"A segunda década do século XXI
vai a meio e continuamos a
insistir num conceito ultrapassado – o amor à camisola. Para
os adeptos, faz todo o sentido.
E ainda bem, senão já teríamos
assistido ao fim de uma série de
equipas e de paixões clubísticas.
Para os atletas profissionais,
em especial no futebol, isso já
ficou para trás e muito dificilmente o conceito voltará a ser o
que era.
Jogadores que ficam toda a carreira numa equipa, que abraçam
o projeto e são símbolos do
clube, há poucos, muito poucos,
cada vez menos. É a ditadura
dos cifrões, o apelo de outras
paragens, a possibilidade de
estarem noutros campeonatos e
de melhorar as suas vidas profissionais e as de quem os
rodeia.
Nós, os adeptos, podemos sempre dizer que não o faríamos,
que não sairíamos do Glorioso
por nenhum dinheiro do mundo,
mas será que é mesmo assim?
Provavelmente não, toda a
gente tem um preço. E isso é
compreensível. O que não é
aceitável é a facilidade com que
se fazem juras de amor, se dão
pancadas no peito e se beija o
emblema para depois, à mínima
proposta de um qualquer interessado do meio da tabela de
outro campeonato, se dizer
adeus e até um dia destes – um
regresso que provavelmente
nunca acontecerá ou que irá
ocorrer no ocaso da carreira.
Os tempos mudaram, não julgo
ninguém nem as decisões tomadas. Só não façam promessas
que não vão cumprir."
Ricardo Santos, in O Benfica

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