Últimas indefectivações

sábado, 30 de março de 2019

Cronologia...

"Após as declarações do Futebol Clube do Porto - onde este defende a divulgação da correspondência electrónica roubada como sendo exclusivamente do interesse público - começámos por nos questionar qual seria o interesse do Director de Comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ao ler em canal aberto no Porto Canal, por exemplo, um email de Rui Gomes da Silva com um colega, insultando indecorosamente Jorge Coroado, ex-árbitro conhecido pela sua elevada imparcialidade, conduta de excelência e análises sobejamente imparciais de lances relativos a jogos do Benfica, no Tribunal Unânime.
Não conseguindo obter uma resposta para isto, continuámos o nosso raciocínio. Qual seria o interesse público do Futebol Clube do Porto e da sua pessoa representada, Francisco J. Marques, ao ler o email de Nhaga relativo a conversas com Luís Filipe Vieira que nada têm de relevante a não ser que ficámos todos a saber que Francisco J. Marques acredita solenemente em bruxarias e em casos do além. Por falar em casos do além, talvez um dia abordemos o suicídio de Mesquita Alves, o tal ex-dirigente do Futebol Clube do Porto que se suicidou no Estádio do Dragão com um tiro na cabeça e que depois de se suicidar ainda teve tempo de esconder a arma e até hoje nunca foi encontrada. O Nhaga talvez possa esclarecer, depois de fazer uma poção mágica com 3 patas de galinha, 1 rabo de coelho e 4 carcaças de borrego.
Adiante, os emails, viemos a saber, eram analisados e filtrados por Diogo Faria - dito pelo próprio - com os conteúdos a serem passados ao director de comunicação do FC Porto. Mas como era isto possível se Francisco J. Marques recebia a correspondência electrónica por email encriptado?
Mais, se nada havia a temer e se os emails roubados eram do interesse público, como alegam estas personagens deste conto de fadas azul, qual a necessidade de usarem e-mails encriptados, salas fechadas sem acesso à internet (já vamos mais à frente falar sobre isto) e computadores cuja palavra-passe apenas era partilhada por Francisco J. Marques e Diogo Faria, ex-colega de Rui Pinto?
Vamos então recapitular toda esta história mal contada, a ver se conseguimos encontrar um fio condutor que nos elucide sobre tudo isto.
Entre 2008 e 2011, Diogo Faria e Rui Pinto são colegas de curso na FLUP. Em 2012/13, Rui Pinto vai para Budapeste em Erasmus, começando aí a ligação à cidade húngara.
Em Setembro de 2015, dá-se o inicio do Futebol Leaks. Durante meses foram publicados documentos de várias empresas e clubes.
A 4 de Março de 2016, o blog Football Leaks REVEALED dá a conhecer a identidade do criador do Football Leaks, Rui Pinto.
A 22 de Abril de 2016, sai o último leak do Football Leaks dedicado ao FC Porto.
A 26 de Abril de 2016, o Football Leaks entra de “férias”.
Nos dias 12 e 13 de Outubro de 2016, Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva vão a Budapeste, cidade onde vive Rui Pinto. Existem imagens que os colocam alegadamente nos mesmos sítios à mesma hora.
A 23 de Janeiro de 2017, Nuno Saraiva, em chamada para CMTV, ameaça divulgação de documentos internos do Benfica em resposta a André Ventura.
A 4 de Abril de 2017, Francisco J. Marques inicia a divulgação de documentos internos do Benfica, começando com as supostas cartilhas do Benfica.
A 17 de Abril de 2017, Bruno de Carvalho revela um email de Pedro Guerra no Facebook.
A 19 de Abril de 2017, a SportingTV mostra, no programa “Sporting Grande Jornal”, 2 novos emails de Pedro Guerra.
A 23 Abril de 2017, Francisco J. Marques começa a ler emails internos do Benfica no Porto Canal.
A 1 de Maio de 2017, dá-se inicio à criação da página Baluarte Dragão.
A 10 de Maio de 2017, Francisco J.Marques e Nuno Saraiva reúnem-se no Hotel Altis em Lisboa. Manuel Tavares, director da FCP Media e ex-director do Jornal "O JOGO", também esteve na reunião.
A 23 de Maio de 2017, Pedro Bragança e Diogo Faria, criadores da página "Baluarte Dragão", estreiam-se na antena do Porto Canal.
A 6 de Junho de 2017, dá-se o início da divulgação dos emails direccionados para um suposto esquema de corrupção do Benfica na antena do Porto Canal, por Francisco J. Marques.
A 16 de Junho de 2017, a TVI é alvo de um ataque informático para adulterar uma votação relacionada com o caso dos e-mails.
Em Setembro de 2017, é criada a página @EPlurCorruptum, subscrita por @FranciscoMarkes. É também criada a página @ID_Error_6, que deixa de ser uma página relativa a conteúdo pornográfico e passa a ser uma página de divulgação de emails do Benfica e utilizada por elementos ligados ao Futebol Clube do Porto.
Em Outubro de 2017, dá-se a primeira publicação do @_o_polvo, página também afecta ao Futebol Clube do Porto e relacionada com os emails do Benfica.
Em Setembro e Outubro de 2017, os 3 perfis começam a trabalhar em conjunto na contra-informação e divulgação dos emails do Benfica, ao serviço da Comunicação do Futebol Clube do Porto. Mais tarde, surgem outras páginas de divulgação dos emails, entre as quais MercadoBenfica, BenficaGate e outras.
A 15 Novembro de 2017, Francisco J Marques e Diogo Faria lançam o livro – ‘O Polvo Encarnado’, onde revelam informação manipulada, calúnias e injúrias através da informação obtida dos emails roubados anteriormente. 
E agora vamos esmiuçar ainda mais isto, a ver se descodificamos o padrão.
Às 12h42 do dia 17 de Outubro de 2017, a conta ID_error dizia ao Francisco J. Marques que este deveria criar um site com os documentos roubados e manipulados, de forma a massificar a partilha desses documentos. Às 12h45 do dia 17 de Outubro de 2017, apenas 3 minutos após a partilha de um email de RGS por Francisco J. Marques, a conta ID_Error diz que tem em sua posse documentos roubados que saíram da Luz e de outros sítios dentro de canetas usb, cartões de memória e discos rígidos.
Mas... esperem lá. Francisco J. Marques disse que os emails do Benfica a que teve acesso foram recebidos por e-mail encriptado. Já Diogo Faria, disse que os emails a que teve acesso estavam num computador do Futebol Clube do Porto partilhado exclusivamente entre o próprio e Francisco J. Marques, computador esse que estava numa sala fechada e sem acesso à rede informática do clube. Alguém nos explica, então, como é que no espaço de 3 minutos, os emails estavam na posse da conta ID_Error, através de “canetas USB, cartões de memória e discos rígidos”? Será que o responsável disto tudo é o dono da página ID_Error, e o mesmo andou a distribuir emails por toda a gente ao mesmo tempo, após a happy hour das canetas USB, discos rígidos e cartões de memória?
Alguém nos explica também, porque é que quando Rui Pinto foi questionado com a questão os emails do Benfica, respondeu “Emails do Benfica? Têm de perguntar ao Francisco J. Marques”? Não precisam de explicar, nós já explicámos anteriormente, basta ligar tudo, ponto por ponto, e têm a conclusão.
Como podem ver, está tudo interligado. Está tudo às claras e o padrão é bastante elucidativo. Acreditamos na justiça portuguesa, acreditamos que o valor mais alto de todos é a verdade, e por defendermos a verdade é que não vamos desistir de informar todas as pessoas de tudo aquilo que se tem passado. Em anexo vão algumas imagens que poderão ajudar as pessoas a compreender a enorme teia que estes indivíduos criaram para tentar destruir o Sport Lisboa e Benfica. Esperemos que tenham ficado ainda mais esclarecidos sobre aquilo que se passa no futebol português."

Benfiquismo (MCXXXV)

Um dos nossos...

Uma Semana do Melhor... com o Gomes

Jogo Limpo... Tavares, Silva & Guerra

A justiça popular, de novo

"Sou sócio do Benfica há quatro décadas e das poucas coisas que tenho certas é que em circunstância alguma abandonarei a minha condição de adepto do Glorioso. Mas a paixão clubística mas não me levará a deitar às malvas fundamentos sacrossantos, nomeadamente aqueles que devem organizar um Estado de direito numa sociedade decente. Na verdade, é quando o tema é futebol, por definição um território movido a paixões, que os nossos princípios são postos à prova. É por isso que devemos deixar ao futebol o que é do futebol e à Justiça o que é da justiça.
Vem isto a propósito da sucessão de declarações lamentáveis que a minha amiga Ana Gomes proferiu este fim de semana em entrevista ao Record, agora a propósito de futebol mas em linha com o que se tem afirmado sobre muitas outras áreas. Quando o tema é Justiça, a Ana tem o condão de nunca acertar. Como todos os portugueses, tenho convicções subjectivas sobre a culpabilidade de muita gente e vivo com inquietação os casos com que a Justiça é passiva ou revela incompetência. Pior mesmo, só a sensação de que, entre nós, o sistema de justiça promove, demasiadas vezes, a culpabilidade na praça pública, não cuidando de produzir prova robusta em tribunal. Infelizmente, em Portugal, temos acumulado demasiados casos em que há mesmo fumo sem fogo - o que aconselha a não partirmos do princípio de que qualquer indício, devidamente promovido na praça pública corresponde a um ilícito criminal.
Pois o que a Ana faz, é alcandorar-se a justiceira e cavalgar qualquer presumível culpabilidade - sem nunca cuidar de perscrutar os factos ou desrespeitar a presunção de inocência -, para logo decretar subjectivamente uma condenação definitiva. Precisamente o que a justiça não deve fazer. Se já é assim em muitas áreas, futebol, e com a alavancagem das redes sociais, torna-se mais fácil fazer regressar tribunais plenários e o conceito de justiça popular ganha novas vestes, mas preserva a sua tenebrosa identidade. Ontem, como hoje, sustenta-se em julgamentos sumários, violação da privacidade, desrespeito pelas garantias processuais e, acima de tudo, sentenças sustentadas nas emoções da turba. Os riscos são, aliás, significativos. Se estivermos dispostos a deixar que a justiça popular trilhe o seu caminho no mundo do futebol, rapidamente lhe iremos escancarar as portas nas outras áreas da nossa sociedade. Convém não tratar as coisas da Justiça como se fosse um dérbi: trincheiras, muita paixão e incapacidade de preservar um chão comum, com regras do jogo partilhadas.
Numa - essa sim - notável entrevista ao "Expresso" este fim de semana, o advogado Rui Patrício lembra o óbvio:"O processo penal não serve para punir culpados, mas para averiguar: se há culpados." Nos tempos que correm, essa é que é infelizmente, a afirmação corajosa."

Os alertas do Benfica - Tondela

"Contra o Tondela joga-se o primeiro desafio de um ciclo que pode ser histórico. Amanhã à noite o Benfica tem de vencer e convencer

O Benfica - Tondela de sábado tem vários alertas que devem ser accionados. Primeiro a qualidade da equipa de Pepa, que não merece o lugar aflito que ocupa. Depois a necessidade de pontos do adversário, mas temos que acrescentar o histórico com uma derrota amarga no último ano. Por fim o facto de haver um jogo importante em Alvalade, na quarta-feira, não pode desviar um milímetro da nossa concentração para um ainda mais importante no sábado.
Jogamos com o Tondela o primeiro jogo de um ciclo que pode ser histórico. O Benfica de sábado à noite tem que vencer e convencer.
As notícias de uma casa perto de encher garantem o apoio de uma massa adepta incondicional. Mas gosto ainda mais quando é a equipa a levar os adeptos ao colo naquele casamento perfeito.
Esperamos pela notícia da total recuperação de Seferovic, e sobretudo pelo seu regresso em boa forma.
Na segunda mão da Taça temos que assegurar a presença no Jamor, esperando uma arbitragem correcta, facto que ainda não tivemos este ano frente ao adversário em questão. O resultado traiçoeiro do jogo da Luz não deixa margem para nada que não seja o melhor Benfica.
Ao contrário da generalidade das análises feita à dupla jornada da Selecção portuguesa, que apenas comentam em função dos resultados, penso que os dois empates da nossa Selecção mostraram que somos superiores quer à Sérvia (boa equipa), quer à Ucrânia (equipa limitada) e por isso estou agora mais convencido que iremos vencer o grupo e apurar Portugal para a defesa do título.
Numa semana onde jogou a selecção campeã da Europa, o espaço mediático estava tomado pelo mais andrajoso do futebol. Era deprimente o tema, os sujeitos e a sua abordagem. Descubra-se tudo e sobretudo os porquês. O espaço do lixo é infinitamente maior que o do jogo. O Benfica tem que perceber a razão e estar atento aos objectivos. Estando o Benfica em primeiro e a jogar bem, iremos ver de tudo fora do campo, para inverter esta posição.
O 37 não é por agora uma questão de justiça do futebol, já passou para uma questão de decência no futebol."

Sílvio Cervan, in A Bola

Sabe quem é? Não, não é o Cosme... - Marcolino Bragança

"Sobretudo por causa do que ele fez é que hoje há Benfica; O que levou os dissidentes para o Sporting? Um medo!

1. Sim, fala-se muito do Cosme Damião (e um bocadinho menos do Félix Bermudes), mas sem ele, sem aquele seu (muito esquecido) grito de resistência ao ataque de José Alvalade talvez não houvesse o SLB. (O pai era um nobre de Macedo de Cavaleiros: D. António Fortunato Pinto de Meireles. Engenheiro agrónomo, «qual de amor» atirou-se para São Tomé, dedicou-se a roça na ilha, descobriu nova paixão: rapariga de sangue negro). Ao tornar-se jogador do Sport Lisboa, havendo já lá os irmãos Meireles, era com o Bragança da mãe que o tratavam.
2. Nascera por 1891, para Lisboa viera aos 16 anos - fazer o liceu. Não tardou oferecer-se ao Sport Lisboa - e logo o puseram nas segundas categorias. Tanto era «back» esquerdo como «meia-defesa» (que era como se chamavam aos médio-centro).
3. Em Março de 1969, Rebelo Carvalheira, correspondente de A Bola em Angola, encontrou-o num hospital de Luanda a tratar-se de um atropelamento - lá contou: «Tenho vaidade de o dizer: sou dos principais culpados em que o clube não tivesse soçobrado na crise por que passou em 1907. Todas as noites me reunia à mesa do café com Cosme Damião para estudarmos a maneira de salvarmos o Sport Lisboa. Mas isso só foi possível com a ajuda de Félix Bermudes, a quem eu e o Cosme fomos procurar no seu escritório na Avenida da Liberdade. Logo se colocou incondicionalmente a nosso lado. Ainda estou a vê-lo, todo nervoso, a dizer: De quanto precisais, meus rapazes?».
4. A «crise» de que falava, causou-a José de Alvalade, desafiando para o Sporting os melhores jogadores do Sport Lisboa. E não deixou de largar a Rebelo Carvalheira revelação bem mais surpreendente: «Ao contrário do que muita gente tem dito, os nossos jogadores não abalaram para o Sporting só por falta de campo. O Sport Lisboa tinha ganho ao Carcavelinhos por 2-1. Foi vitória de extraordinária retumbância e autêntico escândalo para os «mestres ingleses» essa derrota. E, com medo do jogo de desforra, alguns dos nossos melhores jogadores aproveitaram a ocasião e fugiram para o Lumiar...»
5. Bermudes deu o maior quinhão - e com os 27 mil réis duma subscrição o Sport Lisboa pôde inscrever-se no Campeonato de Lisboa, passando a segunda categoria à primeira: «Já toda a gente estava a pensar que o clube tinha acabado quando o Cosme, o Bermudes, e eu aparecemos no Clube Naval, no Chiado, para inscrevermos o Sport Lisboa. Houve risos de escárnio, do Couto, um dos que tinham ido para o Sporting, ainda ouvi: «É uma pena insistirem. Acabavam com chave de ouro e assim vai ser uma tristeza, a gente não lhe faz a coisa por menos de 15». (O resto é o que se sabe - como falhou no prognóstico, o António Couto, arquitecto da estátua do Marquês, que Francisco dos Santos, outros dos dissidentes, haveria de esculpir...)
6. Ainda esteve na origem do Sport Lisboa e Benfica - e, terminado o liceu, voltou a São Tomé. Dedicou-se, tal como o pai, à agricultura. Depois, aventurou-se a Angola, criou fazenda de onde saíam as «melhores laranjas de África» - as laranjas do Lage que até passam por uma canção do Sérgio Godinho. Futebol, só deixou de o jogar aos 45 anos: «Comecei a não ter tempo de ir aos treinos, um dia, vi a bola a passar-me à frente e eu a não ter forças para lhe chegar. Tive vergonha e não voltei mais ao campo...»
7. O que não deixou, nunca foi outro hábito: o xadrez, onde um dos filhos era campeão: «Anos a fio, fazia jogos com o Félix Bermudes pelo correio». Após a conquista da Taça Latina, o Benfica andou por Angola, foi vê-lo jogar, discreto na bancada, sem se atrever a dizer quem era: «Tive receio que não acreditassem que eu fosse o homem que não os deixara morrer - e o Félix deixou-me encantado».
8. Ainda no hospital, largara em murmúrio ao Rebelo Carvalheira: «Este desastre, bem como ter de deixar o mato por medo de terrorismo, impediu-me de juntar uns dinheiros para ir a Lisboa ver o Benfica, ver o Eusébio, de quem oiço maravilhas». Poucos meses depois, foi o Benfica a Luanda - e, tendo lido o que lera, em A Bola, Borges Coutinho chamou-o a passar uma tarde com a equipa, a conhecer o Eusébio e o Coluna. (Morreu em Abril de 1971 - pouco depois de fazer 80 anos)."

António Simões, in A Bola

O crime quase perfeito

"“Através de um amigo lá de Gaia conseguimos aceder à correspondência do Benfica. Aquilo não diz grande coisa, mas se embrulharmos bem um ou dois mails até podemos gerar alguma polémica, e depois fazer o máximo de barulho. Vocês vão criar blogues para explorar o assunto, e infiltrarem-se em fóruns benfiquistas com dezenas de perfis falsos para causar ruído e desunião. Entretanto, arregimentamos um lote de jornalistas simpáticos, cirurgicamente colocados nos vários grupos de media, para dar eco ao que for sendo divulgado. Depois, com gente amiga, criaremos um conjunto de fake news que ajudem a construir a imagem que pretendemos: a de um Benfica corrupto.”
Terá sido mais ou menos isto que foi dito na célebre reunião secreta do Altis, entre as direcções de comunicação de Porto e Sporting.
O crime parecia perfeito, mas, como acontece nos filmes, falharam alguns detalhes. Primeiro, os benfiquistas não reagiram como eles esperavam e mantiveram-se unidos em torno do clube. Depois, o presidente do Sporting foi corrido. Por fim, o pirata foi descoberto e preso.
Quando lemos certas notícias, ou vemos algumas peças televisivas, verificamos que parte daquela estratégia ainda está de pé. E percebemos que a comunicação baixou a um nível nunca antes visto, entrando de cabeça na era da pós-verdade, em que os factos são o que um homem quiser.
Agora procura-se branquear o crime informático. Seja através de uma estação de televisão parceira do Der Spiegel (que comprou produtos do roubo), seja pela boca estridente de uma eurodeputada que fez carreira a gritar por quase tudo sem perceber de quase nada."

Luís Fialho, in O Benfica

Negócio do futebol tratado com os pés

"A integração, na próxima temporada, do Gil Vicente na Liga - que parecia pacífica desde que a decisão, na sequência de sentença judicial, foi tomada e comunicada ainda a meio da época 2017/2018 - tem sido alvo de contestação e já forçou a FPF a tomar, em comunicado, uma posição musculada. Estamos, pois, na antecâmara de mais uma confusão à boa maneira do futebol português do antigamente, onde o prometido era quase sempre, não devido, mas de vidro, e por isso quebrava-se com demasiada facilidade.
Fala-se já à boca cheia num alargamento da Liga para vinte clubes, como forma de resolver o imbróglio a contento de todos, mas esta estratégia, usada com sucesso no passado, esbarra agora em duas dificuldades que antigamente não existiam:
a) Em primeiro lugar, mais dois clubes na Liga, para além do prejuízo óbvio para o nível médio da competição, implica que sejam pagas mais duas comparticipações televisivas e nem esse é o desejo de quem tem aberto os cordões à bolsa, as operadoras, nem se vê forma dos restantes clubes abdicarem de parte do que lhes cabe em prol dos náufragos do alargamento;
b) Ao contrário do que acontecia no passado, quando a FPF não tinha o peso específico que tem hoje, e tinha de andar a reboque de quem realmente mandava, os sinais que chegam da Cidade do Futebol revelam determinação e firmeza, o que poderá ser suficiente para fazer abortar as tentativas golpistas.
Infelizmente, aquilo a que se assiste não é mais do que a prova de que o negócio do futebol em Portugal continua a ser tratado com os pés..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Todos à Luz!

"Oito semanas, oito jornadas, 24 pontos em discussão. O campeonato vai entrar, definitivamente, na recta final e é a partir de agora que tudo irá decidir-se num derradeiro sprint entre as equipas que ocupam as primeiras quatro posições, mas também entre todas as outras que ainda têm objectivos em aberto.
Ao Benfica faltam 5 jogos no nosso estádio e 3 deslocações. Não se pense, porém, que iremos encontrar alguns adversários mais difíceis do que outros. Fora de hipótese! Temos a certeza absoluta de que serão, todas elas, jornadas de máxima exigência – oito jornadas que vão ser encaradas como oito verdadeiras ‘finais’.
Só uma equipa em estado de alerta máximo conseguirá superar os obstáculos que nos aparecem no calendário. O primeiro deles, o Tondela, é o mesmo que há pouco mais de um ano venceu no nosso estádio. Só isso já seria o suficiente para se perceber a dificuldade que nos espera.
É preciso que nos mobilizemos – todos! – para mais uma grande noite de futebol, para mais um grande espectáculo e, claro, para a conquista de mais 3 pontos.
Há uma boa notícia já garantida: o Estádio da Luz deverá contar este sábado com uma das maiores enchentes da temporada. A onda vermelha continua a crescer a cada dia e a confirmar que jamais deixará de caminhar ao lado da equipa. Seja onde for!

PS: É já amanhã, às 16 horas, que acontece o primeiro Benfica-Sporting em futebol feminino. Um momento histórico e, ainda por cima, por uma causa maior. Que o Estádio do Restelo tenha a moldura humana que o momento justifica e que o povo moçambicano merece."

sexta-feira, 29 de março de 2019

"FC Porto exerce uma forma anticultural daquilo que é o futebol"

"O antigo jogador do Benfica, José Augusto, esteve ontem no Estádio da Luz para a apresentação do livro '115 anos Gloriosos', e aproveitou para demonstrar o seu desagrado com tudo o que tem sido dito nos últimos tempos sobre o seu clube do coração.
Em declarações à margem do evento, o antigo extremo português não poupou críticas à estrutura do FC Porto e apontou o dedo aos responsáveis do clube portista pela forma como têm encarado o desporto em Portugal.
"Todos os campeonatos têm a sua história e este tem uma muito especial, pois alguém quer derrubar o Benfica. Mas não conseguem porque o clube é muito grande. Usa-se todos os meios para se criar uma desmotivação não só nos directores, mas na massa associativa. Estamos habituados a essas situações e vamos ganhar o campeonato com todo o mérito", começou por dizer José Augusto.
"Quem está a desestabilizar? Os elementos que compõem o FC Porto, que tem usado e abusado mas vão pagar por isso", acrescentou o antigo internacional português.
"É uma pena pois o Benfica e o FC Porto, nos meus tempos, davam-se muito bem e agora não é tanto assim. O FC Porto é um clube que eu considero, mas não pela forma como agora tem sido gerido publicamente. No meu tempo, não era o clube que é hoje. Não ganham e querem ganhar e, nesta fase em que estamos em igualdade de pontos, voltaram novamente ao ataque. Mas é um ataque desmobilizador para eles, não para nós. Também querem ganhar o campeonato e exercem uma forma anticultural daquilo que é o futebol. Lamento profundamente que o futebol português descambe para esta situação", sentenciou José Augusto."

Festejos do título em 1973, a cores



"O Benfica inicia amanhã a primeira de oito finais rumo ao 37º Campeonato. Seja em que ocasião ou ano for, o Benfica ser Campeão é sempre o objectivo desejado por todos os Benfiquistas. É a tarde/noite em que o Universo se alinha e tudo faz sentido. Arrisco-me a dizer que não há na língua Portuguesa expressão mais bonita que essa: "Benfica Campeão".
No vídeo poderão ver um excerto do excelente documentário "Eusébio - A Pantera Negra" com imagens raras e a cores do festejo na Luz de mais um título no início dos anos 70. Eram os tempos de Eusébio, de Jimmy Hagan, de um estádio mítico ainda com o 3º anel por fechar. E que só poderia terminar com a eterna invasão de campo por parte do público, uma tradição que se perdeu na mudança de estádio e neste futebol moderno que não consente tal gesto ao povo.
Carrega Benfica, rumo a mais uma festa de Campeão!"

Conversas à Benfica #54

32 torneios coroam 32 campeões em 2019

"Um fenómeno único, pelo menos nos últimos 29 anos, mas com fortes probabilidades de ser um recorde na história do ténis profissional, leva-me a interromper a trilogia de artigos dedicados à cerrada luta de bastidores pelo domínio político da modalidade.
Segundo a WTA, fundada em 1973, esta época de 2019 marca «a primeira vez na história (do circuito profissional feminino) que os primeiros 13 títulos do ano foram conquistados por 13 jogadoras diferentes».
E no circuito profissional masculino? Embora a ATP tenha sido fundada em 1972, os seus dados estatísticos referem-se a 1990, o ano de nascimento do actual ATP Tour, mas também são arrasadores: «um recorde de mais torneios (consecutivos) diferentes (19) com 19 campeões diversos para iniciar uma época, isto desde 1990».
Se este fenómeno num dos circuitos já seria estranho, nos dois em simultâneo é inédito.
Em 32 torneios disputados este ano nas primeiras divisões do ténis houve 32 vencedores distintos! Veremos se o supertorneio de Miami (Masters 1000 ATP e Premier Mandatory WTA) irá quebrar esta tendência.
Esta raridade é mais inesperada no circuito masculino do que no feminino. Afinal, se olharmos apenas para os principais títulos, os do Grand Slam, constatamos que os últimos nove, isto é, todos os de 2017 e 2018 e o primeiro de 2019, foram sempre parar às mãos de Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic.
Pelo contrário, no circuito feminino, como várias vezes escrevi aqui, no mesmo período de tempo, produziu-se outra singularidade, ao conhecermos oito campeãs diferentes nos oito Majors de 2017 e 2018, algo que sucedeu apenas pela segunda vez na história da modalidade.
No último ano fui dando conta de como me parecia que os monstros sagrados do ténis mundial masculino continuavam a deter o poder com um punho de ferro, sobretudo nos eventos mais mediáticos, enquanto na vertente feminina parecia-me que o circuito estava órfão de uma dominadora, desde que Serena Williams parou de jogar entre Janeiro de 2017 e Março de 2018, por ter sido mãe, com várias complicações de saúde pós parto.
O súbito surgimento de Naomi Osaka, que venceu dois Majors seguidos, no US Open de 2018 e no Open da Austrália de 2019, parecia indicar o fim dessa orfandade mas, afinal, vivemos um ano em que ninguém é capaz de somar dois títulos.
A conclusão evidente é que as novas gerações estão finalmente a singrar ao mais alto nível. Não é por acaso que a WTA diz que das 13 campeãs de 2019, nove têm 24 anos ou menos. No ATP Tour, dos 19 campeões, oito têm 25 anos ou menos."

A Origem...!!!

Arguidos...!!!

"Bom dia.
Como sempre, teremos de ser nós a fazer o trabalho de casa que determinados meios da comunicação social se recusam a fazer.
De seguida, vamos divulgar alguns dos envolvidos na teia do cibercrime que teve como único objectivo destruir a imagem e a credibilidade do Sport Lisboa e Benfica.
Todas as seguintes pessoas são arguidas em processos distintos que estão a decorrer na justiça, mas que confluem para o mesmo processo chave. Apontem os nomes, pois todas estas pessoas são arguidas nos mais variados crimes, entre os quais roubo, manipulação e violação de correspondência privada, entre muitos outros.
Sem mais demoras, aqui vai:
- Aníbal Pinto;
- Rui Pinto;
- José Américo Amorim;
- Pinto da Costa;
- Reinaldo Teles;
- Adelino Caldeira;
- Rui Vieira e Sá;
- Fernando Gomes;
- Francisco J. Marques.
A teia está a ser desmontada, as peças do puzzle estão finalmente a ser encaixadas e o padrão começa, finalmente, a ficar claro para todos. Enquanto existirmos, o tempo do apito dourado acabou e não permitiremos que volte mais. Acabou a manipulação de informação, acabou o constante clima de coação e ameaças, acabou a manipulação de massas e acabou a desinformação e calúnias.
Podem ter a certeza que de onde esta e outras informações vieram, muitas mais chegarão e serão divulgadas em tempo oportuno. A palhaçada que tem reinado no futebol português acabou."

Cadomblé do Vata (trapalhadas!)

"1. Bruno Fernandes já está cansado de tanto treinar nestas duas semanas, mas continuamos a ser bombardeados com notícias que o colocam em dúvida para Chaves e SLB... por favor, alguém explique a esta gente que o Dia Mundial do Teatro foi na quarta feira e só durou 24 horas.
2. O advogado do Hacker do Sporting foi considerado arguido no caso da Doyen… só não percebi se foi por “extorsão de 1 milhão” ou se por “degustação de 1 melão”.
3. António Fiúsa regressou para dizer que “Proença é um banana”… infelizmente para o ex. Presidente gilista, se for processado pelo Presidente da Liga, não se vai poder escudar numa posição de whistleblower, porque a informação que ele tornou pública, já era do conhecimento de todos.
4. O SLBenfica anunciou lotação esgotada para o jogo contra o Tondela, mas apesar disso, ainda há bilhetes, porque alguns vão ser vendidos 2 vezes… a força da Nação Gloriosa vê-se nestes pormenores: não só levamos a equipa ao colinho dos adeptos, como vemos os jogos ao colinho dos adeptos.
5. Diz o Record hoje, que “Bruno Lage mandou os jogadores do SL Benfica atacar o pé direito de Pepe”… só não refere é que como retaliação, Pepe esteve 90 minutos a mandar o pé direito atacar os jogadores do SL Benfica."

Mais um arguido...

"Veja-se bem a teia criada pelo #fcporto nos crimes e na comunicação social( para não falar na PJ, Ministerio Publico etc) O hacker Rui Pinto teve como advogado, Aníbal Pinto, ao qual hoje foi constituído arguído por alegadamente estar envolvido na tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen.
Na base da acusação está a tentativa de extorsão à Doyen Sports em 2015, na qual Rui Pinto terá pedido um milhão de euros ao fundo maltês como compensação para não divulgar os segredos que teria em sua posse.
Então , e apesar de estar ainda como arguído, é fácil compreender a teia montada pelo porto. Rui Pinto, pratica vários crimes em que pelo menos um pode ter o Aníbal Pinto envolvido, que por sua vez assumiu a defesa do Hacker e que como "pagamento", o fcporto manda-o para a #cmtv limpar a imagem do hacker e em sua defesa, para que o Rui Pinto e o Aníbal Pinto se mantenham calados sobre esses crimes.
Teremos os superdragões um dia destes também com faixas a pedir a libertação do Aníbal Pinto, a mando do presidente do porto?
Acredito que sim, como também acredito que a comunicação social vai achar que nada está ligado. Nunca nada está ligado quando se trata do porto... afinal de contas existem vários Anibeis em vários canais."

O rol...

A palhaçada

A nebulosa do futebol

"Não há mal que o futebol seja um negócio multifacetado. O mal está em toda a mancha negra que o rodeia. Porque como negócio também ele obedece às mesmas regras da economia, do trabalho e da fiscalidade.

Em Portugal, como em muitos outros países da Europa à Asia ou Austrália, o futebol é desporto de eleição e polo de interesse generalizado. Entre conversas de café e programas de TV sem fim, as audiências capitalizam e as vendas de jornais desportivos esmagam as tiragens.
O futebol não deixa ninguém indiferente. Durante anos servindo de anestia de regime, mais recentemente como montra de orgulho nacional ostentando os novos heróis, de Eusébio a Figo e símbolo máximo actual, Cristiano Ronaldo.
A modalidade evoluiu de uma forma estonteante, deixando de ser um mero desporto para passar a indústria que movimenta muitos milhões de euros e, por consequência, centro de múltiplos interesses.
Benfiquista, adepto e sócio, não é sobre o futebol clubístico que pretendo reflectir. Antes fazendo parte da enorme massa humana que aprecia a modalidade e vê no futebol uma actividade vibrante, que nos transporta para um espaço mais emocional onde o adulto vira criança, onde as paixões despertas ultrapassam o racional e o espectáculo nos convoca para uma adesão sem limites.
Na estrita medida em que o futebol desliza para o negócio, onde o debate público à sua volta perde o simples gozo para se emaranhar numa teia profunda e sem nexo. Isto faz-nos temer pelo futuro, pois a cada escalada de afirmações excêntricas a credibilidade diminui.
Nas últimas semanas, o ruído tem crescido e já não é o jogo psicológico do embate de fim de semana, com meras motivações clubísticas. Nem tão-pouco a denúncia do Football Leaks sobre o sistema ou ainda os ataques aos sistemas informáticos dos clubes e das federações.
Entrámos numa espiral de ataques e contra-ataques, onde a credibilidade e o respeito mútuo entre os protagonistas já não existem. Os jornais enchem-se de parangonas, entre atacados e respectivas reacções. A dimensão da situação ultrapassou em muito o âmbito desportivo para despertar nas malhas e no limite da legalidade.
Não esquecemos as acusações no âmbito internacional na FIFA e na atribuição da organização de campeonatos à escala mundial. Não esqueçamos as notícias de outras ligas e divisões. Insultos, ameaças verbais e físicas, corrupção e fraude num conjunto de insinuações que corroem a nobreza do, antes chamado, Desporto-Rei.
Ninguém fica imune às notícias, nem ninguém deve ficar impune perante os factos. Enquanto uns proclamam a defesa do sistema, outros apresentam-se como arautos da legalidade. No intervalo, uns incendeiam a situação e outros alimentam-se dela.
Não é razoável deixar crescer a dúvida na opinião pública. E os agentes do sector devem estar atentos a este fenómeno, a começar pela federação e liga. Mais ainda, o Governo não pode ignorar que a situação contamina o desporto nacional. E as autoridades judiciais de investigação devem ser claras na sua atitude de combate aos factos que integrem o tipo de crime. Ninguém pode assistir da bancada a este derrapar de situação.
Ninguém pode ignorar as graves acusações, como as da eurodeputada Ana Gomes. Mas, se as mesmas foram proferidas de forma gratuita, deve ficar claro que ninguém se pode esconder por detrás de uma condição de imunidade.
Os verdadeiros protagonistas do futebol devem ter presente que este manto nebuloso lançado sobre a modalidade, não é folclore ou música, constitui um primeiro passo para destruir os seus próprios negócios de futebol. Não há mal que o futebol seja um negócio multifacetado. O mal está em toda a mancha negra que o rodeia. Porque como negócio também ele obedece às mesmas regras da economia, do trabalho e da fiscalidade, além de todos os tipos de crime que por vezes se deixa florescer."

Maradona, Messi e só depois Cristiano

"O pelotão de fuzilamento do Cristianismo pode destroçar. Pousem as armas ainda quentes, os tiros anteriores ainda a ferver, os puuuuumm puuuuuummm puuuuuuum a protestar as inclemências passadas.
Isto não é um muro das lamentações, isto é um altar de paz. Mas aqui, no meu cantinho das palavras, só há lugar para a adoração a dois deuses.
Para que fique bem claro: sou um profundo admirador do melhor futebolista europeu de todos os tempos. Cristiano Ronaldo, uma máquina mortífera, um leão do golo, um monstro de músculos e potência, um engenho completo, cabeça, pé direito quase sempre e pé esquerdo também.
Um génio, um craque, mas um Homem.
Daí o título: D10S Maradona, Leo Messi e só depois Cristiano.
Maradona e Messi são a rua, escreveu um dia Jorge Valdano, mestre das balizas e das Letras. Cristiano é o ginásio, o suor, a casa da maquinaria, concluiu o argentino.
O tema eterniza-se, e se Cristiano faz um poker ou uma bicicleta louca em Turim, logo a sua entourage de seguidores esmaga a santidade de Messi. Banaliza a arte celestial de um pé esquerdo capaz de escrever, desenhar, declamar poesia e recriar o tecto da Capela Sistina.
Risco a estatística, quero lá saber dos quilómetros percorridos ou das pulsações em descanso. O que aqui me traz é o prazer. O sentar-me em frente à televisão, a cerveja fresca a embalar, os olhos embasbacados pelo drible, pela linha de passe impossível, pelo arco sem flecha a cair na baliza do Betis.
O prazer que Maradona me deu em 86, o prazer que Messi me dá há 15 anos. Não um prazer em esforço, mas um prazer instintivo, de sorrisos mordazes e a cabeça a perder-se de amores.
Não tenho melhores argumentos para esta discussão, quase sempre estúpida. Vivemos e usufruímos de dois génios, Leo e Cristiano, e é normal que para uns haja mais Messi e para outros mais Ronaldo. 
O nacionalismo trôpego não me atrapalha as palavras, não me vincula a nada. A admiração por Messi, como por Maradona, é uma Torre de Babel de nacionalidades, é todo o mundo encavalitado para ver só mais um bocadinho.
Portugal tem muito a agradecer a Cristiano, o terceiro melhor de todos os tempos. Arranjem um lugar para mim nesse coro de admiradores, gargantas roucas e o peito a bater de orgulho. Sim senhor, adoro Cristiano Ronaldo.
Mas Maradona… mas Messi… é outra coisa. Não é só adoração, é mais, bem mais. É a certeza de que há algo de sobrenatural naqueles movimentos, algo de miraculoso e comovente.
Maradona e Messi são a magia quase infantil da Disney, o Bem caricaturado num campo de futebol. 
Cristiano é o poder da Marvel, o super-herói de capa e fato de licra, o vigilante do futebol lusitano.
E eu sempre gostei mais do Pato Donald e do Mickey do que do Capitão América."

Os guarda-redes da I Liga

"Muito se tem discutido – e publicado – sobre as dificuldades com que Fernando Santos se debate para escolher os jogadores para a selecção nacional. Durante muitos anos foram os pontas de lança, até há pouco tempo foram os laterais e ainda perdura o deficit de centrais.
Se olharmos para as convocatórias vemos que a esmagadora maioria dos jogadores chamados para aquelas posições actuam no estrangeiro, para onde muitos deles emigraram em fases precoces das suas carreiras.
O que nos transporta para os campeonatos internos, nomeadamente a I Liga, onde os lugares-chave de muitas equipas (incluindo as que lutam pelo título) são preenchidos por não nacionais, muitas vezes contratados a peso de ouro e tirando o lugar a jovens promessas que nada lhes ficam a dever em termos de qualidade.
Ainda não falámos de guarda-redes, mas é precisamente um dos temas que mais nos preocupam. A selecção está bem servida, com os maiores a actuarem no estrangeiro: Rui Patrício, Beto, Anthony Lopes, José Sá, Bruno Varela e até Eduardo, que já deixou de ser chamado.
Por cá apenas dois internacionais, mas com pouco traquejo nessas andanças, Cláudio Ramos (Tondela) e Marafona (suplente no Braga depois da grave lesão que sofreu). Elencámos os guarda-redes mais utilizados na I Liga, titulares ou suplentes mais utilizados (ou com banco cativo) e chegámos a números assustadores.
Dos 56 nessas condições nas 18 equipas encontramos 10 nacionalidades diferentes: brasileiros, franceses, espanhóis, belgas, gregos, russos, sérvios, iranianos, camaroneses, nigerianos e, naturalmente, portugueses. Isso até nem seria grande problema, mas acontece que 22 são brasileiros e apenas 20 portugueses...
Quanto à titularidade, a maioria das equipas tem brasileiros (10): Sporting (Renan Ribeiro), V. Guimarães (Douglas), Sp. Braga (Matheus, há muito lesionado), Marítimo (Charles), Rio Ave (Leo Jardim), Boavista (Helton Leite), Belenenses (Muriel), Moreirense (Jhonatan), Feirense (Caio Seco) e Nacional (Daniel Guimarães); espanhol (FC Porto, Casillas), grego (Benfica, Vlachodimos), francês (Aves, Beunardeau); e só cinco portugueses, Chaves (António Filipe), V. Setúbal (Cristiano), Tondela (Cláudio Ramos), Portimonense (Ricardo Ferreira) e Santa Clara (Serginho). Sendo de assinalar outros portugueses que têm partilhado a titularidade, como Tiago Sá (Sp. Braga), André Ferreira (Aves), André Moreira (Feirense), Joel Pereira (V. Setúbal), Marco Pereira (Santa Clara) e Ricardo (Chaves), assim como o georgiano Makaridze (V. Setúbal) e o brasileiro Bracali (Boavista).
Mas dos 12 que defendem as redes dos quatro primeiros classificados, apenas encontramos três portugueses, os já citados Tiago Sá e Marafona, e o jovem Luís Maximiano (Sporting, ainda não utilizado), a par do francês Salin, do belga Svilar, do russo Zlobin e dos brasileiros Vaná e Fabiano. 
Nas camadas jovens existe gente com muita qualidade, alguns já a jogarem no estrangeiro e com lugar cativo nas selecções e outros que certamente irão crescer e disputar as titularidades nos seus clubes. Oxalá tenham o necessário apoio para o conseguirem.
Uma última palavra para o António Magalhães, a quem devo ter voltado a escrever no Record, onde deixou a sua marca com um rasto de competência e qualidade; e para a nova equipa que assumiu a direcção do jornal, Bernardo Ribeiro e Sérgio Krithinas, que saúdo com amizade e a quem desejo as maiores felicidades na difícil tarefa que têm pela frente."

A carta do atleta (porque ler um decreto-lei não constitui um dos passatempos preferidos deste velejador olímpico)

"Tal como em qualquer outra actividade profissional, os atletas têm de lidar diariamente com uma panóplia de informação que, no fundo, rege a sua carreira. Desde toda a legislação que compõe o edifício do Alto Rendimento e do Projecto Olímpico, passando por questões relacionadas com os seguros desportivos, direitos de imagem, regulamentos antidopagem, até factores que importa conhecer desde muito cedo, tais como aqueles que abrangem a protecção social ou o pós-carreira desportiva, os atletas devem dominar todos estes aspectos, que embora não influam directamente na sua performance desportiva, podem ter um enorme impacto de forma indirecta, seja positiva ou negativamente.
Durante a minha carreira desportiva, não foram poucas as vezes em que me vi confrontado com situações desagradáveis, muitas das quais, reconheço e confesso, por desconhecimento de algum detalhe inerente a todo aquele volume de informação que importava digerir, dissecar e verificar detalhadamente. Sem que tal sirva de desculpa, o facto é que, não só a informação se encontrava dispersa, como se apresentava invariavelmente com uma densidade pouco convidativa. Ler um decreto-lei não constitui um dos meus passatempos preferidos. Filtrar o que lá está plasmado, menos ainda.
Tendo conhecimento desta realidade, sucessivas Comissões de Atletas Olímpicos, ao longo de vários ciclos Olímpicos, endereçaram esforços no sentido de criar um documento único, que congregasse toda esta informação, disponibilizando-a aos atletas de uma forma clara, concisa, mas também sistematizada. Pretendeu-se desde o primeiro momento que esse documento fosse escrito numa linguagem facilmente compreensível para qualquer pessoa, independentemente de ter formação desportiva.
Eu bem sei que o leitor poderá, depois de alguma reflexão, pensar que os atletas deveriam ser pessoas mais responsáveis, pelo que a desculpa de que há uma certa complexidade inerente à estrutura jurídica que sustenta o movimento desportivo, na verdade, não é justificável. Muitas outras actividades têm factores bem mais difíceis de digerir. E é verdade. Mas, e falo por mim, obviamente, aparentemente não tive essa capacidade. Tenho sempre o álibi de ter passado demasiadas horas no mar, no que resultou numa certa diluição do sentido de responsabilidade. Mas também se compreenderá que, vivendo na Pérola do Atlântico, com um mar daqueles, ninguém resistiria a tirar o maior proveito possível daquele paraíso.
Quis o destino que se conjugassem neste ciclo Olímpico vários factores, resultando na materialização desta velha aspiração da Comissão de Atletas Olímpicos. Por outro lado, o Comité Olímpico de Portugal fomentou o ambiente propício a esta realização. E assim nasceu esta obra. Quase cem páginas de um documento que se quer vivo e em constante evolução, pois também é assim o movimento desportivo. Construído por atletas, para atletas, mas com um inestimável contributo de tantas pessoas, seja no passado ou neste ciclo, espera-se que a Carta do Atleta venha a constituir um suporte para aqueles, facilitando-lhes a vida.
Nos meus tempos de velejador, um documento destes ter-me-ia simplificado a vida. Aquelas irritantes vezes em que me apercebi, num hospital qualquer, por esse mundo fora, que afinal o meu seguro desportivo não estava activo, ou que todos os dias do ano tinha mesmo de indicar uma hora e local para estar disponível para controlo antidoping, ou ainda que, mesmo estando inserido no Projecto Olímpico, não estava no Registo de Atletas de Alto Rendimento, poderiam ter sido evitadas com uma rápida leitura à Carta do Atleta, no respectivo capítulo. Não podendo voltar atrás no tempo, restou-me contribuir - embora aqui, esse contributo tenha sido muito residual - para que outros atletas tão distraídos como eu tivessem aqui um auxiliador de memória.
A Carta do Atleta foi pensada para os atletas. Mas todos aqueles que se interessam pelo fenómeno desportivo, têm aqui uma forma de apreender tudo o que gira em torno daqueles. E, eventualmente, ficarão com uma noção da realidade um pouco mais alicerçada em factos reais. Por outro lado, como referi anteriormente, este é um documento em constante construção, pelo que o contributo de todos é importante, sejam eles atletas, agentes desportivos, encarregados de educação ou tutores."

A Maçonaria e o Desporto

"Em que medida a maçonaria influenciou o desenvolvimento do desporto: a organização desportiva, a criação de clubes, o desenvolvimento de algumas práticas desportivas, etc.? Originária das ilhas britânicas, onde se estrutura no decurso do século XVII, a maçonaria é uma sociedade iniciática, uma escola de perfeição moral individual e colectiva, na qual os seus membros estudam temas sociais, filosóficos e simbólicos dos rituais (e não só!), que eles praticam e que marcam a sua progressão iniciática (Dachez, 2008). Assenta as suas bases éticas, morais e espirituais num conjunto de valores (coexistência pacífica, tolerância, respeito, fraternidade universal entre os povos), nesta Era global. 
No século XVIII, o sucesso da maçonaria é fulgurante. Ela ocupa, amplamente, o espaço social (Beaurepaire, 2013). Os maçons não praticam apenas os mistérios da Arte Real, termo que designa a maçonaria. No passado, eles reúnem-se também para os momentos de convívio, com idas à caça, bailes e festas, a prática amadora ou profissional de música e teatro, etc. As suas Ordens estão no coração da vida da sociedade. Não é, portanto, de estranhar que os Irmãos se interessem pelos jogos de sociedade.
O tiro ao arco foi particularmente visado. Praticado inicialmente pelos nobres, ele foi, progressivamente, se emancipando e foi entrando no mundo das confrarias (Santo Sebastião para o tiro ao arco, na medida em que foi morto, trespassado de flechas. Encontramos também Santa Bárbara para os cavaleiros de arco-besta e Santo George para os seus confrades de arco-besta) e as milícias urbanas à medida que o arco perdia a sua capacidade militar.
Vários encontros entre Lojas maçónicas e nobres jogos de arco foram realizados. Em 1784, em Clermont-Ferrand (França), a mais importante das três Lojas da cidade, Saint-Maurice, se une aos cavaleiros do jogo do arco. A boa sociedade que se encontra nas colunas do templo de Saint-Maurice frequenta, assiduamente, o jardim do arco, onde se pratica o tiro, e leva à necessidade oficial de redigirem os estatutos e regulamentos. Dois anos mais tarde, em Dunquerque, terra de eleição do tiro ao arco, o Grande Oriente de França (GODF), uma das principais Obediências em França, recebe uma carta da confraria dos cavaleiros de arbaleta (besta, balestra) sob o nome de Santo George desta vila, que deseja legitimar os seus trabalhos maçónicos, constituindo uma Loja com o mesmo nome. No mesmo ano de 1786, o nobre jogo de arco de Paris é reformado pelo duque de Montmorency-Luxembourg, que não é mais do que o Administrador-Geral do GODF.
No Reino Unido, onde nasce a maçonaria, o golfe é outra das actividades lúdicas e depois desportiva adoptada pelos maçons. Como o tiro ao arco e as suas variantes, trata-se de um jogo de etiqueta e um local de sociabilidade festiva (Webb, 1995).
Em meados do século XVIII, o golfe encontra-se em crise devido ao desinteresse da dinastia reinante (Hannover). Como não é moda, ele vê o afastamento das elites e sofre um défice de enquadramento regulamentar e organizacional. As regras não são fixadas e o golfe não se pratica no seio das sociedades bem estabelecidas. É, neste contexto, que os maçons vão se interessar por esta prática desportiva. Eles procuram se divertir entre eles, praticando golfe, e prolongando nos clubes os ágapes (banquetes) no fim dos trabalhos em Loja. O primeiro clube autêntico é o Honourable Company of Edinburgh Golfers, fundado em 1744. A primeira pedra foi colocada por William St. Clair of Roslin, em presença da Comissão da Sociedade dos Maçons. O discurso de cerimónia designa todos os membros da comissão e os seus estatutos são influenciados pelos da maçonaria. William não é nada mais, nada menos do que o Primeiro Grão-Mestre da Grande Loja da Escócia, eleito em 1736. A fundação do clube tem assim um relevo particular. Outros prestigiosos clubes são igualmente de origem maçónica, como o Royal Burgess Golfing Society of Edinburgh (1735) e o St. Andrews Club (1754).
Em 1743, David Deas, Grão-Mestre da Grande Loja da Carolina do Sul (EUA), decide ele também criar um clube de golfe, em Charleston. Ele influencia-se nos clubes do Reino Unido e encomenda as bolas de golfe de Leith, na Escócia. De notar que este exemplo de existência de uma autêntica comunidade maçónica atlântica atravessa importantes correntes de trocas, propicias às mediações culturais.
Nos clubes de golfe, as recepções de novos membros fazem-se segundo o modelo maçónico, com o apadrinhamento, aceitação que é depois submetida ao voto por bolas (brancas para o voto favorável; pretas para o voto de rejeição). Os candidatos devem enfrentar as provas iniciáticas e o clube entoa frequentemente os brindes e as saudações com a bateria maçónica “três vezes três”.
Como os golfistas se devem apresentar em uniforme no clube, os membros da Royal Burgess Golfing Society decidem comprar aventais maçónicos e de os decorar para estas ocasiões. Actualmente, a Amigável Fraternidade Internacional de Golfe mantém esta tradição.
Vários maçons tiveram também um papel ativo na promoção dos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908. William Henry Greenfell, barão Desborough, Grande Vigilante da Grande Loja Unida, preside à organização dos JO e veio dar depois o seu nome a uma Loja: “the Greenfell Lodge n.º 3077”. Desportista conceituado, foi ilustrado a nadar nas quedas do Niágara e na Mancha, e nos campeonatos realizados no Tamisa com as cores da Universidade de Oxford contra Cambridge. 
Existe uma relação estreita entre a maçonaria e o desporto. Um estudo aprofundado sobre este tema em Portugal precisava-se."

Benfiquismo (MCXXXIV)

Na luta...

Vitória nos Quartos-de-final...

Benfica 4 - 1 Quinta dos Lombos

Vitória relativamente tranquila, 'matámos' o jogo no início da 2.ª parte, em 'grande estilo'... e depois aguentámos bem o 5x4 do adversário!

Estamos nas Meias-finais, com o Fundão, adversário tradicionalmente perigoso... Com a situação do Fernandinho 'desconhecida' (lesão, recupera ou não?!), o caminho para o Caneco, não está fácil...!!!

Nova derrota...

Benfica 71 - 78 Oliveirense
20-21, 17-14, 20-18, 14-25

Jogo equilibrado, por 'baixo' até ao final do 3.º período... e depois um último período horrível do Benfica!

Mesmo com pouco tempo de treino já se começam a ver os 'defeitos' nas decisões do Lisboa: aposta total nos Triplos, jogo interior inexistente...!!! E quando as 'bombas' não entram: Suarez 3 pontos, Silva 6 pontos e Lima 1 ponto!!! Impossível ganhar com estes números...!!!
Apesar da atitude ter mudado completamente em relação ao 'tempo' do antigo treinador, continuamos com problemas, mas como ficou provado hoje, basta melhorar um pouquinho para ser o 'melhor' ao nível nacional...

O Micah parece-me claramente limitado fisicamente, posso estar enganado, mas a disponibilidade é completamente diferente do início da temporada! Outro 'problema' é a ausência de um jogador que nos momentos finais das partidas, assuma o 'jogo', e acerte no cesto, estilo Jobey...!!!

Com este resultado, perdemos quase de certeza a 'vantagem' no play-off!!!

Crónica anti-Alzheimer !!!

"Prezado Pinto da Costa, em sequência de ter relembrado um jogo do Benfica de 1959 devido ao tempo de compensação que o mesmo teve (e cujo campeonato curiosamente foi ganho pelo... FC Porto), nós questionamos se o FC Porto - Vitória de Setúbal de 2017 já terminou, ou se ainda está em tempo de compensação até ao FC Porto marcar.
Mais, uma vez que acreditamos que está de perfeita sanidade mental e se encontra de boa saúde, recordará certamente que o jogo com maior duração do campeonato português foi o célebre Estoril - FC Porto de 2018, cujo intervalo durou 38 dias, sendo o jogo interrompido por causas misteriosas que os Super Dragões poderão esclarecer.
E por falar em Estoril e FC Porto, certamente estará lembrado - uma vez que está de perfeita sanidade mental - que em Julho de 2015 o FC Porto vendeu Carlos Eduardo por 5.5 milhões ao Al Hilal e que em Março de 2018 a Procuradoria Geral da República abriu um inquérito devido a uma denúncia relativa a alegados actos de corrupção por parte do FC Porto, após o misterioso Estoril - FC Porto.
E já que estamos numa onda de recordar o passado, vamos então recordar o caso. O senhor Francisco J. Marques revelou, na altura, que dos 784 mil euros pagos ao Estoril durante o intervalo do jogo frente ao Estoril, uma parte foi relativa a dívidas da transferência de Carlos Eduardo para o Al Hilal e outra parte relativa à cedência temporária de Licá. Sabemos pelos R&C da Porto SAD que em 30.06.2017 não havia qualquer dívida descriminada à Estoril SAD. A factura, segundo Francisco Marques, foi emitida a 26 de Novembro de 2017. Só que é mentira. A dívida já tinha sido descriminada em 28.02.2017, como comprovam os R&C da Porto SAD. Poucos dias após a revelação de Francisco J. Marques, saiu uma notícia no jornal Record afirmando que as contas da Porto SAD sempre referiram as dívidas relativas ao Estoril Praia, no capítulo "Outros passivos (...)" nas contas anuais de 2016/17, assim como no ano anterior (https://goo.gl/d35HN5).
Vamos então montar as peças do puzzle:
1- Se em 16/17 e em anos anteriores a dívida esteve sempre presente em "Outros passivos”, porquê alterar o R&C da Porto SAD em 2018, “após” o escândalo?
2- Se a Estoril SAD detinha ainda 20% do passe do Carlos Eduardo, não deveria isso corresponder a 20% do valor da venda (5.5M), ou seja, 1.1M€ ? Porque se iria referir a 20% da percentagem pertencente ao FC Porto?
3- Tendo em conta os 20% relativos à transferência do Carlos Eduardo aos outros valores descriminados por Francisco J. Marques e, citando o mesmo, somando mais “90 mil euros, mais outra transferência de 95 mil euros respeitantes ao empréstimo ao V. Guimarães, mais 119 mil euros pela cedência ao Nottingham Forest e outra ainda de 100 mil euros”, não conseguimos chegar aos tais 784 mil euros transferidos durante o intervalo do jogo que durou mais de um mês entre o Estoril Praia e o FC Porto. O contrato da transferência do Carlos Eduardo indica que o Porto recebeu 2M€ em 4 prestações do Al-Hilal. Será que foi paga uma parte da dívida anteriormente? Se sim quanto? Quais os valores? Onde estão as provas, onde estão os documentos?
4- Sabendo das dificuldades financeiras, como é que o Estoril Praia se deu ao luxo de ver um jogador que foi dos seus quadros ser vendido por 5.5M€ em 07.2015 e apenas enviou a factura em 11.2017, recebendo o dinheiro em 02.2018, a meio de um jogo com o seu devedor?
5- Se demoraram 2 anos a preparar uma factura e 3 anos a receber as verbas relativas à venda, onde constava a informação nos R&C anteriores? Se o Director de Comunicação do Futebol Clube do Porto disse que não têm nada a esconder, porque é que o FC Porto recusou enviar o original da factura à CMVM?
E como toda a gente que nos segue já sabe, nós fazemos sempre o trabalho de casa - e bem feito. Portanto, vamos partilhar com vocês o Relatório e Contas da Porto SAD relativo ao primeiro semestre de 2017/18: http://imgur.com/a/TnBjQyQ
Aqui fica a dívida detalhada à Estoril Praia – Futebol, SAD, de acordo com o R&C da Porto SAD:
30.06.2017 : 0 euros / 31.12.2017 : 784.000 euros
Com dívidas a surgir dum semestre para o outro, não admira que o Passivo da Porto SAD seja o maior de sempre na história do futebol português:
30.06.2013 : 220.2 Milhões / 30.06.2018 : 464.2 Milhões
Aumento de 111% em apenas 5 anos. Misterioso? Andam a brincar com a cara de toda a gente, gozam do estado de impunidade, sentem que são intocáveis e que ninguém se mete com vocês. Ameaçam, manipulam, mentem, coagem, corrompem e têm tentáculos em todo o lado, mas nós andamos bem atentos."

Ensaio sobre a nojeira

"No outro dia estava a ver um filme (Phenomenon, na Netflix) e dei por mim a pensar na mortalidade e efemeridade da condição humana. Calma, não estava a pensar em morrer, apenas no estado provisório da nossa vida e na maneira como aproveitamos o tempo que temos neste planeta. Sem entrar no lugar-comum do carpe diem e todas as teorias ocas à volta disso, a realidade é fulminante como o Jonas na área: só temos uma oportunidade e mais vale aproveitarmos ao máximo!
Nesse dia pode ser que se comecem a pensar em medidas concretas que reformem o futebol português de cima abaixo para que finalmente se consiga apreciar o jogo pelo jogo e aquilo que é mais puro neste desporto.
Trazendo isto para o contexto futebolístico, esta semana tem sido pródiga em eventos trágico-cómicos que nos deviam obrigar a pensar. Todo o episódio Catão/Boaventura, e a novela que se lhe seguiu, é revelador do estado a que o futebol português chegou: miséria moral total e absoluta. Os limites da estupidez têm sido constantemente empurrados para patamares nunca antes vistos e aparentemente ninguém, para além dos que gostam do futebol e seus clubes, parece muito preocupado com isso. Os media rejubilam com as polémicas, a Liga e a Federação fingem que não é nada com eles, os dirigente dos clubes aproveitam a onda para lançar ainda mais lama sobre os adversários e os adeptos naturalmente entram na luta para defender as suas cores. Mas ninguém defende o futebol.
Acham que sou ingénuo ou lírico? Talvez. Não sou diferente do adepto comum e também dou por mim irritado e a querer espancar os Jota Marques da vida.
A minha esperança é que eventualmente chegue o dia em que alguém com responsabilidade em cargos de decisão vai parar, olhar à sua volta e pensar: "Como chegámos a isto? De onde apareceram estas personagens macabras e porque lhes estamos a dar mais importância que a jogadores, treinadores e adeptos?" Nesse dia pode ser que se comecem a pensar em medidas concretas que reformem o futebol português de cima abaixo para que finalmente se consiga apreciar o jogo e aquilo que é mais puro neste desporto: a amizade, as experiências e a emoção daquele milissegundo que antecede um golo da nossa equipa. Isto não tem preço.
Não me entendam mal, existirão sempre polémicas e discussões num desporto de alta competição onde só um pode ganhar.
Acham que sou ingénuo ou lírico? Talvez. Não sou diferente do adepto comum e também dou por mim irritado e a querer espancar os Jota Marques da vida, mas tem de haver algo mais para além do que temos visto nos últimos 5/6 anos. Bolas, se só tenho uma oportunidade para viver o nosso Benfica de certeza que não a vou desperdiçar dando importância a quem não a merece! O primeiro passo é não dar audiência a este triste espectáculo. As coisas mudarão no dia em que os media e estruturas dirigentes perceberem que este não é o conteúdo que nós, os adeptos, queremos. Não me entendam mal, existirão sempre polémicas e discussões num desporto de alta competição onde só um pode ganhar, e isso até desperta mais interesse e emoção, mas uma coisa são os conflitos normais e saudáveis entre clubes... outra é este absoluto nojo que não pode ser considerado normal ou aceitável.
Celebremos o Benfica, cultivemos o benfiquismo e gozemos a amizade dos nossos.
Que se lixem os outros, só cá estamos uma vez."

Não és tu, sou eu!

"It’s not you, it’s me. Começo com uma confissão: já usei o «não és tu, sou eu.» Já todos o fizeram algures na vida, certo? Não? Mas deviam. Esta expressão permite-nos aligeirar um pouco o ambiente e não passar o ónus da culpa para o outro. Acreditem que a culpa nem sempre é nossa, mas também não é sempre do outro, a menos que sejam o George Costanza ou o Pedro Proença, aí a culpa é vossa.
- Gostas de futebol, não é?
- Sim, muito mesmo. Do jogo, do fenómeno, das amizades, de cinema sobre bola, de leituras…
- E viste o último jogo da seleção? É preciso azar. Azar e não sermos roubados. É que roubam sempre Portugal. É inveja do Ronaldo, só porque é melhor do que o Messi.
- Não vi. Raramente vejo. Primeiro, gosto de ver bom futebol. Segundo, gosto de ver bom futebol. Terceiro…
- Não sejas assim. Aquilo é a selecção de todos nós. Vais dizer que não festejaste a vitória no Euro?
- Pouco. Gostei de ver a felicidade de alguns dos meus amigos.
- Só isso?
- Não, no meu caso também estava contente porque a pré-época já tinha começado e ganhámos 4-0 ao Cova da Piedade no dia anterior.
- Estás a gozar. Isso é só parvo. Pois, eu gosto da selecção e acho que é o único momento em que somos bons.
- É…
Este diálogo já aconteceu mil e uma vezes, e muitas mais irá ainda acontecer. O problema é meu, eu sei que é. Tudo começou em 2000, lembro-me como se fosse ontem. O Euro 2000 foi maravilhoso. Aquela selecção tinha tudo: qualidade individual, experiência, irreverência e garra. Tinha tudo, tinha até um treinador mediano que sabia tirar o melhor dos jogadores. Toda a fase de grupos foi um sonho: vitórias épicas, golos incríveis, resultados inesperados. Valia a pena ver quase todos os jogos do Euro. OK, o Eslóvenia – Noruega não foi muito interessante.
Depois chegou o mata-mata (ainda antes de conhecermos essa expressão) e houve Portugal. Ou melhor, houve França. Houve Zidane e Henry. Não falemos da mão do Abel Xavier (juro que durante anos vi ali uma mão de Pibe). Isso não interessa. O futebol não são casos, o futebol faz-se de golos e de grandes jogadores. E a França de 1998 a 2000 foi história. Eu vi, tu viste, nós vimos história. Mesmo que ligeiramente abaixo de outras selecções históricas como o Brasil de 1970, a Holanda de 1974, Espanha de 2012.
28 de Junho de 2000: a data do fim do meu namoro com a selecção de todos vós. Deixou de fazer sentido, deixou de jogar bem. Talvez um dia volte a gostar de ver os jogos de Portugal. Talvez. Mas, por favor, até lá não me tentem convencer de que tem jogadores da nossa formação ou que o «melhor do mundo» é nosso.
A minha relação com as selecções tem vindo a degradar-se com o passar dos anos, em parte por alguns argumentos referidos por George Orwell no The Sporting Spirit. O peso do nacionalismo bacoco incomoda-me, preferirei sempre lutas que sejam supranacionais. Sinto o meu, o teu, Benfica como algo superior, como um clube que não é de uma região, um país, é bem mais do que isso. O Benfica não é só o maior de Portugal, é também maior do que Portugal. E isso me envaidece."