Últimas indefectivações

sábado, 18 de março de 2017

Vitória na Taça

Turquel 3 - 4 Benfica
Rodrigues, Adroher(3)

Vitória, no 'golo de ouro', no prolongamento, num jogo muito complicado como se esperava, ainda sem o Trabal e o Tiago... e com o Benfica a falhar penalty's em catadupa, mas a 'vencer' num Livre Directo!!!!

Foi interessante ver o Turquel chegar ao fim da 1.ª parte, praticamente sem faltas... e derrubes a jogadores do Benfica, sem bola, perto do fim, a ficarem sem 'azul'!!!!

Destaque para a defesa (duas, porque o LD foi repetido) do Diogo Almeida, perto do fim, do tempo regulamentar!

Estamos nos Oitavos-de-final da Taça de Portugal...

Finalmente...

Benfica 72 - 67 Oliveirense
18-27, 16-14, 19-11, 19-15

Finalmente uma vitória sobre a Oliveirense... mas não foi fácil!!!
Primeiro uma desvantagem grande... depois a reviravolta... e no final, quando conseguimos uma vantagem confortável, voltámos a complicar!!!
Uma nota para a rotação mais 'lógica' da equipa, com o Hollis a fazer menos minutos, mas a manter a pontaria afinada... E a 'estreia' do regressado Cláudio Fonseca...

Por incrível que pareça, só estamos a 1 ponto da liderança!!! 'Cheira-me' que lá por cima já andem com os ordenados em atraso!!!

22 em 22 !!!

Benfica 3 - 0 Ac. Espinho
25-10, 25-10, 25-15

Depois da desilusão da semana passada o regresso às vitórias... ainda com o 'regresso' do André Lopes sem condicionalismos. Falta o Honoré e o Roberto...

Estão com medo do Pizzi?

"O Benfica joga esta noite em Paços de Ferreira e, para além da valia dos donos da casa, já sabe com o que contar. O Pizzi tem de ver um cartão amarelo, dê lá por onde der. Um cartão amarelo que o impeça de defrontar o Porto daqui por duas semanas, sob pena do árbitro, se for o do talho, ficar sem talho, se for do restaurante, ficar sem restaurante, de for da advocacia, ficar sem escritório, se for o bancário, ficar sem balcão de atendimento ao público. Estão com medo do Pizzi? Parece que sim. Imagine-se, ter medo do Pizzi, esse excedentário do futebol português que só foi agora chamado aos trabalhos da Selecção porque o seleccionador, de tanto ouvir falar no Pizzi e no Pizzi, outra vez, no Pizzi, se lembrou que o Pizzi existia. E poderia parecer mal não dar uma oportunidade a um jogador de quem toda a gente fala, por amor à verdade desportiva e por respeito aos bens materiais e imóveis do nossos pobres árbitros que não têm quem os defenda. Pizzi, atenção, hoje à noite em Paços de Ferreira não te ponhas com continências que podem ser consideradas flagrante atitude de grosseria para com as instituições militares, tendo em conta que és um civil, nem, muito menos, te atrevas a franzir o rosto semicerrando os olhos quando te couber cobrar uma falta a favor do Benfica, isto se houver faltas a favor do Benfica, naturalmente. Aquele teu olhar maroto, tão característico. configura há 15 jornadas um grande desrespeito pela oftalmologia nacional. É hoje, Pizzi, é hoje.
Julgado, uma vez mais, improcedente, terminou no Tribunal Arbitral do desporto o, afinal, não-caso dos vouchers. O queixoso reagiu através das redes sociais, o seu campo de eleição, clamando por uma "total sintonia entre os regulamentos disciplinares" do futebol e "as leis da República". Ninguém, com bom senso e espírito democrático poderá ser contra essa desejável concordância que, em boa hora, retiraria a todo o edifício do futebol o privilégio absurdo de se ver como um Estado à parte dentro do Estado a sério. Tome-se por exemplo o caso judicial que ficou conhecido como Apito Dourado, em que o FC Porto foi condenado na justiça desportiva e os seus responsáveis ilibados na justiça civil. Ou, mais recentemente, o caso Cardinali em que o seu responsável foi condenado na justiça civil que, entretanto, já prescreveu alegremente na justiça desportiva. Ah, que sinfonia seria se houvesse sintonia."

Adeus à Taça...

Sporting 35 - 28 Benfica
(14-13)

Não vale a pena muita conversa, estamos a falar de um orçamento cerca de 5 vezes superior... e que melhorou com a mudança do treinador!

Benfiquismo (CDX)

Templo...!!!

Uma Semana do Melhor... Benfiquismo em todos os locais!!!

Jogo Limpo... Catedral, Processos, Coacção... Finais !!!

Zivkovic no Alta..

sexta-feira, 17 de março de 2017

Acidentes, 112 e André Almeida

"Benfica cumpriu sem sobressalto o objectivo de vencer o Belenenses e continua em primeiro. Grande jogo desse grande profissional de nome André Almeida. No Benfica quando acontecem acidentes, mesmo antes do 112, lembram-se do André Almeida.
O FC Porto não teve dificuldades em Arouca e continua colado ao primeiro. Vai ser assim, como sempre escrevi, quase sem pontos perdidos a luta pelo título até ao fim. O FC Porto foi eliminado da Liga dos Campeões no dia do sorteio. Por muito que nos custe há alguns adversários que são hoje inacessíveis aos clubes portugueses. Podemos negar a realidade ou vender fantasias, mas isso não fará de nós nem lúcidos nem inteligentes.
Enquanto andamos entretidos nas rivalidades de paróquia, perdemos mais um lugar na Liga dos Campeões, depois se verá quem e como se pagam as contas. Pode até ser divertido, mas também não é lúcido nem inteligente. Talvez o terceiro classificado da próxima época perceba isso com muita facilidade.
Grande vitória do Mónaco e uma surpresa sem tamanho a do Leicester. Veremos quem vai à final com o Bayern nesta liga milionária.
Vamos a Paços de Ferreira, este sábado, como o objectivo de ganhar e de chegar ao clássico em primeiro lugar. Num terreno tradicionalmente complicado, contra um adversário aguerrido, iremos ter que resolver um nono dos problemas que nos esperaram rumo os objectivos do tetra. Sim, são mesmo nove finais. Nesta altura, a margem de erro é zero para os candidatos ao título, o Benfica tem que disputar todos os jogos no limite, sob pena de não chegar ao objectivo. No Benfica acorda-se a pensar no Campeonato e na Taça; e deitam-se a pensar no Campeonato e na Taça, talvez porque seja esta a forma de ganhar Campeonato e Taça. Obcecados pelo profissionalismo e determinados pela ambição."

Sílvio Cervan, in A Bola

André Almeida

"Quando, na pré-temporada, referi uma estatística curiosa acerca de André Almeida e o seu primeiro golo na equipa principal do Benfica, no programa 'Uma Semana do Melhor', da BTV, estava longe de imaginar que repetiria a graça passadas duas semanas. Mais ainda que, por superstição, o voltaria a fazer durante a época. E hoje à noite não poderei deixar de evocá-la novamente. O futebol também é isto: um conjunto alargado de credos irracionais que integram e caracterizam a nossa relação individual com o clube dos nossos afectos.
André Almeida só à 6.ª temporada na equipa A se estreou nos marcadores. Do conjunto de jogadores que haviam marcado apenas um golo pelo Benfica, somente seis participaram em mais partidas: Eurico, Alfredo, Malta da Silva, Jacinto Marques, Cruz e Bento. O segundo golo chegou também na pré-temporada. Com dois golos, era dos os jogadores com mais desafios que o polivalente André Almeida: Alberto e Samuel. Quando se estreou a marcar em competições oficiais, nos quartos-de-final da Taça de Portugal frente ao Leixões - o terceiro tento da sua conta - não tinha um único futebolista, entre todos os que marcaram três, precisado de mais jogos que o André Almeida para fazê-lo. E agora foi o quarto. Só Gustavo Teixeira, Félix, Ângelo e António Bastos Lopes, com 4 golos cada, representaram mais vezes o Benfica na equipa principal.
Por vezes há quem julgue erradamente que menorizo André Almeida ao referir esta curiosidade, não se apercebendo certamente que todos os nomes evocados são grandes da história do futebol do Benfica. Incluindo o do André, pela sua qualidade, polivalência, profissionalismo, espírito de grupo e títulos conquistados."

João Tomaz, in O Benfica

Assobios

"Gosto muito de assobiar. Faço-o quase todas as manhãs, antes, durante e depois do duche. Às vezes porque fiquei com uma musica na cabeça desde a noite anterior. Outras porque tenho temas recorrentes a que gosto de voltar quando estou contente, como o 'Glorioso SLB' do Estádio da Luz, o 'Depois do Adeus' do Paulo de Carvalho ou o 'Three Little Birds' do Bob Marley. E depois o assobio acompanha-me durante todo o dia, chegando até a contagiar quem me rodeia, em casa e no trabalho. O acto de expirar sons através da boca é uma capacidade humana que me agrada. Há um leque variado de assobios que podem ser utilizados por todas as pessoas. Podemos assobiar para chamar um animal doméstico, para alertar alguém do local onde estamos no meio de uma multidão e até podemos assobiar para protestar contra políticos corruptos ou perante uma falta que fica por marcar contra a nossa equipa.
E depois há os outros assobios mais difíceis de entender. Um é aquele famoso silvo melódico de ar que pode ser considerado piropo, logo crime. Outro é o assobio que vem das bancadas protestando contra jogadores da nossa própria equipa. Na primeira parte de um jogo de 90 minutos, com a nossa equipa a ganhar, a liderar o Campeonato e a lutar pela Taça de Portugal, com mais de 53 mil nas bancadas depois de um derrota pesada na Europa?
Querem criticar, força: o SL Benfica é uma democracia, e todos podem falar, mas, agora a sério, assobiar os nossos jogadores durante uma partida? É tramada esta coisa de o assobio poder ser praticado por todos os seres humanos, sejam eles dotados ou não de inteligência."

Ricardo Santos, in O Benfica

Os mal-amados

"Se, num estádio com 60 mil pessoas, 200 assobiarem freneticamente, e 59800 permanecerem em silêncio, o barulho da minoria ecoará no relvado com um nível de decibéis muito para além da sua representatividade. É assim que se estabelecem equívocos, rapidamente usados pelos rivais, e pela comunicação social, para derramar o sangue de que se alimentam.
Alguns benfiquistas não entendem que, ao vaiar um dos nossos, estão a dar armas ao adversário. Os jogadores são seres humanos, têm sistema nervoso, sentem emoções, e no futebol, como no desporto em geral, como na vida, a auto-confiança é determinante para um bom desempenho. Ao ser apupado, o jogador executará pior, pois a pressão e o medo de errar irão tolher a sua vontade. Perde ele, perde a equipa, e perdem os adeptos, num ciclo que nem sempre é fácil inverter.
A exigência faz parte do ADN encarnado, e é hoje, felizmente, marca de todo o universo do Clube. Só os melhores podem estar no Benfica. Mas, no que toca aos atletas, cabe ao treinador materializar essa exigência nos treinos e nos jogos, com base em informação de que os adeptos nem sempre dispõem.
Quem entra em campo vestido com o “Manto Sagrado”, é automaticamente credor da nossa vénia, e do nosso apoio incessante. Só assim faz sentido enchermos as bancadas da Luz. Só assim nos realizamos como verdadeiros benfiquistas.
No passado, nomes como Cavém, Nené, Vítor Paneira, Nuno Gomes ou Óscar Cardozo, foram vítimas de facções de assobio fácil. É quase revoltante lembrá-lo.
Agora, há também um ou dois “eleitos” que padecem da mesma sorte. É tempo de acabar com esta triste tradição."

Luís Fialho, in O Benfica

Bienvenido!

"Desde o principio desta semana o Sport Lisboa e Benfica tem um novo Director Clínico. Trata-se do Dr. Lluís Til Pérez, um conceituadíssimo médico de nacionalidade espanhola que terá a missão de liderar todas as áreas desportivas e da Clínica Benfica. Formado em Medicina e Cirurgia e com o mestrado em Gestão da Saúde pela Universidade Autónoma de Barcelona, Lluís Til Pérez apresenta um curriculum notável, destacando-se os seus conhecimentos em Medicina da Educação Física e do Desporto e Ortopedia e Traumatologia, especialidades que muito irão contribuir para dotar o nosso Clube de um Departamento Médico ao nível dos melhores do Mundo. O seu percurso profissional fala por si. Destacaria o facto de ter dirigido o prestigiadíssimo Centro de Alto Rendimento de Sant Cugat, em Barcelona, onde esteve durante 20 anos. Em 2003, ingressou no FC Barcelona como responsável médico da equipa principal de futebol. Um desafio que lhe foi lançado por Ramon Canal, prestigiado Director Clínico do Barça. Três anos depois, assumiu as funções de Director Médico para o Futebol da Academia, e em 2013 ficou responsável pelos serviços médicos de todo o Futebol e Modalidades de um dos maiores clubes do Mundo.
Aos 51 anos, após ter estado ligado à conquista de 29 títulos do Barça (3 Mundiais de Clubes, 4 Ligas dos Campeões, 3 Supertaça Europeias, 8 Ligas, 4 Taças e 7 Supertaças),  aceitou um novo desafio - dirigir o Grupo Benfica. Será o responsável máximo pelo Futebol Profissional, Futebol Formação e Modalidades. Lluís Til Pérez sucede a um outro grande médico e académico, o Dr. João Paulo Almeida, cuja competência, dedicação, humanidade e lealdade são por demais conhecidas."

Pedro Guerra, in O Benfica

Energumenia

"Diz o dicionário que energúmeno é o seguinte em vários significados:
1. (Antigo) Pessoa dominada pelo demónio. = Possesso
2. (Figurado) Pessoa que, dominada pela paixão, tem atitudes ou comportamentos excessivos.
3. (Figurado) Fanático intolerante.
4. (Pejorativo) Pessoa considerada ignorante ou muito básica. = Boçal.
Podemos escolher o significado mais antigo, o figurado, ou podemos escolher o pejorativo, que afinal é aquele que retrata a maioria dos ditos cujos.
É tão fácil sugestionar as pessoas a dizerem aquilo que queremos que digam, desde que o sugestionador seja uma pessoa sem escrúpulos.
A discussão sobre o papel da imitação na ontogénese da criança aparece em contextos teóricos que tentam explicar os mecanismos de estruturação da representação (cf. Wallon, 1979, 1986a; Piaget, 1975; Piaget e Inhelder, 1980). Esta discussão inicia-se com a dificuldade de se chegar a um acordo conceptual sobre o que é imitação.
A criança observa activamente os outros que a atraem, há uma tendência de se unir a eles numa espécie de participação efectiva. Daí se formam os ingredientes básicos do processo imitativo: uma constelação perceptivo-motriz ou uma plasticidade constituem-se numa espécie de modelo íntimo, agrupando impressões diversas e esparsas no tempo, numa fórmula global. Esta fórmula, em seguida, tende a transformar-se, a efectivar-se no meio físico, em termos sucessivos, para compor o desenrolar do acto imitativo. Aparentemente, não existe problemas nesta transformação se se conceber a ordem dos gestos está implicada no esquema do registo dos mesmos. Mas não é bem assim que se interpreta o modelo: ele é concebido como um conjunto, como algo organizado que corresponde a uma impressão global. Visto desde modo, constitui-se num problema o facto de esmiuça-lo em seus termos sucessivos. O êxito de uma imitação é conseguido quando os gestos se articulam com uma topografia e um momento, integrados na realização da totalidade.
Mentalidade desta é notória quando se tem o descaramento de afirmar que 'Sentimos as armadilhas. Se não existissem, seríamos líderes destacadíssimos'."

Pragal Colaço, in O Benfica

Recordando o Euro...

Sem Europa e a perder equipas em março, também pelo que Sporting e Sp. Braga não fizeram

"Os dois maiores fracassos ajudam para já a ficar sem uma presença na Liga dos Campeões de 2018/19.

Meados de Março, e não há equipas portuguesas nas provas europeias.
Dramaticamente, já se perdeu uma em 2018/19, na Liga dos Campeões. De três Portugal passou a duas. De duas directas, o campeão passará a entrar na fase de grupos e o segundo classificado na terceira pré-eliminatória, e com o play-off ainda pelo caminho.
Benfica ou FC Porto dificilmente podem aspirar a melhor do que os oitavos de final na Liga dos Campeões, a não ser que se conjuguem muita felicidade no sorteio com tempos de fragilidade de algumas das principais equipas. Não aconteceu, e Dortmund e Juventus foram claramente mais fortes.
A limitação é um sinal dos tempos. De serem clubes vendedores, de não conseguirem manter vários anos jogadores de grande qualidade e também referências sobre as quais construir as futuras equipas. De acordo com o recente relatório do CIES – Observatório do Futebol mudar pouco está ligado a um maior sucesso. Se isso foi comprovado nos campeonatos nacionais pelo mesmo estudo, facilmente se estende para as provas continentais.
Também o Sporting, por fazer parte das equipas com menor ranking, teria à partida, saindo de um pote 3, dificuldades em seguir para os oitavos de final. Real Madrid e (novamente) o Dortmund são e foram muito superiores. Sim, houve a exibição leonina no Bernabéu, mas a qualidade individual foi fundamental também nesse jogo.
O fracasso leonino vem com o Legia. A depender de um empate, perdeu na Polónia e nem se apurou para a Liga Europa.
É essa a competição, face à presença massiva das melhores equipas na Liga dos Campeões, que tem sido, e deverá continuar a ser, a praia dos portugueses. Onde pode de facto chegar mais longe, e até lutar por um título. Aconteceu recentemente com o Benfica, um pouco mais atrás com FC Porto e Sp. Braga.
Não é, por isso, normal que Portugal não tenha, nesta altura, uma equipa na Liga Europa.
O que nos leva também ao Sporting de Braga. Com Gent, Shakhtar e Konyaspor somou apenas uma vitória, frente aos turcos, e caiu na fase de grupos. Também os minhotos fracassaram, e não confirmaram o crescimento que, ao fim destes anos, já lhes é exigido.
Com menores ambições, o Arouca obrigou o Olympiakos a um prolongamento, depois de eliminar Heracles, o que deve ser sublinhado pela positiva. O Rio Ave caiu perante o Slavia Praga graças a um golo marcado em Vila do Conde pelos checos. Ficaram pelas pré-eliminatórias, mas a expectativa não pode ser ainda da mesma ordem de grandeza que acompanha os restantes «colegas» europeus. 
Portugal perdeu uma equipa, e partirá no próximo ano muito atrás da Rússia, sexta classificada e com três formações na Liga dos Campeões a partir de 2018/19. Isto porque fica sem os dois pontos de vantagem que tinha adquirido em 2011/12 – a partir daí fez sempre pior que a Rússia –, e a distância ainda pode aumentar porque Rostov e Krasnodar ainda continuam em prova.
A recuperação imediata será complicadíssima, e os próximos tempos adivinham-se muito difíceis. É necessário recuperar terreno o mais depressa possível, ou seja, continuar a estar nos oitavos da Champions e ir longe na Liga Europa."

Futebol e jornalismo: sinto muito, mas estão enganados

"Nuno Espírito Santo disse outro dia que era preciso mudar as regras: não pode haver dupla punição. Ou seja, um jogador não pode ser expulso quando é assinalado penálti.
Naturalmente discordo.
Ora já se percebe por esta introdução que vou falar da relação dos clubes com a imprensa, certo? Gosto muito de ser directo nas minhas abordagens.
Faço-o a propósito de dois episódios recentes.
Por um lado, Jorge Jesus não gostou que o assessor de imprensa pedisse perguntas apenas sobre o jogo em Tondela, na sequência de uma resposta sobre o ranking da UEFA. «Estamos a falar de futebol, pá», atirou-lhe o treinador.
Por outro lado, Manuel Machado acusou Tiquinho Soares de ingratidão, quando este já lhe tinha agradecido numa entrevista ao Porto Canal. «Tem uma audiência reduzida no quadro das grandes antenas nacionais e escapou-me», defendeu-se o treinador.
Os casos são iguais: partem de uma obsessão desmedida por controlar a informação que chega aos jornalistas, e por arrasto à opinião pública.
Esta obsessão não é de hoje. Tem pelo menos vinte anos e começou na insistência do FC Porto em fechar-se ao exterior. Depois disso todos os clubes acharam que estava no controlo sobre a informação o segredo do sucesso.
Curiosamente os anos mais felizes do FC Porto aconteceram com Mourinho e Villas-Boas, dois treinadores que abriam o clube à imprensa. Mas sobre isso ninguém tem interesse em reflectir. Faz sentido, sim senhor.
Enfim, em frente.
Voltando à obsessão dos clubes por controlar a informação, importa dizer que é uma obsessão incentivada pelos próprios adeptos. Que frequentemente defendem uma austeridade ainda maior na relação com os meios de comunicação social.
Nada mais errado, claro.
Os clubes precisam da comunicação social. A exposição mediática é que lhes dá dinheiro: os contratos publicitários, os patrocínios, a valorização da marca.
Hoje em dia são verdadeiras multinacionais, que movimentam milhões de euros: que não chegam, seguramente, das quotas dos sócios e dos bilhetes de jogos.
Chegam dos patrocínios, valorizados pela imprensa, chegam das vendas de jogadores, promovidos pela imprensa, chegam da Liga dos Campeões, que é um exemplo de como se deve trabalhar com a imprensa.
Fechar as portas do clube à imprensa é desvalorizar a marca e desbaratar bons contratos.
É uma evidência gritante: um espaço publicitário vale mais quanto mais vezes é visto.
Se um clube não deixa os jogadores aparecer, se não há entrevistas, se os treinos são fechados, vai naturalmente haver menos matéria jornalística e menos exposição do clube. 
As televisões vão encher-se de comentadores incendiários, a rádio vai dar menos notícias e a imprensa online mostrar menos vezes os patrocinadores.
Os jornais, que não podem sair em branco, vão concentrar-se noutros assuntos, muitas vezes marginais e desinteressantes na perspectiva dos próprios clubes.
Parece-me óbvio.
Os próprios jogadores perdem valor comercial: uma empresa que os patrocine, por exemplo, não vai valorizar o veículo publicitário que eles podem ser se não aparecem com a marca. Uma publicação ou outra no instagram não chega para rentabilizar a aposta.
Por isso vale a pena voltar atrás, para sublinhar que a imprensa precisa tanto dos clubes quanto os clubes precisam da imprensa.
Se não fossem os jornalistas, o futebol não seria muito diferente do hóquei em patis ou do ciclismo: modalidades que há setenta anos despertavam grande curiosidade nos adeptos, que perderam espaço na imprensa e que hoje têm um interesse marginal.
Porque não foram promovidos devidamente junto das massas.
O que o Sporting fez, através do assessor, e o que o FC Porto faz não prejudica só os meios de comunicação social: prejudica os próprios clubes.
Basicamente estão a esvaziar de interesse o conteúdo que fornecem aos jornalistas. Seja através do controlo das perguntas, seja através da distribuição da matéria (geralmente desinteressante) através dos meios próprios, de audiência reduzida e quase marginal.
Pelo caminho perdem espaço na imprensa e desvalorizam a marca que representam.
Por isso, sim. Sinto muito, mas estão enganados."

Benfiquismo (CDIX)

Festivaleiro !!!

Aquecimento... saber liderar!!!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Na antevéspera de um Benfica-Porto...

"De esponja regional (que tudo absorve), o FC Porto converteu-se hoje numa esponja que quer liderar o antibenfiquismo.

A camisola do árbitro
1. É uma graça antiga, mas as redes sociais retratam a realidade com a «nudez crua da verdade» (Eça de Queiroz, sempre).
Nos últimos dias, voltei a receber a anedota que, em meia dúzia de segundos retrata, de forma fial, o que muitos pensam...
«À saída do Dragão...
-Pai, compras-me uma camisola do Porto?
- Qual queres? A do Casillas? A do André Silva?
- Não... a do árbitro!»
Vale o que vale, mas vale!
E não deixa de traduzir uma sensação... que deixa de o ser e passa a ser um problema quando temos a sensação de que pode ser verdadeira!
Não por incompetência de quem decide, mas por medo!
Medo agravado desde a visita ao centro de treinos dos árbitros (pelos adeptos do... Canelas, será???).
Medo de que uma decisão bem tomada, contra eles, possa gerar uma onda de retaliações... sobre eles ou sobre as respectivas famílias...
Ou que uma decisão bem tomada, a «nosso» favor, possa levar ao mesmo!

Velhas estratégias, armadilhas novas
2. Ou não acharão estranho que a balança caia sempre para o mesmo lado? Já nem falo de quem passou a ter penalties à dúzia, porque esses só se vão preocupar em tentar dar o campeonato aos amigos!
Como os amigos - o ano passado - lhes tentaram oferecer o campeonato.
E se o amor é lindo, então entre clubes com um ódio ao Benfica maior do que a vontade de ganhar, ainda é mais enternecedor!
Estas são as novas armadilhas de um poder caduco e gasto!
Caduco na forma, gasto no conteúdo!
Mas ainda capaz de fazer mossa - pelo medo - no estertor do seu desaparecimento...
Apesar de já lá não estar quem eles gostavam de ver apitar, o medo... faz das armadilhas... maravilhas!

A bipolarização de que gostam
3. Pois apesar de serem um poder caduco e gasto, tiveram a capacidade de recuperar com uma estratégia de bipolaridade (a única em que se conseguem movimentar).
Não sabem viver em mundos abertos, em quadros de vários players, porque são maniqueístas.
Para eles, só há... bons e maus!
E, tendo convencido disso os anti-Benfica de Lisboa, logo os engoliram nessa estratégia.
E rejubilam com tamanha simplicidade, já que não compreendem teorias dos jogos, com mais de dois intervenientes, e muito menos quaisquer métodos dos modelos, com variáveis intermináveis e confundir-lhes os espíritos.
Para eles, qualquer pensamento que fuja da relação causa/efeito é muito elaborado, pois foge da forma dicotómica como vêem o mundo!
Está-lhes no espírito - que não o Santo - a máxima «primeiro acção, depois pensamento» (como diria alguém, também Ministro, como eu, no tempo em que tanto se preocupam em recordar-me).
Apesar de, por lá, haver gente muito válida que conheço bem de outras paragens...
Mas a crise de títulos leva a estratégias directas, pelo que não será preciso ser muito perspicaz para perceber que é acção, acção, acção, e só depois... pensamento.
Ora, como o tempo não tem chegado e os títulos não estão fáceis, reduz-se tudo à bipolaridade entre Benfica e o anti-Benfica.
Anulando, com isso, a autonomia estratégica do Sporting, o que conseguiram, de novo, este ano, depois de um período de alguma indefinição.
Jogando com a inveja dos que, em Lisboa, preferem a derrota do Benfica à sua própria vitória (reacção própria de adeptos de clubes cada vez mais pequenos, entalados entre dois grandes, que perderem o comboio do regresso à gloria, por erros próprios).
Esse ódio ao Benfica leva-os a serem subservientes em relação a quem mais, em cada momento, combate o Benfica (que terá tendência a agravar-se com o que poderão ser as decisões da Europa do futebol, nos próximos tempos).
E o Porto serve-se desse ódio ao Benfica para meter o Sporting no bolso.
Num quadro de total subordinação estratégica.
Porque - mais do que ganhar - o que fascina um bom sportinguista é o combate ao Benfica, o que mais o seduz é uma derrota do Benfica, o que mais o excita é ver o Benfica a não ganhar!
Gozam pouco... mas sonham muito.
Ou seja, estão para as vitórias como alguns para as mulheres bonitas que vêem em revistas de especialidade (ou as que lhes parecem ser, quando os convidam para o Calor da Noite): sabem que existem, mas que nunca as poderão conquistar!
Por isso - por esse ódio transformado em objectivo - e pelo que isso implica, estrategicamente, destroem todos os dias o capital do Sporting.
O Porto percebeu essa fragilidade do clube do Visconde (embora já não de viscondes, como se nota pela linguagem e pelos comportamentos) e, com a experiência por ter despachado, sem contemplações, o Boavista (ao 1.º título de campeão), como tinha feito, anteriormente, ao Salgueiros, ao Leixões, etc., passou a condicionar e a manietar o Sporting.
De esponja regional (que tudo absorve) converteu-se hoje numa esponja que quer liderar o anti-benfiquismo, contando, para isso, com a ajuda de quem põe o ódio ao Benfica acima dos projectos.

A mentira dos jogadores à Porto
4. É neste quadro estratégico que se movimentarão as peças até ao fim do campeonato. Todos contra nós, como no ano passado!
Com ou sem malas, mas a valer tudo para nos tentarem ganhar!
Seria bom que a FPF - tão preocupada (e bem) com a combinação de resultados - esteja também atenta a toda a tentativa de compra extraordinária de esforços... de quem joga contra nós!
Porque, por eles e para eles, vale tudo...
Até o desdenhar (literalmente) sobre o que era um jogador à Porto, para, na primeira oportunidade, se provar ser tudo mentira.
Porque se não o fosse, ninguém chegaria e jogaria sempre...
Porque se não o fosse, ninguém chegaria e relegaria para o banco o novo menino querido das Antas...
Porque se não o fosse, ninguém chegaria e saberia cavar melhor penalties do que os que andaram a treinar isso mesmo, desde o princípio da época...
Afinal - como se prova - o jogador à Porto é pura mentira.
Porque, verdade, verdade, verdade mesmo, foi o que mudou com o assalto ao centro de treinos da Maia.

Já agora... vencer o Paços de Ferreira
5. Tudo isso só terá sentido se não lhe dermos uma alegria em Paços... Se ganharmos esta e todas as outras 8 finais, que se seguem a esta, na Liga, até à jornada 34.
Vamos a isso, Benfica???"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Modalidades marginais?

"O basquetebol é um dos mais competitivos e belos desportos. Pois, por cá, vem sendo reduzido a umas migalhas comunicacionais e a uma desesperante ausência televisiva. Bem sei que o futebol tudo absorve. E o que resta é destinado ao seu enteado, o futsal e, vá lá, ao hóquei em patins. Basquetebol, voleibol, andebol são modalidades quase renegadas pela televisão (exceptuando os canais desportivos e de clubes, obviamente).
O esforço de clubes para manterem de pé os seus projectos de uma ou duas modalidades em representação da sua terra é ciclópico. Umas migalhas de direitos televisivos e patrocínios, face aos milhões do futebol. Agora até temos a SIC radical (!) a transmitir o inebriante futebol no Brasil...
A verdade é que, mesmo assim, há quase milagres. Fonte do Bastardo, da ilha Terceira (Praia da Vitória), várias vezes campeão de voleibol, é, sem dúvida, o exemplo mais eloquente de que vale a pena lutar contra a hegemonia do território, de clube e de modalidade.
No basquetebol, tenho acompanhado mais de perto um clube: o da minha cidade, Illiabum Clube, no qual presido à mesa da Assembleia-geral. Está na Liga principal, venceu o poderoso Benfica, eliminou da Taça o campeão Porto em casa deste e na qual é, há 5 anos seguidos, um dos finalistas, ficou classificado para a fase dos 6 melhores da Liga. Tudo isto, com o sacrifício inesgotável de dirigentes, compreensão e profissionalismo de técnicos e atletas, persistente escola de formação de miúdos, mas - como outros - votado ao ostracismo perante a hegemonia do eldorado do costume. Uma lástima. É uma ausência incompreensível de serviço público televisivo."

Bagão Félix, in A Bola

O 'ranking' e um grande Jardim

"1. Não devemos entrar numa crise existencial pelo facto de Portugal descer no ranking da UEFA e perder uma equipa na Champions. É uma consequência natural da dimensão do nosso futebol e, a bem da verdade, nunca lucrámos desportivamente com isso. Recordemos alguns factos: só por quatro vezes conseguimos ter três equipas na fase de grupos da prova rainha (2006/07, 2012/13, 2014/15 e 2016/17) sem que nenhuma tivesse passado dos oitavos de final; na temporada 2013/14, Benfica e FC Porto foram finalistas e semi-finalistas da Liga Europa, respectivamente, tendo ambas transitado da fase de grupos da Champions; a grande época do futebol português foi em 2010/11, com uma final portuguesa da Liga Europa (FC Porto - SC Braga) e o Benfica nas meias-finais; à excepção do SC Braga, mais nenhuma equipa (além dos grandes) conseguiu passar da fase de grupos da Liga Europa; na época 2002/03, quando a competição se chamava Taça UEFA, Portugal conseguiu ter uma equipa na final (e a vencê-la, foi o FC Porto) e outra nas meias-finais (Boavista), quando apenas podíamos ter quatro equipas nas provas europeias; a última vez que uma equipa nacional venceu a Liga dos Campeões (2003/04, foi o FC Porto), apenas quatro equipas lusas participaram nas provas da UEFA.
2. A capacidade financeira do Dortmund não serve para explicar os 4-0 frente ao Benfica. O meio-campo alemão custou €38 milhões, o dos encarnados custou €33 milhões. E a chave do jogo esteve naquela zona do terreno.
3. Das oito equipas nos quartos da Champions, metade lidera os respectivos campeonatos. O Mónaco é uma delas, tal como o Bayern, Real Madrid e Juventus. Leonardo Jardim é o melhor treinador português da actualidade."

Fernando Urbano, in A Bola

PS1: Já que se está a fazer as contas do ranking da UEFA, não fazia mal nenhum recordar que actualmente, o SC Braga, contribuiu mais para o ranking de Portugal, do que o Sporting!!!

PS2: É fácil encontrar 'factos' à posterior que 'provam' as nossas teorias!!!
Para comparar orçamentos entre o Benfica e o Dortmund, para ser honestos, temos que 'somar' os custos do Gotze, do Guerreiro, do Kagawa... entre outros, que não foram opção para este jogo... Enquanto no Benfica, a 'simples' ausência do Fejsa não tem 'solução'!!!! Já para não falar do impacto ofensivo que o Grimaldo dá à equipa, que o Eliseu não consegue...
No Dortmund, que só nesta época, gastou mais de €100 milhões em contratações, este tipo de problemas, acaba por ter um impacto limitado...

Benfiquismo (CDVIII)

Joguem à bola !!!

Lanças... as "vergonhas"!

Vitória...

São Mamede 20 - 35 Benfica
(11-17)

Fim da 1.ª fase, com uma vitória fácil... com muitos minutos dados a vários jovens...

Vamos para a 2.ª fase, 'somente' a lutar pelo 3.º lugar com o ABC!!! Tivemos duas derrotas indesculpáveis...!!! A diferença de orçamento para os Corruptos e para os Lagartos é gigante, nunca tive ilusões que íamos lutar pelo título, no actual formato do Campeonato, mas podíamos estar mais perto...
Mais uma vez, tem sido na Europa, que estamos 'acima' das expectativas!

No Sábado, temos as Meias-finais da Taça de Portugal contra o Sporting. Só um jogo em superação (tal como o ano passado...), nos poderá guiar à vitória...

quarta-feira, 15 de março de 2017

Arbitragem cá e lá...

"Escrevendo ainda antes dos jogos desta semana dos 1/8 da Champions, constatam-se, sem dificuldades, erros grosseiros nas arbitragens. Sobretudo, na notável remontada do Barcelona, escandalosamente beneficiado pela arbitragem. Entre vários erros, basta citar um que mudou toda a história da eliminatória: um penálti assinalado ao minuto 90 por completa batota de Suarez. Mesmo admitindo que o árbitro pudesse estar mal colocado, o árbitro assistente e, sobretudo, o árbitro da linha de cabeceira tinham todas as condições para não se deixarem ludibriar pelo artista uruguaio que, em abono da justiça, deveria ter sido admoestado com um cartão.
Na partida em Dortmund, o árbitro não foi suficientemente corajoso para expulsar (segundo amarelo) o talentoso Dembelé, quase no fim do 1.º tempo. Poder-se-á argumentar que, já na 2.ª parte, também Samaris obteve a mesma condescendência do juiz da partida, mas nada garante que esta situação tivesse ocorrido com o Borussia já com 10 jogadores.
O certo é que, no fim do jogo, nem dirigentes, nem treinadores, nem jogadores se concentraram nestas e noutros erros, ou se o fizeram (como o técnico do PSG) foi com muita, mas mesmo muita cautela e diplomacia.
Imaginemos estes jogos no nosso campeonato, com os clubes grandes. O que já se teria dito, discutido, insinuado, suspeitado, analisado de mil e uma maneiras, chantageado!
Pois é: com a UEFA muito respeitinho porque as consequências são bem pesadas. Por cá, o regabofe porque, no fim de contas, são umas multinhas ou uns dias sem ir fisicamente para o banco, mas com as redes sem fio a funcionar em pleno."

Bagão Félix, in A Bola

Balanço da "Vergonha" Europeia do Benfica

"Uma semana depois já podemos fechar as contas europeias das equipas portuguesas nas provas da UEFA em 2016/17.
Uma breve passagem pela imprensa nacional e percebemos logo o que é importante e que conclusões podemos tirar nesta última semana com clubes portugueses em competição.
O Benfica caiu aos pés do Borussia Dortmund sendo a vergonha de Portugal. Uma eliminatória que serviu de pretexto para se abrirem várias frentes de discussão que visam colocar a nu a falta de qualidade do futebol do Benfica, a duvidosa qualidade do plantel e a competência de quem treina a equipa.
Como escrevi na minha crónica de Dortmund, até muitos benfiquistas se sentiram envergonhados com este duelo europeu.
Vamos, então, a factos e às contas finais.
Com o desempenho dos clubes portugueses esta época na Liga dos Campeões e na Liga Europa ficamos a saber que brevemente perdemos uma vaga na Champions. Só o campeão nacional tem presença garantida na prova maior, o 2.º classificado do campeonato sujeita-se a um playoff e o 3.º segue para a Liga Europa. Para este triste desfecho deve ter contribuído o 4-0 de Dortmund e as pobres exibições contra Nápoles além dos pontos conquistados contra Dinamo de Kiev e Besiktas.
A carreira europeia do Benfica boicotou o excelente contributo de equipas como o Sporting que somou pontos muito valiosos das soberbas exibições contra Real Madrid e Borussia Dortmund. Pontos tão importantes como a superioridade teórica sobre o Legia e aquela ausência leonina da Liga Europa.
Também o Braga esteve impecável nos seus contributos europeus.
Portanto, devemos culpar o Rio Ave e o Arouca pelas saída prematuras, e Benfica e Porto por não terem ganho a Liga dos Campeões.
Para que fique registado, só nestas últimas duas épocas, o Benfica fez 39 pontos em 18 jogos. Coisa pouca comparando com os 29,5 do Porto e os extraordinários 14 do Sporting! Portanto, aqui a culpa também é do Benfica.
Posto isto, vamos à comparação de reacções com os diferentes desfechos na Champions League. A saída do Benfica, já se sabe, foi um desastre. Já a do Porto foi incrivelmente digna. Conseguiram só perder por 1-0 em Turim. Ena, quanta dignidade.
O Porto esteve quanto tempo por cima da eliminatória com a Juventus? Ah, não esteve.
E esteve dentro da discussão da eliminatória quanto tempo? Foi só até os italianos fazerem dois golos no Dragão na primeira mão.
O Buffon sofreu imenso neste duplo confronto. Até ponderou pagar a taxa turística no Porto pelo passeio.
Então, o Porto é afastado num total de 3 golos negativos de diferença, certo? Em dois jogos dos 1/8 de final da Champions somou aproximadamente zero euros de prémios da UEFA.
Ah! Mas jogou quase sempre em inferioridade numérica por expulsões dos seus jogadores. No Dragão o comentador Freitas Lobo achou a expulsão uma injustiça e no jogo de Turim Bruno Prata não percebeu bem porque é que o Casillas não pode ser substituído por um defesa direito.
Eu entendo, afinal o Porto tem feito todo um campeonato nacional em que a maior parte dos jogos acaba em superioridade numérica, é um conceito que na Europa os deixou baralhados.
Já o vergonhoso Benfica atreveu-se a ganhar um jogo que lhe valeu somar 1 milhão e meio de euros. O Benfica esteve mais de meia eliminatória em vantagem e mais de jogo e meio contra o Dortmund na luta pela passagem aos 1/4 de final. Depois, dois golos seguidos deram vantagem aos alemães que acabaram por seguir com naturalidade. Mas, repito, foi mais de jogo e meio com o resultado nivelado.
Perdeu-se dentro de campo mas nas bancadas os adeptos do Benfica golearam. Está bem mas o que isso interessa? Nada. Os outros também deram show e são falados na imprensa.
Ainda ontem se ouviu os adeptos portistas em Turim a apoiar a sua equipa. Como? Saltando e cantando alegremente ao som de "E quem não salta é lampião". Que brilhante apoio à equipa, como referiu um dos narradores que acompanhava a emissão na televisão. Hoje nos jornais também se pode ler que os adeptos azuis atacaram a sede da claque da Juventus. Bem digno. E no pouco que ouvi do relato na Antena 1 falava-se do lançamento de petardos para a bancada dos italianos.
Ora bem, isto comparado com aqueles cânticos de "Benfica, o amor da minha vida" ou "Amo o Benfica", mostra a diferença de cultura dos dois clubes. Por mim, estou bem assim.
Finalmente, temos notáveis adeptos do actual campeão europeu de clubes, o Sporting. Título ganho pela enorme exibição de 88 minutos, em espanhol já sabem como se diz, da equipa em Madrid. Do alto da sua moralidade europeia, riem-se de uma eliminação nos 1/8 de final da Champions.
Do alto da sua enorme experiência europeia qualificam uma derrota na Alemanha com gozo. Do alto da sua sabedoria, fazem piadas por se ser eliminado com o Borussia Dortmund.
Logo eles que este ano tiveram oportunidade de mostrar ao mundo como é que se ganha aos amarelos. Quer dizer, perderam as duas vezes mas jogaram muito melhor, claro. Num dos jogos nem levaram com o Aubameyang e apanharam o auge de lesões de Tuchel, não fizeram um pontinho mas foram muito melhores, como é apanágio deles.
O Benfica ainda lhes ganhou um joguinho mas não chega para disfarçar a vergonha que é.
Os adeptos verdes que gozam de um estatuto único na europa do futebol, estão em pré época desde o natal e aproveitam para brincar às eleições, ao melhor marcador e preparam com o afinco habitual a nova época, acham que devem apontar o dedo a quem envergonha o futebol português:
Ok, quero pedir desculpa ao Doutor e a todos os outros que se sentem assim. Se não fossem os pontos daquela Taça das Taças o Benfica nem à Europa ia, eu sei.
Por tudo o que argumento aqui, desejo mais do que nunca que o Benfica entre na tal liga europeia de clubes rapidamente. Estou farto de ser de um clube que envergonha o meu país.
É deixá-los a jogar uns contra os outros e nós vamos à nossa vida. É que o Porto na época passada caiu com o mesmo Borussia que, entranto, ganhou dois jogos ao Sporting. E há pouco tempo a Juventus caiu em casa a um jogo da sua final europeia caseira contra um clube português que acabou a jogar com 9 em Turim."


PS: Peço desculpa ao João pelo copy/paste, mas teve que ser!!!!!!!!!
Se calhar, como somos da mesma geração, temos as mesmas memórias Benfiquistas, e sendo assim acabo quase sempre por concordar em absoluto com as opiniões que o João expressa no Red Pass ou na BTV...
Este, é só mais um dos Post's em que 'acerta' em tudo...!!!
Em relação à 'crítica' dos pasquins e afins, não existe novidade nenhuma...
Por isso realço os últimos 2 parágrafos:
No principal Fórum Benfiquista online, a potencial futura Liga Europeia é recebida com uma histeria de anti-Liga Europeia descomunal...!!!
Sinceramente, continuo sem perceber muitos Benfiquistas, como depois de tudo o que acontece no Tugão, desejarem a manutenção do staus quo...!!!

Carta aberta ao futebol

"Apaixonei-me por ti desde o primeiro momento. Não mais consegui desviar o olhar, percebi que seria para sempre. A nossa relação tem conhecido altos e baixos, é normal, mas não me imagino a viver sem ti. Sei que tens defeitos, mas sempre me concentrei sobretudo nas tuas virtudes, sempre olhei com carinho para as tuas imperfeições, sempre vi atraentes sardas no lugar das tuas cicatrizes.
A verdade é que tens mudado e temo pelo futuro. Há cada vez mais interferências entre nós. Como o capital, tantas vezes suspeito, de empresários ou grupos económicos que na maior parte das vezes só querem amar-te e partir, destruir-te a pureza.
Como as regras que querem alterar em ti, por vezes de forma louca, como se a tua personalidade fosse uma bola de plasticina, como se quase nada em ti fizesse sentido a não ser a necessidade de mudança.
Como as críticas, calúnias e insinuações constantes por parte de comentadores e analistas cujos sentimentos por ti só dependem daquilo que vestes, da cor que vestes. E muito mais haveria por mencionar.
Tenho tentado adaptar-me, mas é difícil manter a fé quando constato que na China, por exemplo, há vários jogos com substituições por volta dos 15 minutos, só para contornar a obrigatoriedade de utilização, no onze inicial, de um jogador sub-23 formado localmente. Sai um chinês mais novo, entra um chinês mais velho. Assim é de mais, às vezes parece que já não te conheço.
Dou por mim a deixar de ver sardas nas tuas cicatrizes para ver feridas abertas pelas quais jorra o sangue que faz salivar os vampiros que te rodeiam, que te amarram, que te violam a beleza e a pureza.
Apesar de tudo, estarei sempre lá por ti, porque sei o quanto vales por baixo de toda a maquilhagem que te atiram à alma como se fossem baldes de areia. E porque sei que teremos sempre momentos como o golo escorpião de Mkhitaryan ou a remontada do Barcelona."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: Oh Gonçalo, depois desta prosa toda, foste logo escolher um golo em fora-de-jogo e uma remontada repleta de irregularidades...!!!

Parem o mundo quero descer

"O português é uma língua riquíssima mas há sempre palavras que ficam bem em qualquer texto. Adeus, saudade ou destino são algumas delas. Expressam sempre um olhar sobre uma forma lusa de olhar o mundo com melancolia. Como se encolhêssemos os ombros perante um dogma de existência de um povo.
Ontem foi dia de mais um adeus português. Desta vez, às competições europeias. Daqui a umas semanas, quando se realizaram os quartos de final da Champions, vamos ficar com saudades e soçobrar perante o destino de terem calhado em sorte a Benfica e FC Porto duas equipas inevitavelmente mais fortes.
Está a fazer 50 anos em 2018, no Maio de 1968, os estudantes de paris saíram à rua e queriam que a imaginação chegasse ao poder. Entre inúmeros slogans revolucionários, há um que terá ficado no ouvido: «Parem o mundo, eu quero descer».
Os grandes portugueses, quando negociaram os direitos televisivos, olharam cada um para os seus belíssimo umbigos: mais dinheiro, mais potencial para formar boas equipas. Olharam para o umbigo, mas a cabeça não pensou que o corpo é português, mas de vez em quando vai até ao estrangeiro. E se os outros opositores internos não forem mais fortes, não tiverem mais meios, derem mais luta, o seu próprio corpo fica mais mole, deslaça, não tem músculo. E quando pela frente lhes aparecer um gigante munido de muitas armas - leia-se equipa de classe média-alta do futebol europeu - o fado português com as tais palavras inevitáveis vai voltar.
Depois de 1968, apesar do tal pedido, o mundo não parou. Neste momento, até pode ser um sítio mal frequentado em diversos locais. Mas é o mundo. E no do futebol, sem competitividade interna, a externa é (quase) surreal."

Hugo Forte, in A Bola

Últimos minutos fatais...

Benfica B 2 - 3 Portimonense


Excelente entrada no jogo, com um 2-0 justo... mas depois baixámos as linhas, tentámos gerir... desperdiçamos os contra-ataques, e acabámos por perder o jogo cruelmente... contra a melhor equipa da II Liga, que tem um plantel de 'primeira', mas que nos últimos tempos tem 'relaxado' em demasia!!!

E quando a lei te chama diferente?

"Porque é que a Lei 112/99 obriga apenas e só os agentes da arbitragem a entregarem uma declaração de interesses sobre os seus rendimentos?

Quero hoje falar-vos de um assunto que, embora já aflorado, nunca mereceu a atenção devida. Mais. Nunca foi bem explicado ao adepto, ao simpatizante, ao jornalista... ao universo do futebol.
Como qualquer altura é uma boa altura para se discutir coisas importantes, falemos agora de um assunto que já tem quase dezoito anos.
Acompanhem-me então nesta viagem ao passado.
3 de Agosto de 1999.
Este foi o dia em que foi aprovada a Lei 112/99, que ditava as novas regras sobre o "Regime Disciplinar das Federações Desportivas (RDFD)".
De entre muitas premissas - válidas e importantes - houve uma em particular que levantou, desde logo, muitas dúvidas e questões, sobretudo no seio da arbitragem do futebol profissional:
A da lei obrigar apenas os agentes da arbitragem profissional (árbitros, assistentes, observadores, dirigentes) a entregarem, todos os inícios de época, um "Registo de Interesses", onde tinham que dar informação detalhada e minuciosa sobre os seus rendimentos, bens e activos.
Para ser mais exacto, essa Declaração de Interesses, que ainda hoje é preenchida por todos anualmente, exige-lhes as seguintes informações:
Identificação completa, profissão, retribuição (mensal), rendimento anual, cargos sociais que ocupem, património imobiliário, quotas/ações/participações ou partes sociais do capital de Sociedades Civis/Comerciais, direitos sobre barcos/aeronaves ou automóveis, carteiras de títulos, contas bancárias (à ordem), contas a prazo, direitos de crédito de valor superior a 25 mil euros e discrição pormenorizada de quaisquer outros elementos de activo patrimonial.
Parece mentira, mas é verdade.
Isto não é apenas uma cópia do IRS. É mais. Muito mais do que isso. É até mais do que entregam, por exemplo, os senhores deputados da AR em âmbito similar.
Chegados aqui, fica a pergunta, que no fundo fundamenta a nossa opinião:
Porque é que a Lei 112/99 obriga apenas e só os agentes da arbitragem a entregarem a dita declaração?
Porque é que a lei é parcial?
Porque é que ela não é geral, como se pressupõe e não obriga também todos os outros agentes desportivos profissionais a cumprirem com a mesma obrigação?
Porque é que esta medida não se aplica a treinadores, dirigentes de clubes, atletas e dirigentes do futebol em geral?
Que tipo de lei é esta que trata, de forma claramente desigual uma questão que devia e tinha obrigação de tratar como igual?
Será que não é o seu texto e conteúdo que passa para o exterior uma mensagem de isolamento dos árbitros, rotulando-os como potenciais suspeitos ou criminosos?
A verdade é que, desde 1999, os tempos mudaram. Mudaram e muito.
Estamos num novo século, numa era em que as leis aprenderam a adequar-se a outra realidade desportiva.
A prova disso é que tem sabido regulamentar - com justiça, abrangência e eficácia - questões tão sensíveis como a dopagem, a violência associada ao desporto e mais recentemente, a manipulação de resultados desportivos.
Não terá chegado, por isso, o momento de revogar ou alterar substancialmente um diploma desfasado e inadequado no tempo, que fere - de forma evidente - o princípio constitucional da igualdade?
É que a questão não está no facto dos árbitros (e restantes agentes) serem obrigados a apresentar essa declaração. Pelo contrário.
Eles apoiam a iniciativa e querem continuar a fazê-lo, porque como diz e bem o ditado: "quem não deve, não teme".
Mas porquê só eles?
Em tempos, diga-se, houve algumas tentativas de alterar o rumo das coisas. Foram, por exemplo, propostos dois projectos de lei na Assembleia da República, um a sugerir a suspensão dessa obrigatoriedade, outro a pedir que ela fosse extensiva a todos os titulares de órgãos federativos.
Por motivos distintos, ambos foram chumbados.
Os árbitros sabem que em meados de 2006, na Presidência do Dr Hermínio Loureiro (na LPFP), houve compromissos e esforços sérios no sentido de alterar a parcialidade da lei, mas infelizmente esbarraram em questões e constrangimentos políticos.
Os árbitros também sabem que os registos que agora enviam para a FPF estão guardados, selados, com selo de confidencialidade garantido e só serão consultados em caso de justificado (e grave) ilícito disciplinar.
Mas esse alento não retira o que nos traz aqui hoje: a parcialidade e inconstitucionalidade daquele diploma. Não retira, sobretudo, o rótulo feio que ele passa para o sector e para o exterior.
Como se pode pedir igualdade de tratamento ao adepto, cá fora, se quem legisla dá exemplo oposto, cá dentro?"

Expectativas? É melhor não ter!

"No passado fim de semana, e poucos dias após um gigantesca reviravolta num jogo de Liga dos Campeões (contra o Paris Saint-Germain), o Barcelona foi derrotado no terreno do Deportivo (2-1), deixando-se surpreender por uma equipa que luta pela manutenção - com este resultado, sofreu a primeira derrota no campeonato, desde Outubro do ano passado, após ter garantido 19 vitórias ininterruptas.
Em simultâneo, mas agora na prova da Maratona de Barcelona, Jonah Kipkemoi, atleta paraolímpico queniano contratado para fazer de "lebre" até ao quilómetro 35 (ou seja, para acelerar o ritmo da mesma, garantindo um bom andamento), acabou por cortar a meta em primeiro lugar, naquela que foi a sua estreia em maratonas.
A inesperada vitória ocorreu depois deste atleta constatar, a sete quilómetros da meta, e para surpresa do próprio (como teve oportunidade de referir à imprensa, após terminá-la), que se encontrava praticamente sozinho, decidindo, por isso, percorrer a prova até ao final.
O que estes dois eventos têm em comum? Certamente que muitas variáveis, mas a mais óbvia, que se pretende explorar nesta reflexão, será o impacto que as expectativas podem ter na nossa performance.
De facto, e apesar de ser sobejamente explorado na literatura científica que as "expectativas negativas" podem desencadear fenómenos de ansiedade que, por sua vez, comprometem a performance dos atletas (ou a nossa própria, no exercício das nossas profissões), assistimos frequentemente, e de igual forma, a situações em que expectativas positivas (ex: considerar o Deportivo um adversário "demasiado acessível", por hipótese) conduzem também ao insucesso. Na realidade, perante um contexto percebido como "fácil" (ou, aparentemente fácil), tendemos a ter um compromisso menor, no que respeita a manter os níveis de activação desejáveis ao exercício das acções facilitadoras do sucesso e, por esta razão, comprometermos de igual forma o nosso desempenho.
No passado fim de semana, o foco de Kipkemoi terá sido, possivelmente, cumprir o acordo que fizera com os organizadores da prova, no sentido de garantir um bom andamento na mesma até ao quilómetro 35 - por outras palavras, não havia qualquer propósito (entenda-se, expectativa) de resultado, mas antes de cumprir esta tarefa. Efectivamente, numa grande maioria de situações, o foco na tarefa (logo, sem expectativas) garante o exercício das competências necessárias a uma performance de nível superior, sem o "peso" da expectativa, do desejo em alcançar um dado resultado. Também por esta razão, quase sempre, o consumo energético é inferior e os sinais de fadiga também.
Por razões desta natureza, se chega ao quilómetro trinta e cinco "fresco" o suficiente para considerar: "Hummm... só faltam mais 7.."
Em suma, o domínio da nossa capacidade de "não desejar" e, simplesmente, viver o momento disfrutando de todas as sensações que o nosso corpo nos comunica à medida que se supera, acção após ação (como se de um exercício de "mindfulness" se tratasse), tem sido efectivamente, um dos principais predecessores do sucesso encontrados na literatura científica, no que respeita aos denominadores comuns associados a desempenhos de excelência e, por esta razão, continua e continuará sempre a ser um dos "culpados" de resultados "insólitos" de sucesso.
Expectativas? De facto, é melhor não ter!
"First of all, I really never imagined myself being a professional athlete."
- Bo Jackson, um dos poucos atletas profissionais considerados "all-star", em dois desportos: beisebol e futebol americano)."

Quem é a principal figura do campeonato até à mais recente jornada?

"Fernando Madureira, vulgo 'O Macaco', o líder da claque oficial do FC Porto e da claque oficial da Federação Portuguesa de Futebol, tal como se viu em França no último Europeu, e palestrante em acções de formação para árbitros. Não há na Liga portuguesa e no futebol português figura tão 'principal' como esta.
(...)"

Leonor Pinhão, in Correio da Manhã

105x68... O Filme e os rescaldos...

Sonhando SLB... Tunísia

Benfiquismo (CDVII)

Troféus...

A infinita paciência de Rui Vitória

"O treinador do Benfica tem um jeito especial para lidar com a crítica. Nunca perde o controlo emocional, não se revolta com perguntas mais incómodas e, regra geral, mantém aquele registo afável. Um treinador que foi campeão na época de estreia e com o recorde de pontos na história do futebol português, que conseguiu dois apuramentos para os ‘oitavos’ da Champions (num dos casos, aliás, com chegada aos ‘quartos’), que conquistou três troféus no primeiro ano na Luz, que está na meia-final da Taça e que pode hoje voltar à liderança da Liga ainda é capaz de ouvir alguém questionar a qualidade do futebol da sua equipa e, mesmo assim, responder com uma paciência admirável.
Há especialistas em ‘teoria do futebol’ que continuam a insistir no velho argumento – sempre válido – de que uma equipa que apresente qualidade está sempre mais perto de vencer. O curioso é que alguns desses especialistas são os mesmos que criticam duramente Rui Vitória (muitas vezes com teorias coladas com cuspo) esquecendo-se que na Europa, nos últimos 18 meses, poucos ganharam tantas vezes quanto ele. E se está sempre mais perto de ganhar quem apresenta mais qualidade… há aqui qualquer coisa que não faz muito sentido.
Esta época há 3 equipas com um número anormal de golos marcados: Barcelona com 129, Monaco nos 123 e Real Madrid com 122. Há apenas mais uma equipa, entre as principais ligas, acima dos 100: o PSG, que ontem chegou aos 102. O Bayern está lá perto, com 98. Depois vem o Arsenal, com 95. E quem se segue? O Benfica e o Man. City, ambos com 93. À frente de Roma (88), Lyon (88), Ajax (85), Dortmund (83), Nápoles (83), Man. United (82), Tottenham (82), At. Madrid (82), Juventus (80), Chelsea (75) ou Liverpool (74). Futebol de equipa pequena, o Benfica?"

Sinais da bola

"Rosa com espinhos
Disse um dia o guarda-redes Moreira que fica mais nervoso nos jogos com o Benfica porque se errar há logo quem lembre a relação com o Benfica. Imaginem o que sentiu Miguel Rosa ao errar no 0-1 e o que vão pensar (e, mais grave, dizer) os crápulas da nossa praça.

Malditas lesões
É inacreditável o número de lesões do Benfica esta época (Nélson Semedo é a última vítima), ao ponto de Rui Vitória ainda não ter contado, uma só vez, com todo o plantel. Algo que, por já ser habitual, parece já não ser lembrado nem ter relevância nas análises. Mas tem. E muita.

O talento do trabalho
que dar valor aos jogadores como André Almeida, que não são propriamente talentos naturais, mas destacam-se pela forma como trabalham a lutam com dedicação. Jogadores de equipa e de extrema utilidade. O futebol também precisa deles. O Benfica que o diga.

'Outro' Mitroglou
Além do elevado número de golos marcados (esta época já leva 25 em 36 jogos), salta à vista a disponibilidade física com que o ponta de lança grego percorrer agora todo o ataque e a confiança com que recorrer a lances de bolo recorte técnico. Já não é só um rato de área.

Jonas quer ser Jonas
O golo ontem apontado pode ser o tónico ideal para Jonas ainda tentar ser, esta época, o jogador que não tem conseguido ser devido a problemas físicos. E vontade não lhe falta, como se viu até no trabalho defensivo. Com Jonas bem, o Benfica é outra equipa. Para muito melhor."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Melhores desatam nós

"1. Entrada muito boa do Benfica, pressionante e com um forte primeiro tempo de defesa, imprimindo uma grande intensidade às suas acções. Circulando a bola com velocidade imensa e com a mobilidade superlativa dos seus elementos da estrutura menos fixa, o Benfica confundia a marcação zonal dos de Belém. A esta mobilidade, amplitude e repetida criação de linhas diagonais conseguida pelo dispositivo encarnado somava-se uma tímida aparição azul. Sabendo-se do colectivo forte que o Belenenses normalmente apresenta, era expectável que esta forte entrada das águias encontrasse uma oposição uma oposição mais visada do adversário, mas a superior transição defensiva dos jogadores de vermelho (rápida compactação dos sectores), não deixava tempo nem espaço para os visitantes terem bola e sair para o ataque, fosse em combinações curtas ou em saídas longas para o seu possante homem da posição 9 (Maurides) e chegada das segundas linhas.

Golo foi excepção
2. Apesar desta entrada agressiva do Benfica e do seu futebol envolvente e variado, criando gritantes dificuldades à organização defensiva do adversário (com Jonas, Zivkovi e Salvio a aparecerem a jogar no interior do bloco adversário)) as oportunidades de golo não abundavam e o golo de André Almeida foi uma excepção à falta de inspiração dos avançados da casa. Naturalmente, seria impossível manter este ritmo alucinante todo o tempo e a partir dos 25 minutos foi possível assistir a outro jogo, fruto da alternância dos ritmos a defender promovido pelos encarnados, com o Belenenses a começar a sair do colete de forças a que estava submetido. Baixando a velocidade das suas acções, o Benfica convidou a equipa de Belém a estender-se no relvado e a chegar à baliza de Ederson. Os últimos 15 minutos da primeira parte mostravam um Belenenses menos assustado, mais confiante e defendendo de outra forma a sua trajectória imaculada dos seis jogos. A bola rondava as duas balizas e perspectivava-se uma segunda parte com outros motivos de interesse, mais equilibrada, mesmo sabendo que o Benfica com os executantes que possui sente-se confortável a jogar em ataque rápido ou contra ataque. O início da segunda parte mostrou o porquê dos conjuntos dotados de melhores unidades, regra geral, ganharem os jogos e mesmo quando a imprevisibilidade parece tomar conta do desígnio das partidas, o valor individual de jogadores como Mitroglou e principalmente de Jonas desata o nó. O equilíbrio aparente desvanece-se, trazendo sucesso ao conjunto mais bem apetrechado, fazendo prevalecer o talento individual.

Placa giratória
3. O Belenenses mais atrevido ameaçava a baliza de Ederson mas não fazia golo e na outra baliza a bola ia entrando, com aproveitamento máximo do ataque do Benfica, dos espaços concedidos por este afoitamento azul. Sob a batuta de um esclarecido Jonas, que baixando no terreno servia como placa giratória de todo o movimento ofensivo encarnado, o Benfica ia avolumando o marcador e mostrava que os fantasmas do pesadelo alemão estava exorcizados e a equipa mostrava saúde e motivação para agarrar com unhas e dentes o primeiro lugar. Os de Belém lutaram e revelaram ambição, atrevimento e fidelidade ao seu modelo de jogo e aos seus princípios mas foram vítimas das suas naturais insuficiências, perante um adversário com outros argumentos e talhado para outros voos. O jogo de ontem parecia o da noite europeia com o Benfica a fazer de Dortmund e os de Belém de Benfica, apenas com aparente equilíbrio. Tudo normal é natural."

Daúto Faquirá, in A Bola

Pobreza franciscana

"1. A sentença ficará lavrada logo à noite em Turim e não terá apelo. Portugal, que deixará de ter equipas que prosseguirão nas competições europeias, descerá para a 7.ª posição do ranking da UEFA e doravante só terá entrada directa de um concorrente para a fase de grupos da Champions. A hipótese de um segundo participante passará sempre pelo problemático apuramento no play-off da 3.ª pré-eliminatória. Para um campeão europeu em título, convenhamos que é um decreto de falência. A condenar-nos, ano após ano, são as equipas que acedem à Liga Europa e que, com a eventual excepção de V. Guimarães e SC Braga, só nos enxovalham. A conclusão é óbvia: o nível do nosso campeonato é mau e a tendência é para piorar. Um dos factores que mais contribui para tal decadência é, manifestamente, um inexplicável excesso de clubes profissionais e semiprofissionais, permanentemente falidos e abarrotados de brasileiros e africanos. Seria bom que a FPF reflectisse um pouco sobre o rácio da equação custo-benefício e providenciasse termos um futebol atractivo e competitivo se há equipas da I Liga cuja base social de apoio são vitórias de quatro ou cinco mil habitantes? Infelizmente até os clubes grandes (para sermos magnânimos!) estão mais apostados em produzir matéria-prima para venda do que para consumo interno. Temos que mudar de paradigma, a bem ou a mal.
2. Mal terminou o Barça-PSG (6-1!), marcado pela histórica remontada dos catalães, fiquei com dúvidas sobre a virtuosidade da actuação do árbitro alemão Aytekin. Três golos em oito minutos, todos de bola parada, sendo que um resultou de um penalty inexistente e outro foi obtido um minuto depois dos seis de compensação, torna tudo muito estranho. Vejo agora que Pierluigi Collina decidiu coloca-lo na jarra até ao fim da prova. Mas a semana não acabaria sem outro episódio polémico: no Juve-Milan (2-1) da Série A, o tento da vitória bianconera chegou também de penalty aos 97 minutos!"

Manuel Martins de Sá, in A Bola