E quem o disse na altura? Quem sequer ousou dizer, quando o Benfica ganhou (ou empatou passando) que a equipa – com tão pouco tempo de trabalho, abraçada em período tumultuoso, e com tão pouco treino aquisitivo – se sentia muito mais confortável em organização defensiva para depois soltar poderosas transições?

Rota não-encontrada
Por aqui, como é hábito, foi dito. Como será dito hoje que o plano do Benfica não foi só defender. Mas para que ele não atacasse em condições de segurar a vantagem que criou na Luz, mais factores devem ser tidos em conta que o habitual esfaqueamento e apedrejamento que dominam as TV’s e as redes sociais. E aquela que tornou o Frankfurt-Benfica em algo aleatório e difícil de controlar, curiosamente, não foi, até à hora em que escrevo estas linhas, encontrada nas análises. Diz-se, há muito, que a bola no ar é de todos, e a opção, quer do Benfica, quer do Eintracht, por jogar directo a partir de trás, tornou o jogo numa coisa anárquica e quase impossível de perceber para que lado ia pender. Assim, se alguma coisa deveria surgir em primeiro lugar nas questões a Bruno Lage sobre a eliminação, essa deveria ser a opção pela falta de ‘saídas limpas’ que permitissem que a bola não chegasse com veneno onde o Benfica a queria. Ao invés, mantendo o estilo do Frankfurt no jogo (que bateu sempre à procura de primeiras ou segundas bolas) o futebol das águias assemelhou-se a um GPS que repetia: Rota não-encontrada!
Apesar de ter feito um jogo muito abaixo do seu nível, o Frankurt aproveitou melhor o facto de a bola ter passado muitíssimo tempo no ar nesta 2.ª mão. Foi vindo de lá que nasceu o 2.ª golo do Eintracht. 1.ª bola ganha e Rode a encontrar espaço para finalizar.

Mas, para Lage, e para outros, a crucificação (a estúpida crucificação por parte de quem tudo sabe e que pelo tom deverá ganhar a Champions ano sim, ano sim) a crucificação, dizia, só chega quando se perde. Quando no Dragão a equipa encontrou rotas, e conseguiu mesclar a excelente organização defensiva soltando em transição ou mantendo a posse no meio-campo ofensivo, tudo foi perfeito. E a ideia ontem, era exactamente a mesma, apenas a anarquia para onde o Frankfurt levou o jogo, e a opção por não evitar isso mesmo, impediram que o Benfica encontrasse rotas. Isto sem a visão a preto-e-branco que eleva treinadores a Deuses com comando de Playstation, sendo que eles, mesmo sendo Bruno Lage e treinando o Benfica, também não conseguem prever tudo o que o adversário vai fazer. E foi fazendo fé na ligação que permitiu o 4.º golo na Luz que Lage queria chegar à meia-final. Não apareceu a ligação na 1.ª, apareceu na 2.ª, e se a bola de Gedson ou a de Salvio entrassem (ou se houvesse um VAR que anulasse o primeiro golo dos alemães)… Lage seria de novo o Deus que tantos querem, à força, que seja. Talvez seja necessário perceber aqui que o 8 ou 80 como se comenta futebol, nasça de quatro ou cinco ilusões de quem o comenta. E a de que o treinador tem de ser perfeito para caber dentro da caixa dessas ilusões, como a de que a equipa da qual nós somos adeptos tem de ganhar sempre com a nossa táctica de FM (ou a de entrar para lá que nem tarzões), talvez tenha necessariamente de ser mais aperfeiçoada do que a de um treinador que já provou ser excelente na sua profissão. Perfeito? Não. Mas alguém o é? E o que é então a perfeição? A cenoura à frente do burro à qual nunca se chega? ou a transcendência degrau acima, degrau acima, aceitando o nível em que realmente se está para depois elevá-lo? 
Frankfurt-Benfica, 2-0 (Kostic 37 e Rode 67)"

Cadomblé do Vata

"1. Tenho uma má e uma boa notícia... a má é que o Lage não sabe jogar para o empate; a boa é que no campeonato temos que ganhar os jogos todos.
2. Antes do jogo dois adeptos do Benfica ficaram famosos por terem ido parar a uma Frankfurt a 500 km da Frankfurt onde o Glorioso jogou... acabaram por ver o jogo no sítio onde o Kostic fez o 1-0.
3. O SLB escusa de pedir à Liga para protestar junto da UEFA por causa do golo em fora de jogo... o Proença vai olhar para as imagens e considerar que está em linha.
4. Na primeira parte fizemos zero cruzamentos, zero remates e zero golos... em relação aos últimos jogos, falhamos muito menos oportunidades.
5. Custa-me a eliminação e a exibição, mas desilude-me especialmente o desrespeito pela História do Sport Lisboa e Benfica... hoje comemoravam-se os 29 anos da Mão de Vata e ninguém se lembrou de homenagear o angolano utilizando esse gesto técnico."

Elementos...

"Três elementos comuns nos insucessos do Benfica:
i) os erros de terceiros são sempre superiores ao nosso demérito;
ii) a atitude competitiva é confundida com a disponibilidade física;
iii) a qualidade real, nos momentos relevantes, é muito condicionável; a qualidade intrínseca só volta a aparecer no anúncio do jogo seguinte.
A ligação dos benfiquistas é garantida mas confio na competência e lucidez de Bruno Lage para lidar com esta complicada equação nos últimos 5 jogos da época. Afinal, os referidos elementos já existiam antes dele chegar e parecem estar a sobressair novamente. É uma questão estrutural."

Por antecipação!!!

"Desde ontem que se sabe o árbitro que irá ser nomeado para o Calor da Noite - Santa Clara de amanhã. E ele é, nem mais nem menos, do que o árbitro andrade do camarote do Dragão. Manuel Oliveira foi escolhido pela estrutura do Calor da Noite, que não quer arriscar um milímetro nesta caminhada para o bi-campeonato. O jogo da Champions de Quarta trouxe desgaste e eles querem ter o jogo de amanhã devidamente controlado e imune a surpresas.
Sim, leram bem. Foi a estrutura do Calor da Noite que nomeou o árbitro, assim como o tem feito desde a época passada. Fontelas Gomes não é mais do que uma marioneta nas mãos destes senhores sendo Bertino Miranda o verdadeiro nomeador/toupeira do Calor da Noite dentro do CA.
Duas notas adicionais:
1 - Como é que uma nomeação que deveria ser pública no dia 20 de Abril é conhecida no dia 18 de Abril e por canais ligados à claque dos Super Dragões?
2 - Não há vergonha na cara de andar jornada após jornada a nomear árbitros da AF Porto para jogos do Calor da Noite e Benfica?"

Desporto de todos para todos

"A abundância de notícias e acções relativamente à Igualdade de Género mostra-nos que este é um tema actual e mobilizador, e o Movimento Olímpico, pelas suas características educativas, sociais e universais, assume um papel fundamental nesta mudança de paradigma.
Na Antiguidade grega, a cultura olímpica organizava-se à volta de competições que eram um sucedâneo da arte da guerra para o tempo de paz, e daí, naturalmente, excluía as mulheres.
Foi com este espírito que Coubertin, enquanto helenista de alto gabarito, em 1894, desencadeou a fundação do Comité Olímpico Internacional (COI) e a institucionalização dos Jogos Olímpicos (JO) da Era Moderna. A primeira edição realizou-se na cidade grega de Atenas, em 1896. Nesses Jogos participaram 14 países, num total de 241 atletas, todos eles homens.
Coubertin não era contra a prática desportiva das mulheres, era sim contra a participação das mulheres nos JO, uma posição que deve ser entendida de acordo com os valores da época.
Nos JO Paris 1900, participaram pela primeira vez 22 mulheres, nas modalidades de ténis e golfe. Foi necessário esperar mais 52 anos para vermos as primeiras atletas olímpicas portuguesas em acção nos JO de Helsínquia.
A participação feminina na maior competição multidesportiva a nível mundial tem vindo a aumentar gradualmente ao longo dos tempos, tendo-se verificado um crescimento quer do número de atletas, quer das modalidades que compõem o quadro competitivo feminino.
Na última edição, nos JO do Rio 2016, 45,6% do total de participantes eram mulheres. Para os próximos JO de Tóquio 2020, o COI pretende aproximar estes números, prevendo uma taxa de participação de 48,8%.
Estes números mostram claramente que os objectivos definidos pelo COI no seu documento estratégico - Agenda Olímpica 2020 -, para se alcançar um equilíbrio de participação entre homens e mulheres nos JO está no bom caminho para ser alcançado.
Mas a realidade é que, se relativamente ao numero de participação olímpica finalmente existe quase um equilíbrio nos géneros, no que se refere à representação feminina nas áreas de liderança desportiva a diferença é ainda abismal.
Por este motivo foi criado o Projecto de Revisão de Igualdade de Género do COI, tendo as conclusões do grupo de trabalho resultado num relatório com 25 recomendações que visam promover a não discriminação e uma maior participação das mulheres em todos os aspectos do desporto.
Outras excelentes iniciativas têm sido desenvolvidas, como o Programa “New Leaders”, do qual orgulhosamente faço parte, e que foi concebido para ensinar aos jovens futuros líderes desportivos na Europa os valores de igualdade de género, boa governação e sustentabilidade.
As ferramentas foram disponibilizadas, são agora necessárias vontade e metas realistas e tangíveis, seguidas por ações concretas para tornar a indústria desportiva mais igual, transparente e ética. Um desporto de todos, para todos!"

Benfiquismo (MCLV)

Injusto...

Vermelhão: Eliminação...

Eintracht 2 - 0 Benfica


Mal perdido... O Benfica neste momento devia estar totalmente concentrados na Liga Europa, já devíamos ser Campeões, só não o somos porque o Tugão continua a ser a merda do costume!!! Eu, como qualquer outro Benfiquista, quero ganhar tudo, a derrota nunca é agradável... mas eu não consigo criticar a 'rotação' do Lage nestes jogos da Liga Europa, tal como já tinha feito na Taça de Portugal... Aliás, esta eliminatória, acabou por ser demasiado parecida, com a Meia-final da Taça...

Mas isso não me impede de ter algumas 'opiniões': Ainda antes da última lesão, o Fejsa não estava a jogar o seu 'normal'... neste momento, sem o Gabriel, o Tino é de longe a nossa melhor opção para jogar ao lado do Samaris; Em relação ao Jardel, nem é um problema de falta de ritmo... o 'problema' é que o Ferro está a jogar muito!!!
Isto até pode parecer um pouco surreal: o Jardel e o Fejsa têm sido nas últimas épocas, jogadores fundamentais no Benfica, mas neste momento não são!
Entre o 'azar' das bolas ao poste (na Luz já tivemos uma...), o 'azar' dos golos em fora-de-jogo (indesculpável, estão 3 em fora-de-jogo, mais de um metro... não existe qualquer alibi técnico, para a decisão do fiscal...), os erros que permitiram os dois golos do Eintracht na Luz, a jogar contra 10... aliados a vários golos desperdiçados, alguns na Luz e alguns hoje, na 2.ª parte, acabámos eliminados, contra uma equipa inferior!!!

Não foi um jogo para destaques individuais... até entrámos bem nos primeiros minutos da 1.ª parte, mas rapidamente 'abdicámos' de atacar... No 2.º tempo, fomos claramente melhores, o 2-0 nasce indiscutivelmente do 'nada' (lance absurdo!!!)...
Em relação à arbitragem, mais uma prenda uefeira envenenada!!!
Na Luz, tivemos a expulsão e o penalty... mas depois, ficaram dois penalty's por marcar sobre o Cervi, e por exemplo um Amarelo claro ao Kostic, que o deixaria de fora do jogo de hoje!!!
Hoje, além dos golo em fora-de-jogo... levámos com um critério disciplinar absurdamente caseiro, o Hasebe por exemplo, logo nos primeiros minutos foi claramente às pernas do Félix...
O fora-de-jogo do 1.º golo ao contrário da tese peregrina que foi defendida na PorkosTV, é indefensável... Esta era é um decisão fácil, se houvesse 'boa consciência'!!!
O mais frustrante, é que os jogadores do Eintracht estão em fora-de-jogo, porque os jogadores do Benfica, defenderam exemplarmente a 'linha'...!!!

Pragmaticamente, jogar as Meias-finais da Liga Europa, com o Chelsea, no meio dos jogos com o Braga(fora), Portimonense(casa) e Rio Ave(fora), seria muito provavelmente 'suicídio'!!! Será extremamente complicado vencer estes 3 jogos, mesmo sem jogos à Quinta... Soares Dias e afilhados vão-nos aparecer pela frente, mas pelo menos assim, teremos mais algum gás nas pernas...!!!

A próxima final é na Segunda, com o Marítimo, na Luz... Onde a equipa precisa de todo o nosso apoio! Estes jogos com pouco tempo de recuperação, após eliminações Europeias, são sempre complicados... por exemplo, quem se lembra daquele Benfica - Setúbal, após a eliminação com o Bayern, com o Pizzi a fazer aquele passe 'desgraçado' para o Ederson.... que acabou com o Arnold no banco a chorar?!!!
Espero que a partir de agora, a 'rotação' termine... Provavelmente iremos ter alguns 'castigados' nestas últimas jornadas, mas tirando isso, têm que jogar os melhores e neste momento, o onze tipo é este: Ody; Almeidinhos; Rúben, Ferro, Grimaldo; Tino, Samaris, Pizzi, Rafa; Félix e Haris...

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Sobre o hooliganismo passivo

"Muito se tem falado no ambiente quando jogamos em nossa casa. E se olharmos aos últimos meses, em contraste com o que nos tem sido oferecido em campo pela equipa, temos retribuído com um pobre espectáculo nas bancadas que nos faz corar muitas vezes de vergonha.
As causa são muitas e felizmente parece que deixou de ser um tabu falar e discutir isso mesmo. E a mesma tem sido feita e aqui no Benfica Independente assumimos esse compromisso (que julgo que tem vindo a ser bem cumprido - já agora ler isto, isto e isto).
No entanto, e concordando que o ambiente pode e deve ser melhorado, em quase toda a argumentação lida noto uma comparação com o "antigamente". "Antigamente é que era!"
Seja este "antigamente" recente, seja aquele daquelas velhas noites europeias na antiga Catedral. 
Como que uma nostalgia que nos aconchega. E esta afinal de contas será sempre familiar e perfeita vista à distância de 2 ou 3 décadas. Mas talvez o mais importante: todos sabemos que essa nostalgia já não pode ser recriada, caindo nós muitas vezes no erro de "efabular" certas recordações. Até porque não há o risco de as mesmas voltarem para nos atormentar. O que é normal e inerente ao ser humano.
Como já aqui escrevi, esta questão está na ordem do dia e foi inclusive falada no episódio #3 do Brinco do Baptista, um podcast com a chancela deste portal.
Lá entre muitas outras coisas (desta vez foram "só" 110 minutos), esta questão foi debatida e querendo trazer uma outra perspectiva e confrontar o tal passado perfeito que todos falam (e também para enriquecer o debate), resolvi pesquisar e trazer um excerto de uma crónica de MEC (Miguel Esteves Cardoso), um assumido benfiquista que confessa não perceber nada de futebol (no entanto, autor em 2012 de umas das melhores entrevistas feitas a Eusébio). MEC dispensa muitas apresentações, mas para quem não o conhece, digamos que é autor das mais genuínas e originais crónicas que testemunham as transformações ocorridas em Portugal nestes últimos 30 a 40 anos.
O conjunto de crónicas escritas nas décadas 80 e 90 para os mais variados orgãos de comunicação social (com especial ênfase no semanário Independente que ajudou a fundar), foi editado pela primeira vez em 1999 pela Assírio & Alvim, tendo por título "As minhas aventuras na República Portuguesa".
Em 1988, MEC foi convidado pelo Benfica a estar presente na final de Estugarda, tendo por adversário o PSV, no então designado Neckerstadion.
A crónica é extensa, dividida em três desafios e abarca a viagem e a estadia e caso não tenham acesso ao livro, poderão clicar nos dois últimos links anteriores e ler a mesma na totalidade (aconselho porque acho que está genial).
Deixarei aqui apenas transcrito a parte do terceiro desafio, ou seja do jogo, que contém as partes lidas no episódio referido.
"A aventura do Benfica"
"Não percebo nada de futebol, nem gosto, mas sei porque é que o Benfica perdeu. Não vou contar é já.
O Benfica, que é o melhor clube do mundo, convidou-me para ir a Estugarda ver a final da Taça dos Campeões Europeus. Fui. Estudei a situação. Cheguei a conclusões.
A primeira conclusão a que cheguei é que houve não só um, mas vários desafios envolvendo benfiquistas. Vendo bem, o desafio propriamente dito, entre o Benfica e o PSV Eindhoven, ainda foi o menos interessante. Houve outros, anteriores e envolventes, que foram mais importantes e que contribuíram mais para a derrota do Benfica no Neckarstadion.
(...)
Desafio n.º 3. Benfica vs PSV Eindhoven.
Como convidado do Benfica já me via todo afiambrado na tribuna de imprensa do estádio de Neckar, armado em director de jornal, ao lado das figuras lendárias do jornalismo desportivo, como Vítor Santos, Alfredo Farinha e Leonor Pinhão. Estava, aliás, a contar com eles para me indicarem os jogadores, explicarem-me quando é que era off side, golo, et cetera. Queria escrever uma crónica com algum fundo técnico, que falasse com à-vontade da «cultura-táctica», do «plantel» e do «problema do meio campo». Queria brilhar.
Percebi logo que o meu bilhete não era dos bons. Com o coração a afundar-se-me no peito, fui andando para cada vez mais longe da tribuna da imprensa, até calhar praticamente em cima duma baliza, rodeado pelo mais puro maralhal. Estava outra vez cercado de benfiquistas. Só que desta vez já estava com saudades deles.
Entreguei-me ao público. Aprendi com ele tudo o que sei. A palavra operante, em todos os comentários, é «lá». É um bocado como a música. É «Vai lá!» para aqui, «Olha lá» para ali, é «Vamos embora lá prà frente» e «Anda lá com essa merda». Só que os jogadores nunca vão lá como os adeptos lhes pedem. Fazem-nos sofrer. Se calhar. há uma boa razão táctica para não ir lá. De qualquer modo, preferem andar para trás diante de um adversário que tenha a bola, deixando-o avançar muito para além do sofrimento da massa associativa, a ir lá.
Os benfiquistas são hooligans passivos.
São hooligans inteligentes que não levantam o rabo do assento. Ao contrário dos outros hooligans, praticam a violência sobre si próprios. Torturam-se. Massacram-se. Discutem entre si.
Antes de acabar o jogo, já estão a gritar «Derrota». Na minha bancada só havia um optimista. Gritava: «Vocês são benfiquistas do tijolo. O PSV está a jogar muito bem, são muito inteligentes, isto é que é futebol... mas se fosse o Benfica, não estava a jogar nada!» Na altura dos penalties, já nos tínhamos chacinado a nós mesmos, já só tínhamos uma boca e um braço e acolhemos a chegada do Elzo com o comentário: «Nunca vi o Elzo marcar um penalty». Quando foi o Dito, fez-se logo a rima proverbial: «Ai o Dito, está tudo f...» Quando foi o Hadjry, opinou-se: «Ai o marroquino... vai ser a realidade!»
Torcer tem outro sentido entre os Benfiquistas. Torcem-se a si mesmos. A festa é sofrer. Ao fim de 15 minutos no meio deles, eu próprio já sofria. Ainda sofro. Ninguém se diverte. Está-se ali ou para o grande castigo ou para o grande milagre. Enquanto os holandeses puxam constantemente pela equipa, nós exigimos que seja a equipa que puxe por nós.
Cada benfiquista, graças à sua posição privilegiada no estádio, ao seu ângulo de visão e experiência táctica de muitos anos a ver o «Domingo Desportivo», é um treinador e um jogador. «Mete o pé!», gritam. «Vá lá um!», ordenam. «Atira de qualquer maneira!», sugerem.
A equipa, por sua vez, funciona mais como uma pequena claque de onze, cuja missão é dar ânimo ao público.
Aprendi alguns conceitos futebolísticos importantes. O insight principal, emitido de três em três minutos, a várias vozes, por cerca de 40 mil benfiquistas, era que fazia falta «o Diamante». Não consegui apurar o que quer dizer. Penso que deve ser parecido com o drive no golfe ou com o finish no ténis: alguma capacidade de dureza e penetração, com um grau elevado na escala de Mohs. 
Depois, compreendi outras coisas essenciais: que o problema do futebol reside no meio campo, que em 61-62 isto era outra coisa, que os livres dos adversários são sempre «perigosos», que o ritmo de jogo é essencial, que o Toni não tem culpa, que o Benfica não tem jogadores, que nunca está ninguém na ponta e que o futebol que os holandeses jogam «é o futebol deles». E pronto. Vamos ao jogo em si.
O jogo em si.
O jogo em si pareceu-me monótono, Nem os do Benfica nem os do PSV jogaram muito bem. Foi pena o Benfica não ter ganho a Taça. Mas porque é que o Benfica perdeu?

Conclusões
O Benfica perdeu porque: 1) o árbitro era italiano e o Benfica nunca ganhou nenhuma final quando o árbitro era italiano; 2) o Alfredo Farinha assistiu ao jogo. Já é a quarta final do Benfica a que o grande jornalista assiste e nunca viu o Benfica ganhar."
Como vêem talvez o mal seja cultural e já venha de trás. Não há mal nenhum em reconhecer isso. Isso não iliba que os ambientes sejam ultimamente uma lástima.
Cabe-nos a nós alterar o padrão aqui retratado.
Viva o Benfica!"