Últimas indefectivações

sábado, 29 de setembro de 2018

À porta fechada, fechadíssima, por favor, IPDJ!

"A melhor coisa que podia acontecer ao Benfica era o jogo com o Porto ser à porta fechada. Explicações, não sei dar. É só a intuição a falar. E, nestas como em outras matérias, a intuição é que sabe. Assim sendo, uma vez mais, cá vai: a melhor coisa que de longe poderia acontecer ao Benfica era ver-se condenado a disputar o seu jogo com o Porto à porta fechada. E é exactamente por esta razão, por ser a melhor coisa que podia acontecer ao Benfica, que tal coisa não vai acontecer. Não é porque não haja coragem política ou desportiva para fechar o Estádio da Luz ao público por um ou dois ou três jogos ou mesmo por uma década. Há. Dessa coragem há. Não há é da outra. E porquê? Olhem, porque, quer interna quer externamente, o que o Benfica se arriscava a ganhar no presente, no futuro imediato e no longínquo se o seu jogo com o Porto fosse à porta fechada, compensá-lo-ia com abundância de todos estes pequenos e tão transitórios incómodos.
O próprio presidente do Porto, que ainda saberá prestar atenção ao seu instinto, tem abordado a situação em modo tremeliques. Ouçam-no bem. "Ainda bem que o jogo não vai ser à porta fechada porque o futebol é um espectáculo para ser vivido pelos adeptos", disse aos jornalistas sem nada que se parecesse com a ironia do costume. Carrega, IPDJ! Coragem, IPDJ! Atrevam-se lá a desmentir o velhote!
Durou escassos 14 minutos o serviço inaugural de Jardel como 1.º capitão do Benfica. O serviço foi interrompido porque Jardel se magoou num pé e teve de ser substituído por um companheiro estreante nestas responsabilidades, muito estreante mesmo como se acabaria por constatar. Jardel era o sub-capitão do Benfica até ao dia, no princípio desta semana, em que Luisão anunciou a retirada. Agora o Benfica não tem Luisão, não tem Jardel e não tem Conti para o seu próximo compromisso caseiro. O soldado desconhecido Lema dará certamente conta do recado para espanto de toda a gente. E até Luisão, depois de gozar uma semana e meia de reforma, poderá voltar ao trabalho para fazer uma perninha no clássico. E que perninha.
Esta direcção da Liga de Clubes revela-se tal-qual uma nulidade. Ou talvez não. Talvez seja de uma benevolência descabida qualificar como nulidade um órgão que se demite das suas responsabilidades mais básicas. Por exemplo, as de velar pelo bom nome das competições profissionais organizadas sob a sua égide. Permanentemente e pelas vias oficiais, vai-se assistindo desde o arranque das provas da corrente temporada, que ainda vai no adro, a uma troca de insultos e de insinuações entre os dois emblemas que por cá costumam disputar os títulos principais. Como não podia deixar de ser, é a arbitragem o foco de todas acusações, denúncias e chorares lancinantes. A direcção da Liga faz ouvidos de mercador e, inquestionada, lá vai mantendo a pose de pechisbeque. É isto ou é má consciência? É má consciência.
E o que choveu em Chaves? Até parecia mentira."

Empate em Portimão

Portimonense 2 - 2 Benfica


Com o jogo em Inglaterra ontem, e com o jogo de Terça em Atenas, o Tralhão foi obrigado a fazer muitas alterações, mesmo assim a equipa portou-se bem...
Com um Juvenil e vários Juniores, quase não se notou a diferença de idades e as diferenças de caparro... Foi pena a distracção no 2.º golo sofrido... e foi pena aquele lance nos descontos, onde um defesa adversário 'tirou' a bola do golo!!! Empatar um jogo, quando se teve duas vezes emvantagem, acaba sempre por saber a pouco...

Quem será o destinatário?!

"Tenho pouco a dizer e vou retirar me de responder a Merda (Escroto) até daqui a uns dias... 
Luís Filipe Vieira! Um hino ao futebol e à  honestidade, ainda não fugiu para “Vigo”.
Paulo Gonçalves Homem que deu tudo ao Benfica.
E-Toupeira? Provem como apito dourado, Sem ser roubado!
Operação Lex..: O Tiago Vieira está a cagar para esse escumalha.
É Burro! - Francisco J. Marques... um triste
Ciau Mala? O Boaventura não é arguido e ainda goza com os fracos de cara tapada da SIC E CMTV 
E mais? Sexo? Só no quarto, pagas e levas nele também.
Parabéns ao Presidente Luís Filipe Vieira! É acusado de tanto mas ainda não fugiu para Vigo seus corruptos e vigaristas. Nos escritórios do Benfica, ainda ninguém se matou e escondeu a própria arma!!!
Agora mais uma, venham ameaçar-me, estão à distância de uma Bala ❤️"

Pactos de preferência

"1. É válido um pacto de preferência no âmbito de um contrato de trabalho desportivo?
Os pactos de preferência sucedem, por exemplo, no caso de um atleta celebrar com um clube um contrato de trabalho desportivo, por três temporadas, sendo inserida neste contrato uma cláusula nos termos da qual, findas essas três épocas, o jogador ficará obrigado a conceder uma preferência ao mesmo clube para efeitos de celebração de novo contrato.
De outro prisma, o atleta compromete-se a não se vincular com um terceiro clube, se o actual estiver disposto a contratar em "iguais condições".
Sucede que, todas as cláusulas inseridas neste tipo de contrato que visam condicionar ou limitar a liberdade de trabalho de um atleta, após o termo do vínculo contratual, são consideradas nulas, à luz do disposto no art. 19.º, n.º 1 da Lei n.º 54/ 2017, de 14 de Julho.
A ‘ratio’ desta norma tem como escopo a garantia da liberdade de trabalho do atleta, assegurando que este, após o termo do vínculo contratual, será livre para celebrar novo contrato de trabalho com outro clube.

2. E caso o contrato de trabalho do atleta seja mais vantajoso do ponto de vista patrimonial?
Para o atleta, o pacto de preferência não se projeta negativamente em sede remuneratória, pois a preferência só vale, e tem cabimento, se for concretizada em "iguais condições".
Ora, é indiscutível que o pacto de preferência condiciona a liberdade de contratar, na medida em que independentemente da circunstância de o atleta passar a auferir um melhor salário, as exigências ligadas à liberdade de trabalho afiguram-se muito mais profundas do que isso.
Desde logo, a liberdade de trabalho do atleta postula a liberdade de optar por um clube que, pese embora ofereça um salário menor, dispõe de melhores condições desportivas, humanas, sociais e de infraestruturas. E, por maioria de razão, pressupõe também a liberdade de em "iguais condições", o atleta eleger o clube que por bem entenda."

Benfiquismo (CMLXIV)

Gigante...!!!

Jogo Limpo... Seara, Guerra & Fanha... Guerras lá fora e cá dentro!!!

Uma Semana do Melhor... com o Louzeiro

Arbitragens manhosas e tendenciosas

"João Capela poderá abandonar a arbitragem como o Carlos Calheiros do século XXI. Que consistência.

Sabor amargo de um empate em tempo de descontos. Sem tirar mérito ao Chaves, que fez um jogo interessante, o Benfica não pode ficar à mercê de arbitragens manhosas e tendenciosas. Vai ter muitas até ao fim do campeonato.
A superioridade do Benfica tem que ser sempre muito grande se quiser vencer. Contra o Aves, vencemos bem, mas só depois do 2-0 o campo deixou de estar inclinado. Contra o Chaves, depois de um dilúvio que encharcou o estádio, o árbitro cavou um livre na zona mais estragada do estádio para dar o primeiro golo flaviense e expulsou com um rigor cirúrgico Conti (que a somar à lesão de Jardel deixa o Benfica limitado na defesa frente ao FC Porto).
Este mesmo árbitro, que sentado no VAR conseguiu telefonar um penalty no Restelo, no Belenenses - FC Porto, contra todas as recomendações feitas aos árbitros para esta temporada, é o grande protagonista desta época. João Capela poderá abandonar a arbitragem como o Carlos Calheiros do século XXI. Que consistência.
Dito isto, importa ao Benfica centrar no que aí vem, pois perdemos dois pontos estúpidos, orientados de forma inteligente. Mas se formos inteligentes poderemos não cair tantas vezes nas armadilhas destes protagonistas. Temos categoria e valor para chegar ao fim de muitos destes jogos a vencer de forma tranquila e ficar a salvo destas manhosices.
Ficará a sensação de que ontem o resultado foi mau, vemos que outros fazem insípidas exibições mas gozam de outros critérios. Nesta fase interessa aumentar a exigência interna, jogar mais e melhor, aumentar e eficácia e voltar a vencer.
Já na próxima terça-feira vamos a Atenas para ganhar, para trazer pontos dinheiro e prestígio. Que este jogo seja o aviso que aumente a revolta interna rumo ao 37 e ambição europeia rumo aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Logo há uma Assembleia Geral do Benfica que se quer ordeira, livre e participada. Numa altura de estabilidade económica e financeira. Quando o passivo baixa, quando a SAD dá lucros não negligenciáveis, quando desportivamente se mantém toda a ambição, é importante participar nas reuniões mais importantes do clube. Até poque o rumo será de vitórias, o foco é nas vitórias e são essas vitórias que os adeptos anseiam."

Sílvio Cervan, in A Bola

Discurso do Presidente, na Assembleia Geral

"Somos milhares hoje aqui presentes. Isto é um enorme sinal de vitalidade. Todos sabemos que estamos a viver um momento especial na vida do nosso clube. Especial porque o Clube continua a crescer, extravasando hoje as fronteiras do nosso Portugal. Especial, porque temos hoje um projecto desportivo, económico e patrimonial só ao alcance dos melhores. Especial porque temos uma missão e uma visão para o futuro e temos as condições económicas, o talento e a determinação de tornar o sonho numa realidade.
Mas também especial porque vivemos um momento sem precedentes na nossa história, fruto de vários ataques, uns de origem criminosa e outros motivados pela necessidade de afirmação pessoal. Se as motivações são claras, a origem também o é. Hoje sabemos quem esteve por trás do roubo da nossa correspondência privada e quem a andou a exibir. E, continuando a confiar na Justiça, queremos acreditar que toda a tramóia, montada por aquela aliança, será posta a nu e os seus responsáveis, actuais ou passados, devidamente punidos.
Este é o tempo da Justiça. Não apenas para o Benfica, mas para todos. E quem tiver de cair, que caia. Limpemos o futebol daquilo que ele não precisa: lama, difamação e descrédito. Limpemos o futebol de mais campanhas negras como única forma de esconder descalabros financeiros e desportivos. Limpemos o futebol das velhas práticas de ameaças e pressões sobre tudo e todos, para condicionar quem está dentro do campo.
Tentaram criar a imagem falsa de que o Benfica dominava todas as estruturas do futebol português. Mas dominamos quem? A Federação ou seu Conselho de Disciplina que nos castigam por incidentes num jogo no António da Mota do Estoril e deixam passar impune a invasão de campo nesse mesmo estádio por um dos nossos adversários? Ou será a Liga e o seu Comité de Instrutores, cuja Direcção foi eleita com o voto contra do Benfica?
Serão os árbitros, cujo condicionamento teve o seu ponto mais alto na invasão do Centro de Treinos na Maia? Será o Conselho de Arbitragem cujos critérios de nomeação nos parecem pouco sensatos? 
Só falta concluírem que dominamos a tecnologia do VAR, mas até nesse ponto se enganam porque já se percebeu que esta tecnologia também parece ter vontade própria ao avariar-se em circunstâncias atípicas.
O sentimento que tenho é que temos de jogar o triplo dos outros para ganhar. Mas se for essa a exigência, estaremos à altura do desafio.
Fora dos relvados e das instâncias desportivas, temos enfrentado também desafios sérios, que nos obrigam a um dispêndio de energias sem precedentes. Senti, durante os últimos meses, que estávamos a perder o foco daquilo que são as nossas prioridades. Por isso, e com o apoio unânime da Direcção, entendi que era necessário implementar algumas alterações na nossa forma de actuar. Chegou a altura de reforçar a equipa jurídica com reputados especialistas do sector, passando a ser essa equipa que, de forma autónoma, gere e responde em nome do Clube e da SAD sobre esses processos.
Assim, asseguramos a defesa do Benfica e concentramo-nos no essencial, que é o projecto desportivo, o projecto financeiro e o reforço do património do Clube. Libertamo-nos, eu e toda a estrutura executiva do Benfica, destas questões processuais e jurídicas. Tanto a Direcção como a Administração da SAD voltarão a focar-se no nosso 'core business' e assegurarão que não haverá desvios à estratégia que definimos para o clube.
Reafirmo-vos o que disse em Junho passado. Nada foi feito de ilegal neste clube. E por isso, não tememos nenhuma investigação, inquérito ou julgamento agora ou no futuro próximo. Estamos de consciência absolutamente tranquila. Digo-vos isto com a serenidade de quem ganhou todos os processos nas decisões finais. Podem estar certos de que será feita justiça e se provará que não cometemos qualquer tipo de ilegalidade. Confiamos na Justiça! E por isso exigimos que se faça justiça!
Somos um clube honrado e respeitado. Somos a maior marca portuguesa. O Benfica é a grande instituição nacional. O Benfica sempre soube projectar o nome de Portugal. O Benfica é um elo de união dos portugueses nos quatro cantos do mundo. Seriedade e responsabilidade foi o que nos permitiu, nestes últimos 18 anos, reerguer a grandeza do nosso clube. Não apenas da minha parte, e dos membros das várias Direcções que me ajudaram, mas também daquele que será sempre o meu Presidente, o Manuel Vilarinho.
Hoje, o Benfica clube e a Benfica SAD são instituições sólidas e sustentáveis. Estamos absolutamente empenhados, todos os dias, para merecer a confiança dos nossos associados, simpatizantes, parceiros, patrocinadores e accionistas. E é por isso com orgulho que vemos todos os nossos parceiros, numa prova de confiança, a continuar connosco esta caminhada. E é por isso e com orgulho que dou aqui hoje a novidade de que ontem celebrámos o acordo de renovação por mais 3 anos com um dos nossos principais patrocinadores, a Emirates.
Ainda esta noite custou-me muito a adormecer. A mim e a todos vocês, não tenho dúvidas. Mas não é por um resultado menos positivo que nos vamos desviar do nosso principal objectivo. Este é, tem de ser e vai ser, o ano da Reconquista!
Em todas as modalidades, a nossa mensagem é muito clara. Foram criadas todas as condições para atingirmos as vitórias. O meu compromisso, a minha ambição e a minha exigência são de que temos de cumprir a nossa missão: ganhar! E é esse compromisso, essa ambição e essa exigência que exijo a todos, jogadores treinadores e colaboradores.
Começámos bem a época. Conseguimos o apuramento pelo nono ano consecutivo para a fase de grupos da Champions. Feito só obtido por mais 3 clubes na Europa: Real Madrid, Barcelona e Bayern. A Formação evidencia resultados inequívocos do trabalho realizado. Até ao momento estamos na liderança da Segunda Liga, Sub-23 e nos diversos escalões jovens. Há muitos anos que o Benfica não tinha tantos jogadores da sua formação na nossa Selecção principal, e vejam como nos escalões mais jovens a grande maioria dos convocados são do Benfica.
Vejam também a aposta que este ano estamos a fazer nas equipas femininas, com novas equipas no futebol, andebol e voleibol e no reforço de todas as equipas das modalidades de pavilhão. E vejam os títulos internacionais das modalidades do 'Benfica Olímpico' que temos conquistado com vitórias individuais, como os feitos raros e inéditos do Fernando Pimenta, da Telma ou do Pichardo. De igual forma, no plano colectivo sagrámo-nos Campeões Europeus de atletismo em Sub-20.
Quero também aproveitar para vos falar de alguém que ficará para sempre na nossa história. Companheiro de caminhada, um exemplo raro de dedicação e que resolveu dar início a uma nova etapa na sua vida: o Luisão. Esta semana fizemos um forte e simbólico evento onde o Luisão quis anunciar o fim da sua carreira de futebolista, juntando sobretudo os seus colegas e a sua família. Agora, a grande homenagem, claro que será feita, conforme vontade expressa pelo próprio Luisão, num grande jogo no Estádio da Luz, entre o Benfica e outra equipa constituída pelos principais jogadores que no passado foram companheiros de Luisão. Aí sim, será o momento dos milhares de Benfiquistas, prestarem a devida homenagem a mais um símbolo vivo do benfiquismo.
Em meu nome, e em nome de todos os Benfiquistas. Obrigado capitão!
Outro tema em que tenho também o dever de vos dar uma explicação é sobre uma 'pequena loucura' que pensei cometer há três meses. Loucura que abandonei. A explicação é simples. O contexto mudou entre o dia da última Assembleia Geral e o fecho do mercado. Quem, ali do outro lado, tinha definido o ataque ao Benfica como principal instrumento da sua promoção individual, foi corrido pelos que achava serem seus. Face à mudança de circunstâncias, e porque no Benfica não nos afirmamos pelo ódio aos nossos adversários, decidi alterar a minha vontade. Esta explicação é-vos devida.
Nem todos concordarão, mas também neste caso agi de acordo com a minha consciência. Espero que este gesto seja o princípio de uma regularização da vivência institucional que deve caracterizar os maiores clubes nacionais. Aproveito também para falar de alguns compromissos que assumi perante vós na última Assembleia Geral. Bilhética dos jogos fora: a partir de 7 de Outubro, para além das bilheteiras do Estádio, será possível adquirir bilhetes nas Casas e Lojas do Benfica. Primeiros jogos abrangidos serão já os do Ajax e Belenenses e até final de dezembro será também possível comprar online. Bilhética modalidades: o processo está concluído e a partir deste fim de semana, para além das bilheteiras do Estádio, será possível adquirir bilhetes nas Casas e Lojas do Benfica. Informar os Sócios, por SMS e email, da realização das Assembleias Gerais foi também cumprido.
Temos assistido nos últimos meses a uma deriva que está a afectar as próprias entidades que deveriam defender e representar a indústria do futebol português. Os clubes já começaram a perceber o absurdo de se penalizar com jogos à porta fechada o comportamento irresponsável cometido por um qualquer idiota que se acha superior ao clube que diz amar. Esses sim devem ser responsabilizados. Agora não aceitamos é este estigma que estão a criar sobre o registo de claques ou, como prefiro dizer, grupos organizados de sócios.
Nós, no Benfica, estamos certos da nossa razão. Temos grupos organizados de sócios, todos devidamente inscritos e com Red Pass no nosso Estádio, com quotas em dia e que pagam os seus bilhetes para os jogos fora. Não temos pretensas claques ditas legalizadas em que verificamos que só uma percentagem ínfima está registada e muitos deles nem sócios são dos seus clubes.
Se pretendemos melhorar a lei, façamo-lo de forma constitucional. E de acordo com um princípio fundamental de que é preferível grupos de sócios livremente organizados do que ditas claques legais desorganizadas. Ou será que essa legalização impediu arremessos de tochas sobre os seus atletas, invasões de centros de treino ou ameaças a árbitros? Não brinquem connosco!
Estamos sólidos e de boa saúde. Temos grandes projectos para o futuro tanto no alargamento do Caixa Futebol Campus, no novo Centro de Treino de Alto Rendimento, na expansão das Casas do Benfica, no aprofundamento dos projectos da nossa Fundação e internacionalização da nossa marca. E temos um projecto desportivo para ganharmos mais vezes, para sermos mais fortes, para formar e reter os nossos melhores talentos.
Estamos a dar um novo salto qualitativo. É aí que nos devemos concentrar e como sempre conto convosco. É tempo é para cerrar fileiras! É tempo de apoiar o Benfica! De todos, um!
Viva o Benfica!"

Os Sísifos

"Não se apoquente: “O Novo Banco cancelou uma conta caucionada de perto de 70 milhões de euros ao Benfica (...) que se encontra sob forte pressão de financiamento (...) e perde o seu parceiro financeiro predilecto numa altura especialmente difícil. (...) O Benfica enfrenta necessidades de refinanciamento ou de reembolso de créditos de quase 200 milhões de euros. (...) É com estes números na cabeça que se pode explicar a saída de jogadores. (...) Do susto ao pânico é um passo pequeno. (...) Os custos desportivos serão aferidos a partir de Setembro, altura em que a janela das transferências se fecha e quando se abrem as verdadeiras caixas de Pandora”.
Este artigo de opinião alarmista, embora trasvestido de notícia, foi publicado no Expresso, em Agosto de 2014. Desde então, o Benfica venceu três campeonatos e outros títulos e troféus e apresentou as melhores contas da história da Benfica, SAD. Abriu-se, de facto, uma verdadeira caixa de Pandora: Se esta peça atesta a qualidade jornalística da grande referência do jornalismo em Portugal, imagine-se a de outras publicações...
Mas os gregos, que eram dados à tragédia, não se ficaram por Prometeu e Pandora. Hermes, por seu turno, ocupou-se de Sísifo, condenando-o perpetuamente a empurrar uma pedra até ao cume de uma montanha, a qual resvalaria sempre que o pobre Sísifo alcançasse o destino. Hoje, em tempos de maior civismo e urbanidade, talvez fosse condenado a desempenhar as funções de jornalista, tendo que, ciclicamente, escrever um artigo premonitório, nas parangonas, de caos benfiquista, mas desoladoramente (para ele) inócuo no conteúdo. Ou talvez não, que o que interessa é vender jornais hoje, amanhã sabe-se lá..."

João Tomaz, in O Benfica

Obrigado, Eterno Capitão

"A vida não me preparou para isso. Estudei durante 15 anos em três instituições diferentes, tive dezenas de professores, assisti a inúmeras palestras, imensas visitas de estudo, e ninguém me ensinou a lidar com o fim da carreira de uma lenda viva do Benfica. O sistema de ensino português ainda tem muito por onde melhorar. Aos 37 anos, o Luisão acabou a carreira. Pessoalmente, discordo da decisão: por mim, o Luisão continuava a jogar até aos 66, que é a idade da reforma em Portugal. Ainda assim, respeito a escolha. É pena, porque até estava a ser interessante este arranque de campeonato do Girafa: mesmo sem jogar, até ao momento contabiliza tantos golos como o Freddy Montero.
O momento mais marcante de Luisão no Benfica sucedeu em 14 de Maio de 2005, por volta das 21h25, no Estádio da Luz. Petit levantou, Luisão penteou, e Ricardo ajudou. Petit, era conhecido como Pitbull, Luisão tinha a alcunha de Girafa e, não querendo ficar de fora deste ciclo animal, Ricardo escolheu vestir a pele de peru. Não há um único Natal onde o peru me saiba tão bem como naquela noite. No dia em que Luisão se estreou pelo Benfica, o João Félix ainda mal sabia andar, o Gedson usava fralda, e o Rúben Dias não sabia ler nem escrever. Não havia Facebook, o PES era melhor do que o FIFA e ainda não existiam os Morangos com Açúcar. Luisão assistiu dentro de campo ao empate no Bessa em 2004, ao golo do Simão em Liverpool, às meias-finais com o Fenerbaçhe, com a Juventus, e ao jogo dos '11 Eusébios' frente ao FCP. É  futebolista mais titulado da história do Benfica, o segundo com mais jogos. O Eterno Capitão pendurou as botas e pendurou-as bem alto, num cacifo aonde mais ninguém há-de chegar."

Pedro Soares, in O Benfica

Obrigado, Luisão!

"14 de Maio de 2005. O Estádio da Luz rebentava pelas costuras. A ansiedade tomava conta dos espíritos. Depois de 11 anos de espera, o Benfica poderia voltar a ser campeão. Do outro lado estava o Sporting, a quem bastava um empate. Este era o jogo decisivo. Da época, da década, e, quem sabe?, até mais do que isso. A 6 minutos do fim, o resultado em branco ameaçava desiludir. Um livre perigoso sobre a esquerda fez renascer a esperança. Petit cruzou para entrada da pequena área, onde Luisão saltou mais alto do que o guarda-redes adversário, cabeceando para a baliza. Matematicamente só oito dias depois, no Bessa, o campeonato seria fechado. Mas aquele foi, na verdade, o golo do título.
Não sei como, apareci uns degraus abaixo do meu lugar na bancada, abraçado a não sei quem. Em mais de 40 anos de benfiquismo, terá sido esse o momento de maior euforia que vivi num estádio. Devo-o a Luisão.
Só por isso, já o central brasileiro ficaria na história. Mas, depois disso, e em mais de 500 jogos de águia ao peito, Luisão conquistou títulos e mais títulos, até se tornar no mais titulado jogador de sempre do Benfica. 6 Campeonatos, 3 Taças, 4 Supertaças e 7 Taças da Liga. 20 títulos no total, aos quais há que acrescentar a presença em duas finais europeias.
A importância de Luisão não se esgota nos números. O seu carisma, a sua autoridade e a capacidade de integrar os mais novos não podem dissociar-se do processo de recuperação do Benfica encetado no início deste século. Luisão é, de facto, um nome para a história, ao lado de outros centrais de sempre como Humberto ou Germano.
Obrigado, Luisão!"

Luís Fialho, in O Benfica

Luisão

"Luisão rima com ambição. Luisão rima com paixão. Luisão rima com dedicação. Luisão rima com devoção. Luisão rima com coração. Luisão rima com integração. Luisão rima com ilusão. Luisão rima com elevação. Luisão rima com abnegação. Luisão rima com aplicação. Luisão rima com missão. Luisão rima com formação. Luisão rima com sensação. Luisão rima com preparação. Luisão rima com compreensão. Luisão rima com intervenção. Luisão rima com convicção. Luisão rima com consolidação. Luisão rima com reputação. Luisão rima com perfeição. Luisão rima com emoção. Luisão rima com supervisão. Luisão rima com fiscalização. Luisão rima com internacionalização. Luisão rima com reestruturação. Luisão rima com inovação. Luisão rima com tradição. Luisão com transmissão. Luisão rima com superação. Luisão rima com inauguração. Luisão rima com alta competição. Luisão rima com criação. Luisão rima com expansão. Luisão rima com direcção. Luisão rima com actuação. Luisão rima com dignificação. Luisão rima com maximização. Luisão rima com organização. Luisão rima com determinação. Luisão rima com recuperação. Luisão rima com aspiração. Luisão rima com transpiração. Luisão rima com razão. Luisão rima com atenção. Luisão rima com concentração. Luisão rima com rectidão. Luisão rima com prestação. Luisão rima com evolução. Luisão rima com fundação. Luisão rima com visão. Luisão rima com maturação. Luisão rima com instituição. Luisão rima com gratidão. Luisão rima com acção. Luisão rima com capitão. Luisão rima, sobretudo, com... campeão!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Sempre na Europa

"Em 2015 tive o privilégio de participar numa conferência integrada no lançamento da Semana europeia do Desporto, em Bruxelas, a convite da ISC Europe e Comissão Europeia, onde apresentei os nossos projectos, em reconhecimento do trabalho inovador e das boas práticas da Fundação Benfica.
Foi uma enorme honra esse destaque dado à Fundação Benfica, já que o único grande clube convidado, mas na verdade muito se passou desde então, e hoje a Fundação tem ainda mais e melhores projectos para mostrar. Por isso continua a colaborar com a Semana Europeia do Desporto promovendo iniciativas junto dos seus diferentes públicos e projectos. Talvez uma das alterações mais significativas desde então deseja na escala actual da nossa acção e no aprofundamento do trabalho junto de grupos específicos como, por exemplo, ao nível do Desporto Adaptado.
Mas se a Fundação tem levado os valores do desporto às escolas por todo o país, das grandes cidades ao interior mais remoto, também tem conseguido estender a sua acção a temas tão importantes como o envelhecimento activo.
É por isso que, apenas 4 anos volvidos sobre o lançamento da Semana Europeia do Desporto, o exercício de olhar para trás põe em evidência a evolução na quantidade e qualidade do trabalho feito pelo Benfica nesta matéria.
Em 2015 pudemos apresentar metodologias inovadoras e resultados que agradaram a uma Comissão Europeia a braços com a necessidade de envolver cada vez mais os jovens na actividade física e desportiva, não só pelos benefícios em matéria de saúde, mas também, crescentemente, pelos benefícios sociais de integração, tolerância e desradicalização.
Hoje, numa Europa envelhecida e sedentária, em que Portugal está no pelotão da frente, o tema do envelhecimento activo assume importância crescente. Por isso o projecto de Walking Football, que iniciámos experimentalmente há dois anos com financiamento comunitário, e que agora se espalha por todo o país, reveste-se da maior importância nacional e europeia.
Por tudo isto, orgulhamo-nos de que o nosso trabalho na Semana Europeia do Desporto vá muito para além da festa e da celebração da data e assumimos com sobriedade o muito e bom trabalho da Fundação Benfica em prol do desporto não competitivo.
Por isso continuaremos a celebrar e a participar anualmente nesta festa do desporto à escala da casa comum europeia, que é precisamente o nosso lugar: o do Portugal e do Benfica, está bem claro!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Jogo grande

"Depois da 'surpresa negativa' chegou a 'surpresa positiva'. Duas enormes equipas.

Breve introdução
O jogo inicia-se com uma hora de atraso devido à surpresa negativa que assolou a cidade de Chaves, o que poderia prejudicar toda a preparação pré-jogo e jogo. Tudo isso não se verificou e de seguida chega a surpresa positiva, e que surpresa, grande jogo, duas enormes equipas a presentear um estádio praticamente repleto.
Logo aos 2' golo do Benfica, Seferovic sai em apoio frontal (arrastamento no espaço de Maras), recebe bola de Grimaldo e de seguida lança na verticalidade e profundidade Cervi (costas de Paulinho), que realiza um cruzamento perfeito para o movimento de fora para dentro de Rafa.
A resposta do Chaves é fantástica, 25' de enorme qualidade, destacando a relação Eustáquio, Ghazaryan e William e a profundidade dos dois laterais, Paulinho e Djavan. E é neste período que dispõe de três excelentes oportunidades de golo (Paulinho na cara de Odysseas e William e Ghazaryan através de lances de bola parada).
Nos últimos 10' o Benfica volta a equilibrar, mas o jogo continua intenso, acima de tudo com muita qualidade nos comportamentos ofensivos das duas equipas.
A segunda parte em termos qualitativos não é tão boa como a primeira, mas em termos de intensidade de duelos, agressividade e emoção, as duas equipas superam-se pelo positiva. O Benfica podia ter feito o segundo golo, num lance em que Seferovic aparece na cara de Ricardo, grande defesa, após uma excelente combinação em corredor, na perfeita relação André Almeida/Rafa. O Chaves chega ao empate num grande momento de Ghazaryan e os últimos 15' são de grande emotividade. Rui Vitória muda para 4x4x2, chega à vantagem através de mais um excelente momento ofensivo mas o Chaves ainda teve forças para chegar ao empate (realço a audácia de Daniel Ramos), num grande lance colectivo finalizado por Ghazaryan (aqui já o Benfica esava reduzido a 10 jogadores).

O momento ofensivo do Benfica
1. Destaco a forma como Seferovic se aproximava em apoio frontal, quer para receber e isolar (com foi o caso do primeiro golo), quer para aclarar espaço, lance do segundo golo de Rafa.
Outro comportamento ofensivo frequente baseava-se na variação longa de corredor, através dos dois médios interiores (Pizzi e Gabriel) para a profundidade de André Almeida e Grimaldo nas constas dos laterais flavienses.

O momento ofensivo do Chaves
2. A relação Eustáquio/Ghazaryan/William. Grande parte do jogo ofensivo do Chaves iniciava-se no pêndulo ofensivo (Eustáquio) com ligação interior nos dois avançados, pois Ghazaryan aproximava-se muito de William, e na profundidade dos dois laterais, Paulinho e Djavan. Frequentemente as jogadas colectivas do Chaves terminavam em jogo exterior (situações de cruzamento).

Destaques
3. Do lado do Chaves, Eustáquio, pelo que jogou e fez jogar, e Ghazaryan pelos dois grandes golos. Por parte do Benfica destaco Rafa, muita mobilidade, jogo interior e exterior e dois golos.
Quero terminar endereçando os parabéns ao Grupo Desportivo de Chaves pelo 69.º aniversário, realçando o desportivismo exemplar dos seus adeptos e do clube, e desejando o maior sucesso desportivo."

Ricardo Soares, in A Bola

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

É impossível parar o vento com as mãos

"A UEFA, obrigada a arrepiar caminho, deu o braço a torcer a anunciou que na próxima temporada o VAR chegará à Liga dos Campeões. Mais uma vez ficou provado que ninguém consegue parar o vento com as mãos e quem escolher ficar do lado errado da histórico acabará por soçobrar. É muito provável que esta decisão já estivesse cozinhada antes da expulsão de Cristiano Ronaldo, em Valência, mas o timing da divulgação teve a ver, certamente, com o castigo envergonhado, agora anunciado, ao capitão da Selecção portuguesa. Faltará a adesão da Premier League à tecnologia de auxílio dos árbitros para se estar perante um pleno que mudará o futebol. Apesar dos defeitos que existem, as vantagens que o VAR trouxe são muito mais relevantes e daqui para a frente e desafio estará em criar melhores videoárbitros, técnicos desta arbitragem especializada que compreendam as ferramentas que têm em mãos e, ao mesmo tempo, possuam a sensibilidade de quem conhece o jogo. Creio que um mau árbitro nunca poderá ser um bom videoárbitro e o que de mais dramático tem acontecido a alguns é que, sem o álibi do erro humano e da falha que ocorreu numa fracção de segundo, vêem destapada toda a sua incompetência.
PS - As más práticas dos adeptos devem ser punidas e os clubes têm de assumir responsabilidades. Dito isto, e apesar de estar prevista, nos regulamentos nacionais e internacionais, a realização de jogos à porta fechada, trata-se de uma decisão contra o futebol, que sem público perde todo o sentido. Quanto aos juízes, que aplicam a lei (e não a fazem), exige-se que não tenham dois pesos e duas medidas..."

José Manuel Delgado, in A Bola

O tempo útil

"Escrevi nesta coluna há poucas semanas, a propósito do tempo útil de jogo que «uns querem que o cronómetro ande rápido, outros vão vendo o tempo passar sem poderem pará-lo». Aqui está um tema interessante, o controlo do «tempo de jogo». De facto, não só nas competições nacionais, como também nas europeias, temos exemplos significativos sobre esta problemática. Não se pense que são só as equipas de menor dimensão que queimam tempo. Todas o fazem, depende do momento do jogo. Ou para pôr gelo na intensidade, ou para que o cronómetro ande mais rápido. O tempo de jogo é dispar entre jogos de uma mesma competição, com diferenças por vezes significativas. Uns com tempo útil entre os 55 e 60 minutos, outros que apenas têm 50 ou menos minutos de jogo efectivo. Estas diferenças devem obrigar-nos a pensar que o equilíbrio da própria competição está em causa, no sentido em que há concorrentes que têm mais tempo de jogo do que outros. uma realidade que não é exclusiva das competições internas, porque nas provas internacionais também se verificam situações semelhantes, sendo contudo de realçar que o tempo útil em competições internacionais é superior ao das nossas competições. Por outro lado, as equipas de arbitragem, em especial o árbitro principal, têm preocupação com o tempo de compensação que em muitos casos é um problema. A isso associa-se a ansiedade dos jogadores, e também de todo a staff. O controlo do tempo deve ser feito pela equipa, mas com a bola em jogo. Todos queremos um jogo de maior qualidade, que não passa só por isto mas também por melhorar a gestão do tempo útil de jogo. Claro que também as equipas jogarem ou treinarem em pisos diferentes merece a atenção de todos nós, como o número de substituições, a calendarização das competições, as diferenças orçamentais e muitas outras questões. É importante que a discussão seja feita e que valorizemos o que melhorar a qualidade do jogo e da competição."

José Couceiro, in A Bola

Derrota em Liverpool

Everton 2 - 0 Benfica B


Muito sinceramente acho que o Benfica deveria repensar a presença nesta competição. Entre o jogo dos sub-23 em Portimão, os Juniores também esta noite, a UEFA Youth League na Terça em Atenas, e a equipa B, ficou difícil fazer um 11 competitivo...
Hoje, sofremos um golo de penalty... e logo a seguir o Everton fez o 2-0... Fomos atrás do prejuízo, mas desperdiçamos as oportunidades...

Luisão, a incompetência dos clubes no «adeus e obrigado»

"O adeus é um sentimento de perda emocional. Nele não entra a estatística, o cabeceamento para o golo, o corte decisivo, o acumulado de troféus e manchetes. No adeus sentido, em jeito de obrigado, só identifico melancolia e abraço.
Os sentimentos, as emoções, o coração acelerado, todos suplantam a mera análise desportiva. Mesmo a que justifica a excelência.
Não acredito num futebol sem heróis e só acredito em heróis bons, dignos, fiéis às causas defendidas.
Luisão é um desses heróis.
Pelo menos no universo benfiquista, do futebol com memória. E não, isto não é um trocadilho com a suposta amnésia do presidente das águias.
Chego aqui para confessar que me faz, sempre fez, confusão este tipo de despedida apressada. Fim ao matrimónio, camas separadas, adeus e obrigado. É óptimo, não foi?
Os 16 anos de águia ao peito justificavam, no mínimo, uma análise cuidada à situação de Luisão no final da época passada. Se era para continuar, então que fosse num quadro de utilidade digna.
Atirar Luisão para quinta opção na hierarquia dos centrais foi um ato de desrespeito e hipocrisia. Por um lado, anuncia-se a renovação do histórico capitão e o presidente fica bem na fotografia. O adepto aplaude, relembra a lei do xerife dentro do balneário, todos ficam felizes.
Por outro, o planeamento desportivo ignora completamente o homem que deu mais de 500 jogos ao Benfica. Inútil, um estorvo.
O desconforto pode ser negado pelas partes, mas é evidente que Luisão não queria uma última época assim. Longe dos convocados, longe do espaço onde foi feliz.
E assim, sem grande surpresa mas com uma sensação de ingratidão suprema, chegamos a Setembro e a separação é oficializada. Num estádio sem adeptos. Isto faz algum sentido?
Os clubes de futebol, não só o Benfica, são irritantemente incompetentes na arte do «adeus e obrigado». Sentem a obrigação de despedir-se dos seus ídolos, mas não sabem como fazê-lo.
Luisão devia ter saído no final da temporada anterior ou, já que renovou, ser levado a sério na presente campanha. Até ao fim. Assim, tudo soa a sorrisos forçados e a um reconhecimento artificial. 
O Girafa, insisto, merecia jogar por uma última vez para as bancadas da Luz. Cheias.

PS: sinto os casos como os de Luisão como meus. Visceralmente. Também eu senti a rejeição repentina ao fim de dez anos num clube. Muito mais pequeno do que o Benfica, mas dono do meu coração. Não é isso, afinal, o que conta?"


PS: Escolhi esta crónica, como podia ter escolhido outra, que nos últimos dias versaram este tema. É inacreditável como estes opinadores de algibeira passam julgamentos, sem o mínimo de ponderação:
- se o Benfica tivesse aberto as bancadas a meio da semana, será que 2 ou 3 mil ou se calhar 5 mil pessoas nas bancadas teriam dado 'bom aspecto' à despedida do Luisão?!
- e será que o Benfica pretende homenagear o Luisão com Estádio cheio, provavelmente no próximo jogo na Luz?!
- e sobre a renovação, não terá sido o jogador a pedir a renovação, e o Benfica, em sinal de respeito, para não contrariar o jogador que tanto deu ao clube, aceitou a renovação, sem promessas de titularidade (respeitando os outros jogadores do plantel)?!!!
- será que a melhor opção teria sido o Benfica, ter recusado a renovação, tal como aconteceu com tantas ex-glórias do Benfica, que acabaram a carreira em clubes menores?!!! Como por exemplo: Eusébio, Coluna, Águas... Nuno Gomes... etc...
É tão fácil ser 'treinador' de teclado...!!!

Paradigmas do futebol moderno

"O futebol exige hoje um aprofundado nível de preparação e conhecimento em diferentes áreas, por parte das equipas técnicas e restante staff, que são componentes essenciais para se tirar o máximo rendimento desportivo. O fenómeno é mais complexo do que olhar apenas para as dimensões da técnica (habilidades dos jogadores) e da táctica (estratégia dos treinadores). Da medicina ao estudo de dados, tudo se trabalha ao pormenor para que a equipa ganhe vantagens competitivas.
Nenhuma equipa consegue ter êxito se não tiver bons executantes. A qualidade é e será sempre um factor primordial na selecção das melhores equipas. Quem tiver jogadores mais habilidosos, mais rápidos, mais fortes nos duelos individuais e mais inteligentes na leitura do jogo, será sempre capaz de criar mais desequilíbrios e ficar próximo de ganhar.
Por seu lado, o papel do treinador é inquestionável. É quem orienta os jogadores com as suas ideias e princípios de jogo e quem consegue fazer com que estes elevem o seu jogo para um patamar superior. Um técnico que consiga fazer com que os seus jogadores rendam mais do que no passado, está a valorizar activos, a gerar novas soluções, futuras mais-valias e a tornar a equipa ainda mais forte. E cada vez mais, as principais equipas europeias procuram timoneiros capazes de trabalhar a matéria-prima com essa excelência.
Por exemplo, Leonardo Jardim, um especialista na detecção de talento e na lapidação de jovens futebolistas de elevado potencial, contribuiu e de que maneira para os mais de 700 milhões de euros que o Mónaco recebeu nos últimos anos em vendas de jogadores. No meio deste processo, conseguiu vencer um campeonato contra o poderoso PSG e manteve sempre o clube no topo do futebol francês, com presenças constantes na Liga dos Campeões. Podíamos também falar em Jorge Jesus e nos vários jogadores de Benfica e Sporting que ajudou a potenciar, em Sérgio Conceição e no reaproveitamento de recursos que orquestrou no ano passado no Dragão ou no olho clínico de Rui Vitória para identificar miúdos da formação com capacidade para singrar na equipa principal das águias.
Hoje em dia, a vertente emocional assume também um papel de relevo. Nenhum clube de topo descura o trabalho das condições psicológicas dos jogadores dentro e fora de campo. Assim poderão lidar melhor com as adversidades em momentos de competição, melhorando o rendimento. Trabalha-se motivação, concentração, autoconfiança e controlo emocional, entre outras competências psicológicas. O trabalho da psicologia no futebol (e no desporto em geral) é hoje uma realidade e surpreende que alguns clubes nacionais não tenham profissionais desta área nos seus quadros.
Mas há mais áreas para as quais o mundo do futebol hoje está atento: algumas delas são da parte física e fisiológica, que abrange a preparação dos jogadores nos treinos, a gestão do esforço e tempos de recuperação, a qualidade do sono e até a nutrição mais adequada. E há que considerar ainda a área de scouting, onde se inserem a avaliação de futuros talentos e a observação minuciosa dos adversários, assim como a análise de dados, desde a estatística dos jogos ao desempenho individual de cada jogador.
O trabalho desenvolvido por uma equipa deve ser rico em aprendizagem e trocas de experiências. Com os inputs de várias áreas de conhecimento, um jogador pode adicionar novas competências. É este exigente trabalho de detalhe que resulta num objectivo global comum. Quando se diz que a sorte dá muito trabalho no futebol, a explicação também passa por aqui.

O Craque – Um jogador marcante
Uma relação com cerca de 15 anos gera laços fortes. E ainda mais tratando-se de um jogador como Luisão, que se foi tornando uma figura carismática e um líder de balneário no Benfica. A carreira do central brasileiro chega agora ao fim. Foram 538 jogos (muitos deles com a braçadeira de capitão), 47 golos e 20 títulos conquistados ao serviço dos encarnados, números que estão, nos dias de hoje, ao alcance de poucos e que farão dele uma inquestionável glória da história recente do Benfica. Foi um jogador marcante nas últimas décadas do futebol português.

A Jogada – Boas impressões do Wolves
O Wolverhampton, de Nuno Espírito Santo e mais 7 jogadores portugueses, regressou à Premier League e podemos dizer que as coisas têm corrido bem. Em 6 jornadas, a equipa perdeu apenas por uma vez e conseguiu empatar com o Manchester City de Pep Guardiola e o Manchester United de José Mourinho, os dois primeiros classificados da época anterior. Testes de fogo superados que parecem confirmar a competitividade na maior liga do mundo. Ainda falta muito para se ver até onde a armada lusa do Wolves pode chegar, mas a primeira impressão é positiva.

A Dúvida – Pouco Gelson em Espanha
Depois do conturbado processo de saída do Sporting, Gelson Martins optou pelo Atlético de Madrid para dar continuidade à carreira. O internacional português considerou que as ideias de Diego Simeone potenciavam a sua forma de jogar, mas o arranque da experiência na liga espanhola está longe de ser o desejado. Somando apenas 57 minutos de utilização, resultantes de 3 vezes em que foi suplente utilizado, esta escassez de tempo de jogo começa a gerar alguma surpresa. Ainda em período de ambientação ao clube ou a exigência de Diego Simeone pede mais ao futebol do avançado?"

Modric e a crónica de uma distinção justa

" “Cristiano leva estas coisas muito a sério”, disse Luka Modric, a propósito de o atacante da Juventus, ex-colega do croata no Real Madrid, não ter estado presente na cerimónia de atribuição dos prémios The Best.
Se calhar, leva. E, se calhar, não devia levar. Convenhamos que existe logo uma parcela de incoerência na ideia do prémio, em si, que faz com que estas hierarquias possam não ser muito lógicas e de rápida assimilação. Numa modalidade colectiva, nunca será plenamente objectiva a forma como se distingue um jogador dos outros.
Uns, para estabelecer comparações que não são comparáveis, vão atirar as estatísticas mais baratas, como assistências e golos, que até já são medidas na Bota d’Ouro. Sendo honestos, como o fomos na altura em que torcíamos para que Iniesta ou Xavi fossem consagrados no seu devido tempo, não será preciso propriamente socorrermo-nos de um dado estatístico para para avaliar a destreza de um centrocampista que segura toda a equipa e que é mais determinante que os outros. A consistência como alguém entende a dinâmica do jogo, se posiciona, gira sob pressão e soluciona problemas que não são traduzíveis, assim de repente, em números de passes curtos acertados ou assistências, pode ser tão ou mais importante quanto o número de golos de um avançado. São tarefas distintas, todas elas necessárias.
Mas se quisermos falar de golos, Giroud faz facilmente de advogado do diabo, como fez Guivarc’h há vinte anos: tinham praticamente a folha em branco nas selecções gaulesas campeãs do mundo e foram importantes, à sua medida no apoio e no desgaste, nas respectivas campanhas triunfantes. Como estamos todos mergulhados no oceano da subjectividade, teremos sempre quem queira valorizar mais um elemento do que outro. E acho que ainda dá para admirar todos eles, pelo menos eu tento.
Posto isto, à Michelle da 'Resistance', 'listen very carefully because I shall say zis only once', que é como quem diz: vou dar os meus elementos e fechar este assunto até ao próximo ano. Se tem de haver um prémio, gosto da ideia de o atribuir a Luka Modric como melhor jogador entre 3 de Julho de 2017 e 15 de Julho de 2018, o segmento temporal que está estabelecido para distinguir o melhor jogador da FIFA.
Como esse espaço temporal inclui o dia da final de Moscovo, naturalmente o desempenho no Mundial tem relevo no “desempate”. E tem ainda mais relevo porque é a maior prova da modalidade e porque ela é mais especial, pois acontece de quatro em quatro anos. Faz sentido que, daqui a um tempo, olhando para trás, a cronologia bata certo com os maiores heróis das provas mais sensacionais. Se houver alguma utilidade neste tipo de prémios, é exactamente para o estabelecimento dessas marcas históricas.
Modric foi finalista vencido, mas foi, provavelmente, o futebolista mais completo e o que teve mais impacto na prova. Peço desculpa por não conseguir trazer ‘print screens’ com dados estatísticos que reforcem isso, mas quem quiser observar o futebol de forma mais integral e não por resumos de dois minutos onde cabem todo o amontoado de golos e assistências, reconhece que o homem se agigantou e jogou barbaridades, carregando a Croácia às costas. A Croácia…
Mas Griezmann e Mbappé também não foram excepcionais? Foram. Griezmann começou a crescer com Diego Costa na segunda volta pelo Atlético, ganhou a Liga Europa e, no Mundial, foi fulcral na ligação da equipa de Deschamps. Mais fulcral até que o beep-beep do PSG. E não esqueçamos Varane, com essa particularidade de que não só ter sido campeão mundial de selecções, como também campeão europeu de clubes na equipa de Modric e de Cristiano.
A razão pela qual excluo Varane das minhas escolhas para ser eleito número 1 é pela tal categoria subjectiva que me assiste, de poder valorizar quem melhor se relaciona bom a bola, de quem comanda graças ao controlo. Quero dar valor a isso. Naturalmente falamos da eleição de um intérprete singular numa modalidade colectiva e aí admito que este troféu deva obedecer aos êxitos de clubes e selecções (a Croácia não foi campeã mundial, mas não deixou de ter muito êxito…).
Para além disso, um compromisso deve ser feito com o estilo, a classe e a técnica do jogador, que faz aquilo que mais nos surpreende. E aí talvez Luka Modric tenha sido o jogador que, na temporada de 2017/18, melhor tenha conseguido esse equilíbrio de factores colectivos e individuais, com especial peso para o Mundial esmagador que protagonizou, lembrando como suportou igualmente o meio-campo do Real Madrid na Champions para que, por exemplo, e sem tirar o valor aos remates do monstro do Funchal, também Cristiano pudesse marcar uma quantia significativa de golos. Pobre Modric, que não consegue explicar às pessoas como se governa um meio-campo não tendo volume de golos e de assistências para estampar nas redes sociais.
Devemos lembrar que nos reportamos ao desempenho da época desportiva, na qual Leo Messi conquistou uma dobradinha pelo Barça. Os blaugranas não foram longe na Champions e os argentinos, tal como os portugueses, não foram longe na Rússia. Messi é o jogador mais fabuloso da atualidade, mas não é essa categoria que é pedida na eleição do The Best 2018.
Houve um jogador especial que facilmente veria com justiça no pódio: Kevin de Bruyne. Ao longo da época, foi o mais regular na quantidade de exibições fora-de-série, com a camisola do Manchester City. O belga contribuiu excepcionalmente numa época em que os Citizens foram campeões ingleses com 100 pontos (!) e com recurso a um jogo deslumbrante, que fica na memória e não se esquece. Perde e ganha para Salah em um outro aspecto, ganha e perde para Modric noutro, nomeadamente no facto de ter feito um Mundial menos fulgurante que o craque de Zadar. De Bruyne não foi campeão europeu de clubes como foi Modric, e até foi eliminado por Salah nessa Champions, mas vencer a Premier League com 100 pontos e a jogar com aquele nível de precisão nas acções mais impossíveis, torna-se inesquecível. Hazard foi o mais frenético driblador do Mundial e tem sido o mais estrondoso da Europa neste arranque oficial de temporada, mas a última época de Conte no Chelsea trouxe dificuldades aos Blues.
Daqui a uns anos, vamos olhar para esta época 2017/18 sob vários tópicos. Foi a temporada do deslumbrante Manchester City, da consagração do Real Madrid como tri-campeão europeu e sobretudo do Mundial ganho pela França, torneio onde Modric foi esmagador. O croata foi o que melhor agregou os desempenhos mais memoráveis nos eventos mais especiais e, no meio dos comentários e análises que se fizeram à atribuição do The Best, confesso a minha estranheza com um argumento disparatado que cheguei a ouvir. Sugeria-se que Modric só ganhou e que Cristiano só perdeu este prémio pelo facto de o croata ser jogador do Real Madrid e de Cristiano já ter deixado o emblema de Chamartín, esse que, de acordo com as teorias mais ou menos conspirativas, manipula tudo com a sua máquina política e mediática. Isto é uma tese tão pueril que nem se dá conta que anula o mérito assombroso do CR7 quando foi eleito nos anos anteriores com… o Real Madrid.
Outro argumento pobre que fui ouvindo é o de que não faz sentido Modric ser distinguido porque Iniesta e Xavi não o foram, por exemplo em 2010. Para já, há um painel composto por antigas figuras do futebol que funciona como júri. Não é a FIFA que determina o vencedor de forma automática. Por outro lado, se se admite que Iniesta, Xavi ou até Sneijder teriam tido mais relevo naquele ano do que Messi, e que essa “falha” até pode ser vista como um erro histórico no rol de vencedores da Bola d’Ouro, acho que é bem melhor não voltar a cometer outro erro histórico.
Realça-se a primeira vez em que um jogador de um território pertencente à ex-Jugoslávia foi eleito como melhor da Europa/Mundo. Dzajic (1968), Savicevic (91), Pancev (91), Mijatovic (97) e Suker (98), estes dois na condição de ‘blancos’, estiveram nos pódios das votações finais nos seus respectivos anos, mas não tiveram a distinção máxima. Durante a cerimónia de entrega dos prémios, Modric teve palavras de reconhecimento a Boban, seu ídolo no crescimento futebolístico e a verdade é que o centrocampista do Real Madrid é, hoje, a maior figura de uma nação futebolística que já celebrou muitas proezas graças ao talento absurdo de Prosinecki.
Teria gostado de ver Guardiola entre os três finalistas do prémio de melhor treinador em vez de Dalic. Aliás, acho que a FIFA poderia pensar em segmentar futuramente o melhor treinador e o melhor selecionador. As outras categorias já não são muito fáceis de meter no mesmo saco, quanto mais esta. Quanto ao prémio Puskás, a bicicleta explosiva de Cristiano em Turim teria tido o meu voto, mas a partir do momento em que a eleição passa pela votação da "malta" na net, compreende-se facilmente que a comunidade árabe e todos os adeptos do Liverpool espalhados pelo mundo também tenham torcido por Salah.
Mas fica a dica de Modric: não levar isto tão a sério. O melhor, mesmo, é abrir os horizontes para apreciar tudo."

Com o que nós pagamos, merecíamos outra Justiça

"A Justiça portuguesa merece uma séria reflexão

Existirem juízes a acharem que uma mulher inconsciente está a seduzir os agressores que a violaram, não só é triste e ridículo, como é também um retrato fiel da justiça portuguesa. Presa no tempo, a cheirar a mofo, com computadores velhos e gente com aspecto cinzento a vaguear (vestidos com o uniforme de Hogwarts) pelos corredores dos tribunais.
Uma Justiça onde os juízes têm poder a mais, onde as secretarias dos tribunais fecham às 16 horas, onde as escolas de Direito têm formalismos pacóvios e idiotas (pelo menos aos olhos de quem tenha menos de 95 anos) e onde os tribunais demoram séculos a tomar decisões, mas dão-se ao luxo de fecharem um mês e meio no verão (claro está) para “férias judiciais”.
Um juiz em início de carreira ganha, vencimento bruto, praticamente 2250€ euros por mês, ao que temos de juntar o “subsídio de compensação” de 1224€, o que no total dá 3467€. Este valor vai subindo com as responsabilidades e também com os anos de serviço, em muitos casos aumentado ainda por “despesas de representação”. No tecto da carreira, um juiz chega a ganhar valores que variam entre os 6000€ e os 9000€, consoante o tribunal e as suas funções.
O que nós contribuintes pagamos aos nossos juízes e funcionários judiciais deveria chegar para estes fazerem aquilo que qualquer funcionário em qualquer empresa privada que pague estes valores faz: trabalhar de sol a sol, de noite em noite, de fim de semana em fim de semana, até que não haja um único processo pendente. “Primeiro a obrigação e depois a devoção”, foram estes os valores que sempre me ensinaram em casa e foram esses os valores que sempre transportei para o trabalho.
A Justiça portuguesa merece uma séria reflexão. O problema é que esta reflexão tem que ser feita de fora para dentro e não de dentro para fora, como invariavelmente se faz. Este é um problema da sociedade e que afecta directa ou indirectamente todos os portugueses e não apenas aqueles que trabalham no mundo da justiça.
Ou seja, por outras palavras, a quem trabalha na Justiça até pode interessar que as coisas continuem como estão – porque no final do dia quem se vai lixar não são eles, vamos ser nós, contribuintes normais e reles “utentes” dos nossos serviços de Justiça, a continuar a pagar a factura dos atrasos e incompetência do nosso sistema jurídico.
Está na hora dos partidos políticos (pelo menos os moderados) fazerem um verdadeiro pacto de regime sobre a Justiça. É preciso fazer uma limpeza e é preciso que esta limpeza comece já."

Allianz CUP, o modelo de negócio, por trás do modelo competitivo

"O que a Liga Portugal fez em termos financeiros e retorno mediático pode e deve ser medido através de números concretos.

Este é um bom exemplo de centralização dos direitos televisivos e comerciais, sobre a alçada de gestão directa da Liga Portugal. A única competição que tem estes moldes em Portugal. O que a Liga Portugal fez em termos financeiros e retorno mediático pode e deve ser medido através de números concretos.
Por onde se começou a trabalhar? Pelo produto, através da reformulação do modelo competitivo e a criação de uma Final Four – uma semana de festa dedicada ao futebol, ao desporto e ao município onde se integra.
Não podemos ignorar os números – cerca de 100.000 pessoas, que passaram pela Fan Zone de Braga, 52.273 espectadores no estádio, e um evento que passou a ser um dos líderes, no que concerne ao retorno mediático de eventos a nível nacional, com 95 milhões de "advertising value equivalency" e 4 milhões de impressões resultantes apenas da actividade de promoção e comunicação da Liga Portugal durante uma semana.
Uma renovação de parceria que gerou maior retorno para o futebol profissional, maior visibilidade para as sociedades desportivas e fez renascer a paixão dos adeptos por esta competição.
Este é assim um modelo de excepção de retorno para as marcas que se juntam à Liga Portugal, potenciando, além da sua visibilidade, as activações e o "engagement" que podem realizar junto das suas audiências, como a ligação à comunidade durante uma semana única de festa. A próxima está já marcada de dia 19 a 26 de Janeiro, em Braga."

Nunca excluam Berlusconi

"O antigo PM italiano e, para o que nos interessa, ex-presidente do AC Milan, está de volta ao futebol. Comprou o modesto Monza, que pretende fazer subir, subir e subir até ao topo O antigo chefe do governo italiano Silvio Berlusconi, presidente do AC Milan durante 31 anos, regressou ao futebol através da aquisição do Monza, do terceiro escalão, pela sua ‘holding’ Fininvest, foi hoje anunciado.
“A Fininvest S.p.A. concluiu hoje a aquisição de 100% das acções do clube SS Monza 1912”, refere em comunicado a ‘holding’, que acrescenta que Adriano Galliani, braço direito de Silvio Berlusconi no AC Milan, foi nomeado director administrativo do clube.
Menos de 18 meses após vender o AC Milan, a ‘holding’ familiar de Berlusconi, a Fininvest, adquiriu o Monza, da Série C, através de um acordo que vale entre 2,5 e 3 milhões de euros.
Berlusconi, de 81 anos, três vezes primeiro-ministro italiano, vendeu o AC Milan a um consórcio chinês, em Abril de 2017, por cerca de 740 milhões de euros, após ter conquistado 29 troféus em 31 anos.
O fundo norte-americano Elliott Management assumiu o controlo do AC Milão há dois meses, depois de os proprietários chineses terem falhado o prazo para pagar parte do empréstimo.
Os novos proprietários do Monza tencionam levar o clube, líder do grupo B da Série C, com três vitórias, para a Série A, o que a acontecer será a primeira vez nos seus 106 anos de história."

Diplomacia desportiva: como o desporto tem o poder de mudar o mundo

" “O desporto tem o poder de mudar o Mundo” - Nelson Mandela, um dos maiores líderes políticos do final do séc. XX, assumiu desta forma clara a relevância do desporto na cena política internacional.
Os exemplos das manifestações de atletas contra o racismo nos Jogos Olímpicos do México em 1968 ou, muito recentemente, da aproximação das Coreias nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, comprovam esta capacidade de, através da diplomacia desportiva, se alcançarem resultados impensáveis noutros domínios.
A sã convivência, no plano desportivo, de atletas de nações em conflito, são exemplos para o Mundo, felizmente exponenciados pelo impacto mediático do desporto. O desporto, como actividade social, não difere das restantes no que diz respeito à necessária compatibilização de regras nacionais e internacionais, tendo de estar pronto para a globalização e a competitividade, designadamente entre diferentes modalidades desportivas. Disso mesmo é exemplo a disputa por um lugar entre as modalidades olímpicas, que ciclicamente vemos acontecer.
Esta questão assume vertentes distintas, sendo naturalmente uma delas a competição em termos internacionais e, em função da mesma, a sua organização internacional, resultante da associação das federações nacionais em federações internacionais ou europeias, no caso português.
A presença de um país na cena internacional faz-se com a presença nas grandes organizações internacionais, comprovando uma vontade expressa de compromisso do país perante a mesma. Por maioria de razão, também a presença activa em federações continentais ou mundiais comprova a forma como cada país está comprometido com a evolução das modalidades desportivas.
Assim, não surpreende que as grandes organizações internacionais desportivas tenham dirigentes com longa tradição nas modalidades e uma presença assídua nas reuniões internacionais, permitindo um conjunto de relações que os levam a ser eleitos para os cargos mais relevantes das mesmas.
É também este o objectivo de qualquer federação portuguesa ou do Comité Olímpico de Portugal em termos europeus ou internacionais. Assim, recentemente conseguimos eleger três membros para órgãos do Comité Olímpico Internacional ou dos Comités Olímpicos Europeus – e só agora temos, pela primeira vez em décadas, a Presidência de uma Comissão dos Comités Europeus, ao fim de cinco anos de mandato nacional. Mas é um facto que, ainda assim, existe um bom número de dirigentes desportivos nacionais em federações internacionais.
Este dado, que é determinante e reconhecido por todos os que participam no movimento desportivo e olímpico internacional, deve ser tomado em linha de conta numa reflexão sobre a limitação de mandatos nas federações desportivas nacionais, que naturalmente limita também a capacidade de influenciar, de poder estar nos centros de decisão internacionais das modalidades, colocando-nos numa posição de inferioridade em relação às federações desportivas de outros países.
Assim, não se mudando o Mundo, podemos fazer com que os objectivos estratégicos das organizações desportivas nacionais possam mais facilmente estar em consonância com os internacionais."

Youth Olympic Games (YOG): Buenos Aires – 2018

"Os Jogos Olímpicos da Juventude foram criados por iniciativa de Jacques Rogge, antigo Presidente do Comité Olímpico Internacional, a exemplo do que já tinha acontecido com as Jornadas Olímpicas da Juventude Europeia, quando exercia o cargo de Presidente dos Comités Olímpicos Europeus. Após a aceitação oficial da proposta de JR, o projecto dos YOG foi aprovado no plenário da 119ª Assembleia Geral do International Olympic Committee (IOC), efectuada em 2007 na cidade de Guatemala. Este evento desportivo internacional destinado aos jovens (entre os 15 e os 18 anos), de ambos os sexos, que se encontram no percurso da alta competição, procura incutir nos jovens desportistas uma filosofia de vida em que o desporto deve ser entendido como um meio de valorização pessoal, através do desenvolvimento das suas qualidades motoras e intelectuais, na participação na competição duma forma esforçada, leal e fraterna e na promoção e defesa dos valores do olimpismo. Em consonância com esta decisão, os primeiros Youth Olimpic Games (YOG) foram marcados para a cidade de Singapura em 2010.
Os jogos realizam-se nos meses de Verão (férias escolares) de quatro em quatro anos, intercalados com os YOG de Inverno, tal como acontece nos tradicionais Jogos Olímpicos. Têm um conceito único, não são uns mini jogos olímpicos, mas sim um evento multi-desportivo (10 a 12 dias de duração), secundado por imensas actividades extra desportivas, integradas num inovador programa educativo e cultural apropriado a este escalão etário. Competição, Aprendizagem e Partilha são três palavras chaves que traduzem a intenção da inclusão de outras modalidades desportivas no programa desportivo, introduzir novos modelos competitivos que ao serem experimentados poderão, por sua vez, ser aproveitados por outras modalidades desportivas.
Não devem ser construídas novas instalações desportivas. O conceito de desenvolvimento sustentável defendido pelo movimento olímpico diz-nos que é preciso enquadrar as diversas competições desportivas em instalações apropriadas às respectivas modalidades, sem cair em exigências de carácter especializado ou refinado ao nível da alta competição. O número de desportistas participantes está limitado a 3.800 atletas, nos jogos de Verão (204 países) e 1.100 nos de Inverno (entre 70 e 80 nações). Atendendo a que um evento desportivo desta natureza não atrai os grandes patrocinadores internacionais, foi decidido que as despesas de organização deste evento seriam suportadas, em conjunto, pelo Comité Olímpico Internacional e pela cidade responsável pela organização dos YOG.
Enquanto membro da Comissão das Jornadas Olímpicas da Juventude Europeia dos Comités Olímpicos Europeus (1997 a 2002), participámos em diversas reuniões nas quais tivemos a oportunidade de sugerir que após a consolidação das JOJE (actual Festival Olímpico da Juventude Europeia) com bons resultados, o Comité Olímpico Internacional deveria procurar implementar uma actividade semelhante nas outras regiões continentais. Entendíamos e continuamos a pensar que esta etapa era de fundamental importância no desenvolvimento do movimento olímpico internacional, na educação olímpica dos jovens desportistas dos diferentes continentes e de promoção do espírito olímpico, como se estava a processar a nível europeu.
Quando o Comité Olímpico Internacional decidiu organizar os primeiros Jogos Olímpicos, em 2010, em Singapura, percebemos a intenção de Jacques Rogge que, no momento da sua saída da Presidencia do IOC, gostaria de o fazer pela porta grande. Assim, nada melhor que deixar como herança olímpica a criação dos YOG à juventude olímpica mundial. Julgamos que a estratégia de Jacques Rogge foi bem delineada, embora sintamos que à maioria dos continentes ainda faltava percorrer uma etapa fundamental, a organização dos Festivais Olimpicos da Juventude nas suas respectivas regiões.
Entretanto, no continente africano a Associação dos Comités Nacionais Olímpicos Africanos organizou, em 2010, os 1ºs Jogos African Youth Games (AYG) na cidade de Rabat (Marrocos) com a participação de 1008 atletas, de 40 países em 16 desportos. Os segundos jogos tiveram lugar em 2014, na cidade de Gaborone (Botswana) com a presença de 2.500 jovens praticantes, de 54 nações em 20 modalidades desportivas e os 3ºs AYG efectuaram-se recentemente (19 a 28 de Julho de 2018), na cidade de Algiers (Argélia), com a participação de 3.098 atletas, de 54 países em 35 desportos. O facto, destes jogos africanos se terem realizado pouco tempo antes dos YOG, significa que os mesmos tiveram como principal objectivo o apuramento dos representantes africanos para as edições anteriores dos Jogos Olímpicos da Juventude (Singapura e Nanjing) e, agora, para os de Buenos Aires-2018.
Na América do Sul, os 1ºs Jogos Sul-Americanos da Juventude foram organizados pela Organizacion Deportiva Suramericana (ODESUR), na cidade de Lima (Perú), de 20 a 29 de Setembro de 2013, com a participação de 1.200 atletas, de 14 países em 19 desportos. Os segundos efectuaram-se em Santiago (Chile), entre 29 de Setembro e 8 de Outubro de 2017, com a presença de 1.279 desportistas, de 14 nações em 20 modalidades desportivas. Os próximos jogos estão previstos para a cidade de Rosário (Argentina) em 2021. A ODESUR teve o cuidado de organizar os Jogos Sul-Americanos da Juventude nos anos anteriores ao dos Jogos Olímpicos da Juventude o que demonstra que as suas organizações têm objectivos distintos do que o simples apuramento dos seus representantes.
Os Asian Youth Games (AYG) foram organizados pelo Olympic Council of Asia (OCA) e tiveram o seu início em 2009, na cidade de Singapura (Singapura), de 29 de Junho a 7 de Julho, com a participação de 1.237 atletas de 43 nações e abrangeram 9 modalidades desportivas. Os segundos AYG foram efectuados em 2013 na cidade de Nanjing (China), de 16 a 24 de Agosto, com a presença de 2.404 atletas, de 45 países, em 16 desportos. Como se pode verificar estes dois eventos funcionaram como testes experimentais às organizações, nos anos seguintes (2010 e 2014) dos Jogos Olímpicos da Juventude, realizados nas mesmas cidades do continente asiático.
Na Oceania, a obsessão de privilegiar o apuramento dos seus atletas é muito semelhante ao que a maioria das federações internacionais fazem. Nesta situação, organizaram torneios de apuramento por modalidade, em diferentes locais e datas, de acordo com a implantação da modalidade, no período de férias do verão.
Numa rápida retrospectiva histórica verificamos que os primeiros Jogos Olímpicos da Juventude foram realizados na cidade de Singapura (Singapura), de 14 a 26 de Agosto de 2010, com a participação de 3.524 atletas em representação de 204 nações, abrangendo 26 desportos. Os 2ºs jogos foram efectuados em Nanjing (China), entre 16 e 28 de Agosto de 2014, frequentados por 3.579 desportistas de 203 países e envolveram 28 modalidades desportivas.
No que diz respeito aos Jogos de Inverno, os 1ºs tiveram lugar na cidade de Innsbruck (Austria), de 13 a 22 de Janeiro de 2012, com a presença de 1.059 atletas, de 69 nações e envolveram 7 desportos de inverno. Os 2ºs realizaram-se na cidade de Lillehammer (Noruega), de 12 a 21 de Fevereiro de 2016, com a participação de 1.100 atletas em representação de 71 países, abrangendo 7 desportos. Os 3ºs estão previstos para 2020, na cidade de Lausanne (Suiça), no período de 9 a 22 de Janeiro, abrangendo 8 desportos de Inverno. Aqui, o sistema de rotatividade dos eventos não tem funcionado na medida em que os dois primeiros YOG tiveram lugar no continente asiático e, no que diz respeito aos YOG de inverno, os dois primeiros realizaram-se na Europa e o próximo também tem destino europeu.
Dentro de dias (6 a 18 de Outubro) temos os 3ºs Jogos Olímpicos da Juventude (YOG), na cidade de Buenos Aires (Argentina), com a participação de cerca de 3.500 jovens desportistas (entre os 15 e os 18 anos) , em representação de 203 nações, distribuídos pelas 32 modalidades do programa: andebol de praia, atletismo, badminton, basquetebol, boxe, canoagem, ciclismo, dança desportiva, equestre, escalada, esgrima, futebol, ginástica, golfe, halterofilismo, hóquei, judo, karaté, lutas amadoras, natação, patinagem de velocidade, pentatlo moderno, remo, rugby de sete, saltos para a água, taekwondo, ténis, ténis de mesa, tiro, tiro com arco, triatlo, e vela.
A Argentina é um país que está a atravessar uma enorme crise financeira. Esta semana o peso argentino acumulou uma desvalorização histórica frente ao dólar. A desvalorização acelerada da moeda argentina já atingiu este ano os 50%. A previsão é de mais inflação. Assim, o cenário a curto prazo não é promissor. Por essa razão, não se vai efectuar a tradicional Cerimónia de Abertura contributo importante para a redução das despesas da responsabilidade da cidade de Buenos Aires. Embora esta organização não tenha os encargos previstos com os tradicionais Jogos Olímpicos, existem despesas fixas com a logística do evento que não se podem evitar. Esperamos que a realização deste evento não agrave a situação financeira da capital argentina, evitando-se assim a repetição do que se passou nos últimos Jogos Olímpicos com a cidade do Rio de Janeiro."