Últimas indefectivações

sábado, 16 de fevereiro de 2019

A caminho do Jamor...

Benfica 21 - 0 Ribeirão


Voltámos às 'grandes' goleadas!!! Se calhar as nossas meninas ficaram 'chateadas' por terem marcado menos golos do que a nossa equipa masculina!!!

Com a eliminação do Sporting, ficamos à espera de uma Final: Benfica - Braga...

Derrota... enganadora!

Sporting 6 - 1 Benfica

Resultado mentiroso... jogámos melhor durante grande parte do jogo! Depois do 1-1 no arranque, o 2-1 chegou após um 'aparente' erro do Roncaglio (as imagens não são claras...!!!). A perder, fomos atrás da remontada, o guarda-redes adversário foi 'safando' os Lagartos... e a meio do 2.º tempo, num remate com desvio, o Sporting faz o 3-1 e aí sim, o Benfica 'desligou' da partida...!!!

Mais uma vez, um jogador do Benfica é agredido... e acaba expulso!!! Sendo que o porco do agressor, é reincidente neste tipo de atitudes!!! E nunca é verdadeiramente penalizado...!!!

Somos líderes, e é importante manter a liderança até ao final da época regular, como se viu hoje, as regras naquele pavilhão são diferentes... na Luz, os apitadeiros também roubam, mas naquele antro, que ainda não foi pago, a roubalheira atinge níveis estratosférios!!!

PS: Mais uma vez, a diferença entre a RTP e a Sporting TV, não se notou...!!!

Derrota... com muitas ausências!

Oliveirense 82 - 82 Benfica
31-18, 17-25, 27-23, 17-16

Com todos já seria difícil, sem o Rey, sem o Fonseca, sem o Hallman e sem o Silva é praticamente impossível... ainda por cima com o Micah na pior fase da temporada!!!
A única nota positiva do dia, foi a estreia do Cooper, jovem americano da equipa B... Se calhar, é melhor do que os outros estrangeiros que ocupam os 4 lugares no plantel principal!!!

Com este resultado, o mais normal, será voltar a encontrar os Corruptos nas Meias-finais no Play-off, tal como o ano passado!!! Vamos ver qual será o estado físico da equipa nessa altura... Ainda não fizemos um único jogo esta temporada, com todo o plantel disponível... Inacreditável!!!

Sporting, o problema e a solução

"A liberdade da asneira e a presunção da ignorância, ao contrário do que alguns pensam, não é uma inalienável garantia constitucional

A pior de todas as coisas que poderiam acontecer ao Sporting seria tornar-se num labirinto de caminhos propostos por quem não faz a mínima ideia do que é um grande clube de futebol, com uma história centenária, em toda a sua complexidade. É conhecida a tentação portuguesa para que todos tenham uma opinião. De facto, a opinião ainda é das poucas coisas que não paga imposto e basta ver os fóruns que por aí nascem como cogumelos nas redes sociais para se ter uma perspectiva minimamente consistente de que os portugueses continuam a vingar-se de 48 anos de ditadura. Só que se vingam da maneira errada: achando que a liberdade da asneira e a presunção da ignorância é uma das inalienáveis garantias da Constituição da República. Não é.
No Sporting, porque, de facto, foi indevidamente criada uma ilusão de que o clube, depois do caos do tresloucado modelo brunista, iria encontrar rapidamente suprema, o povo leonino divide-se entre os indignados e os desiludidos, um género de vencidos da vida, agora, em versão desportiva nacional.
Nem uns nem outros estão, neste momento, em condições de raciocinar com lucidez e discutir o futuro com o rigor necessário.
É evidente que o problema do Sporting não é a questão do treinador. Já não era essa a questão, quando Frederico Varandas, inopinadamente, despediu José Peseiro e, apesar de Marcel Keizer nos parecer um treinador deslocado e perdido, também não será ele, para já, o problema principal.
O primeiro e prioritário problema do Sporting é estratégico. No quadro actual de grande dificuldade económica, perdida que estará, como aliás, seria fácil de prever, o acesso aos milhões da Champions, o Sporting tem de traçar o rumo do futuro próximo, num quadro de realismo financeiro, preocupando-se em recuperar o tempo perdido em Alcochete, que o destronou de uma decisiva vantagem na área da formação de talentos e o coloca em sérias dificuldades na renovação com qualidade, enquanto vê o rival a ostentar na equipa principal, com indiscutível sucesso, meia dúzia de miúdos que já brilham como estrelas que prometem um futuro optimista ao Benfica.
Enquanto isto acontece, o Sporting esmorece, deixa esvair o filão, hesita, desvia-se do essencial.
Ora, o Sporting tem de se fazer regressar a Alcochete. Rapidamente e em força. Tem de recuperar e reanimar o modelo de competência da formação, tem de inovar, tem de criar, como já criou, uma das mais extraordinárias escolas de futebolistas do mundo.
Como vai precisar de tempo, o Sporting, através do seu presidente, vai também precisar de explicar duas coisas fundamentais: a primeira, é que foi o desastre da gestão de Bruno de Carvalho que destruiu e secou a fonte de Alcochete e que, por esse crime de lesa clube, o Sporting vai sofrer as consequências durante alguns anos; depois, que é preciso acreditar que o Sporting não tem outra solução para  seu futuro, e, por isso, os adeptos têm de entender que o renovado projecto precisa de rigor, de competência, de pessoas certas nos lugares certos, e de tempo, para dar resultados consistentes.
Não sei, sinceramente não sei, se Frederico Varandas já conseguiu entender que, do ponto de vista comunicacional, tem sido um desastre que pode pôr em causa o seu projecto que, aliás, ninguém ainda sabe bem que é. E se vai ser necessário explicar de forma sistemática e até irritantemente repetitiva como se chegou aqui, quem foi, de facto, o responsável por esta desordem leonina de tão pesadas e até cruéis consequências, também vai ser preciso explicar, passo a passo, qual é o rumo escolhido para o leão ter futuro.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Melhor na delação do que na competição

"Foi uma boa semana da comunicação do Benfica. E nem foi preciso suar para que tudo corresse de feição. Foi, por outro lado, a pior semana da comunicação do FC Porto desde que entraram em vigor as coordenadas nascidas daquele concílio com o Sporting num quarto de um hotel em Lisboa e fotografado à socapa pelos serviços secretos sabe-se lá de quem. Antes de revisitarmos os passos trocados da comunicação do comandante da Liga desde o preciso instante em que Jorge Sousa deu por findo o jogo em Moreira de Cónegos, 100 minutos depois do apito inicial, é justo proceder ao reconhecimento do supremo laconismo do treinador Benfica ao longo da semana. Até no futebol-falado da guerrilha ocorrem, por vezes, situações, em que menos é mais.
Recapitulemos, então, o minimalismo do antigo treinador da equipa B da Luz.
Sobre a goleada imposta ao adversário da 21.ª jornada do campeonato, disse: “O Benfica são as pessoas.” Quanto à interdição do Estádio da Luz por 4 jogos por requisição do Sporting – …e que lhe valerá por outros 4 títulos a reconhecer pela Assembleia da República –, afirmou Lage, sem dramas: “Jogaremos onde quer que seja.” No que diz respeito à primeira vitória do Benfica em solo turco com recurso a mais de meia-equipa de garotada formada em casa, anunciou burocraticamente: “Amanhã há treino.”
E basta porque o importante é vencer no campo e, vencendo no campo, quanto menos conversa e menos explicações, melhor.
Outros, porém, não vencendo no campo no decorrer de uma semana (atípica), viram-se forçados a um registo inaudito de conversas a mais e, sobretudo, de explicações a mais.
E, assim, lá foi obrigado – pelas circunstâncias e pelo patronato – o treinador das crianças do FC Porto a vir a terreiro explicar ao país as razões ponderosas e sábias que o levaram a excluir o Félix da “cantera” local e a despachá-lo para o Padroense.
Como se não bastasse, no dia seguinte, lá se viu forçado – pelo patronato e pelas circunstâncias – o valente defesa central Filipe a vir a terreiro acrescentar à explicação oficial fornecida por F. J. Marques a sua própria explicação oficiosa para o gesto (atípico) que dirigiu ao seu treinador mal terminou o jogo em Roma.
Numa semana menos risonha em termos de resultados, de linguagem gestual e de outras coisas – bem melhor na delação do que na competição estiveram, por exemplo, os parceiros do Altis –, deu-se por feliz o patronato por não ter de dar explicações a ninguém.
Patrão é patrão. Fala quando quer e visita quem quer sem que lhe exijam carta de intenções. E se foi à cabina dos árbitros no fim do jogo em Moreira de Cónegos só haverá a lamentar que os eventuais conselhos matrimoniais prestados a Jorge Sousa não sejam já do domínio público porque muita gente, árbitros e não-árbitros, beneficiaria certamente com tanto “know-how” acumulado.
Isto é que não foi nada atípico."

Um bando de Super Wings à solta

"A discussão que mais interessará à maioria dos adeptos portugueses – e que os fará seguir a 2.ª volta da Liga de forma aguerrida e apaixonante – chegou à Turquia. Depois de ter enfrentado o FC Porto na fase-de-grupos da Champions League, o encontro com o Benfica para a Liga Europa fez Fatih Terim e Fernando discordarem publicamente sobre a tal questão. Quem é afinal mais forte? Benfica ou FC Porto? E a julgar pelo Galatasaray-Benfica, desta quinta-feira, levanta-se uma resposta óbvia: o Gala é (bem) mais fraco que os dois. E foi a observação de uma equipa com padrões de posse que a levam a perder bolas e a decompor-se várias vezes num só jogo, que levou a que Bruno Lage jogasse uma cartada importante para as suas contas, quer na Europa, quer na Liga. Não assustou assim (muito menos a quem sabia da forma como o campeão turco iria abordar a partida) que Lage tivesse deixado Pizzi, Jonas ou Grimaldo em Portugal. Não assusta também que os putos Ferro, Florentino (acompanhados de Corchia ou Yuri Ribeiro) fizessem companhia aos já mais rotinados Félix e Rúben Dias, porque Lage sabia ao que ia. E sabendo, nunca teve dúvidas de que quanto mais bola a equipa de Terim tivesse, mais hipóteses teria um Benfica, bastante bem organizado defensivamente, de congelar o inferno turco.
A conceder bola mas posicionado em zonas que o levassem a criar (imenso) perigo em transição, o Benfica comportou-se como um felino em Istambul. Isto porque, mais uma vez, observando padrões, não seria difícil de perceber que, mais cedo ou mais tarde, o ideário de Terim acabaria por trair a própria equipa. Tentando construir apoiado sem a qualidade necessária, sem a tranquilidade ou talento (sequer) para tanta bola, a estratégia embateu na de Lage que, por mais realista, se tornou superior também com a ajuda de outro erro que não as perdas de bola em zona proibida. E o Benfica, sabemos, pode deixar Pizzi e Jonas em Lisboa (pensadores) que teria sempre na Turquia quem se posicionasse de forma felina e em dois, três toques levasse tranquilidade para 21 de Fevereiro na Luz. Ainda para mais, quando o Gala se auto-mutilou ao conceder o penálti que haveria de deixar Salvio abrir o marcador.
E se um golo fora é bom, dois é bem melhor. E um, claro está, ajudaria à construção do outro, pois a partir do momento em que se encontrou em desvantagem, mais clareiras abriria um Galatasaray que precisava de um golo como de pão para a boca. E não obstante o facto de o ter conseguido, o registo do jogo não mudaria. Estaria para breve outro erro normal para quem tanta bola tem mas pouco faz com ela (o golo sofrido será facilmente dissecado e evitado nos jogos seguintes). E essa falta de acutilância, dizia, jogando contra o Benfica… é um certificado de óbito. O mesmo que já declarou a morte de vários adversários e que relança a tal discussão: é o Benfica mais forte que o FC Porto? Se o jogo oferecer transições como este… será de certeza. Mas todos sabemos (apoiados naquele que foi o encontro entre as duas equipas) que evitá-las e aproveitar as falhas encarnadas na saída-de-bola (que ainda ontem se notaram e que poderão trair o Benfica quando precisar de procurar golos em organização ofensiva) também estarão na balança de jogos onde a qualidade individual se iguala. E fica ainda por saber o que realmente valerá o plano de Bruno Lage quando as transições não puderem decidir jogos. O que, claramente, não foi o caso num jogo que deixa as águias com pé-e-meio nos oitavos, reencontrando também o nível que se espera quando o clube da Luz joga na Europa do futebol."

A estreia de Florentino

"A qualidade das gerações de 99 e 2001 no SL Benfica é um verdadeiro absurdo.
No passado fim de semana, mais um dos jovens prometedores encarnados se estreou na primeira Liga. Sénior de primeiro ano, mas já com uma bagagem de segunda liga e Youth League bastante apreciável, Florentino prepara-se para cumprir o seu destino. Ser o “seis” do Benfica.



Não é um médio defensivo com capacidades ofensivas extraordinárias, mas tem agilidade e boa destreza, para além da capacidade técnica, que lhe permitem não temer a pressão, nem se esconder na primeira fase do jogo ofensivo. Sem bola tem chegada rápida em transição, sobretudo na defensiva para equilibrar a equipa, e uma capacidade muito própria para os duelos defensivos, que o fazem roubar uma infinidade de bolas quando esta entra no seu raio de acção.
Paulatinamente, conquistará o seu espaço no equipa principal dos encarnados."

Benfiquismo (MXCVII)

Pronto...!!!

Uma Semana do Melhor... do melhor mesmo!!!

Jogo Limpo... Istambul e Injustiças !!!

Sabe quem é? Com a PIDE aos tiros - Santana

"Com Chipenda veio de Angola, jogando no barco com bolas de trapos; Campeão europeu, a incrível odisseia

1. Lá, na Catumbela, tinha criados em casa (porque vivia bem a família) e foi um desses seus criados que lhe pôs a habilidade à descoberta: «Sempre que se podia, desafiava-me para dar pulo até à sua sanzala para lá jogarmos. Não tardou a dizê-lo: 'Mínino ser grande um dia'! O pior é que o meu pai não me queria nessas aventuras dos futebóis, queria que fosse grande mecânico».

2. Ainda andou, como aprendiz numa oficina - tendo cada vez um sonho atiçado: ser como o Caximbinha, a estrela do futebol da terra. Arranjou emprego na fábrica de açúcar de Cassequel - a sair de lá, tinha destino incontornável: passar pelo campo do Catumbela para ver o Caximbinha (e não só) em treino. Perguntaram-lhe se não queria ir para os juniores - e a sua resposta foi: «Não sei se o meu pai deixa». Perguntaram e ele deixou...

3. Aos 16 anos já jogava na primeira equipa do Catumbela - e, num ápice, lhe apareceu Jordão Marques com o desafio irresistível: ir para o Benfica. De barco foi a viagem para Lisboa. Com ele vinha outro angolano: Daniel Chipenda - e ouvindo dizer que Otto Glória era muito exigente, treinavam, todos os dias, nos corredores do navio, com bola que fizerem de trapos e papéis.

4. Ao Benfica chegou por meados de 1954, tão mal jogou num dos primeiros jogos pelos juniores que lhe aplicaram multa de 150 escudos (que era metade do ordenado) por «fraco rendimento». Perdoaram-na ao perceber-se a razão: tinha problema de rins que o levou a longa paragem - e no inverno sofria de reumatismo, inchavam-lhe os pés e os tornozelos, sentia dores insuportáveis. Tudo isso foi resolvendo - apesar de pouco jogar com Otto Glória...

5. Por meados de 1958, Otto disse-lhe que melhor seria ir para outro lado, respondeu-lhe que se o Benfica o dispensasse, voltaria para a Catalunha - aparecendo-lhe o Tirsense a dar-lhe 20 contos, a sua resposta foi não. No Benfica, ficou e, nessa época (essa em que o Benfica perdeu o campeonato para o FC Porto e Calabote entrou na história como se sabe...) na Taça que o Benfica ganhou ao FC Porto (com golo de Cavém aos 15 segundos) estrela foi ele: com os seus dribles, os seus sprints, a maneira subtil com que dominou adversários...

6. Nessa final da Taça, Béla Gutmann fora impedido de ir para o banco do FC Porto por já se saber que assinara pelo Benfica - e do Jamor saiu encantado com ele. Quando chegou à Luz, transformou-o numa das suas armas nucleares - e, claro, foi titular na vitória sobre o Barcelona na final da Taça dos Campeões Europeus de 1960/1961.

7. Também foi a Amesterdão, mas na final com o Real Madrid não jogou - perdeu o lugar para Eusébio. Chipenda já fora dispensado à Académica - e com Coimbra a arder no frenesim da greve académica contou-o: «Ao chegar de Amesterdão, o Quim foi ter comigo. Fizemos festa na República dos Milionários, no regresso ao quarto, disseram-me que tinha havido telefonema para nós. Pensei que era complicação. Meti-me imediatamente no carro de Quim para Lisboa. Na Figueira, a PIDE mandou para o Fiat. O Quim, que nunca levava nada a sério,era tremendo brincalhão, sempre a fazer partidas a toda a gente, gritou-lhes: 'Vocês sabem quem eu sou, sou bicampeão europeu, portanto identifiquem-se os senhores!' Ficámos, várias horas a torrar ao sol dentro do carro, com a PIDE ali - sem saber o que nos iria acontecer...»

8. Com eles parados na estrada, uma outra brigada da PIDE largou para o Lar do Jogador do Benfica. Entraram de rompante no quarto do Quim, tudo vasculharam, não encontraram nada do que esperavam - fosse subversivo. Disparam vários tiros para o colchão, explicaram que poderia estar lá o que buscavam. Como não estava, o Quim foi solto, mas o Chipenda não: «Só após manifestação de estudantes exigindo a minha libertação, a PIDE cedeu. Não tinha prova de nada contra mim. Quando saí da cadeia, pedi que me mandassem para a tropa em Angola, mas eles nessa não caíram...»

9. Não, Daniel Chipenda não ficou muito tempo por Coimbra - fugiu para Marrocos numa traineira, de lá passou para Angola, tornou-se um dos principais guerrilheiros do MPLA. E o Quim, continuando no Benfica até 1967/1968 - tapado pelo Eusébio. (E não foi por Quim que, ainda assim, fez história no futebol em Portugal - mas como o Molengão da Catumbela, sim...)"

António Simões, in A Bola

Prenda em dia de São Valentim

"Nos últimos jogos tenho visto o Benfica de que me falava o meu avô. Domingo fez exibição memorável deixando possuídos os anti-Benfica

O Benfica venceu de forma histórica por 10-0 o seu adversário no passado domingo. Foi uma tarde luxo e um jogo de sonho. Foi o Benfica que me explicava o meu avô, marcamos dez golos e saímos todos do estádio a comentar aquela jogada fantástica a meio da primeira parte, que... não deu golo. Há sempre um limite para além do limite quando se pensa o Benfica. O Benfica fez uma exibição memorável, lançou um conjunto de talentosos jogadores oriundos da formação, mostrou inatacável respeito pelo adversário quer nas comemorações quer nas declarações e relativizou o feito como apenas um passo no caminho para o objectivo.
No entanto, o anti-Benfica, abundante no espaço mediático, brindou com um caricato e sem precedentes chorrilho de alarvidades todos os que apenas queriam ouvir falar de futebol. Comentadores em pose esgazeada, quais psicopatas a fugir da camisa de forças, bradavam insultos ao pobre Nacional e seus jogadores, à sua honra e dignidade. Percebendo-se que estavam ainda mais possuídos que os próprios adeptos do clube insular, estes divertidos personagens insultavam aos berros tudo e todos, beneficiando, quem sabe, da greve dos enfermeiros. No fundo o Benfica ganhou um jogo por larga margem, sem nenhum erro da arbitragem e com um futebol fantástico, mas isso é o bastante para tirar do sério quem não é sério. Foram seis ao SC Braga, quatro ao Rio Ave, cinco ao Boavista, quatro ao Sporting, dez ao Nacional.
Bruno Lage esteve irrepreensível nas suas declarações e na sua análise ao jogo. E esteve também bem na opção arriscada de não levar Jonas, Pizzi e Grimaldo à Turquia. Opção ainda mais arriscada quando vimos o onze inicial. Aquele não seria o onze de nenhum adepto, mas foi o onze daquele que sabe o que querem os adeptos e como lá chegar. Arriscou e venceu. Bruno Lage é hoje a maior estrela na constelação encarnada talvez porque nunca o queira ser.
Nunca tínhamos vencido em sete jogos disputados na Turquia até ontem. Ontem já vencemos e foi Bruno Lage que o conseguiu. Estamos a escrever linhas bonitas, mas a história (a nossa) só de faz de títulos. Em dia de São Valentim, eles sabiam como amamos o Benfica e souberam dar-nos a única prenda que queríamos. Uma vitória e um bom jogo. Obrigado Benfica.
Segunda-feira há um jogo muito difícil na Vila das Aves."

Sílvio Cervan, in A Bola

Dez

"1 – Penitencio-me por não ter escrito a minha crónica nas últimas duas semanas. Entre terminar um livro e celebrar golos, não me sobrou tempo para mais nada;
2 – Os triunfos ao Sporting souberam a pouco e que melhor elogio se poderia fazer à nossa equipa? O jogo resumiu-se a termos sido Benfica e eles Sporting;
3 – Desde miúdo a sonhar com uma dezena de golos marcados numa partida a sério (com o devido respeito pelo Riachense, Marco e Marinhense) e finalmente aconteceu. Quero mais!;
4 – É injusto individualizar os méritos de tamanha goleada. A fazê-lo, Bruno Lage;
5 – E João Félix: desfrutemos do seu talento enquanto pudermos;
6 – Além de Florentino. O futuro, ao contrário dos adversários, passará inevitavelmente por ele;
7 – A benfiquista Sofia Vala Rocha, política e cronista, insurgiu-se contra a goleada por considerar que o Benfica desrespeitou o Nacional ao continuar à procura do golo. Está enganada. Desrespeitador seria desacelerar: por paternalismo aos nacionalistas e por castrar a alegria de (quase) todos os benfiquistas;
8 – A reconquista dos adeptos está consumada. Que venha a do título. Com boas arbitragens em jogos do FC Porto estaríamos destacados na liderança;
9 – Casillas afirmou que “a norte de Portugal é Porto, Porto, Porto”. Detecto-lhe um grave problema de percepção da realidade. Além de que “a norte de Portugal” fica a Galiza. Pinto da Costa merece uma medalha de mérito de turismo ocasional de Vigo, mas creio que o Celta, ainda assim, continua a ser o clube com mais adeptos na cidade;
10 – Um abraço ao Manuel Arons de Carvalho, que manifestou a sua preocupação pela minha ausência destas páginas. Admiro muito o seu benfiquismo e agradeço a atenção!"

João Tomaz, in O Benfica

Duas medidas

"'Pimenta nos olhos nos outros é refresco' dizem os brasileiros no seu jeito sempre musical de tratar a língua portuguesa. Que é como quem diz que com o mal dos outros posso eu bem. Parece-me que se ajusta bem ao que temos assistido nas últimas semanas em relação ao SL Benfica. Quando, durante pelo menos duas épocas, os jogadores, dirigentes, adeptos e comentadores ligados ao Glorioso foram insultados quase diariamente na televisão oficial do clube do Campo Grande (que se diz de Alvalade), as virgens associaram para o lado.
Quando, desde há quase 40 anos, tudo o que diz respeito ao SL Benfica é atacado de forma ilegal pela maior potência desportiva do bairro das Antas, mais uma vez as virgens não se ofendem e olham para o céu a ver se algum gelado lhes cai na testa.
Mas quando, da parte de alguém ligado ao SLB, sai um infortúnio de linguagem em relação aos rivais que tudo fizeram para se tornarem inimigos, eis que eles saem de baixo das pedras para exigir justiça e tento na língua. Sou um adepto como qualquer outro, a mostarda também me sobe ao nariz, e sei que no calor da emoção são ditas coisas que não deveriam ser ditas. O que se passou com Valdemar Duarte e José Nuno Martins poderia ter sido evitado? Sim, poderia, mas quem sou eu para os criticar? Posso não concordar com o local e timing das suas declarações, mas não posso aceitar que sejam crucificados. Como se o mundo do futebol fosse um local bem frequentado em que não se dizem palavrões ou onde todos sabem comer com a boca fechada. Não é. É um mundo bélico, de picardia, de insulto, de sonegação de informação, de bastidores, de violência. Infelizmente.
Não se armem em santinhos, principalmente aqueles que andam há anos a atirar pedras."

Ricardo Santos, in O Benfica

O 10-0 deixou-me de rastos

"Estou muito aborrecido.
Acompanho o Glorioso desde que me lembro, no entanto não me preparei para aquilo que vivenciámos na última jornada. 10-0? 10? Alguns especialistas questionaram o respeito do Benfica para com o Nacional - então e o respeito do Benfica para com os próprios adeptos? Nem uma palavra? Os benfiquistas merecem um tratamento mais sério por parte do clube. Se eu tivesse interesse em passar o domingo a fazer agachamentos, tinha-me inscrito em aulas de zumba. Acabei o jogo cheio de cãibras. Aliás, não consigo compreender a gestão de Bruno Lage. O Samaris saiu aos 62' para dar lugar ao Florentino Luís, mas eu é que precisava de ser substituído.
Atenção, não quero ser mal interpretado pelo leitor. Como é evidente, fiquei radiante com a goleada histórica. Apenas me parece sensato que os adeptos comecem a ser convocados para os treinos durante a semana no Seixal, e que as portas de acesso ao relvado estejam abertas antes do jogo para que a malta possa fazer o aquecimento ao lado dos jogadores.
Não tive o privilégio de ver jogar Fernando Chalana, cujo génio me foi relatado pelo meu pai. Assisti a alguns vídeos no YouTube, onde é fácil compreender que Chalanix era um craque. Chalana trocava os olhos não só aos adversários como também aos próprios adeptos. Muitos lembram-se de Chalana como um canhoto de excelência, porém a verdade é que Chalana era destro.
A homenagem a um dos mais ilustres jogadores que vestiram o manto sagrado foi especial. Chalana envergava o número 10, e o Benfica celebrou o aniversário do Pequeno Genial com uma vitória por 10-0. Espero que este tipo de iniciativas tenha continuidade. Alguém sabe em que dia faz anos o Simão?"

Pedro Soares, in O Benfica

Número 10

"Chalana é o meu ídolo de infância.
Despertei para o futebol em 1976, ao mesmo tempo que o 'Pequeno Genial' explodia na equipa principal do Benfica. Lembro-me dos seus golos ao FC Porto e ao Sporting na época 1976-77, que embalaram os encarnados para mais um título, bem como da estreia pela selecção nacional frente à Dinamarca. Depois acompanhei toda a sua carreira, a afirmação plena, as lesões de 1979 e de 1983, a inesquecível campanha na Taça UEFA de 1982-83, o sublime Europeu de 1984, a transferência milionária para Bordéus e o regresso a casa onde, com uma condição física já limitada, ainda realizou excelentes jogos e marcou belos golos.
Foi porventura, logo a seguir a Eusébio, o nosso melhor jogador de sempre. Foi, digamos, o Eusébio da minha geração - aquela que já não chegou a tempo de poder ver o 'Pantera Negra' brilhar nos relvados, e teve em Chalana a grande referência da altura.
Além do enorme talento, Chalana sempre foi também uma pessoa humilde e generosa. Tive o privilégio de o conhecer pessoalmente, e confirmar a ideia de um homem com a simplicidade própria de quem é verdadeiramente grande. Um gigante de talento e alma.
Fernando Chalana fez 60 anos há poucos dias. E, como é público, atravessa um momento difícil da sua vida. À semelhança da nossa equipa, que o brindou no dia de aniversário com uma deliciosa 'chapa dez', não posso deixar de aproveitar este espaço para o dedicar àquele que foi o meu ídolo. Uma figura ímpar que marcou a minha infância - e, logo, a minha vida.
Força, Fernando! Que consigas driblar os problemas com a fibra com que driblavas os adversários."

Luís Fialho, in O Benfica

O peso na consciência

"Têm sido dias muito difíceis, da noite de 22 de Janeiro para cá.
Consciência marcada pelas inaceitáveis palavras que disse durante o relato do jogo Benfica - FC Porto.
Foi produto do impulso momentâneo, que não se repetirá.
Como jornalista com carreira de mais de três décadas, sinto uma profunda necessidade de pedir desculpa perante todos.
Pedir desculpa.
Ao meu clube de sempre, Sport Lisboa e Benfica.
Uma instituição que é inatacável.
À BTV e a todos os seus profissionais pela decepção que provoquei aos meus colegas de trabalho.
A toda a classe de jornalistas, profissão que sempre desempenhei com brio, zelo e orgulho.
A vida tem-me proporcionado belos momentos no desempenho da minha profissão de jornalista.
Também no desempenho da minha profissão de jornalista passei pelos momentos de maior terror, que senti na noite de 27 de Novembro de 2011, no Estádio da Dragão. Já passaram sete anos, mas as marcas ficaram para sempre na minha mente.
Apesar disso, verdade maior, como jornalista não podia ter dito o que disse.
Mais ainda um jornalista, eu, Valdemar Duarte, que tanto orgulho tenho na minha carteira profissional, na minha vida, na minha profissão.
Por isso apresento o meu mais sentido pedido de desculpas, a todos."

Valdemar Duarte, in O Benfica

A goleada das Casas

"Não tenho a mínima dúvida de que a vitória histórica que alcançamos frente ao Nacional começou no dia em que a Direcção do Sport Lisboa e Benfica decidiu que este seria o jogo das Casas. O papel das 298 embaixadas do nosso clube é extraordinário, e aquilo que está projectado para o futuro impressiona. As Casas 2.0 serão um tremendo êxito, e há que estarmos gratos a toda a equipa liderada por Jorge Jacinto, director do departamento.
Quando, ao minuto 62, Bruno Lage trocou Samaris por Florentino Luís, a nossa equipa passou a apresentar um quarteto de jogadores made in Seixal - Rúben Dias, Ferro, Florentino Luís e João Félix. Ou seja, com as quatro águias da formação em campo, marcámos ainda mais quatro golos. A obra do presidente Luís Filipe Vieira está à vista. Quer no ponto de vista infra-estrutural, quer do dos recursos humanos, o sonho presidencial concretizou-se. A imagem da BTV do nosso treinador a olhar para as bancadas do Estádio da Luz vale mais do que mil palavras. Bruno Lage simplificou aquilo que era complexo. Desde a primeira hora, prometeu reconquistar os benfiquistas e conseguiu. Aquilo a que assistimos no último domingo ficará, para sempre, na histórica. A sua forma de estar constitui uma verdadeira mudança no panorama futebolístico nacional. Com Lage, passou a falar-se de futebol. 
Uma palavra final para Fernando Peres, um dos nossos magriços, que no Mundial de 1966 ajudou a escrever uma página dourada do futebol português. Partiu muito cedo. Conhecia-o e, sempre que privei com ele, guardo o seu imenso fair play. À família enlutada e aos seus amigos, as minhas condolências."

Pedro Guerra, in O Benfica

Entrar num estádio

"Entrar num estádio e receber uma ovação não é coisa de que todos se orgulhem. É mesmo um privilégio raro e um momento inesquecível para o resto da vida. Isso é possível para algumas crianças que entram de mão dada com os jogadores, escoltando-os até ao centro do relvado. E normalmente, como o próprio nome indica, estes privilégios exclusivos não são inclusivos, e por isso não chegam aos menos favorecidos ou aos que se encontram fragilizados nalguns momento das suas vidas. Mas o Benfica reverteu essa lógica em linha com a melhores práticas dos grandes clubes internacionais, e o que parecia impossível ficou ao alcance da Fundação para ser utilizado em processos motivacionais como um poderoso tónico, capaz de elevar a inspiração de um jovem a níveis hiperbólicos e contribuir decisivamente para consolidar o seu processo de reconciliação com a escola, para levar um pequeno ser a níveis sensoriais capazes de ultrapassar, por momentos, a sua deficiência e superar-se, ou mesmo para que uma criança corajosa deixe por um dia a pediatria oncológica e realize este sonho de mão dada com o seu ídolo num aperto humano que dura muito para lá dos 90', sem limite para o tempo suplementar. Não há como medir o alcance de uma coisa destas. Nem interessa! Só há que agradecer o privilégio de poder usar mais este incentivo para o trabalho social. E que incentivo...!
Mas que se entenda, aos olhos de quem vem ao futebol: passam-se muitas cosias num estádio, e há dentro dele muitas vidas em pouco espaço e pouco tempo. Aqui, na Luz, o futebol é rei. Mas não governa só, porque o Benfica usa-o também para promover a felicidade e o bem-estar de todos. Isto porque a vitória é ainda mais saborosa quando a todos inclui e a todos eleva a satisfação pessoal. Por isso, naturalmente, o Benfica vence e continuará a vencer, cada vez mais, no futebol e na vida dos portugueses!"

Jorge Miranda, in O Benfica

"Treino a treino. Jogo a jogo"

"Claro que não se podia jogar sempre com resultados daqueles. Não se pode, mesmo. Seria implausível, e dir-se-ia que é impossível manter uniformemente um registo como o que se viu na inesquecível tarde do último domingo. Sessões como a que vivemos, com a 'conjunção estelar' mencionada por Bruno Lage, são raríssimas pelas circunstâncias - embora algumas delas sendo relativamente previsíveis - mas tornadas ainda mais exóticas por exibições absolutamente fora do comum e pelos números atingidos (literalmente) no final do jogo.
Na verdade, era pressentível que os benfiquistas se unissem, com o afectuoso desvelo de sempre, em torno de Chalana - uma das suas 'glórias' mais acarinhadas e indiscutíveis, na impressionante história de casos humanos do Benfica. O facto de o nosso querido Fernando Chalanix comemorar o seu 60-º aniversário quando passa por uma fase menos gratificante da vida, já de si, tocava profundamente o coração dos benfiquistas.
Entretanto, também talvez por isso, o domingo, 10 de Fevereiro, fora antecipadamente escolhido pela Direcção do Sport Lisboa e Benfica para a celebração do 'Dia das Casas', a jornada que felizmente se está a tornar numa nova e esfuziante tradição para consolidar a essência profundamente familiar e convivial com que o Grande Clube se acrescentou e se expandiu, desde os tempos primordiais de Cosme Damião.
Por outro lado - no mais decisivo patamar das circunstâncias que constituem causa e consequência das mais concorridas reuniões de adeptos em torno dos relvados de jogo - não só acrescia que, por obra e graça dos métodos implantados em escassa meia dúzia de semanas, por um jovem treinador das fileiras do Benfica, a equipa de elite está novamente (eu atrevo-me a dizer por fim!) a jogar do mais bonito e apelativo futebol das décadas mais recentes.
E, ainda, entre todos os intérpretes de um futebol fluente, esperto e concretizador, além de atletas experientes, eficazes e prestigiados, agora, finalmente, cada vez mais nos passará a ser dado reconhecer em acção na equipa principal 'meninos dos nossos', nados ou criados nos afagos do Campus do Seixal.
Por fim, a especialíssima conjuntura de estarmos a viver uma tal singularidade competitiva em que, na conjugação dos resultados disparados noutros jogos em campos de diversas latitudes, um jogador, uma jogada, um livre, um fora de jogo, um penálti, ou um só golo, nos podem levar ao topo da classificação...
Que mais se podia esperar, num domingo assim, do que uma festa das antigas?...
Foi o que aconteceu. Evidentemente. E só podia acontecer aquilo que se viu: a absoluta galvanização de todos os anéis da Catedral em torno dos atletas e a impressiva resposta convicta - um poderoso grito de alma! - dos jogadores para as bancadas, numa das mais exuberantes afirmações vivas de benfiquismo que tivemos a sorte de partilhar.
E agora? Pode passar a ser sempre assim, nos próximos jogos? Pode. Pode, sim senhor! E tanto pode acontecer dentro como fora da nossa Catedral...Afinal, o futebol é mesmo imprevisível.
Provavelmente, não será (como não foi, durante cinquenta anos) com mais cabazadas. Isso é, de resto, o que menos interessa. Para ganhar os três pontos de cada vez, basta que - como acontecera em cada um de nós, no passado domingo... - antes de o desafio começar, todos sintamos sempre o maior e mais prudente respeito pelo nosso adversário. Isto é, de facto, 'treino a treino. Jogo a jogo'."

José Nuno Martins, in O Benfica

Recital de maturidade juvenil

"Florentino, pelo estilo tranquilo e confiante, mais parecia um veterano entre juniores

Boa entrada do Benfica
1. Primeiros quinze minutos de controle do Benfica. Com uma equipa renovada, Lage abordou o jogo sem amarras e, solta, a equipa abordou o jogo sem receios e na intenção de conquistar o seu domínio. Com duplo pivô no meio campo composto por Gedson e Florentino - este com menos liberdade para sair de perto dos centrais - os dois miúdos da cantera seguravam o jogo e trabalhavam intensamente para ligarem o jogo da equipa e tornarem o bloco coeso.
As várias mudanças operadas pelo treinador do Benfica não se faziam sentir, tal o descaramento desta nova equipa do Benfica para porem a nu as deficiências da desequilibrada equipa turca. Surpreendidos pela entrada de rompante dos encarnados, os turcos revelavam dificuldades em assentar o seu jogo.

Reacção emocional
2. Solta e sem recear o fantástico ambiente turco, a equipa lisboeta iniciava a construção do seu jogo a partir de zonas muito recuadas e o duplo pivô de médios que colava e equilibrava o jogo do Benfica, entregava a bola a João Félix ou aos médios dos corredores que apoiados pelos laterais que amiúde se projectavam, e procuravam servir o irrequieto e nómada Seferovic, para depois a equipa agredir a baliza de Muslera. Nesta fase de jogo era visível que sempre que o jogo ganhava vertigem e as transições assumiam destaque, a equipa da casa sentia-se confortável, apesar das dificuldades manifestadas pelo seu sector mais recuado, principalmente pelo lado direito. Apesar de algum sub-rendimento de Salvio e Cervi para definirem melhor o enleante e associativo jogo do Benfica, os de Istambul demoraram quinze minutos para entrarem no jogo, mas quando o fizeram, começaram a incomodar de forma constante Odysseas. Pressionantes, os turcos foram encostando os portugueses às cordas e falharam escandalosamente uma oportunidade de golo. O jogo complicava-se para o Benfica, mas um penálti de Marcão permitiu aos encarnados adiantarem-se no marcador e respirar melhor. Apesar da qualidade individual dos turcos e da agressividade ofensiva que emprestavam ao jogo, alguma anarquia táctica associada às oportunidades desperdiçadas, bem como as gritantes lacunas defensivas davam à equipa de Terim uma imagem de alguma desorganização e descontrole emocional nos duelos, o que dava o mote para motivar os pupilos de Bruno Lage.

Uma questão de classe
3. Apesar de cedo ter sofrido o golo de empate no recomeço do jogo, a equipa de Bruno Lage nã vacilou e manteve a sua organização colectiva: revelava conforto e disciplina nos 4 momentos do jogo. A entrada de Gabriel para o lugar de Salvio acrescentou mais segurança ao jogo luso e foi sem surpresas que em mais um desacerto defensivo dos turcos, o Benfica adiantou-se no marcador. Neste recital de concentração e capacidade para manter e circular a bola, sobressaiu o debutante Florentino, que pelo estilo tranquilo e confiante, mais parecia um veterano entre juniores. A dupla de centrais do Benfica mostrava solidez e Yuri, apesar de algum nervosismo nas abordagens, não permitiu veleidades a Feghouli - o Gala perdia alguma criatividade. Com o aproximar do final, Lage percebeu  que era tempo de ter mais gente no meio que escondesse a bola e a fizesse circular por canais mais seguros. Assim, juntou Krovinovic ao forte meio-campo e fechou o jogo. Excepção a uma defesa extraordinária de Odysseas, os turcos estavam engolidos e anestesiados num longo e vermelho colete de forças e não mais incomodaram os confiantes portugueses, que jamais perderam o controle da contenda."

Daúto Faquirá, in A Bola

Novas soluções, novos problemas

"No verso da moeda da Liga Europa viu-se um Benfica que ganhou novas soluções; no reverso, um Sporting que agravou os problemas de que já padecia. Bruno Lage ganhou a aposta arriscada de apresentar na Turquia, onde os encarnados nunca tinham ganho, um onze com cheiro a Youth League; Marcel Keizer quis refrescar a equipa, mas a emenda foi pior que o soneto. Na Luz, o estado de graça reforçou-se, enquanto que Alvalade chama já pela cabeça do treinador. E o drama adensa-se se pensarmos que Frederico Varandas, com um voluntarismo por certo cheio de boas intenções mas manifestamente mal medido, colou a Marcel Keizer a primeira grande medida do seu consulado, criando a ideia de que o sucesso de um seria sempre o sucesso do outro. E a verdade é que, sem que se maquilhe a situação, aquilo a que estamos a assistir é a um ano zero do Sporting, obrigado a recuperar da invasão a Alcochete. Do ponto de vista político, a cada derrota dos leões, os militantes do brunismo dão a cara, ocupam a primeira linha dos directos televisivos e exigem a demissão de Varandas. E por muito pouco peso que tenham no todo do clube não deixam de ser um elemento de perturbação, capaz de tornar-se influente num contexto de psicologia de massas.
Assim, de repente, o Sporting - SC Braga da próxima jornada (que para os arsenalistas é um dos jogos do título) ganha uma importância inesperada para os leões, que terão de enfrentar não só a belíssima equipa de Abel Ferreira, como ainda a pressão de Alvalade. E a verdade é que só um Sporting muito melhor do que se tem visto poderá dar conta do recado..."

José Manuel Delgado, in A Bola

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O risco

"Sim, correu bem e, nesse sentido, pode Bruno Lage puxar dos galões; e se tivesse corrido mal? Como explicar tanta mexida?

Arriscou Bruno Lage muito, ontem, na Turquia, ao escolher um onze cheio de jovens para este regresso do Benfica à Europa depois do insucesso na Liga dos Campeões? Sim, arriscou. Foi uma espécie de jogador de casino, disposto a jogar na fé e na sorte. Arriscou demasiado? Na minha opinião, sim, arriscou demasiado. Mas ganhou. E pode, por isso, puxar os galões.
Bruno Lage não se ficou, afinal, apenas pela surpresa de deixar em Lisboa os titulares Grimaldo e Pizzi e o regressado e muito talentoso Jonas. Se alguém, como eu, supôs que o risco de Lage se ficasse por aí, espanto maior foi ver o onze escolhido pelo treinador dos encarnados: aos jovens Rúben Dias (21 anos), Ferro (21 anos) e João Félix (19 anos), todos previsivelmente titulares, Bruno Lage resolveu juntar ainda de uma só vez mais os jovens Yuri Ribeiro (22 anos), Gedson (20 anos) e Florentino Luís (19 anos).
Uma autêntica equipa de bebés que jogou, lutou e foi feliz e que acaba por trazer para Lisboa não apenas uma surpreendente e fantástica vitória (nos tempos que correm, é sempre fantástica uma vitória europeia fora de casa), como ainda uma vitória que não pode deixar de ser considerada extraordinária tendo em conta o terreno onde foi obtida, o sempre dificílimo campo do Galatasaray mais o seu ambiente muito hostil para os adversários.
Mas se tivesse corrido mal? Como explicaria Bruno Lage a quantidade de surpreendentes opções que fez e o surpreendente número de jovens que decidiu, sem qualquer motivo aparente, incluir no onze?
Pode o treinador do Benfica falar, como falou no final do jogo, de gestão do plantel, de fadiga muscular, de não querer, nesta altura, perder mais jogadores para as leões e, portanto, ter considerado melhor optar por jogadores muito menos rodados - muitíssimo menos rodados a este nível, é uma realidade, como Corcia, Yuri Ribeiro, Florentino Luís ou até mesmo Franco Cervi e Salvio.
Mas foi ou não foi um grande risco prescindir, de uma assentada, de seis mais habituais titulares?
E, já agora, têm Samaris e Gabriel assim tantos jogos nas pernas que não justificassem continuar a dar no onze da águia a boa resposta que têm vindo a dar desde que Lage chegou ao comando da equipa? Era preciso, ao mesmo tempo, mudar os dois laterais - depois de deixar Grimaldo em casa, o treinador dos encarnados também deixou André Almeida no banco?
Como se diz atrás, Lage não se limitou a deixar em Lisboa os titularíssimos Grimaldo e Pizzi, mais um Jonas que é só o melhor jogador da equipa e acaba de regressar à competição. Fez muito mais. Fez um onze para a equipa principal do Benfica que não há muito tempo parecia sempre muito mais um onze da equipa B do Benfica do que a equipa A.

Não sei - sem qualquer ironia - se o que Bruno Lage fez ontem na Turquia foi também para agradar ao presidente do clube, fanático da ideia de que um Benfica made in Seixal será mais do que suficiente para ter sucesso em Portugal e na Europa. O que sei, volto a sublinhar, é que ao deixar também de fora do onze jogadores como André Almeida, Samaris e Gabriel, o treinador das águias fez o que provavelmente nenhum outro treinador teria feito, chamem-lhe a isso coragem, ousadia ou simplesmente... um disparatado risco.
Sim, Lage ganhou a aposta que fez. E, nesse sentido, não valerá a pena bater mais no ceguinho ou especular sobre o que poderia ter acontecido se a coisa lhe tivesse corrido para o torto.
Creio que deverá, no entanto, Bruno Lage reconhecer que apostou muito alto. E, especulando ou não, com mais ou menos subjectividade, a verdade é que não tivesse sido aquele punhado de boas (e uma ou duas fantásticas) defesas de Vlachodimos e o Benfica talvez não estivesse realmente a esta hora a celebrar ter vencido pela primeira vez na Turquia com seis jogadores da formação do clube no onze.
Foi um Benfica tão jovem que a exibição não podia deixar - era quase uma inevitabilidade - de o reflectir. Teve a equipa coisas realmente muito boas - irreverência, espírito colectivo, genica, intensidade, compromisso, agressividade ofensiva mas também coisas más: mais frequentes perdas de bola do que seria esperado, irregularidade defensiva e, sobretudo, pouca posse de bola, muito em resultado da previsível inexperiência.
Foi o Benfica, nalguns momentos, ao mesmo tempo uma equipa criativa e a procurar jogar rápido e igualmente imatura no modo como nem sempre conseguir ter controlo sobre o jogo; repito, não fosse aquele conjunto de defesas de Vlachodimos, duas delas, que me recorde, absolutamente fantásticas, e poderia o regresso da águia a Lisboa ter sido difícil de digerir.
É verdade que também não está este Galatasaray tão forte como no passado e, nesse sentido, também isso contribuiu de algum modo para a feliz noite dos encarnados na Turquia. Em todo o caso, o que fica para a história é, queira-se ou não, o sucesso num jogo difícil de uma equipa do Benfica que certamente não deixará de surpreender a Europa pela quantidade de jogadores com menos de 22 anos no onze que iniciou o jogo e, sobretudo, pela quantidade de jogadores (nada menos de seis, sublinhe-se) da formação do clube. E ainda mais Jota, que estava (e ficou) no banco, e vai ter de continuar a esperar pelo momento, sempre assinalável, de se estrear na principal equipa das águias.

o Sporting de Keizer continua a sua peregrinação em busca de voltar ao plano que viveu até ao final do ano, no primeiro mês e meio, sensivelmente, de orientação do treinador holandês.
A derrota de ontem, em casa, diante dos espanhóis - a terceira nos últimos cinco jogos - já quase pode diluir por completo o impacto do sucesso que a equipa teve (porque teve) na Taça da Liga, na parte final do último mês de Janeiro, há, portanto, apenas três semanas.
Os sportinguistas estarão zangados e com total razão e o risco é sempre o mesmo: o de verem a insatisfação transformar-se em descrença, desânimo e desilusão.
E esses são muitas vezes sentimentos que arrastam perigosamente as equipas e as impedem de recuperar com maior rapidez. Parece o caso do Sporting, cujo estado de espírito parece, agora, demasiadamente abalado para que o futebol da equipa possa exibir a alegria que já exibiu com este mesmo treinador.
O Sporting de Keizer parece realmente uma equipa a viver o conflito entre o que quer e o que pode. Parece uma equipa desconfiada de si própria e das próprias capacidades e que naturalmente acaba por se entregar mais facilmente à frustração à medida que acumula insucessos.
Mesmo quando parece ter ainda alguma alma o leão mostra não ter cabeça, como foi o caso da exibição de ontem, frente a um Villarreal que está, na Liga espanhola, verdadeiramente pelas ruas da amargura.
Mesmo considerando mais ou menos certas ou mais ou menos erradas algumas opções que Marcel Keizar tem vindo a fazer nos últimos tempos, a verdade é que todos reconhecerão com maior ou menos facilidade que o Sporting não tem, na verdade, um plantel à altura dos desafios que deve enfrentar, em Portugal e na Europa.
Claro que podem discutir-se, sublinho, algumas das decisões do treinador, claro que pode analisar-se com mais profundidade o rendimento deste ou daquele jogador. Mas, infelizmente para o Sporting, serão sempre os resultados a ditar a circunstância e o modo como se avalia trabalho de treinadores e equipas.
E depois do que sucedeu ontem, qualquer mau resultado, este domingo, com o Sporting de Braga (e um empate já será um mau resultado para os sportinguistas), num jogo que inevitavelmente será jogado num clima de excepcional intensidade, poderá colocar Keizer e jogadores num plano de incontornável desespero emocional.
Não sei, com toda a sinceridade, se o Sporting, interna e externamente, estará devidamente preparado para o viver!

Consegui, por seu lado, o FC Porto um animador resultado em Roma, que lhe confere, pelo menos, o direito de sonhar com uma fantástica qualificação para os quartos de final da Champions. E sonha, ironia das ironias, graças, muito em especial, ao desempenho de um jogador já tantas vezes dado como definitivamente acabado no universo portista, e cuja contratação o próprio presidente dos portistas qualificou de «péssimo negócio... a não repetir», quando à contratação do espanhol se referiu, em detalhe, numa entrevista dada... em 2016!
Pois foi esse Adrian Lopez, que custou uma pequena fortuna e, como se compreende, muito custou ao FC Porto pagar, que esta semana reacendeu ao FC Porto a chama destes oitavos de final e que pode valer mais de 10 milhões em caso de passagem aos quartos de final.
O futebol é isto mesmo!"

João Bonzinho, in A Bola

PS: O Bonzinho está mesmo com dificuldade em 'lidar' com o Lage!!! Numa crónica anterior, escreveu centenas de palavras, criticando a resposta do Lage a uma pergunta torta da CMTV!!!
Neste caso, até parece que o Bonzinho, começou a escrever a crónica, quando ficou a conhecer o onze do Benfica... e depois, após o apito final, teve que 'alterar' o conteúdo!!!

Agora a cabeça vale mais

"Estamos a finalizar o segundo terço das competições, momento em que já se consegue perceber melhor as tendências mais marcantes de uma competição. A pressão aumenta para todos, alguns colocam em causa o processo quando se perde, as dúvidas são muitas, o equilíbrio emocional de todos é decisivo para atingir os objectivos. E quando digo todos, são mesmo todos. Dos jogadores ao responsável pela rouparia, do departamento médico ao presidente. Se existe ruído, entenda-se não acreditar que se atinge o que se pretende, esse efeito rapidamente passa para muitos mais elementos do grupo. A cabeça vale mais nestas alturas do que tudo o resto. É preciso ganhar, mas por vezes isso não acontece. Nesses momentos todos têm que ser solidários, contudo, normalmente isso não acontece. Há sempre quem aponte o dedo a seguir o esconda. Só que já cometeu o erro. O grupo parte-se. Isto é o que os treinadores não devem permitir, quando lhes é permitido. O normal é serem eles considerados culpados. São afastados. Contrata-se outro. Volta-se a ganhar e a escolha foi acertada. Perde-se, e repete-se o processo. Como por vezes brincava com os nossos jogadores, tudo tratado nada resolvido. Um círculo vicioso que só é vencido com vitórias. Todos as querem, mas poucos as conseguem. A equipa está mais defendida quando os seus membros, nomeadamente os jogadores, têm uma cultura de clube que lhes permite atingir o que muitos não vêem nem sentem. Nesta fase, a que define em definitivo os objectivos, não basta talento ou capacidade física. É necessário que os líderes tenham capacidade para assumir o jogo. Dentro e fora do campo. Na vitória e no insucesso. Todos têm um grande desafio. Os que jogam para ser campeões e os que lutam pela manutenção. Todos têm que manter a cabeça no lugar para aumentarem as possibilidades de sucesso. Quem falhar está a favorecer o adversário. São 3 meses duros. Por vezes nunca mais acabam."

José Couceiro, in A Bola

The boys from Seixal brilham na vitória do Benfica. Com uma ajudinha do novo Seferovic

"Foi um Benfica em versão Youth League que saiu vitorioso do terreno do Galatasaray na 1ª mão dos 16 avos de final da Liga Europa. O avançado suíço continua a dar cartas improváveis e fez o 16º golo da época, enquanto o regressado Salvio esteve ao nível habitual dos últimos tempos: golo e lesão. Tentos de uma vitória por 2-1 que coloca os encarnados com pé e meio na fase seguinte

Um, dois, três, quatro, cinco, seis. É a conta que Lage fez (com a dívida licença artística de um bom provérbio) e que vai fazendo com os meninos do Seixal, que continuam a jogar como se estivessem no centro de treinos enquanto se estreiam nas competições europeias. Sem desprimor pela margem sul, claro. Seis produtos da formação e seis alterações na equipa do Benfica que manteve o estado de graça e somou mais uma vitória na era do antigo técnico dos Bês. Sem goleada, desta feita, mas com um marcador de 2-1 na casa do Galatasaray que dá aos encarnados o primeiro triunfo na Turquia.
Os números são como o algodão, não enganam e mostram bem o que tem sido o percurso recente do Benfica.16 golos marcados nos últimos três jogos a que se juntam os dois averbados esta noite no Ali Sami Yen, que deixam as portas dos oitavos de final escancaradas e que são mais uma prova de força de uma equipa que nem precisou de jogar a alta rotação frente a um adversário sempre complicado. 
Sim, é sempre muito repetido que jogar na Turquia é complicado, com as equipas adversárias a terem que enfrentar ambientes infernais e adeptos fervorosos por detrás de clubes que vendem cara a derrota. E é repetido pela simples razão que é verdade, como o comprovam os sete jogos que os encarnados já tinham feito no país sem uma vitória. Estatística, mais uma, que Bruno Lage encarregou-se de superar.
Com um onze que pareceu sempre relativamente à vontade em campo, apesar dos naturais períodos de pressão turca. Com Gedson e Florentino (em estreia nas competições europeias) a fazer o duo do meio-campo, o Benfica começou dividir as operações com o Galatasaray, sem que nenhuma equipa tivesse claro ascendente de jogo.
Caberia aos homens da casa a primeira (meia) oportunidade da partida, com Vlachodimos a afastar uma bola perigosa dentro da grande área aos 18 minutos e, logo a seguir, Onyekuru a rematar ao lado após cruzamento do lado ocupado pelo também estreante Yuri Ribeiro. O lateral made in Seixal esteve no pior e no melhor do Benfica, ao acusar algumas dificuldades defensivas mas também a somar uma ou outra incursão interessante pelo meio-campo adversário. Numa delas, esteve mesmo na origem do primeiro golo do jogo. Dos seus pés saiu uma bola para a área que acabou no braço de Marcão (a quem havemos de voltar, para seu infortúnio) e depois na marca da grande penalidade. Aí coube ao regressado Salvio a responsabilidade, com o argentino a não acusar a pressão e a a colocar os encarnados em vantagem aos 27 minutos de jogo.
O tento surgiu numa fase de maior ascendente dos turcos, que acusaram a desvantagem e permitiram ao Benfica um controlo mais efetivo da partida, com algumas transições falhadas que podiam ter dado mais perigo. Nesse campo Salvio (apesar do golo) e Cervi foram de menos para as intenções encarnadas que ainda assim não saíram goradas com a vantagem garantida para a segunda parte. 

Perdido entre Chaves e Istambul
Os segundos 45 minutos trouxeram um Galatasaray com vontade renovada e a criar mais perigo junto da defensiva encarnada. Belhanda e Feghouli não davam descanso, sobretudo o último, muitas vezes no raio de acção e a incomodar Yuri Ribeiro. Foi por isso sem surpresa que o empate foi restabelecido aos 54 minutos, com Luyindama a saltar sem a devida oposição do muito em jogo Yuri e a dar nova esperança aos adeptos turcos.
Assalto turco que acabou por não se intensificar da forma esperada, até porque uma mudança forçada operada por Bruno Lage pouco antes do golo do Galatasaray acabou por ser benéfica a longo prazo para o jogo encarnado. Salvio lesionou-se, a braçadeira passou para Rúben Dias (capitão em todos os escalões do futebol do Benfica) e para o seu lugar entrou Gabriel, que ajudou a controlar o jogo na fase mais complicada. Com a boa fortuna do golo da vitória ter surgido não muito depois, quando pouco o fazia prever.
Foi dos pés do novo capitão que saiu o lançamento longo para a corrida de Seferovic, que aproveitou nova falha de Marcão para se isolar e rematar sem hipóteses para o fundo das redes aos 64 minutos. Entre Chaves e Istambul, o antigo atleta do Desportivo ainda estava perdido nas marcações e contribuiu para um golpe nas aspirações da sua equipa que acabou por revelar-se decisivo. 
Galatasaray que, sem grande convicção, ainda foi à procura pelo menos do golo do empate, que Vlachodimos fez questão de impedir, com uma grande intervenção, aquele que seria o bis de Luyindama aos 85 minutos. Não mais se mexeu o marcador que acabou com uma vantagem de 2-1 para o Benfica e um pé e meio nos oitavos de final da Liga Europa. Com o contributo cada vez mais presente dos Boys from Seixal."

Com o Benfica somos sempre os cabeçudos, mas preparemo-nos para um festival de golos à fartazana em Março

"O Sporting perdeu 4-2 com o Benfica em Alvalade e levou um banho de bola. Foi uma humilhação tão grande que os sportinguistas só pediam que aquilo acabasse o mais depressa possível para o resultado não atingir níveis catastróficos. Aliás, para o Benfica, nós fazemos sempre o papel de cabeçudos. Eles ganham em Alvalade como se jogassem na Luz. No outro jogo com o Benfica, agora para a Taça de Portugal, o melhor foi mesmo o resultado. Perder só por 2-1 foi, mais uma vez, uma enorme mentira. A equipa esteve melhorzinha, mas este melhorzinho é muito medíocre. Vi o Moreirense fazer um jogo muito melhor na Luz, onde aliás ganhou.
Depois, lá ganhámos ao Feirense, após o árbitro, com a ajuda do VAR, ter invalidado um golo aos rapazes da casa e de um defesa deles ter metido a bola na própria baliza mesmo ao cair da primeira parte. Na segunda parte, o Bruno Fernandes marcou dois belos golos e fechámos a loja. Mas a primeira parte foi deprimente e o Sporting foi dominado pelo Feirense, que bem merecia outro resultado ao intervalo.
Bom, e veio o jogo de ontem contra o Villarreal, penúltimo classificado da Liga espanhola, que este ano ainda não tinha ganho um único jogo. Ora já se sabe que quando há coisas que nunca aconteceram, logo aparece o Sporting a dar uma mãozinha para que aconteçam. E assim foi: aos três minutos já levávamos um no bornal e a partir daí foi ver a equipa a andar sempre aos papéis, penosamente, a correr atrás da bola, com o Coates a ser o nosso avançado mais perigoso, mas sem quaisquer resultados. Chegámos ao fim e o mais positivo foi de novo o resultado: perder só por 1-0 foi o melhor que se conseguiu arranjar. E não me venham com o cansaço e os jogos de três em três dias ou de quatro em quatro. O FC Porto e o Benfica fazem o mesmo e continuam a ganhar e a intimidar os adversários.
Chegados aqui, está na altura de dizer uma primeira verdade: o Sporting de José Peseiro não jogava pior do que o Sporting de Marcel Keizer. Quando muito, jogava tão mal, embora a classificação fosse bem melhor. Nessa altura, o Sporting estava em segundo lugar, a dois pontos do primeiro, e agora vai num honroso quarto lugar, a nove do primeiro, a oito do segundo e a sete do terceiro. Ou seja, o Sporting este ano aspira a ficar em quarto lugar. E domingo, em Alvalade, contra o Braga, teme-se o pior: uma nova derrota.
Bruno de Carvalho devia ser chamado a explicar porque despediu o treinador Abel Ferreira da equipa B do Sporting para meter lá o seu amigo João de Deus que, como seria de esperar, pela sua linda carreira, só podia ser uma catástrofe. Confirmou-se em pleno. Em contrapartida, o Braga, desde que é comandado por Abel Ferreira, nunca perdeu connosco e já ganhou pelo menos duas vezes ao Sporting, uma em Alvalade e outra na Pedreira. E não sei se não me estou a esquecer de mais alguma derrota.
E vamos à segunda verdade: a equipa não terá grandes jogadores, mas tem jogadores obrigados a fazer muito melhor, como Raphinha, que era um grande jogador no Guimarães e deixou de ser em Alvalade. E se não fazem é porque Keizer lhes retirou confiança, casos evidentes de Jovane Cabral e Miguel Luís, que saíram da equipa quando estavam a render e a marcar golos, desaparecendo até do banco; porque Keizer tem cometido erros inadmissíveis (jogar em Tondela durante 45 minutos sem um avançado de raiz – tinha o Montero) só podia dar mau resultado; porque Keizer tem um modelo de jogo com um só avançado (Bas Dost), que não é adequado quando as equipas se fecham muito, Dost está fora de forma e não há quem faça centros de jeito, com excepção do Acuña; porque Keizer gosta muito de atacar e pouco de defender (desde que chegou ao comando do Sporting, a equipa sofreu golos em todos os jogos, menos num), o que corre bem quando o ataque está oleado, inspirado e a equipa marca mais do que sofre e muito mal quando isso não acontece; porque Keizer, apesar de tudo o que entra pelos olhos dentro, não experimenta jogar noutro sistema, em que Montero ou Luiz Phellype possam estar em campo (ontem tivemos o mesmo filme, com o Dost a parecer um pelicano no meio de uma aldeia de pinguins); e porque Keizer continua a apostar em Petrovic, um rapaz que carrega uma tristeza imenso aos ombros por ser sérvio e nos transmite a todos nós, sportinguistas, uma imensa tristeza por o vermos a jogar na equipa principal do clube.
Em resumo, passada a euforia inicial, o sr. Keizer não só não aproveita os jogadores da formação como conseguiu que a equipa e a nação sportinguista entrassem de novo em depressão, envergonhados com o que (não) vamos vendo nos campos de futebol onde a nossa equipa principal joga. Ah, é verdade, a Taça da Liga veio no nosso autocarro. Por mim, sr. Keizer, pode levá-la para a Holanda. Tenho a certeza que encontraremos na Academia um treinador português que faça mais do que aquilo que V.Exa. tem feito. Ou, por outras palavras, volta Peseiro que estás perdoado.

PS – Como o dr. Varandas vai aguentar o sr. Keizer pelo menos até ao final da época, estou muito curioso para ver os excelentes jogos que a equipa vai fazer depois de ser afastada da Liga Europa e da Taça de Portugal. Aí já não vai haver a desculpa do cansaço. Lá para o final de Março preparemo-nos, sportinguistas, para ver fabulosas exibições e golos à fartazana!"

Rumo certo

"A primeira vitória em solo turco teve impacto na Europa do futebol pela ‘Primavera Encarnada’. Ainda mal o jogo de Istambul tinha terminado e já a prestigiada ‘Marca’, em Espanha, baptizava a proeza que tinha acabado de acontecer: “El Baby Benfica se lleva el ‘duelo de Champions’ ante el Galatasaray”.
Não se tratou apenas de vencer. Mais do que ganhar, desta vez, foi como se ganhou. Com uma equipa inicial com 22 anos (!) de média de idade (e com 6 jogadores da formação) a superar o campeão da Turquia no seu próprio estádio. Um importante passo para se chegar à eliminatória seguinte da Liga Europa, mas com a consciência de que foi apenas... um passo. E com a certeza de que as grandes caminhadas se fazem com muitos passos.
Ontem provou-se que o rumo e a estratégia definida de aposta na formação tem todo o sentido: estreia de mais 3 jogadores como titulares em competições da UEFA (Ferro, Yuri Ribeiro e Florentino), num jogo em que Rúben Dias terminou a noite com a braçadeira de capitão… aos 21 anos!
Os reforços de inverno, como se comprova, estavam mesmo no Seixal e fazem parte de um plantel onde – sem excepção – todos contam e onde a conciliação entre juventude e experiência é o factor-chave.
Na próxima segunda-feira, na Vila das Aves, é tempo de regresso ao campeonato nacional. Lá iremos ter, com toda a certeza, o apoio inexcedível da onda vermelha, num jogo de grande dificuldade – e importância – para o caminho que, juntos, queremos percorrer. Porque todas as reconquistas se fazem de mãos dadas!"

Teens !!!

"❤ Em Dia de São Valentim, ficámos todos enamorados pelo futebol da equipa de Bruno Lage. Uma exibição de gala em casa do Gala deu a 1.ª vitória benfiquista na Turquia. A gala dos namorados. O feito, só por si, já era de louvar, mas a revolução que Lage empreendeu no onze torna tudo mais especial. O Benfica apresentou-se no invicto solo turco com seis jovens da formação, alguns deles teenagers ainda, e com seis mexidas no onze que deu dez. E fez história.
💔 No jantar dos encalhados, o Sporting perdeu em casa frente ao penúltimo da liga espanhola, que não ganhava há 10 jogos. Se fôssemos como eles, diríamos que uma equipa que não vencia há dois meses de certeza que comprou este resultado a um clube com dificuldades financeiras que ainda terá feito dinheiro em apostas. E que Acuña fez de propósito para ser expulso. E que o onze escolhido por Kaizer é muito suspeito. Valeu que o Villarreal foi muito respeitoso e recusou ganhar por mais que 1-0, a bem da competitividade da Liga Europa."

Seferovic, porque não há dúvida que o futebol se joga com a cabeça

"O avançado suíço tem sido decisivo no bom momento do Benfica

Quem viu Seferovic conquistar metros a Marcão, para depois ganhar na luta de corpo e atirar com classe ao ângulo da baliza do Galatasaray, deve ter tido dificuldades em lembrar-se do que era este mesmo jogador há coisa de um ano.
O avançado suíço deu uma volta completa no destino, para se apresentar agora em grande momento. Confiante, autoritário, criativo e ligeirinho.
Seferovic corre, recupera bolas, tabela, toca de calcanhar, assiste e faz golos. Muitos golos.
Por alguma razão, aliás, é nesta altura o jogador com mais golos marcados no campeonato em 2019, entre todos os jogadores que actuam na Europa.
De dispensado a indispensável, portanto, foi uma questão de meses. E jogos, e minutos. Bastou-lhe afinal ter alguma continuidade, fazer o primeiro golo, e o segundo e o terceiro, para virar a cabeça do avesso. Hoje acredita que pode tudo, e acreditando fica mais perto de o poder.
Seferovic é, no fim de contas, a melhor prova que existe neste momento no futebol português de que o futebol é um desporto que se joga na cabeça dos jogadores: se eles confiarem que sim, mas confiarem mesmo cegamente que sim, então muito provavelmente vão tornar-se decisivos.
Como está a ser o suíço.
É naturalmente mais fácil, claro, fazer tudo isto numa equipa que está a jogar bem e vive, também ela, muito confiante. Como é o caso do Benfica. Mas boa parte do momento fulgurante da formação encarnada deve-se ao contributo do ponta de lança.
É certo que agora já há Jonas, mas a verdade é que Seferovic não corre: voa. Nas nuvens."

Organização e muito Tino

"A organização das linhas encarnadas no momento defensivo é hoje substancialmente diferente de um passado recente. O Benfica trocou o pressing a todo o instante por um maior controlo em Organização Defensiva, as linhas estão mais juntas, e sobretudo a linha média ganhou uma articulação que não tinha.
A preocupação de todos em voltar para trás da linha da bola (excelente a ideia de retirar Pizzi do corredor central em momento defensivo), e a coordenação e preocupação em não permitir que a posse adversária chegue às costas dos médios, com a constante movimentação destes para que estejam sempre mais na situação defensiva, é hoje uma evidência.



Para lá da organização defensiva bastante mais rigorosa e inteligente, em Istanbul, surgiu Tino.
O perna longa é um portento na posição que ocupa. Portento pela disponibilidade física e mental, bem como inteligência para a ocupação dos espaços, e capacidade tremenda para desarmar e sair com bola dos duelos.
Não só tem a capacidade física para fazer, como percebe o que há por fazer. Na Turquia, roubou uma série de bolas, mas ainda mais do que as que roubou, foi os espaços que fechou, as superioridades numéricas que provocou no momento defensivo e como estas foram sempre fundamentais para que o Galatasaray não pudesse criar.
Ora perceba como joga Tino."