Últimas indefectivações

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Vitória em Viana, na Luz!!!

Viana 0 - 3 Benfica
14-25, 14-25, 22-25

Sem grandes rotações, mais uma vitória... numa jornada 'trocada'!!!

Bruno Triolho, bondade e sátiras

"Cada um sabe de si e Nosso Senhor sabe de todos. Ora aqui está uma pérola da sabedoria popular. Aplica-se a tudo. Até a clubes de futebol. Cabe, assim, aos sportinguistas discutir a vida associativa do seu emblema e cabe aos demais, aos que não são sportinguistas, evitarem intrometer-se gulosamente nessa discussão alheia com juízos, bitaites e outras ingerências atrozes. Dos aspectos teóricos aos conteúdos mais informais, o momento associativo em Alvalade dispensa, certamente, as opiniões e as sentenças vindas do exterior. Técnicos de opiniões gerais de outras cores e mestres do 'achismo' parcial, abstenham-se de exibir toda a vossa sabedoria sobre revisões de estatutos que não vos dizem respeito, sobre o método de Hondt, seja lá o que isso for, e sobre convocatórias que não vos convocam para coisa nenhuma. Enfim, abstenham-se de perorar sobre a vida dos outros a quem nunca perdoam quando esses 'outros' cometem o mesmíssimo pecado da intromissão nos momentos mais azougados dos vossos e dos nossos clubes, tal como acontece frequentemente.
Sobre a alegada 'crise' no Sporting já disse, portanto, tudo o que queria dizer. Isto é, nada. Há, no entanto, duas questões absolutamente marginais à vida própria dessa instituição desportiva que, por isso mesmo, por serem de essência marginal ao Sporting, não me impedem de achar qualquer coisa, ainda que insignificante como irão de seguida constatar.
A relação da comunicação social com o presidente do Sporting é exemplo de uma sujeição bastante curiosa. Admite-se, por reverência e protecção devida à figura institucional do dirigente de um grande clube, que lhe corrijam por bondade e zelo os erros ortográficos na transposição dos seus escritos do Facebook para o papel impresso ou para as edições on-line. Mas interrogo-me por que razão não existe a mesma bondade da imprensa livre, a mesma protecção e o mesmo zelo – mais importante é o zelo! – quando trata de dar à estampa, publicitar e fazer ecoar listas com os nomes de meia centena supostos proscritos como se um procedimento destes fosse inocente, inconsequente e normalíssimo no ofício de bem informar. Não causa assim admiração a renúncia de Vasco Lourenço ao cargo que detinha no clube. Não foi para isto que ele fez o 25 de Abril.
Depois da ortografia, da comunicação social e da política, segue-se agora a questão do teatro. Lamentou-se o presidente do Sporting de ser vítima de sátiras nos palcos de Lisboa. O facto, em si, nada tem de espantoso. O que é espantoso, para quem desconhece os sintomas, é o facto de o autoproclamado presidente Bruno 'Triolho' não perceber por que razão é ele, e logo ele que se considera mais inteligente do que toda a gente, um alvo dessas chacotas teatrais.
Para terminar, uma breve consideração sobre mais uma jornada da Liga: Benfiquinha, não corras logo à noite em Portimão e vais ver o que te acontece."

O teste de Portimão

"O jogo que o Benfica fará amanhã em Portimão funciona como mais um 'teste de stress' quando nos preparamos para entrar, agora sim, no ciclo decisivo. A última deslocação do campeão com um grau de exigência semelhante a este foi a Braga - onde acabou por vencer bem. Para não deixar pontos no Algarve, frente a uma das equipas mais interessantes da Liga, o Benfica terá de ser, pelo menos, tão forte quanto foi na Pedreira. Tudo o que seja rendimento abaixo desse nível pode ser insuficiente.
Há uma coisa em que Rui Vitória tem insistido desde que chegou aos encarnados: nunca se sabe onde se ganham ou perdem os pontos decisivos. E é mesmo assim. Vejam-se os últimos deslizes: o Benfica tropeçou no Restelo (frente ao actual 12.º), o FC Porto em Moreira de Cónegos (diante do 15.º) e o Sporting na Amoreira (com o 17.º). Parecia fácil, não era?
Mesmo sabendo que os calendários nunca são tão acessíveis nem complexos quanto aparentam, a verdade é que as águias ficam em boa posição caso vençam. Depois do Portimonense restam 12 jornadas, sendo que 7 se disputam na Luz. O clássico de 4.ª feira, no Dragão 'disse' que não há, por agora, nenhuma equipa mais forte do que o Benfica. O principal candidato ao título, porém, continua a ser o FC Porto. Dois pontos a mais e um jogo a menos, parecendo que não, é muita coisa."

Drible driblado

"O Brasil é o país de Pelé, que além de inventar tabelinhas mitológicas com Coutinho ainda usava as pernas dos adversários para tabelar e driblar.
E de Garrincha, o anjo das pernas tortas, que chamava todos os rivais de João, porque tanto se lhe dava que fossem um desconhecido perna de pau do Bangu ou o mais endeusado central de uma selecção europeia: cedo ou tarde, acabaria fintado, talvez humilhado.
No Brasil, até um médio-defensivo, como Clodoaldo, teve o desplante de numa final de Mundial, a de 70, fazer uma pedalada e driblar ainda antes do meio-campo quatro italianos, em plena era do catenaccio, para dar início ao talvez mais icónico de todos golos colectivos da história.
Uma fotografia de Denilson, rodeado de quatro turcos a tentarem sem sucesso tomar-lhe a bola na meia-final do Mundial de 2002, tornou-se famosa.
Ronaldinho Gaúcho tinha um repertório de dribles riquíssimo. Romário só tinha um, a vírgula, mas resultava sempre. Ronaldo Fenómeno começou por usar a força para, depois de a perder, passar a concentrar-se na qualidade de execução. Robinho ainda hoje é chamado de rei da pedalada. Se o deixassem, a cada jogo Neymar fintaria o Louvre, a Torre Eiffel e o Cavani.
No país em que o quase anónimo Kerlon inventou a finta da foca – levar a bola na cabeça até ser travado, normalmente, em falta – há ainda especialistas em chaleiras, chapéus, dribles da vaca, canetas e elásticos, como Rivellino.
E o maior driblador do Brasil e do mundo, porém, não fez mais de 13 jogos como profissional do São Paulo: chama-se Falcão e a curta experiência no futebol de campo foi apenas um parentesis de uma carreira excepcional no futebol de salão.
Vem esta introdução a propósito de um levantamento da empresa Footstats publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em Novembro do ano passado que prova que a tradição brasileira do drible está a perder-se: segundo o estudo, apenas 3,8 fintas foram tentadas por jogo na Série A do Brasileirão de 2017, 2,6 delas (70%) com êxito. Em 2016, ano em que começou a contabilidade, os números já eram baixos mas não tanto – 4,2 tentados, 3,1 certos (72,2%).
Como não há dados do passado, o jornal pediu a protagonistas da época para “fazer as contas”: “Esse número de dribles por jogo de hoje eu tentava por ataque antigamente”, diz o habilidoso Edu, que fez 584 jogos pelo Santos, de 1966 a 1978 e participou nos mundiais de 66 (com 16 anos), 70 (campeão) e 74.
Zé Sérgio, ponta driblador do São Paulo do início dos anos 80, lembra que no seu tempo, se não tentasse um drible a cada jogada, era vaiado. Rivellino acrescenta que hoje, pelo contrário, quem tenta um chapéu ou uma caneta, é acusado de desrespeitar o rival. “O futebol usa muito computador mas computador não dribla nem faz golo”, diz entretanto o antigo “goleirão” e treinador Emerson Leão.
Mas os números, os tais números, parecem dar razão às equipas que privilegiam o passe como principal fundamento do ataque em vez do tal rasgo individual capaz de derrubar uma marcação individual ou de torcer um esquema táctico, outrora a imagem de marca dos jogadores brasileiros. Basta notar que o clube que mais acertou dribles por jogo - 3,3 – foi o Atlético Goianiense, que acabou isoladíssimo na lanterna vermelha. E que Bruno Henrique, o ousado ala do Santos que mais “um contra um” tentou de todos os participantes no Brasileirão, não foi sequer cogitado para a seleção brasileira do organizadíssimo Tite, apesar dos 16 golos ao longo do ano.
Num momento em que as mais recentes estatísticas revelam que no mundo, incluindo nos Estados Unidos, nunca se comeu tão poucos hamburgueres, e que até em Cuba se fuma cada vez menos, talvez faça sentido que por todo o globo, até no Brasil, haja um refluxo do drible. Filosofando, tal como uma dentada num Big Mac ou uma baforada num Cohiba são hábitos eventualmente saborosos mas medicamente não recomendados, os pensadores do futebol de hoje sentem que, na era da zona, do passe e da pressão, o drible é arriscado para a saúde das suas equipas.
Ou então, os dribladores estão a tornar-se uma daquelas espécies em extinção, como os oleiros, artistas do barro, ou os tapeceiros, artistas dos tecidos. O tempo o dirá. Até lá, nada como ver imagens antigas de todos os génios da finta, brasileiros ou outros."

Benfiquismo (DCCXLIV)

Lá dentro...

Uma Semana do Melhor... no feminino!

Jogo Limpo... Palermo!

Época em jogo em Portimão

"Percebo a agrura dos meus amigos do Sporting. Nem nos melhores sonhos dos rivais se conseguiria estragar tanto.

O Benfica venceu o Rio Ave de forma categórica, mas não se livrou de uma valente susto na primeira parte. Grande reviravolta, num jogo de inegável qualidade, com óptimos indicadores, uma vez mais, de Zivkovic. Nesta fase já não se deve perguntar se joga, mas antes onde joga o jovem talento.
Agora vamos ao Algarve testar as nossas ambições. O jogo em Portimão é, exceptuando Alvalade, o mais difícil até ao fim do Campeonato. Teremos todos os alçapões, até porque os adversários sabem que se vencermos seremos candidatos até ao fim. Sábado não jogamos três pontos, jogamos as aspirações de uma época.
Não gosta, por sistema, de falar dos adversários e dos seus problemas internos. Com uma picardia ou outra dentro das regras da rivalidade, nunca me pronunciei sobre questões internas dos rivais. Mas, neste momento, vejo a agrura dos meus amigos sportinguistas, e percebo-a. Numa altura em que o Sporting ganha a Taça da Liga, o Benfica empata no Restelo, o FC Porto perde pontos em Moreira de Cónegos, o Sporting assume a liderança do campeonato ao minuto 86 contra o Vitória, o presidente do principal rival vê-se envolvido num processo judicial mediático, o que faz a liderança leonina? Realiza uma assembleia-geral desastrosa, cria um clima de guerra civil, não vence o vento da Amoreira, congela no frio do Dragão uma Taça de Portugal, lança uma chantagem sobre os sócios e desabafa estados de alma no Facebook. Nem nos melhores sonhos dos rivais se conseguiria estragar tanto em tão pouco tempo.
Os sportinguistas transitam do sonho do conseguir quase tudo para o receio do conseguir quase nada. Nesta fase, os sportinguistas percebem que Bruno de Carvalho tem mais facilidade em vencer assembleias-gerais do que campeonatos. Bruno de Carvalho tem mais popularidade que Marcelo Rebelo de Sousa, tem o apoio de mais de 80 por centro dos sportinguistas e mais de 95 por cento dos rivais.
O mal de outros não me alegra, quero apenas vencer em Portimão, essa é a vitória que nos aproxima o sonho da realidade. A nossa realidade é feita de factos, somos tetra e queremos ser penta, temos 36 títulos de Campeões Nacionais e queremos 37."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória...

Benfica 9 - 1 Grândola

Obrigação cumprida, a caminho dos Oitavos-de-final da Taça de Portugal.

Ganhar em Portimão

"Há que reconhecer a persistência dos detractores do Benfica. É formidável como se notabilizam pela sua imaginação fértil, não bastas vezes distorcendo a realidade para que esta vá ao encontro das suas pretensões. Por exemplo, sobre a goleada imposta ao Rio Ave, houve quem tenha alegado a sorte de o Benfica ter empatado a partida quase imediatamente após o reatamento da segunda parte, tentando desvalorizar assim, implicitamente, a brilhante segunda parte da nossa equipa. É um argumento canhestro, por várias razões, que não passa de uma mera tentativa vã e ridícula de escamotear algo que me parece evidente e que já não há quem ouse negar: O Benfica está bem vivo na luta pelo título. Aparentemente, é surpreendente... Vejamos, há três ideias fortes que nos têm sido vendidas desde o início da época. O Benfica desinvestiu, Rui Vitória é limitado e o plantel à sua disposição não tem qualidade para lutar pelo penta; O FC Porto apresenta uma capacidade nunca antes vista para impor uma dinâmica no jogo que impossibilita os seus adversários de respirarem, quanto mais de lutarem por um pontinho que seja: O Sporting tem um plantel recheado de grandes jogadores orientados pelo mestre da táctica e potenciador mor de talento.
Como explicar então que o Benfica, este Benfica debilitado por diversos problemas físicos de jogadores fundamentais, possa acalentar, à 22.ª jornada, a renovação do título? Não serei eu a explicar-lhes. Que continuem a encontrar refúgio para os seus insucessos na diabolização do Benfica ao invés de se consciencializarem do nosso mérito, que só nos ajudarão. Quanto a nós, lutaremos sempre pelos três pontos. É o único caminho!"

João Tomaz, in O Benfica

Vamos ao circo

"Imaginem que eu não poderia escrever aqui que não concordo com a forma como o Sport Lisboa e Benfica geriu a sua comunicação durante esta época. Ou que não poderia utilizar o meu Facebook para dizer que prefiro ver o Zivkovic no lugar no Krovinovic. Ou que não poderia ir à BTV e dizer que a primeira prioridade do SL Benfica deve ser abater o seu défice. Imaginem que eu tomaria uma destas posições - como tomo - e depois a direcção do meu clube me passaria, a ver como uma persona non grata.
Agora imaginem que estão em casa, tranquilos, a ver televisão ao fim da tarde e o vosso presidente aparece nos ecrãs a assustar-vos: - 'Eu ou o caos'. Ou que o mais importante dirigente do SL Benfica se refira a vocês - e a mim - com insultos, linguagem grosseira e ameaças. E até vos acenaria com a expulsão de sócios. E vos trataria como atrasados mentais e só vos aceitaria se dissessem que sim a tudo e mais alguma coisa, pedindo-vos poderes quase absolutos e restringindo de forma vergonhosa a vossa liberdade de expressão e os vossos movimentos dentro do universo do nosso clube. Ou que o nosso líder utilizava o cargo para benefício pessoal, para expor a sua vida privada, para anunciar momentos relevantes familiares ou para vos prometer um pote de ouro no fim do arco-íris.
Já imaginaram? Então podem ficar descansados. Isto é o Benfica. Aqui sabemos tratar democraticamente dos nossos loucos. E já tivemos o nosso calvário. Os outros que se amanhem enquanto assistimos à novela desde o cadeirão."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Ganhar, ganhar ou... ganhar

"Pela cabeça do Jonas, do Jardel ou do Rúben Dias. Pelos pés do Cervi, do Pizzi ou do Rafa. Pelo Raúl, pelo Seferovic ou num cruzamento-remate do André Almeida. Sou sincero: eu quero lá saber quem marca. Quero é ganhar.
O jogo de amanhã, em Portimão, será complicadíssimo. Não podemos facilitar. O Benfica terá pela frente uma equipa recheada de talento, não só demonstrado pelas goleadas dos dois últimos jogos (vitórias por 4-1, frente ao Rio Ave, e 3-0 nos Barreiros diante do Marítimo), mas também como comprova a movimentação do Portimonense no mercado de Inverno. Seja qual foi o adversário, o respeito e o empenho dentro de campo devem ser totais. Quando o duelo é contra um décimo classificado que até se dá ao luxo de emprestar de boa vontade um dos seus melhores jogadores ao líder do campeonato, o alerta deve ser ainda maior. O Paulinho chegou ao FC Porto e uma semana depois já era titular na Liga. Se fosse no Benfica, nada a dizer: fazendo fé nos especialistas, impera a ideia de que, dada a escassez de qualidade, qualquer reserva de um clube do CNS teria lugar no 11 de Rui Vitória. Como se trata do imparável FC Porto, fico espantado pela prontidão com que uma contratação vinda do Portimonense convence Sérgio Conceição. Imagino a satisfação com que colegas da mesma posição olham para este caso. Em prol do grupo serão, certamente, compreensivos. Não acredito mesmo nada que Óliver Torres, por exemplo, lá por ter custado 20 milhões de euros, não vá agora compreender que um atleta acabadinho de chegar - por empréstimo - de um clube do meio da tabela e nada entrosado com as dinâmicas da equipa lhe esteja a roubar espaço. Deve transpirar saúde aquele balneário."

Pedro Soares, in O Benfica

Flores pelos outros

"Hoje quando cheguei à Fundação tive uma grata surpresa!
Um sócio com mais de 80 anos e um número de cartão invejável mandou entregar na Luz um grande ramo de flores agradecendo o trabalho da Fundação em prol de crianças e jovens com 'grande orgulho benfiquista'.
No arranjo de aniversário, por entre as muitas flores, pontuavam 9 estrelas douradas. Uma por cada ano de vida da Fundação e pelo meio um bilhete pessoal com uma mensagem sentida que fechava com chave d'ouro esta surpresa.
Se fosse um acto irreflectido ou desinformado, não lhe daria esta importância, mas eu conheço o Senhor Alberto (não revelo o apelido por discrição, mas ele sabe quem é...). Sei que segue há décadas o dia a dia do Clube, nunca beneficiou directamente da Fundação e tem anos que chegam para saber das coisas importantes da vida e de tudo o que o Benfica pode fazer além do futebol...
Os meus colegas da Fundação, mais jovens que eu, ficaram igualmente impressionados, mas sem surpresa. Já estão habituados aos mimos constantes dos benfiquistas que são também adeptos do trabalho da Fundação. Algo que não se aprende na universidade e que só é possível quando o traalho social materializa a mística de um grande Clube.
Por isso, no início das suas vidas profissionais, quando ingressaram no coração da família benfiquista, não sabiam que era possível receber flores simplesmente por cumprirem o seu dever sem esperar mais em troca.
Mas no Benfica é possível, sim, e sabe muito bem!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Unidos

"1. Se ao intervalo a angústia começava a fazer-se sentir entre os mais de 53 mil benfiquistas presentes no Estádio da Luz, a segunda parte do Benfica - Rio Ave foi um verdadeiro festival de futebol e golos.
O onze encarnado regressou dos balneários com vontade férrea de ganhar, e colocou em campo um grau de intensidade, de rapidez, de versatilidade e de fluência de jogo notáveis, atributos diante dos quais dificilmente algum adversário resistirá até final da temporada.
Logo veio o empate, depois a reviravolta, a confirmação, a tranquilidade e a goleada. Foi uma delícia para quem teve o privilégio de assistir. E do outro lado estava o quinto classificado.
É com aquele espírito de união e de conquista que temos de atacar as treze jornadas que faltam. Se assim acontecer, o Penta será uma realidade.
2. Foi bonito ouvir Rui Vitória dedicar o triunfo ao nosso líder. Luís Filipe Vieira é o melhor presidente da história do Sport Lisboa e Benfica, e já demonstrou a sua seriedade em milhares de decisões que tomou em nome do clube, prestigiando-o no país e no estrangeiro, junto dos mais diversos interlocutores. Jogadores, antigos jogadores, treinadores, parceiros comerciais, entidades financeiras e agentes diversos estão aí para o confirmar.
Infelizmente, no nosso país qualquer cidadão está sujeito ao julgamento sumário nas televisões e nos jornais, à margem do que seria suposto acontecer num Estado de direito. E quando toca a Benfica, logo tempos um venenoso exército de arma apontada, aproveitando a ocasião para nos tentar atingir. Cabe-nos demonstrar que não o conseguem."

Luís Fialho, in O Benfica

O Presidente

"Vibrei imenso com o triunfo frente ao Rio Ave e, sobretudo, com a vitória dedicada a quem tudo merece - o Presidente do Sport Lisboa e Benfica. Todos percebemos que o principal objectivo dos nossos inimigos é abater o principal activo do Clube - Luís Filipe Vieira. Foi ele quem lhe restituiu credibilidade. Foi ele quem lhe conferiu idoneidade. E foi ele quem liderou o combate mais difícil - a conquista da reputação. Desde Novembro de 2003, a política do Presidente foi clara - situação regularizada perante as entidades públicas e privadas. Ao fim de 15 anos, Luís Filipe Vieira pode orgulhar-se de liderar uma instituição que não tem qualquer situação de incumprimento perante o sistema financeiro, os seus fornecedores e trabalhadores. Só ele pode erguer a bandeira que muito poucos conseguem - não ter sido objecto de qualquer medida de reestruturação com o sector financeiro abrangendo perdão de dívida, utilização de produtos híbridos ou qualquer espécie de benefício ou incentivo financeiro face às condições inicialmente contratadas. Eu sei que o Presidente sente imenso orgulho por comandar uma nau que apresenta contas consolidadas, auditadas por um auditor internacional de prestígio e sem reservas materiais. Com ele o 'Grupo Sport Lisboa e Benfica' passou a ter procedimentos, órgãos e obrigações de controle, reporte, supervisão, auditoria e fiscalização, cumprindo as suas obrigações. Sob a sua liderança foram conquistados mais de 750 títulos. E no futebol, soma já 20 títulos, sendo o presidente mais titulado da história do Glorioso."

Pedro Guerra, in O Benfica

Obrigado, Rui

"Hoje cumpre-se mais um ciclo na história do nosso jornal, visto que este é o derradeiro número de O Benfica cuja edição é assinada pelo jornalista Rui Manuel Mendes. A propósito desta circunstância, permitam-me uma reflexão de natureza especial.
Aqui, bem sabemos que os verdadeiros jornalistas nunca desempenham o papel principal no teatro da comunicação, porque todos temos presente que cada publicação semanal tem, antes de si, milhares de edições com que se foi sedimentando um desígnio deontologicamente rigoroso, na defesa da informação, do Desporto e do Benfica e que isso nos obriga, a cada um de nós, a um permanente exercício de humildade. Mas, neste caso e neste momento, é inteiramente justo sinalizar que, durante os quatro anos menos três semanas em que o Rui assumiu a Redacção com o seu profissionalismo, a sua alma benfiquista e o exemplo de uma impressionante dedicação à missão do jornal, ele deve ser considerado como um dos (mais reservados) protagonistas de um verdadeiro ciclo de outro da longeva história do semanário oficial do Sport Lisboa e Benfica.
Apesar dos anos exaltantes que desportivamente vivemos no Clube, tanto nas ocasiões de celebração como nos contextos mais complexos e difíceis, nunca lhe faltou a disponibilidade, nem o ânimo, nem sequer a serenidade de análise com que, semana após semana, criativamente concebia a organização das páginas, distribuía as operações e determinava a necessária cadência dos trabalhos da equipa, contribuindo, ele mesmo, com o generoso exemplo de uma escrita sempre talentosa e ágil.
Essa capacidade de escrita característica de Rui Mendes e a sua ampla compreensão do universo desportivo benfiquista, bem como a fina percepção das expectativas dos adeptos tantas vezes manifestada nas nossas páginas, assim como nas intervenções que a BTV lhe solicitava no campo das Modalidades do Benfica, mas, também, o seu humilde sentido de responsabilidade e o permanente respeito pelo trabalho dos seus colegas,distinguiram-no como um opinion-maker conhecedor e como líder eficaz. Por essa razão, lhe é agora atribuída uma nova e complexa missão, no quadro da Direcção de Comunicação do Sport Lisboa e Benfica, junto das estruturas das Modalidades de alta competição, para o que (de certo modo, orgulhosamente), e com a maior gratidão, lhe auguro o melhor que, sem dúvida, o nosso Benfica merece e ele próprio, também.
Todos temos, pois, diante de nós, na Redacção do nosso jornal, um estimulante desafio. Em especial, aquele que se apresenta ao jornalista José Marinho, a quem caberá, já a partir da próxima edição, interpretar e prosseguir da melhor maneira o exemplar legado de Rui Manuel Mendes, a favor do interesse dos leitores benfiquistas, da vigorosa cultura do nosso jornal e do Glorioso Benfica.
Boas-vindas, José."

José Nuno Martins, in O Benfica

Manipulação

"Os tiques autoritários e ameaçadores deram lugar ao desabafo carente de solidariedade, à lamúria pela incompreensão...

Foi difícil para o Sporting Cube de Portugal a semana prestes a findar. Pese embora os sucessos alcançados nos Europeus de Atletismo, os acontecimentos ocorridos antes e depois da Assembleia Geral do Clube do passado dia 3 de Fevereiro vieram fazer esmorecer o entusiasmo em que se encontrava o universo leonino, consubstanciado na conquista da Taça da Liga e na recuperação do 1.º lugar na prova máxima do futebol nacional. Se, relativamente aos resultados desportivos, os insucessos recentes devem ser encarados com normalidade (há ainda muita competição pela frente), já no que concerne ao vendaval emergente da reunião magna leonina, trata-se de um verdadeiro case study, cujas responsabilidades são de imputar, na sua maior parte, ao Presidente do Conselho Directivo (CD), Dr, Bruno de Carvalho (BdC) que, relembre-se, foi eleito para o cargo há menos de um ano.
Se a ninguém é lícito questionar o direito de BdC apresentar as alterações estatutárias que entender, já o mesmo não se poderá dizer da prepotência, má educação e falta de respeito que evidenciou (em conjunto com os restantes elementos do Conselho Directivo) não só para com os sócios como também para com os restantes órgãos sociais, ao abandonar a Assembleia Geral do passado dia 3 de Fevereiro. Para além da atitude (inédita na história do Sporting), BdC, com uma estranha e inusitada agressividade que a ninguém passou despercebida, logo que se apercebeu da derrota iminente, não se coibiu de retirar os 2 pontos da ordem de trabalhos ainda em discussão, um dos quais nem sequer era proposta do CD. Não contente com a rábula, não se fez rogado, lançando mão, para espanto geral da comunidade leonina, da bomba atómica de uma eventual demissão que, mais tarde, confirmaria, acentuando, sem se achar mandatado para tal, que a mesma era extensível a todos os órgãos sociais. É obra!
Os factos que se seguiram são sobejamente conhecidos, sendo de realçar, no entanto, a mudança do estilo e estado de alma com que agora se apresenta no tonitruante facebook. Os tiques autoritários e ameaçadores deram lugar ao desabafo carente de solidariedade, à lamúria pela incompreensão, ao desgosto por falta de reconhecimento do sacrifício feito e do pesado fardo que teve de abraçar, com prejuízo de toda a sua estabilidade na vida. Deixemo-nos de brincadeiras! A ameaça de abandono é pura ficção que não se concretizará, mesmo em caso de derrota (como se espera) na próxima AG. O Presidente do Sporting, eleito há menos de um ano, há-de arranjar um qualquer truque de prestidigitação para fazer sair um coelho da cartola, dando o dito pelo não dito. A verdadeira arte da manipulação como melhor forma de esconder uma autoritarismo verdadeiramente serôdio.
A palavra final, porém, caberá aos sócios. Ah! Já me esquecia: Je Suis Sportingado."

Abrantes Mendes, in A Bola

Memória curtíssima

"Dar uma opinião e em seguida afirmar o seu contrário começa a ser prática demasiado corrente no nosso futebol profissional. Curiosamente, estes lapsos, acontecem mais vezes a quem não entra em campo para disputar os jogos. Os que jogam falam pouco, até porque nem sempre os deixam falar e são os mais importantes elementos do jogo. Os que vivem à volta do jogo, e têm opinião, vão mais longe, têm sempre soluções para todos os problemas. Pensam ser o centro do jogo, os que decidem, quando na realidade são a periferia do mesmo. Têm destaque pelo sucesso que as equipas atingem, e afastam-se do insucesso para que não sejam confundidos com quem não conseguiu os objectivos. São os únicos que conseguem quase nunca perder. Melhor, só têm uma derrota, a última e definitiva.
Na realidade o tempo acaba por dar razão a quem tem adversários e não inimigos. O respeito entre adversários é um principio basilar do desporto. Não podemos permitir que uns quantos elementos inseridos no futebol profissional destruam o que muitos construíram durante décadas.
Este é um dos maiores desafios que os dirigentes do futebol profissional têm nos próximos anos. A utilização do jogo, da grande indústria de entretimento em que se tornou, com a exposição mediática associada, tornaram o futebol num espaço apetecível para quem quer ter visibilidade rapidamente. As entidades reguladoras têm atitudes diferentes em situações idênticas. As regras têm que ser claras e a sua aplicação rigorosa. O que hoje é verdade não pode ser amanhã mentira, como afirmou Pimenta  Machado há mais de 20 anos. Estamos neste altura em situação idêntica. Talvez pior. A velocidade da informação, o poder da comunicação e a força da imagem obrigam a ser muito mais rigoroso do que nos tempos em que os reguladores eram amadores."

José Couceiro, in A Bola

Alvorada... do Pinheiro

Sporting e Benfica, ou quando os opostos se tocam

"Carlos Bilardo é um homem daqueles à antiga.
Orientou a selecção argentina em dois Mundiais, alcançou um título de campeão e outro de vice-campeão. Tudo isto numa selecção que não era nada de especial. Mas que tinha Maradona.
Bilardo soube capitalizar o talento do astro e montar uma equipa eficaz à volta dele.
Um dia, por exemplo, disse que os jogadores de futebol exigem sobretudo paciência. «São como as mulheres: se te dizem que não a determinada posição, o melhor é não insistir.»
Com humor e atrevimento, sublinhou a marca que o distingue: nenhum esquema táctico ou estratégia é mais importante do que o jogador. No fundo eles é que ganham os jogos.
Ora é impossível não pensar nisto quando olho para o Sporting de Jorge Jesus.
Ao contrário de Bilardo, o treinador leonino insiste no erro. Esta temporada, virou o futebol da equipa do avesso e arriscou um jogo mais longo. As jogadas começam quase sempre num lançamento para o ataque, à procura do jogo aéreo do avançado, para este ganhar de cabeça e lançar a velocidade de um dos extremos.
O lançamento parte quase sempre de Rui Patrício, mas pode partir também de Coates ou Mathieu, como tantas vezes se viu, aliás, na última quarta-feira no Dragão.
Recordo-me que esta ideia correu bem em Turim, frente à Juventus, num jogo em que o Sporting marcou cedo e viveu de transições rápidas: Bas Dost ganhou muitas vezes a bola nos ares e a partir daí o Sporting chegava ao ataque em apenas três toques.
Depois desse jogo, porém, tem sido um fracasso. Foi a ruína do Sporting, na Luz, por exemplo, num jogo em que foi gritante a incapacidade leonina para segurar a bola: cada lançamento para o ataque era uma posse dada ao adversário. Que a partir daí cresceu e cresceu.
Encheu-se de confiança e de certezas, até ser melhor do que o Sporting.
O problema, porém, não esteve só na Luz: esteve numa série de jogos em que o Sporting insistiu neste tipo de jogo. Lembro-me que frente ao FC Porto, em Braga, Jorge Jesus até se irritou com Rui Patrício por este não fazer um lançamento longo que o treinador exigia.
O problema é que este futebol não funciona. O Sporting perde demasiadas bolas, não estrutura bem as jogadas, não se torna avassalador, como devia ser. Os jogadores enchem-se de dúvidas, perdem confiança, enfim. O futebol leonino tem sido uma bola de neve: cada vez mais problemas.
Por isso, e quase sem se dar por ela, já está igualado com o Benfica na classificação.
Ora o Benfica, precisamente, que tem sido o oposto do Sporting.
Jorge Jesus complica, Rui Vitória simplifica. Jorge Jesus cria, Rui Vitória aproveita. Jorge Jesus insiste, Rui Vitória condescende. Jorge Jesus valoriza a estratégia, Rui Vitória enaltece o jogador.
O Benfica lembra-me até uma frase de Zagallo que Vampeta costumava contar.
Aconteceu quando Zagallo treinava o Flamengo e era acusado de já não estar na posse de todas as capacidades mentais. Nessa altura o treinador chegava ao balneário antes dos jogos e dava o onze. 
«Ele começava ‘Júlio César, Alessandro, Juan, Ayala’... e aí alguém o corrigia ‘professor, o nome dele não é Ayala, é Gamarra’, ao que o Zangallo respondia: ‘Ayala, Gamarra, é igual, é tudo paraguaio’», contava Vampeta.
Esta simplicidade de colocar as coisas, esta genuinidade, faz-me sorrir, mas sobretudo lembra-me que muitas vezes é importante ser singelo: quase corriqueiro.
O futebol não precisa de ser sempre uma coisa complicada: precisa de ter ordem, ideias e rotinas, mas precisa sobretudo de capitalizar o talento dos jogadores. 
O Benfica faz isso melhor do que ninguém.
Basta aliás olhar à volta e perceber como o futebol, esse jogo de rivalidades, é muitas vezes uma dicotomia: quando uma equipa está bem, o maior rival está mal.
Acontece com o Real Madrid, este ano, mas acontece também em Itália há várias épocas, com Inter e sobretudo Milan: quanto melhor está a Juventus, pior estão eles.
O que é normal, os jogadores veem o rival a ganhar, desmoralizam-se, enchem-se de dúvidas, perdem confiança e passam a render menos do que normalmente renderiam.
O Benfica, porém, já por duas vezes esteve no fundo do poço e em ambas conseguiu sair de lá.
O início da primeira época de Rui Vitória foi desastroso e o início desta temporada voltou a ser mau. O treinador andou na corda bomba, as notícias apontavam para a sua saída iminente, mas a verdade é que não deixou de ser ele próprio: o mesmo discurso, a mesma forma de trabalhar.
Sem se deixar influenciar pelas vitórias do Sporting, primeiro, e do FC Porto, depois, o Benfica foi levantando o pé do lodo, recuperando pontos, reentrando na luta pelo primeiro lugar.
Como o conseguiu? Fechando-se numa bolha.
Nesta altura é impossível não me lembrar de todas as vezes em que Rui Vitória se recusou responder a rivais, em que não comentou jogos de outras equipas, em que disse que não ia ver o Sporting porque ia jantar com o plantel ou que não ia ver o FC Porto porque ia estar com a família.
Não queria saber. Ponto.
O discurso do treinador encarnado pode parecer vazio, as observações tácticas podem parecer banais, a postura pode parecer trivial, mas a verdade é que a equipa apresenta resultados.
O que prova que ser simples também pode ser um dom: ao contrário do que Jesus pensará."

Futebol-espectáculo!

"Em Portugal começa a ser insustentável que um desporto que deveria representar uma festa represente antes uma verdadeira batalha campal. Vale tudo. Ofensas atrás de ofensas, injúrias de todos contra todos

Costuma dizer-se que determinados assuntos, bem como determinadas pessoas, só têm a importância equivalente ao espaço de atenção que se lhes quer dar. Podem procurar-se vários argumentos para fugir a esta realidade mas, de facto, ela continuará sempre a fazer sentido. Porém, como viver em sociedade não pode nunca representar viver na indiferença face a tudo aquilo que nos rodeia, circunstâncias que hipoteticamente pudessem caber no que inicialmente se disse acabam por colher atenção do público em geral não pela sua qualidade, mas antes pela saturação que causam por via da repetição e pouca elevação que apresentam.
O futebol é, na actualidade, o exemplo mais paradigmático do que aqui se procura expor, e vai sendo hora de colocar o dedo na ferida. Em Portugal começa a ser manifestamente insustentável que um desporto que na sua essência deveria representar sobretudo uma festa represente antes uma verdadeira batalha campal. Vale tudo. Ofensas atrás de ofensas, injúrias de todos contra todos, pseudodenúncias criminais que mais não pretendem que acicatar as mentes dos adeptos mais ferrenhos e, agora, até conferências de imprensa de presidentes que mais parecem editadas com recurso a uma qualquer enciclopédia do baixo nível.
É demasiado mau. Chega a ser de uma boçalidade tal que de novo nela só se acredita porque as imagens e o áudio que a sustentam passam nas televisões até fartar. Por último, outro problema. É igualmente impressionante, pela negativa, que perante tudo isto, argumentos como “o futebol é assim mesmo”, “quem lá quer andar tem de ser assim”, ou “ deixa-os falar que sempre nos divertem” comecem quase a tornar-se paradigma de justificação para o injustificável. Não pode ser. Há que colocar clubites à parte e que todos os adeptos desta modalidade, bem como toda a sociedade, comecem a exigir a quem representa ao mais alto nível os clubes de futebol uma postura regrada, séria, íntegra, educada e até institucional no exercício dos cargos.
Afinal de contas, os clubes de futebol também têm escolas de formação em que nas crianças de hoje formam os adultos de amanhã. Não é possível, por isso, que qualquer instituição manifestamente comandada por pessoas de pouca formação consiga ensinar distinta postura a todos quantos nela façam parte do seu percurso de vida. Chega de bandalheira. Para isto, que se acabe com o futebol!"


PS: Concordo com o diagnóstico, discordo da solução ("...se acabe com o futebol!"): aquilo que deve acabar é a bandalheira!!!

Justiça e Comunicação

"Se a questão moral não chega para nortear o espírito de quem assegura o funcionamento da Justiça, há que lembrá-los que têm a obrigação legal de o fazer.

Quem trabalha no sistema de Justiça tem de ter consciência da função fulcral que desempenha na sociedade e, por isso mesmo, das limitações que a mesma implica. Uma das limitações mais relevantes é a de comunicar. Não é por acaso que juízes, procuradores, inspectores, funcionários e advogados têm na essência dos seus deveres uma obrigação de reserva e de sigilo.
Mais do que deveres genéricos de profissão, sigilo e reserva são condições sine qua non de dignidade da Justiça e preservação do Estado de Direito (que nasceu para acabar com o “pelourinho”) e dos equilíbrios fundamentais na sociedade. Trata-se de conjugar o direito à informação com o direito à dignidade humana, assente em princípios como o direito à honra, ao bom nome, à privacidade e à presunção de inocência.
Numa sociedade como esta em que vivemos, em que os interesses de informação e desinformação são múltiplos, reconheço que seja complicado, para quem tem a função de zelar pela dignidade e funcionamento da Justiça, cumprir estes deveres. Mas é fundamental. E se a questão moral não chega para nortear o espírito de quem assegura o funcionamento da Justiça, há que lembrá-los que têm a obrigação legal de o fazer. Se não forem as pessoas que trabalham no sistema a dar o exemplo de respeito pela Lei quem será?
Nos últimos tempos, nas redacções, temos assistido ao protagonismo crescente dos jornalistas ditos especialistas em questões de Justiça, a que generosamente chamam jornalistas de investigação. Tenho dificuldade em partilhar dessa generosidade. Na verdade, regra geral, não investigam absolutamente nada. Passaram, simplesmente, a ter acesso, “pela porta do cavalo”, a alguns actores fundamentais do sistema e via aberta para espaços do “aparelho” que deveriam ser uma espécie de locais sagrados. Mas para meia dúzia de jornalistas “bem relacionados” são uma via verde. E, assim, este jornalismo, mais do que informar, é porta-voz da agenda de determinadas fontes dentro do sistema de Justiça. Face ao repetitivo circuito de informação adoptado, toda gente tem, pelo menos, uma fundada suspeita de quem são tais fontes que violam as suas obrigações, mas ninguém tem interesse em encontrá-las.
Já perdemos a conta às vezes que a Senhora Procuradora Geral da República anunciou a abertura de inquéritos à violação do segredo de justiça. Mas também já todos percebemos que não há interesse em terminar com sucesso tais inquéritos. Ou será que nos querem fazer acreditar que um Ministério Público que é cada vez mais eficaz na investigação de matérias bem mais complexas da criminalidade económico-financeira transnacional, não é capaz decifrar coisas mais simples, como apurar quem anda a violar “dentro de casa” os seus deveres de reserva e sigilo, cometendo continuadamente o crime de violação do segredo de justiça e afectando a credibilidade de todo um sistema?
São pessoas que não contribuem para a realização da Justiça, mas antes para a execução de um “justiceirismo” próprio de quem adopta como exemplo fórmulas pouco democráticas de exercício da Justiça e que, mais do que se basearem na Lei, assentam na manipulação da opinião pública como “arma”. Talvez não seja por acaso que a Presidente da Associação sindical dos Juízes tenha declarado publicamente que o “Segredo de Justiça é uma batalha perdida”. Será que se fosse uma “batalha para ganhar” ficaria pedra sobre pedra no sistema?"

Ministério Público ou da Propaganda?


As questões de forma na Justiça são essenciais. Contra ímpetos populistas dos fins que justificam os meios, todos devemos falar a uma só voz, a começar pelo sistema de Justiça, especialmente o Ministério Público (MP). Como cidadãos de uma democracia madura, cabe-nos exigir o cabal cumprimento das regras por parte do Acusador, porque é apenas deste lado da barricada que podemos e devemos tirar consequências como Estado. E o primeiro dever é o de segredo em processos que, por decisão do próprio MP, são submetidos a segredo de justiça.
Portugal tem o vício de não mudar os seus defeitos e de legitimá-los com alterações à Lei: o segredo de justiça é constantemente violado pelo MP e outros funcionários do sistema de Justiça? Então acabe-se com o Segredo de Justiça se uma das partes o viola sem consequências. Mas isto faz algum sentido?! O segredo de justiça é uma das tais questões de forma essenciais para investigações sérias, mas também porque os suspeitos, arguidos e até culpados têm de ser protegidos nos seus direitos, nomeadamente no direito de fazerem uma defesa em fórum próprio: o tribunal. O que o sistema de Justiça não pode ser é um Ministério da Propaganda.
Mas nada disto está a acontecer e com a conivência dos jornalistas que, para conseguirem a melhor capa e satisfazerem os seus egos, se deixam instrumentalizar como fontes que ajudam a construir e a reforçar junto da opinião pública as teses do Acusador.
Mais. Os jornais – alguns – estão de tal forma inebriados com este novo papel que assumiram informalmente de ajudantes do MP, que se apresentam, eles próprios, como os Acusadores. Por isso tivemos o absurdo de ter o nosso ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo na primeira página de um jornal como potencial arguido pronto a demitir-se se fosse acusado, depois de buscas ao Ministério (!) por causa de dois bilhetes para o futebol. Tudo, claro, com a comunicação social devidamente avisada para fazer da investida um reality show. O desfecho foi o óbvio. Não havia caso. A reputação, quando atacada pela Justiça, não é crime. Mas talvez devesse ser.
Sob a capa do interesse público, os jornais – alguns – não se regem pelas mesmas regras dos demais quando se trata de veicular informações sujeitas ao segredo de justiça. De facto, ambos os valores são conflituantes, e esperar que a Justiça faça o seu caminho durante uma década ou mais até que um processo transite em julgado mantendo pessoas de risco em funções de elevada responsabilidade pública e privada, não parece razoável.
Mas é razoável perguntar se cada capa, cada notícia produzida, foi precedida dessa reflexão. É que nas notícias não existe uma diferença entre suspeito, arguido e culpado. É obrigatório e urgente perguntar o que está a ser feito – se é que alguma coisa – dentro do sistema de Justiça para averiguar de onde vêm as fugas de informação que mais parecem comunicados de imprensa velados e aplicar sanções. Mão de ferro nas consequências para quem nos devia proteger como cidadãos e não está a fazê-lo."

Ética, política e fugas

"A mera suspeição destrói o que de maior valor têm os cidadãos: a reputação. Esta é cara e difícil de conseguir, pelo que tem de ser preservada a todo o custo.

Fernando Negrão, ex-ministro da Justiça, fez no International Club of Portugal (ICPT) uma dissertação sobre ética e política. O tema é quente quando se associa ética às recentes fugas de informação ligadas a processos judiciais que se tornaram mediáticos, e é relevante quando se associa ética a interesses próprios.
Um amigo que parafraseava um professor dizia que ética e moral é basicamente o que se faz quando ninguém está a ver. Ou seja: ética é o que nós queremos que seja. Dizia Fernando Negrão no ICPT que há decisões legais que de um ponto de vista ético são erradas e deu exemplos facilmente perceptíveis, como os casos em que se emitem decisões que vão trazer benefícios a prazo ao próprio ou à sua organização política ou social, mas o mesmo princípio se aplica quando “o Ministério Público (MP) tem uma investigação em curso e deixa sair informação para gerir investigação criminal, estando em causa direitos, liberdades e garantias”. Depois deu o exemplo extremo de Itália e da judicialização da vida política e empresarial naquele país. “E, claro, desejo que o sucesso do MP não seja “manchado por episódios menos bons”, rematou.
Mas o que está por detrás destes princípios de ética e moral enunciados por Fernando Negrão é algo mais profundo. Com efeito, a ética não condena, ou não permite tirar alguém da prisão, e o papel do MP é a defesa do Estado, sendo que nem sempre através da acusação se defende o Estado. Aliás, há vozes públicas que afirmam que o princípio da legalidade levado ao extremo denega a justiça.
A ética e a política têm ainda outra abordagem e que é pragmática na actual sociedade de informação. A mera suspeição destrói o que de maior valor têm os cidadãos – a reputação. Esta é cara e difícil de conseguir, pelo que tem de ser preservada a todo o custo. A destruição desta mesma reputação representa, para os cidadãos com vontade de ascender a cargos políticos, de gestão ou de liderança, um obstáculo quase intransponível. E voltamos à questão da ética. Fernando Negrão diz ainda no espaço do ICPT que, tendo passado por órgãos judiciais, pelo parlamento e pelo Governo nunca ouviu falar na ética, para concluir que “estas responsabilidades exigem informação ética”. E recorda tempos idos quando, nos vários níveis das escolas, havia disciplinas ligadas a esta área , onde “o princípio da vida era a honestidade”.
A conclusão é óbvia e aplica-se ao actual momento que se vive na política, nos negócios e na justiça. Ser ético (alguns falam em ética republicana) não é apenas ser sério, mas também respeitar um conjunto de guidelines que dão a noção ao cidadão do que é bom e do que é mau para as acções actuais e futuras. Ética é virtuosidade e isso não é exigido a ninguém nos tempos que correm. Aliás, é sintomático que, nas várias áreas do saber, o país não tenha personalidades de referência que possam encher uma única mão."

Já não há bilhetes!

"Ao tornar pública a decisão de que “existem documentos relevantes”, o Ministério Público mantém uma leve suspeição no ar. Parece uma birra

Quando se pensava que o estranho caso dos convites pedidos pelo ministro das Finanças para assistir a um jogo do Benfica já estava devidamente arquivado e remetido para a secção das ridicularias, eis que o Ministério Público faz saber que vai conservar os “documentos relevantes” desse mesmo processo arquivado.
Afinal, há “documentos relevantes”. Assim sendo, desculpem a ignorância, porque se arquiva o processo?
Ao tornar pública esta decisão, o Ministério Público mantém uma leve suspeição no ar. Parece uma birra. Temos de arquivar, mas guardamos uns documentos, não vá aparecer mais qualquer coisa.
Este clima criado à volta da justiça, concretamente o acompanhamento em directo nas televisões de operações de investigação, como as buscas a residências ou a empresas, e mesmo detenções, está a atingir os domínios do surreal.
Gostava de esclarecer, entretanto, que não me incluo na campanha orquestrada por aqueles que querem que a actual procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, não seja reconduzida no seu cargo.
O que acho, sinceramente, é que a mediatização da justiça, da forma como está a ser conduzida, ao contrário de contribuir para a sua transparência, a transforma num lamentável espectáculo.
No limite, e para ser coerente, quem defende este espectáculo mediático deve admitir que os julgamentos passem a ser transmitidos em directo, com horários negociados com as televisões, como acontece, por exemplo, com os jogos de futebol.
No Império Romano, vigorava o panem et circenses, o pão e o circo que garantiam a quietude da plebe.
Transportado para hoje, a necessidade do pão mantém-se, ao mesmo tempo que o circo se encaixa na televisão. E o que há de melhor para entreter a plebe do que um bom julgamento?
Camus, genial escritor francês, disse que “se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo”.
Na verdade, o julgamento mediático é, à partida, uma condenação, sem direito de defesa.
Seja como for, citando o português Guerra Junqueiro, “a justiça não admite reticências”.
O cidadão comum, acredito eu, está cada vez mais farto deste circo.
De facto, “já não há bilhetes!”."

Benfiquismo (DCCXLIII)

Reis !!!

Aquecimento... Algarves!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Benfica FM - Ep. 17

Alvorada... do José Nuno

Tragicomédia e um olhar de futuro

"1. Sou e serei sempre um optimista: no que toca ao futebol, por cada (ir)responsável que tente dar cabo dele, haverá sempre um responsável pelo jogo que nos devolva o sorriso. Tanto pode ser um treinador como um jogador. Basta fecharmos os olhos, pensarmos um pouco e tentar avaliar algo tão simples quanto isto: vale mais um post, um tweet, um instastory ou um golo do Soares ou um defesa de Rui Patrício? Para quem não tem dúvidas, a resposta é óbvia: é daqueles que gosta de bola e que desejaria mais jogos entre os grandes; para aqueles que estão com um olho na televisão e outro no smartphone, tablet ou PC para aliviar a bílis... lamento, mas o seu diagnóstico é reservado.
Mas o clima anda efectivamente mau. E não me refiro ao frio, antes à loucura que anda por aí à solta. Quem navegou pela net estes dias fartou-se de rir com um excerto de um daqueles relatos nas televisões dos clubes em que estão dois tipos a olhar para uma televisão e a dizer-nos o que estão a ver e cujo final tem um daqueles punch line ao nível dos melhores sketch de humor e com uma narrativa surreal: é golo/não é golo porque o assistente anulou/anulou mal porque não está fora de jogo/afinal foi bem anulado/o árbitro e os seus assistentes são mesmos maus porque não viram aquele fora de jogo. Foi cómico mas igualmente trágico porque é verdadeiramente revelador do estado de pura esquizofrenia a que chegámos.

2. O Benfica antecipou-se a vários tubarões e contratou um menino sueco de 11 anos. A primeira reacção será de espanto mas há algumas semanas o Mónaco pagou €25 milhões ao Génova por Pietro Pellegri, um jogador de apenas 16 anos, recorde de transferências de um menor. Isto transporta-nos para uma nova realidade: o scouting é cada vez mais um exercício de futuro."

Fernando Urbano, in A Bola

O equilíbrio no país judicial

"O segredo da democracia está, acima de tudo, na acreditação das válvulas de segurança que controlam o poder político, com a justiça à cabeça

O grande segredo da vitória dos modelos democráticos (de inspiração republicana e liberal) depois da tragédia europeia da II Guerra Mundial fundou-se manifestamente na ligação parlamentar e executiva das escolhas populares. O cidadão votante apreendeu que o sentido maioritário tinha expressão - ainda que com diferentes métodos de apuramento e reflexos conjunturais - em presidentes, em deputados, em governos, em representantes regionais, em operacionais autárquicos. Por outras palavras, interiorizou que a sua participação na gestão do “bem comum” ia para além da participação eleitoral e se estendia às decisões vitais da sociedade em que se inseria e das quais dependia. A liberdade implicou compromisso e assunção, conferidos pelo nexo de representação política nos eleitos e nos designados. Essa consistência do poder maioritário veio, por outro lado, banir os estados de excepção, os golpes militares, as situações de força maior que desafiavam a legalidade normativa e a normalidade institucional. Veio tornar seguro o sistema, num edifício de vasos comunicantes entre a rua e o poder que permitiu a ascensão de um Estado social de direito na Europa, a competitividade económica, a construção da CEE, o abate do Muro de Berlim e a aproximação dos povos de leste. Essa representação política passou a ser o baluarte do crescimento, da estabilidade e da cidadania. E o apoio essencial para a certificação e a diversificação dos direitos e das garantias a um número potencialmente ilimitado de pessoas (o primado da universalidade), desde que assistidas pelo financiamento dos bens e dos serviços que alimentam a resposta às expectativas. É neste difícil trapézio, por isso, que se encontram as crises e as rupturas da Europa dos últimos 20 anos.
Diga-se, porém, que essa legitimação só é certa se for assegurada pela implementação de uma arquitectura de equilíbrio com o poder extrapolítico (mesmo que internamente). Acima de tudo, trata-se de assegurar plataformas de vigilância e fiscalização endógenas e de heterofiscalização do exercício do poder atribuído pelo “povo”. Este termina a função no momento do voto; outros terão de garantir a prevenção e a punição do risco de despotismo e de autocracia. A separação de poderes e, acima de tudo, o exercício exógeno do poder judicial está (também, mas não só) ao serviço dessa autotutela deste sistema democrático complexo que, no mais simples, visa proteger os representados (todos nós, portanto) e o interesse global (ou “público”, num sentido mais restrito e parcial).
No entanto, quando se trata do poder judicial garante, há uma grande diferença para o poder político garantido: não estão a justiça e os seus agentes ao serviço de qualquer agenda - ainda que, como agora se diz e se pratica, comunicacional - de satisfação ou de concretização dos interesses (mesmo que supostos) dos representados e garantidos. O que é compreensível para a conquista e a manutenção do poder político não é aceitável nem saudável no poder das autoridades judiciárias, enquanto baluarte do sistema. Se assim não for - a não ser em casos extremos de alarme social -, está aberto o caminho para a demagogia, para uma espécie de tirania, para a opressão e para uma certa forma de exclusão. Em suma: para se concretizar o risco de adulteração dos princípios democráticos da igualdade e da legalidade. E, pelo caminho, para se ampliar a voz dos arautos dos populismos radicais e das jurisdições de pelourinho, que têm na ressonância mediática a viabilidade do seu programa e a caução de uma ideologia perigosa para a credibilidade das válvulas de segurança do sistema. Em conclusão, estará feito o desenho fatal para, seguindo a cabeça de Camus, falecer a conciliação entre liberdade e justiça.
Por estes dias, olhando para o nosso país “judicial”, talvez seja útil ponderar nisto e tomar medidas."

As Flores de Manchester

"6 de Fevereiro de 1958, Munique. O relógio aponta data e local.
Sir Alex Ferguson Way. Passadeira, nova morada. A estátua de sir Matt Busby, numa rua com o nome dele. À esquerda, a United Trinity: Best, Law, Charlton. E o relógio. A apontar data e local.
Ali está ele, no cimo da South East Corner, mesmo antes do túnel de Munique.
Old Trafford é lugar mágico em cidade de pouco interesse. Um palco em que o novo dá a mão ao antigo, onde a glória e o sucesso têm memória de um pesadelo. Lugar final dos rapazes do The Cliff, antes, e dos de Carrington, agora.
O Manchester United é um clube enorme.
Ouvimo-lo repetidamente. Lemos e até o vemos. Na TV, na página da wikipedia com a listagem de troféus, em Bryan Robson, Cantona, Ronaldo, na class of 92 ou num outdoor publicitário no meio do Vietname.
O Manchester United é um clube enorme por tudo aquilo. Mas é um gigante entre gigantes porque percebe o que raramente se percebe: que a herança sentimental de um clube deve ser preservada, não apenas nas datas próprias, mas no dia a dia e longe do olhar público.
A 6 de Fevereiro de 1958, em Munique, um desastre aéreo vitimou 23 pessoas, oito jogadores do clube de Old Trafford.
Pogba, que é francês, publicou sobre as Flores de Manchester. Paul, um desses rapazes de Carrington...
Juan Mata, que é de Burgos e cresceu entre as Astúrias, Madrid e Valência, também prestou homenagem.
E Marcus Rashford nasceu quase 40 anos depois daquele trágico dia. Tem 20 anos. Que pode saber ele, que pode ele sentir sobre Munique? Que pode um tipo qualquer que chega ao United vindo de outra parte do mundo, como por exemplo as Astúrias, perceber o significado das Flores de Manchester?
Deixem que um miúdo, de 20 anos, natural da cidade vos diga.



«Quando tens 7 ou 8 anos, há pequenas coisas em redor que começas a perceber. Aos 16 ou 15 anos, foi aí que o Paul McGuinness [antigo treinador da académica] nos começou a chamar a atenção. Víamos imensos vídeos dos jogos deles, especialmente na Taça de Inglaterra das camadas jovens. Por isso, pudemos ver imagens daqueles jogadores quando eles eram novos. É muito perto de nós, toca-nos o coração e ajuda-nos a perceber, mesmo que não tenhamos estado lá. Foi um evento muito triste, ninguém merece que este tipo de coisas aconteça. Mas, infelizmente, aconteceu e o clube tem sido admirável no modo como tem formado jogadores desde essa altura, da mesma maneira que criámos os Busby Babes. Coisas destas nunca abandonarão um clube familiar como o United. Não interessa quantos jogadores novos comprem, ou qual a idade deles. Não interessa quantos treinadores ou técnicos vêm, todos eles vão entender o que significa ser deste clube.»
Um dia, quando for a Old Trafford pela primeira vez, você vai olhar para um relógio. Terá hora, mas você reparará na data e local: 6 de Fevereiro de 1958, Munique.
E ouvirá o eco eterno das Flores de Manchester."




Benfiquismo (DCCXLII)

33

Lanças...Castrices !!!

Jardel 200

Grimaldo 50

Vitória demasiado apertada!!!

Boa Hora 32 - 35 Benfica
(17-17)

Três pontos, num mau jogo, especialmente defensivamente, sofrer 32 golos do Boa Hora é obra!!!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Galardões Cosme Damião 2018

"Temos uma história de conquistas, uma paixão, uma atitude perante a vida. Nada teria sido igual na história do Sport Lisboa e Benfica sem o contributo das mulheres e dos homens que somam coração e paixão ao nosso clube, em Portugal e no Mundo, tal como Cosme Damião o fez. É essa força, esse exemplo, esse amor ao clube que procuramos honrar na nossa acção, sem nunca perder o rumo e sem nos desviarmos do caminho da credibilização, da sustentabilidade e das conquistas desportivas. Quero por isso reafirmar o nosso compromisso com os sócios do Sport Lisboa e Benfica.
Nada nem ninguém nos fará perder o sentido de serviço pelo clube, o rumo que escolhemos e a ambição de construir um Benfica cada vez mais forte, mais ganhador e mais sólido. Sabíamos que não seria fácil, sabíamos que íamos incomodar, sabíamos que quanto mais fortes, mais pedras no caminho nos iriam colocar e todas as distracções seriam criadas para que perdêssemos o foco do essencial.
Desenganem-se aqueles que pensam que nos conseguem desviar do caminho e do rumo que definimos. É que nós temos aquilo que é mais importante e que hoje estamos aqui a assinalar. Um património único de conquistas, de grandes técnicos, de enormes atletas e de uma massa associativa e de adeptos sem igual, em Portugal e no Mundo. Um património único de vitórias, projectos, ideias bem expressas na riqueza e diversidade oferecida pelo conjunto de todos os nomeados aqui presentes. É essa a nossa força. É esse o nosso segredo e a nossa célebre mística. Trabalho, humildade, talento e espírito de equipa.
Foi por isso que em conjunto lançámos um projecto para o Benfica que resgatasse a memória, respondesse com eficácia aos desafios do presente e lançasse as sementes para um futuro mais sólido, sustentável e ganhador. Foi por isso que associámos a essa liderança um sentido de união, de resistência e de foco para que o Benfica voltasse a ser a maior referência desportiva nacional, uma crescente marca global e uma instituição com um forte compromisso de responsabilidade social com a sociedade portuguesa.
Os resultados deste caminho de anos estão à vista de todos. E hoje é com enorme orgulho que vemos o reconhecimento internacional que o nosso clube tem nas mais diversas áreas, estando presentes no top dos principais rankings.
Neste momento de festa e de reconhecimento daqueles que são e serão sempre a alma do Sport Lisboa e Benfica, quero cumprimentar todos os nomeados, pelo mérito do vosso trabalho e dos projectos contemplados, verdadeiro símbolo da vossa dedicação e compromisso com o clube. Vocês são parte da história do Sport Lisboa e Benfica. É isso que hoje reconhecemos, a vossa parte na história do Benfica. Uma história de afectos, de experiências e de paixão.
Quando comemoramos 114 anos, mais do que nunca, continuamos a trabalhar para fazer mais história com a conquista do Penta e de outros títulos nas várias modalidades. Com o vosso apoio, continuamos a ganhar o presente e a construir o futuro.
Por isso, continuamos a apostar na formação e na internacionalização. Por isso, continuamos a dinamizar a rede de Casas do Benfica em Portugal e no Mundo, estamos a ampliar as infraestruturas desportivas no Seixal, vamos criar o Centro de Alto Rendimento, lançar a Benfica Rádio e continuar a aproveitar todas as oportunidades para fazer o Benfica cada vez maior e melhor.
É esse espírito de fazer o nosso trabalho de casa que é o legado de Cosme Damião. Ontem como hoje, um exemplo de dedicação ao clube. É com a inspiração da paixão de cada Benfiquista pelo nosso clube, que continuaremos. Juntos somos mais fortes."




Prémio Revelação
Aljaz Slutej (Basquetebol)
Ana Sofia "Fifó" (Futsal)
Francisco Pereira (Andebol)
Rúben Dias (Futebol)
Vasco Vilaça (Triatlo)

Prémio Formação
Basquetebol (Sub-14)
Equipa Júnior Masculina de Atletismo
Futsal (Sub-20)
Hóquei em Patins (Juniores)
Iniciados A (Sub-15)

Prémio Modalidade
Triatlo
Basquetebol
Equipa Júnior Masculina de Atletismo
Futsal Feminino
Hóquei em Patins Feminino
Voleibol

Prémio Atleta de Alta Competição
Carlos Morais (Basquetebol)
João Pereira (Triatlo)
Jordi Adroher (Hóquei em Patins)
Marlene Sousa (Hóquei em Patins)
Zelão (Voleibol)

Prémio Treinador do Ano
Carlos Lisboa (Basquetebol)
Cláudio Moreira (Futsal Sub-20)
José Jardim (Voleibol)
Paulo Almeida (Hóquei em Patins Feminino)
Rui Vitória (Futebol)

Prémio Futebolista
Eduardo Antonio Salvio
Jonas Gonçalves Oliveira
Luís Miguel Afonso Fernandes - Pizzi

PS: As minhas escolhas serão:
Vilaça
Juniores Masculinos Atletismo
Futsal Femenino
Marlene Sousa
Cláudio Moreira
Jonas

Classificações e arguições

"Sobre a Operação Lex Luís Filipe Vieira terá certamente todos os meios para se defender e espero, por todas as razões, que se prove a sua inocência.

Factos e feitos
Faltam 13 jornadas para se completar o campeonato. Na dianteira, tudo muito renhido e o Benfica, agora na segunda posição, a evidenciar que pode voltar a ser campeão, depois de muitas almas caridosas o terem remetido para o degredo. Nesta última jornada, tudo normal. O Benfica no seu estilo muito próprio e bipolar de uma meia-parte penumbrosa e outra luminosa, vencendo um clube com maturidade e competitividade como é o actual Rio Ave. O Porto vencendo um jogo difícil contra uma boa e bem treinada equipa como é o Sporting de Braga, podendo agradecer ao guarda-redes José Sá um quinhão decisivo na vitória. O Sporting perdendo no Estoril, com muito vento (creio que para as duas equipas) e, assim, evidenciando fraquezas depois de lhe acontecer o que ao Benfica na época passada e também nesta época foi 'o pão nosso de cada dia': lesões de jogadores importantes. Aliás, era uma questão de tempo. Taça da Liga ganha com empates arrancados a ferro, jogos sucessivos com vitórias tangenciais e exibições frouxas, adivinhava-se e avizinhava-se um dia como o da Amoreira.
O director de comunicação do Porto facebookiou aludindo à melhoria sensível do SC Braga de há três semanas a esta parte, assim insinuando, de novo, pretensas facilidades do Benfica no jogo da Pedreira. Além de mau-gosto de voltar a falar sobre o carácter e profissionalismo de uma equipa de futebol que deve merecer todo o respeito, nada disse sobre a facilidade das cabeçadas dos jogadores do Porto nos dois primeiros golos. Para mim, foram contingências e erros naturais de uma partida de futebol, mas aqui d'el rei se esses mesmos golos tivessem sido os do Benfica em Braga. O que diria o inefável director?
Por fim, Jorge Jesus falou das dimensões do relvado no Estoril. Já aqui as havia referido, mas para que conste volto a fazê-lo: 105m de comprimento e 70m de largura. Comparemo-lo com o de Alvalade: o mesmo comprimento (105m) e menos largura (68m). Esta ideia feita de que os clubes pequenos têm dimensões do campo inferiores, às vezes até dá jeito. Mas, não raro, é.

Bom sendo e clareza
1. Manda a prudência e a sensatez não embarcar na voragem mediática dos processos de investigação que por cá abundam e que culminaram, há dias, com a denominada 'Operação Lex'. Para tal já bastam a pletora de advogados que enchem o espaço televisivo, em que alguns nos esclarecem e outros nos confundem.
O certo é que com a recorrente e sistemática violação de regras do segredo de justiça, tudo mediatizado em ambiente ferozmente concorrencial de 'nós violamos mais do que os outros', nestes processos qualquer pessoa passa de investigada ou suspeita directamente a condenada, assim saltando todas as fases de um processo num Estado de Direito. Ou seja, suspeito, indicado, arguido, acusado, julgado, dissolvem-se na voragem de se decretar mediaticamente a condenação sem que haja a mínima hipótese de defesa.
Claro que os casos que temos vindo a conhecer são apetecíveis e excitantes. Atingem o coração do Estado e dos seus agentes de soberania, agora chegando a magistrados judiciais e do Ministério Público e a altos funcionários de Administração. Atingem o coração da economia, desde ex-banqueiros antes todo-poderosos e outros poderosos de terceiros países. E, 'cereja no topo do bolo', vêm atingindo o coração do futebol.
Todavia, tudo isto é também um claríssimo sinal de que não há pessoas ou instituições excepcionadas ao cumprimento da lei. Finalmente, diria mesmo.
Sendo esta coluna dedicada à área desportiva, em geral, e ao meu Benfica, em especial, e longe de querer tomar uma qualquer posição justicialista perante o que não sei para além do que cirurgicamente é divulgado como 'facto consumado', entendo deixar aqui algumas interrogações e algum desconforto.
A incomodidade resulta de ver o meu clube, justa ou injustamente, directa ou indirectamente, envolvida numa sequência de situações, umas notoriamente empoladas, outras a gerar alguma ambiguidade e que precisam de ser rapidamente dilucidadas para bem da indestrutível instituição que é o Sport Lisboa e Benfica.

2. Comecemos pelo 'caso Centeno'. Um caso ridículo, seja qual for o prisma sob o qual pode ser analisado.
Num assomo de purismo angélico e num exercício de indisfarcável excitação, assim surgiu uma pseudo querela à volta do ministro das Finanças. Tudo por causa de dois lugares por ele solicitados para ver um jogo de futebol no Estádio da Luz!
O risco de casos anedóticos como este é o de tudo confundir, misturar ou igualizar. Em faits-divers como este, a medida não está na essência, está, antes, na sua excitabilidade. A sua bitola não está na sua relevância, está mais na sua quase vacuidade. A sua marca não está na sua pertinência, está na sua conveniência. O seu eco não está na cabeça, antes deambula sorrateiramente entre a epiderme e o coração.
Algum povo até gosta destas coisas, porque assim se anima o sentimento à flor da pele de quem uniformiza a apreciação de todos os políticos como tendencialmente corruptos, desonestos e incompetentes. Eis uma forma a um pretexto para mais bater, sem pestanejar, nos outros. Sempre os outros, nunca os próprios.
Estes casos apressam e alargam o juízo fácil. Não dão trabalho, alimentam rumores e fornecem energia gratuita para o recorrente, informe e insidioso 'são todos iguais'.
Esta situação tinha os condimentos todos para ser apetitosa. Juntar no mesmo caldo um membro do Governo, um responsável pelas Finanças, um clube que suscita amores e ódios e um jogo de futebol é quanto baste para preencher a primeira página de um jornal, entrar leda e prioritariamente num alinhamento de um noticiário televisivo, encher as caixas de comentários e quebrar a rotina do quotidiano.
Mas, afinal, onde é que estava a grave infracção política ou ética? Será que, de repente, um ministro já não pode ser convidado ou solicitar um lugar de acordo com a natureza do cargo e a segurança ajustada ao mesmo? Será que o ministro do Ambiente não pode ir para a bancada presidencial do Dragão ver o seu FC Porto? Será que o ministro da Segurança Social não se pode sentar no camarote principal de Alvalade para ver um jogo do seu Sporting?
O exagero caminha inexoravelmente para tomar conta de tudo. O exagero vive de sinais exteriores e precisa de interlocutores que dele se apropriem. E que, de exagero em exagero, o propaguem.
Mas alguém, com seriedade e isenção, acreditaria que Mário Centeno poderia ficar condicionado na imparcialidade e integridade no exercício das suas funções como ministro das Finanças? Valha-me Deus!
Felizmente, foi arquivada a investigação do poder judicial, que bem poderia ter poupado tempo e competência para outras situações.

3. Sobre a 'Operação Lex' Luís Filipe Vieira terá certamente todos os meios para se defender e espero, por todas as razões, que se prove a sua inocência. Escrevo Luís Filipe Vieira, e não presidente do Sport Lisboa e Benfica. É indisfarcável a guia em procurar misturar Vieira e SLB e em envolver o clube nesta parafernália mediaticamente servida em doses cavalares. Como qualquer pessoa sei apenas o que tem sido dito, redito e desdito. Não tenho sequer o direito de ter uma opinião 'transitada em julgado' sobre este assunto. Todavia, diz-se que L. F. Vieira prometeu lugares e honrarias a um juiz desambargador, ou seja, serviu-se da sua função no Benfica para um assunto particular. Fundação do Benfica? Universidade (?) do Benfica? Ora esta nem existe e, ao que se sabe, na Fundação não está o juiz. Isto são factos. Dizem-me que o que, na vida pessoal de Vieira, estava em causa era um contencioso tributário em que qualquer cidadão tem direito a salvaguardar o que julga mais conforme à lei (ainda, por cima, tendo pago, até agora, o caso até ainda não foi decidido e a juíza a quem foi atribuído o processo terá dito que não conhece o juiz desambargador! Depois diz-se que Vieira é arguido? Sim, é. E depois? Já está condenado? E é a primeira vez que um presidente de um clube é arguido na sua vida pessoal, ainda que, nem sempre, distinguível da posição institucional?
Posto isto, espero que, no desenvolvimento deste processo, a legítima e eficiente defesa do bom nome de Luís Filipe Vieira seja realizada com total separação e independência em relação ao Sport Lisboa e Benfica, do qual é institucionalmente presidente da Direcção."

Bagão Félix, in A Bola