Últimas indefectivações

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Esperado...

Benfica 3 - 0 Novara
20-25, 15-25, 29-31

Derrota contra uma equipa muito mais cotada, onde a diferença acabou por ser uma jogadora: Tolok! Fez praticamente metade dos pontos das Italianas!!! Quando se remata por cima do Bloco...!!! Mesmo assim merecíamos pelo menos 1 Set...

Já se sabia que estes jogos da Champions seriam muito complicados...

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Cumprir Calendário em 2026

Arbitragem portuguesa e humor


"Como recentes intervenções dos responsáveis da arbitragem me levaram a recordar um episódio de Seinfeld e a sátira dos Gato Fedorento sobre Marcelo Rebelo de Sousa e o aborto

Se o humor é demasiado sério para se levar a brincar, não podem levar a mal que intervenções dos mais altos responsáveis da arbitragem portuguesa, em defesa do setor, me tenham conduzido a um episódio de Seinfeld ou à sátira dos Gato Fedorento sobre a posição de Marcelo Rebelo de Sousa em relação ao aborto há muitos anos. Quer dizer, em primeiro lugar, que posso estar mesmo a ficar velho, e isso interessa nada a quem esteja ler, mas também que a realidade nunca está tão distante da ficção.
Vem isto a propósito da justificação do presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, para suspender os programas na televisão (nos quais se explicava e justificava algumas decisões dos árbitros) «porque o nosso futebol não está preparado». No que me diz respeito, pouquíssimo para o grande esquema das coisas, muito obrigado. Compreende-se que o ambiente seja nada favorável a árbitros, que estes se sintam desconfortáveis, que todas as semanas se fale de arbitragens, já teremos mais dificuldades em compreender é como é que recuar depois de promessas de transparência e clareza pode ajudar. E que a justificação seja a impreparação dos outros para ouvir, aceitar ou perceber os árbitros. Se a moda pega, noutras áreas da sociedade, é uma chatice. Para não dizer um desastre ou coisa bem pior.
Luciano Gonçalves fez-me recuar, então, a um episódio de Seinfeld, no qual George Costanza percebe que a namorada está a acabar com ele quando lhe diz: «Não és tu, sou eu.» Essa personagem absolutamente brilhante, que diz ter inventado essa desculpa para acabar relacionamentos amorosos, insiste ser ele o problema. Até a namorada concordar. A cúpula dos árbitros não precisou de tanto ou tão pouco — somos nós que estamos impreparados para ouvi-los ou compreendê-los. Ponto final.
E, reconheço, às vezes é mesmo difícil. Se por um lado Luciano Gonçalves diz que não há jarra para quem erra, por não poderem os árbitros ser castigados, por outro há forma de penalizá-los para eles perceberem o que não pode acontecer, por exemplo não serem nomeados para jogos. Não é a mesma coisa? Ou há aqui mais que me está a escapar?
Em lugar de sair de cena, os árbitros deveriam prosseguir o caminho de reconhecimento do erro e ser claros na comunicação. Em novembro, por exemplo, o diretor técnico nacional de arbitragem, Duarte Gomes, considerou que foi mal assinalado um penálti contra o Benfica com o Casa Pia, por mão de António Silva. Apresentou argumentário, consciente ou inconsciente, de que se tratava de um erro claro e óbvio, para depois se acrescentar que o VAR não teve margem suficiente de clareza ou evidência para chamar o árbitro e indicar-lhe o erro. Há um erro do árbitro? Sim. Mas pode-se fazer? Sim. Mas há um erro? Sim. Mas pode-se fazer? Sim. Não vos faz lembrar nada? A mim lembrou-me a sátira dos Gato Fedorento sobre a posição de Marcelo Rebelo de Sousa em relação ao aborto, em 2007. «O aborto é proibido? Sim. Mas pode-se fazer. Só que é proibido? Sim. O que é que acontece a quem o faz? Nada», brincou Ricardo Araújo Pereira."

Amorim: o fantasma da Segunda Circular


"Ruben Amorim saiu do Manchester United e voltou a entrar em Lisboa ainda antes de aterrar. Este não é o tema que tinha planeado para o início de 2026, mas torna-se inevitável abordá-lo.
Os efeitos da saída de Ruben Amorim do Manchester United rapidamente se fizeram ecoar em Lisboa, basta acompanhar os programas desportivos e/ou as redes sociais para perceber que a sua associação aos dois clubes da 2.ª circular foi quase automática. Enquanto estiver livre no mercado, Ruben Amorim será sempre como um fantasma que paira sobre os atuais treinadores, principalmente em Alvalade.
Este artigo não pretende avaliar o mérito absoluto de nenhum treinador, nem comparar talentos ou aptidões, mas sim refletir sobre as causas destas associações mesmo 14 meses após a sua saída do campeonato nacional.
Rui Borges foi aceite em Alvalade, principalmente por ter conseguido o bicampeonato, cujo mérito continua a ser associado a Amorim, sendo Rui Borges apenas visto na maioria das vezes como uma peça neutra que permitiu continuar o desígnio que já tinha sido traçado pelo seu antecessor, como se fosse bom já não ter comprometido.
A verdade é que Rui Borges foi aceite, mas nunca adorado pela massa adepta, não tem sido muito contestado, isso é verdade, mas não se deve a qualquer relação ou vínculo emocional que tenha sido estabelecido, mas sim ao título anterior e à consistência dos resultados no início desta temporada.
É verdade que se tem assistido a uma melhoria notória no processo de comunicação do treinador, mas o carisma não está lá. Está longe de conseguir suplantar a relação de simbiose quase perfeita que Rúben Amorim conseguiu com os adeptos, razão pela qual nunca foi esquecido e que faz alguns adeptos pensarem (correta ou incorreta) que se viesse agora ainda viria a tempo do tri, ou pelo menos faria sonhar uma grande percentagem dos adeptos, aquela percentagem que não o olha como traidor por ter saído a meio da época.
O timing da saída de Ruben Amorim do Manchester United ajuda claramente a esta associação uma vez que coincide com o empate frente ao Gil Vicente e a derrota, nesta última terça-feira, 6 de janeiro, frente ao Vitória de Guimarães, que afasta o Sporting da possibilidade de vencer a Taça da Liga, timing que desperta a memória emocional de adepto.
Por outro lado, é verdade que o Benfica tem José Mourinho, nome histórico do futebol mundial, mas também é verdade que o terceiro lugar agrada muito pouco à massa adepta benfiquista que exige sempre mais, que exige títulos.
Há muito que o nome de Ruben Amorim é associado ao Benfica sempre que algo parece estar menos bem. No universo benfiquista, a associação a Ruben Amorim não nasce apenas da oportunidade de mercado, nasce sobretudo de uma narrativa emocional construída desde o sucesso alcançado em Alvalade.
Desde então, uma parte significativa dos adeptos vive com a sensação de perda simbólica, um treinador assumidamente benfiquista, formado no clube, que atingiu a glória, mas com o rival.
Por isso, sempre que algo não corre bem, o nome de Amorim regressa como uma espécie de reposição da ordem natural das coisas, quase como a vontade de trazer para casa alguém que os adeptos sentem emocionalmente como seu.
Não é só racionalidade desportiva, é identidade, pertença e a ideia de que ainda existe uma história inacabada entre Amorim e a Luz. Mourinho não tem recebido, pelo menos até agora, grande contestação, apesar do terceiro lugar na Liga e dos menos positivos resultados na Liga dos Campeões, mas isso deve-se sobretudo a três pontos-chave: o peso emblemático do próprio treinador, a criação de narrativa de um inimigo comum que serve sempre para unir (a arbitragem) e o desempenho de excelência do FC Porto que não diminui a época dos adversários, mas explica porque ser bom não é suficiente.
Mas a verdade é que, também na Luz, o facto de Amorim estar livre faz aumentar a pressão dos resultados, pois alguns adeptos encontram no seu imaginário uma solução melhor para o futuro do clube. Mourinho é dos poucos treinadores em Portugal com capital emocional suficiente para retardar a contestação, mas esse capital também tem prazo.
O simples facto de Ruben Amorim ser constantemente associado aos dois rivais históricos da 2.ª Circular aumenta inevitavelmente a pressão sobre ambos: «Contratar Amorim será a decisão certa ou um erro estratégico?», «E se o outro o fizer primeiro e resultar?», «E se vier… e correr mal?».
Há sempre uma decisão por tomar… e um risco por assumir. Quem ousará dar o primeiro passo? Ou ninguém o dará? Tudo dependerá de dois fatores determinantes: aquilo que os próximos resultados ditarem e, sobretudo, a vontade do próprio Ruben Amorim.
E, este é o ponto que tem sido consistentemente esquecido, a vontade do próprio treinador. Um eventual regresso a Lisboa, seja à Luz ou a Alvalade, pode ser deslumbrante e glorioso, mas também pode ser uma armadilha quase fatal para a sua carreira caso não alcance rapidamente os resultados desejados.
Ainda assim, Amorim habituou-nos a olhar sempre para o copo meio cheio, a desafiar o medo com ambição: «E se corre bem?». Talvez seja exatamente nesta tensão entre risco e sonho que reside o grande fascínio desta possibilidade, mas essa é, claramente, uma conversa com profundidade suficiente para merecer um artigo próprio.
No fundo, enquanto Ruben Amorim estiver livre, não precisa de estar em Lisboa para estar presente. Ele não ocupa um banco, não define estratégias, mas ocupa espaço emocional e define expectativas, daí a escolha do título, tal como um fantasma ele não precisa estar, não precisa de ser visto, mas a sua hipotética presença será sentida.
E, até alguém fechar definitivamente esta história, os dois clubes da Segunda Circular continuarão a viver com a mesma pergunta silenciosa: e se, um dia, ele voltar?"

Benfica abaixo do mínimo aceitável


"A meia-final frente ao SC Braga foi retrato fiel de equipa sem nervo competitivo, sem ambição e sem soluções. O rendimento paupérrimo, o resultado, abaixo de qualquer patamar aceitável. Não há retórica que o salve, nem contexto que o atenue

Depois de o Sporting, ferido por lesões em catadupa, ter deixado escancarada a porta para uma final da Taça da Liga teoricamente acessível, sem adversário da mesma igualha, o Benfica respondeu da pior forma possível: com apatia, desresponsabilização e uma exibição que roçou o inaceitável. Perdeu-se, assim, mais uma oportunidade clara de se aproximar de um troféu — algo que nunca deve ser desvalorizado num clube desta dimensão, muito menos em tempos de escassez como os atuais.
A meia-final frente ao SC Braga foi um retrato fiel de uma equipa sem nervo competitivo, sem ambição e sem soluções. O rendimento foi paupérrimo, o resultado abaixo de qualquer patamar aceitável... Não há retórica que o salve, nem contexto que o atenue.
No final, José Mourinho apontou o dedo, falou de uma primeira parte horrível e de desempenhos individuais abaixo dos mínimos, deixando no ar a ameaça de consequências. Palavras duras, sem dúvida. Mas olhando para o filme completo — para o que se repete semana após semana, sempre sem melhorias visíveis — tudo soa a pólvora seca. O problema parece estrutural, quase endémico, e a solução continua fora de vista.
O que mudou, afinal, desde os piores momentos de Roger Schmidt ou de Bruno Lage? Mudam-se os treinadores, reforça-se o plantel, investe-se — e o que se vê está longe de qualquer evolução sustentada. Por vezes, é até o contrário. Inexplicável a todos os níveis. E, mais do que isso, profundamente constrangedor.
A época ainda não está formalmente fechada, é certo. O segundo lugar na Liga continua a ser muito diferente do terceiro. Mas títulos? Com este nível exibicional, tudo aponta para que as aspirações terminem já na próxima semana, no Estádio do Dragão. A menos que, num rasgo de pragmatismo extremo, surja mais um empate arrancado a ferros e que o acaso — sempre ele — sorria nos penáltis. Até lá, o Benfica continua refém de si próprio."

Conselho de Arbitragem premeia quem grita e penaliza quem quer perceber


"Se um filho decide não dar ouvidos ao pai ou se um aluno entende que não tem nada de ouvir as explicações do professor, faz sentido pai e professor calarem-se porque o filho ou aluno não estão preparados para ouvir as explicações?

Lembro-me bem do momento em que passei a gostar de Duarte Gomes, ex-árbitro e atual diretor técnico de arbitragem da FPF. Ele não se lembrará do que vou contar, nem me levará a mal que o conte... Há uns bons anos, a seguir a um jogo no Algarve, cuja cobertura fui fazer para A BOLA, calhou cruzar-me com ele no restaurante que ambos escolhemos para jantar. O jogo ficou marcado por uma grande penalidade assinalada a favor de um dos grandes e que gerou muitas dúvidas, numa altura em que o VAR era apenas uma miragem. Duarte Gomes entrou e parou para cumprimentar companheiros de trabalho que reconheceu. E quando questionado sobre o lance da polémica, não se escondeu. «No relvado pareceu-me claro, até pela movimentação dos jogadores e o tipo de queda. Vi as imagens no final e já não me pareceu tão claro. Admito que possa ter cometido um erro», desabafou Duarte Gomes, com naturalidade, mas contrafeito. Percebia-se que a decisão lhe estava a retirar paz de espírito. E fiquei naquele dia com a convicção, pela forma como falou e por toda a linguagem corporal, que Duarte Gomes era um árbitro sério, competente e humano. E também reforcei uma aprendizagem de vida: o assumir do erro humaniza-nos. Se feito de uma forma correta, a agressividade cai a pique.
Não entendo a posição de Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, que na recente entrevista a A BOLA anunciou o recuo na decisão de sessões públicas de esclarecimentos sobre decisões concretas de arbitragem e participação em programas televisivos. A razão? «As pessoas não estou preparadas». Eu compreendo que há sempre quem não queira ser exclarecido, queira até usar os esclarecimentos com efeito de ricochete... Então e os outros? Os muitos que querem ser esclarecidos, querem entender, querem a explicação em vez do grito?
Acusem-me de ser ingénuo, mas eu sou daqueles que acredito que deviam ser os próprios árbitros a falar das suas decisões, em especial quando erram. Há tantos bons exemplos um pouco por todo o mundo: por cada pedido de desculpas e explicações para uma decisão assumidas por um árbitro são mais os aplausos e a compreensão do que as críticas e incompreensões.
Falo até pelo meu exemplo. De quando em vez recebo emails com insultos. Poucos, felizmente. O recorde foi por coisas que disse num único programa de A BOLA TV, ao fim do qual um telespectador me chamou «lampião de m...», outro um «corrupto como o FC Porto», um terceiro ser «largarto da pior espécie». Não gosto, porque sou filho de boa gente - é que sou mesmo, acreditem - mas a consciência tranquila dá-me a paz quando o sangue ferve. Respondo a todos. Peço desculpo quando erro, explico o meu ponto de vista e a agressividade baixa 90 por cento. Na maioria dos casos, assunto sanado após algumas trocas de emails. Em num ou outro caso, não digo que fiquei amigo, mas ganhei alguém com quem ainda hoje troco opiniões. Gosto disso. Da sensação que, conversando, explicando a razão das minhas opções, pedindo desculpa pelas vezes que erro, a agressividade dá lugar à conversa e esta à compreensão.
Sabem quando deixei de criticar os árbitros? Quando arbitrei o meu primeiro jogo. E último."

Tem razão, Rui Borges: lesões são mesmo caso de estudo


"Sporting volta a debater-se com inúmeras lesões, tal como na época transata. Os milagres é que não se repetem...

Primeira volta concluída, com o FC Porto instalado no primeiro lugar. Percurso a todos os títulos fantástico da equipa de Francesco Farioli, que em 17 jornadas somou 16 vitórias e apenas um empate. E até esta (única) perda de dois pontos motiva lamentos por parte dos dragões. Seja pelo remate à barra de Rodrigo Mora, já na compensação, que podia ter valido a vitória, seja pelo alegado penálti não assinalado, por falta de António Silva sobre Deniz Gul.
Certo é que o FC Porto está (muito) bem e recomenda-se. Os azuis e brancos não facilitam — apenas quatro golo sofridos é registo fabuloso em qualquer parte do mundo — , a equipa está cada vez mais confiante e os adeptos cada vez mais crentes na reconquista do título de campeão nacional. Diria mesmo que só uma maldição poderá fazer com que o troféu rume ao museu de Sporting ou Benfica.
E, neste cenário, inevitavelmente vem à equação a época transata, na qual Farioli acabou por perder o campeonato dos Países Baixos. A cinco jornadas do final, o Ajax (73) tinha nove pontos de vantagem sobre o PSV (64) e em apenas quatro rondas (30.ª, 31.ª, 32.ª e 33.ª) cedeu 10 pontos (!), entrando já para a última jornada atrás do rival de Eindhoven.
Uma quebra que alimenta a esperança dos rivais. Que, contudo, têm de se transcender.
O que não é nada previsível. O Benfica continua ainda à procura de uma equipa consistente, por mais que argumentos que a genialidade de José Mourinho encontre para justificar insucessos, e o Sporting, este sim, debate-se com uma maldição. Maldição, entre aspas, sublinhe-se, já que começa a ser difícil aceitar como naturais tantos problemas físicos. Diria mesmo que razão tem Rui Borges: tantas lesões são um caso de estudo.
Percebo o desabafo do treinador após perder Quaresma e Ioannidis e ser eliminado pelo V. Guimarães nas meias-finais da Taça da Liga, mas o que está a suceder aos leões não é normal. Até porque na temporada transata, igualmente a meio da campanha, aos leões deparou-se um cenário idêntico. O que mais que poder indicar um padrão deve motivar um… estudo. Seja ao nível da preparação ou da recuperação. Os especialistas que se pronunciem.
Aceito até que seja mesmo coincidência, o azar pode explicar o fenómeno, mas o que Rui Borges fez em Alvalade, socorrendo-se de uma meia dúzia de miúdos da equipa B — alguns dos quais já nem moram em Alcochete… — e contando só com um reforço digno desse nome, Rui Silva, em janeiro para terminar a época com a dobradinha, foi um autêntico milagre. E estes não se repetem…"

O golpe de Amorim


"E se corre bem? A famosa pergunta que Ruben Amorim devolveu aos jornalistas, no dia em que foi apresentado como treinador do Sporting, nunca fez tanto sentido como agora.
A forma como o português decidiu precipitar a saída do Manchester United, na conferência de imprensa após o empate frente ao Leeds (1-1), esteve longe de ser um ato ligeiro, impensado ou, até, irresponsável. Amorim sabia que, a partir daquele momento, o corte tornava-se inevitável. E, entre a espada e a parede, a escolha foi a espada.
Não foi pelo empate – nem poderia ser – que Ruben Amorim deixou de ser treinador do Manchester United. Há muito tempo que o puzzle estava a ser montado e já só faltava, pois, quem «pegasse» na última peça e o terminasse. Ou Amorim permitia que os poderes ocultos de Old Trafford e Carrington «fechassem o jogo» ou seria ele próprio, como veio a acontecer, a escolher o momento para virar a página.
Um treinador jamais poderá aceitar que sejam executivos, fechados dentro de um gabinete, a decidir de que forma deve jogar a equipa. E quando um diretor-geral, diretor desportivo, diretor técnico – ou o que lhe queiramos chamar – convoca o treinador para o questionar sobre sistemas táticos, o mais provável é ouvir aquilo que não quer, sobretudo se esse treinador tiver a personalidade e a convicção que, todos sabemos, é a raiz da essência de Ruben Amorim.
O erro capital do técnico português foi ter acreditado que seria capaz de impor a sua «lei» e mudar uma história – a mesma – que já tinha trucidado nomes e figuras tão diversas como Van Gaal, José Mourinho ou ten Hag. Serão sempre os resultados a fazer rolar cabeças, mesmo que o desempenho em campo possa ser sabotado pela incompetência de tecnocratas ou mesmo, como diria Frederico Varandas, «paraquedistas».
A alegada inflexibilidade tática nunca poderia ser um argumento sério para questionar Amorim e pedir-lhe uma reflexão sobre as suas opções. O treinador foi contratado, precisamente, para implementar em Old Trafford o ideário futebolístico que o notabilizou. Achar-se, agora, que o problema está no sistema de jogo é a confirmação de que o United está a mudar tudo… para que tudo fique na mesma.
O futebol dos “clubes com donos” é, definitivamente, um lugar diferente – se é que alguém ainda não reparou. Ruben Amorim foi eleito, pela Premier League, o treinador do mês de outubro. E Enzo Maresca foi eleito, um mês depois, o treinador de novembro. Ambos foram despedidos neste início de ano, deixando Manchester United e Chelsea com 31 pontos, no quinto e sexto lugar, a três pontos do campeão Liverpool. Amorim sai em choque com a direção técnica. Maresca sai em conflito com o departamento médico.
É óbvio que os números de Ruben Amorim nos últimos 14 meses são francamente maus: pouco mais de 30 por cento de vitórias. É verdade, também, que a qualidade de jogo esteve longe de ser aceitável. O treinador reconheceu isso mesmo em várias ocasiões, aliás. Mas, independentemente de tudo, e até dos milhões que o clube investiu no último verão, é inaceitável que um diretor se atreva a sugerir ao treinador a forma como a equipa deve apresentar-se em campo.
E é à luz dessa ingerência que a explosiva conferência de imprensa de Amorim passa a fazer sentido. O treinador perde o lugar, mas fica livre e passa a ser um «fantasma» (até em Portugal) a pairar sobre muitas cabeças, sobretudo a partir de maio. E se corre bem?

P.S.: Ruben tem apenas 40 anos. Desde o dia em que nasceu (27 de janeiro de 1985) até hoje, o Sporting conquistou cinco campeonatos nacionais. E três deles têm a sua marca. Não sendo exagerado, aliás, dizer que 2,5 lhe pertencem. Não foi capaz de mudar a história do Manchester United, mas é justo recordar que, em Alvalade, passou a existir um antes e um depois de Amorim."

Zero: Canto - Mais um «soco no estômago» e uma Taça perdida

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #36

O Benfica Somos Nós - S05E35 - Braga...

BI: Voo Picado #8 - O grande Ajax de Van Gaal e o Benfica

Águia: Rescaldo e Mercado...

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Zero: Mercado - Benfica deseja extremo da equipa de JJ

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O triunfo do SC Braga sobre o Benfica em cinco pontos

Observador: E o Campeão é... - Benfica: "Não interessa onde dormem, mas sim onde estão acordados"

Observador: Três Toques - Faltam macas em Alcochete para tantos lesionados

Zero: Saudade - S04E18 - O Milan no Barreiro, a Juventus no Funchal: as mais loucas aventuras lusas na UEFA

Zero: Mercado - FC Porto reforça-se; Sporting a caminho

Benfica Podcast #577

Setenta e Oito: Os Panenka - S07E20 - "Rui Borges é o Menos Culpado do Estado do Sporting"

Positively Portugal: Liga Portugal road trip to Rio Ave

ESPN: Futebol no Mundo #525

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Zalazar destruiu o Benfica e será feriado no Minho no próximo sábado


"O SC Braga marcou encontro com o Vitória SC na final da Taça da Liga 2025/26, ao bater o Benfica por 3-1, num jogo em que soube agir e reagir e foi sempre a equipa mais equilibrada em campo. Apáticos na 1.ª parte, a entrada forte na 2.ª não foi suficiente para o conjunto de José Mourinho, que perdem pela primeira vez esta época dentro de portas

O futebol, sendo uma manifestação tão humana, apesar da lógica da lei do mais forte ainda imperar, gosta de escrever direito por linhas tortas. A Taça da Liga, sabemos todos, foi criada para ser um veículo essencialmente comercial, aferrado na existência de mais jogos entre os grandes, aqueles que, para o bem e para o mal, continuam a especar mais gente em frente ao televisor e mantêm um qualquer fio de esperança em internacionalizar o produto, levando-o sabe-se lá para onde, num desses desertos futebolísticos que pouco contam a não ser uns cifrões. Cifrões esses que, diga-se, ninguém parece estar disposto a pagar.
É também por tudo isto que dá sempre algum prazer ver o ovo a fugir do rabo da galinha aos cartolas do futebol português, tornando a Taça da Liga aquilo que, por direito próprio, deveria ser desde sempre: uma oportunidade para contar novas histórias no futebol português. Contou-a o Vitória setubalense na primeira edição. Vem contando o SC Braga. Escreveu-a também o Moreirense. E em 2026 há novo conto em estreia, este bem quentinho: um inédito dérbi minhoto, quando toda a gente contava com um dérbi da capital.
Depois do Vitória vimaranense bater o Sporting na primeira das meias-finais, o SC Braga voltou a explanar em campo uma personalidade muito própria nos jogos mais complexos. Venceu o Benfica por 3-1 merecidamente, tendo sido, durante muito tempo, a melhor equipa em campo mas, principalmente, tendo sido sempre a equipa mais equilibrada em Leiria. Muito melhor na 1.ª parte, sabendo reagir na 2.ª e com um Rodrigo Zalazar em noite de antologia, a equipa de Carlos Vicens soube estar à altura do desafio que era estar preparado para seguir para a final frente ao seu inimigo fidagal na região. Seja de forma oficial ou não, sábado será feriado no Minho.
Fora um cruzamento de Dedic e emenda de Pavlidis à qual Hornicek respondeu com um posicionamento exemplar, a 1.ª parte foi um tratado do SC Braga. As longas e pacientes posses de bola, aparentemente inofensivas, tornaram-se rapidamente num variado jogo de ataque que enregelou o Benfica.
O penálti de Otamendi sobre Zalazar, depois revertido por a falta ter acontecido fora da área, era um primeiro indício das diabruras que o uruguaio estava disposto a fazer aos encarnados. Do outro lado, a equipa de Carlos Vicens lia na perfeição o nervoso e previsível esquema atacante do Benfica, intercetando um número admirável de passes e agradecendo aqueles que a equipa de Mourinho falhava por iniciativa própria.
Enquanto o Benfica lutava por encadear lances, o SC Braga ia somando jogadas de perigo, ancorados num ataque apoiado de grande dinâmica. Ainda antes dos 20’, Lagerbielke lançou Zalazar pela direita e o cruzamento rasteiro, com pouca ou nenhuma oposição do já amarelado Otamendi, encontrou primeiro uma má abordagem de Tomás Araújo e depois a receção e remate certeiros de Pau Victor.
À parca reação ao golo do Benfica, o SC Braga foi respondendo com o domínio territorial e emocional do encontro, com raros desequilíbrios. E seria de mais uma perda de bola encarnada no último terço que nasceria o momento mais cintilante do jogo, uma cavalgada indomável de Rodrigo Zalazar pela direita, a arrancar ainda bem antes do meio-campo, vencendo o duelo físico com Sudakov e ultrapassando depois um destemperado Otamendi, a falhar mais uma abordagem, antes de bater Trubin, que ainda escorregou antes de tentar a defesa.
A desorientação era agora o tom dominante do jogo do Benfica. Dahl somava erros, Leandro Barroso faltas e Manu Silva parecia desaparecido em combate - não foi uma surpresa vê-lo sair ao intervalo, dando lugar de Prestianni, já depois de Ricardo Horta ter ficado a escassos centímetros do 3-0.
A entrada do argentino faria bem ao Benfica, que surgiu com renovada energia para a 2.ª parte. Mais agressivo, mais pressionante, mais capaz de segurar a bola. Ainda assim, seria dos bracarenses a primeira oportunidade do segundo tempo, depois de Zalazar, sempre Zalazar, descobrir Pau Victor no poste mais afastado, onde Dedic e Tomás Araújo se desnortearam, deixando o espanhol à vontade para rematar - Trubin estava atento.
O golo do Benfica, que já há muito prometia relançar o encontro, surgiria de penálti, local de tiro de onde Vangelis Pavlidis não falha, ainda com 25 minutos de jogo pela frente, que se previam de grande pressão encarnada. O jogo tornou-se, contudo, mais confuso, partido, não chegando a ser caótico, com o SC Braga quase sempre a parecer a equipa mais lúcida.
Logo após o golo encarnado, Tomás Araújo (noite para esquecer) permitiu a Fran Navarro ganhar-lhe a frente e isolar-se, com o espanhol a falhar depois o remate. O Benfica criava perigo, essencialmente, de longe, com Richard Ríos em evidência, mas mantinha a pouca capacidade de servir Pavlidis, de criar em ataque posicional. Aos 80’, surgiria o golpe de misericórdia para os encarnados, com Lagerbielke, após livre lateral, a emendar após primeira defesa de Trubin.
O Benfica ainda perderia Otamendi, expulso por acumulação de amarelos. Não estará para o clássico com o FC Porto, para a Taça de Portugal, na próxima semana. A entrada de Sidny Lopes Cabral não criou o mesmo efeito do jogo com o Estoril. A lógica do futebol via-se desafiada.
No final, seguiu em frente a equipa que foi mais adulta em campo, sabendo agir e reagir, nunca deixando a narrativa fugir-lhe da mão. E a narrativa será histórica. Sábado, uma região de acirradas rivalidades estará frente a frente numa final. Por um troféu. Que a Taça da Liga continue a servir para contar estas histórias."

JÁ NÃO BASTAVA O FRIO, JOGO MAU DEMAIS!!!


"Braga 3 - 1 BENFICA

> para chegar à superior deste estádio é preciso comer três bifes com ovo a cavalo, pkp. Ao menos serviu para aquecer qualquer coisa, é que está um briol daqueles.
> não vejo a tal foto de homenagem ao Mourinho no estádio, devem-na ter apagado. Mais comentários para quê?
> deve ser para aí um do Bragapara dez ou vinte do Benfica no Magalhães Pessoa. Depois querem discutir connosco o bolo dos direitos televisivos. Vão mamar para outro lado.
LA LA LA
LA LA LA LA
FORÇA BENFICA, VENCE POR NÓS!

00 a equipa esperada. Carregaaaaa! 04 primeira grande jogada, primeiro golo perdido. Entrámos a encostá-los atrás.
08 falta do Otamendi, o VAR, tanto tempo, à procura do penálti pro Braga? É livre perigoso, mas não é penálti.
15 tempo útil? Praí 5 minutos... o senhor João Pinheiro a ajudar à festa. Marca tudo e mais alguma coisa: o que vê e o que não vê.
18 Otamendi vai à zona do Dahl disputar uma bola, o buraco fica aberto, o Tomás falha a antecipação e já estamos a levar um.
25 convém a nossa pressão ser mais efetiva, eles estão a aproveitar para fazer meinhos...
26 acorda Barreiro!!! E o festival do apito continua. Eles já estão no antijogo.
31 autoestrada aberta, passadeira vermelha estendida, o homem sai antes do meio campo, o Otamendi cortou-se porque já está amarelado, toma lá o segundo! Cada cavadela, cada minhoca.
40 dificuldade em criar oportunidades claras de golo, jogo muito previsível da nossa parte, eles a fecharem bem, Mourinho tem que dar a volta a isto no intervalo.
45 só mais 4? Haja respeito por quem paga bilhete, crl! Também convinha que o Benfica jogasse mais para que os seus adeptos fossem compensados pelo esforço de virem aqui levar com frio. Quantos quereria o Mourinho substituir se pudesse?
46 em Braga demos 45 de avanço, mas hoje abusámos. Lá fizemos uma boa segunda parte, a ver vamos hoje. 51 entrámos mais rápidos mas já íamos mamando o terceiro. Valeu Trubin.
55 como é que esta mão na bola dividida com o Barreiro não é penálti? Prestianni está a justificar a entrada, boas ações, velocidade, imprevisibilidade. O Braga vai esgotando o catálogo todo do antijogo.
62 o João Pinheiro marcou um penálti a nosso favor!!! E o VAR? Também! Vamos Pavlidis! Um-dois.
64 Sidny para o lugar do Sudakov. Eu teria tirado o Barreiro e metido o Sudakov no meio.
71 os enigmas do senhor Pinheiro a tomar conta do Magalhães Pessoa.
78 alguém que explique ao Barreiro o que é o fora de jogo.
80 o tempo a passar, jogo muito aos repelões, e agora mais um golo do Braga. Ponto final na Taça da Liga.
89 Otamendi para a rua, segundo amarelo por protestos - quem viu o penálti que ele marcou nos Açores só pode dar razão ao Otamendi, era falta. O Simão também na rua com vermelho. Este João Pinheiro não tem categoria nenhuma.
90 mais 6 para um espetáculo deprimente, não se aproveita nada. Tempo perdido."

A exibição quase perfeita de guerreiros poderosos


"SC Braga chegou ao intervalo a vencer por 2-0 e o Benfica, depois de 45 minutos de imenso miserabilismo, tentou fazer segunda parte como fizera na Pedreira. Não o conseguiu, porque os guerreiros não deixaram. Triunfo justíssimo e seguro de uma grande equipa frente a uma equipa com demasiados momentos pequenos

Há fotocópias perfeitas e fotocópias imperfeitas. O jogo de Leiria foi uma fotocópia quase perfeita do jogo de Braga, há apenas dez dias. O SC Braga partiu na frente, partiu ainda mais na frente, pois chegou ao intervalo com vantagem por dois golos, ao contrário do encontro na Pedreira. Mas não foi apenas neste importante detalhe que o jogo começou de forma semelhante. O Benfica, para ajudar à história, fez primeira parte de equipa pequenina, sem argumentos para contrariar o adversário e sem capacidade para ter bola e criar perigo. Que é, no fundo, o que se pede a uma equipa grande. Que o Benfica não foi até ao intervalo.
Porém, para a tal cópia ser o mais exata possível, era preciso que o Benfica crescesse na segunda parte e, de algum modo, encostasse o SC Braga às cordas. Ou seja, para junto de Hornicek. O que aconteceu. Mas a conta-gotas e, sejamos justos, sem a potência e a contundência de há apenas dez dias. O que é demérito do Benfica, mas muito mérito do SC Braga.
O SC Braga chega à final com merecimento máximo. Dominou o Benfica em 70 por cento do tempo de jogo e foi dominado, se assim poderemos dizer, em apenas 30 por cento. Frente a um adversário orientado por um dos melhores treinadores mundiais de todos os tempos e com um plantel insuflado por 100 milhões de euros, os bracarenses teriam, em teoria, tarefa hercúlea. Mas transformaram esta titânica missão, não num passeio como o 3-1 final pode, de algum modo, mostrar, mas numa vitória justíssima e histórica.
O primeiro tempo foi, como já escrevemos, brilhante fotocópia do jogo da Pedreira, há apenas dez dias: SC Braga a sufocar o Benfica lá atrás, não criando demasiadas ocasiões de golo, mas partindo sempre com muito perigo para cima da defesa encarnada. Os bracarenses dominaram quase de ponta a ponta a etapa inicial, excluindo o minuto 5, quando Pavlidis e Sudakov andaram perto do golo. Foi, porém, apenas um suspiro.
A seguir, como se não houvesse amanhã, os guerreiros pegaram na bola e passaram a construir sucessivos lances perigosos. Sobretudo, como no jogo da Liga, com Zalazar e Pau Víctor em enorme destaque. O uruguaio começou, aos 19’, por prender Otamendi no lado esquerdo da defesa, esperou pela chegada do espanhol, ofereceu-lhe a bola, Tomás Araújo teve abordagem displicente ao lance e Pau Víctor abriu, de forma fácil, o marcador: 0-1.
O Benfica era, então, uma sombra de si próprio. Não, claro, uma sombra do melhor Benfica desta temporada, mas uma sombra, bem negra, do pior Benfica que já se vira em 2025/2026: cinzento a tender para a negritude absoluta. Por culpa própria, sim, de forma evidente, mas também por culpa de um SC Braga sempre mais esclarecido, mais perigoso, mais talentoso, mais criativo. Enfim, acima de tudo, mais equipa.
O SC Braga chegava ao intervalo a ganhar por dois golos de diferença, melhor ainda do que no jogo de 28 de dezembro, quando chegou ao descanso a vencer pela margem mínima: 2-1. Há pouco mais de um ano que o Benfica não chegava ao intervalo a perder por dois de diferença e pouco mais de um ano que o SC Braga não ganhava ao Benfica, ao intervalo, por dois de diferença. O jogo, claro, foi o mesmo: 4 de janeiro de 2025, Estádio da Luz, jornada 17 da Liga.
Como seria, porém, o pós-intervalo? Em muitos dos últimos jogos com José Mourinho (V. Guimarães, Nacional, Sporting, Moreirense e SC Braga, por exemplo), o Benfica cresceu após o intervalo. Repetir-se-ia a saga ou o SC Braga, muito bem treinado por Carlos Vicens, conseguiria evitar o que aconteceu no jogo de há dez dias?
E assim foi, de facto. José Mourinho tirou Manu Silva, meteu Prestianni e colocou Aursnes ao lado de Ríos. E o Benfica cresceu. Não sem que, antes de criar verdadeiro perigo, tivesse sido Pau Víctor a obrigar Trubin a defesa apertada, logo ao minuto 52. Os encarnados não pareceram incomodar-se com este lance e continuaram a aumentar a agressividade e as aproximações à área bracarense.
Carlos Vicens apercebeu-se do perigo e dos sinais de alarme que iam surgindo perto de Hornicek e decidiu que, aos 58, era tempo de mudar. E não mudou por mudar. Trocou três unidades: Vítor Carvalho, Dorceles e Pau Víctor por Paulo Oliveira, Víctor Gómez e Fran Navarro. Azar para os bracarenses, pois, quatro minutos depois, Paulo Oliveira fez falta na área sobre Pavlidis e João Pinheiro apontou para a marca dos 11 metros. E o grego fez o que já tanta vez conseguiu desde que chegou ao Benfica: golo.
Mourinho não esperou e tirou o cinzentinho Sudakov para meter Sidney Cabral. A ideia era clara e óbvia: agitar, agitar, agitar. E o jogo começou a ficar partido. Fran Navarro falhou, na cara de Trubin, o 3-1. Um pouco mais tarde, vendo o Benfica por cima do jogo, mas sem conseguir criar verdadeiras oportunidades de golo, o treinador do Benfica retirou Aursnes e colocou Ivanovic em campo. Era a vez de Barreiro recuar para perto de Ríos. Mourinho apostava então numa espécie de 4x4x2.
Porém, instantes depois, apareceu o banho de água gelada. Livre lateral sobre a direita, bola a voar a defesa encarnada, desvio inesperado em Tomás Araújo, defesa de Trubin para a frente, aparecendo o sueco Lagerbielke a desviar para o 3-1 final. Era o consumar de duas exibições muito boas dos guerreiros de Carlos Vicens (Braga e Leiria) e agora com a final da Taça da Liga. Ainda bem, para os bracarenses, que António Salvador teve paciência para esperar pelos frutos do trabalho do treinador espanhol."

As notas do Benfica: só há um grego neste Cavalo de Troia


"Pavlidis marcou e ameaçou, quase sozinho, claramente desamparado numa equipa rica em asneiras e desinspiração

A figura: Pavlidis (7)
Não precisou de 5 minutos para ameaçar a baliza minhota, desviando com perigo, em zona frontal, bola perfeita de Dedic, obrigando Hornicek a trabalhar. Serviu com oportunidade Richard Ríos aos 16', deixando o colombiano em posição de disparar, e manteve-se sempre ligado ao jogo, mesmo na primeira parte fraquinha da equipa. Na segunda voltou mais forte, à boleia de mais algum apoio, sobretudo de Prestianni, sofrendo e convertendo penálti do 1-2, que relançava a equipa. De cabeça, por duas vezes, e com os pés outras tantas, ainda fez sonhar os benfiquistas, mas o grego vai sozinho no Cavalo de Tróia do Benfica. Mesmo quando chega à zona de decisão raramente tem apoio para fazer estragos na defesa adversária. Antes do jogo, pediu futebol ofensivo e dominador, mas não foi o que teve.

Trubin (6) — Primeira parte dramática, sem erros ou méritos, somente duas viagens para ir buscar a bola ao fundo das redes. No lance do segundo golo, perante Zalazar, ainda tropeçou/escorregou face ao mau estado do relvado, mas só ele saberá se isso influenciou a saída da baliza e a mancha. Bem diferente, todavia, foi a segunda parte, pois começou a trabalhar logo aos 52', atirando-se para desviar bola de golo de Pau Víctor. Ainda defendeu a bola desviada pelo corpo de Tomás Araújo, mas Lagerbielke foi mais rápido e confirmou o 3-1, ali mesmo em frente ao ucraniano.

Dedic (5) — Belo cruzamento para Pavlidis, ao minuto 4, oferecendo na perfeição a oportunidade de fazer o primeiro golo. Numa primeira parte paupérrima da equipa, destoou, mantendo o seu flanco ligado, ajudando a equipa a chegar à área. Com o andamento da partida também a chama do bósnio foi desaparecendo, mais a mais com trabalho para fazer lá atrás.

Tomás Araújo (3) — Que noite. Para começar, abordagem errada no 0-1. Otamendi estava desposicionado (tinha ido à linha fazer o lugar de Dahl) e Tomás não se limitou a marcar Pau Víctor, procurou a antecipação, lendo mal a jogada. Não conseguiu, foi enganado, perdeu, golo do SC Braga. Reapareceu bem, com um belo passe para Dahl ao minuto 30, uns 50 metros, direitinho. Evitou, aos 65', o 1-3, intercetando bola de Fran Navarro que já tinha passado por Trubin e ia para a baliza, mas na origem do lance está mais uma desatenção. Não era mesmo o jogo de Tomás Araújo, como se viu no 1-3. Quase fazia autogolo, sem responsabilidade, pois a bola desviou no corpo dele e seguiu para a baliza, onde Trubin defendeu. O problema foi a recarga de Lagerbielke.

Otamendi (3) — Ao minuto 9 derrubou Zalazar e por um triz não fez penálti, mas tinha o pé de fora da área. Viu um cartão amarelo inibidor e pagou o preço de uma asneira de Aursnes, cujo erro possibilitou o ataque minhoto. Abordagem claramente falhada no lance do 0-2, demasiado brando na tentativa de desarme de Zalazar, provavelmente condicionado pelo tal amarelo. Foi competitivo, foi errando e acertando, mas perdeu a cabeça perto do final, protestando como não podia e vendo o segundo amarelo e o vermelho. Expulso e fora do clássico com o FC Porto para a Taça de Portugal.

Dahl (4) — Por uma ou duas vezes procurou visar a baliza, sempre com a bola a ficar a meio caminho, e muitas dificuldades para manter seguro o seu flanco, onde aconteceram cavalgadas épicas de Zalazar e não só.

Ríos (6) — Belo remate aos 16', errando por pouco a baliza, bom cruzamento aos 40', disparo violento de longe, aos 73', obrigando Hornicek a defender a dois tempos. Momentos de um jogo de sacrifício, em que esteve praticamente sozinho no meio-campo do Benfica.

Manu (3) — Lento, pesado, fora de forma, a passar ao lado do jogo e dos lances de perigo minhotos.

Aursnes (4) — Perdeu a bola em zona perigosa, bem perto da sua área, ao minuto 9, e daí resultou um cartão amarelo para Otamendi e quase nasceu penálti para o SC Braga. Aos 31' disparou duas vezes, na segunda fez a bola sair por cima da trave, e raramente apareceu com qualidade. Lento, parece estar mesmo a precisar de descanso.

Barreiro (5) — Apareceu a trabalhar bem a bola por mais do que uma vez no primeiro quarto de hora, mas foi depois combinando boas e más ações, irritando a plateia. Aos 48' ganhou falta em zona perigosa, mas estava claramente em fora de jogo, não assinalado. O trunfo maior do seu jogo são as pernas e a pressão ofensiva e defensiva que poucos na equipa acompanham.

Sudakov (4) — Logo ao minuto 4', uma recarga para as mãos de Hornicek. No 0-2, gritante falta de velocidade, perdendo para Zalazar em toda a linha numa corrida de 50 metros, mas também falta de vontade de fazer a falta. Livre direto deficiente aos 49' e mais remates na segunda parte, mas sem colocar dificuldades a Hornicek.

Prestianni (5) — Saltou do banco logo após o intervalo, com pilhas, com energia, com talento, influenciando positivamente a equipa. Belo cruzamento aos 54' e boa combinação com Pavlidis no lance do 1-2. Aos 68' viu amarelo, mas entrada a pés juntos sobre Ricardo Horta era para vermelho.

Sidny (5) — Entrou aos 64', um disparo à baliza, um bom cruzamento. Queria ação.

Ivanovic (4) — Entrou aos 80' e não alterou a ordem das coisas."

Terceiro Anel: React - Rescaldo - Mourinho - Braga...

Observador: Relatório do Jogo - Braga...

Terceiro Anel: Braga...

BF: Braga...

Terceiro Anel: Live - Braga...

BI: Live - Braga...

5 Minutos: Braga...