Últimas indefectivações

sábado, 18 de agosto de 2012

Este Fischer não é nenhum Pratas

"Os nossos árbitros são uns heróis, a História prova-o.
Ninguém ligou pevide ao primeiro título oficial da época. Tratou-se da Supertaça, eficientemente levada de vencida pelo FC Porto frente à Académica. O jogo foi em Aveiro e até deu na televisão. Mas nem os jornais, nem as estações de rádio, nem as estações da TV, nem as conversas de rua nem as de café prestaram a atenção devida ao 72.º troféu conquistado pelo FC Porto desde as suas duas datas de fundação (uma no século XIX e a outra no século XX). No último fim-de-semana o assunto que roubou protagonismo à 18.ª Supertaça dos campeões da Invicta foi apenas este:
Luisão, o TOMBA-BOCHES.
Logo na noite de sábado, sempre previdente, adivinhando o que se ia passar, o presidente do FC Porto entrou em campo e passou à acção: calçou as chuteiras e, como qualquer oportunista da área, aproveitou mais um lapso da fraca defesa benfiquista para perorar, com toda a moralidade, sobre o assunto que infectou o campo do inimigo. E golo! Pinto da Costa logo estabeleceu oportuna comparação entre a ocorrência bélica de Dusseldorf e a correcção com que se disputou a decisão da Supertaça portuguesa na cidade dos ovos-moles.
E disse:
- Esta correcção vem compensar o triste episódio que vimos hoje na Alemanha. Estes episódios é que fazem com que o futebol tenha uma imagem negativa.
Depreende-se, sem grande esforço, que a simpatia toda do presidente do FC Porto vai direitinha para o árbitro, o senhor Christian Fischer, de nacionalidade estrangeira, vítima da inusitada dinâmica de protesto do “capitão” do Benfica.
E quem é ele, uma vez mais?
Luisão, o TOMBA-BOCHES.
Sem receio de ser mal interpretada, devo confessar que eu própria tendo a não antipatizar com o árbitro Christian Fischer. Em boa verdade toda a vida sonhei com um árbitro destes no futebol português. Sonhos, enfim….
Os nossos árbitros são uns heróis. São como as árvores, morrem de pé. Não há, nem nunca haverá, uma bota de um Deco que atire com um Paulo Paraty ao chão. Não há, nem nunca haverá, um José Pratas a quem dê um chilique que o deixasse logo estendido à primeira investida do pelotão. Nem um fiscal-de-linha que soçobre a um Kostadinov.
É um problema do nosso futebol. Excesso de virilidade. Este Fischer não é nenhum Pratas."

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Vergonha é...

"Permitam-me que a minha primeira palavra nesta sala seja para uma pessoa que não está presente: o nosso capitão Luisão!
Se há coisa com que sempre me preocupei desde que cheguei ao Benfica foi recuperar a sua credibilidade e é evidente que a imagem do Benfica faz parte de um património único que temos de cuidar.
Tenho isso bem claro na minha cabeça, mas fazer uma cruzada cobarde contra o Luisão é algo que não posso nem vou tolerar.
Há sempre nestes tempos – faz parte do carácter ou da falta dele de algumas pessoas – quem se aproveite para atirar pedras esquecendo tudo o que fizeram no passado!
É evidente que todos nós – Luisão incluído – gostaríamos que aquele episódio não tivesse acontecido, mas pôr em causa a boa-fé, o carácter e a palavra do nosso capitão é algo mesquinho e totalmente inaceitável.
Para aqueles que falaram de vergonha, é bom que façam um pequeno exercício de memória:
- Vergonha é ser condenado por corrupção desportiva.
- Vergonha para o país foi saber-se que houve quem corrompesse árbitros com prostitutas e outros esquemas.
- Vergonha foi todos sabermos o que se passou, quando e como se passou, mas a justiça portuguesa ter preferido ignorar os factos.
- Vergonha é recordar a imagem de árbitros como José Pratas e outros a fugirem de campo de jogadores e adeptos.
- Vergonha é agredir jornalistas por terem opinião.
- Vergonha é intimidar pessoas do próprio Clube apenas porque pensam de forma diferente.
- Vergonha é ameaçar ou agredir jogadores apenas porque estes não querem renovar ou ser emprestados.
- Vergonha é não ter memória.
- Vergonha é ter ordenados em atraso e fazer de conta que não se passa nada!
- Vergonha é saber que algumas pessoas gozam de total impunidade em Portugal.

E mesmo assim, com tudo o que disse atrás, vêm agora algumas senhoras da má vida querer passar a ideia de virgens ofendidas? E nós toleramos isto?
O Conselho de Disciplina da Federação tomou hoje uma decisão. Não a vou comentar e respeito-a.
Saberemos respeitar as decisões, mas também saberemos defender os nossos. Que ninguém tenha dúvidas!
Por tudo o que acabei de dizer, queria pedir a todos os benfiquistas o maior apoio a Luisão e a toda a equipa do Sport Lisboa e Benfica a partir de amanhã….
A época que agora começa é responsabilidade de todos. Dos que jogam e dos que estão nas bancadas, dos que dirigem, dos sócios, dos adeptos… de todos.
Portanto, a partir de amanhã ninguém pode deixar de apoiar a nossa equipa. O sucesso depende de todos nós!
Um Benfica forte obriga a sermos firmes, a não desviar um milímetro do caminho traçado, a não ceder a nenhuma provocação. E é isso que vamos fazer!!
A dinâmica de crescimento do Benfica não se vê apenas por aquilo que conseguimos fazer na Luz ou no Seixal, porque o Benfica vai muito além da Luz ou do Seixal.
O Benfica é um Clube Nacional, não tem fronteiras geográficas que o limitem e as Casas do Benfica tiveram – e continuam a ter – uma importância fundamental nesta história.
Não me tenho cansado de afirmar nas várias intervenções que tenho vindo a fazer que o Benfica são as pessoas.
Que a nossa aposta passa pelo seu envolvimento, pela valorização da sua participação junto do Clube. E nesta perspectiva o papel das Casas do Benfica é insubstituível.
Permitam-me por isso expressar uma palavra de sentido reconhecimento a todos quantos trabalharam e dedicaram o melhor do seu esforço para levar por diante o projecto que há pouco tivemos oportunidade de inaugurar.
Queria, por isso, na pessoa do seu Presidente António Caseiro, agradecer a toda a Direcção e o empenho e a dedicação que puseram no projecto.
A Batalha representa aquilo que queremos para o futuro das Casas do Benfica. O Benfica está onde houver benfiquistas, muitos ou poucos, que o defendam e se orgulhem de tudo quanto foi construído. O Benfica está nas suas Casas espalhadas por Portugal e pelo Mundo!!
Obrigado a todos!"

Há quem não acredite

"Fez ontem 35 anos que Elvis morreu e ainda há quem não acredite. O Benfica é prejudicado há mais de 20, acontecem sempre coisas bizarras, lê-se e sabe-se o que foi o apito dourado e há também quem não acredite. Há quem não acredite que o homem foi à Lua! Há quem acredite homem que os árbitros desmaiam com os cartões na mão e levantam-se passados 40 segundos. Há quem acredite que Soares Dias, árbitro do Braga-Vitória do ano do título do Jorge Jesus e do último Sporting-Benfica que nos afastou do título é uma boa escolha para a primeira jornada deste campeonato. Há quem acredite que o árbitro Fischer é um Soldado da Fortuna e há quem acredite até que a sua fortuna foi grande. Há quem acredite que foi uma coincidência o árbitro Fischer ter sido mudado antes do jogo. Há quem acredite que este campeonato é limpo e não está armadilhado desde do início. Há quem acredite que este episódio Luisão será um fait-divers sem prejuízo para o clube.
Há quem acredite que o futebol português corou de vergonha, se regenerou e melhorou. Há quem acredite que o Benfica joga uma competição isenta e ganhará se for melhor e perderá se for pior. De tudo isto eu tenho a certeza que Elvis morreu mesmo e que o homem chegou à Lua. E sei também que chegar fogo à gasolina dá incêndio e é perigoso. Temos de recuar 8 anos, a um jogo em Aveiro, para ver um início de campeonato do Benfica com uma vitória (3-2). Começar o campeonato com uma vitória é uma raridade para o Benfica, nos últimos 15 anos valia a pena fazer um estudo dos resultados e incidências da primeira jornada do campeonato ao Benfica. Por mim, que tenho aqui os 15 artigos vos digo, que percebo bem não ser azar, é estatisticamente uma vergonha. Que amanhã, com o estádio cheio, se consiga inverter a história e refazer o destino que nos traçam."

Sílvio Cervan, in O Benfica

Inacreditável

"1. Inacreditável o que se passou em Dusseldorf, no último jogo de preparação do Benfica antes do Campeonato. O que terá dado ao árbitro para cair, inanimado (?), daquela forma, perante a aproximação de Luisão, com ou sem contacto (as imagens não permitem vê-lo mas nunca poderá ter sido violento)? Ter-se-á o árbitro assustado? Estará de perfeita saúde? Tudo muito estranho.
Como estranho foi não ter proseguido o jogo, nem sequer delegando a responsabilidade num dos árbitros assistentes (grave não ter havido quarto árbitro).
Claro que há logo quem queira aproveitar a oportunidade para ver o Befnica desfalcado de Luisão. Vamos ver no que tudo isto dará. Foi tão ridículo que não pode dar mesmo em nada.

2. A actuação portuguesa nos Jogos de Londres, não tendo sido a melhor, foi agradável, até porque se verificou a presença em lugares bem honrosos de algumas modalidades que até aqui passavam despercebidas. Já no que respeita aos atletas do Benfica, Teresa Portela e Joana Vasconcelos à parte, as coisas não correram como previsto e como a categoria de cada um fazia prever.
Claro que faltou Nelson Évora, cuja presença nos poderia ter dado alegria semelhante à de há quatro anos. Claro que Telma Monteiro teve um dia mau, que acontece a todos. Pena foi que tivesse acontecido no pior momento possível. Claro que vários outros são jovens ainda em fase ascensional da carreira e de quem se espera muito no Rio de Janeiro, na verdade, aguardávamos melhor. Isso não coloca em causa o nosso Projecto Olímpico (que outros já estão a querer imitar...), o qual não se limita a preparar os atletas para os Jogos. As medalhas de Telma Monteiro em Europeus e Mundiais, a presença de Marco Chuva e a sua medalha no Europeu de Sub-23 do ano passado, tudo isso - e também os títulos nacionais que eles e outros dão ao Benfica - é resultado do Projecto Olímpico. Teresa Portela e Joana Vasconcelos foram, desta vez, enormes. Foi bom, mas foi pouco. Mas temos que continuar a confiar no trabalho que todos têm feito com as cores do Benfica e continuarão a fazer."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Luisão, em aumentativo

"Depois do que aconteceu em Dusseldorf, já todos os que se alimentam de sangue publicitaram os altos valores morais que os norteiam, proclamaram a ausência dos mesmos no alvo de circunstância e decretaram o veredicto. Eu não dou nem mais um cêntimo para o peditório de enlamear o homem que é capitão de equipa do Benfica e que veste o manto sagrado há uma década. Agora, daqui em diante, precisamos de ver em campo o capitão, o líder, a referência para os colegas e o primeiro dos homens para quem nós, do Terceiro Anel, olhamos quando algo não está a correr bem. Agora, é tempo de mostrar ao Luisão que a sua história no Benfica não se esgota num momento de imprudência e num patético aproveitamento teatral da mesma. A história do Luisão no Benfica está longe de estar terminada e nós, benfiquistas, não temos no nosso ADN esse gene de abandonar às hienas o capitão da nossa equipa sénior de futebol.
Há clubes pequenos, regionais, para quem uma situação destas serviria para unir os seus adeptos em torno da defesa do seu capitão de equipa. No Benfica, pelo gigantismo do mesmo, essa união é utópica e, como tal, surgirá sempre uma grande polifonia de vozes. É natural e faz parte da nossa história e forma de viver o Clube. No entanto, esta é uma excelente oportunidade de unir ainda com laços mais fortes o balneário em torno do capitão de equipa. Se isto for conseguido, conseguir-se-á transformar algo de mau em algo de positivo. É imperioso que haja esta capacidade por parte de quem lidera a equipa e esta vontade por parte de todos os membros do plantel. A defesa que Javi Garcia já fez do seu companheiro e amigo deixa-me esperançado de que esta união se manifeste em campo já no primeiro jogo do campeonato.
Pela minha parte, fica a certeza de que neste próximo jogo, em nossa casa, lá estarei a apoiar incondicionalmente o Benfica e, particularmente, o Luisão."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Fortuna(II): a parte triste

"O SLB era o convidado para a apresentação do Fortuna, que há muitos anos não competia na Bundesliga. Num jogo amigável, como sói dizer-se. Estádio cheio e com muitos emigrantes transportando a paixão do seu Benfica.
Mas a festa acabou tristemente desamigável... numa organização confrangedoramente amadorística na austera Alemanha. Um trio de arbitragem (?) vindo dos confins de divisões secundárias e um 4.º árbitro invisível.
O jogo ia sonolento quando J. Garcia resolve não ser assim tão amigável quanto o jogo. Maxi e C. Martins cercam o árbitro para evitar a inevitabilidade da expulsão. A insustentável leveza de Luisão, o capitão, esbarra no juiz em vez de esbarrar nos colegas. Assiste-se, depois, a uma excessiva, insensata e indecifrável emotividade. O alemão desmaia (?) com o sopro, num momento patético de medo e incompetência, quiça os minutos de glória do queixinhas por tão imaginativa brutal agressão! Mas também jogadores, técnicos e dirigentes se riem ostensivamente e falam, em surdina, com a mão na boca. Um dos mais efusivos era A. Carraça que era suposto lá estar para liderar e alertar que aquilo não era nem turismo nem circo.
Profissionais qualificados acabaram por dar uma imagem demasiado ligeira do clube que lhes paga  principescamente. A história e o prestígio do Benfica não podem sujeitar-se a estes dislates infantis.
Não houve alminha que o envergasse para além da frivolidade de uns minutos tornados lúdicos e que correm o risco de virar pesadelo. E, até agora, não se ouviu uma palavra da Direcção. Apenas a ironia intragável e pseudo ético vinda do contumaz clube rival."

Bagão Félix, in A Bola

PS1: Antes que alguém pergunte, informo: decide, hoje, não publicar a coluna da Leonor Pinhão n'A Bola desta semana. Já o tinha afirmado antes, que só publicaria colunas de opinião com qual estivesse de acordo, pelos menos em parte... Hoje concordo com algumas ideias, mas discordo na sua essência... A Leonor como é óbvio tem direito à sua opinião - eu também -, na próxima semana se assim for o caso voltarei a publicar as suas opiniões, mas hoje, não...
Podem até achar que existe pouca diferença entre a opinião do Bagão e a opinião da Leonor. A diferença é realmente 'pequena', mas existe!!! O Bagão critica os 'risinhos', o Bagão critica a 'liderença' do Carraça, algo que eu partilho... agora o Bagão não extrapola este caso, para uma dissertação sobre o nível de Benfiquismo da Direcção do Benfica, algo que a Leonor faz. Como na Gloriosesfera também não gosto de discussões tipo: 'o meu Benfiquismo é melhor que o teu', neste caso também não aceito o argumento.

PS2: Ainda sobre o caso Luisão. Acho curioso que a descomunicação social Portuguesa sempre que tenta explicar a potencial penalização do Capitão do Benfica, mostra somente os castigos nas molduras da Agressão, ou da Tentativa de Agressão!!! Parece que os regulamentos não têm penalizações, por exemplo: para comportamento incorrecto...!!!

Viva à Democracia !!!

Nos últimos dias alguns blog's voltaram a escrever sobre o velho e já estafado tema do Benfica ser o Clube do Regime. É uma discussão que já cansa, mas nós Benfiquistas temos a obrigação de nunca deixar sem resposta os ignorantes que defendem a tal teoria tresloucada... Como os argumentos são quase sempre os mesmos, aqui no blog, não tenho insistido... Apesar de pessoalmente - recorrentemente -, entrar em dialogo intenso sobre o tema!!!
Hoje no Blog de Leste, encontrei um texto que não conhecia, publicado pelo Editor69, aqui fica:
"Locais privilegiados de difusão de propaganda foram também as salas de cinema, onde a projecção de documentários sobre a guerra provocava reacções entre os espectadores, que, perante a omnipresença da PVDE [antecessora da PIDE], arranjavam meios subtis de expressão. O refugiado político Karl Retzlaw, que chegou a Portugal no Verão de 1940, relatou uma ida ao cinema, contando que, à entrada e dentro da sala, estavam polícias, prontos a intervir, caso surgissem manifestações do público. Numa ocasião, quando Hitler surgiu no écran, o público começou a arrastar os pés, quando surgiu Mussolini, os espectadores tossiram, e quando apareceram os monarcas ingleses, gritaram em uníssono: «Viva o Benfica!», identificando o popular clube de futebol com a Inglaterra.”
Irene Flunser Pimentel, in "As Vítimas de Salazar"."

O Parlamentarismo Inglês sempre foi considerado a origem da Democracia Moderna, o símbolo da alternância livre e democrática, daí o grito: 'Viva o Benfica'!!!
O revisionismo histórico é uma praga das sociedades, sempre foi, e apesar de supostamente as populações estarem mais esclarecidas, continua a ser... até porque apesar da massificação da educação, não acho que a população esteja mais 'alerta'!!! Bem pelo contrário, a manipulação das massas é cada vez mais fácil, os instrumentos para o fazer estão ao alcance de todos...
Afimar que o Benfica era o Clube do Regime Salazarista, é a mesma coisa, que afirmar: que o Hitler foi o maior defensor dos Judeus durante a II Guerra Mundial; que o Apartheid foi instituído para a defesa da população negra na África do Sul; que o Real Madrid é o maior Clube em Barcelona...!!!!
O mais incrível, é que existem almas, algumas com 'canudos' - devem ser 'primos' do Relvas!!! - que realmente acreditam nessa história...!!! Aqui está a prova, provada, na 'minha' teoria da desevolução intelectual da população em geral!!!!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Fortuna(I): a parte cómica

"O SLB doi a Dusseldorf assinar um memorando de entendimento com alemães... de Fortuna.
Após os cumprimentos da praxe, as delegações iniciaram a sessão com troca de galhardetes, perante uma bundestroika para actuar em caso de violação do memorando e como recurso de última instância. Estava-se ainda na fase de diagnóstico, quando o chefe da dita troika resolveu entregar uma carta a Garcia com aviso de recepção. Tal foi entendido por Luisão, chefe do luso grupo, como uma limitação intolerável de soberania, pelo que se lhe dirigiu em tom especulativo. Fischer - assim de chama o teutónico - temeu um haircut semelhante ao de Luisão, de tal sorte que caiu inanimado com - julga-se - um colateral eurobound na mão.
Por instantes, os estabilizadores automáticos não funcionaram e o pacto de estabilidade e crescimento foi violado. Se a (não) estabilidade só durou 9 segundos, o crescimento (do calmeirão) provocou um défice na massa (cinzenta) do homem, que se viu grego para se levantar. Resgatado por milagre, o alemão balbuciou: «Foi como se tivesse batido numa parede.» Sentiu mais força do velho escudo do que a injecção de novos euros. Encerrou o encontro, esterilizou a massa associativa do Fortuna no mercado secundário (leia-se: bilheteiras) e enviou relatório para a Chancelarina.
Hélas! Por uma vez, o marco alemão (disfarçado de euro) foi derrubado pelo escudo (com prata da casa). A Comissão Europeia considerou tal facto «uma experiência inspiradora para o futuro do euro». E a Grécia reclama por um Luisão para evitar a bancarrota.
P.S. Portugal-Panamá, três dias antes do começo da Liga. Que fortuna!"

Bagão Félix, in A Bola

Cena de Charlot

"A cena entre Luisão e o árbitro Fischer parecia retirada de um filme de Charlot: o matulão vai contra o pequenote, e este cai inanimado com o simples impacto do choque.
Isto explicará os sorrisos de Jesus, dos jogadores do Benfica e certamente do público. As quedas aparatosas dão muitas vezes vontade de rir - mas aquela assemelhava-se, de facto, a um filme cómico.
Não sei o que terá justificado o suposto desmaio do árbitro, já que o contacto, por muito grande que Luisão seja (e é), foi corpo contra corpo, não parecendo ter havido nada de especialmente grave.
Demasiado rígida foi a conduta posterior de Fischer, recusando-se a reatar a partida. Eu sei que tinha a lei do seu lado. Mas podia, por respeito para com o público, considerar que o gesto de Luisão não fora intencional, dialogar com ele, esclarecer a situação - e prosseguir o encontro. Até porque, como as imagens documentam, saiu do campo pelo seu pé em perfeitas condições: Interrompendo a partida, Fischer mostrou desrespeito pelos espectadores que pagaram o seu bilhete e tinham direito a ver 90 minutos de jogo e não apenas 39.
Ficou a ideia de que o árbitro quis fazer uma birra. Ainda por cima, estavam do outro lado uns portugueses selvagens, que não mereciam nenhuma consideração.
É que, a par da lei - que permitia ao árbitro interromper o jogo naquela situação - há o bom senso. Ora aquilo que justifica o espectáculo futebolístico são os espectadores - e estes foram lamentavelmente desprezados pela equipa de arbitragem, que fez uma demonstração de autoridade à custa de quem gastou o seu dinheiro para ir ao futebol."



A crise

"O futebol não foge à crise, designadamente em Itália. O Milan que nos últimos 26 anos, sob a presidência de Sílvio Berlusconi, conquistou títulos, muitos títulos, nacionais e internacionais (só Ligas dos Campeões foram cinco), vai reduzir a folha de salários em 40 milhões de euros/ano, vendendo e dispensando os jogadores mais caros: Ibrahimovic, Thiago Silva, Nesta, Gattuso, Inzaghi, Seedorf, Van Bommel, Zambrotta...
Para os substituir, recorrerá à prata da casa e a elementos low cost. Com o fair play financeiro à porta, concluiu que não pode competir no mercado com os xeques do petróleo ou os magnatas russos e que tem assim mais tempo para programar o futuro sem a incumbência de sonhar com a Liga dos Campeões. É um Berlusconi estilo Mario Monti aquele que anuncia aos milanistas que «não há recursos para gerir o clube como no passado e que o momento económico que vivemos não permite fazer investimentos loucos».
Por sua vez, o Inter seguiu outra via: vendeu ao chinês Fengchao Meng, presidente da China Railway Construction, por 55 milhões de euros, 15 por cento do capital que pode depois chegar aos 40. A família Moratti, que detém 98,2 por cento das acções, continuará de todo o modo a manter o controlo do clube. O acordo prevê a construção de um estádio privativo na zona de Rho, nos terrenos que serão utilizados para a Expo-2015. Desde que comprou o clube a Ernesto Pellegrini em Fevereiro de 1995 e fazendo as contas a todos os aumentos de capital para sanear os prejuízos sucessivamente acumulados, Moratti gastou até 2011 no Inter 1160 milhões de euros! Uma loucura. E os tempos não estão para loucuras."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Tranquilidade

"A pré-temporada benfiquista tem decorrido com um grau de serenidade que não é muito habitual verificar-se no Futebol português. Enquanto num passado recente, ao longo deste período, assistíamos a um rodopio de entradas e saídas de jogadores, agora - pelo menos por enquanto -, vamos tendo paz, não só ao nível do corpo técnico (desde que nasci, nunca qualquer treinador realizou quatro épocas consecutivas no Benfica), mas também no plantel. A crise económica que atinge o País não será completamente alheia a esta realidade. Mas, para além dela, e dos seus efeitos, parece existir hoje também um entendimento (a meu ver, correctíssimo) sobre o peso do factor estabilidade no desenvolvimento competitivo de uma equipa de Futebol.

Poucas mexidas
Até ao momento em que escrevo, dos habitantes titulares da última temporada, apenas saiu Emerson, jogador esforçado, mas que foi perdendo espaço com algumas exibições pouco conseguidas - ainda que, na minha opinião, pudesse ser um bom suplente. Em sentido contrário, entraram vários jogadores oriundos do mercado interno (aposta que também saúdo), como Hugo Vieira, Paulo Lopes, Luisinho ou Michel; e regressaram os antes emprestados Carlos Martins, Melgarejo, Perez, Kardec e Mora (estes dois últimos ainda com um ponto de interrogação quanto à sua quantidade). Contratações de monta? Apenas duas: o jovem holandês Ola John, e o argentino Salvio, este já conhecedor dos cantos da casa. Espera-se ainda um lateral-esquerdo, para solucionar um problema que permanece em aberto desde a saída de Fábio Coentrão. Acredito que ele acabe por chegar, e seria muito importante que se tratasse de um verdadeiro reforço, pois no Futebol actual qualquer posição deficientemente preenchida e suficiente para desequilibrar toda a equipa - por maioria de razão num plantel, como o nosso, em que os médios ala são predominantemente ofensivos.
Mais entrada, menos entrada, o que ressalta à vista é a manutenção da quase totalidade dos jogadores da primeira equipa. É importante salientar que na temporada passada, sem a ousada aposta na Liga dos Campeões (que a dada altura terá subvertido a ordem de prioridades no seio do grupo), e sem Pedro Proenças, o Benfica teria certamente arrecadado o título, pois demonstrou ao longo de meses, inteira capacidade para tal. Isso agora pouco interessa, mas não seria justo esquecermos o que este mesmo plantel fez no Campeonato entre Agosto e Fevereiro (quinze vitórias nas primeiras dezoito jornadas), e a força que foi capaz de mostrar ao longo de toda a temporada internacional. Essa deve ser, pois, a base de partida para a nova época, que com um ou outro reforço cirúrgico (os nomes acima referidos, mais o tal lateral-esquerdo) permitirá enfrentar o Campeonato com ambições superlativas.

Paraíso Perdido
Nasci e cresci para o Futebol nos tempos em que o 'onze' do Benfica se mantinha praticamente inalterado durante o prazo de validade da carreira dos seus principais jogadores. Bento, Pietra, Bastos Lopes, Humberto Coelho, Shéu, Carlos Manuel, Chalana, Diamantino ou Nené, vestiram o 'Manto Sagrado' desde que, pela mão, pelo voz, e pelo coração do meu Pai, aprendi o que era ser Benfiquista, até a um tempo em que já ia ao Estádio da Luz pelos meus próprios meios. Os nomes que referi não eram, para mim, os de simples jogadores de Futebol. Muito mais do que isso, eram os jogadores 'do' Benfica, autênticos deuses no templo da minha paixão. São nomes que ainda me causam arrepios sempre que os pronuncio.
Os tempos são outros, mas mesmo num contexto fortemente mercantilizado, vemos o Barcelona com Xavi, Iniesta e Puyol, o Chelsea com Lampard, Terry e Cech, o Real Madrid com Casillas e Ramos, o Inter com Zanetti, Júlio César e Stankovic, o Manchester United com Giggs, Scholes e Ferdinand. É assim que mantêm a identidade, como grandes equipas que são. Não sou, nem um pouco, entusiasta da volatilidade dos mercados de transferências (algum adepto o será?), e em muitos casos custa menos a perceber a pertinência de certas transacções, que trazendo soma nula às equipas, servem apenas para engrossar as contas bancárias dos agentes nelas envolvidos - figuras que, a meu ver, ajudando eventualmente os jogadores, não ajudam, certamente, o Futebol.
O Benfica (de Maxi, Luisão, Cardozo ou Aimar) tem sabido aprender, e está hoje a anos-luz do entreposto de atletas que chegou a parecer no passado. É este o caminho certo. É mantendo esta identidade que chegaremos aos títulos. Até final do mês, 'no news, good news'.
..."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cardozo até ao fim

"Um dos aspectos em que a gestão do Futebol benfiquista mais tem melhorado é, como se diz aqui ao lado, o da manutenção de uma identidade no plantel e na equipa. O mesmo treinador (com virtudes e defeitos, mas seguramente melhor, ou mesmo muito melhor, do que qualquer outro no campeonato português), e uma espinha dorsal mais ou menos constante (Maxi, Luisão, Javi, Aimar e Cardozo), têm permitido melhorar substancialmente a qualidade de jogo apresentada. Só factores externos, e bem conhecidos de todos, impediram a consequente tradução nos títulos que merecíamos.
Exemplo desta política é a forma como os dirigentes encarnados têm resistido a vender Óscar Cardozo, de longe o melhor ponta-de-lança a actuar em Portugal, e máximo goleador do Clube neste Século.
Assobios de sócios porventura menos conhecedores, especulações dos jornais, e até algumas propostas milionárias, não abanaram a convicção (certeira) de que, sem o paraguaio, um buraco se abriria de imediato na equipa. E tapar buracos naquela zona do terreno tem sempre um preço muito elevado. Ou custa muitos milhões, ou custa muitos empates e derrotas, com as perdas de títulos (e consequentes quebras de receitas) que tal significa.
É claro que há um valor para tudo. Estou em crer que uma proposta de 20 milhões seria suficiente para que Tacuara fosse marcar golos para outro lado. Mas, ficando sem ele por menos do que isso, estaríamos a correr um risco desnecessário, pois não seria nada fácil encontrar nos mercados a que temos acesso, alguém capaz de marcar mais de vinte golos por época. Como aqui disse muitas vezes a propósito de Luisão (e também Maxi), há jogadores cujo valor de mercado - quer pelo factor idade, quer por questões relacionadas com o mediatismo, ou com a influência de agentes -, se torna inferior ao peso e importância que têm para e equipa. Aos 29 anos, e 155 golos depois, Cardozo começa a ser um desses casos.
Até ver, parece que se manterá entre nós. E essa é, sem dúvida, uma das melhores notícias do defeso."

Luís Fialho, in O Benfica

Mariquices

"Não sou adepto do Benfica e, como sportinguista, não tenho gratas memórias de Luisão. Mas nessa não simpatia, que não significa antipatia ou animosidade, devo reconhecer que é um excelente atleta. Sarrafeiro, manhoso, e também um defesa seguro e que impõe respeito.
Agora, vejo imagens em que o envolvem com um árbitro alemão e não posso deixar de sorrir ao ver que Luisão apanhou pela frente um manhoso muito melhor do que ele. Nunca vi nada igual. O árbitro assinala uma falta, Luisão e outro jogador do Benfica discutem a bondade da apitadela, e até é possível que o defesa se tenha encostado a ele.
O alemão, ignorando a tradição bélica prussiana, atira-se para o chão inanimado, ou fingindo-se inanimado, o jogo pára, entram assistentes, os jogadores das duas equipas não sabem se hão-de rir se levar a coisa a sério, e a história termina minutos depois com o tipo a levantar-se, a marchar para as cabines, e o jogo anulado. Acho que Luisão, a esta hora, ainda deve estar a perguntar-se onde é que foi parido um sabidão maior do que ele. Só podia ser alemão. Do país que manda na Europa. E agora corre o risco de o homem amuar por ter posto meio estádio a rir por causa da mariquice da cena e escrever um relatório onde o jogador pode correr o risco de ser irradiado. Risco sério, diria eu.
Qualquer lusitano, nestes dias de crise, deve reverenciar os árbitros alemães. São os donos da bola e do jogo que se disputa em todos os relvados governamentais, o que quer dizer que, no petisco europeu, têm a faca e o queijo nas mãos. Ora Luisão ameaçou armar--se em grego e o árbitro desmaiou depressa. E daqui retira-se uma conclusão em jeito de metáfora: sejam árbitros de futebol, sejam da troika, quando trimestralmente vêm fiscalizar o comportamento do País face à penhora que nos está imposta, a tentativa de encosto cai mal em pano germânico.
Vítor Gaspar faz muito bem compondo aquela postura educada que não encosta em demasia, não protesta, apenas cumprimenta e de longe. É que se o hábito pega, partindo da fita do árbitro do encontro particular, não vai ser difícil ver peritos caídos pelo chão do Terreiro do Paço, inanimados, porque apitaram com defeito em qualquer das contas do orçamento de Estado que têm sobre vigilância. E se mandam terminar o jogo é uma chatice. Lá marcharemos todos para a fila da sopa do Sidónio."

O desmaião do alemão

Vi e revi. Vídeo desfocado em momentos semicruciais, mas dá para ver o que se passou, sem margem para dúvidas. Caminhando o árbitro alemão com dois jogadores do Benfica e com o amarelo na mão para punir, surgiu-lhe inopinadamente Luisão. Este, no cumprimento das suas funções de capitão, afastou com o ombro direito um colega e postou-se frente ao árbitro. Chocaram. Este simples facto extravasa as funções do capitão, que deveria ter sido expulso. Não o foi porque o árbitro desmaiou, de pernas e abraços abertos como, talvez, nos palcos de mau teatro. Digo "talvez" porque sucede também em situações de AVC e desconheço o boletim clínico do alemão. Aconteceu isto em jogo de futebol (desporto enérgico) e com regras (que impedem que se toque no árbitro). Luisão deveria ter sido expulso, por infração disciplinar, e deveria continuar a ser considerado o que é, um atleta correto. E o árbitro deveria curar-se, da tensão alta ou da baixice. O presidente do Fortuna de Dusseldorf disse: "Nunca vi nada assim." Estranho, tinha ele 27 anos, Mundial de 82, Alemanha-França, e o guardião Schumacher partiu três dentes e feriu duas vértebras ao francês Battiston. O encosto foi considerado - e bem - não intencional. Mas isso é futebol e um presidente pode não perceber de futebol. Ele também quer de volta os 200 mil euros que pagou ao Benfica pelo jogo. Isso é melhor pagar, ele é alemão e a extorquir eles são hábeis. Melhores, só a dar lições."

Fim da trégua

"Durante duas semanas, os portugueses tiveram à disposição um curso acelerado de formação desportiva. Contudo, nota-se que os Jogos Olímpicos terão decorrido depressa de mais e que ainda serão muito poucos os habilitados a distinguir um caiaque de uma canoa, quando ainda ontem um jornal de referência se dirigia aos medalhados como os “rapazes do remo”.
Simbolicamente, a trégua olímpica decretada às nações do Mundo para interromperem a beligerância durante o período dos Jogos aplica-se ao meio desportivo nacional como aquele defeso sagrado em que nos fica bem a todos falar menos de futebol, sobretudo se, por um acaso, o reino da bola não estiver incendiado por uma polémica qualquer de trazer por casa – do tipo dos desabafos do cirurgião.
Mas todos sabemos que essa paz, além de podre, é passageira. À hora a que o Brasil sofria em Wembley mais uma réplica do Maracanazo, o capitão do Benfica, Luisão, um dos últimos jogadores preteridos da equipa olímpica, colocava-se no epicentro de outro abalo insólito que pode ter custos elevados para a nova época. Sem intenção, mas com uma agressividade excessiva, o brasileiro terá provocado um susto de desmaio a um árbitro alemão e agora o Benfica sujeita-se a sanções disciplinares com repercussões desportivas, para lá de ter atraído para si e para o futebol português mais uma etiqueta de péssima reputação.
E sobre este tema, sobre a indecência do Benfica e o caráter dos jogadores envolvidos e sobre a possibilidade de capitalizar um momento mau do rival, já os agentes se posicionam, garras de fora, sem o mínimo rebuço olímpico, consoante as conveniências. Como é tão mais fácil diferenciar a fidalguia do nosso emblema da desordem do adversário, do que distinguir um remo de uma pagaia. Acabou a trégua olímpica, vamos lá julgar o Luisão!"

E dinheiro para o Rio?

"Confesso: já temia que Portugal não conquistasse nenhuma medalha em Londres. Recordei, nos últimos dias, inúmeras imagens e conversas que testemunhei nos Jogos de Barcelona, em 1992, quando, pese uma representação vasta, aconteceu de tudo aos nossos atletas (inclusive situações bizarras) menos assegurar lugares no pódio. No entanto, o despertar matinal de ontem valeu a pena. Fernando Pimenta e Emanuel Silva, dois jovens canoístas que quase todo o país desconhecia (nomeadamente aqueles que, como sempre, foram céleres a associar-se à festa, mas que se esquecem de aparecer quando as coisas correm menos bem...), em boa hora acederam ao galarim do desporto luso.
A canoagem nunca tinha dado uma medalha olímpica a Portugal mas, nos últimos anos, após uma aposta séria dos responsáveis federativos (a contratação de um técnico reputado e a criação de boas condições de treino foram fulcrais), evoluiu imenso e, hoje em dia, embora a maioria da população ignore o facto, rivaliza com as principais potências internacionais em várias categorias. E se os resultados em Londres têm sido notáveis, convém acrescentar que fora das competições da capital britânica ficou mais um punhado de valores que, muito em breve, poderão seguir as pisadas dos dois nortenhos que, após tanto sacrifício, atingiram o sonho de qualquer desportista: chegar à maior competição desportiva do planeta, figurar entre os finalistas e trazer uma medalha para casa.
Um galardão olímpico não é apenas um troféu pitoresco que se coloca num local vistoso de uma qualquer estante de sala. É mais uma “assinatura” de qualidade, que fará prova eterna da dedicação de alguém a um desporto. Ninguém fica nos três primeiros lugares de uma prova olímpica sem investir anos e anos de trabalho, sem sofrer, sem deixar de lado tantas e tantas coisas que todos consideramos normais e gostamos de fazer. Quem pretender chegar ao topo não se limita a praticar uma modalidade, antes abraça uma “religião” que obriga a rotinas verdadeiramente impensáveis para a maioria dos mortais.
Mais do que olhar apenas para a medalha da canoagem, os portugueses deviam tentar perceber os sinais positivos que nos chegaram através de outros desportos pouco ou nada mediáticos como remo, tiro, ténis de mesa, vela, triatlo, ginástica ou hipismo. É evidente que continuamos a estar (e estaremos sempre por várias razões) a léguas dos grandes tubarões do desporto mundial, mas agora já se conseguem ver atletas nacionais competitivos em diversas modalidades. Só que isso, para além do talento e da qualidade dos “artistas”, significa uma aposta de muito dinheiro para proporcionar as melhores condições de trabalho a quem acredita ser possível atingir o topo. E é por isso que, desde já, me interrogo sobre algo tão simples como isto: com a crise que nos martiriza diariamente, onde é que se poderão encontrar as verbas necessárias para, em 2016, no Rio de Janeiro, Portugal continuar a aproximar-se dos melhores?"

Despedida de Londres...



Terminaram os Jogos Olímpicos, é tempo de balanços... Dos atletas do Benfica presentes, desta vez não tivemos medalhas - ao contrário de Pequim: Nélson, Ouro; Di Maria, Ouro; e Vanessa, Prata !!! -, mas tivemos alguns Diplomas Olímpicos - todos na canoagem -, que reconhecem os Finalistas Olímpicos:
Joana Vasconcelos com dois Diplomas - dois 6º lugares, um no K4 500m e outro no K2 500m -, e a Teresa Portela também com dois Diplomas - 6º lugar no K4 500m e 8º lugar no K1 200m (além do 11º no K1 500m).
Muitos podem criticar o Projecto Olímpico do Benfica, mas o engraçado é que nestes dois últimos Jogos, o Benfica já conquistou melhores resultados, do que em todas as anteriores edições juntas!!!
Em Portugal infelizmente não existem atletas Olímpicos, com qualidade para lutarem por medalhas, em grande número. Não é fácil substituir o Nélson Évora e a Vanessa Fernandes que são 'foras-de-série' em qualquer parte do Mundo... O Benfica também não se pode substituir às Federações, que na maioria dos casos assume directamente a preparação dos atletas... mas o apoio que o Benfica dá, permite aos atletas uma segurança extra, que os ajuda a ficar imunes aos devaneios (caça-às-bruxas) políticos dos Governos, do COI e das Federações como parece estar a acontecer este ano com o Judo!!!
Telma Monteiro - Começo pela a nossa maior desilusão. É verdade a Telma falhou, mas também é verdade que a Telma, já é neste momento a nossa melhor Judoca de sempre - feminina e masculina -, 4 vezes Campeã da Europa, 1 vez vice-campeã Europeia, 3 vezes Bronze em Europeus, 3 vezes vice-campeã Mundial, 1 vez Bronze em Mundiais, além das várias vitórias - e outras medalhas -, em etapas da Taça do Mundo (Grand Prix's ou Grand Slam's ou Torneios Super A ou Masters...), incluindo este ano a vitória em Paris - esta etapa de Paris é um autêntico Mundial. Nestes Torneios Internacionais ao mais alto nível, são 36 Medalhas, incluindo 18 de Ouro!!! Isto sem contar os títulos nos Campeonatos Juniores e Sub-23...!!!
O Judo é um desporto dinâmico, não é como outras modalidades onde a prova é contra o relógio, ou 'contra' os metros... No Judo existe um adversário, e os resultados são muitas vezes inesperados, aliás nestes Jogos as surpresas foram muitas. Com duas Selecções fortíssimas em vários níveis, a Rússia com muitos Ouros, e os EUA muito perto das medalhas... Sendo que a atleta Americana que eliminou a Telma acabou por fazer uma excelente prova, perdendo somente nas Meias-Finais e depois acabou também por perder o combate da Medalha de Bronze...
A Telma não tem mais nada a provar aos Portugueses, já venceu mais sozinha do que a grande maioria... mas também sei, que ele quer ganhar mais... e não será nenhuma caça às bruxas na Federação que vai empurrar a Telma para fora do topo....
Joana Vasconcelos - Os dois 6º lugares - K4 500m e K2 500m -, são uma marca extraordinária para esta jovem de 22 anos, que num desporto onde muito dos participantes já estão na casa dos 30, promete muitas vitórias nas competições no futuro. Parabéns Joana...
Teresa Portela - Fez todas as provas possíveis, conquistou um 6º um 8º e um 11º lugar, se calhar se tivesse abdicado do K1 500m podia ter tido um melhor resultado no K1 200m, nunca saberemos... A Teresa é uma certeza da Canoagem Portuguesa, ainda só tem 24 anos, portanto, se for apoiada, tem ainda uma longa carreira... Parabéns Teresa...
Marco Fortes - O 15º lugar no Peso, é um daqueles lugares ingratos, já que não foi um desastre, mas também não foi um bom resultado. O Marco tem neste momento potencial para mais. As marcas nas qualificações e na Final estão ao alcance do Marco, mas a época após bater o recorde nacional, não foi boa...
Marcos Chuva - Esta época foi marcada pelas lesões, o péssimo resultado que efectuou - no Salto em Comprimento - tem que ser 'desculpado'... pelo menos ganhou a experiência necessária para competir a este nível, neste ambiente, e assim para a próxima não terá desculpa...
Arnaldo Abrantes - Fez uma boa marca, parece que quer voltar a aproximar-se da sua melhor marca pessoal... creio que a questão será continuar a competir nos 200m ou tentar os 400m...
Alberto Paulo - Outro atleta com uma época estranha, com tempos longe das suas melhores marcas nos 3000m Obstáculos, e depois com a queda numa das barreiras, acabou por ficar fora da Final - algo que já seria quase impossível mesmo sem a queda!!!
Jorge Paula - Nos 400m barreiras a qualificação seria impossível, assim vindo também de uma época cheia de problemas o Jorge arriscou saindo rápido, algo que no final pagou com um tempo fraco.
Marisa Barros - Creio que o 13º lugar na Maratona foi um bom resultado para a Marisa... Numa prova completamente dominada pelas Africanas será muito difícil alguma não Africana obter um resultado relevante...
Bruno Pais - A prova do Triatlo não correu nada bem ao Bruno, que ao não conseguir entrar no pelotão no segmento de Ciclismo ficou arredado de poder discutir uma boa classificação...
Rodrigo e Urreta - Os nossos 'estrangeiros' tiveram uma passagem discreta pelos Jogos, devido à eliminação prematura das Selecções de Espanha e do Uruguai. O Rodrigo no jogo com as Honduras ainda teve tempo de falhar algumas oportunidades escandalosas, mas a bola não queria entrar - e ainda foi a tempo de sofrer falta para penalty descaradíssimo, mas como ele já deve estar habituado, nada foi marcado!!!
Pedro Isidro - Deixei para o fim o Pedro, porque independentemente do 40º lugar nos 50Km Marcha, a presença do Pedro nos jogos foi um exemplo de persistência e luta para muitos, que apesar das traições do destino não desistem e conseguem aquilo que os outros só podem sonhar!!! Parabéns Pedro...!!!

PS1: A participação Portuguesa também mereceu muitas criticas, os primeiros dias foram realmente muitos maus, com o Judo e a Natação em destaque. Os resultados da Natação no 1º dia de competições, foram na minha opinião vergonhosos... as estórias da cultura das noitadas dos nadadores Portugueses já são antigas, talvez por isso só um Português tenha chegado a uma Final Olímpica (em ano de boicote!!!)...
Mas analisando todos os resultados creio que estes terão sido um dos melhores Jogos de Portugal!!! É verdade só houve uma medalha de Prata, mas tivemos dois 5º lugares - Remo Fraga, Mendes e Ténis de Mesa competição por equipas, Freitas, Monteiro e Apolónia -, dois 6º lugares na Canoagem - K4 500m Portela, Vasconcelos, Gomes e Rodrigues, e K2 500m Vasconcelos e Gomes -, dois 7º lugares - Jéssica Augusto na Maratona, e José Costa no Tiro, Pistola de Ar Comprimido a 10m -, e três 8º - novamente na Canoagem no K1 200m, Portela, e na Vela. Nos 49er Freitas, Andrade e nos 470 Marinho, Nunes!!! Foram 10 provas com Portugueses na Final...
A estes ainda podemos juntar os Semi-finalistas (16 primeiros): Mamona no Triplo, Fortes do Peso, Carvalho na Dressage, Marisa na Maratona, Cabecinha e Henriques nos 20km Marcha, Rente nos Trampolins, Silva no Triatlo, a Sara Moreira nos 10000m, o João Vieira nos 20km Marcha, a Clarisse Cruz nos 3000m Obstáculos, a Vera Barbosa nos 400m Barreiras, o Rui Costa na prova de estrada Ciclismo, a Zoi Lima no Salto de Cavalo na Ginástica (além da histórica primeira vitória no torneio da Badminton, por um Português, pela Telma Santos; o muito bom 17º lugar da Luciana Diniz nos Saltos no Hipismo que por muito pouco teria dado um lugar nos top-5!!!; e o respeitável 18º lugar do Nélson Oliveira na prova de contra-relógio no Ciclismo de estrada)...
Não tenho números para comparar mas repito, terá sido umas das melhores participações Portuguesas de sempre... Isto num ciclo Olímpico onde Portugal 'perdeu' o Nélson Évora, a Vanessa, e a Naíde: todos potenciais medalhados em condições normais... além do reformado/lesionado Francis!!!
Portugal não tem cultura desportiva, é verdade. Comparando as medalhas Portuguesas com países da nossa dimensão geográfica como a Hungria (17 medalhas, 8 de ouro, 10 milhões de habitantes), Cuba (14 medalhas, 5 de ouro, 11 milhões de habitantes), até a Holanda (20 medalhas, 6 de ouro, 16 milhões de habitantes), a Nova Zelândia (13 medalhas, 5 de ouro, 4 milhões de habitantes), a República Checa (10 medalhas, 4 de ouro, 10 milhões de habitantes), Montenegro que com 700 mil habitantes conseguiu levar a Selecção feminina de Andebol à Final Olímpica!!! Até os nossos vizinhos Espanhóis que tiveram uns Jogos desastrosos, conquistaram 17 medalhas, 3 de ouro!!! Escolhi países com dimensões diferentes, mas parecidas com as nossas, com realidades económicas diferentes, passados diferentes, mas com cultura desportiva... Com bases de recrutamento alargadas, com atletas competitivos, com infra-estruturas, e com programas de alto rendimento adequados...
Em Portugal temos bases de recrutamento pequenas, porque a maioria da população não pratica desporto competitivo (ir ao ginásio não conta!!!), somos pouco competitivos culturalmente, são poucos aqueles que se sujeitam a programas de treino exigentes (perguntem ao pessoal da Natação), hoje até já temos as infra-estruturas, quase todas as modalidades já têm os seu CAR (Centro de Alto Rendimento), mas muitos dos programas de alto rendimento na prática não funcionam... Porque principalmente nas Escolas, os atletas continuam a ser vistos como uns privilegiados por colegas e professores, e os entraves continuam a existir... Pessoalmente acho que deveria existir desde muito cedo (5º ano) turmas de Desporto nas Escolas Portuguesas, com horários adequados permitindo os treinos bi-diários necessários a várias modalidades, além de existir Educação Física desde muito cedo, de preferência desde da Pré-primária (e não vale a pena dizer que isso é caro, porque não é, já que todos os Concelhos ou Freguesias grandes, tem as suas piscinas ou pavilhões...!!! E com os novos centros escolares ainda se torna mais fácil...).
Com tão poucos atletas com valor para lutar por medalhas em grandes competições, quando um falha, é o fim do mundo, mas em vez do 'deita abaixo' devia-se pensar em maneiras de mudar as coisas, mas isso em Portugal é algo praticamente impossível de se fazer...!!!

PS2: Estes Jogos tiveram várias 'estrelas', mas para mim a melhor exibição destes Jogos foi a do David Rudisha nos 800m com um recorde do Mundo de 'outro Mundo'!!! O número de medalhas do Phelps para mim não conta muito, já que na Natação e na Ginástica os melhores, podem vencer múltiplas medalhas nos mesmos Jogos, algo que nas outras modalidades isso não é possível. A revalidação de títulos para mim é um indicador muito mais importante, e nesse campo o Phelps o Bolt, o Félix Sanchez, a Defar entre outros merecem um claro destaque...
Num Jogos onde a organização falhou algumas vezes. Mas com o passar dos dias, melhorou bastante, e isso, é um excelente indicador de uma sociedade avançada com capacidade de rectificar o que estava errado. Em Portugal tinha acabado tudo a discutir, cada um a defender a sua 'capelinha' e nada teria sido alterado!!! O problema dos Bilhetes foi 'atacado' e resolvido, e até na Net a falta de velocidade dos primeiros dias, foi rectificada!!!
As realizações televisivas em algumas modalidades foram fracas, o minimalismo na info-grafia foi levado ao extremo, e sem a 'marca' britânica, tão familiar no passado...
Mas no geral a nota é positiva...

PS3: Uma nota final para as arbitragens. Foi interessante verificar, várias modalidades, a tentarem de todas as 'maneiras e feitios', reduzirem a subjectividade dos julgamentos (excepto o Ténis de Mesa!!! A Final feminina foi ridícula!!!). Com recurso ao vídeo, como é o caso do Judo,... e com a possibilidade de recurso como é o caso da Ginástica. Tendo vários recursos, tanto na Ginástica como no Atletismo terem dado razão ao atleta!!! Em sentido contrário, no Futebol tudo continua na mesma, com algumas arbitragens vergonhosas como foi o caso do Espanha-Honduras e até no Brasil-Coreia houve erros graves a beneficiar os Brasileiros... e até na Final feminina as Japonesas foram prejudicadas com um penalty descarado...!!!
Se o Futebol feminino tem lugar nos Jogos, este modelo do torneio de Futebol masculino (sub-23 com 3 excepções) está completamente ultrapassado, chega a ser humilhante o desporto Rei ter este tratamento nos Jogos!!! A FIFA e o COI dificilmente chegarão a acordo, o dinheiro envolvido é muito... as comissões dos patrocinadores são elevadas e a FIFA não gosta de partilhar!!!
Tanto o Futsal como o Futebol de Praia teriam muito mais sucesso nos Jogos!!! Com a ausências dos melhores jogadores do Mundo não vale a pena...

domingo, 12 de agosto de 2012

Sinto-me orgulhosa dos nossos atletas

"Já no terço final dos Jogos Olímpicos, entre a irreverência e esperança portuguesa das canoístas do Benfica, Joana Vasconcelos e Teresa Portela, nas finais (K4 500m e K2 500m), assim, como a hipótese de pódio no K1 200m, a maturidade competitiva de Marisa Barros e Marco Fortes e a participação dos jovens do Benfica nada tem passado, de todo, discreta.
Não pelas medalhas ou pelos diplomas olímpicos conquistados mas sim porque eles são os melhores portugueses da actualidade na sua especialidade e a expectativa de uma nação foi grande. Pelo facto sinto-me orgulhosa dos nossos atletas e penso que todos os benfiquistas devem sentir o mesmo porque, onde há desilusão há ilusão e a mesma não pode existir sem talento, qualidade e muito reconhecimento no trabalho.
Para muitos, falar dos Jogos no Rio poderá ser cedo, mas para os nossos atletas integrados no Benfica Olímpico, o trabalho para 2016 já se iniciou há muito tempo e o facto de muito se falar e lamentar os futuros cortes de subsídios por parte do governo para o próximo ciclo não é para nós estranho, nem novidade, pois vivemos num País onde o sucesso de uma não depende do investimento que clubes como o nosso Benfica realizam de forma contínua ao longo dos anos. Numa Missão Nacional que muitos nos enaltece e nos torna gratos porque, já que sem o mesmo, milhões de portugueses lamentariam o facto de Portugal não ter atletas nem treinadores nos Jogos Olímpicos."

Ana Oliveira, in O Benfica

Mais (ou menos) que um clube

"Há uns anos já largos, na véspera de um Benfica-Sporting que foi, curiosamente, disputado a 25 de Abril, entrevistei dois capitães, cada um de seu clube. Vasco Lourenço sempre se assumiu sportinguista; Vítor Alves, entretanto falecido, era adepto do Benfica. Cabe dizer, pelo caminho, que se tratam de dois homens de coragem e aparente verticalidade, passíveis de serem objecto da nossa admiração e consideração por tudo quanto fizeram ao serviço do País.
A dado passo da nossa longa conversa, a pergunta veio à baila: de que Clube é o Otelo? Estratega do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho tratou de desbaratar a estima dos portugueses ao ter-se envolvido ( e sido condenado em tribunal) com a organização terrorista FP-25 responsável pelo assassinato de 17 pessoas nos anos-80. Por isso cá vos deixo a pergunta: tendo em vista os factos descritos, de que clube é o Otelo?
Permitam-me que deixe aqui mais algumas perguntinhas de algibeira. O presidente de uma entidade reguladora da Comunicação Social distraiu-se e deixou muito convenientemente cair uma deliberação, para debaixo da secretária, supõe-se, uma frase que seria assassina para um ministro, tornando a deliberação absolutamente inócua. Com uma carreira fortemente marcada pelo servilismo perante os poderes, não é de estranhar. E também tem clube. Qual será?
Uma antiga juíza do Tribunal Constitucional, agora avorada a figura da nação, por dez anos de trabalho ganhou direito a 7 mil euros/mês de reforma. Como o seu novo cargo só lhe garantia pouco mais de 5 mil, optou pela reforma, à qual somou mais de 2 mil euros/mês de ajudas de custo. patrocina generosamente a indivíduos envolvidos em casos de corrupção. De que clube é a senhora?
Entretenham-se com estas questões, que para a semana trarei mais..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (Guiné)

"Até final do mês de Agosto ainda veremos muitas manchetes à conta das transferências que, na sua maioria, nunca acontecerão! O mercado anda assim... muito fraco! E vai daí, tem funcionado mais à volta dos destaques dos jornais do que propriamente de negócios que nunca foram abordados sequer pelos dirigentes dos clubes em causa.
Sabemos que na maior parte das vezes conta mais uma boa informação vinda dos empresários que fazem passar notícias para os jornais com sede de negócios, do que propriamente uma informação correcta e séria que analise com verdade aquilo que se passa no Futebol profissional por essa Europa fora.
Mas vai assustando ainda mais a postura de alguns supostos agentes desportivos que entram em esquemas que em nada ajudam à resolução da crise.
Ainda ontem o presidente da Federação de Futebol da Guiné se queixava de uma jogada de bastidores que levou dois talentosos jovens guineenses do Sporting para o Barcelona. Utilizarem a Academia dos 'leões' como trampolim e 'zás', agora estão no colosso catalão sem que a UDIB (clube de Formação guineense) tenha recebido um cêntimo! Ainda é difícil as coisas funcionarem a preceito! Os 'pseudo-empresários' recebem uns dinheiros, convencem os pobres dirigentes dos clubes de origem a passar o documento milagroso em que abdicam dos direitos de Formação, e em troca de umas escassas lecas resolvem o problema a seu favor!
Assim não admira que o presidente da FF Guiné vá reclamar à FIFA e pedir para castigar os empresários!

PS: Uma última nota de tristeza pela trágica morte de 23 adeptos do Kabuscorp do Palanca, em Angola, quando regressavam do Calulo onde tinham ido acompanhar a sua equipa no jogo frente ao Libolo. Aos familiares dos que faleceram e ao presidente do clube general Bento dos Santos - que já se disponibilizou a ajudar em tudo o que for rpeciso - um forte abraço de solidariedade!"

João Diogo, in O Benfica

A Arte Corporal Alemã do Séc XXI

Elevação dos membros superiores e a anca a sucumbir ao devaneio moral mostra uma classe fenomenal e a diluição da alma.


A efervescência corporal é espantosa. O modelo transporta-se para o subconsciente e o sentimento carnal surge.

O declínio do ser em questão, a subjugação ao fatalismo iminente na altura. A alma perde o seu brilho, um mero corpo diáfano.

Um ser desalmado, sem a noção do presente, um objecto vegetal, sucumbe à imensidão ao seu redor, e que o debela. A desmaterialização está concluída.


Nota: Vi o texto algures e só se alterou umas partes por isso não posso dizer que sou o autor do mesmo. Só para saberem...

A quem dá tudo, não se pode pedir mais !!!



E no último dia da Canoagem a Teresa Portela não foi além do 8.º lugar na final do K1 200m. Das muitas regatas que fez esta semana, hoje foi claramente a sua pior partida - estranhamente o 'starter' demorou muito a dar o 'tiro' de partida... -, a Teresa pareceu surpreendida pelo início da regata!!!
Mas tal como o afirmei anteriormente, o programa completo que a Teresa fez, acabou por lhe custar um desgaste adicional, que a este nível, não foi possível esconder. Ainda por cima hoje, o vento estava forte e de frente, os tempos da Final foram em média 4 seg. piores que as eliminatórias de Sexta...!!!
Mesmo assim um 6.º lugar no K4 500m, um 11.º no K1 500m e um 8.º lugar no K1 200m, é um registo impressionante...
Parabéns Teresa...





O Pedro Isidro terminou a prova dos 50km marcha no 40.º lugar. Naquela que é a prova Olímpica mais dura - mais difícil que a Maratona -, o nosso atleta não conseguiu melhorar o seu recorde (por pouco...!!!), mas o grande objectivo era terminar a prova... E com a desistência do João Vieira, foi o melhor Português!!!
A maneira como a participação do Pedro Isidro foi 'ignorada' pela maioria dos Portugueses é extraordinária. O Pistorius tornou-se numa figura mundial devido à sua deficiência, o Pedro é o primeiro atleta a nível Mundial, com um grau de deficiência intlectual, a participar nos Jogos Olímpicos, e praticamente ninguém releva este facto...
Parabéns Pedro...

Luisão...

O Circo está montado, e não vai ser fácil mudar de assunto nos próximos tempos...!!!
Vamos por partes: infelizmente os jogadores de futebol, em geral, protestam com os árbitros; infelizmente os árbitros dão muitas vezes razões para a existência dos protestos; infelizmente ninguém se importa com isso...!!!
Este lance foi igual a muitos outros, a diferença foi o Palhaço do árbitro. Alguns, erradamente, já compararam este lance com as peitadas do Bellushi ao Duarte Gomes. A intenção do Luisão era afastar o Maxi e o Carlos Martins do árbitro, mas com um encosto dos colegas, acaba por encostar também no árbitro, que depois de maneira teatral se atira para a piscina (talvez inspirado pelas imagens dos Jogos Olímpicos!!!)...
Devemos condenar os protestos exagerados dos nossos jogadores? Obviamente, hoje e sempre... O Luisão deveria ser mais 'cauteloso'? Obviamente... Agora, o 'caso' deste jogo não foi o encosto do Luisão, o 'caso' deste jogo foi o 'mergulho' do árbitro... que ficou irritado com os protestos dos jogadores do Benfica após o primeiro amarelo ao Javi, e naquele momento maquinou uma 'pequena' vingança... fugindo logo de seguida...
Agora os 'Meirins' e afilhados, vão entrar em acção, vai ser um vomitar de sentenças até à naúsea... eu como não sou masoquista, vou mudar de 'canal'... agora o Benfica deve ter cuidado, e se for necessário agir directamente contra o Palhacito do apito, temos que o fazer...

Bombas !!!



Benfica B 2 - 2 Braga B

Vi muito pouco do jogo para ter uma opinião fundamentada. A época na Liga de Honra vai ser longa e dura... se o no 2º golo que sofremos tivemos azar (auto-golo), no 1º golo, permitimos mais uma vez um golo de cabeça numa situação de bola parada, tal como aconteceu várias vezes na pré-época!!! Para compensar, marcámos dois golaços, duas bombas teleguiadas...!!!

Ainda faltam 20 longos dias

"Mais uma semana passou e continua a incerteza sobre os jogadores que o FC Porto e Benfica podem ainda vender em troca de bom dinheiro. São regulamentos inaceitáveis. Começar o campeonato e não saber quais os plantéis retira seriedade, e poder a equipa da primeira jornada ser muito diferente da terceira retira justiça ao Campeonato. Os regulamentos deviam ser revistos, sobre isto tem toda a razão José Mourinho. Não é bom para os clubes, é incorrecto para os atletas e vicia a competição. Por exemplo académico, o Chelsea poderia jogar a Supertaça europeia e já ter comprado meia equipa do Atlético de Madrid, jogadores que no fim do jogo mudam de lado. Que verdade?
Não será o mesmo Benfica com Witsel, Rodrigo e Garay, como não será o mesmo FC Porto com Hulk, Álvaro Pereira ou Moutinho. Neste momento os adeptos de Benfica e FC Porto já não pedem para se comprar muito, pedem só para se vender pouco.
Ainda faltam 20 longos dias.
Fico triste de não ver o Benfica jogar amanhã a Supertaça, não por esta ter especial valor, é a prova de menos interesse do calendário, mas apenas porque significa que se ganhou ou Campeonato ou Taça na última época. E isso sim é importante, mesmo decisivo.
Magnifica a capa de A BOLA, ontem, «Prata chegou de canoa», sublimes as declarações dos canoístas que depois de fazerem história exclamavam não estarem completamente satisfeitos. São campeões, e têm alma e ambição de campeões. Já não há paciência para o discurso justificativo do permanente fracasso.
A canoagem, e em certo sentido a vela e os heróis do ténis de mesa, tiram Portugal do paupérrimo zero. Prata aos medalhados mas ouro pelas suas declarações. Numa participação que já metia água por todos os lados, foram os desportos na água que tiraram Portugal da mediania."

Sílvio Cervan, in A Bola