Últimas indefectivações

sábado, 9 de dezembro de 2017

Vitória com alguns soluços!!!

Benfica 33 - 28 Águas Santas
(18-16)

Jogo complicado, 1.ª parte equilibrada, e mau início do 2.º tempo, estivemos mesmo a perder por 2... Uma recta final, bem conseguida, garantiu os 3 pontos...

Mau jogo do Grilo, do Belone, do Seabra e do Figueira... e mesmo assim conseguimos ganhar!
Ao contrário doutros jogos, foram os Pivot's e os Pontas a 'valerem' golos esta noite!!!

Na próxima jornada, vamos antro da Corrupção, que depois de um início mau, subiu bastante de rendimento!!! Para ganhar, não podemos ter tantos jogadores importantes com rendimento abaixo do normal...!!!

Mais uma...

Benfica 4 - 0 Burinhosa

Mais uma vitória, num jogo que merecia mais golos... Isto, contra uma Burinhosa, que entrou literalmente com tudo!!! Fico sempre 'espantado' com a motivação (espírito caceteiro!) dos nossos adversários!!!

Ainda não é oficial, mas é praticamente certo que o Fernandinho vai ser reforço de Inverno do Benfica. A concretizar-se é uma excelente opção. Internacional Brasileiro, jogador com bastante experiência... sem certezas sobre a recuperação do Chaguinha, estamos a precisar de mais um desequilibrador...

Desilusão...

Benfica 4 - 8 Barcelona

É verdade o Benfica defende mal... tem sido assim em muitos jogos, e hoje, com um adversário recheado de talento, isso foi fatal... Se juntarmos uma grande exibição do guarda-redes do Barcelona e uma arbitragem surreal (mais uma!!!)... tivemos quase sempre longe da vitória!!!

Não compreendi a titularidade do Trabal. O Pedro tem sido quase sempre um dos melhores em campo nos jogos mais difíceis e devia ter jogado hoje...

Em relação aos apitadeiros, fartei-me de rir quando marcaram aquele último penalty sobre o Diogo... quando o resultado já estava 'fechado'!!! Quando o resultado ainda estava 'aberto' foi um fartar de vilanagem!!! Então o critério nos 'bloqueios' foi das coisas mais absurdas que vi ultimamente...

Não estamos eliminados, mas o jogo em casa com os Italianos vai ser decisivo... já que em Barcelona, será praticamente impossível!

O maior mistério da primeira volta

"O director-geral do FC Porto foi expulso no fim do último clássico, que terminou empatado, tal como tinha sido expulso no fim do Vitória de Setúbal-FC Porto da última Liga, que também terminou empatado. Também no fim do recente Aves-FC Porto, que terminou empatado, Luís Gonçalves foi visto a ser agarrado por José Sá de para o impedir de perder o tino. Num outro jogo, que também terminou empatado – o Benfica-FC Porto da última Liga –, o director-geral do FC Porto surgiria alterado na chamada zona mista e, de acordo com os relatos, ameaçou um operador de câmara de uma estação de televisão por suspeitar, erradamente, de que teria sido aquele "o engraçadinho" que se atrevera a colocar uma questão incómoda ao senhor Pinto da Costa.
Está visto que este Luís Gonçalves é dono de um temperamento peculiar ao ponto de qualquer relativo insucesso lhe provocar nervoso miudinho, irritabilidade, enfim, carradas de nervos à flor da pele. Feitios não se discutem mas esta ausência de sangue-frio, este descontrole das emoções, esta impulsividade de feira, este pavio curto não rimam com a serenidade, com a ponderação e, sobretudo, com a imensa prudência de um suposto "Luís Gonçalves" que ainda hoje se pode ouvir através do Youtube no capítulo das escutas do Apito Dourado.
Dissuadindo gentilmente o empresário António Araújo de se alargar em pormenores depois de ter estado "a tratar com o presidente daquela situação do Nacional", o Luís Gonçalves disponível no Youtube é um compêndio de fleuma e de sagacidade: "…claro, claro, aquilo de que você me falou já sei." E quando Araújo, entusiasmado, insiste com um "agora…" logo se ouve o presumível Luís Gonçalves cortar-lhe o pio com um "…você hoje não vai tratar de nada, tratamos amanhã os dois" para logo ali se acabar com a conversa telefónica.
Estes dois "Luíses Gonçalves", está mais do que visto, não podem ser a mesma pessoa. Se o Gonçalves de hoje, o que evolui nos relvados, é um prodígio de fúrias, já o Gonçalves de ontem, o que fala ao telefone, é um prodígio de precaução.
Este é, para já, o maior mistério da primeira volta do campeonato nacional de 2017/2018. A nível internacional, foi incrível como um misterioso árbitro estrangeiro chamado Jonas (olha quem!) Eriksson (pois claro!) expulsou o cordial Filipe.
"Senti que estávamos a precisar de uma derrota" disse Guardiola depois de perder com o Shaktar Donestk. Esta soberba anormalidade do treinador City acabaria, no entanto, por perder para o figurino de Zorro com que Paulo Fonseca se apresentou à imprensa desdenhando-se a si próprio como se fosse, de facto, uma anormalidade o sucesso que acabara de obter. "Senti que estávamos a precisar de seis derrotas", é, no entanto, o que todos os benfiquistas querem ouvir de Rui Vitória num Maio festivo. Já que estamos em maré de anormalidades."

As decisões de Rui Vitória

"O treinador do Benfica viveu as duas primeiras épocas na Luz em estado de graça. Tirando os primeiros três meses, o resto não podia ter sido melhor: campeonatos, taças, supertaças, boas campanhas europeias, jogadores vendidos por muitos milhões de euros, recordes para todos os gostos e a admiração dos adeptos. Ninguém fez melhor. A qualidade de jogo nunca foi espectacular, mas chegou a ser muito boa. E sempre se relacionou o sucesso do Benfica de Rui Vitória com uma certa ideia de "família perfeita" que trabalhava no Seixal, de segunda a sexta, com boa cara e obsessivamente focada nas conquistas. A receita parecia infalível.
A campanha desastrosa nesta Champions confirmou que as coisas estão diferentes, embora a quebra do nível de jogo já tivesse feito soar o alarme há algum tempo. O que mudou, então? Talvez o treinador esteja diferente na hora de tomar decisões. O forma como geriu o ‘caso Varela’ já tinha revelado um novo estilo de liderança, mas a ida do suíço Seferovic para o banco precisamente no jogo em Basileia também pode ser questionada, assim como a passagem directa de Diogo Gonçalves da titularidade para a bancada. Mais dois exemplos: Gabriel utilizado na Champions depois da noitada até às 6 da manhã e Pizzi titular após o infeliz episódio do Dragão. Rui Vitória a facilitar onde nunca tinha falhado."

O futebol português é uma vergonha nacional

"O que estamos a falar é de um sistema muito profissionalmente montado pelos próprios clubes, que se traduz na produção de insultos, no lançamento de cortinas de fumo e em ataques bem planeado. 

Não deixa de ser tristemente irónico que no preciso momento em que Portugal é campeão europeu de futebol, Cristiano Ronaldo colecciona Bolas de Ouro e os futebolistas e treinadores portugueses acumulam por esse mundo fora um prestígio que nunca tiveram até hoje, o ambiente do futebol em Portugal esteja ao nível mais reles de que há memória. Os maiores clubes bateram no fundo, e todas as semanas assistimos a cenas capazes de fazer corar as vendedoras do mercado do Bolhão. Nunca se viu isto em lugar algum do mundo civilizado, e do incivilizado acho que também não – temos as três instituições do país com maior capacidade para mobilizar pessoas e paixões totalmente alheadas das suas responsabilidades públicas; completamente envolvidas em polémicas rascas, acusações descabeladas e ofensas gratuitas; e que por sua vez são constantemente alimentadas por presidentes, por comentadores e por essa cada vez mais patética figura que é o director de comunicação.
O que é trágico nisto – e verdadeiramente preocupante – é que não estamos a falar apenas de indivíduos mais ou menos caricatos, que passeiam o seu admirável talento para a desconversa e para a desonestidade intelectual pelos canais de televisão. Não. O que estamos a falar é de um sistema muito profissionalmente montado pelos próprios clubes, que se traduz na produção de insultos, no lançamento de cortinas de fumo e em ataques bem planeados, que envolvem toda a cúpula do futebol de Benfica, Porto e Sporting. Pedro Guerra – só para referir o exemplo mais vergonhoso, oriundo do meu próprio clube – poderia ser apenas uma figura pitoresca e de mau gosto. Mas não: ele é simultaneamente alto funcionário do Benfica e a suprema pérola que o sistema produziu, tetracampeão do mais puro e revoltante fanatismo.
Infelizmente, apesar dos três jornais desportivos diários, dos infinitos programas de desporto e das generosas páginas dedicadas ao futebol em jornais de referência, faltam boas explicações para tudo isto. Precisamos de jornalistas capazes de nos explicar como e porquê chegámos aqui, a um tempo em que o jogo jogado se tornou uma quase insignificância, e jogadores e treinadores têm cada vez menos protagonismo, enquanto presidentes, árbitros e comentadores dominam uma fatia cada vez mais alargada da atenção mediática. Nada disto é inocente – é como se a queda sucessiva da qualidade das equipas portuguesas e do futebol que praticam tivesse de ser sobrecompensada com o protagonismo mais descabelado dos dirigentes e o crescimento das conspirações.
Isto polui todo o ambiente em que vivemos, afectando a qualidade do nosso espaço público, com milhões de portugueses inoculados com uma forma totalmente infecciosa de gerir a dissensão e administrar os conflitos. O futebol envenena tudo, a começar pela minha própria profissão. Ver jornalistas que em tempos respeitei, como Francisco J. Marques ou Nuno Saraiva, a desempenhar hoje os papéis de caceteiros dos seus clubes, transformados subitamente em serviçais do patrão e com linguagem de peixeira é uma coisa que dá a volta à tripa a quem valoriza a integridade pessoal e coloca a reputação profissional acima das paixões futebolísticas. Eu sei que toda esta gritaria ocupa tempo de antena, vende jornais e dá audiências televisivas. Mas estou profundamente convencido que, aos poucos, começa a afastar as pessoas decentes do futebol. Está a acontecer comigo. Está com certeza a acontecer a muitos mais."

Espiões

"Os Golden Stade Warriors, campeões da NBA, estão acusados por uma adepta, Latisha Satchell, de espionagem por aplicação de telemóvel capaz de gravar conversas pelo microfone dos aparelhos. A defesa do franchise admite que usa software com recurso a sinais sónicos que detectam o posicionamento do adepto no pavilhão e age em conformidade, não obstante apenas para fins comerciais. Acontece que, pelo meio, o software arrecada conversas. É a tecnologia a misturar-se connosco. Faz parte. Geralmente começa pelo EUA, na Califórnia... Daí os Warriors.
Duas considerações primeiro, valorizamos de forma ainda quimérica a nossa intimidade, crendo que onde estamos, o que compramos ou que temos sã zonas de privacidade. Há muito que não são. Segundo, ainda quando cientes deste dano no espaço íntimo, esta ideia de cedência prossegue perturbadora por pensarmos que do outro lado da recolha de informação estão pessoas, quando quem a receciona numa app como a dos Warriors não é um senhor numa mesa, é uma máquina que analisa formas de nos vencer, de nos levar a consumir.
Kenneth Cuckier, autor do livro Big Data, explica-o numa TED Talk: «Nos anos 50, um cientista de computação da IBM, Arthur Samuel, fez um programa para jogar damas. Ele ganhava sempre porque o computador só sabia regras. Então, criou subprograma pelo qual a máquina calculava a probabilidade de determinada disposição do tabuleiro conduzir à vitória. Samuel deixou o computador jogar sozinho para acumular informação e, quando voltou a defrontá-lo, nunca mais venceu. Criara uma máquina que aprende e que ultrapassa a capacidade do criador». 70 anos depois, ainda olhamos para as máquinas como humanos que, ao saber sobre nós, nos apoquentem como num sonho de nudez. Mas são máquinas. E olham para nós como máquinas. Não tenhamos medo da tecnologia, tenhamos medo de nós."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

A Europa a feijões

"É sempre assim o popular Benfica, avassalador na maré alta, eminentemente trágico nas marés baixas

Nenhum adepto do Benfica no seu perfeito juízo duvidou durante esta semana que o jogo marcado para o fim da tarde de hoje, no Estádio da Luz, com o Estoril Praia, será sempre muito mais importante para o definir da temporada de 2017/18 do que foi o jogo da última terça-feira, no mesmo distinto palco, com a equipa suíça do Basileia. Não é a valia dos adversários que está em causa. O que esteve e está em causa é a realidade das circunstâncias, triste realidade, circunstâncias lamentáveis em que o Benfica se viu inapelavelmente arredado de qualquer tipo de aventura internacional depois de uma série de cinco derrotas nos seus primeiros cinco jogos na fase de grupos da mais importante prova de futebol do continente.
A perspectiva de uma sexta derrota a fechar o périplo apresentava-se não como uma inevitabilidade histórica mas, a acontecer, como o sintoma indisfarçável de uma mania já aguda. E aconteceu. É sempre assim o popular Benfica, avassalador na maré alta, eminentemente trágico nas suas marés baixas, sendo que esta maré europeia, baixíssima, vai ficar como um dos momentos mais falhados e mais embaraçantes a castigar a História do maior clube português. Castigos, sim, e muitos. Foi exactamente isso de que se tratou na noite de terça-feira com os suíços na Luz. Castigo para Pizzi, obrigado a ser titular depois dos seus remoques para o treinador quando se viu substituído no Dragão, castigo para o treinador por ter apresentado uma equipa 100% talhada para um jogo de pré-temporada a feijões, castigo também para Jiménez obrigado a ver do banco a entrada do noctívago Gabigol quando ele, pobre mexicano, nunca foi apanhado em tais práticas.
E, finalmente, castigo imenso para os adeptos, que, ainda assim, preencheram metade da lotação do recinto na esperança de que alguém de encarnado vestido salvasse a honra do convento numa arrancada maluca, numa insistência desesperada. Como aquela de Seferovic, à meia hora de jogo, quando se viu sozinho no meio de muitos adversários e, sem ter ninguém dos seus com quem trocar a bola, resolveu dar meia-volta, fugir às marcações e rematar à baliza. Foi o melhor lance do ataque do Benfica contra o Basileia. Já na sexta-feira anterior, o melhor lance do ataque do Benfica contra o FC Porto foi no momento em que Krovinovic, sem ter ninguém dos seus com quem trocar a bola, resolveu arrancar sozinho para a baliza de José Sá. E quase que deu em golo.
A Europa jogada a feijões já lá vai. E como fazer pior do que esta campanha é impossível, este pequeno Benfica só pode mesmo melhorar.

Podence é mais baixo do que Messi mas daí a ser "baixinho"…
A imprensa espanhola, que tanto embirrou com José Mourinho, resolveu agora embirrar com Jorge Jesus, não reconhecendo nem estatuto nem dimensão ao treinador do Sporting para tratar Lionel Messi por "ó, baixinho!" naquela ginga lusitana de lhe cravar um abraço em frente às câmaras no fim do jogo de Barcelona. "Demasiada confiança", escreveu o ‘AS’ com as peneiras do costume. 
Também é verdade que o argentino ajudou à festa, fingindo, à primeira, que não ouvia. Ergueu os olhos para o céu, como que à procura de um interlocutor francamente superior, mas acabou por se condoer e fez o obséquio de se deixar abraçar pelo treinador português. O esforço de Jorge Jesus, note-se, não foi o de um caça-autógrafos fascinado por celebridades. Foi o de um adepto emocionado por estar à beira do pequeno e fabuloso Lionel Messi. E, em Alvalade, Jesus até conta ao seu dispor com um rodas-baixas, Podence, que tem menos cinco centímetros do que o argentino. Mas daí a ser "baixinho"..."

Benfiquismo (DCLXXXII)

Benfica - Estoril, 2015

Uma Semana do Melhor... Volei...

Jogo Limpo... Politiquices!

Champions ou penta

"Há uma série de lições que Rui Vitória não poderá ignorar

A campanha europeia não nos correu bem. Ao contrário do jogo no Estádio do Dragão, que acabou por recolocar o Benfica na luta pelo título, o percurso europeu dos tetracampeões não encheu o olho. Pode mesmo dizer-se: desiludiu!
O Benfica tem muito mais dimensão do que as 6 derrotas consecutivas que sofreu nesta fase de grupos. E, especialmente neste último jogo com o Basileia, há uma série de lições que Rui Vitória não poderá ignorar. Mas a Champions, por mais que nos encha o orgulho e os cofres, não pode esconder ou obnubilar o grande objectivo de conquista do pentacampeonato.
Ser Benfica significa não desistir, não ceder. Basicamente, a ideia é apenas uma: o penta é o nosso grande objectivo. A Champions desta época 2017/18. O resto é passado!"

Aliança vai agora ser posta à prova

"Parceria entre FC Porto e Sporting, está a resultar em pleno

FC Porto e Sporting partem para a 14ª jornada do campeonato de braço dado no comando da classificação. Chegamos a dezembro e a parceria estabelecida entre os dois clubes está a resultar em pleno, tendo em conta que o rival comum, o Benfica, está três pontos abaixo na tabela. Entre leões e dragões, e não é preciso excepcional esforço de memória para recordar esses tempos ainda frescos, as candeias andaram às avessas.
Por culpa de egos inflamados, como é hábito acontecer nas guerras de alecrim e manjerona do futebol português. Bruno de Carvalho já meteu Pinto da Costa e "senilidade pura" na mesma frase. Pinto da Costa, por sua vez, chamou a Bruno de Carvalho "adjunto de Jorge Jesus". Mas as circunstâncias mudam. E o tetracampeonato conquistado pelo Benfica foi uma dessas circunstâncias que obrigaram a medidas excepcionais. Seguramente não foi para recordar esses tempos que ambos, Pinto da Costa e Bruno de Carvalho, se sentaram lado a lado no camarote presidencial de Alvalade, por ocasião do Sporting-FC Porto realizado há pouco mais de dois meses, oficializando assim a paz entre ambos. 
Para Março está agendado o FC Porto- -Sporting, referente à 25ª jornada. Falta ainda muito tempo e até lá muitas coisas podem acontecer. Mas se a parceria continuar a dar frutos e se a estratégia de uma frente comum anti-Benfica se mantiver, conseguirá esta aliança estratégica entre leões e dragões sobreviver até lá? Eis um desafio que servirá para desvendar se este é apenas um casamento de conveniência.

Tolerância zero na Luz
O colapso europeu do Benfica aumenta a exigência dos adeptos para o que falta da época. Não haverá margem de tolerância no campeonato, até porque a equipa tem agora outro desafogo no calendário competitivo. Mas, neste caso, isso significa que a pressão vai aumentar.

O que não te mata...
Depois do infortúnio no Bessa, em Setembro, que ditou a única derrota que o Benfica tem no actual campeonato, e de uma condenação pública que quase o atirou para o baú dos proscritos, o guarda-redes Bruno Varela regressou mais forte. Lá diz o ditado, "o que não te mata..."

O fado de Alvalade
Os lugares-comuns, em Alvalade, continuam a ser o que eram. O Sporting dá luta, deixa boa imagem, sai de cabeça erguida nos jogos com os tubarões europeus. Mas perde. Enquanto for assim..."

Violência? Respeito, sim; claques, não

"Claques, com ou sem papel passado, não têm de obter apoios especiais.

Com uma política desportiva que parece centrar-se na comunicação, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) dificilmente procurará o recato para tratar, em profundidade e com os parceiros, o cancro da violência no futebol. A arbitragem também se expõe, os directores de comunicação não passam de papagaios digitais, os directores-gerais são incendiários com assento nos bancos de suplentes, os presidentes avalizam a pouca-vergonha e o ministro da Educação remata com o pé que tem mais à mão: "O futebol não pode ser um reality show." Entretanto, árbitros e jogadores continuam a ser agredidos. E adeptos a morrer.
A FPF, para atacar a maligna doença e as metástases, propõe um curso de formação para dirigentes e uma melhor política de apoios e regulação das claques. O curso é dispensável – basta voltarmos a ter respeito por nós e pelos outros. Quanto às claques, um sorvedouro de dinheiros públicos, o problema não se coloca. Com ou sem papel passado, não têm de obter apoios especiais.
Querem ir ao futebol? Vão, mas como qualquer espectador, com ou sem cachecol, podendo apoiar, sem obediência a macacadas, o seu clube. Por isso, a FPF escusa de defender a criação de uma autoridade virada para a segurança e o combate à violência no desporto. As polícias e os tribunais chegam – em causa está, tão-só, a lei e a ordem. Tatcher e Inglaterra explicaram, há muito, como se faz."

Dois pontos perdidos no Dragão

"A entrada de Felipe merecedora de cartão vermelho definiu o único prejudicado pela arbitragem no clássico

O Benfica empatou no Dragão e perdeu dois pontos na luta pelo título. Num jogo onde teve a felicidade de Marega ser mais agressivo contra os dirigentes adversários do que com a bola a meio metro da baliza. O Benfica entrou bem no jogo, dominou durante 25 minutos e viu Jonas falhar a melhor oportunidade do jogo logo aos dois minutos com a baliza deserta.
A entrada de Felipe merecedora de vermelho aos 11 minutos (minutos depois teve outra para amarelo) definiu o único prejudicado pela arbitragem. Se o Benfica tivesse ficado a jogar contra 10, nada teria sido igual e o vencedor só poderia ter sido um. Numa análise serena ao jogo, constatar que foi o Benfica que acabou com 10 deve deixar tópicos para reflexão. Mas isso não invalida o essencial, perdemos dois pontos na sexta-feira passada e temos que vencer o Estoril amanhã.
Jogámos muito bem 25 minutos mas o jogo tem 90 minutos e, no resto do tempo, o FC Porto foi superior, mesmo que Krovinovic aos 85 minutos tivesse nos pés a possibilidade da vitória. Parabéns ao FC Porto pelo empate e parabéns a Sérgio Conceição por ter visto aquilo que ninguém queria ver; José Sá é o melhor guarda redes azul e branco e o único com futuro.
Neste lamaçal em que anda o futebol e a arbitragem, um parênteses para Duarte Gomes. No programa televisivo em que analisa os lances, faz mais pela arbitragem do que todos os seus ex-colegas juntos. Explica os lances à luz das regras, é didáctico sem acinte nem acrimónia. Uma lufada de correcção, elevação e civismo e, por isso, os parabéns à SIC e ao próprio. O futebol precisa e o mundo civilizado agradece.
Temos 11 dias para nos mantermos na luta por todos os títulos. Há 11 dias para termos um bom Natal e poder fazer sentido os votos de «excelente Ano Novo».
Estoril no sábado, adversário de pesadelos não muito longínquos e um excepcional Rio Ave na próxima quarta-feira para a Taça de Portugal são o nosso difícil caderno de encargos. Neste momento, mais importante que a matemática é o futebol, é nesse que nos devemos concentrar, jogar bem e não dar margem para surpresas. O jogo da Taça na quarta é também ele muito importante, exige rigor e o melhor Benfica, com máximo de empenho e profissionalismo (ainda na quarta vimos o Marítimo / Cova Piedade)."

Sílvio Cervan, in A Bola

A caminho dos Quartos... à custa dos 'vizinhos'!!!

Benfica 3 - 1 Sporting
21-25, 25-19, 25-23, 34-32
Lopes(20), Zelão(15), Gaspar(12), Winters(9), Honoré(8), Gradinarov(8), Mrdak(3), Vinhedo(1), Violas, Filip, Dusan; Casas

Com a chegada do Sporting ao Voleibol, estava-se mesmo a ver que no primeiro sorteio da Taça de Portugal tinha que dar um derby!!!
Depois da derrota 'expressiva' no início do Campeonato, com a clara melhoria do Benfica desde então, esperava-se um jogo completamente diferente!!!

Por acaso, até começou mal!!! A derrota no 1.º Set 'acordou' a equipa, e as entradas do Gaspar e do Winters mudaram o jogo! O Mrdak tem melhorado mas ainda está 'mole' para este tipo de jogos; o Gradinarov tem andado a jogar lesionado, e hoje não deu para disfarçar!!!
A vitória no 3.º Set foi importantíssima pela forma como a conseguimos, com uma 'remontada' perto do fim... Os parciais do 4.º Set, são expressivos... até podiamos ter resolvido a 'coisa' mais cedo, mas pronto, ganhar nas 'vantagens' é muito saboroso!!!
Grande jogo do André do Zelão e do Honoré...
Com a eliminação do Sp. Espinho e do Sporting, temos caminho aberto... Fonte e Castêlo são os potenciais adversários mais difíceis, mas totalmente dentro das nossas possibilidades!!!
Estamos num ciclo complicado, com muitos jogos, quase todos de grau médio ou elevado, felizmente o plantel parece-me motivado e alegre...

Vieira na Serra !!!

"É tempo de um novo tempo. A vossa presença neste jantar e nas inaugurações que fizemos é a prova da nossa força imensa como clube, como referência da sociedade portuguesa e como marca com potencial global. A vossa presença aqui simboliza a força de quem, perante as adversidades, desde logo, a do frio, não hesitou em dizer presente.
Hoje inaugurámos a Casa do Benfica na Covilhã e a filial do Sport Tortosendo e Benfica, levando a que a Covilhã seja o concelho do País com mais casas e filiais do Clube com cinco no total. O que prova o enorme benfiquismo existente nesta região, que tal como a Serra da Estrela eleva bem alto o nome do Benfica e de Portugal. O Sport Tortosendo e Benfica, a caminho de 100 anos de existência, representa bem o esforço e dedicação de centenas de dirigentes e atletas que, durante décadas, vestiram esta camisola. O espaço que inaugurámos é um bom exemplo do que estamos a construir, também nas nossas filiais, garantindo a prática de várias modalidades.
A Casa do Benfica na Covilhã representa hoje o que estamos a planear para o futuro. Pela implementação dos nossos serviços como a bilhética, Red Pass, Sócios, produtos oficiais e, em breve, também nos seguros. Mas, o magnífico espaço que inaugurámos é já diminuto para as nossas expectativas futuras e quero por isso lançar o desafio ao sr. presidente da Câmara, a cedência do edifício da tinturaria em frente às novas instalações para o desenvolvimento de mais actividades de âmbito associativo onde as crianças serão os principais beneficiários do mesmo.
Caras e caros benfiquistas, só com força e com trabalho conseguimos obter os resultados que honram a nossa memória, responder aos desafios do presente e preparar um futuro cada vez mais assente na formação, na inovação e na valorização do Sport Lisboa e Benfica. Este ano conquistámos o histórico Tetra, apresentámos os melhores resultados financeiros de sempre, temos um projecto claramente definido e somos os únicos com um plano de infraestruturas para um futuro claramente identificado e estruturado.
Não precisamos de desviar atenções nem criar ilusões para esconder um deserto de títulos ou o descalabro financeiro. E isso faz toda a diferença e explica muito o que se assiste, de quem nunca assume erros e falhas e tudo aposta numa desesperada fuga para a frente.
Caros benfiquistas, quero deixar aqui hoje uma mensagem muito clara. É tempo de um novo tempo. É tempo de todos assumirmos a nossa responsabilidade. É tempo de criar outro ambiente no futebol português e à volta dele. Qualquer tentativa de prolongar o actual clima que se vive será um desastre para o desporto, para economia, para a sociedade portuguesa e para a afirmação internacional de Portugal. É tempo de acabar com as ameaças e insinuações sobre os agentes desportivos.
Neste tempo de Natal, é tempo de a família do futebol mudar de atitude. Quem tem de agir para apurar a verdade que o faça o quanto antes, o mais depressa possível. O Natal é uma época de paz e de se pensar no essencial. É tempo de um novo tempo.
E, por isso, o Benfica reitera todo o seu empenho em contribuir junto das instâncias do futebol e do próprio governo no encontro de soluções que coloquem fim a esta escalada vertiginosa que a nenhuma instituição desportiva deverá interessar. Por nós continuará a ser tempo de luta pela conquista do Penta, por somar mais história à História de glórias do Sport Lisboa e Benfica e por continuarmos a fazer o trabalho de casa.
Caras e caros benfiquistas, as Casas do Benfica são parte fundamental da grandeza do Benfica. Sempre fizeram parte da nossa estratégia de valorização do Sport Lisboa e Benfica e continuarão a ser fundamentais para irmos mais longe e mantermos a chama imensa. É assim que queremos continuar a contar com o vosso apoio e a vossa mobilização no Estádio da Luz e nos vários campos e pavilhões onde o Benfica joga. O Sport Lisboa e Benfica é enorme. Aqui, na Covilhã, na Beira, em Portugal e no mundo. Viva o Benfica!"


A morte de uma crónica anunciada

"Não é engano. Deturpo deliberadamente o título de um dos vários romances notáveis de Gabriel Garcia Márquez porque me parece adequado face ao momento actual do futebol português. É mais que evidente que vários opinadores e imensos detractores profissionais se preparavam para, finda e última jornada, sentenciarem a falência do desiderato benfiquista para esta temporada: o penta. Afinal, parece-me indiscutível que continuamos na luta como, aliás, nunca deixámos de o estar. Por outro, tudo o que envolve o FC Porto faz-me pensar, por vezes, que o futebol português pertence ao domínio do realismo mágico de Garcia Márquez, embora  trágico seja o adjectivo que melhor o caracterize. De mágico subsiste apenas o dragão, e animal mitológico escolhido para símbolo do clube portista. Mas do ilusório, e por isso trágico, há muito por onde escolher como, por exemplo:
- a data de fundação;
- o revisionismo da relação dos clubes com o Estado Novo (por exemplo, o FC Porto foi elevado a Instituição de Utilidade Pública em 1928, com os benefícios daí inerentes, mais de três décadas antes do Benfica);
- a criação de inimigos imaginários ('centralismo');
- a projecção, nos outros, das suas falhas éticas e comportamentais na competição desportiva (quinhentinhos, apito dourado, etc.);
- ou se revela em factos caricatos, como a existência de um exército liderado por um macaco ou a proliferação de 'Pintos' ou de 'Fernandos Gomes', este a fazer lembrar o extraordinário 'Cem Anos de Solidão', no caso, '35 Anos de Podridão'.
Salve-se que o patriarca, no seu outono, parece cada vez mais um general no seu labirinto. E que ao veneno da madrugada, de um dos seus soldadinhos, já ninguém preste atenção."

João Tomaz, in O Benfica

Faz-me lembrar a minha irmã

"Tenho uma irmã mais nova, com quem vivi momentos marcantes na minha infância. Há algo que nunca me esquecerei: a habilidade com que a pirralha escapulia às asneiras que cometia. Fazia trinta por uma linha, mas eu era sempre o mau da fita na hora de os meus pais darem os castigos. Ela arranhava-me, mordia-me e pinicava-me: nada se passava. Contudo, se eu tivesse a insolência de lhe responder com uma sapatada, a espertalhona chorava baba e ranho, e o crucificado era o mais velho. O modo como Sérgio Conceição analisa os jogos do FC Porto é assustadoramente idêntico à estratégia utilizada pela minha irmã. A equipa é beneficiada uma vez, e ele cala-se caladinho. O árbitro volta a errar em favor do FC Porto, e nem um pio do treinador. Todavia, quando ocorrem lances - ainda que duvidosos - com decisões desfavoráveis, Sérgio puxa do pacote de lenços e chora baba e ranho.
Assim foi com o Aves - resumiu uma prestação miserável dos seus jogadores a uma jogada discutível ao minuto 90  e assim foi com o Benfica - sintetizou em dois lances um jogo onde não ganhou apenas e só pela aselhice de Marega - se o avançado maliano acertasse na bola com a mesma pontaria com que Felipe acertou no Jonas logo aos 10 minutos, talvez o resultado fosse diferente.
Tenho 23 anos e vejo futebol, seguramente, há 15 ou 16. Foram necessários 20 (!) visitas do Benfica à Invicta para eu poder testemunhar um clássico onde o árbitro errou para os dois lados. Até aqui, o desgraçado era sempre o mesmo - será daí a origem do nome 'clássico'? Desta vez, houve dois clubes com razões de queixa e um deles estrebucha de revolta. No fundo até compreendo: estão mal habituados."

Pedro Soares, in O Benfica

Como se fossem factos

"Não sou velho, mas ainda me lembro de saudosos tempos em que os protagonistas do futebol eram os jogadores e os treinadores. No desporto que me foi apresentado em criança, e pelo qual me apaixonei, julgo que não existam directores de comunicação. Pelo menos não dei por eles, nem senti a falta.
O mundo mudou, e reconheço que a função se tornou necessária. Em entidades de grande dimensão, a harmonização do discurso institucional carece hoje de especialistas que ajudem a passar a mensagem sem ruídos ou equívocos interpretativos. É absurdo, porém, que sejam eles a substituir-se aos grandes protagonistas, e a transformar-se em figuras em torno no terreno de jogo quase pareça assunto menor. Não será difícil identificar exemplos disto mesmo no futebol português, como também é fácil perceber as consequências nefastas que tal inevitavelmente traz, ou já trouxe, a uma indústria que precisa de tudo menos de chicos-espertos a debitar parvoíces como se fossem factos, lançando lama sobre êxitos alheios com o intuito de esconder fracassos próprios - como se não tivéssemos visto os jogos, ou como se os títulos tivessem sido atribuídos por mail, ou por edital afixado na Rua da Constituição.
Infelizmente, a culpa não é só deles. Todo uma comunicação social decrépita e em busca desesperada de uma polémica diária que, à custa de sangue, lhe sustente a audiência, tem de ser responsabilizada na mesma medida. O que nos vai valendo é que eles não metem bolas na balizas. E por muito que lhes custe, cá nos mantemos firmes, na luta pelo Penta.
Vamos ler de novo: Penta!"

Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Funerais há muitos!!

"A exibição da nossa equipa no clássico de sexta-feira veio confirmar as razões pelas quais o SL Benfica é tetracampeão nacional. Só uma equipa competente, com grandes profissionais, consegue resistir à enorme frente anti-Benfica! Rui Vitória deu uma lição de competência, sensatez e pragmatismo. Sou um dos indefectíveis do nosso treinador. Mais uma vez, o resultado alcançado começou a ser conquistado antes do jogo, na antevisão da partida. Rui Vitória é um treinador muito consistente na sala de imprensa. Fala do que sabe, diz o que pensa e, sobretudo, pensa muito o que diz. Eu sei que há quem aprecie outro estilo. Felizmente, o nosso timoneiro é um verdadeiro exemplo daquilo que deve ser um líder. Acredito que muitas vezes o que lhe vai na alma é bem diferente daquilo que diz.
Todos davam o Benfica como morto, e o funeral estava feito e com data marcada. Foi assim também na primeira época de Rui Vitória. Na temporada 2015/16, começamos mal na Liga, atrasámo-nos e à 13.ª jornada estávamos como estamos hoje - no 3.º lugar. Mas como uma grande diferença - hoje estamos a apenas três pontos da liderança e há dois anos estávamos a sete pontos. Eu creio que 2015/16 deve servir de referência para percebermos que os campeonatos, tal como as provas de fundo do atletismo, são competições que se vencem de trás para a frente. É bem evidente que a equipa está a subir de forma. Os dois jogos com o Manchester United, os dois jogos com o V. Setúbal e o clássico provam-no.
O jogo deste sábado com o Estoril, apesar de estar em último lugar, é crucial na caminhada para o ambicionado penta!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Sem mais subterfúgios

"Não sou de chover no molhado. Mas não me venham com cantigas. Depois de termos encerrado a participação europeia com um ponto final redondo e demasiado preto, que fica como mancha em cada elemento do staff, não vale a pena servirmo-nos de quaisquer subterfúgios relativamente ao que temos pela frente. Agora, como disse e escrevi desde o início da época, sou muito realista e só vejo diante de nós um tema essencial e dois acessórios: o Penta e as duas Taças.
Por fim e sendo sabido que sempre sigo, do coração e da cabeça, os desígnios do meu Benfica, não me ficaria por menos: se perder seja o que for correspondesse ao propósito de qualquer atleta com o 'manto sagrado' do Benfica, até trocava já os canecos, por aquela que este ano constituí a volição maior de todos os Benfiquistas; ou seja, a conquista do quinto consecutivo Campeonato da Liga.
Na história do Benfica, ainda não conseguimos este mágico desiderato. Mas acredito, mesmo, que, desta vez, vamos alcança-lo. Circunstâncias para isso, internas e externas, não nos faltam: em primeiro lugar, naturalmente, a nossa própria condição de Tetracampeões. E depois, porque os nossos adversários mais directos vivem em ambientes de corda bamba, sem rede por baixo e sob cutelos de tal forma letais, que os próprios cenários lhes retiram o indispensável discernimento, só acrescentando mais dificuldades ao desnorte institucional em que ambos se encontram.
Eles estão, como nunca, de novo à nossa mercê.
Para nós, o mais difícil foi ter somado as quatro vitórias seguidas. Só nos falta uma. É nela que, em cada jornada, temos de ver jogar todos os nossos jogadores mais experientes e mais preparados que, indiscutivelmente, se encontram em forma absoluta e com o foco exclusivo, determinado e objectivo, para disputar e ganhar cada lance, cada sprint, cada passe e cada remate para golo, em cada jogo que jogarmos. Sem mais subterfúgios. Nem desculpas."

José Nuno Martins, in O Benfica

O 25 de abril do futebol português. A verdadeira história do caso Saltillo

"A insurreição dos jogadores e o clima reivindicativo dividiram a sociedade. Regresso a Saltillo 86 e aos episódios insólitos, cujos relatos mitificados sobreviveram até hoje. O livro “Deixem-nos Sonhar” chegou esta quinta feira às livrarias e pode ler aqui um excerto da obra

uma linha, ainda que sinuosa, a ligar o remate portentoso de Carlos Manuel, em Estugarda, que tornou realidade o sonho improvável de qualificação para um Mundial, e o pontapé de Éder, que, em Paris, deu uma conquista internacional com a qual, em Portugal, poucos sonhavam. E essa linha foi estabelecida no México, quando um conjunto de jogadores protagonizou um processo reivindicativo sem precedentes, colocou fim à sua carreira internacional, mas abriu a porta à profissionalização do futebol português de selecções. O longo estágio de preparação da participação da selecção nacional no Mundial de futebol de 1986, no México, é frequentemente recordado como um episódio entre o trágico e o caricato, repleto de incidentes rocambolescos, alguns verdadeiros, outros efabulados, que servem para alimentar o imaginário do futebol português da década de 80. Contudo, 30 anos decorridos, se olharmos para o que se passou, de facto, naquelas longas semanas em Saltillo, o que podemos ver é um momento crítico na transição do futebol em Portugal. Foi a partir da rebelião de Saltillo que se iniciou um processo de modernização e profissionalização das selecções.
Há dois anos, quando decidimos regressar a uma distante participação da selecção portuguesa no México 86 para escrever o livro “Deixem-nos Sonhar” (que chegou às livrarias a 7 de dezembro), estávamos longe de imaginar as revelações que encontraríamos. Um projecto que partiu de uma combinação de retorno à memória do que foi, para uma geração de portugueses, um momento fundador da relação sentimental com o futebol e com a vontade de contar uma história pouco esclarecida evoluiu para uma outra coisa: um retrato do país e da forma como as transformações na sociedade portuguesa se estendiam ao mundo do futebol, mudando-o de forma profunda. Foram horas de conversas com jogadores e outros que estiveram no México, desde jornalistas a membros da equipa técnica, passando por responsáveis federativos; de leitura de páginas sem fim de jornais da época; de consulta de documentos sobre o processo — tudo para desvendar um dos grandes mistérios do futebol português.
Quando numa conversa com Diamantino, um dos protagonistas desta história, o ex-jogador do Benfica afirmava que, no Mundial do México, “não tinha acontecido nada de especial”, estávamos ainda longe de compreender o alcance da afirmação. Durante o estágio, em Saltillo, não aconteceu nada de especial — no sentido em que várias ideias feitas que persistem sobre esse período são, no essencial, isso mesmo, ideias feitas: nem os jogadores fizeram greve, nem se assistiu a um processo de politização de reivindicações corporativas geridas politicamente a partir de fora, nem sequer os muito glosados episódios com mexicanas foram diferentes dos ocorridos em estágios de selecções antes ou depois de Saltillo. Contudo, além dos incidentes e do confronto adversativo entre a Federação, presidida por um austero Silva Resende, e jogadores, liderados pelo capitão inesquecível, Manuel Galrinho Bento, algo de estrutural ocorreu, reflectindo transformações no futebol global, na sociedade portuguesa e nas estruturas dirigentes do futebol luso.
Numa canção que se revelaria premonitória, Herman José, pela voz inesquecível de Estebes, ainda antes da partida para o México, dera o mote com o hino não oficial dos Infantes, ‘Bamos Lá Cambada, Todos à Molhada’. Trinta anos depois, o atribulado estágio no motel La Torre e a participação de Portugal no Mundial do México em 86 podem ser descritos como um processo desorganizado, repleto de reivindicações incontidas e também de contradições. Mas o mais interessante é que já era possível antever neste momento atribulado, e naquilo que aparentava ser uma “cambada” em vez de uma selecção profissional, as sementes de uma mudança profunda.
Tal como depois de 1974, na política e no país, nada foi como antes; também o futebol de selecções se alteraria radicalmente depois da passagem pelo México-86. A rebelião de Saltillo foi um 25 de Abril do futebol português, e, à imagem da transição política, uma transformação modernizadora, tardia, com elementos caóticos e na qual as reivindicações laborais foram preponderantes. UM

Sonho por cumprir
Poucas frases reflectem de forma tão exacta o espírito do tempo como o apelo deixado cair pelo seleccionador nacional, José Torres, na véspera de um jogo decisivo com a República Federal da Alemanha, no outono de 1985. Quando o ‘Bom Gigante’ reclamou “deixem-me sonhar”, expressava o desejo de alcançar um objectivo improvável, mas, sem o saber, dava conta de um ambiente que se vivia no país. O que estava em causa, muitos se recordarão, era uma improvável qualificação da selecção das quinas para a fase final do Mundial de Futebol. Mas, três décadas decorridas, podemos ler naquele apelo uma metáfora do país.
Tinham passado pouco mais de dez anos desde o 25 de Abril e Portugal era, finalmente, devolvido à Europa. O país sonhava: os portugueses libertavam-se de um passado de pobreza e fechamento para, de novo, viverem o presente com optimismo. A sociedade democratizava-se, modernizava-se e começavam a cumprir-se as expectativas de desenvolvimento social prometidas com a revolução. Só que, em 1986, o novo e o europeu coexistiam com traços persistentes do passado. Na sociedade, com novos recursos e padrões de consumo que se desenvolviam lado a lado com bolsas persistentes de pobreza; na política, com a adesão europeia e as eleições de Soares para Presidente e de Cavaco Silva para primeiro-ministro, que coexistiam com défices profundos de pluralismo; e, por arrasto, também no futebol, em que os clubes regressavam às finais europeias, a selecção se qualificava sucessivamente para a fase final do Europeu, em 84, e do Mundial, em 86, enquanto as estruturas dirigentes se mantinham presas a uma organização corporativa, amadora e anacrónica.
Numa partida épica, Portugal derrotaria a imbatível República Federal da Alemanha e a qualificação para o Mundial, 20 anos após Inglaterra, tornava-se realidade. Mas se o sonho de Torres se materializava, começaria a desmoronar-se daí a alguns meses. Depois de o país europeu, democrático e à procura de uma modernidade nunca cumprida, concretizar uma ambição desportiva que aparentava ser impossível, o futebol português reencontrava-se consigo próprio. E o sonho, esse, afinal, não se cumpriria.
Em troca, o país assistiria, de novo incrédulo, à desorganização, às divisões, à conflitualidade e a um fatalismo bem adequado ao espírito luso. Derrotados pela Polónia e por um improvável Marrocos — depois de, na estreia, ter surpreendido com uma inesperada vitória ante Inglaterra, comandada por Bobby Robson —, Portugal abandonaria o Mundial na fase de grupos. Mexicanos. Foi no Mundial de 1986 que o futebol deu um passo significativo para a globalização, para a mediatização, e passou a ser, de forma irreversível, um negócio. Mas os jogadores, no centro de tudo, recebiam uma fatia pequena desse novo bolo.
Mais do que a performance desportiva, o que ficaria para a história seria uma das páginas mais negras do futebol português, ainda que com contornos nunca totalmente esclarecidos. Uma insurreição dos jogadores, em conflito aberto com a Federação, um clima reivindicativo que dividiu a sociedade portuguesa, num momento em que estava em causa a representação do país, tudo apimentado por episódios insólitos, cujos relatos mitificados sobreviveram até aos nossos dias.
É tentador olhar para a rebelião de Saltillo e justificá-la com base numa mistura singular de nacional-porreirismo, personalidades contrastantes e um conjunto de episódios rocambolescos. Mas há razões mais profundas para explicar o que se passou naqueles dias mexicanos, em relação aos quais perdura uma nostalgia forte em todos os participantes e uma aura de curiosidade no país, que, à época, acompanhou tudo com grande interesse.
O professor Monge da Silva, membro da equipa técnica liderada por Torres, resume bem no livro o que se passou: “Estavam a ocorrer uma série de novidades no desporto mundial. Poderá haver uma leitura laboral, o conflito entre os jogadores e a entidade patronal. Uma leitura organizativa, que a Federação não tinha de todo. Uma leitura sociopolítica, da fase do futebol e do país. Portanto, há várias leituras que se podem fazer. Além disso, cada indivíduo tem leituras diferentes. E há uns que só sabem dos episódios burlescos.”

O mundo do futebol em transição
Quando, em Saltillo, numa imagem que marcou uma era, o capitão Manuel Bento leu um comunicado, rodeado por todos os seus colegas, onde expressava o descontentamento dos jogadores portugueses com a Federação, o momento estava longe de ser um ato isolado, circunscrito ao futebol português. Durante o Mundial, os sinais de contestação com a FIFA vieram um pouco de todo o lado, expressando um novo tempo. Como afirmou o avançado argentino Jorge Valdano, em pleno México-86, “mais do que nunca, neste Mundial, os dirigentes da FIFA enfrentaram uma nova situação. Os jogadores começaram a tomar consciência de que não são só músculos, mas seres pensantes e actuantes”.
O Mundial de 1986 decorreu precisamente a meio do longo mandato de João Havelange como presidente da FIFA (1974-1998) e corresponde a um marco no futebol moderno. Ainda na ressaca do até então ponto mais baixo do futebol mundial — a tragédia de Heysel, em 29 de maio de 1985 —, o México-86 foi novo ponto de viragem. Num futebol crescentemente mediatizado e no qual as transmissões televisivas adquiriram um papel poucos anos antes impensável, o Mundial tornou-se definitivamente um negócio sem paralelo no universo desportivo. As grandes competições internacionais de futebol passaram a estar ao serviço dos patrocinadores oficiais e os bilhetes assumiram valores exorbitantes. De desporto do povo, o futebol ameaçava transformar-se numa experiência corporate, devidamente televisionada.
Foi precisamente no México que o futebol deu um passo significativo para a globalização, para a mediatização, e passou a ser, de forma irreversível, um negócio. Mas nem por isso se democratizava. “O povo tem a TV”, disse, sintomaticamente, o director da prova, o mexicano Guillermo Cañedo, vice-presidente da FIFA, empresário de televisão e parceiro dileto de Havelange — e intermediário dos acordos da FIFA com os media — em resposta às críticas de que os bilhetes para os jogos eram demasiado caros para os mexicanos.
O povo tinha a TV, os jogadores uma fatia ainda pequena do bolo, enquanto a organização estabelecia relações privilegiadas com os patrocinadores, que lucravam como nunca antes com o negócio do futebol. O desporto-rei estava em rápida transformação, mas nem todos os intervenientes beneficiavam da mesma forma dos recursos que envolviam a modalidade. Por esses anos, as transferências entre clubes de países diferentes ganhavam expressão (Maradona tinha ido de Barcelona para Nápoles por 7,5 milhões de dólares, à época um recorde), mas os salários dos jogadores pouco tinham a ver com os que se praticam actualmente; enquanto isso, os patrocinadores começavam a associar-se aos grandes eventos e os dirigentes do futebol tornavam-se figuras cimeiras nos seus países e à escala global. Havelange era, então, rei e senhor do futebol mundial.
Mas como é que os sinais desta mudança se faziam sentir no futebol português? O jornalista David Borges, enviado do “Record” ao México, lembra que, em 1986, “os jogadores tinham noção de que havia um mundo de gente a ganhar dinheiro à volta deles e que eles ganhavam pouco com isso”. O treinador e ex-jogador Jaime Pacheco confirma essa ideia, recordando que, entre os atletas, havia “a noção de que a Federação já recebia dinheiro da UEFA e da FIFA”. Ora, uma das razões desta mudança passou também pela emergência de um novo protagonista: Joaquim Oliveira, irmão do ex-jogador António Oliveira, começava por essa altura a construir o seu império, que seria central na transformação do futebol português desde então. Além da intermediação dos direitos televisivos, a Olivedesportos dava os primeiros passos, precisamente em torno do negócio da publicidade e dos direitos de imagem da selecção portuguesa. Ainda hoje, entre quem esteve em Saltillo, não há quem esqueça a imagem de Joaquim Oliveira, praticamente sozinho e apoiado por uns quantos mexicanos que contratou localmente, a montar a publicidade estática nos treinos da selecção.
Depois de, em 1984, durante o Europeu, a Federação já ter beneficiado da venda dos direitos de imagem, no México, Joaquim Oliveira alargava a sua influência. Ficou com os direitos dos jogos e, num concurso disputado com a agência de publicidade McCann, que representava os interesses da Sagres, acabou por assegurar também os direitos de imagem das camisolas de treino dos jogadores, que por sua vez cedeu a outra cervejeira, a Cristal. Oliveira, que já era agente FIFA e, por isso, conhecia os meandros do futebol internacional, viu que existia um nicho de mercado e um negócio de futuro. A Federação lucrava com esta intermediação. A questão é que, para os jogadores, inicialmente, pouca diferença fazia.
Jaime Pacheco lembra que os jogadores “andavam lá com a Cristal e a Mundial Confiança”, para acrescentar: “Tínhamos a noção de que eles pagavam muito dinheiro e tínhamos a ideia de que, por pouco que fosse, devíamos receber. Andávamos lá a carregar com publicidade às costas e entendíamos que devíamos ter algum.” O advogado Jaime Dória Cortesão, mais tarde nomeado pela Federação para instruir o inquérito aos factos ocorridos durante o Mundial, recupera uma metáfora utilizada pelos jogadores: “Nós éramos os manequins de montra e, se a Federação vendia publicidade por causa dos manequins de montra, então tínhamos que receber algum.”
Enquanto surgiam novos recursos no futebol, colocavam-se desafios que a estrutura da Federação, nuns casos, não era capaz de gerir, noutros não queria resolver. Monge da Silva reconhece: “É o momento onde se detecta o desfasamento enorme que havia entre a capacidade organizativa dos nossos dirigentes e aquilo que o futebol exigia.” Ribeiro Cristóvão, outra testemunha dos acontecimentos, não hesita: “Ninguém estava preparado para aquilo.” Esta ausência de capacidade da Federação, que teve várias manifestações antes e durante o Mundial, foi admitida pelo próprio Amândio de Carvalho, vice-presidente federativo, responsável pelas selecções e, entretanto, falecido. Havia uma enorme confusão em torno de quem era responsável pelo quê: “Os problemas dos prémios seriam da minha responsabilidade, uma vez que eu era o chefe da delegação. A publicidade estática era pacífica. O que não foi nada pacífico foi o problema das camisolas e a imagem. Eu estava absolutamente a leste dessa situação.”
Porventura, a ausência de uma estrutura profissional e minimamente organizada explica o essencial do que aconteceu, mas, entre os jogadores, ainda hoje persiste a dúvida. Carlos Manuel reconhece que “as coisas estavam desajustadas para a época e que essa foi uma das razões para que tudo tenha acontecido”, mas adianta: “Aquilo era cada marosca. A Federação recebeu dinheiro da FIFA, da Adidas, dos patrocínios. (...) O que terá acontecido ao dinheiro? Não sei. Eu não o vi; nós não o vimos. Aquilo era uma vergonha. As contas da Federação eram contas de sapateiro.” Rui Águas admite que “as coisas eram tão pouco claras que acredito que, nos corredores, em vez dos jogadores tenham sido beneficiadas outras pessoas”. Naturalmente, é hoje impossível apurar que destino foi dado ao dinheiro. Mas uma coisa é clara: a desorganização da Federação e a falta de diálogo com os jogadores, a somar a uma tensão que se vinha acumulando há anos, criaram o contexto propício a todo o tipo de explicações.
A selecção chegou ao México com um optimismo desportivo moderado, mas com um peso excessivo em cima dos ombros, fruto de tensões acumuladas ao longo dos tempos. Desde pelo menos o Euro-84, em França, que havia um conjunto de problemas por resolver, que se iam agravando. Reivindicações com dois anos — como os montantes da diária, dos prémios, dos direitos de imagem, a negociação dos seguros e até a atribuição do cartão vitalício da FPF, que dava entrada gratuita nos estádios — eram discutidas parcialmente ou, em alguns casos, ignoradas. Estas reivindicações que, aos olhos dos nossos dias, parecem menores — quer quanto aos montantes envolvidos quer quanto ao que estava em questão — devem ser interpretadas à luz da época.
Entre promessas incumpridas, que já vinham do passado, e uma incapacidade de dialogar e encontrar entendimento, o ambiente entre dirigentes e jogadores foi-se adensando. Um misto de complacência e ausência de liderança, do lado da estrutura federativa, e atletas cada vez menos tolerantes com a Federação foi ajudando a que o clima se degradasse até um ponto de não retorno.
Jaime Pacheco recorda que, após o apuramento, foram “feitas uma série de promessas, de que saberíamos quanto é que iríamos ganhar como diária e por prémio de apuramento. Nós sabíamos que os outros países tinham tudo organizado e o que queríamos era chegar ao México sem estarmos preocupados com o que íamos ganhar. Em 84 fomos ganhando força, toda a gente estava do nosso lado e mesmo assim as coisas ficaram por concretizar. Na fase de apuramento para o Mundial, voltámos a ter os mesmos problemas e inclusive nas vésperas do embarque para Saltillo”.
Os jogadores não compreendiam a degradação do diálogo e o motivo pelo qual nada se resolvia. Fernando Gomes sublinha isso mesmo, ao referir que, quando chegaram ao México, “estava tudo por resolver, com a agravante de tudo se ter arrastado dois anos”. O então capitão do FC Porto recorda: “Estivemos quase um ano a ter reuniões mensais para resolvermos os problemas e a Federação nunca quis concluir nada. Nunca existiu da parte de quem mandava vontade de fechar o processo. Protelavam sempre.” Jaime Pacheco acrescenta: “Tivemos mil e uma reuniões, muitas no próprio campo de treinos. Falávamos também com o Torres — e fizemos tudo para que a liderança dele não fosse posta em causa. Ele levava a mensagem para a direcção e trazia-nos outra, que era nenhuma. Era para amanhã, era para a semana, era para depois. Tinha sido tão simples resolver a situação — ou é isto ou não é nada ou é alguma coisa. Faz-me espécie porque é que eles nunca quiseram conversar connosco.” Gomes alinha pelo mesmo diapasão: “Cada vez que passava um mês, cada vez que era adiada uma reunião, os jogadores ficavam cada vez mais magoados. Fomos acreditando na resolução e depois reparámos que estávamos a ser enganados.”
O que explica este adiamento de um desfecho que, de uma forma ou de outra, teria de ocorrer? Aqui, as opiniões dividem-se. O mais certo é que a Federação estivesse convencida de que não precisaria de alcançar um entendimento com os futebolistas. Afinal, uma vez chegados ao México, a convocatória estaria fechada e não restaria aos jogadores alternativa. Muito provavelmente, a estrutura federativa pouco confiaria também no espírito de união do grupo e na capacidade reivindicativa dos atletas. A experiência do Euro-84 indiciava que os jogadores estariam pouco unidos e que, chegados à selecção, continuaria a imperar a fidelidade clubística. Além do mais, entre o elenco federativo, em particular para o presidente Silva Resende, persistia um sentimento de alguma desconsideração face aos jogadores, que coexistia com uma cultura autoritária.
Na visão do presidente da Federação, os jogadores estavam ali para jogarem e representarem as cores nacionais e à Federação caberia decidir o que fosse mais adequado, em nome do superior interesse nacional. Doze anos passados do 25 de Abril, o futebol português ainda era dominado por uma cultura de antigo regime e não acompanhava o passo de modernização e democratização que o país vinha vivendo. Rui Águas é perentório: “Houve muitas reuniões, definiu-se uma série de coisas, só que depois eles marimbaram-se. A Federação fez tábua rasa daquilo que se tinha falado e combinado. Chegaram ao primeiro dia de concentração e disseram: está aqui, comes e calas. Foi esse come e cala que criou o movimento. Esta história toda teve o condão de unir o pessoal contra a Federação.” José Carlos Freitas, enviado do jornal “O Jogo”, no mesmo sentido, confirma quer o adiamento sucessivo de qualquer solução para os problemas que se arrastavam quer o preconceito da Federação em relação aos jogadores: “Os dirigentes entendiam que os jogadores não percebiam nada daquilo. Só tinham de jogar à bola e limitarem-se a receber o prémio que eles entendessem — isto quando já havia jogadores que tinham contactos e já sabiam o que se passava lá fora, com outras selecções. Tudo isto por uma questão de mentalidade, de preconceito de classe.”
Com realismo, Jaime Cortesão coloca o dedo na ferida: “Se tivéssemos passado aos oitavos de final, aos quartos ou às meias-finais, não teria havido o processo Saltillo. Mesmo que o comportamento, que foi assim-assim ou admissível, passasse a ser inadmissível, não haveria. Mais uma vez, o penálti falhado, a bola que não entrou e o resultado é que pontificou. O que foi, ao fim e ao cabo, uma maneira de branquear as responsabilidades da Federação.” Em França, dois anos antes, o clima mais adversativo não fora um problema, porque a selecção teve um desempenho positivo. No México, uma eliminação precoce deu um relevo a uma rebelião que, de outra forma, teria ficado esquecida, enquanto isentou os responsáveis federativos de responsabilidades. Gomes conclui: “O país foi a vítima e nós, jogadores, fomos o bode expiatório. Hoje dificilmente isso aconteceria.”
Tanto tempo passado, Jaime Pacheco não esconde a mágoa: “Poderíamos ter tido outra estabilidade que não tivemos, quer no Europeu quer no Mundial. Poderíamos talvez ter ido mais além e ter evitado aquele calvário que o futebol português passou nos anos seguintes. A pior coisa que me aconteceu foi ter sido castigado na seleção e termos saído de lá como vilões, como se tivéssemos cometido algum crime grave. Honestamente, tenho a consciência de que não fiz nada para ser castigado, nem para ficarmos com aquela fama de que contribuímos para que o nome de Portugal ficasse com uma carga negativa. Também tenho a noção e a certeza de que esses acontecimentos provocaram uma maior organização e acabaram por ser uma mais-valia para o futebol português. Tenho a certeza disso. Hoje, a Federação tem os resultados que tem porque se iniciou um novo ciclo depois de Saltillo.”

A lesão de Bento - Um momento emblemático na crise de Saltillo
O capitão da selecção, um dos principais artífices da boa campanha lusa no Europeu anterior em França e determinante no jogo da qualificação na Alemanha (Carlos Manuel, colega de equipa, recorda como “as bolas batiam nos postes e no Bento”), voltou a ser figura de proa no México. Porém, tal não se deveu somente ao seu contributo desportivo, que se limitou a um jogo: a vitória ante a Inglaterra. Poucos dias antes da segunda jornada da fase de grupos, em que Portugal defrontaria a Polónia, Bento sofreu uma lesão gravíssima que o afastou do Mundial e, como se sabe hoje, marcou o fim de uma era nas balizas nacionais.
A descrição do lance, por Vítor Serpa, no jornal “A Bola”, é impressionante: “Um cruzamento, José António a saltar, Bento a aparecer por trás, a tocar no companheiro, a desequilibrar-se, a cair mal. Os seus gritos ganharam eco nas bancadas. Os companheiros correm para ele e deitam as mãos à cabeça. Houve quem fugisse logo dali, queriam afastar a visão terrível. (...) É o próprio jogador que, apesar das dores, e ao ver o pé virado, de lado, numa posição aterradora, tem ainda a coragem de o levar ao sítio. Quando o doutor Camacho Vieira chega junto dele, apercebe-se de que a lesão é grave. Bento logo lhe diz: ‘Doutor, não mexa muito na perna, está partida’. (...) O estádio parece um túmulo. O silêncio pesa em todos.”
Rui Águas, que anos mais tarde, em Kiev, protagonizaria uma situação idêntica, lembra-se do impacto que o acidente do colega teve nele: “Até fiquei maldisposto, pedi para sair.” Monge da Silva também não se conseguiu esquecer: “Foi uma coisa incrível. Ouve-se o estalo, um barulho impressionante.” Diamantino conta que “quando o Bento caiu, o pé dele ficou virado ao contrário e, sentado no chão, meteu-o no sítio. Entretanto, vinham o doutor Camacho Vieira e o massagista a correr e, quando chegaram, já o Bento tinha o pé no sítio e começaram a brincar porque não o tinham visto virado ao contrário. Ainda estava quente e não tinha dor, fizeram aqueles testes tipo entorse e ele tinha os ligamentos todos marados. Aquilo que o Bento lhe chamou... Alguém disse no hospital que, se ele não tivesse logo aquele sangue frio de meter o pé no lugar, seria muito mais grave. O certo é que acabou na mesma com a carreira dele”.
Para Jaime Pacheco, Bento “foi o melhor guarda-redes da história de Portugal” e acredita que a ausência forçada do número 1 português “foi a nossa desgraça. Com ele teríamos tido outros resultados. Era a nossa trave-mestra, o nosso suporte a todos os níveis. Sentimos muito a lesão dele”. Diamantino reconhece que “a equipa ficou muito abalada, o Bento era um elemento-chave e tínhamos uma confiança enormíssima nas suas capacidades”. Fernando Gomes, na mesma toada, recorda que Bento “era uma figura querida da selecção. A equipa ficou afectada emocionalmente pela sua lesão”, enquanto Rui Águas, apesar de considerar que o episódio “não desmoralizou a equipa, foi traumatizante. Aconteceu mesmo ali ao pé de nós, na véspera de um jogo decisivo”.

A desorganização
Da presença portuguesa no México-86 acumulam-se histórias reveladoras da impreparação e inaptidão da Federação Portuguesa de Futebol para lidar, então, com as exigências inerentes à participação num mundial. O episódio da lesão de Bento, até porque o ídolo se transformara subitamente num dos símbolos da reivindicação, fornece algumas delas.
Por exemplo, Ribeiro Cristóvão, que na viagem para o México se encontrava em período de convalescença de uma fractura no pé, viu-se confrontado com um pedido inusitado do capitão da selecção: “Ó chefe, você já se viu livre das muletas…” De acordo com o jornalista, a comitiva portuguesa “não tinha muletas” e foi ele quem “desenrascou a situação”.
Outro exemplo está relacionado com o seguro que, alegadamente, protegeia os atletas em caso de ocorrência de um sinistro. Amândio de Carvalho, questionado em Saltillo acerca do assunto, assegurou que existia “um seguro especial para o Mundial, que protege os jogadores e prevê tudo”. Passadas três décadas, em entrevista conduzida para o livro “Deixem-nos Sonhar”, o antigo dirigente reafirmou a existência do tal seguro e mostrou-se surpreendido quando o seu amigo Eurico Garrido, director do serviço de cirurgia do Hospital do Barreiro entre 1985 e 2003 e amigo chegado de Bento, o desmentiu: “Isso é completamente falso. O Bento só conseguiu as apólices de seguro muito mais tarde. Fomos com o advogado do Bento à Secretaria do Benfica e não havia documentação comprovativa de quaisquer seguros dos jogadores do Benfica presentes no México. Não sei como é que fizeram os acordos, mas os jogadores julgavam que tinham 20 mil contos (100 mil euros) de seguro por incapacidade. (...) Ele só conseguiu o seguro ao fim de um ano por via judicial. Nunca lhe deram as apólices, nunca teve direito a nada. Teve de ser a junta médica realizada na sede da Federação, a pedido de Bento, a declarar sem equívocos que se tratava de uma lesão aguda, e não qualquer recidiva de uma lesão antiga. Passados meses vi as apólices onde diziam que os directores tinham 7,5 contos (37,5 euros) por dia por qualquer acidente e os jogadores tinham 5 contos (25 euros). Ficou com uma incapacidade de 9,6 contos (48 euros) por mês. Foi o que lhe foi atribuído. Foi extorquido e, se não fossem as muitas insistências, não levaria nem um tostão. A Companhia de Seguros enganou a Federação, mas foi a posteriori. Todos os factos sugerem que parte dos seguros foi efetuada depois de virem do México.”

A vida de jornalista
Curiosamente, foram poucos os jornalistas que assistiram à lesão do capitão português. Vítor Serpa recorda-se de “alguns jornalistas distraídos” e explica o que aconteceu: “A Selecção treinava tantas vezes em tantos sítios que obrigava a um esforço grande. O Zé Torres disse: ‘Vamos só ali um bocadinho para suar um bocado’ e houve jornalistas que não foram a esse treino. Logo por azar, o Bento parte a perna naquela circunstância, nem sequer a jogar à baliza. Há um jornalista da Renascença, o Ribeiro Cristóvão, que fez a reportagem imediata da situação da perna partida. Vai para o hospital, fala com os médicos. Eu estou lá com o Nuno Ferrari, também vamos, mas o Fernando Correia, por exemplo, tinha ficado em Saltillo. Estava na piscina a apanhar sol, havia um telefone, ele atende e era de Lisboa a perguntar quando é que ele enviava a peça do Bento. E ele nem sabia que o Bento tinha partido a perna. Isto porque tudo aquilo, a dada altura, mudava de um dia para o outro. O treino tanto podia ser ali ao pé como a 50 quilómetros.”
Outro dos esforços significativos a que os jornalistas estavam sujeitos tinha que ver com as comunicações. O México, a contas com uma profunda crise financeira agravada pela ocorrência de um terramoto devastador um ano antes, via-se acometido por inúmeras carências. Para os jornalistas, a diferença no fuso horário e as condições precárias em que trabalhavam desde Saltillo eram constrangimentos difíceis de ultrapassar. Os meios eram escassos e as comunicações telefónicas incomportáveis.
Entre as várias peripécias vividas pelos jornalistas ao longo do Mundial, David Borges recorda-se de um grupo de jornalistas andar em busca de um telex, até que, finalmente, encontraram um, numa repartição pública. Era necessário negociar o acesso e a utilização do telex, o que acabou por se revelar simples: a repartição tinha um director fanático por futebol e o telex podia ser utilizado. Em troca, os jornalistas tinham de levar o dirigente da administração pública mexicana a assistir a um treino da selecção. Assim foi: “Fomos com ele, no carro dele. E passados 15 minutos, vimos com espanto o gajo, dentro do campo, a atirar bolas ao Bento. O Bento na baliza e o fulano a rematar. Depois, levou-nos de volta e, no caminho, ia a conduzir com o braço de fora e a dizer: ‘Isto é que é vida’.”"

Video-árbitro: nem vídeo, nem árbitro

"Com as máfias lusas do futebol, tinha de acontecer: o vídeo-árbitro nem resolve em campo, nem depois. Alimenta confusões, manipulações e ódios.

- No futebol português, nada se perde, nada se cria: é sempre a mesma porcaria. Agora são as imagens do vídeo-árbitro que ora servem, ora não servem, ora se diz coincidirem com o jogo, ora se dizem manipuladas. E basta tirar uma imagem da sequência.

- O criminoso de guerra Slobodan Praljak suicidou-se em pleno julgamento no Tribunal Internacional de Guerra para a ex-Jugoslávia. Ironia, o suicídio é, e bem, a mais evitada realidade pelo jornalismo, mas este caso ocorreu num tribunal — e em directo.

- Tal como a ERC socratinista, a Comissão Nacional de Protecção de Dados extravasou competências para censurar o relatório da Comissão de Inquérito a Pedrógão, que desagradava ao governo. É a mesma tendência pró-fascista do Estado ao serviço do governo.

- O reality game show chama-se ‘Naked & Afraid’, nus e com medo. Atiram concorrentes nus para a Amazónia. Digitalizam as partes pudibundas (para o espectador não estão nus). Estão "sós" — com inúmeras equipas técnicas, médicos, etc. A estupidez é total.

- O vulcão ‘Agung’ na Indonésia entra em erupção? Coitados dos turistas! Pobres empresários estrangeiros! Malvadas companhias aéreas! As notícias sobre o caso foram totalmente etnocêntricas: só interessaram as consequências para os ocidentais veraneantes.

- Mais uma imagem de miúdos estudantes transformou-se em notícia: desta vez foi uma ratazana que resolveu estudar o ambiente numa escola almadense. Bem alimentada (decerto não na cantina), a rata mostrou à-vontade para prosseguir os estudos

Tendências
Música: Como a TV tem mais terror do silêncio do que da falta de imagens, cresce a nefasta moda ou mania de encher reportagens com música. Às vezes são quase meia dúzia por noticiário. Serve para criar melodrama e tapar momentos sem palavras. E é uma maneira de os jornalistas darem a sua opinião por portas travessas, através da música, que, em vez de melhorar a reportagem, piora-a. 

Descalabro: O secretário-geral da CGTP falando e aplaudido num plenário de trabalhadores da Impresa (SIC, etc.)? Impensável há uns anos. Mas o desespero nalguns media, dos proprietários aos empregados, tornou a cena possível. O grupo de Balsemão, sempre tão ciente do controlo dos seus media, prepara-se para vender um monte de revistas a um grupo desconhecido com um suspeito testa-de-ferro. Tudo péssimo."

O poema do extraterrestre que aterrou em Portugal

"Era uma vez neste país
Para o qual Deus olhou e disse:
Que bela obra que fiz,
Sem nenhuma fanfarronice.

Vou mas é enchê-lo de sol
E já agora de sardinha assada
Para salvar um ou outro caracol
Numa tarde com cervejas regada.

Ora então nesse país
Que se fez grande mar adentro
Instalou-se um diz que diz
Que tinha no futebol o epicentro.

Era tanta palavra oca
Tanto carapau de corrida
Que sempre que alguém abria boca
Era asneira certa, uma loucura varrida.

Nisto chegou a Portugal
Um bicho de sete cabeças
Era verde, cheirava mal
Duvido muito que o conheças

Era um caríssimo extraterrestre
Abriu logo o coração que não tinha
Disse ai meu Deus, meu bom mestre
Onde é que toco à campainha?

O extraterrestre foi entrando de fininho
E sentou-se ao balcão
Disse traga-me um jarro de vinho
E uma sandes de leitão.

Nisto um bêbado aproximou-se
Perguntou o que vieste cá fazer?
Foi o futebol que me trouxe
Agora deixa-me que estou a comer.

O bêbado dirigiu-se à entrada
A murmurar este deve ter a mania
Enfio-lhe uma cabeçada
Que lhe dou cabo da cidadania.

Olha lá, tu se queres ver futebol
Vieste claramente ao sítio errado
Aqui a bola parece conversa de urinol
Penáltis, foras de jogo e ataque cerrado

O extraterrestre ficou vermelho
Pousou o copo de vinho e olhou de lado
Tu às vezes devias olhar-te ao espelho
Não sabes o que dizes, és um bêbado ajumentado

Não há futebol como o português
Vem do fundo da alma e é patriota
Nem espanhol, francês ou inglês
Nenhum deles é campeão da Europa

Por isso ó bêbado põe-te fino
Não dês importância ao que não a tem
O vosso futebol é encantador e cristalino
Ouvi-o no planeta de onde venho, da boca da minha mãe."