Últimas indefectivações

sábado, 7 de julho de 2012

Vamos a isto

"Escrevo antes do arranque da temporada do Futebol profissional do Benfica. Desconheço o que se passou mas, a crer no que fui lendo nos últimos dois meses, admitiria que frotas de minibus tivessem rumado ao Seixal para transportar os 48 jogadores e até mesmo os quatro técnicos que os jornais apregoaram para o plantel do Glorioso.
Só defesas laterais foram 14, centrais mais sete, médios e extremos 18 e ainda nove avançados. E, já agora, certamente que a frota aproveitaria para devolver ao interface dos respectivos destinos os 26 atletas que os mesmos jornais abateram ao património humano do Benfica. Na ânsia de badalar novidades, um jornal chegou a colocar na montra benfiquista, de uma penada, um «trio» que, por sinal, era constituído... por quatro atletas.
É do senso comum que em Portugal, em matéria desportiva, para vender jornais em primeiro lugar vem o Benfica, em segundo e terceiro o Benfica e só depois vêm os outros. E é assim que em cada abertura do mercado temos este imenso folclore. Vende papel, serve a especulação - com o nome do Benfica a ser abusivamente utilizado - e fornece munições aos antibenfiquistas primários, de todas as cores, cada vez que falha uma dessas estrondosas contratações que o clube nem sequer assumiu. Meros folhetins.
Mas o mais certo é que segunda-feira, no Seixal, em vez da frota de minibus, se tenha apresentado um plantel em busca de mais qualidade e de mais e melhores soluções, ao qual o presidente do Benfica confiou a missão de «lutar por todas as competições».
Os adeptos sabem o que espera o Benfica: mais uma época em condições desiguais. Mas também sabem que o Benfica, unido e confiante, tem a vocação, a ambição e as condições para vencer. Vamos a isto. Todos."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Matriz benfiquista

"O Europeu terminou e a prestação portuguesa foi da maior dignidade. Mais até, o combinado nacional deu um forte pontapé na crise e devolveu, ainda que episodicamente, algum autoestima aos portugueses, que vivem numa brutal depressão colectiva, coisa que os políticos se afiguram incapazes de resolver.
Esta Selecção é boa, muito boa. Poderia, não fosse a Espanha (e os madrastos penaltis) apurar-se para a final e, quiçá, vencer o certame. Pena que a matriz benfiquista não fosse mais acentuada, confinando-se ao promissor Nélson Oliveira, futebolista que a breve trecho, tudo o indica, será o melhor avançado do futebol indígena.
Durante os últimos dias, ouvi, repetidamente, muitas observações de adeptos do nosso Clube frustrados pelo facto da equipa nacional não ter mais jogadores do Benfica no elenco. Percebo-os bem, sobretudo os menos jovens. Tempos houve, tempos prolongados, em que Selecção era sinónimo de Benfica. Só que são tempos irrepetíveis.
A tão propalada globalização, para o bem e para o mal, também atingiu o Futebol. Hoje, os melhores jogadores portugueses (noutros tempos a trajarem de vermelho) são seduzidos por novas paragens. Há mais internacionais no Benfica? Há, com certeza. Não são portugueses? Mas são do Benfica, a despeito da nacionalidade.
Há que entender a mudança, de resto irreversível. Também, durante muitos anos, não foi o Benfica o único clube lusitano que só admitia atletas portugueses nas suas fileiras? Tudo isso é passado. Por mais doloroso que seja, impõe-se compreender o presente e acreditar no futuro. A matriz benfiquista, hoje, é multi-nacional. Mas não deixa de ser a nossa matriz. A nosso matriz singular e continuadamente mítica."

João Malheiro, in O Benfica

Direitos televisivos

"Há muito que ando para me debruçar sobre o tema dos direitos televisivos. É hoje.
Duas notas prévias: não faço a mínima ideia de como se encontram as negociações (sei apenas o que o Benfica comunicou à CMVM - que não aceitou uma proposta da Olivedesportos); e, também eu, preferia que o Benfica saísse da Sport TV, que nem sempre nos tem tratado bem. Neste aspecto, sei que estou acompanhado pela larga maioria dos benfiquistas.
No entanto, mais do que não gostar da Olivedesportos/Sport TV, gosto do Benfica. Além disso, quero para o meu Clube os melhores negócios possíveis, pois todos sabemos da importância das receitas televisivas. E sem grandes receitas não podemos apostar no futebol e nas modalidades. E sem apostar não se ganha. E sem vitórias não há receitas, etc., etc.
Outro aspecto: se o Benfica deixar a Sport TV, esta sofrerá um grande rombo nas suas receitas, muito por via da publicidade que 'rodeia' os nossos jogos. Mas, quanto a assinantes, os benfiquistas vão ter que continuar ligados para ver os jogos fora de casa, que são outros tantos. Enfim, o problema não é tão simples e não pode ser resolvido (apenas) com o coração. Eu também gostava muito de ter os nossos jogos na Benfica TV (eventualmente num sistema de 'pay per view'). Mas será que as receitas assim obtidas equivalem aquelas que eventualmente receberíamos da Olivedesportos? Certamente que todos esses estudos já foram feitos pelos nossos dirigentes. E eu confio na capacidade negocial de Luís Filipe Vieira, que certamente encontrará a melhor solução para o nosso Clube. Pelo coração, não tenho dúvidas: Benfica TV. Mas o problema é que este é um assunto demasiado sério e que tem que ser resolvido com a cabeça... fria.

PS: Vêm aí eleições. E, infelizmente, à semelhança de promessas de novos craques futebolísticos que apareciam sempre quando as eleições eram antes dos finais de época, é bem possível que venham a surgir promessas de saídas da Sport TV - dão votos... - e de soluções milagrosas. Eu lembro-me sempre do outro, que começou por rasgar o contrato com a Olivedesportos e não mais parou de tomar medidas lesivas para o Clube. Algumas das quais ainda hoje com reflexos no nosso dia-a-dia."

Arons de Carvalho, in O Benfica

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Nos aviões há lugares de cócoras

"DONETSK - Os aviões aterram cheios. Os aeroportos tornam-se deprimentes lugares de convívio para quem tanto mal faz à verdade do Futebol português. Mas a selecção é desculpa, é motivo. Fatos e gravatas de boa qualidade e  de mau gosto. Poses vaidosas. As televisões invadem o átrio das chegadas e peitos estufam como se de perus e pavões se tratasse no mendigar da palavrinha parva e da imagenzinha grotesca.
Há uns de sinistros óculos escuros, escondendo as olheiras prostituídas da véspera, camaflando as mentiras que debitam no lugar das verdades que encobrem. São, todos eles presidentes e vice-presidentes, e secretários-gerais, importantíssimas personagens que tirando a vacuidade do título nada têm para mostrar.
Riem-se labregos das raparigas que passam, fazem estalar palmadas nas costas uns dos outros, preparam-se para desperdiçar dinheiro numa estúrdia curta de meia-dúzia de horas que os separam do vôo que os carregue de volta àquele país que o mar não quer, como dizia Ruy Belo. Acreditem: é um circo deprimente ao qual não faltam nem feras nem palhaços. O personagem que se dedicava a abrir garrafas de champanhe a cada derrota da Selecção Nacional dantes não vinha, mas agora já vem. Dantes não era bem aceite, agora já é. Via os jogos em casa, junto ao frigorífico, espreitando a temperatura do espumante. Apareceu uma única vez, convencido da derrota em Nuremberga às mãos de um árbitro compincha. Enganou-se. Hoje em dia voa, convidado, três vezes por semana se for caso disso, lado a lado com o outro senhor de cócoras, ao qual se aconselhava recato e pudor.
Mas não, ao diabo o recato e o pudor se o que vale é andar por aqui promiscuamente misturado com dirigentes de clubes e outros pacóvios quejandos. Pois. Eu não sabia; e se calhar vocês também não? Há lugares de cócoras nos aviões! Se não, como teria ele chegado aqui?"

Afonso de Melo, in O Benfica

Paixão contra racionalidade

"O entusiasmo dos adeptos aumenta sempre que, com razão ou sem ela, há a notícia de aquisição de um jogador. Não raras vezes sucede que a notícia de chegada é mesmo a única alegria que têm os adeptos, pois quando se começa a jogar o entusiasmo cai a pique. Esta ilusão é um dos encantos do futebol. Este ano parece haver uma diferença. Porto e Benfica têm os seus apaniguados mais suspensos pelas saídas do que pelas entradas. O verdadeiro adepto do Porto quer saber onde jogarão Moutinho, Hulk e Álvaro Pereira e o ferrenho benfiquista mantém dúvidas sobre a cor da camisola de Witsel, Garay ou Javi Garcia. É uma treta barata dizerem-nos que sempre serão 11 a jogar em cada equipa, pois ninguém quer perder os seus melhores jogadores. A paixão desportiva colide sempre com a racionalidade financeira. Quem conseguir gerir melhor este equilíbrio partirá com vantagem este ano.
Mesmo sabendo que nunca se colocará em causa a solvabilidade do clube, pois este ano o mercado parece sem liquidez e adormecido, eu queria ficar com os melhores. Serei mais emotivo do que racional quando discuto o Benfica. Não há por agora grandes compras na Europa do futebol.
Ontem houve sorteio da liga. A existência de condicionantes no sorteio é a primeira batotice. O sorteio devia ser livre e não haver pequenos e grandes, condicionantes e limitações. Na partida todos deviam ser iguais, para haver mais verdade na chegada. Estes condicionalismos dizem que não podíamos jogar com o Sporting, que foi quarto na última época, mas já podemos jogar com o Braga que foi terceiro. Benfica-Braga para abrir a Liga faz lembrar as tradicionais dificuldades que temos na primeira jornada. Matar este borrego, ganhar o primeiro jogo, é já um bom objectivo inicial para a época. Ser campeão na última jornada, na Luz, contra o Moreirense, terá de ser uma obsessão colectiva."

Sílvio Cervan, in A Bola

O Euro limpa mais limpo

"No futebol português, um dos melhores detergentes para limpar nódoas são as competições europeias. Os nossos especialistas na matéria futebolística têm uma forma particularmente interessante de analisar o fenómeno. Se a parte visível do tapete estiver asseadita, toda a sujidade que para baixo dele se varreu passou também a fazer parte do asseio.
A Itália foi uma selecção finalista no Europeu. Terminada a competição, louvou-se o feito da “Azzurra” e continuou a decorrer o processo de moralização do futebol italiano. Ou seja, o êxito da selecção italiana não serviu para esconder o que de podre ia no “reino”. Antes pelo contrário, mais reforçou a necessidade de extirpar do seio do futebol os agentes que lhe são perniciosos e que contribuíram para manchar de vergonha o campeonato deles.
Pelo contrário, em Portugal fez-se da presença de Pedro Proença na final do Europeu um baluarte de como tudo vai bem no “reino” luso dos apitos mais ou menos dourados, mais ou menos frutados. Querem convencer-nos de que aquela face limpa do tapete não esconde uma sujidade atroz no seio da arbitragem portuguesa. Pior, querem fazer de um dos principais beneficiados de um sistema sujo o exemplo de limpeza do mesmo sistema.
É, assim, natural que o próprio Pedro Proença clame e se insurja contra a ausência de altos dignitários do Estado para o receberem no aeroporto. Certamente porque já se habituou a ver outros agentes do futebol bem mais perniciosos a serem recebidos por esses mesmos dignitários em cerimónia de beija-mão. E, deste modo, enquanto uns aproveitam o êxito para perseguir o que de errado há no seu futebol, nós aproveitamos esse mesmo êxito para promover e tentar esconder as nódoas do nosso futebol."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O pré-aviso de turbulência era desnecessário

"Por que raio teremos de ser avisados, ainda em tempo de praia e pelo próprio, de que não vamos gostar de Pedro Proença na próxima temporada?

NA noite de terça-feira, na hora do noticiário da SIC, de relance, pareceu-me ver um sócia de Pedro Proença a falar sobre o árbitro português que, no espaço de mês e meio, apitou a final da Liga dos Campeões e a final do Europeu de futebol.
Dizia o sócia qualquer coisa como «para o Pedro Proença não significa dar respostas mas para o futebol português significa alguma coisa» em resposta a uma pergunta da jornalista sobre o significado de tamanhas honrarias.
Mas afinal era o próprio Pedro Proença que, à semelhança de muitos artistas do futebol ao longo dos tempos, se trata a si próprio na terceira pessoa do singular quando lhe vem a calhar. É uma curiosidade do modo de falar do futebolês esta distância surreal imposta pela pessoa que fala e a imagem pública do referido orador.
Não se pense, no entanto, que esta coisa de alguém se referir a si próprio na terceira pessoa do singular é uma invenção do singular mundo do futebol. Nada disso. Já os biógrafos de Marilyn Monroe referem que a diva de Hollywood, que morrei em 1962, se referia a si própria quando falava com amigos como «ela». Enfim, mitologias.
Nenhum mal veio ou virá ao mundo por causa de coisas destas.
Foi bastante interessante e prometedora a entrevista de Pedro Proença à SIC. Passemos adiante daquele pormenor, por sinal absurdo, dos lamentos, instados pela entrevistadora, sobre o facto de nenhum membro do Governo ter ido ao aeroporto receber com um ramo de flores, no mínimo, o árbitro da final do Europeu.
Posto em comparação com os jogadores da Selecção Nacional que caíram nas meias-finais da prova e com a medalha de ouro e o título europeu dos 10 mil metros da atleta Dulce Félix - e houve governantes no aeroporto para estes todos - a notícia da ausência de um secretário de Estado na Portela para receber Pedro Proença é apenas um episódio da silly season informativa que nos tomba em cima a cada verão.
De substância, o que ficou das palavras de Pedro Proença na SIC foi a garantia dada de que, ao contrário do que se passa no estrangeiro onde é conceituadíssimo, em Portugal... «Quando mais tempo passar, as pessoas vão gostar cada vez menos de mim».
Cá está um tipo de esclarecimento que era absolutamente desnecessário e extemporâneo. E até um bocadinho desmoralizador, agora que a época se aproxima do seu início. Por que raio teremos de ser avisados, ainda em tempo de praia, de que não vamos gostar de Pedro Proença ao longo da próxima temporada e das outras todas que se haverão de seguir?
Isto vai contra natureza do espectáculo que é a da indecisão, do suspense, do não se saber o que se vai passar. A culpa desta anormalidade é do Platini. Desde que o presidente da UEFA se atreveu a vaticinar uma final Alemanha-Espanha para o recém-extinto Europeu, armado em polvo Michel, agora tudo passou a ser superiormente autorizado no campo das apostas legais, avulso e por atacado. Armado em polvo Pedro Proença diz que cada vez menos vamos gostar dele quando o contrário é que era de valor.
Assim não vale.

A proposta veio da Madeira, mais exactamente do Nacional, e foi aprovada em assembleia geral da Liga de Clubes. Parabéns, portanto, ao Nacional da Madeira por levado à reunião magna do futebol profissional a questão, que era urgente há décadas, da interdição dos empréstimos de jogadores entre clubes que disputam o mesmo escalão. Por 19 votos a favor, 9 votos contra e 1 abstenção ficou democraticamente decidido que, daqui para a frente, estão os emblemas que alinhem nos mesmos quadros competitivos formalmente impedidos de emprestar ou de receber por empréstimo jogadores.
Foi uma agradável surpresa que marcou o fim de Junho e que vai marcar, confiando no bom senso da indústria, já a próxima temporada oficial. E não é de crer que a história volte atrás. Sejamos optimistas!
Embora entre crer e o querer vá uma grande distância, enorme mesmo, nestes passos moralizadores do nosso futebol. Haverá sempre quem creia e quem não queira.
O presidente do Nacional, Rui Alves, definiu a sua proposta como «benéfica para a verdade desportiva». E é verdade que sim. O futebol é como a mulher de César, não lhe basta ser sério, tem de o parecer e é nesse sentido que esta alteração ao regulamento das provas oficiais vem, liminarmente, desarticular o pasto de suspeitas e de especulações que se instala com grande aparato mediático sempre que, no decorrer das provas e quando a coisa está a aquecer, se defrontam clubes que emprestaram jogadores uns aos outros.
Na época passada, quando o Benfica foi jogar a Paços de Ferreira, não se falou noutra coisa durante a semana que antecedeu o jogo do que de uma eventual e insultuosa predisposição para ronha por parte do jovem Melgarejo, jogador do Benfica emprestado ao Paços.
Os receios, em nome da dita verdade desportiva, revelaram-se infundados embora o Benfica tenha ganho o jogo. Melgarejo fez uma exibição convincente, ainda atirou uma bola ao poste da baliza do seu patrão e só mentes muito tortuosas poderão ter concluído que o bom do Melgarejo, por ser o rei da pontaria criminosa, acertou nos ferros de propósito para não fazer um golo a Artur.
É por estas e outras que a nova legislação sobre empréstimos de jogadores é obra que merece todos os encómios.
Suspeições sobre dirigentes e suspeições sobre árbitros mancharam sem remissão o bom nome do futebol português nos últimos anos e muito para além do campo estreito e maldoso da boataria nacional. Houve processos judiciais, gente escutada, gente presa e todas essas delinquências saltaram para a praça pública de forma retumbante.
O futebol, no entanto, sobreviveu à investida dos polícias e dos juízes. Outra coisa não seria de esperar.
No entanto, ao contrário do que já sucedeu em outros países, nunca em Portugal as suspeitas de batotice institucionalizada caíram sobre os jogadores de futebol. E é bom que assim continue para que possamos continuar a pagar bilhete para ver um espectáculo sabendo, da antemão, que os artistas em cena são profissionais de maior ou de menor talento mas, e isso é que é importante, são gentes acima de qualquer suspeita.
É que sendo o futebol um jogo de sorte e de azar ninguém está a salvo de um simples e inocente acidente que pode tomar proporções de escândalo por causa das más-línguas do clubismo exarcebado. Há muitos anos, era Jorge Costa um jovem jogador do FC Porto emprestado ao Marítimo, e num jogo disputadíssimo entre os dois emblemas acabou por sorrir a vitória ao FC Porto com um auto golo do desastrado Jorge Costa.
Lembram-se? É bom, melhor dito, é óptimo que estas coisas nunca mais voltem a acontecer em defesa da reputação dos artistas.
Na última assembleia geral da Liga dos Clubes, na sessão em que se votou a interdição de empréstimos de jogadores entre clubes que disputem o mesmo escalão, foi o Sporting um dos emblemas a apoiar a proposta do Nacional da Madeira e a votá-la favoravelmente.
Luís Duque, o dirigente que representou o clube de Alvalade na dita reunião histórica, explicou no final da sessão o sentido do seu voto: «Servirá para evitar que se repitam algumas situações que têm vindo a acontecer de há uns anos para cá e que podem facilmente ser entendidas como pouco claras», disse e disse muito bem.
É que não foi nada bonito, mesmo no final da última temporada, aquele desaguisado público entre Sá Pinto, treinador do Sporting, e Adrien, jogador do Sporting emprestado à Académica de Coimbra, nas horas que antecederam a final da Taça de Portugal que juntou os dois clubes no Jamor.
Sá Pinto revoltou-se em conferência de imprensa contra o facto de Adrien, um jogador propriedade do Sporting, um «activo» como se diz, ter proferido intenções de sucesso no jogo que ia disputar contra o patronato estando, para piorar as coisas, o patronato em situação declarada de black-out.
Lembram-se? Também não foi assim há tanto tempo.
As provas oficiais em 2012/2013 vão arrancar com esta novidade de proibição de empréstimos de jogadores entre clubes que disputem o mesmo escalão. É uma grande notícia. Vamos lá ver se isto não volta tudo para trás. Seria uma pena. E uma vergonha."

Leonor Pinhão, in A Bola

PS: É raro, mas esta analise da Leonor é muito ingénua!!! Pergunto: quem vai definir aquilo que é, ou não é, um empréstimo?!!! Por exemplo se um jogador estiver ligado somente a um empresário (ou um terceiro clube...)... por exemplo António Araújo?!!! Será que esse jogador poderá ser 'emprestado' a um clube da I Liga?!!! E os treinadores 'emprestados'?!!! E os dirigentes 'emprestados'?!!! E os clubes comprometidos, por motivos financeiros ou emocionais com os Corruptos?!!! Ou com o Oliveirinha?!!!

Calendários...

Aqui fica o calendário do Glorioso para a época 2012/2013. Muito sinceramente, não gostei. Desportivamente, começamos com um jogo perigoso, numa altura onde o mercado ainda estará aberto, e os 'mecanismos' podem não estar afinados... e financeiramente, com os jogos com os 'grandes', em casa, nas últimas jornadas da época, em caso de desportivamente os resultados não serem os esperados, podemos ficar sem as receitas extraordinárias, normalmente obtidas nestes jogos... :

1.ª  - Benfica-Braga 19/08
2.ª  - V.Setúbal-Benfica 26/08
3.ª  - Benfica-Nacional 02/09
4.ª  - Académica-Benfica 23/09
5.ª  - P. Ferreira-Benfica 30/09
6.ª  - Benfica-Beira-Mar 07/10
7.ª  - G.Vicente-Benfica 28/10
8.ª  - Benfica-V.Guimarães 04/11
9.ª  - Rio Ave-Benfica 11/11
10.ª - Benfica-Olhanense 25/11
11.ª - Sporting-Benfica 09/12
12.ª - Benfica-Marítimo 16/12
13.ª - Estoril-Benfica 06/01
14.ª - Benfica-Corruptos 13/01
15.ª - Moreirense-Benfica 20/01
16.ª - Braga-Benfica 27/01
17.ª - Benfica-V.Setúbal 03/02
18.ª - Nacional-Benfica 10/02
19.ª - Benfica-Académica 17/02
20.ª - Benfica-P. Ferreira 24/02
21.ª - Beira-Mar-Benfica 03/03
22.ª - Benfica-G.Vicente 10/03
23.ª - V.Guimarães-Benfica 17/03
24.ª - Benfica-Rio Ave 30/03
25.ª - Olhanense-Benfica 07/04
26.ª - Benfica-Sporting 21/04
27.ª - Marítimo-Benfica 28/04
28.ª - Benfica-Estoril 05/05
29.ª - Corruptos-Benfica 12/05
30.ª - Benfica-Moreirense 19/05

A nova equipa B, também ficou hoje a conhecer o calendário:
1.ª  - Benfica B-Braga B
2.ª  - Feirense-Benfica B
3.ª  - Naval-Benfica B
4.ª  - Benfica B-Belenenses
5.ª  - U. Madeira-Benfica B
6.ª  - Benfica B-Tondela
7.ª  - Desp. Aves-Benfica B
8.ª  - Benfica B-Leixões
9.ª  - Varzim-Benfica B
10ª - Benfica B-Guimarães B
11ª - Penafiel-Benfica B
12.ª - Benfica B-Sporting B
13.ª - Oliveirense-Benfica B
14.ª - Benfica B-Sp. Covilhã
15.ª - Atlético-Benfica B
16.ª - Benfica B-Marítimo B
17.ª - Arouca-Benfica B
18.ª - Benfica B-Trofense
19.ª - Corruptos B-Benfica B
20.ª - Benfica B-Freamunde
21.ª - Santa Clara-Benfica B
22.ª - Braga B-Benfica B
23.ª - Benfica B-Feirense
24.ª - Benfica B-Naval
25.ª - Belenenses-Benfica B
26.ª - Benfica B-U. Madeira
27.ª - Tondela-Benfica B
28.ª - Benfica B-Desp. Aves
29.ª - Leixões-Benfica B
30.ª - Benfica B-Varzim
31.ª - Guimarães B-Benfica B
32.ª - Benfica B-Penafiel
33.ª - Sporting B-Benfica B
34.ª - Benfica B-Oliveirense
35.ª - Sp. Covilhã-Benfica B
36.ª - Benfica B-Atlético
37.ª - Marítimo B-Benfica B
38.ª - Benfica B-Arouca
39.ª - Trofense-Benfica B
40.ª - Benfica B-Corruptos B
41.ª - Freamunde-Benfica B
42.ª - Benfica B-Santa Clara    

Dulce (e feliz) atletismo

"O Euro do futebol absorvente até à medula das notícias e conversas quase fazia passar despercebido um outro Euro: o do Atletismo. Salvou-o in extremis uma atleta portuguesa, de seu nome Ana Dulce e minha homónima de apelido, Félix (que se diz Félis e não Féliks).
É grande o fosso entre o futebol-rei e a maioria das outras modalidades. Uma diferença injusta, em particular quando se trata do atletismo.
Além de um desporto belíssimo, o atletismo é o que dá mais sucessos à lusa pátria. Nos Jogos Olímpicos, nos Mundiais ao ar livre ou pista coberta, nos Europeus, nas taças europeias de corta-mato, temos um extenso rol de atletas exemplares e vencedores. Não há outro desporto com tal produção de medalhados e medalhadas. Não chegaria esta curta coluna para enumerar todos os seus nomes.
Desta vez, mesmo sem Nélson Évora, Naide Gomes e Jéssica Augusto e outros atletas lesionados, tivemos em Ana Dulce Félix, Patrícia Mamona e Sara Moreira, entre outros, os expoentes de um trabalho sério e dedicado.
Não há bandeiras nas janelas por causa destas atletas, nem programas de horas a fio a falar dos seus feitos. Prefere-se uma palermice de um qualquer craque ao enaltecimento do trabalho árduo e da persistência sem limites de atletas.
Vem aí os Jogos Olímpicos, o único evento onde o interesse e a beleza do atletismo superam a modorra do futebol falsamente olímpico. Vamos ter uma boa representação, também fruto de um inteligente trabalho da FPA superiormente dirigida por Fernando Mota.
E já agora, Dulce Félix, toda a força para a maratona! Até para ajudar a vencer a maratona deste nosso país em crise!"

Bagão Félix, in A Bola

Benfica B

Guarda-redes:
Oblak (ex-Leiria), Rafael Copetti (ex-Leiria) e Bruno Varela (ex-júnior).

Defesas:
André Almeida, João Cancelo (ex-júnior), Roderick Miranda (ex-Servette), João Faria (ex-Varzim), Bruno Gaspar (ex-júnior), Luís Martins, Carole (ex-Sedan) e Daniel Martins (ex-júnior).

Médios:
David Simão (ex-Académica), Rúben Pinto, Leandro Pimenta (ex-Atlético), André Gomes (ex-júnior), Luciano Teixeira (ex-júnior), Élvis (ex-Leiria), Ernesto Cornejo (ex-Barcelona B), João Amorim (ex-Gondomar), Miguel Rosa (ex-Belenenses) e Nélson Semedo (ex-Sintrense).

Avançados:
Djaniny (ex-U.Leiria), Dérlis Gonzalez (ex-Rubio Ñú-Paraguai), Manuel Liz (ex-Sintrense), João Mário (ex-júnior), Hélder Costa (ex-júnior), Ivan Cavaleiro (ex-júnior), Cafu (ex-júnior) e Duarte (ex-Varzim).

Também na equipa B o plantel não está fechado. Com a recente proibição de empréstimos de jogadores a equipas da I Liga, o plantel da equipa B ficou um pouco mais longo, 'surpreendendo' os responsáveis... A presença do David Simão é uma surpresa, pois tinha sido noticiada a sua saída... Tal como o plantel principal, existem alguns desequilíbrios, que devem ser rectificados, por exemplo temos 3 Defesas Esquerdos, e 2 Centrais!!! Admito que a ideia provavelmente passa por dar ao Miguel Vítor ou ao Jardel, minutos de jogo na equipa B, mas mesmo assim, temos que ter mais Centrais no plantel... Espero que o André Almeida jogue a Trinco e não a Defesa Direito. Não tenho de memória todos os jogadores Juniores que subiram a Seniores, mas creio que o Paulo Teles já é Senior, não terá lugar no plantel?!!! E o Diego Lopes, que seria emprestado ao Rio Ave, agora já não será?!!!
O plantel é bastante jovem, quando foram anunciadas as contratações de jogadores do Varzim e do Sintrense alguns adeptos do Benfica 'gozaram', mas recordo que o nível da II Liga é muito idêntico à metade de baixo da I Liga, é necessário ter jogadores experientes, tenho muitas dúvidas se esta equipa, vai conseguir vencer regularmente desde do início da época... E como a paciência costuma ser curta, podemos ter 'problemas'!!! Aliás, na anterior experiência das equipas B, os resultados desportivos não foram os desejados...
Dito isto, estou muito curioso para ver a evolução de jogadores como o Oblak, o Cancelo, o Roderick, o Bruno Gaspar, o Carole, o André Gomes, o Cornejo, o Hélder Costa, o Cavaleiro, o Cafú e principalmente o Dérlis...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Primeiras palavras...

O meu treinador preferido

"É um treinador antípoda do espampanante. É sereno quando tudo sugere histrionismo e vociferação. Racional quando é o glorioso tempo do emocional. Sagazmente prudente quando todos clamam por decisões frenéticas. Não grita, nem gesticula até porque sabe que os jogadores não o ouvem nem vêem para além do que lhes diz no tempo certo e no lugar adequado. Os mind-games são-lhe estranhos: ele é ele, os outros são os outros. Respeitando-se, mas não estando obcecado com tontos e incongruentes mimetismos. Não dá entrevistas balofas, não põe pose de estadista para fazer queixinhas ou expelir fel, nem é conhecido pelo seu mundo pessoal. Não se excita com árbitros de quem, aliás, não se queixa para justificar reveses. Resiste pacientemente aos intelectuais da bola que ainda agora o haviam criticado por jogar sem avançado-centro. Encara o ganhar ou perder com a naturalidade do desfecho e o discernimento do dever cumprido Com um ar aldeão e patusco, não faz parte das revistas rosa ou de outras colorações que medram pelo mundo da fantasia e das ilusões. É um homem natural, afável, rigoroso.
Chama-se Vicente del Bosque. Um treinador anti-moda. Mas Campeão. Porque ganha. Porque é simplesmente um homem simples.
Campeão do Mundo e da Europa, ganhou no R. Madrid (1999-2003) dois títulos nacionais e as duas últimas Ligas dos Campeões do clube, após o que foi despachado e substituído por... Carlos Queiroz. Na altura, o então (e agora) presidente madrileno Florentino Pérez justificou: «Del Bosque está exausto. Muito sinceramente, ele não é o treinador certo para o futuro»...
Ironias do grande sentenciador: o tempo!"

Bagão Félix, in A Bola

No ciclismo não há penaltis

"Enquanto decorria o Europeu de futebol, entre a vitória de Portugal sobre a Holanda e a vitória de Portugal sobre a República Checa, aconteceu que um outro compatriota nosso, um rapaz franzino chamado Rui Costa, ciclista profissional, ganhou a Volta à Suíça que não é brincadeira nenhuma. O feito consagra-o como o primeiro português a vencer uma prova do World Tour, coisa que nem o fabuloso Joaquim Agostinho atingiu.
Em Portugal ninguém ligou peva à proeza de Rui Costa porque as atenções estavam a mil por cento concentradas na campanha da selecção nacional de futebol. E como é do conhecimento geral, bicicletas são apenas bicicletas e o desporto-rei é o desporto-rei. A aventura portuguesa no Europeu acabou na quarta-feira de maneira dramática e, como não podia deixar de ser, com direito a requerimento em papel azul de 25 linhas, aquele mesmo dos antigos procedimentos burocráticos, em favor da nossa velha conhecida Vitória Moral, que é o consolo possível e recorrente quando estas nossas andanças desportivas ao mais alto nível não terminam como era desejado.
Agora que o futebol acabou em desilusão, espelhando as frustrações da pátria que são muitas e de natureza variada, temos, finalmente, tempo para nos dedicarmos às bicicletas. O país precisa de heróis por causa da auto-estima, dizem os sociólogos, quer os amadores quer os profissionais, e está a chegar a Volta à França que conta no seu pelotão com o tal portuguesinho franzino chamado Rui Costa. No ciclismo, felizmente, não há penaltis. Mas Rui Costa bem pode começar a pedalar tendo por certo que os olhos da nação estão postos nele. Atreva-se ele a ganhar uma etapa do Tour, como fez no ano passado, e logo teremos o país em peso a pedir-lhe, encarecidamente, que vá mais longe, que chegue em primeiro, que não caia da máquina, que desfaça a concorrência nas subidas dos Alpes e que nos devolva o orgulho perdido no momento em que Bruno Alves acertou com a bola em cheio na trave da baliza guardada por Casillas.
Rui Costa, à partida para França, estabeleceu com modéstia os seus objectivos: "Gostava de chegar bem a Paris." Não aborreçam, portanto, o rapaz com exigências mirabolantes. Estivessem todos mais atentos à Volta à Suíça.

ERRAR É HUMANO
VENHA DAÍ ESSE ÁRBITRO TURCO
Com a derrota de Portugal frente à Espanha, Pedro Proença viu abrir-se-lhe a porta da final do Europeu. Haja alguém satisfeito. Independentemente da escolha que a UEFA venha a fazer, Proença é cada vez mais um nome sólido no panorama da arbitragem europeia. E, quando o Europeu acabar, é certo e justo que o árbitro português se meta num avião com destino a casa ciente de que, no seu ofício, é um dos melhores da Europa e arredores.
Vamos, portanto, ter um Pedro Proença super-motivado e altamente confiante na próxima temporada futebolística nacional e é precisamente isto que os benfiquistas, escaldados, mais receiam e sem fundamento. Não há razões para tal. Em primeiro lugar porque, certamente, o Benfica, ao mais alto nível da sua comunicação, saberá gerir este momento alto da vida de um sócio do clube, como se diz que é Proença. Ficaria bem ao Benfica endereçar publicamente os parabéns a um dos seus, ainda que seja árbitro, pelo excelente Europeu que protagonizou já que o outro dos seus, Nelson Oliveira, não brilhou por aí além.
E depois é só esperar que Vítor Pereira, agastado com o escandaloso namoro, agilize a lei que aprovou e comece a importar árbitros estrangeiros para os jogos do Benfica. Por mim, francamente, até pode vir o turco.

POSITIVO
Iniesta de génio
É, provavelmente, um dos melhores jogadores do mundo mas a sua genialidade vive na sombra do duelo, bem mais mediático, entre Messi e Ronaldo pelo dito ceptro. A exibição contra Portugal foi notável.

Patrício impecável
Com duas intervenções excepcionais no prolongamento, o guarda-redes do Sporting guardou o resultado até às grandes penalidades. Depois, defendeu o tiro de Xabi Alonso. Da parte dele, missão cumprida.

NEGATIVO
A falta de Postiga
Que falta fez Helder Postiga, o nosso artista dos penaltis, na hora da verdade com a Espanha. Tal como Pilro matou a Inglaterra com uma "panenkada", Postiga poderia ter feito o mesmo aos espanhóis e a história seria outra.

PÉROLA
"SAIR NÃO É UMA OBSESSÃO", Hulk
É, sem qualquer espécie de dúvidas, a novela de maior interesse deste defeso e está a ser gerida, até ao momento, com grande diplomacia quer pelo jogador quer pelo FC Porto. Trata-se de um eventual negócio de dezenas de milhões de euros e trata-se também de imaginar um FC Porto sem Hulk."

Leonor Pinhão, in A Correio da Manha

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ano de Ouro

"Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Supertaça em Futsal; Campeonato Nacional e Taça Intercontinental, em Hóquei em Patins; Campeonato Nacional e Taça António Pratas, em Basquetebol; Taça de Portugal e Supertaça em Voleibol; Campeonatos Nacionais de Atletismo em Pista Coberta e Ar Livre. É este, grosso modo, o vasto lote de títulos alcançados pelas modalidades do Benfica nesta temporada (falo apenas de escalões Seniores, e do sector masculino), aos quais poderíamos juntar presenças honrosas nas competições europeias de Hóquei em Patins (apuramento para a Final-Eight de Lodi) e Andebol (quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças). Só por manifesta falta de sorte não foi possível juntar a todas estas conquistas o Nacional de Voleibol, o qual perdemos no último 'Set', do último jogo da Final, após uma temporada em que - com 37 vitórias em 41 jogos - mostrámos eloquentemente dispor da melhor equipa do panorama luso.
Contas feitas, esta foi, sem sombra da dúvida uma das melhores temporadas de sempre do ecletismo 'encarnado'. Nunca, em 108 anos de História, havíamos sido Campeões de três modalidades colectivas de Pavilhão numa mesma época. E poucas vezes (creio que apenas em 1989 e 1991) teremos erguido tantos e tão variados troféus.

Vitórias anunciadas
Estes brilhantes resultados são a consequência lógica de um trabalho que já vinha a mostrar-se nos últimos anos. Em 2010 o Benfica havia sido Campeão Europeu de Futsal. Em 2011, conquistou a Taça CERS de Hóquei em Patins, e chegou à final da Taça Challenge de Andebol. Só uma infelicidade extrema nos retirou os títulos de Futsal e Voleibol da última temporada, e só factores externos e obscuros nos retiraram e de Hóquei em Patins - em cujo Campeonato fizemos , ainda assim, o mesmo número de pontos do primeiro classificado. No Basquetebol tínhamos alcançado o Bicampeonato em 2009 e 2010, cedendo no derradeiro jogo da Final o título de 2011. As Taças de Portugal, e as Supertaças, iam pingando com uma frequência crescente. E adivinhava-se que, a qualquer momento, um jackpot deste tipo pudesse cair de uma máquina onde tão criteriosamente havíamos investido.
Com a aposta de uma Direcção que imagina e promove, um Benfica global, vencedor em todos os seus quadrantes de actividade; com a competência de técnicos experientes e sabedores; com o talento e o empenho de jogadores de elevadíssima craveira; com uma elevada dose de Mística benfiquista; e, também, com a pontinha de sorte que nos faltara noutros momentos; pudemos pois acabar a época em festa, saboreando que, nalguns casos, nos fugiam havia demasiado tempo.

Os últimos também foram primeiros
No Futsal - último Campeonato a ser conquistado - um Pavilhão cheio, e emoções fortes, fizeram da tarde de sábado um momento de grande fervor benfiquista. A nossa equipa já erguera os outros dois troféus oficiais da temporada, mas a Final da prova mais apetecida chegou a parecer poder escapar-se-nos das mãos, nomeadamente quando, no 4.º jogo, já com champanhe e foguetes preparados para a festa verde-e-branca, o desempate por penáltis começou mal para as nossas cores. Valeu a inspiração de Vítor Hugo para trazer as decisões para nossa casa. Aí, fomos mais fortes, triunfando numa partida muito disputada, com alternância no marcador, e um resultado justíssimo.
Queixaram-se os nossos adversários - como não podia deixar de ser... - de uma decisão de arbitragem, num lance de eventual mão na bola de Joel Queirós. Não se lembraram eles de uma grande penalidade clara cometida no inicio da segunda parte sobre o mesmo jogador, que ficou por sancionar, nem de uma falta assinalada ao contrário (juntamente com o respectivo cartão amarelo), quando Davi foi impedido de prosseguir num perigoso lance de ataque. Enfim, mistificações a que já estamos habituados, qualquer que seja a modalidade em causa. Desculpas para uma derrota em toda a linha daqueles que ainda se julgavam campeões.
Foi o nosso sexto Campeonato Nacional, o que traduz uma inegável supremacia desde que o 'Glorioso' chegou à modalidade.
Para o próximo ano o desafio é grande. Estaremos certamente à altura de o enfrentar, mantendo os princípios que nos levaram a estes títulos, estendendo-os, se possível, também às modalidades que por ora nos escaparam."

Luís Fialho, in O Benfica

O Manto

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Descrédito total

"Olegário Benquerença, depois do que andou a fazer por cá, e sob protecção de Lourenço Pinto, é considerado árbitro de elite da UEFA.
Pedro Proença, que decidiu o último Campeonato com um erro grosseiro (coisa que já fizera em 2008, e tentara em 2005), é considerado árbitro do ano, é nomeado para a Final da 'Champions', e está no Euro (assistido pelo responsável directo por aquele erro).
Bruno Paixão vê-se à beira da despromoção, depois da campanha que lhe foi movida após a derrota do FC Porto em Barcelos. Como diria um conhecido ex-ministro: quem se mete com o FC Porto, leva!
Damir Skomina, esloveno cuja entrada no lote de elite da UEFA foi apadrinhada por Guilherme Aguiar, e que lesou gravemente o Benfica com uma arbitragem habilidosa nos quartos-de-final da 'Champions', em Londres, depois de ter tentado colocar-nos fora da Liga Europa, três anos antes. Já na 1.ª mão da eliminatória com o Chelsea, doze olhos não foram suficientes para ver aquilo que todo o estádio viu: um penálti que podia ter alterado o rumo do jogo. Pelo menos esses (Paolo Tagliavento e a sua trupe), não foram ao Europeu.
Lá, numa prova que, em termos de futebol, vai sendo espectacular, as arbitragens têm sido medíocres.
Saliento penálties perdoados à Alemanha e à Espanha, equipas que Platini não esconde serem as da sua predilecção. E, sobretudo, um golo não atribuído à Ucrânia, com um daqueles inúteis que saltitam pela linha de fundo, a dois metros de distância, de olhos esbugalhados, sem dar a sinalética que se impunha.
Todos estes factos são profundamente inquietantes para quem ama o Futebol. Quero acreditar no que vejo, mas, sinceramente, começa a ser difícil. Em Portugal já sabíamos o que se passava. Também na Europa deixou de haver preocupações em, sequer, dissimular. Com estes fenómenos, com casos de apostas ilegais, com guarda-redes e defesas que umas vezes defendem, noutras fingem fazê-lo, continuar a gostar de Futebol é, cada vez mais, um acto de coragem."

Luís Fialho, in O Benfica

Suspeita

"O ano desportivo terminou bem. Terminou a brilhar. O brilho até foi duplo. E duplamente empolgante. Quem é que disse que Benfica não é suspeita de vitórias? Foram os Campeonatos Nacionais de Futsal e de Hóquei em Patins, ganhos à medida da ambição benfiquista.
Dois triunfos importantes e com grande significância. No Futsal, à custa do arqui-rival Sporting, algo que pesa mais no plano das emoções, até porque o adversário era detentor do ceptro nacional. No Hóquei patinado, finalmente, terminou a longa hegemonia do FC Porto, alicerçada em matéria que acusa muitos vícios antidesportivos, mas que durou uma década.
Se recordarmos o recente triunfo do Basquetebol, paramais garantido no terreno portista, é caso para sublinhar com elevado apreço o trabalho dos colectivos das diferentes modalidades, algo que dignifica o Clube e arrebata os aficionados.
Quem é que disse que o Benfica não é suspeita de vitória? Na próxima temporada, esperam-se novas jornadas brilhantes, mais triunfos, novos troféus. Verdade que o nosso ecletismo não esconde uma realidade, ou seja, é no Futebol que os adeptos mais se revêm e esperam saborear êxitos a trecho imediato.
A época que se avizinha é da maior importância. Reiterada a aposta no comando técnico de Jesus, sem grandes alterações no plantel, ainda que reforçado, há razões para acreditar no sucesso. Importa é recolher os ensinamentos dos dois últimos anos e apertar a vigilância perante um monstro antibenfiquista que, às claras ou no silêncio dos bastidores, tudo fará para obstar à consecução dos nossos propósitos. O resto fica por conta da suspeita da vitória..."

João Malheiro, in O Benfica

Criar rotinas !!!

Era uma vez...



...e assim começa:

Guarda-redes: Artur Moraes, Paulo Lopes e Mika;
Defesas: Luisão, Garay, Miguel Vítor, Jardel e Luisinho;
Médios: Javi García, Bruno César, Nolito, Pablo Aimar, Matic, Witsel, Carlos Martins, Melgarejo, Ola John, Yannick Djaló, Gaitán, Enzo Perez e Yartey;
Avançados: Cardozo, Rodrigo Moreno, Saviola, Hugo Vieira, Rodrigo Mora, Alan Kardec e Michel.

O Maxi e o Nélson têm direito a mais alguns dias de férias...

Haverá saídas, e haverá algumas entradas (as laterais defensivas continuam com poucas opções...), mas para já são estes... Gostei muito da presença do Yartey. Nos próximos dias, a rescisão do David Simão vai dar que falar, pessoalmente, acho que o David não tinha futuro no Benfica...


domingo, 1 de julho de 2012

Fim... e até já !!!


Este Europeu - versão ano Olímpico - acabou em 5 dias, aceito que podem existir vantagens com este novo calendário (para os atletas menos cotados, conseguir mínimos para os Jogos...), mas muito sinceramente não gostei... além da ausência de vários atletas, tivemos outros atletas a meio-gás... e o calendário apertado também não ajudou, dificultando a vida aos atletas especialistas em várias provas... Pessoalmente, acho que do ponto vista competitivo, além dos Jogos, deveria existir os Campeonatos do Mundo de 4 em 4 anos, intercalados com os Jogos, e os Europeus de 2 em 2 anos, nos anos ímpares... mas como é óbvio tudo isto envolve muito dinheiro e as Federações Internacionais, e os patrocinadores, é que mandam...

Para o último dia tinha alguma esperança na prova do Salto em Comprimento. Mas o Marcos Chuva fez uma marca parecida com o salto da qualificação e assim ficou em 7º... falta um mês para os Jogos, tal como vários colegas do Benfica o Marcos teve um Inverno complicado com lesões, sendo assim, daqui a um mês esperamos que o Marcos consiga repetir as marcas do ano passado... um salto por volta do 8,32m (o recorde do Marcos), mais 30cm do que fez hoje, pode ser suficiente para um grande resultado em Londres.

O Rasul Dabó, nos 110m barreiras, melhorou bastante na Meia-final, em relação à qualificação, mas não foi suficiente... agora no próximo fim-de-semana o Rasul terá a última oportunidade para conseguir o mínimo Olímpico, no Estádio Universitário, algo que o companheiro de treino João Almeida conseguiu hoje!!!

As coisas na estafeta também não 'correram' bem!!! A ausência do Arnaldo Abrantes devido ao cansaço (a ausência do Obikwelu já era complicada de gerir), foi logo um mau sinal, a Pista 1 também não ajudou... Na corrida o Ricardo Monteiro até arrancou bem, mas logo na primeira transição, as coisas correram muito mal, até pensei que tivessem falhado a passagem do testemunho!!! Com as desclassificações da Grã-Bretanha e da República Checa ficámos em 6º, mas o tempo podia ter sido melhor... Fica a estreia do Diogo Antunes a este nível... e de positivo fica as exibições do Yazaldes que me pareceu muito rápido, e preparado para Londres!!!

Depois do Bronze, e da Prata, só faltava o Ouro... a Ana Dulce Félix resolveu o 'problema', nos 10000m femininos venceu a prova, com alguma 'facilidade' diga-se!!! Consagrando uma das melhores participações Portuguesas em Europeus com 3 medalhas, e vários finalistas...

PS: Depois dos Juniores, hoje foi a vez dos Juvenis do Benfica, masculinos e femininos se sagrarem Campeões Nacionais de Atletismo... Domínio praticamente absoluto, nesta época até agora só faltou os Seniores femininos, e nos sub-23 também somos favoritos... Toda a secção está de parabéns!!!