Últimas indefectivações

sábado, 28 de abril de 2018

Dinheiro, isso mesmo, o vil metal

"Continua a provocar curiosidade – ou mera bisbilhotice – entre o público amante do desporto-rei, e não só, este taco-a-taco que se vai desenrolando entre o presidente e o treinador do Sporting. A discussão, sendo interna, será resolvida a favor de quem, na hora certa, tiver dentro de casa e do seu lado as forças indispensáveis. No entanto, tendo em conta a duração da contenda e a abundância de pormenores que têm sido servidos ao público, é caso para se dizer que ninguém sabe como isto vai acabar. De realçar o que tem sido também, no campo das figuras do clube, o firme posicionamento de uns, quer no pró quer no contra, e também o ‘desposicionamento’ estratégico de outros que, não querendo fazer má figura, e surpreendidos pela voragem dos acontecimentos, encontram-se em manifestas dificuldades para acertar no nome do triunfador, coisa que, ninguém duvide, é a que mais convém a quem anda metido nestas coisas. Observado do exterior, o caso parece cingir-se muito simplesmente a dinheiro. A isso mesmo, ao vil metal.
O presidente do Sporting gostaria de se ver livre do seu treinador, é o que parece. De preferência sem lhe ter de pagar um cêntimo dos 8 milhões de euros do último ano do contrato, é também o que parece. O treinador do Sporting, apesar de não ser sobrinho-neto de nenhum almirante, é muitíssimo mais sagaz do que o presidente e não lhe fez o favor de reagir com destempero na noite de Madrid e da primeira vaga de SMS’s. Nem nas noites que se seguiram. Aliás, jamais reagirá o treinador do Sporting de modo a colocar-se à mercê de um despedimento com justa causa. E é nisto que andam, basicamente. Um dia o presidente diz "acredito muito na equipa que escolhi para serem eu dentro das 4 linhas" e três dias depois o treinador diz "se o Sporting tem bons jogadores é sinal que o treinador os soube escolher", referindo-se, obviamente, a ele próprio quando diz "o treinador" e afrontando o presidente no limite, apenas no limite do aceitável.
É compreensível que a oposição a Bruno de Carvalho que, afinal, existe no Sporting – como ficou demonstrado na noite das vaias – reze a todos os santinhos para que Jorge Jesus triunfe sobre o presidente pela simples razão de que não apreciam o presidente e gostariam de ver outro no lugar. Já não é de todo compreensível que muitos benfiquistas, tal como o vêm expressando, pareçam estar a torcer pela queda do presidente a troco do reforço dos poderes do treinador. Não sejam parvos, amigos. É precisamente o contrário aquilo que vos devia interessar.
O treinador do Porto diz que a equipa está "como o aço" e o médico do Sporting diz que a equipa está como "o arame farpado". A imagem de Rafa na relva do Estoril, consumada a transcendente vitória da semana passada, diz-nos que, à falta de aço e de arame farpado, a equipa do Benfica lá vai fazendo os possíveis até ao fim."

Mais um equivoco ou um sucesso? O tempo confirmará

"O Campeonato de Sub-23 é notícia.
No nosso país, já é tradição avançar com novidades sem primeiro se aprofundar uma análise consistente do que existe e procurar formas para aperfeiçoar e eliminar imperfeições. Fico sempre com a convicção de que teóricos sem prática pensam que o futebol pode ser o que eles pretendem, só por esse motivo: a sua pretensão! Não será presunção excessiva? Em vez de se resolveram erros e falhas, num movimento imparável, criam-se novos desafios sem que se corrijam as evidências que nos atrofiam.
Inventar passou a moda, a destino e repentes imparáveis, porque mediáticos.
A maior parte das vezes, repetem-se consequências desastrosas: tudo fica mais confuso….
Raramente se privilegia a estabilidade, as reflexões cuidadas e ponderadas sobre custos, investimentos, riscos e vantagens… é mais um tipo de surto febril: vem de repente e pronto, já está. 
Ora o futebol, como todas as outras actividades, precisa de análise e de acompanhamento permanente, de ponderação e de profunda reflexão antes do afã de inovar.
As “guerrinhas” de protagonismo, os apetites por destaques noticiosos e financeiros, suportados por um poder praticamente total e sem um controlo efectivo e independente, provocam situações que vão minando confiança, desperdiçando recursos, matando hipóteses de crescimento sustentado.
Vive-se no futebol, nos organismos que o tutelam, como numa passerelle de vaidades meteóricas, a disputar primeiras páginas, não pela “grife” mas por ideias, algumas vezes, demasiado absurdas e sem contraditório.
Importa é que sejam sempre contra algo ou alguém, nunca pelo futebol como prioridade absoluta. 
Falta capacidade para entender que a humildade, o diálogo, a sensatez e a sabedoria, são essenciais para compromissos duradouros e vantajosos.
O VAR arrancou apressadamente, sem ser testado de forma segura, com tempo e tranquilidade, não se conseguindo evitar a tempo tantos erros e vícios que acabaram por influenciar resultados de uma competição que se deseja exemplar, até para ganhar impacto internacional.
Curiosamente, a Liga inglesa adiou a entrada dessa tecnologia, até que a mesma comprove a indispensável excelência generalizada. Um bom exemplo a vários níveis! O que “nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.
Mesmo que em menor número do que os acertos, as falhas do VAR potenciaram suspeições, por vezes confirmações de dúvidas inquietantes e um crescimento de violência verbal e não só, que paira no ar e que podem ter subvertido, algumas vezes, a verdade da competição, ainda que inadvertidamente. Ou seja, com paciência, com acompanhamento, com detecção de pontos fracos e alternativas de aperfeiçoamento, poder-se-ia hoje mostrar ao mundo que sabemos trabalhar bem e que o nosso futebol seria um excelente exemplo na utilização do VAR. Perdemos, para já, essa possibilidade.
Assim não aconteceu, digam o que disserem os mais fervorosos defensores, mesmo escondendo as imperfeições com lóbis mediáticos que, por mais esforçados, não conseguem milagres de ilusão. 
Depois surgem sempre problemas: equipas que a justiça obriga a integrar em competições de onde foram expulsas por decisões erradas (com técnicos especialistas que se repetem e continuam a exercer impunemente altos cargos desportivos!), casos e litígios que duram anos e provocam posteriormente muita dificuldade de resolução, prejudicando outros, alterações de quadros competitivos instantâneos, sem darem qualquer importância ao drama de clubes que passam a ter vários meses sem competições, acumulando obrigações contratuais sem receitas, até ao futebol jovem onde muita coisa está mal embora continue silenciado, logo despercebido. E assim vai continuar… 
Um dia será tarde e o mal estará profundamente enraizado. Calam-se vozes contrárias e incómodas com chamadas para cargos e distinções, internacionalizam-se amizades para utilização mediática, abrem-se portas a uma “globalização selvagem”, a um universo de investimentos sem controlo, onde alguns vão minando o jogo, as apostas e os resultados desportivos, a credibilidade de um jogo que sempre foi mágico e brilhante e que se pode tornar bastante obscuro. Por isso, defendo a realização de auditorias periódicas às entidades que tutelam o nosso futebol (há uma ideia generalizada de que se movimentam muitos milhões sem um controlo seguro, apertado, vigilante e preventivo). Bastaria nunca esquecer a sina do senhor Blatter e o que se passou na FIFA para ter presente os potenciais riscos de corrupção e de destruição de um património valioso, que exige uma imagem de solidez, de indestrutível seriedade e transparência.
Só assim as grandes marcas aceitam patrocinar e reforçar apoios. Credibilidade e honestidade são critérios em valor sempre crescente.
A desvalorização de campeonatos, além da omnipresente LIGA I, é um facto indesmentível; a distribuição arcaica dos direitos televisivos, nem sempre muito clara e justa, dá a ideia de um país a 5 velocidades: rápido, lento, muito lento, quase parado, a extinguir.
A invenção do campeonato sub-23 sob a égide da FPF, com alguns clubes a aderir de imediato, antes de haver regulamento e formato conhecidos, revela uma forma de estar muito preocupante. Dá a impressão de alinhamento de forças e de estratégia de confronto entre entidades, do que a opção racional por planos consolidados. Curiosamente, nesta altura, ainda sem conhecimento se vai haver um só campeonato ou mais um segundo escalão…
Numa competição da alçada da LIGA, já se coloca a hipótese de grande mudança: uma Zona Norte e uma Zona Sul (regresso a um passado bem distante), com alguns (?) a alegarem o peso das despesas e das deslocações, sem reflectirem com competência nas consequências.
Há uma grande probabilidade de desvirtuar a competição, caso uma zona seja muito mais competitiva do que a outra, logo prejudicando os clubes dessa série.
Como está, a competição tem a sua verdade desportiva garantida e despesas com critério uniforme; com mudança, mais um foco de desestabilização deverá ocorrer, pois haverá prejudicados e favorecidos em função da série em que competirem.
Presidentes da FPF e da LIGA, com diferença de meses, publicaram nos jornais desportivos artigos de opinião que são muito mais do que isso.
Para uns, a admissão de um diagnóstico sem terapia, disfarça um rotundo falhanço e admissão de incapacidade para resolver as questões mais complexas. Para outros, fica a ideia de mais um jogo de luta pelo “título” que consiga levar não há vitória mas antes à extinção/diminuição de influência do outro “adversário”.
Onde abunda confronto, por mais dissimulado que for, deveria haver cooperação e entendimento. 
Trata-se do Futebol e não de questões pessoais de poder, no fundo, pequenas vaidades embora bem lucrativas, num espaço onde ninguém vence e todos perdem, dos clubes aos atletas, dos agentes desportivos aos adeptos do futebol, E assim, com actores de “curtas- metragens” de qualidade duvidosa, vamos vivendo num ambiente virtual onde à superfície viaja a simpatia, a delicadeza, o sorriso, a modéstia e a educação e nos planos inferiores, tipo universo real, vão guerreiros, intriguistas com intenções destrutivas camufladas que acabam por travar “combates sucessivos”, mesmo que silenciosos, para derrotar o opositor e se possível anulá-lo. E o futebol, a quem se comprometeram honrar e defender? Palavras descartáveis, porque vazias, ocas…
Se os clubes apresentam dificuldades financeiras em suportar uma equipa sénior e vão heroicamente mantendo os escalões de formação, como será possível criar mais uma equipa (excepto os clubes que já tinham equipas B) com custos acrescidos de inscrição de atletas, despesas com técnicos, jogadores e staff, deslocações e todos os outros pagamentos do dia-a-dia? Será que se vai permitir a criação de um “parque especial de investimento maioritariamente estrangeiro” com total liberdade e dependência para os nossos clubes? “Barrigas de aluguer”, afinal tema em discussão neste momento na sociedade nacional.
Zona franca para movimentação de jogadores, num “mercado” cada vez mais livre e apetecível para longínquos e desconhecidos investidores?
Divulgam-se ideias (séries regionais, 1.ª e 2.ª divisão, Taça de Portugal específica, provas internacionais) bem como a possibilidade de os jogadores do campeonato sub-23 integrarem a equipa principal.
Recorde-se que em termos de campeonatos, os nossos regulamentos em vigor, apresentam diferenças (como se podem verificar nas provas Taça de Portugal e Campeonatos profissionais). Notar também a ausência de campos em relva natural.

Uma breve nota: James Rodriguez, jogador do Real Madrid emprestado ao Bayern de Munique, participou no primeiro jogo da meia-final da Champions, contra o clube que tem os seus direitos contratuais, porque a UEFA assim determina. Por cá, jogadores emprestados nas provas da LIGA não podem jogar contra o clube de origem embora o possam fazer na Taça de Portugal. São “especificidades” deste teor que Portugal deveria começar por resolver definitivamente, para contribuir para a eliminação de factores de suspeição.
A UEFA não poderá servir de exemplo?
Quanto ao campeonato de sub-23, como já nos habituaram as entidades que gerem o nosso futebol, o secretismo, a falta de divulgação e de discussão pública alargadas é sempre preterida em favor de planos de “especialistas”.
Infelizmente, o desconhecimento de todas as variantes e a capacidade para sentir e entender o futebol, para além do negócio, têm sido responsáveis por retrocessos que o tempo futuro acabará por revelar em toda a sua vasta extensão. O lamentável é que o futebol acabe por ter de pagar os erros dos que entretanto saberão sair, na melhor ocasião, para outros destinos, sempre sem responsabilização.
A pirâmide do futebol é hoje mais uma falácia que, com a urgência possível, precisa de apoio dos que defendem o futebol-jogo para o salvaguardar de aventureirismos imparáveis, que as escolhas para acolher os Mundiais revelam na plenitude.
É chegada a hora da afirmação das ideias, da divulgação das críticas e dos erros sistemáticos, e do fim dos silêncios cúmplices, estratégicos ou receosos.
O futebol precisa de contraditório, de portas abertas, de planos adequados para futuros favoráveis (Portugal abunda em talento para o jogo) e de coragem para um maior debate sem as incomodidades de dependências, sejam quais forem. São diversos os sintomas doentios que têm de ser tratados antes de se tornarem epidemia.
Há vírus que estão a moda: divulgação de denúncias anónimas à Procuradoria Geral da República, com objectivos que todos sabem ser invenções na hora, mas que vão minando os alicerces do futebol.
Neste caso, não pode haver quem proteste e quem bata palmas, pois todos serão vítimas.
A indignidade e cobardia do anonimato, sem indícios válidos, em momentos e datas precisas, merecem uma persistente investigação que permita identificar a fonte das evidentes falsas notícias, com a celeridade máxima.
Só com medicação adequada se pode conter a infecção com que o fanatismo procura derrotar o desportivismo. O futebol merece total empenho e dedicação.
A liberdade valoriza a criatividade, a tolerância, a paixão, e oferece as sementes para o nosso crescimento, desde que com dirigentes capazes de coordenar, mas sem nunca agrilhoar o património do nosso futebol.
O exemplo da antevisão do jogo entre o Desportivo de Chaves e o Rio Ave, que juntou um jogador de cada equipa, Pedro Tiba e Nélson Monte, num clima de amizade e fair play, no qual ambos lutam, com todo o empenho, pelo 5.º lugar, foi um momento de Grande Futebol: um golo fantástico e oportuno.
Adorava ser surpreendido positivamente por mais episódios deste género que nunca são anónimos, mas sempre devidamente personalizados."

Porque aposta Antero Henrique no Vitória de Guimarães

"Em vésperas de eleições no Vitória de Guimarães, uma notícia agitou o ambiente e despertou as atenções dos analistas: o anúncio de uma parceria entre o clube da cidade berço e o Paris St. Germain, no caso de Júlio Mendes conseguir a reeleição. Um anúncio pré-eleitoral que teve uma primeira confirmação na viagem a Paris do próprio Mendes nos primeiros dias de Abril, logo após o feliz desfecho dos votos.
A minha curiosidade acerca desta história levou-me a consultar um português que está muito por dentro destas coisas do futebol e da política. Por razões óbvias, mantenho o anonimato desta pessoa, especificando que se trata de alguém absolutamente credível e muito bem informado. Perguntei que significado político teria a aproximação do Paris St. Germain ao Vitória e se haveria alguma hipótese de se tratar de uma manobra de Antero Henrique para arrancar o clube minhoto da esfera de influência de outro Mendes: Jorge Mendes.
Antes de satisfazer a minha curiosidade, esta fonte explicou-me um aspecto: entre Antero Henrique e Júlio Mendes há uma relação sólida, de muito tempo, pelo que não há razão para nos espantarmos demasiado ante esta manobra política. Quanto à hipótese de tudo se tratar de uma iniciativa contra Jorge Mendes, esta pessoa responde-me que ela é plausível, mas que não será certamente o motivo principal que levará à parceria entre o Vitória e o PSG. O motivo principal seria outro, ligado à sede de vingança que Antero Henrique terá em relação ao seu ex-mentor, Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto.
Que no Verão de 2016 as relações entre Antero Henrique e Pinto da Costa se fecharam de forma tempestuosa é algo evidente para todos. Era igualmente impensável que o conflito se fechasse por ali. E agora, que o ex-número dois da hierarquia portista tem nas mãos o mercado de transferências do clube mais rico do Mundo, eis que o ajuste de contas com quem o forçou a abdicar se torna uma perspectiva realista. Além disso, tudo isto se passa num momento histórico particular para o FC Porto. No campo, a equipa vai lançada para voltar a vencer a Liga, com pleno mérito. Fora de campo, contudo, a situação da SAD continua a ser crítica no ponto de vista económico-financeiro. Por fim, a liderança de Pinto da Costa não pode ser eterna. O presidente completará em Dezembro 81 anos, talvez ainda vá a tempo de mudar de namorada mais um par de vezes, mas mais cedo ou mais tarde acabará por deixar a presidência dos Dragões.
Mas no meio disto tudo, estará o leitor a perguntar, em que é que entra a aliança com o Vitória de Guimarães? O objectivo seria o de criar, no Norte de Portugal, uma alternativa à hegemonia futebolística, política e cultural do Porto. E, neste sentido, a escolha do Vitória tem alguma plausibilidade. Não só por se tratar de um clube de grandes tradições, mas sobretudo porque tem uma massa adepta fortemente identitária. A única além das dos três grandes que, em Portugal, não admite o apoio a uma segunda equipa, isto é, a um desses mesmos três grandes. Os adeptos do Vitória são apenas vitorianos e, portanto, estão prontos a abraçar o desafio de se oporem ao poder portista no Norte. O pacto com o PSG, sob a batuta de Antero Henrique, seria o primeiro passo deste caminho.
É um cenário plausível, o que me foi apresentado por esta pessoa da minha confiança? Na minha opinião, absolutamente, sim. Que depois seja igualmente realizável já é outra conversa. Seguro é que um Vitória mais forte no campo e fora dele pode ser um problema sério para o FC Porto.

Última nota: a pessoa com quem falei é portista. E traçou-me este cenário com grande preocupação."


PS: Delírios...

O Expresso mente e deturpa factos

"A Sport Lisboa e Benfica SAD lamenta e repudia que o Jornal Expresso na edição deste sábado, num artigo e editorial da sua Direcção sob o título “O Expresso e as investigações ao Benfica”, em diversos momentos minta e deturpe factos, designadamente sobre a origem e as datas da divulgação pública de recentes denúncias anónimas.
Diz o Expresso que “o canal de televisão do Benfica noticiou uma denúncia anónima entregue na véspera sobre um alegado plano contra o clube orquestrada por clubes rivais, com a conivência do sistema judicial e a participação de jornalistas”.
Essa informação é falsa. Basta consultar essa denúncia, que circula em diversos blogues, para verificar que ela tem a data de 23 de Fevereiro, e tendo sido supostamente endereçada a diversas entidades, um trabalho jornalístico minimamente sério teria levado o Expresso a contactar essas entidades, para confirmar o recebimento, a data e desde há quanto tempo tinham conhecimento dessa denúncia anónima.
De facto, nessa data nem sequer existia o denominado “Gabinete de Crise” criado pelo Sport Lisboa e Benfica, o que só por si faz cair por terra toda e qualquer insinuação de estar na origem dessa denúncia e torna ilegítima qualquer ligação desse teor.
Segunda mentira do Expresso: diz em editorial que, “na peça da BTV, o Benfica revela o que ninguém escrevera, identificando nomes de jornalistas alegadamente envolvidos no plano”. Essa informação é falsa. O conteúdo e nomes envolvidos nessa denúncia já eram públicos, horas antes de serem divulgados na BTV, quer nas edições online de diversos órgãos de comunicação social generalistas, quer em inúmeros blogues e sítios da internet. E o nome do jornalista do Expresso que consta nessa denúncia, Pedro Candeias, é sobejamente conhecido e objeto de permanentes críticas por parte dos milhares de Benfiquistas que participam nos mais diversos espaços de opinião pública, tendo em conta a permanente campanha de notícias negativas que faz sobre o clube Tetracampeão. A única diferença é que nenhum conteúdo divulgado pela BTV resultou da prática de um crime ou da violação do segredo de justiça.
Se o Expresso visa condicionar o livre trabalho dos canais informativos do Sport Lisboa e Benfica com campanhas orquestradas de pretensos crimes e investigações em curso, desengane-se. E menos conseguirá montando toda uma narrativa baseada em insinuações, falsidades óbvias e factos intencionalmente deturpados.
Nenhum responsável da Sport Lisboa e Benfica SAD faz denúncias anónimas. Pelo contrário, o que fazemos é público e em legítima defesa através da competente interposição de acções contra os responsáveis dos diversos crimes cometidos contra a nossa instituição. A saber, roubo e divulgação pública da nossa correspondência privada e queixas-crime contra incertos mormente as alegadas “fontes da Justiça” que têm alimentado todo o tipo de especulações jornalísticas.
De facto, a notícia do Expresso parece confirmar a inaceitável suspeita sobre a persistência com que “fontes judiciais” se convertem em “fontes jornalísticas”, as sistemáticas violações do segredo de justiça e o conluio e patente intimidade que manterão com os autores das notícias, que, candidamente, noticiam os respectivos estados de alma, processos de intenção, teses e teorias sobre a investigação e mesmo opiniões anónimas sobre a actualidade, pondo assim em causa o meritório esforço que está a ser desenvolvido pela Procuradoria-Geral da República e Direcção Nacional da Polícia Judiciária para se acabar com essas reiteradas violações do segredo de justiça.
O que causa perplexidade é ver o Expresso numa obediência a uma estrutura especializada em actividade criminosa, mas sobre isso terá oportunidade para se justificar nos tribunais.
A Sport Lisboa e Benfica SAD reitera a sua total tranquilidade sobre uma pretensa investigação a todos os jogos realizados nestas últimas 5 épocas, conforme relata a citada notícia. Vitórias obtidas com todo o mérito e verdade desportiva, conforme reconhecido por todos os nossos adversários no campo e pela cobiça feita sobre os nossos técnicos e jogadores, sendo que estes últimos brilham nas principais competições internacionais.
Uma investigação que, a ser verdade, naturalmente deverá ser alargada a todos os jogos dos nossos rivais, e num espaço temporal de pelo menos as duas últimas décadas.
A Sport Lisboa e Benfica SAD desde a primeira hora pediu, e tem colaborado intensamente com as autoridades judiciais, para que tudo se investigue em prol do cabal esclarecimento de todas as questões, e está certa que, nos locais e momentos próprios, a justiça será feita contra quem efectivamente tem cometido diversos crimes contra a nossa instituição.
Estamos numa fase decisiva da época desportiva, em que o Sport Lisboa e Benfica luta por conseguir um objectivo que nunca conseguiu na sua história, depois de pela primeira vez ter conquistado um Tetra, a obtenção do Penta.
Vivemos uma fase da nossa história de grande afirmação desportiva, com uma situação de grande solidez financeira e com um plano de futuro assente num elevado esforço de construção de uma nova geração de infraestruturas.
Nenhum esforço de desestabilização nos fará desviar deste caminho.
E muito menos através do crime organizado e do cibercrime de que temos sido vítimas, misturados com notícias encomendadas e sustentadas em factos falsos."

Benfiquismo (DCCCXI)

Juntos...

Uma Semana do Melhor... com sotaque!

Jogo Limpo... Tugão cada vez mais no fundo!!!

Vencer é mesmo o único caminho

"A época continua ainda sem Jonas ou, como parece, já sem Jonas. O melhor jogador do campeonato faz falta e limita muito o Benfica.

A vitória arrancada a ferros no passado sábado mostra o que foi este campeonato. O Benfica teve sempre mais obstáculos que os rivais para alcançar os mesmos objectivos. Certo que em condições de finalização normais, o jogo poderia ter sido decidido bem mais cedo, mas estivemos em risco de perder pontos até ao fim, contra uma equipa limitadíssima.
Rafa corre e desequilibra como poucos... e falha golos como nenhum. Há algum natural na altura da decisão que impede o jogador de atingir o patamar onde se reconhece poder chegar. Já Zivkovic, fez, contra o Estoril, um jogo fantástico. Para mim o melhor em campo que só não se percebe quando não está em campo. O que joga e faz jogar, como defende e como equilibra a equipa fazem dele um motor neste Benfica.
Este campeonato tem alguns vários pontos curiosos: o Benfica só chegará ao primeiro lugar, mesmo vencendo, se o FC Porto perder um jogo. O Sporting só chegará ao segundo lugar se o Benfica perder um jogo. O SC Braga só chegará a terceiro se o Sporting perder um jogo. Como a luta pelo quinto lugar e pela manutenção em aberto, há de facto interesse no que falta da Liga. Segue-se o Tondela, já tranquilo pela manutenção conseguida com justiça. Resta vencer sem muitas lógicas matemáticas. Vencer é mesmo o único caminho.
A época continua ainda sem Jonas ou, como parece, já sem Jonas. O melhor e mais decisivo jogador do campeonato faz evidente falta e limita muito o Benfica. Amanhã queremos uma Luz com boa assistência para ajudar no que falta fazer. E o que falta é vencer.
Ainda é cedo para garantir uma final de Liga dos Campeões entre Liverpool e Real Madrid, mas se tal viesse a suceder ficaria muito satisfeito. Emblemas de tradição (os meus preferidos dos seus países) é a vitória da Old School sobre os novos ricos deste futebol e para mim sempre motivo de regozijo. Ver o Manchester City e o PSG, autênticos clubes de estado (onde o dinheiro não custa dinheiro) ficarem de fora das decisões, dá alento e é positivo para o estado das clubes e do futebol. O futebol é paixão e emoção e quem quer reduzir o sentimento a um negócio, não percebe do negócio e não tem sentimento."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Pontaria afinada...

Benfica 98 - 86 Guimarães
32-17, 17-20, 31-21, 18-28

Esta equipa é mesmo capaz de tudo... quando estão concentrados são invencíveis em Portugal!
O resultado só não foi mais 'pesado' porque nos últimos minutos 'desligámos'... Já tinha saudades de um jogo destes do Carlos Morais!!!

Juniores - 8.ª jornada - Fase Final

Setúbal 1 - 4 Benfica


Não foi fácil, o 1-2 só apareceu ao minuto 76...!!!
Com a equipa B, 'tranquila' todos os Juniores dos B's 'reforçaram' os Juniores, e assim no papel jogámos com um onze muito forte... mas, cada jogo é um jogo!!!
Estava muito vento, mas pelo menos jogámos num campo com dimensões normais...

Alvorada... do Guerra

Rio vermelho

"O filósofo do século XIII Nasreddin, entre as suas inúmeras histórias caracterizadas pela sabedoria e espirituosidade, conta-nos aquela de dois homens, cada um em margens opostas de um rio, em que um deles apela ao outro que o ajude a passar para o outro lado, ao que o outro responde: 'Mas tu estás do outro lado'. Esta anedota, se aplicada ao futebol português, explica o contexto benfiquista.
Desde que se reergueu financeira e desportivamente, o Benfica é como um rio que desagua frequentemente num mar de glória. Ao FC Porto e ao Sporting cabe o papel das margens que, fragilizadas pela voracidade de conquista de um rio que procura manter o curso que lhe é natural, se vêem cada vez mais sedimentadas nos seus intentos. O primeiro constrói barragens, dinamita-se com o intuito de criar enseadas artificiais e recorre a toda a espécie de dejectos para poluir o rio; o segundo só sabe tentar a via da poluição. E assim solicita ao seu semelhante, na margem oposta, que o puxe para o outro lado, que, ao invés de fazê-lo, lhe oferece a ilusão de que estão ambos na outra margem, portanto, supostamente na mesma.
Assim se explica que de toda a berraria e urdideira leoninas sobre as arbitragens não tenha sobressaído uma voz convictamente crítica à grande penalidade sonegada ao Sporting nos últimos minutos do clássico anti-Benfica no Dragão.
Ou que de toda a parafernália supostamente pró-verdade desportiva não tenha havido, pelo menos, a menção entredentes de que Artur Soares Dias perdoara um penálti ao FC Porto na Luz, em falta cometida sobre Zivkovic, para já não falar do dérbi na Luz... E assim se faz a classificação (mesmo que o Record, decido a um lapso freudiano, a deturpe)."

João Tomaz, in O Benfica

Rafa, apanhe-o quem puder

"Até à última gota de suor.
Neste momento, nada mais podemos fazer a não ser ganhar cada um dos nossos jogos e esperar que Joel, João Silva ou Raphinha dêem um ar da sua graça nas três próximas rondas. Informei-me se ainda era possível o Marítimo, o Feirense ou o Vitória de Guimarães inscreverem o Lima, actualmente sem clube, para estes últimos desafios, mas a resposta da Liga foi, lamentavelmente, negativa. Ainda dizem que o Benfica manda nisto tudo.
A polícia portuguesa tem prestado elevada atenção a inúmeras matérias, porém, teima em ignorar uma questão que, essa, sim, vem beneficiando o Benfica semana após semana. Sou Benfiquista de alma e coração, contudo, por muito que me custe, não posso deixar passar em claro tamanha transgressão: o Rafa não pode continuar a correr relvado fora como se não houvesse um limite de velocidade estabelecido pela lei. O meu pai foi apanhado há uns meses a 150 Km/h na A1 e não lhe perdoaram uma multa de 300€.
O Rafa desloca-se a uma velocidade superior à da luz e continua impune. No último jogo, estava o Rafa a entrar na área do Estoril, e a defesa canarinha ainda estava a terminar de almoçar. Alguns jogadores do Estoril, garantem-me fontes médicas, ainda estavam a meio da cesariana no hospital, prestes a sair da barriga da mãe, já o Rafa se estava a isolar em direcção à baliza. A policia que acabe com isto de uma vez por todas. As leis existem e são para serem cumpridas. O Benfica tem saído favorecido nesta situação, mas quem mais se tem rido de tudo isto é um indivíduo jamaicano: se o Rafa tivesse encarreirado pelo atletismo, a esta hora o Usain Bolt tinha tantas medalhas olímpicas com eu."

Pedro Soares, in O Benfica

6 e 17

"A inveja é um dos piores e mais nocivos problemas da humanidade.
Felizmente não afecta todos. Mostra-se, sobretudo, nos pobres de espírito, e naqueles que não sabem aceitar as suas insuficiências.
Como lembrou Rui Vitória na passada semana, enquanto o Benfica luta pelo seu quinto título consecutivo, os nossos rivais vivem alinhados na frustração de prolongados jejuns, com os quais não têm sabido conviver.
Pelo menos um deles perderá, outra vez, o Campeonato. Os de cima não o vencem desde 2013, pelo que, se lhes vier a escapar mais este, completarão 6 anos sem ir aos Aliados. Os de baixo já não ganham desde 2002, e assim caminham para, pelo menos, 17 longos anos sem festejar o título - e neste caso, caro leitor, confesso já nem me recordar em que local comemoraram o último.
São estes números que explicam o ambiente de desespero  e conflitualidade que ambos, sempre bem alinhados, criaram no futebol português. Importa-lhes, a ambos, iludir esta realidade. Importa-lhe lançar um manto de nevoeiro sobre os seus reiterados insucessos. Importa-lhes justificar perante os seus acólitos sucessivas doses de investimento falhado. Importa-lhes subtrair mérito a quem tem sido mais competente do que eles.
O Benfica, pela sua grandeza, pelo seu prestígio, sempre foi alvo da inveja dos outros. Ganhando sucessivamente, como tem acontecido nestes anos, essa inveja atingiu níveis ainda maiores. É pena que o desporto não possa ser vivido de outra forma, mas é o que temos.
Pela nossa parte, há que manter a elevação, ignorar o ruído, e tentar continuar a ganhar. Eles é que têm de mudar de vida, não nós."

Luís Fialho, in O Benfica

Vitória 105

"Rui Vitória merece todos os elogios. Completou 150 jogos oficiais ao serviço do maior clube português, e o balanço é muito positivo. O nosso treinador tem a média de um título conquistado por cada 25 jogos disputados. Lembro-me das preocupações de muitos quando foi contratado.
Alguns duvidaram do seu valor, outros entendiam que não tinha o perfil certo. Luís Filipe Vieira sempre disse que Rui Vitória era o homem certo para dar continuidade ao projecto vencedor, com uma particularidade - aposta na formação. A verdade é que 150 jogos depois, aplica-se a Rui Vitória a velha máxima - chegar, ver e vencer.
Os dois Campeonatos, a Taça de Portugal e a Taça da Liga fazem parte do seu palmarés no SL Benfica. Sem esquecer as belas prestações na Liga dos Campeões, nas duas primeiras épocas. Rui Vitória tem-se revelado um grande comandante, e as suas virtudes são reconhecidas - sabedoria, benevolência, coragem e rigor. O que mais é a sua personalidade. Nunca o vi com medo de nada nem de ninguém. Impressiona a forma como encara cada desafio, e o seu fair play é algo que não abunda no futebol português. Em relação à formação, os números e os nomes falam por si.
Sublinho, em primeiro lugar, os que já saíram e que são os nossos melhores embaixadores - Ederson, Nélson Semedo, Lindelof, Renato Sanches e Gonçalo Guedes. Este quinteto dourado foi uma aposta certeira e corajosa de Rui Vitória. Mas há ainda um sexteto em destaque - Bruno Varela, Rúben Dias, João Carvalho, Keaton Parks, Diogo Gonçalves e José Gomes. São onze bons argumentos a favor deste notável técnico."

Pedro Guerra, in O Benfica

No meio-tempo


"Chegaram os dias de percorrer o país pelas escolas do projecto 'Para ti Se não não faltares!', a dois meses do fim do ano lectivo, juntando alunos, pais e professores para ver os resultados obtidos até agora, premiar, incentivando o que está bem, e identificar em conjunto o que está mal e o que há a fazer para melhorar. Ao longo de duas semanas, o cenário repete-se. As salas escolares enchem-se, e os pais acorrem em quantidade demonstrando que a educação dos filhos é ainda fortemente valorizada no nosso país como um passaporte para o futuro. Mas não é só isso. As câmaras dos telemóveis não param, e os sorrisos não fecham enquanto se chamam os alunos pelo nome para receber prémios de desempenho. As famílias acorrem, às vezes três gerações, com avós de cartão em punho a mostrar que também são, fora, serão Benfica!
Depois temos os outros pais, as outras famílias, que torcem por outras cores mas reconhecem com gratidão o trabalho feito pela Fundação Benfica em prol dos seus filhos, sem exigir nada em troca, induzindo tolerância, cultivando fair play, semeando em cada escola a sociedade justa e inclusiva que os portugueses sonham e querem.

Mas no fim do dia é de resultados que falamos. É o sucesso escolar que perseguimos e que felizmente vemos acontecer em 87% dos casos nos nossos projectos. Os técnicos da Fundação focam-se unicamente na assiduidade, no comportamento e no trabalho para conquistar resultados. E transmitem essa receita aos jovens, recompensando as suas atitudes e o trabalho feito.
Depois, lá para o Verão, chegará a hora da colheita, seja de resultados, seja de imperdíveis prémios de desempenho para os quais muitos jovens trabalham o ano todo, mas, para já, mãos ao trabalho, que ainda estamos no meio-tempo..."

Jorge Miranda, in O Benfica

Uma certa forma de estar e ser...

"Vinte e dois dias depois do post de Bruno de Carvalho no Facebook, que incendiou a cabina do e tirou a tranquilidade ao clube de Alvalade, os sinais apontam para a continuação da cruzada pelo desassossego levada a cabo pelo líder leonino. Jorge Jesus, que neste complicado processo teve o mérito supremo de garantir que o clube, colocado à beira do abismo, não daria o fatídico passo em frente, ao evitar que a suspensão dos jogadores fosse por diante e que a utilização da equipa B na I Liga ficasse como um marco negativo na vida do Sporting, foi ainda capaz de ser a argamassa que aguentou o grupo de trabalho operacional, criando assim condições para as cinco vitórias que se seguiram a que mantém o objectivo da Champions vivo e a presença no Jamor uma realidade.
Poder-se-ia pensar que o mais difícil estava feito e que depois da tempestade a bonança chegaria a Alvalade. Porém, a verdade é que Bruno de Carvalho não abdica de reivindicar o espaço que entende pertencer-lhe e aquilo que podia ser o regresso paulatino à convivência normal com o grupo de trabalho está a ser posto em causa à velocidade de SMS autofágicos, que funcionam qual gasolina em vez de água para afogar as labaredas. Aquilo que parecia difícil há três semanas - que fosse possível a este presidente voltar a conviver com este treinador e estes jogadores - seria exequível a partir do desanuviamento decorrente de cinco vitórias seguidas. Porém, Bruno de Carvalho tem um estilo muito próprio, avesso a consensos, e mais avesso ainda a ver fugir-lhe o protagonismo que os presidentes deixam aos jogadores e técnicos."

José Manuel Delgado, in A Bola

Temperatura volta a subir

"Temos à porta a jornada 32 que pode vir a ser decisiva quanto ao desfecho da presente competição maior.

Na ponta final do campeonato, a profusão de casos marginais ao jogo está a tornar-se insuportável. 
Todos os dias temos novidades com acusações e suspeitas atiradas em várias direcções, que mais não têm conseguido do que aumentar a instabilidade que há muito se instalou na relação entre os principais protagonistas do nosso futebol.
Não é necessário recuar muito no tempo para lembrar outros tempos e outros casos com alguns laivos de semelhança com os actuais. No entanto, é seguro afirmar-se que nunca, como agora, se atingiram patamares semelhantes, o que ajuda a justificar a afirmação de um treinador com larga experiência, Carlos Queiroz, para quem o futebol português se transformou num lamaçal de enormes dimensões. 
Para além disto, e que não pode deixar de ser referido, temos à porta a jornada 32 que pode vir a ser decisiva quanto ao desfecho da presente competição maior.
Risco maior corre o Futebol Clube do Porto, que se desloca ao Funchal onde o espera o Marítimo que, por sua vez, se pode vir a tornar num grande protagonista destes dias.
Os dragões respiram saúde, o que ficou provado no jogo com o V. Setúbal, e têm argumentos para não se deixarem surpreender. O jogo na Madeira é, pois, cabeça de cartaz no fim de semana que se segue.
Também em Portimão o Sporting pode contar com dificuldades perante uma equipa à qual resta cumprir calendário nas três jornadas que estão por cumprir. E é exactamente esse estado de espírito dos algarvios que pode vir a causar embaraços aos comandados de Jorge Jesus, que ainda têm pela frente vários objectivos até se atingir o termo da competição.
O Benfica parece ter, entre todos, aquele ao qual se apresenta tarefa mais fácil ao receber na Luz a tranquila equipa do Tondela.
Só que, sendo o primeiro a entrar em funções, o emblema da águia não pode criar problemas a si próprio, se quiser manter-se incluído no lote dos candidatos a um alto lugar no pódio final."

Koulibaly como Átila

"O salto poderoso de Kalidou Koulibaly em Turim mexeu com muita gente na cidade de Nápoles e até consta que reativou o Vesúvio. A elevação foi tão brutal e importante que só encontra paralelo com o voo de Átila, em outubro de 1984. Os fãs inveterados da Serie A sabem do que se fala.
Átila, ou ‘Attila’ na versão italiana, era a alcunha (foneticamente bem imaginada) de Mark Hateley, um ponta de lança ("bicho") que representava o Milan depois de em Coventry e Portsmouth ter mostrado que era uma fera, com a fama de ser um dos mais imponentes cabeceadores da Europa. E tirou partido dessa supremacia para se eternizar na Curva Sud de San Siro, havendo, ainda hoje, várias ocasiões em que é homenageado em tarjas gigantes que lhe são dedicadas em coreografias. Nessas ocasiões em que San Siro o celebra, há um denominador comum: a alusão a um dos golos mais icónicos da história do ‘Derby della Madonnina’.
Esse dérbi de 1984 foi especial, não só por protagonizar um duelo fratricida entre os Baresi, mas também por ser a estreia de Rummenigge em clássicos do ‘calcio’. Mas não saiamos do essencial: a imagem forte, que completou o cruzamento de Virdis, ficou exatamente gravada com o pulo de Hateley, que deixou o ‘stopper’ Collovati no rés-do-chão, Zenga sem argumentos e San Siro no máximo êxtase pela ‘rimonta’ de 2-1 contra os ‘nerazzurri’. Collovati, campeão mundial em Espanha com Bearzot, não era um vilão qualquer e por isso também entra no retrato da elevação de Átila, pois era o defesa que tinha traído os ‘rossoneri’ quando caíram na Serie B, trocando-os, precisamente, pelo Inter. No imaginário do Diabo, Hateley castigou-o exemplarmente.
Lembrei-me disso quando vi Koulibaly partir na desmarcação para chegar à bola lançada do quarto de círculo por Callejón. Benatia deixou-se ultrapassar na marcação e o senegalês fez o quarto golo da época na sequência de pontapé de canto, comprovando que era o último elemento a quem a Juventus podia ter dado permissão para romper, embalado, da periferia para o núcleo da área ou primeiro poste, como Sarri normalmente desenha nos pontapés de canto. Chiellini tinha saído por lesão na primeira parte, a oposição foi mínima e o resultado foi o que se viu.
Koulibaly foge um pouco da convenção relativamente ao trajeto dos defesas-centrais extraídos do futebol francês. Não integrou centros de formação no Hexágono e foi Rafa Benítez, já na Campânia, que lhe inculcou algumas noções defensivas mais obrigatórias. Sarri deu o polimento final, melhorando-o em todos os parâmetros, inclusive na qualidade de entrega de bola pelo centro-esquerda da linha mais recuada, desencadeando com facilidade uma série de ataques na inclinação por um flanco onde a equipa mais sobressai no jogo combinativo, com Ghoulam, Hamsik e Insigne. 
O Nápoles fez um jogo fabuloso no Palácio do Poder da Juve. O ‘pressing’ alucinante dos azuis encostou a Velha Senhora às cordas durante quase todo o jogo e talvez este tenha sido o maior elogio do futebol magistral do Nápoles, pelo cenário em que foi e pela proposta simultaneamente inegociável e encantadora. São três anos de trabalho inspirador e requintado em Castelvolturno, com a impressão digital e criativa de Sarri, que só sabe jogar assim, denotando uma ânsia fascinante na busca de soluções perante os diferentes obstáculos que vão surgindo. E se há um adversário que sabe colocar entraves ao outro é a Juve. Allegri tem mais extensão no plantel, com recursos que o Nápoles, manifestamente, não tem. É possível que a festa incontrolável dos 'tifosi' possa ter sido precipitada no que diz respeito às contas do ‘scudetto’.
É verdade que a Juve tem já amanhã o ‘Derby d’Italia’ com o Inter, vinte anos depois do mítico bloqueio de Juliano a Ronaldo sob o fechar de olhos” de Ceccarini que falei no artigo da semana passada. E ainda haverá uma deslocação dos ‘bianconeri’ a Roma, quatro dias depois da final da Taça com o Milan. Mas Fiorentina, Toro e Samp têm um bom nível e recusa-se a ideia de que os emblemas ‘viola’ e ‘granata’ abrandem contra o Nápoles meramente por serem velhos rivais da Juve.
A jornada de domingo, em Turim, foi um hino do jogo bonito, tocado com espectacularidade em pleno JS. Esse momento já ninguém tira aos azuis. E Koulibaly, claro, foi o que alcançou a nota mais alta."

Marcelo, um lateral de afetos



"Um sorriso para a história do futebol mundial

«No Marcelo, no party». Foi com este título que o (fantástico) programa espanhol «El Día Despúes», da Movistar, apresentou imagens de Marcelo no Málaga-Real Madrid do passado dia 15 de Abril. O brasileiro não saiu do banco no Estádio La Rosaleda, mas espalhou alegria como sempre: brincou com a forma de correr de Jesús Vallejo, atirou uma camisola à cara de Llorente, esticou a mão à espera de um colete para aquecer, festejou o golo com Casemiro…
Parece tão difícil estar triste ao pé de Marcelo que até a bola sorri (viram a incrível recepção de bola em Munique?!).



O brasileiro é um dos melhores laterais da história, mas isso não o inibe de mostrar todos os dias que o futebol não deve ser levado demasiado a sério. Mesmo que seja a primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões.
Marcelo leva o espírito da rua para os grandes palcos, e se alguém confundir isto com displicência que vá ver o palmarés do internacional «canarinho». Não se tornou imune à pressão, simplesmente prefere valorizar o privilégio que sente.
O esquerdino está longe de ser o único que recebe muito dinheiro para fazer aquilo que gosta, mas é dos poucos que não deixa que a exigência competitiva desvirtue a essência do jogo.
No fundo Marcelo encontrou o equilíbrio perfeito entre profissionalismo e paixão. Com jogadores como ele o futebol é tão mais divertido.
Um lateral de afectos."

Benfiquismo (DCCCX)

Germano...

Aquecimento... lamaçal...

Telma de Bronze no Europeu

Mais uma medalha, a 12.ª em 12 participações em Europeus!!! Desta vez a de Bronze... Foi pena aquele ponto de ouro com a Kosavar, mas depois de tanto tempo lesionada, foi bom regressar aos bons resultados!

Futbasket...!!!

Alvorada... do Zé Nuno

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Mais uma denúncia...

"«Na semana passada o guarda-redes do Marítimo Amir Abed Zadeh foi abordado para receber 200.000 para facilitar contra o FC Porto. Peremptoriamente o guarda-redes disse que não! O guarda-redes não aceitou e neste momento o FC Porto, por intermédio de influências de terceiros, pressiona para que seja o Charles a jogar.
Charles é um guarda-redes referenciado por Nuno Correia, um agente conhecido de Matosinhos e amigo pessoal de Pedro Pinho, que mantém relações privilegiadas com o FC Porto e a sua estrutura. 
Numa altura em que é conhecida a conjuntura actual do FC Porto, ainda paira uma dívida ao SC Marítimo de 1M do jogador Marega, os dirigentes do Marítimo foram abordados também pela estrutura do FC Porto para o acerto da dívida em falta, e consecutivo reconhecimento da mesma. 
Marega é um jogador muito importante na estrutura do FC Porto, do qual só detém 60/prct, sendo 30/prct do Guimarães e 10/prct do empresário que é francês.
O FC Porto continua a utilizar o mesmo método para corromper tudo e todos, com o objectivo de ser campeão.
Esta denúncia é real e só precisarão de abordar os intervenientes aqui descritos para que tal seja esclarecido.
Estejam as autoridades atentas que mais se vai passar nestes dias.»"

O jornalismo e a democracia

"O jornalismo sobreviverá através dos tempos, porque será a única forma das sociedades democráticas se defenderem das fake news e dos movimentos organizados que exploram a chuva torrencial de informações manipuladas e que procuram servir, exclusivamente, interesses particulares ou de grupo.
Falo, evidentemente, do jornalismo sério, do jornalismo que se orienta por regras e por princípios deontológicos e que, por isso, apesar das dificuldades próprias de um tempo de muitos alçapões e armadilhas e, apesar da terrível tentação das audiências, tem o mérito de garantir ao leitor, ao ouvinte, ao telespectador que não troca a informação por ruído, não oferece lixo mediático em vez de matéria editorial dignamente tratada.
Sinceramente, não vejo outra forma do jornalismo resistir à praga consumista da maledicência ou à demagogia própria do populismo que não seja o do caminho do rigor, da independência e da autoridade moral.
O jornalismo livre e credível continuará, pois, a ser um pilar da democracia e um insubstituível guardião da liberdade. Assim era ontem, assim é hoje, assim será no futuro. Daí que se assista com justificada e até crescente preocupação, em Portugal, à degradação de algum jornalismo dito popular, incluindo na área do desporto, onde a manipulação das notícias plantadas por perigosos modelos de gestão de associações que supostamente ostentam o título de defensoras da transparência e da verdade se torna uma prática regular, procurando moldar e influenciar a opinião de um público pouco desporto e pouco avisado."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Este hoje parece aqueles com cidadãos que pregam pelos bons costumes, e depois chega a casa, e dá um enxerto de porrada na mulher!!!

ADN de elite !!!

Decide-se €milhões!

"Funchal: 2.º 'jogo do título'. Portimão e 'derby': financeira 'sobrevivência'! Rui Vitória: que dilema face a 4 jogadores!

Funchal, território do Marítimo, poderá ser 'Abre-te Sésamo' na conquista do hiperambicionado título. Sim, conseguindo vencer adversário que luta pelo 5.º lugar (ombro a ombro com o Rio Ave, mas... a inacreditável distancia do 4.º: 27 pontos), o FC Porto poderá encomendar as faixas de campeão. Absolutamente inverosímil a hipótese de esbanjar 3 pontos nas 2 passadas finais: frente ao Feirense no Dragão, ou na visita a Guimarães que finaliza a época tão a léguas do que foi há um ano (campeão dos não gigantes) que já a ninguém assusta.
Ou seja: no próximo domingo, o FC Porto terá o seu 2.º 'jogo do título'. Muito improvável espalhar-se agora, depois de ter saído da Luz com o triunfo quase de certeza decisivo (no dia F, recuperou a boa forma, com grande intensidade competitiva; mantendo esse precioso trunfo no 5-1 ao V. Setúbal). E mesmo que empate... continuará líder - seguindo-se Sporting-Benfica... Marítimo/Funchal, derradeira (ténue) esperança benfiquista (pouco menos do que nula no horizonte sportinguista).

Portimão. Jogo-chave para Sporting, face ao seu objectivo ainda credível: abrir hipótese de alcançar Champions e €40/50 milhões - sendo estes, ao que alguns dados indicam, cruciais para o estado das finanças em Alvalade; logo, para a estrutura futebolística na próxima temporada.
Preto no branco: após semana de repouso pela qual Jorge Jesus tanto suplicou, se o Sporting não vencer em casa do Portimonense (este merece forte elogio no bem difícil choque com exigente regresso à I Liga), de nada lhe adiantará eventual imediato triunfo frente ao Benfica.

Luz: recebendo Tondela que já se libertou da tremenda aflição dominante em nada menos de 5 equipas, que Benfica? Sim, pergunta pertinente, por dois motivos...
- Equipa subitamente periclitante (com boa vontade...) nos últimos 3 jogos: sofridíssimos triunfos em Setúbal e no Estoril (arrancados ao cair do pano), e, pelo meio, acabrunhante desaire, em casa, no tal dia D perante FC Porto.
- Muito complexa, e perigosíssima!, gestão de cartões amarelos. Se Rúben Dias, Jardel, Grimaldo, Fejsa (quase toda a estrutura defensiva!) virem outro cartão depois de amanhã, ausência certa em Alvalade, provavelmente no segundo dia D, agora decidindo 2.º lugar... Luisão leva 4 meses sem jogar... (e outro defesa central não existe no plantel). Eliseu quiça mais de 4 meses... (porque Rui Vitória não os colocou em campo num ou outro jogo neste longo período, depreende-se que muito tem deixado a desejar a nível competitivo deste dois veteraníssimos). Quanto a Fejsa, alternativa chama-se Samaris, o qual, convenhamos, chamado para poucos minutos aqui e além, convincente é que não tem sido. Por isto - e não só! - nem sei que pensar quando leio, ou oiço, que o Benfica tem plantel pelo menos ao nível dos grandes rivais!!!
Que decidirá Rui Vitória neste jogo imediatamente antes do derby? Arrisca poupar Rúben Dias, ou Jardel (ambos nem lhe será possível...). O mesmo fazer com Grimaldo e Fejsa, quiça comprometendo imperioso triunfo? Ou arrisca entrar com debilitada capacidade defensiva no grande confronto em Alvalade que deverá decidir os trais €40/50 milhões... imporantíssimos para a próxima época? Que dilema!


Milhões de euros. Eis o que, para lá da magna questão do título!, estará em jogo nas 3 últimas jornadas. Falhar até o 2.º lugar, significando insuperável adeus à Champions, passou a ser um problemão!
O Benfica decidiu, nesta temporada, colocar máxima tónica no saneamento financeiro. Tinha grande almofada competitiva de ser tetracampeão...; mas decerto já percebeu que terá de regressar a investimento em reforços... que o sejam (onde o dinheiro, se o fiasco desportivo, na Europa e nas Taças nacionais, se completar com 3.ª posição no campeonato!).
O Sporting, já se percebeu, depara-se com situação financeira, afinal, bem melindrosa...; está dito precisar, urgentemente, de €60 milhões. Verbas saltando da NOS não são inesgotáveis... Saída de jogadores que têm sido cruciais - alguns agora mal vistos pelo presidente!... - deve ser necessário. E, sobretudo se sem acesso à Champions, investimento como o feito esta época no plantel (17 aquisições!) tornar-se-á, creio, quimera do impossível.
Como irão entender-se Bruno de Carvalho e Jorge Jesus?"

Santos Neves, in A Bola

Os bons e os maus

"1. Não é que hoje haja mais fenómenos de violência no desporto relativamente ao passado, o que aumentou foi a divulgação que acentua o paradoxo: quanto mais uma sociedade evolui socialmente e condena episódios como o que se verificou numa final universitária de futebol, em que jogadores de uma das equipas agridem violentamente os árbitros, maior se torna o vício inconsciente de novas réplicas. Esta é uma discussão que já se fez sobre os incêndios ou sobre os vídeos de violência nas escolas: o perigo do mimetismo.
2. Mas é inegável: de todos os desportos, o futebol é, infelizmente, aquele que tem uma maior relação com a violência. Sempre assim foi mais agora com uma diferença, falando do caso português: instalou-se de vez o terrorismo comunicacional. e num crescendo de perversidade. Benfica, FC Porto e Sporting gastam hoje mais dinheiro em comunicação do que nunca. É dinheiro desviado dos relvados para a contra-informação. Nalguns casos, mais depressa compravam o Pravda do que um bom lateral-direito.
3. Uma coisa está ligada à outra: 2017/2018 ficará sempre como o campeonato dos e-mails. Se o Benfica o perder para o FC Porto, será muito mais do que uma derrota desportiva: será a vitória de uma narrativa construída pelos rivais. E se porventura perder o segundo lugar para o Sporting, Luís Filipe Vieira ficará tão ou mais exposto às críticas quanto Rui Vitória. Porque é ele o líder, é ele que subscreve a praxis. Perder um campeonato todos perdem; perder um campeonato e a moral é uma goleada. Mas se o penta for uma realidade, é todo um argumentário que perderá força como as grandes ondas que se transformam em mera espuma quando beijam a areia.
4. Nas três jornadas que faltam não estão em causa, portanto, apenas nove pontos. É muito mais que isso: é a sobrevivência de uma ideologia. O provar que uns são bons e os outros são maus. Isto é tudo menos desporto."

Fernando Urbano, in A Bola

PS: Se voltar a 'meter todos no mesmo saco' já não é novidade, não deixa de ser extraordinária, como o roubo e divulgação de correspondência privada, descontextualizada e manipulada, é relativizado a uma simples 'narrativa', aparentemente totalmente legítima!!!
A narrativa só 'passa', porque a incompetência, a cobardia e a cumplicidade dos jornalistas tem permitido que a mentira seja vencedora...ainda hoje, na BolaTV se discutia troca de e-mails entre o CEO do Benfica com a sua esposa... e um suposto convite ao actual Presidente do CD da FPF, em 2007, quando não tinha qualquer cargo na estrutura do futebol... nem fazia prever que iria ter!!!

O dia em que o soccer (por uma vez) saiu da sombra

"A vitória por 1-0 dos EUA frente à Inglaterra no Mundial 1950 é considerada uma das maiores surpresas de sempre, com uma equipa recheada de amadores (e dois luso-descendentes) a ganharem à pátria do futebol. Tão inconcebível que, segundo reza a lenda, alguns jornais britânicos achavam que a notícia tinha chegado com um erro: afinal era 10-0 para a sua equipa (Esta é a quarta história na nossa nova série enquanto Portugal não entra em campo no Mundial da Rússia)

Será provavelmente o momento mais alto da história do futebol norte-americano - vulgo soccer para aqueles lados - e no seu país praticamente ninguém se recorda ou fala dele. Mas do outro lado o seu efeito foi sísmico e destruiu um mito de superioridade que nunca mais se reafirmou com a mesma veemência. Argumento onde os protagonistas foram os EUA e a Inglaterra, o palco foi o Mundial 1950 no Brasil e o resultado foi uma vitória por 1-0 frente aos pais do futebol.
Apesar de terem participado no primeiro mundial, onde inclusivamente chegaram às meias-finais, o futebol foi durante largas décadas um desporto de terceira ou quarta categoria comparativamente a outras modalidades mais mediáticas nos EUA. Sem competições nacionais de relevo, a selecção era composta inteiramente por jogadores amadores, com um condutor de carros funerários e carteiros entre a comitiva, composta em grande parte por imigrantes de segunda geração e atletas recentemente naturalizados. Era o caso, por exemplo, de Eddie Sousa e Clarkie Souza, dois luso-descendentes que jogavam pelo Fall River Ponta Delgada (um dos clubes dominadores do futebol norte-americano de então) e compunham a ala esquerda da equipa.
Falamos de uma selecção que tinha perdido os seus últimos sete jogos internacionais sem apelo nem agravo, com um registo de 2 golos marcados e 45 sofridos, e que viajava para o Brasil com o rótulo de derrotada à partida. Só que como qualquer pessoa fã de uma boa história poderá dizer, pode haver sempre uma surpresa na manga. O que não parecia muito possível desta feita, até porque logo no primeiro jogo a doer da competição, a equipa norte-americana foi derrotada por 3-1 frente à Espanha. E seguia-se a Inglaterra.
A equipa de Sua Majestade participava no seu primeiro mundial, após ter recusado entrar nos anteriores por não considerar que houvesse adversários à altura dos inventores do futebol moderno. Conhecidos então como "os Reis do Futebol", tinham um histórico de 23 vitórias, 4 derrotas e 3 empates desde o final da 2ª Guerra Mundial com triunfos por 4-0 sobre a Itália e 10-0 frente a Portugal, entre outros. Uma equipa composta inteiramente por profissionais e onde pontificavam alguns dos melhores futebolistas do mundo, com destaque para o que era considerado mesmo O melhor, Stanley Mathews, o mago do drible.



Passar à fase final do Brasil 1950 (em que só os vencedores dos quatro grupos passavam ao grupo final) era considerado quase uma formalidade e a equipa não se deu sequer ao trabalho de juntar os jogadores de imediato, deixando alguns fazerem um tour de exibição para ganharem mais dinheiro, incluindo Stanley Mathews. Decisão que pareceu vindicada após a vitória sobre o Chile por 2-0 no primeiro jogo e que levou o treinador a tomar a decisão de deixar a estrela da companhia no banco para o jogo frente aos norte-americanos. Que tinham probabilidades, de acordo com as casas de apostas, de 500 para 1 de ganhar e que segundo o "Daily Express", até podiam começar "com três golos de avanço." Consegue adivinhar o que se segue?
"Acho que ninguém de nós achou que tínhamos alguma hipótese de ganhar", lembrou um dos veteranos da equipa, Walter Bahr. "O nosso objectivo era não perder por muitos." Ou, como afirmou o treinador, Bill Jefrey, os jogadores eram como "ovelhas à espera da chacina." O que não terá passado de jogo psicológico, mas não deixa de ser forte.

Incredulidade geral
Os relatos que sobrevivem do jogo em Belo Horizonte deixam perceber o expectável. Domínio intenso dos ingleses desde o primeiro minuto do jogo, com o guardião Frank Borghi (cuja verdadeira ambição era jogar basebol, sonho que a 2ª Guerra Mundial terá travado) a aplicar-se várias vezes. Entre duas bolas no ferro até aos 12 minutos de jogo e uns ingleses complacentes, os EUA começaram a desenvolver algumas jogadas que mereceram o agrado dos exigentes adeptos brasileiros.
Os arranques de Clarkie Souza, sobretudo, iam provocando alguns calafrios enquanto a equipa subia timidamente. E eis que aos 37 minutos o impensável aconteceu. Um remate fraco de Walter Bahr, que o guarda-redes Bert Williams parecia ter controlado, foi desviado pelo recentemente naturalizado Joe Gaetjens (de origem haitiana) com a bola a entrar lentamente na baliza inglesa. 1-0 e choque entre as hostes adversárias.
O golo deu renovada confiança aos americanos, que entraram mais fortes para a segunda parte, à espera do assalto inglês. Que nunca se materializou como se esperava, apesar de mais algumas oportunidades de golo, um apelo de grande penalidade e uma bola que o árbitro negou que tivesse entrado. Parecia estar destinado e o resultado improvável manteve-se até final, perante os vencedores (e uns vencidos) incrédulos.


Quando a notícia viajou o Atlântico até aos jornais ingleses, alguns editores assumiram que era um erro tipográfico e que o resultado, na realidade, teria sido 10-0 a favor da Inglaterra. Equipa que não mais recuperou do choque e perdeu no jogo seguinte também 1-0 para carimbar o adeus prematuro ao Mundial dos vencedores eleitos.
Já os norte-americanos viram o seu feito digno de David e Golias passar completamente ao lado do público e imprensa, até porque só havia um repórter do país a cobrir o evento, Dent McSkimming do "St. Louis Dispatch", que tinha pago a viagem do próprio bolso. "Foi como se a equipa de basebol inglesa tivesse jogado com os Yankees e vencido", recordaria mais tarde.
Passariam 40 anos até os EUA voltarem a participar num Mundial e a vitória histórica caiu no esquecimento. Os jogadores voltaram ao anonimato das suas vidas de sempre, com a excepção, pelos piores motivos, de Joe Gaetjens. O marcador do golo regressou ao Haiti, onde as suas ligações à oposição ao ditador Papa "Doc" Duvalier garantiram o seu desaparecimento e assassinato.
Já Clarkie Souza viu a sua exibição ser reconhecida com a eleição para a equipa do torneio, proeza que só voltaria a ser repetida por um norte-americano em 2002, Claudio Reyna que, curiosamente, também é luso-descendente. No Mundial que ficou para a história como o do Maracanazo, em que os favoritos brasileiros foram derrotados em casa pelo Uruguai (com direito a suicídios), a surpresa maior terá sido mesmo cometida por uns amadores de que poucos se lembram."

O futebol em risco de morte

"A decisão da Procuradora-Geral da República de juntar na competência de uma só equipa os indícios de crimes registados em vários inquéritos judiciais pode salvar a essência do futebol que se joga em Portugal. Mas não será fácil nem curto o caminho.
O que é a essência do futebol ou de qualquer desporto, que se tenha profissionalizado por se ter tornado um espectáculo pago pelas massas? A essência é acreditarmos que todos os intervenientes estão a dar o seu máximo para deixarem a melhor imagem possível. Os jogadores a quererem ganhar, ou, no mínimo, não perder. Os árbitros a querem julgar sem erro.
Durante décadas, o foco de dúvida sobre a boa fé no erro foi colocado nos árbitros, ou nos fiscais de linha, entretanto promovidos a árbitros assistentes.
E a malta discutia a cegueira de um ou outro. E outro ou um foram caçados nas malhas da corrupção, logo nos primeiros anos após o crime passar a ser previsto.
Agora, o cancro desceu mais profundo na relva. Há cada vez mais indícios de casos que envolvem jogadores comprados para não procurar ganhar. Quando os jogadores deixam de procurar ganhar, ou, no mínimo, em caso de grande desequilíbrio de forças, empatar, o futebol deixa de fazer sentido. Quando vemos um defesa fazer penálti, com uma mão feita asa, e não estamos seguros da sua inépcia com boa fé.
Quando vemos um guarda-redes sofrer dois golos nos primeiros minutos, devido a gestos muito estranhos, por pouco naturais, e não achamos apenas que vai perder o lugar, por ser nabo, não suportar a pressão, e os colegas não admitirem ter entre os postes um cromo que defende para a frente bolas simples. Quando já não acreditamos no que os nossos olhos estão a ver, o futebol caminha para a morte. O erro sempre fez parte do sortilégio do jogo. Maus árbitros sempre existiram. Jogadores sempre falharam. Mas protagonistas com falhas selectivas vão matar a razão de ser do espectáculo mais atraente do Mundo.
É fundamental que a justiça invista a sério nesta causa. Que desça aos meandros onde se cruzam alegados empresários da noite, de jogadores, de claques. De droga. Presidentes cada vez mais sombrios. Clubes detidos por capitais putrefactos associados a apostas globais. Que a investigação dure uma, duas, três épocas. Mas que limpe este sector tão lindo, tão mágico, e hoje tão mal tratado. Os sinais de alarme chegaram da segunda liga. Mas parece óbvio que se instalaram já no escalão maior.
E a justiça dos balneários? Também já feneceu? O meu amor ao futebol vem de um tempo em que quem não dava tudo em campo estava tramado no balneário. Era o grupo que expurgava as ervas daninhas. Em caso de dúvida, expurgava-se o faltoso, e pronto. Agora, vê-se gente gerar lances inexplicáveis. E os mesmos nabos, ou algo mais, voltam como titulares na jornada seguinte. Socorro!!!"

Um polícia no banco dos réus

"Como é possível um homem, em situação de superioridade clara (pois é agente da autoridade), espancar brutalmente um fulano, ainda por cima à frente do pai e dos filhos?

Levar a tribunal agentes da Polícia é sempre um problema muito delicado. Porque, no fundo, é colocar a autoridade do Estado no banco dos réus. E é dar um rebuçado à delinquência: os malfeitores exultam ao verem um agente da Polícia sentar--se no lugar que habitualmente está reservado para eles.
Por outro lado, é preciso pensar que ser polícia é uma profissão muito difícil. Os agentes têm de lidar frequentemente com situações complexas, em ambientes de marginalidade, no meio de grande tensão psicológica e riscos físicos, pelo que um certo exagero no uso da força não só se compreende como por vezes se justifica, para evitar males maiores.
Ainda por cima, os perigos a que a Polícia se sujeita revelam-se por vezes inglórios. Quantos agentes não se têm arriscado em perseguições e detenções de alta dificuldade e perigosidade – para depois verem os detidos serem libertados pelos juízes? Acredito que seja altamente frustrante…
Por isso, os ataques às intervenções policiais, vindos em geral da esquerda, devem ser olhados com muita desconfiança. À esquerda sempre conveio a fragilidade do Estado, para melhor poder agir.
Vem isto a propósito do julgamento que se iniciou esta semana do subcomissário Filipe Silva, que espancou um adepto do Benfica a seguir a um jogo em Guimarães.
As imagens captadas em exclusivo pela CMTV são brutais. Vê-se o subcomissário a falar com um fulano vestido com uma camisola encarnada, percebe-se que há uma troca de palavras, de repente o agente agarra no homem e empurra-o contra um muro, um indivíduo mais velho tenta perturbar a ação do agente e este vira-se e dá-lhe dois murros, depois volta a interessar-se pelo de camisola vermelha, atira-o ao chão, dois miúdos (dos seus 8 e 13 anos) tentam também intervir mas são impedidos por outros agentes, o subcomissário retira o bastão metálico do cinto e começa às bastonadas ao homem caído, depois vira-o, mete-lhe o joelho nas costas e finalmente entrega-o a dois outros agentes, que o retiram de cena. Enquanto isto, o miúdo mais pequeno é consolado por dois outros guardas, que o cobrem para não ver a agressão.
Os dois miúdos, como se previa, eram filhos do homem agredido – e o mais velho era o pai.
Esta cena coloca dois tipos de questões: umas de natureza humana, outras de natureza profissional. 
As de natureza humana têm sobretudo a ver com o seguinte: como é possível um homem, em situação de superioridade clara (pois é agente da autoridade), espancar brutalmente um fulano, ainda por cima à frente do pai e dos filhos? Mesmo que se sentisse insultado, deveria pensar duas vezes antes de iniciar a agressão naquelas circunstâncias, com as crianças e o indivíduo mais velho a assistir. E, para cúmulo, esmurrando este, que apenas tentava (naturalmente) defender o filho.
As de natureza profissional podem colocar-se assim: um agente graduado, que comanda uma força policial, não pode perder daquela maneira o controlo sobre si próprio. Com a agravante de o fazer na presença daqueles que comanda – mostrando-lhes a sua fraqueza psicológica e dando-lhes um péssimo exemplo. E tudo isto numa situação sem grande stresse, pois os agentes encontravam-se em grande superioridade numérica e não estavam a ser atacados por adeptos nem corriam qualquer perigo. Tratou-se de uma violência gratuita, sem sentido, produto de má índole ou de descontrolo nervoso do subcomissário. Em qualquer dos casos, totalmente inadmissível num responsável policial. 
Acresce que, no tribunal, Filipe Silva terá dado mostras de grande frieza no depoimento que prestou. Ora, na sala de um tribunal um agente mostra-se frio e calculista, e no exercício da sua actividade profissional descontrola-se? Custa a perceber...
‘Se queres ver o vilão, mete-lhe a vara na mão’ – assim reza o ditado. Aquela cena ocorrida em Guimarães, depois de um jogo entre o Benfica e a equipa local, ilustra na perfeição esta verdade. O subcomissário Filipe Silva pode ter sido muito bom noutras alturas – mas naquela revelou não ter condições para ser agente da autoridade. Muito menos num lugar de comando."