Últimas indefectivações

sábado, 23 de novembro de 2019

Vitória no derby...


Sporting 2 - 3 Benfica
22-25, 25-22, 25-17, 23-25, 16-18

Gaspar(19), Rapha(15), Japa(8), Wolfhi(6), Zelão(5), Lopes(5), Honoré(4), Théo(4), Pinheiro(3), Violas(1), Guerreiro(dnp), Sinfrónio(dnp); Casas, Simões(dnp)

Nem a roubar!!!
No meio dos jogos decisivos na Champions, primeiro derby da época em Alvalixo, num jogo onde cometemos muitos erros, mas no momento decisivo, quando a vitória parecia impossível (11-6 no 5.º Set), fomos buscar forças onde parecia já não existir, e vencemos... Mesmo com uma quantidade enorme de erros de arbitragem no 5.º Set: pelo menos 3 pontos invertidos!!!
Amanhã temos novo jogo, desta vez com o Castêlo na Luz e a meio da semana vamos à Croácia... destaque ainda para o regresso do Rapha.

PS1: Grande vitória das nossas meninas do Hóquei, 5-1 ao Voltregá, actual campeão europeu, na 2.ª jornada do grupo A da Liga Europeia...

PS2: Parabéns à nossa nadadora, Diana Durões, pelo novo recorde nacional dos 1500m livres, com 15m55s19, melhorando em 3s a sua própria marca.

Vitória no Barreiro...

Galitos 83 - 94 Benfica
22-25, 17-24, 19-28, 25-17

Vitória relativamente fácil, com um 4.º período com demasiada descompressão...
Destaque para a estreia do Ireland...

Derrota...

Benfica 2 - 3 Rio Ave


Primeira derrota no Seixal, num jogo um pouco diferente: fizemos algumas alterações a pensar no jogo da Youth League na Quarta em Leipzig e jogámos contra uma das equipas que melhor joga na Liga Revelação... A 1.ª parte até foi interessante de se ver, com um jogo de parada e resposta, mas o 2.º tempo foi mais enfadonho!
Não fizemos um bom jogo, principalmente defensivamente, a adaptação do Nóbrega ao lado direito não deu resultado... e o Ronaldo encostado à direita, também não deu resultado, nem em ataque, nem defensivamente!
Apesar de todas estas variáveis, o jogo acabou por ser decidido, mais uma vez, pelos a equipa de arbitragem: o 2.º golo do Rio Ave é precedido de fora-de-jogo, e no 3.º golo existe uma falta clara (bloqueio sobre o nosso defesa), isto depois da expulsão do Nóbrega, numa jogada onde não existe falta, e se existisse teria sido fora da área (por acaso o Celton defendeu o penálti!!!)

Facilidades? É melhor não

"É preciso recuar até 2006 para vermos o SL Benfica jogado para fora da Taça de Portugal por uma equipa de escalão inferior: à altura, o Varzim SC militava no secundo escalão e dinamitou as tropas de Fernando Santos, com o auxílio do angolano Mendonça e de um auto-golo de Nélson.
Ainda longe do Benfica moderno, aquela equipa viu-se surpreendida por um outsider sem muitas esperanças de sucesso. Treze anos depois, a viagem é até concelho próximo e as discrepâncias qualitativas e quantitativas dos factores técnicos e financeiros são semelhantes, e este FC Vizela tem nível de Segunda Liga.
Em primeiro na série A do Campeonato de Portugal, com nove vitórias em onze jogos, o Vizela tenta novamente a subida ao segundo escalão, numa tarefa que se tem tornado hercúlea nos últimos dois anos, com o UD Vilafranquense SAD a surgir no caminho dos minhotos no play-off e a acabar com as suas esperanças consecutivamente.
Em 2020 espera-se então que, como diz o ditado, à terceira seja de vez e o clube alcance outros patamares competitivos. Ainda assim, o Benfica estará preparado para todas as ambições minhotas dentro de campo, tornando-se o exemplo de 2006 como uma lição bem aprendida.
O Benfica actual tem sido competente internamente. Ainda que ocasionais eliminações às mãos de Vitória SC, Leixões SC ou Rio Ave FC tenham acontecido na última década, uma hecatombe como a “Gondomarada” de 2002-03 foi a última vez que uma equipa do terceiro escalão se conseguiu impor. Ainda assim, é importante não facilitar com a natural rotação que acontece nestas fases precoces.
A eliminatória é uma oportunidade para dar importantes minutos a membros válidos da trupe como De Tomás, Jota ou Samaris, surgindo igualmente como bom ensaio para a final de Leipzig e Bruno Lage sabe-o, apesar do natural distanciamento que lhe é obrigatório: «É tudo uma questão de oportunidade. Veja a questão de outra maneira: quantos minutos tinha o Félix no ano passado nesta altura do campeonato? E depois fez a segunda volta que fez. Temos de olhar sempre para os dois lados da moeda. Você está a ver a perspectiva do Jota, eu estou a ver a perspectiva de 26 mais três guarda-redes, 29 homens que tenho de controlar», disse na conferência de antevisão ao encontro, sem não deixar de assegurar toda a confiança na pérola que esteve em destaque nos sub-21 portugueses; «O Jota tem respondido nas oportunidades que tem tido, curiosamente fora dos jogos no Estádio da Luz. São as prestações que tenho gostado mais e já lho disse. Quando tiver uma nova oportunidade é confirmar todo o valor dele, pois temos enorme confiança nele».
Em Vizela, reina por estes dias um espírito de festa natural para quem recebe o campeão nacional. Álvaro Pacheco, treinador e porta-voz de todos os vizelenses, afirma que «a Taça é uma festa e queremos continuar na festa», demonstrando a responsabilidade natural de quem tem esperanças num dia difícil mas… marcante: «Amanhã [sábado] temos uma oportunidade para fazer história. Acima de tudo, temos de ter prazer naquilo que gostamos de fazer, que é jogar».
A cidade anima-se por estes dias, numa oportunidade de ouro para esmiuçar a bilheteira e arrecadar quantia significativa, com a lotação de 6000 lugares praticamente esgotada, na primeira recepção minhota a um dos grandes no seu estádio. Na visita anterior do Benfica à casa vizelense, em 1984-85, o clube foi obrigado a jogar em relvado emprestado pelo vizinho Vitória Sport Clube, tornando o embate deste Sábado (20h45) ainda mais especial para os fãs de futebol da região.
Para chegar a esta fase da competição, o Vizela despachou o FC Pedras Rubras (0-3), atropelou o GD Fontinhas (6-1) e causou choque em Pina Manique com a vitória sobre o Casa Pia AC (1-3), numa temporada em que ainda só conheceram o sabor da derrota por uma vez contra o Vitória Sport Clube ‘B’, a contar para o Campeonato de Portugal.
Assumem-se como uma equipa altamente ofensiva, 37 golos em 14 jogos (2,6 de média), no que pode ser um sinal agradável de uma abordagem atrevida ao jogo, tornando-se num bom espectáculo. Alioune Fall e Kiko Bondoso assumem-se como grandes marcadores (seis golos cada), mas por estes dias é Diogo Ribeiro (sete golos) quem se destaca como grande joker da formação nortenha.
No lado encarnado, há novidades na convocatória com a poupança de Rúben Dias e os regressos de Conti e Samaris: Vlachodimos, Zlobin, Ferro, Nuno Tavares, Conti, Tomás Tavares, Grimaldo, Jardel, André Almeida, Caio Lucas, Cervi, Chiquinho, Pizzi, Gabriel, Samaris, Florentino, Gedson, Carlos Vinicius, Raul de Tomas e Jota.
Em dia de final de Libertadores, as atenções dos benfiquistas centram-se a norte, em noite de festa para a pitoresca cidade de Vizela. A prova rainha tem, realmente, um outro encanto."

Uma Semana do Melhor... com o Lapão

A semana de todos os perigos

"Benfica deve ter consciência da importância dos quatro jogos que se seguem. Cada desaire significa menos uma competição.

Vem a semana de todos os perigos para o Benfica. Porquê? Não sei mas desconfio... O Benfica deve ter consciência da importância dos quatro jogos que se seguem. Nenhum é fácil, há ratoeiras e dificuldade em todos. Cada desaire significa menos uma competição.
Amanhã, em Vizela, vamos disputar a passagem na Taça de Portugal com uma das equipas que têm melhores números nesta edição da prova, já eliminou uma equipa profissional e lidera com facilidade o seu escalão, ou seja, é uma equipa muito acima do escalão onde milita. Vizela, o clube ao qual fomos buscar o mítico (e amigo) Vítor Paneira, já fazia por isso parte da nossa história pelas delícias desse jogador. Este jogo traz a possibilidade de RDT jogar, facto que me agrada. O jogador tem muita qualidade e vai demonstrá-la. Acredito e desejo que muitos dos que o criticam vão engolir em seco quando o espanhol mostrar o que realmente vale. Sporting e Vitória de Guimarães foram dois dos que já provaram destes perigos e ficaram com este fim de semana livre para pensar nisso mesmo.
No Benfica queremos continuar com o calendário apertado. Gostamos dessas dificuldades, de ter muitos jogos em muitas provas.
As constas europeias desta semana estão fáceis de perceber para o Benfica: ou ganhamos os dois jogos para continuar na Liga dos Campeões ou esperamos que o Zenit não vença em São Petersburgo o Lyon para podermos lutar por um lugar na Liga Europa na última jornada.
Esta semana também foi pontuada pela capacidade de Fernando Santos levar Portugal a mais uma qualificação, para desespero dos saudosos das vitórias morais, pelo regresso de José Mourinho à ribalta pela porta do Tottenham e pelo Flamengo de Jorge Jesus na final da Libertadores. Mourinho escolhe bem, o Tottenham está mal classificado e só pode subir. Não é campeão há imenso tempo. Um título nestes três anos de contrato e a lenda Mou continua ainda mais forte. Excelente. Não percebo tanto fel, vou passar a desejar sorte aos spurs, apenas pelo special one (continuo fã do Liverpool), e gostava que Jorge Jesus vencesse em Lima (pela primeira vez estarei contra o River Plate). Por vezes, em Portugal grande... só as invejas."

Sílvio Cervan, in A Bola

Empate em Newcastle...

Newcastle 1 - 1 Benfica B
Anjos

Duarte; Ferreira, Zec, Kalaica, Frimpong; Mendes, Vukotic, Chrien (Santos, 70'); Vinícius (Pinto, 82'), Csoboth; Anjos (Conceição, 82')

Aproveitando o fim-de-semana da Taça de Portugal, o Benfica B aproveitou para fazer uma mini-digressão por Inglaterra, jogando novamente na Segunda-feira com o Blackburn...
Hoje, entrámos a perder... mas empatámos ainda na 1.ª parte de penalty...

Uma vitória na Segunda, dará quase de certeza a qualificação para a próxima fase...

OPA

"Os lucros sucessivos da SAD, assentes no sucesso desportivo e na rentabilização desportiva e financeira do investimento no Benfica Campus, permitiram quatro medidas fundamentais: Reestruturação do passivo, reduzindo o endividamento bancário para níveis residuais e decrescendo a taxa de juro média paga pela SAD por dívida contraída;
Redução suave, mas paulatina, do passivo da SAD;
Passagem integral do capital da Benfica Estádio e da BTV para a esfera do clube;
E, agora, o lançamento de uma oferta pública de aquisição do capital da Benfica, SAD de modo a que a posição do clube na SAD, via SGPS, seja ainda mais robusta e consolide o processo de devolução do clube aos sócios.
Todas estas medidas tornam o clube e a SAD mais independentes de terceiros, permitem à SAD focar-se na actividade para a qual foi criada, o futebol, e fortalecem a SAD face a tentações momentâneas de, por razões meramente circunstâncias, colocar em causa um aspecto essencial na natureza do Sport Lisboa e Benfica e suas participadas, que passa pela pertença exclusiva dos seus sócios.
Alguns poderão alegar que o dinheiro investido na OPA ou uma maior ligeireza ou ousadia na contratação de dívida permitiriam um nível de investimento na equipa de futebol mais arrojado no presente. Mas o Benfica não faz nem pretende fazer do adiantamento de receitas para suprir necessidades de tesouraria um modo de vida, nem tenciona colocar-se nas mãos da banca para sobreviver com recurso a reestruturações sucessivas, como são os casos dos principais adversários. Ganhar no presente é tão importante como garantir as condições para ganhar no futuro. O passado recente tem sido glorioso. O futuro continuará a sê-lo."

João Tomaz, in O Benfica

Distância higiénica

"Mais uma vez vos escrevo de longe, do Vietname, em dia de jogo da selecção local com a rival Tailândia. Em causa está o apuramento para o Mundial de 2022. A equipa da casa está bem encaminhada para a próxima fase de apuramento, e a emoção no país é grande. Os adeptos com quem tenho falado só me referem o desejo de vitória e o apoio incondicional à equipa do seu país. Não criticam o treinador, nem os jogadores, não falam de arbitragem, não inventam teorias da conspiração, nada. Estranho, não é? Parece que gostam mesmo de futebol e da sua equipa, neste caso a selecção nacional vietnamita. Estou há um mês por cá e tenho seguido (com sete horas a mais no fuso horário) as prestações das várias equipas do SL Benfica. Vou visitando o site oficial do clube e as suas redes sociais para estar correctamente informado. Depois percorro a blogosfera vermelha, os sites dos jornais desportivos e dos generalistas e espreito as redes sociais.
Que vergonha! Não encontro melhor expressão, peço desculpa. A principal equipa de futebol do clube é líder isolada do campeonato, o seu treinador tem uma série de vitórias históricas, e o assunto é encontrar um sucessor porque este não presta? A sério?
Depois ainda temos os especialistas em relvados, os gestores de plantéis, os reis da táctica e o já inenarrável candidato a candidato que passa a vida a abrir a boca para dizer asneiras. Parece o afilhado.
Seja na bancada do estádio, no sofá da minha casa ou a 12 mil quilómetros do Seixal, sou o adepto que acredita sempre nas equipas do clube. Até posso não gostar deste ou daquele desempenho, e dizê-lo abertamente, mas boicotar o trabalho feito no SL Benfica e fazer parte dos antis, isso, não."

Ricardo Santos, in O Benfica

Benfica frágil, que por acaso é líder

"O Benfica, muito resumidamente, é isto: 10 vitórias em 11 jogos na Liga e, mesmo assim, algum adeptos claramente insatisfeitos. Confesso que faço parte da turma dos descontentes - 11 vitórias em 11 jogos seria o mínimo aceitável. A partir do momento em que deixou de ser possível chegar ao fim do campeonato com 34 vitórias, dei a época praticamente por encerrada.
Enfim, para o ano há mais. Por enquanto, tenho de me ir contentando com uma liderança pobre, sustentada de forma bastante insegura pelo melhor ataque, melhor defesa e melhor marcador - e ainda manchada por um plantel que não sabe celebrar como deve ser os aniversários das mulheres dos jogadores: a esposa do Pizzi completou 30 anos na mesma semana que a namorada do Uribe, e não vi sequer um instastory ao som dos 'Parabéns' do Batatoon.
Eu próprio estou desanimado com as exibições do Benfica. Em boa verdade, desde o 10-0 da temporada passada frente ao Nacional que nunca mais fiquei verdadeiramente saciado. Esse é o meu grau de exigência em todos os jogos. Para percebermos a fragilidade deste Benfica, basta consultarmos a opinião de alguns especialistas - todos eles bem mais especialistas do que Lage, claro, que ainda não passa de um mero curioso que por acaso orquestrou a mais extraordinária recuperação da história do futebol português e agora apresenta este humilde rácio entre triunfos e desaires. Estes dados parecem insuficientes para conquistar a globalidade de comentadores e alguma falange de adeptos, o que vem demonstrar que as músicas mais badaladas passam de moda num ápice: aquele hit do 'Pouco importa, pouco importa se jogamos bem ou mal...' está completamente ultrapassado."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Calendários mancos

"Depois de mais uma irritante pausa para as selecções, o futebol português regressa com a Taça de Portugal e a festa em Vizela. De seguida, teremos competições europeias com a viagem à Alemanha. Campeonato? Só no próximo dia 30, quando recebemos o Marítimo na Luz. Terão então decorrido vinte e um dias desde a jornada anterior, situação que nem é a pior na presente temporada, pois entre a 7.ª e a 8.ª jornada passou-se praticamente um mês.
Os calendários competitivos portugueses parecem desenhados por alguém que quer matar a paixão dos fãs pelo futebol. Em nada os favorecem, assim como não favorecem os clubes, nem os jogadores. Resta saber quem beneficia com eles, e como se justifica a insistência em opções que aparentemente não fazem qualquer sentido.
Quanto às absurdas pausas impostas pela FIFA - porque não concentrar todas as provas de selecções em Junho e Julho, onde teriam muito maior visibilidade e interesse, não perturbando os clubes e a preparação dos jogadores? -, o poder de decisão está longe. Mas relativamente a tudo o resto, Liga e FPF poderiam fazer bastante, começando por evitar esta sucessão de semanas sem a competição nacional que mais interessa desperta nos adeptos, que são, afinal, quem tudo paga. E, já agora, evitar também jornadas a meio da semana, como já sucedeu nesta época, e que servem apenas para bater recordes negativos de assistência.
Começar o campeonato com o mercado de transferências aberto é outra das aberrações, tal como meias-finais de Taça em duas mãos disputadas com meses de intervalo.
Parvoíces não faltam, e talvez não fosse difícil evitá-las."

Luís Fialho, in O Benfica

Um sentir português

"'Olha o Eusébio!' foram as primeiras palavras de um grupo extasiado com a visita ao Estádio da Luz. Nem todos eram benfiquistas, a maioria, sim, mas todos se lembravam com orgulho daquele Benfica europeu e daquela pantera negra de futebol potente e visceral que arrebatou o mundo. Todos se lembravam, em primeiro lugar, porque foram doces momentos da sua juventude, mas também porque nos sítios onde haviam chegado há pouco como imigrantes pouco conhecimento havia de Portugal além das caravelas de antanho e o que havia não abonava a democracia nem a modernidade, muito menos o carácter pacifico e a alma portuguesa.
Eram tempos difíceis, onde a condição de muitos e a fuga e uma guerra fratricida em que só havia perdedores ditaram a saída para terras longínquas, mesmo para lá da Europa, cruzando céus e mares com a esperança na mente e a incerteza no coração. Foram tantos, que Portugal lhes perdeu a conta e o rasto, poucos de torna-viagem, como então se dizia, regressariam com dinheiro que chega para uma boa casa e um par de campos, um táxi ou um café.
A esses correu a vida bem, e hoje cá estão eles, espalhados pelo país, por entre filhos e netos no país onde nasceram e que, talvez mais importante, escolheram para viver. Mas a tantos outros a vida não sorriu da mesma forma, e a emigração levou-os sem volta até paragens distantes, umas vezes remediados, outras condenados à pobreza, mas sempre sem meios para voltar de novo à sua terra natal, sentir de novo este ar e este sol atlântico que nos enche o peito e faz das nossas algumas das mais belas paisagens e cidades que a humanidade conhece. Hoje, estamos felizes de os receber na nossa casa, que também é sua. E estamos orgulhosos de ver que Portugal não os esqueceu, e o Benfica, como muito bem sabemos, também não. Não os esqueceria nunca porque são parte de nós, desta família global que usa bandeiras vermelhas!"

Jorge Miranda, in O Benfica

O Benfica pode

"Sinceramente, gostei muito de ser surpreendido com a súbita notícia da OPA do Sport Lisboa e Benfica sobre a Benfica Futebol, SAD, que nos chegou na passada segunda-feira. Achei que se trata de mais uma atitude que confirma a personalidade singular do Presidente Luís Filipe Vieira, no seu permanente desígnio de consolidar o 'Benfica dos Sócios'. Em boa verdade, aliás, se aqui há uns meses eu tivesse perscrutado as segundas leituras que, já nessa ocasião, se podiam inferir do que ele afirmou quando foram sucessivamente anunciados, primeiro, o termo do pagamento do Estádio; depois, a aquisição da Benfica Estádio, SA pelo Clube; e, a seguir, a compra da BTV, SA pelo Sport Lisboa e Benfica, já teria suposto que, mais tarde ou mais cedo, em face da realidade das diversas áreas patrimoniais e dos elementos activos que hoje integram o universo empresarial do nosso Sport Lisboa e Benfica, Luís Vieira determinaria este novo e decisivo momento do Clube...
Logo desde que, em 2003, o Presidente e as suas equipas de trabalho reorganizaram e foram reerguendo a fantástica dimensão do Benfica do séc. XXI, o rumo que estabeleceu, sob a forma de uma promessa que felizmente obteve o esmagador acolhimento dos Sócios do Glorioso, tinha este mesmíssimo objectivo que agora vemos cada vez mais perto da definitiva consolidação: devolver o Benfica aos Sócios.
A decisão agora tomada fica com um novo marco essencial na história do Grande Clube. Mais do que um momento histórico, ou um sinal de gestão ágil, oportuno e prudente, representa, em si, o mais significativo símbolo destas duas décadas do que realmente pode o Benfica.
Considero histórico este momento, porque me parece ser verdadeiramente único e irrepetível, no que, hoje, a vista me permite alcançar, se olharmos para o futuro. É uma decisão ágil e oportuna, porque, beneficiando de uma conjuntura financeira muito favorável - já de si propiciada pela segura gestão que a Direcção do Clube e a Administração da Benfica, SAD souberam construir com total determinação, coerência e consistência - ambas as entidades sabiamente aproveitaram a benigna circunstância para assumir, de uma vez.
E, por fim, consiste inquestionavelmente numa resolução prudente, porque no contexto global tão peculiar e convulsivo, mas também tão exposto e tão volúvel, como o que hoje caracteriza a 'indústria' do futebol no cenário universal, nunca será demais toda a cautela que Luís Filipe Vieira quiser usar ante os predadores que porventura ousassem ver no Benfica uma presa apetecível.
Mas, em caso algum podemos deixar de ter presente que esta OPA só assume o valor e o significado especial de constituir um marco essencial na nossa história, porque o Benfica pode.
E, enquanto 'os outros' vão rezando aos santinhos deles, o Benfica faz. E vence-os. E há de vencê-los cada vez mais. Porque só o Benfica pode."

José Nuno Martins, in O Benfica

Martelo Dourado...

Inacreditável o silêncio, em redor desta notícia...
Até agora só a TVI deu algum realce...

Grimaldo...

Cadomblé do Vata (Judas...)

"O assassínio do Benfiquinha tinha tudo para ser o mais pequeno livro de Agatha Christie. Em meia página, a autora conseguiria ilibar o mordomo e encontrar provas claras incriminando Jorge Jesus como o vil assassino. Num volte-face bem à beirinha do fim da narrativa, o amadorense escaparia à condenação, apresentando em tribunal 6 milhões e testemunhas abonatórias, que ainda bêbados dos festejos do título, sairiam com ele em ombros da casa da justiça.
Entrando em modo trovão e de rompante na vida dos Benfiquistas, na primeira temporada na Luz disparou uma bomba atómica tão poderosa em cima daquela caricatura de Glorioso, que mesmo tendo em conta a interminável desgraça que haviam sido os 15 anos anteriores, os 3 campeonatos que sucederam a época 09/10 foram os desastres mais difíceis de digerir da história moderna do Sport Lisboa e Benfica, tão grande foi a expectativa criada pelos primeiros 12 meses de um treinador transformado em salvador, acompanhado do exponencial aumento do investimento numa equipa, que todos se haviam habituado a ver se construída com pouco mais do que trocos e empréstimos com cláusulas de compra raramente activadas.
Empurrado ou de livre vontade, 6 anos depois de ter enterrado o diminutivo de Benfica numa tumba bem funda, JJ fez-se à estrada, deixando para trás o colorido da sua presença, 3 campeonatos, 1 Taça de Portugal, quilos de Taças da Liga, participações anedóticas na Liga dos Campeões, constando apenas 1 passagem da fase de grupos e duas finais da Liga Europa, com trajectos iniciados nos atrás descritos afogamentos na piscina dos graúdos.
Navegando nos recentes resultados do Mago do Transformismo Clubístico (sem ironia, apraz-me registar), muitas são as vozes vermelhas e brancas que bradam aos céus pelo seu regresso ao Clube da Águia, apontando-o como o único caminho para a melhoria de resultados, ignorando que descontando o seu discurso, as Taças da Liga em catadupa e as finais europeias, mas somando mais um sucesso na fase de grupos da Champions, temos pois que o pós-JJ não foi bem o drama nacional previsto nem o descalabro europeu em relação ao descalabro europeu existente.
O valor do amigo de Luís Filipe Vieira nunca estará em causa. Os princípios nunca deixarão de ser colocados em cima da mesa. Abandonado o Glorioso, o sonho molhado de muitos Benfiquistas entrou directamente no Hospital Psiquiátrico de Alvalade, construindo na temporada 15/16 um candidato com base em 2 prerrogativas de sua autoria: o já habitual investimento até secar o clube; o ensurdecedor barulho do circo dos vouchers. Terminando o campeonato em 2º com recorde de pontos, não se coibiu de colocar em causa a legalidade da vitória do SL Benfica, teoria que há bem pouco tempo não teve vontade de negar a um fantoche do JN. O passado de Jorge Jesus no Benfica foi bestial, mas para o Maior do Mundo, no presente e no futuro ele não passará de uma besta. Na Catedral, só como adversário e em situações em que a sua entrada não possa ser proibida, por exemplo, ao serviço do Sporting CP. Até porque Pinto da Costa gosta muito dele, são muito amigos, mas para treinador só o quis quando ganhava no SL Benfica... mistérios da vida..."

A análise ao jogo

"Com a introdução de ferramentas que nos permitem obter dados em tempo real dum jogo e de cada um dos seus intervenientes, a análise ao rendimento das equipas passou a ser muito mais estatística. Contudo, estamos perante uma actividade desenvolvida por humanos e não no campo das ciências exactas.
Quando se afirma que a equipa teve um rendimento inferior num determinado jogo em relação aos seus valores absolutos, não estamos a dizer qualquer inverdade, estamos apenas a comparar dados de um conjunto de jogos com um jogo específico sem ter em atenção outras componentes.
O equilíbrio num desafio deve ser conseguido pelo valor das equipas. Quando falamos em resultados nivelados, estamos a referir-nos a partidas em que existe incerteza no resultado. Para isso, no geral, os intervenientes têm de ter capacidade idêntica ou similar. Este é um factor para que esse mesmo jogo tenha equilíbrio. As competições devem ter em atenção que o seu sucesso se concretiza pelas condições de equilíbrio que se conseguem estabelecer. Todavia, o equilíbrio também pode ser obtido pelo estado do terreno. Um relvado em más condições provoca maior igualdade e, em muitos casos, uma ideia errada de capacidade dos intervenientes.
Quando, nestas situações, apenas analisamos a estatística, concluímos que o jogo tem valores indicam uma maior proximidade das capacidades dos participantes. Na verdade, lendo de forma isolada a informação estatística, concluímos que desvirtua o que se passou. O jogo também pode ser equilibrado pelo mau estado do piso. A velha mentira de que o campo é igual para as duas equipas, apenas tapa o sol com uma peneira. O estado do relvado é factor decisivo para o rendimento. A qualidade do jogo tem níveis diferentes consoante a bola corra de forma mais ou menos rápida, não é indiferente jogar num bom ou mau piso."

José Couceiro, in A Bola

Um trajeto razoalvelmente tuga até ao Euro 2020

"Estamos no Euro 2020.
Significa que no Verão afinal vamos ver o Europeu (ufa!), mas a verdade é que esta fase de apuramento soube a pouco. Portugal assentou basicamente o seu jogo na genialidade do Ronaldo e no nosso talento único para usar a calculadora.
Para quê as tácticas quando temos a matemática.
De resto, queixamo-nos muito. É sempre assim. Criticámos, por exemplo, o facto termos jogado num batatal, mas não nos esqueçamos que é um batatal tratado por alguém que ganha no mínimo dois mil euros por mês. É um batatal de topo.
Em toda a qualificação, o mister Fernando Santos nunca facilitou. Usou sempre a táctica 4-3-3-e-se-não-funcionar-mete-no-Ronaldo-que-ele-resolve. Por isso é que Portugal é campeão europeu: não há cá facilitismos com o nosso engenheiro.
Rui Patrício foi dono e senhor dos postes. O Beto e o Anthony Lopes iam mais para lhe fazer companhia.
A lateral direita alternou entre Nélson Semedo, João Cancelo e Ricardo Pereira, mas foi este último que terminou a qualificação, e bem: Ricardo Pereira está sempre ligado à corrente. Corre mais do que os adversários, mais do que os colegas, e às vezes, mais do que a bola. Se não o tivessem avisado que os jogos tinham acabado, ainda estaria a correr agora no Luxemburgo.
Na lateral esquerda, consistência defensiva e centros teleguiados. Duas coisas que Raphael Guerreiro e Mário Rui não tiveram porque estão a guardá-las para o Euro. Génios.
Os centrais estiveram sempre em bom nível. Pepe desta vez não bateu em nenhum adversário. Fora isso, não lhe aponto mais nenhuma falha. Rúben Dias está sempre no sítio certo e intimida os adversários só com o olhar. Ainda tem muito a aprender com Pepe. José Fonte é a nossa versão do Robocop. Marque um golo ou seja expulso, a sua única expressão facial é pestanejar, e é porque tem mesmo de ser.
A meio-campo, o Rúben Neves é um William Carvalho, mas sem o bigode sexy. O Danilo Pereira um Rúben Neves, mas sem o futebol inglês. O Pizzi é a regularidade a meio-campo, mas sem um nome português.
Quanto a João Moutinho, tenho para mim que é filho ilegítimo do Fernando Santos e por isso joga sempre.
Bruno Fernandes esteve um pouco aquém do esperado. Talvez por ter ao seu lado jogadores de qualidade, algo a que não está habituado ultimamente. Quando finalmente se habituou, marcou um golo decisivo no último jogo.
Já Bernardo Silva é um pintor impressionista do século XIX. Qual Claude Monet, para quem a pressa é inimiga da arte, finta 7 adversários só enquanto ajeita a camisola. Depois dá a maior parte dos golos a marcar porque os grandes artistas não gostam de se chatear com coisas banais.
Lá na frente, Cristiano Ronaldo, claro. O que mais há a dizer sobre ele? Vai bater todos os recordes de internacionalizações, golos, e selfies com adeptos que invadem o relvado. O melhor do mundo fala português e é nosso.
Já o Messi e a Argentina, mais uma vez, voltam a falhar a qualificação para um Europeu. Ridículo. 
Mas houve mais. Gonçalo Paciência, por exemplo, ameaça ser o goleador da Selecção, quando mudar o nome para Impaciência. André Silva está a tornar-se num excelente contabilista, de tão poupadinho que é nos golos. Fossemos nós assim na electricidade. Dyego Sousa, por fim... é uma jóia de moço. É simpatiquíssimo e tem um belo sorriso.
Garantida a qualificação e em clima de festa, Fernando Santos ficou com a expressão a quem assaltaram a casa e roubaram o carro. Ao sair do campo ainda ficámos com a sensação de que esboçou um sorriso, mas não, era apenas aquele trejeito que ele faz com a boca.
Agora, é fazer o resto da época para estar ao melhor nível em Junho do ano que vem. Somos os campeões em título e queremos reconquistar o caneco! Por isso, mister Fernando Santos, faça o favor de convocar o Éder."

Antevisão...

Escândalo no Hóquei

"A equipa de hóquei em patins parte para a próxima jornada do Campeonato Nacional na frente da classificação, apesar de a vantagem pontual estar condicionada pelas incidências ocorridas na deslocação ao recinto do HC Braga, em que o resultado foi um empate (4-4). O que se passou no desenrolar e principalmente no final do jogo da última quarta-feira vem ao encontro daquilo que tem manchado a modalidade ano após ano.
São erros atrás de erros no decurso da presente época, o que já tinha inclusivamente levado outros clubes a manifestarem o seu descontentamento na Comunicação Social.
Com tantos anos a apitar, os árbitros não mostram sinais de evolução ao longo dos últimos anos, continuam a cometer erros que influenciam os resultados, dando a ideia de que não aproveitam esses lances para analisar o que têm de melhorar.
Não têm sido dados passos em frente no sentido de renovar quem dirige os jogos, mesmo com a mudança que houve na Direcção da Federação de Patinagem de Portugal (FPP). É preciso acompanhar o investimento que o Sport Lisboa e Benfica – e os restantes clubes participantes – têm feito no hóquei em patins nacional e que faz com que o Campeonato seja considerado actualmente o que tem os melhores praticantes do mundo.
Nesse sentido, a situação que leva ao empate do HC Braga devia ser encarada como algo a rever em futuros jogos. O nosso guarda-redes Pedro Henriques toca primeiro na bola e depois, na sequência, o adversário aproveita para arrancar um penálti. Este é apenas um entre alguns lances que vão ser devidamente expostos à FPP, numa lógica de pedagogia, no sentido de contribuir para a evolução da modalidade, de forma a minimizar os erros. As falhas existirão sempre – seja de árbitros, dirigentes ou jogadores – mas há que querer evoluir.
Neste próximo domingo, dia 24 Novembro, no recinto do FC Porto (15h00), espera-se que seja um jogo sem casos para bem da modalidade e da verdade desportiva.
Mas, infelizmente, já há muito que não nos surpreendem as más arbitragens no hóquei em patins. Os erros têm sido constantes, invariavelmente em prejuízo do Benfica.
Bastam dois exemplos, dos muitos que poderíamos referir. Aquele Valongo–Benfica escandaloso, em 2013/14, em que tudo valeu excepto permitir que o Benfica ganhasse a partida; e aquele Sporting–Benfica de má memória, disputado em Alverca na última jornada de 2016/17, em que foi anulado um golo, de forma caricata, senão mesmo escabrosa, no último minuto.
Houvesse justiça e a verdade desportiva tivesse prevalecido e sido defendida só nesses dois jogos, já para não mencionar muitos outros, teríamos mais dois títulos de campeão nacional no nosso palmarés.

P.S.: A agenda benfiquista, para o fim-de-semana, está muito preenchida, com destaque para a importante partida da Taça de Portugal, em que a nossa equipa de futebol deslocar-se-á a Vizela para defrontar o líder da série A do Campeonato de Portugal. Será mais uma boa oportunidade para os benfiquistas, residentes no norte do país, apoiarem a nossa equipa e aproveitarem para visitar a Casa do Benfica na cidade minhota."

Aquecimento... Gabriel, Paneira, Vizela e Chalana...

Eliminados...

Murcia 4 - 2 Benfica

Nada correu bem nestes dois jogos, hoje até começamos a ganhar, mas em 4m30s sofremos 4 golos!!! Uma daquelas 'brancas' que a este nível são fatais...

O Roncaglio nestes jogos faz muita falta, não só pelas defesas, mas também pela forma como ajuda a 'saída' de bola, quando estamos a ser muito pressionados, fazendo um 5x4, permitindo a equipa 'subir' na quadra... Mas o Tólra e o Raul também fizeram falta!!!

Trabalhar por Um objectivo

"Um espírito de equipa constrói-se ao longo de muitos momentos. A Celebração Olímpica, organizada recentemente pelo Comité Olímpico de Portugal, foi um desses. Nesse evento, perto de noventa atletas Olímpicos estiveram presentes, o que se reveste de um simbolismo extraordinário.
No início deste ano, num inédito encontro mundial de atletas representativos de todas as Comissões de Atletas nacionais, organizado pela Comissão de Atletas do Comité Olímpico Internacional (COI), o Presidente deste último organismo, Dr. Thomas Bach, referiu: “Vocês, atletas Olímpicos, estão no coração do Movimento Olímpico. Na verdade, vocês são o coração do Movimento Olímpico!” Palavras proferidas em Lausanne, Suíça, na sede do COI.
Paulatinamente, os atletas Olímpicos, fruto do seu empenho, das suas competências e do exemplo que são para a sociedade, cujo alcance vai muito para além do que são as suas performances desportivas, vão ocupando um espaço no centro do Movimento Olímpico. Internacionalmente, mas também ao nível de cada país, onde Portugal não é excepção. Por outro lado, as instituições desportivas nacionais reconhecem cada vez mais que os atletas podem e devem fazer parte da solução, da estratégia, da visão do que queremos para o nosso sistema desportivo e mesmo para o nosso país.
Por outro lado, a Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) organizou na semana passada, o Encontro Nacional de Atletas Olímpicos, com a intenção de, nesta recta final para Tóquio 2020, criar um momento para troca de informações. Fosse da parte das diversas unidades do COP, ou mesmo da Autoridade Antidopagem de Portugal, que, num sinal de abertura que se saúda, foi ao encontro dos atletas. Procurou-se, acima de tudo, informar, educar, partilhar. No entanto, estes organismos também foram para escutar. Ouviram os argumentos dos atletas, as suas dúvidas, as suas dificuldades, mas também as suas críticas e sugestões. Num ambiente de mútuo respeito, até mais importante do que a relevante troca de experiências que ali ocorreram, foi o alicerçar de um espírito de equipa que emergiu no final do dia.
A presença do Sr. Secretário de Estado da Juventude e Desporto e do Presidente do COP neste evento - que a CAO agradece - foi igualmente um sinal de que ao mais alto nível o foco está nos atletas. Na realidade, tem tudo a ver com os atletas!
A Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 trabalha com um objectivo há três anos. Para atletas, treinadores, corpos clínicos e técnicos, dirigentes, agora que os anéis Olímpicos já despontam no horizonte, esta é uma fase extraordinária. Corresponde àquele período em que as peças do puzzle começam a encaixar, como que por estranhas artes, e todos os meses, semanas, dias, horas de dedicação, começam a dar os seus frutos. E qual é esse objectivo? Criar todas as condições para que os atletas nacionais possam expressar todo o seu potencial nos Jogos Olímpicos!"

Benfiquismo (MCCCLXI)

Será que a 28 de Fevereiro de 1904,
celebraram o nascimento...
com o tal Vinho Nutritivo de Carne?!!!

Genial delícia!

"Fabuloso Chalana! Fantástico criativo, incrível variedade de dribles e... nunca vi outro com pé esquerdo e direito tão iguais! Só pote 3 para Portugal, campeão! E é justo!

Livro de Luís Lapão, impulsionado pelo Benfica e tendo contributos de várias glórias do clube, é preciosa homenagem ao fabuloso Fernando Chalana, gigante na primeiríssima fila do futebol português. Direi mesmo que esta homenagem, sendo preciosa - até porque num tempo em que a saúde muito o debilita -, é também o mínimo. Sem esquecer ter sido Luís Filipe Vieira quem, há anos, o agarrou, devolvendo-o ao Benfica, quando, por agruras da vida, ele estava muitíssimo na mó de baixo.
Chalana, na minha opinião - e na de muitos -, foi o maior génio do futebol português depois do Rei Eusébio (até à chegada de Ronaldo). E acredito que outros gigantes - vide Luís Figo, Futre, Rui Costa, Vítor Baía, Paulo Sousa, José Augusto, António Simões, ou António Oliveira, Humberto, João Vieira Pinto, Fernando Gomes, João Alves, Fernando Couto, Nené, Manuel Fernandes... - me compreenderão. Tal como, decerto, seria compreendido por Jordão (o 1.º Príncipe do Rei), Germano (um dia coloquei a dúvida de se ele foi o Beckenbauer português ou se Beckenbauer terá sido o Germano alemão...) e, noutros exemplos, Mário Coluna (nunca vi outro médio e capitão com tão poderosa personalidade e pegar numa equipa pelos colorinhos, Benfica ou Selecção, erguendo-a quando tudo corria mal...) e José Águas (finíssimo/ímpar ponta de lança, pés de prata, cabeça de oiro, capitão do Benfica bicampeão europeu). Sei do que falo; tive a sorte de ver jogar todos estes extraordinários craques e em toda, ou quase toda, a sua carreira. Atenção!: quase nada pude ver de Travassos e Vasques, maestros no grande Sporting dos 5 violinos, do também sportinguista Carlos Gomes (há quem o considere o melhor guarda-redes português de sempre), de Matateu (mítico goleador, eterno ex-líbris do Belenenses) ou de Hernâni (tremenda classe no FC Porto).
Em 2000, final de século, publiquei a minha Selecção dos melhores portugueses, por posição (também a Selecção B - creio que mais polémica para mim - e a dos melhores estrangeiros em Portugal), nos cerca de 40 anos que levava a ver futebol. Chalana lá estava, evidentemente. Esta Selecção: Vítor Baía; João Pinto, Germano, Humberto, Hilário; Coluna e Rui Costa; Figo, Eusébio, José Águas e Chalana. Ainda não havia CR7... Nem Ricardo Carvalho... E ainda mais longe estava Bernardo Silva...
Na recente homenagem a Chalana, intensos elogios também ao homem, vincando permanente humildade em tão brutal talento. Meses depois de ter publicado a tal minha Selecção, encontrei-o; e fiquei estupefacto: agradeceu-me!
Chalana - grave lesão travou-lhe carreira no auge!; pouco após ter sido brilhantíssimo no Euro-1984, daí resultando transferência por verba pela qual Fernando Martins construiu o 3.º anel... foi único! No estonteante perfume do seu futebol repentista, na fantástica imaginação criadora driblando (a galgar terreno..) numa vertigem, tão depressa pela esquerda como pela direita ou com fabulosos túneis, na forma, incrivelmente endiabrada, como gingava o corpo fazendo do tocar na bola (!) e na visão a descobrir espaços para desmarcar colegas, único! Ah!: à escala mundial, nunca vi outro para quem, a conduzir a bola, a driblar e a rematar para golo, pé esquerdo e pé direito fossem tão igual!; absolutamente único!
Futre, outro genial, o mais próximo sucessor nas diabólicas arrancadas a partir da esquerda, foi à homenagem benfiquista a Chalana dizer o que eu já lhe tinha ouvido: «Ele foi o meu grande ídolo. Eu, do Sporting, ia à Luz só para o ver jogar!»

Pote 3 para o campeão da Europa! Triste. Ok, já estão longínquos os tempos do quase, quase...; e vão 11 consecutivos qualificações (20 anos...) de Portugal para fases finais de Europeus ou de Mundiais (brilhante!); mas agora, com acesso alargado a 24 equipas, só os mesmo pilecas ficam de fora...
... E só aos pilecas do grupo (Lituânia e Luxemburgo) conseguimos ganhar todos os jogos. Em 8 confrontos, apenas um triunfo ao nível de campeões: 4-2 na Sérvia. Terminar atrás da Ucrânia (!), após empate e derrota perante ela, de tal nível ficou a léguas.
Temos lote de bons jogadores mais amplo do que há 4 anos. Mantemos o seleccionador/treinador campeão europeu! Há bem pouco tempo, Portugal também a Liga das Nações conquistou (directamente se impondo a potências como Itália e Holanda). Não haverá alguém mais fã da Selecção Nacional do que eu. Porém, a verdade é para ser dita: desta vez, a qualificação foi... muito frouxa! Decerto, Fernando Santos retirará necessárias ilações."

Santos Neves, in A Bola

Haris Seferovic: uma rotura na bipolaridade helvética

"Haris Seferovic sofreu uma rotura do solear da perna esquerda enquanto estava no período de aquecimento do jogo entre Suíça e Gibraltar, partida que os helvéticos acabaram por vencer por seis bolas a zero.
O avançado enfrenta, agora, um possível período de paragem de três semanas, podendo até só regressar às competições oficiais em 2020.
De resto, a presente temporada não tem sido fácil para o suíço. Seferovic tem sido um dos maiores alvos de críticas por parte dos adeptos encarnados, devido às exibições pouco conseguidas que tem realizado. O helvético tarda em reencontrar o caminho das boas exibições que demonstrou na época transacta, tendo perdido preponderância no jogo das “águias”.

Uma época à parte
A época 2018/19 foi uma época especial para Haris Seferovic: nunca o internacional pela selecção principal da Suíça tinha marcado tantos golos numa só época. Foram 27 tentos no total de todas as competições (Liga dos Campeões – 1; Liga Europa – 1; Taça da Liga – 2; Liga NOS – 23), contando ainda com 6 assistências para golo, tornando-o numa das peças-chave da equipa comandada por Bruno Lage.
No entanto, as boas exibições e os golos que fizeram de Seferovic o Bota de Prata da Primeira Liga 2018/19 tardam em aparecer esta época, levando os adeptos encarnados a questionar se o faro para golo que o internacional helvético demonstrou na época transacta tenha sido o caso de uma época à parte.

Regresso aos velhos hábitos
De resto, as últimas exibições ao serviço do clube da Luz não surpreendem quem conhece Haris Seferovic. Basta verificar os dados da sua carreira para chegarmos à conclusão de que o suíço não é um goleador nato, tal como era Jonas ou Mitroglou. Seferovic é antes o designado “primeiro defesa”, que desgasta constantemente os oponentes, quer pela pressão que exerce sem bola, quer pelos seus movimentos de ruptura constantes entre os centrais e os laterais adversários. Também a sua capacidade técnica deixa a desejar, pelo que muitos analistas de futebol atribuem o seu sucesso da época passada a João Félix, que conseguia camuflar a dificuldade do suíço em jogar entrelinhas adversárias, permitindo ao mesmo.
Haris Seferovic é, portanto, uma das incógnitas deste Benfica 2019/20, pois já demonstrou uma incrível capacidade para marcar golos, como também demonstrou uma enorme apetência para os falhar. É, por isso, imperativo que Bruno Lage consiga descobrir uma cura para esta bipolaridade helvética que parece assolar tanto o suíço, como os adeptos benfiquistas."

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Tributo...

Gabriel 2024

Renovação por mais um ano, com actualização salarial seguramente, com um jogador que tem demonstrado alguma irregularidade (com lesões à mistura), mas neste momento é fundamental! Basta recordar que no último ciclo de jogos, de 3 em 3 dias, o Gabriel foi um dos poucos que fez os 90 minutos em todos os jogos!!!

Cadomblé do Vata (antecipações, conspirações e ex-futuros treinadores)!!!

"1. Em apenas ano e meio, o FC Porto antecipou metade das receitas previstas para 10 anos no contrato com a Altice... mesmo assim, ficou longe do recorde do Sporting CP que num só verão, antecipou os 4 títulos previstos para 45 anos no histórico do palmarés deles.
2. As más línguas profissionais de serviço andam a tentar passar a mensagem de que a OPA do Benfica às acções do Benfica têm como objectivo garantir 4 milhões de euros ao LFV quando ele sair da presidência... não sejam parvos pah, que o homem não precisa disso... basta-lhe vender o Rúben Dias para sacar o dobro sem sair do poleiro.
3. Numa daquelas teorias mirabolantes que parece inventada pela mesma inteligência que se lembrou da cerveja sem álcool, o jornal O jogo o SL Benfica saiu altamente beneficiado da jornada de selecções, porque todos os seus jogadores ganharam ritmo... pena que o ritmo que o Seferovic ganhou foi na bicicleta de ginástica.
4. Ao fim de pouco mais de 1 ano no estaleiro, José Mourinho foi apresentado o Tottenham... ao mesmo tempo, a CMTV perdeu um treinador para colocar todas as semanas a caminho do Benfica, quando Jesus renovar pelo Flamengo.
5. Como era de prever, com a ida de Mourinho para os Spurs, os jornais desportivos não tardaram a colocar Bruno Fernandes na rota do clube londrino... a imprensa nacional parece aquelas bandas que já nem se preocupam em produzir originais, limitando-se a singles de covers com dois ou três arranjos diferentes."

A melhor de sempre

"Se há coisa a que sempre resisti, e vou continuar a resistir, é a entrar em comparações para saber quem é o melhor jogador de sempre, porque acho que é absolutamente impossível comparar um futebolista dos anos 50 do século passado com um futebolista da actualidade. 
Tudo é diferente.
Preparação física, regime alimentar, medicina desportiva, equipamentos, relvados, qualidade das bolas, metodologia de treino, profissionalismo e tantas outras diferenças que tornam impossível dizer quem foi o melhor de sempre.
Pelé, Eusébio, Di Stéfano, Stanley Mathews, Maradona, Cruyff, Bekenbauer, Ronaldo, Ronaldinho, Messi, Cristiano Ronaldo, Garrincha… Um deles terá sido, mas não é possível compará-los.
Questão não muito diferente é, uma vez mais em teoria porque de outra forma não é possível, escolher aqueles que em conjunto formariam a melhor equipa de sempre de um determinado clube ou de um determinado país.
Por exemplo de Portugal.
Entre a primeira grande competição em que estivemos, o Mundial de 1966 em Inglaterra, e o próximo europeu “saltimbanco”, em mais uma péssima invenção da UEFA, qual seria o naipe de jogadores que constituiria os 23 seleccionados capazes de fazerem a felicidade de Fernando Santos e de todos os portugueses?
Começando pela baliza, entre os guarda redes desse mundial (Carvalho, José Pereira e Américo), e todos os que se lhes seguiram, quais seriam os três convocados para essa selecção ideal?
Damas, Vítor Baía e Rui Patrício seriam as minhas opções com a devida licença de Bento, Silvino, Neno, Ricardo, etc.
Na lateral direita duas escolhas: Artur, “o ruço”, e João Pinto, que foram os dois melhores laterais direitos que me lembro de ver jogar com o devido respeito por Morais, Gabriel, Paulo Ferreira, Pietra ou os actuais Cancelo e Ricardo Pereira.
Centrais? Humberto Coelho, Ricardo Carvalho, Vicente e Fernando Couto com Eurico, Rui Rodrigues, Jorge Andrade e Pepe a serem também opção.
Do lado esquerdo da defesa ainda não vi melhor que Hilário, que seria acompanhado por Dimas num sector onde a concorrência não é muita, pese o belo percurso que vem fazendo Raphael Guerreiro e boas prestações de Nuno Valente, Alberto, Rui Jorge ou Inácio.
Quanto ao meio campo aí as coisas fiam mais fino porque as escolhas são muitas e boas.
Sem grandes preocupações quanto a sistemas tácticos ou a posições específicas digamos que tendo de escolher seis médios as opções (quase nenhuma indiscutível) seriam:
Coluna, o grande capitão, que provavelmente é o único que merecerá uma concordância generalizada por parte de todos os que lerem este texto, João Alves, “o luvas pretas”, Rui Costa que espalhou magia em Florença, Milão e Lisboa, António Oliveira cujo talento ímpar foi acompanhado por uma visão de profissionalismo muito pouco exigente, Deco que chegou, viu e venceu, superando algumas animosidades por ser brasileiro de origem e Maniche que tinha sempre um rendimento elevadíssimo nas fases finais das grandes provas.
Claro que ficam de fora nomes de peso e que podiam discutir com os escolhidos um lugar sem qualquer dúvida como são os casos de Jaime Graça, Rui Barros, António Sousa, Toni, Jaime Pacheco, Costinha, Shéu e mais alguns.
O ataque, contando com as seis vagas restantes, não deixa grandes dúvidas.
Eusébio, Ronaldo, Figo e Futre parecem-me completamente indiscutíveis e depois se lhes juntarmos Jordão e Chalana creio que seria um sexteto absolutamente fabuloso em termos de qualidade. 
Deixando de fora nomes como Néné, Gomes, Pauleta, Manuel Fernandes, Simões, José Augusto, José Torres, Ricardo Quaresma, Bernardo Silva e mais alguns.
E com a “sorte “ de Peyroteo, Travassos e Matateu não entrarem para estas contas, por serem anteriores a 1966, porque caso contrário as escolhas seriam mais difíceis.
Esta é matéria, como tantas no futebol, em que o velho provérbio de “cada cabeça cada sentença” tem a mais plena das aplicações porque em cada adepto há um treinador/seleccionador de bancada e por isso se entende perfeitamente que não haja duas opiniões iguais quanto à totalidade dos jogadores. 
Acreditando que pelo menos Eusébio, Ronaldo e Figo serão amplamente consensuais.
Mas nunca fiando..."

A guitarra que chorava gentilmente

"Jackie Stewart entendeu sempre a amizade que George Harrison lhe dedicou como um privilégio sem igual na sua vida

George Harrison e Eric Idle eram bons amigos. Aliás, George foi sempre um grande admirador dos Monty Python, a ponto de lhes ter pago a produção de A Vida de Brian. Conta Eric que, certa vez, estavam ambos sozinhos numa praia escondida do Havaí quando apareceu um fulano. Ao ver George soltou um grito: «George Harrison!?. Que diabo faz por aqui?». Ao que, cândido, Harrison respondeu: «Bem, todos temos que estar em algum lado...».
Um lugar onde George estava muito era em tribunal por guiar demasiado depressa. Ficou sem carta meses a fio. Outro lugar onde estava com frequência era nas boxes dos grandes prémios de Fórmula 1. Tornou-se amigo íntimo de Jackie Stewart e levou-o muitas vezes a Friar Park, uma mansão vitoriana de 120 quartos que comprou em Hanley-on-Thames e que encheu de adoradores de Krishna, de uns poucos de pindéricos que viviam à sua conta, e de malta de todas as artes, desde a música ao automobilismo. Jackie, com aquele seu sotaque escocês que tem sempre um rugido alcoólico, queixava-se da forma como George conduzia mas gabava-lhe a maneira como entendia os mecânicos: «Fica ali, atento a tudo, pergunta atrás de pergunta, querendo saber a função de cada peça. Depois, quando o conheci melhor, percebi que também era assim minucioso com a música, procurava encaixar notas como se estivesse a montar um motor».
Harrison agradeceu todos os elogios com uma canção: Faster. Dedicou-a a Stewart e a Nicky Lauda. Não era uma grande canção, mas depois de Something, verdadeiramente só compôs outra balada de topo, Sweet Lord, que por acaso nem era dele e lhe valeu mais umas temporadas no lugar onde estava com mais frequência: o tribunal.
«Chose a life in circuses
Jumped into the deepest end
Pushing himself to all extremes
Made it, people became his friend...».
Não é propriamente «something in the way she moves», mas ele também viria, mais tarde, a trocar os passos à melodia que dedicou à primeira mulher, Patty Boyd, depois de ela ter passado para as mãos de Eric Clapton, e com uma justificação brilhante: «Acho que o_Eric nunca me perdoou por eu não ter ficado chateado de ele me ter levado a Patty».
Ao ler uma biografia sobre Harrison que essa espécie de meu irmão mais novo, Jorge Laires, fez questão de me entregar para ler em aviões – À Porta Fechada – fiquei com a ideia que sempre tive dele, do George, não do Jorge, embora sejam ambos predestinados para as cordas: viveu tão amargurado por estar continuamente na sombra de John Lennon e Paul McCartney que a pergunta que Roy Orbison lhe fez quando soube do assassinato de Lennon faz todo o sentido – «Não estás contente por não teres sido tu?». Sobreviveu-lhe mais uns anos. É estranho pensar que Harrison quando morreu era um rapazinho para a minha idade (58 anos), mas é mais estranho ainda pensar que Mark David Chapmann deu quatro tiros nas costas de John numa altura em que Lennon estava nos 40. Ainda por cima no mesmo dia em que lhe tinha assinado o último álbum. A propósito disso George também arranjou uma magnífica pilhéria para deixar de dar autógrafos: «Desculpe, mas desde Chapmann não gostou da dedicatória em Double Fantasy, estou muito renitente em fazer dedicatórias».
Perco-me. Falava da Fórmula 1 e da amizade de Harrison com Jackie Stewart. Faster saiu depois da morte de_Ronnie Peterson e tinha uma capa carregada de campeões, desde Stirling Moss a Fangio e de Jim Clark a Graham Hill, com Lauda e Stewart no meio, pois claro:
«Faster than a bullet from a gun
He is faster than everyone
Quicker than the blinking of an eye
Like a flash you could miss him going by
No one knows quite how he does it
But it’s true, they say
“He’s the master of going faster».
Nada que Lennon e McCartney não fizessem em melhor, mas não vou alimentar essa querela. 
Stewart, por seu lado, aceitou a amizade de Harrison, e depois da de Ringo Starr, como uma bênção: «George had a great soul. His instinct was to forgive rather than to condemn and, when people behaved badly, he would make excuses for them. I learnt so much from him». E contou como, uma vez, na Suíça, George começou a tocar numa viola músicas dos Beatles e a explicar-lhe como tinham surgido da cabeça de cada um: «I remember sitting there, thinking this had to be one of the greatest privileges anybody could have».
Faster não ficou para a história da música e, aí injustamente, George Harrison não ficou para a história da Fórmula 1, logo ele que viajava de Montecarlo para o Brasil e para a Austrália atrás daquilo que chamou a vida de circos. A amizade entre ele e Stewart ficou para a história dos homens. Lá no fundo talvez se ouvisse... «while my guitar gently weeps»."

Treinador ou ex-jogador

"Um dos maiores sábios que o jogo produziu, Valeri Lobanovski, ensinou que “um treinador tem de começar por esquecer o jogador que foi”, e bem pode dizê-lo, logo ele, que foi um jogador admirável mas entrou em rota de colisão com o primeiro grande mestre do futebol do leste europeu. Victor Maslov, que o treinou num Dínamo de Kiev dos inícios de 60, não via no extremo criativo Valeri o espírito gregário, com o inerente compromisso defensivo, indispensável à forma de jogar “socialista” que preconizava. No futebol também se percebe a história e a vida.
E a vida é irónica: Lobanovski, o mais rebelde dos comandados veio a tornar-se o discípulo maior do homem que lhe abreviou o fim da carreira. Maslov tinha inovado como talvez ninguém antes: sepultou o vetusto WM para se tornar percursor do 1.4.4.2, combateu a marcação ao homem como algo que “humilha e oprime moralmente o jogador que tem de a fazer” e lançou a noção de pressing, pela necessidade de retirar tempo de posse ao adversário. Mais revolucionário que isto não é fácil. Lobanovski acrescentou rigor às noções de pressing e defesa zonal mas principalmente juntou mais reflexão ao jogo. Esquecendo o jogador que foi, assumiu-se como teórico, puxou um matemático (Zelentsov) para a equipa técnica introduzindo a estatística, fundou a estratégia na preocupação de encontrar “novas formas de acção que não permitam que o adversário se adapte ao nosso estilo de jogo” e até escreveu a quatro mãos um livro sobre “As Bases metodológica do Desenvolvimento dos Modelos de treino”. E assim criou duas gerações de Dínamos em Kiev, que ficam como as melhores (de todas!) equipas da antiga União Soviética e da nova Ucrânia, primeiro a de Blokhin e depois a de Shevchenko. Em todos os grandes momentos do futebol ucraniano até ao início do século XXI o factor comum foi sempre Lobanovski, seja nas vitórias, como as das Taça da Taças de 1975 e 1985, ou nas derrotas, como a que o seu Dínamo sofreu frente ao FC Porto de Futre e Madjer na meia final dos Campeões de 87 ou a da inesquecível final do campeonato da Europa de 88, com a União Soviética a cair frente à Holanda após o golo o mais bonito já marcado numa final, o do vólei de van Basten. 
Numa sessão pública recente, um jovem amante de futebol queixava-se de não ter tido nenhum comentário no seu blog quando fez um texto - que o orgulhava, percebeu-se – precisamente sobre o histórico Dínamo de Kiev. Também aqui os comentários serão provavelmente menos do que se alinhasse umas ideias mais ou menos criativas sobre a acção dos dirigentes desportivos ou o contributo do VAR. Confesso que esses temas me cansam, que o meu jogo é outro, o do relvado, feito de boas ideias e grandes jogadores (a ordem não é arbitrária), até porque de opiniões de circunstância, segundo os amores e os humores do dia, está o futebol cheio. Como bem escreveu Rui Tavares, esta semana no Público, decerto longe de pensar nesta minha adaptação futebolística: “Olhem pelo ecrã do vosso telemóvel: ele está cheio de opiniões. Vocês não precisam de mais uma. Mas já histórias, isso sim – vamos sempre precisar de mais uma história.” São as histórias de Lobanovski, como de Maslov, ou antes deles Meisl e depois Cruyff ou Menotti que fazem o melhor da história do jogo. E às ideias juntam-se os homens para os dar o melhor que o jogo tem e teve, no sorriso de Ronaldinho Gaúcho como na rebeldia de Cantona, no codino de Baggio e nos olhos bugalhudos de Schilacci, na carapinha de Valderrama ou nas tranças de Makanaky, nos dribles incríveis de El magico Gonzalez, o deus de Cádiz, ou nos golos incomparáveis de Le Tissier, talvez o melhor jogador da história que nunca jogou numa grande equipa. Destes últimos que citei, nenhum se tornou treinador, pelo menos de topo. Talvez porque lhes fosse impossível esquecerem-se dos jogadores que foram.

Nota colectiva – Itália – a histórica azzurra falhou o Mundial mas chega impante ao Europeu, feita de juventude e golos, pela mão experiente de Mancini. Obteve vitórias em todos os jogos de qualificação, com um score indiscutível de 37-4 em golos. Construída sobre a solidez de Bonucci, Jorginho e Verratti, na maturidade de Insigne e Immobile, esta é já a geração de craques absolutos que não podemos mais perder de vista: Chiesa, Zaniolo, Barella, Tonali, Pellegrini, Sensi, mais esse talento subvalorizado que é Bernardeschi.

Nota individual – José Mourinho vai ter mais uma vida no topo do futebol inglês, que o currículo dele amplamente justifica mas em que falhar de novo é proibido. E é exigente a obra, que o Tottenham está hoje entre os 5 maiores emblemas do Reino e a herança de Pochettino é pesada. O contexto imediato favorece - no 14º na tabela, só pode melhorar - mas serão outros dois os factores críticos de sucesso: a construção de uma nova equipa técnica, mais feita de ideias para o futuro que de fidelidades do passado (e os primeiros sinais apontam nesse sentido), e a modelação de um jogar mais de iniciativa que de expectativa e com dose superior de identidade face à estratégia."

Flamengo: Jesus, o novo homem mau, coleccionador de desafectos e botinadas

"Faz 60 anos que um treinador estrangeiro ganhou um título nacional do futebol brasileiro. Por sinal, o título obtido pelo argentino Carlos Volante em 1959 - quando o Vitória da Bahia venceu o Santos de Pelé - é até hoje o único obtido por um treinador estrangeiro no Brasil.
Este é o tamanho do paradigma que o treinador Jorge Jesus deve quebrar ao se tornar campeão brasileiro de 2019 nos próximos dias, dirigindo o Flamengo.
A 11 pontos do segundo colocado, o clube carioca pode ser campeão neste final de semana, sem nem sequer entrar em campo. Basta que o Palmeiras não vença a partida de domingo contra o Grêmio. 
Jesus tornar-se-á então um campeão épico para a história do esporte nacional. É difícil falar de uma saga no futebol brasileiro sem recorrer ao seu principal intérprete: o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980). Ele preferia os jogadores aos técnicos: “Que entende de alma um técnico de futebol? Não é um psicólogo, não é um psicanalista, não é nem mesmo um padre”, zombava.
Se houvesse, entretanto, testemunhado a chegada do português ao Brasil, talvez Rodrigues baptizasse-o de Beau Geste Jesus. Tema de um livro inglês dos anos 20 (obra de P.C Wren) e de um filme americano dos anos 60 (dirigido por Douglas Heyes), a história dos irmãos Digby e Beau Geste relata como um expatriado com culpas do passado pode se tornar um herói em terras distantes. Os irmãos Geste, depois de assumirem o roubo da jóia de um lorde inglês, fogem e se alistam na lendária Legião Estrangeira.
Em busca de um novo sentido para a vida, os irmãos se redimem numa sangrenta batalha no deserto. Quando Geste teve sua tropa abatida, conseguiu reverter a derrota iminente em uma vitória espectacular.
Nelson Rodrigues usou o paralelismo do livro inglês em crónica do jogo amistoso entre as selecções de Brasil e Jugoslávia disputado em 19 de dezembro de 1968 no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte.
Os jogadores do Atlético Mineiro foram convidados a representar a selecção brasileira, sob o comando de um lendário treinador, Yustrich. A Jugoslávia era uma das forças do futebol mundial. Em 15 minutos de jogo, marcara 2 a 0 e dava a impressão de que imporia uma goleada aos brasileiros. Eis que os brasileiros reagiram e viraram o placar. Um feito heróico, na narrativa superlativa de Rodrigues: “Foi um espectáculo empolgante de paixão. Mas eu pergunto: quem foi, acima de todos e de tudo, o autor do milagre? Eis o seu nome: Yustrich. Temos a mania de dizer que técnico não ganha jogo. Bem sei que ele não dá uma única e escassa botinada. E nem enfia os gols da vitória. Mas, sem aparecer, ele pode estar por trás de cada botinada, dispondo. E o nosso Yustrich é do tipo guerreiro do capitão de Beau Geste”.
A graça da história é que Yustrich, tendo nome de estrangeiro, jeito de estrangeiro e temperamento de estrangeiro, não passava do interiorano mato-grossense. Dorival Knippel (1917-1990) tomou o nome do goleiro argentino Juan Elias Yustrich pela semelhança física que tinham.
Do alto dos seus quase um 1,90m de altura e de temperamento explosivo Yustrich ficou marcado por polémicas, troca de sopapos e ameaças de morte, folha corrida que lhe valeu o apelido de “O Homem Mau”.
Tal epíteto pode ser usado agora para mostrar como diversos treinadores brasileiros têm reagido ao sucesso de Jorge Jesus - - que está por trás de cada gol, cada botinada, cada jogada ensaiada do Flamengo. Sua chegada ao Brasil, com a próxima vitória do Brasileiro e a classificação para a final da Libertadores, reacendeu a discussão sobre conceitos, formação, qualidades e defeitos dos treinadores nacionais.
De Renato Gaúcho a Argel Fucks, passando por Mano Menezes e Vanderlei Luxemburgo, os técnicos do país verbalizaram o incómodo com o que chamam de “oba-oba” em torno do treinador português. 
Mano Menezes, técnico do Palmeiras, questionou os seguidos elogios a Jorge Jesus. "O jeito que o Flamengo está jogando agrada a todo mundo. Os técnicos não somos contra isso. Mas não podemos achar que o futebol brasileiro começou agora." O presidente da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol, Zé Mário, 70, zombou: “Quero ver Jorge Jesus já disse não entender a antipatia dos treinadores brasileiros".
"Sou um treinador como eles, vim trabalhar. Não vim tirar o trabalho de ninguém, não vim ensinar ninguém. Também queria lembrar para os meus colegas que em Portugal já trabalhou um brasileiro, chama-se (Luiz Felipe) Scolari, um grande treinador . Foi acarinhado por todos os treinadores portugueses. Além dele (Felipão) teve Lazaroni, Abel Braga, Carlos Alberto, René Simões, Paulo Autuori. E nós treinadores portugueses, quando eles tiveram lá, tentávamos aprender e tirar alguma coisa positiva e nunca foi essa agressividade verbal que os treinadores brasileiros têm sobre mim. Não entendo essas mentes fechadas”, exacerbou-se.
A verdade é que Jesus colecciona desafectos entre os treinador já há algum tempo. Em Abril de 2014, trocou empurrões com o espanhol Julen Lopetegui, quando um estava no Benfica e outro no Porto. Jesus fizera um trocadilho com o nome do adversário, chamando-o de “Lotopegui”. A TV registrou a reacção do espanhol: "Se mudar meu nome novamente, dou um soco em você".
Ex- técnico da Selecção da Espanha e do Real Madri, Lopetegui, hoje no Sevilha, nunca perdoou Jesus. “Não tem categoria. Ele fala muito, fala de todos, porque tem um manto protector. Quando perdê-lo, vai encarar a realidade”.
De certa maneira, Jorge Jesus representa uma chacoalhada nos métodos e nos principais personagens do futebol brasileiro. Conseguiu resultados muito rapidamente porque trabalhou por eles, não se atendo a limites que os boleiros brasileiros atribuem ao subdesenvolvimento dos gestores do futebol. Afinal, como diria Nelson Rodrigues, subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos."

Borg foi ídolo Federer é Deus

"Federer gera uma experiência religiosa ao jeito dos Rolling Stones. King Roger tornou-se no deus do ténis. 

O ténis continua a atrair muito público, alguns torneios bateram recordes de afluência este ano.
Até mesmo na China, onde é habitual vermos estádios com clareiras, a situação melhora, à medida que também se sente a emergente classe média, à qual o ténis apela como símbolo de elevador social e liberdade individual.
A democratização do ténis nos anos 70 do século XX e a sua progressiva popularidade nas décadas seguintes trouxe um novo público, mais colorido, entusiasta, ruidoso, que festeja nas bancadas como num estádio de futebol.
O ambiente de ‘country club tennis’ não desapareceu e ainda pode ser testemunhado em alguns torneios, como na relva de Newport (Rhode Island), Queen’s Club e Wimbledon (ambos em Londres), nos quais, em momentos de enorme importância, o silêncio total é tão ensurdecedor quanto a descontrolada gritaria dos ébrios numa sessão nocturna do US Open.
Há também públicos distintos numa mesma metrópole. Em Paris, os espectadores do Masters 1000 de Paris-Bercy, num bairro limítrofe, não têm nada a ver com os de Roland Garros junto ao Bosque de Bolonha.
Em Londres sucede o mesmo com a oposição dos bairros chiques do Queen’s Club (West Kensington) e Wimbledon (entre Wimbledon Village e Southfields no Sudoeste), ou, esta semana, a O2 Arena, que recebe o Masters (ou Finais do ATP Tour), no mais popular Sudeste de Londres.
E depois… há o público de Roger Federer.
A dicotomia tenística entre Bjorn Borg e John McEnroe, aliada à loucura dos anos 70, trouxe ao ténis extraterrestres que se divertiam a provocar ‘Big Mac’, à espera da próxima explosão de mau génio do genial campeão norte-americano.
Federer cria uma loucura por onde passa, brotando tanto energúmenos – como os que insultaram o seu adversário Novak Djokovic na final do US Open de 2015 –, como mais exóticos exemplos, como John Burke, o ‘speaker’ do parlamento britânico, que cita Federer nos discursos e assiste, ao vivo ou na TV, à maioria dos seus encontros.
Nunca houve um ídolo como Borg, que provocava histéricas reacções como os Beatles, algo que hoje parece impensável aos jovens que enchem os festivais de música.
Mas Federer gera uma experiência religiosa ao jeito dos Rolling Stones. King Roger tornou-se no deus do ténis. Tal como na banda de Mick Jagger, nunca se sabe quando será a sua última tournée e todos queremos estar lá para contar depois.
É essa mística que Nadal e Djokovic provavelmente nunca atingirão, mesmo que ganhem mais títulos do Grand Slam, mesmo que um dia sejam eles o melhor tenista de todos os tempos."