Últimas indefectivações

sábado, 7 de janeiro de 2017

Indiscutível...!!!

Benfica 8 - 4 Corruptos

Vitória indiscutível da melhor equipa... Parece impossível, depois de tudo o que se passou no início da época, mas neste momento, com o Benfica perto do seu melhor, os nossos principais adversários, parecem 'frágeis'!!!!
Foi pena aqueles golos sofridos no final, seria preferível ter acabado com uma vantagem maior...!!!
Mais um jogo onde o Nicolia, mesmo sem marcar, foi decisivo...

Na próxima jornada vamos a Oliveira de Azeméis, provavelmente o plantel com mais estrelas do Nacional, mas temos melhor colectivo e melhor treinador... Estamos bem encaminhados, mas nada está decidido...

Já agora, ainda não perdi a esperança de ver uma agressão de um jogador Corrupto, num jogo com o Benfica, ser penalizada com o respectivo vermelho... talvez um dia!!!

Bom treino...

Benfica 3 - 0 Viana
25-14, 25-17, 25-17

Qualificação fácil para a Final Four da Taça de Portugal.
Todos os jogadores contribuíram, e o resultado nunca esteve em causa...

Empate...

Azeméis 3 - 3 Benfica

Mau regresso das mini-férias. A equipa continua a não convencer, principalmente nestes jogos, onde teoricamente temos mais responsabilidades... Hoje, nunca tivemos em vantagem, e tivemos mesmo a perder 3-1...

Ninguém quer ter um filho árbitro!

"Árbitro não devia ser ouma profissão, mas uma condenação. Crimes graves, pena de prisão ou, no máximo, dez anos de árbitro de futebol.

Cristiano Ronaldo quer que o seu Cristianinho seja, como ele, jogador de futebol, mas não o autoriza a ser guarda-redes. Um pai tem, pelo menos, a legitimidade de sonhar com um bom futuro para os seus filhos e Cristiano tem todas as boas razões do mundo para desejar que o seu filho seja como ele.
Já a minha mãe queria que eu fosse médico e como eu gostava muito de contentar a minha mãe fui para medicina, vesti bata, entrei na faculdade, no Santa Maria, mas passei mais tempo com a propaganda revolucionária nas mãos e a fugir do capitão Maltês, do que com o bisturi nas aulas de anatomia e isso foi necessariamente fatal para as minhas aspirações e para os sonhos da minha mãe, que se teve de contentar com um filho que seguiu o exemplo do pai e se tornou jornalista.
Há muitos casos, em que os filho optam pelas profissões dos pais. Muitas vezes porque, perante a imensidão da incerteza preferem escolher o que já conhecem; outras vezes, porque os caminhos se tornam mais abertos. Um advogado com escritório tem sempre espaço para o filho licenciado em direito, tal como um médico com consultório tem sempre uma sala disponível para um filho que se formou em medicina, ou um arquitecto tem sempre um cantinho para a mesa de trabalho, uma régua e esquadro para emprestar ao seu filhinho arquitecto.
O que eu, de facto, não conheço é um árbitro a desejar que o seu filho lhe siga as pisadas e que estude para a profissão de juiz de leis de jogo de futebol, como é sabido, profissão de maior risco do que para-quedista ou especialista em minas e armadilhas.
O defeito - admito - pode ser meu, de conhecer pouca gente no mundo, mas a verdade é que ainda não me deparei com uma senhora lavada em lágrimas porque o seu filho não passou no exame para um honroso e glorioso começo como árbitro das distritais.
Pelo contrário, conheço casos em que há miúdos que pedem ao pai e à mãe para se sentarem, porque têm uma coisa muito importante para lhes dizer. Os pais ficam lívidos, assustam-se muito, não sabem o que pensar daquela solenidade, ficam muito quietos e ouvem com a maior atenção os seus filhos. E eles, sérios e directos, dizem: «Pai... Mãe... tenho pensado muito na minha vida e já decidi. Quero estudar para árbitro de futebol». Aí, a mãe sofre um desmaio, ou até mesmo um enfarte do miocárdio e, enquanto não acorda, o pai atira à cara do filho: «Estás doido! Antes me dissesses que querias ser assaltante de bancos ou que te ias casar com o solitário vizinho do primeiro andar. Estás parvo, ou quê? Árbitro de futebol? Mas tu endoideceste de vez?» Entretanto, a mãe acorda e além de repetir, com pouquíssimas variantes o que antes tinha sido dito pelo marido, acusa o filho de só lhe querer mal porque ele sabe bem o que toda a gente chama às mães dos árbitros.
Aliás, muito sinceramente, não entendo o que pode levar um homem, ou uma mulher, a quererem ser árbitros de futebol, em Portugal. Coveiro, prostituto, porteiro de discoteca, segurança do Professor Marcelo, carmelita descalça, político, enfim, são gostos estranhos, mas posso compreender. Árbitro de futebol, e ainda por cima, em Portugal, não.
Para mais, agora, que ser árbitro até já pode ser uma profissão de escolha livre. Eu pensava que só podia ser uma condenação e  nunca escolha. Alguém cometia um crime, ia não sei quantos anos para a prisão ou, em alternativa, cumpriria a pena como árbitro de futebol. Mesmo assim, a pena mais pesada não deveria ultrapassar os dez anos de árbitro. Sempre há a questão dos direitos humanos...

As tragédias e os culpados
Certamente com as melhores das intenções, o líder dos super-dragões alertou para a hipótese de «poder acontecer uma tragédia no futebol», porque os adeptos não aguentam ver o seu clube se prejudicado num jogo de futebol. Aliás, quando os prejuízos se acumulam, segundo o líder da claque portista, «é impossível conter a revolta». Daí à tragédia, é, pois, um passo pequenino. E o chefe da claque acusa: «Depois sempre quero ver quem assume as responsabilidades». Pelos vistos, o autor do acto tresloucado é que não.

E o Governo pede 'fair play'?
Os árbitros, e as suas famílias, são ameaçados de morte, magotes desesperados de jogadores, dirigentes, médicos, treinadores, desesperam por não conseguirem devida e justamente apertar a garganta ao árbitro que assinalou penalty, nos jornais, nas rádios, nas televisões, lê-se, ouve-se e vê-se o crescente do discurso degradante e irresponsável, a polícia apressa-se a reunir-se para medidas excepcionais de segurança nos estádios de futebol, a guerra está instalada, o fogo arde sem controlo. E um secretário de Estado pode «fair play»."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Por acaso não é verdade... existem várias famílias de árbitros em Portugal que atravessam várias gerações: Paraty, Soares Dias, Costa, Benquerença, Azevedo... o árbitro do jogo de hoje, Nuno Almeida, também vem de uma família de árbitros. entre muitos outros...

Sem medo mas muito sozinhos

"Há, finalmente, alguém que parece preocupado com o inadmissível ambiente que se gerou em torno da arbitragem. A PSP anunciou o reforço das medidas de segurança dos árbitros e das suas famílias como forma de prevenir males maiores - uma tragédia, como alguém se atreveu a verbalizar. É uma vergonha o estado a que chegou o futebol português. Um árbitro escoltado pelas autoridades para abandonar em segurança um relvado, outro ameaçado por membros de uma claque e toda a gente - a não ser os que representam a classe e agora a polícia - a assobiar para o lado, como se nada tivessem a ver com o assunto.
O FC Porto, quase 24 horas depois, veio condenar todo e qualquer tipo de violência. Fica bem, mais vale tarde do que nunca. De resto, silêncio. Veja-se a Liga, por acaso presidida por um ex-árbitro: já se passaram dois dias e zero. Nem um simples apelo à calma, como se entendesse nada ter a ver com o assunto; como se os clubes que representa não fossem também culpados do que se passa; como se a Taça da Liga (que esteve na origem dos últimos incidentes) não fosse por si organizada. Também por ali os árbitros (ou quem os nomeia, como queiram) parecem ser vistos como responsáveis únicos pelo caos e devem agora resolver o problema... O presidente da Conselho de Arbitragem da FPF disse ontem, no final do encontro com a policia, que os árbitros não têm medo. Talvez não tenham. Mas devem sentir-se muito sozinhos...
PS - Hoje volta o campeonato. O Benfica joga em Guimarães e o FC Porto em Paços. Que no final do dia se fale apenas de futebol."

Ricardo Quaresma, in A Bola

O número da verdade

"I. Não ignoro haver quem julgue que os filósofos são pessoas que procuram soluções para problemas que não existem. Como também há quem pense que existem problemas sem solução. Pessoalmente, prefiro acreditar que todos os problemas comportam uma solução, embora por vezes aqueles possam ser preferíveis a esta. Aliás, foi precisamente um filósofo quem inventou um processo para ensaiar a demonstração probatória da existência de verdades absolutas. Chama-se dúvida metódica. Ou método cartesiano. Mas não foi este quem ouviu dos habitantes de um ilha perdida a garantia de que por lá não havia canibais pois tinham comido o último.
II. Muita gente envolta nos meios desportivos, desde dirigentes a simples adeptos, passando por atletas, independentemente da modalidade, está unida por uma pouco secreta mas quase imperceptível pertença comum. Como se fosse parte integrante de uma confraria oculta. Aquela que sempre descortina em cada erro alheio, seja ele real ou imaginário, uma suspeição. Por vezes não é claro se os seus membros apreciam mais a própria vitimização ou se preferem uma teoria de conspiração como chave universal para a explicação dos males do mundo. É verdade que até matemáticos defendem que não há nada mais prático do que uma teoria, mas continuo a pensar que, em regra, os oráculos das teorias da conspiração não são suficientemente bons para poderem ser assim tão maus.
III. O que fica dito não é exclusivo do desporto, pois o mesmo vale também para outros domínios, como a arte ou a economia. Já para não falar da política. Posto isto, talvez valha a pena voltar ao princípio dos princípios: no futebol, o mais importante é o número 121 (=11x11)."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Problema lógico

"As queixas das arbitragens não são modernice. Toda a gente já se lamuriou assim. Que dizia o Benfica quando o FC Porto foi campeão pelas últimas vezes? Declarava: «Titulo do FCP é tributo dos árbitros» e «a classificação está aldrabada».
O que é novidade é a universalidade e a simultaneidade. Ou seja, tanto o Sporting como o FC Porto assumiram, agora, a fatalidade de terem de lutar sempre «contra tudo e contra todos». É um comportamento repetido em Alvalade e, também, pelo presidente e treinador portistas - Nuno Espírito Santo usou mesmo, no passado 3 de Janeiro, a expressão «vencer contra tudo e contra todos».
Ora bem, esta é uma questão de lógica que, arrisco, recomenda a análise de preposições que, na verdade, me parecem mutuamente exclusivas. Só poderemos perceber o lado paradoxal da questão com a ajuda de silogismos, que são precisamente raciocínios dedutivos que analisam duas premissas para concluir outra respeitando regras matemáticas.
Vejamos: se a primeira premissa é O FC Porto é sempre prejudicado por todos e a segunda é O Sporting é sempre prejudicado por todos, não é possível concluir algo válido. Mas, antes, consideremos um exemplo talvez mais simples de silogismo inválido:
Todos os pintores são humanos.
Todos os actores são humanos.
Logo, todos os pintores são actores.
Não faz sentido. Assim, como conclusão também inválida teríamos:
O FC Porto é sempre
prejudicado por todos.
O Sporting é sempre
prejudicado por todos.
Logo, o FC Porto é o Sporting.
Não faz sentido. Simplificando, se tudo e todos estão contra um, tudo e todos não podem estar contra outro."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

PS: Lá está, mais uma vez, a critica ao momento actual, dando sempre uma 'bicada' no passado do Benfica!!!
Repito, não existe qualquer comparação entre o actual momento da arbitragem e os momentos trágicos dos anos 80 e 90, nem dos tempos em volta do Apito Dourado... e recordo que o Apito Dourado, não acabou com a acusação do MP, porque muitos dos actores principais continuaram a apitar por várias épocas...
Nessa altura, mais do que os prejudicados, havia um beneficiado, sempre... sempre... algo que não acontece hoje. Pelas minhas contas são 10 penalty's, 1 golo mal anulado e 1 golo irregular sofrido pelo Benfica, nestas primeiras 16 jornadas... o ano passado fomos campeões com 15 penalty's que ficaram por marcar... Isto, não acontecia com os Corruptos, nos tempos onde o Benfica tinha um discurso agressivo sobre as arbitragens...
Além disso, esse discurso era normalmente assumido pelos adeptos, foram poucos os dirigentes (ou funcionários) do Benfica que falaram destes assuntos... e num registo completamente diferente daquilo que se passa hoje... e espectáculos como assistimos em Setúbal, com jogadores, treinadores e dirigentes a 'cercar' o árbitro (árbitro esse que foi escoltado até ao balneário)... não me recordo de acontecer em jogos do Benfica...!!!

Tudo menos de penálti, por favor

"Os sinais de que a recuperação de Jonas não tardaria em fazê-lo regressar ao seu posto de titular na equipa do Benfica trouxeram a primeira preocupação de 2017. Sim , soa a absurdo. Mas não é, como terão ocasião de entender. Voltando Jonas voltariam, mais cedo ou mais tarde, os golos de Jonas e a dificuldade maior seria a chegada do primeiro golo do avançado brasileiro, esse por quem a Luz se apaixonou, depois de uma ausência de meses e de agouros inusitados sobre o estado da sua saúde. Por tudo isto seria óptimo que Jonas marcasse um golo rapidamente para acreditar em si próprio e validar a alta médica que lhe foi concedida. E não podia ser um golo qualquer, teria de ser um golo à altura do talento do artista. A primeira preocupação de 2017 foi, justamente, essa. Com que golo vai Jonas voltar a encantar-nos e a tomar conta do seu lugar? E se Rui Vitória lhe confiar a cobrança de uma grande penalidade e se ele falhar, como reagirá Jonas anímicamente a esse desgosto?
Regressar aos golos com um golo de penálti, não sendo épico, não é desconsideração para ninguém mas desperdiçar um pontapé de 11 metros depois de tão longa ausência poderia produzir efeitos nocivos para a moralização do jogador e para o processo de reintegração na equipa. E isto era francamente preocupante. Portanto nada de penáltis a favor do Benfica era o que se pretendia para a noite de terça-feira no Estádio da Luz. E assim mesmo entendeu o árbitro da partida, que fez vista grossa a uma belíssima infracção cometida por um vizelense na sua área quando o resultado estava ainda num 0-0 motivador para a verdade desportiva.
Em resumo, com a colaboração do árbitro correu tudo bem a Jonas e ao Benfica na noite de terça feira passada. Para proteger Jonas da angústia perante o castigo máximo o árbitro - benfiquista dos sete costados - decidiu que não houve falta mas o Benfica acabou por golear o Vizela sem precisar do tal penálti para nada e Jonas, para quem marcar um penálti é coisa pouca, voltaria aos golos com um pontapé soberbo na execução de um livre direto apontado a uma distância considerável da baliza do adversário. Depois ainda marcou um segundo golo numa cabeçada categórica dando o melhor seguimento a uma bola cruzada por um outro rapaz que por lá anda agora e se chama Zivkovic e que, se calhar, voltaremos a ver em ação hoje em Guimarães. É que também merece."

#Árbitros. Uma bala para o homem do apito

"Em Portugal, a arbitragem é o bode expiatório dos insucessos no futebol. Somos todos cúmplices deste ambiente de terror

Não é fácil a vida de um árbitro em Portugal. Agora foi o Artur Soares Dias, 37 anos, o melhor árbitro português da actualidade: esta quinta-feira, enquanto se preparava para o jogo entre o Paços de Ferreira e o FC Porto, terá sido ameaçado por dois alegados elementos dos Super Dragões, claque afeicta ao FC Porto. Antes tinha sido o Pedro Proença, hoje presidente da Liga, melhor árbitro português de todos os tempos, agredido à cabeçada por um adepto do Benfica no Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Antes tinha também sido o Manuel Mota, que viu os talhos de que é proprietário vandalizados com frases como "Se os mouros ganharem, para ti e para a tua família uma bala deve chegar". E o Duarte Gomes, alvo de ameaças quando estava acompanhado da filha de três anos. E o João Capela, que teve de chamar a PSP depois de ser incomodado por adeptos do FC Porto enquanto jantava com a sua equipa no Funchal. E ainda o Jorge Sousa, aterrorizado durante meses por adeptos do Benfica.
Esta é só a ponta do icebergue. A lista de árbitros alvo de pressões, injúrias e ameaças é extensa e o fenómeno repete-se todas as semanas, de norte a sul do país, nas divisões profissionais e nas amadoras. Os árbitros de futebol são, em Portugal, o bode expiatório para todos os insucessos. Erram, e vão continuar a errar, porque são humanos – mesmo as máquinas errariam. Mas porque há de um árbitro ser mais escrutinado e mais penalizado do que o jogador que falha um golo fácil ou o guarda-redes que não segura um remate inofensivo? Porque há de ser o álibi das más decisões dos treinadores? Porque há de desviar as atenções dos fracassos dos dirigentes?
Bastaria o Bryan Ruiz não ter desperdiçado de forma inacreditável aquele golo no Sporting-Benfica da época passada e os de Alvalade seriam agora campeões nacionais, 14 anos depois do último título. Houve, por causa desse falhanço, alguém que ameaçasse a integridade física do jogador? Ainda esta quarta-feira, em Setúbal, André, avançado brasileiro do Sporting, falhou dois golos cantados, um dos quais com a baliza deserta. Se tivesse marcado um deles a equipa não estaria agora a lamentar o penálti assinalado no último sopro do encontro e que tanta polémica gerou. Parece existir mesmo um toque de Douglas no avançado Edinho, embora o lance não seja tão inequívoco como o puxão de Coates dentro da área do Sporting, aos 72 minutos, que daria um penálti para os sadinos. No futebol português, a honestidade intelectual é uma treta.
Nesta história não há inocentes: os três "grandes" têm todos responsabilidades no clima de terror que se criou em redor dos árbitros, embora sejam hoje as lamúrias de FC Porto e Sporting aquelas que se fazem ouvir com mais frequência. Esta época os lamentos começaram cedo. Logo à segunda jornada, depois do Benfica empatar em casa com o Vitória de Setúbal, Luís Filipe Vieira não calou a revolta com a arbitragem quando se encontrava na tribuna presidencial da Luz. Acabou punido com 60 dias de suspensão, pena que foi depois suspensa pelo Tribunal Arbitral do Desporto. Estávamos em agosto e Bruno de Carvalho, que tinha sido um crítico acérrimo do anterior Conselho de Arbitragem, liderado por Vítor Pereira, enchia-se então de elogios ao novo responsável, Fontelas Gomes. Parece ter passado uma eternidade, mas foi há cinco meses.
Quando, uma semana depois do empate do Benfica, o Sporting recebeu e venceu o FC Porto, foram os "dragões" a torcer o nariz aos homens do apito. Iniciavam então uma estratégia que não era nova e que tinha sido já testada – sem grande sucesso – durante a passagem de Julen Lopetegui pela Invicta: a cada semana que passa, as atenções viram-se para os árbitros, para, por um lado, condicionar a actuação destes, e, por outro, lançar cortinas de fumo para os eventuais insucessos da equipa. Na newsletter “Dragões Diário” vai-se fazendo a contabilidade dos penáltis que o clube considera não terem sido assinalados, alguns deles imaginados, outros sem qualquer influência no resultado. Esta quinta-feira, na antena da TSF, o director de comunicação dos "dragões", Francisco Marques, deu um passo em frente: defendeu que a culpa de todos os males do FC Porto era do Benfica, "a eminência parda" que exerce poder sobre os árbitros. Uma declaração destas seria impossível no pré-"Apito Dourado", quando Marques era jornalista e outras eminências dominavam o futebol, e a arbitragem, em Portugal.
Sem surpresa, em Alvalade, a lua de mel com os árbitros durou até os primeiros desaires surgirem, que é o mesmo que dizer que durou pouco. O Sporting chega a Janeiro tendo vencido apenas metade dos jogos que disputou se forem descontados os três com equipas de escalões inferiores (Famalicão e Praiense para a Taça de Portugal, Varzim para a Taça da Liga), o que contrasta com os mais de 80% de vitórias do Benfica em 2016 (91% nas competições nacionais), o melhor aproveitamento de toda a Europa. Está em quarto lugar do campeonato, a 8 pontos dos rivais da Segunda Circular, ficou fora das competições europeias depois do desaire com o modesto Légia de Varsóvia, e foi eliminado da Taça da Liga pelo Vitória de Setúbal. O que fez Bruno de Carvalho? Primeiro, chamou de imediato dois jogadores que estavam emprestados ao Setúbal, uma lamentável represália pela audácia que os sadinos tiveram em bater o pé aos leões. Depois, convocou uma reunião de direcção para discutir o estado da arbitragem em Portugal. Não consta que tenham discutido a dúzia de reforços contratados no verão, dos quais só Bas Dost se fixou na equipa titular. Alan Ruiz, a segunda contratação mais cara (8 milhões de euros), poderá estar de saída neste mercado de inverno, assim como Elias. Markovic, que brilhou há três épocas no Benfica, continua sem "explodir" como prometeu o presidente dos "leões".
Enquanto Pep Guardiola, um dos melhores treinadores do mundo, elogia o Benfica de Rui Vitória, considerando que este tem "a melhor organização defensiva da Europa", FC Porto e Sporting ensaiam uma narrativa pífia sobre o "polvo" que controla o futebol português. Só que essa narrativa não cola com os factos. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, é um antigo vice-presidente do FC Porto, e o presidente da Liga, Pedro Proença, foi apoiado por Pinto da Costa e Bruno de Carvalho (o Benfica apoiou o candidato derrotado, Luís Duque). Jorge Sousa, o árbitro do polémico Benfica-Sporting, de má memória para os sportinguistas, nunca gozou de grande simpatia na Luz e era o preferido de Bruno de Carvalho para aquele jogo, como o próprio viria a admitir. 
Depois da Luz, o Sporting perdeu em casa com o Braga, como já tinha perdido, menos de duas semanas antes, em Varsóvia. Três derrotas em 11 dias. Um mês antes, esteve quatro encontros sem somar uma vitória, incluindo empates com o Tondela, em casa, e o Nacional, na Madeira. Alguém se lembra quem eram os árbitros desses jogos?
É fácil perceber a quem interessa este ambiente de guerrilha que está criado em torno da arbitragem. Mas os clubes – os seus dirigentes, os treinadores, os jogadores – não são os únicos culpados. Somos todos nós, os cegos pela clubite que destilam ódio nas redes sociais, os jornalistas-adeptos com as suas crónicas medíocres sobre "colinhos", os comentadores televisivos que percebem pouco de futebol e menos ainda de arbitragem, os órgãos de comunicação social que escolhem o caminho mais irresponsável em favor das audiências. Somos todos cúmplices desta estratégia de terror e desta violência intolerável sobre os homens do apito.
Um dia ainda hão de matar um árbitro em Portugal. Então teremos todos as mãos manchadas de sangue."


PS: A forma como se mistura alhos com bogalhos neste País é extraordinária!!!
Misturar as declarações em privado do Presidente do Benfica, com todas as declarações públicas do Babalu e do Pintinho (e restantes papagaios...) é inacreditável... Misturar as criticas de todos os Benfiquistas no pré-Apito Dourado (processo que acabou por provou a nossa razão), com as actuais campanhas de comunicação é inacreditável... E sim houve um Benfiquista que partiu os dentes ao actual Presidente da Liga, mas não me recordo de perseguições de Benfiquistas a Jorge Sousa (além das redes sociais...), agora lembro-me de uma 'espera' ao Jorge Sousa, em sua casa, após um Leiria-Benfica, por parte dos Super-Dragays...
Esta incapacidade de criticar os actuais acontecimentos, sem ir buscar histórias fora de contexto ao passado, demonstra acima de tudo falta de coragem...

Uma Semana do Melhor... com uma Lança!!!

Jogo Limpo... arranque 2017!!!

As senhoras, os senhores e o senhor árbitro

"Artur Soares Dias é filho de Manuel Soares Dias, e os nomes importam porque Artur decidiu que seria árbitro no dia em que viu Manuel a apitar um jogo no Estádio da Luz. Ele tinha 16 anos e fez o que muitos adolescentes fazem — ignorou os conselhos do pai. Artur tirou o curso de Gestão de Recursos Humanos no ISLA e o MBA na Lusíada e ainda trabalhou na fábrica Faurecia, de São João da Madeira, e na Portucel, em Viana de Castelo, como mandavam as regras. Mas pelo caminho fez o que mais queria: meteu os papéis, estudou as leis, percorreu os escalões todos e tornou-se profissional do apito.
Hoje, Artur Soares Dias é um dos melhores árbitros portugueses, talvez mesmo o melhor, e já poucos veem o pai quando olham para o filho. Anteontem, Artur Soares Dias, que é pai de dois filhos, foi ameaçado de morte por elementos de uma claque, e a cena aconteceu no lugar oficial para os árbitros oficiais, na Maia. Os dois homens ter-lhe-ão dito para andar na linha e para se portar bem no próximo jogo; se não o fizesse, já sabia o que o esperava. Foi o momento mais estúpido e violento de uma semana que, pensando bem, não foi assim tão anormal, porque esta indústria já nos habituou à violência e à estupidez das palavras e dos actos.
A indústria chama-se futebol tuga e anda há anos embrulhada com uma palavra na sua psique: o árbitro. Consciente e/ou inconscientemente, todos os problemas dos nossos campeonatos começam, perduram e acabam na arbitragem. Ou seja, diz a teoria que a culpa é sempre do homem do apito, que é incompetente, permeável, corruptível ou apenas manipulável, dentro de um sistema montado por um determinado clube num determinado período de tempo. Tem de ser um poder finito, porque o controlo muda de mãos, a bem de uma estranha noção de democracia — toda a gente tem direito ao seu quinhão.
No entanto, e por mais rebuscado que isto soe, os teóricos da conspiração têm o seu quê de razão, sobretudo quando se deixam de conspirações e falam de incompetência. De alguma incompetência, que existe e foi evidente nos jogos Moreirense-FC Porto e Vitória de Setúbal-Sporting e que resultaram no afastamento dos dois clubes ‘grandes’ da Taça da Liga. Há um penálti não assinalado sobre André e ninguém entende a expulsão de Danilo, em Moreira de Cónegos; e há um penálti assinalado sobre Edinho que é discutível, em Setúbal. Luís Godinho e Rui Oliveira, os árbitros, tinham pouca ou nenhuma experiência em jogos disputados por FC Porto, Sporting ou Benfica, que são sempre diferentes dos outros, e isso terá feito a diferença. Porque toda a gente os vê e discute na televisão e nas redes sociais, mas também no café, no restaurante, no bar e no talho da esquina — o círculo em que os cidadãos normais se movem.
Apitar um ‘grande’ é uma enorme pressão, e Godinho e Oliveira não foram capazes de a suster, fizeram asneira e foram criticados e insultados dentro de campo; fora dele, as máquinas de comunicação de FC Porto e Sporting logo os responsabilizaram pelo afastamento de ambos da Taça da Liga. Luís Godinho e Rui Oliveira, para o FCP e o SCP, tinham-se tornado o último exemplo de como o Benfica controla a arbitragem. O que portistas e sportinguistas não fizeram foi assumir os erros tácticos e técnicos de Nuno Espírito Santo e de Jorge Jesus, os falhanços no reforço dos plantéis e, fundamentalmente, o jogo vazio e frágil das suas equipas contra adversários mais fracos sob qualquer ponto de vista. Todo e qualquer ponto de vista.
Isto não é um defeito do Sporting ou do FC Porto, mas dos clubes portugueses. Aliás, isto faz parte do feitio português, que até tem expressões catitas para a desresponsabilização, como tirar o cavalinho da chuva ou sacudir a água do capote. É fácil culpar os árbitros porque são o elemento mais fraco da cadeia alimentar. É fácil culpar os árbitros porque há antecedentes, como o Calabote ou o ‘Apito Dourado’, que não trouxeram consequências sérias para ninguém e deixaram no ar a ideia de que tudo é possível e permitido no futebol português. E é fácil culpar os árbitros porque Portugal aceitou há muito que a corrupção, a chico-espertice e a intrujice fazem parte da nossa sociedade, fazendo delas uma banalidade — e, já que assim é, passa-se ao bode expiatório seguinte.
O difícil é ser racional e agir em conformidade com uma indústria que evoluiu dos caciques e da traulitada para estruturas formadas por gente especializada e profissional e que produziu a melhor selecção da Europa.
Partamos de dois princípios saudáveis: os árbitros profissionais não são corruptos porque são pagos para trabalhar; errar é humano, e por isso é impossível eliminar o erro mesmo com toda a parafernália tecnológica que por aí anda. É que o videoárbitro funcionará nos enganos mais estapafúrdios, mas aquele instante em que se mete a subjectividade da intenção e da intensidade será sempre insolúvel. Talvez — talvez — o problema esteja no próprio jogo.
Não façamos confusões: os árbitros também falham no râguebi, no basquetebol, no voleibol e no andebol, mas estes são desportos colectivos com elevadas pontuações: 23-19, 120-110, 21-18 ou 23-20. Ou seja, raramente um encontro destes se resolve num lance, porque houve muitos pontos marcados antes do último segundo. No futebol, não.
No futebol, há jogos — demasiados jogos até — que acabam a zero, porque é possível jogar desde o primeiro minuto para o empate, queimando tempo, simulando faltas, pondo o autocarro à frente da baliza. O tempo para atacar e defender é ilimitado e as substituições estão limitadas a três; e o golo é uma preciosidade e em certas ocasiões uma raridade. E assim se alimenta a frustração de quem perde, porque a génese do jogo aumenta a possibilidade de uma competição poder ser decidida num erro de cálculo — não nos podemos esquecer que um dos golos mais marcantes da história do futebol foi marcado com a mão, nos quartos de final de um Mundial e por um futebolista que se tornou um ícone pelo golo que marcou logo a seguir nesse mesmo jogo.
Isto é futebol."


PS: O jornalista em causa, é Sportinguista, não levo isso a mal, agora continuar a afirmar que o penalty sobre o Edinho em Setúbal é 'duvidoso', é demasiado patético...!!!
Misturar o Apito Dourado, com Calabote, demonstra uma gigantesca ignorância... habitual no discurso anti-Benfiquista!!!
O difícil é esta gente toda admitir que o actual discurso dos Corruptos e do Sporting, é uma 'cópia' mal feita do discurso do Benfica durante muitos anos no período pré-Apito Dourado, com uma gigantesca diferença: é que antes, havia demasiadas 'pistas', impossíveis de ignorar, que havia mesmo uma Mafia a mandar nos resultados do futebol português; hoje, nada disso acontece... as pessoas são quase todas diferentes, e os erros, atingem todos os Clubes... basta ver com olhos de ver os jogos do Benfica, e a forma como os nossos adversários não são punidos disciplinarmente, para verificar que não existe qualquer semelhança entre a arbitragem de hoje, com a arbitragem do Apito Dourado... onde os Corruptos viviam em total impunidade!
Mas isto é impossível de ser escrito por um Lagarto ou Corrupto...

Benfiquismo (CCCXL)

Recordam-se?!

Competência

"O ano começou muito bem. O Benfica, escandalosamente prejudicado (penalty por assinalar e golo mal anulado) por um árbitro com um historial preocupante, goleou o Vizela por 4-0. A isto chama-se competência. FC Porto e Sporting queriam muito estar na final four da Taça da Liga, mas foram muito incompetentes. Neste momento, o Benfica está muito longe de ter assegurada a passagem à fase final da prova, mas já assegurou, por mais um ano, que continua a ser o único clube que venceu todas as provas em Portugal. No caso do V. Setúbal - Sporting até se pode dizer que venceu o emblema com mais prestígio e melhor histórico na competição. Para o Sporting, tentar não perder com Adrien Silva no banco e André em campo é uma alquimia que tange a impossibilidade. O FC Porto precisava de ganhar por muitos, mas só conseguiu perder por poucos. Mas não quero entrar muito pelas desgraças dos rivais, antes me preocupa encontrar a nossa ventura. Continuamos a equipa mais prejudicada pelas arbitragens, a mais atacada, a que beneficiou de menos penalties dos cinco melhores emblemas, mas, ainda assim, aquela que dentro de campo melhor tem sabido dobrar as tormentas.
Vamos a Guimarães duas vezes jogar o nosso futuro. Pedro Martins (amigo de há 20 anos) é um excelente técnico. Foi bom no Marítimo, foi muito bom em Vila do Conde e está a fazer um excelente trabalho na cidade berço. Vai ser muito difícil o jogo de sábado. E como já mostraram Moreirense e V. Setúbal será também muito dura a prova de terça-feira, caso o Benfica não perceba os alçapões do jogo. Rui Vitória costuma ser um seguro de vida nestas ocasiões, geralmente não facilita, e liga os alertas competitivos em linha com a grandeza do Benfica. Neste momento o Benfica está em todas as frentes, outros haverá que vão estar muitas vezes em frente à televisão a ver o Benfica jogar. Mas não ganhámos (quase) nada. Assim é melhor, paguei as minhas quotas ontem, e achei barato para tantas alegrias."

Sìlvio Cervan, in A Bola

PS: Vamos ajudar o nosso consócio Cervan, e vamos 'somar' os prejuízos do Benfica, no Campeonato, esta época:
2.ª jornada Setúbal(c): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; e sofremos um golo ilegal: -2 pontos!
4.ª jornada Arouca(f): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; e técnico e 1 penalty descarado não assinalado sobre o Rafa
5.ª jornada Braga(c): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; e penalty descarado sobre o Pizzi
6.ª jornada Chaves(f): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; golo mal anulado ao Mitro
7.ª jornada Feirense(c): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; penalty sobre o Carrillo
10.ª jornada Corruptos(f): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; não expulsão do Filipe e do Otávio
11.ª jornada Moreirense(c): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; agressão ao Salvio impune...
12.ª jornada Marítimo(f): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; 4 penalty's (Nelsinho, Luisão, Pizzi, Salvio) e várias expulsões perdoadas...: - 3 pontos.
13.ª jornada Sporting(c): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar...
14.ª jornada Estoril(f): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; 3 penalty's (Almeida, Cervi, Jiménez) por assinalar...; vários foras-de-jogo não assinalados ao ataque do Estoril, em jogadas de perigo.
15.ª jornada Rio Ave(c): Altamente prejudicados no capitulo disciplinar; 3 penalty's (Guedes(2), Luisão)...
Conclusão: O critério disciplinar tem sido a principal arma contra o Benfica, praticamente nenhum adversário do Benfica leva Amarelo antes do minuto 60...; não beneficiámos de nenhuma expulsão; somos a equipa dos 'grandes' com menos penalty's a favor; e não nos marcaram pelo menos 10 penalty's (e não estamos a falar dos penalty's frutados que os Corruptos se queixam, após os mergulhos do André Silva... estes foram mesmo penalty!!!). Curioso que estes 10 penalty's aconteceram 'somente' em 6 jogos...

Líder

Tanta gente com microfone à frente... e é preciso um telespectador para explicar tudo !!!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Venha a vitória!

"Amanhã, às 18h15, a equipa de futebol tricampeã nacional entra em campo no estádio do Vitória Sport Club, em Guimarães. São três pontos que estão em jogo, mas é muito mais do que isso. Uma vitória do Minho significa menos um obstáculo perigoso no caminho. Ganhar ao Vitória SC é colocar uma pedra ainda mais pesada nas costas dos terceiro e quarto classificados:
- O SC Braga vai à Madeira testar o novo CD Nacional e o Sporting CP recebe o incómodo CD Feirense. Derrotar a equipa de Pedro Martins é pressionar o segundo classificado, FC Porto, que tem uma curta deslocação a Paços de Ferreira.
É isto que o SL Benfica precisa: ganhar e manter a pressão nos clubes que estão abaixo na classificação. O fim de 2016 e o início de 2017 trouxeram emoções na Taça da Liga - agora CTT - com jovens jogadores e aproveitarem as oportunidades, mas com o Vitória SC tudo será mais complicado. A receita é simples e a de sempre: fatos-de-macaco, porque as Festas terminaram a 1 de Janeiro. Depois dos mais de 80% de vitórias no ano civil de 2016 - números históricos para o clube -, o SL Benfica tem de continuar a trabalhar da mesma forma. Com respeito, eficácia e sem dar ouvidos ao ladrar e uivar constante que se ouve quando a caravana vermelha passa.
Um bom ano pessoal e desportivo é o que vos desejo. Com uma boa vitória para o campeonato, para que nunca percamos este saudável hábito de triunfar."

Ricardo Santos, in O Benfica

Todos pelo Tetra

"Tetra. Tetra. Tetra. Tetra!
Diga-se quatro vezes, ou as que forem necessárias, para que fique bem vincada a mãe de todas as prioridades do Benfica no ano que agora se inicia.
É verdade: queremos também outras coisas.
Queremos voltar ao Jamor, e erguer a Taça de Portugal. Queremos mais uma Taça da Liga. Queremos, depois, a Supertaça.
Queremos, se possível, repetir a brilhante participação da última Champions, ou inclusive (quem sabe?) melhorá-la.
Queremos, pelo menos, três Campeonatos nacionais nas cinco modalidades de pavilhão. E mais alguns troféus para acrescentar. Queremos, até, uma final europeia numa delas (Hóquei? Voleibol?), ou mesmo um título.
Queremos ver o Passivo reduzido - um dos desígnios da reconduzida Direcção, e uma necessidade face aos tempos que se avizinham.
Queremos potenciar ainda mais os frutos que a árvore do Seixal vai brotando. Queremos valorizar o nosso plantel, e aproveitar as boas oportunidades de mercado, mantendo a elevadíssima qualidade da equipa.
Queremos encher o Estádio a cada jornada, e queremos que mais sócios se juntem a esta grande família.
Tudo isto é muito. Mas tudo isto será pouco se, em Maio, não estivermos no Marquês. Até porque, se não formos nós a festejar, outros o irão fazer.
Será então, nessa noite de Primavera, que se avaliará, em larga medida, o 2017 do nosso Clube. E até lá, é em 19 jogos, 1710 minutos de futebol, e muitas horas de treino, que se define tudo.
Tetra. Repetimos uma vez mais. Repetiremos sempre. Todos os dias. Todas as horas. Todos os momentos. Até lá chegarmos.
É de História que se trata. E vamos certamente escrevê-la."

Luís Fialho, in O Benfica

Centésima crónica

"É com enorme orgulho que vejo ser publicada a minha centésima crónica no jornal O Benfica, tarefa a que me tenho dedicado com paixão e zelo, sempre no que entendo ser a defesa do Sport Lisboa e Benfica.
Recuo trinta anos e recordo-me de um fim de tarde passado num café situado em Campo de Ourique. Entre os convivas constava um tal de Paulino Gomes Júnior, a quem o meu pai dedicava especial reverência. 'Este senhor escreveu a 'Ser Benfiquista' e foi director do jornal do Benfica muitos anos'.
Mais que a letra da famosa canção ao cargo exercício no jornal que me serviu de atestado de benfiquismo e garante de respeitabilidade merecidos pelo 'velhote' que acabara de ir à sua vida.
Não exagerei certamente ao afirmar que foi com o nosso jornal que aprendi a ler e me começou a despertar a curiosidade por conhecer tudo o que envolve o nosso Clube. As  secções 'Tome nota', que era uma espécie de agenda do fim-de-semana seguinte, «Cacharolete de notícias', dedicada a informações diversas, ou a tabelas com os resultados das equipas de todas modalidades e escalões, eram as que mais interesse me suscitavam, pois permitiam-me entender a grandiosidade do Benfica. O Sport Lisboa e Benfica é imenso e fascinante e percebi-o, graças ao nosso jornal, desde muito cedo. Mudam-se os tempos, perduram as vontades. 'O Benfica' continua a servir o nosso Clube, resistindo aos ciclos noticiosos vorazes, que exigem uma actualização permanente da informação. Servirá, no mínimo, de arquivo futuro. Aliás, sem O Benfica não teria sido capaz de escrever a biografia do Carlos Lisboa ou o 'Assim se fez glorioso'. Obrigado!"

João Tomaz, in O Benfica

Alguém faz um ponto de ordem?

"As eliminações de FC Porto e Sporting da final four da Taça da Liga, com ambos os clubes a clamarem contra a arbitragem, fizeram accionar os planos de contingência do futebol português e levaram a que o Conselho de Arbitragem (CA) da FPF convocasse uma reunião de emergência com os clubes para o início da próxima semana. Ao mesmo tempo, uma acção de intimidação ao árbitro Artur Soares Dias, nomeado para o Paços de Ferreira - FC Porto do próximo sábado, deixou a classe dos árbitros à beira de um ataque de nervos e está a provocar ondas de choque com consequências ainda por determinar. Estamos perante uma situação altamente preocupante, que não será bem avaliada através de uma qualquer óptica maniqueísta. Por um lado, há erros de árbitros evidentes e nomeações menos avisadas; por outro, há uma necessidade de explicar os insucessos sacudindo a água do capote para cima de arbitragem (FC Porto muito abaixo do exigível nos três jogos da Taça da Liga, acabando o grupo em último; e um Sporting de segundas linhas a mostrar pouquíssimo em Setúbal). Na síntese destas duas vertentes estará a explicação para o estado da nação.
E esta época até parecia começar tranquila, no Dragão e em Alvalade, depois da saída de Vítor Pereira da presidência do CA...
A 23 de Agosto, Pinto da Costa dizia que «a arbitragem vai ser discutida sempre que o Benfica não ganhar», enquanto que Bruno de Carvalho afirmava que «é evidente o esforço e o empenho dos árbitros de primeira categoria para, nas partidas a que foram chamados, fazerem boas exibições e actuarem de acordo com as regras»."

José Manuel Delgado, in A Bola

Lamento!

"Há muito tempo que não se via uma coisa assim; e nada justifica que se volte a ver o que muito se viu nos anos 80 e 90...

Quanto mais vejo as imagens do que se passou após o final do V. Setúbal - Sporting desta quarta-feira mais me custa vê-las. Perante a fúria de muitos dos profissionais do Sporting, a questão já não é a de se saber se o árbitro errou ou não errou; a questão é saber onde é que isto vai parar?!
Vamos por partes: é ou não é penalty de Douglas sobre Edinho? Pelo que se vê nas imagens, parece, realmente, haver penalty! Além da (evitável) carga pelas costas, Douglas toca ainda na perna direita do adversário. Falta assinalada num centésimo de segundo... sem sofá e, sobretudo, sem televisão.
Pode o Sporting sentir-se prejudicado por algumas outras decisões da equipa de arbitragem?
Pode!
E o V. Setúbal?
Também!
Equivocou-se o árbitro quanto ao autor da falta? Parece que sim. Não foi realmente, Coates mas sim Douglas quem fez a falta sobre Edinho. E é verdade que se viu o árbitro mostrar o amarelo a Coates e não se viu que tivesse mostrado, como devia, a Douglas.
Mas esse equívoco é acessório, não é o essencial. O essencial, no caso, seria saber se foi ou não penalty. E pareceu ou não pareceu ser penalty?
Na minha opinião, pareceu penalty. Mas haverá seguramente quem ache que não é.
Como acontece muitas vezes num jogo de futebol.
Mas mesmo admitindo que não foi penalty, pode um penalty justificar tanta cabeça perdida?
Já agora, e se o mesmo lance tivesse acontecido na área do V. Setúbal, se Edinho fosse Bas Dost e Douglas fosse, por exemplo, Frederico Venâncio, e o árbitro não assinalasse castigo máximo? Teria o Sporting concordado com a decisão? Ou reagiria como reagiu?
Muito provavelmente, reagiria como reagiu.
O árbitro cometeu erros no jogo por ser inexperiente? Não. O árbitro cometeu erros porque os árbitros erram. E vão errar sempre. Os piores árbitros vão sempre cometer mais erros mas não é por serem melhores que alguns vão deixar de errar. Nem por terem imagens televisivas. Porque mesmo com a televisão, haverá sempre quem ache que o lance do Bonfim foi penalty e quem ache que não foi.
Os árbitros inexperientes erram mais. E, nesse sentido, deveria evitar-se nomear os mais inexperientes para os jogos mais mediáticos, mais exigentes, sempre susceptíveis de se tornarem mais polémicos, como era o caso, porque podem, esses árbitros, tornar-se também mais vulneráveis. E não merecem ficar marcados por um jogo assim.
Mas os árbitros experientes também se enganam.
O Sporting queixa-se da nomeação do árbitro por ser inexperiente mas já se queixou de áribitros muito experientes. Queixou-se de Jorge Sousa, na Luz, por exemplo, e Jorge Jesus é hoje só o mais experiente árbitro português!

O Sporting queixa-se dos árbitros. Ponto. Não é por serem experientes ou inexperientes. É pelos erros que eventualmente cometem. Queixa-se o Sporting e queixam-se todos os outros clubes. Sobretudo os grandes, claro. Quando perdem!
Como o FC Porto. Que se tem queixado muito e continua a queixar-se, por exemplo, muito da arbitragem do Sporting-FC Porto... da qual o Sporting, naturalmente, não se queixa.

O Sporting começou, porém, a época a elogiar os árbitros. E as alegadas mudanças na arbitragem. Tal como o FC Porto. E com o Benfica a protestar pelo empate em casa com o V. Setúbal.
Com a frustração, aumenta agora o Sporting o tom das críticas. Ao ponto de perder a cabeça como perdeu no Bonfim.
Aumenta igualmente o tom das críticas o FC Porto mas pelo menos Nuno Espírito Santo tem sido um exemplo de serenidade, criticando correctamente o que lhe parece criticável mas não deixando, como não deixou esta semana, de reconhecer como o FC Porto não esteve, por exemplo, nada bem nesta edição da Taça da Liga.
Voltando ainda ao caso do Bonfim, podia o Sporting ter até absoluta razão no lance da grande penalidade assinalada a favor do Vitória de Setúbal que seria sempre lamentável o comportamento que se viu a muitos dos profissionais da equipa. Nada o justifica. Nada pode justificar ter de rodear a equipa de arbitragem e agentes de polícia.
Embora às vezes pareça, isto não é o terceiro mundo!
Nem é, com todo o respeito, a América latina, onde num instante desata tudo ao estalo dentro dos campos de futebol.
Pareceu o futebol português muito o terceiro mundo nas décadas de 80 e 90, quando um só clube ganhava mais do que todos os outros juntos e, mesmo com todos os inquestionáveis méritos, já impunha comportamentos inaceitáveis.
Foi assim durante anos e anos, quando muito poucos faziam mesmo muito o que queriam nos campos de futebol, pressionando, perseguindo, ameaçando e agredindo.
Mas há muito que isso tinha acabado. Há muito que não se via uma coisa assim, com gente de cabeça completamente perdida e quase ultrapassar o limite do tolerável, do qualificável e do compreensível.
Entende-se naturalmente a frustração e os nervos à flor da pele. Entende-se uma reacção mais a quente, um gesto menos medido, uma palavra menos reflectida. Entende-se tudo isso porque o futebol é realmente um jogo de paixões, de emoções, do coração na boca.
Mas é lamentável a fúria; e mais ainda a fúria colectiva. E descontrolada.
Bem mais controlado, desta vez, pareceu sempre o presidente Bruno de Carvalho. Estranhamente para alguns. Ou talvez não.
Talvez possa Bruno de Carvalho estar aos poucos a reconhecer que o Sporting não tem estado tão bem como gostaria... apesar dos erros dos árbitros e não apenas por causa dos erros dos árbitros.
Reconhecê-lo poderá ajudá-lo a dar um passo em frente.
Porque será reconhecer que o Sporting tem grandes desequilíbrios no plantel, que não tem jogadores em quantidade e qualidade para conseguir outro rendimento nas diferenças competições e que não tem sido, também por isso, capaz de jogar mais vezes esta época o fantástico futebol que jogou a época passada.
Se o reconhecer, talvez Bruno de Carvalho fique mais do lado da solução. E não o problema."

João Bonzinho, in A Bola

Parar e reflectir. Reflectir a sério

"O Governo não pode demitir-se da sua responsabilidade nesta matéria

Não posso dizer que esteja surpreendido. Há muito que se percebeu que o ambiente criado em torno das arbitragens conduziria, inevitavelmente, ao aumento de ameaças feitas a quem dirige jogos de futebol.
Não é de hoje, nem de ontem. Foi, ciclicamente, assim em muitos outros momentos.
O que mudou foram os meios de acesso que os tempos modernos facultam. Hoje está exponenciado, até ao limite do inimaginável, o acesso fácil e rápido a qualquer árbitro do país. A informação circula instantaneamente. Abundantemente. Excessivamente.
Toda a gente sabe quem são, onde vivem, onde trabalham, onde treinam e até mesmo, em que escolas estudam os seus filhos.
Emails, redes sociais, whatsapps, vibers, sms e afins são meros instrumentos ao dispor de quem tem por hobbie a difusão gratuita do pânico. São facilitadores de quem se entretém a ameaçar, amedrontar, fragilizar, perseguir, assustar.
A verdade é que, de há uns anos a esta parte, tem valido quase tudo: carros vandalizados, paredes pintadas, montras partidas, telefonemas a horas impróprias, dados pessoais divulgados na internet e até visitas de cortesia ao local de trabalho.
A culpa não pode morrer solteira e, quanto a mim, todos sem excepção têm a sua quota-parte de responsabilidade:
1 - Algumas arbitragens não têm sido felizes em momentos importantes das competições e isso é uma evidência que não pode nem deve ser branqueada. É algo que deve, inclusivamente, merecer reflexão profunda do sector. Há por ali pessoas muito sérias, competentes e capazes. Venham as medidas claras que mudem o rumo das coisas;
2 - O comportamento de alguns dirigentes tem ultrapassado os limites máximos da razoabilidade. Tem, sobretudo, contribuído para algumas reacções de ódio manifestadas por franja significativa de adeptos insatisfeitos;
3 - Parte da imprensa continua a ver nessa nuvem cinzenta uma excelente oportunidade de negócio, extravasando não raras vezes o seu dever de informar. Por muito que venda, fomentar o discurso de guerrilha e dar voz/protagonismo a quem quer poluir a opinião pública é prestar um mau serviço à classe e ao futebol.
4 - O Governo não pode demitir-se da sua responsabilidade nesta matéria, sobretudo quando em causa está, uma vez mais, a vida privada de cidadãos. Dos seus cidadãos. Já não se trata apenas de futebol.
5 - Os adeptos - em especial os que insultam  e ameaçam - são os menos culpados. Estão intoxicados, deixam-se manipular por algumas estratégias que, não raras vezes, só pretendem desviar atenções do essencial para o acessório.
Não tenho dúvidas. Este é, sem dúvida, o momento certo para reflexão profunda.
Depois do ruído que começou ligeiro e atingiu esta semana decibéis históricos, depois das incidências desportivas resvalarem, com tanta facilidade, para a segurança e integridade física de pessoas, não há que esperar mais.
Árbitros e a sua estrutura dirigente, responsáveis máximos do futebol, dirigentes desportivos, imprensa, Associações de Adeptos, Treinadores, Jogadores e a tutela deviam sentar-se, de imediato, à mesma mesa para discutir, de forma séria e definitiva, que cancro é este que parece metastizar-se ao segundo, rumo a uma morte anunciada.
E isso nós não queremos. Certo?"

Duarte Gomes, in A Bola

Crónica de uma morte anunciada

"Um grupo de malfeitores invadiu as instalações onde treinava o árbitro de futebol Artur Soares Dias, indigitado para dirigir o próximo jogo do Paços de Ferreira com o FC Porto, e ameaçou-o de morte, estendendo a ameaça aos elementos mais chegados da sua família.
Alguns dirão que se tratou, apenas, de uma forma mais teatral de pressão e de condicionamento do árbitro, por parte de uma claque organizada, que vive numa impunidade mais habitual em países terceiro-mundistas.
Soares Dias terá reconhecido os autores das ameaças como pertencentes a uma claque específica e certamente que os reconhecerá pessoalmente, se a polícia se interessar minimamente pelo caso e se preocupe, de facto, com este gravíssimo incidente de segurança pública.
Quem também não poderá continuar impávido e sereno é a Administração interna e o ministério público. Bem sei que lhes poderá parecer apenas uma guerra do futebol, mas será bom que as autoridades competentes metam na cabeça de que ou conseguem agir e fazer de Portugal um país que entende como fundamental a defesa dos seus cidadãos ou é melhor que se vão habituando à responsabilidade de uma futura morte anunciada."

Vítor Serpa, in A Bola

O último minuto

"Perder um jogo ou uma eliminatória no último minuto é uma sensação péssima. Nesta fase de grupos da Taça da Liga, o Vitória de Setúbal perdeu e venceu no último minuto. Na Póvoa de Varzim, perdeu no último lance do jogo, um livre lateral que resultou em golo, e esta semana venceu o Sporting com um penalty no último minuto. Duas sensações completamente opostas. Em ambas, o jogo acabou sem a bola vir ao centro do campo para o recomeço do jogo. Para uns é uma sensação de impotência, para outros uma alegria imensa. O jogo tem destas coisas, e como todos sabemos a maioria dos jogos decide-se na parte final. A concentração tem que ser total, mas o ideal é resolver tudo antes dos últimos minutos. Para mais quando o factor de desempate final é a idade dos jogadores.
Mas mais importante do que analisar isoladamente a parte final de um jogo, é fundamental perceber a nossa prestação durante todo o jogo. Na Póvoa falhámos várias possibilidades para marcar, inclusivamente bolas nos ferros, e fomos penalizados de forma dura. Em Setúbal fomos felizes, acreditámos que podíamos seguir em frente e acabámos por ter a sorte do jogo.
As decisões nos momentos finais acontecem em todas as competições e em todos os níveis, seja na Champions seja nas divisões inferiores. As razões são diversas, mas tornam-se comuns quando as equipas têm a dimensão de um grande clube. As análises também são diferentes consoante a dimensão das equipas, e como tal o nível de ruído torna-se mais elevado quando tal acontece com equipas de grande dimensão. Infelizmente, a questão é estrutural e pouco tem sido feito para alterá-la. Os concorrentes não têm o mesmo estatuto e como tal não lhes é tolerado o mesmo comportamento. Não é fácil estar em qualquer um dos lados. Mas devemos perceber que o sucesso de uma competição tem por base o equilíbrio entre os competidores.
Até ao último minuto."

José Couceiro, in A Bola

Aquecimento... falando de Futebol (coisa tão rara nos dias de hoje!!!)

Benfica, Sporting, FC Porto, Seleção: o que fica do ano que passou

"O ano acabou de começar agorinha mesmo, enquanto estava ali a beber aquela taça de champanhe, pelo que ainda está fresco: tão fresco como o ano velho que já lá vai. Ora por isso ainda pode ser tempo de balanços. Parece-me aliás uma altura perfeitamente razoável para fazer um balanço que não prometo que seja melhor ou pior do que os outros: mas é o meu balanço e gosto muito dele por isso. Vamos lá, antes que se perca a oportunidade? Vamos lá, então.

Positivo Benfica:
A capacidade de se reconstruir em torno da prata da casa. Admirável trabalho de Rui Vitória, aliás. Cortou com boa parte da herança de Jorge Jesus e reestruturou a equipa com miúdos como Renato Sanches, Nelson Semedo, Lindelof, Gonçalo Guedes, André Horta, mais Grimaldo, Cervi, Pizzi, enfim. Pelo caminho foi campeão. Chapeau.

Negativo  Benfica:
Não é fácil apontar pecados a uma equipa que venceu a Liga, a Taça da Liga, a Supertaça, chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões e repetiu depois disso a presença os oitavos. Talvez a tendência para as lesões, o que não abona muito a favor do Benfica Lab. É pouco? É sim senhor, é um negativo pequenino. Mas o ano do Benfica foi admirável.

Positivo Sporting:
A recuperação do entusiasmo. Os adeptos voltaram a sonhar, voltaram a encher-se de ilusão, voltaram a sorrir e a chorar, a festejar e a magoar-se. Voltaram enfim e sentir o clube, e esse foi o primeiro passo para resgatar a grandeza do clube. Sucessivas casas superiores a 40 mil espectadores são a prova de que o Sporting ainda tem muito para dar.

Negativo Sporting:
O clima de constante guerrilha. A inclinação para o queixume, para o ataque gratuito, para a suspeição foi um valente tiro nos pés: nos dois pés, aliás, distraiu o clube do essencial e encheu de força o Benfica, que se uniu e fortaleceu a cada ataque vindo de Alvalade. Que o Sporting insista neste equívoco, não é estranho: é puro masoquismo.

Positivo FC Porto:
André Silva, Diogo Jota e Rui Pedro vieram juntar-se a Ruben Neves, José Sá, Sérgio Oliveira, André André. O FC Porto redescobriu o jogador português, mas fez mais do que isso: redescobriu o jogador português com sotaque do norte, sangue nas veias e Porto no coração. Foi à custa de jogadores assim que o clube deu a curva no destino há trinta anos.

Negativo FC Porto:
A saída de Antero Henrique não significou apenas a perda de um elemento valioso: significou acima de tudo a destruição de uma estrutura que esteve por detrás dos maiores sucessos do clube. Uma estrutura que foi elogiada pela UEFA, que foi cobiçada pelos grandes europeus e que construiu um modelo de sucesso. Difícil de entender, portanto.

Positivo Futebol Nacional:
Paris, claro. Portugal no topo do mundo, a bandeira linda e imparável, o peito cheio de orgulho deste sentimento lusitano. Em França cumpriu-se Portugal, e só isso já seria suficiente para tornar este ano de 2016 inesquecível. Só aquele grito, só aquele punho cerrado, só aquele sorriso já valeu pelo ano todo. Fomos heróis. Fomos portugueses.

Negativo Futebol Nacional:
Doze chicotadas psicológicas, doze exemplos de amadorismo. Já é tempo dos dirigentes assumirem responsabilidades pelo insucesso do treinador que escolheram: sim, que eles estão a falhar tanto ou mais que os treinadores. Se por cada treinador despedido houvesse um dirigente que se demitisse, o futebol seria um lugar bem mais maduro e ponderado. 

Positivo Futebol Internacional:
Cristiano Ronaldo, pois claro. Campeão europeu de clubes, campeão europeu de selecções, campeão mundial de clubes, mais uma Bola de Ouro e provavelmente mais um FIFA World Player. A capacidade de Ronaldo rivalizar com um Deus do futebol como Messi, e com o talento insensato do argentino, só merece uma reacção: um aplauso sentido. 

Negativo Futebol Internacional:
O Manchester United acabou o ano com seis vitórias seguidas, mas nem assim conseguiu entrar nos lugares europeus. Depois de gastar 185 milhões de euros em jogadores, aos quais se juntam 150 milhões do ano anterior, é certo que o Man. United se tornou um caso bicudo: um excelente exemplo do que é uma péssima gestão. Um clube sem norte.mo."

Benfiquismo (CCCXXXIX)

1906

Em cima: António Couto, Albano dos Santos Emílio de Carvalho, Manuel Mora, Cosme Damião, Fortunato Levy.
Em baixo: Carlos França, António Rosa Rodrigues, Daniel Queiroz dos Santos, Cândido Rodrigues e Silvestre da Silva

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

'Aprendiz de feiticeiro'

" 'Dom Quixote de La Mancha' é uma obra de invocação recorrente quando se quer casos de graus de loucura extrema.

Um ano de vitória(s)
Neste primeiro artigo de 2017... relembrar, apenas, o desejo de repetir, no mínimo, o feito conseguido pelo Benfica no ano civil de 2016.
Um registo extraordinário de 44 vitórias, com a consequente conquista de títulos.
Para voltar a conseguir que este ano seja de monotonia...
Porque monotonia, neste caso, rima com vitórias do Benfica, pois então.
Monotonia no nome do vencedor de tudo o que há para disputar, em Portugal.
Como até aqui, ... de vitória em vitória!
E 2017 não poderia começar melhor, com uma vitória para a Taça CTT, frente ao Vizela.
Desse jogo de terça-feira passada, o regresso, em grande, de Jonas aos golos.
Sendo o seu primeiro golo, de levantar o estádio, através da marcação de livre directo, a 25 metros da baliza!!!
Pediu para marcar.. e marcou!
Desse jogo, ainda, a brilhante exibição de Zivkovic, com três assistências (em quatro golos)!
Para o resto da época (e ano civil), em todas as competições, espera-se que o Benfica não deixe cada adversário tornar o jogo difícil.
Fazendo o seu trajecto, seja ele qual for, e qual o caminho escolhido, em sentido único.
Um Benfica na sua máxima força.
Para que em cada jogo, em cada confronto, consigamos chegar - facilmente - à vantagem.
Resolvendo, o mais cedo possível, cada jogo.
Sem margem para dúvidas, como se do último jogo se tratasse.
Com a superioridade que se exige.
Segue-se o Guimarães... na cidade berço.
Lá estaremos, muitos, à Benfica (eu entre eles), para que não deixemos dúvidas sobre ao que vamos e o que queremos: o tetra!!!

«Um iluminado que se arvora em justiceiro»...
Pois, embora só o Benfica interesse, como disse, e bem, o nosso Presidente, uma entrevista concebida para assinalar o início de mais um ano civil, «há um iluminado que se arvora em justiceiro».
Prometi a mim mesmo não falar mais em determinadas pessoas - como se de uma resolução de ano novo se tratasse.
Promessa que irei tentar cumprir, porque o homem tira-nos do sério, com tanta arrogância, egocentrismo, e com tanto ridículo!!!
Sobretudo tendo em conta os últimos acontecimentos e entrevistas.
E os erros que vai cometendo.
Não que isso me preocupe, mas... não os posso ignorar.
Não para que sejam corrigidos, mas... porque existem.
Desde logo, por criar um inimigo externo e, agora, também interno, para unir aquilo que com resultados desportivos não consegue.
Como se de uma cortina de fumo de tratasse e que se esfuma, deixando a realidade à vista...
Porque todos os ataques sem fundamento não disfarçam, sequer, as derrotas e as incapacidades.
Esquecendo-se que qualquer invocação de ataques sucessivos - sobretudo os infundados - tem um limite.
Por isso lhe faria bem reler (ou ler, se nunca o fez antes) a história de Pedro e o Lobo.
Porque esse inventar sucessivo de inimigos não tem qualquer relevância quando... ninguém lhe pediu para ir à guerra.
Nem, tão-pouco, para salvar o clube.
Foi ele quem se imaginou salvador, fazendo tudo para se eleger por isso e para isso.
Então, perguntar-se-á, porquê criar um enredo tão grande que não permite que a opção - para ele e para os seus - não seja outra senão arranjar desculpas para tudo e anúncios que só não ganham porque não os deixam???
Em vez de um discurso (e um projecto) de construção, de futuro e de qual (se souber) o caminho a seguir.
Ou, de pelo menos, tentar unir as hostes... em vez de fazer tudo para as dividir.
Esquecendo-se que cada campanha se faz de projectos, de valores e de princípios!
Não é que a coisa não me agrade, confesso, mas que devia largar o papel de aprendiz de feiticeiro... lá isso devia.
Para que, em cada intervenção, as suas palavras fizessem a diferença.
Com um discurso realista, ficado, ambicioso o suficiente para os objectivos essenciais do seu clube.
Até porque, seja em que clube for, o importante é perceber o quer se quer...
Que é bem diferente do que não se quer... que chega para os primeiros tempos... mas que é poucachinho (parafraseando o Sr. Primeiro Ministro) para o resto da vida.
Foi isso que não percebeu, continuando a ter um discurso de passado, porque o passado lhe valeu as primeiras ovações.
As muito fáceis, porque, ao princípio, basta dizer mal...
Depois, não necessários as projectos, as ideias, as diferenças na execução, as metas e os caminhos da gestão.
E isso é que é difícil.
Muito difícil!!!
Embora haja sempre uns idiotas, até entre os inimigos declarados de ontem, que o bajularão para ver se entram no barco.
Porque o que lhe importa é estar por estar... desde que lá estejam (como acontece em todas os clubes).

Ou... 'o novo Dom Quixote'
Dizia o Padre António Vieira que «quem, no seu discurso, só vive de citações alheias, não sabe, lembra-se».
Mas, ainda assim, reconheçamos que até para fazer citações, temos de ler e... perceber o que lemos.
Pelo menos.
Pois à pessoa em causa, como não lhe bastava o papel de aprendiz de feiticeiro, nem, tão pouco, os azares do dia a dia, ainda se enganou na citação que, por certo, quis deixar num tom de intelectual de quem... lê livros!
Pois, nessa cruzada, nada melhor que se rever no papel de... Dom Quixote.
Embora não consiga perceber a comparação, porque a invocação só serve para se ridicularizar, por entrar - como o cavaleiro de Miguel Cervantes - em campanhas e com inimigos que não existem - ou acabaram de ser criados, para o efeito.
Quando se quer dar a ideia de alguém que caminha nesse sentido, nada melhor que invocar Dom Quixote de La Mancha.
Dom Quixote, um fidalgo filho de pais ricos, que quer lutar contra uns gigantes que, afinal, não passavam de meros moinhos de vento.
A intenção de ridicularizar é tal que Dom Quixote acaba por travar uma árdua batalha contra verdadeiros moinhos de Vento, sem qualquer consciência de que o fazia.
Uma batalha num mundo irreal, onde só ele via esses inimigos.
Para além de outras batalhas... contra um exército de ovelhas, que eram apenas... animais (sendo, talvez, estes a que ele se referia quando usou o termo...).
Dom Quixote de La Mancha é uma obra de invocação recorrente para apontar casos de grau de loucura extrema.
Não acreditamos ser esse a caminho pretendido.
Então, porquê falar de coisas que não se sabe, invocando para casos que não se adequam, em situações que não querem?
Aprenda, por isso: quando se quer falar de si próprio nunca deve referenciar ou achar-se o Dom Quixote cá do sítio.
Porque se trata, efectivamente, de uma figura ridícula.
Só ultrapassada pelos que se dizem fartos de fazer de Dom Quixote de La Mancha.
Como diria Eça de Queiroz, pela boca do Abade Custódio, em Os Maias... «Deve-se começar por lá... É a base; é a basezinha».
Ou, adaptando ao mundo de hoje, como quem diz... «se não leste, como quem diz... «se não leste nada... pelo menos não cites»!!!
Não é, Dom Quixote de La Mancha recauchutado?
Bom ano."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Previsões e (ou) desejos

"O novo ano transposta sempre renovadas esperanças e novas ilusões que - manda a tradição - se fundem nas doze passas da passagem do velho para o jovem ano.
Resolvi, aqui e agora, arriscar as minhas conjecturas futebolísticas para 2017, embora no caso do Benfica saiba que o desejo absorve quase completamente a racionalidade (?) de qualquer previsão.
Prevejo que o Benfica alcance o almejado tetracampeonato. Que, na classificação de Maio, se lhe sigam, por esta ordem, FC Porto, Sporting, V. Guimarães e SC Braga. O campeão dos médios-pequenos clubes será o Rio Ave. Descerão, com pena minha, o Moreirense e o Tondela. Uma outra previsão - creio que bem mas fácil e menos arriscada - será a subida do Portimonense e do Aves.
Quanto à Taça de Portugal, arrisco uma final entre os eternos rivais da Selecção Circular, 21 anos depois. Quanto à Taça da Liga, será que o Benfica vai ter a oitava em dez?
Na Bola de Prata quero crer que Jonas ainda vai a tempo de vencer, embora Bas Dost e André Silva tenham 9 golos de avanço.
Benfica e Porto muito dificilmente vão passar dos oitavos da Champions. Já na Taça das Confederações, Portugal será finalista (contra a Alemanha).
Nas modalidades de pavilhão, a minha aposta é de três títulos encarnados (hóquei, basquetebol e voleibol), um para o FC Porto (andebol) e para o Sporting (futsal).
Lá fora, antevejo o Bayern a reconquistar a Champions e a premiar o seu discretíssimo e eficiente técnico Ancelotti. Na Liga Europa, sem o sortudo Sevilha, aposto numa equipa treinada por portugueses: Manchester United de Mourinho ou Shakhtar de Paulo Fonseca."

Bagão Félix, in A Bola

Recordes é no atletismo

"O 'aprendiz' Rui parece capaz de chegar tão ou mais alto do que o 'génio' Jorge, como fizeram Jesualdo Ferreira, Manuel José ou Vítor Pereira. É esperar para ver, porque a verdade vem sempre ao de cima.

Em Fevereiro do ano passado a imprensa espanhola fez eco de um recorde que pertencia a Pep Guardiola e que Luís Enrique, o seu sucessor no comando técnico do Barcelona, acabara de superar. No essencial, amplificou-se um ciclo de jogos oficiais sem derrotas, o que para o enriquecimento das estatísticas é sempre de relevante significado, sobretudo tratando-se de quem se tratava. Além de gerar interessantes exercícios jornalísticos quando preparados por profissionais aptos em desenvolverem peças valiosas a partir de dados aparentemente inúteis.
Como reagiu Luís Enrique à notícia? Como se esperava, aliás, sendo ele grande treinador, de grande clube e, por isso, obrigado a grandes (e pequenas) conquistas. Desvalorizou, sublinhando que recordes sem corresponderem a títulos valem zero.
O assunto é curioso e até oportuno por, nesta mudança de ano, ser frequente ler e ouvir louvores a Rui Vitória por causa da profusão de predicados que se lhe reconhecem, quando, um ano antes, ninguém apostava um euro na sua carreira no Benfica. Pelo contrário, como devem estar lembrados, sobretudo os que têm memória com autonomia para uma temporada desportiva, apenas lhe enxergaram defeitos, deste a má imagem, à deficiente comunicação, passando pela fraca liderança (este termo tem muito que se lhe diga, não há dúvida...) e pela dificuldade no controlo do balneário.
Entre outros 'mimos' que lhe dirigiram, ressaltaram as inabilidades estratégicas e tácticas, essas coisas que os mestres do mesmo ofício gostam de complicar para os estranhos não as entenderem, além de dificuldades na 'leitura do jogo' e na (má) prontidão com que corrigia os 'erros de ortografia' que se lhe deparavam.
Foi um movimento generalizado e agressivo, que me levou a escrever neste espaço que se tinha tornado moda bater em Vitória. Porque era fácil, embora sem razão, ou quase sempre sem ela, ao omitirem-se dois factores determinantes:
1. A mudança de Guimarães para a Luz, a requerer o necessário tempo de adaptação e que não lhe concederam, embora o visado jamais se tivesse queixado.
2. A campanha que leh foi movida a partir do exterior, pública e de origem identificada, como se de repente o Benfica ficasse interditado de contratar outro treinador só porque o que lá estava resolveu mudar de patrão.
A verdade é que Rui Vitória, desconsiderado e enxovalhado, resistiu com a única arma eficaz de que dispunha: a qualidade do seu trabalho, provavelmente superior à de quem tudo tentou para que não vingasse.
Foi campeão nacional e num instante passou-se uma esponja sobre o que de injusto e desagradável se dissera ou escrevera em relação a ele. Críticos severos transformaram-se em adeptos do coração. Os erros evaporam-se e houve, enfim, espaço para os méritos, muitos. É o exagero do costume quando se fala de futebol.
Do fundo do poço da incompreensão começaram a retirar-se baldes de coisas boas e a descortinarem-se marcas e feitos suplantados por Rui Vitória recebido com duas pedras na mão e depressa promovido não a 'espécie de treinador', mas a treinador de verdade, 'espécie' de personalidade do ano, pelo volume de recordes ao qual se associou o seu nome. Reagiu com a humildade dos homens simples, principalmente após ter colocado o Benfica no topo dessa escala de proezas estatísticas: 44 vitórias em 2016, a par do Barcelona e à frente de todos os restantes colossos europeus.
O que aproxima Luís Enrique e Rui Vitória, então? A certeza de que nada vale sem títulos.

Entra em 2017 quatro pontos à frente do FC Porto, seis do SC Braga e oito do Sporting e do Vitória de Guimarães e, no entanto, adverte que é mais longo e difícil o percurso que falta cumprir do aquele que já se cumpriu. Treinadores recordistas é giro, para os próprios, mas para os clubes o que verdadeiramente importa são os troféus conquistados. Paulo Bento, que tinha plena consciência dessa realidade, dizia que mão é no andebol, eu acrescento que recordes é (mais) no atletismo.
Tal como Enrique, Vitória não vive de elogios. Quer fazer parte da família dos grandes, como José Mourinho, um dos cinco treinadores que venceram a Liga dos Campeões por dois emblemas, no caso FC Porto e Inter. Sem esquecer Artur Jorge (Champions), André Villas Boas (Liga Europa) e Anselmo Fernandez (Taça das Taças), além de, obviamente, Fernando Santos, o maior de todos para os portugueses.
Em conclusão, o 'aprendiz' Rui parece capaz de chegar tão ou mais alto do que o 'génio' Jorge, como fizeram Jesualdo Ferreira, Manuel José e Vítor Pereira. É esperar para ver, porque a verdade, como o azeite,vem sempre ao de cima."

Fernando Guerra, em A Bola