Últimas indefectivações

sábado, 2 de setembro de 2017

Vamos brincar aos ricos e no futebol

"E se um dos homens mais ricos do mundo decidisse brincar ao futebol e tudo perverter? E se fosse você, mesmo, o mais rico, e entrasse neste jogo?

Segundo a Forbes, o homem mais rico do mundo continua a ser Bill Gates, o senhor Microsoft. Não consta do seu curioso currículo especial admiração pelo futebol, ou seja, o soccer na versão americana do jogo do chuto, que vai semeando paixões pelo mundo. Estão, aliás, três americanos nos primeiros lugares dos mundialmente mais ricos e já houve, também, quem se desse ao trabalho de fazer umas contas para produzir a assustadora afirmação de que os oito homens mais ricos do mundo têm mais dinheiro do que metade da população mais pobre do planeta Terra.
Acontece que o quarto homem mais rico do mundo é o primeiro europeu da lista. Por sinal, espanhol. O senhor, que já ultrapassou os oitenta anos, nasceu na Província de León e é dono das nossas conhecidas Zara, Massimo Dutti, Pull and Bear e outras marcas que se estendem por mais de 5000 lojas terráqueas. Chama-se Amândio Ortega e não sei bem quem lhe contou as notas e as moedas do cofre, mas chegaram a este número, calculo que invejável: 1,4 mil milhões de dólares de fortuna pessoal. Ou seja: não estamos a falar propriamente de património que, esse, anda pelos 70 mil milhões de dólares, falamos, apenas, da parte personalizada da sua fortuna.
Pois, sendo espanhol, Ortega tem natural inclinação pelo jogo da bola e, pelos vistos, gosta em especial do Deportivo da Corunha, sendo que a mesma revista Forbes anunciou recentemente que o multimilionário espanhol era o verdadeiro dono do clube.
Podemos então partir desta realidade para uma ficção plausível. Ortega decidia reformar-se definitivamente dos negócios das roupinhas e apostava em passar os últimos anos da sua vida  a brincar com o futebol do mundo, fazendo o Deportivo, para não dizermos do clube da sua aldeia natal, o Busdongo de Arbas, o maior clube do mundo. Em Janeiro de 2018 não se limitaria a pagar essa quantia pequenina de 400 milhões de euros que foram necessários para o PSG ter Neymar e Mbappé, mas chegava aos mil milhões, driblando sem piedade o fair play da UEFA.
Na sua sala oval da Galiza, rodeado de especialistas na matéria, decidia acabar de vez com a alternância do poder desportivo Real Madrid e do Barcelona, pagando as cláusulas de rescisão de todos os seus melhores jogadores, na véspera do fecho do mercado.
Podia, em alternativa, achar engraçado, deixar Neymar e Mbappé no PSG, mas tirar ao clube parisiense todos os seus outros jogadores. Que jogassem apenas com as duas estrelas contra a iluminação da Torre Eyffel. E se o homem quisesse vir fazer uma gracinha em Portugal? Talvez tivesse dificuldade em comprar a SAD do Belenenses ao Rui Pedro Soares, mas podia, de um só golpe arrasar o Benfica, o Sporting e o FC Porto deixando-lhes lá em casa, pelo mais cruel dos castigos, apenas os seus directores de comunicação para falarem, entre eles, em como se pode corromper o mundo com prendas de 150 euros e outros assuntos fundamentais ao futebol.
Claro que melhor do que conceber esta teia improvável de tragédias futebolísticas para mero gozo de um multimilionário seria, mesmo, eu ganhar sozinho e por mil vezes o euromilhões e ser eu a jogar com o mercado do futebol em Portugal e no mundo.
Ora, pensadas as coisas nesta perspectiva surreal e na convicção de que se trata apenas de um jogo, terminamos com um desafio a cada leitor. Pense que é você mesmo que tem os 86 mil milhões do Bill Gates e que resolve ir brincar ao futebol. Como e até onde o iria perverter? Até ao limite da demonstração de que este caminho, sem regulação, que tem vindo a ser seguido está definitivamente errado?
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Eu tenho um desafio para o Director d'A Bola: e se o jornal A Bola, em vez de ir à Galiza perguntar ao senhor Ortega o que ele vai fazer com o seu dinheiro... fosse a Cascais (é mais perto...), perguntar a um individuo que por acaso é arguido em Portugal, na Suíça e noutros locais paradisíacos... se o seu investimento, meio às escondidas no Sporting, está ou não, a perverter a competição em Portugal?!!!
É que no caso do senhor Ortega sabe-se de onde veio o dinheiro, e dos senhores de Cascais sabe-se que são os Portugueses que andam a pagar o calote que eles deixaram para trás...!!!

A NHL e o 'skate'

"A NHL, a liga norte-americana de hóquei no gelo, confirmou a posição na controvérsia que dura há meses: os jogadores da liga não vão, mesmo, aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, na Coreia do Sul. A instrução, note-se, não é só para estado-unidenses e canadianos, vale para suecos, russos, checos, finlandeses, alemães, suíços, todos.
Muitos jogadores estão susceptibilizados com a impossibilidade de representarem o país deles, como Henrik Lundqvist, dos New York Rangers e da Suécia: «Muito desapontado», twittou. A NHL só vê riscos e prejuízos; o COI, reagindo, ameaça retirar o hóquei no gelo.
Pode isto abrir precedentes? No futebol é impossível, por directiva da FIFA que impede os clubes, ou ligas, de vetarem chamadas nacionais, contudo o que se passa na NHL parece-me, estranhamente, visão de futuro. Neymar, por exemplo, descansou neste defeso, mas tivera Copa América-2011, JO-2012, Confederações-2013, Mundial-2014, Copa América-2015 e JO-2016. Quem tem capacidade para o comprar por 222 milhões terá um dia autoridade para o impedir de ir, pelo Brasil, a tudo isto? Ou valeria ele o mesmo se não tivesse representado o país nas ditas ocasiões?
Por outro lado, há quem possa ir aos Jogos - pela primeira vez - e não queira. O surf vai a Tóquio-2020 e os surfistas estão rejubilantes, mas o skate também vai e os skaters não querem saber.  Bob Burnquist, influente praticamente brasileiro, não acolhe a ideia e disse à Folha de São Paulo: «Não é a nossa identidade. Nem é desporto, é um estilo». Outras lendas da modalidade, como Tony Alva, também censuram a ida aos Jogos, vendo-a como cedência, sell-out.
A atitude da NHL é um sinal do mercantilismo desportivo moderno; a do skate é também uma marca da contemporaneidade, mas na busca de sentido, no reacendimento de valores. Por isso, ainda que por caminhos e motivações diferentes, concordam no essencial: não vão."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Um dia de azar

"Bruno de Carvalho surpreendeu ao afirmar que "não chegou qualquer proposta para William". Apanhou de surpresa todos os que o ouviram, mas em primeiro lugar os jornalistas que durante as últimas semanas – ou meses – foram dando conta, com regularidade, não só do interesse mas também das propostas que iam chegando de alguns clubes europeus.
William Carvalho é titular na Selecção, é campeão europeu, é uma das principais figuras do Sporting, tem 25 anos e é representado por Pere Guardiola, agente com influência crescente em Espanha e Inglaterra. Será possível que, ainda assim, William não desperte o interesse das principais ligas ao ponto de chegar ao último dia de mercado sem qualquer proposta?
David Sullivan, um dos donos do West Ham, também ficou surpreendido e decidiu reagir para garantir que fez mesmo uma "proposta recorde" pelo médio dos leões. Há aqui uma questão que não deixa de intrigar: por norma, os clubes preferem fazer constar que receberam inúmeras ofertas e que as recusaram a pensar no projecto desportivo. Desta vez é precisamente o contrário: há um clube a dizer que fez proposta e há outro a garantir que não. Em que ficamos?
Entretanto, o caso Adrien continua a aguardar decisão da FIFA e o CD da FPF suspendeu Bruno de Carvalho por mais três meses. Um dia mau."


PS: Esta 'ingenuidade' dos jornaleiros é de bradar aos céus: toda a gente sabe que existe uma cláusula no contrato do William que obriga o Sporting a pagar €5 milhões se o Sporting receber uma proposta e o jogador acabar por não ser vendido, como é o caso... O Babalu só está a tentar - mais uma vez -, não pagar o que prometeu... Mas como é óbvio, não é difícil ao empresário do jogador, provar que houve propostas, pois deve ter acompanhado o processo entre os Clubes...
Em relação ao Adrien é engraçado, como os pasquins nacionais, continuam a insistir em números ridículos, quando em Inglaterra, todos falam em €17 milhões (praticamente metade em relação à proposta do ano passado)... Sendo que o Babalu só aceitou este valor, quando percebeu que o West Ham tinha desistido do William... e assim começou a fazer contas, pois é preciso ter liquidez até Dezembro...!!!
Diga-se ainda que o West Ham, 'voltou as costas' ao negócio, porque mais uma vez, após existir acordo total, o Babalu com a 'caneta' na mão, voltou atrás com a palavra e exigiu mais uns milhões!!!
A diferença em relação aos barretes da época anterior, é que esta 'táctica' já é cada vez mais conhecida, e no futuro serão cada vez menos, aqueles que irão negociar com o Babalu...!!!

Benfiquismo (DLXXIX)

Mãos à obra...!!!

Uma Semana do Melhor... com a Alvarenga!

Jogo Limpo... Mercado & Direito...

É, portanto, costume...

"O Benfica é, clinicamente, a equipa mais regular da Europa. Cinco jogos, cinco jogadores na enfermaria.

Singularidades do campeão
Findo o seu quinto jogo oficial da temporada – um empate molengão em Vila do Conde – o Benfica apresenta-se, do ponto de vista clínico, como a equipa mais regular da Europa e, eventualmente, do mundo. Cinco jogos e cinco jogadores recolhidos à enfermaria. Primeiro foi Grimaldo, titular indiscutível, seguiu-se Fejsa, titular indiscutível, depois foi Salvio, outro que tal, e, por fim, apresentaram baixa Jardel – que caminhava, lenta e naturalmente, para a titularidade indiscutível depois de um ano de ausência – e Pizzi, titularíssimo acima de qualquer discussão. A esta mão-cheia vazia de jogadores de primeira água vem somar-se os três grandes – aliás, enormes – desfalques sofridos do último defeso: Ederson, Lindelof e Nelson Semedo. Se isto não é caso para levar as mãos à cabeça…
Não, não é caso para tal! – responderão os mais optimistas entre os apaniguados da Luz lembrando que, na época passada, foi a mesma coisa o que não impediu a festa no Marquês. Nem, muito menos, a celebração final no Jamor. É verdade que o Benfica chegou ao título em 2016/2017 não dispondo de Jonas durante metade da temporada – e isto, sim, foi uma proeza – e contando de Agosto a Maio com as persistentes intermitências clínicas de jogadores como Salvio, como Fejsa, como Mitroglou, como Raúl Jiménez, como Grimaldo, como Samaris e como tantos outros. É, portanto, costume. E, sendo costume, não haverá motivo para alarme. Podem até, os mais optimistas, regozijar-se pelo facto de ter sido o Benfica, mesmo desfalcadíssimo, a impor ao surpreendente Rio Ave a primeira perda de pontos nesta Liga. É uma maneira de ver as coisas pelo prisma positivo tanto mais que esta Liga só agora começou.
Trata-se tudo isto de uma questão de confiança. Uns confiarão na recuperação rápida dos pacientes, outros terão por certa a injustiça diariamente cometida pelos departamentos de propaganda do FC Porto e do Sporting que acusam os jogadores do Benfica de uma prática continuada de violência quando, na verdade, são eles – os jogadores do Benfica – que vão saindo a coxear a cada jogo efectuado. Exposto o que os optimistas e os confiantes pensam desta série de maleitas, chegou a altura de vos confidenciar o que pensam os calculistas destas singularidades. Os adeptos calculistas, mais frios e mais racionais, pensam que não podia ter vindo em melhor altura o tropeção em Vila do Conde nem a renovada onda de lesões nem as flagrantes fragilidades tendo em conta que as ditas ocorrências se verificaram a uma semana do fecho do mercado de Verão. Mãos à obra.

Outras Histórias
Balanço ainda impossível, mas…
A expressão de Acuña em "pico cardíaco" é um hino ao futebol
É cedo para o balanço do vídeo-árbitro no campeonato olhando, exclusivamente, para a verdade que a sua existência empresta à tabela. Mas não é cedo para duas outras verdades conclusivamente instaladas ao cabo de quatro jornadas da Liga e que se revelam de uma bondade extrema não para o jogo em si, mas, em primeiro lugar, para a corporação: se, há uns anos, uma equipa de arbitragem era composta por 3 elementos e, de repente, passou a ser de 5 com a introdução dos 2 árbitros que ocupam as linhas de fundo, agora passaram a ser 7 ou 8 os árbitros em função de cada jogo com a chegada dos vídeo-árbitros. Ora isto é, corporativamente, um maná. A segunda bondade do vídeo-árbitro é, como diz o treinador do Sporting, a "grande emoção" que dá ao porque provoca "picos cardíacos que até bates coma cabeça no tecto". Aliás, a expressão de Acuña a sofrer um pico cardíaco quando o Estoril atirou com uma segunda bola para dentro da baliza de Patrício é toda ela um hino ao futebol."

Pesadelo de Vitória

"Como vulgar adepto/espectador sei dizer que não é normal tantas lesões que martirizam o plantel

O Benfica empatou em Vila do Conde e, no fim do jogo, ficou a sensação de que não foi mau. O Benfica fez o jogo menos conseguido da época contra o adversário mais categorizado. Eram imensas as limitações para um jogo num campo muito difícil, sem Fejsa, Grimaldo, Salvio, Júlio César ou Mitroglou, lesionados. Com Jonas e Pizzi limitados fisicamente e com Jardel a sair pouco depois dos quinze minutos. Se este cenário não era famoso, basta juntar o início apático e um autogolo para termos um empate justo.
Não sou médico e não percebo nada de metodologia e de cargas de treino, mas como vulgar adepto/espectador sei dizer que não é normal tantas lesões que martirizam o plantel. Semana sim, semana sim, aumenta o rol dos lesionados. Pode até haver explicações diferentes, pode ser fruto de uma sucessão de acasos, mas para o adepto que vê de fora é um horror, imagino que para Rui Vitória seja um pesadelo.
Deixámos dois pontos nos Arcos, num campeonato onde não se vão perder muitos, por isso começamos mais cedo e gastar a nossa margem de erro. Foi um jogo onde a Rafa nem sempre saíram bem as coisas, Rui Vitória tirou o rápido extremo português, numa altura do jogo em que Jonas já não tinha qualquer disponibilidade física. Nessa fase eu, treinador de bancada, teria poupado o génio brasileiro, metendo Jiménez e mantendo Rafa. Zivkovic foi a boa notícia do jogo de Vila do Conde, ainda longe do que pode atingir mas percebe-se perfeitamente que daquele talento hão-de vir muitas alegrias.
31 de Agosto chegou e finalmente fechou o mercado. Agora sabemos com o que cada treinador conta para atacar os objectivos. Boa sorte para André Horta, um jogador por quem os benfiquistas nutrem especial carinho e venha Svilar, Douglas e Gabriel Barbosa para aumentar as soluções de Rui Vitória.
Estou de férias, em Malta, numa ilha invadida por ingleses. Outrora ocupantes, são agora apenas visitantes. Um simples Malta-Inglaterra traz milhares e milhares de ingleses em busca de muitos golos... de cerveja. O futebol tem hoje um peso impressionante na sociedade, na economia e no espaço mediático. São muitos os países e muitos os canais de televisão que nos últimos dias fazem actualização permanentes de entradas e saídas de jogadores. Uma economia dentro da economia."

Sílvio Cervan, in A Bola

NetPress... Mercado

Massacre

Benfica 39 - 20 Dínamo Pancevo
(21-9)

Apesar do grau de dificuldade baixo, na estreia da nossa secção de Andebol já deu para notar o 'dedo' do treinador: agressividade na defesa (praticamente metade dos golos que sofremos foram em Livres de 7 metros - (8) !!!), com mudanças de estratégia; contra-ataques; muito jogo para as pontas...
Ao contrário de alguns dos jogos de preparação, hoje tivemos todos os jogadores disponíveis, incluindo o Terzic (que parece totalmente recuperado...), e isso notou-se, principalmente na defesa...
Destaco também a integração dos jovens Pedro Santana e do Gonçalo Nogueira... além do André Alves...

Amanhã temos a 2.ª mão desta 1.ª ronda da Taça EHF, novamente na Luz. A qualificação está garantida, os vice-campeões Sérvios, não trouxeram todos os jogadores, e como ficou demonstrado hoje, o Benfica é melhor...






PS: No Mundial de Judo, o Célio Dias ficou em 9.º, após uma derrota num combate que estava a dominar... pareceu-me excesso de confiança! O João Martinho ontem também ficou aquém das suas possibilidades...!!!

Pós-verdade


"Diz-se vivermos na era da pós-verdade, em que os factos são distorcidos apelando-se a crenças pessoais e emoções para condicionar a opinião pública. Discordo porque a referência à pós-verdade nestes termos dá a ideia de se tratar de uma novidade, quando não o é. Aliás, Nietzsche já defendia a inexistência de factos, subsistindo antes as versões.
Há, porém, duas diferenças do nosso tempo em relação a todos os outros: o acesso generalizado à 'informação' e a velocidade da sua propagação. Torna-se, portanto, fundamental que a pós-verdade seja denunciada e que os seus instigadores sejam combatidos tão célere quanto eficazmente.
Pode-se combater a pós-verdades, criando confusão. Mas casos há em que a base de sustentação da pós-verdade é tão frágil, que os factos, se bem comunicados, serão suficientes para a desmontarem. Dou dois exemplos: O 'caso Calabote' e o 'clube do regime'. Se o primeiro se desmonta recordando que o FCP foi campeão nessa temporada e divulgando crónicas de jornais da época, declarações de intervenientes e o processo que levou à irradiação do árbitro - por ter mentido no relatório e não pela sua actuação - já o segundo bastará evocar que o SLB, ao contrário dos outros 'grandes', nunca deixou de ter eleições livres e democráticas durante a ditadura e teve, entre as principais figuras do clube, inúmeros declarados oposicionistas.
No entanto, o segundo exemplo é de tal forma grave, que o SLB não deverá, do meu ponto de vista, limitar-se a desmentir quem usa e abusa dessa acusação vil e infundada, devendo também colocar processos por difamação a quem a promove e a quem, quais meras caixas-de-ressonância, a difunde na esfera pública."


João Tomaz, in O Benfica

Levantar voo e só aterrar em Maio

"Só acredito que estas palavras que escrevo são mesmo para o jornal do Sport Lisboa e Benfica quando ler a próxima edição. Até lá, estou seguro de que o convite para ter uma crónica no periódico do maior clube do mundo se trata de brincadeira. Mas que raio fiz eu, merecedor de tamanho privilégio?
Que me recorde, a minha única acção verdadeiramente produtiva em benefício do Benfica ocorreu já lá vão dois anos. No Bessa. A escassos segundos do fim, gritei ao Eliseu que bombeasse a bola para a área, e o rapaz, por sorte, no meio de tanta barulheira, lá me conseguiu ouvir. Então, esta é a recompensa pelo facto de, no fundo, eu ter sido o principal obreiro daquele golo? Os três pontos tinham bastado, mas tudo bem.
A estreia deste espaço semanal acontece após um lamentável empate diante do Rio Ave. Maldito Cássio! Espero que o guardião vila-condense mantenha este nível, sobretudo nas jornadas 6, 8, 23 e 25. São quatro rondas que escolhi ao calhas.
Tal como em todos os anos do tetra, chegámos à pausa das selecções sem a liderança. O Benfica é mesmo assim: primeiro, dá esperanças à concorrência. Depois, levanta voo e só aterra em Maio.
A lengalenga da crítica não muda: 'o André Almeida não chega para titular'; 'o Salvio já não é o que era'; 'o Jonas e o Luisão estão velhos'.
Quanto ao André e ao Salvio, recordo que já ganharam mais em Portugal do que os plantéis de FC Porto e Sporting juntos.
Em relação à dupla brasileira, meus amigos, confesso que, no Brasil, eu não faço ideia, mas a idade da reforma em Portugal é aos 66 anos, pelo que ainda conto com umas 30 temporadas sensacionais do capitão e do pistolas."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A comunicação e o conflito

"O conflito exerce uma certa sedução sobre a natureza humana. E nos povos latinos assume frequentemente medida desproporcionada face àquilo que o origina. Gostamos de falar, de debater, de criticar, e temos uma comunicação social que se aproveita disso para vender papel ou audiências - estimulando a discórdia até níveis por vezes intoleráveis, renunciando assim à análise objectiva e esclarecedora.
O futebol é palco privilegiado para tal, com a paixão exacerbada de milhões de pessoas pelos seus clubes, e a correspondente repulsa face aos emblemas rivais. Todos nós, adeptos, gostamos de uma boa discussão de bola, recorrendo mesmo à provocaçãozinha na hora da vitória, a devolver quando as cosias correrem mal. Mas há quem ultrapasse as fronteiras do razoável e, abusivamente, transforme tudo em ódio ou até violência. Neste caldo cultural seria absolutamente dispensável que os clubes, eles próprios, fomentassem a conflitualidade, estimulando o que há de mais negativo nos seus seguidores, em nome de interesses sectários, ou apenas para protagonismo de alguns agentes.
Ora é precisamente isto que têm feito Sporting e FC Porto, nomeadamente através dos respectivos directores de comunicação - figura que não constava do futebol da minha infância, e que hoje, particularmente nesses dois casos, tem uma preponderância muito para além daquilo que seria natural.
O Benfica tem adoptado uma postura de reserva e prudência. Isso orgulha-me. Mas enquanto as autoridades competentes não tiverem mão firme sobre quem sob os mais diversos pretextos promove a guerra, o futebol português não terá paz."

Luís Fialho, in O Benfica

Hostilidade

"O Benfica deslocou-se a Vila do Conde no pretérito dia 26 de Agosto de 2017. Apenas pude assistir ao jogo pela televisão e não consegui ver o encontro por completo. No entanto, no local onde estava, não muito longe de Lisboa, assisti ao que efectivamente espera a equipa do Benfica este ano. Está tudo montado para 'chutar' fora das quatro linhas o Benfica da possibilidade de ser campeão!
Estávamos cerca de 30 pessoas a ver o jogo. Na minha santa ingenuidade, era lógico que pelo menos a maioria fossem adeptos do Benfica. Qual foi o meu espanto, no momento em que o Rio Ave marcou o golo, todos gritaram golo, menos eu. Fiquei abismado.
Mais confirmei este cenário quando foi assinalado o penálti evidente sobre Jonas. Ficou tudo a criticar!
Na sequência do penálti, o Benfica empatou o jogo, e no meio daquela gente toda, fui o único a gritar golo!
O pessoal do Porto e do Sporting assiste a jogos do Benfica para tentar obter prazer que não conseguem nos seus lares, tentado a infelicidade dos seus rivais!
Mais me confirmou esta situação quando, no momento em que escrevo este artigo, tomei contacto com uma nova queixa apresentada pelo Sporting contra Eliseu!

Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra
Processo: 110/09.9TATCS.C1
Relator: Paulo Guerra
Descritores: Ameaça e Coacção
Data do Acórdão: 07-03-2012
Votação: Unanimidade
Tribunal Recuso: Comarca de Trancoso
Legislação Nacional: Art.ºs 153.º e 154.º, do Código Penal
Sumário: Após a revisão do C. Penal de 1995, passou a ser claro que no crime de ameaça não se exige que, em concreto, o agente tenha provocado medo ou inquietação, isto é, que tenha ficado afectada a liberdade de determinação do ameaçado, bastando que a ameaça seja susceptível de a afectar.

O crime de ameaça deixou, pois, de ser um crime de resultado e de dano.
A ameaça 'adequada' é aquela que, de acordo com a experiência comum, é susceptível de ser tornada a sério pelo ameaça, independentemente de o seu destinatário ficar, ou não, intimidado.
No crime de coacção, exige-se a verificação do resultado para a sua consumação, ou seja, exige-se que a pessoa objecto da acção de coacção tenha efectivamente sido constrangida a praticar a acção, a omitir a acção ou a tolerar a acção, de acordo coma vontade do coactor e contra a sua vontade.
Mas basta-se com o simples início da execução da conduta coagida, sendo suficiente para  a consumação, se o objecto da coacção for a prática de uma acção, que o coagido inicie esta acção.
O objectivo é coagir Eliseu a não disputar os lances em que intervém. E porquê? Porque o Benfica tem um defesa direito, André Almeida, que não pode ir jogar à esquerda, porque está na direita, e Grimaldo está lesionado!
Elementar, caro Watson!
Das duas uma: ou o Benfica mete uma acção crime contra Bruno de Carvalho e os seus acólitos, ou paga na mesma moeda ao Sporting!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Reflexão

"O empate em Vila do Conde deve fazer-nos reflectir sobre algo que é muito importante nos dias de hoje - a forma como encaramos e vivemos os êxitos e os fracassos.
Todos sabíamos que a visita a casa do Rio Ave era um jogo extremamente difícil. Nas duas últimas épocas, vencemos os vila-condenses pela margem mínima e sempre no último quarto de hora do jogo. Desta vez, apesar das várias oportunidades de golo, não conseguimos concretizar de forma a trazer os três pontos.
Ao final de quatro jornadas, somamos 10 pontos, fruto de três vitórias e um empate. Se analisarmos, de forma séria e fria, os campeonatos do Tetra, facilmente concluímos que nunca vencemos todos os jogos das primeiras quarto 'batalhas' da Liga. Será preciso recuar até 2002/03, com Jesualdo Ferreira ao leme, para encontrar uma temporada em que vencemos todos os jogos das primeiras quatro jornadas do Campeonato. Na época passada, logo à 2.ª jornada, empatámos na Luz, com o V. Setúbal, com Bruno Varela a revelar-se intransponível. Há dois anos, também à 2.ª jornada, baqueámos, em Aveiro, frente ao Arouca. Aquela derrota (1-0) custou-nos muito a digerir, mas foi decisiva para tudo o que aconteceu a seguir e que culminou com a conquista do Tricampeonato.
Por isso, entendo que os dois pontos que deixámos a Norte têm de ser encarados com a necessária ponderação, reflexão, mas não podemos pôr em causa o trabalho desenvolvido. Dois dos nossos trunfos têm sido a estabilidade e a confiança, um binómio que nos tem permitido encarar cada desafio como mais uma prova à nossa competência. A resposta será dada frente ao Portimonense."

Pedro Guerra, in O Benfica

Fraude fiscal


"Maicon Pereira Roque, jogador que foi da FC Porto SAD, intentou uma acção no Tribunal de Trabalho de Vila Nova de Gaia, contra a sua anterior entidade patronal, exactamente a FC Porto SAD. na respectiva acção, são denunciados factos que constituem fraude fiscal - de caras!
O que a FC Porto SAD faz, nas palavras de um seu atleta, é fazer um contrato de trabalho desportivo com um valor, sendo esse o que é entregue na Liga Portuguesa de Futebol Profissional, mas ao mesmo tempo são assinados vários aditamentos e emitida uma declaração pela FC Porto SAD, onde esta menciona, que afinal o valor líquido declarado no contrato é o valor ilíquido a receber pelo jogador, fugindo-se assim aos impostos IRS e Segurança Social!
Estamos perante uma enorme fraude fiscal!
Pergunta-se: o que têm os patetas do Facebook a dizer sobre isto?
Este tema irá ser abordado de forma detalhada no próximo programa de Contas Feitas e Dúvidas Desfeitas!
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Até ao Natal...

"Diz-se que em muitas dezenas de anos nunca se havia visto tudo o que se está a ver, em matéria de chinfrineira, à volta do Benfica. A novidade é que, desta vez, o chavascal começou num quarto de hotel e, como já escrevi, tendo-se certamente por enleados contra natura, a partir de uma relação de vários 'em cama única'. Primeiro, terão tentado a difícil arte do coro vocal para celebrar a parceira. E logo depois acolheram outros comparsas, ambos com brilhantina na cabeça, embora tão mudos como os mimos de circo ou os matraquilhos de taberna. Apenas marionetas inertes.
Em todo o caso, a música coral é um ofício difícil; um desempenho que não está propriamente ao simples alcance de meros tenores roucos e de sotaques diferentes. Tão inacessível, que muito menos pode ser interpretado por bandos de rufiões, hoje cada vez mais comuns a vezeiros loquazes, nos plateaux das televisões e das rádios.
Pela nossa parte, no fim das contas com a Lei do nosso lado, logo que o diálogo se tornar impossível, mais vale não alinharmos na banzé.
É dá-los ao desprezo. Querem sangue? Prometem sangue? Pois, que seja o deles! Que se autoflagelem a si próprios na bazófia com que se babam nas bravatas de baixa comunicação em que, por enquanto, se comprazem.
Mais cedo do que tarde, havemos de ver que se rasgarão sem freio, um dos outros, logo depois que darem conta da insuportável desafinação em que chafurdam, como aqueles Paralelos do Ritmo que, por mais que tocassem, nunca chegaram a encontrar-se, nem na sensatez, nem na decência.
No Benfica somos e seremos diferentes. Basta que relevemos, caso a caso e sistematicamente, os vergonhosos exemplos que diariamente aqueles nos entreguem de mão beijada. Basta que exponhamos os erros grosseiros, as interpretações malsãs, as acusações caluniosas. Basta que lhes desvendemos os truques, as bambochatas e as inventonas.
E, com calma, até já podemos antecipar o habitual fim da história: se for como é costume, tudo acaba antes do Natal..."

José Nuno Martins, in O Benfica

Entre o sonho e o sono

"Assiste-se a um clima de guerrilha. Que alguém depois de matar o pai e a mãe não venha a invocar o facto desculpante de ser órfão.

1. Ontem foi o dia em que desceram as persianas. As janelas ditas do mercado ficam agora fechadas. Estão vedadas, pelos próximos meses, novas contratações e velhas negociatas. À hora em que escrevo, porém, esse momento ainda não havia chegado. Não estou, portanto, em condições de avaliar quantos sonhos mais foram comprados a peso de ouro. Seja como for, é inevitável, tanto pela natureza das coisas como por prova empírica, que não poucos desses sonhos acordarão como pesadelos.
Tudo isto me faz lembrar uma conhecida estória protagonizada pelo imortal Winston Churchill, antigo primeiro-ministro inglês e também laureado com o prémio Nobel da Literatura. Mas talvez seja a sua faceta repentista aquela que a História mais recordará. Como terá sucedido, quando, num evento de beneficência, uma já vetusta senhora de boa sociedade o apostrofou publicamente com a seguinte declaração: «Eu, se fosse a sua mulher, punha-lhe veneno no chá!» A resposta não se fez esperar: «E eu, se fosse o seu marido, tomava-o».

2. Quase uma década atrás, mais precisamente no já longínquo ano de 2008, em Pequim, onde se desenrolavam os Jogos Olímpicos, um atleta nosso concidadão justificou a sua miserável prestação, com a consequente e inevitável eliminação, pelo facto de à hora em que decorreu a prova, usando as palavras do próprio, «as pernas queriam era estar esticadas na cama». Mais lapidar ainda: «Cheguei à conclusão que de manhã só estou bem na caminha».
Já Fernando Pimenta, o canoísta português, que neste domingo conquistou o título de campeão do mundo de K1 5000 metros, não teve qualquer pejo em apontar «uma noite tranquila de sono», na véspera da competição, como um factor determinante do sucesso.

3. Os sonhos podem ser muito bonitos mas só se sonha a dormir. Para vencer de verdade é necessário estar não apenas desperto mas em estado de vigília. Não é sem algum grau de perplexidade que, ainda a época mal começou, já se assiste a um clima de guerrilha, para não dizer guerra suja. Não sei como acabar com isto. Não sei mesmo se alguma vez acabará. Mas temo profundamente que não acabe sem um pesadelo: que alguém, depois de matar o pai e a mãe, ainda venha a invocar como causa desculpante o facto de ser órfão."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

PS: Se calhar, em vez de misturar tudo e pôr todos no mesmo saco, a melhor maneira de evitar 'pesadelos', é chamar os 'bois pelos nomes'!
Dizer que são todos iguais (ao estilo Trump, quando afirmava que Nazis e aqueles que lutam contra Nazis, são todos iguais), nem que seja por omissão, não ajuda... bem pelo contrário.

Guerra dos Tronos

"Seria bom que alguns dos nossos dirigentes não perdessem um único episódio da 'Guerra dos Tronos'. Tinham muito a aprender.

Sou um admirador confesso da série televisiva Guerra dos Tronos cuja última temporada chegou agora ao fim. Para quem não esteja a par desta fantástica história, escrita por George R. R. Martin sob o título As crónicas de gelo e fogo, trata-se de uma saga que, ao fim e ao cabo, versa sobre as lutas entre várias casas senhoriais cujo objectivo final é a tomada de poder do reino de Westeros. Sendo uma obra de ficção, o seu enredo lembra, em muitos aspectos, a actual situação do futebol português, muito embora tenhamos de reconhecer que não obstante todo o cortejo de conspirações, traições, corrupções e conluios verificados ao longo de cada um dos episódios, tudo acaba no campo de batalha, portanto, sem lugar a qualquer tipo de queixinhas e contra queixinhas entre os contendores.
Como, há pouco, se frisou, estamos, efectivamente, na presença de uma terrível luta pelo poder, um pouco à semelhança do que aconteceu na Idade Média, verificando-se até que os estandartes e os lemas das principais casas senhoriais envolvidas têm alguma semelhança com os que se acham realçados pelas principais forças do futebol nacionais. Com efeito, para além dos dragões da Casa Targaryen, vamos encontrar igualmente o estandarte de leão dourado da Casa Lannister sob lema ouça-me rugir, verificando-se, no que concerne à Casa Arryn, que o animal ostentado é um falcão, muito embora um dos seus principais titulares, Jon Arryn, ostente o título de Senhor do ninho da Águia sob o lema tão alto como o honra. Interessante se torna fazer notar que a saga a que temos aludido chegou a uma situação em que as Casas beligerantes estão a ser confrontadas com o perigo se destruição, por forças alienígenas, do reino que todos almejam. Mas, todos ou quase todos compreenderam, que é urgente um acordo, um compromisso, que têm de unir forças, ainda que temporariamente para impedir a destruição do seu mundo, dos seus próprios interesses. As grandes batalhas, as vitórias e as derrotas, todos o sabem, terão de ser dirimidas no campo, olhos nos olhos, com observância das mais elementares regras de cavalaria.
Seria bom, seria muito bom que alguns dos nossos agentes desportivos não perdessem um único episódio da Guerra dos Tronos. Tinham muito a aprender."

Abrandes Mendes, in A Bola

Milhões, milhões e mais milhões

"Está fechada a janela de transferências de 2017 e valerá a pena reflectir um pouco sobre o novo paradigma que temos em mãos.
Nos últimos cinco anos, a soma das duzentas maiores transferências no futebol internacional de 1,8 mil milhões de euros em 2012 para mais de quatro mil milhões em 2017, números que traduzem de forma cristalina o crescimento exponencial da indústria.
A explicação deste boom tem várias variantes e a resposta está basicamente na soma de todas elas. Em primeiro lugar, chegaram em força ao futebol novos ricos - o primeiro foi o Chelsea e os mais recentes são o PSG e o City, a que se juntam alguns emblemas com investidores chineses com a carteira igualmente funda - que inflacionaram preços e colocaram em xeque a hegemonia dos clubes tradicionais. Depois, em segundo lugar, o valor dos direitos televisivos teve uma subida extraordinária: na Premier League, por exemplo, o que valia 300 milhões em 1992 passou a valer 2,3 mil milhões em 2007 e nos dias de hoje já vai nos 6,9 mil milhões. E, ao mesmo tempo, os jogos da Champions League, passando a ter uma cotação estratosférica. Finalmente, em terceiro lugar, o valor de mercado dos jogadores passou a ser visto não apenas pelo rendimento dentro das quatro linhas, mas também pelo impacto mediático de cada estrela, e o que resulta, em receita, desse estatuto.
A conjugação destes factores deu-nos um defeso inflacionado, onde as principais equipas portuguesas ficaram ainda mais longe dos principais emblemas internacionais, que moram nas cinco grandes ligas da Europa."

José Manuel Delgado, in A Bola

Subconsciente e (in)consciência

"O mercado do futebol atingiu este ano e loucura. A compra do passe de Neymar por parte do PSG por 222 milhões de euros abriu a caixa de Pandora e a Portugal ainda chegaram alguns ecos do efeito dominó. No Fórum de Treinadores da UEFA alertou-se novamente para os efeitos nefastos do mercado apenas encerrar a 31 de Agosto - já está melhor do que há alguns anos, em que os endinheirados russos ainda tinham mais alguns dias para estragar a vida a alguns treinadores com a compra de passes dos melhores jogadores.
A data ideal, segundo alguns, seria 31 de Julho, antes da época oficial começar. Não sei se é bom ou mau, apenas estou plenamente convencido de que haver jogos internacionais no exacto dia em que fecha o mercado de transferências não faz nem muito nem pouco sentido: não faz qualquer sentido. O silogismo não é difícil de fazer. As selecções nacionais são formadas pelos melhores jogadores, que são os mais cobiçados. Quem quer reforçar a sua equipa, por norma, querem os melhores jogadores e está disposto a apresentar propostas tentadoras. No meio de tudo isto, ficam os treinadores nacionais e os jogadores. Os técnicos têm de gerir, também, a questão psicológica dos futebolísticas; estes, se estiverem em condições físicas de jogar, não ficarão com receio de se lesionarem em cima da hora e assim verem gorada? Em princípio não, pois, em atletas deste calibre, o profissionalismo é o seu Deus maior. No entanto, haverá sempre o subconsciente a funcionar nesta ou naquela jogada.
No meio de tudo isto, fica a inconsciência dos responsáveis da UEFA e da FIFA em marcarem jogos para este exacto dia. Com grupos de trabalho para tanta coisa, ainda não houve tempo para estudar isto? É que um dia antes ou depois, pode fazer toda a diferença."

Hugo Forte, in A Bola

A diferença

"O Conselho de Disciplina (CD) da FPF arquivou a auto aberto a um jogador, uma vez que entende não poder sobrepor-se à avaliação da equipa de arbitragem. Esta não puniu o referido jogador em virtude de ter considerado não existir qualquer agressão ou prática de jogo violento, e o VAR, vendo a acção do jogador em causa, entendeu o mesmo. Isto implicou que a observação e avaliação pela equipa de arbitragem retira capacidade de intervenção ao CD, que considera não dever determinar se ocorreu, ou não, uma violação intolerável das Leis do Jogo quando estas tenham um cariz vincadamente técnico. Significa isto que quando o árbitro e não observam um lance como este, ele já poderá ser analisado pelo CD? Parece-me ser o entendimento.
No caso de a equipa de arbitragem, e o VAR, não terem observado uma grande penalidade evidente, que posteriormente é reconhecida, nada há a fazer. Trata-se de um erro, mas as implicações são só desportivas. Contudo, se essa grande penalidade resultar de uma agressão não observada pela equipa de arbitragem e pelo VAR, haverá processo disciplinar e possível sanção. Neste momento, e tenho certeza do que afirmo, o VAR não tem possibilidade de observar todas as repetições em tempo útil. Existem, como sabemos, ângulos que nos dão perspectivas diferentes quanto à existência de agressão ou corte com o braço dentro da grande área. Isto expõe o VAR de uma forma que, em meu entender, não é aconselhável. Ele só se apercebe do que aconteceu 30 segundos depois, o que lhe limita o tempo de intervenção. Até por isto, o quadro de elementos do VAR devia ser diferente do dos árbitros de campo. A protecção dos juízes é fundamental para a Justiça.
Estamos a viver uma mudança estrutural no jogo e torna-se imperioso que não se esconda o erro; bem pelo contrário, a sua constatação ajuda a melhorar o sistema. Os critérios têm é de ser coerentes, sejam disciplinares ou desportivos.
Essa é a diferença."

José Couceiro, in A Bola

PS: Ainda existe outro cenário que devemos analisar: e quando o árbitro, o VAR, as televisões, os especialistas de arbitragem dos pasquins, a opinião pública em geral e o próprio colunista José Couceiro, não observaram a 'agressão', será que o CD poderá actuar?!!!
Por exemplo, o lance do Brahimi em Braga... ou as agressões do Battaglia e do Alan Ruiz em Alvalade?!!!

O choque

"(...)
'Penalty'
Fez muito bem o Conselho de Disciplina em não julgar o já chamado «caso Eliseu». No campo, árbitro e videoárbitro viram o lance e cometeram o erro de não punir Eliseu. Mas não podia agora o Conselho de Disciplina vir emendá-lo. Seria precedente grave.

Livre Directo
Estou absolutamente de acordo com o que veio agora dizer Roy Keane, antigo capitão do Man United, sobre o seu antigo companheiro Ryan Giggs: «Hoje, ele valeria uma enormidade» Sem dúvida. Giggs foi um dos maiores jogadores da História.

Livre Indirecto
Para o Benfica, ter empatado em Vila do Conde, obviamente, não é um drama. Drama será se não conseguir identificar o que esteve errado na exibição da equipa. Como será dramático não conseguir identificar a razão de tantos jogadores lesionados até agora."

João Bonzinho, in A Bola

Antes 'era só futebol'. Agora é 'só dinheiro'

" “É só (um jogo de) futebol”. Ou “É tudo sobre futebol”. Estas são duas frases sobejamente conhecidas e muitas vezes repetidas no mundo da bola. Ambas têm servido de justificação para muito do que se passava (e ainda passa) dentro e fora dos relvados. Para o bom ou para o mal, seja para desculpabilizar derrotas, utilizar mind games ou explanar o comportamento das equipas no rectângulo de jogo. Tudo no campo teórico do futebol em estado mais puro.

Pois bem, essa(s) frase(s) há muito escutadas e repetidas vão perdendo espaço no futebol moderno (futebol negócio ou futebol indústria) para o “é só dinheiro” ou “é tudo sobre dinheiro”. Ou traduzido para língua inglesa, a pátria do jogo, “it’s all about Money”. Ou “It´s only Money”.
Já que estamos numa de anglicismo, recordo-me de um que poderá ser mais apropriado e ilustrativo. “Show me the Money” gritava Tom Cruise no filme “Jerry Maguire”. O grito telefónico (a pedido) imortalizado pela dupla de actores Tom Cruise e Cuba Gooding Jr são o exemplo acabado do que parece se ter transformado este desporto profissional.
Hoje clubes, empresários, representantes dos jogadores e os próprios jogadores içam essa bandeira negocial. Do outro lado, outros clubes, outros proprietários de clubes, batem cláusulas de rescisão e batem recordes atrás de recordes nas verbas de transferências de jogadores.
Nunca como hoje se assiste a tamanha loucura de verbas para aquisições de jogadores de futebol. Num mercado há muito inflacionado, o jogo do onze para onze, onde antes dizia-se que no final “ganhava a Alemanha” hoje parece que o vencedor (antecipado) é aquele que mais gasta. Que mais caro compra.
Vejamos. Ainda no defeso, Neymar foi vendido pelo Barcelona aos franceses do PSG por 222 milhões de euros. Dembelé viajou de Dortmund para o clube catalão por 105 milhões e Lukaku, avançado belga, assinou pelo Manchester United a troco de 85 milhões.
Ontem foi “noite louca” para 29 das 55 federações que fazem parte da UEFA. Num longo dia de fecho de mercado para um lote onde se inclui as Ligas mais competitivas do continente europeu, no meio de muitos milhões, Oxlade Chamberlain protagonizou a maior transferência do dia (Liverpool desembolsou 38 milhões de euros) e houve espaço ainda para os empréstimos de última hora. O mais falado (e será durante a época) foi o de Kylian Mbappé, uma mudança de camisola (deixou o Mónaco para se juntar ao PSG) com opção de compra de 180 milhões. Um novo tipo de “empréstimo” que pode ajudar a contornar o Fair Play Financeiro e as análises do organismo máximo do futebol europeu.
O fecho (tardio) do mercado, já com a época (competições internas e europeias) a decorrer, tem merecido críticas de vários agentes do futebol, de treinadores a clubes. Talvez um dia estejamos todos a debater e a pedir travão ao crescimento galopante das verbas de transferências do jogo que nasceu como “só futebol" e hoje parece transformado em “só dinheiro”."

A “era da pós-verdade” em Portugal

"Uma sociedade civil que se limite a “ler as gordas” arrisca-se a ficar esquelética de conhecimento e a que os seus ossos sirvam de armas a injustas batalhas.

Faz parte do nosso modo de (procurar) entender o mundo apelidá-lo de variadas formas. As mais recentes apontavam, segundo filósofos e sociólogos, para a “pós-modernidade” ou “modernidade tardia”, de que o há pouco desaparecido Zygmunt Bauman foi um dos principais arautos. Ulrich Beck, com a sua Risikogesellschaft (“sociedade do risco”) e, antes dele, Habermas, com a “teoria do agir comunicacional”, compõem, em extremo esboço, os mais relevantes contributos para sabermos o que somos enquanto comunidades de concretas mulheres e homens.
Nos últimos dois ou três anos tem-se imposto a chamada “época da pós-verdade”, de inspiração norte-americana (post-truth politics), de acordo com a qual o nosso tempo se caracterizaria por uma acentuada manipulação da informação de massa, pelas fake news, pelo controlo dos media e pelo instantâneo que, muitas vezes, não apresentaria adesão à realidade. Com base em tão fraco suporte, seríamos todos mais facilmente moldáveis aos poderes públicos e económicos, à distância de um tweet, de uma publicação no Facebook ou no Instagram. Não faltariam exemplos, desde o mais óbvio com a eleição de Trump, à guinada política na Polónia, ao Brexit e toda a campanha de desinformação que a acompanhou, até à insuspeita Alemanha, onde a aparentemente sombria Merkel também teria entre os seus sequazes as imprescindíveis agências de comunicação. Os casos de Trump e do Brexit são os mais paradigmáticos: em ambos a opinião pública foi bombardeada com dados mais tarde desmentidos por entidades oficiais, por cientistas, mas que uma vez ditos e repetidos se tornaram verdades. Mais que isso, eram mentiras que uma boa parte da população queria converter em factualidade. Assim, a “liquidificação” das relações humanas (Bauman) foi sendo o caldo perfeito para que cada cidadão se vá arvorando em rei Midas, com um toque transformando uma mentira numa conveniente verdade.
Compreendo a vantagem de tais linhas interpretativas, mas receio que elas pouco ou nada tenham de novo, excepto a dimensão hoje propiciada pelas tecnologias da informação. Tal como sucedeu com a “sociedade do risco” de Beck, vai havendo muito “pouco de novo debaixo do sol”. Compulsei a “Constituição dos Atenienses”, de Aristóteles, e deparei-me com pérolas como esta: na Constituição de Sólon entendia-se que as leis eram propositadamente obscuras, “com o intuito de que o povo se tornasse senhor das decisões”, o que na verdade não aconteceu, tendo o pobre Sólon, depois de dez anos no Egipto para se libertar da dureza do governo, regressado como tirano, aliando-se a ricos e pobres, cada um a seu turno, acabando por todos odiado, mas com a convicção de ter salvado “a pátria e para ela criar as melhores leis”. Mais à frente: “os Atenienses, fazendo uso da habitual doçura do regime democrático, haviam deixado que habitassem na cidade os amigos dos tiranos que se não tinham comprometido com desordens”.
Muitas outras passagens poderiam ser transcritas, mas o ponto é que as datas prováveis deste conjunto de fragmentos aristotélicos é de 329 a 322 a.C. E já aí o Povo era dominável e dominado. Também aí havia desinformação. De igual modo, mais que a verdade, o que se procurava era o bem-estar sócio-económico, mesmo que num quadro de tirania e de homens sebastiânicos e que, em eras de incerteza como são todas, pareça saber para onde nos conduz. A preguiça está subestimada e o ser humano é-o por natureza. Se há alguém que aparenta ter uma ideia para um Estado, mesmo que aqui e além minta e/ou cometa delitos, para quê aborrecermo-nos com “sobressaltos cívicos”? Daí que, em conclusão, acompanhando e respeitando o trabalho de filósofos e sociólogos, não vislumbro nestes epítetos mais que uma mera vantagem heurística.
E Portugal também está na “era da pós-verdade”? Por certo de um modo bem mais pacato, mas os exemplos também não faltam, apresentando-os deliberadamente sem emitir opinião sobre os mesmos. Para me ater aos mais recentes: pessoas que se suicidaram não se suicidando após a tragédia de Pedrógão, piloto de helicóptero de combate a incêndio que morreu ressuscitando, livros de actividades para crianças discriminatórios e sexistas que afinal o não são, valores de dívida que encolhe crescendo no primeiro semestre de 2017. Linchamentos “facebookianos” e quejandos de médicos que afirmam que a homossexualidade é uma “anomalia” ou que quem recorre a “barrigas de aluguer” é “um estupor moral”, de quem na política “sai do armário”, de um tipo tão improvavelmente machista quanto o Chico Buarque… Talvez seja da silly season, mas é patente que o sound bite é amiúde o que fica, ainda que mentira ou meia-verdade. Se vivemos no e do instantâneo, que mais se queria de uma maioria da população que só lê as manchetes nos telemóveis e tem preguiça de investigar pelos seus próprios meios?
Tudo isto seria normal e até relativamente caricatural, não foram os riscos de totalitarismos que se vão fazendo sentir e de termos uma opinião pública cada vez mais desinformada, amorfa e fácil de domesticar ao bel-prazer dos interesses político-económicos. Uma sociedade civil que se limite a “ler as gordas” arrisca-se a ficar esquelética de conhecimento e a que os seus ossos sirvam de armas a injustas batalhas."

Alvorada... do Mendes

Fecho do Mercado

Não é fácil analisar o Mercado do Benfica.
O Presidente tinha avisado que o grande objectivo das próximas épocas era a redução do endividamento financeiro... A racionalidade por trás deste propósito, é evidente: se quando o Clube 'não ganha' é preciso investir (endividar-se); quando o Clube está numa 'onda' de títulos conquistados, é tempo de 'sanear' as contas! Em teoria, todos concordam... o problema é a prática!!!

Mas como isto não é uma 'experiência' isolada, existem outras variáveis: a começar pelo facto de nesta época, só o Campeão ter direito a acesso directo à Champions, na próxima época; o facto dos nossos adversários continuarem a 'viver' muito acima das suas possibilidades, investindo 'tudo', cada um à sua maneira...; e ainda os ataques 'terroristas' fora das quatro linhas, que continuam a aumentar de 'volume', dia após dia...!!!

E ainda existe outra variável 'absurda': as 'nossas' lesões!!! Se tivermos uma época 'sem' lesões, o nosso plantel até é competitivo, e dá-nos garantias... Mas a probabilidade de isso acontecer, é mínima!!!

O investimento financeiro foi quase 'zero': empréstimos, 'custos zeros' e jovens com potencial, comprados a preços relativamente baixos... Com esta 'forretice', espero um Relatório e Contas 'histórico'!!!

Em relação ao plantel, no ataque, estamos bem... Acho mesmo que temos mais opções: tínhamos 3 Avançados de grande qualidade, agora temos 4: a 'troca' do Mitro pelo Seferovic parece-me feliz, são jogadores com características diferentes, mas muito sinceramente acho que não ficámos a 'perder', até porque o Suíço é mais adaptável a outras movimentações; e além disso, ficámos com uma opção ao Jonas: Gabigol... Algo que não existia no plantel...
Em relação aos Extremos, saiu o Carrillo que praticamente não foi opção, e entraram três jovens com muito potencial: Digui, Willock e o Joãozinho...
No meio-campo, não saiu ninguém e entrou o Krovinovic e o Chrien... Na minha opinião, com a condição física do Fejsa, precisávamos de um '6' mais eficaz!!!

Os problemas estão na defesa: o Ederson fazia a diferença... mesmo o actual Júlio César, já será uma 'perda' de qualidade; o Varela tem limitações; e o Svilar é uma aposta no futuro...
Em relação aos Centrais: um Jardel, apto, deixaria-me descansado, mas a recente lesão deixa-me muito preocupado... Sendo que o Luisão, neste momento, obriga a equipa a defender de forma diferente... defendendo mais atrás... O Capitão neste momento é fundamental no jogo pelo ar... mas, no resto...
Nas Laterais, mais problemas: se o Douglas ofensivamente poderá 'fazer' de Semedo, defensivamente tenho muitas dúvidas... e na esquerda, as lesões recorrentes do Grimaldo deixam-me preocupado: se o Eliseu 'cumpre', no actual Modelo de jogo do Benfica, jogar com Laterais ofensivos, faz muita diferença...

Em 90% dos nossos jogos, o plantel, com mais ou menos lesões, chega...! Mas na Champions, e nos jogos mais competitivos do nosso Campeonato, o número de indisponíveis vai ser decisivo! Neste caso, os meses de Dezembro/Janeiro serão muito importantes, pois temos a última jornada da Champions e temos os Clássicos da Liga...

Espero, que a 'poupança' neste defeso, não obrigue a um investimento 'louco' daqui a um ano, para tentar recuperar o título, entretanto perdido!!!

Benfiquismo (DLXXVIII)

Equilibrista...!!!

Aquecimento... Mercado

Obrigado, Mitroglou

"Duas épocas, dois títulos de campeão nacional, uma Taça da Liga e uma Taça de Portugal. Ao serviço do Benfica, disputou 88 jogos oficiais, marcou 52 golos e completou nove assistências. 
Mostrou qualidade, compromisso e envolvimento. O internacional grego foi sempre um profissional de enorme gabarito.
Obrigado Mitroglou…as maiores felicidades pessoais e profissionais."

Gabriel Barbosa

Já tinha sido mais ou menos anunciado, se um dos avançados fosse vendido (acabou por ser o Mitroglou...), o Gabibol seria jogador do Benfica.
O facto de vir emprestado deixa-me preocupado (andamos a valorizar jogadores de outros clubes); o facto de existirem outras posições com mais carências, também não me satisfaz...; agora, o facto do Gabigol não ter 'triunfado' no Inter, não me diz nada!
O Inter é um cemitério de jogadores e treinadores, a excepção foi o 'reinado' do Mourinho, de resto... Creio que todos os portugueses consideram o João Mário um bom jogador, mas também ainda não convenceu no Inter!!! Portanto, aquilo que o Gabriel prometeu no Santos e nas selecções Brasileiras, deixa-me relativamente descansado...

Mas ainda existe outro pormenor que me deixa mais satisfeito: creio que todos os Benfiquistas nas últimos 3 épocas reclamaram um 'substituto' do Jonas! Alguém que pudesse fazer a mesma posição, quando o Jonas não está disponível, ou quando é necessário fazer 'rotação' devido ao calendário sobrecarregado. Pois bem, de todos os jogadores no mercado, este provavelmente é o mais parecido com o Jonas!
Não no aspecto físico... mas nas zonas que ambos ocupam preferencialmente no terreno!
O Jonas tem mais técnica e visão colectiva; o Gabigol tem mais velocidade, mais força, mas também sabe driblar... e tal como o Jonas tem movimentações de 'jogador de área'!


Tenho lido alguns Benfiquistas, a colocarem a possibilidade do Gabigol jogar nas Alas, principalmente na Direita, mas muito sinceramente não me parece que seja essa a intenção...

O facto do Benfica ser conhecido como um Clube capaz de valorizar os seus jogadores; o facto do Gabigol e o Jonas terem estado juntos na Selecção (última Copa América); o facto do ambiente no balneário do Benfica ser reconhecidamente positivo...; o facto da adaptação de jogadores Brasileiros ser relativamente fácil a Lisboa; o facto do Modelo de jogo do Benfica, ser bastante 'amigo' dos avançados...; creio que tudo isto junto, permitiu o Gabigol desejar vir para o Benfica.
Agora, só tem que agarrar a oportunidade... com muito trabalho e alguma paciência, porque se tudo correr normalmente, inicialmente, não será titular!!!

Fala-se de uma cláusula de compra de €25 milhões de euros... se o Benfica for 'obrigado' a pagar, será bom sinal...!!!

PS: Após a contratação e adaptação fácil do Seferovic ao Benfica, era quase garantido que o Mitro ou o Raúl seriam vendidos. Mesmo que secretamente, lá no fundo, desejássemos que isso não acontecesse, a lógica seria a saída de um deles...
Acabou por ser o Mitro!
Pessoalmente, 'escolher' qual nos faz menos falta, é impossível!!! É verdade que o Mitro foi mais regular, mas o Raúl tem marcado muitos golos decisivos, começando no banco, ou como titular...
Só tenho que agradecer os golos ao Mitrolgou, e desejar-lhe toda a sorte do mundo... Vou ter saudades daquelas celebrações, introspectivas!!!

Douglas

Fim da novela Douglas!
Começo por dizer que o 'problema' defesa-direito, demorou demasiado tempo a ser resolvido pelo Benfica. E isso deveu-se essencialmente, à dificuldade em admitir que a aposta no Pedro Pereira, foi um erro!

Pois bem, Douglas... O facto de não se ter afirmado no Barcelona não me 'preocupa', já tivemos vários jogadores que chegaram ao Benfica, 'criticados' pelos adeptos dos ex Clubes, e acabaram por triunfar no Benfica.

O Douglas destacou-se no Brasil, onde acabou por chegar ao São Paulo... mas nessa altura não jogava a defesa-direito. Acabou por ser adaptado, recuou no terreno... A sua transferência para o Barça, foi um daqueles 'mistérios' que só o Mercado explica!!!

Em Espanha, sem jogar no Barça, foi emprestado ao Gijón... Fez uma época em bom plano, mesmo com alguns problemas com lesões... O Gijón acabou por descer de divisão, foi uma época carregada de 'emoções' no Clube, inclusive com o treinador a 'chorar' por não conseguir dar a volta aos resultados (quando se despediu e abdicou da indemnização)!!!

Dito isto, vou esperar para ver... Sendo que as expectativas não são muito altas! Principalmente nas questões defensivas... Ofensivamente é melhor que o André Almeida, disso não tenho dúvidas, mas vamos ver se consegue ser competente defensivamente...
O facto do jogador chegar ao Benfica com 27 anos dá-me alguma esperança: por exemplo o Eliseu, chegou ao Benfica já com experiência da Liga Espanhola, e no início da sua carreira também jogava em posições mais avançadas... e sempre que era 'falado' para o Benfica eu ficava apreensivo... e depois de cá chegar, acabou por ser muito útil...!!!

PS: Com o Alex Pinto na B, e com o reforço Medina para os Juniores (o Ramirez não me dá confiança...), na próxima época poderemos ter outro defesa-direito vindo da Formação...

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A verdade não tem cores

"A temporada futebolística ainda agora começou e a luta entre os três crónicos candidatos à conquista do título nacional já está ‘quentinha’... fora de campo. É isso uma surpresa? Não, de todo. Compreende-se que assim seja? Um pouco, claro. Há paciência para, diariamente, continuarmos a ouvir ‘choradeira’ de todos os lados? Penso que não. Eu, pelo menos, dispenso este folclore que, muitas vezes, não passa de conversa sem nexo, com argumentação pouco consentânea e onde as situações são analisadas não pelo que os olhos observam mas sim pela cor dos equipamentos dos envolvidos. Há gente – incluindo profissionais de comunicação dos clubes e vários paineleiros assumidos (com ou sem cartilha) – que fala como se todos os outros fossem cegos, incapazes de pensar pela sua própria cabeça. Isso é triste. Essencialmente porque muitos dos que agora se sujeitam a determinadas situações foram, no passado, capazes de as criticar. Já não se lembram?!
Entendo, perfeitamente, a velha questão da defesa da dama, mais ainda quando isso – no caso de muitos – é um trabalho. Mas, convenhamos, tal missão pode ser feita sem se cair no ridículo, sem se usar dois pesos e duas medidas como se ninguém se apercebesse dessa habilidade.
Sempre ouvi dizer que Portugal era demasiado pequeno para três jornais desportivos diários. Embora não concordando com a observação, aceito que a discussão possa ser pertinente. Mas, engraçado, é ver alguns dos que defendem (ou defendiam) essa tese não estarem nada preocupados por este ser o país em que mais debates televisivos se fazem em torno do futebol. Atenção que escrevi ‘em torno’. Sim, passar os dias a discutir se o árbitro A esteve bem ou mal quando não assinalou um penálti; se o jogador B devia ter visto amarelo ou vermelho ou se o vídeo-árbitro está a ser mais útil ou prejudicial não é exactamente discutir futebol. É algo diferente.
Somos também a nação que mais se preocupa com as camisolas ou os pastéis que os árbitros recebem, onde mais eco se faz do que os directores de comunicação (e não só) debitam nos órgãos oficiais ou nas redes sociais e onde os dirigentes têm mais protagonismo que os verdadeiros artistas. Em bom português: que importa se Bruno de Carvalho está sentado no banco ou na tribuna? Se Luís Filipe Vieira foi suspenso por 67, 37 ou 87 dias? Sporting e Benfica vão ganhar mais ou menos vezes por causa disso? Claro que não!
O futebol suscita verdadeiras paixões e isso, aqui e ali, leva ao exagero mas, sinceramente, alguém vê, por exemplo, os ingleses perder tanto tempo com este lado da modalidade? Portugal é campeão da Europa, tem o melhor jogador mundial da actualidade, vários dos melhores treinadores, três equipas na Champions e aquilo que mais se ouve são queixas, denúncias e intrigas. Faz sentido?"

Jornal... Últimas...

A tanga

"Diz o dicionário Priberam sobre a palavra:
«1) Espécie de avental usado por negros para velar o corpo desde o ventre às coxas;
2) Cueca ou peça de fato de banho de pequenas dimensões:
3) Moeda asiática de valor variável;
4) (Portugal, informal) História fictícia e enganosa (ex: isso é tudo uma grande tanga). = Mentira, Peta, Treta».
Detenho-me nesta última definição. No futebol, a tanga é provavelmente das palavras mais utilizadas a seguir a bola. Basta lembrar a quantidade de problemas gástricos que assolaram os jogadores (imagino se não tivessem o acompanhamento de nutricionistas profissionais que trabalham para os clubes); ou as lesões chatas que não desaparecem enquanto as respectivas transferências não são concretizadas, mesmo que esses mesmos jogadores possam jogar pelas suas selecções (recordemos os casos de William Carvalho e Adrien Silva).
Sem ironias: em Portugal tenta esconder-se tudo, mesmo o que esteja à vista. Há um salto qualitativo ao nível das mentalidades que ainda não foi dado. Estamos à frente na metodologia de treino, no scouting ou na medicina desportiva mas ainda a anos-luz na comunicação.
Na era das plataformas próprias ao serviço dos clubes (tv, sites, contas oficiais nas redes sociais, paineleiros profissionais nas televisões privadas) comunica-se pior do que há 10 anos. Porque a mensagem é cada vez mais grito e menos substância. Tão distorcida que começa a ser uma distopia. É boa para os trumpistas da bola mas péssima para a modalidade. Havemos um dia de pagar por isso. Porque das ligas que estão agora acima da portuguesa no ranking da UEFA todas vendem o seu produto como um todo (na Ásia compra-se a Ligue 1, não o PSG de Neymar; na América do Sul é vendida a Bundesliga, não o Bayern de Arturo Vidal).
Só seremos realmente bons quando pensarmos global. Sem fake news. E olhem que não é tanga."

Fernando Urbano, in A Bola

Lógicas diferentes do nosso futebol

"Tudo começou, este ano, com a loucura da pornográfica contratação de Neymar. Não foi apenas o caso de um multimilionário que teve um capricho. Foi um país que entrou brutalmente no mercado de transferências, marcou a sua posição no mundo e inquietou todos aqueles que ainda pensam sobre o futuro do futebol como espectáculo popular.
A partir desse momento, já se sabia que se ia dar o efeito de bola de neve, porque, jorrando quilolitros de euros, todos os grandes jogadores ficaram inflacionados e todas as loucuras se tornaram viáveis.
Evidentemente que o mercado português, sendo essencialmente um mercado exportador, ficou à mercê das escolhas finais dos tubarões. E não deixa de ser curioso termos a ideia de que o Benfica, se puder, continuará a vender com gosto e que o Sporting e o FC Porto, se tiverem de vender, venderão com... desgosto.
O Benfica tem, indiscutivelmente, uma filosofia diferente dos seus rivais e bem se poderia dizer que, para Luís Filipe Viera, se não jogar o António jogará o Manel. A lógica é a de conciliar o negócio e a estabilidade financeira do clube com o resultado desportivo, sendo que, nos últimos quatro anos, os objectivos foram atingidos tendo por ordem de prioridades, em primeiro lugar, o negócio e, depois, o resultado.
Sporting e FC Porto, porque estão mais pressionados com a necessidade urgente de obterem bons resultados, têm essa ordem de prioridades investida e assusta-os a possibilidade de perderem jogadores como William e Adrien ou como Danilo e Brahimi.
Já agora, o SC Braga está cada vez mais parecido com o Benfica..."

Vítor Serpa, in A Bola

Vitória não 'bate o pé' a Vieira?!

"Campeão não tinha o melhor plantel... Agora, piorou! Como atacar bem sem bons defesas laterais e firme meio-campo?

Nada imprevisível o despite benfiquista em casa do Rio Ave. Por um lado, o mérito deste: surpreendente arranque de campeonato - sob batuta de Miguel Cardoso, eis equipa desempoeirada, com muito boa qualidade táctica e... técnica, bem vincada num meio-campo estimulante, pois joga à bola muito a sério, com trio Rúben Ribeiro - Barreto - Francisco Geraldes (este voltou a não ter lugar no Sporting...) que pede meças a muitos craques.
Por outro lado, o actual Benfica...; já se detectara (goleada foi a fraquíssimo Belenenses) que emperrado por gritantes limitações: da qualidade do plantel (!) - lá irei... - à já normalíssima, para ele, enorme onda de lesões: após 39 na época anterior, e vão 13 agora!!! (sou incapaz de avaliar departamento clínico e metodologia de treino, mas não acredito em bruxedos e isto já vai no nível de... absurdo!).
Então o Benfica não é ultrapoderoso tetracampeão? Acontece que a preparação desta época sugere encruzilhada num dilema: saneamento financeiro vs. capacidade competitiva.
Recuo um ano: ao contrário de generalizada opinião, nunca considerei ser do Benfica o melhor plantel (muitíssimo deficiente lote de médios). Para mim, o melhor estava no FC Porto. Agora, sem sequer leve dúvida, primeiríssimo lugar para o do Sporting. Mesmo que hoje se despeça de William Carvalho (eventual saída foi, a tempo e horas, colmatada com Battaglia e regresso de Petrovic, mais rodado - tal como a de Adrien, como preciso Bruno Fernandes).
Percebe-se que Luís Filipe Vieira coloque forte tónico no saneamento. Muito saudável. O que também me parece evidente é grave: acreditar que todos os anos saltaria da equipa B um lote de talentos - com imediata alta capacidade competitiva! - como o formado, de uma assentada!, por Gonçalo Guedes, Nélson Semedo, Renato Sanches, Lindelof, Ederson (somaram €170 milhões ao saírem noutro ápice).
Eis o Benfica, num jacto, sem 3 plilares: guarda-redes, defesa direito, defesa central (e, na esquerda, Grimaldo lesionado, mais uma vez...; Eliseu com 33 anos). Substituições devidamente preparados? Pouco mais do que nicles... Regresso do bem promissor Bruno Varela (mas tem de ser muito sólido animicamente para aguentar badaladíssima busca do tal guarda-redes - a qual acabou num miúdo belga no dia em que fez 18 anos). Defesa direito: dois meninos para a equipa B e agora, em ultima hora, chega Douglas recém-emprestado pelo Barcelona ao Gijón. Defesa central: Luisão, 36 anos, Jardel, 31 (mais uma lesão, após todo um ano em baixa clínica), Lisandro muito irregular. Qual o problema? Entram os meninos Kalaica e Rúben Dias, vindos da equipa B, um deles há-de pegar de estava como pegou Lindelof... Eis como, em Vila do Conde, Lisandro foi única alternativa na defesa e nem um defesa lateral Rui Vitória poderia ter no banco... Virá aí Garay, no derradeiro minuto?

Dirão: o Benfica só 2 golos sofreu em 4 jornadas. Há o futuro (escassez de opções no periclitante centro defensivo) e há... o presente (quiçá, também futuro). Este Benfica, péssimo na 1.ª parte com o Rio Ave, ataca mal porque grande equipa precisa de forte meio-campo e de defesa laterais excelentes também no plano ofensivo. Sem Semedo e Grimaldo, sem Fejsa (pura rotina...) e estando Pizzi muito limitado (sabe-se agora: problemas físicos durante a semana; baixa clínica logo a seguir), também com Salvio de novo lesionado, equipa partida, aos solavancos. Milagres de Jonas não poderá haver toda a temporada, aos 33 anos. Rendimento de Rafa e dos jovens Cervi e Zivkovic mantém-se aos ziguezagues.
Óbvio: está ainda mais fácil bloquear o meio-campo benfiquista! Com estes defesas laterais, sem o pilar Fejsa, estando a batuta de Pizzi presa por arames e com extremos inconsequentes... que alternativas tem Rui Vitória? Samaris sem ritmo (4 jogos de suspensão), Filipe Augusto, um n.º 8 adaptado a n.º 6. Insólito: nada melhorou num meio-campo que já era débil!
Que aquisições fez o Benfica, para além de Seferovic (dito custo zero) e Bruno Varela (salvo erro, por €100 mil)? Pedro Pereira (volumoso fiasco), miúdos Chrien (médio) e Willock (mais um extremo). Única forte esperança do treinador: SOS por Krovinovic, recém-operado... Poderá ser a ultra necessária opção a quebras de Pizzi e/ou Jonas.
Vitória e Vieira garantem estar em perfeita sintonia. Tão perfeita que, internamente, o treinador não bate o pé ao presidente?"

Santos Neves, in A Bola