"Do primeiro jogo de preparação do
Benfica à vista dos adeptos, fica
uma lição para o futuro: talvez não
seja conveniente agendar partidas
“amigáveis” contra equipas sul-
-americanas.
Por um lado, o calendário competitivo é distinto, e a condição física dos
atletas reflete essa diferença, criando uma certa ilusão quanto ao rendimento de uns e de outros. Embora,
como é óbvio, para o corpo técnico
isso seja pouco relevante (na medida em que é devidamente ponderado), pode sê-lo para os adeptos e
para a crítica, causando desde logo
algum ruído desnecessário. E uma
derrota é sempre uma derrota.
Por outro lado, a agressividade, para
não dizer violência, com que se joga
habitualmente na América do Sul é
algo que bem podemos dispensar,
sobretudo numa fase tão precoce da
preparação. E como, em princípio,
essa realidade não se reproduz no
futebol europeu, não vejo grande utilidade em fazer passar os nossos
jogadores por uma carnificina como
a que se viu no Algarve. O jovem
Umeh (que deixara muito boa
impressão nos poucos minutos que
esteve em campo) ficará de fora por
alguns meses. E só com muita sorte
não houve mais vítimas.
Já na época passada tivemos uma
experiência semelhante diante do
Boca Juniors, no Mundial de Clubes.
Só que então estávamos perante
uma competição oficial. Confesso
que não esperava, numa partida de
preparação, um ano depois, voltar a
lembrar-me desse jogo. Mas entre
este Flamengo e aquele Boca vi
muita coisa em comum. Até na agitação dos bancos.
Num jogo a sério, e com uma arbitragem a sério, os brasileiros cedo
ficariam em inferioridade numérica.
Pelos vistos, eles levaram o jogo a
sério, mas a arbitragem não. E o
efeito foi penoso.
Espera-se que hoje, com o Villarreal,
se veja mais futebol e menos pancadaria. Os westerns são bons no ecrã,
não nos relvados."

