Últimas indefectivações

sábado, 25 de março de 2017

Em grande na Europa!!!

Benfica 26 - 24 Melsungen
(12-14)

Depois da desilusão de terça-feira, mais um grande resultado na Europa! Não é todos os dias que se vence uma equipa da Liga Alemã...!!! O mais incrível, é que mesmo com esta vitória, ainda não garantimos a passagem aos Quartos-de-final da Taça EHF...

Ganhámos o jogo na defesa, principalmente no 2.º tempo (sofremos só 10 golos), com o Figueira mais uma vez em grande... e com o Cavalcanti e o Moreno em grande... conseguindo inclusive 'esquecer' o Ales na defesa!

PS: Em Gijón, as nossas meninas do Hóquei, não conseguiram derrotar as adversárias, na primeira meia-final da Final 4, da Liga Europeia (Champions). Perdemos 4-3 (Rita Lopes(2), Rute Lopes), no prolongamento, num jogo onde tivemos sempre em desvantagem, mas fomos conseguido empatar... mas o prolongamento com morte súbita, foi fatal...
Duas notas: a falta de competitividade interna é prejudicial nestes jogos...; e a falta de profundidade no banco, para jogos deste nível, foi determinante num prolongamento!

No bom caminho...

Benfica 81 - 60 Guimarães
26-13, 18-12, 20-22, 17-13

Mais um jogo bem 'gerido'... com o prolongamento ontem no Oliveirense-Guimarães, o nosso favoritismo aumentou, dificilmente o Vitória iria conseguir aguentar a rotação do Benfica... Aliás, hoje, na outra meia-final, o Galitos-CAB também foi decidido no prolongamento... sendo assim, o Benfica é ainda mais favorito na final de amanhã contra o CAB Madeira!
Nestas Finais 8, com muitos jogos, em poucos dias, o Benfica beneficia da maior profundidade do plantel, sendo assim, amanhã, espera-se mais uma Taça a caminho da Luz! Dito isto, o CAB tem um 5 inicial muito forte, com vários ex-Benfica...

"Em causa a verdade desportiva"

"Esta semana infelizmente estamos a assistir a mais episódios, sobre os quais não podemos esconder a nossa indignação.
No início da semana emitimos um comunicado a chamar a atenção para a necessidade que a justiça desportiva seja igual para todos, porque como todos reconhecem só vemos a justiça célere e penalizadora com o Benfica. Lenta e complacente para outros.
Benfica que se distingue pela postura mais construtiva, sóbria e correta.
E quando assistimos a uma invasão de um centro de treinos dos árbitros, ameaças, coação, insultos públicos quase diários, nada acontece. Não se conhece uma única decisão, com excepção daquelas que dizem respeito ao Benfica.
É como que uma espécie de apagão. 
E depois ainda nos abrem mais um processo em tempo recorde.
Mais um processo, por aqueles que com base numa breve noticia do jornal Record, sobre um desabafo em ambiente privado do nosso presidente, decidiram logo abrir uma investigação. Mas agora, perante uma notícia com chamada de capa do mesmo jornal, sobre uma suposta interpelação no intervalo de um jogo sobre a equipa de arbitragem e o treinador da equipa adversária, por parte de um outro presidente, nada fazem como se nada tivesse existido ou existissem.
E ainda esta manha lemos no jornal a Bola que o processo que envolve aquele famoso incidente no túnel entre dois presidentes não deve ser fechado ainda esta época. Mas que vergonha é esta.
Na continuidade, aliás, dos processos – que curiosamente envolvem o mesmo clube e que permanecem sem decisão desde a época passada – perdidos nos confins da comissão instrutória da Liga - com o risco de serem decididos nas férias? Isto é admissível?
E torna-se insustentável disfarçar mais e Pedro Proença tem que assumir responsabilidades porque com estes adiamentos sucessivos se prova que os processos quando chegam à comissão instrutória da Liga que envolvem os nossos rivais ficam congelados.
Aliás, com esta notícia de hoje o Benfica fica ainda mais preocupado porque parece que na Liga os processos andam a carvão enquanto na Federação andam a gasolina de última geração.
A Liga, tão célere em decidir e penalizar com multas os clubes, quando se trata de ser célere e eficaz a decidir na justiça desportiva paralisa e nada funciona.
É por tudo isto que se fala em dualidade de critérios!
Mas a falta de bom senso das nossas instituições que gerem o futebol não fica por aqui, como se justifica ver premiar quem se notabiliza em ameaçar, insultar, pressionar árbitros e jornalistas e ainda esta semana se gabar de actos ilegais como a compra de bilhetes de sócios de um clube rival, apareça agora publicamente como o líder da claque da selecção nacional?
Quem deviam pugnar pela justiça e protecção dos árbitros premeia quem diariamente de forma directa ou nas redes os insulta e ameaça? Este estado de coisas tem que acabar em nome da credibilidade do futebol português.
Caros benfiquistas,
É por este conjunto de situações, que ontem decidimos - desejando a melhor sorte à selecção de todos nós para o jogo de hoje no nosso Estádio - que nenhum dos elementos dos órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica esteja presente no jogo de logo e solicitar reuniões ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol e presidente da Liga Profissional de Futebol para análise da actual situação do futebol português.
Nós queremos acreditar na justiça desportiva e nos órgãos disciplinares. Mas parece evidente que, para isso, terão que existir alterações legislativas que tornem os regulamentos mais simples, eficazes e claros na sua aplicação e que imponham aos órgãos disciplinares a celeridade que se deseja e é necessária para a credibilização das competições e da própria justiça desportiva.
O poder de regulamentar e disciplinar está confiado à Liga e à Federação, mas se não forem exercidos de forma a salvaguardar eficazmente o respeito pelo bom nome, reputação e honra dos clubes e agentes desportivos e bem assim da integridade das competições, não deixaremos de apelar à intervenção do governo.
Como está é que não é possível continuar porque coloca em causa a verdade desportiva.
E fiquem certos que o Benfica continuará a denunciar todos os factos que criminal e desportivamente sejam censuráveis. Mesmo que isso cause incómodo a alguns agentes desportivos e coloque em causa a sua estratégia.
Gostaria de terminar, a lembrar que somos uma família unida e orgulhosa da nossa história. E que cada dia estamos mais fortes e com os olhos postos no futuro.
Com o empenho de todos, Sócios, adeptos, simpatizantes, dirigentes, atletas e funcionários, tudo faremos para que as vitórias continuem a fazer parte do nosso ADN. Hoje temos mais um motivo de orgulho com esta inauguração da nossa nova Casa do Benfica de Abrantes. 
Porque vocês merecem.
Viva o Benfica!"

A equipa das esquinas

" 'O grupo contará (hoje), no Estádio da Luz, com elementos de algumas das principais claques legalizadas, sendo liderado por Fernando Madureira, dos Super Dragões. O apoio tem sido constante desde o Campeonato da Europa e foi tornado por iniciativa do departamento de marketing da Federação Portuguesa de Futebol', in 'O Jogo', 24 de Março de 2017
Por ocasião do Campeonato da Europa, o do Éder, e por via da leitura de umas quantas notícias nos jornais, instalou-se, no último verão, a suspeita de que os serviços dos Super Dragões à causa patriótica incluíam o comércio de bilhetes para os jogos da Selecção, insinuação torpe nunca desmentida pelos serviços competentes da Federação Portuguesa de Futebol. Isto, sendo lamentável não bastará para justificar o silêncio do Conselho de Disciplina da FPF e a aparente inoperância do órgão disciplinador perante a suspeita de que os mesmos serviços da mesma claque incluíram no seu rol de actividades patrióticas a invasão, no último inverno, do centro de treinos dos árbitros, na Maia, Já vai para três meses.
Para a moral vigente, sem dúvida que tem mais valor ameaçar cidadãos nos seus locais de trabalho do que em esquinas esconsas das nossas cidades e lugarejos. Por mania de embirrar, tudo leva a crer que terá sido esta, entre outras delongas do âmbito disciplinar, a razão pela qual o Benfica, apesar de ter sido convidado, não se fez representar na gala das Quinas de Ouro o que logo lhe valeu mais um processo, não por ter faltado mas pela justificação retórica com que explicou a sua ausência. Foi, na realidade, grande falta de respeito do Benfica pela macacal figura que voltará esta noite ao Estádio da Luz na farpela de convidado de honra pela FPF - contratado não será, certamente, pois não? - para demonstrar ao vasto público presente nas bancadas como se puxa pela Selecção, essa arte dificílima de levar a cabo já que aquele futebolzinho de Cristiano Ronaldo & companhia, na realidade, não entusiasma ninguém.
Está de parabéns, portanto, o departamento de marketing da Federação Portuguesa de Futebol que, depois de leitura atenta de autobiografia do líder dos Super Dragões, entendeu ser ele a figura recomendável para consubstanciar os valores da Pátria no apoio à Selecção. Viva, portanto, a equipa das esquinas mais o departamento de marketing! Longa vida, também, no Conselho de Disciplina!
E, já agora, ainda haverá bilhetes?"

Benfiquismo (CDXVII)

Golo

Uma Semana do Melhor... empate, gala e ripa-na-ripaqueca!!!

Jogo Limpo... com Toni

Clássico é (quase) decisivo

"No último sábado foi incontida a alegria azul e branca com o empate do Benfica em Paços de Ferreira. O raciocínio era simples: 0-0 em Paços é um resultado de equipas que jogam muito pouco, e eles lembram-se. Domingo o FC Porto assumiria a liderança da Liga após 444 dias sem o conseguir. Até o número cabalístico do jejum, fazia, em época de quaresma, antever desfecho bíblico.
As capas dos jornais de domingo não deixavam margem para dúvidas e o Dragão encheu de público para assistir ao feito e ver renascer a fénix. Os adeptos foram premiados com os 90 minutos mais longos e demorados da história do mítico campo azul e branco. Mais de 102 minutos é um bónus de 13% para quem comprou o ingresso. O FC Porto não lidera o campeonato mas lidera o tamanho dos seus jogos, também é um feito que merece destaque.
Voltando à realidade futebolística, uns e outros jogam abaixo do desejo dos seus adeptos. Quer os 94 minutos de Paços de Ferreira, quer os 102 do Dragão ficam aquém das expectativas de ambas as massas adeptas.
A nós benfiquistas, fica a não demonstrada quimera que com 102 minutos conseguiríamos vencer o Paços de Ferreira. Fica também a certeza de que João Carvalho foi o benfiquista mais decisivo desta semana, e seguramente o empréstimo desportivamente mais rentável do futebol encarnado. Esperamos todos fazer melhor no que falta da época, rumo ao proclamado objectivo de vencer o campeonato e a Taça de Portugal. Assim fica mesmo muito decisivo o jogo de dia 1: quem vencer o clássico fica quase campeão.
No fundo termina numa semana de várias galas e com alguns galos, veremos quem canta no fim. Numa semana onde o despedimento de treinadores continua e muitos adeptos perguntam quando começa o despedimento de alguns dirigentes."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória na Taça... a caminho das Meias-finais...

Illiabum 57 - 78 Benfica
7-22, 24-16, 14-19, 12-21

Entrada demolidora... mesmo assim, ainda permitimos a aproximação do adversário em duas ocasiões! Mas a vantagem pontual, permitiu uma gestão inteligente dos jogadores, percebendo que este fim-de-semana, se tudo correr bem, vamos ser obrigados a fazer 3 jogos em 3 dias... todos contra adversários que nos têm dado muitos problemas durante a época!!! Amanhã temos o Guimarães que derrotou a Oliveirense esta noite...

Pressão anunciada

"Há várias formas de olhar para o fim-de-semana futebolístico passado e, como é meu hábito, prefiro a optimista. O desaire da nossa equipa foi surpreendente. Mas ainda por terem sido raras as oportunidades de golo criadas em Paços de Ferreira, apesar do domínio exercido ao longo da partida. Pairou o espectro da perda da liderança, algo a que já não estamos habituados há algum tempo.
Se é verdade que, antes de a jornada se realizar, considerei exagerada a certeza com que se atribuía antecipadamente a vitória ao FC Porto frente ao Vitória de Setúbal, evocando, em última análise, Bruno Varela, Fábio Cardoso, Frederico Venâncio, Nuno Santos e João Carvalho, enquanto garante da necessária competitividade da turma sadina, não menos o é que, após o nosso empate, convenci-me de que os três pontos ficariam no Dragão.
Esqueci-me, no entanto, do que pensei no final da temporada passada sobre o que se disse do percurso leonino que, tivera ocorrido um desaire benfiquista, resultaria em título nacional. Ora, correr atrás, para quem não vence há muito ou mesmo algum tempo, desresponsabiliza quem o faz. Ganhar nessas circunstâncias, não obstante merecedor de aplauso, pouco diz da capacidade de resposta à possibilidade real de ter sucesso. Aí, sim, há pressão, e os portistas, como há três anos na Madeira após a nossa derrota horas antes, sentiram-na.
Bem andou o Nuno Espírito Santo a apregoar pressão no nosso lado durante jornadas a fio, para a sua equipa sucumbir ao primeiro teste. Passa também por este dado a minha confiança para o clássico que se avizinha."

João Tomaz, in O Benfica

Foguetes

"Há mais tempo do que o Sporting foi campeão nacional de futebol (ou seja, há mais de 15 anos), fui a uma festa de aldeia no Louriçal do Campo, ali para os lados de Castelo Branco. Era verão e fui com o amigo Faria e com a sua simpática família, que já fazem parte da moldura do Estádio da Luz, todos eles benfiquistas ferrenhos. Piores - leia-se melhores - do que eu, por isso podem imaginar o nível de devoção. Lá, à beira da serra da Gardunha, havia a tradição de lançar foguetes durante todo o fim de semana da festa de S. Fiel. De manhã, à tarde, à noite, à alvorada - havia foguetes para todos os gostos. Tudo em honra do padroeiro e para celebrar a ocasião de as famílias e os amigos estarem juntos depois de um ano de trabalho fora da terra. Pois é mesmo para isso que servem os foguetes - para festejar alguma coisa. Nunca vi ninguém lançar foguetes no dia 9 de Junho para celebrar o Dia de Portugal. Nem a 24 de Abril para comemorar a Revolução. Excepto quem tem saudades da Velha Senhora, e não estou a falar da equipa italiana tranquilamente apurada para os oitavos de final da Champions - numa eliminatória que juntou dois clubes com provas dadas no mundo da corrupção e dos resultados combinados.
Pois é, lançar foguetes antes do tempo dá sempre mau resultado, e isso viu-se no passado fim de semana. Os adeptos do 2.º e 3.º classificado vibraram com o empenho invulgar dos jogadores do P. Ferreira, mas esqueceram-se de, para chegar ao topo, ser preciso fazer mais pontos do que os adversários. Uns seguem a dez do topo. Os outros continuam, cabisbaixos, a apanhar as canas. Acredito que a sensação se vai manter depois do clássico de 1 de Abril. Curiosamente, o dia que melhor se ajusta à história dos dirigentes do FC Porto."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 24 de março de 2017

Anti-climax

"Não sei porque existe, nem a quem interessa. A paragem das competições futebolísticas de clubes nesta altura do ano é uma aberração, que não serve a modalidade, nem os seus intervenientes ou seguidores.
Tenho para mim que todo o futebol de selecções deveria jogar-se em Junho. Além das fases finais, também (nos anos precedentes) as respectivas qualificações. Protegiam-se os clubes e os jogadores, estimulavam-se os adeptos, e lucravam as próprias federações – com entusiasmo redobrado em redor das equipas nacionais, logo maior relevo mediático e desportivo, traduzido em audiências e patrocínios.
As paragens de Outono já são nefastas. A de Março, é um completo absurdo.
Num dos momentos mais quentes da temporada, eis que, de repente, se subtrai toda a emoção que o futebol oferece, em troca de quase nada. Com competições europeias a decorrer, com os campeonatos ao rubro, é torturante, e quase insultuoso, pedir a quem ama o futebol que coloque o seu clube na algibeira, e rejubile com uma equipa onde irão actuar alguns dos seus adversários directos. Para os atletas, desviar o foco dos objectivos que os alimentam, e encontrar metodologias de treino diversas (nalguns casos, até contraditórias), também não deve ser fácil, nem produtivo. Os pobres treinadores dizem mal da vida, sem armas para preparar os compromissos seguintes. Do risco de lesões até tenho medo de falar, sobretudo quando me recordo de Bento, Humberto, Simão, e, mais recentemente, Nélson Semedo.
Que Portugal ganhe à Hungria. Mas que este fim-de-semana estúpido e acinzentado passe depressa. Queremos a nossa paixão de volta!"

Luís Fialho, in O Benfica

O acórdão do Tribunal Arbitral do Desporto

"Quem tiver memória deverá certamente recordar-se de um grande espalhafato, feito em torno de um kit, que ainda por cima de denominava Eusébio, o qual desde aí tem gerido a mente de quem se impressiona e vive numa lógica de que tudo o que se insinua é verdade!
Vejamos. Não há muito tempo, mas certamente há alguns anos, quando se imputava uma acção qualquer a alguém, todos diziam que era mentira. Hoje, caímos exactamente no contrário. Presumem-se todos culpados, bastando alguém insinuar alguma coisa.
O processo é o 12/2016. Correi no Tribunal Arbitral do Desporto.
'O Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) é a instância competente para dirimir o litígio objecto do processo em referência, nos termos do preceituado no artigo 4.º, n.ºs 1 e 3, alínea a), da Lei do TAD (aprovada pela Lei n.º 74/2013, de 6 de Setembro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 33/2014, de 16 de Junho).
O Tribunal Arbitral constituído para dirimir o litígio objecto do processo em referência é composto pelo Sr. Dr. José Mário Ferreira de Almeida, árbitro designado pela Recorrente, pelo Sr. Dr. Nuno Albuquerque, árbitro designado pelo Recorrido, pelo Sr. Dr. Luís Miguel Simões Lucas Pires, árbitro designado pela Contra-interessada, e pelo Sr. Dr. Miguel Navarro de Castro, árbitro escolhido pelos árbitros designados pelas partes para presidir aos trabalhos deste Colégio Arbitral'.
A afinal o processo trata de quê?
'A Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD (Recorrente) impugna, por via de recurso, o Acórdão do Pleno da Secção Profissional do Conselho de Discplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), proferido em 01.06.2016 no âmbito do Recurso Hierárquico Impróprio n.º 14-15/16, que negou provimento a anterior recurso apresentado pela aqui recorrente, confirmando o despacho decisório recorrido e que, em consequência, manteve a deliberação de arquivamento proferida pela Comissão de Instrução e Inquéritos (CII) no Processo de Inquérito n.º 0-15/16'.
Portanto, em bom rigor, temos:
- Os inquiridores do processo;
- A Comissão de Instrução e Inquéritos das Competições Profissionais de Futebol.;
- O Pleno do Conselho de Disciplina, ou seja, todos os membros do Conselho de Disciplina;
- E agora  Tribunal Arbitral do Desporto.
Esta decisão do TAD tem um voto de vencido, do árbitro indicado pelo Sporting!
Por isso é que defendo a nomeação de árbitros pelo próprio Tribunal Arbitral, ou então de comum acordo entre as partes. Não se conseguirem desligar de quem os indica é efectivamente complicado.
O Conselho de Disciplina da FPF é constituído por treze (13) elementos.
Assim, a decisão de arquivamento do celebérrimo caso dos vouchers tem os seguintes decisores.
Inquiridores, pelo menos 2, Pleno, ou seja, todos do Conselho de Disciplina, 13 elementos, Tribunal Arbitral do Desporto, mais 3 árbitros, sendo que existe apenas uma pessoa contra, que é - nada mais, nada menos, conforme escrevi - o árbitro indicado pelo Sporting.
Era realmente bom este resultado no campo: 18-1!
Permitam-me transcrever aqui um pedido de produção de prova deduzido pela Sporting SAD, que considero hilariante - 'Oficiar o restaurante Museu da Cerveja para vir juntar aos autos cópia da sua ementa em vigor desde Julho de 2013'.
Sem comentários!
É o que costumamos designar por tiro no pé!
'Aliás não deixa de ser curioso que isso mesmo parece resultar evidente para o Presidente do Conselho de Administração de Demandante e, portanto, seu primeiro legal representante, Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho, pois este agente desportivo, em entrevista ao jornal Expresso, edição de 10/10/2015, afirmou: 'A minha preocupação não é a arbitragem, mas, sim, o comportamento. Uma pequena cortesia? Não tenho problema nenhum. Acho que é corrupção? Também não'. Na questão que se seguiu a estas afirmações, o jornalista perguntou-lhe 'Chega para condicionar os árbitros?', tendo o dirigente respondido: 'Não acho que condicione' ' (cf. fls. 266 do processo de inquérito).
Sem comentários!
E talvez por isto tudo e mais umas quantas coisas que me dispenso aqui de elencar foi considerado como não provado, em todas as instâncias:
'Não resultou igualmente provado que o SLB tenha, por qualquer meio e forma, directa e/ou indirectamente, expressa e/ou tacitamente, solicitado e/ou sugerido a qualquer arbitro principal, árbitro assistente, observador e delegado da LPFP uma actuação parcial e atentatória do regular decurso dos jogos integrados nas competições desportivas, de forma e beneficiar as suas equipas principal e B e/ou prejudicar as equipas adversárias em algum(ns) jogo(s) concreto(s) por aquelas disputado(s) nas competições nacionais em que participam'.
Por isso é que interessa saber o que foi considerado, evidentemente, como provado:
'c) Aquela oferta é sempre feita ao árbitro principal, árbitros assistentes, 4.ºs árbitros, observadores e delegados da LPFP, no final de todos os mencionados jogos, independentemente das circunstâncias em que os mesmos decorreram, do seu resultado final e do juízo valorativo que os responsáveis do SLB possam fazer da actuação, em especial, das equipas de arbitragem e dos delegados da LPFP;'
'd) No respeitante às equipas de arbitragem a referida oferta é sempre feita na presença dos delegados da LPFP e depois de estes ou de um dos elementos das forças policiais questionarem os árbitros sobre se os elementos do SLB podem aceder ao balneário para a concretizarem;'
't) É prática generalizada dos clubes participantes nas competições nacionais de futebol, no final dos jogos que disputam na condição de visitados, oferecerem lembranças alusivas ao próprio clube e/ou à respectiva região às equipas de arbitragem neles intervenientes'.
O artigo correspondeste do Regulamento Disciplinar diz:
'Com a epígrafe 'Corrupção da equipa de arbitragem', dispõe o artigo 62.º:
'1. O clube que através da oferta de presentes, empréstimos, promessas de recompensa, ou de qualquer outra vantagem patrimonial para qualquer elemento da equipa de arbitragem ou terceiros, directa ou indirectamente, solicitar a esses agentes, expressa ou tacitamente, uma actuação parcial e atentatória do desenvolvimento regular de jogos integrados nas competições desportivas, em especial com o fim de os jogos decorrerem em condições anormais, alterar ou falsear o resultado de jogos ou ser falseado o boletim de jogos, será punido com a sanção de descida de divisão e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 500 UC e o máximo de 2000 UC'. (...)
5. Não cabem nas previsões dos números anteriores as simples ofertas de objectos meramente simbólicos'.
Agora colem os factos que foram dados como provados e os não provados e vejam se o artigo está totalmente preenchido, acrescentando-lhe a intenção de!
Obviamente que não!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Justiça igual para todos

"O momento que estamos a viver é de consagração, mas de desafio. O Sport Lisboa e Benfica exige respeito e fez bem em dar um murro na mesa. As questões suscitadas pela Direcção de Comunicação do Clube são muito sérias. A partir do momento em que é exigida uma Justiça Igual Para Todos, os responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga deviam estar preocupados. Os inequívocos sinais de dualidade de critérios chocam-nos e levam-nos a pensar que os projectos apresentados por Fernando Gomes e Pedro Proença para reformar o futebol português não passaram, afinal, de meras promessas eleitorais. Ambos são homens inteligentes e sabem que é a acção que deve dar força aos projectos. Ambos sabem muito bem que, quando os projectos são sérios, se moldam mais na silhueta dos outros do que na imagem própria de quem o personifica, então são os projectos que impõem a acção.
O Maior Clube Português aponta factos irrefutáveis. Há um caminho ainda a percorrer, um esforço considerável a desenvolver. Há metas que ainda não se atingiram e que exigem persistência na acção. Como disse um dia o ex-ministro da Justiça Laborinho Lúcio, a justiça precisa de uns safanões. No fundo, o que o Benfica está a fazer é isso mesmo, dar uns safanões para que o Sistema de Justiça Desportiva do futebol tenha maior eficácia, maior celeridade e mais transparência em todos os processos. Impõem-se, na personificação desse Sistema de Justiça Desportiva, decisores mais responsáveis e que não tenham receio de 'tomar posição'. Não podemos nem devemos permitir que o Futebol Português continue a ser essa monumental sala de espera de uma mudança que nunca chega."

Pedro Guerra, in O Benfica

Reunião !!!!!

"Na reunião plenária dos Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica, que se realizou hoje, dia 24 de Março de 2017, foi decidido:
1 – Desejar as maiores felicidades à Selecção Nacional Portuguesa para o jogo de amanha, sábado, entre Portugal e a Hungria que se realiza no Estádio da Luz, mas informar que de acordo com o que foi expresso no Comunicado emitido pela Direcção de Comunicação do SLB no passado dia 20 de Março, nenhum membro dos Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica estará presente no referido jogo.
2 – Tendo em conta as fortes preocupações que o Sport Lisboa e Benfica manifesta em relação à actual situação do futebol português, solicitar reuniões ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol e presidente da Liga Profissional de Futebol. Lisboa, 24 de março de 2017"

Meu Pai

"Era Natal, as razões para lembrar meu Pai não deixaram nada ao acaso - dobraram a parada! Além da enorme nostalgia que me invade recordando a Consoada dos Machados em casa dos meus avós paternos, a Câmara de Famalicão e o Museu Bernardino Machado tiveram a (justa) gentileza de baptizar com o seu nome a sala de conferências, e dei comigo hipnotizado por placa e nome,
'por que o não tenho aqui?'.
Não há duas sem três, diz o povo, o Sílvio desafiou-me para escrever na Mística, decidi dar razão ao ditado, afinal sou um conservador de esquerda, ainda gosto de pensar que um dia será o povo a mais ordenar. Meu Pai era portista e sócio. Jogara nos infantis e era detentor de um pé esquerdo temível, mas os centímetros tinham-lhe virado as costas e o treinador decretara-o incapaz de suportar os choques (quem sabe se não perdemos um precursor do Chalana vestido de azul e branco?). Entalado por sogra, mulher e filho vermelhos - com que prazer utilizo palavra então suspeita... -, aceitava o seu estatuto minoritário com bonomia filosófica, afinal as hipóteses de alguém estar feliz domingo ao final da tarde eram maiores em nossa casa do que noutros lares.
Da sua relação com o Benfica recordo três momentos: o primeiro, a 22 de Fevereiro de 1962, tinha eu 12 anos. Os três e um de Nuremberga lançaram-me numa vertigem de descrença, recusei a velha telefonia e procurei cedo o refúgio do vale de lençóis. Aos cinco minutos de jogo entrou de rompante no quarto, sorriso aberto, 'levanta-se, homem de pouca fé!'. E eu, vazio de esperança, sem perceber de que falava. Já ganhávamos por dois a zero... Gozei os outros quatro na cama de minha Mãe, o maroto lia o jornal, oficialmente imperturbável, mas feliz pela alegria de quem amava.
O segundo veio por arrasto. Meu Pai não demandava as Antas há bastante tempo, mas, para surpresa geral, decretou desejar ver os campeões europeus. Tarde de sol, o Eusébio puxa a culatra atrás, só a vimos lá dentro. Então, como diria o Artur Albarran, o 'horror!, a tragédia!' - meu Pai levantou-se e aplaudiu, para de novo se sentar e dizer para os nosso botões 'o rapaz é um extraordinário jogador'.
(Extra)ordinária considerou tal atitude o portista do outro lado, além de portista, tripeiro dos sete costados, num misto de espanto e ameaça interrogou-o: 'Mas você afinal puxa por nós ou por eles, seu filho de uma grande p...?'.
A situação rapidamente se tornou caricata, com o meu Pai a declarar que se retirava para não voltar e eu a explicar-lhe que, na nossa cidade, algumas palavras são utilizadas como interjeições, logo, a honra da minha santa Avó não estava em perigo. A pergunta ficou sem resposta, o portista que a fizera não acreditava no diálogo daqueles dois extraterrestres e nós desaguámos no riso da minha Mãe, a quem ele laboriosamente explicou que o desportivismo entrara em extinção.
O terceiro foi em 1969, a 26 de Novembro. Zero a três em casa do Celtic, três a zero na 'Catedral', prolongamento inútil, o árbitro com fundados receios após invasão do relvado, tudo resolvido nas cabinas. Por moeda ao ar, senhores, por moeda ao ar...! E eu, já com 20 Outonos no bolso, não aguentei e meti-me na casa de banho. Os passos dele pelo corredor, de mau agoiro, por quase silenciosos e pausados. A face, que tudo dizia. O meu choro desamparado; o abraço; a sua confirmação, admiravelmente solidária, 'perdemos'.
Nunca lhe consegui agradecer como devia aquele plural."

Júlio Machado Vaz, in Mística

O plantador de bambus

"Vítima de um problema de saúde durante uma digressão ao Chile, Augusto Silva viu-se afastado prematuramente do futebol e da carreira de sonho a que todos os atletas aspiram.

A noite de 27 de Janeiro de 1967 mudou-lhe a vida com a mesma força que um relâmpago muda uma árvore sobre a qual se despenha. Atleta aguerrido, nada pôde, porém, contra a 'trombose cerebral' que o surpreendeu aos 27 anos, num quarto de hotel a 10 mil quilómetros de casa.
'Um futebolista sem sorte', por cá o fadavam a letras gordas os jornais, enquanto, por lá, na pátria de Neruda, o infeliz 'Viriato' se debatia com a falta de mobilidade em metade do corpo e a perda da fala. Cingiu-se uma cama hospitalar durante três longas semanas. Minimamente restabelecido, regressou a Lisboa num dia de chuva, ventoso e frio. Cruzaria o inverno em aturada recuperação, sempre rodeado do calor dos amigos e da família. Salvava-se o homem. O futebolista morria. Em cinco temporadas, no seio de uma equipa recheada de nomes sacrossantos, semeou a sua glória com a mesma paciência que um plantador de bambus. Esse estoicismo daria os seus frutos com o regresso do histórico Bela Guttmann, em 1965/1966. O treinador bicampeão europeu tirou partido como nenhum outro das qualidades do atleta, apostando nele como titular. Na época seguinte, estaria de volta Fernando Riera, pela mão do qual Augusto se estreara durante o verão de 1962 e haveria de cumprir, em meados de Janeiro de 1967, o seu último jogo.
Após o acidente em Santiago do Chile, recusou a festa de homenagem. Interessava-lhe ser útil. Seria. Durante mais de três décadas manteve-se na Luz como colaborador, até se reformar. Exemplo de força, integridade e resiliência, pertence ao lote daqueles homens que nos inflamam inspiração."

Luís Lapão, in Mística

Os inocentes, os outros e o silêncio

"Estamos a uma semana e um dia do jogo que pode vir a revelar-se decisivo para a atribuição do título nacional de futebol, num contexto de emoções e declarações muitas vezes para lá do aceitável.
Reconhecida a importância dos 90 minutos que se disputarão na Luz no dia das mentiras, urge fazer, desde já, um alerta: é imperioso que quem de direito não se furte às responsabilidades, criando totais condições de segurança no anfiteatro benfiquista, de forma a que 65 mil adeptos possam conviver, em liberdade, com as emoções próprias do beautiful game.
São por isso totalmente inaceitáveis - e a carecer de resposta à altura por parte de quem tem por mister garantir a legalidade - as declarações do líder da claque do FC Porto, que incentivou comportamentos potencialmente explosivos. «Devido à grande procura para o jogo do próximo dia 1, SLB/Porto (10000) e o nosso clube só ter direito a 3250 bilhetes, peço a todos os portistas que arranjem vias alternativas (casas SLB, red pass, convites) para levarmos a cabo esta invasão!!!»
Sabe-se hoje que não será fácil levar por diante tal plano, em função dos vários filtros que visam garantir a integridade dos ingressos. Mesmo assim, é altamente preocupante que tenha sido lançado um apelo à subversão, susceptível de funcionar como rastilho em barril de pólvora.
Até hoje, o silêncio, quanto a esta matéria, das entidades que devem zelar pelo futebol português, tem sido ensurdecedor. Nem uma palavra de censura, nem uma apelo ao civismo, nem um gesto de revolta. Será assim tão difícil dar um passo em frente?"

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: A resposta da FPF, é continuar a pagar ordenado ao autor do tal apelo 'subversivo' para ser líder da claque da FPF...!!!!

Não assobiem para o lado

"Bem sei que ainda falta uma semana (e mais uns dias) para o Benfica - FC Porto. Mas - nem podia ser de outra forma, tratando-se de encontro decisivo para o título- há muito que o clássico já mexe, em especial nesse universo recente (maravilhoso e perigoso ao mesmo tempo) que são as redes sociais. Desta vez o motivo de discussão entre adeptos de águias e dragões são os bilhetes. Dizem os do FC Porto - de forma mais concreta dizem os elementos da claque Super Dragões, o que torna a situação ainda mais preocupante - já terem em sua posse uns milhares de ingressos comprados a benfiquistas, o que lhes permitirá entrar no Estádio da Luz, está-se a ver que para o meio dos adeptos encarnados, com os riscos que isso representa. Respondeu de pronto o Benfica, garantindo que haverá controlo rigoroso nas entradas: não bastará apresentar bilhete, é preciso validá-lo com o cartão de sócio e, nalguns casos, até com Cartão de Cidadão. O que mostra estar o clube da Luz (e bem) a levar muito a sério a situação.
É o mesmo que se espera das forças que tratarão da segurança nesse dia 1 de Abril. Talvez seja preciso pensar que os planos habituais podem, desta vez, não ser suficientes para garantir que tudo decorra sem problemas. Porque se há mesmo elementos da claque do FC Porto que tenham bilhetes destinados a lugares de benfiquistas, significa que para entrar se misturarão na multidão. E mesmo que não tenham acesso ao interior, é muito possível que a confusão se instale no exterior. E, já se sabe, mais vale prevenir do que remediar. Porque se um Benfica - FC Porto é sempre de risco elevado, este, pelas circunstâncias que o rodeiam - é triste dizer isto, mas é ao ponto a que chegou o futebol português - e pelo que significa para os dois clubes, devia merecer catalogação de risco máximo. Atenção redobrada, portanto."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Benfiquismo /CDXVI)

Novinho...!!!

Aquecimento... futebol!

quinta-feira, 23 de março de 2017

Benfica: 'Olho por olho, dente por dente'... Finalmente!!!

"O Benfica fartou-se do sistema! Um sistema que em lume brando, se andava a preparar para nos tramar e que não vai desistir

Só espero que não seja tarde
1. O Benfica, na passada segunda feira, fartou-se do sistema! Um sistema que - em lume brando - se andava a preparar para... nos tramar e, reconheçamos-lhe, não vai desistir facilmente desse objectivo.
Ainda assim, mais de dois meses depois de termos empatado com o Boavista e mais de mês e meio depois de termos perdido com o Vitória de Setúbal, com arbitragens que nos prejudicaram tremendamente, e após muitas (muitas, mesmo) jornadas a permanecer impávidos a tantos benefícios dos nosso rivais.
60 dias (ou 45) depois de alguns ameaços (tipo intervenções em inaugurações com meias palavras que não chegavam), o Benfica falou - alto e bom som - contra tanto escândalo no futebol português.
Finalmente!
Como eu, desde sempre, vinha defendendo, porque os outros só percebem essa linguagem.
Até lá, esperando por uma reacção nossa o mais tardia possível (na ânsia, até, de chegarem à Luz a poderem gerir o resultado) iam tratando da vida deles, com nítido prejuízo da nossa.
Equilibrando, como antes, nos tempos do Apito Dourado (e como lhes dói cada referência a isto), a favor deles, o que - no campo - estava melhor desequilibrado, a nosso favor!
Inclinando o campo para poderem ganhar à maneira deles (como, agora, os amigos deles cá de baixo gostam de cantar, antes dos jogos... embora, à maneira deles, a de sempre, seja mais... depois dos jogos, ou seja, nos resultados).
Por mim, só espero que não seja tarde!
Porque, contra toda esta vergonha... olho por olho dente por dente!!!
Começaram a perder os outros, como perderem as teses que sempre aconselham à conciliação.
Porque, mesmo entre nós, temos alguns que, sendo de outros mundos (e andando noutros mundos), não falam porque não sabem e não gostam de ouvir porque temem as reacções.
Esses perderam!
Mas ganhou o Benfica e cresceu o respeito ao Presidente, entre aqueles para quem as vitórias do Benfica são uma parte muito importante da sua vida e entre... os que - em conjunto - só nos querem derrotar.

'Não é bom para o futebol em Portugal'
2. Mas - dirão alguns - essa reacção não mereceu algumas críticas? Claro que sim! Sabem de quem? Dos que são dos outros e dos que, parecendo independentes, estão sempre contra nós!
Com o argumento de que não é bom para o futebol em Portugal.
Pois não!
Bom, bom... bom, mesmo, é verem o Benfica a ser roubado e deixarem andar... para termos em campeonato equilibrado.
Então, agora, é que se lembraram que parece que o menos importante é o jogo?
Mas não o era antes, quando o Benfica era atacado, desrespeitado, vilipendiado, roubado?
Então, o que mudou?
O que mudou foi o Benfica ter chamado - como sempre defendi - as coisas pelos nomes!!!
Pois, agora, lá vêm as virgens ofendidas, defensoras eternas da verdade desportiva (quando o Benfica vai à frente....), clamar pelo futuro do futebol...
Então, quando eram outros os beneficiados, não estava em causa a verdade desportiva?
Estar, estava, mas o que eles estavam, mesmo, era muito mal-habituados!
E podíamos continuar assim?
Poder, podíamos, mas não era o mesma coisa!
E nós só queremos o Benfica campeão!

Penalties? Antijogo? Não!!! Apenas falta de classe
3. O Benfica - todos por aqueles lados o davam como certo - perdera o campeonato em Paços de Ferreira. Porque a vitória, no domingo, estava garantida, apenas faltando saber a expressão da mesma.
Pois, da montanha de Contunil saiu um... empatezinho... com todas essas desculpas que serviram para disfarçar as frustrações.
Eles não podiam deixar de ganhar! Eles tinham de ganhar!
Para depois, tentarem impedir a aplicação das regras do fair play financeiro.
Porque esse será - em Junho - o principal problema de quem inventa armadilhas para depois cair em ratoeiras...
Vão por mim, que é isso que está em jogo, para quem terá, obrigatoriamente, de fazer, pelo menos, 150 milhões de vendas no fim da época!

Antijogo: a vergonha, a verdade e a subserviência
4. Durante anos e semanas a fio - aqui em A Bola e na SIC - fui alertando para a vergonha do antijogo. Mas ninguém queria saber disso... porque era só contra nós.
De cada vez que o Benfica não estava a ganhar... o antijogo fazia parte do jogo!
Foi pública, até, a polémica entre mim e o guarda-redes do Sporting... de Braga... que, no jogo da Luz, se magoava a cada defesa até ter sofrido o primeiro golo.
Golo decisivo... para a vitória do Benfica e para a saúde desse (grande, diga-se, já agora) guarda-redes, como cada 1.º golo nosso faz bem a todas as mazelas de cada um dos que jogam contra o Benfica.
Desafio-os a verem qualquer jogo até o Benfica estar a ganhar e depois...
Perceberão estar perante dois jogos diferentes...
Nesses mesmo jogos, lá vinham os habituais 3 ou 4 minutos de tempo adicional.
Pois, agora - admitamos que com o mesmo antijogo - o tempo adicional foi de 12 minutos...
Então o que mudou?
O queixinhas!
E os lambe-botas do costume (para além dos órgãos oficiosos desses clubes) lá vieram escandalizar-se perante o anti-jogo...
Pois é... Ou como julgo ter ouvido que José Couceiro disse ao Presidente dos outros, no túnel, ao intervalo, «foi assim que empatei na Luz e não me consta que tivesse ficado incomodado com isso».
Mas ficou!!! Tanto como as donzelas do costume, que agora se insurgem por se terem perdido 14 minutos e terem sido dados 12.
Mas quando se perderam os mesmos 14 e só foram dados 3... ninguém falou.
Sabem porquê?
Porque era o Benfica!!!
E contra o Benfica - julgam eles - vale tudo!
Mas não vamos deixar!
Até porque - daqueles lados - só nos vêem como inimigos. E não perceber isso é fazer o jogo deles.
Infelizmente!!!

E do Canelas, alguma novidade?
5. Já agora, se souberem o que fez a disciplina desportiva no caso do Canelas, avisem-me! Pode parecer irrelevante, mas não é!
Não é, não!
Ou acharão tudo normal, desde que venha daqueles lados?
Se calhar, com medo que se repita na Associação e na Federação «a invasão do Centro de Treinos do Polo Profissional dos Árbitros na cidade da Maia por parte de elementos afectos à claque do»... Canelas!
Que como se sabe... não tem nada a ver com... «elementos afectos à claque do FCP»!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Luís Miguel Fernandes

"Por razões bem diferentes, José Sócrates e Luís Miguel Afonso Fernandes foram os portugueses mais badalados na semana passada, E se aqui não virá a propósito falar do primeiro, teço algumas considerações sobre o segundo. O Luís Miguel joga à bola. É um magnífico profissional. Competente, sabedor, inteligente. Não o conheço pessoalmente, mas, como bragantino, deve ser um bom rapaz, correto e respeitador dos colegas e adversários.
O Luís Miguel é o Pizzi do Benfica. Creio que assim é conhecido por causa de um argentino-espanhol, que jogou no Barcelona,: Juan Antonio Pizzi, também conhecido por Lagarto. Esta alcunha sugeria-me derivar para as queixinhas dos queixosos, mas era dar importância ao vácuo. Prefiro antes escrever sobre as pressõezinhas sobre o árbitro em Paços de Ferreira para que mostrasse o 5.º cartão amarelo ao Pizzi, mal ele entrasse em campo. Não há dúvidas que, ao menos, se tem inovado bastante na forma de exercer pressão antes dos jogos. Neste caso, houve vídeos com fartura, houve contabilidade com duas casas para impressionar os pacóvios (até disseram que Pizzi deveria ter já apanhado cartão amarelo em 12 jogos, depois do último atribuído no Dragão, assim batendo todos os recordes!), houve até um jornalista que, num dos canais ora concentrados no quase-futebol totalitário, garantiu que o árbitro era portista e, por isso, Pizzi dificilmente escaparia ao 5.º cartão.
Vitória e Pizzi não cederam ao pânico da coação maliciosa. É certo que o Benfica não venceu, mas apreciei esta atitude, nesta reles atmosfera do nosso futebol, em que quase todos são especialistas em chico-espertices."

Bagão Félix, in A Bola

Anda por aí um vento estranho

"Estranho paradoxo, este, o de termos caminhado para um nível de excelência no que à organização de eventos desportivos diz respeito (desde o Euro-2004, uma prova notável e que ainda hoje serve de referência), de termos a selecção campeã da Europa e simultaneamente sermos os líderes dos despedimentos de treinadores do seu principal campeonato. De dia somos dinamarqueses, à noite brasileiros.
Mas é justamente do Brasil (o país onde um técnico pode assinar à hora do almoço e ser despedido ao jantar se não disser boa tarde ao filho presidente), que está em marcha uma lei que pretende regular e proteger a figura do treinador de futebol, até aqui desprovido de muitos direitos. Pretende-se, com a Lei Caio Júnior (uma das vítimas da tragédia da Chapecoense) que estes homens possam, pelo menos, aguentar-se seis meses no cargo. Dar um pouco mais de humanidade a esta actividade.
Em Portugal não há um problema de direitos, mas parece haver quem não veja direita na hora de escolher o homem que vai orientar um grupo de 25 a 30 homens. A dança que tem marcado o dia a dia dos clubes de futebol da I Liga, com entradas e saídas, é coisa que parecia ter caído em desuso (o Nacional era um bom exemplo, com a aposta contínua em Manuel Machado) e confesso que não consigo encontrar um motivo para tantas mexidas. Porque não há nem mais nem menos dinheiro do que há um par de anos (diria que até está a pingar mais qualquer coisa) e as estruturas são as mesmas. Acredito que seja apenas um estranho vento que anda por aí. Porque nem todos podem ter o felling do presidente do Hoffenheim, quando decidiu apostar em Julian Nagelsmann, um jovem desconhecido de 28 anos e, hoje, com 29, ser considerado o treinador do ano na Alemanha."

Fernando Urbano, in A Bola

Os presidentes e os seus chicotes

"Vinte e seis jornadas do principal campeonato do futebol português (faltam ainda oito) e já vamos em dezassete mudanças de treinador. Duas por razões especiais, provocadas por transferências pela simples lei da oferta e da procura, e quinze por verdadeira crença de nada menos de doze(!) presidentes na chamada chicotada psicológica.
Claro que todas as épocas existem razões especiais que justificam a mudança, mas um triste recorde de troca massificada de treinadores durante uma época só pode ter uma justificação global: a preocupante impreparação, para não dizermos incompetência, de muitos desses presidentes, com reflexos graves na gestão financeira dos magros recursos dos seus clubes.
Há, para cúmulo, quatro situações extremas de clubes que já vão no seu terceiro treinador da época. É um bem para a melhoria dos níveis de emprego da população portuguesa, mas é um certificado de desqualificação que aqueles que tomam tais decisões passam e assinam sobre si próprios.
É natural que haja situações de puro engano, de erros não forçados, como se diz no ténis, mas com números com esta amplitude é inevitável pensar-se que o presidencialismo do futebol português carece, em parte significativa, de gente com outro sentido de responsabilidade, outro nível de conhecimento e, sobretudo, outra capacidade de gestão.
Definitivamente: a escolha de um treinador para uma equipa de futebol tem de ser um acto de grande critério, porque se trata de uma escolha de um quadro decisivo no funcionamento do grupo. Não pode continuar a ser um acto irreflectido, nem de mero instinto."

Vítor Serpa, in A Bola

Ele está aí (aqui) para jogar à bola e não para ir à Escola

"Durante quase uma década de trabalho realizado num dos grandes clubes de referência no futebol do nosso País, e tendo acompanhado de perto o trabalho desenvolvido por outros colegas em outros clubes de referência, muitas foram as ocasiões onde a Escola era claramente negligenciada, face ao percurso desportivo dos jovens.
De facto, apesar de os clubes apostarem na criação de departamentos de psicólogos, sociólogos e assistentes sociais, para garantir a correta integração dos jovens em contexto escolar, a par da sua performance desportiva, no terreno, a aceitação destas directrizes nem sempre foi consensual – seja da parte de alguns treinadores ou até de alguns pais.
Felizmente, a compreensão do fenómeno desportivo e a evidência científica tem demonstrado que o desenvolvimento de determinado tipo de competências em contexto escolar – seja no que respeita à qualidade e diferenciação cognitiva dos jovens ou da sua qualidade em estabelecer adequadas relações em grupo de pares – pode potenciar o desenvolvimento do Atleta, aumentando decisivamente a sua possibilidade de alcançar patamares mais elevados de performance.
Casos como os do Bayer Leverkusen, que optou por respeitar um exame escolar de uma das suas estrelas mais promissoras (Kai Havertz), e que inundou os media na passada semana são, por esta mesma razão, cada vez mais frequentes ainda que, na minha opinião, ainda não suficientemente divulgados.
Por cá, e no que respeita ao futebol profissional, há já quem tenha licenciaturas de Direito, Gestão, Sociologia ou até Medicina terminadas ou em plano de finalização mas, sendo conteúdos da vida privada de cada um (e, curiosamente, se calhar até não muito bem aceites no meio, sejam por colegas ou treinadores, por "fugirem à regra"), acabam por não receber a atenção e reconhecimento merecidos.
Exemplos destes, necessitam ser promovidos, numa perspectiva de contaminarem ainda mais as gerações sucedâneas, contrariando a tendência de que "ou estuda ou joga à bola", até porque ilustram de forma clara como uma frequência académica bem sucedida pode até alavancar uma carreira desportiva de sucesso, na medida em que, inevitavelmente, muitos processos cognitivos determinantes a uma boa performance tornam-se mais fluídos por serem “exercitados” em dois contextos em simultâneo: Escola e Desporto.
Na realidade, se “treino a dobrar” capacidades como a tomada de decisão, de pensar em perspectiva e gerar soluções alternativas, de gerir eficazmente as minhas emoções em contextos potencialmente ansiogénicos (ex: exames), entre tantos outras competências comuns a estas duas áreas de performance, o que posso esperar?
1) Atletas que definem uma estratégia e arriscam, executando-a;
2) Atletas com maior capacidade de analisar em tempo real as dificuldades que o adversário coloca, gerando soluções alternativas ao plano inicial;
3) Atletas que, naquele momento especifico do jogo (uma grande penalidade), regulam eficazmente as suas emoções no sentido de marcar/defender;
4) Atletas que vêem as suas competências de liderança reforçadas;
Urge, neste sentido, dar visibilidade, com todas as ferramentas possíveis ao facto de que Escola e Desporto devem cooperar e não competir entre si (até porque se encontram, também, amplamente documentados os benefícios da participação desportiva, em termos de resultados académicos), uma vez que só assim os jovens, os clubes e, mais tardiamente, a sociedade em geral sairão beneficiados com adultos efectivamente mais capacitados para o desporto, para o trabalho (porque, a grande maioria, não terá oportunidade de seguir uma carreira profissional), enfim... para a vida."

Benfiquismo (CDXV)

Arte aérea...!!!

Lanças... e a falta de vergonha na cara!

Gala Cosme Damião 2017

Realizou-se esta noite, no Campo Pequeno, mais uma Gala Cosme Damião. No dia do nosso aniversário, 28 de Fevereiro, o Benfica disputou a 1.ª mão da meia-final da Taça de Portugal no Estoril, sendo assim tivemos que procurar outra data... Apesar da ausência de vários jogadores da secção de Futebol, devido aos compromissos das Selecções, creio que a opção acabou por ser a melhor, porque estes dias, sem competições internas, acabam por ser um momento onde os adeptos e a comunicação social pode dispensar mais atenção a este tipo de iniciativas...
Aqui fica a Lista dos homenageados:

Galardão Revelação - Lindelöf
Galardão Carreira - Ângelo
Galardão Formação - 5 Campeões Europeus Sub-17 (José Gomes, João Filipe, Mesaque Dju, Gedson Fernandes e Florentino)
Galardão Mérito e Dedicação - Manuel da Luz Afonso
Galardão Projeto do Ano - Organização da Final Four da Liga Europeia de Hóquei em Patins 
Galardão Inovação - A magia da palavra
Galardão Modalidade - Hóquei em Patins
Galardão Casa do Benfica - Vendas Novas
Galardão Parceiro do ano - Hospital da Luz
Galardão Homenagem - Rogério Pipi
Galardão Treinador do Ano - Rui Vitória
Galardão Parceiro do Ano - Hospital da Luz
Galardão Atleta de Alta Competição - Telma Monteiro
Galardão Futebolista do Ano - Jonas

quarta-feira, 22 de março de 2017

1 de Abril

"Começa a ser tradição a incapacidade de um candidato aproveitar uma escorregadela de outro. Já aconteceu ao Benfica não aproveitar desaires do Porto e vice-versa. Só na época passada é que não foi assim. Benfica e Sporting não cederam pontos até ao fim.
E aqui volto à chaga do à condição. Como benfiquista e sempre que o Porto tem jogado antes e ganha, lá tenho de gramar o líder à condição, ainda que overnight. Desta vez, o Benfica jogou antes e não passou de um tristonho empate. No domingo, havia ar de júbilo na primeira página de alguns media. Era como se o Porto já fosse líder sem condição e o Benfica fosse 2.ª à condição. Desta vez, ninguém ousou dizer tão simplesmente (ainda que num indigente português) que o Benfica era líder à condição (de o Porto não vencer). E não venceu... em 102 minutos de jogo e paragens e por causa de um belo golo de João Carvalho, um jogador dos quadros do SLB. Muitos media quase se esqueceram que o Vitória não iria ter falta de competência. O tal que tirou 5 pontos ao Benfica e 4 ao Porto, isto é,que em 4 jogos  nenhum dos 2 candidatos venceu (e que eliminou o Sporting da Taça da Liga).
A propósito de condição, o Benfica comanda isolado este campeonato há 22 jornadas e o Porto já não é líder sozinho há 46 jornadas (e apenas por uma, em 20.12.2015). No dia 1 de Abril vai realizar-se muito provavelmente o jogo decisivo na Luz em que a vitória de um ou de outro candidato será meio-caminho para o título. Uma certeza, porém, haverá, apesar do ser o dia das mentiras: nesse sábado, seja qual for o resultado, seremos poupados a essa diarreia mental do à condição."

Bagão Félix, in A Bola

15 minutos à Benfica: o mito nasceu com uma vitória, a história lembra uma derrota

"Um jogo com os holandeses do Feyenoord, para a Taça dos Clubes Campeões Europeus, há 45 anos, forjou a expressão. O molde, contudo, foi feito antes com os “encarnados” também envolvidos. 

Estádio da Luz a fervilhar. Segundo os relatos da época, 69.021 espectadores nas bancadas a acreditarem que o Benfica treinado por Jimmy Hagan seria capaz de dar a volta a uma eliminatória que tinha começado mal, na Holanda, onde o Feyenoord havia ganho por 1-0 a primeira mão. O titularíssimo António Simões era uma carta fora do baralho para a partida de Lisboa, pois escorregou numa escada quando ia para o treino e partiu um braço. Mas nem o azar do esquerdino tirava a crença dos benfiquistas numa reviravolta do marcador e na passagem às meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Afinal, havia Jaime Graça, havia Artur Jorge, havia Jordão, havia Nené, até havia Eusébio…
E o jogo não podia ter começado melhor para as “águias”. Estavam decorridos apenas cinco minutos quando Nené igualou a eliminatória. A Luz incendiava-se e começou a arder 26 minutos depois, após o golo de Jordão. Em pouco mais de meia-hora o Benfica dava a volta à eliminatória e fazia o austríaco Ernst Happel, treinador da equipa holandesa, engolir as palavras proferidas depois do triunfo em Roterdão - no campeonato holandês, os portugueses jogariam para “não descer de divisão".
Só que o Feyenoord não era uma equipa qualquer. Os campeões holandeses tinham muitos internacionais e dois anos antes tinham vencido a Taça dos Clubes Campeões Europeus e a Taça Intercontinental. A um quarto de hora do fim, um golo de Schoemaker colocou o resultado em 2-1 e emudeceu a Luz. Os “encarnados” estavam fora da prova e, com apenas um quarto de hora para jogar, muitos foram os que desistiram.
Centenas começaram a dirigir-se para o exterior do estádio sem imaginar no que estava prestes a acontecer. Num assomo de raiva, num ímpeto de galhardia, o capitão Jaime Graça rouba a bola aos holandeses, que a passavam com algum desdém de jogador para jogador no seu meio-campo. Num ápice ela acaba nos pés de Nené, que marca o seu segundo da noite (o terceiro dos benfiquistas) aos 81’ e dá início a uma goleada que terminaria com o triunfo dos “encarnados” por 5-1, depois de mais dois golos – um de Jordão (87’) e outro de Nené (89’). Três golos nos últimos 15 minutos.
O que se passou naquele período, no relvado da Luz, entrou para a história como os 15 minutos à Benfica. Uma expressão que tenta descrever um futebol avassalador, uma espécie de vendaval ofensivo que empurra os adversários para trás, uma sucessão de ataques incessantes protagonizada pelos homens vestidos de “encarnado” e que encosta o opositor às cordas até o deixar KO, permitindo dar a volta a resultados desfavoráveis.
Muitos anos mais tarde, Nené, o homem daquele jogo, elegeu-o como o jogo da sua carreira. O avançado, na primeira pessoa, em declarações ao Público em 2004: “No jogo da primeira mão, em Roterdão, o treinador do Feyenoord, Ernst Happel, meteu-se muito connosco, disse que o Benfica era uma equipa de provincianos que não sabiam jogar futebol. O próprio capitão, van Hanegem, comparou o Benfica ao Excelsior, na altura o último classificado do campeonato holandês. O ambiente no jogo de Lisboa, como sempre, estava fantástico, com o Estádio da Luz completamente cheio. Os jogadores sentiam muito o peso daquele estádio e aos 30 minutos de jogo já estávamos a ganhar por 2-0 – o suficiente para nos qualificarmos para as meias-finais, já que tínhamos perdido o primeiro jogo por 1-0. Mas eles fizeram o 2-1 perto do fim e tudo parecia perdido. Muita gente começou a abandonar a Luz. Lembro-me que os jogadores do Benfica olharam uns para os outros e acho que não foi preciso dizer mais nada. Cerrámos os dentes. As palavras do senhor Happel ainda estavam nos nossos ouvidos e mexeram connosco. Quisemos demonstrar-lhe o que era o Benfica, o Estádio da Luz, o famoso terceiro anel. Nos últimos dez minutos de jogo, marquei dois golos e o Jordão outro. Tinha 22 anos e essa foi, certamente, uma das noites mais inesquecíveis da minha vida.”
Os 15 minutos à Benfica foram, assim, forjados num período aúreo do Benfica, com Jimmy Hagan no comando de uma equipa quase imbatível. O inglês chegou à Luz em 1970-71 e rodeado de uma série de jogadores de excelência conduziu os “encarnados” a três títulos de campeão nacional, o último dos quais praticamente perfeito: 30 jogos, 28 vitórias, dois empates e zero derrotas; 101 golos marcados, 13 sofridos; 18 pontos de avanço para o segundo classificado.

Belenenses entra na história
Mas se as “águias” criaram o seu mito nesse duelo ganho ao Feyenoord e protagonizaram ao longo da sua história muitos outros 15 minutos à Benfica, a origem da expressão é outra e mais antiga, mas também envolve os benfiquistas.
28 de Fevereiro de 1926. O Belenenses jogava em casa do Benfica, no campo das Amoreiras, para o Campeonato de Lisboa. A novidade no “onze” azul era um jovem chamado Pepe, com 18 anos, que viria a tornar-se um herói no clube da Cruz de Cristo e a merecer uma estátua no Estádio do Restelo. Os “encarnados” chegaram aos 4-1, mas nos últimos 15 minutos, tudo mudou. Em 13 minutos os “azuis” apontaram três golos e no último minuto foi assinalado penálti na área benfiquista. Chamado à conversão Pepe não tremeu e consumou a reviravolta. Tinha acabado de nascer o quarto de hora à Belenenses.
Ao longo dos anos que se seguiram, a formação “azul” fez juz à expressão em algumas ocasiões. A mais famosa de todas foi, muito provavelmente, a do embate com o Sport Elvas e Benfica, na última jornada do Campeonato Nacional da I Divisão de 1945-46 e que rendeu o até agora único título de campeão aos “azuis”. O Belenenses Ilustrado relata assim o que aconteceu nessa tarde, no Alentejo: “Ao intervalo, os elvenses venciam por 1-0, resultado que servia ao Benfica, ainda a viver a euforia de uma vitória histórica sobre o Sporting, por 7-2! À passagem dos 75 minutos, o Belenenses empatou, por Quaresma, que despertava de madrugada e ainda noite feita apanhava o cacilheiro para poder estar nas Salésias à hora do treino, trabalhando, depois, como, afinal, todos os outros, o resto do dia, como electricista. Cinco minutos depois, através de Rafael, o golo que valeu o título. E a festa toda de azul e oiro — de sangue, suor e lágrimas. Comovente, asseveram as crónicas, os homens da ‘Cruz de Cristo’, unidos num abraço longo, no centro do terreno, com as faces inundadas de suor, desfeitas também em lágrimas.”
Sempre com alguma poesia à mistura, os relatos destes momentos épicos vividos pelos clubes não são exclusivos de nenhum deles. Em alguma altura na história, há algo que faz os adeptos orgulharem-se dos emblemas que amam. Se na Luz há os 15 minutos à Benfica, e no Restelo o quarto de hora à Belenenses, no Dragão elogia-se a equipa que “joga à FC Porto” e em Alvalade admira-se quando os 11 futebolistas em campo jogaram como “leões”. No fundo, como disse ao Público Toni, um dos homens que actuou na equipa “encarnada” no tal triunfo histórico com o Feyenoord, o que os adeptos querem é sentir que em campo estão atletas “que se entregam com paixão e dedicação às cores que defendem”."

Quem é o culpado de o FC Porto não ter conseguido chegar à liderança?

"É o Pizzi, obviamente. O Pizzi porque obrigou os serviços de inteligência do FC Porto a uma semana intensa de trabalho exclusivo para o afastar do clássico. Foi tal o empenho intelectual na campanha que o Felipe esqueceu-se de não escorregar na sua área e o resto da equipa esqueceu-se de ganhar ao Vitória de Setúbal.
(...)"

Leonor Pinhão, in Correio da Manhã

Há rosas em Hiroshima

"O poema de Vinicius de Moraes, Rosa de Hiroshima, foi musicado por George Conrad e tocado pelo grupo Secos e Molhados no início da década de 70 e tornado um dos símbolos da resistência à feroz ditadura que imperava no Brasil à época. O texto transcreve os muitos malefícios decorrentes do lançamento da bomba atómica na cidade japonesa em 1945 e as feridas que ficaram abertas com o tempo.
Transpondo para a realidade do futebol nacional e retirando a carga bélica pode dizer-se que, semana após semana, através de comunicados; de publicações assinadas, ou não em sites oficiais - já agora, convém que quem escreve dê sempre a cara -; dos comentários de adeptos notáveis ou notados com cartilha previamente distribuída nas mais diversas estações televisivas, lançam bombas sobre a arbitragem.
Ainda assim, malgrado alguns erros pouco plausíveis, a maioria dos trabalhos protagonizados pelos árbitros acabam por ser rosas em Hiroshima. Afinal, de um terreno devastado ainda se consegue extrair alguma coisa boa.
Talvez o pior sejamos efeitos colaterais. Às vezes não visíveis quando alguém pega num telemóvel e consegue filmar um louco com uma barra na mão para agredir um árbitro após uma espera; outros ficam invisíveis e apenas denunciados, como aquele em que o pai de jogador de sub-12 deu uma chapada a um árbitro um pouco mais velho do que o seu filho: 15 anos. Sim, leu bem, o árbitro tem 15 anos.
Há teorias com suporte científico a defender que o desenvolvimento da consciência depende da reflexão. Pois. Daí talvez se perceba. Quem debita frases, ou se limita a ler os documentos que lhe foram passados, tem pouco tempo para pensar. O pior são os outros. Se calhar, no músculo do braço de cada agressor estão as palavras dos inconscientes."

Hugo Forte, in A Bola

Experiência? Qualidade!

"A questão da experiência é um dos argumentos mais gastos na hora de analisar o comportamento das equipas nas provas europeias, sobretudo na Liga dos Campeões, como se fosse o principal factor de sucesso. Não é. É evidente que tem o seu peso, como em tudo na vida, mas não é, por norma, o factor determinante. Esse, custe a quem custar, é a qualidade. Ganha mais vezes quem tem os melhores jogadores (mesmo que até possam não ter os melhores treinadores, embora seja sempre bom juntar o útil ao agradável). Benfica e FC Porto não se despediram da Champions porque são menos experientes do que Dortmund e Juventus, mas sim porque os adversários são melhores, muito melhores, independentemente do mediatismo ou da conta bancária. De quando em vez, o mais fraco pode passar, acontece, mas jamais será a regra.
O Mónaco, que eliminou o Man. City, apresentou na segunda mão uma equipa com média de idades de 24,7 contra 28,8 dos ingleses (4,1 anos de diferença); o mesmo Mónaco tem um acumulado de experiência na Champions, no seu plantel, de 237 jogos, ao passo que o City soma 752. E nesta último ponto poderíamos ainda falar da diferença de experiência entre Jardim e Guardiola... O Mónaco passou porque neste momento é melhor do que o Man. City. Ponto.
O Benfica, que esta época apresentou sempre das equipas mais jovens da Champions (a par do Dortmund, é bom referir, detendo ambos o recorde desta edição, fixado nos 23,6 anos de média, no Sporting-Dortmund, 1-2 e no Benfica-Besiktas, 1-1), não foi mais longe na Champions por causa disso, mas sim porque neste momento não tem qualidade para muito mais num dia normal. E também não foi por isso que o Dortmund deixou de ganhar o grupo onde estava o Real Madrid e seguir em frente nos oitavos. Não há coincidências. Uma equipa com os melhores sub-21 ou sub-23 do Mundo pode perfeitamente ganhar a Champions."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

«Alta Pressão» - veneno para os incompetentes e alimento para os audazes

"Muito embora em alto rendimento a exigência para demonstrar os valores da competência em qualquer jogo esteja sempre presente, pode no entanto acontecer que a maior pressão para a obtenção dum resultado em confronto competitivo, esteja sempre mais dependente da equipa que necessita de não deixar fugir o adversário em termos classificativos, no caso específico na conquista dum título. 
Esse foco de grande expectativa quando não for capaz de ser ultrapassado, pode gerar nos jogadores um presságio devastador pelo risco ou receio em perder, acusando um estado de negligência emocional, sabendo-se, que como tantas vezes tenho repetido, quando o medo de perder supera a vontade de ganhar, perde-se quase sempre, vendo-se abertas as portas dos balneários e dos seus acessos, àqueles que se podem identificar como os prisioneiros da desgraça. Não se pode por isso ignorar a importância e influência que os processos emotivos exercem sobre o comportamento dos jogadores. As emoções adequam-se aos comportamentos. A demonstração do estado consciente está de acordo com o nível dos jogadores e da forma como metodologicamente são orientados, sendo capazes de transformar cada gesto numa arte de bem jogar.
Pelas atitudes verificadas em jogadores movidos duma causalidade onde possa residir falta de confiança, os nervos e a angústia aumenta-lhes o cansaço, pensam que tudo lhes pode sair mal, individualizando em excessivo as técnicas de acção, cometendo faltas sucessivas, discutindo sobre questões para as quais não têm possibilidades de resolução (relvado, público, árbitro, chuva, vento, etc…), deixando-se envolver por um sentimento base negativo e olhando o futuro como um pesadelo provando que a inquietação, o desespero e a derrota tem um efeito mais retumbante.
Para contrariar este estado de sítio, terá que se definir a capacidade de empenhamento dos jogadores para o rendimento desejado, permitindo sonhar com o futuro e admitindo nesta circunstância um sentimento base positivo, porque forte, convencido e motivado, acreditando mais em si próprio fará com que os demais também acreditem nas suas capacidades. Por vezes o ter de ganhar para ultrapassar o adversário pode transferir para o processo emocional um acicate, quando os jogadores não são capazes de dominar este estado de pressão.
No entanto, nem sempre é linear este pensamento de causa determinada a efeito consubstanciado. A capacidade humana para superar adversidades é fenomenal. Há equipas e jogadores que após o relato de factores adversos renovam um espírito avassalador, transformando a adversidade numa força mobilizadora e aglutinadora onde pode despertar maior empenhamento para a obtenção do sucesso. Associando a estas circunstâncias algumas experiências de êxito conseguido, passa a habitar mais disponibilidade transferir o sonho em realidade.
Contemplando o que de forma repetida procuro inserir nas minhas reflexões, anoto a premente necessidade de remodelação de conteúdos no que corresponde à inserção de metodologias de treino. Sendo assim passo a equacionar algumas dessas referências:
- Restabelecer ou incrementar um compromisso por parte de cada jogador na concretização de objectivos quer em cada treino, quer em cada jogo, construindo para o efeito um quadro de excelência onde possa colocar os seus rankings de sucesso, podendo ser validados como um elemento desafiador de conquista (passos positivos, assistências para remate e golos, desarmes com eficácia, remates e sua qualificação, etc…). Isto é, pelo estudo e regulação dum código de conduta, permitir através do esforço, disciplina e dedicação uma matriz onde se incorpora a dinâmica de sucesso de cada qual. Estaremos assim a ajudar a transferir para o processo de consciência, este enriquecimento dum património justificadamente qualificado e substancialmente enaltecido das funções que são exigidas, quer a cada jogador na sua individualidade, quer à equipa na sua globalidade.
Sabemos que os jogadores mais capazes de obter o sucesso, também são aqueles que melhor conseguem dominar os índices de pressão que se vão acumulando ao longo do jogo. Para isso necessitam de identificar as origens deste estado crítico. Em termos somáticos identificam-se pela transpiração excessiva, garganta seca, forte transpiração, arritmias diversas, etc… Em termos cognitivos, estão mais sujeitos às crises de pensamento (não consigo, sou fraco, tenho receio de me lesionar, etc…, aparecendo na memória uma nuvem de incerteza, provocada pelas histórias negativas dos insucessos nos desempenhos registados). Chamei-lhe num dos artigos em tempos publicado, o veneno da memória. Como consequência de tudo isto, geralmente apresentam uma qualificação técnica de miséria – passes errados, faltas sucessivas, incapacidades flagrantes no teor de finalização, etc…
Podemos construir a partir destas avaliações e reflexões os traços de personalidade dos jogadores que mais resistem e combatem, ou por outro lado “desaparecem” perante os desafios que a pressão do jogo lhes impõe.
- Inserir na dinâmica processual de treino a técnica de visualização criativa dos gestos técnicos que estão inscritos no código do êxito participativo. É fundamental que as imagens de sucesso sejam previamente e insistentemente documentadas, exaltadas e experienciadas associando um trabalho respiratório intenso, visualização em vídeo, sendo mobilizadas as fontes de convicção no desejo de se verem repetidas.
Outra das formas para ajudar a eliminar os estados de pressão, está na aplicação metodológica do trabalho respiratório profundo, associado à técnica de relaxamento muscular progressivo com base nos exercícios de tensão/relaxamento capazes de transmitir paz, serenidade, tranquilidade, que pode ser treinada inicialmente num gabinete, sala ou balneário para depois ser aplicada durante o jogo no momento das suas paragens (assistências médicas, substituições, etc…). Assume-se como um processo modelar que ajuda a libertar a tensão acumulada, podendo um jogador em estado de crise momentânea, ver fortalecido o seu domínio de autoconfiança, manter ou porventura melhorar a capacidade de concentração e autocontrolo e seleccionar os melhores níveis de eficácia nas tomadas de decisão.
A propósito da candidatura ao título de campeão e dos recentes resultados obtidos e cujas consequências poderão originar expectativas ou desencanto e sabendo da próxima competição “intra pares” após um tempo de interregno por via das convocatórias para as selecções dos seus países, veremos quem e como foi capaz de melhor se readaptar aos requisitos para a obtenção do sucesso.
O facto da saída do seu “habitat natural” para a inserção de novas metodologias com distintas estruturas técnicas, substituições dos estado de rotina, associando a qualificação (ou não) do êxito obtido no resultado alcançado e porventura a necessidade de adaptação às alterações pelas mudanças de fusos horários, que podem conduzir a situações de dessincronização dos ritmos biológicos, ocasionando mais complexidade no que respeita à capacidade de atenção e decisão, alterações do estado de alerta, perturbações do sono e maior irritabilidade provocada pelo desgaste, será com certeza mais uma medida de reflexão e estudo que importará evidenciar. Cá estaremos para isso…"

José Neto, in A Bola