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quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Mundial


"Na minha infância quase não havia futebol na televisão. Apenas eram transmitidos alguns jogos da selecção no estrangeiro, a final da Taça dos Campeões e pouco mais. O Mundial era, também por isso, uma festa para os adeptos. Mesmo sem a participação portuguesa (em todo o século XX só houve Magriços e Saltillo), o facto de durante um mês termos jogos diariamente na TV era suficiente para viver esse período com enorme entusiasmo.
Recordo-me vagamente do Argentina 1978, mas sobretudo do Espanha 1982, quando Maradona, Rummenigge, Zico, Sócrates, Falcão, Platini e Rossi, entre outros nomes lendários do futebol, fizeram as delícias de um jovem ávido de jogos e golos em quantidade suficiente para alimentar a sua paixão
Nesse tempo, as principais selecções eram mais fortes do que qualquer clube. Havia poucas transferências, e os clubes tinham limite de estrangeiros – não se assemelhando sequer às multinacionais sugadoras de talento que hoje vemos em alguns campeonatos. Por isso, os Mundiais eram o palco para o melhor futebol, para a revelação de jogadores, e até para as inovações tácticas. Esse lugar foi tomado nas últimas décadas pela Champions League e pelas principais ligas nacionais da Europa, que durante todo o ano, e quase diariamente, vemos na televisão em doses desmesuradas.
Em parte, o fascínio pelo Mundial já não é, pois, o mesmo. Vamos ter jogos na televisão diariamente… como no resto do ano. Vamos ver equipas cansadas a pedir férias e longe do fulgor físico e táctico a que estamos habituados. Algumas delas longe, muito longe, do nível técnico dos principais clubes europeus.
Tudo se perdeu? Não. Ganhámos uma selecção portuguesa candidata legítima ao título de campeã do mundo – o que em 1978 ou 1982 era absolutamente fantasioso. Veremos se essa ambição se concretiza."

Luís Fialho, in O Benfica

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