Últimas indefectivações

sábado, 7 de julho de 2018

Obrigado, senhor Shéu

48 anos ao serviço do Benfica, não é para qualquer um... e ainda não acabou!
O Sr. Shéu deixou hoje as suas funções junto da equipa, mas vai continuar ligado ao Benfica... para sempre!

Os rapazes, os passarinhos e o idiota da aldeia

"O Estádio da Luz abre hoje as portas para que os adeptos assistam livremente a uma sessão de trabalho da equipa principal de futebol. São de esperar uns quantos milhares movidos pela volúpia de retomar o contacto com aquilo que verdadeiramente os faz vibrar: a bola. Começa, assim, em termos públicos a temporada de 2018/2019 sucessora de uma temporada a todos os títulos medíocre em função das expectativas naturalmente criadas com o desempenho mais do que eficiente de uma equipa que desafiou a História conquistando quatro títulos nacionais consecutivos entre 2013 e 2017. O Benfica contratou neste defeso muita gente que se adivinha importante mas o frenesi maior nas bancadas será o da avaliação "in loco" dos jovens produtos da casa como João Félix ou Gedson Fernandes. São estes jogadores, agora inseridos num ambiente de adultos, que toda a gente vai querer ver hoje em acção na Luz. Em acção hoje e amanhã e depois… porque grande desgosto seria ver Félix e Gedson vendidos aos alegados "tubarões" que os cobiçam no mercados deste Verão antes de os ver dar uns pontapés oficialmente na bola ao serviço de quem os formou.
A meia-dúzia de visitas da Polícia Judiciária ao Estádio da Luz não afastou o patrocinador principal do futebol – a Fly Emirates – da órbita do Benfica. Ora aqui está uma excelente notícia. E, porventura, inesperada.
Divulgadas pela Liga de Clubes, as matérias "condicionantes" do sorteio do próximo campeonato nacional não desdenham a possibilidade de haver dérbis ou clássicos nas primeiras três jornadas da prova. Por um lado é aceitável porque os sorteios querem-se livres como os passarinhos. Por outro lado é inaceitável porque, ao contrário das justas benevolências concedidas na época passada ao Sporting por força da sua participação na fase de apuramento para a Liga dos Campeões, não haverá este ano a menor benevolência no que respeita ao calendário do Benfica no exigentíssimo mês de Agosto que se adivinha. Não é de crer que a Liga não considere de "interesse nacional" uma eventual qualificação do Benfica para a prova mais importante de clubes a nível continental tal como considerou no ano passado quando tratou de proporcionar a um outro emblema as melhores condições de acesso ao mais alto patamar do futebol europeu. E o Benfica, o que tem a dizer a isto? Passarinhos?
"O drama da internet é que promoveu o idiota da aldeia a figura nacional", explicou, muito bem explicado, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco numa das suas derradeiras aparições públicas. Eco preocupava-se com "a legião de imbecis" que "antigamente eram imediatamente calados" e que agora "têm o mesmo direito à palavra do que um Prémio Nobel". Vêm estas sábias reflexões a propósito de outras sobre o mesmo tema com que se têm justificado recentemente os clamorosos idiotas da aldeia do futebol em Portugal."

Heróis de chuteiras

"Hoje joga a Croácia e lembramos Davor Suker, avançado da ‘nação aos quadradinhos’ que gravou o seu nome na História dos Mundiais em 1998 e ainda se tornou o maior goleador do país com 45 golos em 69 jogos. Suker começou a carreira na antiga Jugoslávia, tendo sido convocado para o Mundial de 1990. Pelos jugoslavos chegou à final do Europeu de Sub-21 de 1990 e venceu o Mundial de Sub-20 de 1987. Em cada torneio marcou 6 golos. Haveria de repetir o número.
Em 1991, tudo se precipitou na região, após os croatas exigirem a independência da Jugoslávia. Era o apito inicial para um novo xadrez político e uma história de um país aos quadradinhos.
Foi já pela nação croata que Sukerman marcou novamente 6 golos, agora no Mundial de 1998, perfazendo o 666, o número da ‘Besta’. Na competição, fez-se visão apocalítica à solta, surgiu com o diabo no corpo e fez dos defesas adversários pobres diabos.
Em 7 jogos marcou 6 golos e foi o goleador do torneio, ajudando os croatas a espantar o Mundo com o terceiro lugar alcançado, após perderem na meia-final com os anfitriões franceses por 2-1.
Contra os gauleses, Sukerman ainda colocou a Croácia a vencer, mas o defesa Lilian Thuram também quis um quadrado na história e respondeu com dois golos… os únicos que marcou pelos ‘bleus’ em 108 jogos!
Se Sukerman tentou tornar-se o maior super-herói croata, Thuram surgiu como a improvável kryptonite que enfraqueceu o seu poder. Nada que apagasse o protagonismo de Sukerman.
Em França, os croatas escreveriam uma bela estória aos quadradinhos e Sukerman assumiu-se como herói nacional, dando uma alegria a uma jovem nação nascida da guerra. Com a camisola quadriculada, pautou o jogo com golos e desenhou, a partir de um Mundial que era página em branco, um resultado histórico.
Contribuindo para quatro Mundiais – dois como jogador e dois enquanto presidente da Federação, cargo que ainda ocupa –, Sukerman merece a canção que lhe os croatas lhe dedicaram: "In Suker we trust"! Hoje, sem Sukerman pode gerar-se outra história feliz aos quadradinhos e um novo herói! Qual queres ser quando fores grande, Modric?"

Jovem de Espírito procura Velha Senhora para Relação Séria

"Será que é desta que Cristiano Ronaldo diz adeus a Madrid? Parece que foi ontem que um jovem desconhecido, mala de cartão numa mão e uma solitária bola de ouro na outra, desembarcou no aeroporto de Barajas para se apresentar discretamente à entidade patronal. A história não foi bem assim, mas o que interessa é que parece mesmo que foi ontem que Cristiano Ronaldo gritou “Hala, Madrid!” pela primeira vez no Bernabéu.
Nove anos que passaram num instante. O casamento entre o maior (atenção, o maior) jogador do mundo e maior clube do mundo foi longo e proveitoso, sem dúvida, mas, desenganem-se os românticos, nunca foi uma história de amor. Casaram-se de branco e de branco hão de separar-se. Porém, nesta história que não é de amor, é inútil procurar virgens ou anjinhos. Não os há. Aqui é business, puro e duro.
Há histórias que se contam através de sentimentos, descrições, ideias. Esta só se conta pelos números. Quatro bolas de ouro, quatro ligas dos campeões, 438 jogos, 450 golos. Nenhum jogador marcou mais na história do Real Madrid. Poucos conquistaram tanto. Os números da transferência, os números dos contratos, os números das estatísticas, os números de golos e de conquistas, os números dos decibéis dos assobios que, por mais de uma vez, o Bernabéu ofereceu ao seu herói.
Números e mais números. Após a final da Liga dos Campeões, Ronaldo poupou os adeptos às críticas. Disse que sempre estiveram com ele. Despeitado com Florentino, não se importou de mentir. Muitas vezes, os adeptos não lhe perdoaram falhas e assobiaram-no como se fosse um novato ou um incapaz. Melhor, como se fosse um jogador do Real Madrid, porque ali ninguém escapa aos caprichosos veredictos da bancada.
Cristiano não fica no coração dos madridistas porque nunca lá entrou. E nunca lá entrou porque, para começo de conversa, Madrid não tem coração. O Real, sobretudo o de Florentino, tem bolsa e palmarés. Para reforçar este abre os cordões àquela, mas nunca entrega o coração que não tem. Paga a traidores, a mercenários, a galácticos e, cumpridas as tarefas, dispensa-os sem sentimentalismos de telenovela. Não tem estilo definido, uma estética, uma filosofia. Se não tem coração, tão-pouco tem cabeça. O que tem é um lema: ninguém é mais importante do que a próxima vitória. Agora, “a por la decimoquarta” porque, ali, até as maiores conquistas têm número em vez de nome.
Se Ronaldo foi pedir amor apresentando em sua defesa os números, foi ingénuo. Florentino tem guardado um lenço branco para a despedida. Só está à espera que a mão direita receba o cheque com que há de secar as lágrimas próprias daquele animal que vive nas margens do Nilo. O craque madeirense devia saber que, no Real, os números não compram amor, compram tempo. E pouco, já se sabe. Zidane, que esteve para ser escorraçado, conhece a máquina e como ela tritura. Por isso, saiu pelo próprio pé. As memórias de um pontapé fenomenal em Glasgow e de três Ligas dos Campeões como treinador podiam nem chegar para durar até Dezembro.
Se Ronaldo for para a Juventus, faz bem. O clube de Turim é, neste momento, demasiado grande para um campeonato que tem conquistado com uma facilidade humilhante para os adversários. É demasiado grande para os títulos europeus que ostenta. E, mais do que os prometidos milhões de Agnelli ou o amor dos adeptos que, em abril, lhe aplaudiram a monumental bicicleta, esse será o desafio, essa será a ambição de Ronaldo.
Não é num oitavo scudetto consecutivo que ele tem os olhos postos. É na décima-quarta do Real, que ele, com toda a força da sua obstinação, na flor da sua terceira idade futebolística, há de querer transformar na terceira da Velha Senhora. E então, sim, se Ronaldo raptar a sabina ao Real Madrid, que a julga sua por direito divino, nesse dia Florentino há de chorar de dor autêntica e não haverá cheque nem lenço que lhe seque as lágrimas. E talvez descubra, talvez descubram os dois, que o amor é aquela coisa que só existe no momento em que se perde. No campo e na vida."

#Neymar

"João Vieira Pinto e Paulo Futre moveram montanhas de paixão na relva. Foram amados por adeptos de Benfica, Sporting e F. C. Porto. Vão continuar a ser admirados como encantadores de plateias, mestres do drible, incorrigíveis do golo. Foram transportadores de esperança, verde, azul, vermelha, e a glória ergueu-os até ao estatuto, tão raro, de heróis do povo da bola, daqueles que todos gostam, independentemente das cores clubísticas. São gémeos na diferença, porque eram iguais, dois bons malandros, à maneira de Mário Zambujal. João Vieira Pinto e Paulo Futre foram, lá está, os melhores que conheci nas fintas aos árbitros com mergulhos convincentes dentro da grande área. Tantos juízes enganados, aconteceu mesmo assim, mas até isso foi emoção e festa, porque, normalmente, o penálti dá em golo. Estão, portanto, perdoados. Mas ninguém perdoa a Neymar. Nem eu, que repliquei uma engraçada provocação numa rede social. Estou arrependido da minha maldade, ainda que não tenha importância nenhuma. Este brasileiro, que ontem foi para casa em lágrimas, merecia ter ficado até ao fim no Campeonato do Mundo. Ninguém cai como Neymar, mas também poucos encantam, lutam e choram como ele pela honra do Brasil. Merecia mais tempo na Rússia - onde a festa verde e amarela desse incrível povão vai fazer falta. Ficamos, ansiosos, à espera do próximo penteado."

O milagre pode acontecer: os vilões passaram a heróis e o poder político apressou-se a colher os dividendos

"São várias razões para tanto optimismo, sendo de destacar a onda de simpatia e apoio que a selecção russa passou a gozar principalmente depois da vitória a penáltis contra a Espanha, uma das mais sérias favoritas à taça. De súbito, a depressão deu lugar à euforia A selecção russa é, sem dúvida, uma das equipas mais surpreendentes do Campeonato do Mundo de Futebol. Antes, eram muito poucos, nomeadamente russos, aqueles que acreditavam que os futebolistas iriam além da fase de grupos, mas, hoje, pelo menos os adeptos russos acreditam que a equipa do seu país pode chegar à final e até ser campeão.
Mesmo que a selecção russa seja eliminada nos quartos de final pela forte equipa croata, ela entrará na história do desporto nacional, pois conseguiu o maior dos êxitos conseguidos após o fim da União Soviética.
Mas Valeri Gazaev, conhecido treinador russo, não tem dúvidas: “Devemos colocar agora tarefas mais globais. A chegada à final!”, e justifica o seu optimismo: “Os nossos jogadores e o corpo de treinadores devem compreender: uma possibilidade tão real aparece uma vez na vida! É preciso centrar os futebolistas exclusivamente na luta pela final, porque para lá chegar, não restam dez partidas, mas apenas duas”.
São várias razões para tanto optimismo, sendo de destacar a onda de simpatia e apoio que a selecção russa passou a gozar principalmente depois da vitória a penáltis contra a Espanha, uma das mais sérias favoritas à taça. De súbito, a depressão deu lugar à euforia.
No início do Campeonato do Mundo, os especialistas e adeptos em geral não davam um “tostão” pelos futebolistas russos, pois a equipa tinha perdido vários jogos amigáveis e alguns consideravam mesmo que ela chegou à fase final por ser a equipa do país que organizou o torneio.
Porém, depois das vitórias sobre a Arábia Saudita e o Egipto, os jogadores russos cumpriram o seu principal objectivo: passar à fase do “mata-mata”. A derrota frente ao Uruguai levou alguns a concluir que a seleccção russa estava condenada a cair frente à Espanha, mas o milagre aconteceu.
Os vilãos passaram a heróis e o poder político apressou-se a colher os dividendos. Dmitri Peskov, porta-voz do Presidente Putin, comparou os festejos da passagem aos quartos de final às manifestações de alegria realizadas pelos soviéticos a 9 de Maio de 1945, dia em que a Alemanha nazi capitulou na Segunda Guerra Mundial.
Além do forte apoio dos adeptos, a selecção russa tem agora jogadores muito mais motivados e que estão sujeitos, diríamos, a uma pressão positiva. Independentemente do resultado frente à Croácia, eles já fizeram história, mas, se vencerem mais uma partida…
É preciso reconhecer que o jogo dos russos não tem sido bonito, alguns acusam-nos até de terem realizado anti-jogo frente à Espanha, mas, em torneios como o Campeonato do Mundo, o principal é vencer. Recordemos a vitória de Portugal no Europeu de 2016.
Outro factor que poderá contribuir para o êxito da equipa russa consiste em que ela não terá de enfrentar selecções tão fortes como as do Brasil, França, Bélgica e Uruguai. Segundo Gazaev, “os restantes adversários também são fortes, mas não os podemos considerar intransponíveis”.
E não nos podemos esquecer que a selecção russa tem jogadores de grande valor, embora não gozem da visibilidade necessária porque jogam apenas em casa.
Quanto às conversas sobre doping e compra de resultados, investiguem."

Quero ouvir o murmúrio das estrelas

"Sochi - Mais uma noite mal dormida e uma manhã sem sono. Quem é este homem de olhos claros não de todo estranhos que me fita do outro lado do espelho, como Alice sem maravilhas? Quem é esta criança luminosa que faz um esforço para agarrar a minha mão? Sinto o calor da sua mãozinha na minha pele fria. Não me importava que ficasse aqui ao meu lado durante um bocado: gostava de a ver rir. Deve ter um sorriso inesquecível e um brilho abundante nos seus olhos azuis crédulos... 
Sento-me para escrever e as palavras brotam-me aos milhares. Quero voltar a falar da Sibéria neste Mundial injustamente sem Sibéria. Quero fechar estes nacos de página em branco e regressar ao livro que ficou aberto sobre a cama: “In Siberia”, de Colin Thubron. Jornalista, viajante libertário e solitário, proprietário de todos os mundos ao seu alcance.
Saio para me excitar com cafés bebidos em sofreguidão.
É tão cedo ainda e já há expressões conformadas de quem sabe que nada há para fazer.
Mas que nada é esse? Mas porque me rodeiam as multidões mansas do absolutamente nada? Ah! O efeito que teria agora um grito... Um berro que estilhaçasse olhos vítreos, também eles claros e multiplicados. Um grito que afastasse as nuvens escuras que vieram durante a noite para nos tapar o sol.
Dostoievski na Sibéria.
Ossip Mandelstam na Sibéria: morto.
“Os poetas são assim mesmo: primeiro matam-nos, depois veneram-nos.”
Boris Pasternak; Ana Akhmatova, a poetisa que teve de esfregar soalhos; Maiakovski, o suicida; Tchekov e Pushkin; até Gorki, Máximo.
Nunca fui à Sibéria no inverno. Só no final da primavera, quase outono.
Preciso de ir à Sibéria no inverno. Quero ver o nada.
Uma brancura completa na qual não cabem gestos, palavras, sons, imagens. Como se estivesse à deriva no preciso centro de uma concha vazia. Nunca pensei que dentro das conchas houvesse um silêncio tão profundo. Sempre estive convencido de que dentro das conchas houvesse o vento e ondas e mar.
A Sibéria no inverno é a brancura?
Thubron escreveu: “Em Oymyakon registou-se uma temperatura de -97,8 Fahrenheit. Com um frio assim, o aço racha, os pneus explodem e os larícios soltam faíscas ao simples toque de um machado. À medida que o termómetro desce, o nosso bafo gela em cristais e tilinta no chão com um barulho a que eles chamam murmúrio das estrelas...”
Quero ouvir o murmúrio das estrelas.
Quero caminhar para leste e ser inverno.
Sochi, morna e terna na beira do mar Negro. Aqui me traz o futebol, paixão das paixões do homem por mais que a gente se convença, ou tente convencer, de que é apenas a coisa mais importante das coisas menos importantes.
A madrugada também foi branca, insone. Por quanto tempo mais continuarei preso a estes sonhos brancos sem significado nem sons? Não. Não quero continuar aqui por mais um minuto que seja. Quero poder levantar-me! Quero que algum destes fantasmas que esvoaçam em meu redor na sua tristíssima condição de almas penadas me ajude a erguer-me e a pôr-me de pé, andando.
Mas não posso: escrevo nesta vontade contumaz de Sibéria sem Sibérias.
Umas senhoras conversam molemente à beira do rio Sochi, na ulitsa Novaya Zarya.
De súbito, tu no que escrevo.
Podia apertar a tua mão na minha com muita força, que é assim que se exprime o carinho através das mãos. Faria sorrir a senhora dos cabelos negros com uma palavra a despropósito. E tu também te ririas muito. Até talvez eu, embora apenas um pouco. Desafiava-te: vamos à procura de uma Sibéria qualquer e do murmúrio das estrelas. De mãos dadas atravessaríamos sem medo todos estes corredores brancos e infinitos, entrando decididos nas estepes da eterna saudade."

Neymar: pequeno grande vilão?

"Podemos culpar o Neymar pela queda do Brasil? Não exclusivamente. Mas é evidente que a falta de maturidade do menino-que-já não-é-mais-menino teve um preço alto para toda uma nação.

Quando li a biografia da cantora brasileira Elza Soares, que segue na activa até hoje com 81 anos e foi casada com Garrincha, um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, li uma coisa que nunca mais esqueci. O autor afirmava que a geração de Elza e Garrincha (que, se não tivesse morrido aos 50 anos, hoje teria seus 85) foi a última geração a fazer música e a jogar futebol por paixão. A partir daí, ambas as coisas viraram negócio, deixando de ser arte.
De fato, quando olhamos para essa Copa do Mundo, percebemos que há pouco (quase nenhum) espaço para improviso, instinto ou arte. Tudo é absolutamente profissional, direccionado e previamente estipulado. Também, pudera, tantos patrocinadores gigantescos, tantas câmeras precisas, tanto dinheiro envolvido. Ninguém está ali para qualquer tipo de brincadeira. 
Os jogadores tornaram-se máquinas. Treinos quase militares, suplementos alimentares, disciplina rigorosa, comportamento inspecionado. Pensar na selecção brasileira de 94, em Romário e Bebeto, sua indisciplina e seus excessos, é algo quase surreal 14 anos depois. O futebol está ficando chato? Talvez. A qualidade é melhor, mas certamente é um esporte muito pouco humano.
A selecção brasileira cai perante a Bélgica de Lukaku e tantos outros homens imensos e decididos. De quem é a culpa? Gabriel Jesus e sua incapacidade de decidir? Tite e o tempo que levou para mudar o time? Fernandinho e sua falta de solidez? Casemiro e seus dois cartões amarelos? Ou Neymar, pura e simplesmente? Podemos culpar alguém?
Neymar, no meio de um Mundial sério e nada aberto a gracejos e fintas, parece não estar na mesma disputa que os demais. O “menino Ney” é sempre perdoado por sua suposta imaturidade, mesmo que já mais perto dos 30 do que dos 20 anos de idade. Neymar nunca passa despercebido, seja onde for. Causa incômodo, causa furor, causa discussões. Cai no chão, rola, chora, briga, provoca. Destoa de quase todo o resto dos jogadores de 2018.
Ninguém se ilude, pensando que Neymar é um resquício de futebol arte em vez de ser o auge do futebol business. Mas, inegavelmente, Neymar é mais humano e menos máquina do que a média dos grandes jogadores. Menos máquina do que Cristiano Ronaldo, Griezmann, Kane ou Toni Kroos. E é provável que seja exatamente por isso ele nunca vá ser o melhor do mundo.
A humanidade, que tem seu lado positivo por devolver ao futebol um pouco da vida que foi perdida em tempos de VAR, acabou custando muito caro ao Brasil. As quedas, encenações e exageros fizeram, por exemplo, com que Miguel Layún, ao pisar propositalmente no atacante, não fosse expulso do jogo. A fama de simulação instituída por Neymar espalhou-se por todo o time, a ponto do árbitro sérvio não marcar o pênalti claro em cima de Gabriel Jesus no segundo tempo do jogo contra a Bélgica, que poderia ter mantido o Brasil na Copa.
Podemos culpar o Neymar pela queda do Brasil? Não exclusivamente. Mas é evidente que a falta de maturidade do menino-que-já não-é-mais-menino teve um preço alto para toda uma nação que precisava dessa alegria mais do que nunca. É craque? É. É humano? É. É inconsequente? É. E agora vamos de volta para casa. Temos um país para tentar reerguer."

Pogba descobriu problemas melhores

"Antes sequer de começar, o primeiro dia dos quartos-de-final colocou todos os envolvidos perante um problema para resolver. Ao Uruguai faltava Cavani, 50% da sua letal dupla ofensiva - talvez a única parelha de avançados no futebol actual capaz de ensaiar jogadas de combinação quando ambos se encontram a cinquenta metros um do outro (como Portugal lamentavelmente confirmou). À França faltava Matuidi, uma espécie de resguardo táctico assimétrico cuja versatilidade ajuda Deschamps a dormir mais descansado e o impede de seguir o seu instinto secreto, que é começar cada partida com sete trincos e três fadas-madrinhas. Ao Brasil faltava Casemiro, que além de ser o jogador mais talentoso na história do futebol a cometer faltas que só são vistas pelos telespectadores, é também um guarda-costas de tremenda eficácia. Quanto à Bélgica, sem ausências forçadas, foi a única a apresentar-se apenas com o problema do costume: como marcar o golo acidental que lhe permita jogar o resto do jogo com espaço livre suficiente para conseguir marcar outro.
Como se veio a verificar, os problemas da França e da Bélgica foram os mais fáceis de resolver, e deixaram todos os espectadores mais ou menos neutrais com o seu próprio problema, que foi sentir que as meias-finais se esgotaram essencialmente nestes dois jogos (ou, no caso do França-Uruguai, no jogo que poderia ter acontecido com Cavani em campo), e que pelo menos três destas equipas eram mais merecedoras de um lugar na final do que qualquer uma das outras quatro que ainda o pode garantir. Também por isso é difícil resistir à conclusão prematura de que o próximo campeão mundial vai ser decidido no França-Bélgica, um confronto onde ambas as equipas vão encontrar aquilo que não as atrapalhou ontem (um guarda-redes de elite, no caso francês; um trinco omnipresente, no caso belga), e onde se prepara um promissor frente a frente entre dois dos melhores médios da competição, Pogba e De Bruyne, cujo nível exibicional tem vindo a subir gradualmente.
Pogba, em particular, tem sido uma surpresa - duplamente reforçada pelo facto de uma "surpresa" ser a coisa mais surpreendente que se podia esperar dele nesta fase da carreira. Foram duas épocas de purgatório reputacional, em grande medida definidas pelo custo exorbitante da sua transferência para o Manchester United e pela percepção generalizada de que o mesmo correspondeu a uma tonelada de recursos dissipados numa fantasia, como se Pogba fosse um efeito colateral na crise de meia idade de terceiros: alguns compram um descapotável, outros fazem uma operação plástica, e depois há quem pague 110 milhões de euros por um médio-centro francês.
Uma etiqueta de nove dígitos, mesmo num mercado hiper-inflaccionado, vai inevitavelmente condicionar e distorcer expectativas. É o género de quantia que compra sucesso enfático e instantâneo, e não esporádicos vislumbres do Sublime. O preço de um jogador regularmente decisivo, mas também regularmente dominante.
O problema é que Pogba prometeu, desde muito novo, ser o primeiro tipo de jogador, mas raramente pareceu ser o segundo: aquele capaz de influenciar e controlar a natureza de um jogo, e o curso de um campeonato. O talento esteve lá desde o início, numa acumulação escandalosa: era óbvio para todos que transbordava qualidade. Mas na verdade, "transbordar" é o verbo precisamente errado. O que ele fazia era "reter" qualidade, mantendo-a em órbita ao seu redor, estabilizada pela sua própria força gravitacional. Traduzi-la num impacto contínuo nunca foi uma prioridade até as circunstâncias (o preço, mas também um clube desesperadamente à procura de referências individuais) o forçarem ao papel de produtor de desequilíbrios em série.
É um papel contra-intuitivo para alguém cujo vocabulário técnico (quase ilimitado, mas zelosamente protegido) era menos um instrumento para comunicar do que um veículo de auto-expressão. Sempre houve um elemento de impassibilidade nos seus maneirismos mais exibicionistas: uma presença berrante, mas estranhamente diáfana em campo, na qual os sinais visíveis de todas as dinâmicas de pressão associadas ao conceito de "jogador-de-futebol-a-jogar-futebol" se destacavam pela ausência, como se estivesse empenhado numa espécie de solidão performativa - em público. Quantas das suas mais memoráveis intervenções (a variação de flanco feita em corrida, por exemplo, com a parte exterior do pé, e perfeitamente calibrada para coincidir com o sprint do colega que vai receber o passe) pareciam espasmos de tímido narcisismo - actos intransitivos que nada iniciavam, concluíam ou modificavam, limitando-se a sancionar a sua brilhante auto-suficiência? Actos que tinham ainda o seu reflexo na postura de desalento quando não encontrava a solução "brilhante" e era forçado ao passe inócuo e mainstream, ao mero gesto de manutenção, desembaraçando-se da bola com um encolher de ombros a meio caminho entre o resignado e o agressivo.
Foi este o Pogba do Mundial do Brasil, do Euro-2016, e dos anos no Manchester - o que se refugiava na inconsequência quando não conseguia ser espectacular - mas não tem sido o Pogba do Mundial. Em vez de procurar problemas para resolver, tem procurado problemas para evitar, assumindo com brio todas as tarefas administrativas que não aparecem em montagens no YouTube, mas sim nas estatísticas da Opta: contra a Argentina fez dez recuperações de bola (o dobro de qualquer outro colega, Kanté incluído); e contra o Uruguai andou a meter o corpo em tudo quanto era barafunda, ganhando catorze duelos individuais - o máximo de um jogador francês num Mundial desde 1998. E ainda lhe sobrou tempo para desbloquear duas dificuldades na fase de grupos.
A maldição do jogador capaz de fazer tudo é provocar debates constantes não sobre o que pode, mas sobre o que deve fazer. Pogba estancou provisoriamente os debates tornando-se, de todas as coisas possíveis e imagináveis, sólido, fiável e seguro. E ganhou uma semana, e talvez duas oportunidades, para se arriscar a fazer parte de um debate completamente diferente."

Um jogo de sorte e Hazard

"Mesmo descontando o efeito da emoção recente, proclamo que este foi o Brasil que mais gostei de ver jogar em mundiais. Mesmo a perder, nunca perdeu a cabeça, a organização, a fluidez.

Haverá outras formas de dizer isto, provavelmente mais simpáticas, mas o facto é que José Peseiro tem cara de derrotado. Como o rosto vitorioso de alguns indivíduos afronta, humilha, o rosto atreito à derrota, à miséria, convoca a nossa compaixão. Porque é que falo de Peseiro se ele nem está no Mundial? É que o estou a ver aqui à minha frente, na capa de uma jornal desportivo, com um sorriso que não me engana. Naquela fisionomia obnóxia estão inscritas todas as derrotas do passado e prenunciadas todas as derrotas do futuro. Podem argumentar que nada disto é científico, mas olhem bem para Peseiro e digam-me se há ali algo da natureza intimidatória, vagamente irritante, do vencedor? Pois, não há.
Resolvida a questão Peseiro, regressemos ao Mundial. Pobre Uruguai! Sem Cavani, o campo ficou muito grande. Suárez procurava-o como quem procura a perna direita. Como um McCartney sem Lennon, bem que assobiava, mas só lhe saíam coisas como “Ebony and Ivory” e “No More Lonely Nights”. Privado do seu sócio, o avançado do Barcelona viu-se sem dentes. Correu, chateou, bateu com prudência, fez tudo o que se espera de Suárez dentro das leis do jogo. Porém, pareceu sempre inofensivo, nada mais que um rafeiro atrevido.
Este foi um jogo muito semelhante ao Alemanha-França de há quatro anos, também nos quartos-de-final. O que a Alemanha fez então à França, hoje a França fez ao Uruguai, apertando o adversário num abraço que só se percebe que é constritor quando o oxigénio deixa de chegar ao cérebro. Giménez, o central uruguaio, percebeu-o ainda a tempo de nos proporcionar um momento inesquecível: a dois minutos do jogo acabar, com o Uruguai a perder 2-0, não controlou o choro. Muslera também já tinha tido a sua paragem cerebral quando deu um daqueles frangos tão monumentais que nem sequer destroem carreiras, antes criam lendas. Muslera deu hoje o seu frango eterno. Não será esquecido.
Mais do que a comparação com o jogo de há quatro anos, talvez faça sentido dizer que o Uruguai provou do veneno com que tinha derrotado Portugal. Veneno que, por sua vez, Portugal já tinha usado contra Marrocos, por exemplo. Portanto, se a Bélgica empregar o mesmo método para ultrapassar a França podemos dizer que isto não é tanto um Mundial como um fim-de-semana com a família dos Bórgias. Também não faltou ao jogo alguma dose de violência física, de quezílias, quiproquós, pisadelas, admoestações e reprimendas. As coisas atingiram um nível Copa Liberadores e, a certa altura, nem a imponência castrense de Néstor Pitana sossegou os ânimos. Ainda escreverei sobre este árbitro argentino que tem a presença física de um marine – ou, como diria Gabriel Mithá Ribeiro, o físico ideal para professor na Margem Sul – e a vocação teatral de quem ama as luzes da ribalta. 
Quando o futebol é quezilento, sem imaginação, o adepto faminto até na exibição do árbitro procura consolo. Verdade seja dita, quando se chega aos quartos-de-final nenhuma equipa é amável. Dizia Balzac que por trás de uma grande fortuna há sempre um grande crime. Ora, eu acredito que uma presença nos quartos-de-final oculta sempre uma desonestidade fundamental, um crime de Ananias. Ninguém chega a esta fase impunemente. Amei a França que bateu a Argentina. Porém, assim que a projectei nos quartos-de-final, regressaram-me à memória os pecados originais de todos os jogadores franceses – que digo eu? –, de toda a França desde Carlos Magno.
Era assim que pensava antes de ver o Brasil-Bélgica. E não é que os quartos-de-final podem ter não uma, mas duas equipas amáveis? Mesmo descontando o efeito da emoção recente, proclamo que este foi o Brasil que mais gostei de ver jogar em mundiais. Mesmo a perder, nunca perdeu a cabeça, a organização, a fluidez. Criou oportunidades a jogar o seu futebol e isto, sem condescendência alguma, vale certamente alguma coisa. A Bélgica teve um treinador que soube preparar o jogo, teve Witsel e Fellaini, teve Lukaku, teve De Bruyne, teve Courtois, teve Hazard e, quando tudo isto falhou, teve sorte. Contra isto, Tite nada podia."

Treino aberto...

Benfiquismo (DCCCLXXXI)

Tapete vermelho...

Jogo Limpo... Guerra & Fanha

Palhaçada... cozinhada!!!

Foram precisas duas chaves para termos calendário da I Liga, curiosamente o adversário na 3.ª jornada é o mesmo, nas duas chaves, logo na jornada 'enfiada' no meio do Play-off de acesso à Champions!!!
Mesmo assim, e apesar de todas as manhocises este 'segundo' calendário, é um bocadinho mais meigo!!! Apesar de uma 2.º volta 'carregada' de deslocações difíceis...!!!
Mas para ter uma 'imagem' completa temos que 'encaixar' os compromissos Europeus nestas jornadas, principalmente a combinação entre deslocações ao estrangeiro, com jogos fora da Luz...

1.ª Benfica-Vitória SC
2.ª Boavista-Benfica
3.ª Benfica-Sporting
4.ª Nacional-Benfica
5.ª Benfica-Aves
6.ª Chaves-Benfica
7.ª Benfica-Corruptos
8.ª Belenenses-Benfica
9.ª Benfica-Moreirense
10.ª Tondela-Benfica
11.ª Benfica-Feirense
12.ª V. Setúbal-Benfica
13.ª Marítimo-Benfica
14.ª Benfica-Braga
15.ª Portimonense-Benfica
16.ª Benfica-Rio Ave
17.ª Santa Clara-Benfica


A equipa B, também ficou a conhecer o calendário:
1.ª Benfica B-Farense
2.ª A. Académica-Benfica B
3.ª Benfica B-Varzim SC
4.ª FC Penafiel-Benfica B
5.ª Benfica B-CD Mafra
6.ª FC Arouca-Benfica B
7.ª Benfica B-FC Famalicão
8.ª Estoril Praia-Benfica B
9.ª Benfica B-P. Ferreira
10.ª CD C. Piedade-Benfica B
11.ª UD Oliveirense-Benfica B
12.ª Benfica B-Leixões SC
13.ª SC Covilhã-Benfica B
14.ª Benfica B-Ac. Viseu
15.ª Corruptos B-Benfica B
16.ª Benfica B-Vitória SC B
17.ª SC Braga B-Benfica B

Relativamente aos prémios individuais relativos à época anterior, destaque para o Jonas que com os 34 golos foi o melhor marcador da Liga e ainda fez parte do 11 ideal.
O Rúben Dias foi eleito o jovem jogador do ano...
O Pizzi fez parte do 11 ideal (!!!)...
A nossa equipa B, recebeu o prémio Fair-Play...
E o nosso reforço Chiquinho, ao serviço da Académica, foi eleito o Melhor Jogador Jovem da II Liga...

Félix vs. Gedson

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Venham os jogos do Benfica

"Não faço a mais pequena ideia sobre a utilidade de Alfa Semedo, mas se é esse que veio então será esse que precisamos de ver

Assisti à derrota de Portugal com o Uruguai em Portofino, Itália. Confesso que fiquei impressionado pela quase totalidade dos italianos estarem genuinamente a torcer por Portogallo. No fim do jogo, estavam tão aborrecidos os italianos como eu. De facto a Selecção Nacional tem hoje muitos admiradores em paragens que não consigo explicar. Dos funcionários de hotel aos empregados do restaurante, sentia-se a preferência pela nossa Selecção e o desânimo pela nossa eliminação. Itália não está no Mundial e foi-me explicado uma genérica simpatia dos italianos pelas selecções da Croácia e de Portugal que pude testemunhar. O gerente do restaurante ainda disse com desabafo de sorriso amargo: «Mas o Ronaldo esteve mais cinco horas no Mundial que o Messi».
Com a eliminação de Portugal do Mundial da Rússia, com o Sporting de volta à normalidade (se é permitido falar em normalidade e Sporting na mesma frase), ganha mais relevância o regresso do campeonato nacional no mundo informativo. Hoje à noite, em Coimbra, já temos o resultado do sorteio da Liga 2018/19 e, por isso, ficamos com o caderno de encargos rumo ao 37 definido.
Na próxima terça-feira já há Benfica no primeiro teste amigável. Bem sei que estes apontamentos parecem excessivos para quem não vive e sente o clube com a nossa diária paixão e a nossa eterna dependência, mas de facto precisamos mesmo de voltar vê-los jogar.
Alfa Semedo? Para ser verdadeiramente sincero não faço a mais pequena ideia sobre a sua utilidade no plantel benfiquista, mas se é esse que vem será esse que precisamos de ver. É assim a pré-temporada de um adepto, até os sorteios ganham dignidade de prioridade, não há programa que supere a necessidade de acompanhar a nossa sorte.
Palavra obrigatória para os nossos juvenis, que também se sagraram campeões nacionais (imitando os juniores) ao golear o FC Porto no último jogo. Esta é uma equipa que impressiona, não tanto por ter vencido, mas pela qualidade da forma como vence. Parabéns a Renato Paiva e todos os seus jogadores pela forma brilhante com que fecharam uma excelente época da formação encarnada.
Rui Vitória terá um mês para acertar agulhas e preparar o primeiro jogo oficial, porque depois será um início com calendário apertado e com exigência máxima."

Sílvio Cervan, in A Bola

Formar a ganhar

"Esta semana pensei em exultar de alegria e orgulho pelo excelente percurso da nossa equipa; agradecer o excelente trabalho de Renato Paiva e seus adjuntos; elogiar o talento ímpar, em quantidade inusitada, deste grupo; relembrar que esta geração, há dois anos, venceu categórica e invictamente o campeonato de iniciados; e, finalmente, criticar a desfaçatez com que certos palermas mal-intencionados tentaram criar a ideia de que o Benfica, por ter 14 atletas no Campeonato da Europa de sub-17 e fazer da formação um dos seus bastiões, condiciona ilegitimamente as convocatórias das selecções nacionais.
Seria uma crónica simples e julgo que eficaz quanto à afirmação de um ponto de vista. Mas há que retirar algumas lições, das quais saliento duas.
A primeira remete para a abordagem às competições. Nesta época, o Benfica adoptou a política na formação que me parece a mais adequada: os jogadores subiram de escalão para aprimorarem as suas qualidades, mas disputaram as fases finais da sua faixa etária. Não por acaso, voltámos a ser campeões nos juniores, o escalão mais 'prejudicado' pela primazia dada ao desenvolvimento individual. Estou convicto de que o talento existente no Seixal nos últimos anos poderia ter resultado em mais títulos, embora o mais importante seja formar atletas. Porém, o ligeiro ajuste da utilização de jogadores em prol da conquista de campeonatos nunca será um retrocesso.
A segunda tem um âmbito mais alargado, mas que resumirei a uma frase. As narrativas falsas criadas com o intuito de condicionarem a competição desportiva não resistem à superioridade patenteada em campo. A procura dessa superioridade será sempre a melhor arma para o combate à ignomínia."

João Tomaz, in O Benfica

Foi quase

"Assim se pode caracterizar a época das equipas masculinas das modalidades de pavilhão. Andebol, basquetebol, voleibol, hóquei em patins e futsal estiveram na luta até ao final pelos títulos nacionais, mas não aconteceu. No andebol, ficam os sinais de que estamos cada vez mais perto. No basquetebol, sabe notoriamente a pouco termos ficado pelas meias-finais, quando tínhamos a melhor equipa, a melhor estrutura e os melhores jogadores. Quanto ao voleibol, perdeu-se uma grande oportunidade de colocar no lugar peseteros e federação da modalidade por serviços prestados em favor de um clube que, com passes de magia e cheques chorudos, inventou uma equipa na secretaria.  No hóquei, depois do assalto à mão armada da época passada, tivemos tudo para continuar a ser os melhores, mas falhámos nos momentos decisivos perante rivais directos nas competições nacionais e internacionais. E quanto ao futsal, o caso à partida estava mais complicado, fomos à negra e perdemos dois jogos nas grandes penalidades. Será isto razão para desânimo? Não me parece. É razão para preocupação e para preparar uma época de conquistas, isso, sim. Há que analisar os erros, reforçar as equipas e a mentalidade vencedora.
Quanto às críticas, são bem recebidas desde que construtivas. É que, para deitar abaixo, já bastam os outros. E o que o SL Benfica precisa é de soluções e de apoio. Problemas e ódio, já temos que cheguem, vindos de forma descarada ou encapotada dos vizinhos do lado ou dos rivais do Norte.
Vai começar tudo de novo. Estão prontos?"

Ricardo Santos, in O Benfica

Cheira bem, cheira a Benfica

"Hugo Boss, Dolce & Gabbana, Prada e Calvin Klein são marcas de perfumes conceituadas, mas, com todo o respeito, no meu entender, são uma valente fraude, desculpem o termo. Nenhuma delas comercializa o mais encantador aroma que o ser humano já inalou: o cheiro a Benfica. Já se sente no ar, não é? Amanhã há treino à porta aberto, e o primeiro particular é na terça-feira, diante do FK Napredak. O Campeonato do Mundo acabou de passar para segundo plano. Mal posso esperar para ver a dupla Jonas-Ferreyra no ataque. Quantos golos irão marcar? Menos de 60 cada um será uma desilusão. Todavia, tenho consciência de que os dois craques não poderão ser sempre utilizados. É pena estarem indisponíveis para jogos onde a defesa adversária inclua jogadores abaixo dos 23 anos, não vá o Conselho de Disciplina castigá-los por bullying, mas confio no mister Rui Vitória para encontrar outras soluções. Nomeadamente João Félix, embora se mantenha o perigo de sanção disciplinar. Olhando para a dedicação com que o CD observa os jogadores do Benfica, não ficaria espantado se João Félix fosse acusado de desrespeito aos mais velhos após fazer um túnel a um adversário. Pelo sim, pelo não, talvez seja prudente contratar o Slimani.
Todos sabemos que o argelino tem carta-branca para fazer o que quiser dentro de campo. O ano passado deu para descansar em Maio. Os benfiquistas recuperaram o estado físico, alguns o estado sóbrio, pelo que em Maio de 2019 terá de haver arraial. Há vários jogadores novos, já se vê adeptos e debaterem qual dos reforços irá encaixar melhor na equipa. Eu prefiro abordar outro tipo de questões. Qual dos reforços se irá embebedar mais no Marquês?"

Pedro Soares, in O Benfica

Reflexões

"Com o fim do campeonato de Futsal, pode dizer-se que a época desportiva terminou. E o balanço para o Benfica é deveras negativo. Falhando nas principais modalidades, importa perceber o que se passou, e corrigir os erros, de modo a que o futuro nos traga de volta os êxitos a que durante anos nos fomos habituando.
Olhando para os vários campeonatos, identificamos desde logo um certo padrão: perdemos a maioria deles em casa, em partidas decisivas. À semelhança do Futebol, foi assim no Hóquei, no Futsal e no Basquete (aqui, na meia-final). Podendo decidir tudo na Luz, entrámos muito mal nesses jogos, vimo-nos perante desvantagens expressivas, e a tentativa de recuperação revelou-se insuficiente. Perante a pressão de vencer e ser felizes, vacilámos no plano mental - ideia reforçada pelo duplo fracasso nos penáltis do Futsal, ou pelo match-point desperdiçado no Vólei.
Outra conclusão há que retirar, para a maioria das modalidades, e extensível a épocas anteriores: o nosso principal problema táctico reside na forma como defendemos. Isto levar-nos-ia a uma análise mais profunda, onde entraria uma cultura de clube muito voltada para o espectáculo, excessivamente valorizadora dos artistas, e um tanto negligente quanto a aspectos tácticos, atléticos ou outros importantes parâmetros de jogo. E aqui, meus amigos, a culpa começa nas bancadas, onde os Miccolis são idolatrados, e os Felipes Augustos são enxovalhados.
Há pois que reflectir, mas sem dramas, nem fantasmas. Estivemos muito perto, e não será preciso alterar muita coisa para que em 2018-19 o Benfica esteja de regresso aos títulos."

Luís Fialho, in O Benfica

Caixa 13

"A curtas semanas de comemorar o 12.º aniversário do Caixa Futebol Campus, o balanço já pode ser feito. Em 12 anos de vida da nossa academia, conquistámos 13 títulos nacionais - 6 de Iniciados, 5 de Juvenis e 2 de Juniores. Independentemente dos títulos em todos os escalões - e não incluo os distritais -, a maior proeza foi a quantidade e a qualidade de jovens talentos nados e criados no Seixal. Só para dar um exemplo, regressa ao SL Benfica Alfa Semedo Esteves. Oriundo da Guiné-Bissau, chegou em 2014/15 para a equipa de juniores A e nela jogou durante duas temporadas.
Seguiu para o Vilafranquense, em 2016, onde brilhou no Campeonato de Portugal a ponto de ter recebido o desafio de rumar a Moreira de Cónegos, em 2017, e foi no Moreirense que confirmou as suas qualidades. Treinado por Petit, um dos que conhecem bem o ADN do Glorioso, Alfa Semedo revelou-se, ao longo de 34 jogos, um médio defensivo moderno e um defesa central de enorme qualidade. Regressa ao SL Benfica prestes a completar 21 anos e encontra o treinador ideal para o projectar.
Rui Vitória nunca teve qualquer receio em apostar em jovens. O curriculum do nosso treinador é vasto e recheado de casos de sucesso. Em todos os clubes, Rui Vitória caracterizou-se por lançar jovens jogadores, e muitos deles chegaram à selecção nacional dos respectivos países. Alfa, tal como sucedeu com Yuri Ribeiro no Rio Ave, tem tudo para dar certo.
Tal como o magnífica geração de 2001 que nos brindou com um campeonato de juvenis A de eleição. Renato Paiva confessou que esta é a melhor geração que treinou. Isto foi dito por alguém que tem 14 anos de clube. Todos sentimos que muitos destes 30 talentos poderão chegar onde chegaram João Félix, Gedson Fernandes, Yuri Ribeiro, Rúben Dias, Bruno Varela, João Carvalho, Diogo Gonçalves, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Nélson Semedo e João Cancelo. Só para dar 11 exemplos de sucesso!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Um banho de valores...

"Nada mais oportuno no mundo de hoje que chamar a ética e os valores ao palco e dar-lhes primazia. Basta ver como vai o mundo!
Essa é a razão de existir do projecto KidFun - Educação para Valores da Fundação Benfica. Não vou explicar em que consiste, porque não é esse o propósito desta coluna, mas vale a pena divulgar que o projecto envolve mais de 20 000 crianças todos os anos numa mistura inovadora de brincadeiras, experiência, desporto, ética e valores com uma metodologia e uma equipa profissional que consegue brincar com coisas sérias e transformar diversão em aprendizagem cidadã.
Tudo começou com 3000 crianças, uma caderneta de cromos virtual online, vídeos, desenhos animados e um estádio insuflável e percorrer o país. Hoje, esse estádio ganhou um balneário, também insuflável, e outros atractivos para continuar a sua missão de propagar e importância dos valores junto das escolas.
Neste novo espaço, as crianças organizam-se em equipas, a cada equipa entra e instala-se junto dos cacifos dos Kids que estão caracterizados com valores como o Respeito, a Verdade, a Excelência, a Superação e por aí fora...
Tal como uma equipa, os miúdos organizam-se em torno do mister e dos quadros com as tácticas que vão ajudar a construir e compreender como se se tratasse de um jogo de futebol, só que este é um jogo da vida real! O que está em causa é muito simples. Se ter valores nos pode tornar mais fortes, então como é que isso acontece na prática? O que devemos fazer no dia a dia para tirar partido do poder dos valores e como podemos aplicar esse poder? E para quê?
Então as ideias fervilham com a imaginação, e é toda uma visão de mundo que se desenrola, transpondo esta linguagem dos valores e cada valor para as situações práticas da vida. Desde logo na dimensão infantil que é a sua, na escola, com os amigos, em família... Mas também na observação das atitudes dos adultos uns com os outros e perante as situações que a vida lhes coloca. É que as crianças nada escapa e também não se lhes aplica a velha máxima cristã 'olha para o que digo e não para o que faço'. Por isso não pode haver educação sem modelos nem comportamentos sem exemplos. Por isso também, se acharmos mesmo que a sociedade em que vivemos atravessa uma crise de valores e que é preciso mudar, temos de sair da posição confortável de educar as crianças para o futuro e desistir da nossa própria mudança apenas porque é difícil mudar. Vamos educar as nossas crianças desta forma e para dar o exemplo vamos mostrar-lhes que também entrámos neste balneário, despindo-nos de preconceitos e tomando o banho regenerador das nossas vidas. Um banho de valores!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Jamais nos cansaremos de vencer!

"No final de Junho, Portugal participou neste ano, pela primeira vez, nos Jogos do Mediterrâneo, um já tradicional magno encontro multidesportivo de atletas e equipas provenientes do que - à triste excepção de Israel - representa praticamente a totalidade dos países que dão margem ao seu mar comum. Convocada para a província de Tarragona, na comunidade autónoma da Catalunha, em Espanha, esta foi a décima oitava edição dos JdM que se disputam normalmente de quatro em quatro anos, desde a estreia em 1951, na região de Alexandria, no Egipto. A missão do nosso país foi organizada pelo Comité Olímpico de Portugal e constituiu-se de duzentos e trinta e três e três atletas oriundos de muitos clubes e associações, chamados a competir em vinte e nove das trinta e três modalidades, programadas nas suas respectivas múltiplas especialidades e declinações habituais.
No fim das contas dos Jogos e, em face de um contexto competitivo muito denso, no qual tradicionalmente apostam muito forte todos os grandes e pequenos países do 'mar do meio da terra', Portugal viria a quedar-se na 13.ª posição do 'medalheiro' dos Jogos do Mediterrâneo.
Mas nenhum outro clube português trouxe de volta um espólio tão expressivo de medalhas como aquele que os atletas do Sport Lisboa e Benfica lograram alcançar nas suas disciplinas e desportos, ao conquistarem oito das vinte e quatro medalhas 'portuguesas'. E, logo na ocasião do regresso da delegação nacional, Luís Filipe Vieira fez questão de assinalar o 'imenso orgulho' que os Benfiquistas têm no papel que desempenhamos no desporto português.
Eu sei como terá sido profunda e sincera a afirmação deste sentimento do presidente, a falar em nome de cada um de nós! Sobretudo, porque entendeu fazê-la, como que exprimindo um autêntico grito de alma, precisamente, na circunstância temporal do final de uma das épocas mais bisonhas e atípicas da nossa história recente, na qual, depois de uma década de constantes êxitos que asseveraram a completa hegemonia desportiva do Benfica, mais parecíamos estar, então, muitos de nós, acabrunhados e vencidos.
Oxalá que a oportuna palavra e a decidida acção de Luís Filipe Vieira, assim como os notáveis desempenhos dos campeões - Melanie Santos e João Pereira ambos com ouro, no triatlo); Joana Vasconcelos, Fernando Pimenta (os dois na canoagem) e Rui Bragança (no taekwondo) com medalhas de prata; e Teresa Portela (em canoagem), Diana Durões (na natação) e José Pedro Lopes, Diogo Antunes e Rafael Jorge (na estafeta 4x100m, masculina, em atletismo) conquistarem o bronze -, sirvam de inequívocos exemplos para todas as estruturas, equipas e seus companheiros, em todas as competições e torneios da nova época. No Sport Lisboa e Benfica jamais nos cansaremos de vencer!"

José Nuno Martins, in O Benfica

O relatório do Benfica 2018/19: regresso ao 4x4x2

"Tendo em conta o que aconteceu na segunda metade da época passada, parecia-me boa ideia que o Benfica continuasse a apostar numa estrutura em 1x4x3x3. Com isso, mesmo apresentando problemas no processo ofensivo, que continuou excessivamente dependente das individualidades, o Benfica tornou-se numa equipa capaz de preencher de forma mais harmónica os espaços e de contar com mais unidades desequilibradoras a actuar em simultâneo. Por isso, os triângulos, principalmente os que foi capaz de definir à esquerda, com combinações entre Grimaldo-Zivkovic ou Krovinovic-Cervi revelaram-se determinantes no crescimento do rendimento da equipa, o que permitiu que se relançasse na corrida pelo título.
Contudo, sempre se percebeu que, ao sentir-se apertado no decurso dos jogos, Rui Vitória não resistia a retornar à estrutura em 1x4x4x2. Algumas vezes com bons resultados para desbloquear partidas, até porque tinha mais presença na área contra equipas que se posicionavam nos últimos metros, mas o problema que foi visível durante os dois anos e meio em que utilizou essa organização estrutural, persistia: uma equipa com demasiada pressa em chegar à baliza rival, com pouca capacidade para estabelecer um jogo associativo, e mais vulnerável no momento de transição defensiva, algo que ajuda a explicar os resultados decepcionantes na Liga dos Campeões – sete derrotas consecutivas – e a inexistência de triunfos ante o FC Porto.
Sem surpresa, as aquisições de Ferreyra e Castillo apontam para o regresso ao 4x4x2. Isto porque Jonas, o melhor definidor do campeonato (no remate e no último passe) ,terá de ser sempre titular, e porque Chucky Ferreyra, com elevado estatuto fruto das épocas no Shakhtar, não seria contratado para ficar no banco. Aqui, o trabalho passará por conseguir o acasalamento entre os dois, algo perfeitamente possível tendo em conta as características de ambos: ao génio de Jonas, Ferreyra acrescenta mobilidade, veemência no ataque à profundidade, e golos no plural. Já o papel de Castillo terá de começar por ser secundário. Primeiro, terá de se (re)adaptar a um futebol europeu onde não criou raízes, e ganhar outra estabilidade emocional. Depois, terá de estar preparado para fazer a diferença nos poucos minutos que estará em campo, algo que Jiménez fazia com sagacidade. Ao recorrer a Castillo, o Benfica procurará sempre um jogo mais directo, pois é dos três avançados aquele que tem mais o perfil de referência na área. Agora, com dois avançados em simultâneo, o Benfica ficará mais exposto em transição defensiva, voltará a ter apenas um 8, o que poderá tornar a equipa menos equilibrada, mas Rui Vitória prometeu uma equipa capaz de ser dominadora, e tem um mês e meio para preparar um novo jogar, mais associativo e dominador com bola, onde terá necessariamente de ter alas mais contundentes na exploração do espaço interior, de forma a que este não fique deserto – Zivkovic e Krovinovic poderão ser cruciais –, e laterais pungentes no ataque à profundidade e capazes de oferecer soluções à largura."

Sporting e a “feira de vaidades”

"O regresso de Sousa Cintra ao Sporting, mesmo que temporário, está pejado de ironia. Então os sportinguistas correm com Bruno de Carvalho por estarem fartos de alguém que optou pelo caminho do populismo, de alguém que tem o coração muito perto da boca e de poucas vezes antecipar o alcance das suas palavras; e veem no seu lugar um homem que, apesar da imensa boa vontade, é também populista, pouco ponderado com as palavras e que terminou a conferência de imprensa de apresentação de José Pereiro com uma exigência: “Desta vez não vai falhar, pois não”, com os olhos postos em cima do novo treinador dos leões.
Mais. Desde os cobardes ataques aos jogadores do Sporting na Academia de Alcochete, tem-se assistido a um desfile de “notáveis” sportinguistas que mais não fizerem do que alimentar o próprio ego com presenças constantes em programas televisivos “especiais crise do Sporting”, e Sousa Cintra foi um deles. Aliás, é curiosa a necessidade de o actual presidente da SAD dos leões em falar com os jornalistas que por ele aguardam à porta do Estádio de Alvalade e de explicar vezes e vezes sem conta que vai “fazer de tudo para que o Sporting volte às vitórias” com os tiques de “novo-rico” que sempre o caracterizaram.
Para os mais distraídos, o homem que vem agora salvar o Sporting da volatilidade mental e da pouca racionalidade no trato com os jogadores de Bruno de Carvalho - bem vincadas nas críticas públicas após a derrota em Madrid para a Liga Europa - é o mesmo que criticou duramente os jogadores do Sporting “que não foram dignos” de usar a camisola listada quando foram eliminados da TAÇA UEFA pelo Dínamo Bucareste em 1991, era Sousa Cintra o presidente. O mesmo que a 7 de dezembro de 1993 despediu Bobby Robson no avião que transportava a equipa do Sporting depois de uma eliminação europeia, numa altura em que os leões lideravam o campeonato.
“No casino de Salzburgo, não se aposta nem se perde dinheiro. Mas o fanfarrão Sousa Cintra despede Bobby Robson. O Sporting está bem no campeonato, com os mesmos pontos de Benfica e FC Porto (17, em 22 possíveis), e afastara Kocaelispor e Celtic na Taça UEFA. Segue-se o desconhecido Casino Salzburgo, a quem o Sporting ganha 2-0 em Alvalade. Na Áustria, um decepcionante 3-0, após prolongamento, e contra dez durante 32 minutos. Na viagem de regresso, Sousa Cintra pede o microfone. Ao discurso inflamado seguem-se decisões insensatas. Robson pergunta ao adjunto Manuel Fernandes o que é o presidente está a dizer ao que este responde: “Já fomos [despedidos]!” 
Ora, estas são palavras do jornalista Rui Miguel Tovar num artigo publicado no “Jornal i” a 5 de Julho de 2015. São sobre Sousa Cintra, o mesmo homem que chega agora ao Sporting para arrumar a casa depois do furacão “Bruno” ter deixado o clube de pantanas. A Sousa Cintra não faltará boa vontade e fantásticas intenções, mas não é o homem ponderado e racional pelo qual os sportinguistas anseiam após a intensa vigência de Bruno de Carvalho.
Mas há mais. Quanto a mim foi vergonhosa a forma como Artur Torres Pereira se “pavoneou”, sentado na tribuna presidencial na decisiva partida entre Sporting e Benfica na atribuição do título de campeão nacional de futsal. O lugar que poucos dias antes era ocupado por Bruno de Carvalho deveria ter estado vazio em sinal de respeito pelos sócios e pelos jogadores que lutaram o ano todo para se estabelecerem como tricampeões da modalidade. A Comissão de Gestão é transitória, deveria zelar pelos interesses superiores do clube e, de preferência, não aparecer."

Venda dos direitos desportivos dos Clubes e SAD

"1. É possível a venda dos direitos desportivos dos próprios clubes e SAD?
A questão é relevante, pouco debatida e a curiosidade resulta de uma notícia que surgiu, recentemente, na imprensa desportiva portuguesa sobre a celebração de um protocolo que envolveu o Clube de Futebol ‘Os Belenenses’ e um clube do distrito de Portalegre com vista à aquisição, pelo primeiro, dos direitos desportivos do segundo. Resumindo, o clube filiado na AF Lisboa estava disposto a pagar uma verba ao seu congénere de Portalegre para poder adquirir e ocupar a posição desportiva deste no Campeonato de Portugal 2018/19. Posto isto, é questionável e duvidoso que um clube possa vender a um outro clube ou sociedade desportiva o lugar que alcançou por mérito desportivo numa determinada prova. Honestamente, não se afigura possível, acarretando um inevitável desvirtuar da verdade desportiva.

2. Existem casos semelhantes ou precedentes?
Até à presente data, em Portugal, não existiram situações de compra de ‘lugares de competição’. E este caso também não encontra acolhimento directo nas leis e regulamentos desportivos nacionais, ao contrário do que sucedeu em Espanha num passado distante. Existe, portanto, uma lacuna a nível nacional que, eventualmente, terá permitido a possibilidade de exploração do objectivo pretendido pelo Belenenses. O mais próximo deste exemplo – mas sem constituir um precedente favorável às pretensões do clube lisboeta – foi o processo denominado ‘Granada 74’. Neste, a Federação e a Liga de futebol espanhola debateram-se perante uma operação societária comercial realizada sobre a mesma entidade: o Granada 74 decidiu alterar a sua firma (passando a ser Murcia SAD) e a sua sede (passou para Motril, província de Granada). Mas, com esta premissa, existiram outros exemplos: Wimbledon FC (actualmente, Milton Keynes Dons FC), Lorca e Figueres x Castelldefells."

Poema em ada e vizinho em inho

"Sochi – Vejam bem quem o azar me deu como vizinho
Um homem que não é homem, é uma empada
Larga um cheiro sufocante a suor e vinho
E ao meu alegre “Bom dia!” diz-me nada
(Além de tratar mal a empregada…)

É croata, o boi, chegou de madrugada
Pareceu-me, pelo barulho, gajo baixinho
A arrastar, aflito, malas pela escada
E a dizer palavrões pelo caminho
(Deixando o corredor em torvelinho…)

Qual baixinho! No terraço, quase despido
A coçar, furioso, as partes, à descarada
É que vejo como é gordo e descabido
O raio do vizinho que me tocou de cebolada
(Com aquela cara bastante acanalhada…)

Bebe cervejas e vodca na varanda enluarada
O álcool vai-lhe dando certa candura
Que raio de ideia Deus teve ao fazer da papada
Da estupidez tão mal medida criatura
(Se vocês o vissem… que figura!)

Até sábado tenho de aturá-lo
Por muito que me custe a estopada
Mas se continua a portar-se como um cavalo
Só quero ver a Croácia eliminada
(E que o animal se vá com a manada…)"

Uma prestação com altos e baixos

"1 – Depois de termos sido campeões da Europa, é normal que as expectativas em relação à prestação da Selecção Nacional no Mundial fossem altas. A própria equipa de Fernando Santos é que nos foi dando essa confiança ao longo dos últimos anos, de jogo para jogo. No entanto, a prestação portuguesa ficou-se pelos oitavos-de-final. Uma participação digna, com altos e baixos, e que poderia ter tido outra história se tivéssemos saído vencedores do grupo.
Após uma estreia interessante com a Espanha, onde Portugal sofreu, mas também produziu bons momentos, a intensidade e dinâmica apresentadas nas partidas com Marrocos e Irão não estiveram ao nível do que a nossa equipa e seus jogadores são capazes. O empate com o Irão (resultante de uma decisão muito duvidosa do VAR) acabou por impedir a vitória no grupo, o que nos colocaria na parte mais acessível da eliminatória, onde poderíamos, talvez, ter mais possibilidades de sucesso (mesmo assim, a Espanha acabou eliminada).
Infelizmente, e apesar de termos feito o nosso melhor jogo frente ao Uruguai, encontramos uma equipa muito inteligente e eficaz, que soube aproveitar os nossos deslizes e defender quase sempre de forma eficiente. Os jogadores portugueses deram o seu melhor, mas não foi possível chegar à vitória. É tempo de perceber o que falhou e como melhorar. Talento não falta. A novíssima Liga das Nações da UEFA chega em Setembro e teremos rivais fortes pela frente: Itália e Polónia.

2 – Sobre as 8 selecções resistentes neste Mundial da Rússia, Brasil e França surgem como as grandes favoritas ainda em prova (possível encontro marcado nas meias-finais), Inglaterra, Croácia e Bélgica, com muito talento individual, surgem numa segunda linha de favoritismo, enquanto que o rigor táctico de Uruguai e Suécia, faz também com que tenham uma palavra a dizer. E a Rússia, contra todos os prognósticos, está a tirar proveito do factor casa e da forte motivação dos seus atletas.
Uma palavra para o percurso impressionante dos suecos. Numa equipa com vários campeões europeus de sub-21 (final ganha a Portugal em 2015), a sua disciplina defensiva tem permitido equilibrar jogos potências maiores. Na fase de apuramento, venceu a França e deixou a Holanda fora do Mundial. Depois eliminou a Itália no playoff. Vendeu cara a derrota com a Alemanha na fase de grupos, mas venceu o grupo e afastou os germânicos. E acaba de superar uma talentosa equipa da Suíça. A par da Rússia, é a grande surpresa deste Mundial.

3 – O futebol não para. Com a Selecção Nacional de regresso a casa é tempo de voltar a olhar para os clubes, que já iniciaram os trabalhos de preparação para a nova época. Com muita coisa por definir nos elencos que as equipas vão apresentar na temporada 2018-19, é altura de começar a afinar as máquinas do ponto de vista físico e táctico, integrar os novos elementos no seio dos grupos e introduzir as principais ideias dos técnicos, para definir a personalidade que terão as equipas ao longo dos próximos meses.
FC Porto e Benfica parecem mais adiantados no planeamento das respectivas formações, mas com o mercado de transferências aberto (e o ávido interesse de clubes mais endinheirados nos seus jogadores) tudo pode mudar de um momento para o outro. Já o Sporting corre contra o tempo para formar a sua equipa. A pouco mais de mês do início das competições, possui alguma margem para recuperar terreno, mas terá de ser rápido nas decisões a tomar.

O Craque – Novo desafio?
Depois de tudo conquistar ao serviço do Real Madrid, Cristiano Ronaldo poderá estar em vias de protagonizar uma das transferências mais marcantes dos últimos anos. Itália pode ser o próximo destino, com a Juventus pronta para o receber de braços abertos. Aos 33 anos, tem ainda muitas épocas de alto nível pela frente e vai a tempo de marcar uma era no "esquecido" futebol italiano, com as atenções a poderem voltar de novo para a liga transalpina e, em particular, para os jogos do melhor jogador do Mundo. Falta saber se o seu futuro passa por aí.

A Jogada – A escolha do Sporting
Numa fase como a que vive o Sporting, com muitas indefinições relativamente à equipa de futebol e um processo eleitoral a caminho, era importante que o treinador da equipa principal fosse alguém conhecedor da realidade do clube e do futebol português, de modo a rapidamente se adaptar e colocar a máquina em andamento. José Peseiro foi o homem escolhido. Não é uma escolha consensual, mas trata-se de um treinador competente, que no passado levou o clube a uma final europeia e que gosta de futebol ofensivo. É uma opção válida e com lógica.

A Dúvida – Treinador a prazo?
Ainda sobre o Sporting, e depois de já ter prescindido de Sinisa Mihajlovic, a possibilidade de os candidatos à presidência do clube prometerem a vinda de novos treinadores, como aconteceu ontem, coloca muitas reservas sobre as condições que José Peseiro terá para executar o seu trabalho nestes primeiros 2 meses. Não é justo para o treinador que está agora a começar este projecto, mas é certo que o futuro presidente terá a legitimidade de escolher o timoneiro com quem quer trabalhar. Terá a atual equipa técnica a estabilidade necessária para trabalhar em plena campanha eleitoral?"

Just do it... Fontaine

"Hoje joga a França e lembramos Just Fontaine, avançado de origem marroquina que se fez grande e à francesa no Mundial da Suécia. De baixa estatura, destacava-se pelo poder de impulsão e dizia que saltava tão alto que quando regressava à relva trazia neve nos cabelos! O seu filme de goleador começa no USM Casablanca, antes de chegar ao Nice e de se fixar no Reims, sempre conquistando títulos.
Na selecção francesa, foi jogado à sorte de deuses nem sempre JUSTos: participou com 1 golo no último jogo de apuramento para o Mundial de 1954, mas não foi à Suíça; não foi utilizado nas eliminatórias para 1958, mas conseguiu à JUSTa ir à Suécia por lesão do habitual titular; e por fractura da tíbia e do perónio apenas fez o primeiro jogo de um fracassado apuramento para o Mundial de 1962.
Chegada a 1958, deve ter JUSTamente pensado: só tenho este Mundial? Farei com que seja suficiente! E fez! Apressado, contribuiu no primeiro jogo com um hat trick ao Paraguai; seguiram-se mais 2 golos à Jugoslávia, 1 à Escócia, 2 à Irlanda do Norte e 1 ao Brasil, nas meias-finais (derrota por 5-2). No jogo contra a RFA (6-3), onde se disputava o terceiro lugar, Fontaine não esteve pelos aJUSTes e marcou um póquer. Em 6 jogos marcou 13 golos – um recorde num só Mundial e número de azar para quem o encontrou pelo caminho. Marcou todos os golos com chuteiras emprestadas pelo suplente Bruey. Quando as devolveu, Bruey não percebeu o que tinha na mão, trocou os pés pelas mãos, e deitou-as no lixo!
Em 1962, Fontaine, inJUSTiçado pelas lesões, abandonou a carreira. Mais tarde, treinou a França em dois jogos e ainda Marrocos, em apuramento falhado para o Mundial de 1982. De permeio, tornou-se o primeiro presidente da União Nacional de Jogadores Profissionais franceses. Durante o Jubileu da UEFA seria eleito o melhor francês dos últimos 50 anos, acima de Zidane e Platini. Pelos ‘bleus’ realizou 21 jogos e apontou 30 golos! A Federação fez JUSTiça, Fontaine!
Puxando a fita do filme e voltando a Casablana, onde tudo começou, apetece adaptar a célebre frase do filme: ‘play it again, Fontaine’! JUST do it!"

Alvorada... do Vicente

Aquecimento... Arranque

Benfiquismo (DCCCLXXX)

Triunfo...

7.º dia...

5.ª da Bola... Actualidade

Bola... Toni, Jesualdo e Oceano

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Conti...

Alvorada... do Martins

França B

"Porque amanhã joga a França, invocamos El Hadji Diouf, a estrela do Senegal que, no Mundial de 2002, foi… França B e já se perceberá porquê. Mesmo sem golos, Diouf foi, aos 21 anos, o mais destacado jogador da selecção no Coreia do Sul / Japão, ainda que bem acompanhado (entre outros) por Khalilou Fadiga, que não acusou o apelido a organizar o jogo dos Leões de Teranga.
Na sua primeira participação Mundial, o Senegal cruzou-se com a França de Zidane, o Uruguai de Forlán e a Dinamarca de Gronkjaer. Venceu o grupo, ultrapassou a Suécia e acordou do sonho nos quartos-de.final. Antes do torneio, o presidente senegalês antecipou que os seus Leões jogariam pelo Senegal, por África e… pela França. Ideia reforçada por Diouf quando se referiu ao Senegal como… França B. Em 23 convocados, Diouf era um dos 21 que jogavam em França, o que permitiu uma particular conjugação: quando os titulares das duas selecções entraram em campo, o Senegal apresentava 11 jogadores a actuar no território francês, país onde… nenhum gaulês jogava!
O jogo de abertura tornou-se um França A contra França B. A jogar contra os campeões em título, esperava-se que do jogo francófono resultasse um estender de tapete do Senegal à antiga e poderosa metrópole. Pelo contrário: foram os bleus ao tapete numa derrota, por 1-0.
Diouf contribuiu decisivamente para a vitória ao assistir Papa Diop para o golo, festejado no campo também por Aliou Cissé, actual seleccionador senegalês. No jogo entre a metrópole e o seu antigo território, os gauleses levaram balde de fria água… de colónia!
Chegado ao torneio como o Futebolista Africano do Ano de 2001 (à frente de dupla Samuel: Kuffour e Eto’o), as suas exibições garantiram-lhe a renovação do prémio individual em 2002 (Papa Diop foi segundo) e a eleição para a equipa do Mundial. Se, em 1998, o Senegal ‘contribuiu’ com Patrick Vieira (nascido em Dakar) para o título francês, agora um gaulês colaborava para a maior vitória dos Leões de Teranga: Bruno Metsu, seleccionador… senegalês! França B? Há sempre mais do que aquilo que se vê!"