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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Um western


"Do primeiro jogo de preparação do Benfica à vista dos adeptos, fica uma lição para o futuro: talvez não seja conveniente agendar partidas “amigáveis” contra equipas sul- -americanas.
Por um lado, o calendário competitivo é distinto, e a condição física dos atletas reflete essa diferença, criando uma certa ilusão quanto ao rendimento de uns e de outros. Embora, como é óbvio, para o corpo técnico isso seja pouco relevante (na medida em que é devidamente ponderado), pode sê-lo para os adeptos e para a crítica, causando desde logo algum ruído desnecessário. E uma derrota é sempre uma derrota.
Por outro lado, a agressividade, para não dizer violência, com que se joga habitualmente na América do Sul é algo que bem podemos dispensar, sobretudo numa fase tão precoce da preparação. E como, em princípio, essa realidade não se reproduz no futebol europeu, não vejo grande utilidade em fazer passar os nossos jogadores por uma carnificina como a que se viu no Algarve. O jovem Umeh (que deixara muito boa impressão nos poucos minutos que esteve em campo) ficará de fora por alguns meses. E só com muita sorte não houve mais vítimas.
Já na época passada tivemos uma experiência semelhante diante do Boca Juniors, no Mundial de Clubes. Só que então estávamos perante uma competição oficial. Confesso que não esperava, numa partida de preparação, um ano depois, voltar a lembrar-me desse jogo. Mas entre este Flamengo e aquele Boca vi muita coisa em comum. Até na agitação dos bancos.
Num jogo a sério, e com uma arbitragem a sério, os brasileiros cedo ficariam em inferioridade numérica. Pelos vistos, eles levaram o jogo a sério, mas a arbitragem não. E o efeito foi penoso.
Espera-se que hoje, com o Villarreal, se veja mais futebol e menos pancadaria. Os westerns são bons no ecrã, não nos relvados."

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