Últimas indefectivações

sábado, 8 de abril de 2017

2.º tempo, muito bom !!!

Benfica 33 - 23 ABC
(13-13)

Se jogássemos sempre assim (na 2.ª parte) éramos Campeões!!!
Hoje, na 2.ª parte, foi tudo perfeito a defesa, o ataque e a rotação... é óbvio que o adversário, 'sentiu' a diferença, e acabou por facilitar, mas o Benfica dentro das nossas limitações, temos uma boa equipa... o problema são as 'brancas' e este ano, tivemos pelo menos duas irrecuperáveis...
Apesar deste resultado o 3.º lugar não esta garantido... o jogo em Braga vai ser muito complicado!

Vitória, após tentativa de 'atrapalhação'!!!

Benfica 6 - 2 Tomar

Mais uma vitória, num jogo que podia ter-se tornado 'complicado'!!! Só na 2.ª assegurámos uma boa vantagem...
Mais uma inacreditável arbitragem, desta vez, com um apitador que tatuou a sua 'paixão' Lagarta na pele!!!!
O 'perigo' foi tão grande, que o Nicolia não jogou na 2.ª parte, tal era a 'intenção' de o expulsar!!!

Agora, umas mini-férias com jogos das Selecções, regressamos em Valença a 21 de Abril!

Luisão 38 !!!

Outra renovação que não surpreende ninguém... talvez só o timing!
Curiosa a revelação do nosso Capitão no momento da assinatura: este ano, abdicou, da vida social!!!
A idade não perdoa, o Luisão não vai durar para sempre... Depois de um início de época com muitas 'dúvidas', acabou por ganhar a titularidade, à custa das lesões dos colegas de lugar... Mas a verdade é que o Benfica, melhorou muito, principalmente nas 'bolas paradas' defensivas! Nota-se claramente a falta de velocidade, a linha defensiva acaba muitas vezes por recuar, em vez de 'pressionar', mas ainda é muito útil... e creio que nas duas próximas épocas, o nosso Capitão, vai 'aceitar' o banco com outra 'facilidade'!!! Sendo que a sua liderança no balneário continua a ser fundamental...

Derrota na Serra...

Covilhã 2 - 0 Benfica B


Onda de maus resultados que tem que mudar... com a 'classificação' assegurada, e com muitos jogadores que vão ter compromissos com as Selecções neste final de época, é importante recordar que todos os jogos são para ganhar...!!

Juniores - 7.ª jornada - Fase Final

Braga 3 - 0 Benfica


Fim da 1.ª volta, com mais uma derrota pesada... com o resultado 'feito' na 1.ª parte!!!

Benfiquismo (CDXXXI)

Com a 'casa' às costas!!!

Uma Semana do Melhor... Casas, empates, liderança...!!!

Jogo Limpo... a desconstrução da narrativa encomendada !!!

Cota... e a suinicultura!!!

Sim, o Benfica envia documentos. Mas garante que não paga aos comentadores

"O Benfica produz “informação diária” que envia para os “comentadores afectos ao clube”, mas nenhum recebe qualquer remuneração. Estas são algumas das garantias do Benfica em resposta à Tribuna Expresso, que questionou o clube da Luz, e os moderadores de três programas desportivos, após as alegações do director de comunicação do FC Porto sobre uma “cartilha” de actuação

Se encararmos tudo isto como um bolo que não se come, mas que se compõe, a primeira fatia foi colocada na bandeja pelo FC Porto.
Na terça-feira, o director de comunicação do clube, Francisco José Marques, foi ao Porto Canal mostrar um documento que descreveu como “nove páginas mais vinte e duas”, divididas por dois capítulos. Era um guião, disse ele, que o Benfica enviava a todos os comentadores televisivos afectos ao clube, alegando que, por causa dele, eles “actuavam todos sob a mesma cartilha”.
Ora, servida esta fatia, o responsável do FC Porto passava a impressão de que o Benfica estava a fazer chegar aos comentadores uma espécie de roteiro, no qual todos deviam basear o que diziam, o que defendiam e o que acusavam. Seguiram-se uma quarta e uma quinta-feiras de migalhas a caírem e de fontes citadas a alegarem que este tipo de documentos também são fabricados por FC Porto e Sporting, e enviados para os comentadores que têm as cores deles.
Para não haver fatias em falta no bolo, a Tribuna Expresso enviou as mesmas quatro perguntas aos directores de comunicação dos três clubes:
1. Preparam e enviam guiões?
2. Que tipo de contacto mantém o clube com os comentadores?
3. Os comentadores recebem alguma remuneração?
4. O clube tem alguma influência na escolha dos comentadores?
As mesmas questões, o mesmo prazo de resposta para todos. Quando o tempo terminou, apenas o Benfica tinha respondido. Fê-lo sem comentar directamente o caso mencionado pelo director de comunicação do FC Porto - alegou que Carlos Janela, ex-dirigente de Belenenses e Sporting, é quem entrega estes documentos, semanalmente, aos comentadores -, que considera “um fait divers”, mas quis esclarecer o que tem sido dito, escrito e rumorado. Estas foram as respostas:
"1 – O SLB, sendo reconhecidamente a principal marca do país, obviamente que tem uma estrutura profissional na sua comunicação que produz informação diária para os seus diferentes canais e também para os comentadores afectos ao clube.
2 – Para além da informação corrente, sempre que um comentador considerar pertinente e nos contacte estamos sempre abertos a fornecer os dados e enquadramento que nos seja solicitado. Não existindo qualquer outro tipo de contacto.
3 – Todos os comentadores que não têm qualquer tipo de vínculo profissional a estruturas do SLB não recebem nenhuma remuneração por parte do clube.
4 – Que saibamos os critérios de escolha e selecção dos comentadores por parte das televisões e rádios são da estrita e exclusiva competência desses órgãos de comunicação social."
O sumário da fatia do Benfica é que o clube envia notas informativas aos comentadores, diariamente e por e-mail, e que lhes fornece mais informação, caso eles a peçam. Garante que não paga o que seja a quem fala na televisão por ser afeto ao clube, ou que exista contacto entre o Benfica e as estações de televisão no momento da escolha dos comentadores. A partir daqui, cada um lê, segue, utiliza, ignora, apaga ou faz o que pretender com as notas que receber. O problema é que, à falta de respostas de FC Porto e Sporting, o bolo apenas se compõe até este ponto.

RTP "SEM CONHECIMENTO" DOS GUIÕES
Além dos clubes, a Tribuna Expresso também enviou perguntas aos três moderadores dos três programas de debate de futebol dos canais de informação das três estações televisivas de sinal aberto: "Trio d' Ataque" (RTP), "Prolongamento" (TVI) e "O Dia Seguinte" (SIC).
O formato foi o mesmo e todos receberam as mesmas quatro perguntas:
1. Tem conhecimento de guiões enviados pelos clubes aos comentadores?
2. Sabe se eles recebem algum tipo de pagamento?
3. Há algum contacto com os clubes antes de contratarem comentadores?
4. Receia que a interferência dos clubes possa afectar a independência dos comentadores?
Até à hora de publicação deste artigo, apenas nos tinham chegado as respostas de Hugo Gilberto, apresentador do "Trio d' Ataque" e director-adjunto da RTP, que garante não ter nem nunca ter tido conhecimento sobre guiões enviados por clubes aos comentadores do programa.
"Conhecendo, como conheço, o Miguel Guedes, o João Gobern e o Rui Oliveira e Costa tenho a certeza que não", diz à Tribuna Expresso Hugo Gilberto, que garante ainda que seria "impensável" a RTP contactar de forma prévia os clubes antes de escolher o painel do seu programa.
"Não quero acreditar que uma televisão, seja qual for, possa articular com o objecto do comentário o nome do comentador. Desde 2008, fui eu que propus/sugeri/escolhi os nomes dos comentadores do 'Trio d' Ataque'. Duas das condições fundamentais são a independência e a liberdade para criticar. Aliás, qualquer um deles sabe, por exemplo, que se algum dia tiver algum cargo na SAD ou no clube de que são adeptos, deixa de imediato de ser comentador do 'Trio d' Ataque'", diz.
Hugo Gilberto diz não ter "qualquer receio" de uma possível interferência dos clubes no seu programa: "Só por ignorância ou má-fé alguém pode acreditar que isso é possível - que estão ali para defender uma espécie de estratégia de comunicação oficial do clube - com os comentadores do 'Trio d' Ataque'. Só nas últimas semanas, qualquer um deles se demarcou e criticou o presidente ou os dirigentes ou o treinador do clube de que são adeptos. E foi assim desde sempre"."


PS: O mais extraordinário deste pseudo-caso é a hipocrisia, de quem faz muito pior... e ainda se faz de vítima!!!
Toda a gente sabe que existe coordenação dos Clubes nestes programas... principalmente no Sporting, basta ouvir o que eles dizem: a imaginação é tão pouca, que usam sempre as mesmas expressões!!! Em simultâneo, em canais diferentes!!!
Mas os Corruptos, seja através de reuniões privadas, seja através do Canal de televisão, seja através do Dragays Diário fazem o mesmo...
Sendo que os termos usados em publicações oficiais dos Corruptos e dos Lagartos, é muito mais injurioso, do que estes supostos sound-bytes!!!
Não tive paciência de ler a suposta 'cartilha', mas se o mais grave que lá encontraram, é as 'afirmações' sobre o estado mental do Babalu... então é porque aquilo é mesmo muito 'soft':
- Todos os portugueses, mesmo os Sportinguistas, em privado, admitem que o Babalu é um 'desequilibrado'... portanto qual é o problema?!!! Estamos a falar de um e-mail privado...
Tudo isto, foi uma forma de 'mudar' o ciclo negativo de notícias, das agressões e ameaças da claque organizado dos Corruptos sobre as arbitragens e afins... 'atacando' o Benfica com uma não notícia!!!

Pessoalmente, já o disse várias vezes: nenhum Benfiquista devia fazer parte destes programas! Mas como isso é impossível, acho bem que o Benfica forneça informação aos comentadores... acho até que devia fornecer mais informação 'histórica', não só os sound-bytes da semana!!! A maioria dos Benfiquistas que vai a estes programas está mal preparado... e como 90% do tempo destes programas é a falar negativamente do Benfica, os nossos representantes têm mesmo que ser 'ajudados'...!!! Se em campo, normalmente estamos em inferioridade numérica, nestes programas é no mínimo 1 para 3...!!!

Alta... com Pereirinha

E Pluribus Unum... Henrique Amaro

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Vencer sempre para ser campeão

"O Benfica mesmo quando não joga bem joga melhor que o FC Porto. É por isso muita justa a euforia azul e branca no final do clássico. Não perder na Luz foi excelente para o FC Porto. Sem deslumbrar, o Benfica tentou sempre ganhar e jogou melhor que o adversário, mas não venceu. A insatisfação do Benfica com o resultado, é a nossa maior vitória, mas não ignoro que o FC Porto ficou bem mais perto do seu objectivo de ser campeão ao não ser derrotado.
O V. Setúbal e o Boavista também festejaram, com justiça, quando empataram na Luz. O FC Porto já não depende apenas dele para o conseguir, mas também se apenas dependesse dele, nunca seria campeão. Há mérito do FC Porto em ter chegado aqui nesta posição, a acreditar nos outros para ser campeão.
O Benfica tem umas contas simples, tem que vencer os sete jogos, se quiser revalidar o titulo. Agora é mesmo só o Benfica, contra o anti Benfica. Vai ser uma luta sem tréguas e muito difícil, mas não deixa de ser apaixonante.
A grande vantagem do Benfica e V. Guimarães sobre a concorrência é que lhes falta mais um jogo para acabar a época. Um jogo especial, um jogo único, o jogo dos jogos, porque estar no Jamor é excelente. Benfica e Vitória conseguiram lá chegar com demasiado sofrimento sustos escusados, e perigos evitáveis. Sobre o jogo com o Estoril prefiro nem escrever. Vou fazer de conta que me rendo ao pragmatismo do resultado e do apuramento. Dia 28 de Maio, no Estádio Nacional, lá estarão SL Benfica e Vitória SC onde todos os outros gostavam de estar e só Benfica pela 36.ª e Vitória pela sétima vez conseguiram. Vencer a Taça de Portugal é o segundo objectivo da época, e o Benfica luta por conquistá-lo.
Ainda não ganhamos quase nada, mas ainda podemos ganhar quase tudo, vamos a isso já no domingo em Moreira de Cónegos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Rui Vitória 2020

O Benfica anunciou hoje a renovação de Rui Vitória, por mais 2 anos, até 2020.
Depois da 'fuga de informação' em Janeiro, todos sabíamos que a decisão estava tomada, independentemente dos resultados no final da época!!! Era tudo uma questão de escolher o melhor momento para o anúncio... Tendo em conta o 'ciclo' negativo de notícias anti-Benfica dos últimos dias, com a irrelevante 'cartilha', parece-me claro que o anúncio teve como objectivo, 'mudar' as 1.ªs páginas!!!

Rui Vitória, entrou no Benfica com muitos anti-corpos, mas o Tri acabou por 'abafar' as críticas!!! Mas sempre que o resultado não é o esperado, os 'críticos' saem da casca!!! Pessoalmente, considero as criticas muito exageradas... esta época, os condicionalismos têm sido muitos, começando pelas lesões, pela pressão dos Anti's, arbitragens inacreditáveis após invasão do Centro de Treinos da Maia... e até os 'normais' problemas de todas as 'grandes' equipas, como a renovação do 11 (jovens/veteranos)... etc..!!!

Agora, para quem pensar que este anuncio garante a permanência do treinador, até 2020, obviamente não conhece o mundo do Futebol... onde tudo muda, rapidamente!

O meu único desejo, neste momento, é que este anuncio público, não seja usado para distrair a equipa daquilo que realmente importa: o Tetra!!!


Futebol a duas velocidades...

"Portugal, visto de fora, deve ser um país curioso. Aliás, há mais de dois mil anos já os romanos diziam que os lusitanos eram um povo estranho, que não se governava nem se deixava governar. O futebol, hoje em dia, é um bom espelho dos contrastes que marcam o País. Por exemplo, apostamos na formação mas há clubes que disputam a I Liga e que não têm, sequer, um campo de treinos; temos a selecção campeã da Europa de futebol e somos o gozo do mundo inteiro por albergarmos aquela que é considerada a equipa mais violenta do mundo; conseguimos criar uma escola de treinadores de referências e somos os recordistas de chicotadas psicológicas ao nível da Europa; organizamos eventos planetários, onde se discute o futebol do futuro, enquanto que os dirigentes dos nossos clubes se comportam como se vivessem no tempo das cavernas.
É neste país de contrastes que surge mais um exemplo de oito e oitenta: no mesmo dia em que houve uma reunião de alto nível para estudar a forma de combater a violência no futebol (43 agressões a árbitros e agressões físicas e verbais nas bancadas...), o que nos remete para uma realidade terceira-mundista, ficou a saber-se que a final da Taça de Portugal contará com videoárbitro a sério, situando-nos, nesse particular, na vanguarda do futebol à escala global.
Foi isso, venha o videoárbitro, que nos coloca na casa do oitenta; mas procuremos fugir, restantes situações (e tantas ainda são), da casa do oito, para onde temos sido desgraçadamente arrastados por mentalidades obtusas, lideranças permissivas e governantes com medo da sombra."

José Manuel Delgado, in A Bola

Contadores de Estórias ep. 4

Conversas à Benfica (I)

Aquecimento... 7 batalhas, e o Jamor!

Benfiquismo (CDXXX)

Super-Mealheiro !!!

Sinais da bola

"154 dias de espera
Grimaldo não jogava desde 1 de Novembro, na recepção ao Dínamo Kiev, para a Champions. Esteve cinco meses e três dias (154 dias, se preferirem) sem poder fazer o que mais gosta. Ontem, percebeu-se, entrou com muita vontade de recuperar o tempo perdido.

Cinco esquerdinos
Se entrar em campo com o pé esquerdo dá azar, pelo menos para os mais supersticiosos, o que dizer de uma equipa com cinco esquerdinos no onze (algo raro)? A menos que Júlio César, Grimaldo, Filipe Augusto, Cervi e Zivkovic tenham entrado de pé direito...

O golo que faltava
Ao 21.º jogo pelo Benfica, Zivkovic estreou-se finalmente a marcar. Era, provavelmente, o golo que lhe faltava e que até chegou na melhor altura, já que tem andado na mó de baixo. Quanto ao talento do sérvio, esse não merece discussão, tem um pé esquerdo fabuloso.

Proeza de Bruno
Não sabemos que rumo tomará a carreira de Bruno Gomes, mas, aos 20 anos, já leva histórias para contar aos netos sobre esta época. Dos sete golos pelo Estoril, em 23 jogos, quatro foram marcados a Sporting e Benfica. Mais: dois em Alvalade e dois na Luz, ontem.

Muito obrigado
Num futebol que tão mal tratado tem sido por parte de dirigentes (e comentadores, por arrasto), importa agradecer a quem mais interessa, os jogadores (e os treinadores) pelo grande espectáculo de ontem. Como o nosso futebol pode ser bonito dentro do campo."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Canelas... Futebol Clube, do Porto

"Coragem que espero ver para condenar estes casos

Tudo tem limites
A vergonha, a cumplicidade, a impunidade, o encobrimento, o branqueamento... tudo tem limites. Excepto para alguns que, sedentos e nostálgicos do tempo do Apito Dourado, se passeiam no futebol português, com base em pequenas coutadas de autorregulação, capazes de tudo não ver ou tudo desculpar, se for de uma determinada cor. Ditosa associação (de interesses e de conivências)! Só de desconhecimento não podem ser acusados...
Porque até eu, já no dia 10 de Novembro do ano passado, aqui, no meu artigo, escrevia...
«Os 'Andrades' que viram Canelas.
Para não nos comerem por parvos, e para que se diga o que se tem que dizer, bem podem fazer matinas (tão católicos que eles são) de petardos, junto do Hotel da equipa, colocar tarjas insultuosos durante o jogo ou cuspir para os nossos jogadores.
Ou brindarem-nos, a cada chegada à Invicta, com mimos como «ides sofrer como cães» e com juras de «ódio eterno»... tipo canelas.
Na verdade,... não têm vergonha. Nem quem os deixa passear esse ódio, como bem percebem os clubes da zona, com adeptos tão portistas quanto eles. Só que há métodos e métodos. E quando os exemplos e os incentivos vêm de cima... só a FPF poderá resolver o assunto.
Com coragem (e não como a avestruz). A não ser que prefiram, neste como em outros casos onde as 'macaquices' abundem, a técnica Sport TV. Não mostrando, pode ser que o povo julgue que não existem. No fundo, serão duas faces da mesma moeda? Ainda acredito que não».
Uma semana depois, em 17 de mesmo mês, também no meu artigo, escrevia...
«E sobre o Canelas, ninguém diz nada?
Se perguntar não ofende, então, AFP, FPF, Governo, Partidos? Sobre o Canelas, ninguém diz nada? Medinho???»
Agora, em 23 de Março, voltei ao tema, sempre neste espaço,...
«E do Canelas, alguma novidade?
Já agora, se souberem o que fez a disciplina desportiva no caso do Canelas, avisem-me! Pode parecer irrelevante, mas não é! Não é, não!
Ou acharão tudo normal, desde que venha daqueles lados? Se calhar, com medo que se repita na Associação e na Federação «a invasão do Centro de Treinos do Polo Profissional dos Árbitros na cidade da Maia por parte de elementos afectos à claque do»... Canelas!
Que como se sabe... não tem nada a ver com... 'elementos afectos à claque do FCP'»
Estes foram os artigos em que falei daquilo que o futebol português sabia e que fez de conta não saber!
Que conhecia, mas que tentou esquecer! Que percebia, mas tentou fazer de conta não entender!
O artigo desta semana, citando a parte final do que escrevi na semana anterior, em post scriptum:
«Já o disse antes do encontro da primeira volta e volto a repeti-lo, agora. E como se comprovou - pela classificação depois da última jornada - tinha... toda a razão do mundo! O resultado do jogo do próximo sábado contará para a história dos dois clubes, mas não contará para a história deste campeonato. Esse será feita com a hierarquização das últimas épocas. Perceberam???»
Disse-o antes do jogo de Alvalade, para que não duvidassem de qual era a minha opinião sobre o respectivo resultado, fosse ele qual fosse.
E não mudei!!!

O que andou a fazer a AF Porto?
Mas - pergunto eu e pergunta toda a gente - o que andaram a fazer as digníssimas autoridades do futebol? Desconheciam os vídeos das agressões que se passeavam, quase que já com vida própria, pelas diferentes redes sociais?
Conhecer, conheciam... mas, por uma ou por outra razão, não devia dar jeito conhecer!
Não sabiam que muitos jogadores do Canelas... Futebol Clube, do Porto, tinham ficha policial que desaconselharia a sua admissão num terreno de jogo? Saber, sabiam... mas, por uma ou por outra razão, não devia dar jeito saber!
Ignoravam que alguns dos elementos dessa equipa tinham várias condenações em processos de toda a ordem? Ignorar, não ignoravam... mas, por uma ou por outra razão, não dava jeito lembrar!
Estranharam que 12 de 13 adversários, na fase de apuramento, não tivessem disponibilidade para jogar contra o Canelas... Futebol Clube, do Porto, deixando que se apurassem com a falta de comparência dos adversários? Estranhar, não estranhavam... mas não conviria questionar!
E não sabiam, pelos registos, que as 4 subidas nas últimas 5 épocas, foram conseguidas assim? Saber, sabiam... mas, sabiam que não dava jeito... saber!

Medo!!! Sempre o medo
Então, do que estavam à espera? Medo deles? E mais medo, ainda, de quem manda neles? Porque não acreditamos que a indiferença seja baseada no conluio, que a lassidão tenha a ver com conivência, que a ignorância se funde na obediência!
E não me venham com argumentos burocráticos (não há queixa, o relatório ainda não chegou, também há outros relatos de agressão...)!
A isso (e se isso acontecer) só se pode chamar uma de duas coisas. Ou medo ou conivência!
E ou, quem manda, impede o Canelas... Futebol Clube, do Porto, e cada um dos jogadores por ele inscritos de competir, ou, então, não o fazendo, está a admitir que só o não faz por medo ou conivência! E como de cobardes não precisamos e corruptos podemos bem dispensar... e como estou convicto que - neste caso muito concreto - quem tem a responsabilidade de decidir não tem nem medo nem será conivente...
Porque se isso acontecesse - o que repito não quero acreditar - então que a FPF tenha a coragem de chamar a si o processo e decida de acordo com os princípios de bom senso e de respeito.
Porque, se o não fizer, estará, também ela, a ter medo ou a ser conivente com a maior vergonha do futebol português, desde o Apito Dourado. E como não vemos os nossos dirigentes campeões europeus com medo ou coniventes com tudo aquilo...
Porque - como julgo e as recentes afirmações, reproduzidas nas redes sociais, do mais recente agressor, dão ideia - não se trata de um caso ou de alguns casos isolados.
Como também não se tratam de casos circunscritos aos condenados.
Trata-se, antes, de um projecto global levado a cabo por pessoas do Canelas... Futebol Clube, do Porto, que são próximas, muito próximas, de pessoas ligadas ao Futebol Clube do Porto!!!
E se esses senhores - uns e outros - com base no que fizeram... ainda chegassem a campeões, em consequência das ameaças depois da invasão do centro de treinos de árbitros na Maia, então... o crime... passaria a compensar!

A coragem e os intelectuais... sem coragem
E, apesar disso, todos os dias cresce a minha admiração pela coragem dos que, na área de jurisdição do Canelas... Futebol Clube, do Porto, assumem publicamente, em órgãos de comunicação social, a sua disponibilidade para denunciar e lutar contra estas vergonhas!
Coragem que espero ver para condenar estes casos, em artigos ou intervenções (não meros reparos ou apontamentos), entre os intelectuais... próximos do Canelas... Futebol Clube, do Porto. Ou será que o medo ou a conivência não os deixam falar?

Já agora...
No passado sábado, o Benfica empatou com a equipa principal dos adeptos do Canelas... Futebol Clube, do Porto!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Aerobusto

"Sei que este meu texto não é futebolisticamente correcto. Girando em torno de Cristiano Ronaldo, é prudente não ferir a susceptibilidade de quantos acham que tecer algum reparo é quase um crime de lesa-Pátria.
Falo do nome do jogador que provisoriamente foi dado ao Aeroporto da Madeira numa festa popularucha. Digo provisório, porque há ainda um contencioso sobre quem deveria decidir a mudança de nome. Se o Governo da Republica (que pediu um parecer à Procuradoria-Geral da República), se o Executivo da Madeira. Mesmo assim, o omnipresente Presidente da República não deixou de se associar à festa e o Primeiro-ministro também por lá andou. Só não se sabe se por causa do nome, se do macarrónico busto do atleta.
Aprecio Ronaldo, como um notável jogador, admiro a sua inexcedível capacidade de trabalho, dedicação e profissionalismo e considero que - a par de Eusébio - ficará, para sempre, na história como símbolo que espalha o nome de Portugal pelo mundo.
Daí até achar que um aeroporto que tem o mais lindo nome da Madeira (precisamente, Madeira) precisa de ter um aposto ou continuado com o nome do atleta, vai uma grande distância e uma grande dose de populismo, que tanto criticamos nos outros. A esta hora, estará Pauleta a perguntar por que razão em São Miguel tem o nome do estádio, mas não o do aeroporto (João Paulo II). Ou - num rasgo de visão futurista - será que o aeroporto Cristianinho ou Aveiro?
Já agora, por que não abrir uma secção no Panteão, exclusivamente destinada ao futebol, com futuros lugares e lápides reservados? Adiantava-se trabalho o botavam-se discursos oficiais!"

Bagão Félix, in A Bola

O distrital

"Jogar no distrital nos vários escalões de formação foi uma escola de vida. Uma experiência mais que desportiva. Foi o primeiro curso intensivo de sociologia, antropologia e filosofia: aprendi sobre as dinâmicas de grupo, de extractos sociais, de saber quando ouvir e falar, de respeitar hierarquias e questioná-las quando necessário.
Tive a sorte de apanhar técnicos, directores, massagistas e roupeiros com grande formação humana, que compensavam a rudeza das falas e dos gestos com enorme coração. Lembro-me, por exemplo, de um treinador que dava prémios do próprio bolso para aqueles que tivessem uma folha disciplinar limpa. A expressão fair play não se usava, mas havia o conceito, apesar da malícia que usava naqueles pelados. Afinal, era o distrital.
Mas também me recordo das equipas cujos jogadores eram instigados por treinadores, directores e público para as práticas sujas, para fazerem a vida negra ao árbitro, começando pela idade falsa de muitos deles. Recordo-me,numa partida de juvenis, de ouvir um tiro para o ar de uma multidão em fúria por causa de três decisões do juiz (que teve de ser posteriormente escoltado por um batalhão da GNR) que nos permitiram passar de um 2-3 para um 4-3. Repito: um jogo de juvenis.
Não fico, por isso, surpreendido com as agressões que por aí existem aos árbitros nas provas amadoras. A diferença é que hoje os telefones filmam e partilham os horrores do dia a dia. Nos campos ou nas escolas. A justificação encontra-se lá atrás na linha do tempo e só com muita pedagogia e saltos geracionais haverá uma inversão.
É verdade que em mais de 20 anos melhorámos em alguns comportamentos cívicos (nas filas de supermercado, nas estradas, nas praias) mas continuamos a estimular, no café ou na timeline, os discursos de ódio que semana após semana alimentam a clubite e deixam o verdadeiro futebol passar fome. Haverá cura para esta doença?"

Fernando Urbano, in A Bola

Cadomblé do Vata

"1. Resultado com variadas valências positivas... não só permitiu aos adeptos desfrutarem de um grande jogo, como também carimbou a passagem à final e fará com que entremos de pestana aberta no jogo de campeonato contra os estorilistas.
2. A pontaria de Rafa já devia ser objecto de estudo... começo até a desconfiar que tem a barba grande porque não acerta com a lâmina na cara.
3. Podem apontar muitos defeitos a Zivkovic, mas de falta de inteligência é que não... vejam como foi sábio na escolha do jogo em que se devia estrear a marcar... logo naquele em que os calmeirões Luisão e Mitroglou não estavam em campo para lhe enfaixar os calduços da praxe.
4. Grimaldo tem tanta técnica que até apetece dizer que aquele pé esquerdo é como uma luva... mas depois lembro-me que isso foi o que o Mário Wilson disse do Hadrioui e prefiro ficar calado para não agoirar.
5. Acaba por ser irónico eliminarmos o Estoril "Praia" a caminho da nossa 36ª final da Taça de Portugal... é que na "praia" é onde os nossos rivais vão estar quando estivermos a disputar a partida contra o Guimarães no Jamor."

Lanças... Jamor e o resto...!!!

Benfiquismo (CDXXIX)

Prestígio...

Entrevista de Domingos Soares de Oliveira

"«A nossa facturação está entre 230 a 250 milhões»
-Pela primeira vez em muito tempo, entre os três grandes, o Benfica é aquele que apresenta (de acordo com os Relatórios e Contas do primeiro semestre da temporada) o orçamento com menores custos com o pessoal. A tendência é para tentar manter nos próximos anos?
- A tendência é continuar a manter os custos com pessoal controlados. Relativamente aos rivais, não significa que tenhamos de ser sempre os terceiros. Queremos manter os gastos dentro daquilo que são as recomendações da UEFA, que é ter gastos com pessoal em 50, 60 por cento do total de receitas operacionais. E isso temos conseguido ao longo dos últimos anos.

- Uma das promessas para este mandato é fazer equivaler o passivo (situa-se próximo dos 440M€) a um ano de facturação (situa-se nos 200M€, aproximadamente). Não é uma promessa demasiado ambiciosa para um tão curto período?
- Aquilo que é o nosso objectivo, e foi referido pelo presidente, é que o passivo sujeito a encargos financeiros (passivo bancário), mais empréstimos obrigacionistas, seja equivalente a uma ano de facturação. Esse passivo sujeito a encargos financeiros situa-se hoje na casa dos 300 milhões de euros, menos até, fruto da redução de 13 milhões de euros no primeiro semestre. A nossa facturação, sem novas operações, está entre os 230 e os 250 milhões de euros. Pode ser que entretanto aconteça uma venda antes do fecho do exercício, portanto, estamos muito perto de conseguir esse equilíbrio. É claro que o objectivo é continuar a redução da dívida - este novo empréstimo obrigacionista é apenas para substituição de dívida bancária - e entretanto continuaremos a fazer os reembolsos de outras linhas existentes. Caminhamos claramente para estas duas linhas se cruzarem dentro de pouco tempo.

- Não será uma ambição demasiado arrojada?
- Não, é perfeitamente exequível. A capacidade que o Benfica tem tido de gerar mais receitas é digna de registo. Em 2004, quando entrei no Benfica, tinha o presidente acabado de ser eleito, tínhamos um total de receita de 40 (milhões de euros). Hoje temos 240. O que se comprova é que, trabalhando as vertentes certas, é possível fazer crescer o nível de facturação. Não temos novos empréstimos desde 2014. O que tem sido feito desde então é reduzir a divida. Estas duas tendências mantendo-se - então há razões para a pensarmos que não vão manter-se - permitirão ter essa ambição, que não acho arrojada, mas prática.

- Na temporada anterior, 60 por cento da receita do Benfica foi obtido no mercado internacional. Em 2016/17 confirma-se esta tendência ou houve alguma alteração na proporção?
- Tivemos no primeiro semestre 50,4 por cento da receita gerada fora da portas. Para isso contribuiu muito, evidentemente, a boa performance em termos de competições europeias. E depois há uma série de outras áreas que são relevantes. Há duas formas de crescer nas receitas internacionais. Uma é com a venda de jogadores. Veremos o que fazemos no final do ano, mas, entretanto, tivemos as vendas de Gonçalo Guedes e Hélder Costa, que permitem recuperar a tendência de a maior parte da receita gerada fora de portas. A segunda tem a ver com os projectos de internacionalização que temos em curso neste momento e que têm a ver com os mercados asiáticos e americano. São dois mercados importantes e, embora não seja algo que se vá fazer sentir em termos de volumetria no curto prazo, nós acreditamos que dentro de pouco tempo teremos algumas dezenas de milhões de euros a serem gerados nesses mercados.

- Até que ponto a saída da Champions nos oitavos-de-final comprometeu algum objectivo financeiro para este exercício?
- Quando fazemos o orçamento, posicionamos o Benfica para atingir os oitavos-de-final. Isso não significa falta de ambições, significa objectividade que tem de ser introduzida num documento tão importante como o orçamento. Esse resultado foi alcançado e, portanto, não afecta o orçamento, vai ser cumprido. Se tivéssemos saído mais cedo, sim, teria implicações, se tivéssemos saído mais tarde, naturalmente teríamos um benefício como no ano anterior. Isso tem a sua relevância hoje, mas terá a relevância muito maior no futuro, porque, como se sabe, no ciclo 2018-2021 as verbas que vão ser distribuídas pelos clubes que estiveram nas competições europeias vão crescer significativamente. A aposta no orçamento em função dos 'quartos' ou 'oitavos' é importante, mas falhar esse objectivo o significará, claramente, um rombo maior nos clubes que estejam dependentes competições europeias.

- Neste quadro, a Champions tem um peso tão significativo na facturação do Benfica quanto as transferências?
- Os clubes desenvolvem-se com três grandes áreas de negócio: comercial, patrocínios e tudo oque tenha a ver com receitas de bilhética e Media TV - este tem um sub-grupo, que são direitos televisivos e receitas televisivas das competições europeias. Os clubes portugueses criaram um quarto vector, que é o 'trading' de jogadores, que passou a ter una importância grande. Em termos de vendas de jogadores, os valores mostram que temos feito entre 60 e 80 milhões todos os anos. As receitas da Champions andam na casa dos 30, 35 milhões de euros. A diferença é que, no próximo ciclo, a mesma performance que o Benfica teve o ano passado, de chegar aos quartos-de-final que representou 35 milhões de euros em prémios, poderá ser superior a 70 milhões.

- Entre os grandes o Benfica é o único que já tem o novo contrato televisivo em vigor. Como está a ser feita a gestão dessa receita durante tantos anos reclamada?
- As receitas entram dentro das receitas normais. Tudo o que vem de direitos televisivos não é canalizado para reduzir passivo. Em determinada altura, chegámos a equacionar, com o contrato de 400 milhões de euros, fazer o desconto desse contrato. Mas a análise que fizemos foi reduzir a dívida a zero comprometendo as gerações futuras sem essa receita, era algo que não nos sentíamos confortáveis. Por outro lado, há o que chamo disciplina de dívida. Ter dívida não é uma coisa obrigatoriamente má. A dívida custa hoje, em termos médios, 5, 6 por centro. Com estas operações que estamos a fazer, como o novo (empréstimo) obrigacionista, estamos a tentar reduzir para valores mais próximos dos 4 por centro. Se conseguir, com o montante que tenho, fazer investimentos que me rendam mais do que esses 4 por centro, isso é um bom benefício. Ao contrário de outros clubes, não temos um grande accionista.

- Qual é o ponto de situação em relação ao contrato com a NOS, que o Benfica já afirmou querer rever e melhorar?
- Não houve desenvolvimentos. Temos um bom contrato, não me canso de dizer isso. O contrato tem um conjunto de premissas e, quando este assunto, comparado com o outros de clubes, foi colocado em cima da mesa em termos de opinião pública, houve uma componente emotiva, que se gerou em vários sectores, inclusivamente dentro do Benfica. A decisão das partes foi deixar acalmar este processo, porque não podemos negociar quando há emoções fortes no trabalho, num futuro próximo - não sei quando, porque não está nada marcado -, teremos uma conversa.

- Não tem havido conversas?
- Não, porque não temos tido necessidade. Não estamos numa situação de carência. O contrato está a ser executado, os jogos têm sido transmitidos pela BTV e a NOS tem pago aquilo que é devido e em tempo devido, às vezes, fazendo uma antecipação. Não há nenhuma urgência neste momento. O que queremos é que o assunto, no momento certo e com a calma necessária, seja abordado. Temos agora uma situação nova, que vai arrancar em Julho. Os jogos têm sido transmitidos pela BTV, mas não quer dizer que seja assim no futuro. A NOS tem a faculdade de poder dizer se quer que os jogos se mantenham na BTV ou passem para a Sport TV ou um canal de desporto que queira a lançar. Será uma boa altura para conversar.

- Nos últimos tempos tem surgido um assunto incontornável, até porque a resposta nunca tem sido definitiva ou esclarecedora: é mesmo possível avançar para a venda do nome do Estádio da Luz?
- Este assunto está em cima da mesa praticamente desde que entrei. Já tem mais cabelos brancos do que eu! Temos propostas do mercado internacional, não há qualquer empresa portuguesa neste momento que tenha relevado apetência pelos números que temos. Consegui-se vencer uma barreira ao longos dos tempos, que foi desmistificar a situação de uma marca, sobretudo portuguesa, ter de estar nos três (grandes) ao mesmo tempo. À medida que o tempo passa, há marcas que só estão no Benfica, a Repsol está no Benfica e no FC Porto, a Luz Saúde só está Benfica... Há patrocinadores que apostaram num único clube e não têm retorno negativo. Não há uma reacção anti uma marca só por patrocinar os meus rivais.

- Pergunto, então, qual o valor que pode valer a presença de uma marca no estádio do Benfica?
- Os namings dos estádios, pelo que temos visto em termos europeias, salvo honrosas excepções, situam-se entre os 4, 5, 6 e os 10 milhões de euros. Depende muito do que a marca vai querer fazer como o naming. Uma das coisas que valorizámos quando vendemos o patrocínio das camisolas à Emirates foi, o facto de não sermos uma marca vista apenas por estes 10 milhões de habitantes.

- O Futebol Campus já ultrapassou os 150 milhões sem vendas de jogadores. É inevitável que o caminho seja este ou é apenas um fase, voltando o Benfica a uma estratégia de há 10 anos, em que essa não era uma prioridade?
- Temos de manter a aposta na formação, quer em termos do que fazemos no Futebol Campus quer com o que tem a ver com a nossa política de 'scouting'. Há excepções, casos de Jonas, Júlio César, jogadores já maduros que entraram no Benfica. Se virmos o padrão médio das contratações, além do que temos na formação, é um padrão de 18, 19, 20, 21, 22 anos. O objectivo é termos a possibilidade - não é que seja mandatório - de poder gerar mais-valia com esses jogadores, quer através daqueles que temos com o 'scouting' quer aqueles que temos no Seixal. Quanto mais conseguirmos desenvolver o nosso negócio sem a venda de jogadores, menos necessidade temos de vender. Agora, temos de ter a noção das diferenças entre os grandes clubes. O Man. United, neste último relatório da Deloitte, facturou qualquer coisa como 689 milhões de euros - admito com o Brexit e alterações entre libra e euro esse valor possa baixar um pouco. O que se percebe é que os grandes clubes, pelo menos os três maiores, Barcelona, Real Madrid e Man. United, estão a caminho de facturar mil milhões. Até 2020 isso vai acontecer de certeza.

- Há o perigo de haver um atraso irremediável...
- Não podemos perder esse caminho. Se hoje conseguimos gerar 150 (milhões), 160 ou 170 sem vendas de jogadores e conseguimos chegar aos 240, 250 com vendas, se anulássemos as vendas de jogadores, ficávamos hoje com um total de receita disponível para investir em salários que seria significativamente menor do que a desses grandes clubes. Não podemos deixar que o 'gap' aumente. Ele vai aumentando em valor, mas temos definido que o nosso objectivo de crescimento tem de ser igual ao dos cinco grandes - estão a crescer em média 8 por cento ao ano, nós também. Entre o 16.º e o 20.º estão a crescer 6 por cento ao ano, portanto, estamos a crescer mais do que os menos grandes do top 20. A nossa esperança é, em determinada altura, não depender tanto da venda de jogadores, que hoje representa 25 por centro do total de receitas. Agora, não consigo traçar um cenário em que o Benfica deixa de ter necessidade de vender jogadores. Outra coisa é manter os jogadores mais tempo aqui. Bernardo Silva, Renato Sanches e João Cancelo são três exemplos de jogadores que tiveram de sair muito cedo. Se pudermos melhorar o aproveitamento do rendimento desportivo, fá-lo-emos.

- Quanto é que custa ao Benfica, por ano, a manutenção do centro de estádio do Seixal?
- Sem amortizações, é um encargo de cerca de 5 milhões de euros. Mas há amortizações que devem ser consideradas, claro. O investimento total que foi feito é de aproximadamente de 20 milhões de euros entre a obra inicial e contando já com todos os melhoramentos que entretanto foram feitos, sendo uma amortização feita ao longo de 40 anos.

- A venda do Gonçalo Guedes em Janeiro acabou por ser inevitável ou teria sido possível manter o jogador até ao final da temporada sem comprometer qualquer objectivo financeiro?
- Vejamos: o Benfica apresentou um resultado positivo no final do semestre. Um resultado próximo do 'break even', mas positivo: cerca de 2,7 milhões de euros. A segunda parte da época é, normalmente, uma fase em que todos os clubes, sem excepção, geram menos receita, porque normalmente aquilo que vem das competições europeias, por muito que se consiga a aumentar os valores de cada uma das eliminatórias, não é tanto como os prémios de arranque dessas provas. Portanto, teríamos de chegar ao final deste exercício, para mantermos o cumprimento dos critérios de fair play financeiro, com vendas de atletas. Isso era obrigatório.

- E apareceu esta oportunidade...
- Janeiro proporcionou-nos efectivamente uma receita imediata, que foi relevante. Se me pergunta: a proposta apresentada pelo PSG foi uma boa oportunidade? Claramente que sim.

- Um tema que está na ordem do dia, já abordado inclusivamente por Luís Filipe Vieira, é a renovação do treinador Rui Vitória que ainda não foi oficializada. Sabe em que fase se encontra esse processo?
- Isso são conversas directas entre o presidente e o treinador e, portanto, não é assunto para mim... (risos) A única coisa que posso dizer é que estou muito satisfeito com este treinador e que espero, efectivamente, que ele possa continuar connosco por muitos e bons anos.

- Mudando de assunto. De 2010 para cá, o Benfica é o segundo clube europeu com maior volume de vendas, apenas ultrapassado pelo Liverpool, tendo paralelamente conseguido vencer diversas competições. O que é mais correcto dizer: sem conquistas não há boas vendas ou sem boas vendas não há conquistas?
- As duas coisas estão certas. Eu acho que aí não existe uma definição única e exacta. Nós aqui falamos muitas vezes de um 'circulo virtuoso', que tentamos que nunca seja um circulo vicioso. Porque é que o dinheiro vale muito? Porque é o que nos permite investir em talento. E eu só consigo ter talento se tiver capacidade de pagar bem a esse talento. Mesmo que eu pague mal a um jogador em determinada altura, se esse jogador considerar que está a ser mal pago, mais tarde ou mais cedo terei consequências disso. Isso aplica-se aos jogadores da mesma forma que se aplica a todos nós. Todos aqueles que somos trabalhadores por conta de outrem consideramos que temos um determinado valor. Portanto, nesse pressuposto, ou esse valor é pago ou temos uma qualquer manifestação. Por muito que não seja consciente, efectivamente o rendimento deixa de ser o mesmo.

«BTV é aposta ganha em vários tabuleiros»
- Está satisfeito com a evolução da BTV e com aquilo em que o canal representa hoje?
- A aposta que fizemos em 2013 e que tivemos de nos desfazer - entre aspas - em 2016 acabou por ser uma aposta ganha em vários tabuleiros, desde logo o valor dos direitos. Quando em 2010, 2011 e 2012 começamos a negociar a possível renovação do nosso contrato, e nós fizemos referência a um valor de 40 milhões de euros/época, que era aquilo que entendíamos ser a valorização justa desses direitos, na altura toda a gente disse que éramos loucos. Depois tivemos este novo modelo que permitiu chegar a um valor total de receitas de 30 e muitos milhões de euros e as pessoas já consideraram que, afinal, os 40 milhões não eram desajustados. O que é certo é que o contrato foi feito nos 40 milhões de euros. Foi preciso fazer esse período de 3 anos em primeiro lugar para conseguir justificar aquilo que já dizíamos 4 ou 5 anos antes. Estamos satisfeitos com o caminho percorrido, vamos ver o que acontece no futuro. Mesmo no modelo que existe actualmente, já alterado, pode falar-se num caso de sucesso, porque mesmo em períodos em que não existam jogos do Benfica, até no defeso mais complexo, ainda assim o total de subscritores nunca baixou dos 200 mil. E tivemos durante muito tempo valores muito acima dos 300 mil subscritores.

- Qual foi o máximo a que se chegou?
- Muito próximo dos 335 mil, sempre muito impactado pela proximidade de algum jogo grande na Luz, claro, seja contra o FC Porto ou contra o Sporting. Mas digamos que, no modelo actual, os operadores estão satisfeitos. Quem nos comprou foi a NOS, mas como a BTV está disponível em todos os operadores, todos beneficiam do valor que é pago pelas assinaturas. Acho que eles estão francamente satisfeitos. Diria que, com um bom 'push' do Benfica relativamente à possibilidade de aumentar o número de assinaturas, francamente, ainda ficarão mais satisfeitos.

«Queremos que as pessoas se sintam realizadas»
- Luís Filipe Vieira afirmou recentemente, em entrevista à CMTV, que Domingos Soares de Oliveira, merecia ser aumentado. Presumo que estará de acordo.
- (risos) Sabe, o que o presidente diz é verdade... Deixo isso ao critério do presidente.

- Está há 13 anos no Benfica e o seu trabalho é amplamente elogiado, até em termos internacionais. Neste período de tempo recebeu algum convite para sair ou nem sequer alguma vez colocou essa possibilidade?
- Acho que é uma questão muito pessoal e, sinceramente, preferia não responder a essa pergunta. Agora, o mercado é o mercado e eu acho que todas as pessoas que trabalham no Benfica, diria 80% das pessoas que aqui temos connosco, são muito reconhecidas por aquilo que fazem. Nós hoje somos lideres numa série de áreas e eu sei que a visibilidade que o Benfica tem no estrangeiro é mesmo muito grande. Ainda recentemente estivemos a conversar com o Barcelona e eles percebem muito bem aquilo que estamos a fazer. O segundo reconhecimento é o facto de termos tido aqui na semana passada 15 clubes europeus, que nos vieram visitar no âmbito deste projecto que estamos a desenvolver, o 'Sports Science'. Estamos a trabalhar nele directamente com a equipa da Microsoft em Seattle. E somos o único parceiro europeu da Microsoft nesta área. É uma conjugação de esforços do Benfica LAB e da nossa área de tecnologia. Recebemos as visitas do Real Madrid, do Barcelona, do PSG, do Mónaco, do Arsenal, de dois clubes italianos, etc. Ou seja, há áreas em que estamos à frente de grandes clubes europeus, trabalhando com muitos menos recursos, porque essa é uma característica normal dos clubes portugueses. O que nós tentamos aqui é criar aqui um desafio permanente, que não é apenas económico, para que as pessoas se sintam realizadas no Benfica, dando-lhe também o prazer de fazer coisas que geralmente não feitos noutros sítios.

«A Rádio Benfica está quase a ir para o ar»
- O projecto Rádio Benfica está concluído do ponto de vista financeiro?
- O projecto da rádio está quase a ir para o ar.

- O que é que nos pode dizer sobre isso?
- Posso dizer que neste momento temos os modelos todos analisados, posso dizer que temos as frequências disponíveis absolutamente analisadas e temos uma definição da cobertura que vai ser feita em termos nacionais.

- E qual é?
- Numa primeira fase vai ser essencialmente o Litoral e rapidamente tentaremos que a rádio se expanda, mas, enfim, dentro de muito pouco tempo vamos ter a rádio no ar.

«Não conheço nenhum negócio onde não haja risco»
- Enquanto gestor em estado puro, e mesmo sabendo que as áreas do negócio e do futebol têm sempre factores imprevisíveis, não lhe parece que os valores pagos por Jiménez e Rafa constituem algum risco?
- Risco há sempre. Não conheço nenhum negócio onde não haja risco. Se não não houver risco, não é negócio. Mas pelas posições que ocupam e pela idade que têm, a expectativa é a de que nós conseguirmos gerar rendimento desportivo e também conseguiremos no futuro, se for o caso tirar igualmente rendimento económico. E creio que as últimas vendas que fizemos comprovam isso mesmo. Ou seja, nestes dois casos atingimos valores diferentes daqueles que costumávamos ter em termos de aquisições, mas o potencial de geração de receita continua a ser superior ao que fazemos em termos de investimento. Temos situações em que nem sempre é assim, claro. O caso do Ola John, só para dar um exemplo. A aposta que foi feita estava bem justificada, com um bom trabalho feito pelo scouting, com a identificação dos factores de risco e também os factores de potenciação do jogador, mas depois... as coisas não correram bem. E quando assim é, o negócio também não corre bem. Mas faz parte.
(...)"

Entrevista a Domingos Soares de Oliveira, por Nuno Farinha e Nuno Martins, in Record

Vermelhão: ressaca difícil... mas com final feliz!

Benfica 3 - 3 Estoril


Mais uma noite cheia de sofrimento... não há mesmo descanso!!!
Estes tipo de jogo são muito perigosos: os adeptos nem sequer põem em 'causa' o resultado final antes da partida começar; com muitas alterações no onze (oito), vários dos jogadores que foram titulares, estão sem ritmo...; com a lesão do Jiménez, ficámos sem goleador para a rotação, e assim sem pontas-de-lança de raiz, a nossa eficácia baixou imenso...; tudo isto misturado, só podia dar num jogo muito complicado!!!
O jogo de Sábado, foi uma partida muito intensa, o Benfica pressionou muito, correu muito... em termos de desgaste, foi tal e qual um jogo da Champions... e como nós sabemos as ressacas da 'Champions' são sempre complicadas!!
E com o Benfica a desperdiçar novamente, golos feitos, de forma inacreditável... acabámos por dar 'esperança' ao Estoril, que com algum mérito, algum demérito nosso, e alguma sorte, lá ia marcando... levando a eliminatória 'aberta' até ao último segundo!!!
Além da qualificação para o Jamor, onde vamos voltar a defrontar o Guimarães (que ainda virá para o Campeonato à Luz... tal como o Estoril!!!), a boa notícia da noite, foi o regresso do Grimaldo após longa ausência... e pareceu-me estar em forma. Não sei será utilizado em Moreira de Cónegos no Domingo, mas para os jogos da Luz, está 'aprovado'!!! Outro 'regresso' foi o Filipe Augusto, que aparentemente voltou a lesionar-se!!! Estava com alguma esperança no Fejsa, mas o nosso tractor nem foi para o Banco!!! O outro 'regressado' após lesão foi o Lisandro: um fenómeno que acontece recorrentemente no Benfica, quando as exibições não são ideais, os jogadores que ficam no Banco passam a ser, para muitos dos adeptos, as soluções que o treinador, 'teimoso', recusa-se a ver!!! Por exemplo, o Nuno Gomes enquanto foi titular foi sempre alvo de muitas críticas, por parte de muitos Benfiquistas, quando o Judas o 'meteu' no Banco passou imediatamente a ser 'adorado' pelos mesmos!!! Esta época, tanto o Jardel como o Lisandro acabaram por ser relegados para o Banco, e quando as coisas não correm bem, são sempre 'usados' para 'atacar' Rui Vitória... Pois bem, tal como o Jardel já tinha feito na Meia-Final da Taça da Liga com o Moreirense, hoje o Lisandro voltou a provar que isto não é assim tão fácil como parece...!!!
Rui Vitória tomou uma decisão arriscada: dar descanso ao máximo de jogadores possível!!! A coisa teve 'preta' mas o Benfica 'safou-se'!!! Agora é fácil afirmar que foi a decisão correcta, mas o jogo do próximo de Domingo é sem qualquer dúvida o mais importante...
Mais uma arbitragem de Rui Costa, mais um jogo, onde o critério disciplinar é completamente desvirtuado!!! Amarelos para os nossos adversários, só nos últimos minutos quando já não têm impacto no desenrolar do jogo... Tem sido sempre assim!!!

Vamos ter a hipótese de vingar a Final 2013 no Jamor!!! Mas desta vez, com Rui Vitória do nosso lado... e se tudo correr bem, com a oportunidade de celebrar a dobradinha!!!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mais uma vitória 'apertadinha'!!!

Galitos 78 - 79 Benfica
20-16, 18-25, 21-21, 19-17

Parece que as lesões regressaram: Hollis, Raivio e Andrade não jogaram!!!
Começamos muito mal... demos a volta espectacularmente, e voltámos a permitir a reviravolta ao Galitos, mas nos últimos segundos conseguimos vencer...!!!

Vitória na Luz, em jornada 'fora' !!!

Madeira SAD 31 - 34 Benfica
(17-19)

Regresso às vitórias, numa jornada 'trocada' (devido à nossa deslocação a Pamplona), com o jogo a realizar-se na Luz!
Confirma-se que a nossa defesa sem o Ales é mais fraca... o Belone que entrou e 'matar' ofensivamente, levou um toque, e ficou muito tempo no banco; o Semedo que também entrou com a força toda... também lesionou-se...!!! Perdi a conta ao numero de bolas que acertámos nos postes...!!! Voltamos a ter algumas decisões dos árbitros absurdas...!!! No meio disto tudo, o jogo chegou aos últimos minutos equilibrado, mas felizmente o Tiago Pereira tomou 'conta do jogo' e chegámos à vitória!!! Logo na semana em que sabemos que vamos contratar o Central Brasileiro, muito provavelmente para o lugar do Tiago, que está a terminar o contrato!

No rescaldo do clássico

"A tomar em conta a opinião e a soberba de analistas afectos ao FCP, ainda pensei levar um kit para a Luz, tão aflito estava de medo perante a superioridade da equipa nortenha. É que era quase uma inevitabilidade a modesta equipa (primeira desde a 5.ª jornada), jogando tão pouco, perder perante a máquina poderosa e invencível, que de tão senhora de si, logo se apresentou sem um ponta-de-lança...
E o que aconteceu? Um excelente jogo, uma festa numa belíssima Luz com 64.000 espectadores (apesar do vandalismo da claque, que vai sendo a regra por cá). Arbitragem boa. Partida sem casos. Silêncio prudente de dirigentes antes do clássico. Dois treinadores educados, sensatos, sem as graçolas dos mind games. Tudo o inverso do que os abutres do costume auguram (e agoiram), entre televisões dedicadas ao sangue do futebol e cobardolas formas de bolsar nas redes sociais.
Depois o jogo. Também aqui o inverso do Dragão. Agora foi o Benfica melhor em todos os aspectos. Mereceria ter ganho, não fora Casillas que, pelos vistos, adora a Luz. O Porto fez a festa do empate, como o Benfica a fez na 1.ª volta.
E agora? Luta cerrada até ao fim, em pontos e, desta vez, em diferença de golos. Creio que diferente da do ano passado, porque prevejo que as sete jornadas não sejam imaculadas para nenhum dos contentores. E lá voltaremos ao fandango do à condição.
A frustração de o Benfica não ter ganho a partida pode ser, de algum modo, compensada pela dose de confiança que resulta de um excelente jogo e que, assim jogando, pode superar, com maior ou menor dificuldade, os obstáculos.
Tetra ou não tetra: eis a questão."

Bagão Félix, in A Bola

O estado a que isto chegou

"Na segunda-feira assinalou-se os 25 anos sobre a morte de Salgueiro Maia, talvez o herói maior do 25 de Abril de 1974. Na madrugada dessa noite, quando reuniu as suas tropas na parada da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, foi autor de um discurso que ficou para os livros de História. «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, neste noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!», disse. Os 240 elementos do batalhão acompanharam-no até Lisboa para derrubar o regime.
No actual contexto do futebol português, até pode parecer exagerado evocar Salgueiro Maia. Talvez seja. Há coisas boas em Portugal. Pois há. Mas há imensas coisa boa que existe no futebol nacional é essa mesma: o futebol, o jogo jogado. Depois, um vastíssimo leque do que rodeia não é mau; é péssimo. O ambiente, então, não é de cortar à faca, é de cortar à motosserra. Queixas para cá e para lá; trabalhos de equipas de arbitragem dissecados até ao mais ínfimo pormenor; guerras institucionais de clubes com os organismos que os tutelam; árbitros agredidos por jogadores ou por adeptos. Perante tudo isto, o Governo não assobia para o ar, assobia para a estratosfera.
O poder político, em caso de grandes feitos no desporto, é dos primeiros a correr para a fotografia de grupo. No entanto, no caso do futebol, caso não haja uma intervenção séria e concreta nos próximos tempos que minore o actual estado de coisas, a previsão é que, no caso do futebol, há muitas probabilidades que as fotos passem todas a ser a preto e branco."

Hugo Forte, in A Bola

Canelas até ao pescoço

"Nunca fez tanto sentido a popular expressão futebolista canela até ao pescoço. Ou, neste caso, Canelas até ao pescoço. Aquele acto tresloucado do jogador Marco Gonçalves no jogo Rio Tinto - Canelas, para o campeonato distrital da AF Porto, mais não é do que o reflexo das constantes agressões diárias perpetradas pelos três principais clubes portugueses à verdade desportiva e ao normal funcionamento do edifício do futebol português, mais determinados do que nunca em apostar na política do vale tudo para ganhar. Benfica, FC Porto e Sporting (a ordem é aleatória) representam o sistema nervoso central do nosso futebol, são os responsáveis por todos os sinais mais periféricas e amadoras, para o futebol de rua até, e parecem ter perdido em definitivo a noção do exemplo que são (ou, pelo menos, deveriam ser). Só eles podem ser a locomotiva da mudança, para melhor, da mesma forma que têm sido o motor do retrocesso até ao ponto mais primitivo, que se julgava erradicado ou pelo menos dominado.
Os opinadores que propagam até à exaustão mensagens repletas de perversidade, agressividade e cegueira, mais não são que a voz do dono, independentemente de serem ou não alvos de briefing. O mesmo acontece com os comportamentos dos membros de claques. A FPF, a Liga e o Governo parecem mais preocupados em estar bem com Deus e com o diabo, para não saírem chamuscados da fogueira onde tudo arde sem dó nem piedade, e o desfile de guerras e queixinhas prossegue em velocidade furiosa, sem medidas que acabem em definitivo com a pouca vergonha. Um dia destes, em vez de decidir sobre o jogador da equipa X que não apanhou os excrementos do cão, ou do dirigente da equipa Y que não levantou a tampa da sanita enquanto urinava, o futebol português terá de ligar com crimes de sangue. Alguém tem dúvidas?"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: A narrativa mantém-se: 'são todos iguais'!!! Mistura-se tudo... inclusive um comunicado do Benfica, onde chamava atenção exactamente para a 'anarquia' do Tugão a começar pela FPF...!!! Aquilo que o colunista acaba por reconhecer indirectamente... Curiosamente, quando o Benfica estava totalmente 'calado' e mantinha uma comunicação hiper-institucional, a 'narrativa' era a mesma!!!
Em relação aos paineleiros, eu defendo à muito tempo, que o Benfica não devia ter ninguém nesses programas, mas isso é impossível a Direcção do Benfica impor a todos os simpatizantes do Clube...
Não reconhecer que o Babalu é o principal responsável pelo o 'baixo nível' como o Tugão se tornou nos últimos anos, é ser cúmplice da estratégia de terra queimada do Babalu!!!

Talento natural vs talento “treinado”?

"A determinação biológica, traduzida em características ditas "inatas", associada à predisposição para o sucesso numa série de áreas de performance, vem, desde há muito, sendo discutida.
De facto, desde características antropométricas até a traços de personalidade específicos, várias têm sido as variáveis que a investigação tem estudado, no sentido de aferir um denominador comum que possa ajudar a predizer o sucesso.
A teoria do "inatismo" tem uma diversidade de defensores que vai desde o laboratório do cientista ao outrora "atleta de elite" que, quando muda a carreira para treinador, tende a acreditar que "para se ser atleta é preciso nascer-se com um conjunto de características" (exemplo: este tipo de expressão, já foi por mim ouvida em muitos contextos onde tive a oportunidade de ministrar formação).
Contudo, quando observamos a realidade, são inúmeras as histórias de indiscutíveis talentos que tarde ou nunca vieram a validar as expectativas que sobre si foram criadas quando foram jovens.
No livro "Outliers", de Malcolm Gladwell, o autor discute de forma fundamentada, como a prática continuada e sistematizada de uma qualquer competência (ex: violino, ténis, xadrez,...), pode conduzir à manifestação de talento acima da média.
Na realidade, este autor defende que o principal indicador de excelência, não é aquilo que é comummente reconhecido como talento inato mas antes, o que resulta de esforço continuado (no caso, o autor refere 10.000h de prática).
Por esta razão, alguns jovens, aparentemente com menos "brilho" que outros, através do esforço, dedicação e prática continuada, acabam por se vir a transformar em atleta de topo.
E, pelo mesmo motivo, os "performers" excepcionais são, na sua maioria, aqueles que conseguem combinar talento e trabalho.
Esta parece ser, a "fórmula mágica".
Colocam-se, então, dois desafios, a qualquer performer/atleta que pretenda atingir níveis de Excelência de forma consolidada:
1) Identificar a sua área de talento natural
Nem sempre este é um processo simples e, também aqui, muitas vezes a resposta só surge por experenciação continuada - depois de nos dedicarmos algum tempo à prática desta mesma modalidade/área.
Isto implicará, tempo, dedicação e capacidade de resistência à frustração, no sentido de manter o esforço apesar de não saber qual será o "resultado final"... sendo que, tendencialmente, a capacidade do ser humano passar a "gostar" de algo onde começa a experimentar níveis superiores de desempenho (resultantes do treino) é elevadíssima.
2) Saber como posso treinar a minha área de talento, de forma afincada e sistematizada e... com uma grande questão associada:
- Como treinar sem perder o prazer?
Escolher o "melhor clube" (ex: que tenha uma boa formação, que aposte em equipas técnicas diferenciadas), dedicar-se a 100% em cada treino, ser curioso(a) acerca da modalidade que escolher procurando reunir toda a informação pertinente acerca da mesma (ser ativo na procura de conhecimento e não apenas "passivo", recebendo apenas a informação que o meio fornece..), ser disciplinado no "treino invisível" (descanso e alimentação, evitando excessos), enfim, estar focado em se superar a cada oportunidade é, claramente um excelente percursor de sucesso.
Afinal, tomando como exemplo o que um dos nossos atletas de topo referiu, no contexto de uma conferência que tive oportunidade de assistir:
"Ser-se Atleta de Alta Competição é uma profissão a 24h/dia".
Traduzindo, para além de (algum) Talento, É necessário treino dedicado e muita disciplina."

A bola e os monstros

"A corrupção e a violência associados ao desporto, no futebol mas também em modalidades de pavilhão, merecem uma revisão urgente dos quadros legais aplicáveis.
É fundamental devolver o futebol às famílias, urge garantir a verdade desportiva em todos os jogos passiveis de apostas num grande pântano global com nascente na Ásia.
E ninguém pense que corrupção e violência organizada, nas grandes hordas a que chamamos claques são fenómenos paralelos. Não. O instinto criminoso cruza-se já, ou cruzar-se-á em breve, nos vasos comunicantes dos que vivem à grande, à margem das leis.
E as leis são brandas, desajustadas ao tempo presente, À globalização da criminalidade organizada. Se o Estado vacilar perante as mais recentes manifestações de violência, protagonizadas por vedetas do sangue e da pancada, o sentimento de impunidade não parará de crescer, assim como o número de vítimas dos energúmenos dos vários clubes. Muito provavelmente crescerá também a gravidade dos danos causados.
É preciso mostrar a mão firme das polícias e da Justiça, mesmo com as normas que ainda vigoram nestas áreas. No mais curto prazo, este tipo de crimes deve deixar de ser considerado leve. Nem mesmo as novas penas de que se fala para o futuro (penas máximas entre 5 e 8 anos, consoantes a gravidade dos crimes) será adequada do alarme social e ao dano potencial causados pela violência no desporto e pela corrupção.
É tempo de defender a tolerância e o bem-estar social, sendo duro e intolerante para com todos os que querem acabar com a beleza do futebol. A bola é bela, não merece estes monstros."