Últimas indefectivações

domingo, 6 de abril de 2014

Ganhar... aqui, ou na Coreia do Norte !!!




Nenhum jogo está ganho à partida, nada nos é oferecido... Amanhã, em Lisboa (se fosse em Pyongyang era igual!!!), só a vitória interessa...!!!

PS: A azia do jornaleiro ainda é notória, depois da conferência de imprensa, do pré-jogo!!!

sábado, 5 de abril de 2014

Heróis !!!

Oliveirense 1 - 2 Benfica B

Não há muito para dizer, num jogo de futebol disputado num relvado, que nem para Rugby servia, só se podia exigir atitude aos jogadores, e esta tarde, não faltou atitude aos jovens jogadores do Benfica, bem pelo contrário... Para se vencer um jogo nestas condições, só mesmo com muita raça Benfiquista...!!! Nem o nevoeiro, que atrasou o início da partida, em quase uma hora, nos travou, nem o penalty prematuro contra nos desmoralizou... a alegria e a lama na cara dos jogadores no final do jogo, prova que a equipa está concentrada na vitória da II Liga!!!

Inacreditável, como se permite relvados nestas condições em campeonatos profissionais... e neste caso, já é recorrente!!!

Vitória no Derby...

Benfica 8 - 2 Sporting

Mais um jogo nervoso, que só na 2.ª parte ficou decidido. Nota-se que a equipa fica demasiado ansiosa quando as coisas não correm bem, e hoje, na 1.ª parte isso foi muito notório, com os jogadores a querem decidir individualmente, e demasiado depressa...
A entrada no 2.º tempo foi a 'matar', com dois golos de rajada... o Benfica acalmou, gerimos melhor os tempos de ataque, e os golos foram surgindo naturalmente.
O jogo teve momentos de boa intensidade, mas mantenho a dúvida se esta equipa do Benfica, é capaz de defender consistentemente nos jogos mais complicados que se aproximam!!!
A arbitragem foi mais um festival de incompetência, mas desta vez, ao contrário da 1.ª volta, os erros foram para os dois lados, e isso deixou as Lagartixas muito nervosas!!!

Não foi assim tão fácil...

Benfica 4 - 1 Póvoa Futsal

Resultado enganador. O 1.º golo só surgiu no final da 1.ª parte, e o 2.º, só apareceu a 7 minutos do fim... Os outros golos, foram marcados nos minutos finais, quando o Póvoa já arriscava tudo...
O jogo só teve um sentido, o Póvoa meteu literalmente o autocarro à frente da baliza, e desta vez, conseguimos mesmo evitar contra-ataques perigosos, as nossas transições defensivas foram boas, nota-se uma grande evolução (só não evoluímos na eficácia ofensiva!!!)... mas durante a maior parte do tempo, com o resultado em 1-0 tudo podia acontecer, felizmente a jogada de laboratório que deu no 2.º golo, resultou, e partir daí, o resultado pareceu-me fechado!!!

Vitória... preparando o play-off !!!

Benfica 86 - 65 Ovarense
23-18, 16-19, 22-14, 25-14

Boa 2.ª parte, com uma boa percentagem de triplos... e com o Barroso, desta vez, a olhar para o cesto!!! Sem o Jobey (poupado, o 1.º lugar já está garantido... e ainda sem o Andrade) era preciso que alguém assumisse... Bonito o espectáculo do Betinho!!!

Juniores - 9-ª jornada - Fase Final

Romário
Benfica 3 - 1 Guimarães

Com um golo no 1.º minuto, tendo como adversário a equipa mais frágil nesta Fase Final, ainda pensei que íamos ter uma daquelas goleadas históricas... O 2.º golo surgiu pouco depois, mas o penalty inventado pelo árbitro contra o Benfica colocou a dúvida no marcador novamente. Marcámos o 3.º logo a seguir com alguma sorte... mas com algum excesso de individualismo, e com a tradicional ineficácia na cara do golo, acabámos por não voltar a marcar, e até permitimos alguns contra-ataques perigosos ao Vitória!!!
A opção pelo Estrela e o Gilson no 11 inicial, pareceu-me um 'teste' o jogo com o Real Madrid para a UEFA Youth Cup, o nosso próximo compromisso. A ser assim, deixar o Guzzo de fora é discutível... mas se resultar!!!
Com o empate do Braga em Alcochete ficámos isolados na liderança, mas nada está decidido... vamos ver como a equipa reage após o regresso da Suíça.

Benfica............22
Braga...............20
Sporting...........16
Corruptos.........15
Oeiras.............11
Leixões............8
Leiria...............4
Guimarães........1

Escapou entre os dedos !!!

Fonte do Bastardo 3 - 2 Benfica
18-25, 25-18, 25-27, 30-28, 15-10

Jogo acompanhado à distância, e com pouca informação. Mas parece que no 4.º Set, com 1-2 em Set's a nosso favor, chegámos ao 2.º tempo técnico a vencer por 8-16, e mesmo assim, permitimos aproximação da Fonte... e perdemos mesmo o Set !!!

Esta derrota, com 2 Set's ganhos, dá 2 pontos à Fonte e 1 ponto ao Benfica, assim a vantagem de 3 pontos, passa só a ser de 2 pontos. Faltam 2 jornadas, jogamos fora com o Atlântico da Madalena, e recebemos na Luz o Castêlo. Continuamos a depender só de nós, para terminar a 2.ª Fase em 1.º lugar, e assim, jogar a Final com a vantagem de potencial 'negra' ser na Luz... mas a vitória hoje, poderia ter sido importante psicologicamente, assim acabámos por dar 'esperança' ao nosso principal adversário!!!

A injustiça da justiça no futebol português

"Aos olhos dos cidadãos a justiça do futebol não é credível. É grave. Nem só o 'doping' põe em causa a verdade desportiva.

Entre todos os pilares essenciais à democracia, penso que o da justiça é o mais débil. A saúde não é exemplar, mas funciona; a educação não é a melhor (muito por culpa dos ratos burocráticos dos gabinetes do ministério) mas é ampla; a justiça, porém, é profundamente deprimente pela inaceitável demora dos processos e, acima de tudo, pela gritante desigualdade entre cidadãos.
As mais recentes e badaladas prescrições de processos a gente rica e mediática tem, aliás, dado da justiça portuguesa uma imagem disfuncional da própria democracia, sem que sobre o assunto se sinta um verdadeiro incómodo político do Governo e da própria Assembleia da República.
Percebo que a justiça portuguesa assente na ideia de que mais vale inocentar um criminoso do que culpar um inocente e que para isso procure oferecer amplos e generosos mecanismos de defesa que permitem infindáveis recursos que demoram infindáveis decisões dos tribunais. Não acredito, porém, que a Europa desenvolvida passe a vida a condenar inocentes e, no entanto, os prazos de decisão dos processos são descomunalmente menores.
Há, pois, uma inércia processual e uma evidente resistência à mudança na estrutura judicial portuguesa. A questão está mesmo em saber se o problema está na incompetência da capacidade de mudar, ou se está na falta de vontade de mudar.
Aparentemente, não parece aqui haver matéria desportiva que justifique a análise obviamente sucinta que usámos. Mas haverá, porque não me parece ser entendível, apenas à luz do desporto, a aberração de algumas decisões disciplinares feitas por órgãos com competência para julgar os processos de natureza desportiva e que evidenciam o mais evidente desrespeito pela inteligência e pelo bom senso dos cidadãos.
Quando o conselho superior de magistratura se pronunciou no sentido de impedir que juízes figurassem nesses órgãos disciplinares percebeu-se que o maior dos receios era o de que juízes com responsabilidades sociais e profissionais inerentes à sua função acabassem, na hora das decisões, por se deixaram influenciar pelas suas paixões clubísticas e decidissem, não em conformidade com os regulamentos e com a lei, mas de acordo com interesses particulares.
Ora, o que é legítimo perguntar é se esses juízes se deixam apenas influenciar pelos seus clubes e por quem os dirige. Ou seja, parece-me legítimo admitir, no mínimo, o receio de que esses juízes simplesmente influenciáveis, quer seja por clubes e pelos seus dirigentes, quer seja por outros poderes com influência na sociedade.
A verdade é que o futebol ficou a perder muito com essa decisão, até porque desde logo passou a ideia de que o próprio Conselho Superior da Magistratura admite que há dois pesos e duas medidas éticas e técnicas para a justiça do futebol e para a outra justiça, sendo que a do futebol poderá ser mais permissiva, mais tolerante à subjectividade ou à tentação de acomodar as decisões com os interesses próprios.
Acredita-se que a criação do novo tribunal desportivo (tanto tempo que tudo demora em Portugal, meu Deus!...) ajude a resolver esta situação de credibilidade zero em que vive a justiça do futebol português, mas até que tudo esteja devidamente regulamentado e, enfim, activado, a verdade é que continuaremos a ter casos que mancham a credibilidade do futebol e colocam sobre inevitável suspeição. É preciso entender, uma vez por todas, que não é só o doping que põe em causa a verdade desportiva.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Desporto mundial e política mundial

"Nem o Comité Olímpico Internacional nem a FIFA nem a UEFA têm assumido posições claras sobre a invasão da Crimeia pela Rússia. E já era tempo. Antes, aliás, o COI também nunca se intrometeu no desastre diplomático dos Jogos de Socchi. O pretexto, ora assumido com estas palavras por dirigentes ora subentendido por toda a gente, foi sempre: «Não fazemos política.»
Discordo destes posicionamentos. Se as mensagens políticas são proibidas a jogadores ou clubes, quando a FIFA, por exemplo, passa a admitir véus e turbantes no futebol está, inevitavelmente, a ser política. A política, pois, é uma inevitabilidade. Outros exemplos se encontrariam. A verdade é que a mensagem política não é de nenhum campo em concreto. A política, ela própria, não é um exercício diplomático de bem-falantes - ou não creio que devesse ser. O que é a política senão tudo, senão a orientação doutras actividades? Quando as grandes instituições desportivas, como o COI ou a FIFA ou a UEFA, dizem que não se imiscuem em políticas estão, dessa forma, a dar à política esse espaço injustificadamente privilegiado de actividade à parte.
A FIFA, dando seguimento aos exemplos, também não se tem pronunciado suficientemente sobre as agitações sociais no Brasil contra o Mundial nem contra as acusações de corrupção na atribuição do Mundial-2022 ao Catar nem, lá está, sobre a transversalidade das questões russas e ucranianas. Afinal, o Mundial de 2018 será na Rússia... E a UEFA, apesar de ter parceiros económicos russos e clubes na Crimeia que não sabem em que país vão competir, tem-se mantido afastada de discussões e posições. O silêncio sobre a actualidade, sobre a vida, por mais que seja hábito, não veste monges.
A falta de acção é até, paradoxalmente, sempre um acto político comprometido. Porque a política, como se disse, não existe por ela própria e logo ninguém é absolutamente político ou apolítico. Tudo está no meio. Não fazer é fazer também."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Conquistadores!

"TABRIZ - Ao longo dos últimos 25 anos, o treinador português foi ganhando fora de portas, com a conquista de evidentes sucessos, que têm ajudado a que cada vez mais o técnico nacional seja requisitado para diferentes partes do Globo. Queria aqui separar os que têm feito a sua carreira na Europa, à frente de equipas e selecções de primeira linha do futebol como o nosso grande Mourinho, Artur Jorge, Queiroz, Fernando Santos ou Jesualdo por exemplo, e outros que têm andado por futebóis e países, apesar de emergentes, ainda de menor dimensão futebolística, digamos assim.
O leque é vasto. Uma quase interminável lista de treinadores que foram tendo mais ou menos sucesso como Manuel José à frente do Al Ahli, no Egipto (exemplo de enorme glória!...), Manuel Cajuda ou Jaime Pacheco com as suas passagens pela China - com uma emotiva e intensa despedida do Jaime dos adeptos locais, que deixa marcas... - Calisto ou Vietname, Nelo Vingada na Coreia do Sul, Pedroto em Angola, Neca, que já treinou em todos os continentes, José Couceiro, que também andou por Lituânia, Turquia e Rússia, Acácio Casimiro em Marrocos e Kuwait, José Rachão igualmente no Kuwait, José Peseiro nos Emirados Árabes Unidos, José Dinis em Angola, António Caldas também em Angola, Rui Capela no Bangladesh... e as minhas desculpas por não me lembrar de todos.
Ao partirmos para estas aventuras e para estes desafios, todos nós nos confrontamos com diferentes culturas, religiões, costumes, línguas, que nos levam a preparar-nos para uma identificação com os países e com os clubes para onde vamos. São intensas experiências de vida que nos enriquecem e deixam marcas na forma como nos envolvemos, sem falsas modéstias, nesses desafios, com competência, dedicação e profissionalismo. Muitos de nós carregam a experiência como antigos jogadores, e todos como treinadores procuramos ajudar os atletas a ser melhores cada dia que passa.  Todos estas são, ainda, extraordinárias oportunidades de construir novas amizades e a riqueza de novas relações. Imaginem quantas histórias de vida não teremos todos para contar..."

Toni, A Bola

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Jesus continua a bater recordes

"O campeonato não está decidido mas está quase. Ganhar em Braga foi determinante. Neste momento, pese embora a prudência da equipa técnica e jogadores, os adeptos já vaticinam a jornada para os festejos. Mesmo eu, pessimistas de serviço, dou comigo a fazer contas para comprar o cachecol do 33.º título. Ora, se ser campeão nacional era o objectivo principal, vamos agora tratar de objectivos secundários com a mesma competência. A vitória de ontem na Holanda foi a prova de que Jorge Jesus continua a bater recordes com a equipa do Benfica. Desde 1969 que o Benfica não vencia na Holanda. Se pensarmos que a segunda mão é fácil, podemos ter surpresas desagradáveis, mas se fizermos um jogo intenso e aplicado estamos outra vez numas meias-finai europeias. A Liga Europa parece desenhada para a Juventus ganhar em casa, mas podemos bem contrariar esse desígnio, tal como outros já foram contrariados. Basileia está na meia-final, e o FC Porto está quase.
Uma palavra para o treinador do FC Porto, que vê os mesmos jogos que nós, diz coisas sensatas e ganha e perde com igual elevação. O FC Porto não está em crise nenhuma. Numas meias-finais da Taça de Portugal, nas meias-finais da Taça da Liga, à porta das meias-finais de uma competição europeia e só agora fora da luta pelo título nacional, este FC Porto pode fazer uma excelente época. O problema do FC Porto não é a sua época, mas aquela que o Benfica está a fazer. O Benfica não é para o FC Porto um adversário, é um complexo. Ora, como o Benfica está melhor, a fazer melhor, e a jogar melhor, esse complexo esconde uma temporada até muito positiva. O que tem faltado ao FC Porto são derrotas do Benfica para festejar. O que faz falta ao Benfica, para o FC Porto entrar verdadeiramente em crise, é festejar muito e por muitos motivos.
Segunda-feira contra o Rio Ave e quinta-feira contra o AZ podemos e devemos dar mais dois passos para esses festejos."

Sìlvio Cervan, in A Bola

Vaidade e verborreia

"1. Há uma frase do Antigo Testamento que, em latim, vai assim: vanitas vanitatum et omnia vanitas. Eu traduzo: vaidade das vaidades, tudo é vaidade. A vaidade é uma doença. E há quem a pratique como se fosse uma religião. No futebol há os artistas - os jogadores; e os directores dos artistas - os treinadores. Todos os outros deviam reduzir-se à sua insignificância secundária. Alguns pura e simplesmente não conseguem: lá está, é uma doença.

2. Ver um árbitro num programa de televisão a distribuir beijos e abraços sublinhados com querido para aqui e querido para ali foi-me absolutamente deprimente. Senti vergonha: não por mim mas pela figurinha. Há quem chame aos árbitros juízes. Porque têm de decidir. As decisões isentas e ponderadas não se tomam por ente excessos de intimidade. Tomam-se com distância e isenção. Mas, por falar em tomar, não há compridos que se tomem contra o excesso de vaidade.

3. Tão deprimente como um árbitro que ainda percebeu que a sua função não é a de ser vedeta é ver um presidente de um clube histórico sofrer de verborreia aguda. Não controlar os músculos que comandam a língua também deve ser uma doença. Coordenar o discurso já é uma questão que não tem solução. Isto é: irremediável!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Do dolo e outras coisas cómicas...

"O Conselho de Justiça da FPF deu como provado que o FC Porto provocou, dolosamente, o atraso do início do jogo que disputou, para a Taça da Liga, com o Marítimo. Mas, num acórdão que constituirá preciosa doutrina para os vindouros, nem que seja a contrario sensu (e se calhar também para alguma stand up comedy...) os doutos conselheiros plasmaram que não se provou que essa acção dolosa visava o prejuízo de terceiros, neste caso, do Sporting, parte interessada no apuramento para as meias-finais da Taça da Liga. Trata-se, de uma conclusão imaginativa, porque consagra o princípio do crime sem vitima.
A justiça, em Portugal, não passa por um bom momento, a crise limita ainda mais os meios ao serviço da lei e uma série de prescrições em casos mediáticos arrasta pela lama e credibilidade de um dos pilares da nossa sociedade. Infelizmente, também no futebol, onde todas querelas jurídicas são altamente publicitadas, das decisões dos Conselheiros de Disciplina e Justiça não resultam quaisquer ganhos para a imagem do sector.
Veja-se, por exemplo, o castigo a Luís Filipe Vieira que, carregado de razão, falou contra o árbitro do Benfica-Belenenses, disputado há 24 semanas: dois meses de suspensão. Mas o presidente do SC Braga que, carregadíssimo de razão se atirou ao árbitro do Rio Ave-SC Braga da Taça da Liga, em termos ainda mais pejorativos, passou entre os pingos da chuva da justiça desportiva.
São situações destas que fazem com que se olhe para os membros dos órgãos disciplinares do futebol sem a consideração que as suas atribuições normalmente justificariam. É por isto que o Conselho Superior da Magistratura não gosta de ver juízes na Justiça do futebol. Nem nos camarotes..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Competência à prova de títulos

"Quando, em Maio do ano passado, contrariando opiniões oriundas dos mais diversos quadrantes internos e externos, bem ou mal intencionadas, Luís Filipe Vieira decidiu, convictamente, renovar contrato com o treinador Jorge Jesus, afirmou também que pretendia uma temporada igual à anterior, mudando apenas o desfecho final.
É verdade que ainda não ganhámos nada. Mas estamos em pleno mês de Abril, e podemos já dizer que, independentemente do desfecho das várias competições que disputamos, a época 2013-14 está, de facto, a ser muito semelhante à anterior.
Semelhante na força competitiva da equipa, semelhante na qualidade de futebol apresentado, semelhante nas esperanças que nos vai abrindo no horizonte. Estamos destacados na liderança da classificação, mantemo-nos firmes em todas as provas, sonhamos vencer tudo, ou quase tudo. Falta, 'apenas', o final diferente. É preciso dizer que, com Jorge Jesus ao leme, o Benfica realizou as melhores cinco temporadas das últimas décadas. Não se trata de uma opinião. São factos, que podemos comprovar olhando para a pontuação dos vários campeonatos desde o início dos anos noventa.
Sem interferências externas em 2012, e com um pouco mais de sorte em 2013, estaríamos agora a bater-nos pelo 'Tri'. O que, diga-se, faria justiça a todo um trabalho que começa nas condições criadas pela administração, acaba no valor e empenho dos jogadores, mas passa, também, pela indiscutível competência de um técnico nem sempre bem entendido por todos.
Importa ainda lembrar que, em 2009,ocupávamos um discreto 23.º lugar no ranking da UEFA, e neste momento estamos numa brilhante 6.ª posição, apenas superados por Barcelona, Bayern, Real Madrid, Chelsea e Man. United. Nestas cinco temporadas chegámos sempre, pelo menos, aos quartos-de-final de uma prova europeia - sequência inédita na história internacional do clube.
Há momentos em que é fácil decidir. No rescaldo da dramática primavera de 2013 não o era. E é nas horas difíceis que se encontram os verdadeiros líderes."

Luís Fialho, in O Benfica

Justiça com Nuno

"Qual é a maior herança na história centenária do nosso Clube? Por mais e maiores que sejam os troféus, de resto abundantes, nada substitui, em grandeza, o seu património humano. Atletas e técnicos, basicamente. Responsáveis primeiros pelo estatuto de clube mítico, motivo de orgulho do Benfica, apenas partilhado por meia dúzia de emblemas desportivos em todo o mundo.
Sem Eusébio, sem Coluna, cruelmente desaparecidos, o universo benfiquista pode recordar-se de um ano doloroso como poucos. Ainda assim, as homenagens que foram prestadas aos dois grandes símbolos atestam a generosidade, veneração mesmo, do cosmos vermelho, apostado também em dedicar-lhes, a breve trecho, saborosas conquistas.
Quando se fala no exaltante passado, no respeito e admiração por todos os que serviram a causa rubra, é de elementar justeza sublinhar a importância do presidente Luís Filipe Vieira. Não há memória, pelo menos nas últimas décadas, de termos um líder tão próximo, no plano emocional, de todos aqueles que fizeram a gesta do Benfica.
Há escassas horas, o regresso de Nuno Gomes à estrutura do futebol, num cargo vocacionado para as relações internacionais, é mais um episódio que se inscreve nesse contexto. O antigo avançado, jogador de enorme agrado popular, profissional irrepreensível, inteligente e aprumado, desportista modelar, benfiquista fidedigno, vai acrescentar maior valia aos actuais quadros do Clube.
Luís Filipe Vieira operou justiça. Nuno Gomes vai operar competência. Todos nós, vamos operar aplausos."

João Malheiro, in O Benfica

Aguenta Coração!

"Faltam cinco jornadas, três das quais em casa, e a vantagem mantém-se confortável. Mas nós sabemos, por saber de experiência feito, como são estas coisas. E também sabemos que, dos nossos adversários mais directos, um voltou a ganhar com um golo irregular, outro voltou a escaqueirar a loiça na sequência de uma derrota. Mas pensemos em nós, pois só de nós dependemos.
O Benfica tem um calendário terrível até ao fim da temporada. Depois de sete jogos em Fevereiro e oito em Março, seguem-se em Abril três jogos para o Campeonato - em casa com o Rio Ave e Olhanense, fora com o Arouca -, dois jogos para a Liga Europa, com o AZ Alkmaar, um jogo para a Taça, em casa. Pelo menos, pois há um Taça da Liga pendurada não se sabe de quê nem até quando.
De maneira que agora, e como se viu em Braga, é pedir ao coração que aguente, pois está tudo em aberto: o Benfica pode ganhar tudo, alguma coisa, ou nada. Cá por mim, coloco o Campeonato como prioridade, porque é a competição que dá o título de Campeão, o que mais se adequa ao Sport Lisboa e Benfica. O Clube Campeão. Mas ainda bem que o Benfica está em todas e luta por todos os títulos. Só chegar a esta fase de todas as competições é um feito extraordinário. O Benfica está este ano em alta no Club Worl Ranking - 9.º lugar da lista dos melhores do mundo e em Portugal o resto é paisagem - pela época que tem feito, independentemente do que venha a ser o resultado final, e pela extraordinária época que fez no ano passado.
De maneira que até final da época é jogo a jogo e com uma recomendação especial ao coração para que aguente. Viu-se em Braga, como a gestão do esforço nos bate no peito. O que nos vale é a confiança: não esperamos milagres nem favores. Somos Benfica."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Já só faltam oito!

"1. Não gostei da exibição em Braga, demasiado passiva. Faltou o segundo golo para justificar essa passividade. A equipa da casa nunca chegou a ameaçar muito (mérito nosso também) mas há sempre a possibilidade de surgir em golo inesperado.
Depois, no final, outra contrariedade: não foi chamado Lima (que tem estado impecável a marcar penalties) para a grande penalidiade e... não houve golo. Mas ganhou-se com toda a justiça e agora já só faltam oito pontos em cinco jogos para o título ser finalmente nosso. Segunda-feira teremos que ganhar mais três...

2. Apesar das péssimas condições atmosféricas, foi um êxito mais uma Corrida do Benfica, que homenageou o nosso saudoso António Leitão. Entre os milhares de concorrentes na corrida, há a salientar os 4.931 que completaram os 10 Km da corrida, mais 49 por cento (!) que o anterior recorde de 3.305 e mais 15 por cento que os 4270 que há meses completaram a Corrida do Sporting, realizada em dia bem mais agradável e sem a concorrência de outras provas como houve agora.

3. O presidente do Sporting, Bruno Carvalho, completou um ano à frente do seu clube e o balanço segundo os sportinguistas, é bastante positivo. Depois de muito dinheiro mal gasto, de um nunca muito bem explicado depósito de dinheiro na conta de um árbitro assistente, efectuado a mando de um vice-presidente (e do qual o clube nunca se demarcou), enfim após um triste mandato, as coisas estão bem melhores no seio do nosso eterno rival. Embora falando demasiado, Bruno Carvalho tem-se demarcado da política dos seus antecessores que, com poucas excepções, sempre se 'atrelaram' a Pinto da Costa e às suas lamentáveis atitudes, mantendo uma triste política de vassalagem que em nada beneficiou o futebol português... e o próprio Sporting.

4. Fazendo contas 'à Bruno Carvalho', o FC Porto pode lamentar-se pelo facto de, em duas jornadas apenas, ter sido prejudicado em nove pontos que lhe dariam o 2.º lugar: um golo mal anulado e um penalty não marcado em Alvalade e no Nacional não são seis pontos. Com três que o Sporting somou indevidamente, estaria em 2.º lugar.
Este Campeonato, realmente, está muito diferente: até o FC Porto tem razão para se queixar das arbitragens! Algo nunca visto em 30 anos..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

As boas-vindas

"Esta é a terceira vez que digo “bem-vindo sejas” ao Nuno Gomes. A primeira vez já vai longínqua, era a saudação a uma jovem promessa do futebol. A segunda vez já era a saudação a uma certeza do futebol, feita de benfiquismo, de classe e inteligência fora e dentro do campo. O primeiro regresso foi um momento de renovar a esperança no futuro e uma garantia de que Nuno Gomes era um fiel depositário dessa esperança. Regressou já como um capitão, um líder da equipa, independentemente de ostentar ou não a braçadeira.
Nas doze épocas de Benfica soube ser e soube estar, soube ser o tempo e o modo, soube ser o profissional, o adepto e assumir o papel de símbolo que a muito poucos está reservado e que, no futebol moderno, é cada vez mais escasso. Para se ser símbolo é necessário ter a mística, a fidelidade, a classe e a paixão pelo Clube. Nuno Gomes soube ter tudo isto. Nos tempos que correm, estes símbolos escasseiam e são essenciais como referência. Depois de ter saído para terminar a carreira noutras paragens (nunca gostei da ideia de o ver jogar por outro clube português que não o nosso), regressa pela segunda vez à nossa casa. 
Em Maio do ano passado, no aeroporto de Amesterdão, depois de uma final europeia perdida, encontrei o adepto Nuno Gomes, anónimo na multidão, de cachecol, aborrecido com a derrota, mas orgulhoso pelo benfiquismo. Disse-lhe pessoalmente que estava chegado o momento de lhe dar, novamente, as boas-vindas ao Benfica, agora na condição de dirigente. Quase um ano depois, as boas-vindas estão consumadas. O futuro do Benfica constrói-se dirigido, também, com símbolos como Rui Costa e Nuno Gomes. Dêmos, então, as boas-vindas ao futuro."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Vantagem ao intervalo... que podia ser mais larga!!!

AZ Alkmaar 0 - 1 Benfica

Demasiado respeito pelo adversário na 1.ª parte, ao intervalo passámos a pressionar mais alto, o golo surgiu cedo, e depois só deu Benfica... merecíamos pelo menos mais um golo!!!
O AZ não é tão fraco como muitos dizem, o trio da frente tem qualidade, e são perigosos nas diagonais interiores. Foi preciso um excelente Artur, para aguentar a má 1.ª parte do Benfica... O AZ está em 7.º na Liga Holandesa, mas isso não traduz a qualidade da equipa, aliás o má classificação, até permitiu que o AZ tivesse poupado jogadores na última jornada, para preparar melhor este jogo...
O Jesus não poupou tanto como seria de esperar, mas mesmo assim, em relação a Braga, só jogámos com 5 titulares!!! E o Siqueira só foi titular, porque está castigado para o Campeonato.
Este resultado até é parecido com o 1-3 de Londres...!!! Mas não vale a pena repetir a dose de susto que tivemos com o Tottenham na Luz!!! E curiosamente por aquilo que o AZ fez na 1.ª parte, e pelo que o Benfica fez na 2.ª parte, o 1-3, seria o resultado mais justo!!!
O fava da noite calhou, mais uma vez, ao Rúben!!! Pela forma como saiu, e pelo que Jesus disse no final, se for mesmo uma lesão no tendão de Aquiles, não jogará mais esta época... Mas como se costuma dizer: 'quando caiu um soldado, levanta-se o outro!!!' E desta vez, calhou ao André Almeida 'ressuscitar' após longa ausência - por opção do Jesus!!! Grande jogo do André... O outro, o André Gomes, ao seu estilo, também não esteve mal. Jogámos quase 60 minutos com os dois André's no meio-campo, e não se notou, aliás foi o nosso melhor período!!!
Mas o AZ tacticamente, é bastante diferente das equipas Tugas, e a confirmar-se a gravidade da lesão do Rúben, o Fejsa e o Enzo ficam com o calendário ainda mais carregado...
O Cardozo continua sem marcar, mas desta vez até rematou, e o próprio golo, é uma recarga do Toto após tentativa do Tacuara. Não acredito que a reacção após a substituição tenha sido contra ninguém, a frustração do Óscar foi contra ele mesmo, por continuar sem marcar... Tenho fé, o golo está mais próximo. Aliás após a atribulada pré-época, o Cardozo, nos primeiros jogos também não marcou... o próprio Jesus teve sair em sua defesa, ao dizer que quando o Óscar marcasse, marcaria vários seguidos!!! E foi isso mesmo que aconteceu... e vários deles até foram decisivos!!!
Após 45 anos, voltámos a vencer na Holanda, numa eliminatória Europeia - a Final do ano passado com o Chelsea, não deve contar para esta contabilidade... -, aliás os últimos 4 jogos oficiais na Holanda tinham todos terminado num 2-2... mas esta noite a passagem para as Meias-finais ficou aberta. Mas volto a recordar, neste momento aquilo que interessa é o Rio Ave!!!
Mas já agora recordo, a tal vitória à 45 anos: foi contra o Ajax, o famoso jogo onde o Torres celebrou um golo, tomando um 'duche' na neve... e na 2.º mão na Luz, perdemos, a eliminatória foi para uma finalíssima, e fomos eliminados!!!

AZ-0-1-SLB from SLB NN on Vimeo.

O Rio Ave é que é do nosso campeonato

"É um velho número do reportório de Pinto da Costa namorar o treinador do Benfica em todos os finais de época.

FEZ bem o Benfica em concentrar as suas energias no jogo de Braga para o campeonato porque, ao contrário do que se viu ao FC Porto no Funchal, não foi um Benfica de todo cansado aquele que venceu domingo no Minho depois do tal compromisso a meio da semana a contar para a Taça de Portugal.
Prioridades são prioridades e cada qual tem as suas.
Também não foi um Benfica exuberante o que se viu em Braga. Mas, entre nós, ninguém lhe leva a mal porque de exuberância está o inferno cheio e o que se pretendia era, precisamente, os 3 pontos que estavam em causa no jogo com o Sporting de Braga. Missão cumprida.
Nesta recta final do campeonato sempre que se regista uma missão cumprida, como a última, a de Braga, sabemos que a missão final vai ficando menos comprida, o que é bom sinal.
O Benfica marcou o golo solitário da sua vitória categórica aos 13 minutos. Foi bom para acabar com superstições embora se possa questionar como é que uma vitória por 1-0 pode alguma vez ser categórica. Quem viu o jogo sabe, no entanto, que foi mesmo assim embora esta arte de gerir resultados tangenciais esteja a dar cabo do coração de muita gente.
O Benfica marcou o seu golo solitário quando estava a jogar só com 10 jogadores visto que Gaitán estava estendido na relva agarrado a uma perna. Também foi bom para dar moral e para acabar com as mariquices. Com 10 ou com 11, o importante é marcar golos. Na segunda-feira o Benfica recebe o Rio Ave. E amanhã joga na Holanda.
Mas o Rio Ave é que é do nosso campeonato.

O FC Porto pagou no domingo na Choupana o preço de se ter esmifrado todo na quarta-feira para bater por 1-0 o Benfica no jogo da Taça de Portugal, resultado que o coloca em vantagem na discussão do lugar na grande festa do Jamor.
Ricardo Quaresma, a quem chamam de Mustang, é que continua sem pagar nada a ninguém, considerando que uma multa de 17€ é inferior a qualquer multa de estacionamento.
Quaresma, no primeiro domingo de Março, deu alto espectáculo no fim da primeira parte do jogo de Guimarães mas não houve câmaras nem relatórios do árbitro nem relatórios dos delegados que produzissem prova do seu comportamento semi-tresloucado.
E passou impune. Isto é que é a tal magia?
No último domingo de Março agora na Choupana, voltou a dar enorme espectáculo mas, para variar, no final da segunda parte. Garante a imprensa que também desta feira não há câmaras, nem relatório do árbitro, nem relatório dos delegados que possam apontar a Ricardo Quaresma a menor censura ou sequer a descrição dos factos sumariamente apreciados pelo público no estádio e pelos telespectadores em casa.
Quaresma é impune? Será magia?
A bem da pacificação do futebol português, exija-se também a impunidade do árbitro e dos delegados do jogo entre o FC Porto e o Nacional.
Para que não se volte a repetir o que aconteceu em Setembro, quando o árbitro e os delgados do jogo Vitória de Guimarães - Benfica por não terem apontado nos seus bloquinhos de notas o comportamento semi-tresloucado de Jorge Jesus no fim do jogo se viram castigados e suspensos «no âmbito do artigo 196.º do Regulamento Disciplinar que diz respeito à falta de informações a que se encontram obrigados».
E mesmo assim, sem relatórios, o treinador do Benfica foi castigado com uma suspensão de 30 dias e uma multa de 5.355 euros.
Isto sim, isto é que é magia.

PINTO DA COSTA esperou por Jorge Jesus à saída do balneário destinado ao Benfica no Dragão, abraçou-o e depois acompanhou o treinador adversário até ao local da conferência de imprensa, no auditório José Maria Pedroto.
Isto aconteceu, tal como foi relatado pela comunicação social, no fim do tal jogo a contar para a primeira-mão das meias-finais da Taça de Portugal.
O episódio suscitou reacções. Outra coisa não seria de esperar. É um velho número do reportório de Pinto da Costa namorar o treinador do Benfica em todos os finais de época. Chega a Primavera e, pronto, dá-lhe para isto.
A verdade é que, na cabeça de Pinto da Costa, Jorge Jesus é treinador do FC Porto há quatro anos. E honra seja feita ao presidente do FC Porto que, ao contrário de muitos outros, sabe defender os seus treinadores reais ou virtuais com unhas e dentes até ao fim da linha.
- Se a sua mulher lhe disser todos os dias que o ama, você não gosta? - foi a resposta sentida que obteve de Paulo Fonseca, ainda não há coisa de muitas semanas, quando o presidente reiterou os seus votos de confiança incondicional no treinador-real que foi buscar à Capital do Móvel na impossibilidade de ter o treinador-virtual que tem na cabeça mas que não tem no Dragão.
Lembram-se?
No entanto, estão muito enganados os que concluíram apressadamente que a atitude do presidente do FC Porto visa o exterior. Ou seja, criar problemas a Jesus na sua relação com a SAD do Benfica e com os adeptos do Benfica.
É que, francamente, já não pega.
A atitude de Pinto da Costa visou, isso sim, o interior do FC Porto, da sua SAD e até o interior, até ao âmago, dos seus adeptos.
Que Pinto da Costa tem paixão por Jorge Jesus, enfim, é do domínio público. E aceita-se.
Que houve demissões e que haverá fracturas na SAD portista também é do domínio público. E também se aceita. Talvez fracturas seja um termo exagerado. Digamos antes que há entorses na SAD do FC Porto, isto para ninguém se aborrecer.
Vamos ao que importa.
O presidente do FC Porto, ao abraçar o treinador do Benfica, não fez mais do que, à laia de um grito de revolta, mandar uma recado para o interior do FC Porto. Ou melhor, vários recados.
A saber:
- Eu não quero o Marco Silva, eu queria era este!
- Eu já disse não sei quantas vezes que não quero o Leonardo Jardim, eu queira era este!
- Eu não quero o Luís Castro, eu queria era este!
- Eu não queria o Paulo Fonseca, eu queria era este!
Tudo isto é muito respeitável e ao contrário do que possa parecer nada tem em si de falso ou de manipulador ou de melífluo. É apenas a vida.
E a vida é um palco, já dizia o Shakespeare, autor de peças teatrais dos séculos XVI e XVII. Quando ao reportório, o de Pinto da Costa, está de facto muito, muito estafado.

BERNARDO SILVA, jovem jogador do Benfica, formado nas escolas do clube, deslocou-se no domingo em Braga na condição de adepto, com cachecol e tudo, para apoiar a equipa no difícil confronto da Pedreira. Saiu de lá com uma grande alegria, naturalmente, mas o que Bernardo Silva talvez não sabia é que deu, também ele, uma grande alegria aos muitos benfiquistas que o viram a caminho do estádio e depois na bancada. 'Este é dos nossos!' Ah, pois é.
Nuno Gomes, antigo jogador do Benfica, está de regresso à Luz para exercer funções na área internacional do clube. Foi assim que a notícia foi dada anteontem pela generalidade da imprensa. E este também é dos nossos.
Bernardo Silva e Nuno Gomes, cada um à sua maneira e de acordo com os respectivos estatutos, foram duas boas notícias da semana. O que se quer no Benfica é mais e mais Benfica.

HOJE à noite, o Benfica o seu encontro da primeira-mão dos quartos-final da Liga Europa. O adversário é o AZ Alkmaar. Já que chegámos até aqui, pensam muitos benfiquistas, e tendo em conta que o AZ não é propriamente um gigante do futebol europeu, era de bom-tom fazer o nosso trabalho bem feito, eliminá-los e seguir para as meias-finais da competição.
Eu, pelo menos, é assim que penso sobre este desafio europeu. Trata-se, essencialmente, de uma questão de bom-tom, de pinta, enfim, de bom aspecto.
O Benfica foi o finalista injustamente vencido da última edição da prova, tem pergaminhos internacionais bem superiores aos do AZ e não lhe cairia bem ser afastado pelos valorosos, ainda que não sonantes, holandeses de Dick Advocaat.
Embora possa acontecer porque tudo pode acontecer. É futebol, lembrem-se.
Confio, portanto, num Benfica de bom-tom nesta eliminatória da Liga Europa. Apenas isso.
Importante, verdadeiramente importante, será vencer o Rio Ave na próxima segunda-feira no Estádio da Luz.
O Rio Ave que joga bom futebol e que na última jornada do campeonato foi arrancar uma vitória com que poucos contavam ao campo do Estoril que no ano passado veio arrancar um empate com que poucos contavam no nosso campo.
O Rio Ave é que é do nosso campeonato.
O resto são cantigas."

Leonor Pinhão, in A Bola

Estádio da justiça

"O presidente do SLB leva dois meses de suspensão e uma multa de 1520 euros (4 vezes a que o CD aplicou ao FCP pelo ingénuo atraso no jogo da Taça da Liga!) por ter criticado (em Setembro!) uma arbitragem onde houve um erro grosseiro e influenciador do resultado. Mas a mesma justiça passa levemente por declarações bem mais polémicas e inusitadas de outros dirigentes. Dois pesos e... três medidas.
No mesmo dia, soube-se que o imperturbável Quaresma foi sujeito a uma dulcíssima repreensão por um cartão amarelo em virtude de um segundo mergulho para a piscina (o primeiro deu azo a um penalty de que a providência se encarregou de fazer justiça através de um poste). O que se passou na parte final do jogo entre ameaças, empurrões, cabeça perdida e todo o banco portista a agarrar o animal feroz, afinal, não aconteceu. Foi uma ilusão óptica. Capela, em tempo de Quaresma, absolveu Quaresma. Que justiça desportiva é esta que deixa passar impunemente um acto de grave indisciplina profissional, mas que se, por hipótese, o mesmo jogador tivesse marcado nesse minuto um golo e tirasse a camisola levaria um segundo amarelo, seria expulso e teria o castigo de um jogo? Neste momento, lembro-me de um jogo em Olhão em que o ex-jogador do Benfica Aimar foi injustamente expulso e levou... dois jogos de suspensão. Para já não falar nos 2 meses de justo castigo do Luisão em jogo-treino.
Ao mesmo tempo, a justiça desportiva precisou de 3 meses para concluir o processo da Taça da Liga, prejudicando o calendário estipulado e a essência da própria competição.
Tudo um desconchavo atrabiliário. Aqui, sim, é caso para dizer basta!"

Bagão Félix, in A Bola

Caso Quaresma é escandaloso

"Começo por confessar que o regresso de Ricardo Quaresma ao FC Porto me surpreendeu positivamente. Não acreditava que um jogador com as características de personalidade de Quaresma voltasse a atingir padrões tão elevados de qualidade, depois de um largo período de profunda hibernação competitiva. Enganei-me e a verdade é que Quaresma trouxe a este FC Porto alguma da classe que lhe faltava e que se tornou ainda mais evidente depois da estranha opção de libertar Lucho González a meio da época.
Também admito que algumas exibições me fizeram pensar sobre se não seriam suficientes para Paulo Bento o incluir no lote dos eleitos para o Mundial, mas nada do que aqui se afirma, porém, me impede de dizer que a decisão do Conselho de Disciplina da FPF sobre a atitudes e comportamentos do jogador no final do jogo com o Nacional é escandalosa, contribui gravemente para a desacreditação moral do futebol português e, por isso, deve merecer que se instaure um rigoroso inquérito para se perceber a quem cabe a responsabilidade do escândalo, se ao órgão de justiça, se ao árbitro do jogo, o qual, com esforçada ajuda de um dos seus auxiliares, também andou transformado em segurança, tentando travar a fúria do jogador.
Vem, agora, o presidente do FC Porto dizer que Quaresma apenas reagiu a provocações racistas, que teriam origem numa campanha para o afastar da selecção nacional. Seria lamentável se essa provocações tivessem existido e ficassem sem o devido castigo, mas ligá-las a uma acção combinada (por quem?) para afastar o jogador do Brasil é uma presunção ridícula, especialmente quando não há uma única palavra para recriminar a desabrida atitude do seu jogador."

Vítor Serpa, in A Bola

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pé de laranja lima

"Sou um admirador de Lima. Um jogador que sabe, como poucos, aliar a sagacidade de um ponta-de-lança com inteligência táctica e grande disponibilidade física. Corre, corre, corre, pela direita, pela esquerda, ao meio, à frente, atrás. Sendo o melhor marcador encarnado é, também, o 1.º defesa do Benfica (a par do magnífico Rodrigo).
Mas é sobre os seus golos que escrevo estas linhas. Provavelmente bastaria ter sido ele a marcar os penalties e estaria no primeiro lugar da honrosa e motivadora Bola de Prata deste vosso jornal. Por isso, há duas falhas que ainda não digeri. A primeira em Barcelos, no último, por Cardozo que havia regressado à competição 15 minutos antes e depois de longa paragem. Jesus disse, então, que, nada de alterando, a hierarquia é Cardozo primeiro, depois Lima, finalmente Rodrigo (recorde-se que Lima há havia marcando um penalty neste lamacento jogo). Custou dois pontos. Na última jornada, Lima voltou a não marcar. A hierarquia foi para o maneta e o remate foi para Eduardo. Não censuro Rodrigo, que fez, aliás, um excelente jogo e está em plena forma. Felizmente desta vez não custou pontos. Mas custa-me a perceber que não tenha sido Lima a marcar. Ele que tem sido letal da marca de grande penalidade, por regra sereno de espírito e seco de remate. Pode haver razões que não vislumbremos. Mas não compreendo que momentos decisivos nestas últimas jornadas possam ser aferidos, ainda que respeitavelmente, por outros critérios pessoais, afectivos, compensatórios, etc. Em suma: a prioridade deve ser para Pé de laranja (cor das chuteiras) Lima. Como no romance juvenil de Mauro Vasconcelos."

Bagão Félix, in A Bola

Vitória em Torres...

Física 4 - 9 Benfica

A Física este ano está mais fraca, por isso a vitória era esperada... mas os 4 golos sofridos não são um bom indicador para aquilo que ainda falta esta época!!!

Números crueis

"Estatística... Há quem a ame e há quem a odeie, mas poucos lhe serão indiferentes, tal a forte presença no dia a dia. Quem não vive sem ela é o desporto de alta competição, no qual o sucesso cada vez mais se alcança nos pormenores que podem fazer a diferença. Goste-se, ou não, já nem os adeptos vivem sem ela, entregando-se a discussões intermináveis em seu redor: «A minha equipa tem o melhor ataque!», «Ah, mas a minha tem a melhor defesa!»
Deu-me para pensar nisto uma destas madrugadas, enquanto via Moneyball - Jogada de Risco, película de 2011 sobre o homem que mudou o basebol. Com Brad Pitt, no papel principal, o filme contra a história de Billy Beane, antigo jogador que, como director-geral dos Okland Athletics, foi o primeiro (em 2002, imagine-se) a implementar um elaborado e completíssimo sistema estatístico que alterou para sempre o modo como treinadores, directores, jornalistas e adeptos vêem o basebol. Os resultados foram incríveis: depois de oito jogos consecutivos a perder, Beane viu a sua ditadura dos números levar a equipa a uma série de 20 vitórias seguidas, que se mantém como a 2.ª melhor da história, só pior que a 21 dos Chicago Cubs em 1935.
A proeza que o uso da estatística ajudou a conquistar foi, inicialmente, olhada com desconfiança mais dilui-se num ápice por outros emblemas e, hoje, não há equipa que não siga o método de Billy Brad Pitt Beane. Os Boston Red Sox foram os primeiros e o resultado foi épico: conquista, em 2004, da World Series que o clube não conseguia desde... 1918.
E pensar que, à conta dos números e contra tudo e todos, aquele director-geral cometeu a crueldade de dispensar a grande estrela da equipa, o endeusado por imprensa e adeptos Peña, porque havia um suplente cujos registos apresentavam maior qualidade...
A propósito do endeusamento e de números cruéis: quando Quaresma se estreou, o FC Porto estava em igualdade pontual com o Benfica e, agora, está a 15 pontos; e quando Luís Castro substitui Paulo Fonseca, os dragões estavam a nove pontos das águias e, agora estão a 15. Mas isso não outras contas..."

João Pimpim, in A Bola

Nada acontece por acaso

"Olhando para a classificação do campeonato português e descontando os mais que muitos erros de árbitros - umas vezes a favorecer, outras a prejudicar cada um dos clubes - facilmente se confirma que nada é fruto do acaso.
Começando no topo: o Benfica mantém-se fiel ao modo de funcionar de anos recentes, não vendeu estrelas no arranque da temporada, antes fazendo várias contratações. Mantém performance semelhante e está como em anos anteriores. Está sozinho, porque o FC Porto não manteve a nível que o levou ao tricampeonato.
Logo abaixo: o Sporting reorganizou-se e mesmo reduzindo as despesas conseguiu formar um grupo coeso e motivado, capaz de voltar a ganhar mais do que as vezes que perde. Paga como preço por alguma inexperiência a distância pontual para a liderança.
Mais abaixo: o FC Porto anda irreconhecível, mas também irreconhecível é a equipa que vai evoluindo com as camisolas às riscas azuis e brancas. Do super dragão de anos anteriores saíram Falcao, Hulk, João Moutinho, James e até Lucho, já este ano - as entradas ficam a léguas em qualidade.
Estoril e Nacional ocupam os lugares europeus, algo que só é possível porque um como outro, mantêm princípios de organização que deram resultados no passado, bem como lideranças técnicas de sucesso. Normal, portanto.
Em sexto lugar, o SC Braga paga o preço de não se ter ainda estabelecido como grande, apesar de para tal trabalhar. Muitas mudanças de jogadores e de treinador, e o ano calhou mau. Sendo surpresa, sobretudo pelo passado recente, não é escândalo.
Na luta pela manutenção, o Paços de Ferreira para por ter querido dar passo maior que a perna e por evidente desnorte. O Arouca parece estar salvo, porque se reforçou em Janeiro de forma inteligente. Belenenses e Olhanense não se prepararam como deviam e agora esperam milagre."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Reforço esperado !!!

Lol(o) Manuel !!!

terça-feira, 1 de abril de 2014

As chicuelinas do Gato Negro

"Em 1942 nasceu Eusébio. E Ricardo Chibanga, o Eusébio dos toureiros, primeiro matador africano português. E Pedro Benje, o toureiro das balizas. Também ele impecavelmente escuro!

ÀS vezes a gente esquece-se de que ele foi do Benfica. Falo do Benje. Esta semana vou falar do Benje. O Benje marcou a ferro quente a memória dos rapazes das minha idade que entretanto deixaram de ser rapazes e caminham para avós. O Benje era negro e não havia em Portugal o hábito de ter negros à baliza. Além disso era elástico, felino, com um estilo inconfundível. Um gato. Um gato negro.
Pedro Benje Neto - nascido em Luanda no dia 21 de Agosto de 1942. Da idade de Eusébio. Jogou com Eusébio no Benfica - apenas uma época, a de 1964-65. O treinador era Elek Schwartz.
Quem também nasceu em 1942, no dia 8 de Novembro, foi Ricardo Chibanga.
Vocês lembram-se de Ricardo Chibanga? Eu lembro-me! E como me lembro! Um dia vi-o cansar um touro de 450 quilos à força de chicuelinas e depois colocar um joelho no chão e fazer-lhe uma festa no focinho. Era assim Ricardo Chibanga, o primeiro toureiro negro português. Português de Moçambique, está bem de ver. Como Eusébio.
É curioso como as coisas se cruzam e as pessoas se misturam.
Chibanga era o Eusébio das arenas. Benje era o Eusébio das balizas.
Impecavelmente negros!

Fazendo festas no focinho da bola
BENJE só jogou dois jogos oficiais pelo Benfica: ou melhor, nem isso. Defrontou o Seixal na 25.ª jornada do campeonato dessa época acima registada, no Estádio da Luz, e acabou por sofrer três golos. Nada de especial - o Benfica foi campeão com 6 pontos de avanço e venceu o Seixal pela barbaridade de 11-3! E nem foram precisos Coluna e Eusébio, José Augusto, Torres e Simões. Ficaram todos de fora para que gente como Guerreiro, Domingos Fernandes, Neto, Arcanjo ou Serafim também pudessem ser campeões.
E Benje, claro!
Depois, na última jornada, Benje defrontou o Vitória de Guimarães, no velho Estádio Municipal de Guimarães, mas só pela metade. Isto é, saiu ao intervalo para entrar Melo. Mais um campeão para essa época de 1964-65.
Uma época na qual o Benfica ganhou quase tudo: Campeonato, Taça de Portugal, perdendo a final da Taça dos Campeões para o Inter, em S. Siro.
Elek Schwartz foi dispensado: viva-se um tempo em que não ganhar a Taça dos Campeões marcava o destino dos treinadores. Ah! Que tempo esse!
O Benfica tinha quatro guarda-redes: Costa Pereira, Nascimento, Melo e Benje. Todos foram mais utilizados (Nascimento e Melo na Taça de Portugal) do que Benje. Por isso, Benje seguiu a sua vida e foi a partir daí que o pudemos ver fazer chicuelinas à bola afagando-lhe o focinho redondo.
Foi para o Varzim, onde esteve cinco épocas com uma de intervalo para jogar na Sanjoanense. Dava nas vistas. Lá está! Era o estilo! Uma elegância negra no voo; um ar distinto de cavalheiro dos trópicos. Sempre correcto, sempre profundamente educado.
Esteve no Farense mais cinco épocas. De 1971-72 a 1977-78. O cromo do Benje era disputado pela meninada do meu tempo. Um cromo ímpar. Não havia outro guarda-redes negro. Tal como não havia outro Chibanga.
Passou pelo Leixões, Estrela de Portalegre e Portimonense. No Benfica só os anos de júnior e a tal cinzenta época de sénior. Cinzenta, mas cinzenta dourada: ganhou o único título de campeão da sua carreira.
 Dois jogos; três golos sofridos. E uma presença que nós nunca iremos esquecer.
Toureiro da bola: e ela mansa, repousando nas suas mãos."

Afonso de Melo, in O Benfica