Últimas indefectivações

sábado, 25 de novembro de 2017

Empate em Itália

Forte dei Marmi 1 -1 Benfica

Primeira parte fraquinha (0-0), melhorámos no 2.º tempo, mas contra uns Italianos especialistas a defender (com a inacreditável colaboração dos apitadeiros espanhóis...), lá conseguimos chegar ao empate...
Como é que não foi  Adroher a marcar aquele último Livre Directo?!!!

Apesar de um empate fora, contra um concorrente directo, ser normalmente positivo, neste grupo a 'três' (com o Barcelona) temos que ter muito cuidado, qualquer descuido em casa pode ser fatal...

Empatados

Benfica 29 - 29 ABC
(15-16)

Defendemos abaixo do normal, cometemos alguns erros atípicos no ataque... o Figueira em vez de 'engatar' fez o oposto... e mesmo assim a vitória esteve 'quase'! Os últimos minutos então foram muito mal geridos...

Tudo isto com os Manos Martins no apito!!! Foi 'engraçado' ver a cara dos nossos ex-ABC (Grilo e Seabra...), quando perceberam logo nos primeiros minutos, que agora como jogadores do Benfica, as 'regras' são diferentes!!!

O Campeonato vai-se decidir na 2.ª Fase. Se me perguntassem no início da época, se a meio da 1.ª Fase estaríamos empatados na liderança, eu não acreditaria... Mas podiamos estar melhor!!!

6 minutos para marcar 3 golos

"No minuto 84.º do jogo CSKA-Benfica com o ‘placard’ em 2-0 a favor dos donos da casa, precisando o Benfica de ganhar o jogo, no mínimo por 3-2, para suplantar o resultado conseguido na Luz pelos russos, e confiando espiritualmente numa vitória do Manchester United em Basileia – o que não viria de todo a acontecer – atirou de supetão o treinador do Benfica com o sérvio Andrija Zivkovic para o relvado segredando-lhe, baixinho, ao ouvido gelado: "Vai, miúdo, tens 6 minutos para marcar 3 golos!", o que também acabou por não suceder. O futebol, na verdade, tem destas coisas incríveis. O melhor que Zivkovic ainda conseguiu foi cobrar um pontapé de canto de que resultou um alívio da defesa moscovita. Que chatice, Zivkovic. Assim não vais a lado nenhum.
O presidente do FC Porto responsabilizou os "Ruis Gomes das Silvas" e os "Goberns" pelo momento destemperado do futebol português. "Há muitos anos que estes senhores minam o futebol português e o clima na arbitragem", especificou. Dito isto, e não foi pouco, apelou o mesmíssimo presidente do FC Porto a um momento de "meditação" geral. Pois muito bem, vou seguir-lhe o conselho e meditar um bocadinho sobre tamanhos assuntos e já cá volto.
O melhor momento da semana no que diz respeito à comunicação do Benfica – se entendermos a "comunicação" como a arte de expressar a cultura de uma agremiação nos bons e nos maus momentos e até nos momentos assim-assim – foi a intervenção do senhor Jonas mal terminou o jogo com o CSKA consumada a eliminação do campeão português de toda e qualquer aventura europeia até à próxima temporada. Que se apresenta longínqua, muito longínqua. Ainda equipado e com os cabelos em natural desalinho, disse Jonas, entre outras coisas mais circunstanciais, ao jornalista que lhe apareceu pela frente na zona das entrevistas rápidas: "Devemos dar os parabéns às equipas que se classificaram". Melhor e mais rápido não se podia pedir ao extraordinário jogador brasileiro que está à beira de marcar o seu centésimo golo com a camisola do Sport Lisboa e Benfica. Jonas é História. 
Bem tento seguir o apelo do presidente do FC Porto em prol da urgente "meditação" geral sobre os malefícios causados ao futebol português pelas pessoas que há muitos anos "minam o clima na arbitragem". Mas é tão difícil atingir este estado de abstracção proposto pelo grande Dalai Lima. Por mais que uma pessoa se esforce é praticamente impossível.
O Conselho de Arbitragem da FPF autorizou a transmissão audiovisual em directo das azáfamas vividas no Centro do Video-Árbitro no decorrer dos jogos do campeonato. Seria uma belíssima e profícua medida de saneamento dos costumes se Portugal fosse culturalmente um país europeu. Não sendo, é de temer o pior. Meditemos."

Vieira em Castro Verde

Fora o árbitro, e viva a bola

"Os árbitros não querem apitar... que não apitem!

Os árbitros querem fazer greve. Ameaçaram este fim de semana e adiaram a promessa por 20 dias. 
Aqui está a soberana oportunidade dos dirigentes desportivos darem uma "bofetada com luva de pelica" a todos os que os acusam de transformar o futebol num lodaçal.
O meu desafio é o seguinte: os árbitros não querem apitar... que não apitem! Façamos uma jornada sem árbitros da primeira categoria. Uma jornada onde o trio de juízes que entrar em campo seja recebido com uma salva de palmas.
Onde as faltas sejam sempre seguidas de apertos de mão entre os jogadores, e onde a exibição de um cartão seja sempre respondida com um pedido de desculpas por parte do atleta castigado.
Onde as conferências de imprensa seriam conjuntas. Com os treinadores lado a lado a responderem a todas as perguntas.
Imaginem o que não seria uma jornada sem árbitros e sem casos? Em que, nos dias a seguir, os comentadores se concentrassem na beleza das fintas, nas defesas impossíveis dos guarda-redes, ou na visão de jogo dos centrocampistas?
Mas a ingenuidade desta reflexão esbarra na triste realidade. É pena!"

A caminho do centenário

"Na apresentação do lançamento da moeda de Carlos Lopes, incluída no âmbito dos Ídolos do Desporto, o presidente do conselho de administração da Casa da Moeda, Gonçalo Caseiro, teve todo o cuidado em frisar que o campeão olímpico não era o segundo desportista a ser homenageado a seguir a Eusébio.
E para valorizar ainda mais o momento solene no Pavilhão Carlos Lopes, Gonçalo Caseiro adiantou que seria injusto considerar, a título de exemplo, se Rosa Mota fosse a terceira individualidade a pertencer à colecção. Os campeões estão sempre em primeiro lugar. Chegam sempre à frente dos outros e têm uma classe ímpar. Isto vem a propósito da contagem decrescente para a comemoração dos 100 anos da Federação Portuguesa de Atletismo em 2021. Não faltam campeões olímpicos, recordistas mundiais e europeus e centenas de medalhados para dar lustro à grande gala do centenário.
Infelizmente, o atletismo é a única modalidade em Portugal que se pode orgulhar de ter quatro campeões olímpicos, Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora, e só um está no activo, o triplista do Sporting. Na cerimónia, Lopes voltou a insistir que esta homenagem podia ser um bom incentivo para os mais novos. Não há qualquer dúvida. E a família do atletismo deve estar orgulhosa para receber o testemunho vivo de quem ajudou a conquistar mais de duas centenas de medalhas em grandes competições. Numa altura em que é tão fácil fazer uma selecção sem ser necessário olhar para as alíneas dos critérios – nem abunda a qualidade de outrora nem a quantidade – seria bom perceber se poderemos ter um caminho risonho e se a passagem dos 100 anos pode ser um motivo de viragem."

«Só tinha de provar a mim que era capaz»

"Tornou-se treinador principal do Benfica há precisamente três décadas. Recusara o convite três anos antes mas, em Novembro de 1987, aceitou o grande desafio.

- Recorda-se do que aconteceu na noite de 27 de Novembro de 1987?
– Presumo que é a data do Benfica-Farense que ditou o afastamento de Ebbe Skovdahl, o dinamarquês que treinava o Benfica na temporada de 1987/88.

- É isso precisamente. Que memórias tem sobre o que sucedeu?
– Tínhamos iniciado mal a época, o FC Porto era líder destacado (5 pontos, no tempo em que a vitória valia 2 e não 3 pontos) e a contestação subia de tom. Nessa noite defrontámos o Farense (de José Augusto), na Luz, e o ciclo negativo culminou com esse empate (2-2). Ficámos todos muito dececionados e fomos logo para casa porque no dia seguinte íamos para a Arábia Saudita, participar na festa do 80º aniversário do Al-Ahli. A meio da madrugada recebi um telefonema a comunicar-me que Skovdahl tinha sido destituído e que seria eu a assumir o comando.

- Como reagiu?
 – Precisei de articular as ideias mas disse que sim, iria com a equipa, e que o resto logo se veria. Em boa verdade, o que me interessava mesmo, a partir desse momento, era falar com o treinador cessante para lhe explicar o que tinha sucedido, deixando as coisas totalmente claras relativamente à minha posição. Para mim foi sempre muito importante vincar a lealdade com os treinadores principais com quem trabalhei como adjunto. Foi assim com Lajos Baroti, Eriksson, Ivic, Csernai, Mortimore… Deixei sempre bem vincado que louros e fracassos têm de ser repartidos por todos os elementos da equipa. Nenhum deles tem razões de queixa a meu respeito nesse capítulo.

- Em função do que li nos jornais da época, não foi imediata a sua posse como treinador do Benfica…
– Pois não. Recordo-me de que, a caminho da Arábia Saudita, onde ganhámos 4-0, fizemos escala em Paris e fui ver um jogo do Matra Racing (com o Laval), então treinado pelo Artur Jorge, que vencera a Taça dos Campeões pelo FC Porto uns meses antes. Jantei com ele, falámos sobre muitas coisas, incluindo, naturalmente, a posição em que me encontrava. Foi um encontro importante para tomar a decisão.

- Os dirigentes não estariam todos de acordo, porque o presidente João Santos disse que era a sua grande oportunidade, mas Gaspar Ramos disse que havia a dúvida se a escolha recairia sobre um português ou um estrangeiro…
– Até à decisão final passaram-se alguns dias, disso recordo-me bem. Mas não memorizei esses pormenores. Naquela altura houve vários jogos e eu limitei-me a treinar a equipa, esperando por uma definição do caso. Até porque também eu queria escolher a equipa técnica com quem iria trabalhar.

- Foi nessa altura que chamou Jesualdo Ferreira?
– Precisamente. Achei fundamental ter alguém da minha inteira confiança e de reconhecida competência como adjunto.

- É verdade que já tinha sido convidado para treinador principal do Benfica e não aceitou?
– Sim, é verdade. Quando Tomislav Ivic substituiu Eriksson, em 1984, e saiu ao fim de poucas semanas, antes mesmo do início oficial da época, desempenhei o cargo transitoriamente. Em determinado momento, e depois de alguns jogos particulares em que me sentei no banco como treinador principal, endereçaram-me o convite. Senti-me honrado mas entendi que não era uma proposta convicta, consistente, no tempo certo… Essa decisão não foi bem entendida por muitas pessoas ligadas ao Benfica mas foi assim que vi as coisas. Fizemos, por essa altura, um jogo com o Atlético Madrid, e fiquei a saber que Pal Csernai estava na Luz a assistir. Foi ele o escolhido.

- O que mudou, em três anos, para aceitar esse desafio em 1987?
– Mudou muita coisa, quase tudo, diria eu. Tinha mais experiência e ganhei confiança e convicção suficientes para assumir tamanha responsabilidade. Não me preocupei com o que me rodeava, porque só tinha de provar a mim próprio que era capaz.

«Empate com o FC Porto fez-nos pensar na Europa»
- Lembra-se dos primeiros jogos como treinador principal ?
– O primeiro foi o já referido frente ao Al-Ahli, na Arábia Saudita, que vencemos por 4-0. Já em dezembro, seguiu-se a primeira mão da Supertaça, com o Sporting, na Luz. Dei oportunidade a jogadores que estavam afastados da equipa, como o Bento e o Chalana, mas perdemos por 0-3. Na semana seguinte estreei-me no campeonato, em Coimbra, com a Académica, com vitória por 4-2. Não posso precisar a data certa em que assumi definitivamente o cargo, mas tenho a certeza quase absoluta de que, nessa altura, já não havia dúvidas de que ficaria até final da época.

- O campeonato ficou perdido precocemente…
– Sim, é verdade, deixámo-nos atrasar e ficámos numa situação difícil. Tivemos apenas uma oportunidade de entrar na corrida: em finais de Janeiro recebemos o FC Porto e, se vencêssemos, teríamos ainda algumas hipóteses de lutar pelo título. Empatámos, o adversário continuou distante e, mesmo sem termos desligado, o empate com o FC Porto fez-nos pensar na Europa.

- Concentraram forças para o jogo com o Anderlecht?
– Sim, já sabíamos que íamos medir forças com eles em Março e, sem desligar do campeonato, começámos a preparar esse embate dos quartos-de-final da Taça dos Campeões. A coisa correu bem e chegámos à meia-final, frente ao Steaua Bucareste do enorme Hagi, que derrotámos de modo claro.

- O que mais recorda da final com o PSV Eindhoven?
– Ui, tanta coisa: a lesão do Diamantino, as botas a saltarem dos pés dos nossos jogadores, a grande expressão do Benfica como clube mundial, a decisão nos penáltis que nos foi desfavorável...

«Equipas de 1988/89 e 1993/94 eram fortíssimas»
- Em que patamar coloca a equipa que foi à final da Taça dos Campeões de 1987/88?
– Não vou dizer que era a melhor e a que tinha mais soluções entre aquelas que orientei no Benfica. Mas tinha muito caráter e permitia fazer um onze muito competitivo.

- A de 1993/94, que foi campeã, era melhor?
– As equipas de 1988/89 e 1993/94 eram fortíssimas. Foram campeãs nacionais com muito mérito porque, tanto uma como outra, dispunham de imensa qualidade.

- As do novo século destoaram no seu percurso na Luz...
– Essas surgiram num contexto de grandes dificuldades, já em plena travessia do deserto. Foram equipas construídas muitas vezes sem critério e o insucesso desses anos não foi surpreendente.

«É um orgulho ter treinado o Benfica»
- Recordar o momento em que assumiu o comando da equipa principal do Benfica que sensações lhe suscita 30 anos depois?
– Suscita-me o orgulho por ter treinado o Benfica e ter tido a sorte de ser campeão – também como jogador. E, tal como já referi, sinto hoje o conforto de o ter feito no momento certo. A proposta foi mais credível e por isso não tive dúvidas em aceitá-la. Não o fiz para provar a alguém que era capaz. Como também já disse, a questão era mostrar a mim próprio que dispunha de condições para cumprir a tarefa.

- Há 30 anos, como foi possível mandar embora um treinador (John Mortimore) que vinha de ganhar Campeonato e Taça?
– É uma longa história e este não é o tempo nem o espaço para a dissecar. Hoje não faz sentido mas naquela altura também não fazia, embora então fosse menos relevante fazer a dobradinha, porque o Benfica vencia com mais regularidade. E depois Skovdahl foi apresentado como sendo da escola de Eriksson, que permanecia como referência para os adeptos.
- Recordar o momento em que assumiu o comando da equipa principal do Benfica que sensações lhe suscita 30 anos depois?
– Suscita-me o orgulho por ter treinado o Benfica e ter tido a sorte de ser campeão – também como jogador. E, tal como já referi, sinto hoje o conforto de o ter feito no momento certo. A proposta foi mais credível e por isso não tive dúvidas em aceitá-la. Não o fiz para provar a alguém que era capaz. Como também já disse, a questão era mostrar a mim próprio que dispunha de condições para cumprir a tarefa.

- Há 30 anos, como foi possível mandar embora um treinador (John Mortimore) que vinha de ganhar Campeonato e Taça?
– É uma longa história e este não é o tempo nem o espaço para a dissecar. Hoje não faz sentido mas naquela altura também não fazia, embora então fosse menos relevante fazer a dobradinha, porque o Benfica vencia com mais regularidade. E depois Skovdahl foi apresentado como sendo da escola de Eriksson, que permanecia como referência para os adeptos.

«Sentimo-nos ofendidos», Rui Pedro Soares

"Nem Domingos Paciência nem qualquer jogador falaram após a derrota frente ao Chaves. Foi o presidente da SAD a comparecer perante os jornalistas, assumindo o descontentamento com o clima vivido nos últimos tempos no futebol português.
«Estamos num momento de pacificação e entendemos que seria melhor falar ser eu apenas a falar. Era muito importante que os intervenientes da arbitragem dissessem quem contribuiu para este ambiente. Vamos ter a coragem de nomear quem não agiu correctamente. Acham que sobre o Belenenses deve recair a suspeição sobre quem age incorrectamente? Os árbitros devem identificar quem os ameaça. Sentimo-nos ofendidos com esta acusação genérica», disse Rui Pedro Soares. 
Questionado se tinha razões de queixa sobre a arbitragem do jogo com o Chaves, o líder da SAD azul salientou: «Não vou falar sobre a actuação da equipa da arbitragem durante o jogo, nem depois do jogo.»
A finalizar, fez questão de deixar mensagem de apelo aos adeptos do clube: «Este campeonato é muito difícil e vai ser uma luta até ao fim. Apelo à união e à consideração por estes profissionais. Apoiem-nos, eles merecem e precisam disso.»"


PS: Não é a minha personagem preferida do Tugão, mas admito que o Presidente da SAD do Belenenses tem um discurso diferente da maioria dos dirigentes portugueses!
O que ele disse ontem, é aquilo que eu ando a questionar desde Segunda. Porque é que ninguém faz as perguntas que devia?!!!!

- Quem ameaçou?
- Quais são os Clubes envolvidos na ameaça física aos árbitros e às suas famílias?
- Quais foram os árbitros ameaçados?
- Quais foram os jogos?
- Quais foram os árbitros que denunciaram?
- Os ameaçadores estão identificados?
- etc...

Ninguém pergunta... andam todos indignados com o lamaçal do Tugão, mas ninguém pergunta aquilo que está obrigado a perguntar, por inerência à sua profissão!
Incompetentes, cobardes e corruptos...

Benfiquismo (DCLXVIII)

Dois grandes...

Uma Semana do Melhor... Acertar à 2.ª !!!

Jogo Limpo... Irritações !!!

Falta de comparência

"Krovinovic escapou aos desastres e pode apresentar-se com o moral intacto

Solidário com os árbitros portugueses, vítimas de uma campanha de coação por parte de estranhos – tal como o Benfica proclamou através da sua estação de televisão –, entendeu o mesmo Benfica que o modo mais eficaz de apoiar a anunciada falta de comparência dos ditos árbitros na próxima jornada do campeonato seria rubricar estrategicamente a sua posição sobre este tema com uma estrondosa falta de comparência da sua equipa principal no jogo de Moscovo na quarta-feira seguinte. Dito e feito.
Os árbitros, entretanto, resolveram pensar melhor no assunto, reuniram-se e desconvocaram a greve com que chegaram a ameaçar o ‘status quo’ – expressão latina que significa qualquer coisa como o ‘estado actual’ – do futebol português apresentando, em alternativa, um caderno de reivindicações semânticas que pretendem ver respeitadas com carácter de urgência sob pena de voltarem a equacionar o uso do último recurso das classes laborais, a malfadada greve. Por pura maldade, está visto, a assembleia de árbitros ocorreu já depois das sete da tarde de quarta-feira, não dando a mínima hipótese ao Benfica de rever a sua expressão de solidariedade com a falta de comparência dos juízes de campo que seria desconvocada já depois de a equipa campeã de Portugal ter assumido no relvado a sua própria falta de comparência no decisivo jogo com os russos do CSKA.
Foi, assim, em vão o sacrifício da equipa orientada por Rui Vitória. A falta de comparência, a não-exibição em Moscovo redundou naturalmente numa derrota por 2-0 que acabou por não servir para coisíssima nenhuma a não ser para dar moral e para devolver o bom nome ao guarda-redes do CSKA, que vinha sofrendo golos há 43 jogos consecutivos na Liga dos Campeões e que, ao 44.º jogo, tendo pela frente o Benfica lá conseguiu ver interrompida a sua série negra. Digo-te já, meu caro Akinfeev, que ou era naquela noite ou nunca mais era. Chegando o Benfica à gélida da Rússia com um cúmulo adquirido de quatro faltas de comparência nos quatro jogos entretanto disputados nesta fase inicial da prova e apenas com um golo apontado, ser-lhe-ia, na realidade, muito difícil contrariar o padrão imposto.
A greve total do Benfica na Europa teve, no entanto, um mérito que poderá vir a servir para alguma coisa tendo em conta que ainda faltam seis meses para o fim da temporada. É que, no meio de tudo isto, salvou-se Filip Krovinovic. Por não ter sido inscrito na UEFA – bem visto! – o croata escapou à mão cheia de desastres internacionais e pode apresentar-se com o moral intacto para o muito que ainda vem aí. É o único."

O que há para vencer é o que interessa

"Temos de ser honestos e reconhecer que foi um Benfica muito abaixo daquilo que e capaz e do que seguramente ainda fará esta época.

Foi bom ter vencido a Supertaça no passado mês de Agosto. Foi má a prestação europeia do Benfica, que sai da Rússia com congelação matemática das suas aspirações europeias.
Nesta Liga dos Campeões aconteceu de tudo ao Benfica, penaltis por marcar a favor, penaltis inventados contra, auto-golos, golos em fora-de-jogo, frangos e falhanços, azares de ir à bruxa, lesões e outras confusões, mas temos de ser honestos e reconhecer que foi um Benfica muito abaixo daquilo que é capaz, e do que seguramente ainda vai fazer esta época, para glória do clube e alegria dos adeptos.
Parabéns às equipas portuguesas que ainda continuam em prova, com merecimento, com aspirações, e com vantagem para o nosso futebol. Não é altura para balanços, nem do que está ganho, nem do que está perdido, é altura para perceber que quase tudo está por disputar. Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga, são as três provas nacionais mais importantes, neste momento é apenas nesse caderno de encargos que nos temos que centrar.
A catarse do divã pode ser interessante e legítima nos adeptos mas não pode desviar Rui Vitória e os jogadores de tudo o que há para vencer. E o que há para vencer é tudo o que nos interessa.
No passado fim de semana, o Benfica jogou contra o Vitória de Setúbal o suficiente para merecer estar no sorteio da Taça de Portugal da passada quarta-feira.
Segue-se o sensacional Rio Ave, será o alvo das próximas preocupações. Já que não tivemos a sorte de um bom sorteio, que seja para vencer com um bom jogo.
Domingo voltamos ao campeonato, com dose repetida de Vitória de Setúbal. O mesmo que na semana passada se bateu bem, o mesmo que teremos de voltar a vencer.
Dezembro tem um calendário infernal que pode relançar o Benfica nos três títulos que aspira.
Se no golf se costuma dizer não interessa como, interessa quantas (tacadas), também nesta fase interessa ao Benfica somar pontos, passar eliminatórias, e olhar para a frente.
São doze nos últimos dezasseis títulos nas nossas vitrinas, queremos manter esta arreliadora habituação. Se não for sempre que seja quase sempre."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Krovinovic, perdão Krakinovic


"Este não engana. Não só tem nome de craque como o é na verdadeira acepção da palavra - ao contrário de outros malandros cujo nome já nos desapontou. Quem não ficou de água na boca quando Karyaka assinou? 'Andrei Karyaka! Os adversários até tremem só de ouvirem o nome!' - imaginei na minha inocência. À partida, seria impensável ver um jogador com tamanho charme nas costas da camisola a perder a titularidade para um colega bem mais modesto no bilhete de identidade, onde constava um nome demasiado simples e humilde para o proprietário ousar ser jogador de futebol: Armando Teixeira, o nosso querido Petit - a quem aproveito para desejar a maior sorte do mundo nesta jornada (apenas e unicamente porque o seu nome veio à baila, juro). 'Karyaka' soava a craque, mas o talento não correspondia à sinfonia do nome.
Krovinovic traz o pack completo. Os pais limitaram-no à profissão de futebolista logo no baptismo. Um André, por exemplo, tem a porta aberta para qualquer área. Tanto pode ser um pacato carteiro nos CTT como um polivalente lateral no maior clube do mundo. E Krovinovic? Ninguém vai de boleia com o 'Krovinovic taxista', do mesmo modo que ninguém repara o carro no 'Krovinovic mecânico'. Krovinovic não teve escolha. Por força do seu nome, estava forçado, à nascença, a ter jeito para a bola. E se teve! Nos pés do jovem croata, ela está sempre a sorrir. Transborda felicidade. É um deleite contemplar a cumplicidade que têm um com o outro. O leitor que me perdoe, mas não resisto em partilhar este desejo pessoal: um dia, espero que o meu filho se encoste no meu colo com o mesmo conforto com que a bola se aconchega nos pés do Krovinovic."

Pedro Soares, in O Benfica

Viciado no Face

"Tenho conta no Facebook há algum tempo, o que me permite ser brindado quase todos os dias com as memórias daquilo que tenho publicado ao longo dos anos. E acreditem, às vezes - não muitas - penso: 'mas onde é que eu tinha a cabeça quando escrevi isto?'
Agora imaginem, eu nem sou um poeta do online ou um rebelde que se esconde atrás de um teclado, mas dou comigo a pensar em algumas figurinhas que passam a vida agarrados ao Facebook. Chego a ter vergonha alheia. Vem isto a propósito - já estão a adivinhar... - de um desses artistas, que andou a encher a boca a dizer que tinha abandonado a rede social, mas que todos os dias - de preferência a altas horas, embalado pelas noites em branco - volta à carga. Ameaça a própria sombra, cria narrativas que só ele entende, levanta questões à espera de likes, redige lençóis de textos na esperança de que alguém lhe descubra algum talento narrativo, insulta adversários e aliados, enfim... uma canseira.
'Que triste vida deve ele ter', pensei eu no outro dia, de manhã, quando me levantava para o trabalho e vi mais um post às tantas de manhã. Para já, esquece a regra básica de comunicação online, que é: 'Se queres parecer responsável e sério, não respondas a e-mails profissionais nem faças comentários nas redes sociais quando as pessoas que trabalham estão a dormir'.
Acertaram em cheio, é mesmo nele que estou a pensar - o meu primo Albino. Tive de o desamigar, já não aturo aquele paleio de Calimero."

Ricardo Santos, in O Benfica

O que lhe dói

"10 de Agosto de 2013. Foi nesse distante dia que o FC Porto ergueu o seu último troféu oficial de Futebol. Tratou-se de uma Supertaça, diante do V. Guimarães. Era Paulo Fonseca o treinador, então acabado de chegar ao clube. Helton e Lucho eram alguns dos jogadores da equipa que, meses antes, tinha conseguido milagrosamente sagrar-se campeã, com um golo aos 92 minutos num jogo frente ao Benfica. De então para cá, nem o próprio Fonseca, nem Luís Castro, nem Lopetegui, nem Peseiro, nem Nuno Espírito Santo, nem, para já, Sérgio Conceição conseguiram vencer fosse o que fosse. Nada! Zero! Entraram jogadores, saíram jogadores, entraram directores desportivos, saíram directores desportivos, entraram directores de comunicação, saíram directores de comunicação, entraram administradores, saíram administradores. Gastaram dinheiro e mais dinheiro. Por entre macacos e macacadas, manteve-se alguém que, à beira dos 80 anos, já só vê o tempo ficar para trás.
28 de Abril de 2002. O Benfica derrotava o Boavista na antiga Luz, e oferecia o título ao Sporting. Os mais jovens leitores certamente não se recordam. Também tive de recorrer aos arquivos para me lembrar. A minha filha adolescente não era nascida, e eu ainda tinha cabelo. Jogavam o Paulo Bento e o Jardel. O Estádio de Alvalade era velho. Cinco primeiros-ministros e três presidentes da República depois, não mais comemoraram um campeonato.
O tempo é impiedoso. Os últimos anos foram pintados a vermelho vivo, e tal como na tauromaquia, a cor parece enfurecer algumas espécies. Basta ouvi-las para perceber o significado da palavra inveja."

Luís Fialho, in O Benfica

Chama Imensa

"O programa «Chama Imensa», que estria todas as segundas-feiras, às 18h00, na BTV, prestou esta semana um importante serviço público ao futebol português.
Trata-se de um programa criado no início desta temporada e que visa analisar os casos de maior relevância na modalidade mais apaixonante. Apresentado com o reconhecido profissionalismo de Luís Costa Branco, «Chama Imensa» tem uma vantagem em relação à maior parte dos programas das televisões nacionais - são analisados todos os casos de uma forma incisiva, com nomes e sem rodeios. José Marinho, António Bernardo e António Rola formam um trio de enorme qualidade e têm o mérito de explicar a todos os espectadores alguns dos casos mais extraordinários. Na último programa, os três voltaram a acender a chama e foram imensos nas situações que denunciaram. Pelos vistos, há muita gente incomodada com as relevações feitas. Quais virgens ofendidas, interrogo-me as pessoas que se têm manifestado contra o conteúdo do programa estão a fazê-lo de forma sincera ou se serão ingénuas.
José Marinho, António Bernardo e António Rola puseram a nú algo de muito grave - a coacção que está a ser feita sobre a arbitragem, portuguesa. Antes, Fernando Gomes, presidente da FPF, Luciano Gonçalves, presidente da APAF, e José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem, denunciaram situações gravíssimas. Depois, foi o presidente do SL Benfica a desafiar os árbitros a revelarem publicamente as ameaças de que têm sido vítimas.
Sabemos quem são os autores morais e materiais. Resta às autoridades competentes agirem sem medo."

Pedro Guerra, in O Benfica

O jornal confunde-se com o Benfica

"Vivemos momentos de grande exaltação Benfiquista no seio do nosso jornal. Na próxima terça-feira, o jornal O Benfica completa setenta e cinco anos de vida com a abertura de uma exposição temática no Museu Benfica - Cosme Damião e uma reunião 'em família', na qual, com outros amigos especiais, se juntarão os verdadeiros protagonistas desse serão especial que, por uma vez - uma única vez - irão ser os próprios jornalistas e colaboradores do jornal. A exposição laboriosamente criada pelo editor Rui Manuel Mendes e pela secretária de redacção Magda António com a prestimosa ajuda de Rita Costa, coordenadora do Centro de Documentação e Informação, entre outros, vai permanecer por longo tempo no Museu Benfica para fruição de todos os Benfiquistas, como uma deliciosa mostra de muitos momentos históricos do acervo do nosso semanário oficial que, por sua vez,decorreram de ocasiões e eventos especiais da grande História do Sport Lisboa e Benfica.
O jornal foi criado num tempo em que tudo era mais despojado (mas, também, mais formal), para informar e agregar os Sócios e adeptos do Benfica em torno de uma ideia forte e perene, e cedo se confundiu com o próprio Benfica: o Clube celebrava a pulsão da competitividade desportiva e um irreprimível desejo conjuntivo de vitórias; o semanário passava a registar com metódico rigor as narrativas, as marcas e os protagonistas da consolidação do Glorioso. O jornal O Benfica sempre revelou e ainda continuará a representar a memória dinâmica do Clube à medida dos dias que vão correndo.
É com essa mesma consciência que, nas tarefas do presente, tomamos a responsabilidade histórica que recebemos do passado e já nos convoca ao futuro: orgulhamo-nos do que fazemos, e nada do que forma o Sport Lisboa e Benfica vive connosco todos os dias, sempre procurando nós interpretar o interesse dos leitores relativamente a todas as incidências da vida do seu Clube. E, sem receio de qualquer eventual contestação conceptual, sejam quais forem os avanços técnicos e tecnológicos que abracemos com a evolução dos dias, podemos afirmar que O Benfica jamais perderá o títulos que lhe cabe e tanto nos honra, como ícone mais consistente, mais perdurável e mais fortemente simbólico da comunicação dos Benfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Tarantini: jogador-estudante

"Depois de inteirar-me do conteúdo do livro, Tarantini: a minha causa (Oficina do Livro, 2017) da autoria do Tarantini, futebolista e capitão do Rio Ave, logo decidi escrever um texto-síntese sobre o que vinha de ler. Não cabe nas dimensões necessariamente menores desta breve crítica uma análise demorada dos temas que o Tarantini me suscitou. Contento-me, por isso, com esquissar aqueles que me parecem fundamentais. Comecemos pelo nome como é conhecido pelos “agentes do futebol” e pelo público fiel do futebol – Tarantini. “O meu nome de baptismo é Ricardo José Vaz Alves Monteiro, mas só a minha família é que me trata por Ricardo. Cedo me habituei ao nome artístico, que me foi dado por um ex-treinador. Tarantini era um defesa argentino da década de 70 do século XX, facilmente identificável pela sua cabeleira loura e encaracolada. Não foi esta a única alcunha que recebi, ao longo do meu percurso profissional. Mas foi a que vingou e é hoje uma imagem de marca. A 7 de Outubro de 2017 completei 34 anos. Aos 1,89 metros de altura juntam-se os 80 quilos de peso. E o meu contrato com o Rio Ave Futebol Clube é válido até Junho de 2018”. Dei a palavra ao próprio Tarantini, para ser ele a apresentar-se. Chegou o momento de emitir a minha primeira opinião. E, de facto, a primeira impressão que este livro me trouxe sintetizo assim: o seu autor é um homem de quentes afectos humanos e familiares, que o acompanham pela vida fora. E que o levam a questionar e a questionar-se, com extrema sensatez, com ética inatacável: “E a minha vida resume-se a escolhas feitas em prol de uma só questão – que pessoa quero ser neste mundo?” (p. 13). Já conheci e convivi com muitos jogadores e treinadores de futebol. Pela primeira vez, oiço a um “agente do futebol” esta interrogação (pela primeira vez, repito): “Que pessoa quero ser, neste mundo?”.
Não há jogos, há pessoas que jogam; não há fintas, há pessoas que fintam; não há remates, há pessoas que rematam. Se eu não compreender as pessoas, não entendo, nem os jogos, nem as fintas, nem os remates. O Ricardo José Vaz Alves Monteiro, que o público do futebol conhece por Tarantini, profissional de futebol, licenciado e mestre em Desporto pela Universidade da Beira Interior e doutorando da mesma Universidade, faz suas as palavras de Hans Jonas: “Age de tal modo que os efeitos da tua acção sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a terra”. Mais importante do que um jogo de futebol é uma lágrima humana e o Tarantini, ou o Dr. Ricardo Monteiro, não se limitou a ser o jogador de futebol de muitos méritos, que hoje é, e desejou (deseja) ardentemente ser Homem, antes e para além do futebol. E, por isso, escreve: “Sabia que, estatisticamente, só mais de 4% dos jogadores de futebol conseguem alcançar os “três grandes” ? Imagina que a percentagem dos atletas com salário mais elevado é ainda mais reduzido? Esta é apenas uma pequena e demolidora amostra do retrato futebolístico português” (p. 77). E, pelo sortilégio da sua inteligência, entrou de juntar à sua absorvente vida de futebolista uma séria vida intelectual. “Recentemente, fui aceite para realizar o doutoramento na UBI (…). Chegar ao grau de doutoramento será, talvez, inédito no mundo do futebol. Vai ser uma luta ainda inimaginável. Mas é isso que me faz querer ir para a frente. Imagino o dia em que estarei trajado a rigor e em frente do júri. Mais do que isso, sinto que ainda estarei a jogar a um grande nível. Vai ser brutal!” (p. 81). O comodismo é o pendor natural da mediocridade. A ele conduz naturalmente os que se deixam enfeitiçar pelos aplausos frenéticos do facciosismo clubista, pelas palavras hipócritas do “conto do vigário”, pelos cantos de sereia de um certo sexo, de umas certas noitadas…
Tarantini soube escolher, entre a avidez imoderada das paixões que levam ao desastre, uma filosofia de vida que o torne mais autenticamente humano e portanto mais próximo da felicidade, que não é ausência de sofrimento (de quando em vez, o sofrimento é inevitável) mas possibilidade de uma vida que valha a pena viver, ou seja, que tenha sentido. No exemplo dos meus queridos e saudosos Pais e na leitura do Evangelho e de alguns filósofos, principalmente Descartes, Hegel, Marx, Nietzsche, Mounier, Bachelard, Habermas e Merleau-Ponty; porque, desde criança, sempre admirei embevecido a auréola refulgente do espectáculo desportivo, chegando mesmo a fazer amizade com alguns dos nomes maiores da história do nosso desporto – pude propor, em tese de doutoramento, um novo paradigma, a motricidade humana, onde cabem, como especialidades, o desporto, a dança, a ergonomia, a reabilitação, a motricidade infantil, etc. e tentando provar que fazia um “corte epistemológico”, em relação ao dualismo antropológico cartesiano, imperante na educação física e no desporto tradicionais. Para mim, de há 50 anos a esta parte, o humano é uma totalidade, é um sistema, ou seja, “uma unidade global organizada de inter-relações, entre elementos, acções ou indivíduos”. Na prática desportiva, portanto, seja ela qual for, o essencial é o ser humano, é o homem (ou mulher) e não a táctica, ou a técnica. No meu entender, o Tarantini nasce do Ricardo Monteiro, o homem está antes do jogador e, observado com atenção, o homem já anuncia o jogador. A honestidade, a coragem, a capacidade de sacrifício, a fidelidade a valores de forte carácter humanizante do futebolista Tarantini residem na pessoa, no cidadão Ricardo José Vaz Alves Monteiro. A sua cultura generosa e rigorosa, a sua coerência sem falhas, numa fraternidade imbatível para com o seu semelhante, o futebol aprimorou-as, de facto, mas ele já as tinha recebido do regaço de sua Mãe, do exemplo moral do seu Pai, da ternura das suas Irmãs.
Tarantini: a minha causa é um livro que deve ser lido pelos profissionais de futebol, ou aspirantes a profissionais de futebol. Dizendo da minha admiração por este livro, creio que muitos dos seus leitores se sentirão interpelados pelos meandros desta obra singular. Nela, um profissional de futebol (dos melhores que o nosso país tem, na linha média e como pensador do jogo) pode escrever, de alma em festa: “Ao longo de duas décadas de futebol profissional, sinto-me um afortunado, por nunca ter contraído nenhuma lesão que precipitasse o fim da minha carreira. Mas nunca deixo de pensar, no dia seguinte. Não sei se vou jogar mais um ou cinco anos. Aconteça o que acontecer, estou preparado para terminar a minha missão em campo e fazer uma transição tranquila” (p. 69). E, de consciência tranquila, acreditando no primado da cultura e da solidariedade, rejeitando a mediocridade e o sectarismo que medram no futebol português, continua: “Enquanto jogador profissional, contabilizo a participação em 469 jogos, sendo que as estatísticas gerais de desempenho ainda me atribuem 55 golos, 28 assistências e 35 mil minutos jogados. Em 2016, voltei a ter um ponto alto na minha carreira profissional, através do lançamento do projecto A Minha Causa: www.tarantini.pt. Um projecto para todos e ao serviço dos desportistas. Um exemplo que revela a possibilidade real de investir na carreira do futebolista, sem abdicar de todos os outros sonhos e evidenciando a importância da formação académica como factor de sustentabilidade de futuro. Esta é a minha causa! Qual é a tua?” (p. 86). Tarantini – um homem que sabe a definição e a função da prática desportiva e que portanto não desconhece que é preciso saber mais para servir melhor. Tarantini: um jogador-estudante, num magistério moral!"

Olimpicamente: sob a responsabilidade de Tiago Brandão Rodrigues

"O famigerado “Relatório Missão Rio 2016” afirma a páginas quinze que “o apuramento de 92 atletas de 16 modalidades revelou-se um sinal de vitalidade do Desporto Nacional”. Seria bom que assim fosse. O problema é que, nem pouco mais ou menos assim é. Porque, através de uma análise mais atenta aos resultados do desporto português durante um período longo de vinte e quatro anos (1992-2016) num total de seis Ciclos Olímpicos chega-se precisamente à conclusão contrária. Na realidade, chega-se à conclusão de que as transformações de características sino-capitalistas desencadeadas sobretudo a partir 2004/2005 estão a revelar-se desastrosas para o processo de desenvolvimento do desporto português. Ora, perante esta situação, os responsáveis políticos deviam pensar seriamente se devem continuar a apostar no modelo de desenvolvimento instituído à revelia das federações desportivas que, desde então, tem consumido cada vez mais dinheiro e produzido cada vez menos resultados ou, se, pelo contrário, devem começar a desencadear as mudanças necessárias conducentes a salvar Missão para os JO de Paris (2024) porque a Missão para os JO de Tóquio (2020), em termos de desenvolvimento do desporto nacional, já está perdida.
Numa análise aos dados que constam no Relatório Missão Rio 2016” bem como às estatísticas oficiais produzidas pelo Instituto Português de Desporto e Juventude (IPDJ) é possível concluir que o referido modelo de tipo sino-capitalista pode produzir medalhas olímpicas em número extraordinário num país como a República Popular da China (RPC) mas, num país como Portugal, só pode produzir resultados absolutamente miseráveis para além de destruir a prática desportiva de base e o tecido organizacional sobre o qual ela se organiza ao longo da vida de cada um.
No que diz respeito aos resultados olímpicos, se compararmos os três Ciclos Olímpicos (1996/2000/2004) e os três Ciclos Olímpicos (2008/2012/2016) posteriores à institucionalização do Programa de Preparação Olímpico em 2004/2004 chega-se, facilmente, à conclusão de que o desporto se encontra numa preocupante regressão não só relativamente às federações desportivas que estão dentro do Programa Olímpico como, também, às que estão fora ou não conseguem os resultados para acederem ao Programa Olímpico.
Vejamos, então, quais as consequências do grande desatino desencadeado em 2004-2005, com o “Contrato-programa de Desenvolvimento Desportivo nº 48/2005” que está a deixar o desporto nacional num estado calamitoso.
Comecemos pelos resultados olímpicos. De acordo com as melhores práticas em matéria de desenvolvimento há muito produzidas pelo Conselho da Europa (Committee for the Development of Sport - CDDS) a relação entre a base da prática desportiva e o alto rendimento deve assentar no conceito de Nível Desportivo. Esta relação virtuosa entre a base e o topo da pirâmide desportiva, que os regimes fascistas, tanto de esquerda quanto de direita rejeitam, afirma que um processo eurítmico de desenvolvimento deve ser aferido pela designada Elite Correspondente. Ao aplicarmos este conceito ao Ciclo Olímpico do Rio de Janeiro chegamos à conclusão de que a Missão Portuguesa aos JO do Rio (2016) com 15 modalidades (excluído o futebol com 18 atletas) não devia ter mais de cinquenta atletas. Esta perspetiva significa que a Missão Olímpica portuguesa teve uma dimensão 20% acima daquilo que era suposto ter. Contudo, note-se bem que este dado não significa que o País tem praticantes de alto rendimento a mais, uma vez que os atletas só foram aos JO porque, no momento certo, conseguiram obter os resultados desportivos mínimos necessários. O desequilíbrio da Elite Real relativamente à Elite Correspondente não tem a ver com o facto do Sistema Desportivo português ter atletas de alto rendimento a mais, mas sim, praticantes desportivos a menos. Em conformidade, é necessário reforçar os programas de desenvolvimento do desporto dirigidos à generalidade do Sistema Desportivo cujos financiamentos, desde 2004/2005, têm sido sangrados a fim de reforçarem os da Preparação Olímpica. E, por paradoxal que possa parecer, quanto mais dinheiro se subtrai à promoção do desporto para se investir no Programa de Preparação Olímpica piores têm sido os resultados nos Jogos Olímpicos (JO). E porquê? Porque o alto rendimento não se está a renovar com a velocidade requerida. Trata-se de um sistema a funcionar em circuito fechado a fim de, sem grandes preocupações, animar a reforma de alguns dirigentes. Por isso, em várias situações, a Missão Olímpica ao Rio de Janeiro mais parecia uma equipa de veteranos. Por outro lado, hoje, o desporto nacional vive o terrível drama da metáfora da “galinha dos ovos de ouro” que representa um infantilismo do curto prazo. Quer dizer, quanto mais dinheiro se investe no Programa de Preparação Olímpica piores são os resultados e quanto piores são os resultados mais dinheiro se vai buscar à promoção da prática desportiva a fim de financiar o Programa de Preparação Olímpica na esperança de obter resultados a curto prazo.
Por isso, a pergunta que se coloca é a seguinte: Até quando é que a tutela política vai continuar a financiar um modelo de desenvolvimento do desporto que está a produzir cada vez piores resultados à custa de cada vez mais dinheiro dos contribuintes?
Vejamos, então, o que é que se está a passar tanto a nível do vértice quanto da base da prática desportiva.
A nível da elite olímpica o miserabilismo dos resultados tem sido evidente. Atentemos na prestação portuguesa nos JO. O que é insofismável é que, desde 2004, a Missão Olímpica tem vindo a produzir cada vez piores resultados:
-Três medalhas em Atenas (2004);
-Duas medalhas em Pequim (2008);
-Uma medalha de prata em Londres (2012);
-Uma medalha de bronze no Rio (2016).
Mas, se olharmos com algum pormenor para o “Relatório Missão Rio 2016” chegamos à conclusão que os atletas de Nível 1, num total de doze (12) presentes no Rio de Janeiro só um cumpriu o objectivo. Quer dizer, o objectivo que era obter 25 % de pódios dos atletas integrados, quer dizer, três medalhas. Portanto a situação ficou muito aquém do desejado uma vez que só foi conseguida uma medalha de bronze das seis que, na euforia da partida, foram prometidas ao embarcar para o Rio de Janeiro. Quanto aos atletas de Nível 2, num total de vinte sete (27), o objectivo era obterem-se 50% de lugares de finalista. Ora bem, só seis (6) atletas (incluindo o futebol) cumpriram o objectivo determinado quando o objectivo determinado era de catorze (14) finalistas. Quanto aos atletas de Nível 3, num total de dezasseis (16), o objectivo era obterem-se 80% de lugares de semifinalistas o que, seriam treze (treze) atletas. Todavia, só quatro (4) atletas cumpriram o objectivo o que fica muito abaixo do objectivo determinado. Finalmente, quanto aos atletas não integrados no Programa de Preparação Olímpica num total de trinta e um (31) só foi obtido um resultado com algum significado (nono em ténis pares masculinos). Infelizmente, a tendência vai no sentido de Tóquio (2020) vir a ser uma autêntica hecatombe. Claro que, depois, ninguém assumirá as responsabilidades e as devidas consequências.
Portanto, para além dos resultados individuais e dos esforços dos atletas, das famílias, dos treinadores e dos dirigentes dos clubes e federações o resultado global da participação portuguesa nos JO do Rio de Janeiro (2016), em função dos recursos postos à disposição que segundo o presidente do COP foram os suficientes, só pode ser classificado como miserável. E a generalidade da comunicação social até os apresentou como uma “grande desilusão”. É claro que a grande desilusão se ficou a dever à superestrutura da organização do desporto nacional (Ministério, Secretaria de Estado do Desporto, Instituto Português do Desporto e Juventude, Comité Olímpico de Portugal, Confederação do Desporto de Portugal, Fundação do Desporto de Portugal) que, sob a liderança do Ministro da Educação e a participação de todos os agentes envolvidos, parece não ter tempo ou até mesmo vontade para, de uma forma franca, aberta e competente, avaliar a actual situação do desporto nacional. Se tal acontecesse seria o justo reconhecimento de que, em termos individuais, a presença de 92 atletas no Rio de Janeiro representou um extraordinário esforço dos atletas, das famílias, dos treinadores, dos clubes e das federações desportivas, sem os quais o alto rendimento desportivo nacional, há muito, como ficou demonstrado com Rui Bragança, já tinha “fechado a porta”. 
Entenda-se que uma má prestação nuns JO é perfeitamente natural que possa acontecer. O problema é que as Missões Olímpicas portuguesas têm vindo a acumular desastres sobre desastres sem que os dirigentes políticos e desportivos demonstrem qualquer capacidade para alterarem o rumo aos acontecimentos. E, para além da Coreia do Norte, até têm muitos países onde podem encontrar exemplos elucidativos. Por exemplo, a participação da Austrália no Rio de Janeiro foi um fracasso uma vez que foram os piores resultados desde Barcelona (1992). Mesmo assim a Missão Olímpica australiana obteve 29 medalhas (O8,P11,B10)!
Todavia, há duas diferenças fundamentais que separam a cultura organizacional do desporto português da do desporto australiano. Em primeiro lugar, os australianos, em vez de fazerem festanças do tipo “celebração olímpica” que o que mais fazem lembrar é a orquestra do Titanic, trataram de identificar as causas do fracasso a fim de idealizarem soluções em termos de organização do futuro. Em segundo lugar, no desporto australiano existe uma coerência estrutural entre ao ensino e alto rendimento. Quer dizer, o desporto de base está suficientemente estruturado para, em tempo real, alimentar o alto rendimento e o alto rendimento suficientemente organizado para, de modo contínuo, influenciar o desporto de base. Quer dizer, existe uma base suficientemente forte sustentada por dirigentes e técnicos experientes e aptos para, de um momento para o outro, se necessário for, corrigirem o curso dos acontecimentos. Por cá, passados que estão praticamente dois anos do Rio de Janeiro, a menos que aconteça uma decidida intervenção de Nossa Senhora de Fátima, de Tóquio (2020), só se pode esperar mais desatino e miserabilismo em matéria de participação nos JO.
O desporto português não tem massa crítica que lhe garanta coerência estratégica como se pode ver pela inconstância e inconsistência das Missões Olímpicas desde os anos cinquenta. Existe uma enorme contradição entre as necessidades dos atletas e o superego dos dirigentes. A última coisa que se pode esperar do desporto australiano é a existência de um qualquer “iluminado” que, ao estilo “magistar dixit”, na maior das ignorâncias, se sente no direito de determinar o destino do desporto no país. A metáfora do “dress code” representa bem este estilo de liderar o desporto. Enquanto os atletas, no centro operacional, estão preocupados com o fato de treino, os dirigentes, no vértice estratégico estão preocupados com “dress code”. A par desta disfunção ideológico-organizacional, a estrutura intermédia do Sistema Desportivo nacional, na mais confrangedora ausência de liderança política capaz de desencadear sinergias de sinal positivo, está cheia de dúvidas e sobretudo de dívidas, sem saber para onde se há-de voltar. Aguarda pacientemente pelo reforço de verba solicitado ao IPJD que funciona como uma espécie de “caixa geral de depósitos” atribuindo politicamente verbas a organizações que funcionam à margem de qualquer controlo social minimamente credível. Quer dizer, os portugueses são obrigados a pagar apesar de não terem qualquer direito de participar.
Na realidade, entre nós, a avaliação séria, independente e competente dos últimos Ciclos Olímpicos, se existiu, ficou no segredo dos deuses. Todavia, em 2004, sem quaisquer estudos de suporte foi desencadeada uma mudança estrutural no Sistema Desportivo Português que, desde logo, se começou a revelar caótica como se verificou com a hecatombe que que foi a participação portuguesa nos JO de Pequim (2008). Depois, apesar de, entre outros, um trabalho de Alfredo Silva relativo aos JO de Pequim (2008) e um relatório intitulado “Avaliação do Impacto do Financiamento Público dos Ciclos Olímpicos e Paralímpicos 2001-2012” produzido pela PWC para IPDJ, levantarem sérias críticas ao estado da situação, tudo continuou na mesma e a progredir de desastre em desastre.
Entretanto, através de uma breve consulta às estatísticas desportivas oficiais, chega-se à conclusão que, enquanto as modalidades desportivas que, por diversas razões, não estiveram presentes no Rio de Janeiro, num total de quarenta e duas (42), estão numa situação de estagnação ou, até mesmo, regressão pois, em termos globais, apresentam um crescimento de praticantes no período de 2008 a 2016 de 2%. Pelo contrário, as modalidades presentes no Rio de Janeiro), num total de 16, no mesmo período, tiveram um crescimento de praticantes de 38%. Quer dizer, o Sistema Desportivo nacional está num processo de autofagia em que as grandes prejudicadas são as modalidades colectivas (andebol, basquetebol, voleibol) que, com uma tradição escolar extraordinária nunca estiveram presentes nos JO.
Sabendo-se que os hábitos de prática desportiva ao longo da vida, com índices de fidelidade e intensidade acentuados estão, fundamentalmente, nas modalidades colectivas pode-se, facilmente, compreender que o actual modelo de desenvolvimento do desporto nacional (inventado em 2004-2005) numa de “lá vamos cantando e rindo” está a conduzir o Sistema Desportivo nacional no caminho da incultura desportiva que hoje, em termos dramáticos, já se constata no País.
Entretanto, Tiago Brandão Rodrigues, tal qual Zeus o rei dos desuses do Olimpo, tem a última oportunidade para mudar o curso aos acontecimentos reduzindo à sua insignificância os heróis com pés de barro que se apropriaram do desporto nacional e entendem, ao estilo “magister dixit”, poder viver à custa da inoperância do sistema sem assumirem quaisquer responsabilidades."

Alvorada... com o Pragal

Benfiquismo (DCLXVII)

Os Reis dos pedais...!!!

Aquecimento... 'Não Greve' e futebol...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Saídas não podem explicar tudo

"Há uma explicação evidente para a péssima campanha europeia do Benfica esta temporada?
Não. E pretender justificar os insucessos apenas e só com a saída de jogadores nucleares (Ederson, Nélson Semedo, Lindelöf ou Mitroglou) e com a eventual falta de substitutos à altura é tentar limitar a discussão. O Benfica tem vendido elementos importantes todas as épocas e nem por isso os resultados (e a qualidade das exibições) foram afetados de forma clara. Houve alguma falta de sorte, erros de arbitragem, etc, etc, mas a verdade é que a equipa jogou pouco na Liga dos Campeões. Pouco e sem a objectividade, dinâmica, rigor e concentração necessárias a este nível.

Cervi devia ter sido uma aposta inicial de Rui Vitória?
Provavelmente. Mesmo tendo em conta que o argentino não foi brilhante, conseguiu – tal como o compatriota Salvio – empurrar a equipa para a frente. De resto, Cervi já mostrara na Taça de Portugal que merecia mais minutos. Quando uma equipa tem vários elementos em sub-rendimento há que valorizar os que, em contraciclo, vão fazendo algumas coisas.

O adeus à Europa pode deixar a equipa mais fresca nas provas internas?
Sim, pode. Mas as ‘mazelas’ psicológicas também podem ter peso. E esse será negativo. Vão faltar jogos e minutos para distribuir. Vão faltar os duelos com os ‘tubarões’, dinheiro fulcral para o clube e o entusiasmo dos adeptos."

Chegou a hora

"Que avancem, pois. Que os árbitros façam esta greve disfarçada de dispensa. Que podia ter sido feita há muito tempo. Por exemplo, naquele tempo (ainda não havia internet) em que determinados dirigentes ligavam para as redacções dos jornais e das rádios para saber quem seriam os árbitros da primeira e da segunda liga, seguramente apenas na ânsia de fazerem mais cedo o Totobola.
Que avancem. Escolheram o actual momento, quando os três grandes decidiram fazer o pleno quando o Benfica (o responsável pelo início da era dos soundbytes criados pelos directores de comunicação) se queixava das arbitragens pró-FC Porto; o mesmo Benfica que queria ser campeão com Yebda. Podiam tê-lo feito quando o FC Porto se queixou das arbitragens pró-Benfica; o mesmo FC Porto que deu 20 milhões pelo flop Imbula. Podiam tê-lo feito quando o Sporting se queixava do mundo.
Que avancem, pois. Que não pensem nos quase 1400 euros que não vão receber por não apitar um jogo da Liga. Lembrem-se: isso é mais do que a bola para os atletas olímpicos, que de quatro em quatro anos têm os portugueses a exigir-lhes medalhas; é mais do que o ordenado dos polícias que garantem a vossa segurança quando recebem ameaças no Facebook; é mais do que ganham muitos enfermeiros. Ou jornalistas.
Que avancem. Que talvez com uma greve o Governo se lembre que esta indústria vale 1,2 por cento do PIB, mais do que o vestuário e o calçado (e não é raro vermos ministros da Economia a promover sapatos portugueses na feita de Milão). Que tenhamos chegado à altura de pensar na alteração da Lei de Bases do Sistema Desportivo de modo a revolucionar a própria arbitragem e aproximarmo-nos, por exemplo, do modelo inglês. Que a intervenção do Executivo não se limite a secretários de Estado com discursos redondos soprados por assessores.
Que avancem. Não recuem."

Fernando Urbano, in A Bola

PS: Como já repararam este artigo de opinião está completamente 'ultrapassado'!!! Mesmo assim, decide publicá-lo... pois, temos aqui um bom exemplo de como é fácil, desinformar... como é tão fácil retirar palavras e actos do contexto!
1 - Primeiro, o João Gabriel, como director de comunicação do Benfica, foi o primeiro a usar o Twitter, nos finais dos jogos... mas não foi o João Gabriel que 'inventou' os soundbytes, só os adaptou às novas tecnologias. Sendo que o fez, devido a um contexto muito específico:
- o facto das Realizações da PorkosTV serem totalmente parciais, principalmente quando um determinado Realizador as faz...;
- e numa altura onde os ditos programas de debate desportivo se estavam a expandir por todos os canais, e em todos esses programas 98% do tempo era (e é) usado para discutir supostos casos de arbitragem que supostamente beneficiaram o Benfica...
Por exemplo, o primeiro Tweet com impacto do João Gabriel, foi num famoso Sporting 2 - 1 Benfica para a Taça de Portugal, onde além do penalty sobre o Luisão não assinalado, escandalosamente, nos últimos minutos do prolongamento (com o Capitão a partir o braço, e a ficar de fora praticamente até ao final da temporada); nos primeiros minutos da 2.ª parte o Slimani agride o Samaris, e tanto a Realização da PorkosTV, como todas as análises pós-jogo nos diversos canais, ignoraram completamente a agressão do Slimani... podemos mesmo afirmar que se não fosse o Tweet do João Gabriel o lance 'não tinha existido'!!!
2 - Um dos mistérios do programa de Segunda-feira na BTV, é o facto de terem confundido aquilo que foi dito com queixas sobre as arbitragens!!! Aquilo que o Benfica fez, foi tornar público, algumas das ameaças que os árbitros têm sido vitimas... algumas delas denunciadas às autoridades! Algo que o Presidente da FPF já tinha feito no Parlamento... aparentemente desvalorizadas pela Comunicação Social Desportiva!!!!
3 - Quando o Benfica queria ser Campeão com o Yebda, foi mesmo 'roubado' pelo actual Presidente da Liga, ninguém tenha dúvidas disso... e além do Yebda, tinha o Di Maria o Aimar e muitos outros!
Esta conversa de que quando todos se queixam das arbitragens, fazem-no todos com o mesmo grau de hipocrisia, é ridícula...
É muito fácil, fazer uma leitura pela diagonal, dizendo que todos são iguais, metendo tudo no mesmo saco...
Assim não correm o risco de serem acusados de Benfiquismo, como nós sabemos essa acusação hoje em dia. em Portugal, dá'despedimento' ou 'demissão' imediatamente...!!!

Ó Vieira, mete o Moniz!!!

"Uma vitória em casa e um empate fora, na Liga do Campeões, trazem um razoável pecúlio de pontos ao futebol português, que também neste sector está em seca extrema.
O Benfica ameaça sair da Europa sem entregar ao mealheiro português um pontinho que seja, nesta campanha desastrosa para os lados da Luz.
O que se passa no Benfica é mais complexo do que parece. As explicações simplistas, aritméticas, dizem, não desprovidas de razão, que o clube de Vieira vendeu em demasia e ficou com um plantel curto para a exigências. É verdade. Mas não explica toda a decadência do futebol encarnado.
O problema, mais do que nos que saíram, parece estar nos que ficaram. É na fadiga do sucesso, no envelhecimento de algumas peças, que treinam cada vez menos (não, Luisão não está neste lote!), no discurso virado para o passado de Rui Vitória, na aparente dívida de gratidão deste técnico para com alguns dos craques, que reside o grande problema do futebol do Benfica.
Os jornais continuam a conseguir fazer manchetes com Jonas. O brasileiro ainda marca golos lindos, mas quantas bolas divididas ganha? Quantas linhas de passe longo oferece? E Jonas é apenas o exemplo mais gritante de jogadores que estão a ocupar espaço no onze, sem entregarem rendimento compatível com o estatuto.
Agora, o Benfica vai ter, na competição interna, uns meses de vantagem sobre os seus rivais. Rui Vitória vai poder concentrar o seu acomodado plantel no objectivo do penta.
Mas se o futebol da Luz não ganhar fluidez. Se o jogadores que não têm a bola continuarem a poupar-se ao movimento e ao risco dos lances divididos. Se os jogos não tiverem mais de dois ou três centros de qualidade para as áreas adversárias. Alguém acredita que o Benfica vai ser campeão?
O futebol hoje praticado pela equipa de Rui Vitória fica a larga distância das dinâmicas de jogo conseguidas pelo FC Porto e Sporting.
Noutro domínio, o Benfica não se poupa a despesas. Na ridícula guerra de comunicação que agita os grandes clubes portugueses, Vieira contratou mais um ponta-de-lança. Uma figura estimável, que passou pelas franjas do jornalismo desportivo, reforça agora as fileiras de porta-vozes da Luz. Não questiono o benfiquismo do dito reforço, mas não será um tiro ao lado, mais um, de um presidente que tem entre os seus vices alguém chamado José Eduardo Moniz?
Moniz não aparece na guerra por opção própria? Ou Luís Filipe Vieira tem medo do brilho que dele poderia emanar e do dano que isso lhe poderia causar no futuro?
Certo é que, neste jogo de palavras no espaço mediático, o melhor avançado do Benfica ainda não saiu do banco."

Direitos fundamentais

"1. Direitos fundamentais vs. relação jurídica desportiva?
Um atleta é titular de direitos fundamentais, à luz do disposto no art. 12º da Constituição da República portuguesa. No entanto, no âmbito da relação jurídica desportiva, situações há em que (i) bens, (ii) interesses, e (iii) direitos de liberdade são susceptíveis de lesão no direito desportivo, designadamente: (i) integridade moral - pressão competitiva, aplicação de castigos; e integridade física - controlo anti-doping; (ii) protecção contra discriminações injustas - regime de jogadores extra-comunitários, e trabalho e formação - situações em que o atleta é colocado a "treinar à parte"; e (iii) liberdade de informação (art. 37º/1 da CRP), ou liberdade de associação (art. 46º/1 da CRP). Neste sentido, nota para o facto de a FIFA e a FIFPro (Federação Internacional de Futebolistas Profissionais) acordarem a imposição de sanções mais severas para os clubes que obriguem jogadores a "treinar à parte", permitindo a estes rescindir livremente caso os clubes adotem condutas abusivas. 

2. O atleta pode renunciar a direitos fundamentais?
A actividade desportiva é palco privilegiado para limitações a direitos e liberdades dos atletas, pois pretende-se salvaguardar a eficácia de organização das competições, e respectivas regras do jogo. A acrescer, os direitos dos atletas podem ser restringidos, devendo essas restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente consagrados, conforme se extrai do Princípio da proporcionalidade (art. 18º/2 da CRP) – existindo, assim, uma presunção legal de consentimento de ofensas à integridade física do atleta. O limite encontra-se no núcleo essencial do direito do atleta - intangível e irrenunciável - sendo considerado o mecanismo da ponderação de interesses envolvidos, i.e., direitos do atleta vs. Direitos e liberdades de terceiros com ele envolvidos. Logo, não existe uma renúncia aos direitos fundamentais em abstrato, mas apenas a uma posição jurídica num caso concreto à luz deste princípio."

Uma história do desporto em três actos

"No desporto, os protagonistas promovem almoços grátis onde não se olha o dente do cavalo generosamente dado pela população.

As estatísticas do desporto. Num tempo de métricas, dos rankings do PISA aos Eurobarómetros que o país discute nos media, os governos evitam avaliar o desempenho das políticas do desporto. Ao não medir os resultados das suas políticas, não prestam contas do que fazem no sector.
As estatísticas europeias existem e demonstram que as condições que a população tem para praticar o desporto produzido pelas organizações nacionais são das mais difíceis na Europa. Os governos nacionais parecem aproveitar-se da nossa iliteracia desportiva, enquanto os outros governos europeus promovem a literacia do desporto.

Primeiro acto – de 1990 a 2004.
Neste período os parceiros desportivos criticam as leis de bases do desporto que destroem a produção associativa desde os clubes na base, às federações no topo. O desporto cresceu sem princípios, destruindo valor desportivo em vez de cuidar do crescimento orgânico sustentável avaliado pelas estatísticas do desporto. As estatísticas europeias da actividade desportiva demonstram que Portugal cresceu menos do que outros países, o que significa que divergiu face à média europeia. Na sua origem está a inviabilização da concorrência monopolística das federações e dos clubes desportivos favorecendo os cartéis, a empresarialização, as startups, as selfies do regime. Este modelo liberal assumido pelos ministros das Finanças é incomportável orçamentalmente. A destruição dos departamentos e instrumentos públicos que deveriam promover o bem-comum através do desporto impede a capacidade de boa decisão de política da parte dos governos que fazem nomeações sem princípios e rigor, cujo desempenho coloca Portugal na cauda europeia.

Segundo acto – de 2005 a 2017.
A austeridade chegou ao desporto com o fim do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 e nunca mais parou, piorando com a devastação da administração pública do desporto e o desaparecimento do sector nos media como um dos pilares do desenvolvimento nacional. O futebol é um furacão de ruído diário que a todos atormenta. Os seus líderes pedem intervenções superiores e a resposta é um absurdo institucionalizado, para gáudio do negócio do ruído. O associativismo desportivo aceita o subfinanciamento crónico, pela “liberdade” que pensa ter, da má moeda da política pública, e não quer investigar a origem da sua falência, desportiva e económica. A lei de bases errada e os princípios liberais de empresarialização do todo desportivo casam bem com os cartéis do regime que capturam as rendas do já magro financiamento público ao desporto português, o qual, na economia europeia, coloca os parceiros privados nacionais em níveis de falência técnica. Todos perdem, seja a população, o que aos governos não interessa, seja, por exemplo, a Sonae ou a Jerónimo Martins, o que se desconhece. O financiamento da produção está ao nível dos países de Leste, com uma estrutura de custos muito superior e sem a tecnologia de produção de desporto desses países. A máquina de exteriorização de benefícios para os cartéis do regime é promovida pelas leis do desporto e pela actuação dos governos do para “além da troika” que nunca esteve na base do sucesso desportivo europeu.

Terceiro acto – Ruína e perdas de oportunidade.
As actuais políticas públicas de incentivo às startups, escolinhas e eventos efémeros, incluindo as selfies com o macho-alfa mundial, são o culminar de um processo de deslaçamento do desporto português, que governos responsáveis teriam atalhado, há muito e consensualmente, pelo menos, com parceiros associativos que fossem activos. O associativismo desportivo perdeu no início do século a oportunidade de se reformar embalando a reforma política do desporto com o sucesso do Euro 2004. Em 2016, o futebol venceu o Campeonato Europeu de França, cujo sucesso, entretanto, o desporto e os governantes esboroaram política e socialmente.

Moral da história, estatísticas e princípios.
Existe um débito grave de política pública no desporto. Os desafios do desporto estão no uso das estatísticas para demonstrar a correcção da aplicação dos princípios. Politicamente acena-se com o paradigma da austeridade quando com políticos inteligentes, de início, as reformas desportivas urgentes teriam um custo financeiro que governantes sensatos aceitariam e que, depois, gerariam resultados positivos mais do que proporcionais face ao investimento inicial. Os países europeus programam os ritmos de crescimento do bem-estar da sua população obtido através do desporto. No seu pouco saber, os líderes desportivos afirmam que a “geringonça” só permite fazer coisas pequenas, queimaram meia legislatura, sem conceberem uma única reforma. Afirma o político reticente: se os resultados no futebol surgem, por exemplo, os do macho-alfa mundial e o Porto ou o Benfica serem campeões, então as políticas públicas são boas! A realidade é que, no desporto, os protagonistas promovem almoços grátis onde não se olha o dente do cavalo generosamente dado pela população."

Alvorada... do Martins

Suicídio colectivo e uma enorme vergonha

"O processo em torno desta “greve que não era bem greve” ou deste recuo no “pedido de dispensa que afinal só será daqui a vinte dias se”... é tão mau que, por muito que se queira defender o que quer que seja, não se consegue. Não se pode. E mais importante do que tudo, não se deve.
Comecemos pelo começo.
Há umas semanas, a APAF tornou público um comunicado que dava conta de uma possível intenção de greve por parte dos árbitros. Na altura, não se percebeu bem o motivo, a forma e o conteúdo: as coisas não estavam péssimas (estavam apenas más, como de costume), a jornada nem tinha corrido bem em termos de arbitragem e a coisa era apontada não para o imediato mas mais para a frente.
A alegada paragem ocorreria, em exclusivo, na Taça da Liga (como se os clubes em questão não fossem os mesmos que competem na Primeira e Segunda Liga) e apenas no final de Novembro e dezembro (com umas apitadelas pelo meio).
Foi tão feio que tudo se desmoronou em poucos minutos, com uma curtíssima reunião com quem manda e meras palavras de circunstância para atenuar a dor.
Logo aí os árbitros deram dois tiros nos pés: o avanço público, impreparado e impulsivo para uma greve... e o recuo pouco depois, sem que nada de palpável, concreto ou razoável dali resultasse.
Na prática, tudo ficou na mesma à excepção da credibilidade da classe, que perdeu pontos aos olhos de tudo e todos.
Poucas semanas depois, o ambiente geral ficou, de facto, insustentável. E apenas alguém muito incapaz discordará da ideia que o futebol profissional bateu mesmo no fundo: as máquinas de propaganda florescem a um ritmo alucinante, numa guerrilha tripartida que ninguém pára nem consegue travar.
Eles dizem e fazem o que querem, como querem e onde querem. Tudo na maior das impunidades. Tudo sob o manto sagrado da “defesa pela verdade desportiva” que, se não desse vontade de chorar, quase daria vontade de rir.
Entre algumas acusações pertinentes (que podem e devem ser investigadas a fundo), são atirados para a fogueira nomes de pessoas, dados inócuos e paletes de nada ou de poucochinho.
Hoje em dia, vale tudo, mas mesmo tudo para confundir, denegrir e levantar suspeitas.
Todos sabemos que estratégias moram por detrás de cada uma dessas manobras. E todos sabemos o que as motiva.
Mas o problema maior deste enorme problema é o resultado final que produz: o fosso entre três e todos os outros é cada vez maior, o foco passa a ser o jogo jogado fora das quatro linhas (que se lixem jogadores e treinadores) e tudo isso tende a distanciar destas paragens, potenciais patrocinadores e investidores, porque ninguém inteligente quer colar-se a um espectáculo tão deprimente como aquele a que temos assistido nas últimas semanas.
Mas, para os árbitros, o pior mesmo é o vírus que liberta e contagia os adeptos. Os adeptos mais influenciáveis, que reproduzem-se maciçamente em climas como este.
No final do dia, todo aquele ódio resvala para cima dos árbitros e das suas famílias. As ameaças e intimidações quadriplicaram e a sofisticação do ataque também. Há mais emails, mais chamadas e mensagens, mais montras partidas e mais carros riscados. Há mais medo. Há muito mais terror.
Perante isto, sim: greve!
E na passada terça-feira os árbitros disseram “chega”.
Não foi um chega gritado com a raiva de quem se sente a explodir de razão. Foi um “chega” assim, muito tímido, quase que a pedir licença para entrar. Mas bem... foi um chega!
Daí até agora, a história é conhecida e classifica-se numa só palavra: vergonha!
Uma enorme vergonha!
Vejamos: os árbitros, fartos de serem associados a processos de corrupção e de serem citados como desonestos, meteram “dispensa” de actuação para este fim de semana. Não fizeram greve... meteram escusa invocando “motivos pessoais e falta de condições psicológicas”.
Esse foi o primeiro grande erro.
Uma paragem é a bomba atómica, o fim da linha. É o recurso final. E é para usar no momento certo (como agora) e com coragem. Coragem!!
A greve é uma decisão de classe que não pressupõe receio de consequências regulamentares ou disciplinares. A greve não é um pedido avulso de dispensa, que é aquilo que se faz quando se quer ir a um baptizado ou a um casamento.
A greve é uma tomada de posição firme e inequívoca. Do todos. De todo o grupo.
Mas não foi. E como se usou a porta mais pequenina, a saída mais rasteira, a do subterfúgio regulamentar... criou-se um problema enorme para o Conselho de Arbitragem.
É que este só podia aceitar pedidos de dispensa com 20 dias de antecedência. E estes foram feitos três, quatro dias antes da jornada.
Das duas uma: ou os árbitros retiravam (ou adiavam) essa solicitação... ou ela não tinha cabimento regulamentar e o CA tinha que os nomear na mesma.
Ontem os árbitros terão sido sensíveis ao apelo da sua estrutura (para desmobilizar) e o resultado é o que está à vista: pela segunda vez em cerca de um mês, os árbitros recuaram na sua posição inicial.
Cederam e remeteram a coisa para daqui a vinte dias, apresentando - em comunicado - um conjunto de pressupostos ocos, demagogos e inconcretizáveis.
Os árbitros de futebol profissional perderam a melhor oportunidade das suas vidas para se afirmarem enquanto classe.
Tinham toda a imprensa e seguramente muitos agentes desportivos (treinadores, jogadores e até clubes) do seu lado. Com eles!! Solidariamente com eles!!
Foram elogiados pela coragem e firmeza. E depois recuaram, traindo a confiança dos que estavam do seu lado e destruindo mais um pouco da sua credibilidade.
O que os árbitros ontem decidiram feriu a classe de morte. Desiludia-a. E deu carta branca a mais ameaças, insultos e intimidações.
Uma vergonha.
Uma enorme vergonha."