Últimas indefectivações

quinta-feira, 30 de março de 2017

Benfica... um gigante que, felizmente, não anda a dormir!

"Desengane-se quem acha que, nesta claque, os membros que lhe são afectos «sofrem tanto como qualquer um de nós»

Uma semana antes do Benfica - FC Porto
Embora no sábado, jogasse «a selecção de todos nós», os tais «11 de 11 milhões», todos sabemos o que se passou esta semana.
Imaginem lá que, nem desses jogos, convidavam alguns adeptos do Benfica - daqueles que ocupam o topo sul do Estádio da Luz - para ir apoiar a Selecção Nacional... em Alvalade ou nas Antas.
Pois, para além da afronta, isso já era mau, por si só...
Agora imaginem que esse convite partia da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Pior ainda...
Agora imaginem que esses mesmos convidados entoavam - à entrada do Estádio - cânticos contra o Porto ou contra o Sporting.
Uma tragédia, pensarão...
Depois, ainda, imaginem, que, durante o jogo, se entoavam palavras de ordem contra o clube da casa.
Um desastre, dirão...
Ainda, não contentes, os adeptos, na sua qualidade de convidados de honra, entoavam «só queremos o Benfica campeão».
Uma calamidade...
Por fim, o autoproclamado presidente dessa claque, com a concorrência dos adeptos da outra equipa que lá foram para fazer de conta que existem, vinha confirmar que tinha sido convidado a estar presente.
Pois, a ser assim, nem mau, nem pior, nem tragédia, nem desastre, nem calamidade.
Uma tristeza!!!
O que deveria fazer a FPF?
Refugiar-se na postura do politicamente correcto, escondendo-se numa qualquer discussão intelectualizada, ainda que diminuída por uma gritante falta de argumentos?
Ou pedir desculpas ao Benfica?
Pois, até ao momento em que escrevo este texto,... ninguém da FPF se dignou vir pedir desculpas ao Benfica!
Optaram por desmentir sem desmentir, metendo os pés pelas mãos onde têm que ser bem claros.
Ou será que a culpa vai morrer, outra vez, solteira?
E como não acredito, como ninguém por lá acreditará na tese da provocação...
Porque, provocado, provocado, foi o Benfica... e não foi pouco!

A claque da Selecção
Eis mais uma originalidade à portuguesa, um caso único do mundo. Com uma originalidade ainda maior, que é a acumulação de funções!
A de líder de uma das claques de um determinado clube e a de líder da Claque da Selecção.
Ora, as claques são as vozes de expressão do sentir do adepto comum.
E independentemente do controlo e do sentido em que poderão, até, ser manietadas e direccionadas, as claques coincidem com os clubes.
As selecções não têm claques.
E desengane-se quem acha que, nesta claque, os membros que lhe são afectos «sofrem tanto como qualquer um de nós».
Até porque - e inevitavelmente - cada um desses elementos será o espelho da sociedade de onde vem e onde pertence.
E quem vem de um clube em que o presidente abriu garrafas de champanhe pela derrota do Euro-2004...

Eles sabem porque se juntam sempre contra nós!
Não obstante, o mais engraçado disto tudo é a união dos pequenos e dos pobres de espírito contra nós!
Como sempre e... nas posições relativas de sempre.
Uns lideram... façamos-lhe essa justiça!
Pensem e, ainda que - ao que parece - com a conivência activa de alguém com responsabilidade, executam o que melhor convém à sua estratégia.
Os outros, como sempre, entram na festa para fazer número!
Não são tidos nem achados!
Nem naquela provocação nem para o que ela serve.
Não existem, a não ser para nos dificultarem a vida e a facilitarem aos amigos.
Como os amigos, o ano passado, reconheçamos, lhes fizeram!
E como eles, este ano, se esforçaram por retribuir.
E o que fizeram os clubes que compõem a claque da selecção???
Nem uma palavra de condenação.
Práticas normais, pois então, a que nos vamos habituando...
Uns queridos, assim, tão amigos e tão unidos naquilo que os motiva: o ódio, a inveja, a raiva... à grandeza do Benfica.
Mas, como sabemos... maior do que o Benfica, nem a inveja deles!!!

E quem não vai jogar tenta ajudar a criar confusão... contra o Benfica
E como se não bastassem as fitas dos adeptos anti Benfica do Porto, com a ajuda dos figurantes (que nem figurões conseguem ser, tão grande é a sua insignificância, para o que aqui interessa) que são os adeptos anti Benfica de Lisboa, eis que uma das grandes figuras do clube dos ajudantes... decidiu entrar na dança.
Imaginem, agora, que a FPF me convidava a ir um jogo da Selecção... a Alvalade ou ao Dragão.
Apesar de - se o convite fosse verdadeiro - eu, em honra e com respeito pelo bom senso, obviamente, recusar,... o que dariam se, em vez de entrar pela garagem, andasse a passear pelo meio dos espectadores, obviamente pertencentes ao clube da casa, contra quem eu me atiro em cada declaração?
Que era um provocador, que era muito bem feito ter levado os apertões que teria levado, que a FPF não deveria ter permitido essa passeata irresponsável (para não dizer provocadora), etc., etc., etc.
Eu já não digo que comparem essa... exposição... com a ausência dos presidentes dos clubes anti Benfica na Luz... como ninguém questionou, nunca, a não presença do presidente ou de elementos dos órgãos sociais do Benfica em jogos da selecção nas Antas ou em Alvalade...

Trata-se de bom sendo!
Mas - como umas palavras ditas por uns adeptos - valeriam uma nota de imprensa por quem já não tem motivos para falar... porque não são deste campeonato... lá optaram pela passeata...

Antes tivessem ido passear junto ao Rio...
Metiam menos água!!!

A resposta tem que ser dada no sábado
No domingo de manhã, recebi, no meu telemóvel a seguinte mensagem: «Bom dia. Fim de semana sem futebol e com chuva...
Sim, porque ontem vibrei mais com o Andorra - Ilhas Faroé do que com o jogo de Portugal.
Todos pensamos isto, mas só o podemos dizer aos amigos!!!»
Dei, então, comigo, a lançar-me um conjunto de questões...

Do que pensava, de quem pensava e porque pensava assim!
Tão longe do politicamente correcto e tão perto do que vai na alma de tantos.

Porque, para dar público testemunho deste ódio de uns e de outros ao Benfica, vale tudo... até mesmo estragar a unanimidade de apoio à Selecção... de todos nós!
Mas esqueçamos lá isso!
Porque, passada a excitação de uns e de outro por terem ido ao Estádio da Luz - com a mediatização que se conhece - a vida continua!
Concentremo-nos no essencial!
No apoio ao Benfica.
Porque o jogo de sábado, não sendo decisivo a 100%... é-o a 99%.
Precisamos, novamente, do Inferno da Luz.
Sem que seja necessário recorrer à ameaça e à intimidação.
E sem vandalizar as casas afectas aos clubes (como aconteceu, por exemplo, há dias, em Braga).
Sábado... é para ganhar!
Percebido?
Então,... Carrega Benfica!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Venha o jogo, por favor

"Venha o jogo, por favor! Já chega de tantas palavras gastas com a ciência-do-antes que, não raro, é contraditada pela ciência-do-depois, ainda que produto das mesmas mentes qualificadas. Já chega de provocações minudentes que, de tão inchadas e exploradas pelos jornais e televisões, até parecem relevantes. Já chega de considerar que os jogadores de ambas as equipas, maduros, bem pagos e homenzinhos se deixam facilmente influenciar pelas diatribes por palhaços do costume. Já chega de discutir a escolha do árbitro que, coitado, no fim - e seja qual for o resultado - não tem ninguém para o defender dos seus erros (os únicos que nunca são... desculpáveis). Já chega de tantas conferências de imprensa para, no fim de contas, nada se dizer, apenas de muito se falar. Já chega de comunicados patéticos e mirabolantes de terceiros que, assim, se preparam para o seu campeonato (leia-se jogo contra o Benfica). Já chega de claquistas promovidos a homens de Estád(i)o pela mui nobre Federação Portuguesa de Futebol. Já chega de programas e progaminhas televisivos que vão instilando a esterilidade da discussão e fornecendo achas para o estúpido ódio que, perigosamente, se pressente nestas alturas das competições.
Venha o jogo, por favor. Com o Estádio da Luz, luminoso. Com a nossa liberdade de sermos fervorosos adeptos. Com a nossa responsabilidade de contribuir para a beleza de um jogo muito decisivo para os dois clubes. Com o espírito aberto para o usufruto do gáudio da vitória. Ou o de se ser capaz de domar a tristeza.
E que o dia 1 de Abril não seja o dia das mentiras, como quase todos os dias."

Bagão Félix, in A Bola

Que o videoárbitro chegue depressa

"O jogo particular, realizado nesta última terça-feira entre a França e a Espanha, que terminou com uma vitória espanhola por 2-0, poderia, de facto, ter tido um resultado bem diferente se não tivesse sido possível e recurso às novas tecnologias.
A França teria sido, provavelmente, a primeira selecção a marcar, caso o árbitro alemão Felix Zwayer não tivesse sido ajuda das imagens. Em dúvida, o juiz requisitou os serviços da video-conferência e ouviu as razões para anular o golo a Griezmann. Mais tarde, sentiu a tentação de anular o segundo golo espanhol por lhe parecer fora de jogo de Deulofeu. Voltou a consultar a videoárbitro e a ouvir a indicação de que o golo era legal. A Espanha venceu por 2-0, mas sem recurso às novas tecnologias o jogo poderia ter terminado empatado a um golo.
Dificilmente se poderia encontrar um melhor exemplo da importância do videoárbitro na verdade desportiva e fácil é também perceber como, mesmo sem apagar todas as discussões sobre um jogo de futebol, o árbitro fica mais protegido e em menor risco de errar em lances de capital importância.
No caso português e atendendo à contaminação quase geral do estado de insanidade a que se chegou no futebol, o videoárbitro torna-se, afinal, numa necessidade urgente.
Claro que ainda virão alguns profissionais da discórdia e da discussão pública lançar suspeitas sobre a honestidade física da nova tecnologia e, sobretudo, de quem a analisa. Serão, apesar de tudo,brisas ligeiras em comparação com o vendaval a que se assiste em cada jornada portuguesa. Que venha, pois, o videoárbitro. O mais rapidamente possível."

Vítor Serpa, in A Bola

Apostas, jogadores, árbitros, polícia e vídeo

"A tecnologia também vai combater a manipulação de resultados

Jogo Duplo II. Seis detidos, cinco deles futebolistas. Outra vez a II Liga na mira. Das autoridades e dos apostadores asiáticos. E, já agora, do vídeo-árbitro…
Andreas Krannich, líder da empresa que colabora com a federação na manipulação de jogos, explicou em Lisboa como funciona o sistema. O problema, disse, não está nas casas de apostas. Está na Ásia. E na globalidade provocada pela internet.
A cultura de jogo naquele continente marca por si só. O homem comum aventura-se nela, seja nos regulados casinos de Macau – basta uma viagem de ferry ao fim de semana entre ali e Hong Kong para se perceber a dimensão da coisa – seja nas ruas de Bangkok, Saigão ou Díli.
O homem comum joga no risco com um agente local, parte inferior de uma hierarquia complexa, mas que, como os filmes retratam, há de acabar num boss. E este é, diz Andreas Krannich com todas as letras, financiado por investidores que pretendem lucro grande e rápido: «Bancos, governos, traficantes de armas, traficantes de pessoas…»
Jogo Duplo I. Mais de uma dezena de detenções. Três jogadores com termo de identidade e residência, um com pulseira eletrónica. E mais de uma dezena de implicados.
Partes diferentes de um negócio que movimenta milhares de milhões.
O banco, o governo, o traficante ganham logo, e ilegalmente, com o volume de apostas. O combate far-se-á com legislação devida e a consequente monitorização da polícia.
O homem comum joga no risco e, por vezes, arrisca mesmo a comprar a inexistência dele. E vai daí aposta tudo e tenta manipular. Um dirigente, um jogador, um árbitro.
Legislação e monitorização para combater esta fraude. Vídeo-árbitro também…
O comportamento de todos em campo vai estar ainda mais debaixo de olho. Ao jogador ser-lhe-á mais difícil enganar. Pelo modo como o processo está a ser testado, dificilmente a um juiz serão permitidas decisões flagrantes incorrectas. Haverá uma tomada de consciência geral sobre isso. O International Board acredita nisto. Assim como a FIFA. E eu também.
Já defendi o vídeo-árbitro e a introdução dele é uma questão de tempo. Portugal tê-lo-á. Até onde é a questão que se segue.
A crescente vulnerabilidade do futebol português ao mundo das apostas, à manipulação de resultados, exigiam uma resposta de alargamento da tecnologia, e dos recursos humanos que ela implica, aos três primeiros escalões.
Porém, isto não é coisa para pobres. O vídeo-árbitro não será para quem quer, será para quem pode."

Benfiquismo (CDXXII)

Lembram-se?!!!

Lanças... pré-clássico!!!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Penálties. Que penálties?

"Pelo que se ouve dizer, se têm sido marcados os 485 penálties que reclama só nesta temporada, por esta altura, o Porto liderava o campeonato nacional e seria favorito a vencer a Champions. Mas como penálties por marcar há para todos os gostos e todas as repetições televisivas, talvez valha a pena fazer outro exercício: olhar para os penálties efectivamente marcados.
Os números, de facto, impressionam.
Nos últimos quatro anos, o Sporting teve 36 penálties a favor; o Porto 32 e o Benfica 26. Será que este indicador nos diz alguma coisa? Se pensarmos que o Benfica foi a equipa que mais venceu e também a mais atacante nos últimos anos (288 golos marcados contra 256 do Porto e 249 do Sporting), é estranho que esta dinâmica atacante resulte num número inferior de grandes penalidades.
Tão relevante como o número de penálties é, como é sabido, o momento em que são assinalados. E aqui, de novo, uma série longa causa estranheza: dos 36 penálties de que o Sporting beneficiou, 14 foram assinalados com o jogo empatado; no caso do Porto, o rácio é ainda mais favorável, 17 em 32 (isto é, mais de metade); já o Benfica, em 26 penalidades, apenas seis foram marcadas com o marcador empatado.
Projectemos agora o exercício à actual temporada. Enquanto o Porto teve seis penálties a favor, cinco deles foram assinalados com o resultado empatado; já o Benfica beneficiou de quatro penálties, mas apenas um com o jogo empatado. É estaticamente curioso que a equipa que mais atacou nos últimos anos seja aquela que tem menos penálties, e ainda mais curioso que estes sejam menos decisivos para a marcha do marcador.
Querem mesmo continuar a falar de penálties?"

Ranieri & Wenger

"A chicotada psicológica é um clássico do futebol. Na América do Sul, é mesmo uma rotina. Por cá, este ano tem sido um fartote: já vamos em 17 mudanças na 1.ª Liga.
Ao invés, onde mais rara é esta figura de resgate salvífico face a maus resultados, é na mátria do futebol: a Inglaterra. Verdade seja dita que já foi menos usada, quando os clubes não eram pertença, como agora, de riscos-cometa em modo árabe, russo, asiático ou chinês.
Dois casos merecem mais a atenção. Um foi o despedimento de Claudio Ranieri de técnico do Leicester, que alcançou um de todo impensável titulo de campeão inglês perante os tubarões de Manchester, Liverpool e Londres. Este ano sucedeu o esperado: o clube voltou à normalidade e luta pela permanência. Mas Ranieri foi amargamente despedido e substituído por um curioso Shakespeare. Logo a seguir ao promissor 1-2 em Sevilha para a Champions que, como se viu, foi essencial para esse novo feito das raposas: chegar ao grupo dos melhores 8 da Europa!
O outro caso é o oposto deste. Refiro-me à permanência há 21 (!) anos de Arsène Wenger como líder do Arsenal. Uma eternidade que, diferentemente de Ferguson no Man. United, não se explica pela quantidade de títulos (teve-os, mas escassos). Ainda agora com o Bayern perde os dois jogos por vergonhosos 2-10. Fala-se que continua a haver hipóteses de renovação do contrato que ora termina. Não sei se me hei-de espantar mais com a credulidade dos dirigentes arsenalistas se com a infinita paciência e placitude dos seus adeptos.
Como, através de opostos, Ranieri e Wenger se fundem!"

Bagão Félix, in A Bola

Carta aberta a Gianni Infantino

"Exm.º presidente da FIFA.
Bem sei que o senhor esteve na semana passada em Portugal e foi muito elogioso para com o futebol cá do burgo. Os louvores endereçados têm toda a razão de ser. Afinal, um país de 10 milhões de almas residentes à beira-mar conseguiu conquistar o Euro no pino do verão passado - sabe, damo-nos bem com o calor e, normalmente, reagimos bem às provocações e à altivez, como fizeram os franceses.
O senhor é ítalo-suíço e, por isso, vive entre a frieza e a organização helvética e o meio caos e o sangue quente italiano. Como convite entre dois mundos, talvez perceba o pedido que lhe vou endereçar. Pronto, cá vai: não dá para autorizar a organização de uma grande prova todos os anos na qual Portugal esteja obrigatoriamente presente?
Sei que este meu desejo será um bocado complicado de satisfazer - talvez que tenha de recorrer ao lado italiano do desenrascanço - mas talvez seja a solução para desanuviar o ambiente, já que nem nos jogos de Selecção em solo nacional as guerrinhas e as polemicazinhas deixam de transbordar dos gabinetes do poder.
Sabe, senhor Presidente da FIFA, o futebol é das raríssimas indústrias em que conseguimos ser competitivos a nível mundial, mas por vezes quando olhamos para tudo aquilo que envolve o processo interrogamo-nos como conseguimos tão bom produto.
Enquanto decorrem as grandes competições, normalmente vê-se um país envolvido, empenhado e os clubes atarefados em preparar novas épocas e em descobrir mais um craque num qualquer lugar recôndito (ou não) do mundo e pouco falam.
Se estivermos sempre numa boa competição, se ganharmos festejamos; se perdermos discutimos os motivos dos desaires. Mas, pelo menos, não há estas coisinhas. Não dá mesmo para me fazer a vontade?"

Hugo Forte, in A Bola

Estado de guerra

"Para quem gosta verdadeiramente de futebol (o que é substancialmente diferente de gostar de um clube, embora sejam sentimentos compatíveis em mentes sãs), parece que às vezes a única forma de manter saudável essa ligação, em Portugal, é desligarmo-nos, no espaço entre jogos, de tudo aquilo que rodeia esse futebol e que é cada vez mais podre, sujo, doentio. O estado de guerra permanente sugere a contratação de generais em vez de directores desportivos, ao mesmo tempo que se recrutam soldados entre os fracos de espírito e se promove a comunicação e a politica ao estilo dos ministérios de propaganda das ditaduras. E a culpa é de todos. A começar pelos três grandes, que deviam dar o exemplo.
O Sporting, na era Bruno de Carvalho, só sabe semear ventos e colher tempestades, tornou-se no clube mais conflituoso de que há memória; o FC Porto, habituado que estava à hegemonia, procura encontrar todas as razões e mais alguma (menos o mérito desportivo) para justificar o recente sucesso encarnado e procura sabotar qualquer hipótese de as águias chegaram ao tetra, através de um tresloucado jogo de vale tudo (até flatulência verbal); o Benfica, que em anos e anos a fio também não soube reconhecer o mérito do FC Porto no período dominador dos dragões (com conquistas europeias pelo meio, não esquecer), agarrando-se a apitos dourados e afins, surge nesta recta final de temporada a dar exemplo máximo de hipocrisia, ao trocar o silêncio cómodo de quem parecia estar a caminho do tetra pelo ruído constante de quem viu a vida complicar-se com a aproximação do FC Porto.
Dentro do campo, que é o que interessa, a luta tem sido bonita, e sábado, no dia das mentiras, a única verdade será a daqueles 90 minutos, mesmo que um erro do árbitro possa ditar o desfecho. Oxalá que não aconteça, mas acreditem: prefiro mil vezes isso do que a vitórias das estratégias primitivas, saloias e malcheirosas. Não quero um futebol de anjos mas estou farto de demónios."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: Estive para não 'postar' esta crónica. Estas são as crónicas que mais me irritam...!!! Mas vamos por partes:
- Um Benfiquista, que desvaloriza o Apito Dourado e afins... para depois afirmar que está farto de estratégias malcheirosas: não faz qualquer sentido!!!
- Como é que é possível falar do suposto 'silêncio cómodo', e na mesma frase criticar o 'ruído' recente do Benfica, quando esse 'ruído' foi na consequência de uma pública invasão do Centro de Treinos dos Árbitros, com ameaças e intimidação, públicas... com a omissão total dos responsáveis da Liga e da FPF, dando força ao clima de intimidação, e com consequência directa do resultado final dos jogos do Benfica e dos Corruptos?!!!!
- Sendo que a 2.ª fase do 'ruído', foi dirigida exclusivamente ao CD da FPF...
- Como é que é possível confundir isto tudo, com o 'ruído' dos Lagartos e dos Corruptos: com coacção pura e dura sobre as nomeações... e sobre os processos no CD!!! Além das ofensas constantes ao Benfica, aos nosso dirigentes e a todos os Benfiquistas que defendem o Benfica em público...!!!
Este é mais um exemplo de como um Benfiquista, garante 'tacho', projectando uma imagem de imparcial, misturando tudo...!!!
Até consegue concluir, que depois disto tudo, a 'luta tem sido bonita'!!!!!!!!
Esta crónica, também explica, como é que A Bola vai perdendo qualidade com o tempo, como foi possível observar hoje com uma capa surreal, no dia seguinte a um jogo da Selecção!!!!! Onde um castigo que peca por escasso a um deficiente mental, que por acaso é Presidente do Sporting, é transformado num castigo a 'pedido' do Benfica!!!

“Por favor, quando estou a jogar, sejam apenas os meus pais...”

"O comportamento desadequado de um conjunto de pais que assistia a um jogo de futebol de crianças em Espanha percorreu as redes sociais e a imprensa de diferentes continentes nos últimos dias, dado os níveis de agressividade demonstrados pelos mesmos.
Na realidade, manifestações desta natureza tive, inclusive, a "oportunidade" de assistir no inicio da minha carreira, ao integrar equipas técnicas de escalões de formação seja em contexto de clube ou selecção.
Infelizmente, era (há 20 anos) demasiado frequente ver "adultos" (não sei se na realidade o eram... dada a falta de maturidade exibida), ora a insultar árbitros, ora a insultar a equipa adversária (nota: crianças da idade dos seus próprios filhos). Não menos frequente era, quando leccionava nos cursos de formação de treinadores (de diferentes modalidades), receber de treinadores "exasperados", comentários como: "O que eu gostava é que eles fossem todos órfãos!".
Acredito que, hoje em dia, esta seja ainda uma realidade em muitos locais.
Este é, sem dúvida, um problema multifactorial que se inicia nas casas de cada um de nós e termina nos diferentes níveis de hierarquia desportiva, sendo necessário, para o minimizar, que haja uma acção consertada de envolvimento dos Encarregados de Educação... ora recordando-os, ora ensinando-os acerca da importância do seu papel, enquanto progenitores de crianças que escolheram o desporto como via de expressão da sua própria identidade.
E, é efectivamente aqui que tudo isto que se complica pois, de facto, a experiência performativa precoce (desportiva, artística, outras) alavanca fortemente futuros traços de personalidade... que, irão ser o motor de sucessos ou insucessos futuros.
Recentemente, a organização "I Love to Watch You Play" editou um pequeno vídeo que recomendo vivamente (veja abaixo) onde, simplesmente, foi perguntado a um conjunto de crianças e adolescentes como se sentiam no que respeita à presença dos encarregados de educação nos seus treinos/jogos.

O resultado deste vídeo é verdadeiramente interessante porque evidencia cirurgicamente o que eles sentem: pressão, vergonha... e, se por algum instante lhe ocorrer que "isto é lá nos EUA", na realidade, o fenómeno "cá no nosso quintal" é o mesmíssimo... Ouço-o com muita frequência, ainda nos dias de hoje.
E, sim, de facto, eles desejam apenas o mais "básico":
Sentirem que, independentemente do resultado, dos golos marcados ou sofridos, quando chegam a casa recebem um abraço e lhes seja perguntado: "divertiste-te?".
É, no entanto, um "básico" que, em alguns dias, é praticamente quase impossível de atingir. 
Globalmente, as pessoas andam em "piloto-automático", com muito pouco tempo para darem atenção aos seus próprios sinais de regulação emocional, envolvidas em processos altamente stressantes e esgotantes, com muito pouca capacidade de cuidarem de si próprias, logo, com muita dificuldade de controlo de impulsos, pelo que, um erro do árbitro, de um treinador, um comentário alheio... transformam-se na "desculpa" ideal para extravasar toda a tensão acumulada no dia ou na semana.
No entanto, quando andamos em "piloto-automático", e com o intuito de nos mantermos focados no essencial, às vezes, pequenas "cábulas" para nos recordar o essencial, ajudam muito!"

105x68... semana importante!

Benfiquismo (CDXXI)

Cumprimentos...

Regressar ao passado mau

"Recurso a estratagemas antigos que, no caso, visa dois propósitos: impedir que o Benfica chegue ao tetra e retardar o colapso do ministério de Pinto da Costa

Neste charco de indecências em que o futebol português chapinha, os acontecimentos mais recentes mostram à saciedade que o vale tudo, sem olhar a meios nem medir consequências, continua activo e apostado em recuperar mordomias perdidas.
Em troca de uma conquista desportiva tudo se permite e tudo se perdoa. É a hipocrisia elevada à máxima potência, por debaixo da qual se aceitam malfeitorias e se promovem bandos de arruaceiros em grupos de bons rapazes que apenas pecam por excessos comportamentais, próprios da idade e cujas responsabilidades são por regra perdoadas.
Quando pensamos que já vimos de tudo, depressa nos damos conta do erro. Há cabeças luminosas que devem funcionar ininterruptamente para inovarem, agitarem e incomodarem quem quer frequentar os estádios apenas para ver futebol, se o autorizarem, de preferência na companhia da família. Na noite de sábado, assistiu-se a uma invasão tranquila vinda de algum lado, com a bendita ideia de apoiar a Selecção. Coisa estranha em lotação esgotada pela única claque unanimemente autorizada e que se chama 'Portugal'.
Tudo não passou de encenação mal amanhada e que, provavelmente, até serviu de ensaio geral para desempenho a condizer de 1 de Abril, embora tivesse sido motivo bastante para gerar indignações de conveniência em fracas memórias, esquecidas, por exemplo, de uma ocasião em que a Selecção viajava para a Galiza e teve de fazer o transbordo em Gaia, entre comboio e autocarro, de maneira a evitar cruzar-se com uma comissão de boas-vindas que tinha sido preparada para recebê-la com beijos e palmas, em Campanhã.
Estamos a assistir, nem mais nem menos, a uma tentativa de regressar ao lado mau do passado, depressa e em força, como alguém terá ordenado em tempos. É o recurso a estratagemas antigos, é o tal vale tudo que, no caso,visa dois propósitos: impedir que o Benfica chegue ao tetra e, consequentemente, retardar o colapso do ministério de Pinto da Costa.
É evidente que nenhum problema resulta de águias e dragões quererem ser campeões e lutarem por esse objectivo com todos os argumentos disponíveis. Rui Vitória e Espírito Santo são treinadores competentes e com trabalho relevante, por isso estão no topo da classificação. A rivalidade forte e leal dá saúde ao jogo e eleva a qualidade do espectáculo.
O problema não reside nos treinadores, muito menos nos jogadores. Localiza-se, sim, hoje e ontem, em dirigentes que ora se consideram donos da razão, ora, quando a intimidação não pega, recorrem a emaranhadas teias de influências no sentido de interferirem e, se necessário for, adulterarem o normal desenvolvimento de uma competição.
No antigamente, era precisamente por estas alturas que os árbitros eram chamados ao palco para acerto de conversas alinhavadas em espaços comerciais que  a confraria do apito patrocinou e alimentou durante anos. Utilizo o verbo numa forma passada com intenção. Árbitro que quisesse subir na carreira sentia-se obrigado a frequentar determinados estabelecimentos de comida e de bebida para ficar bem visto. Os nomes desses locais eram conhecidos, mas a memória débil das pessoas (quase) tudo esquece...
Acredito, porém, que o presente é diferente, muito diferente, para melhor, obviamente. O sector dea arbitragem quer libertar-se e proclamar a sua independência ética e moral, mas há forças contrárias que o querem manter obediente e silencioso.
O Benfica lidera, mas tem gaguejado no seu futebol, o Porto é segundo, mas tem mantido seu caminho ascensional, e o campeonato está próximo do fim: condimento para transformarem o clássico do próximo sábado em jogo mais especial ainda e prometerem rajadas de boçalidades até lá, como a 'peregrinação' à Luz deu para entender. Mais uma vez sem culpas nem culpados.
Nota - Afirmou o chefe da claque dos Super Dragões à SIC Notícias que a única questão preocupante no Portugal-Hungria se limitou a pretensa agressão a Jaime Marta Soares. A isto chama-se genuíno espírito solidário na afinidade FCP-SCP. Quem diria!... Fernando Madureira abordou, no entanto, outro ponto que considero merecedor de reflexão: o Benfica não tem claques legalizadas, mas dá-lhes cama e comida, o que vai dar a mesmo.
(...)"

Fernando Guerra, in A Bola

PS: É incrível como o argumento das claques 'legalizadas' continua a desbravar crónicas!!!
Será que as claques legalizadas pagam impostos?! Será que as claques legalizadas deixaram de ter comportamentos desviantes? Será que algum dirigente das claques legalizadas foi penalizado pelo comportamento da respectiva claque?
E já agora, os nomes (e outros elementos de identificação) dos elementos das claques legalizadas, que foram entregues às autoridades, são dos membros das Direcções das respectivas claques?!
A hipocrisia como se continua a falar de claques legalizadas, ou se deve a pura ignorância ou então é simplesmente para desviar as atenções...!!!

terça-feira, 28 de março de 2017

Rimais soltas de um poema mágico


"Há 50 anos, no início da Primavera, houve na Luz uma tarde vermelha em flor. Eusébio marcou quatro golos ao Braga (4-0). Corria para a bola, chutava e era golo. Mais simples seria impossível!


No início da Primavera de há 50 anos, Eusébio abriu em flor. Uma explicação primordial qu deu pelo nome de Eusébio.
O adversário foi o Braga. Melhor dizendo: a vítima foi o Braga.
No mesmo dia, o ciclismo do Benfica estava em festa. O ciclismo foi sempre centro de muita festa.
No Campeonato Regional por Equipas, os encarnados tinham vencido o Sporting. José dos Santos, Pedro Rodrigues, Wilson de Sá. Uma equipa coesa na qual todos foram alternando no comando. Um acerto e uma colaboração de destacar. A Venda do Pinheiro foi a etapa decisiva...
Mas voltemos à Luz nessa tarde de sol.
Primeiro movimento eusebiano, que era assim uma espécie de personagem de Machado Assis - um livre a queimar as mãos do guarda-redes do Minho, de nome Armando.
Em seguida, penálti. Não havia, em Eusébio, angústias nos momentos dos penáltis, como a do keeper de Peter Handke.
Eusébio corria para a bola, chutava e era golo. Mais simples era impossível!
Nessa tarde de Março chutou para o lado esquerdo enquanto Armando adivinhava o lado direito. Golo. Eu bem disse agora mesmo: mais simples era impossível!
Depois houve Simões. António Simões esgravulhando lá do lado esquerdo como um Gavroche. Finta corrida, passe milimétrico. Eusébio corre ao encontro da bola, adora a bola e quere-a junto aos pés à moda do cachorrinho de Nelson Rodrigues; odeia-a na violência com que a projecta na sequência dos seus remates explosivos.
A bola embaraça-se na rede. Golo. Mais um golo.
Benfica: 2-0!
Eusébio: 2-0!
O povo sorri nas bancadas vermelhas ao sol.
O sol vermelho. Sorrisos vermelhos. Tarde vermelha em flor no início da Primavera de mil novecentos e sessenta e sete.

E a fome...
A Pantera tinha fome. A Pantera Negra na tarde vermelha em flor. Primeiro um livre. Também não havia angústias para Eusébio no momento de um livre directo. Inclinava o corpo para a frente, começava por dar uns passinhos curtos, só para tomar balanço, e depois lançava-se no repente felino do golpe. A passada alargando. Rápida como o movimento dos tirantes de um locomotiva em pleno movimento. Imparável.
A bola, aí odiada, chutada com violência inaudita!
Um relâmpago? Um trovão? Eusébio explodia de pé direito no couro submisso. Um som que se ouvia lá longe, na linha do horizonte, mas não ali, no estádio cheio, gritos e incentivos, bandeirinhas esvoaçantes, almofadas-para-a-bola atiradas ao ar de chapéus nas touradas, talvez com Ricardo Chibanga fazendo festas no focinho do touro, o touro e o couro, o couro e o coro: vozes uníssonas, braços erguidos, um céu azul claro a prometer noites mais longas e a suavidade do pôr-do-sol.
Um dia alguém escreveu: 'Vocês julgam que os pores-do-sol trabalham de graça?'
Ainda faltava uma hora ou duas para que o Sol caísse nesse dia de Lisboa e Tejo e tudo.
A bola ia a meia altura, parecia uma pedra atrás de um pássaro. Tinha um alvo e não falharia esse alvo. Eusébio já se preparava para o salto alegre, o soco no ar. Bola entrando na baliza de Armando. Rimas soltas de um poema mágico. Profundamente Eusébio.
E mais e mais e mais.
3-0. Três vezes Eusébio.
Seriam quatro.
O drible pela direita, e a corrida. O galope, talvez seja mais correcto. A Pantera elástica, plástica, indomável.
Ninguém segurava a Pantera. Nem Armando nem sequer Sandokan de Mompracém, a ilha-que-desaparecia.
Galgando metros, suportando cargas, rasteiras, desembrulhando-se adversários. E a vontade sobre todas as vontades. Golo - quatro vezes golo.
A bola e as redes de novo juntas. Como a mão direita e a esquerda.
Eusébio no ar, voando. Voando como um Mercúrio negro de asas nos pés.
23 golos para Eusébio. 23 golos na jornada número 20.
Os adversários aterrados.
Março, começo de Primavera em tons de vermelho."

Afonso de Melo, in O Benfica

Balões com história

"Passados 49 anos, os balões de Costa Pereira contam histórias.

No dia em que se despediu dos relvados, a 11 de Outubro de 1967, Costa Pereira, um dos maiores guarda-redes portugueses e do Clube deixou um marco na história do Sport Lisboa e Benfica e na memória de muitos benfiquistas. Não só pelo facto da festa em sua homenagem ter sido pautada pela originalidade, mas também pela programação característica, pelas muitas prendas que foram oferecidas por miúdos e graúdos - recorde-se a curiosa oferta de um frango pelo seu filho - e, em especial, pela largada de balões comemorativos em pleno relvado do Estádio da Luz. A importância deste momento está, não na acção em si, mas na história que suporta o curioso legado documental que integra, hoje, o acervo do Clube: um conjunto de cartas manuscritas e reclamos.
De acordo com a imprensa da época, naquele dia foram largados três balões, com a seguinte inscrição: «Costa Pereira Agradece». Cada um dos balões era acompanhado de um pequeno reclamo que prometia 'lembranças' a quem os encontrasse e escrevesse ao Clube. Assim fez António Matos Júnior, um dos participantes: 'Como desportista e grande Benfiquista envio ao grande Costa Pereira um grande abraço de despedida desejando-lhe as maiores felicidades pela vida nova que tomar e iguais (glórias) como as que teve na vida que deixou'. Sem o saber, as suas palavras ficariam para sempre inscritas na história do SL Benfica.
Estes três reclamos chegaram até hoje acompanhados da respectiva carta manuscrita, pelo que é de estranhar... haver uma quarta carta. Terá havido um quarto balão lançado sem aviso ou teria escapado esta importante informação ao jornalista de O Benfica, que naquele dia cobria o evento?
Certo é que os balões voaram com 'chama viva', trazendo à memória um dos famosos slogans publicitários da marca patrocinadora do evento, Gazcidla. Uma das cartas foi enviada de Lisboa, outras de Alcanena, Sertã e um uma outra, ainda, testemunha a viagem de um dos balões até Viseu, a cerca de 290 Km.
Pode ficar a conhecer mais sobre a carreira de Costa Pereira e de outros jogadores do Clube na área 20 - Águias-Mores do Museu Benfica - Cosme Damião."

Milene Candeias, in O Benfica

"E eu pensei: ‘O Eusébio é o gajo que faz os golos. O Eusébio não está. Tenho de fazer mais qualquer coisa’"

"Bem, há vários clássicos dos quais me recordo.
Tive a felicidade de fazer muitos golos nos clássicos. Benfica-FC Porto e FC Porto-Benfica. Joguei imensos, ainda por cima. E marquei muitos golos para aquilo que era o meu perfil como jogador. Acho até que foi o clube contra o qual marquei mais golos – com a cabeça, com o pé, com tudo. 
Lembro-me de um, e esse ficou-me mesmo na memória, na Luz, em que fiz o golo de cabeça. Era uma coisa invulgar, apesar de ter marcado de cabeça a todos os grandes guarda-redes portugueses. É muito curioso, mas isso não é assim tão importante. O importante é que esse jogo foi determinante para o título e por outra coisa: o Eusébio estava magoado e não jogou.
Foi em 1972, um pouco antes de uma eliminatória com o Feyenoord, em que perdemos lá 1-0 e aqui demos 5-1. Entretanto, por acaso, até parti o braço. Outra coisa curiosa, porque assim não joguei num desses jogos. Mas estava numa grande forma. Há coisas que marcam e não vou aqui inventar nada. 
Lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje, de um sentimento. A ausência do Eusébio fez-me sentir, como capitão de equipa, que tinha de fazer mais qualquer coisa para além de jogar bem – chegar à frente, fazer golo, ser mais atrevido na zona de finalização, essa coisa toda.
Recordo-me da pensar antes do jogo: “Como vamos ganhar isto se o Eusébio não está?”.
Não digo que o resto da equipa tenha sentido isso. Foi um sentimento interior, foi no meu silêncio. Não foi da equipa. E eu pensei: “O Eusébio é o gajo que faz os golos. O Eusébio não está. Tenho de fazer mais qualquer coisa”. E parece que alguém me protegeu e me deu inspiração para fazer esse golo, porque ganhámos 1-0. Esse foi o jogo que mais me marcou.
Claro que, depois, houve muitos outros: um 6-2 no final de uma Taça de Portugal [1964], em que também fiz um golo de cabeça, curiosamente; outro jogo para a Taça, na Luz [1962], em que ganhámos 3-1 e eu fiz dois golos; depois fomos às Antas ganhar por 2-1 e também diz um golo de cabeça [1963].
Quando me começo a lembrar dos clássicos, lembro-me que me aconteceu muitas vezes isto, mas sempre com o FC Porto. Mas diria que aquele 1-0 na Luz, com o estádio cheio, em que fiz o único golo, e de cabeça - é por isso que não esqueci."

Porque a ciência (também) ajuda muito o futebol

"Durante as minhas formações reforço que o que une todos os desportos colectivos é mais do que aquilo que os afasta. E afirmo desportos colectivos porque confesso que a minha curiosidade de trabalho é mais focada nos desportos colectivos do que nos individuais. E aquilo que une é o facto de nos desportos colectivos todos terem uma grande fatia de importância da liderança, dos dinâmicas e processos de grupo e dos liderados, da partilha, do alinhamento colectivo naquilo que são os resultados obtidos.
Por vezes leio algo em torno da ideia de que o futebol não é uma ciência. Creio que a grande maioria das pessoas que o afirma tem dois pontos de partida: teme que o cheiro de balneário ou a intuição que considera ser a principal razão na sua crença de se chegar à vitória seja um dia descredibilizado de modo simples; e tem dificuldade em perceber o que de facto é a ciência e acreditar que a ciência é conseguir criar uma receita para se chegar sempre ao objectivo de modo a ou b.
Existem vários campos da ciência que hoje permitem compreender e usufruir daquilo que é o espectáculo de que tanto gostamos. As ciências sociais permitem hoje aos clubes apurar melhor como criar as tais tribos tão importantes em qualquer marca que quer crescer e necessita de adeptos que estejam ligados aos clubes e até às selecções.
As ciências comportamentais permitem perceber melhor os comportamentos dos treinadores nos bancos, nas palestras, nos vídeos que são virais, exactamente porque existem bastantes pessoas interessadas em compreender os comportamentos e as reacções dos jogadores e dos treinadores que vencem mais vezes que todos os outros. Isso é ciência. As ciências da comunicação, que permitem que cada vez mais tenhamos acesso a ângulos do jogo e despertam a curiosidade quanto aos dados indicadores existentes. As ciências médicas e do desporto, que permitem que os jogadores e as equipas hoje trabalhem mais aprofundadamente alguns detalhes. Visualizar estatísticas e jogos com outras perspectivas. E poderíamos ficar aqui vários parágrafos.
A ciência é fundamental para compreender por que um Mourinho ou um Guardiola, um Ronaldo ou Messi (parece que o português funciona com este paradigma que temos de preferir um relativamente ao outro) são tão bons hoje. E sim, a ciência dá-nos pistas sobre o talento de Messi, o talento e o trabalho árduo de Ronaldo, sobre as técnicas de motivação dos dois treinadores. E certamente estes treinadores e todos os outros deveriam levar em linha de conta a ciência, quando decidem. Porque até a intuição acaba por estar estudada, motivo pelo qual existem pessoas que tomam melhores decisões por intuição do que outras. Vezes e vezes sem conta.
O que a ciência não faz é adivinhar. E não explica tudo. Mas é claramente uma ferramenta que tem o seu lugar no futebol e noutro qualquer desporto. E que não se trata de comparar e discutir se uma decisão sobre um recrutamento deve ser analisada por parâmetros matemáticos ou humanos. Uma ajuda e é criada pela outra."

Benfiquismo (CDXX)

Capitão...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Abril, mês de todos os perigos...

"O ministro da Educação e a ministra da Administração Interna não poderão fugir às responsabilidades se as coisas darem para o torto.

Abril, dores de cabeças, mil. No mês quatro de 2017 vão disputar-se os últimos clássicos da época em Portugal e o ambiente em torno dos três grandes está tenso, belicoso e rasteiro, multiplicando-se as insinuações, sem peso nem medida, numa feira de horrores como há muito não se via por cá.
Haverá dois planos em que importa agir, no sentido de minimizar danos e contribuir para que a pressão baixe: o primeiro tem a ver com a prevenção, o segundo com a acção. Por um lado, seria de bom tom retirar palco aos incendiários, criando filtros que impeçam a proliferação de ideias terroristas, susceptíveis de funcionar como rastilho de uma qualquer tragédia. Seria importante que os principais responsáveis dos clubes ajudassem à causa da pacificação, sob pena de poderem ficar com algum peso na consciência. Isso foi feito, devo referir, em anos anteriores, com o lançamento dos clássicos a ser cumprido dentro de padrões de normalidade, ou seja, falando-se essencialmente do que mais devia interessar, o futebol. Tenho fundadas dúvidas, contudo, que tal prática venha a ser adoptada, o que nos remete para o segundo plano, o da acção. Parece evidente que, depois do irresponsável apelo do líder dos Super Dragões à invasão da Luz, através da compra de ingressos em zonas não previstas para os adeptos do FC Porto, as forças de segurança deverão entrar em alerta máximo e garantir total segurança para todos os espectadores.
Tem havido pouco empenho do Governo na questão da segurança no futebol. A matéria é incómoda, por entendida como coisa do clubes, apenas vista numa lógica de facção, e isso, no deve e no haver, tem merecido um condescendente encolher de ombros de quem tem a tutela do fenómeno desportivo. Mas o ministro da Educação e a ministra da Administração Interna não poderão fugir a responsabilidades, se as coisas darem para o torto. Porque os sinais são preocupantes e aquilo que passa para a opinião pública é um desinteresse deveras preocupante.
Espero estar enganado e tudo isto que aqui escrevo não ser mais do que um exagero, fruto de um pessimismo militante. Mas, se a realidade como a vejo for mesmo assim, preocupante, e não houver medidas que acautelem o pior cenário, muita gente (com responsabilidades) terá de prestar contas.

ÁS
Fernando Santos
Embora Portugal deva preparar-se para a hipótese de ter de disputar o play-off de acesso ao Mundial-2018, a verdade é que, depois do desaire na Suíça, a Selecção Nacional tem-se exibido ao nível de um campeão europeu. Mérito do seleccionador, que tem sabido fazer passar a mensagem certa aos jogadores.

ÁS
Cristiano Ronaldo
Tempos houve em que se questionava o rendimento de Cristiano Ronaldo na Selecção Nacional, quando comparado com o que fazia no Real Madrid. Hoje, de quinas ao peito e com a braçadeira de capitão, o prodígio madeirense sente-se como peixe na água, regenerando-se para os embates que os merengues vão enfrentar...

ÁS
Vladimir Petkovic
A Suíça a revelar-se um competidor temível, capaz de obrigar Portugal a passar pela provação do play-off, a caminho do Mundial russo de 2018. A equipa liderada por Petkovic tem sabido ser competente, já venceu a turma lusitana em Basileia, foi ganhar à Hungria e, sem deslumbrar, mostra-se fiável como um relógio... suíço.

O nível a baixar. Onde é que isto vai parar?
«Esse senhor (Luís Filipe Vieira) nem na vida pessoal pode ter a cabeça tranquila, quanto mais no futebol...»
Bruno de Carvalho, presidente do Sporting
Fazer alusões à vida privada para somar argumentos no âmbito profissional sempre foi um sinal claro de falta de carácter, próprio de quem não possui filtros morais que permitam estabelecer limites. Esta é uma verdade universal, aplicável a mais do que um protagonista no universo do futebol português. Bruno de Carvalho é apenas a mais recente aquisição desta lamentável estirpe.

Rumo à vitória
O Benfica conquistou a Taça de Portugal de basquetebol, com a fase final a ser mostrada ao país pela Bola TV. Foi um triunfo importante para os encarnados, numa altura em que não têm hipóteses de discutir o título no andebol, lutam arduamente com o FC Porto pela hegemonia no basquetebol, vêem SC Espinho questionar a superioridade no voleibol (onde pareciam claramente favoritos mas têm fraquejado) e nem no hóquei em patins, em função da oposição de Oliveirense e FC Porto, têm o título garantido. Época muito exigente!

'Cavallino' impõe a sua lei 'down under'
Começou a época de Fórmula 1 e a vitória da Ferrari na Austrália (grande notícia para todos os 'tifosi' do 'cavallino rampante', onde milito!) acabou por constituir uma surpresa, face ao favoritismo atribuído à Mercedes. No entanto, Sebastian Vettel fez a sua magia e a época fica em aberto, 'fast and furious'..."

José Manuel Delgado, in A Bola

As duas faces do nosso futebol

"O jogo da Selecção com a Hungria - já devidamente analisado a nível técnico - serviu para deixar à vista as duas faces do futebol português. A bonita, aquela que nos mostrou no relvado um campeão da Europa justíssimo, alicerçado numa equipa que junta a experiência dos mais velhos com a irreverência dos que começam agora a aparecer, coladas pelo talento do melhor jogador do Mundo, que por muito que a muitos custe é português e se chama Cristiano Ronaldo. Pena que na Luz tenha aparecido também a outra metade, a feia, aquela que nos faz pensar se merecemos de facto os artistas que nos brindam com noites como as de sábado - ou a de 10 de Julho de 2016.
O caso da claque é, convenhamos, desagradável. Trata-se, como perceberá se ler as primeiras páginas da edição de hoje, de um problema criado por uma situação não pensada pela FPF - mas que lhe deu algum jeito em França - e que está agora a ser, parece-nos, aproveitada por alguém para ganhar mais protagonismo do que aquele que merece. Mas o que se retira da confusão gerada pela presença de Fernando Madureira na Luz - e das supostas tentativas de agressão a Jaime Marta Soares - é que já nem a Selecção consegue unir aquilo que tantos fazem para os dias por dividir. O público está com a equipa, sim, mas há demasiada gente que já não consegue alhear-se da clubite aguda, mesmo quando em campo está aquele que devia ser o clube de todos os portugueses. Culpa dos adeptos? Não. Culpa de quem os quer assim: fanáticos, incapazes de pensarem por si. E quando isto já chega, de forma tão aberta, à Selecção, talvez seja hora de todos nos sentarmos a pensarmos se é este, de facto, o caminho que queremos para o nosso futebol..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

#Eusébio. A dor de Flora

"Ó Dona Flora, quantos anos tem?" Eusébio adorava espicaçar a esposa, sabia que ela se punha toda refilona quando ele a provocava. Ele não era perfeito, ela sabia-o bem, mas lá que tinha sentido de humor, tinha. Uma vez, a mulher vestiu umas calças cheias de lantejoulas e preparou-se para sair. Ele estava a ver um jogo na televisão, mas todo aquele brilho quase o cegou. "És capaz de me dizer onde é o espectáculo hoje?", atirou-lhe num sorriso trocista. Depois chamou as miúdas e fez delas suas cúmplices: "A vossa mãe vai dar um concerto e não fomos convidados." Era a sua forma de dizer que não gostava daquelas calças.
Flora cresceu a vê-lo jogar à bola descalço, com os pés em fogaréu, nas ruas da Mafalala, bairro pobre da periferia de Lourenço Marques, hoje Maputo. A mãe dele, a Dona Elisa, pedia ao rapaz que fosse fazer uns recados e ele esquecia-se de tudo e ficava ali a dar pontapés na bola de trapos, trocando as voltas aos mais graúdos. Chamavam-lhe o Magagaga, porque corria tão depressa que não havia quem o apanhasse. E chutava cá com uma força! Um dia fez um remate estourar na barriga de um guarda-redes e ele ficou ali, prostrado, a vomitar.
Um dia, Flora foi a Lisboa a um sarau de ginástica e a Dona Elisa pediu-lhe se podia levar uma encomenda ao seu menino: uma caixa com camarões, "que ele adorava". O rapaz crescera e fizera-se homem. Jogava no Benfica e na selecção portuguesa, brilhava em estádios de todo o mundo, vencera a Taça dos Campeões Europeus ao Real Madrid do seu ídolo Di Stéfano. A ele nada disso importava. Tinha tudo aquilo com que sonhara: ser jogador da bola.
Para o mundo ele era o "Pantera Negra", o "King", o fenómeno vindo de Moçambique que estava a caminho de se tornar o primeiro negro a ser considerado o melhor da Europa. A ela nada disso importava. Era o seu Eusébio. Ainda em miúdo, ele convenceu-se que um dia iria casar-se com ela. E, quando se casaram, ela percebeu que aquele homem, que viria a tornar-se uma lenda, não era só dela. Era de toda uma nação que o idolatrava, orgulhosa do talento dele.
50 anos não são 50 dias, são uma vida. Mas três anos, aqueles que passaram desde a morte dele, parecem a Flora três dias. A dor e a saudade não desaparecem, só aumentam. "Há dias em que penso que não é verdade o que aconteceu", confidenciou-me há duas semanas. Às vezes, quando está a ver televisão sozinha no sofá, ainda se vira para o lado e comenta algo com ele, como se ele ainda ali estivesse. Outras vezes, quando ouve a porta da rua bater, fica à espera de o ver entrar. A falta que ele lhe faz.
Depois do funeral, veio a transladação para o Panteão Nacional. E depois veio uma exposição, um musical, um filme que chegou esta semana às salas de cinema. Flora não sabe bem como lidar com tanta homenagem pública. Tudo nela é saudade, como num fado de Amália. Como é que se esquece alguém que se amou durante 50 anos? Quando o amor de uma vida parte, como se preenche o buraco que deixou?
"Olhe, é a vida!", dizem-lhe. E ela suspira, para não se enfurecer. Porque aquela dor que lhe despedaça o coração só ela a carrega. Se ao menos houvesse um comprimido para tratar tamanha tristeza."

Como é possível que este país seja campeão da Europa?

"Ainda é o Portugal do cada um por si, que de vez em quando se lembra que é um país.

Portugal é o país finalmente campeão da Europa, e bicampeão mundial e potência na formação. É aquele que deu dimensão a Eusébio, Chalana, Futre, Rui Costa, Figo e Ronaldo. O mesmo Portugal que se quer que continue a gerar génios desproporcionados dentro de fronteiras tão pequenas, e que prove que Saint Denis não foi obra de um remate carregado de fé de um patinho-feio, um herói mais-que-improvável a surgir no meio de uma praga de traças.´
É o país de Mourinho. De Leonardo Jardim, Marco Silva, Paulo Sousa, Paulo Fonseca e, reconheça-se, Jorge Jesus, aquele que mais impacto teve no jogo por cá nos últimos anos. Os técnicos portugueses são, como o último já repetiu inúmeras vezes, dos melhores do mundo. Só que, paradoxalmente, bate-se por cá o recorde das chicotadas. São vários os clubes que nomearam para o seu banco um terceiro treinador, que até pode já ter sido despedido de outro lado quase sempre por maus resultados – mas isso não interessa nada!
15 chicotadas, e não há dúvida de que este é o país da chibatada. Quem não gostaria de ser mosca em reuniões de direcção para ouvir as razões que inclinam para decidir por um e não por outro e, talvez – apenas talvez! –, ficássemos todos parvos com tudo isto. Está longe de ser o único, mas imagino que aqueles que despediram Inácio tenham acenado não com a cabeça quando saiu Ranieri. Decisões em cima do joelho, políticas desportivas elaboradas em cima do joelho, e a culpa nunca – nunca! – é de quem toma as decisões mais importantes.
Não surpreende. Falta-nos cultura desportiva. Falta-nos cultura desportiva para gerar melhores dirigentes. Falta-nos gostar do jogo para que o queiramos proteger. As chicotadas são apenas um dos lados do problema.
Este é um país que analisa o ranking da UEFA a pensar na contribuição dos seus clubes, e não nas consequências. Onde se festejam as derrotas dos rivais, mesmo que isso signifique perder uma equipa na Liga dos Campeões daí a dois anos.
Um Portugal em que se olha para a Secreção do ponto de vista do emblema de que se gosta e não da bandeira que se defende, contando jogadores formados dentro de portas nos onzes. Nos golos dos seus, na dependência dos seus. Em que se perseguem os dos outros sem qualquer nexo, em que se vê no insucesso desses novamente o sucesso dos seus. Inacreditável e vergonhoso o que aconteceu com Renato Sanches no passado.
É o país em que uma claque supostamente criada para apoiar a Selecção é escoltada pela polícia para dentro do estádio. Uma claque que, por não se limitar a ser aquilo que deveria ser, criou obviamente confusão. Portugal é, note-se, o país em que é olhado como necessário ter uma claque de apoio quando há mais de dez milhões para fazer jus à equipa de todos nós. Terá sido útil no Euro, admito, apesar do impagável esforço dos emigrantes, mas por cá, e por não ser abrangente, não passa de mais um foco de desestabilização.
Escrevi isto em tom de ironia numa rede social, mas será um pouco o que se passa: Portugal não sente verdadeiramente a sua seleção porque não há no dia seguinte nenhum apoiante do adversário com quem gozar. Ninguém para irritar, rebaixar, seja no trabalho, na escola ou no café. Apesar da Aldeia Global, ainda não chegámos a esse ponto.
Portugal é o país em que se queixam de que só se olha para os grandes e, à excepção de um ou outro, os restantes estádios estão vazios. Joga-se a maior parte das vezes à porta fechada, excepto quando os visitantes dos maiores os enchem.
Não é só um problema financeiro. O futebol não bebe a sua força das cidades, porque se gosta pouco de desporto, pouco de futebol. Gosta-se de ganhar no futebol, porque é a modalidade mais importante, e isso não é para todos.
É o país em que se fala da falta de competitividade, e ninguém tenta resolver o problema. A Liga quer ser competitiva, mas os grandes querem continuar grandes, maiores do que os outros. Logo, negociar por igual os direitos televisivos não é uma opção. Para mal dos pequenos, e da tal competitividade.
A projecção da Liga é medíocre. Os clubes fecharam os treinos; os jogadores não falam, não contam a sua história, são ocos, aparecem-nos à frente sem conteúdo. A afinidade que criam com os adeptos é cada vez menor. Os clubes têm medo do impacto do que pode dizer um jogador, mas depois cometem erros atrás de erros no que comunicam institucionalmente.
O produto-futebol não é protegido. A justiça é lenta e má, vive-se um clima de impunidade, que começa a um nível básico como as queixinhas.
Portugal é esse país de queixinhas à beira mar plantado.
Há queixinhas de uma ponta à outra do futebol português. Em todos os cantos, mas sobretudo nos mais repisados, de onde saem as vozes dos grandes. Não é de hoje, é desde que somos gente. 
Queixam-se de tudo e de mais alguma coisa. Muitas vezes uns dos outros, quando não é disso é dos árbitros. Dos seus, quando dá jeito, e os dos outros. Já quando são favorecidos não se gosta de falar deles. São os maiores, até que chega a altura em que têm de dar um murro na mesa porque quem não se sente não é filho de boa gente. E são todos, mas todos, iguais.
A queixa pode evoluir para algo mais profundo, e vêem a luz conceitos antigos como a verdade desportiva ou a preocupação pelo futuro do futebol português. Protesta-se por tudo e por nada, antecipam-se protestos, ameaçam-se protestos, protesta-se que os outros protestam. Não param nos árbitros, nada os trava. Vão mais acima, atiram-se aos tribunais desportivos. Depois, aos civis. Se não os ouvem, se não se lhes encontra razão no que defendem, há que meter o Governo nisso. O país que pare, se for preciso.
Chega o clássico e o ruído aumenta. Torna-se ensurdecedor. Um cenário digno de Twilight Zone. 
Temos todos de reaprender a gostar do jogo, incluindo, claro, nós jornalistas. Quando isso acontecer teremos, acredito, melhores dirigentes, que se preocuparão em ter um melhor produto, uma liga mais competitiva, mais adeptos nos estádios e provavelmente melhores jogadores. Os portugueses evoluirão com melhores estrangeiros e teremos ainda uma Selecção mais forte.
Mas ainda parece tudo demasiado longe.
Portugal é, ainda, o país do cada um por si, que de vez em quando se lembra que é um país. Já conseguiu ser campeão da Europa, falta merecê-lo fora de campo."


PS: Eu acrescentaria a forma cobarde como os jornalistas, metem tudo no mesmo saco... Como são incapazes de separar os Brunos Carvalhos desta vida, com por exemplo o último comunicado que o Benfica publicou... onde exigia tratamento igual para todos!!!!!!!
Misturar ataques mentirosos, misturar factos alternativos, misturar inclusive ataques à vida privada dos intervenientes, misturar aquilo que é dito em programas de televisão produzidos para o espectáculo, com comunicados institucionais dos clubes é ridículo...! 
E só acontece porque os jornaleiros querem... porque também lhes dá audiência!!!
Tal quando dão tempo de antena a criminosos condenados... dando-lhe supostamente credibilidade!

A lei 12 (parte II)

"Exploramos hoje a parte final da Lei 12, que como se recordarão, refere-se a faltas e incorrecções. 
Como referimos na semana passada (AQUI), nela cabem as definições técnicas e disciplinares da maioria das questões que são sancionadas no futebol.
Hoje olharemos, em particular, para aspectos de ordem disciplinar.
Primeira pergunta: os cartões servem para quê?
Bem, o amarelo para comunicar uma advertência (uma espécie de primeiro aviso ao jogador e à sua equipa) e o vermelho para informar que haverá expulsão.
Para que conste, apenas jogadores efectivos, substituídos ou suplentes podem "ver" cartões. Os técnicos não (recebem ordem de expulsão se tiverem claro comportamento irresponsável).
O poder disciplinar do árbitro começa desde que entra no terreno de jogo (para a sua inspecção inicial, antes do início da partida) até ao momento em que o abandona (após o apito final).
Se um qualquer jogador cometer uma acção passível de expulsão no momento em que o árbitro estiver a vistoriar as condições do terreno (por exemplo, se o ofender ou insultar), o árbitro deve impedi-lo de participar na partida (aí não mostra cartão, obviamente). É, digamos, um poder exercido pela autoridade que as leis de jogo lhe conferem. Aliás, desde que entra nas instalações até que as abandone, pode agir disciplinarmente em casos que justifiquem acção directa ou mera menção no seu relatório de jogo.
Falemos agora da lei da vantagem.
Sempre que o árbitro a conceda e a infracção tenha sido passível de advertência ou expulsão, o respectivo cartão será exibido na interrupção seguinte.
No entanto, a lei sugere (quase impõe) que a vantagem não deve ser aplicada em casos de falta grosseira ou conduta violenta (vermelho) ou em lances que originem uma segunda advertência, a menos que se trate de uma clara oportunidade de golo.
Todavia e neste caso, se o infractor que tiver de ser expulso, disputar entretanto a bola ou interferir com um adversário, o árbitro deve interrompido de imediato o jogo. A partida recomeçaria então com livre indirecto.
Agarrão "continuado"
Se um defensor começar a agarrar um adversário fora da sua área mas só o largar dentro, será punido com pontapé de penálti. Esta é a única excepção à regra, uma vez que todos os lances desta natureza devem ser punidos no início da acção.
Infracções passíveis de advertência (amarelo):
Retardar o recomeço de jogo; manifestar desacordo por palavras ou actos; entrar/reentrar deliberadamente ou sair do terreno de jogo sem autorização ou sair; não respeitar a distância nos pontapés de canto, nos livres ou lançamentos laterais; infringir com persistência; tornar-se culpado de comportamento anti-desportivo
Na questão do "comportamento anti-desportivo" cabem muitas situações.
Por exemplo, simular uma lesão ou fingir ser vítima de uma falta inexistente, cometer com negligência faltas passíveis de livre directo/penálti, cortar ataque prometedor do adversário, tentar marcar golo com a mão, etc.
Falemos agora de outro momento:
Celebração de golos
Os festejos são naturais e permitidos, desde não sejam excessivos ou que não conduzam a perdas deliberadas de tempo.
Ao celebrar um golo, um jogador será advertido se: trepar as vedações; fizer gestos provocatórios, inflamatórios ou de gozo; tirar a camisola ou cobrir a cabeça com ela; cobrir a cara com uma máscara ou algo parecido.
Outra nota agora:
Retardar recomeço jogo
Há várias formas de retardar intencionalmente o reinício de uma partida e todas são punidas com advertência.
Por exemplo, simular efectuar um lançamento lateral e de repente deixar a bola para um colega, demorar a sair do terreno numa substituição ou executar o livre num local errado para forçar o árbitro a ordenar a repetição, etc.
São muitas e requerem alguma inteligência (malandrice), mas os árbitros devem estar atentos e punir, com severidade, sem hesitar.
Falemos agora das infracções passíveis de expulsão
Impedir o adversário de marcar um golo ou anular clara oportunidade, tocando a bola com a mão; 
Anular clara oportunidade de golo, cometendo sobre o adversário uma infracção passível de livre directo ou penálti: aqui a excepção é quando a falta é cometida dentro da área e em que o defensor tente claramente jogar ou disputar a bola. Nesse caso, ele será apenas advertido, devido ao fim da chamada "tripla penalização".
Tornar-se culpado de falta grosseira (trata-se de qualquer infracção que ponha em perigo a integridade física de um adversário ou que envolva o uso de força excessiva ou brutalidade);
Tornar-se culpado de conduta violenta (é a agressão pura e simples: dá-se quando um jogador usa ou tenta usar força excessiva ou brutalidade sobre qualquer pessoa, independentemente da bola estar ou não em jogo);
Usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos ou grosseiros;
Receber segunda advertência no mesmo jogo.
Faltas cometidas lançando um objecto (ou a bola)
Se, com a bola em jogo, um jogador (ou suplente/substituído) atirar um objecto contra um adversário ou contra qualquer outra pessoa, o árbitro deve interromper a partida e adverti-lo (caso tenha cometido essa acção com negligência) ou expulsa-lo (se a praticou com força excessiva).
Como recomeça o jogo após qualquer falta ou incorrecção?
Se o jogo estiver já interrompido, recomeçará obviamente em conformidade (com o respectivo pontapé de baliza, canto, etc).
Mas se a bola estiver em jogo e a infracção for cometida no interior do terreno contra:
Um adversário: com livre indirecto, directo ou penalti (consoante a infracção);
Um colega, suplente, substituído, árbitro ou elemento oficial,com livre directo ou penálti;
Outra qualquer pessoa, com bola ao solo.
Agora outra variável da lei:
Infracções com a bola em jogo, em que o infractor comete a falta fora do terreno de jogo:
Se ele já estiver fora do terreno nesse momento, a partida deve recomeçar com bola ao solo;
Se o jogador sair deliberadamente do terreno para cometer a infracção, é punido com livre indirecto no local onde a bola se encontrava no momento da interrupção.
No entanto, se por acção de uma jogada disputada entre dois atletas e junto a uma linha, um jogador sair do terreno de jogo momentaneamente e aí cometer infracção, será punido com livre directo, indirecto ou penalti - conforme a gravidade da falta - sobre a linha mais próxima onde a infracção foi efectuada.
Poderá também ser punido com pontapé de penálti (se essa infracção era passível de ser punida desse modo e for cometida no exterior do terreno, mas já em zona enquadrada com a área de penálti). 
Quase a terminar. Notas finais:
Se um jogador atirar um objecto contra um adversário que esteja no terreno, será punido com livre directo ou penálti (depende do local em que o objecto atingiu ou atingiria o adversário).
Mas recomeçará com pontapé livre indirecto se um jogador, dentro do terreno, atirar um objecto contra qualquer pessoa que esteja no seu exterior.
Também recomeçará com livre indirecto se um suplente ou substituído lançar objecto contra um adversário que esteja dentro do terreno.
E fim de história.
Como referimos, a Lei 12 é extensa e complexa. Merece, de facto, cuidado muito especial.
Daqui nascem as sanções (técnicas e disciplinares) que regem todo o jogo. E isso não pode ser tomado de ânimo leve por árbitros, jogadores, treinadores, adeptos e universo do futebol em geral. 
Para a semana voltamos, com a Lei 13. Até breve."

Benfiquismo (CDXIX)

Preparados...!!!

domingo, 26 de março de 2017

22.ª Taça de Portugal

CAB Madeira 67 - 85 Benfica
22-27, 17-13, 18-30, 10-15

Tal como previ, jogo difícil... até que o cansaço dos dois prolongamentos de ontem, começou a afectar os Madeirenses! O CAB tem um 'cinco' forte, experiente, e que conhece muito bem a equipa do Benfica, já que muitos são ex-Benfica...!!!
O Benfica voltou a gerir bem o plantel, com nenhum jogador a chegar aos 30 minutos... algo que devíamos fazer mais vezes, mesmo quando não temos calendários menos 'apertados'!!!
Justíssimo o prémio MVP para o Carlos Morais que esteve muito bem nestes 3 jogos...