Últimas indefectivações

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Acertar no onze e só para talentosos

"A final do Campeonato do Mundo será disputada entre a melhor equipa do Mundo e a selecção com mais jogadores do maior clube do Mundo. Esta selecção alemã merece ser campeã do Mundo. A qualidade individual e colectiva dos germânicos é impressionante. Um Alemanha-Argentina é sempre um menu interessante.
No passado domingo estive no sorteio do próximo campeonato nacional. O Benfica inicia na Luz contra o Paços de Ferreira a defesa do título.
Se hoje um adepto do Benfica (ou do FC Porto ou do Sporting) tentasse fazer um exercício de adivinhar o onze com que inicia o campeonato, contra o Paços de Ferreira, dentro de um mês, era impossível acertar. Julgo que mesmo ficar perto é só para talentosos. Fiz esse exercício com três amigos do Benfica e três do FC Porto, hoje acertar em sete ou oito é já um milagre. Hoje nem mesmo as colecções de cromos dos miúdos conseguem acertar nos plantéis com que os clubes disputam as provas.
Este corrupio de compras e vendas, com o mercado aberto até 31 de Agosto (com três jornadas disputadas) é uma vergonha. As equipas que jogam o Benfica-Sporting da terceira jornada, podem nada ter a ver com as que iniciam a quarta jornada.
O sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, no final de Agosto, permite que um clube milionário compre os melhores jogadores dos rivais (no dia seguinte ao sorteio) com quem vai disputar a prova. Esta volatilidade e incerteza, com aberturas do mercado constantes e prolongadas, podem dar dinheiro a muitos interesses, mas aldrabam os campeonatos e tiram verdade às competições.
Chegamos a uma altura onde defender o jogo é defender a sua verdade, defender as competições é defender a sua verdade, sob pena dos adeptos não acreditarem no jogo. Pode ser uma ilusão, pode até ser uma ideia ultrapassada, mas foi a paixão pelo jogo e não a ganância do negócio que fez a sua grandeza."

Sílvio Cervan, in A Bola

Víctor Andrade

Foi hoje oficializada o fim de mais uma novela Benfiquista!!! O jovem Víctor Andrade, foi hoje apresentado... depois de ter tido uma fugaz passagem pelos escalões de formação do Benfica, disputando somente alguns torneios particulares, depois do Barcelona ter tido o direito de opção, sobre uma futura venda para a Europa, depois de problemas com a Direcção do Santos, depois da imprensa o apelidar do novo-Neymar, depois de se falar de uma provável ida para a Alemanha... Víctor Andrade chegou ao Benfica.
Muito sinceramente, não sei se será aposta imediata para a equipa principal, ou se ainda vai passar pela equipa B... o potencial talento parece-me evidente, mas ainda está longe de ser um jogador feito... É rápido, excelente pé direito, mas falta-lhe músculo, como também acontece nestas situações, ainda não tem posicionamento definido, provavelmente será a Extremo que vai evoluir...
E já agora, acho as comparações com Neymar, completamente desajustadas, aliás o Víctor tem um estilo de jogar, muito mais parecido com o Robinho outra ex-estrela do Santos... teria sido mais adequado chamá-lo do novo-Robinho!!!

PS: Primeiro dia no Europeu de Canoagem, em Brandeburgo na Alemanha: sem surpresas, e com todos os Benfiquistas a qualificarem-se para as Finais: Teresa Portela para a Final de K1 500m; Joana Vasconcelos para a Final de K4 500m; e o João Ribeiro que obteve a qualificação para duas Finais: K2 500m e K4 1000m

Lendas e narrativas

"1. Tudo indica que na próxima temporada o Benfica marque presença nas provas europeias de seis diferentes modalidades (Futebol, Hóquei em Patins, Basquetebol, Andebol, Voleibol e Atletismo). Relembre-se que o nosso Clube é Campeão em quatro delas. Ser a maior potência desportiva do país passa, muito provavelmente, por algo parecido com isto. Mas poderia também ser uma definição para o clube com maior número de sócios, para o que tem mais títulos, para o que tem melhores equipas, para o que tem maiores e melhores infraestruturas, etc. Não vejo é que este facto sirva a outro, sem que esse outro caia no ridículo.

2. Ao contrário do que sucede com as competições europeias, ou com as taças, em que podemos ver pela frente adversários distintos, o sorteio do Campeonato tem pouca relevância. Os opositores são conhecidos à partida, havendo que jogar com todos, sendo apenas sorteada a ordem das jornadas. Ainda assim, há que sublinhar o facto de não irmos ao Porto nas últimas jornadas - a acontecer novamente, confesso que suspeitaria de fraude -, de iniciarmos a defesa do título em casa, e de recebermos o Sporting à terceira jornada. aspectos que nos são teoricamente favoráveis. Realce ainda para as dificuldades de Novembro e Dezembro, onde um ciclo de jogos terrível, com Champions pelo meio, irá por à prova o conjunto de Jesus.
Com o tempo, perceberemos se o calendário é bom ou mau. Por agora, é apenas... um calendário.

3. Domingo disputa-se a Final do Mundial. Desde 1930 que a história do Futebol é escrita, em larga medida, pela pena desta competição. Pelé, Maradona, Eusébio e Cruyff tiveram, cada um, o 'seu' Mundial. Ainda não se sabe de quem será este. Sabe-se, sim, que assistiremos a uma partida histórica. E espera-se que de nível qualitativo condizente com as dezenas de jogos que nos deliciaram ao longo do mês. Que ganhe o melhor!

4. Alfredo Di Stéfano era o ídolo de Eusébio, e isso, por si só, representa muito daquilo que o hispano-argentino foi no futebol internacional. Paz à sua alma."

Luís Fialho, in O Benfica

Davam Eusébio no lugar de Di Stéfano

"Na véspera do grande Tottenham-Benfica para a meia-final da Taça dos Campeões, o «Daily Mail» assegurava: «O Real Madrid já tomou a decisão de substituir Di Stéfano pelo interior Eusébio, do Sport Lisboa e Benfica. A transacção transformará Eusébio no jogador continental europeu mais caro de todos os tempos, mas não será concluída enquanto o Benfica disputar a Taça dos Campeões Europeus. Perante a proposta apresentada pelo Real Madrid - 250 mil Libras - o treinador do Benfica, Bélla Guttmann afirmou que, no seu entender, se deveria dispensar o jogador visto a oferta ser fabulosa».
António Calderón, dirigente do Real Madrid, apressa-se a desmentir o interesse do seu clube em Eusébio.
O Dr. Fezes Vital, novo presidente do Benfica, apressa-se a afirmar que Eusébio não está à venda.
Eusébio continua a ser notícia, até mesmo quando a notícia não existe. Eusébio e Di Stéfano: houve sempre uma profunda ligação entre os dois. Recordem a fotografia: difusa, desfocada, uma multidão leva Eusébio em ombros; cabeças a esmo, braços erguidos, uma mão ao alto que segura um chapéu, talvez de feltro; Eusébio está em tronco nu; o seu braço esquerdo está junto à cara; o seu braço direito está apertado ao longo do corpo, a mão metida dentro dos calções. Local: Estádio Olímpico, em Amesterdão. Data: 2 de Maio de 1962.
Eusébio confessaria: a mão metida dentro dos calções estava agarrada à camisola de Di Stéfano, aquele que foi sempre para si o melhor jogador de todos os tempos. A preciosa camisola do seu ídolo que acabara de cair aos pés da sua classe avassaladora - Benfica, 5 - Real Madrid, 3.
Correrão agora ambos na planície da eterna saudade."

Afonso de Melo, in O Benfica

Diz-se por aí...

"Diz-se por aí que este Verão é marcado por dois actos surpreendentemente semelhantes e que nos têm proporcionado espectáculos surpreendentemente tristes: eleições para a Liga Portuguesa de Futebol e eleições para o Partido Socialista! Parece estar em curso um terrível efeito de contágio que, esperamos, não se alargue aos clubes, ao Campeonato ou, em último caso, dos adeptos.
O curioso é que a Liga Portuguesa de Futebol parece ter sido irremediavelmente contagiada, após as suas igualmente tristes eleições. De facto, num episódio que a história recordará com ares de comédia, Mário Figueiredo abandona o sorteio do campeonato nacional 2014/2015 salientando ser 'perfeitamente normal' a ausência de um conjunto significativo de emblemas no evento e rematando até, imagine-se, que se sente 'optimista'. Contágio total!
Neste Verão turbulento, ninguém percebe a diferença entre o cómico e o trágico, entre a vitória e a derrota, entre o dever de continuidade e a mínima consciência de que é tempo de partir...
Um pouco de bom senso não faria mal a ninguém nesta época balnear e, no caso da Liga, ajudaria a criar uma parceria estável e credível em torno do sucesso do futebol português. Não podemos desejar, imaginar e propor um campeonato de futebol nacional cada vez mais competitivo, transparente e economicamente atractivo em termos internacionais quando o presidente da Liga é eleito num processo tudo menos transparente. Não podemos desejar mais competitividade e fair-play no futebol quando se fecham as portas da Liga para evitar reuniões de clubes. Não podemos querer apostar na formação e na ética no futebol quando queremos eliminar os problemas refugiando-nos em detalhes estatutários e formalidades pífias...
No meio de tudo isto, arranca a época 2014/15 e espero sinceramente que o Sol que por agora rareia, venha finalmente impor alguma ordem e racionalidade nos tempos que se avizinham."

André Ventura, in O Benfica

Lições de benfiquismo

"Oiço, recorrentemente, amigos benfiquistas esgrimirem opiniões contrárias (e a diferença civilizada de opiniões é de supina importância para o nosso Benfica) sobre a vida passada, presente e futura do Glorioso.
Muitas vezes a argumentação termina com aquela espécie de sentença categórica e irrefutável de que 'ninguém me dá lições benfiquismo'. Quantas vezes não disse eu isso? Quantas vezes (ainda que o não admitindo) já aprendi algo sobre o benfiquismo, ouvindo e vendo o benfiquismo alheio? Há benfiquistas que pela sua paixão, razão, vivência, experiência, saber ou entrega nos dão lições de benfiquismo.
Sempre que no passado vi um benfiquista ser alvo de injustiças cometidas por alguém com passageiro poder dentro do Benfica, calar a revolta e a razão, não as tornando públicas, vi uma lição de benfiquismo. Sempre que vi um dirigente abdicar da sua vida pessoal/familiar para servir abnegada e incondicionalmente o Benfica, vi uma outra lição de benfiquismo. Sempre que vejo um avô emocionado por poder levar o neto à Luz, vejo a lição do benfiquismo assente no passar do testemunho. Esta última lição de benfiquismo é, de todas, a mais importante, porque garante uma renovação do benfiquismo com memória. De todos os benfiquistas, são exactamente os benfiquistas com memória que mais lições têm para dar. Há benfiquistas como Arons de Carvalho, Alberto Miguéns, Manuel Seabra, Ricardo Palacin, Luís Fialho, Rui Costa, João Paulo Guerra, José Jorge Letria, Luís Filipe Vieira, Manuel dos Santos, Ricardo Araújo Pereira, António Melo e tantos outros mais ou menos anónimos que, directa ou indirectamente, me deram lições de benfiquismo. Resta-me apenas agradecer-lhes. No entanto, continuarei convicto a insistir que, tal como a todos os outros benfiquistas, 'ninguém me dá lições de benfiquismo',"

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Poesia e prosa

"Reli agora um texto de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), escrito por ocasião do Mundial de Futebol de 1970, no qual o famoso escritor e cineasta italiano discorre sobre a literatura e futebol. E escreve Pasolini, no artigo intitulado «O golo fatal: o futebol-resultado e o futebol-arte», que no jogo da bola há «momentos que são exclusivamente poéticos», como também existe o «futebol de prosa».
O intelectual italiano escreveu que o golo e o drible são essencialmente poéticos: que a resistência defensiva e a triangulação a meio-campo é «futebol de prosa», mas que o contra-ataque, seguido de golo, é necessariamente poético. Talvez se Pasolini tivesse a felicidade de visionar muitos e bons pormenores das campanhas do Benfica nas duas épocas passadas tivesse acrescentado alguns poemas à sua antologia.
Pura poesia, acrescida com alguma prosa poética: o golo de Markovic ao V. Guimarães foi um caso de liberdade poética; como também o golo de André Gomes ao Porto, para a Taça de Portugal. Já a reviravolta do Benfica em casa frente ao Gil Vicente, foi épica; os golos de Garay e Lima à Juve, em Lisboa, foram o libreto para uma ópera. E o golo de Enzo ao Paços, dedicado a Salvio, terá sido um poema lírico, como o disparo de raiva de Rodrigo abriu caminho para o 2-0 ao Porto em homenagem à obra completa, poesia e prosa, de Eusébio.
Na época anterior, toda a jogada que culminou com as tabelinhas entre Gaitan e Lima, com golo do brasileiro, servido de bandeja, ao Sporting, o calcanhar acrobático de Gaitan, na sequência de um canto de Cardozo contra o Estoril, o míssil de Matic na marcação de um canto contra o Porto, mereciam classificação necessariamente poética, a concluir a prosa da construção do jogo.
Para a época que aí vem, queremos mais."

João Paulo Guerra, in O Benfica

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Considerações egoístas sobre os 7-1

"Se eu fosse brasileira considerava o golo de Óscar um insulto maior do que o cabaz de sete acumulado perante os alemães.

QUANDO aos vinte e nove minutos do jogo entre brasileiros e alemães os alemães fizeram o 5-0 pensei:
- Só espero que este Júlio César nunca venha para o Benfica.
Isto vindo de uma pessoa, eu, que desde sempre nutre grande consideração pelo guarda-redes citado, desejando repetidas vezes vê-lo na Luz com a camisola número 1 do Benfica.
Volúvel é o coração dos adeptos.
Quando aos vinte e quatro minutos do mesmo jogo os alemães fizeram o 3-0 pensei:
- Era o que devíamos ter feito ao Sevilha.
Não há maneira de se ver um jogo de futebol, para mais desta magnitude, sem cair na tentação de comparar todos os seus detalhes com os detalhes de outros jogos já passados que, esses sim, nos disseram respeito.
E não só. O futuro também entra nestas considerações egoístas.
Quando o árbitro mexicano apitou para o intervalo, observando as expressões de estupor dos jogadores brasileiros no regresso ao balneário pensei com grande sentido de alívio:
- Ainda bem que o Talisca não pertence ao escrete.
A segunda parte não se adivinhava animada. Tivesse Joachim Low oportunidade e teria com certeza mandado entrar a equipa B da Alemanha. Tal como Jorge Jesus fez nos jogos decisivos das meias-finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal com o FC Porto mandando entrar a equipa B do Benfica.
Começou a segunda parte. Minutos depois de um comentador da RTP ter previsto que o jogo pendia muito mais para um golo brasileiro do que para um golo alemão, a Alemanha fez o 6-0 chegando à meia-dúzia quando ainda faltavam vinte minutos para o fim.
Não sendo brasileira mas por comiseração pensei que pena o Pinilla ter atirado aquela bola ao poste nos instantes finais do Brasil-Chile.
Com 6-0 liberta-se a imaginação. E que venha o apocalipse. É verdade que desejei o 7-0. E quando o 7-0 inevitavelmente chegou pensei:
- A Alemanha será para todo o sempre o Celta de Vigo dos brasileiros.
Reconfortada nesta paridade de emoções, só ao alcance dos maiores entre os maiores, desejei intensamente, por respeito ao historial do Brasil, que o resultado não sofresse mais alterações.
E que, sobretudo, o Brasil não se atrevesse a marcar o abominável tento de honra porque não pior, quando o desastre é épico, do que aquela coisa pífia, insensata e incolor de um tento de honra. Mas qual honra?
Talhado para a tragédia na tarde Belo Horizonte, já noite na Europa, o Brasil, insensato, incolor, contra toda a decência e compostura, atreveu-se mesmo a marcar o seu tento de honra aos noventa minutos.
Se eu fosse brasileira teria considerado esse golo tardio de Óscar um insulto maior do que o cabaz de sete golos acumulados nos anteriores oitenta e nove minutos de jogo.
No século passado, custou-me mais o golo solitário de Wando dos 7-1 de Alvalade do que o sofrido cabaz de sete perante o rival da rua.
Já este século presumo que para muitos adeptos do rival da rua, o golo solitário de João Moutinho em Munique tenha caído tão mal ou pior do que o sofrido cabaz de sete perante o Bayern Munique.
Basicamente era isto que vos queria dizer: sou contra os tentos de honra que sós nos fazem sentir pior.
Deus nos livre dos golos de honra!

UM guarda-redes é peça fundamental de qualquer equipa que se queira grande. A Costa Rica é o exemplo mais recente do sobredito. Foi graças a Navas que os costa-riquenhos chegaram aos quartos-de-final do Mundial e que chegaram também à decisão das grandes penalidades nos jogo com a Holanda.
Navas defendeu tudo o que havia para defender durante os noventa minutos do jogo em que a sua equipa, limitada em comparação com a concorrência, deixou a pele em campo para manter o 0-0 e resolver o apuramento nos penalties. A Costa Rica defendeu-se durante cento e vinte minutos e fez o seu único remate à baliza aos cento e dezoito minutos, chama-se a isto um exagero.
Seria escandaloso ver nas meias-finais de um campeonato do mundo uma equipa que só rematou uma vez à baliza contrária no jogo de qualificação? Seria. Mas os costa-riquenhos confiavam em Navas para os penalties. E eu também. Porque um guarda-redes inspirado é o que se quer nestas circunstâncias.
Van Gaal, no entanto, não foi em lotarias. Van Gaal atirou para jogo o guarda-redes suplente da Holanda e pontificou-se a ser crucificado, gozado, mal-tratado se, porventura, a coisa lhe corresse mal. Correu, no entanto, lindamente. Navas não segurou uma bola e Krul, fresco que nem uma alface, sem pressão alguma sobre os ombros, defendeu duas bolas e colocou a Holanda no seu devido lugar.
O que define o génio é ir à frente dos comuns mortais. Honra atirando-lhe com uma cara nova no momento da compita decisiva. Foi uma coisa nunca vista numa fase final de um Mundial. Mas não inédita em termos globais.
Honra, por isso, a André Branquinho, o jovem treinador português dos açorianos do Operário que, na primeira eliminatória da última edição da Taça de Portugal, fez exactamente a mesma coisa na eliminatória com o Salgueiros. Aos cento e dezoito minutos de jogo, adivinhando-se o desempate por penalties, mister Branquinho substituiu o guarda-redes titular Rui pelo guarda-redes suplente Bruno Costa que defendeu quatro bolas.
Chamaram-lhe maluco? Com certeza que chamaram. Também chamaram o mesmo a Van Gaal mas os factos vieram a dar-lhe razão tal como deram a André Branquinho ainda que com menos foco nacional e internacional. Um bom treinador, um treinador do outro mundo não tem medo que lhe chamem maluco. Até faz parte do pedigree.
Assistindo a estas coisas todas dois meses passados sobre a final da Liga Europa, em Turim, lamento que Jorge Jesus, a quem também chamem muitas coisas, não se tivesse lembrado de uma coisa destas, mirabolante, retirando Oblak da baliza e lançando Artur. Quem sabe se não daria resultado?
À distância só vejo virtudes numa decisão dessas. Ao contrário de Oblak, que não agarrou uma bola na decisão com o Sevilha, talvez estivesse escrito nas estrelas que Artur, tão infeliz no fim da temporada de 2012/2013, teria o seu momento de glória no fim da época de 2013/2014.
E, assim acontecendo, estaria agora o heróico Artur desaparecido do Seixal, a caminho do Atlético de Madrid e o Verão seria bem mais tranquilo para todos nós.

FUCILE, ao que tudo indica, nunca mais voltará ao FC Porto. Lá longe, do outro lado do Atlântico, deu uma entrevista e referiu-se assim ao clube que o projectou (pouco, convenhamos): «Aquilo é uma monarquia».
A meu ver nada de insultuoso o termo «monarquia». Não é por aí que os portistas devem ficar zangados com Fucile. Já apelidar de «aquilo» o FC Porto me parece bem mais digno de choque e incompreensão. «Aquilo»?

AQUI pelo nosso burgo, o futebol a sério ainda não arrancou. Nem a sério nem a brincar visto que nem começaram aqueles adoráveis joguinhos de Verão para matar saudades e para se chegar a conclusões, normalmente, precipitadas.
Apenas o FC Porto se estreou nestas compitas para treinador ver e para adepto se entreter brindando o Valadares por 9-0.
Resumindo: ainda não houve futebol, nem bola a correr, nem penalties, nem foras-de-jogo e o presidente do Sporting já soltou o seu primeiro «grito de revolta» da temporada. Assim veio definido na imprensa o discurso de Bruno Carvalho agastado com as notícias sobre entradas e saídas de jogadores, fruta da época, como todos sabemos. De Vieira e de Pinto da Costa não tem havido notícias mas de Bruno de Carvalho, sim, tem havido. «Dentro de 20 anos ainda vou cá estar!», diz. Melhor grito de revolta.

A Argentina é o Enzo Pérez e mais dez. Vi o jogo com os holandeses até perto dos oitenta minutos quando o treinador argentino tirou Enzo do jogo. Estava 0-0. Depois, francamente, não me interessa muito o que aconteceu."

Leonor Pinhão, in A Bola

Começar

"Percorro A BOLA dos últimos dias. Registo vários títulos: «É um jogador com grande futuro». «Em busca do prestígio perdido». «Vim para o clube ideal». «Já sinto mística amarela». «Época para voar mais alto». «Dia 1 a aguardar uma revolução». «Um plantel com muito berço». «Revolução está por concluir». «Quero fazer história». «Mostrar que não estou acabado». «Treinador tem muita fé em mim». «Não vejo a hora de começar». «Vai ser o nosso ano». «Repetir o que fez a geração anterior». «Luzes, câmara, acção: o leão pode começar a rugir». «Espero que seja a minha época». «Pantera começa a rugir». «Chaguinha ansioso por começar».
É compulsivo este modo de começar os começos. Sonhos, esperanças, ilusões, ambições, declarações de amor infinito ao novo clube, no único momento em que a aparência parece fazer crer que o ponto de partida é igual para todos. Ou seja no começo.
Bem sei que o pessimismo militante é uma prisão, mas também o optimismo inconsequente é a maior parte das vezes um delírio que toma o lugar da realidade. Nestes tempos de longo defeso, isto é da primazia da aparência, de compras, vendas, saldos, entradas, saídas, transumâncias e outras formas formas do que agora se designa tecnocraticamente por mobilidade, concluo em forma de síntese.
O que parece é. Os intermediários.
O que parece. Os passivos.
O que parece não é. As cláusulas de rescisão.
O que não é parece. Alguns reforços.
O que é não parece. Certos poderes obscuros.
O que parece é. Transferências com placa giratória. É só escolher..."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Um quotidiano previsível

"Adepto que se preze gosta do defeso. É por esta altura que todos os sonhos são possíveis: que vislumbramos no '8' que vimos no YouTube o craque que, lá para Abril, vai decidir o título; que fantasiasmos com o ponta-de-lança letal, mas de técnica apurada, que finalmente chegará; e que temos a certeza de que vamos descobrir a próxima pérola africana, um avançado explosivo, de remate potente. Este presente de ilusões artificiais alimenta, como poucas outras coisas, a paixão pelo futebol. Por esta altura, deixamos que as manchetes de jornais nos mintam, como que para prolongar um sonho que sabemos que nos afasta da realidade.
Eu quero acreditar em todas as contratações do Benfica, moverem por uma fé que anuncia um futuro de novas glórias e de novos talentos. Mas é também chegado o momento de reclamar por uma pré-temporada que se inicie com uma estrutura estável, com os mesmos jogadores do ano anterior. Como benfiquista tenho direito a, exijo mesmo, um quotidiano previsível?
Reparem, não estou a dizer que gostava que os jornais desportivos parassem de me iludir. Quanto a isso, a minha disposição é a de sempre: prefiro ser o último a descobrir a verdade. Para que vejam, ainda acredito que o Klinsmann vai jogar no Benfica e que é desta que o Ulf Kristen assina. A questão é outra. Podem entrar jogadores e, com alguma razoabilidade, até estou disponível para aceitar algumas vendas - desde que, claro está, acima dos 20 milhões. O que não aceito é que se desmantele uma equipa de um momento para outro.
O assunto é bem sério. Como muitos outros país, tenho responsabilidades acrescidas. Estou a educar duas crianças no benfiquismo e preciso de referências estáveis, que lhes transmitam valores seguros. Não posso garantir aos meus filhos que o Oblak vai ser o melhor guarda-redes do Mundo, explicar-lhe que devemos confiar sempre nas decisões do Enzo e anunciar-lhes que este vai ser o ano da afirmação do Markovic e, subitamente, a minha palavra perder valor, porque nada do que lhes prometi se vai confirmar.
Senhor presidente, pense também nisso."

Roupagem...

Mais, menos e mais ou menos

"Mais: o comovente abraço e as palavras entre o vencedor David Luíz e o derrotado James Rodriguez. Um momento que exprime a beleza do futebol além das quatro linhas.
Mais: o desempenho desse menino colombiano, para mim e até ver, o melhor de todos (a par de Robben). Depois de ter passado pelo Porto, pena estar agora num clube assintomático como é o Mónaco. Merece bem mais do que o generoso e filantrópico físico monegasco.
Mais: a importância dos guarda-redes, com exibições insuperáveis de alguns.
Mais: o poderio teutónico feito de rigor, trabalho, disciplina e de não deslumbramentos patetas.
Menos: a brutal agressão de um jogador colombiano nas costas de Neymar, que o impede de jogar e de nós e vermos jogar. Veremos agora o que dirá a FIFA, às vezes tão lesta para coisas menores.
Menos: a imposição da mesma FIFA em determinar abusivamente a duração (parcial) de hinos nacionais. Chega a ser grotesco ver o hino do país anfitrião (que, de facto, é longo) ser cortado, com os brasileiros a (bem) continuá-lo, ainda que só por voz.
Menos: a desconsideração da representação portuguesa. Jogadores inebriados e incapazes de um gesto de naturalidade, sempre afastados do povo que os alcandorou a ícones.
Menos: uma delegação portuguesa que esteve no Brasil como se tivesse estado na Mongólia, sem a ligação que se impunha com a diáspora portuguesa e com instituições que exprimem a nossa presença secular por aquelas terras.
Menos: um Brasil apenas sofrível e inimaginavelmente humilhado.
Mais ou menos: a organização e a arbitragem."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Mais ou menos a arbitragem?!!! Por favor, consócio Félix... tem sido uma desgraça. Infelizmente esperada. Infelizmente... para continuar!!!
Também discordo do esquecimento do Di Maria entre os melhores deste Mundial... até se lesionar, era o melhor da sua Selecção, e conjuntamente com o Robben os únicos dribladores deste Campeonato!!! Depois da Champions, principalmente da Final da Luz, se o Di Maria (e o Robben) no final do ano, não fizerem parte do 'trio' da Bola de Ouro, será uma vergonha...

A arte e o engenho

"A radiografia está feita há muito tempo: somos um país vendedor em matéria de futebol. E por muito que se teime em dizer que não é bem assim, os números explicam quase tudo. Os clubes em Portugal não têm dinheiro para pagar salários ao nível do que se passa em Inglaterra, França, Itália o Turquia, isto para já não falar do mercado asiático. E daí ser fácil perceber as movimentações a que estão sujeitos os jogadores do Benfica, Sporting e FC Porto.
Os adeptos, na sua maioria, já se conformaram com as saídas dos seus craques e os exemplos vindos do Benfica (Di Maria, Ramires, David Luíz, Witsel, Matic e Garay, entre outros), FC Porto (James Rodriguez, João Moutinho, Falcão, Hulk, Deco e Lucho González) e Sporting (Miguel Veloso, João Moutinho e Nani) são bem eloquentes. A insatisfação é imediata quando o cifrão é elevado.
E no meio disto tudo, qual é o papel que cabe ao treinador? Talvez seja o cargo mais difícil no futebol português actual, onde há pouca margem de tolerância para os erros. Não ganhar um título significa que está aberta a porta de saída no final da temporada.
O resultado, como se sabe, é o que conta, e por pior que seja o plantel relativamente à última época, a exigência dos adeptos é sempre maior. A lei do mercado tem ajudado imenso a valorização do treinador português, que se tem mostrado bem habilitado e competente noutras ligas. Uma das razões tem a ver precisamente com o facto de ser obrigado a trabalhar na base da improvisação - as equipas mudam todos os anos, os recursos são inferiores, os adversários na Europa apresentam-se mais fortes e consistentes e quando é chegada a altura de analisar as questões mais em pormenor os dirigentes não têm contemplação.
Esta temporada, a Liga portuguesa tem um dado novo: Benfica, Sporting e FC Porto querem ir longe na Liga dos Campeões. Jorge Jesus, Marco Silva e Julen Lopetegui não podem defraudar as expectativas dos adeptos. Os três não vão ter vida fácil. Jesus vale-se da experiência de cinco anos de águia ao peito. Já mostrou ter arte e engenho para gerir o plantel, um dos segredos quando se aposta em tantas frentes. Marco Silva e Julen Lopetegui vão conhecer um mundo novo. Têm ambição, mas isso não chega. São precisos resultados. E muitos golos."

terça-feira, 8 de julho de 2014

"Eu queria estar na festa, pá"

"No português de Angola - tão, tão português como o do Brasil - há uma expressão que define bem a presença da selecção nacional no Mundial: desconseguida.

BRASÍLIA - A festa continua do lado de lá do Atlântico depois do regresso português. Regresso afadistado, sem futebol nem samba. Sabemos todos que estás em festa, pá, diria o Chico Buarque que eu, sem vergonha nem pejo, tratei de usar como auxílio para escrever estes textos sobre o Campeonato do Mundo e, já que aqui chegámos, ao último de todos eles, levarei o abuso até ao fim.
Dizer que o regresso foi triste, não vale, Chico! Foi tudo triste. O País Triste no Mundial Alegre. Outros foram mais tristes ainda? Seja. Sempre pudemos bem com a desgraça alheia, não é? Há léguas a separar as penosas exibições portuguesas, sem chama nem garra, das entusiasmadas tardes e noites de tantos que levaram para o Brasil a vontade de tornar diferente a sua vidavidinha do dia a dia. Um Campeonato do Mundo é algo de gigantesco - único! Foi por causa de um Campeonato do Mundo que Pelé ficou para sempre Pelé (no caso, foi por causa de dois), que Cruyff ficou para sempre Cruyff, que Maradona ficou para sempre Maradona e que Eusébio ficou para sempre Eusébio. Que a carreira de todos eles se estendeu muito para lá das fronteiras dos Mundiais, tal como as areias de Itapuã se estendem ao fim da tarde com uma cachaça de rolha e o diz-que-diz-que macio que brota dos coqueirais, ninguém tem dúvidas. Mas que foram os Campeonatos do Mundo que os encaixaram na fileira estreita dos mitos e das personagens infinitas da história do futebol, também não permite que se questione quem quer que seja.
Cristiano Ronaldo passou como a banda ao lado do Mundial que deveria ser o seu. À toa na vida, à toa uma equipa que não soube merecê-lo e não tinha qualidade para o acompanhar, à toa num sistema de jogo que não escondeu as debilidades físicas de que sofria. A meninada pode ter-se assanhado nas bancadas à simples menção do seu nome. A namorada que contava as estrelas pode ter parado quando viu o seu semblante preocupado no ecrã da televisão. O faroleiro que contava vantagem pode ter parado com medo de fazer figura de fraco face a um momento mágico que ele pudesse tirar do seu pé direito. O homem sério que contava dinheiro também pode ter parado na esperança de ver nele mais um negócio de milhões. Mas para desencanto de todos, o que era doce acabou.

É preciso navegar e navegar...
Estamos ausentes. Quantas mais vezes estará Portugal ausente dos Campeonatos do Mundo? Vendo bem só esteve verdadeiramente presente em dois: 1966 e 2006. Quarenta anos a nos separar. Os jornais brasileiros escrevem: «Portugal não tem histórico em Mundiais». Há quarenta anos, por exemplo, a Holanda apresentava-se pela terceira vez na fase final de um Campeonato do Mundo. As anteriores tinham sido pífias, próprias de um futebol absolutamente amador. Daí para cá, oito presenças - três finais, um quarto lugar, uns quartos-de-final, e agora? Veremos. Isto é ter histórico. Dizem os brasileiros e digo eu.
Fico contente por sabê-los em festa. Não precisam de guardar um cravo para mim; não precisam de mandar urgentemente um cheirinho de alecrim. Colhi pessoalmente uma flor no teu jardim, Chico, voando de Lisboa a Salvador, a Brasília e a Manaus, pé á beira rio centro das seringueiras. Sei - sabemos todos - que há tanto mar a nos separar e que é preciso, pá, navegar, navegar. Gerações ascenderam e caíram como os impérios. Outras virão. Não serei capaz de dizer quando. Vai para lá dos dotes adivinhatórios de quem se limita a correr o Mundo atrás do futebol e da vida, sempre com necessidade de analisar, de compreender, de interpretar e de escrever sobre o que vê e sobre aquilo que fica para lá do simples entendimento, esse lugar onde se esconde a banal filosofia dos homens que erram, se erguem e se repetem.
Sei que é Inverno para lá do Equador. Mas pode ser que por lá, de Fortaleza a Porto Alegre, de Natal ao Rio de Janeiro, cantem a Primavera que nos faz falta e não sabemos quando virá. Murcharam a nossa festa, pá. Ficámos carentes. Apesar de tudo, obrigado Chico!"

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Benito

Admito o meu desconhecimento sobre as qualidades do Loris Benito, tenho alguma lembrança de um jogo particular entre as selecções de sub-21 da Suíça e Portugal, onde o Cavaleiro se destacou, mas não tomei atenção a este jogador...
Estava habituado a jogar num esquema de 3 Centrais na Suíça, onde chegou a jogar como Central do lado esquerdo, parece que se destaca pela capacidade física...
Como conheço melhor o Djavan, creio que o brasileiro vai ser a primeira opção para o lado esquerdo, mas temos que esperar pelos jogos de pré-época, para retirar uma conclusão...
Um ponto muito positivo a favor do Benito será sem dúvida as suas raízes Galegas: como pode ser avaliado na entrevista à BTV, expressa-se bem em Galego, o que irá acelerar a integração.
Existem posições no plantel onde neste momento, ainda persistem muitas indefinições (pelo menos na opinião pública), mas as opções para o quarteto defensivo, deve estar tudo definido: 4 Centrais (Luisão, Lisandro, Jardel, César) e 4+1 Laterais (Maxi, Luís Filipe, Djavan, Benito e o André Almeida), em vez de se fazer julgamentos antecipados, devemos esperar para ver...

Sobre o defeso

"Já o tenho dito: se há coisa pior, muito pior do que algum vieirismo, é o anti-vieirismo que grassa por aí. Obstinadamente estúpido, cego e radical. Alimentado de ódios irracionais, de preconceitos e de pretensas superioridades morais. Populista e demagógico, aparece em momentos críticos, cavalgando ondas e dizendo o que algum povo quer ouvir. Nada de novo: é assim qualquer neo-fascismo populista e pretensamente moderno.
Vivia dias complicados o anti-vieirismo: depois de todos os agoiros, premonições e voodoos, o Benfica tinha feito uma época de sonho só parcialmente estragada em Turim por um alemão ao serviço de mais elevados valores.
Eis, porém, que o defeso trouxe novo alento ás trincheiras e entre mortos e feridos ninguém escapa á debandada: a acreditarmos em alguns arautos da desgraça, o Benfica não tem jogadores sequer para uma equipa de futsal. Para alguma imprensa é um festim: não é novidade, é disto que se alimentam os vampiros. Para o tal anti-vieirismo militante, melhor ainda: era a oportunidade em falta depois de uma época quase irrepreensível.
O que incomoda não é tanto a verborreia: são os custos da democracia e nisso o Benfica fez história, quando votar, escolher e debater eram coisas proibidas.
Esquecem alguns que o Benfica apesar de imenso, não passa de um clube de um país pobre, periférico e inserido num realidade futebolística à beira da falência económica, moral e desportiva. Esquecem esses mesmos que a única possibilidade de sobrevivência para um clube como o Benfica, é a diferença gerada entre as boas compras e as boas vendas ou, se quisermos, as vendas possíveis.
Claro que num meio inquinado e no mínimo pouco transparente, muita coisa se pode questionar, desde uma politica de comunicação trapalhona e pouco clara, até às opções desportivas pouco compreensíveis. 
Pretender-se (ou apenas vender a ideia) que o Benfica tem de ser uma espécie de aldeia de irredutíveis, que não cede, não aceita propostas, não vende, é, contudo, de uma desonestidade intelectual enorme.
Podemos sempre, obviamente, discordar dos moldes em que um qualquer negócio foi efectuado, ainda que e cada vez mais, desconheçamos os meandros. Podemos e devemos também questionar uma política de comunicação que ao invés de esclarecer, prefere calar e deixar arrastar dúvidas e suspeições: a transferência de Garay é, aliás, um óptimo exemplo.
Tudo isto é uma coisa; algo bem diferente é, porém, ignorar o capitalismo selvagem em que o futebol se enredou em favor de meia-dúzia de clubes ricos e poderosos e fingir que estamos longe, imunes, inalcançáveis.
Não me agrada, obviamente, poder perder 4 ou 5 jogadores titulares mas não me parece que o Benfica tenha argumentos para contrariar uma tendência a que nem os Liverpool e os Chelsea deste mundo escapam: é bom que não esqueçamos que os anos 60,70 e 80 já lá vão e que a lei da opção acabou há muito.
Ignorar isto é apenas tentar tapar o sol com a peneira. Ou então mentir, enganar e manipular, o que, de resto, é bem pior."

RIP Di Stéfano

2014 vai ser um ano recordado por muitos anos no Mundo do futebol, impressionante a quantidade de 'estrelas' que nos têm deixado, desta vez o ídolo do nosso Eusébio foi ter com ele...!!!

domingo, 6 de julho de 2014

Calendário para a época 2014/15

Mais um sorteio da I Liga portuguesa, novamente com muitos condicionalismos, mas desta vez, não vamos ter os jogos mais 'complicados' nas últimas jornadas, como já se tinha tornado 'tradição'!!!
Pessoalmente, acho que seria preferível começar com jogos de grau de dificuldade mais baixo, porque no início da época, existe sempre alguns problemas com a entrada de novos jogadores... e este ano parece que vamos ter muitas alterações no 11 inicial, por isso o derby à 3.ª jornada, vem um bocadinho cedo demais...
Agora, o objectivo principal da época: ser Bicampeão, não é influenciado pela ordem com qual vamos defrontar os nossos adversários...
É preciso recordar que esta época vamos ter mais 4 jornadas!!! Ainda não sabemos qual será o formato (e o calendário) da Taça da Liga, mas esta sobrecarga do calendário só enfatiza a necessidade da qualificação para os Oitavos-de-final da Champions, para evitar o super-carregado mês de Fevereiro e Março!!!
Também foi efectuado o sorteio da II Liga, onde a nossa equipa B vai participar.

1.ª jornada (17-08-2014) / (25-01-2015)
Benfica - Paços de Ferreira
2.ª jornada (24-08-2014) / (01-02-2015)
Boavista - Benfica
3.ª jornada (31-08-2014) / (08-02-2015)
Benfica  - Sporting
4.ª jornada (14-09-2014) / (15-02-2015)
Setúbal - Benfica
5.ª jornada (21-09-2014) / (22-02-2015)
Benfica - Moreirense
6.ª jornada (28-09-2014) / (01-03-2015)
Estoril - Benfica
7.ª jornada (05-10-2015) / (08-03-2015)
Benfica - Arouca
8.ª jornada (26-10-2014) / (15-03-2015)
Braga - Benfica
9.ª jornada (02-112014) / (22-03-2015)
Benfica - Rio Ave
10.ª jornada (09-11-2014) / (04-04-2015)
Nacional - Benfica
11.ª jornada (30-11-2014) / (12-04-2015)
Académica - Benfica
12.ª jornada (07-12-2014) / (19-04-2015)
Benfica - Beleneneses
13.ª jornada (14-12-2014) / (26-04-2015)
Corruptos - Benfica
14.ª jornada (21-12-2014) / (03-05-2015)
Benfica - Gil Vicente
15.ª jornada (04-01-2015) / (10-05-2015)
Penafiel - Benfica
16.ª jornada (11-01-2015) / (17-05-2015)
Benfica - Guimarães
17.ª jornada (18-01-2015) / (24-05-2015)
Marítimo - Benfica

PS: Nesta cerimónia também foram atribuídos as distinções individuais relativas à última época: Jorge Jesus o melhor treinador; Oblak o melhor guarda-redes; Enzo Pérez o melhor jogador; e Bernardo Silva a revelação da II Liga.

Juniores Campeões no Atletismo...

Mais um 'capote' da nossa secção de Atletismo, desta vez em Masculinos e em Femininos, nos Campeonatos Nacionais de Atletismo Junior, disputados este fim-de-semana na pista do Luso.
Os rapazes, fizeram 320 pontos, ficando a Juventude Vidigalense em 2.º com 109 pontos...
As meninas chegaram aos 241,5 pontos, com o Sporting em 2.º com 194 pontos...

PS1: No Meetting da Liga Diamante em Paris, o Nelson Évora voltou a aproximar-se dos 17 metros, com 16,97m, fixando a 4.º melhor marca europeia do ano!!!

PS2: Depois dos problemas burocráticos da última etapa da Taça do Mundo, a Telma Monteiro na Mongólia, conseguiu a medalha de Bronze... perdendo somente para uma Judoca Japonesa, iniciando assim a qualificação Olímpica com um bom resultado... O Célio Dias, voltou a ter azar: desta vez foi uma lesão, que o impediu de participar...

PS3: Parabéns à nossa dupla no Volei de Praia: Kibinho e Roberto Reis, que no Masters de Novi Sad na Sérvia, partindo do Qualifying, foram vencendo partida após partida, até às Meias-finais, onde foram derrotados pela dupla Austríaca (foi pena, vencemos 'facilmente' o 1.º Set, mas não conseguimos 'fechar' a partida)... no jogo para atribuição do 3.º lugar voltámos a estar muito fortes, garantido o 3.º lugar...!!!
Com um bocadinho mais de investimento nas etapas do Masters Europeu, e da Taça do Mundo, e podemos ter novamente uma dupla portuguesa de Volei de Praia, nos Jogos Olímpicos do Rio...

PS4: Foi hoje o sorteio da Eurochallenge, competição que a nossa secção de Basket vai regressar. Tivemos algum azar na equipa cabeça de série (os Franceses do Nanterre), mas temos potencial para lutar pelo 2.º lugar com os Finlandeses do Kataja, e os Belgas do Belfius.