Últimas indefectivações

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ódio na noite

"Há actos de cobardia que não podem ficar sem resposta. O Benfica foi vítima de um desses actos ao ver apedrejados o autocarro que transportava a sua equipa e o carro do seu presidente, após o excelente resultado alcançado em Paços de Ferreira. O Benfica respondeu depressa e bem, separando com clareza as águas entre a dignidade do acto desportivo e a atitude infame de quem ataca à traição, a coberto da escuridão da noite, lançando pedras a partir de um viaduto. Também a ministro da Administração Interna respondeu com prontidão e firmeza. O Benfica podia ter incendiado os ânimos, mas não o fez, apelando à serenidade dos adeptos e à ausência de qualquer forma de retaliação, dando mais uma prova de responsabilidade cívica e de elevação institucional.

Tomando de empréstimo o título do livro de um escritor italiano, pode dizer-se que 'as palavras são pedras'. E há, de facto, palavras que magoam muito mais do que as pedras, sobretudo quando são proferidas por quem devia estar calado. Mas as pedras verdadeiras não só magoam como são reveladoras de um sentimento miserável e perigoso: o ódio. Foi disso mesmo que se tratou, e é difícil fugir a essa constrangedora constatação.

Continua a haver quem lide mal com a grandeza do Benfica e com a sua expressão nacional e internacional. A melhor resposta às pedras da inveja e do ressentimento são resultados como o obtido na Mata Real. Esses acertarão sempre em cheio nos espíritos fracos e mesquinhos.

Recordo-me de, há uns anos, esta forma de agressão cobarde ter custado a vida a alguns condutores em estradas portuguesas. Esse fantasma renasceu com esta acção terrorista, que exige investigação urgente e punição severa e célere. Os campos de Futebol não podem ser territórios de guerra de onde emerge a cobardia que fica impune.

Como dizia a minha avó, na hora de punir os culpados 'que não doam as mãos' a quem castiga, dentro da lei e em nome da justiça e da paz de que todos tanto precisamos."


José Jorge Letria, in O Benfica

Ridi Pagliaccio

"Pela porta entreaberta da taberna, vinda da janela com tabuinhas da Laura do 14, entra a ordem cantada em italiano:

-Ridi Pagliaccio! La gente paga, e rider vuole qua!

Sentado à mesa da batota, o Palhaço ri. Um riso velho de dentes amarelos de cáries e de mentiras. É assim a vida do Palhaço.

-Bah! Sei ti forse un uom? Tu se' Pagliaccio!

O Palhaço não tem graça. Ri-se sozinho nesse riso de rio de vinho tinto e em seu redor, salivando, os rafeiros arfam e abanam as caudas numa alegria estúpida de quem só sabe viver com dono. O Palhaço não é cómico: é trágico. Bah! Se ao menos fosse um homem. É um Palhaço. Veste o fato e enfarinha a cara. O nariz já não é vermelho de ser nariz de palhaço; é vermelho de álcool e esclerose.

A Laura do 14, no intervalo da clientela, pendura à janela as ceroulas do seu Palhaço que vai chegar a casa pela madrugada, de hálito apodrecido e restos de vomitado nos cantos da boca mal desenhada num sorriso grotesco. O Palhaço chega a casa exactamente dez minutos depois de ter saído o último cliente: o guarda republicano. Se há uma virtude no Palhaço é essa: é tão previsível, o Palhaço.

Ao longo da noite, esgota-se o rio de vinho tinto. O Palhaço bebe como uma esponja. Solta gracejos labregos de palhaço muito pobre e espoja-se no seu próprio vómito.

-Ridi, Pagliaccio. E ognun applaudirà!

O Palhaço está velho. O Palhaço não controla as entranhas. O Palhaço é triste, muito triste. Já nem a morte salvará o Palhaço do ridículo.

O Palhaço não tem crédito. Já nem na taberna de rio de vinho tinto, o Palhaço tem crédito. O taberneiro quer fechar. A Laura do 14 já cerrou as tabuinhas, mandando o guarda republicano para a cama da mulher. Os rafeiros já saíram de rabo entre as pernas à procura de pedaços de comida no lixo que os alimenta. O Palhaço leva a mão ao bolso e só encontra nele duas pedras e uma bola de golfe já usada."


Afonso de Melo, in O Benfica

O resto dos restos

"Tem semanas mas, ainda assim, não é coisa que se deva olvidar. Anões de saltos altos, assim chamo aos que se querem fazer maiores do que são, a qualquer preço. São-no os bajuladores, lambe-botas, intriguistas, conselheiros mal intencionados, informadores e gente que aldraba em proveito próprio, mesmo quando o ganho é de pouca monta. É certo que o estádio é uma bela obra, merecedora de prémio, é certo, também, que a cidade e os cidadões merecem ser dissociados do clube, dos adeptos com complexos de inferioridade mas, depois dos incidentes registados na 'pedreira', torna-se difícil encontrar atenuantes e inocentes por lá. Assiste-se ao eclodir de um anti-benfiquismo primário. Onde outrora moravam benfiquistas hoje habitam seres pequenos que se mostram servis perante os detentores do poder, conquistado com o recurso a entradas a pé juntos, cargas por trás e outras jogadas à margem da lei.

Os aprendizes de membros de sociedades secretas curvam-se às leis do medo, do vale tudo, e agora montam-se em escadotes para parecer maiores.

Há justificações para hinos contra o Sport Lisboa e Benfica, para o disparo de bolas de golfe e para tamanha e ostensiva agressividade? Não serão esses gestos próprios de outro tipo de público, daquele que tem construído e empunhado as suas armas num contexto de claro confronto com o SLB? Esse tipo de público odeia o Benfica, sem que se dê ao trabalho de perceber porque raio existe o ódio, mas esse público, com os seus defeitos, é autêntico na criminalidade e instinto provocatório. Esse é o original. Os anões de saltos altos nem disso se podem orgulhar, afinal, são uma cópia rasca de rascos falsários. São o resto o resto dos restos, o lixo dos lixos.

É uma pena termos chegado a este beco, nauseabundo e sujo. Pedem todos quantos gostam de Futebol, para que, de uma vez por todas, não se confunda rivalidade com batalha campal. E nem com escadas, os anões de saltos altos saberão aproveitar o espectáculo."


Ricardo Palacin, in O Benfica

quinta-feira, 31 de março de 2011

Inácio teve mais votos, Futre teve muito mais piada

"NÃO haja dúvida de que Frank Rijkaard tem uma relação com o Sporting. Mas é uma relação impossível.

Já são duas as vezes que lhe acontece ter estado quase em Alvalade sem nunca conseguir consumar a relação. No tempo de Jorge Gonçalves foi apresentado como unha do leão, vestiu a camisola mas nunca deu um pontapé numa bola por razões burocráticas impostas pela FPF, ao tempo de Silva Resende.

Agora foi apresentado pela lista de Dias Ferreira como treinador mas entendeu ser melhor nem aparecer por Lisboa porque (embora se trate de um provérbio difícil de traduzir para flamengo) gato escaldado de água fria tem medo e Rijkaard, a esta hora, já deve estar mais do que convencido de que com o Sporting só vai ter arrufos pela vida fora.

Ainda assim, a lista de Dias Ferreira colheu 16 por cento dos votos dos eleitores sportinguistas, o que é uma votação significativa e honrosa para o seu cabeça de lista, porventura o mais genuíno de todos os candidatos na corrida.

Fica apenas a dúvida de se saber se os 16 por cento dos votos foram para Dias Ferreira, pelo seu sportinguismo latejante, se para Frank Rijkaard pelo seu sportinguismo flamejante ou se para Paulo Futre, pelo seu sportinguismo hilariante.

Futre, que foi um caso único de talento no futebol português, revelou-se nas vésperas da eleição como um caso único de talento na área da comunicação.

Haja um canal de televisão que lhe dê rapidamente um programa semanal para o vermos o ouvirmos desfiar as suas memórias e analisar ao som de castanholas e ao ritmo frenético de seu portunhol as pequenas e as grandes ocorrências presentes do futebol português.

E Paulo Futre nem precisa de entrevistador ou de moderador. Era só pô-lo sozinho em frente ao microfone e, como sempre acontecia quando jogava à bola, é só deixar que a magia aconteça.

E agora? Será Domingos Paciência o próximo treinador do Sporting? É uma escolha lógica dentro de um certo espírito de continuidade que impera na casa.

Domingos, enquanto jogador, foi e é uma referência do FC Porto, qualidade muito apreciada em Alvalade. Costinha, embora, num outro cargo foi o último exemplo dessa saga.

E nas listas derrotadas no sábado havia em compita dois ex-campeões europeus pelo FC Porto: Inácio e Paulo Futre.

Inácio teve mais votos mas Paulo Futre teve, de longe, muito mais piada.



SEJA quem for o próximo treinador do Sporting vai ter de ter muita sorte ao jogo para que as sequelas desta campanha eleitoral não transformem o clube num Estado fragmentado por mil e uma quezílias.

A vitória de Godinho Lopes por um número inexpressivo de votos (melhor dito, de votantes) teve o condão de conferir aos derrotados de sábado um estatuto privilegiado da chamada Oposição qualificada.

E será necessária uma grande contenção de massas para evitar motins se os resultados não aparecerem com Domingos Paciência ou com qualquer outro responsável.

E é este o problema do Sporting: a contenção de massas nos seus dois significados possíveis, o popular e o financeiro.

José Maria Ricciardi, o banqueiro afecto à linha vencedora, já avisou com clareza: «Há que igualar as receitas às despesas e investir em jogadores jovens».

Ou seja, há que fazer uma contenção de massas porque a Banca não é a Santa Casa da Misericórdia.


A Noruega e a Dinamarca empataram e Paulo Bento respira de alívio vendo a sua vida mais facilitada. Bento não herdou de Carlos Queiroz uma qualificação complicada para o Euro 2012, deve-se dizer porque é esta a verdade.

Foi de uma gestão política lamentável da Federação Portuguesa de Futebol que nasceu triste arranque da Selecção nesta campanha. E não foi só lamentável, foi também mesquinha.

A vontade de despachar Carlos Queiroz sem lhe pagar a indemnização devida pela interrupção do contrato foi o fundamento de toda a acção da FPF.

Veio agora o Tribunal Arbitral Desportivo, uma organização internacional, dar razão a Queiroz mas o ex-seleccionador, no lugar de ficar contente e de se limitar a dar ordem ao seu advogado para prosseguir a contenda, resolveu responder taco-a-taco a Pepe, também ele bastante infeliz nas opiniões que resolveu proferir sobre os atributos do treinador que conduziu Portugal no Mundial da África do Sul.

Pepe é luso-brasileiro, como Deco e Liedson, e nunca ouvimos Carlos Queiroz, enquanto teve estes homens à sua disposição, protestar contra os naturalizados na Selecção ou desdenhar, com pretensa superioridade catedrática, do sotaque doce do outro lado do Atlântico.

Fê-lo agora e com um despropósito e uma falta de graça que até doeu. Se Paulo Futre não tivesse surpreendido o país com os seus dotes humorísticos que o alcandoraram a uma posição de super-estrela do youtube, Carlos Queiroz teria sido, com a sua muito desinspirada rábula em brasileiro, o palhaço triste da semana.

Mas, felizmente tivemos Futre que, sem a mania das grandezas, não disse mal de ninguém e nos fez rir com gosto.


O novo presidente do Sporting, acusou o jornalista Nuno Luz, da SIC, ter sido o responsável pela confusão em Alvalade, na noite eleitoral, provocando acesos momentos de pugilato sem regras, coisa rara de se apreciar num clube de viscondes.

Segundo Godinho Lopes, o jornalista Nuno Luz terá induzido em erros milhares de sportinguistas ao anunciar, erradamente, que o candidato Bruno Carvalho tinha recolhido a maioria dos votos.

O que, aparentemente, não aconteceu.

Terá havido até muitos sportinguistas que se foram deitar absolutamente convencidos de que Bruno Carvalho tinha ganho as eleições.

No domingo à noite, pronto, já tenho programa.

Se o FC Porto ganhar na Luz e se sagrar campeão na nossa casa, resta-me ligar para a SIC Notícias para ouvir o bom do Nuno Luz dar a notícia.

E como foi o Nuno Luz a dar a notícia, então é porque não é verdade e uma pessoa sempre pode dormir descansada.

Estão a ver como os jornalistas são indispensáveis nesta indústria do futebol?"
Leonor Pinhão, in A Bola

A minha Selecção

"Desde que há mais de 50 anos leio A BOLA, sempre me deliciou acompanhar os campeonatos das divisões ditas secundárias e até de algumas de nível distrital. É, na mesma lógica, que muito aprecio um tão diferente quanto eloquente programa televisivo, A Liga dos últimos, verdadeiro serviço público, feito com sensibilidade e inteligência.

Por estes dias - e para me distrair um pouco dos PEC e similares - revisitei essas competições. E fiz um exercício: tentar seleccionar duas equipas virtuais de entre jogadores da 2.ª Divisão (em boa verdade, da 3.ª), escolhendo-os pela originalidade ou conveniência do seu nome pessoal ou artístico. Num quadro multinacional e bem sul-americanizado que invadiu todas as divisões, não foi tarefa fácil. Muitos tiveram de ficar de fora. Novas oportunidades surgirão.

Ora ai vão os plantéis, depois de uma aturada observação onomástica:

Equipa A: guarda-redes - Passarinho; defesas - Gancho, Mocas, Moisão e Bulhão; médios - Canelas, Nuno Meia, Bijou e Xavi; avançados - Makhtar e Ruça.

Equipa B: guarda-redes - Fifas; defesas - Lixa, Micas, Lapinha e Nabor; médios - Rateira, Traquina, Talala e Gambé; avançados - Marafona e Mamadou.

Banco de suplentes da equipa A: guada-redes - Boubacar; defesas e médios - Bruninho, Huginho, Baixinho e Ruizinho (creio que ainda juniores); avançados - Xico Trabuca e Kifuta (se tivesse um r entre o f e u, grandes voos o esperariam).

Banco de suplentes da equipa B: guarda-redes - Piteu; defesas e médios - Taroco, Cobó, Badará e Atabu; avançados - Pituca e Zongo.

Os árbitros poderiam ser, como de costume, da firma Olegário, Benquerença & Xistra, Lda., acolitados por Espadinha e Lamares.

O seleccionador, Lampião Félix."


Bagão Félix, in A Bola

Fim-de-semana chocho

"Arriscando-me a ser politicamente incorrecto, acho que um fim-de-semana com um jogo amistoso (mas não são todos?) da nossa Selecção e sem competições entre clubes é cinzentão, sem a adrenalina própria do futebol entre muros. É certo que houve eleições no Sporting (a propósito, continua-se a ouvir gente a dizer «Sportem»!), que, no entanto, animaram apenas os seus adeptos.

Mas vendo os jogos da nossa Selecção, lembrei-me de algumas medidas, que aplaudiria se o próximo presidente da FPF as tomasse. Ei-las:

1. Trocar de fornecedor do equipamento da Selecção para que, de uma vez por todas, nos fixássemos em cores e design discretos e duradouros, como fazem, por exemplo, a Itália e Inglaterra, em vez de mudarmos constantemente e oscilarmos entre o principal tipo Liverpool e o alternativo modelo Estrela da Amadora.

2. Evitar fazer jogos de preparação(?) com as Ilhas Faroe, Lichtenstein, Luxemburgo e Andorra, por pudor e poupança.

3. Diminuir, drasticamente, a pletora de técnicos, subtécnicos, infratécnicos, observadores, preparadores, similares, afins e correlativos que têm, na FPF, um refúgio bem remunerado.

4. Apoiar, por razões práticas, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (que eu... só obrigado) para se ajustar ao seleccionado luso-brasileiro e ao conflito Queiroz/Pepe.

5. Fazer respeitar A Portuguesa e o Hino Nacional das outras selecções, que alguns teimam em misturar alarvemente com impropérios e apupos.

6. Por fim, ser muito selectivo nos minutos de silêncio nos estádios, desde que estes se transformaram numa vergonha de desrespeito e javardice, como se sessenta segundos sem vozearia e gritos fossem uma eternidade."


Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bruno César




"Comunicado
Bruno César assinou pelo Benfica

A Sport Lisboa e Benfica-Futebol, SAD, vem informar que chegou a acordo com o SC Corinthians para a transferência definitiva do atleta Bruno César Zanaki. O contrato de trabalho desportivo que liga a Sociedade ao atleta é válido por seis épocas desportivas, com início a 1 de Julho de 2011 e válido até 30 de Junho de 2017. Bruno César Zanaki vai integrar o plantel do SL Benfica a partir de 1 de Junho, mantendo-se, até lá, integrado na equipa do SC Corinthians. Mais se informa que o montante da cláusula de rescisão expresso no referido contrato de trabalho desportivo é de €30.000.000 (trinta milhões de euros). Nos últimos dias foram vários os meios de comunicação social, portugueses e brasileiros, a publicar entrevistas ou declarações que supostamente teriam sido dadas pelo atleta Bruno César. O grave é que nunca o jogador deu qualquer dessas entrevistas. Alertados os meios de comunicação para o logro da situação e para o facto de um irresponsável se estar a fazer passar pelo jogador, pelo telefone 00551478343733, poucos tiveram atenção ao facto, preferindo continuar a reproduzir as referidas declarações. O facto já foi denunciado às autoridades brasileiras e o próprio jogador vai agir civil e criminalmente. Não perca a entrevista com o novo reforço do SL Benfica às 19H30 na Benfica TV."




Caminho aberto para a final





Dia grande para o Futsal do Benfica, vitória dilatada na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, e a renovação do contrato com o nosso maior goleador, Joel Queirós.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sidnei, +3 anos, até 2016



...e ainda um esclarecimento sobre algumas noticias de hoje:
"Comunicado SAD


Com o aproximar do fim da época desportiva começam a surgir notícias totalmente infundadas, cuja autoria deve ser imputada a pessoas pouco sérias e com natural interesse na divulgação deste tipo de especulações. Assim, quer em relação ao possível interesse do Sport Lisboa e Benfica no médio do Standard de Liège, Steven Defour, quer em relação ao avançado do Bayern de Munique, Miroslav Klose, a Benfica SAD vem esclarecer que não há, nem nunca houve qualquer interesse na sua aquisição para o plantel “encarnado”. A planificação da próxima época desportiva está há muito tempo feita e não se compadece nem com acções repentistas, nem com notícias ‘plantadas’ por alguns agentes desportivos em alguns meios de comunicação, razão pela qual os próprios jornalistas devem passar a filtrar melhor as muitas informações que certamente lhes vão continuar a fazer chegar."

Fé !!!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Um gigante!

"Devo confessar que, num primeiro momento, a contratação de Roberto não me entusiasmou particularmente. Por se tratar de um jovem, por não actuar num clube de primeira grandeza, não o conhecia suficientemente bem. Parecia-me, também, que não era de um guarda-redes que o Benfica mais precisava naquela altura, além do elevado custo da transferência fazer aumentar os riscos.

Os primeiros tempos de Roberto na Luz não ajudaram a dissipar as dúvidas. Algumas exibições menos conseguidas lançaram-no para o banco dos réus, e muitos tentaram responsabilizá-lo pelo mau início de época do Benfica (procurando iludir a perseguição de que fomos alvo por parte de certas arbitragens). A verdade é que, volvidos poucos meses, o guarda-redes espanhol tornou-se uma das grandes figuras da nossa equipa.

Descontando um ou outro momento menos feliz, Roberto tem justificado amplamente a contratação, mostrando-se um gigante na baliza e prometendo ainda mais para o futuro. Não esqueçamos que se trata de um jogador com margem de progressão, sobretudo, atendendo à posição específica que ocupa - na qual a experiência é mãe da perfeição.

Recordo que o grande e saudoso Manuel Bento, aos 24 anos, (idade com que o Roberto chegou à Luz) ainda andava pelo Bairreirense, e só muito mais tarde viria a tornar-se naquilo que foi: um dos melhores guarda-redes portugueses de todos os tempos. Acresce que Roberto já demonstrou uma característica que ninguém de boa fé lhe poderá negar: é senhor de uma força mental assinalável, através da qual lhe foi possível resistir à campanha negra que certa Comunicação Social lançou sobre ele naquela fase inicial da temporada - a qual, diga-se, os benfiquistas ajudaram a combater, pois mesmo aqueles que, como eu, não tinham ainda certezas quanto à sua capacidade, nunca deixaram de o apoiar nos momentos mais difíceis.

Hoje ninguém duvida que Roberto é um guarda-redes para o futuro. Debaixo dos postes já é quase intransponível. No jogo aéreo vai, certamente, melhorar com o tempo."

Luís Fialho, in O Benfica

Considerações (FPF)

"Como eu calculei, os estatutos da FPF não foram aprovados na sua totalidade. As tais alíneas, que os incomodam, não fosse a arbitragem o ponto central da divergência, vão-se continuar a manter, porque eles não abdicam daquilo que os consegue manter à tona de água desde 1979. Com lisura e transparência eles podem ganhar campeonatos e taças do mesmo modo. O que acontece é que em dez anos ganham dois ou três troféus. E isso eles não querem porque odeiam o Benfica pela sua grandiosidade. E mesmo ganhando, continuam a odiar-nos. É como o anão, com os seus 70 cm, e por muito que tenha de património, roubando, odeia o vizinho que tem 1.87 m. E é por isso que eles são e serão sempre: uns anões.

É só verificar as duas mãos em lance idêntico: Roderick-penálti; Rolando-Gralha.

Ainda por cima são uns mentirosos de todo o tamanho. O nosso consócio, Pragal Colaço, tem sido vítima, dessas calúnias. É só ver o que escreveu o merceeiro Moreira nos jornais. Nem com laca no cabelo e trajes de cerimónia, deixa de ser um mentiroso. Porque é tudo só fachada.

As nossas modalidades, hei-de perder umas semanas dedicadas só a elas, estão em grande. O Andebol, mesmo perdendo tem vindo a subir de jogo para jogo, e acredito que iremos ganhar mais coisas. O que se tem vindo a fazer nas camadas jovens das modalidades dá-nos segurança e boas perspectivas quanto ao futuro.

Estreou um novo filme, cujo título é 'O ladrão e a garota de programa', num pavilhão perto de si. Rui Tendinha, crítico de cinema, que o comente."


José Alberto Pinheiro, in O Benfica

Um chinês

"From: Domingos Amaral

To: Paulo Futre


Caro Paulo Futre

À hora a que te escrevo ainda não sabemos quem será o novo presidente do Sporting, mas já sabemos que a tua conferência de imprensa entrou para a história dos momentos inesquecíveis da televisão portuguesa. Há muito que não me ria tanto, e nos dias seguintes, em qualquer sítio que se juntassem mais de dois portugueses, alguém tentava imitar-te, à tua intensidade alucinada, à tua pronúncia geograficamente inexplicável, pois nem era espanhola nem portuguesa, mas especialmente às tuas maravilhosas teorias sobre táticas, balneários, espíritos de grupo, contratações e, mais do que tudo, a teoria do chinês. Será, para sempre, um momento para recordar. Tal como todos se lembram do Marco, no “Big Brother”, quando ele dizia “falam, falam, mas não os vejo a fazer nada”, as pessoas recordar-te-ão a falar do extraordinário vigésimo jogador que irias contratar para o Sporting, um chinês! Sim, um chinês! Mas, como explicaste, não era um chinês qualquer, de olhos em bico e gosto por shop suei, era o “melhor jogador chinês da atualidade”! Genial, a sugestão, mas mais genial ainda a razão! O Sporting teria um chinês porque assim viriam “charters”, “todas as semanas”, com “400 chineses”, para assistir aos jogos do Sporting. E que ainda por cima, conseguiriam “descontos” em restaurantes e museus! Um chinês… charters… 400 chineses… em Alvalade… a visitar museus e a comer em restaurantes… genial, não é? Portugal inteiro rebolou-se a rir, e tenho portanto de te agradecer. Obrigado por nos teres dado este momento, pois, em época de crise, rir é o que nos resta, e tu conseguiste fazer rir o país inteiro."


Corrupção e desporto

"Chega até nós mais um relatório de uma organização não governamental que atesta que a impunidade da corrupção é promovida pela nossa lei e pelo sistema de aplicação da justiça. Desta feita foi a “Transparência e Integridade, Associação Cívica”, o braço nacional da Transparency International, que o confirmou. Algumas observações que resultam desse relatório: (i) a prescrição de processos não permite a punição dos crimes; (ii) o sistema judicial e os seus intervenientes são facilmente manipulados por arguidos detentores de maior influência política, social ou económica; (iii) não existe um “corpo estadual” com poderes especiais de investigação e prevenção da criminalidade económico-financeira.

São conclusões lúcidas. Ademais, continuo a pensar que, independentemente da maior ou menor bondade da lei – recentemente melhorada –, o papel fundamental cabe ao denodo e à coragem dos senhores magistrados dos nossos tribunais, sejam os procuradores do Ministério Público, sejam os juízes, em todas as instâncias. Mais do que meros “funcionários” dos tribunais, os magistrados judiciários são agentes da preservação dos valores que as leis difundem. E o “funcionalismo” desprendido da carga ético-preventiva que uma boa decisão veicula tem sido nefasto: os arquivamentos e as absolvições em casos factualmente ricos (ou deficientemente investigados) contribuem para a proliferação das más práticas e o descaminho da noção de “vergonha”. Já basta quando é muito difícil investigar e pouco ou nada se obtém. Isto é, por cada evento de corrupção que se escapa com uma nebulosa argumentação jurídica, muitos outros, pelo exemplo de impunidade, se seguirão. Este é o drama. Extensível à agressão verbal, à violência física e ao dano patrimonial.

Depois, a lei. Quando vemos condenações por corrupção, temos visto que as penas não são cumpridas efetivamente. Para um jurista esta é uma consequência percebida porque admitida pela lei. Mas suspender penas pesadas não é compreensível pelo leigo, que aí vê um “perdão” do “sistema”. É claro que a suspensão da prisão justifica-se em muitos casos concretos. Mas terá de ser feita quase como regra inflexível quando a corrupção (ou crime próximo) merece 3, 4 ou 5 anos de prisão? Enquanto a lei não proporcionar outras soluções que invertam o descrédito, as condenações não terão efeito preventivo e o trabalho judiciário revela-se inglório.

A não ser para os sectários – verdadeiros “inimputáveis” em sede desportiva –, o desporto não pode deixar de contar para os relatórios da corrupção e do tráfico de influências ilegítimo. Não podem ser denunciados no balcão das autarquias ou na inspeção das empresas e “desaparecer” nos bastidores dos estádios e dos pavilhões: o país não conhece fronteiras no assalto à ética e à decência. Esta é a luta futura do nosso desporto. Que merece uma estratégia clara e integrada – entre o Estado (com meios), o Ministério Público (com ação), os juízes (com estudo e combatividade), as federações e as ligas (com exemplo) – num próximo Governo para Portugal: um desporto limpo de violência, de dopagem e de corrupção."


...a interminável odisseia do Paulinho !!!

ADENDA:

domingo, 27 de março de 2011

Nuno com Jesus

"Que bicho mordeu ao Nuno Gomes? Que é que lhe deu para desatar a marcar golos nos poucos minutos que põem ao serviço a sua disposição concretizadora? 'Nuno, amigo, andas a brincar com isto?', também a brincar, muito a brincar, foi o que lhe disse, telefonicamente, no dia seguinte ao triunfo em Paços de Ferreira, que contou com dois golos de lavra do mais reputado dianteiro em actividade nos relvados domésticos.

O Nuno, que é uma pessoa excepcional, riu-se com a minha provocação. Estava feliz, só podia. Não falou dele, falou do colectivo, falou do Benfica, do seu e do meu Benfica, do nosso Benfica. Prometeu, e até não era preciso, jamais renunciar à dedicação benfiquista, que no seu caso significa golos e apego inexcedível ao grupo. O Nuno é mesmo assim, sempre foi assim, sempre será assim.

Há quem coloque em causa as opções técnicas de Jorge Jesus, sustentando a capacidade do Nuno para uma utilização mais constante e mais dilatada. Grande injustiça, enorme disparate! As coisas são distintas. Jorge Jesus sabe melhor do que ninguém o que mais serve os interesses da equipa. Se o Nuno marca golos, quando é chamado ao teatro das operações, o mérito também não pertence a Jorge Jesus?

As virtudes recentemente patenteadas pelo Nuno não podem servir para dividir a tribo vermelha. O Nuno e Jorge Jesus não são incompatíveis, antes são de todo compatíveis. Ambos querem o melhor para o Benfica. Felizes os benfiquistas que têm o Nuno sempre pronto a marcar e um técnico como Jesus sempre sagaz nas opções mais aconselháveis com o fito de garantir delícias garridas."


João Malheiro, in O Benfica

Pela segunda vez, Nuno Gomes

"Melhor sensação não deve haver, ser acarinhado pelo público, entrar no relvado com a certeza de que se vai marcar golo e, depois, fazê-lo e ser aplaudido de pé. Com lágrimas de alegria e cânticos de incentivo e agradecimento- «Nuno Gomes, és o maior!», foi ouvido um pouco por todo o lado no Estádio da Mata Real. Dois golos, dois, tão importantes como a vitória conquistada ante o Paços de Ferreira, dois golos plenos de oportunidade. Com alegria, confiança e humildade merecedora de respeito supra-clubístico, assim pisaste e continuas a pisar os campos de futebol.

Sou um dos milhões que te admiram e o teu desempenho notável justifica que recupere o que escrevi a teu respeito há cinco meses neste Jornal: «És grande, quando jogas a quando não jogas, para mim enquanto adepto e sócio continuas a ser o melhor pivot atacante português, és quem melhor constrói oportunidades e quem melhor faz jogar junto às balizas adversárias. Contigo, ao futebol nacional não faltam vinte metros, nem dez, nem cinco, contigo não falta nada ao espectáculo, à satisfação do público e à presença deste grande Clube nas competições que orgulhosamente disputa. Contigo, a emoção não arreda pé do relvado. As pessoas vêm ao Estádio para te ver, para gritar o teu nome, para se sentirem bem representadas em campo, para terem a certeza de que são correctamente defendidas durante a hora e meia de jogo. É por causa de jogadores como tu que o pontapé na bola ainda é um desporto capaz de fazer esquecer os objectivos comerciais de um negócio de milhões. Respeitamos-te, estamos contigo hoje e sempre, alinhes de início ou nem sequer jogues».

Esta crónica não vale grande coisa mas tu vens valor mais do que suficiente para seres aqui destacado as vezes que forem necessárias. Por mim e por outros. Símbolo do Sport Lisboa e Benfica, glória de Portugal, goleador ímpar à escala mundial, és, de facto, um dos maiores, Nuno."


Ricardo Palacin, in O Benfica

Rescaldo humorístico da desgraça alheia !!!

Nuno Luz, sempre por baixo da notícia!!! Estas eleições pareciam uma arbitragem do Elmano!!! Repetir, até que o 'gajo' falhe o penalty!!! E a Líbia aqui tão perto!!! A diferença é que em Alvalade o Khadafi vai mudando de nome: ora Roquete, ora Bettencourt, ora Godinho...!!! Grande Filme !!!

Fonte: Boloposte, Bnr B


A verdadeira mensagem de Futre, revelado por Rui Unas !!!



...e ainda, a bicada da Águia RAP !!! ...apesar de tudo sou obrigado a assumir, que este é um dos casos, onde a realidade supera em muito a ficção!!!



Adenda:



Volta, cooptação!

"Tenho de dar o braço a torcer. Só agora, depois de assistir à campanha eleitoral que terminou ontem, é que me apercebi das razões por que a primeira opção do Sporting tem sido quase sempre a cooptação. Se é isto que sucede quando o clube vai efetivamente a votos, então permitam-me parafrasear Churchill: a cooptação é o pior dos sistemas com exceção de todos os outros.

Mas o nível da campanha eleitoral foi tanto mais chocante quanto se sabe que os sportinguistas gostam de se apresentar como um clube diferente e distinto. Ora, ao pé dos debates entre candidatos à presidência do Sporting, as assembleias gerais do Benfica parecem o Gambrinus.

Há quem diga que os debates ajudaram a estabelecer Bruno de Carvalho como o favorito à vitória. Não é a minha opinião. Se os debates tiveram uma grande influência junto dos sócios do Sporting, prevejo que quem vai ganhar a presidência são os votos nulos. Às tantas, já não era assim tão grave ser-se chamado de mentiroso, tal foi a quantidade de vezes que os candidatos recorreram a esse mecanismo – Godinho Lopes, em especial, não parecia tão chocado com esse tipo de injúria como quando o acusavam de pertencer à “continuidade”, essa sim, uma palavra que lhe feria nitidamente a honra.

Em relação a Dias Ferreira, foi o candidato que mais me surpreendeu. Há anos que acompanho e admiro a sua capacidade para, enquanto comentador, se escapar constantemente à atividade de comentar. E acaba por ser irónico que tenha sido preciso retirar-se de um programa de comentário desportivo para ficarmos a saber as suas opiniões sobre inúmeras matérias.

De resto, estou convencido de que só uma manobra de última hora poderia dar a vitória à lista de Godinho Lopes. A única hipótese que, com todo o respeito, o candidato da continuidade ainda teria de vencer as eleições seria, num golpe de teatro, convencer José Eduardo Bettencourt a dar o seu apoio a Bruno de Carvalho."


8ª jornada - Juniores - Fase Final

O adeus anunciado ao titulo, resta lutar pelos 'serviços mínimos', o 3º lugar é obrigatório, mas o 2º é possível...