Últimas indefectivações

sábado, 10 de dezembro de 2011

Parabéns à Benfica TV



A avaliação é muito positiva, são três anos de crescimento sustentado... que apesar de não o admitirem, fazem muita inveja a muita gente... eu como 'director de sofá' poderia tomar decisões diferentes, poderia apostar em programas diferentes, mas reconheço coerência no caminho traçado. Ainda existe um longo percurso pela frente, mas a evolução tem sido no bom sentido.

Para quem tem a ilusão que a Benfica TV deveria servir para discussões auto flageladoras, parecidas com aquelas que se passam na net, estão enganados.

A caminho dos Quartos-de-final da Taça de Portugal



ABC 24 - 28 Benfica



Jogo quase sempre controlado, entrada assim-a-assim, mas depois do 5-3 para o ABC o Benfica não deu hipóteses, sempre em vantagem... ironicamente a equipa só abanou quando após ter jogado quase 2 minutos com mais 2 jogadores em campo, a equipa não marcou um golo!!! E logo a seguir após várias exclusões dos nossos jogadores, golos mal anulados, e alguns livres de 7 metros contra, permitimos que o jogo ficasse em 23-24, mas com garra agarrámos a vitória.

Q.B.

Benfica 5 - 2 Juventude de Viana



Jogo fácil, que o adormecimento no início da segunda parte complicou... Agora vamos a Espanha para a Liga dos Campeões.

Na liderança..



Benfica 1 - 1 Sporting



Podíamos e devíamos ter ganho, mas continuamos na frente do campeonato, e se nada de estranho acontecer a liderança na fase regular será nossa.

O jogo foi tal e qual como eu esperava: o Benfica a tentar jogar, a falhar golos de forma inacreditável, o Sporting com um atitude de equipa do último lugar da classificação, atacando praticamente somente em contra-ataque (aliás a semana passada com o Fundão, em casa, já tinham feito a mesma coisa!!!), marcando um golo num canto, simulando faltas atrás de faltas, um guarda-redes com o leite todo, agredindo e depois fazendo-se de vitima, tudo isto com a colaboração dos dois palhaços com o apito na boca...

Quando os jogos são mais apertados (play-off's, derby's, finais de taças...) o critério sobre as constantes faltas sobre o César Paulo torna-se nojento, hoje até conseguiram marcar faltas ofensivas ao César em situações onde ele sofria falta... e depois no fim o asqueroso ex-seleccionador nacional ainda consegue ironizar com um suposto prejuízo!!!

A ser verdade o regresso do Ricardinho, temos 'festa'!!!

Sempre a vencer



Guimarães 1 - 3 Benfica

20-25, 25-22, 17-25, 27-29


Grande vitória. Depois de uma paragem prolongada nas competições internas, somos obrigados a jogar 3 jogos em 4 dias, com uma viagem longa pelo meio, e com adversários complicados. Nos primeiros dois jogos, duas vitórias indiscutíveis. Hoje, com alguns titulares a descansar, mesmo perdendo um set, a equipa esteve muito bem... e a coisa só não ficou resolvida mais cedo, porque os árbitros queriam um 5º set à força!!! A emoção com que acabou o jogo, foi 'construída' com várias decisões inacreditáveis... o Prof. Jardim numa atitude 'pedagógica' em vez de protestar sorria e coçava a cabeça!!!

Amanhã novo grande jogo, desta vez para a Taça, novamente com o Sp. Espinho...

Do oito ao oitenta?

"Depois das excelentes exibições frente a adversários complicados como Sporting e Manchester, com o elogio generalizado a fazer sentir-se em inúmeras parangonas de jornais, surgiu uma tentativa ténue, diga-se de passagem, de uma franja dos nossos opinadores que pretenderam colocar em causa a prestação desportiva do nosso clube, muito por força do afastamento da Taça de Portugal, num jogo sem chama da nossa equipa. Mas deverão os benfiquistas embarcar nesta corrente? Será que o Benfica passou do oito ao oitenta no espaço de uma semana? Estamos em crer que não. E embora esteja a escrever este texto um dia antes do último jogo da fase regular da Champions, estou certo que ficaremos em primeiro lugar do Grupo, facto que temos de louvar e premiar condignamente. Todas as equipas têm uma ou outra escorregadela ao longo de um conjunto de provas exigentes nos quais estão inseridos. Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga, e Liga dos Campeões.

O nosso tropeção, se é que a isso se pode chamar tropeção, aconteceu na Madeira, frente a um ambicioso Marítimo, que tem feito uma prova irrepreensível neste domínio. Mas creio, sinceramente, que o jogo do campeonato terá uma história completamente diferente. E para melhor. Estaremos mais concentrados, mais coesos e solidários dentro do campo. A objectividade e o pragmatismo que normalmente caracterizam o jogo do Benfica verão ao de cima e os três pontos deverão regressar com a equipa a Lisboa e com isso a manutenção da liderança na principal competição nacional. Posto isto, convém referir que, ao contrário do que outros querem fazer crer, o nível de confiança não anda arredado da nossa equipa nem dos nossos adeptos. A simbiose da cumplicidade que existe entre ambos será mantida e reforçada nos próximos jogos. Todos nós sabemos a receita do sucesso. Apoio incondicional e entusiástico à equipa do Benfica, esperando que o resultado se traduza em golos, espectáculo, vitórias... se possível com nota artística."


Luís Lemos, in O Benfica

Objectivamente (SS)

"Depois de pelo terceiro ano consecutivo ter sentido o amarguíssimo sabor da eliminação da Taça de Portugal de forma inglória, ainda mais me irritou ouvir o nosso maior crítico - Pinto da Costa - falar de coisas que não lhe dizem respeito ofendendo a esmagadora maioria dos adeptos do futebol em Portugal: Benfiquistas e sportinguistas.

Disse, esse exemplo de «fair-play» e desportivismo, que os «animais não gostam de ficar enjaulados». Por um lado, chamou animais aos cerca de quatro mil adeptos leoninos que estiveram na Luz (alguns deles, é verdade, com comportamento selvático) e, principalmente, criticou a medida que o Benfica tomou ao colocar redes de segurança na bancada para os adeptos adversários, preservando-os a eles e aos simpatizantes do Benfica que estão assim mais protegidos dos devaneios de muitos insurrectos que andam pelos estádios de Futebol!

A conversa desse indivíduo já mete nojo! Todos os dias tem alguma coisa para dizer sobre os outros, mas não se preocupa em falar sobre os muitos casos que tem no seu clube.

Isso ele não gosta! Nem gosta que os seus correlegionários falem sobre os treinadores, jogadores que querem sair, ou desavenças dentro do balneário como aconteceu muito recentemente, segundo informações vindas dentro do próprio clube. Disso ele não fala!

O Benfica faz bem em não responder. É essa a correcta postura dos nossos dirigentes que já não gastam palavras a responder a tão desbocada figura. Agora o que é estranho é que o tão mediático novo vice sportinguista, P. P. Cristóvão não tenha dito nada sobre esta tirada de PC, chamando-lhe animal enjaulado ele que esteve lá e que tanto se queixou do Benfica apesar de ter RECUSADO receber bilhetes para o camarote presidencial ou para outro qualquer camarote tal como a Liga Portuguesa obriga. É tão atrevido para umas coisas e não é para outras!"


João Diogo, in O Benfica

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Champions e a Liga Europa

"Uma equipa portuguesa que faça uma excelente prova nas competições europeias aspira realisticamente a uns quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas na Liga Europa aspira a poder vencer a prova. Qual é a melhor então?

Admito até opiniões diferentes, mas é como ser campeão da Liga de Honra ou ficar nos seis primeiros da Primeira Liga. A Liga Europa é a II Divisão europeia, a Liga dos Campeões é a primeira. É bom estar na primeira, mesmo sabendo que realisticamente não a iremos vencer.

São impressionantes os valores de receita que proporcionam. Mais de 15 milhões já acumulados (sem market pool) esta época para o Benfica é muito cacau! O Benfica fez uma boa prova. Venceu duas pré-eliminatórias difíceis, contra adversários ainda nas provas europeias, e ficou em primeiro num grupo que deixa de fora um gigante como o Manchester United. Jesus tem razão quando diz que aumentou o prestígio europeu do Benfica, mas Rúben Amorim tem bom senso quando diz que apenas poderemos pensar numa eliminatória de cada vez.

É doce, no entanto, ser com Real Madrid e Barcelona uma das únicas três equipas invictas da prova. É bom pelo nível da companhia, e porque é bom não perder.

A Liga dos Campeões teve surpresas, a maior das quais o APOEL, uma equipa fraca para o nível da prova, que teve como único resultado lógico o do seu último jogo. Lamento que não tenha ficado em segundo do grupo para jogar com o Benfica, talvez por essa razão o FC Porto tenha preferido não marcar ao Zenit, talvez por isso havia tanto benfiquista a desejar sorte a Vítor Pereira.

A pensar no jogo de 21 em Alvalade deixámos uma taça nos Barreiros, numa derrota difícil de digerir para quem como eu respeita tanto a Taça de Portugal. O mesmo Marítimo que domingo nos dita a sorte no campeonato. Uma vitória na Madeira coloca o primeiro objectivo da época numa posição privilegiada."


Sílvio Cervan, in A Bola

Alerta

"Quanto custou a derrota frente ao Marítimo? Custou a Taça de Portugal, custou a quebra de um clima de frenético entusiasmo em torno da equipa. Custou tudo isso, custou dolorosamente, mas o que custou pode custar menos. Como assim? Desaires há que são pedagógicos, que ajudam a perceber que o trajecto competitivo não é linear, não é sempre vitorioso.

O Benfica, esta temporada, ainda não havia perdido em desafios oficiais. O registo era entusiasmante, mas porventura sugeria facilidades que não existem, nunca existem. Não há colectivos, por mais forte que argumentem, invencíveis em todas as empreitadas que disputam. Sobretudo no Futebol, muito menos no Futebol.

Consequências do revés na Madeira? A convicção de que o Benfica até poderia superar o seu opositor, mas que o contratempo só pode obrigar a equipa a reforçar os seus melhores índices na competição. E o que há ainda para vencer? Desde logo, o Campeonato. Também a Taça da Liga, ainda uma prestação digna na Liga dos Campeões.

Uma derrota, esta época, com este Benfica, para mais a nível doméstico, é difícil de dirigir. Só que deve servir de alerta, deve servir para perceber que não há jogos ganhos antecipadamente. O aviso é para a equipa técnica, é para os jogadores, é para os dirigentes? Também é, claro que é. Mas é, fundamentalmente, para os adeptos. E porquê? Para que não murchem na sua convicção, no seu apoio, na sua alma, na sua crença.

Estamos em Dezembro. A temporada só termina em Maio. De vermelho colorida? Tanto mais vermelha quanto mais vermelho, convictamente vermelho, for o apoio dos aficionados. Depois do baque no Funchal, vamos reforçar o vermelho da confiança? A ser assim, razão bastante para que vermelho, muito vermelho, venha a ser, no final, o nosso contentamento."


João Malheiro, in O Benfica

Dormir na ocasião

"Ao ver a desonrosa eliminação do nosso Benfica da Taça de Portugal, recordava-me das palavras de Padre António Vieira no “Sermão de Santo António aos Peixes”.

Em 1654, o ilustre pensador lusitano, referindo-se aos peixes roncadores, e criticando a soberba dos mesmos, dizia que “O muito roncar antes da ocasião, é sinal de dormir nela”. Nesta simples frase lá ia explicando o nosso grande orador que não é digno dos grandes falar antes da ocasião, pois corre-se o risco de ser a ocasião a ultrapassá-los.

Antes da eliminação frente ao Marítimo, foi um corre-corre de encómios e louvores: os resultados frente ao Manchester e ao Sporting deram azo a que as manchetes fossem feitas com as referências à sequência de vinte e tal jogos invictos. De repente, vi entrevistas exclusivas de futebolistas nossos a jornais desportivos e até a jornais que sobrevivem às custas de mentiras torpes sobre o nosso Benfica. As conferências de imprensa dividiram-se entre o auto-elogio e a tal estatística da invencibilidade… ou seja, roncou-se muito antes da ocasião. Resultado: dormiu-se nela. Foi-se a invencibilidade, foi-se a Taça de Portugal, espero sinceramente que se tenha ido, definitivamente, a falta de humildade no discurso. E, além da falta de muitas outras coisas – desde a sorte a alguns habituais titulares – a humildade foi o que de mais deficitário o nosso Benfica teve naquele Estádio dos Barreiros.

De uma derrota só tira algo de positivo quem tem a capacidade de perceber os erros próprios como uma lição, uma aprendizagem. Quero acreditar que todos, sem excepção, a tenhamos aprendido."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

"Incidentes"

"O que é que aconteceu na noite de 26 de Novembro, no Estádio da Luz? Resumindo: o Benfica ganhou; o Sporting perdeu; o Estádio inaugurou uma área reservada e protegida para as claques dos visitantes, como existe já em diversos e modernos estádios do mundo; no final do do jogo, inconformados com a derrota, adeptos do Sporting incendiaram uma vasta zona da bancada. Posteriormente, o Sporting alegou que teriam sucedido «muito graves acontecimentos», nunca especificados, supostamente documentados numa gravação. Desafiado a mostrar a presumível gravação, o Sporting meteu a viola no saco.

Mas a generalidade dos meios de comunicação passou desde então, e ao longo de toda a semana, a referir-se aos «incidentes» daquela noite, um caldinho de especulação e manipulação. E com isto: deixou de se falar da vitória do Benfica; deixou de se falar da derrota do Sporting, um leão de papel levado ao colo pelos jornais como equipa imbatível; e deixou mesmo de se falar do único incidente que se registou e toda a gente viu - o crime de fogo posto, previsto e punido nos termos do Código Penal. O Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional prevê a indemnização de danos em instalações de um clube causados por sócios ou simpatizantes de outro.

Não houve outros «incidentes». O que há é um imenso blá-blá-blá, papaguedo e escrito, para disfarçar um comportamento que se inscreve nos puros e simples actos de hooliganismo.

Aditamento: Espero que a triste derrota que afastou o Benfica da Taça de Portugal tenha ao menos servido para corrigir erros. E que o resultado da lição se veja, sem falta, já este fim-de-semana, de novo no Funchal, agora para o Campeonato."


João Paulo Guerra, in O Benfica

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sem surpresas...



Barcelos 67 - 90 Benfica

20-24, 8-23, 17-23, 22-20



Passagem fácil aos Quartos-de-final da Taça de Portugal (que será uma Final 8), ao contrário do jogo para o campeonato (vitória no prolongamento), desta vez não facilitámos!!!

No próximo domingo temos o jogo na Luz com os Corruptos, o regresso à competição do Heshimu é uma excelente notícia...

Espírito vencedor

Benfica 3 - 0 Sp. Espinho

25-21, 25-21, 28-26


Não foi fácil, a perder no 2º set, foi preciso 'abanar' a equipa, a entrada do Royal e do Ché foi determinante, para a reviravolta... na parte final, mesmo com as coisas nem sempre a correrem bem, a equipa 'recusou' perder um set!!!

Danny é como o Benfica, é bom para o país

"Foi bom para o país que o Benfica tivesse sido eliminado da Taça e também foi bom para o país que Danny tivesse evitado, nos últimos instantes do jogo no Porto, dar a vitória ao Zenit


FOI muito bom para o país que o Benfica tivesse sido eliminado da Taça de Portugal. Estarão, com certeza, lembrados que na semana em que o Benfica ganhou ao Sporting para o campeonato foi aprovado o Orçamento Geral do Estado sem que ninguém reflectisse sobre isso, porque não se falou doutra coisa a não ser da gaiola da Luz e da fabulosa exibição de Diego Capel.

Lembram-se? O País em crise, um Orçamento Geral do Estado de rapina, a senhora Merkel e o senhor Sarkozy a quererem acabar com o euro, e nem uma palavrinha mais acesa sobre tais assuntos teve a capacidade de incendiar a sociedade portuguesa. Com toda a comunicação social focada na gaiola da Luz, até se podia ter oferecido o Mosteiro dos Jerónimos à banca internacional para abater na dívida que ninguém tinha dado por tal coisa.

E por isto mesmo foi bom para o país a justíssima eliminação do Benfica da Taça de Portugal. Caso contrário, teríamos mais um derby este mês o que significaria, pelo menos, outros quinze dias de alienação total. Uma semana antes do jogo, com a revisão da matéria dada e uma semana depois do jogo, com o rescaldo das ocorrências.

Foi bom para o país e foi bom para o Sporting, convém acrescentar.

Numa prova que caminha para o centenário e cuja final se disputa tradicionalmente no Verão, o Sporting é o primeiro clube a ganhar e a festejar a conquista do troféu ainda antes do Natal.

POLÍTICA nacional à parte, não foi uma semana boa nem para o Benfica nem para o FC Porto. Se um Benfica medianamente esforçado não chegou para o Marítimo, um FC Porto muito esforçado também não chegou para o Zenit.

Saiu o Benfica da Taça de Portugal, saiu o FC Porto da Liga dos Campeões e saiu Danny de boa saúde do Dragão, o que também se deve saudar.

Danny é como o Benfica, é bom para o país e não teme os sacrifícios que tal estatuto implica. Na quarta-feira, nos últimos instantes do jogo, quando o FC Porto só atacava e o Zenit só contra-atacava, a bola foi lançada para Danny que avançou perigosamente para a baliza de Helton. Mas teve o bom senso de se deixar desarmar. Seria mau para o país se Danny marcasse o golo da vitória dos russos no Dragão.

Seria mau para o país e para Sociedade Protectora dos Animais.


O Salgueiros faz 100 anos e já conheceu melhores dias. Uma sucessão de gestões danosas atirou com o Salgueiros para uma situação imprópria do seu historial. Para mim, o Salgueiros foi sempre o Salgueiral. E isto d2 lhe chamar Salgueiral é carinho, não é desprezo nem olhar de cima. As notícias do centenário do Salgueiros vieram, naturalmente, acompanhadas por alguns pormenores sobre a fundação do clube.

Na verdade, não são pormenores. São pormaiores. O Salgueiros nasceu depois de um grupo de amigos ter assistido a um jogo de futebol entre o FC Porto e o Benfica disputado no Campo da Rainha, na cidade do Porto. Gostaram tanto do que viram que, de regresso a casa, pararam na rua à conversa e, à luz de um candeeiro da via pública, decidiram fundar o seu próprio clube.

São também lampiões, portanto, os salgueiristas. Como se não lhes bastasse este notável pedigree, os seus fundadores tomaram outra decisão importante quando escolheram o equipamento, vermelho e branco, igualzinho ao do Benfica de Lisboa que tinham visto jogar para, assim, se distanciarem das cores do FC Porto, o vizinho da mesma cidade.

O Salgueiros passou um mau bocado, praticamente refundou-se para subsistir, e hoje luta pelo regresso às provas nacionais. A equipa de futebol do Salgueiral está na 3ª posição da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto, com menos um jogo do que o líder da tabela, o Felgueiras.

É incrível como o Porto, uma cidade pujante de comércio e de associativismo, não conseguiu manter nas primeiras linhas da competição os seus clubes históricos, como o Salgueiros e o Boavista. Mas é assim, não dá para todos. É uma pena.



«OH, Inglaterra, minha Inglaterra / com os teus gloriosos olhos austeros.» É um poema, está visto. Um poema do poeta inglês Willian Ernest Henley que viveu e produziu a sua obra no século XIX. Este poeta Henley é também o autor do poema Invictus que Nelson Mandela recitava na prisão e serviu de inspiração para o filme de Clint Eastwood com o mesmo nome.

Mas tudo isto vem a propósito de quê?

Da Inglaterra e dos pequenos tormentos que André Villas-Boas e David Luiz por lá têm passado, eles que em Portugal, cada um no seu clube e na sua função, foram não só incontestados mas apontados como exemplo para as gerações futuras. Agora estão os dois em Inglaterra e vida não lhes parece correr tão bem porque tudo aquilo que em Portugal eram as qualidades fantásticas dos dois, em Inglaterra são defeitos.

A Inglaterra, como os seus «gloriosos olhos austeros», não suporta o futebol azougado de David Luiz, que levava ao delírio o Estádio da Luz, e não tolera os mind games de Villas-Boas, que punham em sentido os árbitros e os jornalistas do Condado Portucalense.

David Luiz, diz a imprensa britânica, pode ser transaccionado na abertura do mercado de Inverno pelo preço de 16 milhões de euros, ele que custou 24 milhões a Abramovich. Tony Cascarino, a velha glória irlandesa que jogou no Chelsea no início dos anos 90, apontou recentemente aquilo que considera serem as falhas do jovem defesa central brasileiro: «Ele pensa de forma errada e tem o péssimo hábito de tentar passes arriscados quando só precisa de defender. Será difícil perder esses maus hábitos.»

André Villas-Boas, diz também a imprensa inglesa, teve o lugar por um fio antes destas duas últimas vitórias do Chelsea, para o campeonato inglês e para a Liga dos campeões, frente ao Valência. Para lá dos resultados não estarem a corresponder às expectativas do magnata russo que o contratou, o jovem treinador chegou também com os maus hábitos do futebol português. E os «gloriosos olhos austeros» da Inglaterra logo o sancionaram com uma multa de 12 mil libras (perto de 19 mil euros) quando, depois de perder com o Queens Park Rangers, Villas-Boas se atreveu a dizer que o árbitro tinha feito um trabalho «muito, muito pobre», pequeníssimo, quase anémico insulto em termos lusitanos. Mas tremenda falha para um desportista na Inglaterra de Henley e de outros civilizadores.

E se, em Inglaterra, afirmar que o árbitro foi «muito, muito pobre» dá uma multa de 19 mil euros, imagine-se a coima que Villas-Boas terá de pagar se um dia, no rescaldo de um resultado menos feliz, disser em inglês tudo o que disse em português, em Guimarães, na época passada, depois do empate do FC Porto no berço da nacionalidade: «A minha expulsão é ridícula» … «O árbitro cometeu um erro declarado que mudou o sentido do jogo» … «por favor, alguém meta pressão na TVI…»

Havia de ser bonito.

Sobretudo naquela parte em que Villas-Boas diria, em inglês, please, someone put pressure on BBC!»

Pressure on BBC? I beg your pardon??????!!!!!

Mas isso nunca vai acontecer.

«Oh Inglaterra, minha Inglaterra / com os teus gloriosos olhos austeros…»



LIEDSON já sabe ao que sabe ser campeão. O caminho não foi fácil. Aos 21 anos, Liedson era caixa de um supermercado e quando saiu do Brasil para a Europa não era, propriamente, nenhuma vedeta. Nunca jogara sequer em nenhum escalão da selecção brasileira. Depois de sete anos no Sporting a disfarçar com os seus golos todas as crises de Alvalade, regressou ao Brasil para jogar no Corinthians.

E o Corinthians ganhou o campeonato no domingo. No mesmo dia em que morreu Sócrates, o doutor, que fez no timão meia dúzia de épocas de sonho. Sócrates sempre disse, reza a lenda, que gostaria de morrer num domingo em que o Corinthians «levantasse um título». Foi precisamente isso que aconteceu. E é assim que vai ficar para a História.



VENDO as imagens na televisão, fica-se com a ideia de que os simpáticos adeptos do belenenses que se deslocaram a Alvalade ficaram um bocado enjaulados no estádio, confinados entre grossas redes laterais, dissuasoras de qualquer comportamento menos digno que, aliás, não se previa. Também é verdade, registe-se, que à frente não tinham rede alguma que lhes perturbasse a visão. Mas também não fazia falta porque está lá o fosso que sempre é mais medieval do que pré-histórico.



P.S. – Foi um grande aborrecimento o jogo de ontem do Benfica com os romenos, só compensado pelo gosto de ficar em primeiro lugar no grupo. Ontem também ficou provado que o grande resultado do Benfica nesta “poule” foi a vitória em Basileia. Incrivelmente, o Manchester City e o Manchester United foram parar à Liga Europa que, sem a chegada destes ingleses, até já parecia a Taça de Portugal."



Leonor Pinhão, in A Bola

'UEFICES'

"Na omnipresente e omnisciente UEFA há decisões que, por mais esforço que faça, nunca perceberei. Dois exemplos: o cartão amarelo quando um jogador tira, por instantes, a camisola ao festejar efusivamente um golo; e a existência de pseudo árbitros que, nos jogos europeus, estão atrás da linha de cabeceira.

Quanto ao cartão, o gáudio por um golo marcado e, às vezes, decisivo é castrado pela imposição da estupidez. A admoestação pelo striptease dorsal do marcador de um golo é a mesma de um jogador que dá uma pantufada num adversário, ou a do que diz um sonoro impropério ou faz jogo sujo e anti-desportivo. Usando um termo ora muito em voga, que generosa equidade!

Quanto à invenção dos 'juízes desembargadores de segundo recurso', continuo sem perceber a sua utilidade. São uma espécie de candeeiros ou múmias paralíticas, que, creio, só se dará por eles quando levarem uma bolada em cheio. Reconheço, porém, que contribuem para aprofundar o 'turismo arbitral' dando a conhecer aos felizardos novas cidades e estádios, em ritmo de passeio. Sugeriria até que, tal como no voleibol ou ténis, se pudessem sentar em cadeiras elevadas para melhor desfrutarem do espectáculo.

Se bem que já tivesse tirado estas conclusões sobre a inutilidade da sua lide, fiquei definitivamente elucidado quando vi um dos quintos(?) árbitros no jogo Benfica-Basileia não ter indicado uma mão descarada de um jogador suíço dentro da área e ali nas barbas do homem.

Mas nem tudo é mau. Estes juízes têm, privilegiadamente, condições únicas para certificarem se a camisola de um marcador de um golo sai do corpo o suficiente para o soberano árbitro mostrar o tal cartãozito amarelo. E assim justificarem a sua presença..."


Bagão Félix, in A Bola

Treino na Champions!!!



Benfica 1- 0 Otelul Galati



Em ritmo de treino, deu para garantir o primeiro lugar do grupo, sem derrotas... jogo irritante, onde a potencial goleada estava à vista de todos, mas a equipa não quis... sendo que as gestões de vantagens mínimas são sempre perigosas. O jogo foi tão lento, que até no golo, a bola entrou devagarinho dentro da baliza!!!

Apesar da vitória acho que Jesus cometeu um erro na preparação deste jogo: Aimar tinha que jogar ao lado do Javi no meio, e Rodrigo ou Saviola tinham jogado ao lado do Cardozo. Este era claramente um jogo para o esquema mais ofensivo. Estes Romenos ofensivamente são realmente muito fraquinhos, defendem relativamente bem, é verdade que perderam os 6 jogos na Champions, mas não foram goleados por ninguém... mas pedia-se pelo menos mais um golinho!!!

De positivo o regresso do Cardozo aos golos, nenhum dos jogadores em perigo de suspensão levou amarelo... de negativo, a lesão de Gaitán.

Como alguém dizia esta semana na blogosfera Benfiquista: o grau de exigência no Benfica aumentou muito nos últimos tempos. Arrisco, dizendo, que 12 pontos na Champions será raro no nosso futuro próximo!!! Muitos contribuíram para isso, mas a entrada do nosso actual Mister no Benfica, é um momento marcante, é importante e justo reconhecer este facto.

Agora é esperar pelo sorteio, os Russos (Zenit, CSKA) são medianos, o único problema será o frio de Fevereiro, normalmente, em partidas bastante emotivas, tratamos da 'saúde' aos Franceses (Lyon, Marselha), os outros são de evitar, por várias razões, sendo que tradicionalmente o Benfica dá-se mal com Italianos e Alemães!!! O Napoles neste momento está mais forte, em relação ao nosso último confronto. O Milan tem uma equipa repleta de estrelas, que quando motivados são muitíssimo perigosos. E o Bayer é uma equipa com sede na Alemanha!!!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Crise? Qual crise?

"É incompreensível que um clube português possa pagar por um jogador de apenas 20 anos, cujo talento é muito exaltado no seu país (o Brasil) mas quem em Portugal pode não ter sucesso (sobram casos desses), a astronómica quantia de quase 18 milhões de euros! Do mesmo modo que é incompreensível que nesse valor estejam incluídos, perto de 5 milhões de euros de comissões, o que corresponde a 35 por cento do preço final! Será que uma operação destas não desperta nenhuma estranheza a ninguém? Nem mesmo à CMVM, a quem são comunicados em detalhe os valores despendidos? Será que este jogador, de nome Danilo, quando chegar em Janeiro vai ter lugar na equipa? Ou vai ficar meses a fio no rol dos desaparecidos, como sucede com o seu ex-companheiro do Santos, Alex Sandro, e com o argentino Iturbe, proclamado pela imprensa sul-americana como o «novo» Messi?

Oxalá que o fair play financeiro que a UEFA de Platini promete pôr em prática já em 2013 sirva ao menos para evitar (no que não acredito) que desatinos destes possam acontecer num país onde pouco ou nada falta para se começar a morrer de fome! Sem saber ainda como vai acabar esta cruzada, Platini entretanto já se envolveu noutra guerra, desta vez com Sepp Blatter, o outro sacripanta da FIFA. Não está só no campo da batalha, tem a respaldá-lo o presidente da federação alemã, Zwanziger. Exigem à FIFA: 1. mais democracia na caduca International Board; 2. maior controlo financeiro sobre os dirigentes que ocupam ou se candidatam ao Comité Executivo; 3. novas regras para a eleição do presidente; 4. mais voz ao clubes; 5. instituição de uma comissão de ética séria, composta por gente do desporto e das leis. Beckenbauer e Rummenigge aplaudem."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Chega?

"Às portas do Natal, o Benfica é a única equipa europeia invicta. Chega? Não chega, mas é um registo notável. Nos últimos vinte anos, o Benfica nunca tinha amealhado tantos pontos (28) nesta altura da prova doméstica mais importante. Chega? Não chega, mas é um registo notável. O Benfica lidera, ainda que em igualdade pontual com o FC Porto, o Campeonato e até já jogou no Dragão. Chega? O Benfica, pela primeira vez nas últimas temporadas, não claudicou, uma vez sequer, nos confrontos directos com o FC Porto, o Sporting e o Braga. Chega? O Benfica já está apurado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões e tem amplas possibilidades de ser primeiro classificado no seu grupo, à frente do Manchester United. Chega?

Por ora, convenhamos, não chega. Não chega pela elementar razão de que o Benfica ainda não venceu nenhuma competição. Só que chega para perceber quão dilatadas são as potencialidades da equipa, chega para perceber quão vitoriosa pode ser esta época, chega para perceber quão confiante pode estar a vasta legião de adeptos.

O Benfica na versão 2011/2012, tem estado ao nível dos melhores desempenhos das suas temporadas competitivamente mais marcantes. Inclusive, neste momento, tem um registo superior ao de há dois anos, altura em que venceu a Liga nacional de forma justa e categórica.

O futuro imediato, a julgar pelos últimos meses, só pode ser prometedor. Aproximam-se compromissos que encerram grandes dificuldades. E os que ficaram para trás? A resposta foi ou não positiva? Tudo se conjuga para que este seja um ano de grandes e bonitas emoções vermelhas."


João Malheiro, in O Benfica


PS: Como é óbvio esta crónica foi escrita antes do jogo com o Marítimo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Parábola do sapo que queria ser burro

"Presunção e pretensões nunca faltaram aos néscios.

Sei de uns que agora, então, inflados de ilusão por meia-dúzia de penaltis e arbitragens mal paridas, antes uns contendores de segundo pacote, lhes valendo mais apalermadas bazófias do que nos últimos quarenta anos, já se julgavam até mal empregados para jogar no Campeonato português...

Empertigados, tendo perdido a noção das distâncias e o sentido da medida, passaram à fase seguinte: como naquela história do sapo que queria ser tão grande e tão gordo como o burro, puseram-se a 'comer uvas'. Alarvemente. Tal como o ambicioso sapo que, embora tivesse a boca quase tão grande como a do asno, se pôs a comer cachos e cachos inteiros de uva madura, para inchar ainda mais depressa, com os eflúvios de fermentação inevitável.

Pobre anfíbio, porém! De tanta uva comer sem se conter (triste é a sina dos estúpidos!), inchou tanto, até que rebentou, numa formidável explosão de gases, que o deixou todo escavacado e inerte, ainda não burro e já nem sapo...

Estes que eu conheço (que tal como o visconde, dizem que são de alta estirpe, mas acolhem o lumpen nazi), levando à letra a história do anfíbio, puseram-se a fazer o que fez o sapo. Só que as 'uvas' deles eram a própria saliva das vanglorias que bolsavam entre si e das cuspidelas de ousadias, lançadas para o ar que os cobre...

À falta de resultados firmes, a jogar com a pequenada internacional, primeiro choraram-se de arbitragens. E depois, já bem inflados dos primeiros gases, ainda um mês antes de virem tentar uma improvável bênção na Catedral, acabam a inventar manobras de distracção que, pelo sim pelo não, mais tarde lhes justificassem a forradela de táctica que, no fundo, temiam vir aqui levar.

Cumpriam-se o mesmo destino do sapo. Mas, bastando-lhe o ácido fermento das falácias que os faziam espumar cada vez mais, incharam afinal mais rápida e desmesuradamente do que alguma vez teriam sonhado. Presumidos, requisitaram mais bilhetes do que as posses. E os poucos que quiseram vir ao castigo, ainda assim beneficiaram, pacóvios, de cuidadas condições de conforto e segurança bem mais apropriadas do que as que podem oferecer no viscondado, onde, volta não volta, desabam que nem sapos, para dentro uma fossa qualquer que os faz ali felizes.

No fim, a frágil pele viscosa de sapos não lhes aguenta a formidável ceva e explode de vez! Ora, ante a realidade da reles derrota desportiva (que os seus próprios atletas reconhecem), vai de se vingarem. Sem escrúpulos, nem cortesias de visconde. Despedem-se à cacetada, com toda a brutalidade e a piromania do seu estratégico back office nazi.

Moral da história: assim recolhem eles de novo ao patético viscondado, quais sapos estoirados pela engorda, sem terem sido sequer capazes de provar inteligência para chegarem ao patamar dos burros..."


José Nuno Martins, O Benfica

Ó bófia, tens aí lume?

"Há gente que tem uma tendência inata para a tarouquice que parece quase científica. No mesmo momento em que o Merceeiro Analfabeto escreve nas páginas desacreditadas do seu panfleto que desde que D. Palhaço surja providencialmente em algum lado - provavelmente com a aura de alguma Nossa Senhora de Fátima (não com a Fatinha da joelharia de joelhos) - tudo muda, tudo mudou mesmo para um pobre profissional da Imprensa falada, que viu a vida a andar para trás enquanto se sujeitava à linguagem poluída do labrego da Madalena e às bofetadas de alguns paus-mandados de vão de escada. Que o Merceeiro Analfabeto é um génio da escória já toda a gente sabe. Por onde se esconde, já é mistério. Nalguma lura húmida na qual fungos como ele se sentem em casa.

Por seu lado, o Bófia Paleolítico Inferior foi à bola. Ao contrário do merceeiro na lura, não é lugar onde se sinta à vontade. Ficou por ali, espreitando o jogo por entre os quadrados da rede, ele que tanta gente deixou a ver o sol aos quadradinhos, sem perceber grandemente o que se passava lá por baixo pelo relvado, mas compreendendo em absoluto todos os insultos que lhe eram gritados em coro aos ouvidos como se de música se tratasse. O Bófia Paleolítico Inferior sentiu-se importante. Quando o jogo acabou sentiu-se meio perdido. A seu lado, um rapazito desdentado, habitual frequentador da Mitra de Lisboa, deu-lhe uma cotovelada compincha:

-Ó Bófia, tens aí lume?

O Bófia Paleolítico Inferior emprestou-lhe o isqueiro Dupond. Nunca mais o veria. Não foi preciso esperar muito para lhe chegar à pituitária um cheiro a plástico queimado. O fumo escuro e grosso quase não o deixava respirar. O Bófia Paleolítico Inferior olhou em volta. Tal como o profissional da Imprensa falada, os soldados da paz que procuravam apagar o fogo eram tratados à bofetada. Assobiou para o lado, meteu as mãos nos bolsos e fugiu da confusão. Mais tarde haveria de se armar em valente..."


Afonso de Melo, in O Benfica

A lira de Nero

"Não eram necessários dotes divinatórios, nem poderes extrassensoriais, para admitir que o Estádio da Luz iria pegar fogo. O ambiente desportivo foi o doutras épocas, com resultado imprevisível até ao derradeiro minuto. Nem o Benfica deslumbrou, nem o Sporting se acabrunhou como os desígnios deixavam a adivinhar. Temos campeonato a três ou a quatro, caso se perceba exatamente o que quis dizer Leonardo Jardim após a derrota com o Porto.

Depois de perder por 3-2, e de colocar apenas nos últimos minutos os jogadores que estabeleceram a diferença, o madeirense justificou o desempenho da equipa com um “faço o meu trabalho dentro daquilo que posso”. Depois do susto que pregou ao campeão nacional, mas somente a um quarto de hora do fim, pôs-se a jeito de todas as suposições.

Ainda tarda entender o que se passa com a condição física do plantel do Sporting. É exagerado o número de lesionados que condicionam a ambição de Domingos para os diversos compromissos, ainda todos, em que o clube está envolvido.

Regressemos ao dérbi de sempre. As medidas de segurança impostas pelo Benfica vieram a revelar-se insuficientes e incapazes de dominar aquelas criaturas que me recuso a admitir como adeptos do Sporting. Não são incendiários, arruaceiros, neonazis e agressores de bombeiros que a direção do Sporting defende, quero crer. Bastava ter optado por dialogar, em vez de se indignar, para criar as pontes com os responsáveis pelos encarnados, que aparentavam uma era de entendimento, ainda recentemente observada na gala da Confederação do Desporto de Portugal.

Aliás, a gritaria no túnel dos balneários da Luz – outra vez no mesmo sítio – de Luís Filipe Vieira a vociferar com Luís Duque, a propósito da arbitragem, denotam a paz hipócrita em que vivem os dois emblemas de Lisboa. Os dois de Lisboa? Todos. Dirigentes que teimam em governar os seus clubes como se os adversários fossem alvos a abater, e menos como um parceiro neste negócio em falência iminente.

Ainda esta semana foi destaque no “Diário de Notícias” os subsídios – salários??? – das modalidades amadoras do Porto. Com o desempenho tão irregular da equipa de futebol pergunto se também o futebol foi atingido por esta praga?

Talvez tal justifique o nervosismo que levou Pinto da Costa ao aperto verbal ao jornalista Valdemar Duarte, e consequente agressão física, por outros, após o FC Porto-Braga. Realmente é insuportável aguentar uma época com um plantel avaliado em 125 milhões de euros, fora da Taça de Portugal e com a Liga dos Campeões em risco.

Afinal, há cadeiras a arder em todos os estádios, e os Neros cantam e tocam, inconscientemente, a sua lira."

Confirmações

"1. Durante esta semana, a propósito de notícias em recintos desportivos (um conceito que em tempos tanto apaixonou certas hostes) e noutros recintos, confirmou-se mais uma vez que entre nós há justiça formal mas peca a justiça substancial, aquela que reconstitui com coragem e convicção fundada a verdade dos factos e aproxima, no momento da sanção e da sua execução, a aplicação da lei abstrata do sentimento de confiança dos cidadãos – pelo menos na retribuição para com os cumpridores. Se essa justiça substancial peca, vulgariza-se a impunidade, sentimento que começa nas escolas e acaba na rua. Hoje podemos concluir que os poderes legislativo e judicial falharam estrondosamente na prevenção geral. No caminho, a impunidade ganhou o estatuto de uma “expectativa” generalizada e, pior do que isso, construíram-se ilhas com muralhas desafiadoras do direito e da ordem pública. Voltar para trás vai ser mais difícil, mas ainda é possível. Depende do comportamento de muitos e desses muitos ao mesmo tempo. Voltar ao caminho certo está, todavia, condicionado pela tibieza e incapacidade de alguns, poucos mas suficientes para fazer claudicar todo um projeto de sociedade, em que as pessoas de bem ainda têm espaço. O espaço maior na “cidade” de todos.
2. Durante esta semana, a propósito de incidentes e colisões de diversa índole, confirmou-se mais uma vez que entre nós há liberdade de expressão mas, em vários casos, não há liberdade de imprensa nem critério sobre o relevo. A crise é grave. Os canais da comunicação escrita e televisiva compartimentam-se: uns (mais ou menos) independentes (quero acreditar que é a maior parte), outros completamente amarrados às “fontes privilegiadas”, que os ameaçam e constrangem. O espaço público está inundado por “ruído”, ao qual se dá um destaque que consegue abafar a lucidez e a inteligência dos demais intervenientes. Há autores de notícias e de comentários com medo. Os destinatários da informação são manipulados. O pensamento livre é marginalizado. O estado a que chegámos merece uma reflexão atenta e, mais do que nunca, um debate sério. O “quarto poder” não pode ser somente o espelho de outros poderes (ocultos, em especial), quando deveria ser sempre e em qualquer circunstância o vigilante neutro e nutrido de todos os outros poderes. O mundo está perigoso, na política, na economia, na cultura e nas artes, e, por maioria dos factos, também no desporto.
3. Durante esta semana, a propósito de entrevistas sobre o futuro do futebol, confirmou-se mais uma vez que não é líder quem quer e que a falta de liderança não se supre com operações de recato e lições dos especialistas. Há sempre um gesto, um esgar, uma sombra, que tudo denuncia… O confronto entre o “neovalentinismo” (sem berros) de Gomes, aspirante a líder embrulhado em cábulas balbuciadas a custo, e Marta, o “agregador mitigado” excessivamente desconfortado nos apoios ativos e passivos, chegou para perceber algo mais. Os detalhes podem ter sido decisivos na procura do número “43”, a cifra mágica do próximo dia 10. A imagem passada nas cadeiras da TV pode ter dado tudo e… nada."


Metê-la

"From: Domingos Amaral
To: Pablo Aimar

Caro Pablo Aimar
Há vinte e tal anos, em Cascais, havia um bar onde eu e os meus amigos costumávamos ir. Noite fora, jogava-se e bebia-se, e as sempre bem regadas conversas costumavam descambar em fortes polémicas. Então, no meio da algazarra, vinda de um canto do bar ouvia-se a voz rouca de um cinquentão bêbado que, para desempatar qualquer celeuma, vociferava: “O importante é metê-la lá dentro!” Fosse o tema das refregas o sexo ou o futebol (eram sempre esses os temas), e fosse qual fosse o pomo da discórdia, o velho alcoólico urrava sempre a mesma máxima: o importante era metê-la lá dentro!
Diz-se que há uma verdade profunda nas palavras dos bêbados e de facto, no final de qualquer jogo, só contam as que se conseguem “meter lá dentro”. Por exemplo, em Manchester, Ferguson apelidou o encontro de “cruel”, defendendo que a sua equipa merecia mais do que o empate. Pois. Mas tu, caro Pablito, “meteste-a lá dentro”, fizeste o 2-2 e saímos de lá apurados.
Contra o Sporting também ajudaste, marcaste o canto e o Javi “meteu-a lá dentro”. O Sporting jogou bem, andou por ali às voltas mas… É como no sexo: é bom abraçar um rabo, beijar uma boca, apalpar uma maminha mas… “o importante é metê-la lá dentro”. O Sporting entusiasmou-se, roçou-se muito, mas a verdade é que não a “meteu lá dentro” nem uma vez.
Claro que tem dias que também são os outros a “metê-la”. Na Madeira, entraste tarde e a más horas, já o Marítimo nos tinha “metido” duas lá dentro. Tiveste duas boas oportunidades mas não a “meteste” lá dentro e fomos à vida na Taça. É assim a vida. Quem mete, mete, quem não mete bate palmas."

domingo, 4 de dezembro de 2011

Espírito forte



Leões de Porto Salvo 3 - 6 Benfica



Excelente vitória, com grande segunda parte. Não é por acaso que esta equipa do Porto Salvo está em 3º lugar do Campeonato. São fisicamente fortes, rápidos, fortes no 1x1 defensivo, e sabem sair para o contra-ataque... Hoje, não conseguiram manter a intensidade no jogo, e o Benfica mesmo com menos 2 jogadores na rotação habitual (Arnaldo e Diego), acabou por 'cavar' a diferença merecida na segunda parte... Continuamos a demonstrar alguns problemas na transições defensivas. Além disso, hoje, sofremos os dois primeiros golos, em jogadas individuais dos adversários, 'em cima' dos nossos jogadores mais ofensivos, a retificar...

Apesar do Joel continuar a marcar muitos golos, e quase todos espectaculares, o meu destaque vai novamente para o César Paulo. Desde da grave lesão da época passada o nosso Imperador nunca mais tinha jogado ao seu melhor nível, nas últimas jornadas, parece que o César está de regresso ao seu melhor...

Não vai ser fácil o jogo com Lagartos para a semana, a ausência do Arnaldo e do Diego vai-se sentir, obrigando a uma maior utilização dos restantes jogadores, mas jogamos em casa, e além disso com um empate, ficamos em vantagem...

Os (ir)responsáveis

"1. Foi uma importante vitória a de sábado passado, frente a um muito moralizado (e lutador) Sporting. Infelizmente, no final, os adeptos do clube visitante confirmaram que mereciam mesmo ser colocados numa zona de segurança, embora a finalidade última dessa zona seja dupla: proteger, não só os adeptos de clube visitante, como os restantes dos desmandos destes. Mas a culpa maior do que se passou acaba por ser de quem andou a semana toda a acirrar os ânimos. Foi muito infeliz a reacção da Direcção do Sporting (creio que mais para 'mobilização' das suas 'tropas') à colocação no nosso Estádio de uma rede de protecção, que já existe em vários dos principais recintos europeus. Porque não em Portugal também?

O Benfica estava impossibilitado de colocar os adeptos dos clubes adversários todos juntos (até para uma mais fácil e económica protecção policial). Se os colocasse no piso 0, arriscavam-se a ser agredidos pelos adeptos dos pisos superiores; se os colocasse lá em cima, o mais certo seria acontecer o mesmo que em certo jogo com o FC Porto, com famílias em fuga nas bancadas por baixo.

Claro que não seria num encontro com o Paços de Ferreira ou o Rio Ave (e quem diz estes, diz quase todos os outros) que a rede seria testada. Nesses jogos, o piso 3 dessa bancada Coca-Cola nem sequer abre.

E sendo o Sporting o primeiro dos grandes clubes a ir à Luz esta época, claro que seria o estreante. Tudo normal. Alguém teria que ser o primeiro. O que não é normal é a reacção dos seus dirigentes, os primeiros, afinal, a acirrar os ânimos. Jorge Gabriel, sportinguista mas desportista lúcido, fez em excelente artigo no Record. Onde, indirectamente, até responde a algumas infelizes opiniões expressas no mesmo jornal. Depois do jogo, as declarações do vice-presidente do Sporting definem o personagem. Pois se até ficaram lugares vagos num dos dois sectores ocupados pelos adeptos do Sporting...

2. «A Bola» omite os insultos de Pinto da Costa ao jornalista da TVI a seguir ao jogo com o Sp. Braga e 'esconde' numa pequena notícia a agressão de que, depois, foi vítima por elementos do seu 'staff'. Chama-se a isto subserviência..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Responsabilidades

"No passado fim-de-semana, após mais uma derrota do seu clube frente ao Benfica, alguns adeptos do Sporting incendiaram propositada e premeditadamente uma bancada do Estádio da Luz.

Antes disso, um vice-presidente do Sporting acicatou ânimos, insultou o Benfica e chegou a dizer, entre outas alarvidades, que a Direcção do Sporting se recusava a frequentar lugares como o camarote presidencial da Luz e camarotes adjacentes.

Após o criminoso acto pirómano dos seus adeptos, não há sportinguista com voz na comunicação social e responsabilidades no clube que não tenha vindo alijar responsabilidades próprias, fazendo piruetas com a coluna vertebral, para desresponsabilizar os responsáveis materiais do crime. Desta forma, acabam todos por ficar, moralmente, no patamar indecoroso dos criminosos que perpetraram o crime. Assim, há um grupelho de vândalos que vê os seus actos cobardemente protegidos pela desresponsabilização, escondendo-se por trás do grupo e de uma vergonhosa cultura de impunidade.

No mesmo fim-de-semana, mas numa outra latitude, um jornalista da TVI alega ter sido agredido e insultado na presença, e com a aquiescência, do presidente de um clube que prima pelas boas práticas exemplificadas nas escutas do processo “Apito Dourado”.

Neste reino pantanoso da irresponsabilidade, o absurdo não tem limites e, às tantas, ainda veremos as canetas de aluguer do costume a afirmar que as galhetas que o tal jornalista apanhou lá para as bandas do Freixo se deveram a uma rede no Estádio da Luz.

O Presidente da Liga assiste a tudo isto com a desresponsabilização do silêncio. E neste silêncio reside a mais fina ironia de tudo isto…"


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Objectivamente (Waldemar)

"Enquanto os nossos vizinhos de Alvalade andam a querer fazer figuras de gente grande provocando um caso - grave - sem pés nem cabeça. Pinto da Costa continua a provocar situações gravíssimas a jornalistas sem que nada lhe aconteça.

Este fim-de-semana o jornalista da TVI, Waldemar Duarte, foi enxovalhado pelo presidente do FCP e agredido por um grupo de pessoas que o acompanhava enquanto descia do local onde fez a narração do jogo FCP-Braga em direcção à sala de Imprensa. Mesmo à entrada do local onde iria a conferência aberta a toda a Comunicação Social, o mesmo jornalista foi abordado por mais pessoas que o empurraram e voltaram a agredir perante a passividade de toda a gente.

Colegas jornalistas incluídos que, muito provavelmente, por estarem habituados a estas cenas não ousaram tomar qualquer atitude em defesa de um colega de profissão ou, quando muito, de escreverem sobre o que se passou!

É inacreditável que em plena era da Democracia, como todos os dias berram milhares e milhares de pessoas por todo o lado, aconteçam situações como esta e os culpados nunca sejam condenados a pagar por isso.

O próprio Sindicato dos Jornalistas emitiu um comunicado que foi corroborado pela TVI e pela empresa proprietária daquele órgão de Comunicação Social. E o que se viu foi um silêncio «ensurdecedor» que apoquenta todos aqueles que já há longos anos vêem estas pessoas prevaricando com grande frequência sem que nada lhes aconteça.

Faz parte da história negra do nosso Futebol as agressões a homens como Carlos Pinhão, Alfredo Farinha e Homero Serpa, só pelo facto de serem grandes jornalistas, isentos, destemidos e «escritores» n'A Bola. Em tempos a «Bíblia do Futebol português». A história vai-se repetindo com o mesmo protagonista e as mesma vítimas. Mas a justiça continua parada a ver!"


João Diogo, in O Benfica

Apanhando nuvem

"Presidente da Federação deveria ter chamado presidentes de Benfica e Sporting e colocado água na fervura


1. (...)


2. O Benfica, ao perder na Madeira, disse adeus, mais uma vez, à Taça de Portugal. E concentra-se, necessariamente, na nossa Liga e na Liga dos Campeões. Mas, sem esquecermos a Taça da Liga que, obviamente, deve ser encarada com uma opção menor. Numa época que antecede um Europeu - onde, por sorteio nos calhou o verdadeiro grupo da morte - e em que são relevantes os euros a arrecadar, é imperioso que o Benfica vá o mais longe possível na Liga que gera milhões e consiga, uma vez mais e em meados de Maio de 2012, a entrada directa na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões. Nestes tempos em que a Alemanha quer conseguir, à força, uma união orçamental, é essencial que, no futebol, nos concentremos no essencial. E o essencial, nestes tempos complexos, são os euros! E sabendo que, no Euro 2012, o primeiro jogo de Portugal vai ser contra a selecção que quer dominar o euro (moeda).


3. O rescaldo (termo rigoroso, pelo que se viu e sabe) dos actos de vandalismo registados no final do Benfica-Sporting estão sob investigação das autoridades policiais. Na realidade, como resulta com clareza meridiana das imagens divulgadas, o incêndio que foi deflagrado no sector do Estádio da Luz delimitado pelo espaço de protecção conformou a prática de um crime público de fogo posto e, como tal, merece acção conforme das polícias. E passados já os dias necessários para arrefecer ânimos e restituir ponderação e bom senso a esta discussão, importa reflectir sobre três questões que os factos em causa evidenciam: a violência associada ao futebol e ao desporto tem de ser ferozmente combatida com medidas eficazes; manifestamente, o ordenamento jurídico nacional, embora se suporte no rigor de outros, são tem propiciado resposta mínimas e não há jogo importante em que episódios desta natureza não ecludam; não se podem confundir grupos de energúmenos com claques, embora estas, por vezes conscientemente, lhes dêem guarida, nem se podem confundir adeptos dos clubes com as respectivas claques, embora as direcções por vezes cuidem mais destas do que daqueles. Exemplo paradigmático de combate à violência no desporto é a Inglaterra. Porque não assumir claramente o registo das identificações dos adeptos violentos, afastando-os dos estádios através da medida de segurança de apresentação coerciva nas esquadras à hora dos jogos sobre pena de prisão por desobediência qualificada? Este o segredo inglês. A lei portuguesa não o permite com esta simplicidade? Altere-se a lei. E, sobretudo, as estruturas organizativas (ou, perante a sua omissão, o Estado) têm de impor aos dirigentes desportivos em redobrado cuidado com o que dizem e com a forma como actuam.


4. Ainda sobre esta matéria, permitem uma reflexão que está para além do que a agenda mediática preencheu. Vozes credíveis permitem-me assumir que, no Estádio da Luz, se viram casais com camisolas e outros símbolos de ambos os clubes, famílias muiticolores, amigos e grupos de amigos verdes e vermelhos, muitos sportinguistas nos cativos da Luz, muita boa e sã confraternização. Isso foi o que se viu. Neste, como em todos os dérbies. São sempre jogos quentes, de muita rivalidade, vivida em conjunto, entre famílias e amigos que abraçaram as diferentes cores e convivem com elas na alegria do desporto. O resto - o que é mediático - são epifenómenos de marginalidade que bordejam os casos de polícia.


5. Faço, no entanto, votos que tudo isto serene e se consigam extrair lições e ensinamentos. E a primeira entidade que, neste caso, deveria ter intervindo seria o presidente da Federação, chamando ambos os presidentes e pondo a necessária água na fervura. Caso se revelassem infrutíferas as duas diligências, o Governo não poderia deixar de intervir. Em causa não está a autonomia - exigível e constitucionalmente consagrada - do movimento associativo. Em causa, enfim, está a diferença entre o mau perder e o não saber ganhar. Se os clubes não a percebem, que a Federação se imponha. Se a Federação não sabe, ou não logra, impor-se, que se imponha a Administração.


6. (...)"


Fernando Seara, in A Bola