Últimas indefectivações

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Venham os jogos do Benfica

"Não faço a mais pequena ideia sobre a utilidade de Alfa Semedo, mas se é esse que veio então será esse que precisamos de ver

Assisti à derrota de Portugal com o Uruguai em Portofino, Itália. Confesso que fiquei impressionado pela quase totalidade dos italianos estarem genuinamente a torcer por Portogallo. No fim do jogo, estavam tão aborrecidos os italianos como eu. De facto a Selecção Nacional tem hoje muitos admiradores em paragens que não consigo explicar. Dos funcionários de hotel aos empregados do restaurante, sentia-se a preferência pela nossa Selecção e o desânimo pela nossa eliminação. Itália não está no Mundial e foi-me explicado uma genérica simpatia dos italianos pelas selecções da Croácia e de Portugal que pude testemunhar. O gerente do restaurante ainda disse com desabafo de sorriso amargo: «Mas o Ronaldo esteve mais cinco horas no Mundial que o Messi».
Com a eliminação de Portugal do Mundial da Rússia, com o Sporting de volta à normalidade (se é permitido falar em normalidade e Sporting na mesma frase), ganha mais relevância o regresso do campeonato nacional no mundo informativo. Hoje à noite, em Coimbra, já temos o resultado do sorteio da Liga 2018/19 e, por isso, ficamos com o caderno de encargos rumo ao 37 definido.
Na próxima terça-feira já há Benfica no primeiro teste amigável. Bem sei que estes apontamentos parecem excessivos para quem não vive e sente o clube com a nossa diária paixão e a nossa eterna dependência, mas de facto precisamos mesmo de voltar vê-los jogar.
Alfa Semedo? Para ser verdadeiramente sincero não faço a mais pequena ideia sobre a sua utilidade no plantel benfiquista, mas se é esse que vem será esse que precisamos de ver. É assim a pré-temporada de um adepto, até os sorteios ganham dignidade de prioridade, não há programa que supere a necessidade de acompanhar a nossa sorte.
Palavra obrigatória para os nossos juvenis, que também se sagraram campeões nacionais (imitando os juniores) ao golear o FC Porto no último jogo. Esta é uma equipa que impressiona, não tanto por ter vencido, mas pela qualidade da forma como vence. Parabéns a Renato Paiva e todos os seus jogadores pela forma brilhante com que fecharam uma excelente época da formação encarnada.
Rui Vitória terá um mês para acertar agulhas e preparar o primeiro jogo oficial, porque depois será um início com calendário apertado e com exigência máxima."

Sílvio Cervan, in A Bola

Formar a ganhar

"Esta semana pensei em exultar de alegria e orgulho pelo excelente percurso da nossa equipa; agradecer o excelente trabalho de Renato Paiva e seus adjuntos; elogiar o talento ímpar, em quantidade inusitada, deste grupo; relembrar que esta geração, há dois anos, venceu categórica e invictamente o campeonato de iniciados; e, finalmente, criticar a desfaçatez com que certos palermas mal-intencionados tentaram criar a ideia de que o Benfica, por ter 14 atletas no Campeonato da Europa de sub-17 e fazer da formação um dos seus bastiões, condiciona ilegitimamente as convocatórias das selecções nacionais.
Seria uma crónica simples e julgo que eficaz quanto à afirmação de um ponto de vista. Mas há que retirar algumas lições, das quais saliento duas.
A primeira remete para a abordagem às competições. Nesta época, o Benfica adoptou a política na formação que me parece a mais adequada: os jogadores subiram de escalão para aprimorarem as suas qualidades, mas disputaram as fases finais da sua faixa etária. Não por acaso, voltámos a ser campeões nos juniores, o escalão mais 'prejudicado' pela primazia dada ao desenvolvimento individual. Estou convicto de que o talento existente no Seixal nos últimos anos poderia ter resultado em mais títulos, embora o mais importante seja formar atletas. Porém, o ligeiro ajuste da utilização de jogadores em prol da conquista de campeonatos nunca será um retrocesso.
A segunda tem um âmbito mais alargado, mas que resumirei a uma frase. As narrativas falsas criadas com o intuito de condicionarem a competição desportiva não resistem à superioridade patenteada em campo. A procura dessa superioridade será sempre a melhor arma para o combate à ignomínia."

João Tomaz, in O Benfica

Foi quase

"Assim se pode caracterizar a época das equipas masculinas das modalidades de pavilhão. Andebol, basquetebol, voleibol, hóquei em patins e futsal estiveram na luta até ao final pelos títulos nacionais, mas não aconteceu. No andebol, ficam os sinais de que estamos cada vez mais perto. No basquetebol, sabe notoriamente a pouco termos ficado pelas meias-finais, quando tínhamos a melhor equipa, a melhor estrutura e os melhores jogadores. Quanto ao voleibol, perdeu-se uma grande oportunidade de colocar no lugar peseteros e federação da modalidade por serviços prestados em favor de um clube que, com passes de magia e cheques chorudos, inventou uma equipa na secretaria.  No hóquei, depois do assalto à mão armada da época passada, tivemos tudo para continuar a ser os melhores, mas falhámos nos momentos decisivos perante rivais directos nas competições nacionais e internacionais. E quanto ao futsal, o caso à partida estava mais complicado, fomos à negra e perdemos dois jogos nas grandes penalidades. Será isto razão para desânimo? Não me parece. É razão para preocupação e para preparar uma época de conquistas, isso, sim. Há que analisar os erros, reforçar as equipas e a mentalidade vencedora.
Quanto às críticas, são bem recebidas desde que construtivas. É que, para deitar abaixo, já bastam os outros. E o que o SL Benfica precisa é de soluções e de apoio. Problemas e ódio, já temos que cheguem, vindos de forma descarada ou encapotada dos vizinhos do lado ou dos rivais do Norte.
Vai começar tudo de novo. Estão prontos?"

Ricardo Santos, in O Benfica

Cheira bem, cheira a Benfica

"Hugo Boss, Dolce & Gabbana, Prada e Calvin Klein são marcas de perfumes conceituadas, mas, com todo o respeito, no meu entender, são uma valente fraude, desculpem o termo. Nenhuma delas comercializa o mais encantador aroma que o ser humano já inalou: o cheiro a Benfica. Já se sente no ar, não é? Amanhã há treino à porta aberto, e o primeiro particular é na terça-feira, diante do FK Napredak. O Campeonato do Mundo acabou de passar para segundo plano. Mal posso esperar para ver a dupla Jonas-Ferreyra no ataque. Quantos golos irão marcar? Menos de 60 cada um será uma desilusão. Todavia, tenho consciência de que os dois craques não poderão ser sempre utilizados. É pena estarem indisponíveis para jogos onde a defesa adversária inclua jogadores abaixo dos 23 anos, não vá o Conselho de Disciplina castigá-los por bullying, mas confio no mister Rui Vitória para encontrar outras soluções. Nomeadamente João Félix, embora se mantenha o perigo de sanção disciplinar. Olhando para a dedicação com que o CD observa os jogadores do Benfica, não ficaria espantado se João Félix fosse acusado de desrespeito aos mais velhos após fazer um túnel a um adversário. Pelo sim, pelo não, talvez seja prudente contratar o Slimani.
Todos sabemos que o argelino tem carta-branca para fazer o que quiser dentro de campo. O ano passado deu para descansar em Maio. Os benfiquistas recuperaram o estado físico, alguns o estado sóbrio, pelo que em Maio de 2019 terá de haver arraial. Há vários jogadores novos, já se vê adeptos e debaterem qual dos reforços irá encaixar melhor na equipa. Eu prefiro abordar outro tipo de questões. Qual dos reforços se irá embebedar mais no Marquês?"

Pedro Soares, in O Benfica

Reflexões

"Com o fim do campeonato de Futsal, pode dizer-se que a época desportiva terminou. E o balanço para o Benfica é deveras negativo. Falhando nas principais modalidades, importa perceber o que se passou, e corrigir os erros, de modo a que o futuro nos traga de volta os êxitos a que durante anos nos fomos habituando.
Olhando para os vários campeonatos, identificamos desde logo um certo padrão: perdemos a maioria deles em casa, em partidas decisivas. À semelhança do Futebol, foi assim no Hóquei, no Futsal e no Basquete (aqui, na meia-final). Podendo decidir tudo na Luz, entrámos muito mal nesses jogos, vimo-nos perante desvantagens expressivas, e a tentativa de recuperação revelou-se insuficiente. Perante a pressão de vencer e ser felizes, vacilámos no plano mental - ideia reforçada pelo duplo fracasso nos penáltis do Futsal, ou pelo match-point desperdiçado no Vólei.
Outra conclusão há que retirar, para a maioria das modalidades, e extensível a épocas anteriores: o nosso principal problema táctico reside na forma como defendemos. Isto levar-nos-ia a uma análise mais profunda, onde entraria uma cultura de clube muito voltada para o espectáculo, excessivamente valorizadora dos artistas, e um tanto negligente quanto a aspectos tácticos, atléticos ou outros importantes parâmetros de jogo. E aqui, meus amigos, a culpa começa nas bancadas, onde os Miccolis são idolatrados, e os Felipes Augustos são enxovalhados.
Há pois que reflectir, mas sem dramas, nem fantasmas. Estivemos muito perto, e não será preciso alterar muita coisa para que em 2018-19 o Benfica esteja de regresso aos títulos."

Luís Fialho, in O Benfica

Caixa 13

"A curtas semanas de comemorar o 12.º aniversário do Caixa Futebol Campus, o balanço já pode ser feito. Em 12 anos de vida da nossa academia, conquistámos 13 títulos nacionais - 6 de Iniciados, 5 de Juvenis e 2 de Juniores. Independentemente dos títulos em todos os escalões - e não incluo os distritais -, a maior proeza foi a quantidade e a qualidade de jovens talentos nados e criados no Seixal. Só para dar um exemplo, regressa ao SL Benfica Alfa Semedo Esteves. Oriundo da Guiné-Bissau, chegou em 2014/15 para a equipa de juniores A e nela jogou durante duas temporadas.
Seguiu para o Vilafranquense, em 2016, onde brilhou no Campeonato de Portugal a ponto de ter recebido o desafio de rumar a Moreira de Cónegos, em 2017, e foi no Moreirense que confirmou as suas qualidades. Treinado por Petit, um dos que conhecem bem o ADN do Glorioso, Alfa Semedo revelou-se, ao longo de 34 jogos, um médio defensivo moderno e um defesa central de enorme qualidade. Regressa ao SL Benfica prestes a completar 21 anos e encontra o treinador ideal para o projectar.
Rui Vitória nunca teve qualquer receio em apostar em jovens. O curriculum do nosso treinador é vasto e recheado de casos de sucesso. Em todos os clubes, Rui Vitória caracterizou-se por lançar jovens jogadores, e muitos deles chegaram à selecção nacional dos respectivos países. Alfa, tal como sucedeu com Yuri Ribeiro no Rio Ave, tem tudo para dar certo.
Tal como o magnífica geração de 2001 que nos brindou com um campeonato de juvenis A de eleição. Renato Paiva confessou que esta é a melhor geração que treinou. Isto foi dito por alguém que tem 14 anos de clube. Todos sentimos que muitos destes 30 talentos poderão chegar onde chegaram João Félix, Gedson Fernandes, Yuri Ribeiro, Rúben Dias, Bruno Varela, João Carvalho, Diogo Gonçalves, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Nélson Semedo e João Cancelo. Só para dar 11 exemplos de sucesso!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Um banho de valores...

"Nada mais oportuno no mundo de hoje que chamar a ética e os valores ao palco e dar-lhes primazia. Basta ver como vai o mundo!
Essa é a razão de existir do projecto KidFun - Educação para Valores da Fundação Benfica. Não vou explicar em que consiste, porque não é esse o propósito desta coluna, mas vale a pena divulgar que o projecto envolve mais de 20 000 crianças todos os anos numa mistura inovadora de brincadeiras, experiência, desporto, ética e valores com uma metodologia e uma equipa profissional que consegue brincar com coisas sérias e transformar diversão em aprendizagem cidadã.
Tudo começou com 3000 crianças, uma caderneta de cromos virtual online, vídeos, desenhos animados e um estádio insuflável e percorrer o país. Hoje, esse estádio ganhou um balneário, também insuflável, e outros atractivos para continuar a sua missão de propagar e importância dos valores junto das escolas.
Neste novo espaço, as crianças organizam-se em equipas, a cada equipa entra e instala-se junto dos cacifos dos Kids que estão caracterizados com valores como o Respeito, a Verdade, a Excelência, a Superação e por aí fora...
Tal como uma equipa, os miúdos organizam-se em torno do mister e dos quadros com as tácticas que vão ajudar a construir e compreender como se se tratasse de um jogo de futebol, só que este é um jogo da vida real! O que está em causa é muito simples. Se ter valores nos pode tornar mais fortes, então como é que isso acontece na prática? O que devemos fazer no dia a dia para tirar partido do poder dos valores e como podemos aplicar esse poder? E para quê?
Então as ideias fervilham com a imaginação, e é toda uma visão de mundo que se desenrola, transpondo esta linguagem dos valores e cada valor para as situações práticas da vida. Desde logo na dimensão infantil que é a sua, na escola, com os amigos, em família... Mas também na observação das atitudes dos adultos uns com os outros e perante as situações que a vida lhes coloca. É que as crianças nada escapa e também não se lhes aplica a velha máxima cristã 'olha para o que digo e não para o que faço'. Por isso não pode haver educação sem modelos nem comportamentos sem exemplos. Por isso também, se acharmos mesmo que a sociedade em que vivemos atravessa uma crise de valores e que é preciso mudar, temos de sair da posição confortável de educar as crianças para o futuro e desistir da nossa própria mudança apenas porque é difícil mudar. Vamos educar as nossas crianças desta forma e para dar o exemplo vamos mostrar-lhes que também entrámos neste balneário, despindo-nos de preconceitos e tomando o banho regenerador das nossas vidas. Um banho de valores!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Jamais nos cansaremos de vencer!

"No final de Junho, Portugal participou neste ano, pela primeira vez, nos Jogos do Mediterrâneo, um já tradicional magno encontro multidesportivo de atletas e equipas provenientes do que - à triste excepção de Israel - representa praticamente a totalidade dos países que dão margem ao seu mar comum. Convocada para a província de Tarragona, na comunidade autónoma da Catalunha, em Espanha, esta foi a décima oitava edição dos JdM que se disputam normalmente de quatro em quatro anos, desde a estreia em 1951, na região de Alexandria, no Egipto. A missão do nosso país foi organizada pelo Comité Olímpico de Portugal e constituiu-se de duzentos e trinta e três e três atletas oriundos de muitos clubes e associações, chamados a competir em vinte e nove das trinta e três modalidades, programadas nas suas respectivas múltiplas especialidades e declinações habituais.
No fim das contas dos Jogos e, em face de um contexto competitivo muito denso, no qual tradicionalmente apostam muito forte todos os grandes e pequenos países do 'mar do meio da terra', Portugal viria a quedar-se na 13.ª posição do 'medalheiro' dos Jogos do Mediterrâneo.
Mas nenhum outro clube português trouxe de volta um espólio tão expressivo de medalhas como aquele que os atletas do Sport Lisboa e Benfica lograram alcançar nas suas disciplinas e desportos, ao conquistarem oito das vinte e quatro medalhas 'portuguesas'. E, logo na ocasião do regresso da delegação nacional, Luís Filipe Vieira fez questão de assinalar o 'imenso orgulho' que os Benfiquistas têm no papel que desempenhamos no desporto português.
Eu sei como terá sido profunda e sincera a afirmação deste sentimento do presidente, a falar em nome de cada um de nós! Sobretudo, porque entendeu fazê-la, como que exprimindo um autêntico grito de alma, precisamente, na circunstância temporal do final de uma das épocas mais bisonhas e atípicas da nossa história recente, na qual, depois de uma década de constantes êxitos que asseveraram a completa hegemonia desportiva do Benfica, mais parecíamos estar, então, muitos de nós, acabrunhados e vencidos.
Oxalá que a oportuna palavra e a decidida acção de Luís Filipe Vieira, assim como os notáveis desempenhos dos campeões - Melanie Santos e João Pereira ambos com ouro, no triatlo); Joana Vasconcelos, Fernando Pimenta (os dois na canoagem) e Rui Bragança (no taekwondo) com medalhas de prata; e Teresa Portela (em canoagem), Diana Durões (na natação) e José Pedro Lopes, Diogo Antunes e Rafael Jorge (na estafeta 4x100m, masculina, em atletismo) conquistarem o bronze -, sirvam de inequívocos exemplos para todas as estruturas, equipas e seus companheiros, em todas as competições e torneios da nova época. No Sport Lisboa e Benfica jamais nos cansaremos de vencer!"

José Nuno Martins, in O Benfica

O relatório do Benfica 2018/19: regresso ao 4x4x2

"Tendo em conta o que aconteceu na segunda metade da época passada, parecia-me boa ideia que o Benfica continuasse a apostar numa estrutura em 1x4x3x3. Com isso, mesmo apresentando problemas no processo ofensivo, que continuou excessivamente dependente das individualidades, o Benfica tornou-se numa equipa capaz de preencher de forma mais harmónica os espaços e de contar com mais unidades desequilibradoras a actuar em simultâneo. Por isso, os triângulos, principalmente os que foi capaz de definir à esquerda, com combinações entre Grimaldo-Zivkovic ou Krovinovic-Cervi revelaram-se determinantes no crescimento do rendimento da equipa, o que permitiu que se relançasse na corrida pelo título.
Contudo, sempre se percebeu que, ao sentir-se apertado no decurso dos jogos, Rui Vitória não resistia a retornar à estrutura em 1x4x4x2. Algumas vezes com bons resultados para desbloquear partidas, até porque tinha mais presença na área contra equipas que se posicionavam nos últimos metros, mas o problema que foi visível durante os dois anos e meio em que utilizou essa organização estrutural, persistia: uma equipa com demasiada pressa em chegar à baliza rival, com pouca capacidade para estabelecer um jogo associativo, e mais vulnerável no momento de transição defensiva, algo que ajuda a explicar os resultados decepcionantes na Liga dos Campeões – sete derrotas consecutivas – e a inexistência de triunfos ante o FC Porto.
Sem surpresa, as aquisições de Ferreyra e Castillo apontam para o regresso ao 4x4x2. Isto porque Jonas, o melhor definidor do campeonato (no remate e no último passe) ,terá de ser sempre titular, e porque Chucky Ferreyra, com elevado estatuto fruto das épocas no Shakhtar, não seria contratado para ficar no banco. Aqui, o trabalho passará por conseguir o acasalamento entre os dois, algo perfeitamente possível tendo em conta as características de ambos: ao génio de Jonas, Ferreyra acrescenta mobilidade, veemência no ataque à profundidade, e golos no plural. Já o papel de Castillo terá de começar por ser secundário. Primeiro, terá de se (re)adaptar a um futebol europeu onde não criou raízes, e ganhar outra estabilidade emocional. Depois, terá de estar preparado para fazer a diferença nos poucos minutos que estará em campo, algo que Jiménez fazia com sagacidade. Ao recorrer a Castillo, o Benfica procurará sempre um jogo mais directo, pois é dos três avançados aquele que tem mais o perfil de referência na área. Agora, com dois avançados em simultâneo, o Benfica ficará mais exposto em transição defensiva, voltará a ter apenas um 8, o que poderá tornar a equipa menos equilibrada, mas Rui Vitória prometeu uma equipa capaz de ser dominadora, e tem um mês e meio para preparar um novo jogar, mais associativo e dominador com bola, onde terá necessariamente de ter alas mais contundentes na exploração do espaço interior, de forma a que este não fique deserto – Zivkovic e Krovinovic poderão ser cruciais –, e laterais pungentes no ataque à profundidade e capazes de oferecer soluções à largura."

Sporting e a “feira de vaidades”

"O regresso de Sousa Cintra ao Sporting, mesmo que temporário, está pejado de ironia. Então os sportinguistas correm com Bruno de Carvalho por estarem fartos de alguém que optou pelo caminho do populismo, de alguém que tem o coração muito perto da boca e de poucas vezes antecipar o alcance das suas palavras; e veem no seu lugar um homem que, apesar da imensa boa vontade, é também populista, pouco ponderado com as palavras e que terminou a conferência de imprensa de apresentação de José Pereiro com uma exigência: “Desta vez não vai falhar, pois não”, com os olhos postos em cima do novo treinador dos leões.
Mais. Desde os cobardes ataques aos jogadores do Sporting na Academia de Alcochete, tem-se assistido a um desfile de “notáveis” sportinguistas que mais não fizerem do que alimentar o próprio ego com presenças constantes em programas televisivos “especiais crise do Sporting”, e Sousa Cintra foi um deles. Aliás, é curiosa a necessidade de o actual presidente da SAD dos leões em falar com os jornalistas que por ele aguardam à porta do Estádio de Alvalade e de explicar vezes e vezes sem conta que vai “fazer de tudo para que o Sporting volte às vitórias” com os tiques de “novo-rico” que sempre o caracterizaram.
Para os mais distraídos, o homem que vem agora salvar o Sporting da volatilidade mental e da pouca racionalidade no trato com os jogadores de Bruno de Carvalho - bem vincadas nas críticas públicas após a derrota em Madrid para a Liga Europa - é o mesmo que criticou duramente os jogadores do Sporting “que não foram dignos” de usar a camisola listada quando foram eliminados da TAÇA UEFA pelo Dínamo Bucareste em 1991, era Sousa Cintra o presidente. O mesmo que a 7 de dezembro de 1993 despediu Bobby Robson no avião que transportava a equipa do Sporting depois de uma eliminação europeia, numa altura em que os leões lideravam o campeonato.
“No casino de Salzburgo, não se aposta nem se perde dinheiro. Mas o fanfarrão Sousa Cintra despede Bobby Robson. O Sporting está bem no campeonato, com os mesmos pontos de Benfica e FC Porto (17, em 22 possíveis), e afastara Kocaelispor e Celtic na Taça UEFA. Segue-se o desconhecido Casino Salzburgo, a quem o Sporting ganha 2-0 em Alvalade. Na Áustria, um decepcionante 3-0, após prolongamento, e contra dez durante 32 minutos. Na viagem de regresso, Sousa Cintra pede o microfone. Ao discurso inflamado seguem-se decisões insensatas. Robson pergunta ao adjunto Manuel Fernandes o que é o presidente está a dizer ao que este responde: “Já fomos [despedidos]!” 
Ora, estas são palavras do jornalista Rui Miguel Tovar num artigo publicado no “Jornal i” a 5 de Julho de 2015. São sobre Sousa Cintra, o mesmo homem que chega agora ao Sporting para arrumar a casa depois do furacão “Bruno” ter deixado o clube de pantanas. A Sousa Cintra não faltará boa vontade e fantásticas intenções, mas não é o homem ponderado e racional pelo qual os sportinguistas anseiam após a intensa vigência de Bruno de Carvalho.
Mas há mais. Quanto a mim foi vergonhosa a forma como Artur Torres Pereira se “pavoneou”, sentado na tribuna presidencial na decisiva partida entre Sporting e Benfica na atribuição do título de campeão nacional de futsal. O lugar que poucos dias antes era ocupado por Bruno de Carvalho deveria ter estado vazio em sinal de respeito pelos sócios e pelos jogadores que lutaram o ano todo para se estabelecerem como tricampeões da modalidade. A Comissão de Gestão é transitória, deveria zelar pelos interesses superiores do clube e, de preferência, não aparecer."

Venda dos direitos desportivos dos Clubes e SAD

"1. É possível a venda dos direitos desportivos dos próprios clubes e SAD?
A questão é relevante, pouco debatida e a curiosidade resulta de uma notícia que surgiu, recentemente, na imprensa desportiva portuguesa sobre a celebração de um protocolo que envolveu o Clube de Futebol ‘Os Belenenses’ e um clube do distrito de Portalegre com vista à aquisição, pelo primeiro, dos direitos desportivos do segundo. Resumindo, o clube filiado na AF Lisboa estava disposto a pagar uma verba ao seu congénere de Portalegre para poder adquirir e ocupar a posição desportiva deste no Campeonato de Portugal 2018/19. Posto isto, é questionável e duvidoso que um clube possa vender a um outro clube ou sociedade desportiva o lugar que alcançou por mérito desportivo numa determinada prova. Honestamente, não se afigura possível, acarretando um inevitável desvirtuar da verdade desportiva.

2. Existem casos semelhantes ou precedentes?
Até à presente data, em Portugal, não existiram situações de compra de ‘lugares de competição’. E este caso também não encontra acolhimento directo nas leis e regulamentos desportivos nacionais, ao contrário do que sucedeu em Espanha num passado distante. Existe, portanto, uma lacuna a nível nacional que, eventualmente, terá permitido a possibilidade de exploração do objectivo pretendido pelo Belenenses. O mais próximo deste exemplo – mas sem constituir um precedente favorável às pretensões do clube lisboeta – foi o processo denominado ‘Granada 74’. Neste, a Federação e a Liga de futebol espanhola debateram-se perante uma operação societária comercial realizada sobre a mesma entidade: o Granada 74 decidiu alterar a sua firma (passando a ser Murcia SAD) e a sua sede (passou para Motril, província de Granada). Mas, com esta premissa, existiram outros exemplos: Wimbledon FC (actualmente, Milton Keynes Dons FC), Lorca e Figueres x Castelldefells."

Poema em ada e vizinho em inho

"Sochi – Vejam bem quem o azar me deu como vizinho
Um homem que não é homem, é uma empada
Larga um cheiro sufocante a suor e vinho
E ao meu alegre “Bom dia!” diz-me nada
(Além de tratar mal a empregada…)

É croata, o boi, chegou de madrugada
Pareceu-me, pelo barulho, gajo baixinho
A arrastar, aflito, malas pela escada
E a dizer palavrões pelo caminho
(Deixando o corredor em torvelinho…)

Qual baixinho! No terraço, quase despido
A coçar, furioso, as partes, à descarada
É que vejo como é gordo e descabido
O raio do vizinho que me tocou de cebolada
(Com aquela cara bastante acanalhada…)

Bebe cervejas e vodca na varanda enluarada
O álcool vai-lhe dando certa candura
Que raio de ideia Deus teve ao fazer da papada
Da estupidez tão mal medida criatura
(Se vocês o vissem… que figura!)

Até sábado tenho de aturá-lo
Por muito que me custe a estopada
Mas se continua a portar-se como um cavalo
Só quero ver a Croácia eliminada
(E que o animal se vá com a manada…)"

Uma prestação com altos e baixos

"1 – Depois de termos sido campeões da Europa, é normal que as expectativas em relação à prestação da Selecção Nacional no Mundial fossem altas. A própria equipa de Fernando Santos é que nos foi dando essa confiança ao longo dos últimos anos, de jogo para jogo. No entanto, a prestação portuguesa ficou-se pelos oitavos-de-final. Uma participação digna, com altos e baixos, e que poderia ter tido outra história se tivéssemos saído vencedores do grupo.
Após uma estreia interessante com a Espanha, onde Portugal sofreu, mas também produziu bons momentos, a intensidade e dinâmica apresentadas nas partidas com Marrocos e Irão não estiveram ao nível do que a nossa equipa e seus jogadores são capazes. O empate com o Irão (resultante de uma decisão muito duvidosa do VAR) acabou por impedir a vitória no grupo, o que nos colocaria na parte mais acessível da eliminatória, onde poderíamos, talvez, ter mais possibilidades de sucesso (mesmo assim, a Espanha acabou eliminada).
Infelizmente, e apesar de termos feito o nosso melhor jogo frente ao Uruguai, encontramos uma equipa muito inteligente e eficaz, que soube aproveitar os nossos deslizes e defender quase sempre de forma eficiente. Os jogadores portugueses deram o seu melhor, mas não foi possível chegar à vitória. É tempo de perceber o que falhou e como melhorar. Talento não falta. A novíssima Liga das Nações da UEFA chega em Setembro e teremos rivais fortes pela frente: Itália e Polónia.

2 – Sobre as 8 selecções resistentes neste Mundial da Rússia, Brasil e França surgem como as grandes favoritas ainda em prova (possível encontro marcado nas meias-finais), Inglaterra, Croácia e Bélgica, com muito talento individual, surgem numa segunda linha de favoritismo, enquanto que o rigor táctico de Uruguai e Suécia, faz também com que tenham uma palavra a dizer. E a Rússia, contra todos os prognósticos, está a tirar proveito do factor casa e da forte motivação dos seus atletas.
Uma palavra para o percurso impressionante dos suecos. Numa equipa com vários campeões europeus de sub-21 (final ganha a Portugal em 2015), a sua disciplina defensiva tem permitido equilibrar jogos potências maiores. Na fase de apuramento, venceu a França e deixou a Holanda fora do Mundial. Depois eliminou a Itália no playoff. Vendeu cara a derrota com a Alemanha na fase de grupos, mas venceu o grupo e afastou os germânicos. E acaba de superar uma talentosa equipa da Suíça. A par da Rússia, é a grande surpresa deste Mundial.

3 – O futebol não para. Com a Selecção Nacional de regresso a casa é tempo de voltar a olhar para os clubes, que já iniciaram os trabalhos de preparação para a nova época. Com muita coisa por definir nos elencos que as equipas vão apresentar na temporada 2018-19, é altura de começar a afinar as máquinas do ponto de vista físico e táctico, integrar os novos elementos no seio dos grupos e introduzir as principais ideias dos técnicos, para definir a personalidade que terão as equipas ao longo dos próximos meses.
FC Porto e Benfica parecem mais adiantados no planeamento das respectivas formações, mas com o mercado de transferências aberto (e o ávido interesse de clubes mais endinheirados nos seus jogadores) tudo pode mudar de um momento para o outro. Já o Sporting corre contra o tempo para formar a sua equipa. A pouco mais de mês do início das competições, possui alguma margem para recuperar terreno, mas terá de ser rápido nas decisões a tomar.

O Craque – Novo desafio?
Depois de tudo conquistar ao serviço do Real Madrid, Cristiano Ronaldo poderá estar em vias de protagonizar uma das transferências mais marcantes dos últimos anos. Itália pode ser o próximo destino, com a Juventus pronta para o receber de braços abertos. Aos 33 anos, tem ainda muitas épocas de alto nível pela frente e vai a tempo de marcar uma era no "esquecido" futebol italiano, com as atenções a poderem voltar de novo para a liga transalpina e, em particular, para os jogos do melhor jogador do Mundo. Falta saber se o seu futuro passa por aí.

A Jogada – A escolha do Sporting
Numa fase como a que vive o Sporting, com muitas indefinições relativamente à equipa de futebol e um processo eleitoral a caminho, era importante que o treinador da equipa principal fosse alguém conhecedor da realidade do clube e do futebol português, de modo a rapidamente se adaptar e colocar a máquina em andamento. José Peseiro foi o homem escolhido. Não é uma escolha consensual, mas trata-se de um treinador competente, que no passado levou o clube a uma final europeia e que gosta de futebol ofensivo. É uma opção válida e com lógica.

A Dúvida – Treinador a prazo?
Ainda sobre o Sporting, e depois de já ter prescindido de Sinisa Mihajlovic, a possibilidade de os candidatos à presidência do clube prometerem a vinda de novos treinadores, como aconteceu ontem, coloca muitas reservas sobre as condições que José Peseiro terá para executar o seu trabalho nestes primeiros 2 meses. Não é justo para o treinador que está agora a começar este projecto, mas é certo que o futuro presidente terá a legitimidade de escolher o timoneiro com quem quer trabalhar. Terá a atual equipa técnica a estabilidade necessária para trabalhar em plena campanha eleitoral?"

Just do it... Fontaine

"Hoje joga a França e lembramos Just Fontaine, avançado de origem marroquina que se fez grande e à francesa no Mundial da Suécia. De baixa estatura, destacava-se pelo poder de impulsão e dizia que saltava tão alto que quando regressava à relva trazia neve nos cabelos! O seu filme de goleador começa no USM Casablanca, antes de chegar ao Nice e de se fixar no Reims, sempre conquistando títulos.
Na selecção francesa, foi jogado à sorte de deuses nem sempre JUSTos: participou com 1 golo no último jogo de apuramento para o Mundial de 1954, mas não foi à Suíça; não foi utilizado nas eliminatórias para 1958, mas conseguiu à JUSTa ir à Suécia por lesão do habitual titular; e por fractura da tíbia e do perónio apenas fez o primeiro jogo de um fracassado apuramento para o Mundial de 1962.
Chegada a 1958, deve ter JUSTamente pensado: só tenho este Mundial? Farei com que seja suficiente! E fez! Apressado, contribuiu no primeiro jogo com um hat trick ao Paraguai; seguiram-se mais 2 golos à Jugoslávia, 1 à Escócia, 2 à Irlanda do Norte e 1 ao Brasil, nas meias-finais (derrota por 5-2). No jogo contra a RFA (6-3), onde se disputava o terceiro lugar, Fontaine não esteve pelos aJUSTes e marcou um póquer. Em 6 jogos marcou 13 golos – um recorde num só Mundial e número de azar para quem o encontrou pelo caminho. Marcou todos os golos com chuteiras emprestadas pelo suplente Bruey. Quando as devolveu, Bruey não percebeu o que tinha na mão, trocou os pés pelas mãos, e deitou-as no lixo!
Em 1962, Fontaine, inJUSTiçado pelas lesões, abandonou a carreira. Mais tarde, treinou a França em dois jogos e ainda Marrocos, em apuramento falhado para o Mundial de 1982. De permeio, tornou-se o primeiro presidente da União Nacional de Jogadores Profissionais franceses. Durante o Jubileu da UEFA seria eleito o melhor francês dos últimos 50 anos, acima de Zidane e Platini. Pelos ‘bleus’ realizou 21 jogos e apontou 30 golos! A Federação fez JUSTiça, Fontaine!
Puxando a fita do filme e voltando a Casablana, onde tudo começou, apetece adaptar a célebre frase do filme: ‘play it again, Fontaine’! JUST do it!"

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