"A forma civilizada como Benfica e José Mourinho se separaram foi benéfica para ambos. Com prazos apertados, entre a segunda pré-eliminatória da Liga Europa e um Mundial a decorrer, Rui Costa tem de ser lesto a dar a Marco Silva os meios de que este necessita para colocar em marcha um projeto que pretende que seja coerente, primeiro, e ganhador, depois…
Decidida a questão do novo treinador do Benfica (refira-se que Rui Costa e José Mourinho optaram pela elevação na hora da despedida, com benefícios mútuos evidentes), os encarnados precisam de trabalhar bem e depressa, dentro e fora do campo, para poderem entrar na época de 2026/27 em modo sustentadamente ambicioso.
Tão rapidamente quanto possível, Marco Silva precisa de saber com quem conta e com quem não conta, para lançar os alicerces da equipa que quer construir, num contexto particularmente ingrato, quer pela entrada mais cedo do que o esperado (23 de julho) na Liga Europa (parabéns Torreense), quer por estarmos em ano de Campeonato do Mundo, o que levará a que seis jogadores benfiquistas (Tomás Araújo, Frederik Aursnes, Andreas Schjelderup, Amar Dedic, Dodi Lukebakio e Richard Ríos, assim permaneçam todos na Luz) se apresentem mais tarde, ou abdiquem de parte das férias (e isso paga-se mais à frente).
Quando, dentro de dez dias, o antigo treinador do Fulham, abrir a ‘oficina’ do Seixal, precisa de ter a definição do plantel (entradas e saídas) em estado de prontidão muito avançada, sendo impensável que o Benfica guarde para as calendas as tomadas de decisão.
Mas se Marco Silva, a 25 de junho, precisa de ter o grupo com que vai trabalhar já bastante estruturado, Rui Costa, que tem de enfrentar duas Assembleias Gerais (AG’s) dois dias depois, necessita igualmente de chegar ao cara-a-cara com os sócios com argumentos concretos e fiáveis, que contraditem a imagem de indeciso que a oposição interna desenhou dele.
Quer isto dizer que há uma conjugação perfeita entre as necessidades de presidente e treinador, o que pode ser motivo suficiente para o Benfica não marcar passo na parada, quando a ‘guerra’ das transferências está no auge, à semelhança do que aconteceu num passado recente.
Há ainda mais a dizer sobre esta matéria: o Benfica precisa de aprender com os erros cometidos e, dentro do orçamento disponível, deve dar a Marco Silva os jogadores que este entende necessários para levar por diante o seu projeto. O clube da Luz não pode adquirir cromos repetidos, apenas porque constituem boas ocasiões de mercado, nem dar tiros no escuro – que acabam normalmente por acertar-lhe no pé - em lugares-chave da equipa.
Sendo certo e sabido que as AG’s dificilmente correrão bem a Rui Costa (podem, isso sim, revelar um presidente assertivo, com argumentos palpáveis), e não havendo grandes dúvidas quanto ao facto do antigo «maestro» ter desbaratado algum do capital de confiança de que dispunha entre os sócios, que lhe tinha permitido uma vitória folgada sobre Noronha Lopes, a margem de tolerância ronda o zero e os resultados desportivos, sempre importantes, sê-lo-ão agora ainda mais.
Regressemos a Marco Silva: sabe o que quer e nunca na carreira facilitou com as direções ou administrações dos clubes por onde passou. Há treinadores mais propensos a aceitar sugestões que nem sempre vão ao encontro do projeto desportivo que defendem, mas Marco Silva não faz parte dessa equipa. E parece claro como água que só aceitou abandonar a Premier League porque – e de certeza absoluta que não o fez por dinheiro, antes pelo contrário – lhe deram garantias de apoio e autonomia.
O plantel do Benfica precisa de ser requalificado, em tempo recorde para que lhe seja devolvida a coerência perdida há uns anos. É esse o desafio de Marco Silva, é essa a obrigação de Rui Costa.
CARTAS
ÁS
Aleksander Ceferin
Os Estados Unidos não deixaram que um árbitro escolhido pela FIFA para o Mundial, pudesse entrar no país. Célere, a UEFA tratou de nomear o somali Omar Abdulkadir Artan para a final da Supertaça, em Salzburgo, a12 agosto, entre PSG-Aston Villa. De luva branca…
ÁS
Bernardo Silva
A imprensa espanhola é unânime ao assumir que Bernardo Silva vai ser jogador de José Mourinho (e por influência dele) no Real Madrid. A cotação do jogador luso, fica patente na qualidade dos clubes que o pretenderam. Mas parece estar mesmo destinado aa ‘Casa Blanca’.
DUQUE
Vicenzo Montella
O italiano de 51 anos, craque da ‘squadra azzurra’, com passagens por clubes de topo, que desde 2023 comanda a Turquia, não podia ter começado o Mundial de pior forma: perder com a Austrália, não é currículo, é cadastro. Tem o Paraguai e os EUA para salvar a face…
FOTOLEGENDA
53 ANOS.
Nova Iorque esperou mais de meio século por novo título dos Knicks na NBA, e a festa foi de arromba, até o Empire State Building se vestiu com as cores da equipa da Big Apple. Em 1973, quando tinham levantado a taça pela última vez, Richard Nixon era Presidente dos EUA (por cá era Américo Tomaz), negociava-se o fim da guerra do Vietname, a Guiné-Bissau tinha proclamado, unilateralmente, a independência, o Benfica celebrava o ‘tri’ com Jimmy Hagan, e ainda faltavam dez meses para o Rádio Clube Português passar «E Depois do Adeus». Para os Knicks, a paciência foi uma virtude…
CAPA
O estatuto internacional de Amorim
Não obstante a etapa de Olf Trafford não ter tido nada a ver com um ‘Teatro dos Sonhos’, o estatuto de Ruben Amorim permite-lhe ver o seu nome associado a grandes clubes mundiais. A ‘Gazzetta Dello Sport’ garante que o treinador que revolucionou o Sporting está a um passo de se tornar num ‘Diovolo Rossonero’, o que significa uma nova oportunidade para o técnico português se afirmar numa Liga das ‘Big Five’."

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