Últimas indefectivações

sábado, 29 de junho de 2019

Cadomblé do Vata (especial defeso...)

"1. Com a transferência do João Félix, o SL Benfica vai ficar com um saldo altamente positivo de "impor/expor" nas transacções com o Atlético de Madrid... não só nos levam o craque, como nos roubam o argumento "somos sempre comidos nos negócios com o Atlético".
2. Os Benfiquistas estão tristes com a saída do jovem prodígio e ontem ficaram furiosos com a contratação do Cádiz... vamos lá a ver malta, qual é o stress? Se o Lage tornou o Seferovic melhor marcador do campeonato, qualquer Cádiz pode piscar o olho à Bota de Ouro nas mãos do técnico setubalense.
3. Há uma semana o Porto Canal dizia que as noticias que ligavam Nakajima ao SLB eram produto da cartilha, para que o japonês fosse visto como roubo ao FCP, quando assinasse pelo Glorioso que era o real interessado no jogador... esta semana anunciaram um pré-acordo entre FC Porto e Nakajima... clap... clap...clap...clap...
4. A eurodeputada amiga do advogado do ex. Presidente da UEFA detido por corrupção, diz não ver problema algum no facto de Rui Pinto ter acedido ao email de Joana Marques Vidal, Maria José Morgado e outros para se inteirar do ponto de situação de processo que pendem sobre ele, porque segundo ela "ele não fez nada com a informação"... e assim Ana Gomes mandou arquivar o processo E-Toupeira.
5. Bruno de Carvalho queixou-se numa entrevista de estar na "lista de terroristas dos Estados Unidos da América"... e ainda dizem que os americanos não ligam nada a futebol."

Casos do SL Benfica por definir na pré-época

"A poucos dias de iniciar os trabalhos de pré-temporada, existem vários jogadores no plantel que ainda têm a sua situação indefinida. Neste artigo, irei falar de vários desses jogadores e o que eu acho que deve ser feito de todos eles.

Guarda-redes:
Começando pela baliza, acho que há três nomes que devem ser mencionados: Mile Svilar, André Ferreira e Ivan Zlobin. O guarda-redes belga, na minha opinião, deveria rodar no estrangeiro, de preferência, no país onde nasceu. Quanto a Ivan Zlobin, tudo indica que será o segundo guarda-redes na equipa principal, mas o cenário pode mudar caso se vá buscar alguém para a posição: se se for buscar um guarda-redes de topo, a saída de Vlachodimos é mais plausível. Mas no caso da contratação de uma jovem promessa, é possível que Zlobin acabe por rodar, podendo ser emprestado a um clube da Primeira Liga. André Ferreira, acabou se assinar a título definitivo pelo CD Santa Clara.

Defesas-laterais:
Na lateral-direita, começo por falar de um jogador que tem passado por entre os pingos da chuva: Pedro Pereira. O lateral que esteve emprestado ao Génova no último ano e meio, merecia a meu entender, uma oportunidade na pré-temporada para disputar uma vaga na posição com Ebuehi, de modo a avaliar se algum deles merece uma oportunidade ou se será necessário ir ao mercado.
Para a lateral-esquerda, Nuno Tavares fará a pré-temporada na equipa principal, existindo a possibilidade de vir ser a alternativa a Grimaldo, visto que tudo indica que Yuri Ribeiro irá sair a título definitivo (e bem). Se vier a ser essa alternativa, poderá alternar entre a equipa principal e a equipa B, de modo a ter uma utilização contínua de modo a não estagnar. Quanto a Pedro Amaral, que esteve a rodar na Grécia na segunda metade da última época, considero um jogador sem qualidade para a equipa principal. Como tal, acho que deve sair a título definitivo.

Defesas-centrais:
A integração de Pedro Álvaro na equipa principal para a pré-temporada leva a crer que Kalaica deverá ser emprestado. O central croata é um jogador no qual acho que tem muito potencial e que acredito que pode singrar na equipa principal. Como tal, acho que ele deve ocupar uma das restantes vagas de empréstimo a um clube da Primeira Liga.
Quanto a Christian Lema, é um defesa-central que está no ponto alto da sua condição física. Como tal, acho que pode ter algo a dar ao clube caso tenha uma oportunidade. No entanto, tendo em conta a forte concorrência e o facto dele ter mercado na América do Sul, creio que o Benfica deveria aproveitar a oportunidade de negócio. Já em relação a Gérman Conti, tendo em conta o seu perfil, acho que Bruno Lage irá querer dar-lhe uma nova oportunidade (e bem).

Médios:
No miolo começo com um jogador do qual gosto bastante: Pedro Rodrigues, mais conhecido por Pêpê. O médio formado no Seixal pode jogar tanto a 6 como a 8, destacando-se pela visão de jogo e qualidade de passe (curto e longo). Apesar disso, Pedro Rodrigues ainda não se conseguiu afirmar definitivamente na Primeira Liga, após dois empréstimos com utilização inconstante. A meu entender, o cenário ideal para ele seria ser novamente cedido ao Vitória SC, onde desta vez iria trabalhar com um treinador que bem conhece e com o qual obteve melhor desempenho na Primeira Liga.
Passando agora para outro médio que chegou a ser campeão nacional: Alfa Semedo. O médio guineense é outro jogador que tem características que eu aprecio, mas acho que ainda precisa de crescer muito a nível táctico para conseguir afirmar-se no Benfica. Como tal, creio que deveria voltar a rodar no estrangeiro, de modo a ter continuidade e evoluir.
Falando agora de outro médio, desta feita estrangeiro e que esteve emprestado a um clube da Primeira Liga: Martin Chrien. Na minha opinião, acho que ele dificilmente irá evoluir ao ponto de ter qualidade para a equipa principal. Como tal, acho que deve rodar no estrangeiro para valorizar e conseguir uma boa venda no futuro.
Tiago Dantas e David Tavares irão cumprir a pré-temporada com a equipa principal, mas é possível que passem grande parte da época na equipa B. Já Krovinovic, fala-se que pode ser emprestado a um clube inglês.

Extremos/Avançados:
É provavelmente, a posição onde há mais opções e consequentemente, mais indefinição. Salvio é dado como certo no Boca Juniores. Cervi e Zivkovic também são possíveis saídas. Há ainda o caso bicudo de Jota com a sua proposta de renovação. Chris Willock tem qualidade para a equipa principal, mas tendo em conta a forte concorrência, pode nem fazer a pré-temporada. Como tal, acho que é um jogador que deve rodar no estrangeiro de modo a ganhar calo e evoluir.
Há ainda outros casos a analisar: primeiro o de Nuno Santos, que irá integrar os trabalhos de pré-temporada, mas pela concorrência, creio que deveria rodar na Primeira Liga quando começar a época oficial. Creio que o Moreirense FC seria um bom clube para ele, onde trabalharia com um treinador que já tem experiência a potenciar jovens valores; o segundo caso é o de Heriberto Tavares, que após ter feito uma grande temporada no Moreirense FC, creio que tem qualidade para integrar a equipa principal, tanto a extremo como a avançado.
Na posição se ponta-de-lança, não há muito que se possa dizer. Há apenas o caso de Facundo Ferreyra por definir. O empréstimo ao Espanyol é válido por mais uma temporada, mas a imprensa tem avançado que o clube catalão não conta com o avançado argentino. Isto poderá significar que Ferreyra possa ter uma nova oportunidade para trabalhar com Bruno Lage, mas tudo dependerá do seu futuro quando o Espanyol iniciar os trabalhos de pré-temporada."

Bruno Lage, por Luís Filipe Vieira

"Como tive oportunidade de afirmar após a reconquista do título, Bruno Lage personifica melhor do que ninguém a afirmação e consolidação do projecto de aposta na formação que construímos na já famosa escola do Seixal.
Pelas suas elevadas competências técnicas, pelo rigor e exigência que coloca na sua filosofia do treino a treino, jogo a jogo e pela ambição, conhecimento e coragem com que não teve dúvidas em apostar nos jovens talentos que bem conhecia, conciliando-os de forma notável com os mais experientes e consagrados. Bruno Lage
Face às circunstâncias em que pegou na equipa, o seu trabalho foi absolutamente extraordinário nas várias dimensões, revelando-se um técnico de enorme qualidade nas vertentes tácticas, humanas e comunicacionais.
No Benfica há muito que as qualidades do Bruno eram conhecidas, por isso, rapidamente o acolhemos quando se colocou a hipótese do seu regresso a Portugal, após a sua muito enriquecedora experiência internacional.
Por isso, foi sem surpresa que, quando decidimos pela saída de Rui Vitória, Bruno Lage surgisse logo naturalmente como primeira hipótese, além da excepção de todos conhecida.
Inclusive, como há dias revelei numa entrevista, existe um presidente de um clube, o António Silva Campos, do Rio Ave, que me abordou sobre a eventual cedência de Bruno Lage, ao qual eu disse que não, porque poderia vir a ser treinador do Benfica.
Obviamente foi pelo reconhecimento do seu trabalho junto da equipa B, pela identificação que ele tinha com toda a estratégia e rumo que há muito definimos para o futuro do Benfica, com a aposta na formação e nos nossos jovens talentos, e também pelo conhecimento minucioso que tinha de todos eles, que, em boa hora, optámos por esta escolha interna e de enorme ambição para o futuro.
Desde o primeiro momento em que assumiu a liderança, algo que muito nos impressionou a todos (sejam dirigentes, jogadores ou funcionários) foi a enorme naturalidade com que aceitou o desafio, a sensibilidade e o bom senso que demonstrou diariamente na forma como enfrentou a pressão e motivou todo o grupo, sem excepção, numa caminhada e numa segunda volta que ficará para sempre nas nossas memórias.
Lage é um bom exemplo da qualidade que distingue os treinadores portugueses, hoje mais do que nunca reconhecidos internacionalmente. Um técnico de enorme coragem que não teve receio de lançar os jovens e de assumir, sem bloqueios pelos riscos, a aposta naquilo em que acreditava. 
Também aprecio particularmente a forma como gosta de falar abertamente sobre as suas opções técnicas e tácticas, de falar afinal sobre o futebol e o que de mais fascinante tem, o jogo jogado nas quatro linhas.
Sempre com uma enorme elevação, assumindo erros, evitando desculpas e enaltecendo o valor e os méritos dos seus adversários. Rapidamente se identificou e representa a cultura e ADN Benfica.
Há em Bruno Lage uma simplicidade e um humanismo que gera uma natural empatia com os Benfiquistas e com os adeptos do futebol.
Como presidente, acredito e é meu desejo que continue connosco por muitos e bons anos, que seja companheiro de percurso neste momento de forte aposta do clube na manutenção e reforço da hegemonia do futebol português, mas sobretudo de dar um salto qualitativo de maior afirmação e ambição em termos europeus.
Aproveitar todo este talento jovem que está a surgir, conciliá-lo com a experiência e mais-valia de jogadores claramente identificados com a nossa cultura e poder contar com alguém com as características do nosso também ele jovem técnico são factores de enorme alegria e motivação para todos os Benfiquistas.
Os fantásticos números e resultados obtidos nesta segunda volta, com vitórias em todos os campos dos principais adversários, o recorde em número de golos obtidos, a forma como recuperou jogadores e rapidamente conquistou os adeptos e todos os amantes do futebol em apenas cerca de seis meses foi um feito inédito e que proporcionou um refrescamento do futebol português.
Lage contribuiu para recentrar o ambiente no jogo, nas suas dinâmicas e no que melhor ele tem como fenómeno de massas e de grande impacto socioeconómico.
Sim, é possível trabalhar de forma estruturada, sustentada e a pensar muito além do momento. É nessa linha de consolidação do Benfica que contamos com Bruno Lage e a sua equipa.
Sabemos de onde viemos e para onde queremos ir, Bruno Lage é parte desse caminho de futuro em linha com o trabalho e os resultados de mais de uma década que concretizámos.
Quando, antes de cada jogo, o vemos sozinho no centro do campo, passada a surpresa inicial, hoje o que nos logo ocorre, a quem com ele lida de perto, é afirma 'lá esta a força tranquila'."

Félix e Rennie

"A mais que certa transferência de João Félix para o Atlético de Madrid confirma dois factos muito poderosos acerca do futebol português: por um lado, somos capazes dos feitos mais extraordinários, com um miúdo que entrou a meio da época a concretizar a quarta transferência mais cara de sempre; por outro, somos também os reis da inveja, porque foi sofrível ver o melão e a decepção com que os comentadores portistas e sportinguistas insistiram em olhar para esta transferência. Ter de dar a mão à palmatória foi bastante duro... e só muitos Rennie poderá ajudar!
Já que estamos nesta onda, há que dizê-lo frontalmente: talvez o Benfica deva reter o valor do mecanismo de solidariedade a pagar ao FC Porto para cobrir uma parte da indemnização referente ao caso do emails. Mais vale prevenir do que remediar!"

Vamos lá trocar por miúdos

"Este texto é feito com base num pressuposto, aquele que nos diz que o negócio do Benfica com o Atlético de Madrid ficará concluído e na garagem da Luz vai entrar uma camioneta carregada de dinheiro. São, então, nunca menos de 120 milhões de euros, o valor da cláusula de rescisão, Nem um cêntimo a menos. Para o Benfica é, a todos os níveis, um negócio estratosférico. Também representa uma pressão acrescida para os rivais, agora obrigados a não poderem vacilar quando se sentirem tentados a aceitar qualquer proposta apresentada abaixo do valor da cláusula. Mesmo em condições vantajosas, contra si vão estar os próprios adeptos, sempre com o argumento da venda milionária dos encarnados na ponta da língua. Está criado um novo paradigma.
Entrado o dinheiro nas contas da Luz, resta saber alguns 'pormaiores'. Para já, descortinar qual o valor real que o Benfica vai apresentar nas contas finais apresentadas aos sócios. Depois, quando vai para aos bolsos dos agentes? E porquê, já que o Benfica dizia não querer vender o jogador. E o que vai ser feito a todo esse dinheiro? Quanto é o valor a ser canalizado para abater o passivo, esse que é um ponto de honra de Luís Filipe Vieira?
Os benfiquistas, e não só, aguardam com curiosidade os desenvolvimentos do meganegócio."

Paulo Fonte, in Correio da Manhã

O FC Porto está bem?

"O FC Porto não anda bem... Anda esquisito. A perda do título para o Benfica deixou mossas na estrutura, no discurso e na imagem externa. Mas internamente não há problema. A administração da SAD é composta por craques com longos anos de experiência no negócio que só deixaram escapar Bruma para o PSV para não ferir sensibilidades entre aliados visto que o jogador foi formado em Alvalade de onde saiu a mal já há alguns anos. Ao nível da comunicação vive-se um período áureo sabendo-se que a guerra patrocinada contra o Benfica, no que diz respeito a caso dos emails, teve uma decisão favorável no Tribunal tal como nos foi muito bem explicado pelos analistas e pelos comentadores da casa. Dizem que ficou provado que 'os emails existem' e isto bastou-lhes para celebrar rijamente a condenação de que foram alvo a SAD e o director de comunicação. O que o Tribunal os obriga a pagar ao Benfica, a título de indemnização, são 'peanuts' porque se trata de uma organização riquíssima que, de propósito, deixou escapulir João Félix para o Benfica só para provar que os de Lisboa andam por aí a desviar criancinhas com propostas 'pornográficas'.
Quanto ao presidente nunca foi tão firme a sua cotação interna. Pinto da Costa chegou ao ponto de pregar moral a Platini mal o viu a ser arrastado pelas autoridades francesas para uma esquadra da polícia onde prestou declarações sobre o seu envolvimento na atribuição do Mundial de 2022 ao Qatar. 'É caso para dizer que a verdadeira natureza das pessoas e das suas acções acaba sempre por revelar-se', explanou Pinto da Costa. É assim o FC Porto visto de dentro. Um prodígio de competências e de razão. No entanto, o FC Porto visto de fora é uma coisa diferente. A fuga de Bruma para o PSV soa a incapacidade ou, até mesmo, a grossa incompetência. Já as tranquilas saídas à borla de Herrera e de Brahimi soam a incompetência ou, se calhar, a grossa incapacidade de seduzir por um cêntimo que fosse o 'capitão' da equipa e a sua maior estrela. Quanto à decisão do Tribunal que condenou com palavras azedas e mão pesada o director de comunicação e a SAD do FC Porto na questão do correio electrónico roubado ao Benfica é o maior achincalho público que o FC Porto alguma vez sofreu às mãos do poder judicial. E até a eminente contratação de um guarda-redes, Koubek, tem servido para deitar abaixo o mito da infalibilidade científica do futebol portista porque, de acordo com a estatística, sendo´o checo um exímio defensor de grandes penalidades interrogam-se os infiéis sobre a conveniência da contratação de um guardião que defende muitos penáltis por um clube, o FC Porto, contra o qual raramente são assinalados.
Desperdício atrás de desperdício.

Um verdadeiro coração de manteiga
Coentrão anda a fazer pouco destas gentes tacanhas do futebol
É já tradição fazer pouco de Fábio Coentrão sempre que muda de clube. O mote é invariavelmente fornecido pelo jogador. A cada novo emblema confessa o seu amor desde o berço. Como o público é cruel e sabe estas coisas todas de cor e salteado - é a cultura geral -, o pobre do Coentrão acaba sempre por ser alvo de gozo no inevitável confronto entre o novo amor e o amor anterior. Foi assim quando chegou ao Benfica 'benfiquista desde pequenino', quando arribou ao Sporting, 'o clube do meu coração', quando voltou ao Rio Ave, 'o clube que amo desde que nasci' e, finalmente, agora que a imprensa brasileira fala da vontade que Jorge Jesus terá de levar o lateral-esquerdo para o Mengão, surgiu-nos um Coentrão a anunciar que 'quando era criança chorava porque queria ver os jogos do Flamengo'. O pessoal riu-se a ler isto, claro. E Coentrão riu-se mais ainda porque, na realidade, é ele quem anda a fazer pouco destas gentes tacanhas dos futebóis que são contra o amor livre.

Líder dos empresários
Jorge Mendes
O empresário volta a estar associado a um negócio estratosférico. A transferência de Félix para Madrid recoloca Mendes no topo do campeonato dos empresários.

Negociar até ao fim
Luís Filipe Vieira
O presidente do Benfica não faltou à sua palavra e não cedeu Félix até aos 'colchoneros' desembolsarem o total da cláusula de rescisão e ainda mais uns trocos.

Objecto do desejo
João Félix
Aos 19 anos protagoniza o 4.º maior negócio de sempre do futebol. Só Neymar, Coutinho e Mbappé estão à frente do viseense na liga mundial das transferências.

Pérola
«Melhor treinador do Brasil? Não, do Mundo»
Jorge Jesus, treinador do Flamengo."

A Norte nada de novo

"A dois dias do regresso ao trabalho, o plantel do FC Porto parece debilitado mas, simultaneamente, protegido por um manto de silêncio um pouco diferente do que antigamente se considerava uma extraordinária capacidade de gestão de informação. Há três dias que o Porto Canal não diz uma palavra sobre o plantel de Sérgio Conceição e os meios tradicionais agem como se a ausência de notícias não fosse, neste caso, uma grande notícia.
O FC Porto perdeu Militão, Maxi Pereira, Felipe, Herrera, Brahimi e, provavelmente, Casillas, pode ter de abrir mão de Alex Telles, Soares e Marega e vai enfrentar o dificílimo começo de temporada sem Pepe. Da equipa titular da final da Taça de Portugal, último jogo disputado, restariam apenas três jogadores, Vaná, Danilo e Otávio.
Até agora, apenas foi encontrado no argentino Saravia o substituto do lateral direito uruguaio e promovidos os regressos de jogadores dispensados na última época, como Sérgio Oliveira ou Osório. Todos os outros postos estão em aberto.
Um panorama assim num clube de Lisboa seria caótico e abriria uma crise mediática sem precedentes.
O lema “a Norte nada de novo” está a ser cumprido pelos media nacionais com todo o rigor e respeito. Nos últimos dois programas “Mercado” do Porto Canal, os temas em análise foram João Félix, Diego Souza, Vietto (na 5.ª feira) e reforços do Famalicão, Rafael Camacho e Jhonder Cádiz (na 6.ª feira), assuntos que imagino tirarem o sono aos adeptos portistas.
As últimas informações na televisão do FC Porto sobre a própria equipa foram dadas no dia 26 com o mesmo entusiasmo da aquisição de Eduardo pelo Sporting e de Ruben Semedo pelo Olympiakos de Atenas: a fuga de Bruma e do seu empresário, homens sem palavra, e a promessa de aquisição de Nakajima, realçando que consideram o japonês muito melhor que o guineense, mas sem notar que o asiático custa o dobro do africano!
Do que se sabe, o FC Porto já perdeu neste defeso o guarda-redes Koubek, o lateral-esquerdo Iago, o médio Léa-Siliki, o extremo Bruma e o avançado Roger Guedes e está à beira de não conseguir contratar o avançado Zé Luís, motivo de um insólito bate-boca entre presidente e treinador no mesmo canal televisivo. E sem esquecer as movimentações por Mangala ou Buffon, cujas contratações não tinham pés nem cabeça.
A incapacidade de a SAD portista enfrentar o mercado e de revalidar os contratos das suas principais figuras, perante as limitações impostas pelo Fair Play financeiro, foram disfarçadas nos últimos dois anos com a negociação de jogadores de terceira categoria, alguns aceites humildemente por Conceição, mas o fim dos contratos das principais estrelas veio por a nu uma situação realmente preocupante, num cenário de cinco campeonatos perdidos em seis anos. Talvez nos próximos dias se comece a falar disto…"

Senorise Perry

"Senorise Perry, 27 anos, era só outro jogador de futebol americano até ter chegado este ano aos Bufallo Bills e escolhido a camisola 32, assim reanimando uma assombração, qual filme de terror no qual o monstro não morre garantidamente no final, empurrando as incertezas para a sequela de menor qualidade. Aquele 32 não era usado nos Bills, desde OJ Simpson, um dos mais celebrados atletas da América.
O número desaparecera entre más memórias em 1994 no início do julgamento do século, como lhe chamaram, quando OJ foi acusado de assassinar a ex-mulher, Nicole Brown, e um amigo dele, Ronald Goldman, talvez amante de Nicole. Houve um circo jurídico em directo na televisão durante ano e meio, com discussão de provas sangrentas e comportamentos suspeitos. E os Bills nunca souberam o que fazer à camisola. Não a retiraram em homenagem, porque não o tinham feito antes; e não o ousaram no decurso sensível do julgamento. Um 32 morto-vivo - não retirado, logo não morto; não usado, logo não vivo.
OJ seria inocentado dos homicídios de forma controversa, porém mais tarde preso por roubo e rapto, até à libertação em Outubro de 2017. Entrevistado há dias disse que «a vida está boa» e achou «compreensível» que Senorise queira o 32. Aquele número dá que pensar: se lembra o famoso passado desportivo, não esquece o infame passado forense.
No que toca a terrores que voltam elejo invariavelmente a história de it, de Stephen King, como a preferida, na qual o palhaço Pennywise volta a cada 27 anos para se saciar de medos e memórias assustadoras. Entre o ano do início do julgamento de OJ e a escolha porventura amaldiçoada de Senorise passaram-se não 27 mas 25 anos. Dois anos, portanto, impedem o acaso, uma coisa nada tem a ver com a outra. É só uma camisola 32. Mesmo a sonoridade dos nomes é trivial coincidência, é tudo devaneio, claro: Perry, Senorise, Pennywise."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Luisão nos Stades !!!

Benfiquismo (MCCXXI)

Amoreiras...

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Contratar pouco e bem

"Benfica só poderá ficar no ponto que os adeptos e administração querem com entradas de igual ou superior qualidade dos que saíram

A aparente tranquilidade do mercado do Sporting e a alguma incapacidade envolta na bruma do mercado do FC Porto não podem fazer acreditar em qualquer facilidade para a época que agora começa. Vamos ter adversários fortes e temos que ter um Benfica fortíssimo. Sérgio Conceição tem qualidade bastante para com poucos ovos (e vai ter muitos) fazer omeletas interessantes e, por isso, haverá seguramente adversários de respeito.
Um Benfica que vendeu João Félix, deixou sair Fejsa e viu acabar Jonas é seguramente um Benfica menos mágico e menos forte. Ainda se fala de algumas possíveis saídas, empréstimos e cedências, todas por confirmar. Aguardar é a única solução.
A ideia de que qualquer Manel pode substituir os génios que saem é oriunda da estupidez ou da vontade de perder. Com as saídas (mesmo que todas bem justificadas e justificáveis), o Benfica ficou mais fraco e só com entradas de igual ou superior qualidade poderá ficar no ponto de que os adeptos e administração querem.
Agora que findou (ou abrandou) a época dos rumores, acredito que chegou a hora dos vencedores. O presidente do Benfica já repetiu que se iria comprar pouco e mais bem. Não posso estar mais de acordo. Esse é caminho, este é o caminho.
Se saiu Félix, o Viriato, aguardamos pela chegada do 'Sertório' porque em Reino Lusitano sem rumo e sem luta não ficaremos. No mundo moderno do futebol, o dinheiro deixou de ter valor e, por isso, ninguém dá valor ao dinheiro. Está na CMVM e são 126 milhões. Os incrédulos, pelos menos os que sabem ler, poderão analisar os balanços e as contas, embora suspeite que nem a contar notas à boca do cofre se convenciam. Esta é a frase do Benfica usar de indulgência com os comentários e muito competência nas aquisições.
Na próxima semana começam os treinos, a preparação de uma nova época, entre dia 1 e dia 5. Era bom que chegassem a quase totalidade daqueles que vão ser os nossos recursos. Interessa-me é ver o plantel fechado (ou perto disso) e a bola a rolar. Bruno Lage e a administração serão quem escolhe, selecciona e determina quem fica e quem sai. No Benfica a responsabilidade não morre sozinha porque a competência também não."

Sílvio Cervan, in A Bola

Cádiz

Muito se tem falado da contratação do Jhonder Cádiz, sendo que existem muitas dúvidas, se será uma aposta para o plantel principal, ou se será 'desviado' para um empréstimo. O facto de ter tido uma apresentação 'à grande', parece que irá ter pelo menos a pré-época, para 'provar' se tem qualidade para ficar...

Com a saída do Félix, e muito provavelmente do Jonas, ficamos só com um avançado no plantel: Seferovic. Como tudo indica que vamos continuar a jogar em 442, existe uma clara necessidade de contratar avançados. Na equipa B, tanto o Saponjic, como o Pedro Henrique ou até o Zé Gomes, não parece ter convencido... portanto, estamos obrigados a ir ao mercado...

Tem-se falado muito do Raul de Tomaz, mas mesmo com a chegada do Espanhol ainda existem mais duas vagas por ocupar... Se o Cádiz ficar no plantel principal, ainda ficará mais uma vaga!!!

Muitos têm colocado em causa a qualidade do ex-avançado do Setúbal. Pessoalmente, acho que existe muito potencial. Tem uma assinalável presença física, na Luz deu muito trabalho aos nossos Centrais, usa bem os braços para proteger a bola, tem caparro, e na área tem confiança no momento do remate... Veja-se por exemplo, o penalty à panenka marcado ao Odysseas!

Tecnicamente, é algo trapalhão, mas isso não invalida a sua capacidade. Conheço muitos avançados trapalhões com sucesso... Além disso, é um tipo de avançado, diferente do Seferovic ou do RdT, que em momentos onde seja preciso 'peso' na área, poderá ser útil...
Quantos vezes em discussões entre Benfiquistas, não reclamamos a contratação de um avançado físico, com poder de choque, e centímetros para disputar o jogo aéreo?!!!

O facto de ser contratado ao Setúbal, não deve querer dizer nada... basta recordar o Lima. Não é fácil 'acertar', mas às vezes as melhores opções, não estão em 'destinos' exóticos ... O facto do Cádiz se ter destacado a marcar golos no Setúbal é na minha opinião um bom cartão de visita: este Setúbal era uma das equipas mais defensivas na I Liga, marcar golos abandonado lá na frente não era fácil...
Por exemplo, não acho que seja inferior a um Soares ou a um Luiz Phellype...!!!

Agora, se o Cádiz não ficar no plantel, não será a primeira vez que um jogador é apresentado desta forma, e depois é emprestado, portanto vamos esperar para ver como decorre a pré-temporada...

Propagandistas

"No relatório e contas do SLB relativo a 1954, página 16, há uma pequena secção dedicada à aquisição de um autocarro – o primeiro do Benfica. Comprado ao popularíssimo actor Francisco Igrejas Caeiro, o avultado investimento permitiria poupar nos crescentes custos de deslocação das equipas e proporcionar maior conforto e segurança aos atletas. Igrejas Caeiro havia adquirido o autocarro meses antes por cerca de 1100 contos. Vendeu-o por 450 e mereceu, conforme se pode ler no relatório, o seguinte tratamento por parte do Benfica: “O nosso querido amigo e prestigioso consócio”.
Acontece que Igrejas Caeiro, não obstante o seu reconhecido benfiquismo, se viu obrigado a vender o autocarro que adquirira para a sua companhia. Instado a nomear o maior estadista da sua geração numa entrevista ao jornal “Norte Desportivo”, referiu o indiano Nehru, o que foi considerado subversivo e lhe valeu, por decreto governamental, o impedimento de actuar publicamente. Sem poder trabalhar, o autocarro deixou de ter qualquer utilidade para Caeiro. À necessidade benfiquista, juntou-se a oportunidade de ajudar quem se viu privado do seu sustento.
Este é mais um excelente exemplo dos muitos que contrariam os revisionistas que acusam o Benfica de ter sido o clube do regime. Para o Benfica, Igrejas Caeiro continuou a ser, apesar de proscrito pelo Estado Novo, “querido amigo e prestigioso consócio”.
Mas verdade seja dita, esses propagandistas já nem entre os seus têm qualquer credibilidade. Veja-se a sondagem da Aximage sobre a justiça da decisão dos tribunais em punirem o FC Porto no chamado “caso dos emails”. São mais, entre portistas e sportinguistas, os que não discordam da decisão..."

João Tomaz, in O Benfica

Um abraço da Jamaica

"Estou novamente fora de Portugal, mas vou acompanhando as novelas do nosso futebol. Leio as tentativas falhadas de denegrir o SL Benfica e João Félix, os delírios oposicionistas de candidatos a líder que não o são, o apego pela formação que os nossos rivais agora descobriram, os negócios de milhões que os outros nunca fazem. Mesmo à distância, não há como escapar a tanta azia alheia.
O que vale é que estou na Jamaica, um país onde os campeonatos nacionais de atletismo são transmitidos em directo na televisão. Esta é a ilha de Usain Bolt e de dezenas de outros atletas medalhados internacionalmente, por isso é normal que as conversas sobre desporto comecem e acabem quase sempre em atletismo. E calha bem, porque no fim de semana passado, as equipas masculina e feminina de sub-23 do Sport Lisboa e Benfica venceram os campeonatos nacionais dessa modalidade. E que orgulho isso me dá enquanto adepto. Ver o trabalho de Ana Oliveira, dos dirigentes, dos treinadores e dos atletas a dar resultados tão positivos - e há tantos anos - é sinal de que o ecletismo do Glorioso está no caminho certo. Não criámos equipas apenas para dizer que as temos: formamos e lutamos para ganhar em todas as modalidades em que participamos.
E assim, por cá, com mais de 30 graus de temperatura no ar e na água, sabe bem falar de desporto com os jamaicanos. Não se fala de dores de cotovelo, ressabiamento ou cegueira clubística. Fala-se de superação, de treino, de competição saudável. Não se olha para o quintal do vizinho a invejar a relva. Trabalha-se de forma mais árdua para conseguir os objectivos. E isso é coisa demasiado estranha para rivais que acordam, vivem e dormem a pensar em nós em vez de trabalhar para ser melhores. Vou ali dar um mergulho e já venho."

Ricardo Santos, in O Benfica

Sorteio do calendário: imperdível

"Falta uma semana para o sorteio do calendário da Liga 2019/2020 (5 de Junho) e eu sou incapaz de esconder a ansiedade. Com quem jogará o Benfica na primeira jornada? E na última? E na oitava?
Quando será o clássico com o FCP? E o dérbi com o SCP? E o embate com o Paços de Ferreira? Pois é, todos os jogos são importantes e gosto de saber em que momento da temporada se realiza cada um deles. Pertenço ao grupo de adeptos que no espaço de dois minutos decora de trás para a frente os duelos do Benfica nas 34 rondas. Trata-se de um raro distúrbio chamado anxietatem gloriosum, embora não haja (ainda) qualquer registo clínico deste transtorno. Sim, a medicina ainda tem muito para evoluir.
Tenho por hábito projectar os mais diversos cenários jogo a jogo, mas admito que as previsões costumam sair ao lado. Nas minhas contas, o Benfica chega sempre ao fim com 34 vitórias, registo que estranhamente não se tem verificado. Porém, de vez em quando lá vou acertando. Na temporada passada, numa dessas premonições ou imaginava o Benfica a vencer os jogos todos por 10-0, pelo que ainda acertei num resultado.
Ainda há uma semana pela frente até ao sorteio, contudo a espera não será muito dolorosa: o arranque da pré-época do Benfica está agendado já para a próxima segunda-feira. Nos primeiros dias não haverá bola, porque os jogadores têm de se sujeitar primeiro a vários exames médicos e testes físicos, prática comum após este alongado período de descanso. Mas posso esperar. Quem leva a melhor na velocidade? Quem consegue fazer mais agachamentos? Quem fica mais sóbrio depois de deitar abaixo dez latas de Sagres? Enfim, os exercícios necessários para que em Maio se possa celebrar o 38."

Pedro Soares, in O Benfica

Modalidades 18-19

"Os títulos conquistados no Voleibol e no Futsal acabaram por deixar uma marca de sucesso na temporada das nossas modalidades. Nas cinco principais, foi a 19ª vez que alcançamos dois títulos absolutos, sendo que apenas em duas ocasiões fizéramos melhor –2012, Hóquei, Basquete e Futsal; e 2015, um recorde, com Hóquei, Basquete, Futsal e Voleibol.
É preciso lembrar que, de então para cá, não só assistimos - ultrapassada a crise económica - ao recuperar da competitividade de algumas equipas ancoradas em orçamentos de empresa ou autarquia (de entre as quais a Oliveirense será o caso mais paradigmático), como vimos o nosso vizinho e rival despejar dinheiro em cima das suas modalidades, formando plantéis bem acima das realidades do mercado português – que, como sabemos, hipervaloriza o Futebol, ignorando quase tudo em seu redor. Temos também um FC Porto a centrar o seu investimento, sobretudo, no Hóquei e no Andebol, mantendo assim elevado nível competitivo nessas duas frentes.
É hoje, pois, mais difícil ganhar do que há uns anos atrás. E como o dinheiro não estica, teremos de ser cada vez mais inteligentes e certeiros na gestão das dotações, sob pena de ficarmos atrás de um aqui, atrás de outro ali, e atrás de um outro acolá. Teremos, por exemplo, de ser extremamente criteriosos na contratação de atletas estrangeiros que, ou chegam para fazer a diferença, ou estão a mais.
Uma palavra final para o sector feminino que, Basquetebol à parte, cumpriu praticamente todos os objectivos da época, tendo a partir de agora novos desafios, com Futebol e Andebol a atingirem o escalão principal."

Luís Fialho, in O Benfica

E mais títulos...

"Com as nossas principais equipas já a gozarem umas merecidas férias, continuam em competição as jovens promessas.
O Atletismo e o Futsal são dois bons exemplos do trabalho de excelência que o Sport Lisboa e Benfica tem vindo a realizar, esta década, na formação. Quando falamos desta área tão importante e complexa, tendemos a focar-nos apenas no Caixa Futebol Campus. Uma tendência natural e legítima, mas enganadora. O SL Benfica de hoje é todo ele uma academia gigante de formação.
No Atletismo, as nossas equipas de Sub-23 dominaram os Campeonatos Nacionais ao ar livre. A conquista de dois títulos são coroar de uma política com cabeça, tronco e membros. O feito da equipa masculina é notável - 11.ª título consecutivo. Quanto à equipa feminina, a reconquista chegou esta época. Com a particularidade destas Esperanças serem na grande maioria juniores. A visão e a competência da prof.ª Ana Oliveira são conhecidas, mas ter a capacidade de refazer equipas em anos consecutivas não é para todos.
No Futsal, a nossa hegemonia é uma evidência - conquistámos os dois campeonatos nos seniores e nos juniores a nossa equipa feminina sagrou-se bicampeã. Mas os êxitos não se ficaram por aqui, pois os Juvenis masculinos conseguiram, pela primeira vez, conquistar o título. Estes feitos reforçam a nossa política desportiva como a mais ajustada nos dias que correm
.O SL Benfica é um modelo a todos os níveis. Olhemos para os 17 atletas que formam a nossa equipa olímpica, em Minsk, onde estão a dar cartas nos Jogos Europeus. Um país e um clube que têm atletas como Telma Monteiro, Fernando Pimenta, João Ribeiro, Teresa Portela, Joana Vasconcelos, Bábara Timo, Rochele Nunes, Ricardo Santos, João Coelho e Rivinilda Mentai arrisca-se a conquistar medalhas. Na próxima semana, prometo analisar a notável performance da nossa equipa de futebol feminino."

Pedro Guerra, in O Benfica

Violência Fora de Jogo!

"Se há coisa de que a condição humana não se orgulha, essa coisa é a violência em qualquer das suas formas. Mas o que é violência? Na verdade, há sobre isso grandes mal-entendidos que variam de sociedade para sociedade e de cultura para cultura em função das percepções. Quer dizer, a violência tem certamente uma medida absoluta e uma medida relativa. Assim, se perante a agressão física contundente, o ferimento ou a morte é claro em todos os tempos e latitudes que se trata de violência, há sociedades e mesmo grupos sociais em que não é socialmente percebida como violência a agressão física menor e quase todas as formas de coação e agressão psicológicos ou a segregação social. Três exemplos simples: a rapariga vestida à moda 'que estava mesmo a pedi-las...',o Bullying, que pode tornar-se uma 'prática divertida' de exibição grupal; a imensidão de situações em que chega a considerar-se, com aceitação social, que certas formas de violência estão dentro de esfera formas de violência estão dentro da esfera da vida privada ou mesmo que correspondem à aplicação de castigos moralmente legitimados por algum sentimento de justiça ou reparação de honra, quase sempre desproporcional à situação que a desencadeia.
Diz o povo, nem sempre com razão, que 'entre marido e mulher ninguém meta a colher' e se assim deve ser na esfera familiar privada, filhos abrangidos, mas com exclusão de todas as formas de violência que, felizmente em Portugal, é um crime público e como tal não pode ser perpetrado sem denúncia nem impunemente independentemente da vontade dos sujeitos. E essa vontade é muitas vezes tolhida, diminuindo as vítimas a níveis de autoestima e depressão tão profundos que comummente se instala a dúvida sobre a natureza violenta da agressão e do agressor ou mesmo a culpa e a sua expiação como se a vítima fosse ao mesmo destino e origem da toda a violência assim legitimada pela própria, amarfanhada pelo medo e prolongada pelo passar do tempo na esperança vã de uma mudança. Invariavelmente nada disso acontece e a violência grassa como um fogo incontrolado que nasce de uma pequena centelha e se alimenta de si próprio até que, avolumadas as proporções, se torna imparável e desmesurado conduzindo muitas vezes, vezes demais, a um fim trágico.
É assim em todos os aspectos da vida e é assim também no Desporto, que não é imune aos males mundanos. Bullying, assédio e violência sexual no desporto têm vindo a lume nos países desenvolvidos, cada vez com maior acuidade, sendo publicamente assumido pela Comissão Europeia que na Europa comunitária um em cada cinco praticantes de desporto, formal e informal., são vítimas de alguma forma de violência sexual. Uma proporção demasiado grande para que lhe fechemos os olhos. Pelo contrário, há que tornar consciência deste verdadeiro flagelo social que tolhe a liberdade e a dignidade humanas. Para isso é preciso prevenir, formar, informar. Em suma, é preciso por a 'Violência fora de jogo!'"

Jorge Miranda, in O Benfica

Jhonder Cádiz

"O segundo reforço do Benfica foi hoje oficializado depois de já ter sido confirmado pelo próprio Luís Filipe Vieira na última Assembleia Geral do Clube. Trata-se do avançado venezuelano Jhonder Cádiz, que chega ao Benfica vindo do Vitória de Setúbal por 3.000.000€. Cádiz já está em Portugal há quatro anos. Esteve no União da Madeira, no Nacional, no Moreirense e no Setúbal. Ao todo tem 83 jogos e 14 golos na Primeira Liga Portuguesa.
Não é uma contratação consensual pois a maioria dos benfiquistas ainda tem fresco na memória contratações como Chiquinho (600k), João Amaral (600k), Patrick (custo zero), Salvador Agra (dívida do Nacional), Oscar Benitez (4.4M), Pedro Nuno (400k), Jhon Murillo (750k), Diego Lopes (100k), Marçal (custo zero) ou Pelé (custo zero). Ou seja, jogadores que apesar de não terem um custo avultado, nunca vestiram a camisola do Benfica. Alguns revelaram-se boas apostas. O Marçal foi vendido por 4.5M. O João Amaral por 1.5M. O Salvador Agra saiu por 500k. O Pelé rendeu 3.6M quando o Rio Ave o vendeu por 7.5M ao Mónaco. Chiquinho valorizou bastante neste último ano. 
Jhonder Cádiz não é consensual porque estas contratações não fazem sentido no imediato. Mas a longo prazo vemos que o dinheiro investido em Chiquinho, João Amaral, Salvador Agra, Marçal e Pelé rendeu. Também se poderá dizer que dificilmente vamos recuperar os 4.4M investidos em Benitez. Mas o Pedro Nuno vai servir para baixar o preço do Chiquinho. O Jhon Murillo mais ano, menos ano, vai dar uma boa venda (com 50% a reverter para nós). Logo, parece-me que óbvio que o Benfica está melhor por entrar nestes negócios do que por não entrar.
Para já ainda não é claro qual é o plano para Cádiz. Vai fazer parte da equipa principal ou vai ser emprestado algures para valorizar? À partida seria a segunda hipótese, no entanto todos os jogadores que tiveram direito a vídeo nas redes sociais e entrevista na BTV ficaram no plantel. Este é o modus operandi do Benfica de apresentar um jogador. E foi isso que o Benfica fez hoje. Logo, tudo leva a crer que fique no plantel.
O que conhecemos do jogador é que é um atleta com uma boa envergadura física (1.91m), mas também muito rápido. Tem técnica e uma capacidade de finta - ainda nesta temporada marca um golo contra-ataque ao Sporting onde trocou as voltas ao Petrovic. É um diamante em bruto. Pode estar aqui um excelente jogador. Por 3M não me parece uma má aposta. Pode perfeitamente ser o 5º avançado do plantel. Pode ser emprestado e ter uma época fantástica como o Chiquinho e acabar na equipa principal. Pode ser vendido mais tarde e chegar a valores relevantes."

5 minutos à Benfica - pré-época...

Fim de época com futuro

"A época futebolística termina, há já muitos anos, com um torneio interassociações sub-14, o conhecido Lopes da Silva. Um momento de festa, mas também uma oportunidade para observar as 22 selecções distritais. Estes jovens são, todos os anos, a base da primeira selecção nacional sub-15 masculina da temporada seguinte. Os treinadores precisam destas observações para conhecerem, confirmarem e decidirem sobre a composição das suas equipas, sejam nacionais ou de clube. Esta altura, designado como defeso, tem uma importância decisiva no sucesso das equipas, sendo essa importância proporcional ao nível da competição em que estão integrados, com destaque para as competições profissionais.
Como neste intervalo não há jogos, portanto não há vitórias e derrotas, digamos que todos estão empatados, a tolerância dos agentes desportivos é significativamente maior do que durante a competição. Contudo, as decisões agora tomadas vão ser de importância fundamental para cumprir os objectivos da época. O planeamento para nesta altura se tomarem as melhores decisões começou muitos meses antes. Prever o que se pode passar no defeso, as alterações que a equipa para sofrer, ajuda a encontrar soluções antes dos concorrentes. Esta é uma das maiores dificuldades de quem gere uma estrutura de desporto profissional, para mais em jogos colectivos. Não há sucesso exclusivamente com bons jogadores, é necessário uma excelente equipa.
Construir uma equipa, que necessita de bons jogadores, de excelentes profissionais e de melhores pessoas, implica estabelecer uma tela de relações que reaja à adversidade de forma uniforme, mesmo que as análises não sejam coincidentes. O interesse colectivo terá que ser sempre maior do que o individual. O torneio Lopes da Silva inicia o processo para se atingir o degrau mais alto: saber trabalhar como equipa."

José Couceiro, in A Bola

Belenenses tem o que não se compra

"O Clube de Futebol Os Belenenses, escudado em sentença judicial, fez um ultimato à Liga de Clubes, no sentido da proibição da utilização da sua marca por entidades terceiras. Ou seja, para simplificar, o Belenenses, com o apoio de duas sentenças, uma do Tribunal de Propriedades Intelectual, e outra do Tribunal da Relação, não quer uma equipa chamada Belenenses, SAD a participar na Liga. Poderá, quanto muito, ser BSAD, de acordo com o registo vigente.
Numa coisa o Belenenses tem razão: a Liga de Clubes não pode continuar a assobiar para o lado como se nada tivesse, entretanto, acontecido.
Este caso, que mostra como foi pouco cuidadosa e avisada a chamada Lei das SAD, irá conhecer novo agravamento quando o Belenenses alienar os dez por centro que ainda tem da SAD. Logo que isso aconteça, haverá uma equipa a disputar o principal escalão do futebol português sem vínculo físico (abandonou o Restelo), material (o Belenenses não é accionista), ou imaterial (não pode usar a marca, ou seja, nome, símbolo e lema) ao clube de onde derivou.
Quem olhar para esta situação, independentemente do lado da barricada que ocupar, ou mesmo se estiver numa posição de neutralidade, não pode deixar de sentir um profundo desencanto. À beira de celebrar o centenário, vale ao Clube de Futebol Os Belenenses uma implantação social que, ao contrário das acções da SAD, não se compra, e que lhe permitiu reinventar-se, apostando nas modalidades e no futebol de formação, como elementos aglutinadores de sócios e adeptos nestes anos de travessia do deserto. O Belenenses é um grande clube."

José Manuel Delgado, in A Bola

Desportivização do sexo e sexualização desportiva

"Apesar dos progressos registados ao longo das últimas décadas em matéria de investimento no desporto pelas mulheres, este continua a ser um local de diferenças e um espaço de desigualdade entre os homens e as mulheres. Em matéria de desporto feminino, é preciso ter em consideração a cultura desportiva das mulheres e a cultura feminina no geral. Esta cultura deve ser também colocada no seu contexto, sobretudo numa sociedade patriarcal, como é o caso da sociedade portuguesa.
No caso do desporto de alto rendimento, a prática de certos desportos pelas mulheres ainda está longe de ser “admitida” pela sociedade. E quanto mais estes desportos se afastam do estereótipo hegemónico, mais a recusa social é significativa. Se as mulheres são cada vez mais desportistas, elas não se entregam às mesmas actividades que os homens nem o fazem nas mesmas condições. As mulheres valorizam “as modalidades não competitivas” e as “práticas de melhoramento estético”, confirmando o peso dos estereótipos (Marivoet, 1998)
Braunstein & Pépin (2001) observam algumas das razões que mantiveram as mulheres afastadas durante muito tempo dos desportos de competição: em primeiro lugar, o argumento médico que dizia que o corpo feminino não podia suportar o esforço, e a que a sua principal função era a procriação. Em segundo lugar, o argumento social e moral: a mulher tem um lugar a ocupar no seio do seu lar, e toda a prática desportiva é concebida como exibicionismo.
Os homens estão mais voltados para a competição, a agressividade e a autoafirmação no desafio e no confronto com os outros. Ao invés das raparigas, os rapazes lutam e provocam-se entre si, estabelecem hierarquias com base no critério do mais forte, temendo ser tratados de “medricas”. Nos adolescentes, a pressão do grupo de pares e a prática de desportos colectivos convergem para a criação de um clima de emulação, de competição e de superação dos outros. A fim de serem reconhecidos, atrair a atenção das raparigas e afirmar o seu valor, os jovens procuram medir-se uns aos outros, provando a sua força, a sua excelência e a sua virilidade. Para as mulheres, a vitória sobre os outros surge como menos importante do que a actividade física em si mesma, enquanto para os homens é a própria competição que é objecto de paixão; rivalizar com os outros, vencer, ser o melhor representa uma finalidade ou um valor em si mesmo.
Nesta análise, importa referir a questão da virilidade. Bourdieu (1999, pp. 43-44) entende-a como “a capacidade reprodutiva, sexual e social, mas também como a aptidão para o combate e para o exercício da violência, com destaque para a vingança”. Por oposição à mulher, “o verdadeiramente homem” é aquele que se sente vinculado a estar à altura da possibilidade que lhe é oferecida de aumentar a sua honra, procurando valores como a glória e a distinção na esfera pública. A exaltação dos valores masculinos tem a sua contrapartida tenebrosa nos medos e nas angústias suscitadas pela feminilidade: princípios de fraqueza enquanto incarnações da vulnerabilidade da honra. Tudo concorre, assim, para fazer do ideal impossível de virilidade o princípio de uma imensa vulnerabilidade. É ela que conduz, paradoxalmente, ao investimento, por vezes exacerbado, de todos os jogos de violência masculinos, nomeadamente os desportos de combate.
O espaço desportivo (re)produz esta relação de dominação, ao socializar as gerações mais novas nos valores dominantes da cultura masculina, que privilegiam a força física e a competição como símbolos de virilidade."

O apelo de (...): querem ganhar o defeso? Gastem uns milhões no passe da Matilde

"Os jornais, os programas de comentário desportivo, os grupos de Whatsapp, o Twitter e a taberna rejubilam com o tema que faltava. Esta manhã seguia na direcção do café a tropecei numa pedra. Saiu de lá um especialista em factoring, um analista financeiro e um alcoólico que não conseguiria contar até 126. Todos juntos reuniram-se à volta de um pão de deus com fiambre, uma meia de leite morna, um café pingado e um moscatel, respectivamente, para elaborarem as mais diversas teorias sobre como é que o Benfica irá receber o dinheiro, se irá receber, o que fazer com este autêntico Euromilhões.
Há teorias para todos os gostos e quantificações de toda a espécie. Eu não percebo bem o que fazer a esta fortuna. O meu pessimismo diz-me que devíamos guardar a maioria para um dia chuvoso. O optimista fala em gastar tudo em reforços. O desiludido não se contenta com a comissão de 10%, por ele o Benfica ainda acaba a pagar a Jorge Mendes. O humorista com a tabuada decorada pergunta quantos daqueles reforços-que-não-são-bem-reforços poderemos nós adquirir para depois colocar a rodar por esse mundo fora. Rapidamente se chega a um consenso na taberna: vamos avançar para a compra de 40 Cádiz.
Sinto-me no mesmo espírito dessa discussão, mas com uma preocupação diferente. Surgiu assim que ouvi falar da Matilde, uma bebé de dois meses. É aqui que o assunto se torna sério. A Matilde é um bebé muito especial. Sofre de um problema de saúde chamado atrofia muscular espinhal de tipo I que ameaça a sua vida a uma velocidade assustadoramente galopante. Existe uma terapêutica que poderá salvar a Matilde. Custa cerca de 2 milhões de euros. A sua história apareceu um pouco por todo o lado nos media portugueses, bem como numa página de Facebook criada pelos pais, cujas publicações me deixaram com um nó na garganta, a mim e de certeza a muitos milhares de portugueses que não têm meios para, sozinhos, salvar a Matilde. Os donativos têm chegado tão depressa quanto é permitido aos portugueses, ou seja, muito depressa. É uma gente como poucas. Infelizmente, o objectivo a alcançar ainda está distante. Ontem a conta bancária criada para receber os donativos destinados a ajudar a Matilde tinha cerca de 395 mil euros.
Vai daí eu lembrei-me de uma engenharia financeira muito simples, uma daquelas de que nos lembramos sempre que nos imaginamos a tropeçar numa quantia de dinheiro obscena. Nunca sabemos bem por onde começar e damos por nós a gastar dinheiro em coisas inúteis. É provável que boa parte deste dinheiro acabe a ser utilizada em cruzamentos que saem pela linha lateral, remates para a bancada, ou empréstimos intermináveis ao Famalicão. Portanto, a minha ideia é muito mais simples: o Benfica chega-se à frente e gasta uns milhões no passe da Matilde. É agora que ela precisa de ajuda. Não sabemos quanto mais tempo ela tem. A seguir pode fazer o factoring que bem entender, a engenharia financeira que lhe aprouver, organizar jogos que reúnam a receita necessária para cobrir essa despesa. Mas a despesa, a acontecer, tem de ser feita agora.
Quem diz o Benfica diz todos os outros clubes, a federação, a liga, etc. Aquilo que sugiro está a uma ordem bancária de distância dos maiores clubes de futebol portugueses. Foi deles que eu me lembrei porque, pois bem, não se fala de outra coisa neste país. Assim sendo, que os programas de comentário desportivo e as redes sociais sejam inundadas com este repto. Depois logo se vê como será apresentado no relatório e contas. Que se danem os direitos desportivos. Esqueçam qualquer percentagem do passe da Matilde. Se tudo correr bem, a dívida dos pais será eterna e nós não quereremos aceitar um centavo de volta.
O futebol português passa tanto tempo na lama que às vezes se esquece da muita felicidade que nos pode trazer. Pois bem, está aqui uma baliza escancarada. Pediram-me um texto sobre o defeso e esta foi a única coisa que me ocorreu. Garantir a renovação da Matilde por muitas décadas. Não me custa nada tentar. E, sim, isto não tem nada a ver com futebol. Pois não. É muito mais importante. Se é demagógico? Que seja. Quero lá saber. Vale muito menos do que um Cádiz, mas valeria muito mais a pena. Se nada disto persuadir uma alminha que seja, cá estarão os outros portugueses todos para ajudar: PT50 0035 0685 00008068 130 56. Espero que a ajuda chegue a tempo."

Orgulho e amor (um treinador “amalucado” a defender as suas medalhadas)

"Para mim, não há nada que se compare a representar Portugal. Não encontro sentimento maior em relação a algo que não é palpável, tangível, algo que não é amor a uma pessoa, mas que é muito mais que um conceito, uma tribo, um lugar ou uma geografia. Representar Portugal é o expoente máximo do orgulho bom. E que dizer de representar Portugal competindo na Ginástica? Orgulho e Amor! É andar nas nuvens. Mas isso sou eu. Para muitos (alguns lusos patetas e muitos estrangeiros), Portugal será eternamente um underdog. Aquele rectângulo periférico cheio de gente que “não se governa nem se deixa governar” e de que muitos, por isso, se aproveitam.
Ah, mas como eu adoro os underdogs. Adoro treinar os underdogs. Aqueles que treinam enquanto outros ainda dormem, aqueles que trabalham quando ninguém está a olhar, aqueles que treinam quando o professor da faculdade lhes massacra a cabeça e não os deixa fazer exame “porque não podem faltar para ir a prova nenhuma!”, mas, mesmo assim, eles treinam! Adoro aqueles que treinam, ponto!
Escrevo no rescaldo dos II Jogos Europeus que foram, por isto e muito mais, um momento mágico. Quatro anos passaram desde que a Joana Patrocínio, a Susana Leal Pinto e a Jessica Leite se estrearam em Baku, nos I European Games, com um 7º lugar e uma experiência incrível, uma jornada em que foi impossível tirar-nos os sorrisos da cara. Mas que mais se pode pedir a quem dá o máximo? Só podemos andar felizes, sempre!
Este ano, com outras perspectivas, este grupo amalucado de treinadores do Acro Clube da Maia sonhou com algo mais. Aos poucos, dia-a-dia, com o passar do tempo, o sonho foi passando a objectivo para estes “loucos” e começou, aos poucos, a desenhar-se o sonho nas ginastas. E depois de muito trabalho (nosso e delas), os underdogs, a Bárbara e as duas Franciscas, foram a Minsk e fizeram três exercícios no máximo das suas capacidades, com a maior nota de dificuldade de toda a prova em cada um desses exercícios (what?, eu escrevi mesmo isto de três portuguesas?) e não deixaram dúvidas a ninguém: 3 medalhas – Bronze – Prata – Prata nos European Games! 
Três exercícios e três pódios (arrepio-me de pensar nisso e, como ainda não chorei, sei que ainda me há-de “cair a ficha” em relação ao que estas miúdas conseguiram)! Eu já disse que gosto dos underdogs, não disse? Gosto muito! Especialmente porque da próxima vez estes underdogs já não o serão... O Ouro escapou-nos do Dinâmico por 0,09 pontos... Se pensarmos que o mínimo de penalização que um juiz pode dar é de 0,10, temos aqui a real dimensão deste feito e de quão perto estivemos, realmente, do Ouro. Dezassete mortais em oito elementos! Underdogs?!
Com três medalhas ao peito, pesadas como o quanto nos custou alcançá-las, é impossível não sentir o Orgulho por Portugal e o Amor pela Ginástica. (Só não são os Toronto Raptors da Ginástica Acrobática porque não ganharam... mas calma... passo-a-passo!)
Foram as primeiras medalhas na Ginástica Acrobática, foram a primeira medalha nestes Jogos Europeus. Fomos nós! Foi a Bárbara Sequeira, a Francisca Maia, a Francisca Sampaio Maia, a Ana Úrsula, o João Ferreira, o Nelson Araújo, eu, o nosso fisioterapeuta Frederico Silva e todos os colegas de treino: porque ninguém faz nada sozinho! Conseguimos, cambada! Crer, querer e trabalhar como se não houvesse amanhã. Porque na realidade, no treino como na vida, só o que fazemos “hoje” interessa! O presente é a nossa dádiva diária!
E foi fácil? Não! Foi duro!!! Irra, se foi! Valeu a pena? Meu Deus, claro que valeu! Faríamos tudo outra vez! Se calhar faríamos mais ou diferente, mas não fugiríamos de nada que foi difícil, duro ou doloroso. O desporto é assim. Tal como a vida também o é. E quem se lembra do início? Quem se lembra de como foi feito este Trio? Quem se lembra de haver outros planos e expectativas individuais, quem se lembra das críticas à constituição destas equipas seniores vencedoras? Ah, gente de pouca fé! Mas eu lembro-me! (é aqui que eu semicerro os olhos e sorrio...)
E com tantas dificuldades inerentes ao desporto, às dores (porque vai doer!), às lesões, à conciliação de vidas académicas e desportivas exigentes (Medicina e Psicologia não são escolhas que se façam “com uma perna às costas” mesmo para ginastas flexíveis), não seria possível ajudar e facilitar um pouco? Não seria possível que o Professor que não deixou a Bárbara fazer um exame porque iria estar em Minsk (e por isso se arriscar a chumbar de ano por causa das precedências dessa cadeira), lhe fizesse o exame a que ela tem, legalmente, direito? Não seria possível que a Faculdade de Medicina onde anda a Francisca acreditasse que as declarações do IPDJ já tinham sido, realmente, pedidas há muito e que estavam apenas atrasadas, conforme documento a prová-lo?
Não dava para ajudar um pouco estas (e outros) ginastas e atletas? Gostamos tanto de ver as notícias sobre os sucessos nacionais! Mas depois, quando é possível ajudar a fazer a diferença que permite que se treine, verdadeiramente, para chegar ao pódio, porquê tantas pedrinhas dentro das sapatilhas? É este o “dark side”, infelizmente, do nosso sistema desportivo.
Mas depois, graças a Deus, temos o lado brilhante! O lado das instituições que se esfalfam para ajudar.
Estes dias passados em Minsk, tal como em Baku em 2015, a equipa do Comité Olímpico de Portugal – o grande chefe Marco Alves, a Catarina Monteiro, o Filipe Jesus, o Ricardo Bendito, o Pedro Roque, o António Varela, a Ana Ramires, o Dr. Jaime Milheiro e toda a equipa de fisioterapia, em especial o incansável André Ruivo (e, claro, o seu quase-omnipresente Presidente José Manuel Constantino que fez questão de acompanhar a Ginástica Acrobática na Minsk Arena – muito obrigado pela confiança), foram uma família para nós! Estas medalhas são vossas!! São mesmo! Esta é a equipa que tudo faz, que tudo disponibiliza; são os Ronaldos do nosso COP – são os que resolvem! Obrigado! Como já vos disse: Obrigado do fundo do coração. (nunca esqueceremos aquela Cerimónia de Abertura e o quanto vocês ajudaram a proporcioná-la a quem tinha prova no dia seguinte).
E depois temos esta família alargada de atletas e treinadores de todos os desportos que vibra com os sucessos e sofre com as perdas. Que quer saber como funciona o desporto “do outro”, que quer perceber as regras da modalidade do seu colega de refeição enquanto almoçamos juntos na cantina e que quer saber as coisas porque há um interesse genuíno no que faz o seu “companheiro de luta”. Obrigado a todos! Boa sorte para o resto dos Jogos! Estamos juntos!!!
Este capítulo não ficaria completo sem o Acro Clube da Maia, a nossa casa, o nosso abrigo e a nossa força. Aos companheiros de treino, aos companheiros que gerem o clube, aos companheiros que, todos os dias, zelam para que este possa continuar a ser o melhor clube do mundo, um enorme Obrigado.
E, obviamente, à Federação de Ginástica de Portugal que cria as possibilidades para que eu possa estar dedicado ao clube e ao treino, no máximo das minhas capacidades; um agradecimento muito especial pelo que tem feito pelo crescimento da Ginástica Acrobática, por sinal. a modalidade gímnica com mais praticantes em Portugal.
Duas últimas coisas breves: - No outro dia li, num jornal, algo do género: “O trio do Acro Clube da Maia já tinha amealhado uma medalha de prata e uma de bronze, pelo que a sua passagem pela Bielorrússia se cifra por três pódios, um número recorde, melhor do que o que foi obtido pelo canoísta Fernando Pimenta em Baku 2015”. É preciso explicar uma coisa: é que há atletas normais, depois há atletas incríveis e depois há o Fernando Pimenta. Mais nada! É mesmo assim. Um atleta incrível, determinado e humilde, daqueles que compete para ganhar, mais, que treina para ganhar! É preciso pôr estas coisas em perspectiva. O Fernando Pimenta é um Gigante! Tal como a Telma: 32 anos e 15 medalhas em 13 provas europeias! Não é para qualquer um. Aliás é só mesmo para um: ela própria! Para nós foi uma honra enorme “lutar” ao vosso lado pelo verde e vermelho da nossa Bandeira. Obrigado. Espero que haja mais oportunidades porque vocês são uma inspiração.
Depois da prova, um jornalista perguntou-me o que diria eu a alguém, com poder de decisão, para incluir a Ginástica Acrobática nos Jogos Olímpicos. Respondi que não lhe diria nada: levaria essa pessoa até às bancadas da Minsk Arena e sentar-nos-íamos lado a lado bem em frente ao praticável a ver estes ginastas espectaculares nos European Games e não eu teria qualquer dúvida, pela emoção que essa pessoa sentiria, que incluiria a modalidade nos próximos Jogos Olímpicos. “In an heart beat”, como dizem os americanos. Sem hesitar! Quem viu Acrobática na televisão e nunca tinha visto que me corrija se não for verdade. 8000 pessoas a vibrar com os exercícios destes campeões não deixam ninguém indiferente. Este é o poder da Ginástica Acrobática.
Pronto! Obrigado Úrsula, João e Nelson! Obrigado! Agora está na altura de por o “Where is my mind?” dos Pixies, bem alto nas colunas! E tentar perceber onde é que estava, realmente, a nossa cabeça quando sonhámos com isto."

Benfiquismo (MCCXX)

Novinho...

Com muito dinheiro grandes responsabilidades

"O Benfica terá feito um negócio notável com a venda do passe de João Félix. Escrevo no condicional pois há apenas uma declaração de intenção do Atlético de Madrid e, até à comunicação oficial, há alguma informação incerta e, por vezes, contraditória. Mas, se se confirmar uma venda pela cláusula de rescisão de , estamos perante um dos 120 milhões de euros, estamos perante um dos melhores negócios da história do futebol.
João Félix jogou uns breves 3.022 minutos com a camisola da equipa A do Benfica. Em 43 jogos, confirmou que é um jogador diferenciado, com golo, muita qualidade na decisão e um potencial imenso. Só que, sendo óbvio que um Benfica europeu precisa de ser capaz de reter talento da formação, há também limites para a capacidade de resistência de um clube de um campeonato periférico como o nosso: 120 milhões por um jogador que ainda há oito meses tinha uma cláusula de 60 milhões está bem para além desses limites. Aliás, vender jogadores por valores exorbitantes (é mesmo disso que estamos a falar) é coerente com a aposta estratégica na formação.
No entanto, com muito dinheiro vem também grandes responsabilidades. E o negócio da venda de João Félix, pelo valor, pelo clube de destino e pela intermediação de Jorge Mendes precisa de todo o escrutínio e atenção dos sócios do Benfica.
Um bom princípio é, por exemplo, olhar para o que aconteceu com os nossos adversários depois de se encontrarem em situações como a que hoje vive o Benfica. Se recuarmos década e meia, o FC Porto, pela mão do mesmo empresário, acumulava vendas exorbitantes, juntando ao sucesso desportivo receitas financeiras com poucos paralelos. Hoje, está intervencionado pela UEFA e com dificuldade em financiar o investimento.
É disparatado criticar à partida um negócio com os contornos do que o Benfica vai fazer com o Atlético de Madrid, esquecendo, por exemplo, que foi também desde que Jorge Mendes passou a ser parceiro estratégico do clube que iniciou uma senda vitoriosa mas é igualmente um erro ter postura acrítica.
Há perguntas que têm de ter respostas e, no essencial, temos de estar alerta em relação ao futuro próximo. Desde logo, há que seguir o dinheiro,. O Benfica não só pode como deve continuar a fazer negócios com a intermediação de Jorge Mendes, o que não devia é, por força da receita que vai fazer com João Félix, adquirir jogadores sem currículo, apenas porque são agenciados pela Gestifute. Se o fizer, fica sugerido que o que entra como receita, logo sai como despesa.
Há momentos em que é prudente e avisado seguir a máxima de que não basta ser sério, é preciso parecer. Depois do que se tem passado no último par de anos com o Benfica, este é um desses momentos."

Caio Lucas

Depois de vários meses, foi hoje apresentado oficialmente o Caio Lucas.
Sem surpresa, oficiosamente, já era conhecido o destino do brasileiro. O jogador chega em fim de contrato... e diga-se, o Caio era o alvo prioritário dos Corruptos para o lugar do Brahimi!!!!

Jogador que saiu do Brasil, muito jovem, mas com cartel, preferiu os cheques da Ásia, primeiro na China e depois nos Emiratos... Por aquilo que vi no Campeonato do Mundo de Clubes, onde a sua ex-equipa chegou à Final com o Real Madrid, temos reforço... Jogador claramente diferenciado, principalmente no drible...

Agora existem alguns potenciais 'problemas': a intensidade de jogo em campeonatos 'secundários' não é igual às exigências do Benfica; segundo a questão do posicionamento: por aquilo que vi nos vídeos é um jogador habituado a jogar em 433, sendo ele o extremo da frente que mais se aproxima do ponta de lança... Num 442, não sei se irá adaptar-se a jogar mais junto da linha, muito sinceramente, parece-me mais um 2.º avançado!!!

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Mais uma Prata...

Fernando Pimenta com a 2.ª Prata nestes Europeus, integrados nos Jogos Europeus de Minsk, desta vez no K1 5000m.
Foi pena o Pimenta não ter chegado na melhor forma a estes campeonatos, esteve dominar a maior parte do ano... Mesmo assim, quando não está a 100% 'saca' Prata!!! Nada mau...!!!

No K4 500m, com os nossos João Ribeiro e Messias Baptista, além do Emanuel Silva e o David Varela, ficámos em 4.ª lugar

No K2 200m feminino, com as nossas Teresa Portela e a Joana Vasconcelos, não fomos além do 6.ª lugar.

Juvenis - 10.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 0 Corruptos


Os já Campeões, terminaram (finalmente) a época, com mais uma vitória, mesmo com várias alterações...

Durante a semana, o Paulo Bernardo, lesionou-se com alguma gravidade. Já foi operado ao menisco... Estas lesões são sempre chatas, e nestas idades, às vezes, são um empecilho complicado de ultrapassar na evolução dos jogadores...

As 4 soluções para o lugar de Gedson

"Foi aposta forte de Rui Vitória no sistema de 4x3x3 empregado pelo ex-treinador do SL Benfica, perdeu espaço no 4x4x2 de Bruno Lage, foi importante em momentos específicos da temporada (na lateral direita, na ala do mesmo lado ou mesmo no ataque à profundidade, de que é exemplo o jogo frente ao Eintracht Frankfurt, no Estádio da Luz), sagrou-se campeão nacional, esteve no Mundial de Sub-20 (titular nos três jogos de Portugal, sem brilhar) e lesionou-se durante o plano de férias de preparação para a nova época.
Tudo somado, a temporada 2018/2019 foi atribulada para o jovem nascido em São Tomé e Príncipe, mas terminou com nota positiva, enquanto a época 2019/2020 começa de forma negativa … e mais tarde. A lesão no quinto metatarso do pé direito vai deixar fora de combate um dos melhores produtos Made in Seixal durante dois meses … pelo menos. Azar para o médio de 20 anos. Mas, diz o povo, azar de uns, sorte de outros. A ausência de Gedson Fernandes dos trabalhos de pré-epoca pode abrir vaga para outro jogador. Quiçá, outro jovem oriundo do Caixa Futebol Campus. Num exercício de análise, elenco quatro opções (três nomes) para tomar o lugar do internacional português pelas camadas jovens.
Chiquinho – Fez grande parte da sua formação no Leixões SC, brilhou na Segunda Liga pela Académica de Coimbra (tendo-se revelado um médio goleador, ao apontar nove golos em 41 jogos), foi contratado pelo SL Benfica e emprestado ao Moreirense FC, a equipa sensação do último campeonato (muito graças ao seu contributo), onde voltou a brilhar (pela equipa minhota marcou dez golos em 38 jogos) e prepara-se para ser recomprado pelo campeão nacional.
Trata-se de um médio criativo, com futebol na cabeça e nos pés (sobretudo o direito, o seu predilecto), que joga e faz jogar e que tem uma apetência quase incomum para o golo. Aparece bem e com facilidade nas zonas de finalização, ligando com mestria e qualidade o segundo e terceiro terços do campo. Pela capacidade de controlo de bola que possui, executa tranquilamente movimentos da esquerda para dentro, caindo, por vezes, na ala esquerda.
Dadas as características referidas acima, não será o substituto natural de Gedson Fernandes. Ainda que possa alinhar na direita do meio-campo encarnado, como fez o jovem formado no Benfica em algumas ocasiões, sendo uma solução de banco a Pizzi, ou como médio interior num sistema de 4x3x3 (a que o SL Benfica não deve voltar de forma definitiva), à semelhança de Gedson com Rui Vitória, creio que Bruno Lage poderá ver Chiquinho como solução para segundo avançado.
O mais provável é que o jogador de São Martinho do Campo seja um polivalente, podendo actuar pela direita, pela esquerda, como médio criativo em parelha com Samaris ou Florentino Luís ou como segundo avançado. Mas creio (e assumo que poderei estar a ver em Chiquinho o que ele não é) que assentaria que nem uma luva “nas costas” de um avançado dito fixo. Poderá, acredito, estar aqui uma das soluções para o lugar de João Félix.
É um candidato ao lugar de Gedson, mas, até pela sua contratação ser noticiada desde muito antes do infortúnio do jovem formado no Seixal, não acredito que seja o favorito à vaga do luso-são-tomense. 
P.S: A contratação de Chiquinho não está consumada, sendo, consequentemente, esta hipótese condicional. Ainda assim, o princípio é o de que Chiquinho fará parte do plantel.
Contratação – A ideia, publicitada, vincada e reiterada pelos responsáveis máximos do clube (incluindo, recentemente numa entrevista à Rádio Renascença, pelo presidente), passa por olhar primeiro para o Seixal e depois, e só depois e em caso de necessidade, avançará o SL Benfica para contratações. Médios temos, assevera Vieira. Estaria a contar com Gedson? Se estava, os planos podem ter que mudar.
Não lanço nomes (como escrevi, considerei Chiquinho como membro do plantel). Apenas deixo a opção (vaga e em aberto) de se contratar um médio para o lugar de Gedson Fernandes. No entanto, e apesar de me parecer uma alternativa mais provável do que Chiquinho, fazer ingressar no plantel mais um médio pode ser problemático. O jovem formado no SL Benfica vai parar alguns meses, é certo, mas voltará. E se, quando regressar, tiver o seu espaço totalmente ocupado, voltar à melhor forma física e recuperar o ritmo de jogo tornar-se-á bastante difícil.
Contratar poderá redundar numa de duas situações quando Gedson Fernandes regressar de lesão: ou o SL Benfica fica com excesso de médios, ou o jovem português será emprestado para voltar a ser o que era mais rápida e facilmente, saindo no mercado de inverno. Não equaciono, sequer, a hipótese de Gedson voltar à equipa B, ainda que temporariamente. Seria, creio, um retrocesso para um dos expoentes da geração de 99. E por falar na geração de 99…
David Tavares – O médio lisboeta – formado entre Tojal, Loures, Alcochete e Seixal – impressiona (que o diga o Liverpool FC) pela estatura elevada (1,90m), pelo físico possante (83kg), pela entrega, pela resistência – física e mental – pela recuperação de bola, pela capacidade de pressão sobre os adversários e pela grande qualidade técnica. É um motor de meio-campo, encaixando muito bem no papel de box-to-box, sendo capaz de executar com qualidade, muitas vezes por jogo, os três gestos técnicos que se pede a quem desempenha tal papel: recuperação de bola, transporte e passe.
Rui Vitória queria vê-lo na pré-temporada passada. Desejo negado por uma rotura do ligamento cruzado do joelho esquerdo que lhe roubou grande parte da época. No entanto, voltou a jogar pela equipa B (sete jogos) e pela equipa de sub-23 (dois jogos) na recta final da época, mostrando estar apto a ser chamado por Bruno Lage (e acredito que o vai ser, seja com que intuito for). Este ano, o azar de um colega pode ser a sua sorte.
Contudo, tenho dúvidas que David Tavares seja visto como substituto de Gedson. Apesar das muitas similitudes, há diferenças – como o físico de Tavares e a polivalência de Gedson – que os tornam compatíveis e não concorrentes directos um do outro. David deverá subir para ser alternativa a Gabriel, enquanto Gedson, quando regressado, será opção, sobretudo, para substituir Pizzi. De resto, a subida de Tavares já estava planeada antes da lesão do colega.
Não obstante, a melhor solução, para mim, está mesmo na geração de 99.
Nuno Santos – É, dos jogadores à porta da equipa principal, o mais parecido com Gedson Fernandes. Atua como médio interior direito ou esquerdo ou até nas alas, em particular a direita. Pisa, sensivelmente, os mesmos terrenos do colega de formação e de selecção (onde, no Mundial de Sub-20, atuaram em simultâneo frente à África do Sul, fazendo meio-campo a três com Florentino). 
Comparativamente com Gedson, Nuno Santos apresenta uma maior qualidade técnica, mas uma menor capacidade física. De resto, são bastante similares: são polivalentes, leem bem o jogo, demonstram conhecimento táctico, são destros, podendo cair em qualquer zona do meio-campo, são fortes no transporte (por serem dotados no respeitante ao controlo de bola), pressionam alto e bem, recuperam bolas com alguma facilidade, têm qualidade de passe, decidem bem no último terço e apresentam uma meia distância razoável.
Nuno Santos, a meu ver, precisa de ser mais constante – em termos de exibições -, acreditando eu que, treinando e jogando com jogadores de um calibre superior ao daqueles com quem partilha balneário na equipa B, esse desígnio será alcançado. Sob pena de ver o seu crescimento travado, o portuense precisa de dar o salto, até porque pouco mais tem a fazer nas equipas secundárias das águias: na época que agora finda, Nuno Santos fez 41 jogos (32 na equipa B, 2 nos sub-23 e 7 nos juniores) e apontou 13 golos (8 na equipa B e 5 nos juniores).
Pela semelhança futebolística com Gedson, pela necessidade de crescer e aparecer a espaços (o que acontecerá, pois não vai ser titular), pela qualidade e vontade que tem mostrado – ainda que de forma algo intermitente – e por ser “prata da casa”, Nuno Santos parece-me ser o melhor candidato à vaga de Gedson Fernandes. No entanto, claro, a decisão final será de Bruno Lage."


PS: Não destacar o Dantas, só pode ter sido um descuido...!!!