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quarta-feira, 17 de junho de 2026

FIFA: Resumo - Arábia Saudita - Uruguai

A devoção a Riquelme


"Durante as últimas duas semanas, o universo futebolístico nacional andou agitado. O Mundial das Américas está à porta, o melhor marcador do campeonato português vendeu-se (à revelia da sua equipa) a um candidato a presidente de um clube turco e foi aprovada, pela maioria das equipas da I e II Liga, a chave de distribuição dos direitos televisivos. Temas que dariam boas discussões e análises profundas, mas infelizmente não houve tempo nem espaço para tal. É que o tema principal foram as eleições no Real Madrid.
Na verdade, as eleições foram apenas um pretexto para se poder atacar o SLB. Durante alguns dias, ouvimos tudo e o seu contrário por parte dos especialistas. Na noite de domingo, com os votos contados, veio a desilusão. Florentino Pérez ganhou com larga margem (65% contra 35%), José Mourinho vai treinar os blancos e chegam 15 milhões de euros à Luz. Saiu tudo furado aos apoiantes de Enrique Riquelme, o candidato desconhecido. Em especial os apoiantes portugueses de Riquelme, os que estavam a torcer para que o Glorioso fosse afetado pelas eleições madridistas. Lembro-lhes que Riquelme só há um: Juan Román, astro argentino do Boca Juniors e Barcelona, entre outros. Por esse, ainda acredito que valha a pena torcer, mas não. Os entendidos andaram semanas a esfregar as mãos, a desejar e antever fogo e devastação no planeta Benfica, mas as contas saíram furadas. Condenaram o silêncio dos dirigentes, a postura dos treinadores e a alegada falta de planeamento, viraram o bico ao prego e desdisseram-se. Demonstrando uma capacidade acrobática acima da média, pudemos ver flic flacs à retaguarda nas opiniões como se estivéssemos nuns campeonatos do mundo de ginástica. Afinal, era apenas desconforto e tendinite no cotovelo perante o silêncio do SL Benfica. Em alguns casos, a ausência de ruído é uma grande arma. Foi."

O Mundial


"Na minha infância quase não havia futebol na televisão. Apenas eram transmitidos alguns jogos da selecção no estrangeiro, a final da Taça dos Campeões e pouco mais. O Mundial era, também por isso, uma festa para os adeptos. Mesmo sem a participação portuguesa (em todo o século XX só houve Magriços e Saltillo), o facto de durante um mês termos jogos diariamente na TV era suficiente para viver esse período com enorme entusiasmo.
Recordo-me vagamente do Argentina 1978, mas sobretudo do Espanha 1982, quando Maradona, Rummenigge, Zico, Sócrates, Falcão, Platini e Rossi, entre outros nomes lendários do futebol, fizeram as delícias de um jovem ávido de jogos e golos em quantidade suficiente para alimentar a sua paixão
Nesse tempo, as principais selecções eram mais fortes do que qualquer clube. Havia poucas transferências, e os clubes tinham limite de estrangeiros – não se assemelhando sequer às multinacionais sugadoras de talento que hoje vemos em alguns campeonatos. Por isso, os Mundiais eram o palco para o melhor futebol, para a revelação de jogadores, e até para as inovações tácticas. Esse lugar foi tomado nas últimas décadas pela Champions League e pelas principais ligas nacionais da Europa, que durante todo o ano, e quase diariamente, vemos na televisão em doses desmesuradas.
Em parte, o fascínio pelo Mundial já não é, pois, o mesmo. Vamos ter jogos na televisão diariamente… como no resto do ano. Vamos ver equipas cansadas a pedir férias e longe do fulgor físico e táctico a que estamos habituados. Algumas delas longe, muito longe, do nível técnico dos principais clubes europeus.
Tudo se perdeu? Não. Ganhámos uma selecção portuguesa candidata legítima ao título de campeã do mundo – o que em 1978 ou 1982 era absolutamente fantasioso. Veremos se essa ambição se concretiza."

Luís Fialho, in O Benfica

Jogar!


"Parece uma palavra de brincar e uma coisa ao alcance de todos: jogar, simplesmente jogar, estar entre amigos, dar o máximo, marcar e celebrar depois em conjunto a vitória de todos, oferecida pelo sucesso de cada um à vez. E é mesmo isto que para a maioria de nós começa quase com os primeiros passos, no vão da escada ou no jardim dos pequeninos, cresce e aprofunda-se na escola, em muitos casos entra pelos clubes e pela competição, das escolinhas aos escalões de equipas competitivas. Tudo isto está do lado bom da vida, faz-nos sentir bem, edifica a nossa personalidade, melhora-nos, e liga-nos uns com os outros tirando daí as melhores consequências para o nosso bem-estar. Só que não é assim para todos: para muitos, estas dádivas simples da vida não estão tão ao alcance, mas felizmente também não são impossíveis.
Compete, por isso a todos os que têm o privilégio de uma vida saudável, garantir que os que a não têm também possam ter acesso às melhores coisas que a vida nos dá. E jogar é uma delas. É por isso que a Fundação Benfica desenvolve um projeto de desporto adaptado e tenta proporcionar aos jovens o máximo de experiências possível no plano da prática desportiva e também da competição. Treinar no Estádio da Luz regularmente é um sonho tornado realidade para estes jovens e famílias, mas sair a voar pelo mundo e jogar fora é qualquer coisa de verdadeiramente extraordinário. É isso mesmo que queremos proporcionar a estes jovens, e sabemos bem que eles nos dão em dobro tudo do que lhes possamos oferecer. E aqui quem dá e quem recebe é o Benfica!"

Jorge Miranda, in O Benfica