Últimas indefectivações

sábado, 27 de maio de 2017

As Finais são para ganhar...

Oliveirense 60 - 69 Benfica
13-14, 15-26, 19-12, 13-17

Jogo completamente diferente do anterior... lançamos mais de 2, do que de 3, o que é normal, mas onde fizemos a diferença, foi na defesa, onde tivemos muito melhor!

Esperava mais dificuldades nestas Meias-finais... estamos na Final, os Corruptos, têm a vantagem da 'negra', mas temos tudo para recuperar o título, basta recordar a maioria dos jogos deste ano... A minha principal preocupação neste momento é o Hollis, que tem estado ofensivamente horrível nos últimos tempos!

Nas meias-finais...

Benfica 7 - 0 Burinhosa

Confirmação das melhorias... jogo sempre controlado.
Agora, nas Meias-finais, muito provavelmente com o Braga, temos que manter os níveis altíssimos...

Regresso à liderança...

Benfica 9 - 4 Sanjoanense

Vitória fácil... em mais um jogo, com uma arbitragem surreal!!!

Com o empate dos nossos adversários, o Benfica regressa à liderança... podemos inclusive perder por 4 no Dragay, e mesmo assim ficamos somente a depender de nós... pois na jornada seguinte, recebemos a Oliveirense na Luz... Mas uma vitória no próximo Sábado, pode dar-nos o campeonato na penúltima jornada... algo importante, já que o último jogo é fora, na casa dos traumatizados Lagartos!!!

PS1: Depois de garantir o regresso à divisão 'maior' do Nacional de Rugby (Divisão de Honra), o Benfica, hoje, sagrou-se Campeão da 'segunda' (I Divisão), vencendo por 19-17 o CR Évora.

PS2: Parabéns ao Rafael Gil, pela renovação do título Nacional absoluto de Águas Abertas 10Km...

PS3: Portugal lá conseguiu a qualificação para os Oitavos-de-final do Mundial de Sub-20... com um grande golo do Digui...!!! Vamos defrontar a equipa da casa, Coreia, na Terça-feira...
Mas independentemente do que acontecer, estamos a jogar muito mal... depois de um trajecto, tão longo, com grandes expectativas, estas 'duas gerações' chegam a este Mundial, muito mal lideradas: convocatória absurda...; 'onzes' ridículos; substituições mal feitas; e fio de jogo inexistente!!!
Esta Selecção é a 'soma' de duas gerações diferentes, em ambas o Benfica, desde dos sub-15, dominou as convocatórias e os 'onzes', chegando mesmo a ter 12 jogadores convocados em simultâneo para alguns jogos...!!! Curiosamente, chegámos a esta fase, com vários desses jogadores a serem 2.ªs opções... A utilização do Pêpê e do Gedson são absurdas...

Lições de Bernardo

"A paciência salta aos olhos, mas há muito mais a aprender e a reflectir com esta espécie de manual condensado

Apesar dos 22 anos e dos 1,73 metros (com que baila entre gigantes), Bernardo Silva é um amontoado de lições. Desde logo a que qualquer chinês conhecedor de provérbios mais gostaria: sim, a paciência tem sido uma das maiores virtudes deste outro "pequeno genial" e só não arrisco dizer ser a maior porque poderia ser desmentido no imediato pelo talento. O que leva a uma das questões há muito debatidas no futebol e de que este é um óptimo exemplo - a aposta generalizada em jogadores maiores, mais fortes e mais rápidos nos escalões de formação com o objectivo de obter resultados desagua no desperdício de qualidade técnica, inteligência e não raras vezes de capacidades físicas, já que muitos jovens crescem tardiamente e, depois, superam outros mais precoces. Bernardo Silva soube esperar, apesar de, como o próprio reconheceu recentemente, ter jogado menos do que gostaria nas camadas jovens do Benfica, onde era relegado para o banco por matulões. E soube aguardar pela oportunidade, também, quando, já na equipa principal, recebeu o mesmo tratamento.
No Mónaco, cresceu com a equipa e Leonardo Jardim deu-lhe asas, explodindo e provando que neste futebol de superatletas o tamanho não é tudo. A alcunha de "Mini Messi" será o lado folclórico para perceber por que razão Guardiola (a quem daria jeito outro...) o foi buscar, apostando num jogador diferente, capaz de usar a genética de número 10 e a inteligência para, mesmo que a partir de uma ala, romper as folhas quadriculadas em que tantos treinadores transformam o relvado.
Quando se lamenta a falta da "escola" do futebol de rua, Bernardo Silva tem um novo palco para mostrar que arte e músculo não são incompatíveis no mesmo "bairro"."

Benfiquismo (CDLXXXI)

1998

Uma Semana do Melhor... dá-lhe música!

Jogo Limpo... Clube, Família... Jamor !

Rui Vitória deve-nos uma

"Acabou o campeonato, o Benfica  é campeão, finalizou com o melhor ataque, com a melhor defesa, tem a melhor equipa e foi o único emblema a merecer o título. Há razões de sobra para festejar a para os adeptos estarem satisfeitos com o alcançado pelo clube, mas não me custa reconhecer que é a maior o desespero nos rivais do que a alegria nas hostes encarnadas. Este Benfica vencedor é uma espécie de eutanásia dos sonhos dos adversários. Quando aquele drone com a bandeira vermelha do 36 sobrevoou Moreira de Cónegos, ao minuto 36, houve até quem dissesse que era o aniversário do Casillas, mas depois se percebeu que jogava o José Sá e não havia bolo. Pior, na óptica portista, só mesmo se o José Sá sofresse um golo ao minuto 36. Não havia bolo, mas havia golo! O FC Porto despediu o Nuno Espírito Santo e logo houve quem revelasse em directo na TV que o Nuno era benfiquista, o que desconheço por completo. Mas ainda bem que ninguém revelou o clube de Fernando Santos, do Artur Jorge, do Jesualdo Ferreira, do Mourinho, do Paulo Fonseca ou do José Peseiro antes de assinarem pelo Porto, senão seria um imbróglio. Parte da comunicação social dá como certo Marco Silva no FC Porto, mesmo antes de assinar e de ser público. Deixo aqui o veredicto: grande escolha a realizada pelo líder e SAD dos azuis e brancos.
No Benfica teremos que ser ainda melhores para continuar a ganhar. Domingo, vamos decidir no Jamor se fizemos uma época muito boa ou excelente. O dilema é bom, mas eu prefiro uma época excelente. Quero ganhar a 26.ª Taça, no mesmo rumo de ambição, frente ao segundo melhor emblema da temporada portuguesa. Até porque Taças de Portugal temos 25 e campeonatos temos 36. Bem se pode dizer que este troféu é mais raro que o anterior no Museu Cosme Damião. Aqui que ninguém nos ouve, o Rui Vitória deve-nos uma, para justa alegria vimaranense."

Sílvio Cervan, in A Bola

A bola (também) é oval

"Por muitos e variados rótulos que os nossos adversários tendem colar às nossas conquistas, a realidade insiste em desmenti-los. E são eles próprios a reconhecê-lo: o FC Porto, a culminar um ano de acusações torpes dirigidas ao nosso clube, despediu o seu treinador. Afinal, nesta 'Liga Salazar', foi Nuno Espírito Santo quem caiu da cadeira. E nem falo do Sporting, cujo treinador recusou afirmar-se desiludido com a óptima (do meu ponto de vista) época realizada pela sua equipa porque, salvo ocasionalmente, já não conta para o Totobola desde que este era levado a sério. São os adversários que temos. Merecemos tanto ganhar como eles merecem perder. E enquanto eles permanecem num processo de autofagia, nós só temos de preservar a nossa ambição por mais conquistas.
Desde logo no próximo domingo, no Jamor. O Vitória de Guimarães, apesar da imagem débil deixada no Estádio da Luz no jogo da penúltima jornada do campeonato, é um adversário difícil cujo percurso ao longo da época justifica elogios. Só um Benfica à Benfica garantirá o triunfo na Taça. E aí, sim, 'rumo ao 37'.
Mas o fim-de-semana passado, além do término do campeonato que nos permitiu alcançar o tetra e atingir o dobro dos títulos dos outrora nossos rivais, trouxe-nos o regresso ao primeiro escalão do râguebi. Finalmente! Em Portugal, somos os mais antigos com prática ininterrupta da modalidade (desde 1924) e, apesar de anos à deriva, figuramos ainda no terceiro posto dos clubes que mais campeonatos nacionais conquistaram e lideramos o palmarés da Taça de Portugal. Disputar a divisão de honra e, quem sabe a médio prazo, lutar pelo título fará juz à nossa história gloriosa."

João Tomaz, in O Benfica

Mirones

"Olhas para o lado e vês a casa do vizinho. Cada vez com mais assoalhadas, acabamentos de primeira, energias renováveis, de capa de revista. Olhas para o jardim do vizinho, impecavelmente arranjado, flores coloridas, a piscina rodeada de belas mulheres e garbosos homens, de copo na mão a viver os melhores dias das suas vidas. Olhas para a família do vizinho e tudo faz sentido: união duradoura, crianças lindas e talentosas, não há discussões e as divergências resolvem-se cara a cara sem punhaladas nas costas.
Depois olhas para a tua casa, para o teu jardim, para a tua família. E continuas sem querer entender onde é que falhaste. Tens o banco à perna, uma infiltração das grandes, no tecto da cozinha, a arrecadação está cheia de ratos, a louça suja está amontoada na bancada porque despediste a empregada, mudas de namorada todos os meses, só vês os teus filhos de quinze em quinze dias e já faltaste dois Natais à peça de teatro da escola da tua mais nova. E qual continua a ser a tua preocupação? Seres grande como os grandes...
Está tudo errado, vizinho. Continua aí empoleirado, na vedação, escondido entre os arbustos como um mirone tarado a tentar ver o que fazemos e como fazemos. Continua a invejar-nos e a querer comprar uma televisão maior do que a nossa. Como se isso fosse fazer de ti uma pessoa melhor. Impossível. Queres um conselho? Trabalha mais, fala menos e não penses nos outros.
Boa pré-época."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Janeiro de 2010

"A introdução do videoárbitro (VAR) no futebol português é uma boa notícia, e a sua utilização, já neste domingo, na final da Taça de Portugal, uma excelente oportunidade.
Manda a verdade dizer que o Sport Lisboa e Benfica, desde a primeira hora, em particular o Presidente Luís Filipe Vieira, defendeu as novas tecnologias. Há quem tente, de uma forma mentirosa e desesperada, passar a ideia de que o seu líder mudaram de opinião. Nada mais falso. Recordo-me bem do dia 5 de Janeiro de 2010, data em que Luís Filipe Vieira compareceu na Assembleia da República, em conjunto com o jornalista Rui Santos, onde entregaram ao presidente Jaime Gama, uma petição com mais de sete mil assinaturas a favor das novas tecnologias no futebol. Nessa altura, compareceram também várias personalidades, entre elas Hermínio Loureiro, então presidente da Liga e actual vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, então presidente da FPF, e José Eduardo Bettencourt, líder sportinguista. O FC Porto primou pela ausência. Nesse dia, os portistas receberam o Leixões para a Taça da Liga e não se fizeram representar em tão simbólica cerimónia. Lembro-me bem de que Rui Santos desvalorizou a ausência portista. Apesar do jogo para a então Carlsberg Cup, que o Benfica conquistou, na final, no Estádio do Algarve, frente ao FC Porto, por uns claros 3-0, a verdade é que ninguém da SAD portista compareceu.
A nomeação de Hugo Miguel para apitar a final e a designação de Artur Soares Dias como VAR provam a sensatez e a competência do Conselho de Arbitragem. Para os melhores jogos... os melhores árbitros!"

Pedro Guerra, in O Benfica

A Festa da Taça

"A Taça de Portugal é a mais antiga competição de âmbito nacional do futebol luso. Sim, porque, ao contrário do que alguns lunáticos pretendem agora fazer crer, os Campeonatos de Portugal eram já Taças de Portugal com um nome parcialmente diferente. O formato era idêntico, o troféu também, e uma das provas sucedeu à outra. Assim, neste domingo vamos tentar conquistar a 29.ª Taça da nossa história.
Nos últimos anos não temos sido felizes na competição. Em vinte temporadas, apenas alcançamos dois triunfos. Pode dizer-se que, na Taça, não se tem visto muito do novo Benfica: o Benfica dos últimos 15 anos, ganhador em quase todas as frentes, hegemónico no futebol português. É pois hora de estender, à Taça, as vitórias do Campeonato. É hora de levar o Marquês até ao Jamor.
A tarefa não é fácil. Temos pela frente uma das melhores equipas portuguesas da actualidade, muito bem orientada, e com um vasto plantel, composto por excelentes jogadores. Sabemos que o Benfica é superior. Mas só no campo essa superioridade poderá valer alguma coisa.
A final da Taça é uma ocasião única no ano, e, porventura, no panorama do futebol europeu. Não conheço outra final com o enquadramento desta, num palco tão singular e tão belo. A prova merece alguns arranjos (porquê a meia-final a duas mãos?), mas o Jamor é-lhe imprescindível, e é o que a torna tão mágica. Quem vai lá não esquece o clima de festa, e de convívio, com tudo o que de melhor tem o futebol.
Começámos a época a erguer a Supertaça. Conseguimos alcançar o histórico Tetracampeonato. Vamos fechar com chave de ouro, e levantar a Taça de Portugal."

Luís Fialho, in O Benfica

Humanidade

"Todos os dias, somos assolados por ataques terroristas individualizados, em que um simples individuo deflagra explosivos com que se equipou, em vez de lutar por um ideal utilizando a argumentação.
Esta atitude provoca mortes em número elevado, e então o deflagrador fica todo contente porque conseguiu bater o ratio em 1/40. A vida tornou-se uma deflagração de carne humana, escondida num ratio matemático em que as sociedades europeias do entretenimento se envolveram.
Numa sociedade onde o entretenimento, em vez de 'entreter', se tornou num negócio e manipulação de ideias, então o destino só poderá ser mesmo o decesso!
Que isto sirva de lição para torpeadores que, no cimo da sua presidência, tornam este mundo mais agressivo e mortal, e que se calem de vez, mesmo que tenham de começar a fazê-lo no Mosteiro dos Jerónimos, esse berço da aventura portuguesa."

Pragal Colaço, in O Benfica

O Estádio Nacional

"Em 28 de Maio de 1926, surge um golpe militar comandado pelo General Gomes da Costa (em Braga) e Mendes Cabeçadas (em Lisboa), o qual derruba a I República e instaura um período de Ditadura Militar.
No entanto, esta Ditadura Militar não se mostrou apta a comandar o futuro, apesar de ter permitido 'a convergência e a consolidação de forças fundamentalmente tradicionalistas - a burguesia rural, a Igreja Católica - que se aglutinaram, politicamente, no ideário do «Estado Novo», o qual, a partir de 1933, seria consagrado em nova Constituição.
Em 9 de Julho de 1926, uma nova contra-revolução, chefiada pelo General Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa. O General Carmona assumiu a presidência da República Portuguesa até à data da sua morte, em 1951. Em 18 de Abril de 1928, o então Presidente Carmona nomeava novo governo, sob a presidência do Coronel José Vicente de Fritas. Duarte Pacheco (1899-1943) emerge como ministro das Obras Públicas, e a pasta das Finanças apenas no dia 27 de Abril iria ser preenchida, por António Oliveira Salazar.
Salazar, à imagem do que acontece hoje, exige para o seu cargo um controlo total sobre todas as finanças do Estado, nomeadamente sobre todas as despesas dos vários ministérios, com o objectivo de relançar a economia.
O êxito conseguido por Salazar como ministro das Finanças, em termos de reequilíbrio financeiro, e a sucessiva eliminação política dos seus principais adversários conduzem-no (em Julho de 1932) a presidente do Conselho de Ministros durante 36 anos (desde 1932 a 1968) como ditador 'contestado mas incontestável'.
O concurso para a obra do Estádio Nacional foi publicado em 1934, sendo que o Decreto n. 24933, de 10 de Janeiro de 1935, veio autorizar o Governo a promover a construção do Estádio de Lisboa (...).
A inauguração ocorreu somente em 10 de Junho de 1944, apesar da intenção do Regime na sua inauguração em 1940, aquando da Exposição do Mundo Português.
A construção de um estádio desportivo em Lisboa copia o que aconteceu noutros países com regimes fascistas, como em Roma com Mussolini, no caso do Fórum de Roma (Constantino Constantini - 1935) e em Berlim com Hitler, no caso do Estádio de Berlim (Werner March - 1936), do qual o Estádio Nacional foi uma quase réplica.
Respeitando o paradigma vigente de exaltação da nacionalidade por via da prática desportiva pela sua juventude, Salazar projectou essa ideologia cultural na construção de um estádio que não só servisse para a prática do desporto mas também para a propaganda fascista.
Em Janeiro de 1935, a reunião da Comissão permitiu seleccionar, para a 2.ª fase do concurso, as empresas Mecotra, a Sociedade Italo-Portuguesa de Construções e a SETH. A Sociedade Italo-Portuguesa de Construções foi depois excluída do concurso por razões desconhecidas. Desde modo ficaram apenas duas equipas seleccionadas para a 2.ª fase, que, segundo a tese de Andreia Galvão, eram a de Segurado e Varela, com a SETH, e a Mecotra, com Carlos Ramos. Apesar de terem sido seleccionadas estas duas propostas, a Comissão considerava que '(...) nenhum (dos projectos) estava em condições de responder inteira e satisfatoriamente a todas as imposições do programa'.
O novo estádio vai acabar por ser construído sob projecto de Konrad Wissener em colaboração com o engenheiro Caldeira Cabral, que na Alemanha está a tirar a especialidade de paisagista, sendo as obras entregues à Sociedade de Construções Hidráulicas, dirigidas pelo sr. eng. Belard da Fonseca.
Segundo o entendimento de Keil Amaral, Caldeira Cabral, vindo da Alemanha, 'tinha arranjado cunhas formidáveis e tinha sido recebido pelo Salazar, a quem leu o relatório e mostrou o projecto, e era apoiado na sua maneira de ver pelo Nobre Guedes'.
(...), a construção do estádio. O estádio (complexo) hoje é muito diferente, mas continua a ser o local de eleição do povo português futebolístico da Taça."

Pragal Colaço, in O Benfica

Como olhar o videoárbitro

"Podemos olhar para o videoárbitro, que tem estreia marcada no futebol português para domingo, na final da Taça de Portugal, de duas maneiras. Com esperança ou com cepticismo, embora perceba quem opte pelo outro caminho. É, aliás, natural que nesta fase existam dúvidas. Porque já houve bons exemplos, devidamente aproveitados por quem o defende, e também péssimos momentos, de imediato chamados à colação por quem nele só encontra defeitos. Faz parte desta fase. Convém não esquecer que a tecnologia vai ainda entrar na segunda época de testes, pelo que não está isenta de falhas. A Federação Portuguesa de Futebol, ao assumir-se como pioneira na sua utilização live na final na Taça e na próxima edição do campeonato, está ciente dos riscos que corre.
Posto isto, será o Jamor, como dizia Rui Vitória, o palco ideal para o videoárbitro entrar em campo com toda a força? Entendo a questão colocada pelo treinador do Benfica, mas entendo que sim - ou melhor, não vejo qualquer razão para que não o seja. Na carrinha onde terão todas as imagens disponíveis estarão Artur Soares Dias e Jorge Sousa, dois dos mais experientes árbitros portugueses, tanto no campo como a lidar com o videoárbitro. E no relvado estará um também experiente Hugo Miguel, que não é nenhum novato nos grandes palcos. Pode correr mal? Pode. Mas parece-me que tem tudo para correr bem. Era, aliás, importante que tudo se passasse sem problemas, para que alguns dos cépticos começassem a olhar para o futuro com menos desconfiança.
A História tem-nos mostrado que nunca a mudança é consensual. Mas é inevitável. Com ou sem percalços. Basta apenas que olhemos para eles assim: como algo necessário ao desenvolvimento."

Ricardo Quaresma, in A Bola

A tentação do abismo

"Quando se pensava que o Sporting estava a sarar feridas de desencontros recentes, caminhando em ordem unida na preparação da nova temporada, eis que surgiu um novo elemento, absolutamente autofágico: em declarações à agência Lusa, fonte do clube não teve dúvidas em afirmar que Bas Dost foi uma contratação da exclusiva responsabilidade do presidente Bruno de Carvalho, uma 'prenda' deste para Jorge Jesus, que indicou a contratação de Marcelo Melli, Douglas e André, entre outros. Ou seja, Bruno escolheu bem e Jesus escolheu mal, lendo-se nas entrelinhas quem foi responsável pela má construção do plantel de 2016/17.
Não interessará muito, neste momento, estabelecer se Bruno de Carvalho é um expert em futebol e se Jorge Jesus não passa de um curioso que vê muitas horas de TV, importante mesmo é perceber a motivação da fonte leonina citada pela Lusa que, de uma penada, colocou o presidente nos píncaros e apunhalou o treinador pelas costas. Uma coisa é certa: mergulhado neste tipo de intriga palaciana, o futuro do Sporting não será risonho. É que, perante uma situação destas, como é possível que se acredite na bondade das declarações que apontam para uma solidariedade forte entre presidente e treinador?
Jorge Jesus, sempre muito atento a todos os detalhes, não deixará de pedir responsabilidades a quem de direito, procurando identificar a fonte. Mas não terá dúvidas do óbvio, aquela declaração visou diminuir-lhe a margem de manobra e representou uma traição numa hora sensível da vida do Sporting. Parece incontornável a tentação do leão para o abismo..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: O mais engraçado, é que a 'fonte' da notícia, é conhecida por todos, apesar dos jornaleiros não a assumirem!!! Foi o próprio Babalu, que em mais um famoso 'almoço', deitou tudo isto, e muito mais, para as primeiras páginas dos pasquins...!!!

Alvorada do Pragal...!!!

Benfiquismo (CDLXXX)

Força nas canetas...!!!

Conversa (completa)...

Aquecimento... Jamor

Metade para mim, metade para ti

"O dia em que preferiram dividir, literalmente, o troféu ao meio a desempatar o jogo.

No primeiro dia de Agosto de 1965, às dez horas em ponto, o Jardim Zoológico de Lisboa abriu os seus portões para mais um Festival do Benfica. Havia mais de dez anos que o clube da Luz, através das suas secções de cicloturismo e de motorismo, organizava um dia de confraternização clubista nas Laranjeiras. Nesse ano, à semelhança das edições anteriores, o Parque 'foi quase tomado de assalto por milhares de pessoas'.
Como era já tradição, o programa foi variado. Houve demonstrações de algumas modalidades desportivas, como atletismo e patinagem artística, música - 'com os jovens cançonetistas Anabela e José Manuel, acompanhados ao acordeão por Mil Tavares' - folclore e até palhaços. 'Milhares de pessoas, com largo predomínio de pequenada, (mantiveram-se) comprimidos ao redor do recinto de patinagem, suportando a quentura do sol ardente' e não arredaram 'pé até que se cumprisse o último número do festival'.
O desafio de hóquei em patins entre veteranos do Sport Lisboa e Benfica e do Hockey Clube de Sintra foi o apogeu da tarde. Era a possibilidade de ver novamente em acção grandes nomes da modalidade, há algum tempo afastados do rinque!
'Tanto benfiquistas como sintrenses, disfarçando a natural falta de preparação e o peso dos anos', deram um bom espectáculo. O jogo foi renhido. O Benfica terminou a primeira parte a vencer por 1-0 mas 'o Sintra empatou, aos 2 minutos do segundo tempo'. Seis minutos depois, os 'encarnados' ainda recuperaram a vantagem mas, passados poucos minutos, a equipa sintrense 'estabeleceu nova e definitiva igualdade'.
Curiosamente, o 2-2 no marcador não resultou no espectável desempate. Havendo apenas uma taça - a Taça Festival no Zoo - e dois clubes em pé de igualdade, surgiu a inusitada ideia: dividir a taça. E quando se diz dividir é, literalmente, dividir. A taça foi cortada ao meio, no sentido longitudinal, 'e entregue metade a cada um dos «capitães»'. Entre os presentes, o insólito acto 'originou farta hilaridade...'
A metade da Taça Festival no Zoo que coube aos 'encarnados' é um dos muitos objectivos que constituem o acervo do Sport Lisboa e Benfica que, não integrando a exposição permanente do Museu Benfica - Cosme Damião, se encontram em reserva no Departamento de Reserva, Conservação e Restauro."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Alvorada com o Zé Nuno...

O tetra é nosso, mas eles também são tetra

"O presidente dos 'outros' terá - porventura - achado que quem ganha com o Canelas ajuda qualquer equipa do mundo a ganhar

Um tetra de 14 milhões
O tetra é nosso! Já o tinha dito na semana passada. E nunca será de mais lembrá-lo, especialmente a quem - em conjunto, tipo Romeu e Julieta...  sem se saber bem ainda quem faz o papel de quem - tanto fez para que não o fôssemos.
Nosso, dos 14 milhões de adeptos, espalhados por todo o mundo.
Nosso, dos 32 jogadores!
Nosso, de Rui Vitória e de todos os que trabalharam com ele!
Nosso, do presidente e da sua equipa!
Nosso... do Benfica!!!

Os tetraperdedores
Mas, nesta hora de vitória, de alegria, de jubilo e de felicidade, não nos podemos nem devemos esquecer dos que tornaram essa vitória mais saborosa!
De quem, nos primeiros quatro anos à frente de uns (desde que tomou posse como presidente) e de quem, nos últimos quatro anos à frente de outros (o presidente «mais... ninguém sabe o quê», ... mas todos sabemos como) tudo fez para que não ganhássemos e... perdeu!!!
Quatro anos - um e outro... a ordem é arbitrária - em que inventaram condicionaram, insultaram, resmungaram, enganaram, pressionaram... para tentarem não deixar ganhar o Benfica!!!
Com a perfeição dessa junção de forças, de amigos para sempre na derrota, ter atingido o seu auge na época do nosso tetra!
Como poderemos exemplificar sem sermos exaustivos.
Eles tentaram inventar que nenhum dos penalties marcados a nossa favor existiu, mas que a favor deles ficaram por marcar dezenas de castigos máximos... e por isso não ganharam este campeonato!
Eles tentaram condicionar árbitros com ameaças aos próprios, às famílias, que teoricamente os tinham prejudicado (contra eles ninguém ganha com mérito)... por causa de quem não ganharam este campeonato!
Eles inventaram novas designações para o campeonato que disputavam a partir do momento em que se sentiram impotentes para, no campo, inverter o sentido das cosias... para, assim, poderem dizer que não ganharam por razões alheias!
E - ridículo dos ridículos - foram ao ponto de contestar a nomeação de uma delegada da Liga... porque ela era... - imagine-se o atrevimento - do Benfica!
Com saudades do tempo em que os observadores eram ex-dirigentes e os delegados era ex-funcionários da formação... deles!!!
Mas, para além disso, é preciso recordar-lhes - bem alto - que: ... na Liga está quem eles elegeram e não o candidato que o Benfica apoiou!
... na arbitragem já não está quem eles achavam ser a única razão para o Benfica ganhar!
... nos observadores já não manda quem eles achavam que tudo deixava passar para o Benfica poder vencer!

Só os burros falam de arbitragem
Então, porque perderam uns e outros? Por causa das arbitragens, pois claro, ... embora já ninguém se lembre da euforia sem limites de uns e dos elogios eufóricos de outros e essa mesma arbitragem e à sua qualidade... quando empatámos em casa, na segunda jornada, com o Vitória de Setúbal.
Lembram-se os mais atentos... mas aqui estamos para recordar aos da memória selectiva anti-Benfica!
Porque é bom que nos recordemos desses comunicados a congratularem-se pela melhoria visível da arbitragem portuguesa...
Ou pelas declarações de quem também no rescaldo desse mesmo empate, nosso, contra o Vitória, veio afirmar do alto de um pedestal, usado e decadente (que já não impressiona ninguém), que se iria ouvir muito falar de arbitragens... sempre que o Benfica não ganhasse!
Na verdade, o Benfica não ganhou algumas vezes.
Mas foi nas vezes que eles (uns e outros) não ganharam que mais se ouvir falar de arbitragens.
Ou - a acreditar no presidente dos outros - ouvimos as vozes de burro desses dirigentes... porque (lembram-se do que o homem dizia)... «Só os burros falam de arbitragem».
Os burros e os perdedores!
Ou - numa talvez feliz simbiose que não me atrevo a desmentir... os burros perdedores... ou os... perdedores burros!!!
E sendo a ordem dos factores arbitrária... no que aqui nos interessa - em ambos os casos - tetraperdedores!
Tetraperdedores!
Por isso o nosso tetra é também deles!
O presidente de uns perdeu-se na fanfarronice das mensagens (a que agora, infelizmente, pôs fim) convencido de que, depois de ter perdido o campeonato por 2 pontos (embora - já todos o sabemos - a jogar o melhor futebol), este ano seria um passeio!
Enganou-se!
Embora - para não se ter enganado - bastasse olhar para a segunda época do senhor em causa do outro lado da 2.ª Circular!
O presidente dos outros terá - porventura - achado que quem ganha com o Canelas ajuda qualquer equipa do mundo a ganhar!
Só que aqui não havia nem podia haver um Sport Clube Rio Tinto - a cujos dirigentes e atletas devemos um elogio público pela coragem e pela dignidade da atitude assumida (voltarei a isso um dia destes)!
E os outros clubes com quem o clube principal dos adeptos do Canelas, Futebol Clube... do Porto, tinha que jogar... não faltaram... e os dragões empataram!
Rima e foi verdade!
Empataram tanto que o culpado deixou de ser Salazar e passou a ser o Espírito Santo!
O que poderá consubstanciar um passo atrás nas relações entre o velho Papa (era assim, não era, que ele era designado???) e o Francisco lá do sítio (que de santo... não tem nada)!
Ou seja e em resumo: o nosso tetra também é o tetra deles!
Deles e de quem acredita - tenho muitos amigos que estão nesses grupos - que os homens, mesmo com a nova aliança - não são a solução... nem, sequer, parte do problema!
Eles são o problema!
Ainda bem que por lá continuam!
Porque se por cá continuarem a andar, o penta que não será nada fácil, ... fica um bocadinho mais perto!
Porque o ódio turva-lhes a lucidez!
Ou como li, um dia destes, num perfil do Facebook de alguém: «Os que nos odeiam são nossos admiradores secretos!
Que não entendem porque nos amam tanto!»
Viva o Benfica!

E agora... a Taça
Viva o Benfica... com uma esperança - muito grande - de poder vender a Taça de Portugal no domingo... por todas as razões e mais uma! Exactamente essa... que não repito porque todos sabem qual é!
Carrega Benfica... rumo à dobradinha!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Magia dos opostos

"O futebol não é mágico porque é contraditório, imprevisível, incongruente mesmo. Quantas vezes um golo marcado ou sofrido me fez virar a opinião, de tal modo que, nessas ocasiões, me vejo cruelmente confrontado com a racionalidade e (in)coerência.
É assim comigo e, é assim com muita gente. No jornalismo desportivo, é quase uma regra. O título, a crónica, são função do resultado e basta o tal golo nos instantes finais para muito mudar na comunicação, não direi 180 graus, mas, não raro, perto disso.
Um eloquente exemplo desta época foi a erradicação da ideia de Leonardo Jardim como bom treinador, mas muito cauteloso e defensivo. Esta temporada notável no Mónaco, o madeirense sensato e inteligente deu-nos a volta. Os monegascos foram uma máquina de fazer golos (107 no campeonato), só superados pelo habitual Barcelona (116). Em que ficamos? Treinador dos cautelosos 1-0 ou técnico de ataque?
No plano nacional, o Benfica campeão só foi derrotado pelo 6.º classificado (Marítimo) e pelo 11.º (Vitória de Setúbal), não perdendo nenhum jogo com as equipas até ao 5.º lugar (5 vitórias e 3 empates). Dos 20 pontos perdidos, 9 (45%) foram-no contra sadinos e boavisteiros. E dos 18 golos sofridos, quase um terço (5), foram-no contra os axadrezados. No ano passado, dizia-se o oposto quando se fazia o balanço do trabalho de Vitória: perdia jogos com os grandes que compensava com folha limpa com os mais pequenos. Em que ficamos?
Dois exemplos de como, às vezes, é mais prudente esperar para ver. Ainda que ver sem esperar também faça parte da magia do futebol. À condição (a tal em que o FC Porto foi líder uma série de vezes)."

Bagão Félix, in A Bola

Não há corações de plástico!

"Não foram apenas os golos, nem sequer apenas a qualidade dos golos ao Guimarães, na Luz. Foi a fibra. A crença. A vontade. Ninguém tiraria aquele título ao estender da mão dos jogadores encarnados. Foram buscá-lo ao fundo das almas e da sua própria atitude.

É um tempo feliz, este, encarnado vivo, em flor. Um tempo de apaziguamento também para aqueles que durante muitos anos tiveram de suportar campeonatos viciados por corrupções baratas, quase gratuitas, ofertas miseráveis, conluios macabros, gentalha de nível baixíssimo e coberto dos calores de tantas noites. Negras noites. Agora, que todos já vimos as entranhas do polvo, percebemos a raiva dos que perderam os privilégios que não lhes eram devidos. Percebemos as alianças espúrias, os abraços criminosos, os labirintos de organizações mafiosas cheias de tentáculos movendo-se, imundos e grossos, por entre o que restava de alguma honestidade. E, no entanto, tudo continua, ainda, aí. Não há lugar para julgamentos de consciências, mas é lê-las, escutá-las, decifrá-las.
Este campeonato, agora resolvido a favor do Benfica, sem grandes motivos para reservas, mostrou a face distorcida de determinados vermes que vivem agarrados à parra seca de uma videira que não tapa vergonhas. Faces distorcidas mas, no entanto, visíveis. Todos nós seríamos capazes de os apontar a dedo se vivêssemos ainda na obscuridade de um regime alicerçado na delação e no medo. O que nos difere é isso mesmo: não nos envolvermos no lamaçal odioso das insinuações canalhas nem numa forma bacoca e mazomba de olhar o mundo em redor. Já se disse 'Basta!'. Podemos continuar a repetir 'Basta!' em cada conversa, em cada texto escrito, em cada discurso lido e escutado. Mas, ao fazê-lo, recusávamos um futuro livre. 'Nem esquecimento nem perdão', bramava o Conde de Monte Cristo. Isso: não esqueçamos nem perdoemos. Mas sigamos um caminho novo, no qual possamos, como dizia a canção de Fernando Tordo e de Ary dos Santos, pegar o mundo pelos cornos da desgraça.

Uma questão de vontade!
Para muitos benfiquistas, sábado estava destinado a ter a tarde mais longa de todas as tardes. Começou bem cedo com a romaria à Luz, uma tarde de manhã, por assim dizer, prolongou-se pela madrugada, até ao dia seguinte. E foi, ao mesmo tempo, o mais curto de todos os jogos. Forte, rápida, talentosa, a equipa encarnada reduziu a escombros o castelo de Guimarães que se esperava na Luz. Num instante, esse confronto difícil, complicado, ansioso, resolveu-se. Um Benfica que não se viu muitas vezes neste campeonato que venceu com todo o mérito a despeito da contrariedade de alguns que procuraram apequenar o líder desde a mais tenra hora.
Não foram apenas os golos, nem sequer apenas a qualidade dos golos...
Foi a fibra. A crença. A vontade.
Ninguém tiraria aquele título ao estender da mão dos jogadores encarnados. Foram buscá-lo ao fundo das almas e da sua própria atitude. Eram eles e as suas circunstâncias. Ou, melhor, eles e o seu destino.
Era a hora de Dona Águia fazer contas com a pensão da vida.
Estão feitas! O quarto título consecutivo é uma realidade. Inédita! Agora, a pergunta tem cabimento - o que se segue? Até onde se prolonga a estrada da ambição?
A noite veio prolongando a tarde de todas as tardes. Pelas ruas, pelas praças, pelos becos e pelos bairros de Lisboa, um som de alegria. Uma alegria vermelha em flor.
Ninguém diga que não se justifica.
É mais valioso o mau perder que se alimenta em silêncio. Esse fel que se entranha mas não tem eco. Não pode ter eco. Não há mais espaço, como diria O'Neill, para um Portugal que seja só três sílabas. E de plástico, que era mais barato.
Não há corações de plástico. Nem memórias..."

Afonso de Melo, in O Benfica

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A união

"Os mais velhos recordam-se do filme e da música da série Twin Peaks do início dos anos 90. Para mim e certamente para muitas pessoas, esta série foi um ícone da nossa juventude. Em 2017, a série vai voltar a fazer parte das escolhas televisivas.
Twin Peaks era uma vila pacata situada nos confins da América, onde não acontecia nada, até que, um dia, Laura Palmer surgiu morta, enrolada dentro de plástico e com indícios de ter sido assassinada.
A investigação que se segue à sua morte realizada por um agente do FBI é uma das linhas fundamentais da trama cinematográfica, toda ela baseada em imagens de cor dominadoras, histórias complexa, personagens estranhas e excêntricas, tramas cheias de mistérios.
Era um misto de suspense, surrealismo drama, policial, humor e terror psicológico, num quadrante de sonho e irrealismo.
Talvez Steve Jobs se tenha inspirado no poder de imagem e de som, que esta série ensinou, para desenvolver o telemóvel com imagem e fotografia.
Após o decurso da série que nunca chegou por opção própria a mostrar o(s) assassino(s) de Laura Palmer, certamente muitos desistiram de a ver, mas, quando penso nisso, mais depressa concluo que a vida é isso mesmo, um eterno caminho sem fim.
No dia do Tetra, diziam-se que aquela malta da Farmácia Franco nunca imaginaria o que se iria tornar o Sport Lisboa e Benfica . A minha resposta foi até muito clara - essa malta queira era ir jogar à bola, queria lá saber de assinar a acta!
Já lá vão 113 anos de história! E fez-se, no dia 13 de Maio de 2017, mais uma grande página da história, para juntar às milhentas folhas da acta que começou com a assinatura daqueles 'malucos', em 1904 - O Tetra!
O que se seguiu foi indescritível.
De repente, todos os ataques exteriores viraram para o reconhecimento da justiça do título do Benfica, mesmo provindo daqueles que durante dias teceram impropérios, ataques e muitas manifestações onde se vilipendiou o Benfica.
Mas há uma razão no meio disto de que essas pessoas se esqueceram, quando quiseram trazer para fora dos seus círculos a razão das vitórias do Benfica - e essa razão radica no facto de que os primeiros obreiros foram os jogadores, equipa técnica e dirigentes mais directamente ligados ao Futebol.
As vitórias conquistaram-se dentro de campo, e quem não consegue ganhar tem de realizar uma introspecção e tentar perceber porque os seus jogadores, técnicos e dirigentes são perdedores.
É evidente que qualquer vitória necessitará de muitas outras coisas, mas todas elas serão completamente e revestidoras dessa primeira realidade.
Foi esta perfeita sequência em articulação que também caracterizou mais uma época do Sport Lisboa e Benfica.
Aquando da conquista do tricampeonato, ouviram-se estas palavras:
'Este título é a vitória de nós. É a vitória de juntos. É a vitória do colectivo. É a vitórias de um grupo muito unido e solidário, que soube ultrapassar momentos difíceis sem nunca baixar os braços. Nunca ninguém alcança nada sozinho. O sucesso é sempre o fruto de trabalho de muitas pessoas'. Discurso de Luís Filipe Vieira em 16/5/2016, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa.
No ano de 2017, após a conquista do Tetra, ficou para a história o seguinte:
'O Tetra que conquistámos é o resultado de muito trabalho, de uma grande equipa de jogadores, técnicos, profissionais e dos melhores adeptos do mundo. Esta foi uma vitória que contou com o contributo de muitos, da estrutura profissional do nosso clube ao mais simples adepto. Compromisso, humildade, determinação e sempre ambiciosos'.
'Benfiquistas, o Tetra fica-nos bem. Resulta do trabalho profissional de quem foi mais regular, mais competente e mais discreto, para construir um ambiente de afirmação do futebol português'. Discurso de Luís Filipe Vieira em 15/5/2017, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa.
A população de Twin Peaks naquele momento de início da história era de 51 201 pessoas. Imaginem, em vez de andarmos a fazer ciberataques e a utilizar a Internet para cometer homicídios, que se utilizavam os meios tecnológicos para em cada momento a placa da cidade, vila ou aldeia dar online o número de habitantes da mesma, o índice de produção económica, a lotação dos hospitais, as vagas nas escolas, enfim, um conjunto de informação necessária à vida de todos nós de forma mais inteligente e eficaz!
O Sport Lisboa e Benfica também poderia dar online os seus títulos, Sócios e outras conquistas.
O ser humano é muito perverso! Foi por isso que o Benfica venceu! Soube e sabe estar do outro lado da perversidade - na União."

Pragal Colaço, in O Benfica

Rumo ao 37

"Preciso de recuar cerca de um ano e meio, a quando não era evidente que estaríamos hoje a comemorar um tetracampeonato. Ao longo dessas semanas, tentei passar a mensagem de que não chegara o tempo de sentenciar a nossa equipa técnica.
Claro está, fui insultado nas redes sociais, o palco privilegiado de quem tem o coração no teclado do computador e faz da insídia a sua principal argumentação. E mais expectável do que os insultos, não houve ainda, entre os que me insultaram, quem me tenha dito que, afinal, talvez estivesse errado em pedir a cabeça de Rui Vitória e, por arrasto, a de Luís Filipe Vieira.
Sobre o 'pai do tetra', prefiro enaltecer a sua visão estratégica desde que chegou à presidência do nosso clube. O tetra não é um fim em si mesmo, tratando-se antes de uma consequência natural de algo mais vasto, que levou o seu tempo a ser concretizado. O mérito de Luís Filipe Vieira, e pelo qual antevejo será recordado no futuro, foi o de equiparar o Sport Lisboa e Benfica ao legado histórico que havia construído. O Benfica actual corresponde à ideia de Benfica que chegou, há 15 anos, a parecer uma miragem, uma memória difusa de um passado que não mais se repetiria.
O tetra consolida esta ideia, mas a sua inobservância não invalidaria o excelente trabalho feito na última década e meia. E este feito contraria também aqueles que sempre defenderam a aposta exclusiva no futebol. O Benfica, como tem sido demonstrado nos últimos anos, pode ser um clube simultaneamente ecléctico e ganhador. Tetracampeão de futebol, campeão de voleibol, pentacampeão de hóquei (feminino), vencedor das Taças de Portugal de futsal (masculino, e feminino), tudo isto num fim-de-semana. É obra!"

João Tomaz, in O Benfica

Este é nosso!

"Onde estavas quando o Benfica foi Tetracampeão? Sessenta e tal mil de vocês vão poder dizer, orgulhosos, que estavam na Catedral. Outros, muitos, que viram o jogo em casa, com amigos e família. Ou num café, num restaurante, numa Casa do Benfica entre a vossa a nossa gente. E que vibraram com cada golo, que se agarraram a quem estava ao lado num abraço que tinha tudo: felicidade, justiça e paixão. Eu não.
Não vi o jogo que nos deu o Tetra. Não podia, estava sentado na sala de embarque do aeroporto das Astúrias, à espera de um voo - que atrasou. E que me está a levar agora (quando escrevo esta crónica) a Lisboa. Segui-o em sites desportivos e recebi, a cada golo, um telefonema da minha mulher e dos meus amigos, que estavam todos juntos na casa de um deles. Não tive direito aos petiscos ou à cerveja, não pude abraçá-los de cada vez que se fez magia nas balizas da Luz.
Estou a escrever esta crónica sentado no lugar 18C - 18, que belo número, multiplicado por dois dá 36... - do voo da TAP entre Astúrias e Lisboa do dia 13 de Maio. A tripulação acaba de anunciar que o SL Benfica é Tetracampeão. Estou de camisola vestida e cachecol no pescoço e acabo de tirar uma fotografia com dois simpáticos tripulantes da companhia aérea portuguesa. Estou a beber um copo de vinho e já me ofereceram mais, se eu quiser. Depois, o avião vai aterrar na Portela, e a minha mulher vai buscar-me ao aeroporto, deixar a bagagem em casa e largar-me no Marquês. Só isso faz sentido. Estar entre aqueles que, como eu, sofrem sem pedir nada em troca. E que acreditaram desde a primeira jornada.
Nós merecemos."

Ricardo Santos, in O Benfica

Obrigado!

"A conquista do Tetracampeonato leva-me a fazer 67 agradecimentos a outros tantos jogadores. Obrigado, Luisão! Obrigado, Jardel! Obrigado, Fejsa! Obrigado, Salvio! Obrigado, André Almeida! Obrigado, Paulo Lopes! Obrigado, Jonas! Obrigado, Gaitán! Obrigado, Pizzi! Obrigado, Garay! Obrigado, Cardozo! Obrigado, Lima! Obrigado, Rodrigo Moreno! Obrigado, Mitroglou! Obrigado, Rául Jiménez! Obrigado, Matic! Obrigado, Siqueira! Obrigado, Eliseu! Obrigado, Sílvio! Obrigado, Rúben Amorim! Obrigado, Maxi Pereira! Obrigado, Markovic! Obrigado, Nélson Semedo! Obrigado, Lindelof! Obrigado, Enzo Pérez! Obrigado, Lisandro! Obrigado, Sulejmani! Obrigado, Artur Moraes! Obrigado, Oblak! Obrigado, Júlio César! Obrigado, Djuricic! Obrigado, Gonçalo Guedes! Obrigado, Bernardo Silva, Obrigado, André Gomes! Obrigado, André Horta! Obrigado, João Cancelo! Obrigado, Ivan Cavaleiro! Obrigado, José Morais! Obrigado, Ederson Moraes! Obrigado, Nuno Santos! Obrigado, Steven Vitória! Obrigado, Ola John! Obrigado, Talisca! Obrigado, Samaris! Obrigando, César! Obrigado, Loris Benito! Obrigado, Derley! Obrigado, Cristante! Obrigado, Franco Jara! Obrigado, Bebé! Obrigado, Mukhtar! Obrigado, Jonathan Rodriguez! Obrigado, Carcela! Obrigado, Grimaldo! Obrigado, Zivkovic! Obrigado, Vítor Andrade! Obrigado, Clésio Baúque! Obrigado, Luka Jovic! Obrigado, Franco Cervi! Obrigado, Carrillo! Obrigado, Rafa Silva! Obrigado, Felipe Augusto! Obrigado, Celis! Obrigado, Danilo Silva! Obrigado, Bruno Cortez! Obrigado, Funes Mori!
Este sábado à noite, espero acrescentar mais três agradecimentos aos 67 heróis. Pedro Pereira, Kalaica e Marcelo Hermes merecem integrar este lote dourado."

Pedro Guerra, in O Benfica

PS: Como já devem ter percebido, esta semana, mais uma vez, recebi O Benfica, com atraso!!! Deste vez, recebi mesmo a edição da semana passada e desta semana, ao mesmo tempo!!! É novo dois em um dos CTT...!!!

Nuno despedido pelos árbitros?

"O FC Porto anunciou oficialmente, através do seu director de comunicação, que Nuno Espírito Santo foi uma vítima das arbitragens. No fundo, os árbitros portugueses foram os verdadeiros culpados da saída de NES do clube. Nem sequer, a levar em boa conta o que me juraram algumas fontes dignas de crédito, a imperdoável saudação do treinador portista ao campeão Benfica, que terá sido - segundo me garantem - a  última gota no copo de impaciência e irritação de Pinto da Costa.
Enfim, de facto, nada poderei provar que venha contrariar a tese oficial do FC Porto. Aceitemos: Espírito Santo foi uma pobre e inocente vítima das mãos dos algozes do apito e só por isso viu aberta a porta de saída do clube que, apenas há um ano, jurava ter encontrado a solução do melhor treinador, na base de competência e do portismo.
A questão inevitável que, entretanto, se levanta é a de tentar perceber por que razão o FC Porto capitulou tão drasticamente perante a segura convicção da culpa alheia. Ou seja: se ao contrário do que se pensava, continua a entender que este treinador é o que melhor servia o FC Porto, pela sua competência e pela sua cultura de clube, como é, então possível determinar a sua saída, ou, na versão mais benigna, aceitar a sua decisão de sair? Tomara NES que Pinto da Costa, no momento em que o treinador manifestava qualquer dúvida ou insegurança, lhe tivesse dito: «Não, Nuno. Tu és o melhor de todos, és o treinador que nos convém e este clube nunca consentiria que tu fosses sacrificado por uma culpa que não tens».
Infelizmente, não foi isso que Pinto da Costa lhe disse."

Vítor Serpa, in A Bola

Conversa...

Benfica: a Razão e a Fé

"Tive a sorte de ter merecido a curiosidade de alguns dirigentes desportivos e treinadores, mormente de futebol. E dirigentes e treinadores de quem não é fácil esboçar o perfil, porque pessoas de riquíssima personalidade, digo mesmo: pessoas que desenvolveram uma actividade inconfundível, fecundíssima, como “agentes do desporto”, tanto a nível nacional como internacional. Tive a sorte, portanto, de ter bons mestres, neste “fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo”, que é o futebol.
Hoje, ainda não deixei de estudar e dialogar, com Mestres do treino desportivo e, porque muito quero aprender, “só sei que nada sei”. Deixam-me perplexas tantas pessoas que nada estudando ou nada praticando, no que ao Desporto diz respeito – mesmo assim, julgam que sabem!... No entanto, porque há treinadores de muitíssimo bom nível técnico (e não só no futebol – e não só em Portugal) que não deixam, hoje ainda, de distinguir-me com o muito que me ensinam, atrevo-me a escrever que, tanto um dirigente, como um treinador, de excelência, são, sobre o mais, líderes. Trabalhei um ano no departamento de futebol do Sport Lisboa e Benfica e rapidamente entendi (como já há muitos anos o fizera, perdoem-me a imodéstia, em relação a Jorge Nuno Pinto da Costa e José Maria Pedroto) que, no Benfica dos nossos dias, há um líder que “lidera” toda a vida do seu Clube e, porque “um homem só não vale nada”, com grande rigor e helénica serenidade, escolhe os seus mais próximos colaboradores… a quem dá tudo, para exigir tudo! É verdade que, da quente luminosidade das suas imagens, do ardor da sua emoção, dos seus incitamentos a um Benfica glorioso e imortal, parece emergir mais Fé do que Razão, mais Paixão do que Inteligência, menos Cultura do que Natureza. Todavia, se conseguirmos ultrapassar as aparências, Luís Filipe Vieira organizou, com tal minúcia e solidez, o seu Clube, que é hoje tanto o presidente do Benfica, como o “gestor de conhecimentos” de um Benfica pós-capitalista.
Como Pinto da Costa, com José Maria Pedroto (e relembro ainda o treinador Artur Jorge), que ergueram um “corte epistemológico” no seio do futebol pré-capitalista português, assim também Luís Filipe Vieira, com Rui Vitória (e outros treinadores e dirigentes, não devo esquecê-lo) não escondem o anseio de um “corte epistemológico”, para que o Benfica, com o necessário élan clubista, ingresse na Sociedade do Conhecimento. É com olímpico à vontade que toco neste assunto. Não sou benfiquista, sou azul de cruz ao peito! Nasci Belenenses e hei-de morrer Belenenses. Não tenho segundo Clube. Quem tem dois clubes, não ama suficientemente nenhum deles. Fernando Urbano n’A Bola, de 2017/5/14, empolgou-se ao escrever: “Noite histórica, ontem, para o Benfica, ao conquistar, pela primeira vez, um tetra campeonato, proeza que apenas os rivais FC Porto (por duas vezes) e Sporting haviam conseguido alcançar, no futebol português. Um domínio interno que encontra paralelo apenas no que Juventus (prepara-se para o hexa, em Itália) e Bayern (é penta, na Alemanha) estão a fazer, nos principais campeonatos europeus. Foi o 36.º título, o dobro do que o velho rival Sporting conseguiu, registo que ajuda a perceber a dimensão da empreitada, levada a cabo por Vitória e seus jogadores. Com o Estádio da Luz repleto (64591 espectadores é a maior assistência de sempre) os encarnados fizeram, diante do V. Guimarães, provavelmente a melhor exibição da temporada”. Luís Filipe Vieira, de coração entre os lábios, não resistiu a dizer: “Foi a maior alegria da minha vida”. Porque o Benfica ganhou mais um campeonato? Eu vou além da matemática dos números: Luís Filipe Vieira sentira que refundara o seu Clube, com base no que é importante nas organizações do século XXI: o conhecimento!
No dia 12 de Maio de 2017, o Papa Francisco peregrinou até Fátima, onde proclamou, “urbi et orbi”, que dois pastorinhos, Jacinta e Francisco Marto, foram canonizados, são dois santos da Igreja Católica. A propósito, o Papa Francisco declarou em Fátima, com aquela clareza e simplicidade que emanam das suas prédicas, que a Virgem Maria não foi a Fátima, “para que a víssemos, para isso teremos a eternidade inteira (…). Veio para advertir para o risco do inferno de uma vida sem Deus”. E disse ainda: “sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Com efeito (continuou o Papa) a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros, para se sentirem importantes”. Foi Jesus quem nos ensinou: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. É que os “ricos de espírito” são os que se julgam, em todas as circunstâncias, omniscientes; são os invejosos, os que sofrem com os êxitos do seu semelhante; são os que vivem apegados aos postulados dos seus credos, incapazes de aprenderem no arsenal de conhecimento dos seus adversários; são os que, com pimpante impertinência, julgam possuir a última palavra, ou melhor: a síntese de qualquer dialética. Pobres de espírito são os que sabem que sabem pouco e, por isso, estudam muito; são os que, gentilíssimos de raiz, questionam, com humildade, quem pratica (no desporto, os seus agentes) e, por isso, tem as condições ideais para um melhor conhecimento da realidade; são os que, na nossa Sociedade do Conhecimento, desconfiam da facilidade, do empirismo, do improviso. Pobres de espírito são os que, como o Papa Francisco, decidem viver “pobres de meios e ricos no Amor”. Porque só assim se constrói a Justiça e a Paz…
No nosso futebol, que é berço de campeões europeus e portanto de treinadores e dirigentes e jogadores, que não temem cotejo com o que, nesta área, de melhor o mundo tem, deveria escutar-se, para além do clubismo faccioso que o povoa, a mensagem do Papa Francisco. Recordo o Dostoievski de Os Irmãos Karamazov: “A abelha conhece a fórmula do seu alvéolo, a formiga conhece a fórmula do seu formigueiro e o ser humano infelizmente ainda não conhece a fórmula da sua felicidade”. Finda a Segunda Grande Guerra, o governo dos USA convidaram W. Churchill a uma viagem triunfal, pelo seu trabalho inigualável, em defesa dos valores da nossa civilização. Ao visitar o Massachussetts Institute of Technology (MIT), o director desta instituição, cujo prestígio atravessa o mundo, proferiu um extenso discurso de exaltação de uma nascitura tecnologia que se preparava para formar cidadãos perfeitos, bem diferentes de Adolfo Hitler. Churchill levantou-se e, pausadamente, respondeu ao director do MIT: “Só com tecnologia e tecnocracia não faremos nunca o Homem Novo. Que Deus me leve deste mundo, antes de tal acontecer”.
Tenho a certeza que a revolução, ao nível do conhecimento, que se processa, actualmente, no Sport Lisboa e Benfica, por força da vontade e da perspicácia de Luís Filipe Vieira, é também pensada e realizada para além do tecnocientífico. Porque ele, sem motivo para dúvidas, é o primeiro entre todos os presidentes da História do Benfica, será também o primeiro a assumir uma ética aplicada ao desporto, que não significa endoutrinamento, ou ingenuidade bem próxima da patetice mas, pelo contrário, vontade de resolver sempre os problemas tecnocientíficos do futebol (do desporto) visando o humano em plenitude. Demais, o Rui Vitória, se bem o entendo nas suas declarações públicas, é homem de Ciência e Consciência, de Razão e de Fé. É o companheiro ideal de Luís Filipe Vieira para uma aceitação esclarecida do Benfica que se anuncia."

Benfiquismo (CDLXXIX)

Vigilantes...!!!

Lanças... Jamor e o resto...!!!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Mantorras

"Lendo este título, certamente o leitor estará a pensar por que razão o fiz, mencionando Pedro Mantorras. Aparentemente não há nenhum motivo que, nos últimos dias, tenha havido à sua volta para que assim comece este texto.
Mantorras foi um jogador tão bom, quando infeliz, na sua carreira. As suas lesões impediram-no de ser um jogador de classe excepcional. No tempo em que foi atletas encarnado, ajudou muito a equipa e merece ser sempre saudado como uma referência e recordado, entre outras épocas, pelos golos decisivos naquela em que se sagrou campeão com Trapattoni.
Mas há outra razão para o recordar agora. è que nunca esqueci a circunstância de, na última jornada da época de 2009/10 em que o Benfica foi campeão frente ao Rio Ave, o treinador não lhe ter dado a oportunidade de jogar um minuto que fosse para ser campeão efectivo. Não sei se houve algum circunstancialismo que a isso tenha levado, mas senti a tristeza dele não jogar e nunca olvidei esse injusto facto.
No sábado, porém, fiquei contente e comovido. Rui Vitória quis que três jovens (no dealbar das suas carreiras) e Paulo Lopes (no crepúsculo da sua) pudessem ter sido campeões jogando. Assim motivou Pedro Pereira, Hermes e Kalaica e deu um justo prémio de carreira ao guarda-redes e grande benfiquista. Ele que também já havia passado no bicampeonato 2014/15 pela frustração de não ter jogado um minuto sequer, pela infelicidade de, antes de entrar, Salvio se ter seriamente magoado.
Embora com o risco do resultado, Rui Vitória pôs a família do balneário à frente. Apreciei. É à tetracampeão. E foi, também, uma forma indirecta de honrar Mantorras."

Bagão Félix, in A Bola

Baleia azul

"O jogo que tanto preocupa os pais em todo o mundo (e com razão), deve preocupar também os adeptos do Sporting. Ou não vos parece, caros leitores, que Bruno de Carvalho anda a jogar ao baleia azul? A diferença é o que o faz através do clube de Alvalade, tal a forma como, por vezes, parece querer empurrá-lo para o suicídio. Cada guerra comparada é uma mutilação, seja na mão (desafios 1, 7, 11 e 15), no braço (desafio 3) ou na perna (desafio 5). Cada intervenção pública o post no Facebook, é um um filme de terror (desafios 2 e 12), faltando apenas o hashtag #i_am_whale (desafio 8). Cada promessa de paraíso é como subir a um local e por lá ficar algum tempo, de preferência na borda (desafios 10, 17, 18, 19 e 22). Mas houve algo em particular que me chamou a atenção, o desafio 21. «Encontra outra baleia azul, outro participante, o curador indica-te qual». Pois bem, o curador terá indicado Pinto da Costa, que tem jogado através do FC Porto. Daí o reatar de relações. Tudo bate certo. Já para não falar que o desafio 25 fala na reunião entre duas baleias azuis, exactamente o que aconteceu entre os mandatários Nuno saraiva e Francisco J. Marques, em Lisboa. Ou no desafio 20, em que o curador testa até que ponto o jogador é de confiança, colocando-o à prova, o que pode muito bem ter sido a antecipação da data da gala do Sporting, para que Bruno de Carvalho, pudesse casar-se no dia que assinala a fundação do clube. Mas calma, a solução pode estar no problema. Basta adaptar um pouco o jogo, pedir ao curador para dar a Bruno de Carvalho apenas os desafios inofensivos, de forma repetitiva. Por exemplo, o desafio 4 pede para o jogador desenhar uma baleia azul num papel, só que no caso de Bruno de Carvalho teria de desenhar um milhão de baleias azuis (ainda bem que o jogo não se chama baleia vermelha, seria tortura emocional...). Outro caso, o desafio 28, que ordena que o jogador não fale com ninguém o dia todo, só que no caso de Bruno de Carvalho seria durante 300 dias. Entretanto, entre desenhos e silêncios, filtrado o lado lunar de Bruno de Carvalho, é coisa para o leão ser campeão."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Jamor... de mini !!!

Benfiquismo (CDLXXVIII)

Inflação...!!!

105x68... Tugao & Jamor

Conversas à Benfica 7

Conversas à Benfica 6

Conversas à Benfica 5

La Bicicleta

terça-feira, 23 de maio de 2017

Este titulo é grito de Vitória

"Arregimentou a esmagadora maioria do universo benfiquista: em dois anos ganhou o mesmo que o antecessor em cinco.

Ponto final, disputou-se no fim de semana a última jornada do Campeonato 2016/17 sendo já ténue a poeirada que durante meses lhe lançaram para cima com o evidente propósito de perturbar a campanha e o desempenho do candidato mais forte, o Benfica, o qual, como ficou demonstrado, cedo se apoderou da liderança e transpôs a meta em primeiro lugar com o à-vontade de quem foi mais competente ao longo das 34 jornadas.
Assim sendo: Benfica, campeão nacional pela 36.ª vez, com 82 pontos, menos seis do que na temporada anterior, mas, mesmo assim, revelando extraordinária arte na ampliação da vantagem para os mais próximos perseguidores, ao ponto de ter realizado a festa na penúltima ronda, prova do valor e do mérito que jamais foram contrariados no único local onde os mais fortes costumam sobrepor-se aos mais fracos, o recinto de jogo.
FC Porto, segundo classificado com menos seis pontos, o que representa uma melhoria significativa em relação à época passada, saltando da 3.ª para a 2.ª posição e reduzindo em nove pontos a diferença para o líder.
Sporting, terceiro, com menos 12 pontos, quebra pronunciada em comparação com o primeiro ano de Jesus em Alvalade. Deixou-se ultrapassar pelos portistas na classificação e na contagem final regista substancial atraso para o campeão, passando de dois para doze pontos. Falhou a entrada directa na Liga dos Campeões.
Rui Vitória é o melhor treinador bicampeão de sempre no futebol português, escreveu o jornalista Miguel Cardoso Pereira no Tema do Dia (edição de A Bola de anteontem).
Suplantou, com os 170 pontos alcançados (88+82), a marca de José Mourinho (168) nas épocas douradas do FC Porto em 2002/03 e 2003/04, em que o special one, exactamente por ser muito, muito especial, aos dois títulos nacionais acrescentou uma Taça UEFA em 2003 (vitória sobre o Celtic (3-2) na final de Sevilha) e uma Liga dos Campeões no ano seguinte (vitória sobre o Mónaco (3-0) na final de Gelsenkirchen).
Esta ligação a Mourinho talvez seja premonitória, embora sugerida por mero exercício jornalístico que nenhuma conclusão autoriza. A não ser a curiosidade suscitada pelos números, sendo certo, porém, que esta conquista benfiquista, tendo sido de todos, em obediência à valorização do esforço colectivo, foi, essencialmente, de Rui Vitória. Por via da elegância, da seriedade e do conhecimento conseguiu dar a resposta mais poderosa e demolidora não a quem, como é natural, se interrogou sobre se o seu perfil lhe permitiria ter sucesso no exercício de ingrata e exigente função em emblema de tamanha dimensão, mas, em concreto, a horda agourenta que o massacrou sem descanso, como se ele carregasse todos os defeitos do mundo.
Bater em Vitória tornou-se uma moda que depressa se expandiu, como na altura escrevi, mas foi capaz de resistir. Primeiro pelo sofrimento em silêncio, que não deve ter sido nada fácil. Enquanto lhe faltaram resultados para contrapor, ouviu e calou. Só depois e treinador do Benfica começou a reclamar território e a impor a sua autoridade até à plena afirmação pela força do trabalho. Deixou os cavaleiros da desgraça pregar na imensidão do deserto e, provavelmente por sugestão de Luís Filipe Vieira, expressa em intervenção recente numa das Casas do Benfica, passou a «dar pouca conversa a quem pouco importa».
Portanto:
1. No Benfica continua a desenvolver-se um projecto consistente e grandioso. Há estabilidade e a certeza de que o futuro já não depende de um triunfo, nem sequer de um título. Vitória é um homem do povo e esse traço de personalidade foi a sua arma mais certeira no combate aos artífices da maledicência. Através de uma simplicidade natural arregimentou a esmagadora maioria do universo benfiquista: mais vale apoiar quem promete pouco e dá muito do que acreditar em quem promete muito e dá pouco, ou a diferença entre quem ganha em dois anos o mesmo que o antecessor em cinco.
2. No FC Porto, que melhorou significativamente com Nuno Espírito Santo, o presidente, cada vez mais isolado, cometeu um pecado capital ao colocar o treinador à frente de pelotão de fuzilamento para tentar adiar o inevitável. O dragão vai ter entrada directa na Liga dos Campeões e isso deve-se a Espírito Santo, apesar de repetidamente escaqueirado pela ala mais intelectual dos críticos do Bolhão. O treinador caiu, e o presidente, ao não protegê-lo, fica também ele mais perto da porta de saída.
3. No Sporting, a grande dúvida reside em saber se o presidente controla ou não o que está em causa. Bruno de Carvalho talvez deva distanciar-se de algumas influências e convencer-se de que não haverá quem lhe valha em caso de temporal que traga inundações e trovoadas. Para já, o treinador, ao projectar a terceira época a terceira época, diz que é preciso arranjar condições para «estar ao nível dos rivais». Mais ainda?..."

Fernando Guerra, in A Bola

O balanço na balança

"Acho que esta época o ruído atingiu decibéis a mais. Foi muito mais feio do que o habitual.

E, tal como começou, terminou. Chegámos ao fim de mais uma época. Mais um recheada de estórias e histórias. De momentos altos e baixos. De memórias inesquecíveis e de outras para esquecer. Cada um terá a sua visão sobre este último campeonato, como é óbvio. Tal como eu tenho a minha. Como é óbvio.
O que vos posso dizer? Acho sinceramente que, desta vez, o ruído atingiu decibéis a mais. Foi muito mais feio do que o habitual. Ora estratégico e planeado, ora espontâneo e impulsivo, mas sempre audível. A consequência? Apenas uma: perdeu o futebol. Quando a polémica fora do campo vence a qualidade técnica dos jogadores, quando a guerrilha verbal ganha, em audiências, ao talento individual dos craques, quando as acusações e insinuações ensombram o brilho dos actores de verdade, o futebol perde sempre.
Perde porque as emoções negativas são uma espécie de vírus da gripo. Contagiam com facilidade. E arrastam para essa febre novos e velhos, miúdos e graúdos, iletrados e doutorados. Na mansão ou na barraca, na metrópole ou na aldeia. Não há escapatória possível.
Culpados? Se calhar, somos todos. Culpados são os que nunca pisaram um relvado, nunca sentiram na pele as vivências do jogo jogado, nunca calçaram umas botas de futebol e pensam saber mais de bola do que profissionais com décadas de experiência. Culpados são os funcionários agora promovidos a protagonistas que não olham a meios para atingir os seus fins. Ainda que o caminho que percorram faça tábua rasa do código deontológico a que eticamente estão sujeitos. Culpados são os que lhes dão voz. Os que chamam jornalismo ao incêndio e notícia aos pirómanos. E são também as redes sociais, os blogs e os sites que lhes abrem espaço a uma criatividade sem limites. Culpados são alguns dos intervenientes directos no jogo. Que nem sempre são tão profissionais quanto podiam nem tão competentes como deviam. Culpados são alguns dos avençados que fazem do seu tempo de antena nacional um espectáculo execrável, convencidos que têm graça quando há muito caíram em desgraça. Culpados são os que, durante parte da época, não fizeram nada quando se esperava que fizessem muito. Culpados são aqueles que aceitaram, a qualquer preço, serem reis num país onde não é a monarquia quem dia as regras.
Bem, mas certo, certo é que as coisas entretanto mudaram. As estruturas que gerem o futebol - indiscutivelmente competentes - estão agora mais do que nunca empenhadas em combater a violência, em melhorar a arbitragem, em valorizar o espectáculo e em torná-lo num lugar mais seguro. Estão a caminho fortes medidas disciplinares, maior transparência na arbitragem, reforço inevitável do policiamento e a corajosa entrada em cena do Videoárbitro. O poder político parece também ter percebido, finalmente, que a expressão «apelo ao fair play» é bem inócua do que a velhinha «errar é humano». E deve vir dali um aperto penal a quem não souber estar no futebol. Nem tudo foi mau. Mas caramba... somos tão mais do que isto."

Duarte Gomes, in A Bola

É impossível não chorar contigo, Tiago!

"Os festejos, entre os abraços. Saltos aos pares, trios. Quartetos. Quintetos. O sprint para o lado dos adeptos, que descem apressados os degraus, já de braços esticados. Os gritos, os cânticos. A explosão das bancadas. Os passou-bem aos desconhecidos, de outras famílias da mesma tribo. Mercury a deixar sair a canção eterna.
O espumante, um banho antes do banho. A tarde a continuar tarde, a noite a aguentar-se dia. Até despejar-se tudo. Um ano inteiro acumulado, recalcado.
Depois, o silêncio.
Ou os braços caídos, os olhos no chão. Lágrimas. A cabeça por cima dos pulsos, assentes em cima dos joelhos. Todos sentados na relva. Caneleiras na mão. As palmadas de consolação no pescoço, nas costas, de adversários ou companheiros aparentemente mais resistentes à desilusão. Os olhos a secarem-se, aos poucos. A resignação. As bancadas a esvaziar, sem olharem para trás. Injustas. Tão injustas.
O banho, sem palavras. Os frames a passar à frente dos olhos. Os ses em forma de slide, para quem sabe o que são slides, a consciência a apertar o botão para passar-se ao seguinte. Conversas de circunstância, enquanto se esconde a decepção num caixote no quarto-dos-fundos da memória.
Por fim, o silêncio. Chegará também.
O verão. Desligar da corrente. A praia, longe. A paz naquelas águas a deixar ver o fundo, absorventes. Ao lado, os rivais, agora de novo amigos antes de voltarem a ser rivais.
Os jornais. As manchetes e os 300 caracteres na última página, a uma coluna. As cachas jornalísticas. E as não-notícias, no meio das simples notícias. O telefone a tocar. Decidir atender ou deixar tocar. A silly-season.
A oportunidade.
A dispensa.
Ainda, silêncio, mas um preenchido, que não é para todos. Porque pior é o silêncio no meio do vazio. No meio do nada. E esse, é só para quem diz adeus de vez, entre as lágrimas que teimosamente não param de cair.
Francesco Totti. Xabi Alonso. Philipp Lahm.
O adeus será, aparentemente, definitivo. Já não haverá um depois. Foi apagado o recomeçar, a possibilidade de fazer restart, fosse depois da festa ou da tristeza. As chuteiras ficaram presas na parede, não se conseguem de lá arrancar. É um vazio que não se torna a encher, e que precisa de uma metadona qualquer, um substituto do vício até que desapareça. Uma carreira de treinador. Ou empresário. Dirigente.
E há algo que nunca desaparece. A tentação que os persegue de tocar numa bola a saltar do outro lado da estrada, que se esconde debaixo do encolher dos ombros. De uma irritação na pele.
Não conheço Totti. Ou Alonso. Mesmo Lahm. Ou melhor, conheço a classe, o talento, a personalidade em campo. Vibrei com muitos golos-em-verso do italiano, inúmeros passes de atirador-furtivo do espanhol e centenas de cortes eficazes do alemão. Acompanhei Francesco e Philipp nos seus clubes de sempre, tal como Alonso, desde a Real Sociedad. De Anoeta até o Arena. Se conheço essa sua parte, reconheço o quanto o futebol de que gosto fica mais pobre. Agora que este se começa a ir embora, ainda a olhar para trás, também sinto o vazio.
A Tiago também o conheço há muito tempo. Desde que deu o primeiro pontapé televisionado. Também o conheci finalmente em Majadahonda, há sete anos. Entrevistei-o, conversámos depois enquanto caminhávamos a caminho dos carros. Sempre gentil. Prestável. Humilde.
Se daquele futebol simples, racional, sempre maduro era impossível não ser fã e não achar que fazia sentido em todos os campos e em todas as equipas, da pessoa só podia continuar a dizer bem. A sentir que todas as peças encaixavam. Tinha estado com um dos grandes.
Sei que ele sabe que podia ter sido ainda maior, e podia. Mesmo assim, que carreira fantástica! De uma grandeza ímpar, ao alcance de poucos. Acredito que tenha sido o fim, quando o Calderón até se foi com ele.
O tempo não perdoa nem a quem o merece. O adeus, mesmo que seja apenas ao Atleti, foi duro. Demasiado duro, e não deixou ninguém indiferente. Há gente assim, a quem ficamos a querer sempre bem, mesmo que nunca mais nos cruzemos.
É impossível não chorar contigo, Tiago!"