Últimas indefectivações

sábado, 18 de outubro de 2014

Risco... recompensado !!!

Sp. Covilhã 2 - 3 Benfica

É engraçado ouvir os elogios antes dos jogos, devido às decisões de determinados agentes (jogadores, treinadores...), depois durante o jogo ouvir os mesmos, a ofender tudo e todos... e no final da partida, quando o resultado até é positivo, voltar a elogiar... Uma autêntica montanha-russa, que depende exclusivamente se a bola entra ou não na baliza, seja lá porque razão for!!!
O Jesus voltou a correr um risco enorme com esta convocatória. O ano passado correu bem com o Cinfães (mais fraco que o Covilhã), e este ano a coisa esteve preta, mas no fim, ganhámos...
Normalmente diz-se que as equipas mais fracas têm na motivação, a sua maior arma, e que os 'grandes' muitas vezes relaxam nestas partidas... Ao colocar os não titulares, o lógico seria estes estarem igualmente motivados, pois têm a oportunidade de se mostrar ao treinador. Em sentido contrário, porque são pouco utilizados, não têm rotinas, ritmo, além dos famosos 'automatismos'... resumindo, existem teorias para os dois lados!!!
Neste caso especifico ainda existe mais um factor importante: nesta história das rotações: raramente, muito raramente um treinador arrisca rodar a equipa toda!!! E hoje, titulares nos últimos jogos, só dois - Artur e Lisandro -, e ambos por lesão dos companheiros (Júlio César, Jardel)!!! Não tenho estatísticas mas são poucas as rotações de sucesso, nestas circunstâncias, em qualquer campeonato, contra qualquer adversário...
Em cima de todas as variáveis que podiam correr mal, também tivemos um relvado duríssimo, e um daqueles clássicos 'douradinhos' a apitar, que perdoou vários cartões (protegendo a agressividade do adversário...), inclusive um vermelho tão descarado que o treinador do Sp. Covilhã substitui o seu jogador (ainda na 1.ª parte), para evitar o inevitável!!!
Existem jogadores que não enganam, com o Arouca o Jonas já tinha convencido todos os Benfiquistas com alguns toques na bola, hoje marcou 3 golos, e espalhou classe por todo o lado... Vai fazer falta no Mónaco, mas estará em Braga, seguramente!!! Outro que não engana é o Gonçalo Guedes, que entrou para o lugar do lesionado Ola John, e terá sido o melhor na 1.ª parte!!! Para a história fica a estreia do Guedes, com 17 anos (ainda Júnior), com uma vitória... faltou o golinho, que esteve quase!!!
Não desgostei do Pizzi a '8', mas nota-se claramente alguma falta de rotinas na posição. O Cristante voltou a mostrar qualidade técnica (grande passe para o 2.º golo), mas falta-lhe agressividade para a posição '6'.
Pela negativa, destaco o Bebé... e o Benito com alguma falhas defensivas estranhas. O César levou com a ira do Jesus no final, prevejo novela nos avençados...

Empate...

Barcelona 1 - 1 Benfica

Estreia com um empate na Europa, logo em casa do actual Campeão Europeu. Para não variar tivemos um tremendo azar no sorteio, e apesar do nosso excelente ranking (2.º), atrás do Barça!!! Ficámos no mesmo grupo, e ainda com os Italianos do Bassano !!!
As informações que chegaram, falam de um jogo equilibrado, com algum ascendente para o Barça, mas com ambos os golos a aparecerem de bola parada: penalty para o Benfica na 1.ª parte; livre directo para o Barça na 2.ª parte.
Tudo em aberto no grupo, creio que os jogos com os Italianos vão ser decisivos, já que teoricamente estão um pouco mais fracos do que em épocas recentes...

Roller Hockey: FC Barcelona - SL Benfica (1-1... por fcbarcelona

Remontada !!!

Benfica 30 - 25 Sp. Horta

Início desastroso, aliás 1.ª parte desastrosa (11-15)!!! Não sei se foi desleixo, ou desconhecimento do adversário por parte do treinador, chegámos a estar a perder por 8-14!!! Toda a gente sabe que ofensivamente esta equipa da Horta, é o velhinho Kostetsky (11 dos 25 golos...) contra o Mundo... mas parece que ninguém avisou a nossa defesa!!!
No 2.º tempo tudo foi diferente, porque melhorámos, mas também porque o Sp. Horta quebrou fisicamente, aliás o Kostetsky quebrou fisicamente...

Vitória...

Benfica 3 - 0 Leixões
25-20, 25-14, 25-15

Estreia no Campeonato com uma vitória tranquila e esperada...
Amanhã - novamente na Luz - tudo será diferente, pois vamos defrontar o Sp. Espinho, equipa que já nos derrotou na pré-época!!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Velhos e novos

"Já não há muita paciência para os debates sobre quem lança mais jovens e sobre quantos jovens tem cada equipa, em cada jogo. Jorge Jesus já teve de responder à mesma questão colocada de 101 formas diferentes, mas igualmente cretinas. São os mesmos hipócritas que reclamam pela presença de jovens nos onze dos clubes que criticam quando não se ganha por excesso de juventude e imaturidade.
Benfica, FC Porto e Sporting têm como objectivo ganhar títulos e não ser o jardim-escola do futebol português. Devem jogar os melhores, independentemente da idade. Confesso que em caso de dúvida privilegiaria os mais velhos.
Deliciei-me com a vitória de Roger Federer no último Masters 1000 de Xangai, não me esqueço de Roger Milla dos Camarões, fui fã daquela equipa de velhos acabados do Inter de Milão que Mourinho pôs a campeã europeia e repetia mil exemplos em todos os desportos.
Esta xenofobia da juventude e esta pedofilia futebolística, alimentada por empresários sem escrúpulos e aceite por adeptos acéfalos, são irritantes.
Ainda não vi crítica a Fernando Santos que renovou a Selecção com os jovens Ricardo Carvalho, Tiago, Eliseu e Quaresma para ganhar à Dinamarca.
No Benfica quero os melhores para ganhar os jogos e pouco me importa a sua idade. Devo mesmo confessar que gosto pouco de ver jovens e fazer asneiras no Benfica, para serem vendidos para outros emblemas quando atinge a sua plenitude futebolística.
O facto de o onze-tipo do Benfica ter experiência mostra a inteligência de Jorge Jesus. O facto de o treinador ligar pouco a esse ruído disparatado mostra a sua maturidade. os jovens jogadores lançados precipitadamente custam carreiras aos próprios e títulos às equipas.
Na Covilhã tem de jogar uma equipa de qualidade e próxima do melhor Benfica, para não haver taça. Não faltam avisos dos perigos que se irão encontrar. O Sp. Covilhã é melhor do que vários emblemas da I Divisão."

Sílvio Cervan, in A Bola

A vermelho!

"1. Um fim-de-semana, seis vitórias, dois troféus. Foi este o pecúlio das nossas modalidades mais representativas, cingindo-nos apenas aos escalões seniores masculinos.
O Voleibol e o Basquetebol entraram na nova temporada da mesma forma que haviam saído da anterior: a ganhar, e a festejar conquistas (neste caso, Supertaça e Troféu António Pratas). O Andebol, o Hóquei em patins e o Futsal também venceram folgadamente os seus jogos, todos eles disputados fora de casa. Nada de novo aqui. Mais um fim-de-semana à Benfica.

2. Amanhã começa a defesa da Taça de Portugal, brilhantemente conquistada em Maio passado no Estádio do Jamor. O adversário é do segundo escalão, mas nestas ocasiões o favoritismo tem de ser confirmado dentro do campo. A partida europeia da quarta-feira seguinte pode condicionar o 'onze' a apresentar na Covilhã, mas não pode, em caso algum, reduzir a concentração competitiva daqueles que entrarem em campo. Até porque teremos pela frente um conjunto de profissionais empenhadas em fazer a exibição (e o resultado) de ma vida.

3. Até agora, a Liga dos Campeões não nos tem corrido de feição. Eis uma boa oportunidade, no Mónaco, para inventar a sequência, alcançado um resultado que nos recoloque na luta pelo apuramento. Conseguindo a vitória, ficaríamos a apenas um ponto do segundo lugar, com três jornadas por disputar, duas delas em casa. Tudo ainda é possível neste grupo. Eu acredito!

4. Ainda há poucas semanas o mercado de transferências encerrou, e já os jornais nos intoxicam com especulações acerca daquilo que pode suceder em Janeiro. Para eles, as competições futebolísticas parecem ser apenas um interregno nas negociatas que lhes interessam fomentar, e que utilizam como incremento de vendas. Não sei bem se escrever, em Outubro, que determinado jogador pode sair, ou entrar, em Janeiro, ajuda assim tanto a venda de papel. Eventualmente ajudará noutros planos, e junto de outros intervenientes. Como leitor dispenso. Como adepto do futebol, abomino."

Luís Fialho, in O Benfica

Encarnado é o Vermelho-amor

"Não foram poucas as histórias de falsas identidades que vimos, ouvimos ou lemos, ao longo das nossas vidas, e que guardamos na nossa memória colectiva. Por exemplo, o Mundo da ficção deu-nos alguns exemplos (Zorro, Batman, Super-Homem, etc). Gente que se fazia passar por 'normal' para depois se transvestir e actual incógnito. Lembremo-nos ainda da fábula do Patinho Feio, o qual se julgava pato sendo ganso, e os constrangimentos que isso lhe provocou. Pois bem, para a nossa memória colectiva, poderemos acrescentar mais uma história similar: a do árbitro que se fazia passar por isento, com o intuito de acudir ao Sistema. Iremos lembrar-nos dele como transvestido de homem sério e competente, para salvar a pele de outros.
Porém, ao contrário dos heróis supramencionados, este não está aqui para fazer o bem. os super-heróis salvam as pessoas do mal, Pedro Proença, assim se chama o embuste, salva o mal do seu destino perdedor. A bem da verdade, Pedro Proença está mais próximo do Patinho Feio do que de outra qualquer história de falsa identidade, pois aquele que se tinha por Benfiquista veio, no fundo, a revelar-se portista.
Ninguém compreende como Pedro Proença apita com distinção no estrangeiro e faz tamanhos disparates nos jogos do FC Porto, beneficiando sempre o mesmo. Se não soubesse apitar, saberíamos que era defeito de qualidade. Mas, quem tem o seu estatuto internacional e reconhecimento e apita assim em Portugal, só pode ser com férrea intencionalidade.
Beneficiar sempre, sempre o FC Porto só pode ser coisa do campo da premeditação. O último jogo entre Porto e SC Braga foi uma vergonha! Em sentido contrário, o dito juiz (?) tem prejudicado gravemente o Benfica. Há dois anos, validou um golo ao Maicon e roubou-nos um Campeonato!
Qual caranguejo eremita, não nos deixaremos enganar pela tua carapaça, Pedro!"

Carlos Campaniço, in O Benfica

Diz-se por aí (salários)

"Apresentei já, ao público, os resultados do meu recente estudo na área do direito desportivo, com resultados que, sinceramente, me surpreenderam a mim próprio: cerca de 45% dos futebolistas em Portugal tem salários ou complementos em atraso. O número poderia não ser, por si só, revelador, mas é incondicionalmente expressivo. Portugal apresenta uma das mais elevadas taxas da União Europeia no incumprimento das obrigações dos clubes e das entidades empregadoras desportivas para com os seus atletas. Da mesma forma, a aposta na formação continua na cauda da Europa. Na comparação com Espanha e Reino Unido, por exemplo, Portugal apresenta números extremamente reduzidos no que respeita aos valores brutos investidos pelos clubes em actividades ou estruturas formativas, evidenciando ainda uma percentagem muito pequena de atletas que acredita, um dia, poder vir a ser desportista profissional.
Da mesma forma, tive já oportunidade de o dizer e sublinho-o de novo aqui: tal como está, a legislação em Portugal, incentiva a corrupção no desporto e premeia os seus autores, desmotivando sinceramente todos aqueles que querem fazer frente a este fenómeno tão degradante dos espectáculos desportivos que enchem os estádios e nos enchem os corações.
Tudo ao contrário, portanto, em relação a alguns dos aspectos fundamentais do desporto em Portugal: a legislação laboral desportiva, a aposta na formação, a redução de litígios e a tutela das legítimas expectativas daqueles que dão o seu melhor ao serviço dos clubes desportivos. Nos últimos anos, o Sport Lisboa e Benfica tem sido a única luz que brilha no panorama sinceramente devastador que se apoderou do desporto em Portugal, como ficou consolidadamente demonstrado no último Relatório de Contas da SAD Benfiquista. A estratégia foi simples: evitar cortar cegamente na formação e nas modalidades, recriar e dinamizar estruturas - mesmo em tempos de profunda crise - e os resultados, claro, estão à vista. Do judo ao voleibol. Podiam os outros aprender alguma coisa!"

André Ventura, in O Benfica

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Uma semana a ver jogar os outros

"A competição chama-se Taça de Portugal, repito, de Portugal, portanto não há aqui lugar para Sicílias-Venezuelas nem para Palermos-Caracas. É simplesmente um FC Porto - Sporting.

Quinta-feira, 9 de Outubro,
HOJE a equipa nacional de sub-21 foi até Alkmaar e despachou com grande categoria a sua congénere holandesa com um resultado de 2-0 dificilmente contornável na próxima terça-feira, em Paços de Ferreira, mesmo que o nosso Ola John venha a ser titular e faça o jogo da sua vida.
O melhor jogador português na Holanda foi Bernardo Silva. Gostaria muito de escrever «o nosso Bernardo Silva» mas não tenho a certeza de assim ser e longe de mim está a intenção de enganar seja quem for. É nosso? Ou não é nosso? Está emprestado e qualquer dia está de volta a casa ou foi vendido e nunca mais o vemos? Aguarda-se o esclarecimento por voz autorizada, se faz favor.
O jogo de hoje dos sub-21 foi engolido nos noticiários pelas declarações da véspera do presidente do Sporting para quem o próximo FC Porto-Sporting, a contar para a Taça de Portugal, só pode «correr pior» do que o último Sporting-FC Porto, a contar para o campeonato, se o próprio «sair de lá morto».
Carvalho é, destacadamente, o mais venezuelano dos nossos presidentes de clubes de futebol no que ao campeonato do mais grosseiro populismo diz respeito. Embora, faça-se justiça, ninguém tenha chamado populista a José Mourinho quando, há coisa de uma década, no comando do Chelsea, desembarcou no Porto rodeado de seguranças esclarecendo o aparato nos seguintes termos em declarações ao Expresso. «Se você fosse a Palermo não levava guarda-costas?».
O homem é o estilo e o estilo é o homem.
Perante tudo isto o que importa realçar é o nome da competição em que os dois emblemas se vão defrontar já no próximo sábado. Chama-se Taça de Portugal, repito, de Portugal, portanto não há aqui lugar para Sicílias-Venezuelas nem para Palermos-Caracas. É simplesmente um FC Porto-Sporting.

Sexta-feira, 10 de Outubro,
HOJE, pelas sete e meia da manhã, bem cedo portanto, já havia gente em fila à porta da sede do Sporting da Covilhã esperando a sua vez para comprar bilhetes. Vai lá jogar o Benfica no sábado. É a tal Taça de Portugal. Estão justificados os madrugadores.
O Benfica é o detentor do tão amado troféu. E não o ganha em dois anos consecutivos desde os triunfos de 1985/1986, batendo na final o Belenenses, e de 1986/1987, batendo na final o Sporting. O Sporting da Covilhã é o primeiro adversário desta edição da Taça de Portugal e para não ser o último será da maior conveniência que o Benfica «não espere facilidades», tal como oportunamente avisou o nosso César Brito que também jogou pelos Leões da Serra. Desde aquela tarde mágica de Abril de 1991, tudo o que o César Brito diz ou faz é para levar a sério.
Entretanto, a selecção dos crescidos joga amanhã em Paris com a França. É o adversário ideal para a estreia de qualquer seleccionador porque a última vitória portuguesa sobre os gauleses aconteceu em pleno período revolucionário, em Abril de 1975, com José Maria Pedroto no banco, acumulando o cargo com o de treinador do Boavista.
A BOLA dá conta que Fernando Santos experimentou no último treino uma linha defensiva constituída por Cédric, Pepe, Carvalho e Antunes. Tem o meu aval.
O desejável é que Eliseu não jogue porque como é do Benfica e não foi formado na Academia do Sporting como o grosso do contingente será, certamente, apontado a dedo por tudo o que de mal venha a acontecer à nossa selecção amanhã em Paris.
E o importante é não desmoralizar o nosso Eliseu que já nos resolveu à bomba dois jogos do campeonato nacional.

Sábado, 11 de Outubro,
ACONTECEU precisamente o que temia. Até dos sucessivos falhanços dos avançados franceses que poderiam ter construído um resultado parecido com o vexatório foi o pobre do Eliseu acusado de ser o responsável.
Faço votos para que não jogue na terça-feira na Dinamarca.

Domingo, 12 de Outubro,
TALISCA brilha na selecção olímpica do Brasil. Jorge Jesus disse que Talisca tem coisas de Rivaldo. Para mim tem coisas de Isaías, o que já é altamente satisfatório. Há muitos anos, desde Isaías, que o Benfica não dispunha de um jogador que tomasse embalo a meio campo com uma passada daquelas toda projectada para a baliza do adversário.
Em Espanha, a jogar pelo Rayo Vallecano, Abdoulaye deu hoje uma entrevista ao As e disse que «mudar para o Rayo foi um passo em frente». E foi.
Sem desprimor para o FC Porto e para o Vitória de Guimarães, os seus últimos clubes em Portugal. Não é a importância dos emblemas que está em causa. É a visibilidade do campeonato espanhol, muitíssimo superior à visibilidade da nossa Liga.

Segunda-feira, 13 de Outubro,
O Tribunal Arbitral do Desporto suspendeu a suspensão de Fernando Santos. O nosso novo selecionador pode assim sentar-se no banco amanhã em Copenhaga. Se o TAS, entretanto, mudar de opinião, lá voltará o engenheiro a ver os jogos da bancada. Na conferência de imprensa de hoje vimos o Fernando Santos mais bem-disposto e sorridente de sempre. E se Portugal vencer amanhã a Dinamarca todos estes problemas do senta-no-banco-ou-não-senta-no-banco passam a ter pouca ou nenhuma importância. E é isso que se deseja.
«O importante é continuar a jogar e ter saúde» disse agora mesmo Nani confrontado por um jornalista sobre o passo atrás ou o passo à frente que foi o seu regresso ao Sporting. Ao contrário de Abdoulaye, Nani não dá crédito ao desprimor de jogar na Liga portuguesa.

Terça-feira, 14 de Outubro,
POR ordem de entrada em acção: O nosso Gaitán marcou dois golos pela Argentina num jogo disputado em Hong-Kong. Parabéns! O nosso Ola John não fez o jogo da sua vida e a Holanda foi à vida nos sub-21. O jogo de Paços de Ferreira teve nove golos. O último foi marcado pelo nosso (é nosso, não é?) Bernardo Silva. Portugal esteve sempre tranquilo com a evolução do resultado.
Quem assistiu ao jogo através da televisão sabe como as coisas se passaram: sempre que o comentador da RTP afirmava que a Holanda tinha um futebol «caótico» os holandeses, que nem o estavam a ouvir, marcavam logo um golo. Foi assim que se chegou a um resultado de 5-4.
À noite, em Copenhaga, entraram os dois Carvalhos na equipa e o nosso Eliseu foi outra vez titular. Como Portugal ganhou à Dinamarca ninguém lhe apontou o dedo. Foi uma vitória sofrida. Garantida com um golo assinado por três autores, o que é apreciável e coisa rara de se ver. O centro de Ricardo Quaresma valeu 30% do golo, a cabeçada de Cristiano Ronaldo valeu outros 30% do golo e o oportuno desvio do dinamarquês Kjaer para o fundo da baliza do filho de Schmeichel valeu os restantes 40%.
Para a História ficará, e muito bem, que o golo foi de Cristiano Ronaldo. Ele merece. É o melhor de todos. 
No outro jogo do nosso grupo, o Sérvia-Albânia, o ex-nosso-Mitrovic foi acusado por alguns facciosos de ter provocado o “caos” quando arrecadou à mão o drone que fez voar a bandeira albanesa sobre o relvado do estádio de Belgrado. Não foi o piloto à distância do dito drone que provocou o caos. Foi o Mitrovic.
Na confusão que se gerou lá na Sérvia vimos o ex-nosso-Markovic, que estava sentado no banco, disparar para o centro da acção em grandes gestos e correrias. Também em Turim, na meia-final com a Juventus, fez uma coisa parecida o que lhe valeu um cartão amarelo que o impediu de jogar a final com o Sevilha. Markovic é um irreflectido genial. Aliás, se não fosse irreflectido ainda estava no Benfica.

Quarta-feira, 15 de Outubro,
LÊ-SE hoje na primeira página de A BOLA. «Estou numa Liga inferior mas boa para crescer.» São palavras de Óliver, actual jogador do FC Porto, pronunciadas numa entrevista à Marca TV. Óliver saiu do campeão Atlético de Madrid para o campeonato português e, tal como Abdoulaye, sabe muito bem o que são passos para trás, para a frente e para o lado.

Quinta-feira, 16 de Outubro,
O próximo jogo de Portugal é em Novembro com a Arménia. A vitória de anteontem lança paz e sossego sobre a selecção e as opções do seleccionador. O único motivo de discussão será, porventura, o novo equipamento da selecção. Camisola branca, calções azuis, meias brancas. Gosto. Tem classe. Faz-me lembrar o equipamento do Paço de Arcos. Há quem não goste. O ex-presidente do Sporting, Godinho Lopes, lamentou há dias a ausência do verde no trajar da selecção. Uns meses antes já o actual presidente do Sporting tinha protestado contra o vermelho da bandeira nacional. E, mais recentemente, desaprovou as bolas vermelhas de protecção dos microfones que recolhiam as suas palavras. Gostos são gostos. E desde que Bruno de Carvalho não exija, um dia destes, a retirada do vermelho dos semáforos poderemos continuar a atravessar as ruas com toda a tranquilidade."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Nomes e originalidades clubistas (II)

"Ontem falei do SCP que, segundo o seu presidente, é o único clube dos grandes que é de Portugal. Logo me lembrei do Atlético Clube de Portugal. Só não vi ninguém no clube de Alcântara dizer que isso o superiora em relação aos demais clubes da cidade, província ou bairro. A propósito de bairros, há o Clube Oriental de Lisboa que é uma excepção quanto ao nome simplificado: nem o primeiro, nem o último, mas o do meio, Oriental. Além dele, também a Académica entre Associação e Coimbra.
Na Madeira há uma certa barafunda geográfica que, provavelmente, levaria Bruno de Carvalho a insurgir-se, caso fosse presidente do Marítimo. É que dos 3 principais clubes, o que tem a palavra Madeira no seu nome oficial não é como tal reportado. E os outros que não têm referência geográfica acoplaram o nome da região. Assim, o Marítimo da Madeira é mais conhecido por Marítimo do Funchal. O Clube Desportivo Nacional toma o nome comum de Nacional da Madeira e o Clube de Futebol União é, para todos os efeitos, o União da Madeira.
O nome simplificado do Clube de Futebol 'Os Belenenses' (finalmente um clube de futebol à portuguesa, e não um futebol clube à inglesa!) é... o Belenenses, numa errada conjugação do artigo singular e do substantivo plural!
Sempre polémicos são os casos do Setúbal e do Guimarães, embora os nomes das cidades não façam parte da designação oficial. Por isso, compreendo o esforço para serem tratados por Vitória, sendo que um é Vitória Futebol Clube e o outro é Vitória Sport Clube. Por fim, o Estoril-Praia que, fora da época balnear, deixa cair o Praia para ser tão-só Estoril."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Enzo...

Por favor, não inventem

"Na entrevista muito interessante que deu ao Record, Jorge Jesus colocou o dedo na ferida: 'Há aí uns malucos que querem inventar, e quando eles quiseram avançar com quotas de jogadores, o nosso campeonato vai estar ao nível da Turquia, da Grécia, da Bélgica, da Holanda.'
O pressuposto de Jesus é correcto. Ao contrário do que é sugerido por muitos dos que insistem sistematicamente na ideia do que é 'preciso repensar o futebol português', o melhor que nos podia acontecer é que se mexesse pouco no futebol português, que não aparecessem 'malucos a inventar'.
Convém ter presente que, tendo em conta a dimensão do nosso país, o seu carácter periférico, o escasso poderio económico e o número reduzido de atletas federados, os resultados do nosso futebol deveriam ser vem piores do que são. Isto é verdade em termos competitivos (veja-se o ranking UEFA dos nossos clubes), mas, não menos relevante, se consideramos a dimensão financeira - Porto e Benfica têm sido capazes de desenvolver com sucesso um modelo económico assente na valorização e venda de jovens talentos estrangeiros e portugueses.
Ora se, em lugar de dar condições para que possam prosseguir estratégias autónomas, nas quais combinam investimento em jovens de outros países com aposta nos portugueses de excelência, os clubes fossem obrigados a postar nos jovens portugueses, apenas por serem portugueses, estaríamos, de facto, a nívelar por baixo.
Sejamos realistas: não há jogadores nacionais de excelência em número suficiente para permitir aos grandes clubes manterem-se competitivos. E, pior, com onzes maioritariamente formados por portugueses, os melhores não se habituariam a jogar, desde novos, com os melhores. Em última análise, o André Gomes e o Rúben Neves, para dar apenas dois exemplos, seriam objectivamente prejudicados."

Nomes e originalidades clubistas (I)

"A interrupção do campeonato é um bom pretexto para divagar sobre curiosidades. Assim me pus a pensar no nome pelo qual os clubes são mais chamados (nos media ou pelas pessoas).
O Futebol Clube do Porto é - não sei porquê - o que, frequentemente, é referido pelo seu nome completo. Ou seja além do nome próprio (Porto), pelo apelido (Futebol Clube), mesmo que se fale de outro desporto que não futebol... Um pouco à imagem do seu presidente que, não rato, é chamado por quatro nomes. Fazendo uma comparação, não vejo o Barcelona ser conhecido pelo seu nome completo Futbol Clube Barcelona.
Já o Benfica dá mais pelo nome próprio do que pelo completo Sport Lisboa e Benfica que se usa mais esparsamente. Curiosamente é dos grandes o que, no seio dos adeptos, é também aclamado pelo sigla SLB.
O Sporting Clube de Portugal não tem, na verdadeira acepção da palavra, nome próprio, pois Sporting - como, é quase sempre mencionado em versão curta - é também comum apelido. Havendo muitos, a intensidade do seu uso não é uniforme. O Braga é muitas vezes acompanhado por Sporting, tal como o Covilhã ou o Espinho (aqui para também não se confundir com a Académica de Espinho). Menos frequentemente o é o Farense e quase nunca o Olhanense.
Disse há dias o presidente, do SCP: «Uma das grandes vantagens do Sporting é que se chama Sporting Club de Portugal.(...) Nós representamos Portugal, ou outros (...) províncias ou bairros». Esclarecedora e original essa dita vantagem, sem dúvida. Eu, pela minha parte, sinto-me às mil maravilhas no bairro..."

Bagão Félix, in A Bola

PS: A referência constante ao Futebol Clube Corrupto, em vez de usar simplesmente o nome próprio, tem uma explicação simples: diferenciar o clube da cidade... Portuenses não são Portistas, e são muitos os bons exemplos.

Talisca...

Nico...


All Goals Hong Kong 0 - 7 Argentina14/10/2014 por yarigavideo

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Leões da Serra e da praia - muitos de alma 'encarnada'

"Quinze presenças na I Divisão (e um quinto lugar em 1956) marcaram a história bonita do Sporting da Covilhã. Mas sobretudo uma presença na final da Taça de Portugal, a época de 1956/57, disputada no Estádio Nacional frente ao Benfica, no dia quem que Cavém defrontou Cavém.

Voa a águia até ao alto da serra e eis-nos aqui a escrever sobre um clube que tem uma história bonita no Futebol português: o Sporting Clube da Covilhã, fundado em 2 de Junho de 1923. Nesse tempo, a vida económica da cidade girava em redor dos lanifícios. E, como sempre no Portugal de então (e no de hoje, infelizmente), havia um risco profundo que separava os operários e as suas famílias dos patrões e as famílias deles. Ricos e pobres; gente de posses e meros remediados. Era também nessa divergência que vivam os clubes desportivos da Covilhã dessa época, do Estrela Foot-ball Clube ao Victória Luso Sporting, do Montes Hermínios, ao União Desportiva da Covilhã.
Gente como José Jacinto Ferreira, José Mendes Salgueiro, Albino Albuquerque de Castro ou António Rebelo de Matos era alegremente simpatizante do Sporting Club de Portugal. Pelo que fundar o Sporting Clube da Covilhã foi o concretizar de um plano amadurecido. Quanto ao sonho de fazer do Sporting da Covilhã filial do Sporting de Portugal limitou-se a uma singela burocracia que não demorou mais de um mês.
Vamos dar um salto no tempo. Um salto de mais de 40 anos. Deixemos o Sporting da Covilhã crescer lá nas faldas da serra e tornar-se, a pouco e pouco, num clube de dimensão nacional. De tal ordem que, nos finais dos anos 40 se instalou na I Divisão e foi conquistando algumas classificações de destaque (6.º em 1949/50; 6.º em 1950/51; 6.º em 1951/52; 7.º em 1953/54 e 5.º 1955/56).

Algarvios na serra...
As épocas de 1955/56 e de 1956/57 foram as mais brilhantes da história do clube, se bem que esta última também marcada por uma descida de divisão. Malhas que o crescimento tece! Quase dava vontade de perguntar, como Richard Albee de Virginia Wolf, quem tinha medo dos Leões da Serra?
Reparem que, por exemplo, na segunda jornada do Campeonato de 1955/56, o Sporting da Covilhã veio à empatar o campeão Benfica por 2-2, valendo-lhe uma exibição colectiva de sacrifício e pundonor. Ou de arreganho e pertinácia, como era moda relatar-se nas transmissões radiofónicas. Rita, o guarda-redes do SC Covilhã esteve em grande e só não foi capaz de segurar os remates de José Águas (64') e de Coluna (81'). Pois é, meus caros, aos 81 minutos, o Benfica vencia por 2-0 e ninguém apostaria um tostão nos covilhanenses. Mais valia que o tivessem feito. A quatro minutos do fim, num livre directo, Janos reduz para 1-2. E, no último minuto, Soares foi o único jogador a crer que um alívio da sua defesa poderia servir para algo mais do que atirar a bola para o meio-campo dos campeões. Correu e correu sozinho. Sem companheiros a ajudar e sem adversários a estorvar. E fez o empate. Vingar-se-iam os encarnados na segunda volta, no Santos Pinto, vencendo por 4-2 - e com requinte, já que, aí, aos 6 minutos, perdiam por 02, golos de Sarrazola e Pires, tendo Salvador (3) e Águas dado a volta ao resultado.
Como já vimos, o Sporting da Covilhã ficaria em quinto na tabela final - O FC Porto foi campeão; Benfica, segundo; Belenenses, terceiro; Sporting, quarto. Os Leões da Serra fizeram 29 pontos em 26 jogos. E somaram 11 vitórias. Além do empate na Luz, arrancaram empates frente ao FC Porto (2-2) e Sporting (1-1), ambos na Covilhã.
A época seguinte seria um cheio para o Benfica (campeão e vencedor da Taça de Portugal, finalista da Taça Latina) e agridoce para o Sporting da Covilhã, finalista da Taça mas condenado à descida por via do seu penúltimo lugar na classificação. Seja como for: dedicámos esta página ao adversário na sua estreia desta Taça de Portugal 2014/15, falemos da forma brilhante como os covilhanenses, comandados por Tavares da Silva (um dos grandes nomes da história do futebol em Portugal, que acumulava as funções de seleccionador nacional) chegaram ao Jamor.
Se os rapazes de Otto Flória despacharam consecutivamente o Caldas (0-0 casa; 3-0 fora), o Torrense (1-1 fora; 22-2 casa; 4-0 no desempate na Tapadinha) e o Barreirense (1-0 fora; 4-0 casa), os de Tavares da Silva (encarregado da orientação técnica da equipa e coadjuvado por Fernando Cabrita como treinador-jogador) eliminaram o União de Montemor (6-1 fora; 6-0 casa), o Lusitano de Évora (0-4 fora; 7-2 casa), o FC Porto (2-1 fora; 1-0 casa) e o V. Setúbal (3-0 casa; 0-1 fora).
Se a 'chapa sete' aplicada ao Lusitano (quinto classificado nesse campeonato) foi de truz, a eliminação do FC Porto, campeão na época anterior, deu brado. Dois golos do espanhol Suarez, um avançado codicioso, emudeceram as Antas; na Covilhã, na 2.ª «mão», bastou um golo de Pedro Martin, outro espanhol, extremo-direito, que viera do Viseu e Benfica.
No dia 2 de Junho de 1957, no Estádio do Jamor, os dois finalistas apresentaram-se assim:
BENFICA - Bastos; Jacinto e Ângelo; Vasco Pegado, Serra e Zezinho; Palmeiro, Coluna, José Águas, Salvador e Cavém.
SPORTING DA COVILHÃ - Rita; Toledo e Jorge Nicolau; Fernando Cabrita, Cavém e Lourenço; Manteigueiro, Pedro Martin, Suarez, Ferreira e Pires.
Cavém, o Domiciano, defrontava Cavém, o Amílcar. Naturais ambos de Vila Real de St.º António, eram irmãos. Amílcar era mais velho (nasceu em 1930 e Dominicano em 1932) e, vindo do Lusitano de Vila Real, chegou primeiro à Covilhã onde jogou duas épocas com o irmão antes deste seguir para o Benfica. Curiosamente eram primos de José Rita dos Mártires, também natural de Vila Real de Santo António, guarda-redes dessa final e que já tinha actuado pelo Sporting de Portugal e viria a transferir-se para o Benfica em 1962. Mas não se ficava por aqui: Hélder Toledo nasceu igualmente em Vila Real de Santo António e veio do Lusitano. Ligações profundas, portanto, entre ambos os clubes. Até porque Fernando Cabrita, outro algarvio, esse de Lagos, também faria parte de algumas equipas técnicas dos encarnados. E António Lourenço, natural de Vialonga - jogador do Benfica em 1959/51.
O Benfica venceu sem grande história - 1-0 por Salvador, aos 12m; 2-0 por Águas, aos 15; 2-1 por Pires, aos 19; 3-1 por Coluna, aos 87 - e Rita foi a grande figura dos covilhanenses. Mas todos os seus companheiros de equipa ficaram guardados na aldeia branca da memória do futebol em Portugal. De Francisco Manteigueiro, personagem indelével do clube, ao central moçambicano Jorge Nicolau; de Carlos Ferreira, um extremo veloz e habilidoso a Fernando Pires, o autor do golo da final, que veio para a Covilhã cedido pelo Benfica aquando da transferência de Domiciano Cavém, em 1955.
Leões da Serra - muitos vindos da praia, muitos outros de alma «encarnada». Ainda bem que temos motivos para escrever sobre o assunto."

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 12 de outubro de 2014

5.º Troféu António Pratas

Barcelos 82 - 98 Benfica
31-19, 16-27, 18-30, 17-22

Nas últimas épocas, com uma hegemonia do Benfica declarada, só fomos derrotados, em jogos onde os adversários conseguem ter percentagem altíssimas nos lançamentos Triplos. Hoje, no 1.º período foi isso aconteceu... também ajudámos à 'festa': defendemos mal, e complicámos no ataque, mas o Barcelos só conseguiu 31 pontos, com quase 100% em Triplos...
No 2.º período tudo foi diferente, a entrada do Carlos Andrade foi decisiva. Não pelos pontos que marcou, mas pela maneira como defendeu. Mesmo limitado, conseguiu 'motivar' toda a equipa... o Carlos, ainda tem uma outra 'qualidade': consegue sempre enervar os adversários (e nós sabemos disso...!!!). Ao mesmo tempo que o Barcelos baixou o aproveitamento, o Jobey Thomas 'acordou', e numa sequência de cestos inacreditável, com vários Triplos, passámos para a frente, antes do intervalo... Mas, nos últimos minutos do 2.º período, os árbitros 'entraram' no jogo, o Doliboa e o Fernandes foram para o banco (gestão de faltas), e o Barcelos fechou a 1.ª parte, na frente por um ponto...
No 3.º período, abrimos uma boa vantagem, mesmo com Triplos a serem transformados em lançamentos de dois, e com um critério completamente inclinado nos contactos... mesmo assim, o Benfica esteve sempre o jogo controlado na 2.ª parte... Nem a brutal agressão ao Doliboa (nem falta foi !!!), atrapalhou o nosso jogo, bem pelo contrário os jogadores até se 'picaram'!!! E nem a lesão do Jobey (acabou o jogo ao pé coxinho... em mais um 'choque' perfeitamente evitável...) afectou o nosso domínio. Na parte final da partida, com vários ataques rápidos, o João Soares acabou por se evidenciar...

É impossível não falar da arbitragem. A diferença entre o Benfica e as restantes equipas é tão grande, que normalmente não se fala de arbitragem no Basket. Mas eu, aqui, já tenho alertado para o problema. Parece que existe uma tendência para os árbitros equilibrarem os jogos do Benfica (constantemente!!!). O Benfica não tem culpa de ter melhor plantel... Hoje, o Barcelos, nos últimos 2 minutos teve 3 jogadores excluídos... num momento onde o jogo já estava decidido. Mas se o critério que foi usado para marcar 3 faltas ao Ferreirinho (em 2,39m de utilização... mais 1 minuto ainda chegava à 5.ª!!!) fosse usado durante todo o jogo, então os jogadores do Barcelos tinham sido todos excluídos na 1.ª parte!!! Além deste 'equilíbrio' artificial, este tipo de arbitragem - que autoriza estas estratégias defensivas baseadas na agressividade -, potencia situações parecidas com a cotovelada que o Seth levou... Mas quando o Benfica sobe o nível de agressividade, 'chovem' faltas técnicas!!! Em vez de andarem a anunciar greves, não seria má ideia, preocuparem-se mais com os níveis de competência, necessários para exercer o trabalho, para o qual são pagos.

Com o Slay e o Gentry de fora, com o Doliboa (vamos esperar para saber a extensão da ferida...) e o Jobey lesionados durante a partida, ficamos com um 'estaleiro' demasiado concorrido. Se internamente temos soluções, seria frustrante voltar às competições europeias, com meia equipa lesionada!!!

5.ª Supertaça

Benfica 3 - 0 Castêlo da Maia
25-17, 25-17, 25-21

Início tremido no 1.º set, mas depois ligámos o rolo compressor!!! Só no 3.º set, só com a lesão do Vinhedo o Benfica voltou a 'baixar' o ritmo, mas o Perini entrou bem na partida... e rapidamente resolvemos o assunto.
Boa estreia oficial do Ivo Casas e bom regresso do Vinhedo. É óbvio que o Castêlo não vai ser o nosso principal adversário esta época (muita juventude...), mas para 1.º jogo oficial da época, a exibição foi agradável...

Não assisti ao jogo da semana passada em Espinho (derrota na final do Torneio...), mas com o actual plantel, o Benfica tem a obrigação de vencer tudo em Portugal.

Amanhã temos Final...


Ovarense 44 - 67 Benfica
4-18, 13-11, 14-16, 13-22

Jogo com poucos pontos, decidido praticamente no 1.º período, com muitos triplos falhados, mas suficiente para o Benfica conseguir a qualificação para a Final do Troféu António Pratas, amanhã, contra o Barcelos, em São Pedro do Sul.
Espero que a lesão do Gentry tenha sido só um susto, porque com o Slay de fora, o jogo interior fica poucas opções...

Ganhando rotinas, vencendo...

Belenenses 24 -32 Benfica

Mais uma vitória, aparentemente fácil... o problema este ano, será mesmo os jogos 'grandes'.

PS: Então não é que a dupla Nicolau/Caçador marcou 8 livres de sete metros, a favor do Benfica?! Espantoso!!! Cá para mim, resolveram 'pagar' contas atrasadas...!!!

Vitória sobre patins...

Póvoa 2 - 9 Benfica

Vitória fácil, na primeira deslocação da temporada...

PS: Parabéns ao nosso guarda-redes Diogo Fernandes, que hoje se sagrou Campeão Europeu de sub-20, em representação da selecção nacional.

«Festa do Marquês é a coisa mais bonita»

"(...)
«Não esperava ter esta vantagem para FC Porto e Sporting»
- Esperava ter, nesta altura, uma vantagem de 4 pontos para o 2.º classificado? Há mérito do Benfica ou demérito dos adversários, neste caso concreto o FC Porto?
- Não, não esperava à 7.ª jornada ter esta vantagem para o FC Porto e Sporting. Porquê? Perdemos jogadores e os dois rivais reforçaram-se muito bem. É mérito nosso, em 7 jogos só empatámos um. Agora, não é determinante. É um ciclo, são 7 jornadas nas quais estivemos melhores do que os rivais. É bom, estamos mais moralizados, confiantes, mas não se ganham, campeonatos à 7.ª jornada. Os jogadores do FC Porto dizem que 4 pontos não são nada, os do Sporting que 6 pontos não são nada e eu também penso que, nesta altura, não são nada.

- Mas habitualmente, nesta fase, o Benfica estava atrás e agora corre à frente. Isso permite uma melhor gestão da prova, ou não?
- Só tem uma vantagem: quem corre à frente pode gerir melhor. Nunca se pode perder, mas quando se está de baixo para cima a parte psicológica pesa mais, porque não se pode perder pontos. De resto, não tem vantagem nenhuma.

- Imagina-se em Maio numa festa igual à do ano passado no Marquês?
- Claro que sim, estamos a trabalhar para isso. Para viver essa manifestação de identidade, de paixão de sentimento. Só quem já esteve lá duas vezes é que sabe. Até nos emocionamos só de nos lembrarmos disso. É a coisa mais bonita! Qual é a prova em Portugal que provoca essa paixão? Estou convencido que se um dia o Benfica fosse campeão europeu não teria 300/400 mil pessoas no Marquês. Só o campeonato nacional leva isso.

- O Sporting é mais candidato esta época do que há um ano?
- É ! É mais candidato, tem mais equipa. Os grandes jogadores não saíram, só saiu o Rojo. Os jogadores que ficaram estão melhores porque têm mais um ano de trabalho. As ideias da equipa não mudaram muito. Pode haver algumas 'nuances', porque o Leonardo e o Marco são treinadores diferentes, pode haver algum pormenor que ainda não descodifiquei, mas não me parece que existam grandes diferenças. Depois, o Nani veio dar uma grandes qualidade à equipa do Sporting, é um excelente jogador, de nível muito alto. Há bons e grandes jogadores e o Nani é um grandes jogador. Um bom jogador é aquele que joga bem e o grande é aquele que joga bem e coloca os outros a jogar bem, que é o caso do Nani. Isto para além do Slimani ser mais jogador, do Carrillo ser mais jogador...

- Os três empates consecutivos do FC Porto surpreenderam-no?
- No futebol nada me surpreende e o campeonato português, ao contrário do que todos dizem, é muito competitivo. Não valorizamos o nosso campeonato. Uma das coisas que me dá orgulho quando vou ao Fórum de treinadores de elite da UEFA - e não é por eu ir, que já é o 6.º ano e se calhar para o ano já não vou! - é quando passam o top ten dos clubes e campeonatos da UEFA. Dos mais competitivos, Portugal é o 4.º! À frente só estão Inglaterra, Espanha e Alemanha. E isto não acontece porque eles são malucos, mas porque as equipas portuguesas fazem pontuação para merecer aquilo. E outro motivo de grande orgulho é quando vejo o Benfica em 5.º no ranking das melhores equipas da Europa. O campeonato português ter esta qualidade deve-se à pontuação que as equipas fazem quando jogam com as estrangeiras. Mas há uns malucos que querem inventar e quando eles quiseram avançar com quotas de jogadores, o nosso campeonato campeonato vai estar ao nível da Turquia, da Grécia, da Bélgica, da Holanda, da Rùssia. E na Rússia eles têm dinheiro para comprar jogadores de 50 milhões, nós vamos ter é para comparar jogadores de 50 tostões. O que quero dizer com isto? Quando decidirem que em Portugal terão de jogar 5/6 portugueses e os restantes serem estrangeiros, esqueçam. A competitividade de equipas como Benfica, FC Porto, Sporting, Marítimo, das equipas que vão à Europa, passa para a 3.ª divisão. Porque os melhores jogadores portugueses vão continuar a sair e vamos ter, nessas equipas, os portugueses que não são opção para os clubes estrangeiros. E depois como não teremos capacidade de fazer a prospecção que hoje fazemos, as nossas equipas vão cair.

- Voltando ao FC Porto... Há, ou não, uma surpresa neste arranque? E que análise faz à forma como o treinador, Lopetegui, se tem queixado das arbitragens?
- Não direi que exista surpresa. Os treinadores portugueses, em termos de conhecimento de estratégia e técnica, são muito fortes, são dos melhores do Mundo. Quando estou junto dos melhore digo-lhe isso, e vejo o que eles sabem e o que nós sabemos e dá-me um grande gozo. Já estive do outro lado, com jogadores de menor nomeada, e só através de um equilíbrio muito forte é possível fazer com que seja muito difícil a equipas como o Benfica e Sporting ganharam. Isto acontece pela qualidade táctica dos treinadores portugueses. Surpresa? Para mim não. O FC Porto fez aquisições, na maioria, de equipas de nível e não desconhecidas. São jogadores já com uma afirmação muito boa. O treinador veio para um campeonato que se calhar desconhecia. Agora, o que acho é que se o treinador entende que a equipa está a ser prejudicada, que fale! Como eu falo. Tem direito a ter opinião. Agora o 'parecer-me que é, mas não é', 'o árbitro também pode errar'... isso é que não é nada! Tem de se definir e depois estar sujeito às críticas como eu estou. Os homens da política ensinaram-nos a estar em cima do muro, a ser politicamente correctos. Isto não entra em mim, nem como cidadão nem como treinador. Não gosto de pessoas que sejam politicamente correctas. É ou não é! Isto é que é ter personalidade e carácter.

- Bruno de Carvalho afirmou recentemente que Jorge Jesus pode sair quando quer da área técnica que ninguém lhe diz nada...
- É uma opinião, mas quando saio da minha área restrita não vou discutir com adversários, nem com árbitros. Faço-o sempre no intuito de estar mais próximo de um jogador meu. Claro que tenho de ter as mesmas regras e não posso ter privilégios. Mas, às vezes, nem sei onde estou! Não o faço com intencionalidade.

«Se contratarmos por 20/30 milhões dificilmente iremos falhar»
-Para quem estava de fora, a pré-temporada pareceu atribulada. Esperava, depois disso, começar tão bem a época?
- É verdade que estamos melhor do que eu pensava, face aos jogadores que saíram. Não pela pré-época, porque nesse aspecto sabia bem o que havia para fazer e optei por uma metodologia de treino diferente dos outros anos. Muitos dos jogadores que conheciam as nossas ideias não fizeram a pré-época e chamei vários da equipa B para avaliar todas as suas capacidades, bem como as dos futebolistas novos que tinham chegado ao clube. Sabia que em termos de resultados não ia ser positivo, mas naquilo que me interessava, que era obter um conhecimento mais rápido de todos, foi importante. Comecei a fazer a triagem a partir daí.

- Os jovens da equipa B e os reforços jogaram mais do que seria de esperar, porque vários jogadores estavam no Mundial do Brasil ou lesionados...
- Sim, isso também obrigou a acelerar este processo. Podia dizer que tive essa facilidade. Apesar dos resultados, estava tranquilo. Quando sabes o que estás a fazer, estás sempre confiante. Volto a dizer que o futebol não é uma ciência exacta, mas é uma ciência para quem treina. A metodologia não é igual para todos os treinadores e muita gente pensa que para se fazer uma grande temporada tem de fazer-se uma grande pré-época. Mentira, isso é tudo errado. A pré-época só é importante para se começar bem a temporada. Mais nada.

- Quais os jogadores da equipa B que na altura pretendia conhecer melhor?
- O Dawidowicz, o João Teixeira, Cancelo, Vítor Andrade, Bernardo, Ivan, Lindelof e Bruno Varela.

- Colocá-los a jogar tanto, sem o apoio do 'núcleo duro' da equipa, que estava ausente, não podia prejudicá-los, até em função dos resultados obtidos?
- Não, acho que até beneficiaram com isso. Quando se faz um torneio como fizemos em Londres (Emirates Cup), com Valência e Arsenal, meter os miúdos a competir com tanta intensidade, frente a jogadores com aquela qualidade, dá para perceber a que nível é que eles e os outros estão para exigências desportivas do Benfica. Aí é que está o segredo. Isso deu-me logo para perceber. Aliás, já sabia do nível deles, mas quis confirmar na prática.

- Vítor Andrade, um dos miúdos que referiu, foi cobiçado pelo Barcelona, veio para o Benfica e está na equipa B. Tem valor para fazer parte da equipa principal no futuro?
- O Vítor Andrade é um jovem brasileiro de 18 anos. Os portugueses com essa idade estão na formação, como ele, ainda num nível de aprendizagem que encerra muitas dificuldades. O Vítor Andrade está a experimentar os mesmos problemas que um jovem português quando sai dos juniores. Mas se os nossos têm essas dificuldades, ele ainda tem mais, porque os treinadores portugueses são melhores que os brasileiros a trabalhar em termos tácticos. Tem que se lhe dar tempo. A formação de um jovem demora o seu tempo. Normalmente demora três a quatro anos, mas há excepções. Foi o que aconteceu com o André Gomes. Demorou dois/três anos a atingir o patamar de exigência que o Benfica teve na última época.

- A integração do André Gomes foi sempre gradual, e feita na presença do 'núcleo duro'. Jogadores como César ou Benito foram obigados a grande desgaste na pré-tempoada porque não havia outros. Não terão saído prejudicados desse processo?
- Eles não foram prejudicados. A equipa é que podia ter ficado, porque não tivemos na pré-época segundas soluções para dar descanso a alguns desses jogadores que competiram de dois em dois dias. Mas para mim, em termos de ganhar um conhecimento mais rápido sobre os jogadores que queria para formar o plantel, foi melhor.

- Casos como os do Djavan, Luís Filipe e Candeias. Foram más contratações?
- Não. Vamos ver, quando se escolhe um jogador há vários critérios. A qualidade do atleta mas também o aspecto financeiro. Se pudermos contratar jogadores de 20, 30 ou 40 milhões dificilmente falhamos. Mas mesmo assim também podemos falhar. Agora, quando se tem de contratar em campeonatos pouco conhecidos, de equipas em que esses mesmos jogadores estão praticamente a aparecer, vai-se no risco. Porque é preciso ir naquele momento, se demorarmos tempo pode perder-se a hipótese. Umas vezes consegue-se acertar, mas há outras em que se falha. Mas o importante é ter a consciência que aquele jogador tem o nível para fazer parte das exigências do Benfica. Depois, aqui a trabalhar com ele, vimos se na realidade é assim ou não. Porque há componentes que não são conhecidas. Podes conhecer a componente física ou técnica, mas não conheces a psicológica porque nunca trabalhaste com ele. E isso é muito importante. Também desconheces a formação táctica desse jogador. Só se começa a conhecer esse lado quando se trabalha com ele. Como coloco essas exigências num nível muito alto, a alguns jogadores que chegam temos de dar tempo, temos de colocar noutros clubes para se adaptarem, para crescerem. Fazemo-lo porque acreditamos neles, acreditamos que depois podem voltar ao Benfica.

- Em que momento da pré-temporada toma consciência que vai ter de apostar em alguns suplentes do ano anterior, e com isso passar a ter uma segunda linha mais fragilizada?
- Nunca pensei nisso, porque eu, o presidente e o Rui tínhamos, nessa altura, numa estratégia para o mercado. Sabíamos que ainda precisávamos de contratar entre dois e quatro jogadores, mas queríamos fazê-lo mesmo no limite do prazo. Não nos queríamos precipitar e aceitámos arriscar até ao último dia. Foi assim que chegámos ao Samaris, ao Cristante, ao Júlio César e ao Jonas. Jogámos nesse limite do risco.

- Esses jogadores eram alvos definidos ou foram oportunidades de mercado?
- Tínhamos alvos definidos, mas quando não tens capacidade financeira, normalmente nunca consegues contratar a tua primeira opção. Quando dá por ela já se vai na quarta ou quinta opção.

- Uma dessas opções no fecho do mercado foi Júlio César. Na questão dos guarda-redes ficou a ideia de ter existido algum descontrolo na gestão das escolhas. Até Karnezis chegou a estar em Lisboa e não assinou...
- O Júlio César esteve sempre na lista de prioridades. Já no ano passado pensámos nele, só que não houve capacidade financeira para o adquirir. Este ano houve essa possibilidade e avançamos. O currículo do Júlio não deixa dúvidas a ninguém. Foi considerado uma ou duas vezes como o melhor guarda-redes do Mundo e com 35 anos não é velho. Em Itália e Inglaterra há guarda-redes com 38 e 39 anos, portanto ainda tem muitos anos para poder ser útil a qualquer equipa.

- Mas este arranque dele no Benfica está a ser marcado por problemas físicos...
- Quando decidimos contratá-lo, o nosso departamento médico fez-lhe um cadastro clínico que não apresentou nada fora do normal. O que está a acontecer é consequência disto: quando acabou o Campeonato do Mundo entrou completamente de férias, 'abancou', como se costuma dizer. Nunca mais fez nada em termos de treino. E as exigências que tivemos com ele foram demasiado rápidas face ao momento físico em que se encontrava. Começou a sentir alguns problemas e esperemos que agora, com esta paragem, possamos dar-lhe algum suporte físico para não voltar a ter os mesmos problemas. Porque a qualidade técnica está lá, ninguém tenha dúvidas.

«Adaptação de Samaris e Cristante tem sido mais difícil pela minha exigência»
- André Almeida pode ser boa opção para jogar na posição 6 (ou 4 como prefere)?
- Pode. O André Almeida foi alternativa quando tivemos Fejsa e Rúben Amorim lesionados. Se alguém o conhece bem sou eu. Fomos, quando estávamos no Belenenses, buscá-lo aos juniores do Alverca. Ele começa a formação como médio-ala, como 7. Nos juniores do Belenenses passa a médio-defensivo e nos seniores, quando eu já não estava lá, começa a ser utilizado como lateral-direito. Ele tem conhecimento de várias posições e isso ajudou-o a crescer como jogador. Faz muito bem a posição 6. Tem alguma dificuldade no passe, e naquele posição tem de ser um jogador de passe fácil, mas tem algumas coisas melhores que os outros. No entanto, para essa posição contratámos o Samaris e o Cristante e serão eles  a discutir o lugar. Mas se tiver de recorrer ao André Almeida, recorro e ficarei tranquilo.

- Como tem sido o processo de adaptação de Samaris e Cristante à posição 6?
- Tem sido difícil porque é o posicionamento em que exijo maior conhecimento táctico do jogo. Exijo ao jogador dessa posição o que os outros não sabem exigir, por isso é que saem daqui para os grandes clubes do estrangeiro. Chegam lá e até dizem como é que é. Quando chegam aqui, jogam nessa posição e não sabem nada dela. Não sabem, vamos lá ver, porque a minha ideia é diferente, a minha exigência é outra, e por isso demora mais tempo a perceber. O Cristante e o Samaris ainda estão muito longe, em termos defensivos, daquilo que o Rúben Amorim faz, que o Fejsa ou o Matic  faziam. Bom, o Javi, quando chegou ao Benfica, não sabia nada, como também não sabia o Matic.

- Acredito que ambos conseguirão atingir esse patamar de exigência?
- Claro que sim, só que o Matic, por exemplo, teve uma maior facilidade, por estar uma época a jogar atrás do Javi. Este ano perdemos todos os médios-defensivos: o Matic transferido, Fejsa e Rúben lesionados. Ficámos sem uma referência para os que estavam a chegar e assim é mais difícil trabalhar.

- Cristante não seria um bom 8?
- Para mim nunca o seria. Não tem velocidade para ser um 8, seria sempre um médio de contenção. Pode fazer as duas posições tal como o Samaris, mas onde pode vir a render mais é a 6.

- Falava, em relação ao André Almeida, na questão da necessidade do passe fácil. Ora, nos jogos da Liga dos Campeões os passes falhados nessa zona foram muitos e frente ao Zenit estiveram no origem dos golos contrários. Não pensou alterar a saída de bola, com lançamentos longos por exemplo?
- Temos uma ideia de jogo e não temos de mudá-la só porque se trata da Champions, apesar de nessa competição se ter de mudar muita coisa. A propósito disso, acho piada ao facto de dizerem que este ano estou a ignorar a Champions. Não é por acaso que no ranking da UEFA, por força dos jogos da Champions e da Liga Europa, o Benfica é a quinta equipa. Porquê? Porque ao longo destes cinco anos tem obtido resultados para estar nessa posição. Mais pela Liga Europa, é verdade, mas também fomos aos quatros-de-final da Champions. Hoje o Benfica quando joga nas provas da UEFA os nossos adversários dizem: vamos defrontar uma das melhores equipas da Europa. Um finalista da Liga Europa. Isto não é por acaso.

«Evolução do futebol passa pela mudança de sistemas»
- Derley, Jonas e Talisca. Nenhum destes jogadores dá à equipa aquilo que o Rodrigo dava. São diferentes. Com isso, a ideia do jogo ofensivo do Benfica alterou-se. As mudanças estão a dar os resultados pretendidos?
- São jogadores com características diferentes do Rodrigo. Essa abordagem está bem feita em função da ideia de jogo do Benfica. O Derley e o Jonas são muito parecidos, são jogadores mais de posição, de actuar entre os centrais. O Lima era isso quando chegou ao Benfica, depois é que se tornou mais móvel e assim continuará a ser. O jogador nasce com aquilo que nasce e o treinador tem de percebê-lo. Mas os jogadores, a maioria deles, têm de adaptar-se às minhas ideias e fazer aquilo que quero. Para mim não é um problema porque mudo essa ideia de jogo.

- Era aí que queríamos chegar. Essa alteração já é visível...
- Sim, já é visível, Jogámos na Alemanha, frente ao Bayer e, dá-me até um certo gozo, quem faz a análise do jogo disse que o Benfica tinha jogado com o sistema habitual de dois avançados o que é mentira. Jogámos em 4x3x3, mas como coloquei um jogador (Talisca), que normalmente é avançado, a fazer outras coisas, já não tiveram capacidade de observação.

- Isso significa que o sistema de jogo do Benfica pode vir a ser alterado para 4x3x3?
- O Benfica comigo nunca teve um sistema definido. Claro que há um mais visível, quando jogo com dois avançados. Já disse isto no Fórum da UEFA na Suíça: a evolução do futebol será cada vez mais como a das outras modalidades colectivas, ou seja, durante um jogo entras com um sistema, mudas para outro e se depois tiveres de voltar a alterar para um terceiro, também o fazes. Esta vai ser a evolução do futebol, mas o Benfica já faz isto há muitos anos, anda à frente há muito tempo.

- Há um ano, com Rodrigo e Lima, a equipa tinha movimentação horizontal dos avançados e ambos faziam muitos golos. Com Talisca, que é mais vertical, de entrada no espaço central, o Lima não estará a ser 'prejudicado'?
- Não, porque só mudei essa ideia de jogo no ano passado. O Benfica nos quatro anos anteriores jogou sempre com um avançado de referência na área e outro de maior mobilidade. Só quando tirei o Cardozo da equipa, há um ano, é que mudei o posicionamento dos avançados. Mas há jogos em que mantenho a mesma ideia, tem muito a ver com a estratégia para cada desafio, com o tipo de adversário. Para mim não há um sistema. As pessoas falam muito em 4x4x2, 4x3x3, 5x3x2, seja o que for. Não há um sistema perfeito, não há o melhor, há é aquele que cada treinador considera melhor para ele. O sistema é a base de tudo. Mas quem faz a diferença é quem sabe trabalhar em cima do sistema que escolher.

«Enquanto Artur estiver bem os outros terão de esperar»
- Acredita que Júlio Ce´sar vai ser um guarda-redes muito presente na equipa ao longo da época?
- Se ele não tiver mais problemas físicos, acredito que sim. No tempo que se treinou connosco mostrou toda a sua qualidade técnica. É um guarda-redes super-rápido na baliza. Tecnicamente muito evoluído com os pés. Não cai para a bola, voa para a bola. É um excelente guarda-redes. Agora, se vamos conseguir extrair todas essas qualidades dele... se ele não tiver outros problemas fisícos, não tenho dúvidas nenhumas que sim. Mas sobre essa questão não tenho certezas.

- Enquanto ele não está apto, sente-se confortável com o Artur na baliza?
- Estou confortável com o Artur...

- (interrompenmos)... Tantos elogios a um guarda-redes no final de um jogo ganho por 4-0, parece uma necessidade de moralizar alguém que pode estar mais frágil...
- É verdade que não há jogadores iguais, mas estou confortável com o Artur. Dizemos que não há titulares, mas é verdade que jogam mais uns que outros. Em todas as equipas do Mundo. Temos quatro guarda-redes e não são iguais. A diferença de valor de uns para os outros existe, mas confio no Paulo (Lopes), no (Bruno) Varela, no Artur e no Júlio César. A questão do Artur coloca-se porque houve um jogo em que ele não esteve bem e os guarda-redes são mais sacrificados quando falham. Um avançado pode falhar golos ou passes e não é tão apontado. Não faço favores a nenhum jogador, mas é verdade que o Artur, frente ao Arouca, sacou duas ou três bolas de golo. É a mesma coisa que te feito golos e tive de lhe dar os parabéns. Mas no dia em que não fizer as coisas bem...

- Sente-se ou não mais confortável com Júlio César na baliza?
- Não, eles vão dizer-me durante a semana quem é o melhor. O Júlio foi para a baliza porque o Artur não esteve bem no jogo com o Sporting. Como não podia jogar na Champions, tinha de optar entre o Varela e o Júlio. Fui obrigado a fazer essa escolha. Agora o Artur voltou, porque o Júlio estava lesionado, fez um excelente jogo com o Arouca e os outros vão ter de esperar enquanto ele se mantiver bem.

«Arsène Wenger perguntou-me como conseguia este equilíbrio»
- Está preparado para perder Enzo Pérez em Janeiro?
- Estou preparado para perder todos os jogadores. É verdade que nunca perdemos tantos como este ano. O Benfica perdeu oito jogadores que foram para outros clubes, mais o Fejsa e o Rúben Amorim (lesionados). Fala-se muito, mas daquele onde que normalmente jogava, o Benfica perdeu sete jogadores: Oblak, Garay, Siqueira, Matic em Janeiro e depois Fejsa; Markovic - o Salvio estava lesionado e não jogava - Rodrigo e Cardozo, dois avançados que juntos faziam 30-40 golos por época. Não é fácil! O Arsène Wenger quando esteve comigo perguntou-me como conseguia que o Benfica tivesse este equilíbrio. Além de ficarem alguns, os jogadores que vêm têm qualidade e alguns já conseguem trabalhar atrás dos que estão cá e, assim, os processos tornam-se mais fáceis. E a verdade é que os sabemos escolher. Não todos, porque também falhamos, mas a formação e prospecção do Benfica está muito bem trabalhada.

- Nesse sentido pode dizer-se que Sìlvio, Sulejmani, Fejsa e Rúben Amorim podem ser reforços em Janeiro?
- Se recuperarem penso que sim, principalmente Fejsa e Rúben, porque são dois jogadores para uma posição especifica onde só há o Cris e o Samaris. Para os lugares do Sílvio e do Sulejmani já há mais opções, mas são jogadores que podem acrescentar qualidade ao plantel.

«Talisca fez-me logo lembrar o Rivaldo»
- Em que posição pensa que Talisca pode vir a fixar-se no futuro? Como avançado, no lugar de Enzo Pérez ou em outro...
- O Talisca vai ser um número 10 ou um 8. A posição dele no futuro será essa, tem umas condições atléticas em que até pode jogar como avançado. É curioso que li no Record uma crónica em que se escreveu que o Talisca era parecido com o Rivaldo. É uma analogia muito bem feita. As características do Talisca, física e tecnicamente, são muito idênticas às que Rivaldo tinha. Aliás, foi por isso que pedi que o fossem buscar. Assim que vi este miúdo lembrei-me logo do Rivaldo. Pode fazer posição de primeiro avançado, de número 11, de número 8, e de número 10. Comigo pode fazer as quatro posições, com os outros não sei...

- E são essas características do Talisca que pensa gerir jogo a jogo, em função dos adversários? Ou será melhor fixá-lo numa posição para facilitar o processo de integração?
- Ele vai ser gerido naquilo que foi melhor para a equipa. Se entender que a equipa precisa dele como primeiro ou segundo avançado, será aí que jogará. Quando entender que a equipa precisa dele como 11, será aí que jogará e se entender, como entendi frente ao Arouca, que deve jogar na posição do Enzo, jogará aí. Será sempre em função daquilo que for melhor para a equipa, não para ele.

- Outro jogador que está a ser treinado para jogar no lugar de Enzo é Pizzi, que já entrou frente ao Arouca...
- Exactamente. Mas o Pizzi é um jogador completamente diferente do Enzo e do Talisca. Dos três, o Talisca é o goleador, por isso é que já tem 6 golos. Os outros são mais organizadores. O Talisca chega mais ao golo. São três jogadores diferentes, mas que podem fazer várias posições.

- O Talisca ainda está a fazer algum tipo de trabalho específico de fortalecimento muscular?
- Não, isso parou. Agora está a fazer um trabalho específico mais de componente táctica.

«André Gomes vai ser um grande jogador»
- André Gomes está a ser um dos grandes protagonistas da Liga espanhola. Surpreende-o?
- Falei com o André e disse-lhe: 'Vais embora no teu melhor ano, andei dois anos a ensinar-te e este já tens mais conhecimento das coisas'. Vocês não imagina o que trabalho com os jogadores individualmente para terem outras performances de evolução, técnicas e física. O que ensino não vem nos livros. Não estou a dizer que sou melhor do que os outros, ensino é à minha maneira. E sei que não é igual à dos outros. O que ensinei ao André, recuperações, saber correr atrás da bola e do jogador... é muito complexo. Também tem a ver com o jogador e o André é superinteligente. Isto é como na escola, há uns que andam vários anos para tirar o 12.º ano, outros não, fazem-no em pouco tempo. Está a subir cada vez mais e vai ser um grande jogador como segundo médio.

- No momento de forma em que estava Enzo Pérez na época passada, era difícil André Gomes tirar-lhe o lugar...
- Era, claro que sim! O Enzo estava numa superforma. O conhecimento não é o mesmo, o André também aprendeu muito com o Enzo. O André Almeida e o André Gomes têm uma facilidade que outros jovens da formação não têm. Com 19 anos um tinha 1,87m e outro 1,84m. E há muitos jogadores que têm qualidade técnica mas não tem capacidade atlética para corresponderem naquele momento. Por isso é o processo foi mais rápido. O Cristante, por exemplo, pode ser igual, porque tem 19 anos e 1,88m, ou seja, fisicamente já é um homem.

«Nélson Oliveira pediu-me para ficar»
- O que se pode esperar de Bebé, Jara e Nélson Oliveira?
- O Tiago, que é o Bebé, nunca teve formação. Aparece tarde no futebol. Foi para Inglaterra, onde nunca jogou, e perdeu muito tempo, na minha opinião, no crescimento como jogador. Vem para Portugal, joga no Rio Ave, depois faz um campeonato interessante no Paços. Foi quando vimos que ele tinha algumas qualidades interessantes para ser um jogador de futuro no Benfica. O processo de evolução do Tiago é igual ao do Talisca, do Matic, do André Gomes, todos esses jogadores jovens. Para aquilo que é a minha exigência... ainda é pouco. O Nélson, bom, não há muitos avançados em Portugal para a Selecção. É dos poucos que pode projectar-se. O Nélson saiu das minhas mãos há três anos e... fez um mea culpa. Pediu-me por tudo para trabalhar comigo este ano, para continuar a ajudá-lo no crescimento. Depois é preciso perceber que ele andou a jogar um ano lesionado em França. Aqui curou-se completamente. O departamento clínico do Benfica, que é espectacular, pô-lo clinicamente apto. Agora vai ter de apanhar o comboio. Não é fácil. Tenho Derley, Lima, Jonas, Franco (Jara) e também ele para lutar, normalmente, por dois lugares. Três ficam à espera, mas há muito competição, muitas provas, e o Benfica vai precisar de todos os jogadores, como aconteceu no ano passado. Ele já esteve no banco, foi um bom sinal e de certeza que este ano fará jogos no Benfica.

«Ideia de que não aposto em jovens é errada»
- Jorge Jesus é um treinador criticado pela escassa aposta em jovens da formação...
- Essa é uma ideia completamente errada. Como não aposto? O que é a formação? São os jogadores que só estão no Benfica? Para mim não! Formar é trabalhar jovens, sejam eles portugueses, chineses, brasileiros... Tem 18, 19 anos? É formação. Markovic tinha 18 anos, vendido por 30 milhões (ndr: foi vendido por 25 milhões); André Gomes, 20 anos, vendido por não sei quantos milhões; Rodrigo, vendido por não sei quantos milhões; Oblak, 20 anos, vendido por não sei quantos milhões. Digam-me um treinador no Mundo que faça isto! Isto é formação. Agora se é chinês, português isso não interessa. Formo jogadores e não nacionalidades.

- Então o que falta para aparecerem mais jogadores da formação do Benfica na equipa principal?
- Claro que os mais jovens não têm os mesmos conhecimentos de jogo que os jogadores mais experientes. As exigências de um patamar para o outro são grandes, mas há jogadores que não tentem tanto essa dificuldade. O Markovic não a sentiu, tal como o Talisca, o André Gomes ou o André Almeida. Não se esqueçam que fui buscar o André Gomes e o André Almeida à equipa B. Demoraram dois anos, sempre a jogar, quer na Champions quer na Liga, até chegarem à Selecção. O André Almeida foi intenacional, ta como André Gomes, que até foi transferido. E o Valência não o comprou por aquilo que o viu jogar nos treinos, mas sim nas provas europeias e na Liga portuguesa. A evolução deles em dois anos foi um provesso muito rápido. Normalmente demoraria três ou quatro anos.

«Pizzi ainda é frágil defensivamente»
- Frente ao Arouca estreou-se o Lisandro a titualr, o Pizzo foi utilizado e o Nélson Oliveira esteve a fazer exercícios de aquecimento. Sinal que estão a ficar mais próximos daquilo que pretende deles...
- Claro que sim. O tempo de treino vai dando aos novos jogadores uma melhor noção daquilo que são as ideias de jogo do Benfica. Também é verdade que neste jogo com o Arouca o Pizzi entrou no melhor momento da equipa. Estávamos a ganhar, havia mais espaço e isso torna o jogo mais fácil. Ele tem dado bons sinais ao longo da semana e o treinador tem de basear-se naquilo que é o trabalho semanal dos atletas, esse é o primeiro factor para a escolha. O Pizzi reúne algumas qualidades, mas defensivamente ainda é frágil. Acreditamos que ele vai conseguir chegar lá.

«Ainda não chegue ao meu limite como treinador»
- Jorge Jesus é um treinador de recordes. É o que está há mais tempo no Benfica; foi o primeiro a vencer as quatro provas nacionais; é o técnico com mais vitórias (196) na história do clube e está a um de ser aquele com mais títulos, podendo alcançar Otto Glória. São recordes que acabam quando? Há vida para Jorge Jesus no Benfica para além de Junho de 2015?
- No futebol há sempre vida...

- No Benfica?
- No Benfica e fora. Sou um apaixonado pelo futebol, a minha paixão, a minha vida é o futebol. No Braga, no Amora, no Belenenses, no Benfica e se tiver de sair será assim noutro clube.

- Luís Filipe Vieira afirmou que tinha em cima da mesa o contrato de renovação e que dependia de Jorge Jesus assiná-lo. Pensa passar pela SAD para renovar ou faz isso depender de ser, ou não, campeão?
- Não... no futebol tudo muda de um dia para o outro. Não me iludo. Sei a profissão que escolhi. E lá vou eu falar da mala, mas quando digo que a minha tem de estar sempre à porta, é porque um treinador tem de ter a noção que é assim, que a mala tem de estar sempre à porta. Porque, a qualquer momento, o futebol muda. O nosso seleccionador Paulo Bento fez um carreira de recuperação e de apuramento brilhante e em dois jogos tudo mudou, e hoje já não é seleccionador. Isso acontece com qualquer treinador e há que estar preparado para isso.

- Já tem a Supertaça conquistada este ano e assumiu que o objectivo é o bicampeonato. Se o alcançar, não poderá ser um impulso para querer algo mais com o Benfica?
- Ainda não cheguei ao limite como treinador! O bicampeonato é importante porque há 31 anos que o Benfica não o ganha, e é importante para mim porque nunca ganhei dois campeonatos seguidos. Mas isto não acaba aqui. Em Portugal, felizmente, ganhei tudo. Não em números, nunca ganhei 10 campeonatos, nem 5 taças... mas em títulos há ganhei tudo.

- Mas gostava de ir a uma final da Liga dos Campeões?
- Claro que sim, por isso é que disse que em Portugal já ganhei tudo, mas como treinador ainda me falta conquistar outras coisas.

«Apelo do estrangeiro pelo sonho de vencer a Champions»
- Ainda tem o sonho de ganhar a Champions pelo Benfica? Ou é nesse ponto que sente o apelo de ir para o estrangeiro, para a tentar conquistar?
- É... em Portugal é difícil. No Benfica até nem era muito difícil, mas há outros valores que se levantam. Para irmos a uma final da Champions é preciso estar três anos num clube que financeiramente possa comprar e não vender. Nesse espaço de tempo constrói-se uma equipa para ir a uma final da Liga dos Campeões. Em Portugal não há essa hipótese. Os clubes portugueses têm de vender todos os anos. Imaginemos que nestes seis anos o Benfica, em três, não teria vendido. Esse leque dava-me capacidade para ir a uma final da Champions. Mas em Portugal somos vendedores e temos de perceber isto. Todos os países olham para Portugal como o país que melhor forma e vende. Seria bom se todas as áreas conseguissem acompanhar esta qualidade do dirigente, jogador, treinador e agentes desportivos, como jornalistas e adeptos. Todos ajudam a formar esta qualidade.

- Pelas suas palavras depreende-se que um clube português dificilmente vencerá a Champions nos próximos anos. É por isso que não está a dar mais importância à competição? Pelo menos acusam-no disso...
- Não estamos a ignorar a Champions, só que o primeiro jogo não nos correu bem, no segundo jogo o adversário tinha um conhecimento muito profundo da nossa equipa e fez 45 minutos muito fortes. Na Champions, jogamos com equipas ao nosso nível ou acima do nosso nível. Portanto, umas vezes vamos ter capacidade e noutras não, porque os outros são melhores. É a realidade.

«Escolhia Di Maria para não sair»
-Agora um exercício dos jogadores vendidos na era Jorge Jesus, há um que não sairia do Benfica. Quem seria?
- Uma pergunta inteligente e que nunca me fizeram. Eles são tantos que até posso esquecer-me de algum...

- Record ajuda numa selecção: Oblak, Ramires, Garay, David Luiz, Coentrão, javi, Matic, Witsel Markovic, Di Maria, Rodrigo e Cardozo...
- Aquele que é mais difícil reunir características como a técnica, velocidade, o facto de ser um miúdo espectacular no dia a dia a trabalhar... se calhar vou ser injusto, mas digo o Di Maria.

«Alan Kardec é o melhor no Brasil»
- E agora a pergunta ao contrário: há alguns dos contratados que tenha saído com Jorge Jesus a pensar que podia ter chegado mais longe? Algum deixou um sentimento de frustração?
- Por falta de espaço? Alan Kardec. É o melhor avançado do Brasil, neste momento!

- O que falhou?
- Não falhou nada no Kardec. Quando fomos buscá-lo ao Brasil tinha 18 anos e apanha Aimar, Saviola, Cardozo, Rodrigo em grandes momentos do Benfica. Ele foi crescendo connosco. Precisava de tempo. E tanto assim é que foi vendido por 4 milhões de euros e custou um milhão, um milhão e meio.

«Paulo Bento precipitou-se na renovação, Fernando Santos foi a melhor opção»
- Fernando Santos vai estrear-se à frente da Selecção. É, nesta altura, a melhor opção?
- Acho que sim, é a melhor opção. Claro que havia outros treinadores com essa capacidade, mas ele vem de uma selecção (Grécia) que esteve no Campeonato do Mundo, não estava a trabalhar e é um treinador que conhece muito bem o futebol português. Penso que se juntaram aqui vários factores. Temos jogadores com muita qualidade. Penso que o Paulo foi muito atrás de opiniões públicas ou das exigências de renovação.

- Foi precipitado?
- Foi! Acho que se precipitou. O Fernando não está a fazer nada disso, está a escolher os melhores para poder ser apurado para o Campeonato da Europa e era o que o Paulo tinha de ter feito. Foi muito atrás de exigências não sei de quem, que o prejudicaram.

(...)"

Jorge Jesus entrevistado por José Ribeiro e Vanda Cipriano, in Record