Últimas indefectivações

sábado, 10 de novembro de 2018

Vitória, em dia triste...

Benfica 3 - 0 Viana
25-17, 25-13, 25-18

Mais um jogo bem conseguido, rondando praticamente todo o plantel...

A má notícia do dia, acabou por ser falecimento do presidente da secção de Voleibol do Benfica, após doença prolongada. Rui Mourinha, é um daqueles Benfiquistas que dedicaram praticamente uma vida inteira trabalhando em prol do Benfica, sem que a maioria do universo Benfiquista, o conhecesse...!!!

Vitória na Madeira...

CAB Madeira 69 - 89 Benfica
15-25, 17-17, 17-19, 20-28

Invencibilidade mantida, com uma vitória tranquila...

Inexplicável...

Braga 6 - 3 Benfica

Depois da vitória suadíssima da semana passada, perder 3 pontos desta forma é difícil de compreender...

PS: Em França, as nossas hoquistas, triunfaram 1-4 (Aixé, Marlene, Rute, Sílvia) no terreno do Coutras, na 1.ª mão da pré-eliminatória da Liga Europeia...

Mais um Roubo...!!!

Penafiel 1 - 0 Benfica B


Um jogo que até estava a ser agradável, equilibrado, com oportunidades, mas acabou, mais uma vez, de uma forma inacreditável:
- expulsão perdoada a um jogador do Penafiel (pelo menos um!);
- golo mal anulado ao Benfica, por fora-de-jogo inexistente;
- penalty não assinalado sobre o nosso avançado;
- expulsão do nosso Capitão, após o final do jogo, porque o árbitro falou com o árbitro da jornada anterior (Paços-Benfica B, João Matos, outra roubalheira...!!!) e o Ferro já estava 'marcado'!!!!
Tudo isto pelo árbitro (Rui Oliveira), que à poucas semanas, reverteu com o VAR uma boa decisão do seu fiscal-de-linha, e validou um golo irregular, aos Corruptos!!!!

Arguidos?! Notícia mistério...!!!


Prémio !!!

"As iniciativas da acção penal devem ser especialmente ponderadas. Fazer descer à Capital toda a administração de uma SAD do Porto, com o seu Presidente à cabeça, com a vetustez dos seus 80 anos, para os informar que estão indiciados pelo crime de ofensa a pessoa colectiva… Convenhamos que é humilhante. As pessoas têm passado e registo curricular. Quem já foi acusado de corrupção desportiva e recurso a segurança ilegal, quem já foi investigado por muito mais, quem é tratado por Papa, o artífice do futebol moderno, o referencial ético do presente, vir a ser incomodado por uma subespécie de difamação, ainda para mais dirigida ao Benfica… há qualquer coisa surreal nisto tudo… Al Capone ainda foi apanhado pelas finanças… agora ofensa a pessoa colectiva, no leque de crimes, é quase desprezível para a galeria dos notáveis do F.C. Porto. Só em Lisboa inventariam algo assim. Escrevem-se tratados sobre Pinto da Costa, mas nunca alguém se tinha lembrado de uma nota de rodapé a indiciá-lo por ofensa à honra do Sport Lisboa e Benfica. Em carreiras longas tudo pode acontecer, é da vida. Talvez seja a contrapartida de fama e do proveito, neste País de invejosos, sulista e muito complexado.
Razão tem a comunicação social que não ligou muito ao assunto. Não se pode dar palco aos sentimentos mesquinhos da condição humana. Haja mão firme, senão tomavam tudo até ao pescoço. Fiquem sabendo que a um arguido tudo é permitido, até fugir da verdade, ou ficar calado para não fazer asneira. Mas jamais Pinto da Costa o faria. Não percebo, sinceramente. Tenho a certeza, certificada, que Pinto da Costa nada tem que ver com o roubo de correspondência do Benfica. Nem com a sua difusão. Então porque não mantê-lo como testemunha? Que raio… meter assim uma pessoa ao barulho. Sabem muito. Mas há quem também saiba. Ser arguido por ofensa ao Benfica, no futebol português, é quase como ser Dragão de Ouro. É ver reconhecido, publicamente, o seu préstimo a uma causa. Pinto da Costa está habituado a galardoar. Já era tempo de ser galardoado. Fosse ele indiciado por corrupção, outra vez, outro galo cantaria. E não era o do Gil Vicente. Era o de um qualquer assistente que se poderia constituir e participar activamente no processo, fornecendo informações, coadjuvando o Ministério Público, impondo um ritmo. Assim, é mais complicado. Mas não é impossível. Há sempre caminho para as boas intenções. É por isso que quem souber de algo que faça justiça a Pinto da Costa, abonatório, concerteza, tem mais uma oportunidade de o declarar. 
Já passou a fase das denuncias anónimas no saco roto do DIAP do Porto. Agora, é remeter o conteúdo, ao cuidado do DCIAP, pedindo que seja reparado o bom nome de Pinto da Costa e elevá-lo ao estatuto que merece. Arguido por ofensa ao Benfica não é algo que se deseje a ninguém invulgar. Nem a Pinto da Costa, que é um insigne cidadão na plenitude dos seus direitos. Não pode ser confundido com um qualquer adepto do grupo de cantares do Madureira, nem ser relatado como subalterno de Francisco Marques que, por agora, parece o chefe desta história de polícias e arguidos."

Cadomblé do Vata (especial Grimaldo)

"Alejandro Grimaldo é um jovem carregado de potencial. Tem cerca de um Estádio da Luz (o actual) de potencial futebolístico. No plantel do SLB só João Félix tem mais, aproximadamente um Estádio da Luz (o antigo). Acontece que desde que chegou ao SLB, é um jogador que dá sempre a sensação de termos um semi reboque a transportar 20kg de algodão. Não é que ele não seja dos melhores da equipa, mas devia ser o melhor do campeonato.
O espanhol é um lateral de grande pendor ofensivo, mas que tende a deixar desguarnecido o flanco defensivamente. Tal facto saltou à evidência durante o SLB - Moreirense e após o SLB - Ajax. Se no primeiro caso a vertigem atacante do ex. Barcelona nos custou 2 golos, no segundo o ataque à massa adepta ficou sem o respaldo dos resultados. Não sendo totalmente desprovida de razão a acusação de falta de apoio da bancada, acabou por ser uma pedrada que caiu num charco vazio de bons resultados e exibições que justificassem o queixume.
Efectivamente, os Benfiquistas não apoiam a equipa. No Jamor, pela primeira vez desde que me lembro, meia falange deu às-de-Vila-Diogo ao intervalo, abandonando a equipa (ainda) em 1º lugar, classificação alcançada na jornada anterior com uma vitória contra o FC Porto. Foi uma bonita mas desnecessária homenagem àquele rapaz do Sporting CP (que curiosamente viu falecer um dos fundadores, contra um comboio da CP),que meteu os patins no Bobby Robson quando estava na liderança da Liga. Para atacar Rui Vitória, colocaram o Benfica em segundo plano.
O protesto do pequeno nuestro hermano foi todo bem pensado mas falhou em dois pontos fundamentais: primeiro foi extremamente mal escorado com péssimos resultados e ainda piores exibições; depois não levou em conta que a relação "adeptos/equipa" não é uma democracia. De facto, trata-se de uma ditadura musculada e opressora, onde o pagante (ou receptor de borla ok ok ok presidencial) manda e o pago obedece, com a agravante que quem paga bilhete, é como o Cavaco Silva... nunca se engana e raramente tem dúvidas.
Mais do que enxugar lágrimas e assoar ranho, o bando do Grimaldo e Amigos tem é de ganhar jogos. Isso e agradecer a São Eusébio e à Nossa Senhora de Mafalala a construção do Estádio da Luz e do Caixa Futebol Campus. Tenho dúvidas que não emulassem Tavares sob a pressão de dezenas de maduros pendurados no gradeamento durante uma exibição menos aprimorada, ou no corredor do estádio para o campo de treinos, onde bastava uma vitória menos convincente, para aí os jogadores serem tratados pelos duros do Benfiquismo, por tudo menos "pai"... excepto o João Vieira Pinto, que muito cedo teve prole em idade de participar nos protestos."

Rui Vitória e os benfiquistas

"Depois de dizer tão recentemente que Rui Vitória é o homem certo para o seu projecto, não creio que Vieira decida afastar o seu treinador

Quando no final do jogo da Luz, com o Ajax, o público benfiquista se ergueu em protesto num julgamento sumário da equipa e do seu treinador, percebeu-se que a dimensão do divórcio entre adeptos e a sua equipa de futebol é real e preocupante. Tão preocupante que apesar de Rui Vitória ter mais uma vez tentado deitar água na fervura dos avermelhados ânimos, veio Grimaldo dizer publicamente que não compreende os adeptos que, injustamente, não dão valor ao esforço e entrega dos jogadores.
Grimaldo não entende - e é estranho que ninguém no Benfica o faça entender - que nenhum clube poderá ser respeitado como clube grande se não tiver uma cultura de vitórias e se achar que os adeptos podem andar com os jogadores nas palminhas quando não ganham há uma série de jogos.
Que se jogadores estão com o seu treinador, isso é uma evidência que não pode nem deve ser descartada, mas é precisamente essa união de facto que explica que os adeptos estejam contra o treinador e à equipa, porque não gostam do que veem e não deixam ninguém de fora das culpas.
Como nenhum clube muda de equipa, resta sempre a solução de mudar de treinador e esse é, sem qualquer subterfúgio, o maior o mais urgente problema que está em cima da mesa de Vieira.
Os adeptos, julgo que na sua maioria, não têm dúvidas: a solução é dizer adeus e obrigado a Rui Vitória pelos anos de trabalho intenso e sério que desenvolveu. Porém, apesar da evidente pressão, Vieira não costuma ser influenciável nestas situações. Pelo contrário. É nestes momentos de pressão e de suposto isolamento na opinião que gosta de marcar território e provar o seu intocável poder de liderança no clube.
Há quem diga que a situação de Vitória, se não ganhar em Tondela, não será sustentável, nem mesmo para Vieira. Não tenho a certeza disso. O Campeonato volta a parar para deixar passar o Alfa da selecção nacional, é cada vez mais uma linha de comboio regional que pára em todas, e isso permite tempo para arrefecer emoções e tempo para aqueles pensamentos profundos que evitam ou adiam decisões desconfortáveis.
Vieira poderia, entretanto, correr o risco de nem ter condições para manter Rui Vitória, nem condições para o mandar embora. Porque em caso de desastre no jogo da Liga, a revolta dos adeptos seria técnica e psicologicamente insuportável, mas não o despediria, porque o presidente nunca cedeu a pressões externas e porque, depois dos ainda muito frescos discursos de apoio à competição do «homem certo para o grande projecto do Benfica», não teria, agora, como voltar atrás e deixar a sua palavra nos saldos de Natal.
Se fizermos uma análise mais global e racional da actual situação do futebol do Benfica chagaremos a conclusão de que, apesar de tudo, será mais fácil a Vieira aguentar a pressão interna, por muito forte que seja, do que ceder no seu poder institucional e pessoal.
Há, evidentemente, um problema adjacente a esta previsível escolha de Vieira. O Benfica tem de dar urgentes sinais de, no mínimo, estar em convalescença, e se o clube tivesse a consciência da importância política de uma comunicação estratégica, como é o caso no FC Porto, certamente que alguém se incumbiria de difícil tarefa de convencer Vitória a optar por um discurso de uma criatividade planeada e mais estudada, porque o maior de todos os cansaços é o de anos e anos de discursos que não surpreendem, não causam emoção, não apaixonam, não empolgam, não dão esperança. Claro que é da personalidade de Rui Vitória, mas, por vezes, um líder tem de ir além do homem que é. Sobretudo quando a estabilidade já muito se confunde com a monotonia."

Vítor Serpa, in A Bola

Não se pode negar a realidade

"Não abandonamos a cultura de exigência, muito menos quando as coisas correm mal. E não relativizamos o insucesso: ele está aí

Empatar com o Ajax é frustrante, perder em casa com o Moreirense é revoltante. O mais inacreditável na derrota com o Moreirense foi a sua justiça, a incapacidade de ganhar um jogo que era obrigatório vencer. Não é boa política desvalorizar os insucessos evidentes, e muito menos normalizar a derrota. O Benfica está (bem) habituado ao longo da sua história a ganhar e nos tempos mais recentes e ganhar muito. Não queremos o desmame desta habituação, precisamos, pelos contrário, de uma dose suplementar de triunfo porque somos um clube viciado em vitórias.
Este Ajax tem qualidade mas era uma equipa ao alcance do Benfica. Era... mas não foi. Não se pode negar a realidade nem viver na fantasia.
O Benfica disputa três provas nacionais com ambição de vencer, não pode descurar nenhuma, e por isso Tondela, Arouca e Paços são sinais amarelos para vencer, senão ficamos vermelhos de vergonha. Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga porque queremos vencer tudo.
Vencer é o único lema que interessa, seja no último segundo no stick do Nicolia, seja, seja no último cesto do Cláudio Fonseca, seja no último remate do Zelão, com a defesa do Roncaglio ou com entrada na ponta do Vidrago. Vencer e liderar porque não há desculpas aceitáveis para outra caminho em todas as modalidades e começar pelo futebol.
No Benfica não há títulos que valem por cinco, valem apenas por um e são o caminho breve para os próximos. Fomos assim habituados e queremos assim habituar as próximas gerações. Não abandonamos a cultura da exigência, muito menos quando as coisas correm mal, mas também não relativizemos o insucesso como se ele não estivesse aí, à mostra de todos.
Verdadeiramente gigantes têm estado os adeptos. No temporal do Jamor estiveram lá, na derrota caseira com o Moreirense eram quase 50 mil, e contra o Ajax ultrapassaram esse número. Os pavilhões estiveram repletos nas vitórias de sábado e há benfiquismo que exige e merece uma vitória domingo em Tondela contra um adversário de valor, moralizado por um triunfo fora de portas, bem orientado por Pepa, num clube dirigido por senhores do melhor que tem o nosso futebol.
Há uma coisa que nunca falar ao Benfica, são os benfiquistas. Todos a Tondela para vencer... Por ti Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Benfiquismo (MV)

Perdeu-se uma 'estrela'!!!

Jogo Limpo... Seara, Guerra e o Júlio...

Uma Semana do Melhor... com o Farinha

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Não sou o único

"Não sou daqueles que, quando as coisas não correm bem, falam 'deles'. E que quando tudo são vitórias e títulos enche a boca com 'nós'. Sou um adepto que detesta ver o Benfica a não ganhar, mas isso não me faz premeditar o fracasso e ir armado de lenço branco no bolso quando vou ao estádio. Sim, porque quem é que, nestes dias, ainda traz um lenço no bolso, com excepção dos cidadãos seniores - o meu respeito - que viram o Glorioso bicampeão europeu?
Serão os mesmos que assinam pedidos de assembleias gerais destitutivas?
Uma franja de adeptos deste clube vai encontrar uma razão de queixa de formos campeões da Europa em todas as modalidades. Vão acabar por dizer que faltou o título do chinquilho e que isso se deve a uma má política de contratações. Mais.
Serão capazes de dizer que os discos de metal não foram bem escolhidos. Estão no seu direito de criticar e de protestar. Tal como eu estou no meu direito de não concordar com eles.
É essa a beleza e a desgraça do Sport Lisboa e Benfica.
É tão grande, que entre a massa adepta encontramos de tudo: bons e mais carácteres, gente inteligente e ignorante, orgulhosos do vermelho e partidários do encarnado. É bom que cada um pense por si, claro, mas parece-me que esta é a altura de pensarmos mais no nosso Benfica do que nos nossos ódios, nas aspirações pessoais ou nas antipatias com o treinador.
E, já agora, deixem de 'emprenhar pelos ouvidos'."

Ricardo Santos, in O Benfica

Fome de vitórias... e comida

"Sou optimista por natureza e tenho por hábito incentivar ao invés de maldizer. Só em cenários intoleráveis carrego a minha 9 milímetros para disparar criticas. A última jornada encaixa-se numa dessas situações onde me vejo obrigado a puxar o gatilho. A minha meta de exigência ficou estabelecida assim que me apercebi de que era benfiquista: ganhar sempre.
O que é chato, se tiver em conta que o meu apetite para comer está directamente ligado aos resultados do Benfica. Há das em que a minha mãe me prepara um delicioso cozido à portuguesa e metade da travessa é despejada nos restos para o cão, e outros em que me lambuzo com uma sopa de ninho de andorinha aquecida do dia anterior. É difícil manter uma alimentação equilibrada. Como o leitor deve imaginar, o meu cão comeu como um lorde no fim-de-semana passado.
Ninguém gosta de perder, porém quem é do Benfica gosta ainda menos. Porque não é suposto. Não faz parte do ADN. Até se pode perdoar uma ou outra escorregadela de vez em quando. Perder com o Moreirense, em casa, está fora dessa lista de trambolhões justificáveis. Sobretudo se essa for a terceira derrota seguida. Não é compreensível ou aceitável. Rapaziada, tratem lá de entrar nos eixos. Vocês são muito melhores do que aquilo que mostraram. Pelo vosso olhar no final do jogo, acredito que está é uma fase má e querem tanto como eu reentrar numa senda vitoriosa. Onde está a magia do Jonas, a mestria do Pizzi e a serenidade do Jardel?
Preciso que vocês ganhem, não só por uma questão emocional, mas também porque não como há duas semanas e estou esfomeado. A minha mãe diz que estou magro, mas a culpa não é minha."

Pedro Soares, in O Benfica

Universo Benfica

"Escrevo estas linhas antes de conhecer o resultado do Benfica - Ajax, e como tal não sei se à hora em que esta edição estiver nas bancas a nossa equipa de futebol terá já feito as pazes com os adeptos após importantes vitória europeia, ou se, ao invés, terá acentuado a crise de resultados que já vem das semanas anteriores.
O futebol é, como é óbvio, o grande barómetro do nosso clube. Trata-se da modalidade mais popular e mais emblemática, que define muitas vezes, por si só, os humores dos adeptos. Mas há mais Benfica para além do futebol. Ainda no passado sábado vivemos um momento de grande euforia (e bem o merecíamos), com o triunfo obtido no último segundo da partida de hóquei com o FC Porto, e que de algum modo resgatou o estado de espírito dos benfiquistas depois de uma sexta-feira negra ali mesmo ao lado. Pouco antes, já a nossa equipa de básquete tinha levado de vencida o mesmo nível nortenho.
Aliás, nas cinco principais modalidades de pavilhão, o Benfica só não lidera neste momento o campeonato de voleibol, e apenas porque tem menos um jogo realizado. Todas as restantes classificações estão pintadas de vermelho. Os números globais apontam para 31 vitórias, 1 empate e 1 derrota. É verdade que ainda é muito cedo para conclusões, mas não deixam de ser bons sinais.
Se falarmos do futebol de formação, também podemos dizer que o Benfica lidera em sub-23, sub-19, sub-17 e sub-15, ou seja, em todos os escalões. E as meninas continuam a golear quem lhes aparece por diante.
O universo Benfica está bem e recomenda-se. Só falta o futebol maior entrar nos eixos. Não é pouco, mas não é tudo."

Luís Fialho, in O Benfica

A estabilidade

"Se há uma característica que o Presidente Luís Filipe Vieira conseguiu implementar no Sport Lisboa e Benfica foi a estabilidade. Ao longo dos exigentes 15 anos, Luís Filipe Vieira elegeu a estabilidade como um bem supremo.
Estabilidade em todas as equipas, estabilidade na direcção, estabilidade nos órgãos sociais, estabilidade nas equipas técnicas e, sobretudo, estabilidade na relação com os sócios e adeptos. Os Benfiquistas conhecem bem e confiam no homem que elegeram por cinco vezes.
Os factos falam por si. Em 2003, os Benfiquistas confiaram em Luís Filipe Vieira e, passados três anos, deram-lhe uma nova prova de confiança. Passados mais três  anos, em 2009, os Benfiquistas continuaram a depositar total confiança no homem do leme. O mesmo aconteceu em 2012 e em 2016.
Sempre com votações bem expressivas, a massa associativa revê-se no seu Presidente e gostou do que viu na entrevista da semana passada à TVI. Luís Filipe Vieira foi igual a si próprio - esclarecedor, determinado e ambicioso. E não teve qualquer problema em reconhecer o erro que cometeu, em 2007/08, quando dispensou Fernando Santos. Essa mudança não surtiu efeito e o SL Benfica terminou  Campeonato em 4.º lugar, a 17 pontos do líder. Por 16 vezes o SL Benfica mudou de treinador, durante o decorrer da época, e os resultados foram sempre negativos. À excepção da época 1967/68, com Eusébio, Coluna, José Augusto, Torres, Simões, Cavém, Cruz, Jaime Graça, Jacinto, Raúl Machado, Humberto Fernandes, Adolfo e José Henrique a iniciar a sua brilhante carreira, nunca nos sagramos campeões quando mudámos de treinador."

Pedro Guerra, in O Benfica

O jogo da rua

"O futebol começa e acaba na rua...
Parece um lugar-comum, mas é assim na realidade, o jogo da bola entra-nos pela infância e acompanha-nos toda a vida feito paixão serena ou obsessiva, convívio entre amigos, ritual nos estádios ou mesmo profissão para tantos e tantos afortunados do talento. O envolvimento emocional do jogo e a valorização social dos jogadores, juntamente com os efeitos de multidão e agregação em torno de símbolos identitários, fizeram do futebol um próspero negócio e dos seus talentos mais bem-sucedidos verdadeiros modelos de afirmação positiva para os demais, em particular para os mais jovens. A comunicação e as redes sociais amplificaram o fenómeno até aos limites da ressonância, e o futebol, esse jogo simples e apaixonante, assumiu uma centralidade sem precedentes na vida colectiva de comunidades inteiras e até de países.
E assim, todos nós, de tanto olharmos para cima e de nos focarmos na excelência e na competição, às vezes corremos o risco de não estarmos atentos ao que o futebol continua a fazer, em casa, na escola e até mesmo, claro está, na rua. Ora, a rua é o lugar do social por excelência, do domínio do público sobre o privado e palco de importantes interacções sociais. E aí, na rua, jogar à bola pode ser, como é, um instrumento poderosíssimo de inclusão social. Mas também de promoção da tolerância e criação de interdependências da maior importância para combater a violência e outros fenómenos feios que infelizmente ainda afectam as nossas sociedades.
É assim que vemos o futebol de rua e é por isso somos parceiros da Cais neste projecto magnífico. É também por isso que todos os anos abrimos as nossas portas à 'Selecção Portuguesa de Futebol de Rua', numa experiência de imersão no mundo do futebol, motivação e treino, a que chamamos '10 dias à Benfica'. Porquê?
Porque, entre outras coisas, sentimos que o futebol de rua está também no lugar onde fica a Alma Benfiquista."

Jorge Miranda, in O Benfica

As certezas e as dúvidas

"Um dia destes, ao navegar à toa na web, deparei-me com o site de um jovem português que, a propósito dos distúrbios cognitivos que a gente vê, hoje tão frequentemente, por aí, em tantas e tão diversas circunstâncias da vida comum, explicava, em termos muito claros, o efeito de Dunning-Kruge, sistematicamente investigado a partir de 1999, na Cornell University de Ithaca (Nova Iorque).
A teoria em si já anteriormente havia sido projectado na segunda metade do século passado, numa simples asserção do filósofo britânico Bertrand Russel que, sendo um homem de paz, se limitara a constatar, com extrema agudeza, que um dos grandes problemas do mundo era que 'os estúpidos estão cheios de certezas, e os inteligentes sempre cheios de dúvidas'.
Na verdade, talvez fosse mais simples e mais profícuo para o desenvolvimento humano, se se desse o contrário: os idiotas com hesitações, e os 'cérebros' com as verdades absolutas...
No entanto, ninguém duvida hoje de que a prevalecente ordem do mundo é a que se rege pela primeira dialéctica e, infelizmente, não a outra. A estupidez sobrepõe-se à agudeza de espírito, assim como a vida e a psicologia social das comunidades se veem seriamente subjugadas aos mais escandalosos princípios de indigência mental pressentidos pelo filósofo inglês e estudados pelos académicos americanos.
O que é mais grave é que aquela lógica dos lobos sanguinários e impostores (que agora dominam no teatro das televisões) está a cativar, forçar e impor um embrutecido dominó de novas regras comportamentais, aos silenciosos cordeiros consumidores - que, inocentemente, seríamos todos nós - através de constantes massacres comunicacionais.
E a inversão da lógica parece prevalecer ainda mais, precisamente nas circunstâncias mais difíceis.
O presente momento do futebol no Benfica e, designadamente, o seu entorno e a exploração mediática dominantes na paisagem do audiovisual português constituem um claríssimo exemplo do dramático prevalecimento da boçalidade sobre a inteligência. Todos os dias ouvimos disparates dos mais variados quilates sobre o Benfica, vomitados com persistente iniquidade e espírito persecutório, sempre com a mesma origem, sempre com o mesmo sentido e sempre com o mesmo ódio.
É assim que meras suposições sem quaisquer fundamentos sérios, atiradas ao vento mediático por esses intrujões, vão sendo docemente assimiladas pelos espíritos mais frágeis, aparentemente sem condições para descortinar as mentirosas 'verdades' dos velhacos.
O que vale é que, no Benfica, nunca seremos mais os que são ingénuos ou inconscientes: por muito 'verdadeiras' que as mentiras nos pareçam, em larga maioria continuaremos a estar seguros de que o autêntico Conhecimento, felizmente, permanece nas mãos daqueles que, neste momento, aparentemente, têm dúvidas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Alvorada... do Antunes

Aquecimento... Rescaldo...

Fake news e insultos reais

"Porque não é só o defeito nos neurónios que assegura o sucesso das fake news. O ódio político é o principal motor. Não interessa nada se uma informação tiver todo o ar de ser falsa ou se for absurda. 

Temos de reconhecer a verdade: a culpa das fake news não é das fake news, nem das redes sociais. Nem sequer é toda dos fanáticos ideológicos ou dos minions de interesses rasteiros que as congeminam. A culpa das fake news é sobretudo do público acéfalo que corre a acreditar nelas e a divulgá-las. E dos intermediários sem resquício de seriedade intelectual (ou outra – e são tantos) que nas redes sociais sabem bem que estão a divulgar mentiras e distorções da verdade mas que partilham as ditas fake news na forma interrogativa, com um ‘será verdade?’ ou sucedâneo.
E aparentemente há um público imenso com a sofisticação intelectual de um Homer Simpson e que emula a relação deste com a televisão, não concebendo que desta possa vir uma falsidade. Sobretudo se for partilhada por alguma entidade geralmente revestida de qualquer autoridade, ou se apresentar como bem informada. (Bem falante não precisa de ser, porque a forma vagamente, muito vagamente, parecida com a língua portuguesa usada pelos autores e divulgadores de fake news bastaria em qualquer pessoa proficiente na dita língua para desconfiar da veracidade da mensagem.)
Porque, convenhamos, acreditar que a nova PGR foi fotografada em plena campanha eleitoral num grupo de amigos de José Sócrates, sendo a mulher muito mais nova (e cujas parecenças se resumem a partilhar o conjunto de cromossomas xx) que aparece na fotografia que foi difundida nas redes sociais só é possível na ausência de neurónios funcionais ou de QI sub humano.
O mesmo para pessoas que acham plausível que o primeiro-ministro ou o ministro da administração interna processem um fotógrafo que captou uma imagem de uma deputada que gosta de ter este tipo de atenção a pintar as unhas em pleno parlamento. Um dos posts que apanhei no facebook com esta patranha até tinha link para algo que parecia uma notícia. Fui ler e, claro, só repetia a tontice, sem qualquer citação ou facto que a fundamentasse.
Da mesma maneira só alguém com problemas cognitivos – ou vontade de difundir falsidades – partilha notícias ou memes sobre uma rede de pedofilia em que Hillary Clinton estaria envolvida, ou vídeos em que os Clinton eram dados como responsáveis pela morte de várias pessoas incluindo John John Kennedy (que morreu num acidente de avião). Mas, obviamente, estas mesmíssimas pessoas são tremendamente cépticas sobre a mais que evidente ajuda russa à campanha de Donald Trump. Aí nada menos que provas sólidas e irrebatíveis os convencem – tal a seriedade com que tratam alegações sobre políticos.
Porque não é só o defeito nos neurónios que assegura o sucesso das fake news. O ódio político é o principal motor. Já o amor à verdade empalidece. Não interessa nada se uma informação tiver todo o ar de ser falsa ou se for claramente absurda – se servir para atacar os opositores, venha ela.
Sempre houve fake news, sim. Desde as mentiras sobre o colar de diamantes de Maria Antonieta ao falso calote de Sá Carneiro, passando pela relação gay que Sócrates (não) teve com um actor conhecido. Os comunistas foram sempre mestres da desinformação. É ler o Avante.
Sucede que os erros passados e de outros não justificam os presentes. Não se trata de legislar e proibir fake news. Porém ainda sou do tempo em que os liberais argumentavam pelo poder da censura social para expor más condutas – como difundir generalizadamente mentiras com fins políticos. Alertar para este fenómeno é um mínimo de cidadania digital.
As fake news em boa verdade são só um dos sintomas do facto cada vez mais incontestado de a generalidade das pessoas não saber ainda lidar com as redes sociais. Ontem foi apresentado o último livro de Nelson Nunes, Quem Vamos Queimar Hoje?, que conta histórias de ataques concertados nas redes sociais contra alvos que fizeram ou disseram algo que calhou desagradar a almas susceptíveis e sensíveis. Tão sensíveis que não se escusam a ameaçar e insultar compulsivamente, em hordas, pessoas que não conhecem. Um livro, como Ricardo Araújo Pereira (que apresentou a obra) caracterizou, que é uma ‘introdução à barbárie’.
Apesar de serem esta imparável catarse de ódio e uma fonte inesgotável de desinformação para as mentes pouco sofisticadas, as redes sociais fazem parte da vida circa 2018 e não vão a lado nenhum. Mas teremos de encontrar alguma forma de conseguir estar nelas protegidos dos bárbaros digitais. As plataformas terão de ser mais proactivas para identificar abusadores e fake news – e banir ambos. Também não me espanta se se estabelecer uma tendência que volte a fechar os círculos de cada um, substituindo a abertura que inicialmente se supôs possível.
As redes sociais terão de acomodar as suas zonas sombrias. Em todo o caso, como dizia Paulo Ferreira no twitter, ‘Eu ainda sou do tempo em que as redes sociais iam fortalecer a democracia com uma participação pública mais vasta, melhorar a informação e transparência com o jornalismo-cidadão e contribuir para mais tolerância. Seja como for, foi um sonho bonito.’"

Valentino Rossi

"Lá me levantei de madrugada, este domingo, pelas 5h para ver a corrida de Rossi. Sou um fã de Valentino Rossi, mas não deixo de dar valor a outros corredores. Esta corrida era boa para Rossi levantar a moral depois de fazer segundo nos treinos e Márc Marquez ser penalizado sendo colocado em sétimo, por obstruir a passagem nos treinos de Andrea Iannone.
Rossi fez uma corrida soberba até faltarem 4 voltas, liderou sempre e foi uma pena ter caído. Algumas pessoas dizem que Rossi está velho, mas eu acho que a Yamaha este ano não tem estado à altura deste fabuloso corredor.
Eu não sei porquê, provavelmente por eu já ter uma idade avançada, mas ainda pratico desporto, aprecio atletas com alguma idade que continuam no topo: Rossi, Ibrahimovic, Federer, Le Bron. Federer que este fim-de-semana pouco faltou para vencer de novo Djokovic, no Masters 1000 de Paris, acompanho LeBron James com 33 anos que recentemente se transferiu para Los Angeles Lakers e o nosso fabuloso Ronaldo, a caminho dos 34 anos, que brilha na Juventus e o Real Madrid se afunda.
Valentino Rossi bem merecia ganhar este GP Malásia e seria interessante um novo duelo nas últimas voltas com Márquez. Fica para a próxima! Sigo o Moto GP por Rossi, as corridas com ele presente, ganham para mim um interesse extra, ver até onde vai este corredor que para o ano faz 40 anos e mede 1,82cm conseguindo esconder-se na sua moto. Os seus colegas são muito mais pequeninos.
Era um sonho ter vencido e os sinos na sua aldeia natal, Tuvullia, onde, sempre que Rossi vence, o padre faz tocar os sinos da Igreja, como símbolo de vitória de Rossi e festeja com a população. Já tenho saudades de ouvir tocar os sinos, há muito tempo que Rossi não vence uma corrida desde o GP de Assen de 2017.
Agora terei que esperar para o ano, a ver se é desta que Rossi alcança o 10.º título que lhe foi roubado, em 2015, pela santa aliança espanhola: Marquez e Lorenzo.

Nota: Na Champions Mourinho ofuscou o golo sensacional de Ronaldo. Mourinho ainda é mestre na táctica, a perder a 10 m do final virou o resultado, com as substituições. No final, a provocação com a mão atrás da orelha com ar desafiador faz parte do seu estilo, os adeptos da Juventus tinham sido insultuosos com a sua pessoa. Mourinho nunca se rende e não esquece."

Conversas à Benfica - episódio 42

Benfiquismo (MIV)

Ouro!!!

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Contas... Dúvidas... Web, SuperLiga, IVA, MónacoGate, Adidas,,,

Querer muito e desperdiçar mais

"Num jogo táctico carregado de amarras, o domínio foi mudando de 'pés'

Cenário difícil
1. Jogo equilibrado, mas com sinal mais para o Benfica, a sentir a necessidade de vencer para se posicionar de outra forma na corrida pelo apuramento. Cenário muito complicado, pois trazia três derrotas seguidas e este cenário difícil agudizou-se com as saídas forçadas de Jonas e Salvio, os dois jogadores mais determinantes no momento ofensivo da equipa. Dificuldades previstas e concretizadas e tornadas reais no teatro de guerra com um adversário disposto a explanar o seu jogo associativo e de cariz eminentemente ofensivo.
O Benfica trazia Jonas e Gabriel e, apesar de não exibir fulgor exibicional, respirava vontade e procurava atingir o adversário nas poucas investidas que criou ao longo de uma primeira parte pouco rica de futebol e muito marcada por imperativos tácticos e banhada de imensa falta de ideias dos dois lados. Depois de falhar uma oportunidade por defesa de Onana, Jonas aproveitou um erro do guarda-redes e trouxe alguma justiça ao marcador, pois o Benfica exibiu qualidade superior no momento defensivo mercê de bom jogo posicional e pressão agressiva sobre os canais de circulação dos holandeses. O Benfica revelara eficácia no aproveitamento das poucas oportunidades criadas e demonstrava enorme coração para exorcizar fantasmas recentes.

Penalização
2. As expectativas para uma reacção dos holandeses ao intervalo era enorme e concretizou-se na reentrada, acabando por penalizar os encarnados. Se era normal a entrada mais agressiva dos visitantes, assente numa melhor circulação da bola e ideias mais oxigenadas e buscando outras vias para comunicar o seu jogo, valia ao Benfica o grande acerto defensivo, a concentração superior evidenciada no momento tapar as linhas, juntar os sectores e o esclarecido primeiro tempo da defesa/transição defensiva.

Sem fortuna
3. Este acerto foi traído quando, no momento em que os holandeses, escondendo a bola ao Benfica, aproveitaram a profundidade criada pela alta defesa dos águias: um lançamento longo nas costas da defesa trouxe a nu o que Vlachodimos já revelou noutras ocasiões - a capacidade de fazer grandes defesas e a seguir borrar a pintura com uma má abordagem e grande distância guardada para os seus companheiros da linha de quatro - e o golo do empate apareceu. Associado ao maior arrojo visitante, à equipa sentia o golpe e da perda das suas duas unidades mais experientes e decisivas no momento ofensivo, o cenário tornou-se cinzento e as contas complicadas. Num jogo táctico, carregado de amarras e de duas partes em que o domínio foi trocando de pés apesar de maioritariamente prevalecer o equilíbrio, faltou um pouco de fortuna aos encarnados para, em 180 minutos dos dois jogos com os holandeses, poder aproveitar as oportunidades criadas e fazer mais pontos."

Daúto Faquirá, in A Bola

Sim, Rui Vitória fala verdade

"Nenhuma dúvida: o problema desta equipa do Benfica não é nem a falta de vontade, de querer, de profissionalismo dos seus jogadores, nem, tão pouco, qualquer atitude de contestação, rebeldia ou simples oposição ao seu treinador.
Quando Rui Vitória anuncia que o grupo está unido e tem conversas aglutinadoras, fala verdade. Vê-se em cada lance, em cada momento de desespero, em cada momento de descrença, que a angústia e a fragilidade e sentida numa dor solidária.
Porém, não deixa de ser angústia, não deixa de ser tristeza, não deixa de ser dor, nem deixa de ser uma imensa e colectiva fragilidade emocional.
A isso, Rui Vitória não tem conseguido responder da melhor maneira, o que, sinceramente, me parece natural vindo de alguém que precisa, ele próprio, de ajuda no difícil controlo das emoções. Era suposto que o líder não se deixasse influenciar pelo rumo menos feliz dos acontecimentos e conseguisse ser exemplo numa solidez de rochedo? Sim, mas há sempre que contar com a condição humana, até mesmo nos tempos de hoje.
Com um pouco mais de lucidez, organização e pragmatismo, o Benfica teria, ontem, ganho facilmente ao AJax, mesmo confirmando-se que é uma equipa em séria recuperação do seu antigo prestígio europeu. Não conseguiu melhor do que o empate, ficou praticamente afastado da qualificação para os oitavos de final da Champions, mas, ao contrário da época passada, deu um passo em frente na continuidade competitiva europeia. Será na Liga Europa? Provavelmente, mas na prova que é mais à sua medida."

Vítor Serpa, in A Bola

Alvorada... do Guerra

Benfica, quo vadis?

"Ser responsável pelo Benfica será das funções mais exigentes de Portugal. Existirão outras igualmente exigentes, mas esta tem as suas peculiaridades. No Benfica nunca se trata de ganhar o presente. Impõe-se preservar o passado, ganhar o presente e transmitir a certeza de ganhar o futuro. É, de facto, muita ponderação em simultâneo, mas não é menos que isto continuar o Benfica que amamos. A responsabilidade no Benfica e pelo Benfica tem de ser partilhada. Não poderia ser de outro modo numa organização profissional que agrega mais de mil pessoas. É, sobretudo, para os responsáveis anónimos, para esses benfiquistas de primeira que fazem o Benfica acontecer, que vai o meu primeiro apelo: nunca esmoreçam, vocês contam muito e o Benfica conta convosco. A responsabilidade nas áreas visíveis é de outro tipo, mais relacional: a máxima responsabilidade para a máxima recompensa. Não me refiro apenas ao elemento patrimonial, por si só muito significativo, tenho em mente a realização superior de ser, incondicionalmente, o Benfica e do Benfica.
É nesta tensão de corda esticada que vivem Luís Filipe Vieira e Rui Vitória. São os comandantes chefe e operacional. Deles se espera o impossível e se exige o possível, a eles se recorre nos piores momentos porque nos bons a glória é colectiva. Nunca serão desculpados se falharem. Serão eternizados se conseguirem. Rui Vitória não conseguiu o ano passado. E desse mau momento é difícil livrar-se. Não está condenado, mas presume-se culpado e vão-se esgotando argumentos abonatórios. 
Luís Filipe Vieira tem outro lastro, tem assegurado o seu lugar na história do Clube. Aqui chegados, olho muito mais para o conjunto que estes dois representam do que para aquilo que cada um pode fazer individualmente. O falhanço de Rui Vitória será um falhanço de Luis Filipe Vieira. Será uma prova de que a gestão não resolve tudo. Será questionada a competência de muito boa gente, dessa estrutura, alguns julgados intocáveis. Dir-se-á que as enfatizadas competências transversais não tapam o buraco da incoerência na gestão do futebol nos tempos mais recentes.
Serão julgados pelo que se sabe e pelo que se possa deduzir. Serão escrutinadas parcerias. Virá um período de instabilidade que afastará o foco dos pontos estratégicos: as eleições da Liga de Clubes no próximo ano e o projecto da superliga europeia. Mesmo a desejada separação entre o judicial e o desportivo formará uma amálgama de interrogações: quem? Como? Porquê?
Quanto a Rui Vitória, enfrenta o anátema da incapacidade se chegar a Dezembro com uma tendência de repetir, ou superar, o registo negativo da época passada, afastado de tudo o que queríamos que ganhasse e, por isso, afastado de todos. Não são, pois, apenas dois jogos, contra o Ajax e Tondela. São os jogos do futuro próximo do Benfica e do valor da sua marca. Depois destes virão outros desafios, mas estes são para ganhar. Sem hesitações nem desculpas de qualquer espécie."

Rui Vitória: não és tu, sou eu

"Isto não está a resultar, Rui.

Rui,
Precisamos de falar. Vou ser directo: as coisas não estão a resultar entre nós. Não é que eu não quisesse que resultassem, quis muito. Mas simplesmente chegámos a um ponto em que só nos estamos a destroçar aos dois se continuarmos a insistir neste engano. 
Não te quero magoar. Recordar-te-ei sempre como alguém com um bom coração, com quem não me importaria de jantar daqui a uns tempos, quando a poeira assentasse. Ambos sabemos que, ultimamente, as coisas têm sido para lá de terríveis, mas não me esqueço dos momentos incríveis que vivemos. A vitória em Madrid, o golo do Mitroglou em Alvalade, os quartos da Champions, aquele tetra consagrado com goleada ao Guimarães. E nos maus momentos, quando a minha ex te insultou e te disse que estavas a aproveitar-te da inteligência emocional que ela diz que me deixou a mim, estive sempre ao teu lado porque sempre soube que valias a pena e que ias dar a volta por cima.
O amor são resultados. E isto não está a resultar, por muito carinho que às vezes ainda nutra por ti. Eu sei que sou difícil, exigente demais talvez, mal habituado, mimado. Admito tudo isso. No entanto, quando nos juntámos já sabias dessas minhas falhas. Eu não quero que isto te magoe, mas até tu tens noção que nós, nestes últimos meses, apenas nos tolerávamos. No primeiro ano, cheguei a estar perdidamente apaixonado por ti.. Depois, fui ignorando bandeiras vermelhas que não devia ter ignorado, como a derrota em Basileia ou o Felipe Augusto. Sinceramente, devia ter acabado contigo com os zero pontos na Champions. Na sexta-feira, chegámos a um ponto sem retorno. Desculpa, Rui, mas eu não posso aceitar estar com alguém que me valoriza tão pouco que permita que leve três na pá do Moreirense. Não dá mais. Acabou.
Sei que as pessoas andam a falar sobre nós. Dizem que eu vou voltar para a minha ex, que ela vai largar o emprego de hospedeira na Arábia para voltar para mim. Soube que isso te chegou aos ouvidos e que te causa uma dor dilacerante. Em primeiro lugar, Rui, percebo que isso te leve a odiar-me, mas não podes pensar que o meu futuro te continua a pertencer. Sabes que cortei relações com a ex enquanto estivemos juntos porque tu me pediste, mas agora não tens nada a ver com quem eu ando ou deixo de andar. Sim, eu sei que voltar para alguém que se tornou numa pessoa tóxica para mim, muito provavelmente não irá resultar. Sei lá, ela é uma besta, mas ainda me dá uma certa tus… esquece, Rui, não tens de ouvir isto.
Espero que sejas feliz no caminho que escolheres. Tenho esperança que o Arnaldo perceba a situação, ele é um porreiro e não tem culpa nenhuma disto - gostava de ficar amigo dele, mas sei que não vai dar. Vais ter de ser tu a sair, porque a casa ainda é minha, mas eu prometo que te pago o dinheiro que gastaste em garrafas de água do teu bolso. Podes vir cá buscar as tuas gravatas quando quiseres. Sei que é um momento difícil para ti, mas temos de assumir e saber conviver com o insucesso.
Outrora teu,
Benfica."

Num passo maluco voaram na sala

"Na praça de touros de Arenas, em Barcelona, Francisco Peiró, o bovino poeta, acabou com a invencibilidade de Beni Levi

Maó-Mahón é uma cidadezinha na ilha de Menorca: ponto mais oriental de toda a Espanha. Dizem que foi lá que se inventou a maionese, mas também não será motivo para fazer da terriola património universal da UNESCO. Para o que aqui me traz, registo uma forte influência britânica vinda lá dos confins de 1708 por motivo da Guerra da Sucessão entre Habsburgos e Bourbons. Vai daí, tornou-se o berço do boxe espanhol. Como de Maó-Mahón a Barcelona é um passo, ou melhor, uma braçada, não é de espantar que o primeiro clube de boxe a surgir na região tenha sido o Barcelona Boxing Club, assim, à inglesa.
Por cá, o início dos anos 40 dava-se valor aos grandes palcos catalães do boxe: Gran Price, Olympia, e até a praça de touros Arenas. Foi precisamente nas Arenas que o bovino Francisco Peiró desancou sem dó nem piedade o nosso infeliz Beni Levi que uns meses antes esmurrara francamente o italiano Toni Cesari, no Coliseu de Lisboa. Isto em 1943.
Chegaram por essa altura à metrópole uma remessa de boxeurs que prometiam tardes e noites escaldantes nos ringues da capital. Os empresários esfregavam as mãos. Carlos Gomes, Luís Eugénio (o Xangai), Carlos Wilson, Fernando Matos, Valente Rocha, Alfredo Oliveira, Jorge Tofoy e, evidentemente, Benjamim Levy, enfileiravam-se para sessões de porrada de criar bicho. Era o que a malta queria.
Carlos Gomes não era moçambicano, nascera no Lumiar, passara a adolescência em Lourenço Marques, fora treinado por um sul-africano, despachara o serviço militar em Macau, e despachara também o terrível Calembourne numa sessão contínua de sábado no Clube Ferroviário. Era um brincalhão com atitudes de fera. Mal regressou a Lisboa foi atirado para o meio das cordas à mistura com Quintino e foi de tal ordem que resolveu em três rounds o que deveria ter sido resolvido em seis. Não tardou que lhe passassem a licença de profissional.
Mas voltemos à vaca fria, isto é, ao combate entre o boi catalão Peiró e o até aí invencível Benjamim. «Quer-nos parecer que a primeira derrota de Levi vai ser uma coisa séria», previa o misterioso Argonauta, na revista Stadium. «É que as multidões, como as mulheres, só aplaudem e admiram aqueles que triunfam, e Levi não pode vencer sempre nem sempre que o público queira».
Na mouche! A primeira derrota de Beni foi uma coisa séria.
Francisco Peiró tinha fama de boémio e cantava tangos afinados. «He sido siempre un soñador», diria já depois de retirado. «Me agradaban las cosas más dispares. Cantar, recitar, escribir versos, boxear, los bailes exóticos... Quería abarcar demasiadas aficiones y no habia tiempo para dedicar-se a una concreta».
Foi esse diletantismo que feriu profundamente Beni Levi, muito mais do que as quatro punhadas recebidas em cheio no rosto durante o histórico primeiro round da sua estreia nos palcos internacionais. A praça de touros silvou como se assistisse a uma faena. Levi aguentava como podia, e podia muito, era admirado pela sua resistência, mas todos em redor do ringue ansiavam pela sua queda. Sérgio Godinho podia cantar: «Num passo maluco/voamos na sala/qual uma estrela/riscando o céu/e a malta gritou - Aí Benjamim!».
Sempre que se referiu ao combate de Las Arenas, Peiró afirmou que tinha atirado o português ao tapete por diversas vezes e que essa tinha sido a explicação para a decadência súbita de Levi. «Trouxeram-me um adversário que prometia vir a ser um grande campeão. Depois de o ter vencido, esfumou-se como uma vela ao vento. E logo contra mim, que nunca fui campeão de nada».
Beni Levi estava à beira do KO e houve KO extraordinários logo ao primeiro assalto, como os de Ted Kid Lewis frente a Carpentier, o Homem Orquídea, de Ledoux face a Criqui ou de Ferrer perante Cerdan. Os golpes apanhados a frio, quando os músculos ainda estão a iniciar a acção, têm sempre efeitos duplos, dizem os entendidos.
Nos assaltos seguintes, Benjamim acautelou-se. À volta dos dois pugilistas que só se viam um ao outro, mais de trinta mil pessoas uivavam possessas de sangue. Por uma, duas vezes, Peiró cambaleou. Foi ao chão durante breves segundos. Mas não iria desperdiçar a oportunidade de vencer o invencível. «Não é aquele boémio cantador de tangos que tantos apregoam mas sim um autêntico batalhador, o homem que pela primeira vez bateu o nosso campeão sem ter sido no cabaré ou a cantar», sublinhava o Argonauta.
Exausto, dorido, Beni Levi estava mais ferido no orgulho do que nos sobrolhos abertos à custa de murros crus. Meio grogue, Peiró erguia os braços, talvez preparado para recitar um poema. Da sua autoria, pois era um poeta."

Fake promessas geram fake news

"Se houvesse menos gente defraudada nas suas expectativas devido às falsidades com que lhes acenam, haveria menos pasto para a circulação de “fake news”

1. Um dos temas atuais é a invasão e multiplicação das chamadas “fake news” que em tempos não longínquos se espalhavam numa forma que se designava de boatos credíveis. Portanto, hoje, estamos fundamentalmente confrontados com uma nova roupagem e novos veículos para uma prática antiga. Claro que a existência de redes sociais, a falência dos jornais, a morte do jornalismo de rigor e o facilitismo com que as pessoas procuram informar-se estimulam enormemente o papel dos produtores de notícias falsas, mas credíveis.
A multiplicação desta praga não tem apenas a ver com o definhar dos média impressos e audiovisuais clássicos, nem com a sofisticação comunicacional proporcionada pelas redes sociais e o seu acesso, sem hipótese nem vontade de escrutínio por gente mais impreparada.
Esta nova realidade advém de grupos de interesses diversos que aproveitam a desinformação geral e o estado de desânimo e desinteresse das populações para fabricar “fake news”, a fim de alcançar os seus propósitos, manipulando a opinião pública e desvirtuando a verdade.
É preciso, no entanto, ter a capacidade de reconhecer que, em grande medida, as “fake news” são uma óbvia decorrência de uma prática que hoje está cada vez mais generalizada: “as fake promessas”, ou seja, a mentira, a demagogia e a corrupção de toda a espécie que mancha, nomeadamente mas não só, a atividade política por todo o mundo, seja em democracia ou em ditadura. Se houvesse decoro em áreas como a política, os negócios, o comércio, o mundo financeiro, a religião, a cultura e os espetáculos também haveria menos pasto para as campanhas de calúnias. Isto sem esquecer o campo da inveja pessoal, um mal tão antigo como a própria humanidade.
O sucesso das falsidades resulta muito do clima de hostilidade dos povos em relação aos políticos e às suas mentiras que são cada vez em maior número e cada vez mais sentidas pelo cidadão comum, que espera uma coisa e recebe exactamente o seu contrário, depois de ter eleito fulano ou beltrano. 
Também não vale a pena falar só de países como os Estados Unidos, o Brasil ou o Reino Unido para estudar este fenómeno. As “fake news” estão por toda a parte, dos grandes estados aos pequenos universos tipo freguesia. As falsas promessas e falsas expectativas dadas às pessoas são devastadoras da credibilidade política, do sistema democrático e da justiça. São elas, as falsas esperanças e as tiradas demagógicas, que, em primeiro lugar, destroem e a confiança. São elas que alimentam as mentiras que, hoje, atingem proporções inimagináveis há poucos anos.
As “fake news” não são exclusivas da política. Multiplicam-se em todos os sectores da actividade humana. Mas é obviamente no campo político que as falsidades são mais perigosas porque influenciam directamente a vida quotidiana de milhões de cidadãos. Essas mentiras são e serão cada vez mais possíveis, cada vez mais numerosas e cada vez mais credíveis, quanto mais se verificarem discursos de “fake promessas” deliberadas, frustrando expectativas e destruindo a credibilidade que ainda resta. Objectivamente, só há uma forma de minorar o flagelo devastador das “fake news” e os danos que ele causa. É através da eliminação e denúncia das “fake promessas”. É preciso criar uma prática em que só passa, só cresce, só é reconhecido quem falar verdade e cumprir a maioria das coisas que prometeu, sabendo explicar com frontalidade porque falhou num ou noutro ponto.
Nos Estados Unidos, deu-se agora início à transmissão dos últimos episódios de “House of Cards”, uma série emblemática que lançou o Netflix. Há quem assegure que foi o comportamento devasso e amoral de Kevin Spacey que precipitou o fim da série. Talvez não. Porventura a razão está na circunstância da mentira, dos jogos de bastidores e das jogadas baixas da vida real terem ultrapassado aquela ficção. E não só nos Estados Unidos. Há também muita coisa parecida ou pior na nossa Europa e pelo mundo fora.

2. (...)"

Em defesa do desinteressante

"Como uma competição abjecta do ponto de vista desportivo e altamente comercial pode ajudar a melhorar o futebol europeu.

Talvez envergonhados pela pouca popularidade com que foi recebida a ideia de um plano para a formação de uma Superliga Europeia e o completo arraso mediático que a competição sofreu, por parte de media e adeptos, rapidamente os maiores clubes envolvidos na situação se demarcaram da mesma. O Bayern Munique, por exemplo, ameaçou mesmo o Der Spiegel com acções judiciais pela disseminação daquilo a que chamaram “fake news”.
As “fake news” são um problema do jornalismo e da sociedade. Sempre o foram. Não é de hoje que os meios de comunicação se escudam na “liberdade de expressão” e no direito à anonimidade das fontes para escrever o que bem lhes apetece. Algo que, enquanto jornalista, me incomoda. O que durante anos de jornalismo não teve propriamente uma nomenclatura ou uma definicação, ganhou nos últimos meses um conceito associado e as “fake news” passaram a ser, realmente, um problema concreto.
O Football Leaks e, por consequência, todos os meios de comunicação que investigaram a nova leva de documentos tornados públicos, porém, em nada estão relacionados com “fake news”. Eles existem e os planos para a criação de uma SuperLiga Europeia realmente aconteceram. Esta não pretende, ainda assim, ser uma discussão relativa a um desafio dos tempos que correm - em muito exponenciada pela Era das redes sociais em que vivemos -, ou uma discussão relativa às práticas do jornalismo. Haverá tempo e espaço para isso noutro contexto.
Dentro do completo desinteresse que tenho pela criação de uma Superliga Europeia, é possível encontrar-se racionalização para que ela exista, de um ponto de vista desportivo, até, mesmo que as razões que a ela levam sejam a ganância financeira dos clubes em questão, há muito em pé de guerra com a UEFA devido aos prémios e vagas atribuídos aos clubes das maiores ligas europeias nas competições do organismo que tutelam o futebol europeu.
Sim, a Superliga Europeia seria uma competição altamente capitalista, mas que até poderia ajudar o futebol europeu no seu todo. E diz isto alguém que nem sequer é particularmente adeptos das competições internacionais, é um fiel defensor das competições nacionais - sejam de que país forem - e mais facilmente se apanha a ver um jogo de um campeonato periférico - principalmente se forem divisões inferiores de Inglaterra - do que um jogo da Liga dos Campeões e, seguramente, do que um jogo da Liga Europa, se assim o calendário permitir.
A Superliga Europeia, porém, mesmo sem a presença dos clubes portugueses, permitiria ao futebol europeu ganhar todo um outro fulgor. Razão principal pelo meu desinteresse pelas grandes ligas europeias é a sua falta de competitividade e total dicotomia entre clubes de topo e clubes de fundo da tabela, que me levaram a procurar outras competições onde o futebol praticado pode ser igualmente bom e cuja valência entre equipas é quase universal. Não é por acaso que o Championship ou a Liga MX, segunda divisão inglesa e primeira divisão mexicana, respectivamente, são as minhas duas ligas preferidas.
Pessoalmente não sinto qualquer fascínio em ver uma equipa campeã nacional durante vários anos seguidos, não sinto particular fascínio no estabelecimento de dinastias, não me entusiasmo com atropelos sucessivos dos grandes clubes sobre os seus concorrentes mais modestos e muito menos me entusiasmo com os constantes “autocarros” estacionados por estes para que tal não aconteça. A competitividade, sim, é o grande desafio do futebol actual e a criação de uma Superliga Europeia e, numa análise racional, permitiria que as principais ligas europeias se tornassem mais competitivas. 
Dificilmente me apanhariam a consumir os jogos dessa competição, é certo, mas ao mesmo tempo o meu interesse por muitas das restantes competições nacionais poderia crescer e é por isso que apesar de não defender propriamente tal alteração tão profunda na estrutura do futebol europeu, até consigo compreender o êxodo dos maiores clubes europeus de um ponto de vista desportivo. Não porque o meu interesse pela competição em si exista, mas por aquilo que pode significar para os campeonatos nacionais.
Não é, sequer, certo, que a perda dos maiores clubes locais para uma liga europeia signifique o colapso financeiro das competições nacionais devido a uma aparente menor atractividade da competição. Estou seguro de que há uma larga parte do público do futebol que se identifica com a minha linha de pensamento, e competições como as ligas desportivas americanas, o Championship e a Liga MX são exemplos comprovados disso. Ligas que fazem da sua competitividade imagem de marca e que prosperam em função dela, tornando-se atractivas exactamente devido a essa competividade. Foi, aliás, assim, que a Premier League se vendeu ao ponto de hoje ser a liga nacional mais popular no Mundo, mesmo que a competitividade desta seja algo ficcional - tal qual a própria Liga dos Campeões. Produtos de marketing, do que verdadeiros sucessos desportivos e competitivos. 
Apesar da cultura do ídolo e da hegemonia, que faz parte do desporto, e do futebol em particular, creio ser a competividade o factor diferencial para o sucesso de uma competição desportiva. Exceptuando Espanha, onde as figuras Real e Barça vendem a liga por si só, é a ausência de competividade que anula a possibilidade da Bundesliga e em especial da Liga Francesa darem o salto definitivo para serem competições verdadeiramente populares a nível internacional. A própria Serie A é um exemplo disto. A hegemonia da Juventus retirou popularidade à competição, além de tudo o resto, e ainda hoje se suspira por aquela Serie A dos anos 90 que fazia dela a melhor liga do Mundo. 
A razão, para isso, era uma: competitividade. É isso que as pessoas querem, que as pessoas ainda procuram e é isso que a criação de uma Superliga Europeia permitiria. Pouco me importa a competição em si, como digo. É o que ela poderia representar para o futebol a nível europeu que me leva a defender o desinteressante. Até lá? Vou-me ficando pelo Championship e pela Liga MX, claro."


PS: Explicar a um jornalista o conceito de fake news não devia acontecer, mas... infelizmente temos que o fazer!
Aquilo que o Bayern chamou fake news, foi a forma como o leak foi retirado do contexto, nas primeiras páginas dos jornais! O relatório existiu, mas o projecto da SuperLiga nunca foi um acontecimento iminente...

Saudade(s)

"Escrevo este texto a partir de (tente pronunciar à primeira sem se enganar) Jijoca de Jericoacoara, onde passo os meus últimos dias de férias (bem merecidas) de 2018. É daqui que parto para o título do meu segundo artigo de opinião, inspirado naquilo que a bola tem de melhor: a sua simplicidade e as saudades que tenho disso!
Desde que aqui cheguei, todos os dias às 16 em ponto, ali estão eles para fazer aquilo que mais gostam: jogar à bola, de pé descalço, até que o sol se ponha. É disto que tenho saudades!
- dos jogos de bola na praia do CCL, todos os dias dos meus 3 meses de férias no parque de campismo;
- dos jogos de bola no meu Bairro do Charquinho, mesmo quando ela saltava o muro do Cemitério de Benfica e quando um dos meus corajosos amigos se aventurava a ir buscá-la, sujeitando-se às chumbadas do guarda de serviço;
- saudades de ir à bola com o meu pai mesmo quando chovia a potes e quando os guarda-chuva eram permitidos, porque não eram tidos como armas de arremesso;
- e por último saudades do meu filho que ficou em Lisboa por causa da escola, mas também por causa da bola que o acompanha seis dias por semana (não treina à segunda-feira).
É de bola que eu falo, no seu estado puro: será que ninguém tem saudades, ou vamos continuar a assobiar para o lado e a falar todos os dias daquilo que não interessa para nada?
Eu tenho saudades e você, amigo do Maisfutebol?
Um abraço desde Jijoca de Jericoacoara (conseguiu agora sem se enganar?)."

Benfiquismo (MIII)

De Todos,Um

Vermelhão: desesperante...!!!

Benfica 1 - 1 Ajax


Mais uma vez, um jogo bem razoável com o Ajax, com um último minuto desesperante!!!
Tal como escrevi nas crónicas anteriores, o problema do Benfica este ano, nem tem sido nos jogos com os adversários teoricamente mais complicados... porque jogamos com as linhas mais recuadas, e não ficamos vulneráveis aos contra-ataques adversários!!! Hoje, fomos sempre competentes na reacção à perda de bola... e como consequência um jogo onde o Odysseas teve muito pouco trabalho!!!
Até posso admitir os assobios ao treinador, mas os jogadores tem demonstrado atitude e união... e a forma como o jogo acabou é bem demonstrativo disso! O facto do Ajax ter tido mais posse de bola, é uma situação normal, que aconteceria mesmo com um Benfica em melhor momento, tem mais à ver com o estilo de jogo dos Holandeses... Sendo que hoje, essa posse de bola foi quase sempre inofensiva, a maior em zonas 'mortas'!!! O 'erro' do Benfica nesta situação de menos 'posse' foi não termos aproveitado as várias bolas que conseguimos recuperar em pressão alta, e nunca conseguimos transformar em golo!!!
A 1.ª parte foi dividida, com o Benfica a ser praticamente a única equipa a rematar à baliza... a excepção foi mesmo o livre directo, na última jogada antes do intervalo... numa altura que o Salvio estava a receber assistência médica!
A vencer, com as lesões 'confirmadas' do Jonas e do Salvio no arranque do 2.º tempo, o cenário mudou... O Rafa e o Seferovic são jogadores diferentes, não têm a capacidade de 'reter' bola, preferem jogar em velocidade, e o Benfica acabou por recuar ainda mais... e apostar tudo no contra-ataque... E o golo do empate acabou por aparecer, numa jogada absurda...!!!

O Ajax continuou a ter mais bola, mas sempre que conseguimos sair em velocidade criámos perigo, aliás todas as jogadas mais perigosas no 2.º tempo foram nossas, mesmo jogando 'sem bola'!!! E na última jogada, tivemos o golo da vitória nos pés do Gabriel...!!!
Bom jogo do Grimaldo e do Fejsa (o melhor jogo desta época, provavelmente). Jonas bem, até ter levado aquela cacetada... tudo é diferente com o Jonas em campo... Regresso do Cervi à titularidade deu consistência ao nosso meio-campo! O melhor jogo do Almeida esta época... Uma nota para o Gabriel, que com a bola nos pés tomou muitas vezes a decisão errada; mas 'sem bola' foi um dos jogadores mais importantes nas marcações e na pressão no meio-campo!
O Gedson esteve abaixo do normal... e o Odysseas voltou a cometer um erro fatal... e já no livre da 1.ª parte, foi 'enganado' pela trajectória!

Ainda não vi resumos, nem li crónicas, mas saí mais uma vez do Estádio, com a sensação que o senhor árbitro, tudo fez, para ninguém o acusar de ser 'caseiro'!!! Além da entrada sobre o Jonas... 'matou' completamente o jogo nos últimos 20 minutos, com a sucessiva marcação de faltas contra o Benfica por contactos ligeiríssimos... Com enorme dualidade de critérios a nível disciplinar!!!

A derrota em Amesterdão já tinha deixado os Oitavos pouco prováveis, o empate de hoje torna-os praticamente impossíveis! Dois jogos que depois de tantas variáveis, acabaram decididos após o minutos 90!!! Se tivesse caído para o nosso lado: empate na Holanda e vitória hoje, estávamos neste momento em 2.º lugar com 8 pontos e o Ajax com 7...!!!

Garra...

Benfica 3 - 3 Ajax


Jogo muito complicado - sem o Jota e sem o Umaro -, onde tentámos controlar a posse de bola desde início, para não dar posse e contra-ataque aos Holandeses... a coisa até começou bem com o 1-0, mas depois fomos perdendo consistência, e o Ajax foi ameaçando, até empatar praticamente na última jogada antes do intervalo...
Péssima entrada no 2.º tempo, com um 1-3 de rajada... O treinador mudou, a equipa reagiu, o Ronaldo e o Tiago Gouveia entraram muito bem... e com muita garra, chegámos ao empate... e estivemos quase a marcar o golo da vitória, mas a bola sai à malha lateral!

Estamos numa situação perigosa, uma derrota na Alemanha, ficamos a depender de terceiros (uma derrota do Bayern na última jornada em Amesterdão), como ficou demonstrado no Seixal temos equipa para bater o Bayern, mas...