Últimas indefectivações

sábado, 19 de março de 2016

Bom momento... é melhor aproveitar !!!

Benfica 24 - 20 São Petersburgo
(13-9)

Novo confronto com o 'Zenit', nova vitória... vamos ver como corre a 2.ª mão!!!
Esperava uma equipa Russa mais forte (melhor defesa do Campeonato Russo...), mas a diferença de 4 golos, até foi curta para aquilo que se passou no pavilhão... Pareceu-me que o Benfica sentiu alguns problemas no 2.º tempo, para manter o ritmo, devido ao jogo de Quarta com os Corruptos...
O Benfica entrou muito bem no jogo, a atacar bem, e a defender melhor com o Mitrevski em grande... mas depois tivemos alguns falhas aos 6 metros, já comuns nesta equipa!!!
Os Russos curiosamente, não tem grandes atiradores, defendem agressivamente, com um 6x0 bastante móvel, e atacam com muitos cruzamentos para libertar o Pivot...!!!

Não sei se os 4 golos vão chegar, acredito que vamos marcar mais de 20 golos, e portanto podemos até gerir uma 'diferença' de 5 golos em São Petersburgo. No Andebol existem muitas variáveis, inclusive as arbitragens... e nos jogos a Leste!!!

Se passarmos às Meias-finais, é muito provável reencontrarmos os Noruegueses do Flying Bergen, equipa que eliminamos o ano passado, com os dois jogos a serem realizados na Luz... O ABC já está nas Meias-finais.

Final da Taça amanhã... com a Ovarense !!!

Guimarães 62 - 72 Benfica
13-15, 17-15, 13-23, 19-19

O intervalo fez bem à equipa, depois de uma 1.ª parte muito morna...!!!
No final, mesmo com muita rotação, garantimos a presença na Final... Mais uma vez, o Carlos Andrade foi decisivo...

Na segunda Meia-final, a Ovarense voltou a derrotar os Corruptos!!! Já é a terceira vez, esta época...!!!
Recordo, que para o campeonato, derrotámos recentemente a Ovarense, na Luz, no prolongamento!!! Portanto, apesar dos 3 jogos, em 3 dias, que a Ovarense foi obrigada, muito cuidado com o jogo de amanhã...

Cada vez mais perto...

Benfica 14 - 4 Física

Jogo com pouca história, a Física está muito mais fraca do que em épocas anteriores... mesmo a defender com todos os jogadores dentro da área, os golos foram surgindo com naturalidade...

Na próxima jornada com o Candelária vamos ter um jogo parecido, mas depois temos 3 adversários competentes: Turquel, Vaongo(f) e Paço de Arcos. Sem percalços, nestas 3 jornadas, e o Bi estará mais próximo...

Regras especificas...!!!

Sporting 2 - 1 Benfica

Vi o jogo aos 'soluções', portanto não vou fazer uma analise profunda: pareceu-me o Sporting melhor na 1.ª parte; e o Benfica melhor no 2.º tempo. Com os guarda-redes sem muito trabalho... principalmente na primeira metade... Provavelmente o resultado mais junto teria sido o empate... mas a falta de eficácia do Benfica, quando esteve por cima do jogo, foi falta...

Dito isto, existem 3 factos de devem ser realçados:
1 - Fortino agrediu vários jogadores do Benfica... para os apitadeiros nada se passou!!!
2 - Jefferson sofre falta clara, e é expulso!!! Isto nos 2 minutos finais, onde normalmente com 5x4 o marcador muda... O Joel tem que 'educar' os jogadores, a 'fugir' às faltas dos adversários!!! Será o próximo passo, na evolução desta equipa...
3 - O facto do Pedro Martins continuar a trabalhar na RTP, é algo completamente transcendental... o facto de continuar a narrar jogos entre o Benfica e o Sporting, é o cumulo do absurdo!!! O homem tem direito a ter preferência clubistica, o homem tem direito a ser burro, é um direito que lhe assiste...!!! Agora, ser pago pelo erário público, para fazer estas figuras degradantes, é inaceitável.

PS: O Benfica não perdeu a liderança hoje. Os maus resultados antes da paragem de Inverno, é que empurraram o Benfica para o 2.º lugar... mas no Play-off, a história será outra... 

Fazer um bocadinho melhor

"A ainda fresca assembleia geral do Porto não teve transmissão pública e, de acordo com os relatos, foi realizada num espaço exíguo sem condições para acomodar todos os interessados. A novidade nem será propriamente esta. É normal que os clubes defendam a sua intimidade nos momentos menos bons. A novidade é que no Porto, afinal,também há assembleias agitadas pela insatisfação. Eis o nunca visto da situação desde que Pinto da Costa chegou à presidência em 1982.
A última assembleia geral do Porto que fora notícia aconteceu em Março de 1994 - há 22 anos -, albergou milhares no velho pavilhão e teve honras televisivas que impressionaram o país. Era a guerra contra o 'centralismo lisboeta' no seu esplendor: "Fui avisado de que vem aí a GNR com pretexto de que está aqui uma bomba. Se está aqui uma bomba, eu espero que ela expluda!" Felizmente não explodiu. Ah, valente! 
A propósito do "sei como se fazem essas estratégias", conclui-se que, em seis anos, Jorge Jesus só conseguiu ganhar três campeonatos ao serviço do Benfica porque o pérfido Benfica fomentou desavenças entre treinadores e presidentes do Sporting. Foi o Benfica que instilou questiúnculas entre Marco Silva e Bruno de Carvalho. E há dois anos foi outra vez o Benfica quem levou até à exaustão a amável relação entre Bruno de Carvalho e Leonardo Jardim tal como, há seis anos, tinha sido o Benfica a inquinar o diálogo do presidente Bettencourt com Paulo Bento primeiro, depois com Leonel Pontes, seguindo-se Carlos Carvalhal, todos na mesma temporada. Foi obra. O mesmo "sei de onde vim" atribuirá também ao Benfica a responsabilidade intelectual pelos panfletos antipresidente do Sporting que circularam na semana passada. Assim sendo, foi também o Benfica que espalhou panfletos e pintou paredes com verrinosas frases anti-presidente em 2012 quando o presidente do Sporting era o acossado Godinho Lopes. Foi só política e da baixa. Valerá ao Benfica, ontem, hoje e sempre, ter as costas largas.
Vem aí o Bayern Munique. A ver se o Benfica consegue fazer um bocadinho melhor do que os seus rivais internos fizeram nos seus últimos confrontos europeus com estes intratáveis campeões crónicos da Alemanha. E bravo, Braga, as maiores felicidades para o que também vem aí. Amanhã, o Benfica joga no Bessa. E o Boavista é que é do nosso campeonato, não se esqueçam."

Os exemplos de Figo e CR7

"Bastaram 1808 minutos de Renato Sanches na primeira equipa do Benfica para convencer Fernando Santos a abrir-lhe a porta da Selecção Nacional. O talento do jovem jogador do Benfica salta à vista, mas quiçá, de forma ainda mais gritante, percebe-se um potencial extraordinário, ainda por explorar. Renato impôs-se no conjunto de Rui Vitória com a naturalidade dos predestinados e em menos de nada os companheiros cederam-lhe, com toda a naturalidade, as rédeas do jogo, a marcação dos tempos, a oscilação dos ritmos da equipa.
Renato Sanches tem tudo para cumprir uma carreira de sucesso ao mais alto nível do futebol mundial. Precisa, apenas, de saber orientar-se perante as tentações, focar-se no essencial do seu trabalho, ter o profissionalismo de Luís Figo e o espírito workaholic de Cristiano Ronaldo. O resto, já Deus lhe deu. Não é difícil prever um futuro fora de Portugal para o jogador que deu os primeiros pontapés no Bairro da Quinta Grande. Essa inevitabilidade da Liga portuguesa perder os melhores valores irá acentuar-se nos próximos anos e a ver vamos onde a criação de uma Liga europeia vai deixar-nos. 
Para já - e é isso que aqui se regista - Fernando Santos ficará para sempre ligado à carreira de Renato Sanches, ao conceder-lhe a primeira chamada à turma das quinas. O Bulo tem o futuro na mão (e nos pés). Oxalá também tenha cabeça..."

José Manuel Delgado, in A Bola

"A grandeza constrói-se com base no trabalho e na humildade."

"Ao longo de 112 anos de história, fomos capazes de construir um clube de dimensão mundial.
Soubemos superar momentos muito complicados e se hoje vivemos uma época de grande estabilidade institucional e um justo reconhecimento internacional é porque tivemos uma base de sócios que sempre esteve presente em todos os momentos do clube.
O Benfica – é o meu primeiro apelo, aqui, na Murtosa – precisa de todos, sem excepção!
Se olharmos para os últimos 15 anos e pensarmos no que fizemos – todos nós –, devemos sentir um tremendo orgulho no caminho percorrido. O Estádio, o Caixa Futebol Campus, a Benfica TV, o Museu... Tudo isto foi fruto do trabalho de todos e do empenho dos sócios!
Ninguém é dispensável quando se trata de assumir decisões que definem o caminho que vamos seguir.
Os sócios são os donos do clube e, comigo como presidente do SL Benfica, assim vão continuar. Mas, para que isto nunca se perca, é fundamental que a base de sócios seja cada vez maior.
Os sócios foram, é justo reconhecê-lo, protagonistas principais na recuperação do Benfica, mas isso obriga a manter-nos vigilantes e a continuar a cuidar da essência fundamental do Benfica: Um clube sem fronteiras, moderno, inovador!
O meu apelo hoje é o mesmo desde o primeiro dia como presidente do Benfica: Crescer em número de sócios, porque o presente e o futuro do Benfica dependem disso!
Por cada novo sócio seremos mais fortes, teremos maior capacidade de afirmação!
O Benfica somos todos nós!
Gostava de dizer duas coisas em relação ao futebol, mas, como estou castigado, não posso falar. Posso apenas referir que tudo aquilo que disse há uma semana – quando ainda não estava castigado – se mantém válido!
Ninguém se fez grande com base no insulto ou na arrogância, na perseguição ou na pequenez de carácter, e aqueles que acham que esse é o caminho que devem seguir, vão acabar por ser vítimas da sua própria estratégia.
A grandeza constrói-se com base no trabalho e na humildade. É esta a nossa identidade. É isso que reclamo para o Benfica, é isso que quero dos sócios e adeptos do Clube. Ajudem-nos a crescer, tenham orgulho no Clube que somos, ignorem o ruído e as provocações.
Apoiem o Clube, no estádio e fora dele, nos pavilhões, em Portugal e no estrangeiro. Esta é a grandeza do Benfica!
Para aqueles que sabem o esforço que sempre dediquei e a importância que sempre reconheci às Casas do Benfica, imaginam a satisfação de poder estar aqui hoje.
Quero, por isso, deixar uma palavra de reconhecimento para todos os que trabalharam e dedicaram o melhor do seu esforço para levar por diante o projecto que há pouco tivemos oportunidade de inaugurar. 
Acompanhei ao longo destes anos o enorme esforço realizado na Murtosa para a construção desta Casa do Benfica. Um projecto feito de raiz. A primeira, em todo o mundo, pensada e construída de raiz.
Só isso deve ser um orgulho para todos vocês, como é para mim!
Queria, na pessoa do Presidente da Direcção da Casa do Benfica, dar os parabéns a todos os que trabalharam, os que deram o melhor do seu tempo e do seu esforço para tornar este projecto uma realidade. Valeu a pena! Parabéns a todos!
São testemunhas dos muitos quilómetros que tenho percorrido desde que cheguei ao Benfica visitando e inaugurando Casas. Nunca o fiz por obrigação, faço-o com gosto, mas acima de tudo faço-o por um enorme sentido de responsabilidade, porque sei – desde o primeiro dia – que as Casas do Benfica são fundamentais na estratégia de consolidação e expansão do Benfica, quer seja em Portugal, quer seja no estrangeiro.
Viva o Benfica!"

Benfiquismo (XLVIII)

Era por aqui, o caminho para o 1.º e 2.º anel...

Benfica é o intruso na Champions

"Escolher no sorteio da Liga dos Campeões com este leque de equipas é uma tarefa impossível. O Benfica é claramente o intruso neste sorteio e, aconteça o que acontecer, já fez uma excelente prova europeia. Wolfsburg, Atl. Madrid e Man. City davam uma réstia de esperança, sendo certo que há uma obrigação de deixar tudo em campo com qualquer adversário. Mas a nossa Liga dos Campeões é mesmo no Bessa. 
Quando o Benfica foi tricampeão pela última vez, eu era miúdo, já nem me lembro de detalhes. Ganhar o tricampeonato não é fazer história, é muito mais que isso, é mostrar como era a nossa história àqueles que ainda a não viveram nesse esplendor. Por isso, o tricampeonato, nestas circunstâncias, seria levar os adeptos da quimera à mais bonita realidade.
Ganhámos ao Tondela, num jogo marcado pela tristeza da perda de Nicolau Breyner e do sócio número 1, Ernesto Soares, dois grandes benfiquistas, mas o primeiro uma figura ímpar da cultura portuguesa. Cumprimos mais uma etapa. Faltam oito jogos para se cumprir o objectivo máximo de ser tricampeão. Nunca foi fácil e continua a não ser tarefa simples. Resta agora elevar o feito da categoria de possível para a categoria de provável, enquanto milhões cantam: «Dá-me o 35.» Com serenidade, confiança e persistência acredito ser possível.
Domingo, ninguém falte pelas 15 horas ao pavilhão da Luz, onde o voleibol continua muito além do imaginável. Em Itália, contra o Verona, foi mais um desses dias de que se escreve a história ecléctica do Benfica. Vencer o poderoso Verona e trazer a decisão para nossa casa, numa meia-final europeia, contra uma equipa de topo, do melhor campeonato europeu, é digno de todos os elogios. José Jardim e os seus atletas (depois de vencerem a Taça de Portugal) lutam agora por repetir uma final europeia."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 18 de março de 2016

Da pertença, da identificação e da prosa

"Beira Baixa, anos 70 e ser do Benfica.
Era-se do Benfica num sentido total, numa infância em que o 'ser do Glorioso' implicava uma radicalização na pertença que ia muito além da razoabilidade dos argumentos. Não se discute o Benfica, não se pensava o Benfica, não se questionava o Benfica. Era-se, sendo do Benfica. Era-se assim, naturalmente, como se a ordem cósmica de ser do Benfica tudo recolocasse no seu sítio. Quando os mais velhos faziam uma ou outra crítica, o exclusivo da observação ficava vedado ao assentimento dos mais jovens. E a crítica era sempre dirigida a um ou outro jogador, treinador ou dirigente e nunca, mas nunca, ao Benfica.
Ir ao Estádio da Luz era raro, caro, difícil, longínquo e quase utópico. Ir ao Estádio da Luz era como se um grego do século de Péricles ascendesse ao Olimpo para tocar os deuses. Definitivamente, era um privilégio e não um ritual. Os jogos chamavam-se 'partidas'  e estas imaginavam-se nas palavras relatadas e ouvidas na telefonia ou escritas e lidas no jornal desportivo das segundas-feiras (sempre A Bola e em dimensões de deserto filmado por David Lean). Tudo o que era imaginado era grandioso e tudo no Benfica da minha infância era imaginado.
Os jogadores eram uma espécie de heróis da Marvel: Nené, Bento, Humberto, Toni, Pietra, Alves, Chalana ou Shéu ombreavam com o Batman, o Super-Homem, o Homem-Aranha ou o Capitão América. A vantagem dos nossos estava na águia ao peito, no rubro da camisola e no facto de serem do Benfica. Mas eram tão imaginados uns como outros, tão inacessíveis uns como os outros, tão mitificados uns como os outros, tão mitificados uns como os outros. Este era o tempo da pertença, o tempo em que dizíamos e vivíamos o 'sou do Benfica'.

Lisboa, início do século XXI e ser Benfica
a entrar na casa dos 30 aporto a Lisboa, vindo de Coimbra. É um preâmbulo de 'adultez', o estádio passou a ficar ao virar da esquina, os heróis passaram a ser quotidianos, o Benfica passou a ser tangível, acessível, imediato e fácil. Quase sem me aperceber, a expressão 'ser Benfica' tomava o lugar de 'ser do Benfica', a identificação com o clube ultrapassava a pertença ao 'Glorioso'. Ontologicamente, de repente, a fusão surgia, a sublimação da pertença racionalizava-se, reflectia-se e intelectualizava-se. Os sentimentos passavam a estar ao serviço da razão. Não deixava de ser do Benfica ia mais além, Obrigava a que se questionasse o rumo do clube, as suas lideranças, as escolhas e os caminhos. O Benfica passava a ser também cálculo e opinião. Os jogadores passam a ser 'activos' quando outrora haviam sido 'heróis' e pelo meio raramente foram vistos como 'homens-pessoas'. As cadernetas de cromos são trocadas pelas estatísticas, estudos e análises do desempenho individual e colectivo dos futebolistas e da equipa. O relatório e contas de uma sociedade anónima desportiva passa a ser tão escrutinado como eram os Cadernos A Bola dos tempos idos. Ser benfiquistas é já mais feito de 'ser Benfica' do que 'ser do Benfica'. E a nostalgia de sentir miticamente o Benfica vai crescendo na exacta medida em que nos afastámos dessa idade de todos os possíveis. O resultado é o futuro que se advinha.
Brevemente, é muito possível que venha a engrossar o coro de vozes que dizem 'o Benfica é nosso'. É um processo estranho este de passar da pertença, à posse, é uma viagem que se faz passando pela identificação e incorporação. Garret diria que é com naturalidade que Dom Quixote se transforma em Sancho Pança. Camilo Castelo Branco dividiria isto, metaforicamente, em coração, cabeça e estômago. Desejo apenas que a cabeça não permita que venha algum dia a confundir o coração com o estômago e achar que a pertença legitima a posse."

Pedro F. Ferreira, in Mística

Fernando Ferreira entre nós

"Doado ao clube espólio do antigo atleta benfiquista e co-fundador do jornal Record.

Disse o escritor alemão Gotthold Lessing: 'É a intenção, e não a doação, que faz o doador'. A mais recente incorporação no nosso acervo é o espólio de um grande 'sprinter' benfiquista dos aos 1930 e 1940: Fernando Ferreira. Carlos, o filho, tinha na sua posse várias dezenas de medalhas e fotografias do pai, entre outros itens de interesse. À boleia do antigo director do jornal O Benfica João Sequeira Andrade - alguém a quem muito deve a historiografia do nosso atletismo - plantámo-nos em casa de Carlos, a fim de o conhecermos e ao espólio a doar.
Sentámo-nos com ele em redor de uma mesa, sobre a qual nos esperava, as relíquias do herói. Uma a uma, foram desfilando sob o nosso olhar e arrancando sem cessar as exclamações de Andrade, perfeitamente identificado com o tempo, as lugares, as pessoas e os factos a que respeitavam.
Debruçado em torno das fotografias, o decano jornalista foi nomeado cada um dos rostos. Carlos escutava-o atentamente e identifica alguns que a memória de Andrade não ia buscar. Menos sabido na matéria, assisti atento à troca de bolas. Aos nomes maiores que já conhecia, como os de Martins Vieira, Espírito Santo, José Araújo, Tomás Paquete ou Matos Fernandes, juntava agora outros tantos: Glória Alves, Pinheiro da Silva, José Esteves, Eduardo Lemos, João Pimenta...
Sobre o herói Fernando Ferreira, era redondo o retrato: velocista de eleição, professor de atletismo, preparador físico da equipa de futebol do Benfica e da Selecção, jornalista, co-fundador do jornal Record o seu primeiro director, entre outros cargos e actividades relevantes.
A 11 de Agosto de 1943, fazia a capa da revista Stadium. Da autoria de Nunes de Almeida e de beleza plástica admirável, a fotografia dada à estampa traduzida na perfeição o perfil de Fernando: força, técnica, elegância.
Várias décadas mais tarde, com esta imagem diante dos olhos, o filho Carlos fazia suas as palavras de Lessing: 'Quero doar ao Benfica estas memórias do meu pai porque é lá que são úteis. Penso que ele assim o desejaria igualmente'.

O corredor de barreiras
Pés a preceito
Nascido a 21 de Agosto de 1918, Francisco Ferreira abraçou cedo o atletismo. Já adolescente, meteu-se num táxi com um colega de liceu em direcção ao Estádio das Amoreiras, para tentar a sua sorte de 'encarnado'. Iniciava assim uma carreira que o levaria à conquista de vários títulos regionais e nacionais, em juniores e seniores.
Afirmou-se como corredor de barreiras já depois de ter saído vitorioso em provas de corrida de velocidade, salto em comprimento, estafetas e lançamento do peso, em campeonatos escolares. Liceal ainda, estabeleceu nos 83 metros barreiras o seu primeiro recorde.
Como sénior, estrear-se-ia nos Jogos Desportivos Nacionais, realizados no Estoril e organizados pelo jornal Os Sports, que lhe pintou o jeito: 'Pés que atacam bem o terreno'. Antevia-se já que as suas longas pernas o transformariam em corredor de barreiras. Assim foi. Nos 110 metros da especialidade, sucederia condignamente aos históricos Glória Alves e Martins Vieira, na antecâmara de Luís Alcide, Matos Fernandes, Cumura Imboá e José Carvalho.

Fernando e o Futebol
O preparador físico Fernando Ferreira na companhia do treinador Inglês Ted Smith, que deu ao clube o Campeonato Nacional e a Taça Latina de 1949/59, e as Taças de Portugal 1948/49 e 1950/51.

Mister 'Fair-Play'
Entre o espólio de Fernando Ferreira, encontram-se algumas notícias manuscritas e dactilografadas que documentam a sua actividade jornalística. Uma delas, do nosso jornal, bem reveladora de um traço de carácter que o acompanharia a vida inteira: o desportivismo.
Ao passar pela secretaria após uma derrota com o Belenenses por 2-5, havia, segundo Fernando lamentasse ter faltado em vão a um casamento ou perdido uma tarde de sol na Caparica para assistir à 'tragédia'. E Fernando conclui, numa postura que sempre lhe foi própria: 'O Benfica não pode ganhar sempre (...) Temos de aceitar a derrota'.
Ao homem que haveria de passar a vida a ensinar atletismo, norteava-o o espírito desportivo. Entre outras distinções, receberia o troféu Fair-Play do Comité Olímpico Português, o diploma da European Fair Play e a Medalha de Honra ao Mérito Desportivo.
Após uma vida dedicada à causa do desporto, Fernando Ferreira faleceria em Junho de 2007, com 88 anos."

Luís Lapão, in Mística

Bom a Bessa

"Lembra-se do dia 22 de maio de 2005? Provavelmente sim, mas eu refresco-lhe a memória: um a um com o Boavista e conquista do título nacional com Giovanni Trapattoni ao leme da equipa. Lembra-se da festa que foi? No relvado, nas bancadas, pelas ruas de Lisboa, do país, do mundo. Pois bem, este domingo o SL Benfica volta a um lugar onde já foi feliz. Tem sido assim desde a repescagem do Boavista (na secretaria) para a principal divisão do futebol português. É no estádio do Bessa, contra uma equipa liderada Erwin Sanchéz, o Platini dos Andes, que o bicampeão nacional vai dar mais um passo em direcção ao 35. E, para isso, todos somos necessários.
Vai ser bom voltar a ver este estádio pintado de vermelho, com o calor e a vontade dos benfiquistas do Porto. Gente de fibra esta que todos os dias tem pela frente os mais fanáticos dos antibenfiquistas. Os mais fracos já teriam desistido, mas os benfiquistas do Porto sabem como pegar o boi pelos cornos e não viram cara à luta. No domingo, o Bessa vai ser uma Catedral e, no relvado, os onze escolhidos por Rui Vitória vão fazer o que tem que ser feito: ganhar. Mais um jogo, mais um desafio, mais uma final para ser conquistada. Estamos a oito jogos do fim do campeonato. Não há adversários fáceis, não há campeões antecipados, mas há a chama imensa que aumenta a cada minuto. Adeptos, jogadores, técnicos e dirigentes, estamos juntos para chegar ao objectivo comum: ganhar. Ganhar uma bola perdida, um metro de terreno, uma vantagem no marcador, um jogo, outro, mais outro, um título e a glória.
Rumo ao Tri!"

Ricardo Santos, in O Benfica 

Grande Benfica!

"A vitória frente ao Tondela, somente quatro dias após o triunfo em São Petersburgo que carimbou a nossa passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, foi uma demonstração cabal de que a nossa equipa não é afectada por tentativas infantis de-desestabilização, venham elas de patetas, dirigentes de coisa nenhuma ou ressabiados.
Os quatro golos marcados, dois por Jonas, agora o 34.º melhor marcador de sempre do Benfica em competições oficiais, elevaram para 70 o total do Benfica no Campeonato Nacional, perfazendo uma média de 2,7 golos por jogo, sinónimo do futebol atacante com veia goleadora que caracteriza a temporada Benfiquista.
Os 28 tentos apontados por Jonas nesta competição, somados aos 20 na temporada passada, colocam-no, em pouco mais de ano e meio, na 29.ª posição do ranking dos goleadores benfiquistas nesta prova. Para já são 24 por época, a melhor média de sempre no clube.
Mitroglou é quem, para além de Jonas, mais contribui para o pecúlio alcançado. 16 golos é assinalável, só é pena que o jornal A Bola, contrariamente aos dados oficiais, insista em lhe reconhecer apenas 15. Se seguisse o mesmo critério na temporada passada relativamente aos dois golos atribuídos a Jackson Martinez, mas concretizados por defesas na própria baliza (Bessa e Restelo), Jonas teria sido o melhor marcador oficial, assim como para o jornal em causa.
Termino com a conquista da Taça de Portugal de voleibol. Dos 14 títulos e troféus já decididos em seniores masculinos das sete principais modalidades na presente temporada, conquistámos oito, dando continuidade aos últimos anos em que o Benfica, indiscutivelmente, tem dominado o desporto nacional."

João Tomaz, in O Benfica

Prioridades

"No momento em que o estimado leitor puder ler estas páginas, provavelmente já conhecerá o adversário do Benfica nos quartos-de-final da Champions League. Já saberá, pois, se o "Glorioso" tem poucas, muito poucas, ou quase nenhumas hipóteses de seguir em frente.
Numa perspectiva pragmática, é esse o naipe de possibilidades que esta fase da competição nos coloca, dada a colossal capacidade financeira e desportiva das forças em presença.
O sonho é legítimo, mas a realidade diz-nos que as obrigações externas do nosso Clube já estão, nesta temporada, amplamente cumpridas. Daqui em diante, há que desfrutar, sem dramas, e sem pressões que não sejam as de dignificar a camisola e preservar o prestígio internacional que Eusébio e seus pares nos legaram.
Paralelamente, temos um Campeonato ao rubro e uma liderança presa por um cabelo - a qual, precisamos de manter até ao fim, custe o que custar. Bela Guttmann dizia que o Futebol português não tinha rabo para duas cadeiras. E por essa Europa fora é já bem conhecido o chamado "Vírus Champions", que subtrai pontos nas ligas nacionais, quer nas vésperas, quer no rescaldo dos grandes jogos europeus. As explicações não vêm ao caso, mas não são do domínio da coincidência. Temos pois que analisar friamente o que queremos, o que podemos alcançar, e qual a melhor forma de o conseguir. Este Campeonato é, por múltiplos motivos, tremendamente importante para o Benfica. Porventura o mais importante da última década. É na sua conquista que tem de estar o foco de todos os profissionais da casa. Terá de ser essa a nossa prioridade absoluta. O resto se verá."

Luís Fialho, in O Benfica

O Mundo da Multimédia

"Em jeito de como quem não quer a coisa, a envolvente de multimédia ao redor das competições da Liga da Champions, é uma verdadeira loucura terrestre.
A empresa que detém o Marketing do licenciamento dos direitos de transmissão da multimédia das competições é a Team Football Marketing AG, com sede na Suíça em Lucerne, empresa subsidiária da Highligth Communications AG, também com sede na Suíça, através da Team Holding AG. Esta empresa (Team Marketing) teve o volume de negócios em 2014 de 412,578 milhões de francos suíços, sendo que este valor resulta da soma de quase três dezenas de empresas, das quais a Team Marketing é apenas uma. 
Para se ter uma ideia, a final realizada no Estádio da Luz, teve uma assistência "televisiva" aproximada de 380 milhões, sendo que, só em Espanha teve uma assistência de 12,7 milhões de pessoas. No entanto, foi o Brasil que contribuiu com maior assistência, cerca de 20 milhões.
Em suma, esta empresa gere os direitos de transmissão televisiva da UEFA, na modalidade da competição da Champions League. Assessora a celebração e negociação dos contratos com as diversas operadoras de multimédia a nível mundial.
(...), a situação das empresas de multimedia a nível mundial que tinham contratos celebrados com a UEFA, dos países da Albânia até à República Checa, em vigor em Fevereiro de 2016. Até aqui releva-se quanto à consagração de optimizações fiscais mais favoráveis, a Bélgica e o Azerbaijão.
(...), os contratos celebrados desde a Dinamarca até à Lituânia. Aqui, já verificamos um domínio de alguma optimização fiscal, com predominância da Modern Times Group MTG Limited.
Agora (...), os contratos celebrados com a Macedónia até à Turquia. Aqui encontramos como interessante, Malta, Eslovénia, Espanha e novamente a Modern Times Group (MTG), na Suécia.
Não podemos ir mais longe como gostaríamos, para verificarmos a optimização fiscal a nível dos sócios das várias empresas, aí sim, muito mais acutilante.
Mas podemos retirar já duas conclusões.
A primeira, o potentado dos negócios da Champions.
A segunda, a situação tida como normal em muitos países, da optimização fiscal.
Em Portugal é o que sabemos! É tudo proibido! Por isso aportar capital e impostos estrangeiros, esqueçam! Em concorrência perdemos!

Ideia económica geral
De se utilizar tantas vezes esta palavra, a mesma corre o sério risco de ficar gasta nos tempos mais próximos.
A Economia é (devia ser) uma ciência que estuda os fenómenos da produção, distribuição e consumo de bens e serviços.
É fácil de verificar, que no meio de 7 mil milhões de habitantes no Planeta Terra, seja difícil de prever qual será o comportamento económico de cada um. Na maioria dos casos, até o facto de alguém ter acordado com os "pés de fora", irá limitar e conduzir o seu comportamento económico nesse dia. Por estas e muitas outras razões similares, que de tão complexas dariam milhares e milhares de páginas, é que a economia é que faz com que todos os habitantes deste Planeta não tenham o mesmo nível de vida. A grande regra é que os recursos são escassos e não chegam para todos. Daí que existam uns que são vencedores e outros que são perdedores.
Imaginem a todo o minuto, adaptarem-se os recursos ao número de pessoas existentes no Planeta!
Impossível!"

Pragal Colaço, in O Benfica

A Jonas o que é de Jardel

"O que o benfiquista Jonas está a fazer na corrente edição da Liga é extraordinário. Acumular 28 golos em 26 jornadas representa qualquer coisa de invulgar, tanto em Portugal como em qualquer campeonato europeu. Estes números ganham especial relevância quando os comparamos, seja com a história recente da nossa Liga, seja com aquilo que se passa, por exemplo, nas Ligas que integram o top 10 europeu.
Olhemos, primeiro, para dentro. Entre o final da década de 1990 e os primeiros anos deste século. passou por Portugal uma 'máquina de golos' chamada Mário Jardel. Foi durante cinco anos o melhor marcador da Liga, com 42, 37, 36, 30 e 26 golos. Pois bem, depois dele e até à actualidade, apenas um jogador conseguiu superar o 'pior' campeonato de Jardel: Jonas. Cardozo e Jackson Martínez, por exemplo, 'só' igualaram esse registo de 26 remates certeiros. E entre outros, é bom não esquecer que andaram por cá goleadores como Acosta (22), Pena (22), Hulk (23), Nuno Gomes (24), Liedson (24), Lisandro López (24) ou Falcão (25). Mas Jonas, depois de fazer algo nunca visto no período pós-Jardel ainda vai, certamente. ultrapassar o 4° melhor acumulado do compatriota (30 golos). Se fosse fácil já alguém o teria feito nos quase 15 anos que passaram desde o 'adeus' de Super Mário.
Vejamos agora o que se passa lá por fora. Jonas leva neste momento uma média superior a um golo por jogo. Apenas um jogador o acompanha nesta façanha, precisamente o também brasileiro Alex Teixeira, com 22 golos apontados pelo Shakhtar (Ucrânia). Mas como entretanto foi para a China, já não conseguirá manter a média nas 26 jornadas que tem este campeonato. Ronaldo em Espanha (27 em 29), Lewandowski na Alemanha (24 em 26), Higuaín em Itália (27 em 29) e Ibrahimovic em França (27 em 30) ainda podem lá chegar, ao contrário de Promes na Rússia (ll em 20), Diaby na Bélgica (13 em 30) ou Vardy e Kane em Inglaterra (19 em 30).
Se Jonas continuar tão inspirado nas últimas oito jornadas a Bota de Ouro europeia poderá ir parar ao pé dele, como um dia acabou no de Jardel (duas vezes, uma ao serviço do FC Porto e outra a jogar de leão ao peito). Seria o regresso à Luz do símbolo máximo dos goleadores, depois de Eusébio."

Convergências e entendimentos

"Por razões conhecidas e já debatidas até à exaustão, que não valerá a pena voltar a enunciar, a época 2015/16 revitalizou a rivalidade futebolística entre Benfica e Sporting e, nesta fase, a oito jogos do fim da Liga, os eternos rivais de Lisboa são os mais fortes candidatos ao título, mantendo-se o FC Porto na corrida, é certo, mas de forma mais discreta e menos convicta.
A vertente desportiva desta equação só pode ser bem-vinda: o Sporting dobrou o investimento e tem mostrado, na frente interna, argumentos apreciáveis; o Benfica, enveredando por uma nova política, segue líder em Portugal e vai conhecer hoje rival na Liga dos Campeões. Ambos os emblemas têm sido seguidos, em casa e fora, por um número muitíssimo expressivo de adeptos. No entanto, infelizmente, não há bela sem senão...
O clima social está radicalizado, e o apelo ao bom senso e à contenção deve, assim, constituir uma obrigação. Não me parece curial que se ande a deitar mais achas para a fogueira, salgando feridas que estão por cicatrizar. E menos avisado será fulanizar inimigos, tornando-os alvos de mentes mais fracas e por isso sugestionáveis.
Haverá quem pense que os jogos começam a ganhar-se fora das quatro linhas, no condicionamento dos adversários e demais agentes com intervenção directa nas partidas. Porém, o que conta, o que vale, é o que é feito dentro de campo. Por mais bélico que seja o discurso, não resiste a um golo falhado de baliza aberta...
Citando Marcelo Rebelo de Sousa, «urge recriar convergências, redescobrir diálogos, refazer entendimentos, reconstruir razões para mais esperança»."

José Manuel Delgado, in A Bola

Jogar em Portugal e na Europa

"A UEFA percebeu há muito que a Europa do futebol não é diferente da Europa económica, social e política. A força da instituição tem razão proporcional com a dimensão do mercado. Por isso a Champions League não pode parar no tempo, e assim provoca alterações também na Europa League. Que ninguém fique surpreendido com alterações próximas ao modelo competitivo de ambas. Claro que ser campeão nacional continua a ser importante, cada vez menos para a implementação e negócio das sociedades desportivas de topo, mas decisivo para aumentar a base de apoio no próprio país. Contudo, o mercado globaliza-se e as equipas portuguesas para conseguirem ser competitivas nas provas internacionais têm de aumentar receitas. Como tal, não faz sentido considerar estas competições secundárias em relação ao campeonato nacional. A maior valorização da marca dos seus activos, entenda-se jogadores em primeiro lugar, mas também todos os outros profissionais, e o aumento das receitas directas, justificam que nunca se desista delas.
O Real Madrid - que ainda não perdeu na Champions, tal como o Barcelona - tem nesta competição a possibilidade de vencer um troféu. Mas não são só os merengues nesta situação. Muitos outros lutam também por boa prestação europeia, na salvaguarda do prestígio, entre eles alguns gigantes.
Em relação às equipas portuguesas, o Braga fez muito bem em valorizar-se na Liga Europa, com todos os custos que essa opção tem, enquanto que o Sporting - não desvalorizando a competição, o discurso foi mais na tentativa de retirar pressão - não apostou na mesma. O Porto tentou o impossível e o Benfica entrou no grupo restrito dos quartos da Champions.
A Europa não fez mal a ninguém, bem pelo contrário, fortaleceu quem conseguiu chegar mais longe."

José Couceiro, in A Bola

Superliga Europeia é viável?

"É um rumor que se vem repetindo nas últimas décadas e que no último mês ganhou novamente força. Alguns dos principais emblemas europeus estão a defender a criação de uma Superliga Europeia, uma supracompetição que pudesse reunir a nata do futebol europeu a nível de clubes. Não é de estranhar que esta eventual proposta surja como forma de pressão, junto da UEFA, no sentido de distribuir mais dinheiro aos clubes, numa altura em que a liga inglesa passará a ter receitas televisivas milionárias que ultrapassam mesmo a Liga dos Campeões.
O cenário de vermos equipas como o Bournemouth, o Watford ou o Crystal Palace, entre outras equipas, em teoria, da segunda metade da tabela da liga inglesa, a obterem receitas superiores a alguns dos principais clubes alemães, franceses, italianos e até espanhóis (se tirarmos Barcelona e Real Madrid da equação) será provavelmente uma realidade a partir da próxima temporada. Atentos a esse fenómeno, clubes como Bayern e Juventus estão a aparecer como defensores de um novo modelo de competição continental, que permita obter ainda mais receitas e consiga rivalizar com algumas provas norte-americanas (como a NFL) em termos de valores no mercado mundial.
Com o modelo das competições europeias em vigor a terminar em 2017/18, este soar do alarme em relação a uma eventual Superliga Europeia parece acima de tudo uma abertura de negociações para que os clubes possam receber mais dinheiro e consigam garantir a sua competitividade desportiva e financeira face ao fenómeno inglês.
Além disso, hoje em dia, e tal como acontece com os clubes portugueses, uma época sem Champions cria enormes dificuldades financeiras às equipas, face à escassez de receitas. E vão-se multiplicando as sugestões, desde uma competição fechada a uma prova em que alguns clubes garantem presença fixa, com mais jogos e prémios avultados.
Não acredito em grandes revoluções, mas o caminho para uma grande competição, que se possa apelidar de campeonato europeu, parece ser desejo unânime entre os principais clubes do Velho Continente. As desigualdades vão aumentar em relação aos países da periferia e resta saber que tratamento será dado ao mérito desportivo que se vier a verificar nas ligas internas. Um clube com um trajeto idêntico ao do Leicester City, com possibilidades de se sagrar campeão inglês pela primeira vez na sua história, ficaria de fora desta eventual competição?
E apesar de isso já estar a acontecer nos dias de hoje, a verdade é que uma competição deste género traz consigo o risco de agravar ainda mais as diferenças entre estes grandes clubes e as restantes equipas dos seus países, colocando em causa o equilíbrio financeiro e competitivo dos próprios campeonatos nacionais. Antes de qualquer mudança nas provas europeias, seria importante que as ligas nacionais pudessem desenvolver, possivelmente em conjunto com a UEFA, um mecanismo de financiamento sustentável para poderem corresponder e 'conviver' de forma sã com uma prova desta magnitude.
E qual o papel dos clubes portugueses relativamente a uma eventual Superliga Europeia? Participantes ou meros observadores? É uma boa questão. Ninguém quererá ficar de fora e perder o embalo financeiro que uma prova deste calibre pode gerar. Mas as portas, pela vontade de alguns intervenientes, não estão totalmente abertas aos clubes nacionais. No período pós-Platini e depois da saída de Gianni Infantino para a FIFA, a UEFA tem aqui um dos seus grandes desafios. Será difícil agradar a gregos e troianos, mas tudo indica que algo vai acontecer."

O rei vai nu!

"Estéreis as opiniões a propósito da polémica sobre a utilização da substância Meldonium, que em 2016 já despoletou boa centena de casos positivos de doping. Enquanto uns se insurgem contra a publicidade dos resultados dos testes realizados anteriormente, quando a substância não estava na lista de substâncias proibidas, outros questionam a falta de estudos que determinem o período de tempo que a substância se mantém no organismo depois de terminar o seu consumo.
E que tal explicar a razão médica para todos estes atletas consumirem esta substância? Será que estes atletas são todos doentes do coração? Ou a usavam como doping? Usavam para melhorar o seu desempenho desportivo? O Meldonium foi descoberto há cerca de... 40 anos (!) para combater problemas cardiovasculares.
Esta facilidade em aceitar que os atletas consumam substâncias que têm como finalidade combater doenças das quais não padecem - desde que não sejam proibidas - demonstra a profunda e preocupante crise de valores que se abate sobre o desporto.
A essência do combate à dopagem é mesmo essa: evitar o recurso a substâncias que aumentem artificialmente o rendimento desportivo.
«Dados os acontecimentos dos últimos doze meses, porque não permitem que os atletas se dopem?». Esta foi a surpreendente questão colocada ao presidente da Agência Mundial Antidopagem. Sir Craig Reedie respondeu: «Não! A liberalização do uso de drogas para melhorar o desempenho significaria mover-se num mundo desportivo no qual ganha o atleta com o melhor químico!»
As impensáveis proporções a que chegou o escândalo do doping e corrupção no desporto deve-se a muitos anos de fazer de conta e olhar para o lado a muitas pressões para manter um determinado status quo.
Quando caírem na real, verão que o rei vai nu!"

Mário Santos, in A Bola

Bayern Munique

Aí vamos nós, até à Baviera!!!
As opções eram curtas, as dificuldades eram reais, com todos os sete possíveis adversários... sendo assim, o meu único desejo, era jogar a 1.ª mão, a 5 de Abril, Terça; e a 2.ª mão, a 13 Abril, Quarta-feira!!! Algo que acabou por se concretizar...!!!
Ao 'contrário' (6 e 12 de Abril), íamos ter mais uma polémica no Tugão, com o Benfica a tentar adiar o Académica-Benfica, e os Anti's a chorarem baba e ranho!!!

Em 6 jogos oficiais, nunca ganhámos ao Bayern... 4 derrotas e 2 empates!!! (1975/76: 0-0 na Luz; 1-5 em Munique - 1981/82: 0-0 na Luz; 1-4 em Munique - 1995/96-. 1-4 em Munique; 1-3 na Luz) Este histórico, é suficiente para contextualizar as nossas dificuldades. Além disso, vamos jogar com o Bayern 'infectado' pelo vírus do Barça!!!
Eu sou daqueles que acha 'injusto' (e 'chato'!!!) o tipo de jogo do Guardiola, o último Benfica-Barcelona na Luz, ainda está fresco na memória de todos... Por tudo isso, as probabilidades do Benfica passar, são baixas... Mas como é óbvio, não é impossível...

O Bayern tem algumas lesões na Defesa... o ano passado quando jogou com os Corruptos, tinha também muitos lesionados, principalmente no Ataque, pessoalmente preferia o cenário do ano passado! Também preferia jogar 1.º na Luz, mas se derrotámos a Gazprom (principal patrocinador da Champions), também podemos derrotar a Adidas, principal parceiro da UEFA e da FIFA !!!

Fazendo já uma antevisão ao primeiro jogo, creio que será desta vez, que o Rui Vitória vai reforçar o meio-campo, usando uma estratégia parecida, com a que usámos em Braga... A Juventus 'deixou' o Dybala em Turim, neste 2.º jogo... e a coisa esteve quase a correr bem!!!

Mas neste momento o jogo do ano é no próximo Domingo no Bessa... e depois ainda temos o Braga com os particulares das Selecções pelo meio, a atrapalharem muito...!!!

Uma última nota, para mais um sorteio Uefeiro, que saiu exactamente como a UEFA queria: as 'principais' 4 equipas, não se vão defrontar nos Quartos!!! Barça, Bayern, Real e PSG, muito provavelmente os 4 semi-finalistas!!! Mais uma vez, que Sorte... para os cofres das televisões!!!

Wolsburgo - Real Madrid
Bayern - Benfica
Barcelona - Atlético Madrid
PSG - Manchester City

Benfiquismo (XLVII)

Má memórias...

quinta-feira, 17 de março de 2016

Fim-de-semana importante...

Benfica 100 - 54 Illiabum
36-16, 31-9, 17-15, 17-14

Obrigação cumprida... Sábado temos as Meias-finais com o Guimarães...
A ausência do Gentry, poderá ser um factor, em sentido contrário o Radic parece estar a melhorar...

No Domingo, muito provavelmente vamos ter a Final esperada... Depois das derrotas nos últimos 3 clássicos, esta Taça de Portugal, ainda é mais importante...

Já só faltam 8 finais (mas ainda faltam 8 finais)

"Contra o Zenit da Gazprom que muitos consideravam inultrapassável...

Depois de cumprida, com a tranquilidade e o empenho habituais, a nossa obrigação no jogo com o Tondela, passaram a faltar oito finais. Apenas oito finais, mas ainda oito finais. Tão perto, se continuarmos assim, com a humildade e a força de sempre; ou tão longe, se - como outros, antes - nos deslumbrarmos e deixarmos que nos queimem as asas, qual Ícaro a fugir do labirinto do Minotauro, de Creta.

Não à euforia
O próximo jogo será, por certo, o mais difícil da época. Como o próximo, ultrapassado esse, passará a ser o mais difícil e assim sucessivamente até conseguirmos o que todos queremos. Não podemos, por isso, cair em situações de uma euforia desmedida.
Antes, temos de ter os pés bem assentes na terra, ainda que isso possa coexistir com contentamento evidente e exteriorizado pelos resultados que temos vindo a alcançar nas provas que ainda disputamos. Com a certeza de que ainda não ganhámos nada. Ainda!
A nossa luta é semanal, jornada após jornada, com a capacidade de sacrifício e o esforço necessários, sem esquecer - nunca é de mais realçar - a grande humildade que, nos sendo inerente, faz os campeões. Por nós, só queremos ganhar. À Benfica!

Na Liga dos Campeões... mesmo contra a Gazprom
Na Liga dos Campeões, com um discurso realista, conseguimos eliminar o «todo poderoso» e «temível» Zenit da Gazprom.
A mesma Gazprom que outros invocaram como força inultrapassável que «impediu», no princípio da época, a eliminação do CSKA... Nem percebem o ridículo em que caem com a ânsia de justificarem tanto insucesso...
Mas, como dos fracos não reza a História, depois da passagem aos quartos de final, a sorte do sorteio poderá levar-nos a continuar a sonhar. Não sei se, esta época, para chegar a Milão. Mas haveremos de lá chegar... e ganhar! Um sonho que nem é desmedido, nem descabido. Até porque o «sonho comanda a vida».
E neste ou num dos próximos anos, com a tranquilidade de quem foi capaz de fazer esta revolução tranquila, com a capacidade de - herdando-a - a poder continuar, com pequenos ajustamentos, haverá um dia na Liga dos Campeões que, no Benfica, se poderá dizer com razão... quem vier morre! Sem medos e sem entraves, à Benfica!
Porque faltará apenas - e mais do que «cumprir-se Portugal», como diria o poeta - cumprir o sonho europeu...
Deixem-nos sonhar!
Vocês são minhas testemunhas.
Há muito que acredito ser possível ganharmos a Liga dos Campeões. Chamem-me o que quiserem, mas é a minha convicção! E um dia cumprirei, cumpriremos esse sonho.

Domingo... todos ao Bessa
No campeonato nacional, cuja conquista é, naturalmente, um objectivo definido todas as épocas, após a mais recente vitória frente ao Tondela - a tal 9.ª final - concentremo-nos, agora, na final que se segue... a oitava, frente ao Boavista.
Eu sei que, no Benfica, essa aposta no título nacional não pode significar alguma eventual abdicação de outra competição - como só os treinadores menos ambiciosos, diria, e menos crentes nas competências que dizem ter, o assumem... e, mais grave ainda, o fazem - mas esse é, claramente, o nosso primeiro objectivo (apesar de não ser o único, como o é para outros).
Por isso, máximo respeito e total empenho no jogo do Bessa. Contra um Boavista que, não obstante as dificuldades desportivas, sobretudo, que tem atravessado ao longo desta época, luta pela manutenção (merecida, pelo seu estatuto e pela sua história).
Não será um jogo certamente fácil, mas a determinação, a raça e o querer que esta equipa do Benfica, goste-se ou não, tem demonstrado, ao longo do campeonato, bem como a cada vez maior consistência do seu jogo, e da assimilação das ideias de Rui Vitória, ajudar-nos-ão a ultrapassar mais uma final. Perante um Boavista lutador, num terreno reconhecidamente difícil, mas que, também ele, será alvo de mais uma onda vermelha, ou de mais uma demonstração do inesgotável apoio de que a equipa tem tido. De facto, «inigualável massa associativa», como diria o inesquecível Bélla Guttmann, que não me canso de citar.
Seja onde for!
Com a certeza de que domingo o Porto será novamente pintado de vermelho! Relembrando também, um pouco, a última jornada do campeonato de 2004/05, em que fomos campeões, num idêntico Boavista-Benfica, em pleno Bessa (onde estive, claro, nas bancadas, fazendo parte, como tantas outras vezes, dessa onda vermelha), onze anos após a anterior conquista do título nacional, perante a nossa gente. Dessa época resta-nos apenas, no plantel, o capitão Luisão, e uma grande lição de união. Regressamos agora ao Bessa, não na última jornada, mas numa igualmente importante batalha.
Sem que nos deixemos afectar por algumas manobras dilatórias ou por mesquinhas (mas sucessivas) campanhas, que não passam de tentativas de desestabilização.
Porque, de facto, o que não nos mata torna-nos mais fortes e juntos ultrapassaremos essas manobras de diversão, em que os meios justificam os fins, numa inversão da lógica maquiavélica (os «homens» bem lêem, mas não percebem...)

Os cães ladram... e a caravana passa
Estou certo, por isso, que domingo, no Bessa, assistiremos a mais uma exibição exemplar, com mérito, dignidade, respeito pelo adversário e, acima de tudo, muita competência. Estou ainda certo de que longe vão os tempos em que as rectas finais do campeonato significavam alguma instabilidade nos resultados e que se traduziam em constantes ai Jesus.
Não ligando a campanhas inventadas, de um nível tão baixo, tão baixo, que só são comparáveis ao nível de quem as imagina e lhes dá corpo.
Contra o desespero, a falta de nível e a calúnia, responderemos com a superioridade moral de nunca termos sido protagonistas de Apitos Dourados, nem termos dirigentes com pistolas em cima da mesa em reuniões do clube.
Por isso somos diferentes!
A tudo isso, acresce - hoje - o facto de termos a vantagem de estarmos mais unidos do que nunca, numa sintoma perfeita entre jogadores e treinador.
Como eu já tinha saudades disso! Porque, isso sim, é o Benfica!
E a esse propósito, uma palavra de grande apreço para o treinador Rui Vitória que, sendo gente de bem e com muita preparação, mesmo para além do futebol («quem só sabe de futebol, não percebe nada de futebol», não é professor Manuel Sérgio?), tem um discurso à Benfica, protegendo, de forma exemplar, os seus jogadores.
Uma vitória no domingo - bem como uma vitória final - será tanto do treinador como dos jogadores, como ainda dos dirigentes e de todos e de cada um de nós sócios, adeptos e simpatizantes.
Como sempre foi suposto!
Ninguém para este Benfica, pelo que, com a união e o espírito de sacrifício exigíveis, seremos novamente felizes no Bessa, rumo ao tricampeonato! Porque, todos queremos dar voz e ver concretizado o cântico... Benfica, dá-me o 35!
Vamos a isso?"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Golos precisam-se!

"A regra de, em caso de empate numa eliminatória, os golos marcados em terreno alheio valerem a dobrar parece-me cada vez mais obsoleta e até contraproducente.
Reconheço que, ao longo dos seus 40 anos de vigência. cumpriu o seu objectivo até determinada altura, sobretudo no tempo em que jogar fora era, a priori, uma desvantagem logística, psicológica e contextual que tolhia e inibia as equipas de uma maneira evidente. Este critério do desempate veio até a proporcionar jogos mais equilibrados e com equipas visitantes mais afoitas na busca do desejado golo. Mas também é verdade a outra face: as equipas caseiras passaram a ter mil cuidados para não sofrer um traiçoeiro golo do adversário. Daí a abundância dos 0-0 ou 1-0.
Diz-se que o golo é o sal do futebol. Mas também é o açúcar ou a pimenta, conforme os gostos. Por isso, sejam quais forem as tácticas e filosofias do futebol, sempre é melhor um 4-3 do que 1-0. Um 2-2 do que um 0-0. São resultado semelhantes, mas 7 golos é melhor do que 1, e 4 bem melhor do que 0.
É confrangedor ver um jogo de uma primeira mão com o resultado dito como satisfatório de 0-0 (satisfatório para quem jogou em casa porque não sofreu golos e satisfatório para quem jogou fora porque não perdeu...). Vi num relatório da UEFA que, na Champions de 2012, houve 21 eliminatórias decididas pela regra dos golos fora! Hoje as condições são diferentes: as viagens mais rápidas e cómodas, relvados similares, jogadores menos condicionados pelo ambiente, maior profissionalização, etc. Em meu entender já não se justifica esta regra (e muito menos em competições domésticas)."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (XLVI)

1931 - José Maria Nicolau venceu individualmente,
e o Benfica foi o vencedor colectivamente,
na 2.ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta

Já que está na moda as camisolas 'vintage', que tal esta...
mesmo a preto e branco, é linda!!!

Extraordinário...!!!

Verona 2 - 3 Benfica
25-18, 24-26, 16-25, 25-21, 12-15


Vitória inacreditável!!! O ano passado eliminámos um Ravena, que na altura estava 'a meio' da Liga Italiana, e usámos um pouco do factor surpresa! Este ano, tenho a certeza que o Verona não estava à espera de facilidades, além disso estamos a falar de uma equipa que terminou a fase regular da Liga Italiana (uma das melhores do Mundo, a par da Russa...), no 4.º lugar, estando agora no Play-off a lutar por um lugar na Final... Se ainda não estão impressionados, revelo que o orçamento deste Verona ronda os 8 milhões de euros!!! Isto comparando com o Futebol, é como um Atlético de Madrid, defrontar um Bate Borisov...!!!

E só não foi 'melhor', porque nos dois Set's que perdemos, entrámos muito mal no Set... Foi pena, não termos fechado o jogo no 4.º Set (seria 1-3), mudava muito cenário da 2.ª mão! Mas a entrada suicida no Set, foi fatal... ainda recuperámos, mas faltou a ponta final...
Que dizer da exibição do Zelão?!!! A pontuar o no Bloco?!!! Ainda no Domingo, elogiei o nosso Central, parece que ele 'gostou'!!! Espectáculo... Acredito, que os Italianos analisaram as estatísticas do Benfica, e verificaram que o Gaspar era a nossa principal arma, assim se explica a falta de eficácia do Capitão hoje. O Bloco é uma das grandes armas do Verona, aqueles Centrais são altos e móveis, o Gaspar foi claramente 'marcado'!!! Mas assim, acabou por dar mais liberdade aos restantes...
Outro jogador importante foi o Roberto, que saltou do banco, para um excelente exibição... com 4 ases!!!
Creio que também já é altura de fazer uma referência ao Renan. O regresso do Renan foi visto com alguma desconfiança. Tanto o Vinhedo como o Perini deixaram muitas saudades. E as recordações da primeira passagem do Renan, não eram totalmente positivas... Hoje, contra o adversário mais difícil esta temporada, voltou a estar muito bem...
Domingo, na Luz, vamos ter um grande jogo. Apesar da vitória épica, nada está resolvido, nem a negra, está garantida!!! Mas acredito, que anulando as 'brancas' no início dos Set's, que podemos regressar à Final...

quarta-feira, 16 de março de 2016

Incrível...

Corruptos 31 - 32 Benfica
(15-17); (26-26)

Muito sinceramente, acho que só o Ortega e os jogadores acreditavam que o Benfica podia ganhar hoje!!!
E de facto, fomos superiores... mesmo com algumas 'brancas' (como já é costume...), fomos melhores, e se não fossem os Manos Martins (apitadeiros nos tempos livres...), até tínhamos ganho no tempo regulamentar, e não teria sido necessário ir a prolongamento...
Estivemos mal no início da 2.ª parte, e no início do Prolongamento (a jogar com mais 2...!!!), de resto, foi uma exibição bastante aceitável! Nos últimos minutos do prolongamento a ansiedade era muita... e ambas as equipas erraram... É verdade que os Corruptos, estão mais fracos, do que em anos anteriores (apesar do investimento...), mas mesmo assim esta vitória é surpreendente!

Um factor importante a nosso favor: foi ter todos os jogadores disponíveis, algo que já não acontecia à bastante tempo... Uma nota para o Borrágan, que nos momentos decisivos, não vacilou...
Infelizmente, o 2.º jogo na Luz, será só dia 30 ! Agora, vamos ter competições europeias... Era preferível, apanhar os Corruptos de ressaca na Luz! Isto é à maior de 5, portanto temos que ganhar mais dois... de preferência os próximos!!!
Sábado na Luz, vamos receber uns Russos de São Petersburgo (coincidências!!!... já no Futsal, também nos calhou os Russos nas Meias...!!!), no fim-de-semana da Páscoa, vamos à Rússia.

Finalmente...

Benfica B 2- 0 Farense


Já merecíamos uma vitória. Com alguma incompetência, vários azares, e muitos apitos pelo meio, estamos numa situação complicada, mas hoje, ganhámos! E voltou a ser muito complicado, muito por culpa do árbitro, que voltou a expulsar inacreditavelmente um jogador do Benfica, sem qualquer razão, obrigando os nossos jovens jogadores, a um esforço extra durante 75 minutos!!!

O jogo até estava repartido, com um Farense fisicamente muito forte, até que o Benfica marcou, com um remate do Guzzo! Logo a seguir a expulsão do Rúben... A partir daí foi defender, mesmo assim a melhor oportunidade até terá sido do Benfica, mas foi só uma...
Ao contrário de outros jogos, hoje, temos que reconhecer mérito ao Miguel Santos, que efectuou várias defesas decisivas, contei quatro!!!
Curiosamente, na 2.ª parte, o Farense foi menos 'perigoso', os nossos defesas estiveram muito bem, principalmente os Centrais (primeiro: Nunes/Pawel e depois: Nunes/Ferro). O Gilson, também fez um jogo de um enorme sacrifício...
Já nos descontos, num contra-ataque de 1 contra 0, o Diogo não perdoou... e fez o segundo!!!
Estes 3 pontos foram fundamentais, para não ficarmos muito para trás. Continuamos abaixo da linha de água, mas estão mais de 7 equipas separadas por pouquissimos pontos... Isto vai ser até ao fim. O ideal seria ganhar 2 ou 3 jogos de seguida, para abrir uma distância, mas creio que vai ser sofrer até ao fim...

Lideranças horárias

"Domingo, dia 12 de Março. Títulos dos três jornais diários desportivos, a propósito da vitória do Sporting contra o Estoril: Primeiro lugar à condição (A BOLA), Sporting de novo no 1.º lugar (Record), Sporting na liderança provisória (O Jogo). Assim se explicitava a classificação do SCP com um jogo a mais do que o Benfica, que é como quem diz com mais 3 pontos disputados.
Este modo de classificação em jeito de jornadas incompletas ou coxas é agora matéria-prima para manchetes. O segundo título atrás referido é, no mínimo, contra-informativo. Ou seja, para um leitor que lê as capas e não anda minuciosamente a par do que se passa, esta frase de o SCP estar de novo no 1.º lugar soa, absolutamente, a jornada completa. Provavelmente o desejo traiu o autor.
O melhor título é, sem dúvida, o terceiro: o SCP lidera provisoriamente (por 48 horas) o campeonato. O leitor - caso ande distraído - procurará a razão da provisoriedade e verá, então, que o líder ainda não havia disputado os 3 pontos em jogo.
Por fim, o título de A BOLA, que, à cautela, refere o SCP no 1.º lugar à condição. Tudo bem, excepto o português pouco canónico. Como já há muito tempo aqui escrevi, a expressão à condição é um modismo que se espalhou virulentamente no futebolês.
Nesta vaga condicional, o SLB é campeão à condição, tal como o SCP e o FCP. Com uma diferença: o Benfica só depende da sua condição (suficiente), os outros candidatos precisam da não condição do SLB (necessária). É que à condição quer dizer, em bom português, sob condição. Ou condicionalmente. Ou provisoriamente. E por aqui me fico. À condição de voltar amanhã."

Bagão Félix, in A Bola

O percurso fantástico de Rui Vitória

"Enquanto levou uma equipa desacreditada até à liderança do campeonato, valorizando o laboratório que é o treino e o sagrado espaço de intimidade que é o balneário, Rui Vitória viu a imagem degradar-se pelo modo leve e ignorante com que foi discutido como treinador - um dia, confrontado com situação semelhante, César Luis Menotti afirmou publicamente que lhe bastavam 5 minutos à mesa de um café para "desmascarar e reduzir à insignificância" os detractores que o punham em causa com argumentos sem sustentação, muitos deles infantis. A verdade é que não só sobreviveu à voragem de uma sociedade que só reconhece ganhadores, como se atreveu ainda a recusar o fracasso anunciado e a construir as bases de um percurso para o sucesso em que poucos acreditavam. Mas tão relevante quanto o trabalho diário, RV tem sido impressionante pelo discurso limpo, articulado e com ideias no lugar; rico no conteúdo, claro nas intenções e imune às polémicas para as quais foi sendo sucessivamente convocado.
É justo atribuir mérito a quem comandou a construção de uma equipa que passou a ganhar com autoridade, em permanente superação, contra todo o género de adversidades, assente no orgulho de ser profissional e representar o Benfica. O vínculo com o símbolo, a bandeira e o passado tem servido também para consolidar referências definitivas na memória colectiva. Esse é o legado pelo qual RV luta de águia ao peito, de forma a concretizar a proposta aglutinadora de várias sensibilidades. O novo líder da Liga é uma equipa com sentido de aventura (marca a um ritmo alucinante), orientado por uma ideia sedutora (vocação ofensiva clara), que valoriza os alicerces da formação (Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Lindelof, Ederson e Nélson Semedo não o deixam mentir) e travou boa parte do despesismo de tempos recentes. RV conferiu à história o rumo de uma liderança dialogante, que uniu a família e deu sentido aos valores humanistas que orientam inabaláveis convicções técnicas e tácticas.
O Benfica 2015/16 corresponde ainda ao resultado de uma ampla cadeia de apoio, que sustenta com tecnologia e domínio científico a evolução da equipa. A tão referida estrutura encontrou agora as condições e o momento ideais para revelar toda a utilidade e reclamar louros pelo bem-estar colectivo. Mesmo sabendo que a força maior da recuperação pertence aos jogadores, que têm transformado os treinos em aulas apetecíveis de aperfeiçoamento de competências e crescimento, importa dar mérito à máquina benfiquista. Só assim RV e seu exército resistiram ao início de época titubeante que agitou as hostes; às palavras nem sempre bem-educadas do principal adversário; às três derrotas com o Sporting; aos 8 pontos de atraso do primeiro lugar.
Pelo trabalho efectuado em condições desfavoráveis; pela convicção com que defendeu as suas ideias; pela cumplicidade estabelecida com jogadores e adeptos; pelo modo genuíno como se expressou, sempre com elevação, num cenário de guerrilha sem lei, RV já garantiu direito a figurar como um dos maiores protagonistas da temporada. Ultrapassado o embate da inadaptação mútua, dos bloqueios comunicacionais que entupiram a mensagem e das reservas universais que dificultaram a assimilação dos métodos e o reconhecimento exterior, tornou-se um rosto de sucesso e esperança. A perfeição do trabalho tem sido tão grande que, sem ceder um milímetro àquilo em que acredita, RV conquistou o povo, atingiu os quartos-de-final da Champions, assumiu a liderança da Liga e, a oito jornadas do fim, fez do Benfica o principal candidato ao título prova de que, mesmo quando seguia a 8 pontos do primeiro, já percorria o caminho que havia de levá-lo ao topo. Aconteça o que acontecer até ao fim da Liga, RV já é um dos grandes vencedores da época."

Benfica à grande

"E, de repente, o Benfica recebe todos os elogios do Mundo. Rui Vitória, afinal, é um grande treinador, o Benfica que joga à pequena consegue ganhar à grande, e, ainda mais surpreendente, tudo encaixa na perfeição. Bastou a vitória em Alvalade, com a sorte de quem é bicampeão nacional, e sobretudo bastou ultrapassar o Zenit, que está longe de ser um colosso europeu. Neste momento, tudo está a correr muito bem, muito melhor do que se podia esperar em face do que se viu no início da época, contribuindo tal situação para uma dinâmica empolgante que deixa os seus dois adversários directos - Sporting e FC Porto - em estado de alerta máximo.
Esta passagem do Benfica do oito-para-o-oitenta fica muito a dever-se à sua capacidade de afirmação, tendo resistido a ventos e marés, mesmo quando a crítica era severa, e por pressão exercida por Jorge Jesus, que, muitas das vezes, conseguiu condicionar e até mesmo achincalhar o trabalho de Rui Vitória. O que é certo é que o Benfica conseguiu libertar-se desse fantasma por mérito próprio, resistindo inclusive a uma derrota dura imposta por um FC Porto que era tido como acessível, e embalou até à liderança isolada, conseguindo virar o feitiço contra o feiticeiro. Afinal, é Jorge Jesus quem está agora debaixo de mais tensão. 
Esta afirmação repentina do Benfica levanta questões das quais pode depender o sucesso da época: o actual bicampeão nacional ainda nada ganhou, como Rui Vitória tantas vezes tem repetido, a vantagem é curta e não sustenta ondas de euforia, da mesma forma que os quartos-de-final da Liga dos Campeões são um pau de dois bicos, quer dizer, tanto pode abrir a porta da glória como pode muito bem desfazer os sonhos num ápice. O equilíbrio que o Benfica terá obrigatoriamente de encontrar daqui para a frente será o fiel da balança de uma equipa que está habituada a ganhar mas que, mesmo assim, não parece ter perdido a sede de conquista que faz a diferença nos momentos mais difíceis. Resta saber se Rui Vitória, o único no topo da estrutura que não tem currículo de sucesso a este nível tão alto, se mantém firme nas últimas e decisivas curvas da época."