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sábado, 6 de julho de 2019

Treino e palavras...

Calendário encarnado na Primeira e Segunda Liga 2019/2020: clássico na terceira, derby e duelo de B’s na última

"O sorteio dos campeonatos profissionais realizado na sexta-feira, no Palácio da Bolsa, no Porto, ditou o início oficial da época 2019/2020. Como tal, foram conhecidos os calendários para a Primeira e Segunda Liga, bem como o emparelhamento da primeira e segunda fase da Taça da Liga. A cerimónia também serviu para atribuir os prémios aos jogadores e treinadores que se destacaram na época transacta.
João Félix foi, sem surpresa, distinguido como Jogador Jovem do Ano, Seferovic arrecadou o troféu de melhor marcador, com 23 golos, e Bruno Lage recebeu o prémio de melhor treinador. O agora reforço do Atlético de Madrid e o internacional suíço juntam-se a Grimaldo e Rafa Silva no onze do ano. Quanto ao sorteio da Taça da Liga, o Benfica, na qualidade de campeão nacional, tem passagem direta para a fase de grupos da Taça da Liga, cujo sorteio se irá realizar em Agosto.
No entanto, o grande destaque foi, sem dúvida, a revelação do calendário que acompanhará o Benfica na temporada que agora começa. Eis o calendário completo:
Jornada 1-18 (Agosto-Janeiro): Paços de Ferreira (Casa-Fora)
Jornada 2-19 (Agosto-Fevereiro): Belenenses SAD (Fora-Casa)
Jornada 3-20 (Agosto-Fevereiro): FC Porto (Casa-Fora)
Jornada 4-21 (Setembro-Fevereiro): SC Braga (Fora-Casa)
Jornada 5-22 (Setembro-Fevereiro): Gil Vicente (Casa-Fora)
Jornada 6-23 (Setembro-Março): Moreirense FC (Fora-Casa)
Jornada 7-24 (Setembro-Março): Vitória FC (Casa-Fora)
Jornada 8-25 (Outubro-Março): Tondela (Fora-Casa)
Jornada 9-26 (Outubro-Março): Portimonense (Casa-Fora)
Jornada 10-27 (Novembro-Abril): Rio Ave (Casa-Fora)
Jornada 11-28 (Novembro-Abril): Santa Clara (Fora-Casa)
Jornada 12-29 (Dezembro-Abril): Marítimo (Casa-Fora)
Jornada 13-30 (Dezembro-Abril): Boavista (Fora-Casa)
Jornada 14-31 (Dezembro-Abril): Famalicão (Casa-Fora)
Jornada 15-32 (Janeiro-Maio): Vitória SC (Fora-Casa)
Jornada 16-33 (Janeiro-Maio): Desportivo das Aves (Casa-Fora)
Jornada 17-34 (Janeiro-Maio): Sporting CP (Fora-Casa)
O arranque da Primeira Liga está marcado para o fim de semana de 11 de Agosto no Estádio da Luz, com o Paços de Ferreira, o campeão da Segunda Liga do ano passado. Por ser um confronto entre campeões, promete ser interessante logo no início. As três jornadas seguintes esperam-se escaldantes, com confrontos nada fáceis: ida ao Jamor, clássico com o Porto na Luz e deslocação à Pedreira para defrontar os arsenalistas. Diria que é a altura do ano mais complicada para os encarnados.
Pelo meio, merece destaque a recepção a Moreira de Cónegos, com a equipa revelação da época transacta, na 6ª e 23ª jornada; o sempre ambicioso Rio Ave à 10ª e 27ª, respectivamente, e a deslocação a Guimarães nas antepenúltimas jornadas.
O eterno derby com os leões está reservado para a última jornada de ambas as voltas: os encarnados começam por jogar em Alvalade e terminam a época junto dos seus adeptos, na Luz, no que promete ser uma recta final vibrante.
A emoção está certamente garantida desde o início e não se espera uma época nada fácil. Os confrontos de maior relevo estão marcados para alturas decisivas do calendário e, nos restantes, não se esperam facilidades. A pressão não poderia ser maior, uma vez que o Benfica entra em campo para tentar revalidar o título, com vista ao já tão desejado 38.

Virando as atenções também para Segunda Liga, a cerimónia premiou o Benfica B com dois prémios: Clube Fair Play e Jogador Jovem do Ano, atribuído a Jota, que começou a época passada na Segunda Liga antes de rumar à principal. A chave, essa, ditou o seguinte emparelhamento:
Jornada 1-18 (Agosto-Janeiro): Estoril Praia (Casa-Fora)
Jornada 2-19 (Agosto-Fevereiro): Vilafranquense (Fora-Casa)
Jornada 3-20 (Agosto-Fevereiro): Oliveirense (Casa-Fora)
Jornada 4-21 (Setembro-Fevereiro): Cova da Piedade (Fora-Casa)
Jornada 5-22 (Setembro-Fevereiro): Académico de Viseu (Casa-Fora)
Jornada 6-23 (Setembro-Março): Leixões (Fora-Casa)
Jornada 7-24 (Outubro-Março): Nacional (Casa-Fora)
Jornada 8-25 (Outubro-Março): Académica (Fora-Casa)
Jornada 9-26 (Novembro-Marco): Chaves (Casa-Fora)
Jornada 10-27 (Novembro-Abril): Penafiel (Fora-Casa)
Jornada 11-28 (Dezembro-Abril): Mafra (Casa-Fora)
Jornada 12-29 (Dezembro-Abril): Feirense (Fora-Casa)
Jornada 13-30 (Dezembro-Abril): Varzim (Casa-Fora)
Jornada 14-31 (Dezembro-Abril): Sporting da Covilhã (Fora-Casa)
Jornada 15-32 (Janeiro-Maio): Farense (Fora-Casa)
Jornada 16-33 (Janeiro-Maio): Casa Pia (Casa-Fora) 
Jornada 17-34 (Janeiro-maio): Porto B (Fora-Casa)
O destaque maior vai para o confronto duplo com o Porto B na última jornada. Aliás, era uma das condicionantes principais do sorteio: que as únicas equipas B’s se defrontassem na derradeira parelha de jogos. No entanto, as duas jornadas iniciais não se revelarão nada fáceis para a turma de Renato Paiva, ou não fossem os duelos o sempre candidato à subida, Estoril Praia, e o finalista vencido do Campeonato de Portugal, o Vilafranquense, que se estreia na competição. Entre a sétima e a nona jornada, os jogos com Nacional, Académica e Chaves também merecem especial atenção, para não falar da ida a Santa Maria da Feira (13ª), Covilhã (14ª) e a partida no Caixa Futebol Campus com o vencedor do Campeonato de Portugal e também estreante Casa Pia, na antepenúltima jornada.
Os dados estão lançados e a bola começa a rolar na segunda semana de Agosto, com os primeiros de muitos jogos que marcarão a longa temporada que se avizinha. Vem aí a 86ª edição da Primeira Liga e a 30ª do segundo escalão. Uma das melhores alturas do ano está prestes a chegar e, do Benfica, espera-se mais uma temporada ao mais alto nível, sabendo sempre as facilidades não estão garantidas."

O melhor lateral direito é um lateral esquerdo

"Há uns anos, o mais considerado comentador em Portugal disse no seu púlpito que “quem julga o futebol pelas estatísticas não percebe nada de futebol”. Eu, que me considero pioneiro nesse tipo de análise na imprensa portuguesa, a partir de 1983, enfiei a carapuça, não porque reduza a minha observação a esses parâmetros, mas porque julgo que eles indiciam quase tudo sobre a capacidade de um jogador ou de uma equipa e, numa análise alargada, fazem sempre o retrato minucioso de qualquer atleta.
Mas há excepções. Há casos de jogadores com estatísticas excepcionais, que coleccionam triunfos e títulos, mas nunca entram nas contas dos que exaltam a sua sapiência com o sacramental “futebol é isto mesmo” e percebem tudo sem recorrer às estatísticas. Mário Jardel não foi contratado pelo Benfica porque, disse-me um dirigente na altura, “só marca golos”, ou seja, tinha boas estatísticas, mas não saberia jogar!
André Almeida é também um destes casos raros, visto pelos especialistas como um jogador banal apesar dos números excepcionais. No final da sua melhor época de sempre, em que foi o mais produtivo lateral direito do futebol europeu, viu-se ultrapassado por dois laterais esquerdos na equipa-tipo da sua própria Liga. E porquê? Porque tanto Grimaldo como Alex Telles tiveram estatísticas semelhantes, mas jogando noutra posição.
Os técnicos da Liga Portugal não tiveram coragem de escolher entre Grimaldo (34 jogos, 4 golos, 12 assistências) e Telles (33-4-8) e atiraram Almeida (32-2-12) borda fora, sem sequer considerar que jogou menos tempo e custa cinco vezes menos que os outros dois. Arrisco-me a dizer que quem fez esta escolha percebe pouco de futebol e ainda menos de estatísticas.
Podiam tê-lo substituído por Manafá ou Ristovski ou Marcelo Baiano, apesar de terem estatísticas bem piores mas serem excelentes jogadores, mas não: o melhor lateral direito de Portugal é um lateral esquerdo
 Pagava para ver Grimaldo ou Alex Telles, de quem o saudoso Neves de Sousa diria que só têm pé direito para subir ao estribo do eléctrico, fazerem um joguinho de alta competição como laterais direitos. Devia ser hilariante, no mínimo. Mas já vi André Almeida desenrascar-se muito bem como lateral esquerdo (39 jogos, 1 golo, 3 assistências, na carreira) e noutras posições, pois ninguém que perceba de futebol lhe negará a condição de melhor jogador polivalente desde António Veloso.
Por tudo isto, também não tinha entendido a desconsideração permanente que lhe faz o seleccionador nacional Fernando Santos, um treinador a quem as estatísticas triunfais acabam, no final das contas, por justificar as decisões mais incompreensíveis.
André Almeida está numa fila atrás de João Cancelo, Nelson Semedo, Cedric Soares, Ricardo Pereira e Diogo Dalot, pelo menos, mas talvez também depois de Mário Rui e Rafael Guerreiro, que são óptimos laterais esquerdos. Talvez tenha de nascer dez vezes, como diria outro grande empírico da bola!"

Saudades...

Benfiquismo (MCCXXVIII)

Grandes...

Sorteio... 2019/20

Admito, não foi nada mau!!! Principalmente se compararmos com os cozinhados dos últimos anos, mesmo assim, ainda temos algumas coincidências 'estranhas': voltamos a ter um jogo 'grande' na 3.ª jornada (não gosto, recordo que o Mercado ainda está aberto...); e os Lagartos voltam a ter um jogo 'grande' na última (provavelmente com a Liga já decidida)!!!
Por outro lado, os jogos com os Corruptos, o Sporting e o Braga, vão-se realizar em momentos onde não temos jogos Europeus...
Janeiro e início de Fevereiro, será importantíssimo: jogaremos no Alvalixo, no Dragay e depois recebemos o Braga, tudo em 5 jornadas!!!

O primeiro objectivo é a Supertaça, mas para nós adeptos, temos que começar a 'preparar' o jogo do Paços na Luz e depois teremos uma visita ao Jamor em Agosto, com muito emigrantes e de preferência com casa cheia... sem esquecer que na última época, perdemos 5 pontos com o Belenenses!!!

Mas a prova dos nove sobre o Sorteio, só após o Sorteio da Champions! Será muito importante perceber quais serão as jornadas, após o 'regresso' das Selecções, e perceber os 'encaixes' com as jornadas da Champions: essencial jogar em casa, após os jogo fora da Champions!!!

Recordo também, que tanto os Corruptos como o Braga vão ter jogos nas pré-eliminatórias da Champions e/ou da Liga Europa em Agosto...

I Liga
1.ª Benfica - P. Ferreira 
2.ª Belenenses - Benfica
3.ª Benfica - FC Porto
4.ª Braga - Benfica
5.ª Benfica - Gil Vicente
6.ª Moreirense - Benfica
7.ª Benfica - V. Setúbal
8.ª Tondela - Benfica
9.ª Benfica - Portimonense 
10.ª Benfica - Rio Ave
11.ª Santa Clara - Benfica
12.ª Benfica - Marítimo
13.ª Boavista - Benfica 
14.ª Benfica - Famalicão
15.ª V. Guimarães - Benfica
16.ª Benfica - Aves
17.ª Sporting - Benfica

A Liga aproveitou para distribuir alguns prémios, relativos à época anterior... com algumas curiosidades 'excêntricas'!!!
Bruno Lage, o melhor treinador
Seferovic, o melhor marcador
Félix, o melhor jogador jovem
No melhor onze da época: Grimaldo, Rafa, Félix, Seferovic

Inacreditável como o Rúben Dias e o Pizzi ficaram de fora do melhor 11 (o 2.º classificado tem mais jogadores no melhor onze!!!!)... Já para não falar que só na I Liga Portuguesa, o melhor jogador, não é Campeão!!!
Estes prémios 'subjectivos' são decididos com o voto dos Treinadores e Capitães da I Liga, não deixa de ser um 'bom' indicador para perceber o alcance do 'polvo' Corrupto, em todos os Clubes da I Liga: nem nestas ocasiões conseguem despir a camisola!!!

Jota, o melhor jogador da II Liga
Benfica B, prémio fair play da II Liga

II Liga
1.ª Benfica B - Estoril Praia
2.ª Vilafranquense - Benfica B
3.ª Benfica B - UD Oliveirense
4.ª C. Piedade - Benfica B
5.ª Benfica B - Ac.Viseu
6.ª Leixões - Benfica B
7.ª Benfica B - Nacional
8.ª Académica - Benfica B
9.ª Benfica B - Chaves
10.ª Penafiel - Benfica B
11.ª Benfica B - Mafra
12.ª Feirense - Benfica B
13.ª Benfica B - Varzim
14.ª Covilhã - Benfica B
15.ª Farense - Benfica B
16.ª Benfica B - Casa Pia
17.ª FC Porto B - Benfica B

Hoje é um dia importante

"O sorteio da Liga está hoje para o imaginário do adepto como o lançamento da caderneta de cromos quando tinha oito anos

Mercado morno onde as contratações não são novidades e as novidades nunca dão em contratações. Uma semana onde as notícias são marcadas pela venda de João Félix ao Atl. Madrid, talvez a notícia mais requentada do defeso, é muito probrezinha. Para animar os adeptos benfiquistas chegam (por recompra) Chiquinho, como anunciado 20 vezes, e concretiza-se a compra de RDT, como anunciado 40.
Quase nunca «embandeiro em arco» com contratações de pré-época, sendo prudente nas euforias clubísticas do defeso, mas este Raúl de Tomás enche-me de ilusão e esperança. Era o jogador que necessitávamos, com as características que precisávamos para a posição mais carenciada do actual plantel. Acredito que se sair Jonas, terá que vir mais um, mas este tem tudo para mostrar que foi barato. Caro foi o Escalona e o Dudic.
Se não é o FC Porto falhar uma aquisição de vez em quando, isto ficava uma pasmaceira total. Um pouco de excitação nesta fase só é possível para um adepto que vai a uma assembleia geral do Sporting.
Hoje é um dia importante nas nossas (de adeptos) vidas, com o sorteio da Liga, no bonito Palácio da Bolsa (era difícil escolher melhor), o próximo ano da nossa agenda é muito decidido mais logo. Esta noite nos claustros da Bolsa dita-se a sorte e o seu calendário.
Onde vamos, quando vamos, roteiros futebolísticos e gastronómicos, contas sobre a facilidade e dificuldade da prova, objectivos de cada equipa, simulações de resultados, mais logo é todo um mar de agradáveis exercícios que se abre para os afazeres deste fim-de-semana. O sorteio é coisa séria para quem gosta desta matéria.
O sorteio da Liga está hoje para o imaginário do adepto como o lançamento da caderneta de cromos quando tínhamos oito anos, abre um leque de possibilidades.
Na mais mesquinha das minhas vontades está o maior dos meus desejos, um calendário para cumprir com êxito e um adversário na última jornada que me indique o caminho do Marquês ao ouvir o último apito, para festejar o 38.
Grande prestação de João Sousa ao mais emblemático dos torneios de ténis, bater M. Cilic na relva é um feito dos maiores realizados pelo ténis português. Vencer um ex-vencedor de um grand slam, num grand slam é assinalável. Haja champagne e morangos à saúde de João Sousa."

Sílvio Cervan, in A Bola

126

"O montante estratosférico da transferência deve-se, sobretudo à capacidade presente e potencial do jogador, mas não só. A notável saúde financeira da SAD benfiquista tem, na saída de João Félix, o exemplo cabal e definitivo que a comprova.
A intransigência quanto ao valor da cláusula de rescisão tornou-se credível a partir do momento em que ocorreram, em simultâneo, alguns factores, entre os quais os sucessivos exercícios económicos lucrativos, o crescimento sustentado das receitas, a redução quase total do endividamento bancário e a facturação assinalável já feita com a alienação de passes (Jiménez; Jovic; Talisca; etc.).
Porém, há um detalhe nesta operação ainda mais revelador quanto à saúde económica-financeira da SAD: não houve urgência, dando até a ideia de que, para a SAD benfiquista, seria melhor que ocorresse em Julho (2019/20), não prejudicando assim, do ponto de vista fiscal, as suas contas.
Mas se não havia necessidade, porque houve uma negociação? A resposta é simples: Não era preciso vender, mas tinha de se vender, procurando-se, por isso, uma solução que permitisse ao Atlético de Madrid apresentar o montante da cláusula de rescisão de João Félix.
Parece paradoxal, mas é mesmo assim. A saúde financeira é evidente, mas não perpétua. Pura e simplesmente o Benfica não conseguiria acompanhar a oferta salarial proposta ao jogador. Além disso, parece-me avisado que os atletas do Benfica percebam que não lhes são cortadas as pernas, assim se acautelam os interesses do clube. E 126 são muitos milhões: Acima de um terço do passivo; Quase dez vezes o endividamento bancário; mais do dobro do passivo financeiro corrente; 75% do todo o endividamento financeiro (RC 1.º Sem. 18/19)."

João Tomaz, in O Benfica

Tudo de novo

"E pronto, recomeçou a época futebolística. Na prática, e com a novela João Félix e a Liga das Nações, parece que nem houve pausa, mas não é sempre assim? Agora que a equipa campeã nacional de futebol voltou aos treinos, os jornais, sites e canais de televisão têm uma oportunidade única de falar de futebol, mas parece-me que não vai acontecer. O que interessa agora é perceber se Jonas continua a jogar, quando é que Félix é apresentado no Atlético (se não foi já enquanto escrevo...) ou se os novos reforços vão marcar pelo menos 50 golos nesta época para não serem considerados um falhanço pelos 'especialistas'.
Recomeça a temporada, e os de sempre não desarmam, procurando falhas de gestão e de planeamento para se colocarem em bicos de pés e dizerem que percebem de bola. Na verdade, percebem é 'bola'. E depois há os vizinhos, que não se conseguem entender, nem que para isso dependa a sobrevivência do seu clube. Podia até dar pena, se não tivessem o que merecem.
E ainda há os rivais do Norte, que tentam esconder as contratações que não fizeram e as saídas a custo zero que permitiram e que não agradaram aos seus adeptos. Uns e outros até tentaram boicotar um negócio de 126 milhões, diz a comunicação social. A ser verdade, é um claro sinal de desespero que se vive no Campo Grande e nas Antas. Entre a dor de cotovelo que não lhes passa e os tiros nos pés que todos os dias apresentam aos seus sócios e adeptos (insultos em assembleias-gerais ou roleta russa de guarda-redes), cheira-me que vai ser um Verão muito interessante para quem gosta de filmes de crime e traição. Para quem gosta de bom futebol, de progresso, de inovação, de alegria no relvado e juventude a dar cartas, fica um conselho: dediquem-se a ver o que o Benfica de Bruno Lage pode fazer em campo."

Ricardo Santos, in O Benfica

Venha daí esse treino aberto

"Amanhã é dia de treino aberto no Seixal, e o meu entusiasmo não podia ser maior. A alegria de celebrar a conquista de um campeonato é gigante, mas confesso que a euforia sempre que este treino de arranque da pré-época acontece não é muito diferente. Até tenho dúvidas se não será mesmo um estado de felicidade maior, ainda que motivado por alguma ilusão. A pré-época é mágica. Foi nesta fase tão maravilhosa da temporada que eu me convenci de que o Michel, vindo do Penafiel, iria explodir e fazer tantos golos como o número da camisola: 40. Acabaram por não ser assim tantos como eu esperava - não marcou nenhum. Eu reconheço que gosto de me deixar levar pela imaginação. Faz parte da piada de ser adepto. Tenho partilhado um pensamento com alguns amigos, apesar de todos reagirem com o mesmo olhar abismado. Se o Tó Madeira era capaz de saltar do Gouveia para se transformar no melhor jogador de todos os tempos no CM 01/02, quem me garante que o Cádiz não leva o Benfica às costas até à final da Liga dos Campeões? Eu estou confiante.
A pré-época é ainda mais especial desde que apareceu a política de subir jogadores da formação para o plantel principal. Já aconteceu com atletas da equipa B, dos juniores, e eu, que acompanho com atenção todos os escalões, já vi um ou dois miúdos dos benjamins com potencial para se afirmarem de imediato. Não me venham com a desculpa da estrutura física - são mais ou menos da altura do Rafa. Estou sempre em pulgas para ver o Pedro Álvaro, Nuno Tavares, o David Tavares, o Tiago Dantas e o Nuno Santos em acção.
Ansioso para conhecer melhor o Cádiz e o Caio Lucas, receber de novo o Chiquinho e rever os nossos craques. Amanhã é dia de matar saudades."

Pedro Soares, in O Benfica

O campeão voltou

"Depois de um merecidíssimo período de repouso, os nossos campeões regressaram nesta semana ao trabalho. E, atendendo ao extraordinário percurso efectuado na segunda metade da época transacta, não faltam razões para encarar este regresso com o maior optimismo. O treinador mantém-se. E a espinha dorsal do plantel campeão também. Entre o que existe na Luz e o que espreita no Seixal, não parece haver necessidade de grandes reforços. À excepção da linha de ataque, onde João Félix e Jonas serão baixas de vulto - que certamente serão supridas a breve trecho - , todos os restantes sectores estão muito bem apetrechados. Com um ou outro acerto se segunda linha, há qualidade mais do que suficiente para responder aos desafios da nova temporada.
A SAD encarnada em boa hora promoveu uma linha de renovações com os principais elementos da equipa, segurando-os face a natural assédio do exterior. Com a já mencionada excepção de Félix, todos os outros titulares da reconquista deverão permanecer entre nós. Pelo menos é isso que se espera, pese embora o maldito mercado ainda se mantenha aberto durante quase dois meses.
Com mais um ano de maturação, alguns dos jovens lançados Bruno Lage poderão atingir um plano ainda mais elevado, face àquilo que já exibiram. E outros já estão na calha.
Agora há que trabalhar com determinação e confiança para que, dentro de um mês, aquando da Supertaça, estejamos em condições de voltar a exibir a superioridade patente ao longo da última época. E depois, atacar o bicampeonato com toda a energia. Talvez sejamos favoritos, mas não há espaço para facilitismos."

Luís Fialho, in O Benfica

Brilhante!

"Se há projecto do Sport Lisboa e Benfica que realizou uma época de sonho, esse projecto foi o do futebol feminino. Logo na primeira temporada conseguir conquistar seis títulos, cinco nacionais e um regional, é digno de registo. O mérito tem de ser atribuído a todos os membros deste excelente grupo de trabalho, que revolucionou o sector em Portugal. A entrada do maior clube português no futebol feminino era muito desejada pela Federação Portuguesa de Futebol. Além  da equipa A, os nossos dirigentes apostaram na principal política do Clube - a formação.
Os resultados estão à vista - as nossas jovens conquistaram brilhantemente quatro títulos, três deles nacionais (sub-19, sub-17 e sub-15).
Fernando Tavares é um dos grandes obreiros deste projecto. Inspirado nas linhas mestras do presidente,  vice-presidente esboçou um projecto sustentado em quatro valores - paixão, compromisso, competência e inovação. Com uma visão arrojada, em que o objectivo passa por ser um modelo de referência nacional e internacional, liderar o futebol feminino nacional e conquistar o título de campeão europeu, este projecto tem tudo para dar certo. Conquistar a Taça de Portugal, eliminando quatro equipas da I Liga, entre elas  campeão nacional, SC Braga, é obra! Uma palavra especial para a equipa técnica, liderada por João Marques, coadjuvado por Valter Pinheiro e Paulo Silva, e ainda para Luís Andrade, coordenador técnico. Olhando para o futuro, a estratégia é clara - formação de excelência, contratação criteriosa, abordagem inovadora ao treino e à condição física, bons resultados desportivos e boa qualidade de equipa."

Pedro Guerra, in O Benfica

Karingana ua Karingana, era uma vez

"Rezam as palavras do poema de Craveirinha, pintadas com estilo no mural da Iverca e repetidas em blues mood pelo Ivan. Jovem fundador da associação Ivan, Erica e Carlos, Iverca, que começou como um sonho e hoje dá cartas no turismo de Maputo a mostrar o património e a história da Mafalala, o bairro dos craques da bola, dos intelectuais, dos dois presidentes da República e do povo, de tanto povo que tem em si toda a diversidade cultural de Moçambique.
O sol de Maputo aquece as chapas de zinco das velhas casas de carcaça esboroadas que lembram aos passantes as origens da Mafalala. Ivan guia-nos com mestria pelo labirinto poeirento das ruelas que revelam sorrisos a cada recanto. Uma brisa suave lembra que estamos no inverno, ameno abaixo do equador, moldando um estar a uma identidade serena e acolhedora, montra de um orgulho genuíno de ser moçambicano. É um povo que sabe ser e tem ciência de estar na vida, sem atropelar o tempo das coisas nem tornar irrelevantes as pessoas e as coisas mudanças. Está-se bem aqui, nesta cidade que outrora foi a não-cidade, da cidadania negada por cadernetas indígenas e livres-trânsitos, no tempo em que a circunvalação era barreira e não caminho, mesmo no limite para lá da velha Lourenço Marques, separando a 'Pérola do Índico' da cidade verdadeira e esta do país autêntico. Pela rua, uma placa na esquina 'Eusébio da Silva Ferreira', muitos benfiquistas e assomar-se a nós atraídos elo microfone vermelho da Benfica TV. No fim da rua, um emblema gigante a vermelho com a palavra tetra! Estamos em casa. E confirmamos o que sentimos durante a campanha 'Alimentos por Moçambique'. Mais precisamente 138 toneladas deles que vamos em caminho de entregar na Beira às vítimas do ciclone Idai: Somos um mesmo povo, com uma mesma língua, sem nações tal como Pessoa sonhou.
Karingana ua Karinhana. Uma história ainda por escrever chamada futuro em que se cumpra o destino da língua portuguesa. Com Benfica à mistura, claro!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Fartotes

"Neste primeiros dias da pré-época - fase que também pode ser definida pela efeminada designação de 'janela de mercado' - tenho-me fartado de rir... E, desta vez, mais frequentemente que das anteriores: até parece que os mais inesperados personagens fazem questão de pedir meças aos mais suspeitosos e boçais 'artistas de variedades' que circulam na melosa órbita gravitacional do futebol português, para literalmente dispararem em rotunda frenética, com os mais inqualificáveis disparates que alguma vez seria possível imaginar ler escarrapachados em letra de forma, na imprensa, ou nauseamente ouvirmos assinalar nas pobrezinhas rádios que nos dão a ouvir e, pior do que tudo, os vemos discutidos nos entediantes fóruns das televisões cá do burgo, para fatalmente acabarem como prato forte das avacalhantes manjedouras das redes sociais.
Mas não há pachorra para tanto dislate, tanta mentira e tanta insinuação. Só bolas para o pinhal. E cada vez pior! Jogadores a 'sair' do Benfica eram mais que muitos... Jogadores a entrar, ainda mais do que as mães deles... Custos e valores de uns e de outros, um fartar vilanagem... Percentagens para estes e aqueles agentes, intermediários e empresários, um fartote... Pagamentos e terceiros e a quartos, por conta de segundos e primeiros, uma mala cheia deles... Desconfianças, incredulidades, desesperos... Nem os 'dados' e as 'certezas absolutas', até sobre treinadores e directores-gerais, escapavam aos pseudoespecialistas, nessa roda livre da asneira em que, à falta de assuntos plausíveis e de factos conformados e fundamentados, o chamado 'jornalismo desportivo' que desprevenidamente somos obrigados a consumir num simples zapping nos quer submergir.
Portanto, está visto que, durante estes períodos, só nos resta rir das especulações. E, no caso, rir da desgraça alheia - o que, convenhamos, não constituindo propriamente um procedimento recomendável, segundo os cânones da caridade cristã, acaba por ser o que de melhor tiramos para o nosso equilíbrio espiritual, dos deploráveis espectáculos mediáticos dos 'mercados abertos', dos 'mercados de transferências' e quejandos subprodutos da comunicação electrónica. Por isso, ainda bem que, sensatamente, os benfiquistas sabem resistir a esse voyeurismo.
É nestas alturas que melhor podemos reconhecer, no nosso jornal, na BTV e na poderosa frente multimédia do Benfica, que a seriedade informativa que aqui prevalece como critério essencial é um bem próprio e cada vez mais exclusivo de quem escolheu a autêntica e genuína Verdade Desportiva como irrevogável modelo de competitividade e de superação dos seus (cada vez mais desgraçados e pobres) adversários."

José Nuno Martins, in O Benfica

Venham mais cinco !!!

Os 5 da formação à procura de um lugar ao sol (ou à sombra de alguém)

"A aposta na formação tem sido um dos desígnios e uma das bandeiras de Luís Filipe Vieira há largos anos. Essa aposta havia sido feita de forma gradual, calculada e, por vezes, forçada (veja-se o caso de Renato Sanches). Havia sido… até chegar São Bru… Bruno Lage (desculpem, é ainda a febre dos santos populares).
O actual treinador do SL Benfica chegou, viu e percebeu. Percebeu que os encarnados teriam muito a ganhar com uma aposta forte, concreta, solidificada nos jovens da sua formação. Perante o não anúncio de reforços para a frente de ataque no mercado de inverno da época transacta, Lage afirmou e mostrou estar descansado, porque, dizia, tinha cinco opções: Jonas, Seferovic, Rafa e, claro, dois “miúdos” do Caixa Futebol Campus – Jota (menos conhecido por João Filipe) e aquele jovem, de quem pouco se fala… como é mesmo o nome dele? Hei de lembrar-me.
Com tal discurso, Bruno Lage deixou antever o que aí vinha. Mas, como há pessoas que, tal como S. Tomé, precisam de “ver para crer”, o setubalense cometeu o ato ousado (há quem diga louco, fica ao critério de cada um/uma) de fazer alinhar frente ao Galatasaray SK – na Turquia – um onze que ficou conhecido internacionalmente como Baby Benfica (Benfica Bebé). E o SL Benfica venceu. Tendo resultado a fórmula, não faria sentido mudar. Assim, não surpreendeu ninguém o anúncio do clube, de 28 de Junho, de que cinco jovens da formação iriam realizar a pré-época com o plantel principal. 
David Tavares, Tiago Dantas, Nuno Santos, Nuno Tavares e Pedro Álvaro são os nomes dos jogadores Made in Benfica que se vão mostrar a Bruno Lage e que vão tentar seguir as pisadas de promessas como Gedson e Jota e de certezas como Rúben Dias, Ferro, Florentino ou aquele rapaz de cujo nome continuo a não me recordar, por ser raro falar-se dele. Hei de chegar lá. É desses jovens de que trata o artigo, cujo propósito é o de traçar uma hierarquia entre eles, tendo em conta a probabilidade de permanência na equipa A.

5. Pedro Álvaro Defesa central, 19 anos, desde os 12 no SL Benfica. Quase tudo o que sabe – e sabe muito – sobre o que são as funções e as competências de um centralão, aprendeu no clube da Luz. É mais uma prova viva da qualidade da formação de defesas centrais que impera, de momento, no Seixal. O jovem natural de Seia parece estar a ser preparado para suceder a Rúben Dias ou a Ferro. E, de facto, tem qualidade para o fazer. Mais tarde, não agora.
Agora, Álvaro precisa de se impor de forma definitiva e jogar de forma constante na equipa B. Na época 18/19, realizou apenas dez jogos pela formação secundária das águias, passando muito mais tempo na equipa de juniores (21 jogos) e na de sub-23 (oito jogos, um golo). À contabilidade da equipa B, juntam-se dois jogos realizados na temporada 17/18, perfazendo um total de 12 jogos, que, ainda assim, são poucos para podermos afirmar com confiança que Pedro Álvaro está pronto.
A idade, regra geral, pouco ou nada me importa num jogador de futebol. Se tem qualidade, não tem por que não jogar. A minha visão alterava-se um bocadinho assim (para referência visual, o meu indicador e o meu polegar estão mais próximos um do outro do que o Rúben Dias dos avançados que tem que marcar) quando se tratava de centrais. Acreditava que a idade era um posto e que esse posto era o de defesa central. Matthijs de Ligt abanou essa minha crença, talvez dogmática, mas não a deitou abaixo.
Continuo a acreditar que é importante que um central tenha muitos minutos de jogo frente a adversários mais velhos, mais experientes e mais matreiros. Tendo o SL Benfica uma plataforma de tentativa e erro designada equipa B, parece-me sensato que Pedro Álvaro ocupe grande parte do seu tempo a figurar no onze titular traçado por Renato Paiva. Até porque, de momento, a equipa principal usufrui de uma das melhores duplas de centrais da sua história recente.
Não obstante, falamos de um jogador de qualidade. Central sóbrio, concentrado e seguro. É dotado de uma excelente capacidade de desarme e de saída em construção (na linha de Ferro) e consegue ganhar bolas aéreas com alguma tranquilidade, ainda que não possua uma altura assinalável, dentro do padrão de defesa central (1,86m). Lê bem o jogo, quer no processo defensivo, quer no ofensivo, e tanto joga pela direita como pela esquerda (faz lembrar alguns políticos. Só uma nota).
De resto, Pedro Álvaro, ficando em permanência, como terceiro central, na equipa A, estagnaria facilmente. Como tal, creio que trabalhar regularmente com Bruno Lage e sus muchachos e jogar sob o comando de Renato Paiva é o melhor cenário para o jovem viseense. E acredito que seja o cenário traçado pela estrutura encarnada.

4. Nuno Santos Médio interior/ofensivo com golo e capacidade para estabilizar um meio campo a três ou jogar a partir da ala, funcionando como terceiro médio, à semelhança de Pizzi. Ingressou no SL Benfica com 13 anos, tendo revelado desde o escalão de iniciados qualidade e apetência para o golo – regista 40 golos desde os sub-15. Já fez o que tinha a fazer nos escalões de formação do clube – em que foi campeão de juniores e de iniciados – e da selecção – em que foi campeão europeu de sub-19 -, bem como nas equipas secundárias dos encarnados – 48 jogos e 12 golos pela equipa B e dois jogos pelos sub-23.
Está na altura de dar o salto para outra realidade. Com a lesão de Gedson, pode ter algum espaço na equipa principal. No entanto, a diversa e forte concorrência (Pizzi, Chiquinho, Gabriel e David Tavares) dar-lhe-ão poucas oportunidades. Neste momento, parece-me que a única forma de Nuno Santos assumir um lugar no plantel principal seria mostrando algo de novo, de diferente, algo que nenhum dos jogadores credenciados do plantel tenha. E a verdade é que, apesar da qualidade do jovem portuense, não o vejo a conseguir importar à equipa o que quer que seja de significativamente novo.
O empréstimo a um clube da Liga – mediante possibilidade – seria o mais acertado e, parece-me, o mais provável. Ainda assim, Bruno Lage, de forma inteligente, vai dar a Nuno Santos a oportunidade de se mostrar. A partir daí, tudo depende do jovem da geração de 99. E, claro, de São La… Bruno Lage (desculpem, mais uma vez).

3. Nuno Tavares Desde os 15 anos no clube, Tavares (um dos muitos) é um lateral esquerdo de altíssima propensão ofensiva. Dotado de quatro pulmões, sobe e desce o seu corredor durante todo o jogo, sendo capaz de fazer sprints mesmo na recta final das partidas.
É dono de um pé esquerdo tecnicamente dotado – talvez não ao nível de Grimaldo, mas mais do que aceitável –, que lhe permite avançar em posse, lançar o colega de ala com paralelas longas, tabelar com o médio mais descaído para a esquerda e cruzar com qualidade. Nuno Tavares apresenta uma conjugação interessante de características: do ponto de vista técnico é um lateral moderno, mas do ponto de vista físico é significativamente mais alto (1,83m vs. 1,71m) e mais físico (76Kg vs. 63Kg) do que Grimaldo e do que outros laterais esquerdos da história recente do SL Benfica.
Tem qualidade e competência suficiente para ser o número dois da posição já esta época, tendo, portanto, maior probabilidade de ficar no plantel do que Pedro Álvaro ou Nuno Santos. Contudo, o ideal seria manter Grimaldo e contratar um lateral experiente e com uma assinalável competência defensiva, complementando o espanhol. Nos entretantos, Nuno Tavares assumiria a lateral esquerda da equipa B, trabalhando com a equipa principal mediante requisição de Bruno Lage (já encarrilei com o nome).
Por falar em nome, já me lembrei. João Félix. É esse o nome do rapaz. É fácil esquecer, ninguém fala dele. Se não estiverem a ver quem é, pesquisem. Não é mau jogador. Adiante.

2. Tiago DantasHá males que vêm por bem, diz o povo português. Tiago Dantas antropomorfiza essa expressão. O alfacinha de 18 anos (faz 19 na véspera do dia de nascimento de Jesus Cristo, entendam isso como quiserem) nasceu com um problema físico que conseguiu contornar e aproveitar para seu benefício futebolístico: Dantas nasceu com um segundo par de olhos nos pés. Coloca a bola onde, como e quando quer. Os olhos dos pés possibilitam-lhe executar passes curtos e longos com os olhos da cara fechados.
Técnica e tacticamente inteligente, lê o jogo como poucos, pensa e decide cinco segundos antes dos colegas e dos adversários sequer se aperceberem de que vem aí uma decisão a tomar. Franzino como um miúdo, mas joga como (poucos) graúdos. O seu 1,69 e, sobretudo, os seus 58 quilos valem-lhe críticas e demonstrações de descrenças: ao que parece, o rapaz precisa de estagiar com Shaquille O’Neal para poder ser jogador de futebol, porque com aquele corpo… Pois bem, na minha opinião, essa mentalidade demonstra um profundo desconhecimento do talento de Tiago Dantas, que é inversamente proporcional ao seu porte físico.
Ele é tão perspicaz, inteligente e tecnicamente dotado que supera qualquer adversário que tenha uma fisionomia considerável. Quando o vejo jogar, vejo inúmeros confrontos entre a força da técnica e a técnica da força. E Dantas leva a melhor quase sempre. Não me recordo de que jogo se tratou, mas tenho impressa na mente uma jogada em que, perante a chegada de dois adversários “matulões”, um pela esquerda, outro pela direita, Tiago Dantas com um toque (recepção orientada) foge de ambos e “abala” com a bola, evitando qualquer confronto físico. Cada jogo deste 10 à moda antiga é uma masterclass de… classe.
Tem qualidade, vamos ver se tem espaço para crescer na equipa de Bruno Lage. Acredito que terá oportunidades, mas tenho algumas reservas de que assuma já um lugar na principal equipa do SL Benfica.

1. David Tavares David “A Certeza” Tavares. Jogador distinto. Melhor do que os outros? Pior? Não sei, nem me interessa. É diferente dos outros. Daí ser, para mim, a única certeza a priori. Acredito que o lisboeta terá o seu espaço, porque simplesmente não há outro como ele nos quadros principais – nem nos secundários – do SL Benfica.
Da maravilhosa geração de 99, David é um motor, um pulmão, um monstro do meio-campo. É um médio ofensivo por designação, mas para mim é um médio de transporte e transição por natureza e vocação. Tem todas as características de um box-to-box, executando bem, várias vezes por jogo, os gestos técnicos que se pedem a quem desempenha tal papel: recuperação de bola, transporte e passe (ou decisão – pode ser um remate).
Aliado a um extraordinário pé esquerdo, tem um porte superlativo – 1,90m e 83kg. Essa conjugação permite-lhe impor o físico como Fejsa e acariciar o esférico como… qualquer jogador que não Fejsa. É forte candidato ao lugar à sombra de Gabriel – o mais próximo das suas características – e, como tal, tem grandes probabilidades de assentar já esta época entre os comandados de Bruno Lage. A falta de jogadores de assinalável porte físico e de canhotos (o SL Benfica acabou a época transacta com apenas seis esquerdinos, três deles suplentes e outro lesionado) pode abrir as portas a David Tavares. E mesmo que estejam fechadas, o rapaz tem corpo para as arrombar."

sexta-feira, 5 de julho de 2019

As bases e a exigência

"Quando nos apresentaram e nos deram o Benfica quando ainda estávamos no processo de escolher este ou outro clube apresentaram-nos um clube que sempre teve a exigência máxima. Ser do Benfica é ser campeão, ser do Benfica é ganhar ou pelo menos ter a consciência que vamos tentar ganhar tudo em que nos metemos. Sempre foi esta a mentalidade e faz tão parte do adn Benfiquista como faz o Eusébio. Se nos metemos lá é para ganhar, ou pelo menos pensar assim mesmo que não o consigamos.
Apesar disto, muitas vezes temos de ser pragmáticos e considerar as circunstâncias em que estamos na altura.
Tomemos como exemplo esta passada época de futebol. A época em Janeiro já estava perdida para a maior parte de nós, eu incluído, apesar de estarmos ainda em todas as competições(não estávamos na champions mas ainda assim estávamos numa prova europeia) mas poucos acreditavam que conseguíssemos ganhar alguma delas. Aí as expectativas eram baixas, até a taça de Portugal ou da Liga já eram um prémio de consolação para uma época desastrosa. Entra Bruno Lage, começamos a jogar, a exigência sobe, e de que maneira. Secalhar no início não acreditávamos no campeonato, a distância ainda era grande, mas pelo menos a taça da liga ou mesmo a taça de Portugal já pensávamos mais ao alcance. Ficámos tristes com a eliminação das duas porque tínhamos nesse momento reais hipóteses de as ganhar, se estivéssemos a jogar como jogamos a primeira metade de época penso que aa desilusão seria menor porque seria uma coisa já meio esperada. A taça da liga foi o que foi, mas na taça de Portugal tivemos toda a culpa tal como na liga europa.
Lá veio o campeonato e tudo acabou a bem. Não sei se têm noção o feito que foi ganhar o campeonato nesta última época, porque nem eu tenho real noção disso mas foi pelo menos um feito que ninguém antes tinha feito cheio de records.
Para haver uma hipótese de ganhar ou ser candidato a algo tem de haver pelo menos uma base estável onde começar o trabalho, o trabalho tem de ser pensado antes, tem de ter um princípio, um meio e um fim, tem de haver um caminho pensado e todos os dias caminhar até lá.
Esta época não houve isso. Lage pegou numa equipa partida e desfeita com jogadores que não foi ele que os escolheu e mesmo assim conseguiu este feito. Como tal tínhamos de adaptar as nossas expectativas à situação, ganhar o campeonato já foi até mais do que imaginávamos em Dezembro. Perder as taças passou a algo secundário, derivado das circunstâncias. Esta época a história é diferente. O plantel está estável, houve muitas renovações, a maioria do plantel vai ser o mesmo, o treinador vai ser o mesmo, com a mesma forma de trabalhar que a maioria dos jogadores já se habituou, pelo que a nossa exigência este ano terá de ser maior também. Este ano há desde o início todas as condições e ferramentas para fazer uma época brilhante. Este ano a exigência tem de ser ganhar tudo nacional e fazer uma boa e digna prestação na Europa, para mim o mínimo dos mínimos aqui serão os oitavos da champions, se bem que estando num 3o pote e calhando um grupo daqueles possa vir a ser complicado. Mas ainda assim não podemos passar mais um ano a ser humilhados na europa, fazer o que conseguimos e deixar boa imagem.
Esta época tem de ser uma época à Benfica e para mim não admito nada menos que isso porque, lá está, todas as condições para tal acontecer estão finalmente reunidas, a exigência está mais alta que nunca, como sempre nos habituaram, e como o Benfica tem de ser.
Não há desculpas, isto é o Benfica. Venha o bi, venha o Jamor, venha aquela taça que parece que agora já é importante e venham grandes noites europeias.
Venha o Benfica."

Sejam como Robben

"O homem de cristal pendurou as chuteiras. Depois de mil diagonais da direita para o centro e de uns quantos golos em modo de fotocópia, é válido e justíssimo instaurar o “golo à Robben”. Ainda hoje nos perguntamos como é possível que o mesmo movimento resulte tantas e tantas vezes. Todos sabiam o que ia acontecer, mas poucos conseguiam impedir que acontecesse. O holandês deixa-nos obras de arte para recordarmos durante algum tempo – como a maldade que fez a Iker Casillas no Mundial 2014.
Robben está longe de ser o protótipo de jogador perfeito. Tinha tendência para o individualismo e queria ser protagonista, desprezando a equipa em certos momentos. Só usava o pé direito para subir para o autocarro. Andava sempre a mil à hora, deixando a racionalidade de lado. Nunca foi um grande atleta, bem pelo contrário. Certamente estão a achar estranho que, no momento em que acaba a carreira, eu esteja a fazer uma lista de defeitos e não de qualidades, mas é precisamente aí que quero chegar. O holandês era um futebolista singular, rebelde, com um estilo só dele. Não cumpria os padrões. Fazia o que queria, como queria. Pensemos: existe outro igual a Robben?
Numa altura em que os jogadores estão cada vez mais formatados para obedecer a regras, quem nos diverte são os artistas com pensamento próprio. Terá sido sempre assim, por certo, mas agora é a dimensão táctica que está no topo da pirâmide - há treinadores que querem ser mais importantes do que quem vai lá para dentro. Criam-se “profissionais” desde cedo, com todas as ferramentas possíveis para chegarem lá acima e entrarem nesse sistema. Já vão longe os tempos em que os miúdos cresciam com a bola e a utilizavam como queriam.
Para ser futebolista, Robben inspirou-se nele próprio. Não deve ter visto assim tantos jogos na televisão e não ficou contaminado pela necessidade de comparação que as redes sociais nos trouxeram. Quantos querem imitar Messi, Ronaldo ou Neymar, mesmo que seja de forma inconsciente? É mais difícil desenvolver um estilo único quando olhamos demasiado para os outros. E nós, que vemos de fora, também andamos constantemente a tentar encontrar semelhanças em vez de valorizarmos as diferenças. Todos já imaginámos estar a ver um “novo Messi” ou um “novo Ronaldo” quando um rapaz de 16 anos faz algo que nos recorde os craques. São vícios prejudiciais, claramente.
Não há jogadores iguais, mas há jogadores cada vez menos diferentes. O futebol precisa de Riquelme, Ibrahimovic e Dani Alves. De gente que pense pela própria cabeça. De quem nos aumente o campo da imaginação. Esses serão sempre lembrados pela magia e pelo estilo inconfundível. Todos temos uma atracção por quem vive segundo as próprias regras, não é verdade? Sejam como Robben – mas não iguais a ele."

As ondas, se calhar, regressam

"Jack Cock, apesar da desagradável cacofonia, tinha uma habilidade formidável para ser goleador e tenor, nos palcos e nos campos

As ondas nunca regressam. Não sei se quando os Genesis cantavam esta frase «Ripples never come back» – pensavam no mar da Cornualha, esse bico da Grande Ilha para lá da Mancha, onde as águas são azuis como as raparigas azuis de olhos azuis de Tony Banks e Mike Rutherford. Uma vez estive no Pentire Point e nos The Rumps. Foi lá que Lawrence Binyon escreveu For the Fallen, o poema dedicado aos que caíram na I Grande Guerra:
«At the going down of the sun and in the morning
We will remember them».
Haverá sempre jovens que nunca envelhecerão, tal como John Gilbert Cock, o primeiro jogador da Cornualha a vestir a camisola da seleção de Inglaterra, em 1919.
Cinco anos antes, John estava em França. Até certo ponto, também vestia a camisola de Inglaterra: a farda de sargento-mor do exército britânico. Um dia, a mãe recebeu a notícia do seu desaparecimento em combate. Foi para mães como as de Cock que Binyon publicou o seu poema no The Times no dia 21 de Setembro de 1914:
«With proud thanksgiving, a mother for her children
England mourns for her dead across the sea
Flesh of her flesh they were, spirit of her spirit
Fallen in the cause of the free».
Só que no caso de John, a onda voltou para trás e ele reapareceu, vivo, num campo de batalha, carregando às costas um companheiro que morrera pelo caminho. Não era homem para deixar para trás os companheiros. Nem mesmo os companheiros mortos. E, por isso, espetaram-lhe no peito, um pouco ao lado do coração, a medalha de Bravery in the Field a par de outra que premiava a sua galanteria em combate.
Antes de se bater nos campos da Flandres, Jack Cock, como lhe chamavam, sem grande respeito, acrescente-se, já que a cacofonia é deveras desagradável, batia-se galantemente nos campos de futebol, primeiro de forma absolutamente amadora, depois como profissional no Huddersfield, no Brentford, e principalmente no_Chelsea, no Everton, no Plymouth e no Millwall, com a notoriedade de se ir tornando um avançado-centro cada vez mais assassino à medida de que os anos lhe iam carregando as pernas.
Em 1930, Jack estava no Milwall. Outro Jack, Jack Raymond, realizador de cinema, resolveu que o futebol era um bom tema para um filme e deitou mãos à obra em The Great Game, para muitos o primeiro totalmente dedicado ao nobre jogo bretão. Terá sido ou não, não vou aqui discuti-lo, seria como discutir se as ondas regressam ou não, portanto, «sail away away», e algo que não merece dúvidas é que criou uma série de clichés para todos os filmes com futebol pelo meio meio que viriam a seguir. A personagem principal é Dicky Brown, um jovem ponta-de-lança que se bate, mais denodadamente do que galantemente, por um lugar no ataque do Manningford FC, um clubezinho medíocre que, graças a ele, vence a Taça de Inglaterra. O galanteio guardava-o o manhoso Dicky – o trocadilho é nixonianamente intraduzível – para a filha do presidente do Manningford FC. Desagradado com o galifão, o patrão insta o treinador a deixá-lo de fora da equipa para que jogue o veterano e menos sedutor Jim Blake, interpretado por Jack Cock, esse mesmo, que fora medalhado por garbo em 1914 mas decaíra nas preferências femininas nos dezasseis anos que se seguiram. Lá está:
«Ripples never come back
Gone to the other side...».
The Great Game não é tão longo como um jogo de futebol, limita-se a 79 minutos, mas marcou os espectadores pelo realismo das imagens. Eram tão reais que eram verdadeiramente reais. Como aconteceu com O Leão da Estrela, de Arthur Duarte, em Portugal, em 1947, com cenas de um FC Porto-Sporting que metia os Cinco Violinos e tudo, mais charuto e mais tens aí vinte paus que me emprestes ò Baratinha, mas tiradas de um jogo para ilustrar outro que nunca existiu.
A maior parte de The Great Game é rolada em Stanford Bridge, que já tinha sido casa de Jack Cock entre 1919 e 1923, e claro que o povo adorou até porque outros jogadores famosos da época, como George Mills, Andy Wilson, Sam Millington e Billy Blyth, fizeram parte da trama. E Raymond fez o favor de dar uns instantes a um rapazinho com ambições a actor, um tal de Rex Harrison, que se estreou na tela e, por seu lado, também foi tão herói de guerra como Cock, mas na II Grande Guerra, naturalmente, como piloto da Royal Air Force.
Eu sabia que os Genesis não tinham surgido por aqui à toa. É que Jack Cock, além de actor-jogador (em 1920 já tinha surgido no filme mudo The Winning Goal), tinha uma voz formidável e usava-a no balneário, antes dos jogos, para desfiar canções de alento aos seus companheiros. Pretensão nunca lhe faltou. Usou a sua arte de tenor para subir aos palcos de Brick Lane. Faltou-lhe cantar:
«For an hour a man may change
For an hour her face looks strange».
Quem diz hora, diz hora e meia."

João Félix, o desafio é tremendo

"O último mês trouxe ao miúdo provavelmente tudo aquilo que ele não precisava Em pouco mais de seis meses a vida de João Félix deu uma cambalhota completa. O que geralmente não é bom.
Mas já lá vamos.
Foram seis meses vertiginosos.
O miúdo passou, aos 19 anos, de suplente raramente utilizado a quarta maior transferência da história do futebol. Pelo meio ganhou a titularidade no Benfica, tornou-se peça fundamental no título, foi primeira escolha para a Selecção Nacional e transferiu-se para o At. Madrid.
Aconteceu tudo a correr. Para mim, foi até demasiado fugaz. Seria necessário mais tempo, mais jogos, mais momentos maus, mais desafios físicos e psicológicos para perceber o que vale exactamente João Félix. O futebol – este futebol actual –, porém, não concorda comigo.
Por isso o Atlético Madrid decidiu pagar 126 milhões de euros para ter o miúdo.
Ora isto, tudo isto que aconteceu ao longo do último mês, é provavelmente tudo aquilo que o jovem internacional português não precisava.
Antes de mais porque é um peso absurdo em cima dele. Cada vez que entrar em campo, que tocar na bola, que fizer um remate, que tentar um cruzamento, que fizer uma recepção, aquele número vai estar lá. 126 milhões. Por este valor, espera-se que Félix faça tudo bem.
A pressão vai ser brutal.
O português vai estar obrigado a desequilibrar todos os jogos, a fazer a diferença e a roçar sempre a perfeição. Afinal de contas é isso que se espera de um jogador de 126 milhões de euros.
Sem espaço para ser aquilo que é: um miúdo que precisa de tentar, errar, voltar a tentar e acertar.
Por isso, repete-se, o peso em cima dele vai ser absurdo.
Mas isto que aconteceu ao longo do último mês era tudo o que João Félix não precisava também porque o Atlético Madrid está longe de assentar nas características do miúdo.
Basta ver o que aconteceu com outros jogadores que saíram de Portugal para o (na altura) Vicente Calderón, para perceber como é difícil para um tecnicista afirmar-se naquela equipa. Estou a pensar, por exemplo, em Jackson Martínez, Nico Gaitán ou Gelson Martins.
O At. Madrid é uma equipa intensa, física, dura, daquelas que ainda faz a pré-época na montanha, a subir e descer colinas, a correr, correr, correr. É uma equipa com uma filosofia muito própria e que não admite desviar-se um centímetro dos princípios mais básicos: colectivismo e solidariedade.
Ora nesta fase da carreira dele, João Félix precisava de ter, por exemplo, aquilo que Cristiano Ronaldo teve: uma transferência razoável, por um valor razoável, para um clube razoável e com expectativas razoáveis.
Infelizmente para ele, este futebol é pouco razoável.
No final do dia é isto que interessa: fazer grandes negócios. E a verdade é que é este foi um grande negócio. Muita gente vai ganhar muito dinheiro, sem dúvida. Mas convém não passar por cima do essencial: o enorme talento de João Félix não autoriza a que nos esqueçamos que ele só tem 19 anos (e seis meses de futebol de primeiro plano).
Para um miúdo de 19 anos (e seis meses de futebol de primeiro plano) esta transferência é contraproducente.
Até pode correr bem, mas não haja dúvida: é um desafio tremendo."

Futebol feminino está imparável...

"Está a decorrer, em França, o Campeonato do Mundo de futebol feminino, com final marcada para Lyon, no próximo domingo, entre Estados Unidos e Holanda. Tem sido um torneio de bom nível, quase sempre com as bancadas cheias e um retorno mediático relevante. O triunfo dos Estados Unidos sobre a Inglaterra, por exemplo, teve o condão de levar o futebol às primeiras páginas dos maiores jornais norte-americanos, normalmente pouco interessados na matéria; mas, mais relevante ainda, foi o facto de o jogo ter sido visto, no Reino Unido, por 11,7 milhões de telespectadores, superando a final da Liga dos Campeões masculina (Liverpool-Chelsea foi televisto por 11,4 milhões) e tornando-se no programa mais visto de 2019 naquele mercado tão relevante.
Para quem ainda estivesse céptico quanto à importância do futebol no feminino, estes números devem ser suficientes para dissipar quaisquer dúvidas. Não é por acaso que os principais clubes da Europa estão a formar secções femininos, e o Benfica e o Real Madrid são apenas os casos mais recentes. Há um mercado, à escala planetária, a valer muitos milhares de milhões de euros, à espera de ver explorado todo o seu potencial.
A aposta séria da FPF no futebol feminino - e a gestão de Fernando Gomes, embora não o faça, bem podia puxar dos galões desta matéria - acompanhada pelos primeiros clubes, que acabarão por afastar os pioneiros românticos a quem devemos ser sempre gratos, redundará num assinalável aumento do número de praticantes e, sobretudo, na amplificação da família do futebol em Portugal.

PS - Estupendo João Sousa!"

José Manuel Delgado, in A Bola

Certificação

"O processo de certificação da FPF na época 2018/2019 chega ao fim. Um trabalho árduo, em que se envolveram muitos recursos, da Federação, das Associações Distritais e consultores externos. Mais de cem pessoas no total. Se a este número juntarmos os recursos humanos que os clubes e sociedades desportivas alocaram ao processo, chegamos a várias centenas de intervenientes directos nas diversas acções. Um processo que se iniciou com 1140 entidades e terminou com um número superior a 750. Fantástico. A certificação tem como intuito inicial dar resposta à obrigatoriedade de os clubes serem reconhecidos como entidades formadoras se pretenderem estabelecer contratos de formação desportiva com praticantes. Estes contratos podem ser concretizados a partir dos 14 anos. Mas não só, a intenção é mais ampla. Há a necessidade de ser elevar os padrões de qualidade de formação dos praticantes, mas também ajudar os intervenientes a melhorarem o próprio processo. Por outra lado, torna-se claro e público a avaliação efectuada. Portugal, neste caso no futebol, precisa de apostar em pessoas com mais competências. Isso implica melhor o sistema de aprendizagem desde a base. Inicialmente, no futebol, este processo iniciou-se com os concorrentes às competições profissionais. Hoje, está aberto a todas as entidades que disponibilizam actividade de futebol e/ou futsal, para jovens até aos 19 anos, independentemente do seu enquadramento competitivo. No futuro será aplicado ao futebol feminino, e um grande suporte do licenciamento para as competições nacionais. Todos sabemos que falta percorrer um longo caminho, que há a necessidade de melhorar a qualidade geral, seja de instalações, seja no processo de treino/ensino, mas não podemos deixar de enaltecer quem tanto conseguiu neste espaço de tempo. Este processo tornou-se irreversível, e permite ser uma ferramenta fundamental para que o nível de exigência seja superior. Esse é o caminho para o sucesso."

José Couceiro, in A Bola

Portugal campeão do Mercado

"A ex-deputada europeia Ana Gomes não podia ter escolhido um momento mais oportuno para chamar a atenção sobre os negócios do futebol profissional, talvez a única indústria portuguesa com uma balança de pagamentos a ocupar, neste preciso momento, o primeiro lugar num ranking mundial, o das transferências de jogadores.
O “cluster” do futebol, como lhe chamou Michael Porter há 20 anos, é a nossa actividade mais prestigiada, com selecções, clubes, jogadores, treinadores e dirigentes profissionais, sem esquecer os poderosos agentes, a surfarem a maior onda de sucesso de que há memória.
Os movimentos dos mercados futebolísticos internacionais são hoje facilmente monitorizados e analisados, deixando pouca margem de manobra para os hackers amigos da ex-deputada do partido do Governo. Qualquer leigo pode, a todo o momento, verificar os fluxos de dinheiro, as vendas, as compras, as percentagens, as influências. Não deve haver outra actividade económica tão escrutinável, nem sequer a dos mercados financeiros tantas vezes influenciados por negócios fictícios e informações especulativas.
No mercado do futebol, a especulação pode servir aos media, mas tem pouco peso nos negócios. Só o que se compra e o que se vende assume real valor, tudo o resto esgota-se nas mesas de café e nos “chats” da pirataria informática.
Ao fim do primeiro mês do mercado de verão, o futebol português regista um saldo positivo de 209 milhões de euros, de longe o maior entre todos os países. Segue-se a França com 155, já com a venda de Ndonbélé incluída, a Holanda com 101, a 2.ª Liga alemã com 89, a Áustria com 62 e o Brasil com 58. No top 10 das Ligas mais lucrativas no mercado de jogadores, encontram-se quatro campeonatos secundários - além da alemã, também as 2.ªs divisões inglesa, espanhola e italiana.
Mas no plano oposto, com saldos negativos entre vendas e compras de jogadores, são precisamente as Ligas principais de Inglaterra (-298 milhões), Espanha (-297), Alemanha (-210) e Itália (-108) as que apresentam maiores défices. A liga da Rússia é a quinta com mais despesas do que receitas (-52 milhões).
Até ontem, a Liga portuguesa registava quase 300 transferências, com despesas de 75 milhões e receitas de 284 milhões. Com mais uma ou duas vendas de peso, Portugal poderia tornar-se no “campeão” deste Mercado, em 2 de Setembro, embora a transferência de Neymar deva desequilibrar a favor da França, se não houver um investimento semelhante em sentido contrário.
É evidente que os clubes portugueses estão a vender muito bem e a saber comprar: neste momento, o Sporting é o único dos 18 clubes da 1.ª Liga com um evidente saldo negativo entre dispensas e aquisições, mas podendo reverter facilmente a situação quando vender Bruno Fernandes. O Sporting apresenta um saldo de -18 milhões, contra os 144 milhões positivos do Benfica ou os 51 milhões do FC Porto.
Marítimo, Guimarães e Rio Ave também estão no vermelho, mas por margem residual inferior a um milhão de euros, enquanto a soma do lucro dos restantes 12 clubes da Liga NOS, com o Braga à cabeça, ascende a 31 milhões de euros.
No final do século passado, o guru da Economia mundial Michael Porter aconselhava Portugal a apostar no que sabia fazer melhor, como estratégia de crescimento, e incluiu o futebol entre os “clusters” que nos podiam trazer fortes dividendos no novo milénio. Era esperto o professor Porter.
É incrível como, vinte anos depois, ainda temos decisores políticos que não o perceberam."

Quantos palmos tem o talento, e porque estamos a escolher os mais velhos e não os melhores?

"No recente excelente torneio interassociações Lopes da Silva, foi possível confirmar algo que já tinha por cá abordado antes.
Entre as três Associações mais fortes, porque albergam os jogadores de Sporting, Benfica, Porto, Braga e Vitória de Guimarães, foram convocados 54 jogadores. Apenas 3 nasceram no último trimestre do ano. Dois em Setembro, e um nascido a 1 de Outubro.
Significa isto que há um qualquer gene ou efeito climatérico que torna os miúdos nascidos entre Janeiro e Março / Abril, mais aptos para jogar futebol que os que nascem no último trimestre? Naturalmente que não. Nas idades mais jovens quando é determinado no recrutamento que miúdos terão acesso à prática as escolhas estão a recair sobre os mais velhos e não sobre os melhores. Em idades tão jovens, em termos de rendimento faz muita diferença ter-se nascido em Janeiro ou Setembro. Estamos portanto a escolher os mais velhos, os de maior maturação e não necessariamente os que têm maior talento e consequentemente maior potencial.
Se no topo já hoje é aceite que o que distingue qualitativamente os jogadores é a qualidade técnica e a tomada de decisão, porque é que na base estamos a optar pela maturação física?
É natural que depois de um, dois e três anos de prática, os mais velhos se tornem melhores e com maior potencial. Tiveram acesso às melhores condições de treino, aos melhores treinadores e ao máximo de tempo de jogo em competição. Obviamente que quando se chega a uma selecção nacional de sub 15, ou às escolhas para as selecções regionais de sub 14, é natural que os miúdos escolhidos já sejam efectivamente os melhores e os de maior potencial. A grande questão é que na base, nas primeiras decisões, quando se determina quem terá oportunidade para esse acesso ao treino e à competição regular, ignora-se demasiadas vezes os de maior potencial. Que porque não são escolhidos para treinar e / ou para jogar, acabam por “ser mortos” com o tempo.
Para os sobreviventes, isto é para aqueles que mesmo sendo do último trimestre do ano conseguem ser escolhidos para integrar os planteis e ter tempo de treino, e ainda mais de jogo, acaba por ser óptimo. Passam a infância a jogar contra miúdos mais maturados, mais velhos (mesmo que apenas meses, mas que contudo contam bastante nas idades mais precoces), e por isso vêem-se obrigados a desenvolver outras competências para serem bem sucedidos. O pensar e o executar melhor e mais rápido. Desenvolvem do ponto de vista cognitivo e técnico outras e melhores valências para que continuem a ter sucesso. E são esses, que quando atingem também a maturidade física (sim, porque aí todos chegarão), estão melhor preparados para triunfar num desporto altamente competitivo. 
Percorremos uma era em que o egoísmo está cada vez mais presente no treinador. O treinador de jovem preocupa-se bastante mais consigo do que com o desenvolver dos seus miúdos. Importa mais vencer e colocar vídeos a rolar na internet para se valorizar do que efectivamente potenciar a individualidade. Essa que deveria ser a prioridade de todos quanto os que têm a responsabilidade de orientar cada sessão de treino.
Nenhum treinador de formação está a trocar o resultado, o imediato pelo médio / longo prazo. Até porque sabe que esse médio / longo prazo não será consigo.
Não é, porém, o treinador de jovens o único “assassino” ao longo deste processo. Acaba por assim se tornar, porque tem a perfeita noção de que maioritariamente, de cima apenas virá valorização decorrente do resultado. A avaliação será sempre quantitativa e nunca qualitativa.
O futebol é um Desporto verdadeiramente apaixonante, e por isso ainda hoje todo o tipo de pessoas sem qualquer formação seja no jogo, no treino ou até na vertente pedagógica procura lá chegar. A maioria dos dirigentes em Portugal não tem noção do certo e do errado, do caminho que deve ser trilhado e dos espinhos que este sempre encontrará, e logo ai começa o caminho para os disparates que os nossos treinadores cometem.
Não sei se algum dia haverá condições para mudar. Mas sei que é complicado mudar o envolvimento para melhor quando o topo não tem a mínima ideia do que deveria ser valorizado na base.

P.S. – Na foto um dos sobreviventes. Nascido em Novembro, o que ajuda a explicar a chegada tardia e dificuldades no seu percurso."

Comprar e vender jogadores

"A transferência de João Félix para o Atlético de Madrid, que fez o Benfica arrecadar 120 milhões de Euros – um "mealheiro" irrecusável em qualquer parte do mundo –, fez vir ao de cima, na nossa mente, a linguagem habitualmente utilizada para designar essas operações financeiras.
Em nosso modesto entender – e cada vez estamos menos sozinhos – no plano desportivo aquela transferência tem tudo para correr mal, pelas razões sobejamente aduzidas por opinadores bem mais qualificados que nós.
Não o desejamos, antes pelo contrário: achamos que o sucesso do jovem jogador será o melhor que pode acontecer-lhe, não apenas a ele, mas também ao futebol português (prestígio) e à selecção nacional, que necessita de todos os sobredotados que estão a despontar e que serão a garantia de manutenção do alto nível após a inevitável despedida de Cristiano Ronaldo, que esperamos aconteça daqui a muito tempo.
Por isso achamos estranhas as posições assumidas por FC Porto e Sporting, que terão tentado inviabilizar a transferência junto do Atlético de Madrid. Pelo contrário, entendemos que a saída de João Félix, o fim da carreira de Jonas e a partida de outros valores seguros do plantel benfiquista deverão ser encarados pelos rivais como boas notícias já que, no plano desportivo, enfraquecem sobremaneira o actual campeão nacional.
Mas voltando à linguagem usada na imprensa escrita e por muitos comentadores ao falarem de transferências de jogadores.
Achamos de muito mau gosto a utilização de expressões como "o clube A vendeu o jogador K", ou "o clube B comprou o jogador Z" por N milhões de euros. De facto, desde os tempos da escravatura que não se transaccionam seres humanos como se fossem mercadoria, pelo menos nos países ditos civilizados.
Por isso, será de bom tom deixarem de ser utilizados os verbos comprar e vender – e vejo, com natural satisfação que eles são muito pouco utilizados em Record, pelo menos com esse sentido. 
Poderá dizer-se ou escrever-se cedeu, recebeu, foi transferido por, foram vendidos os direitos desportivos ou quaisquer outras formas mais criativas de transmitir a mesma ideia, evitando o mercantilismo do Euro, completamente injustificável quando se refere a pessoas humanas, nomeadamente a jogadores de futebol."

Robben passou uma carreira a enganar toda a gente: a anatomia de um golpe previsível e terrivelmente eficaz

"Será seguro afirmar que Arjen Robben marcou a grande maioria dos seus 144 golos após receber a bola, fintar para dentro e ir fintando até arranjar espaço para rematar a bola em arco, para o poste esquerdo da baliza. Aos 35 anos e ao fim de 309 jogos, o holandês mais previsível mas imparável retirou-se do futebol

Havia um careca sereno e paciente, sempre no lado direito do campo, de preferência não mais longe do que 40 metros da baliza, à espera que a bola lhe chegasse. Assim que a controlava, o tempo como que parava e, de repente, contemplávamos uma das verdades absolutas desta vida: aquele canhoto ia arranjar forma de arrancar com a bola, fintar quem fosse para o centro e encontrar maneira de rematar à baliza, em arco, com o pé esquerdo.
Durante anos, jogos, temporadas, vários campeonatos, muitas edições de Ligas dos Campeões, o calvo mais previsível na intenção, mas imparável na execução, levou a melhor. Livrou-se de um adversário atrás do outro que sabia, há muito, o que ele queria fazer, mas incapaz era de o evitar. 
Arjen Robben era assim, minuciosamente especializado num tipo de drible, num gesto. Um canhoto encostado à direito para receber a bola com o campo aberto. Um extremo feito não para cruzar, sim para embalar e ludibriar, até ter na mira poste esquerdo da baliza.
Se fosse computorizado ou adaptado a comando de consola, o holandês teria apenas um botão, mas o botão mais eficaz. Ainda era assim aos 35 anos e com 19 de carreira. O corpo, os músculos e a velocidade estavam gastos pelo tempo; o velho truque, porém, mantinha-se surpreendente para quem o tinha de defender.



Anatomia de um Golpe Previsível e Eficaz
Robben parecia jogar nos milésimos de segundo, abrandar o tempo e acelerar o pensamento nos momentos em que o adversários hesitava, cravava o pé de apoio, levantava o outro e se enganava, outra vez, na tentativa de agir sobre o expectável. “Deve haver alguma coisa que ele faz. Talvez espere pelo último momento, não sei. Na maioria das vezes, tento esperar pelo movimento, para ter mais hipóteses de roubar a bola. Se não for paciente, ele finta-me”, disse Wendell, do Bayer Leverkusen, ao “New York Times”, defesa que defrontou Robben mais de dez vezes na Bundesliga. 
O holandês passou 10 anos no Bayern de Munique a replicar o drible, depois de temporadas erráticas no Real Madrid e no Chelsea pelas muitas lesões que lhe encurtaram o tempo em campo, e instáveis pelos treinadores que nem sempre o colocavam a jogar à direita, onde partia como um extremo de baliza, não de cruzamento.
Arjen Robben foi cedo cristalizado pelas dezenas lesões musculares que acumulou durante a carreira. Com a alcunha de “Homem de Cristal” sempre veio a eterna questão do que teria sido com mais constância, maior imunidade, mesmo que aquilo que tenha sido, não tenha sido coisa pouca: acumulou 26 títulos entre quatro países, incluindo uma Liga dos Campeões. Com a Holanda, jogou a final do Mundial de 2010.
Com 35 anos tomou "a decisão mais difícil da carreira" - terminá-la.
Admite ter "pensado durante as últimas semanas" sobre o fim agora confirmado. Acaba a história que a bola mais conhecia antes de chegar aos pés. Terminou com Robben a fintar para fora do campo. 
Nunca terá havido jogador tão genial, eficiente, rápido e espectacular a executar uma só coisa, em específico, de bola corrida. Arjen Robben passou uma carreira a enganar toda a gente."