Últimas indefectivações

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A festa parola dos pilha galinhas

"Ao ver aquela meia dúzia de alarves aos saltos numa festarola parola e sem sentido, fiquei com ideia de que era feriado na cadeia de Custóias e de que os criminosos tinham vindo apanhar ar numa noite deprimente de chuva ácida. A verdade é que eram poucos, muito poucos. Na sua maioria exibindo feições reveladoras de deficiências, tanto físicas como morais. Arranhavam as gargantas com insultos escabrosos e visavam as mães alheias com apodos que ficariam mais bem empregues nas suas próprias mães. Vista de fora, a funçanata metia nojo. Os pilha galinhas iam roubando carteiras uns aos outros e urinando nas pernas dos Homenzinhos-de-Cócoras, convidados especialíssimos por serem os verdadeiros cozinheiros de tamanha mixórdia.
Acabado de chegar da Meseta Ibérica, o Diabo Madaleno estava lá. Fora figura visível de mais uma bambochata. Na bancada presidencial, lado a lado com a sua messalina barata, tratara de amaldiçoar o dono da casa com uma derrota humilhante, para que este aprenda de vez que o lugar do Diabo é atrás da porta. Depois regressara a Mafamude deixando atrás de si um cheiro pestilento. Sim, porque o Diabo Madaleno não fede a enxofre, fede a podre e a excremento. Agora, no meio do baile dos lafargas, exalava o seu pivete com um sorriso crápula afivelado nos lábios e obrigava os saloios a taparem o nariz à sua passagem. Ninguém percebia ao certo as razões de tão estúpida alegria. Nada nela havia de orgulho, de prémio ou de autenticidade. E a dança grotesca dos Homenzinhos-de-Cócoras ao som dos palavrões e dos insultos estava aí para comprovar a salácia. Um grupelho de larápios brejeiros saiu à rua para festejar uma falcatrua. Saltaram sobre as capotas de automóveis, conspurcaram os passeios e gritaram porcarias. Ao vê-los, perguntei para com os meus botões se a imbecilidade e a indecência não terão limites? O sorriso flatulento do Madaleno garantiu-me que não..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Respirar de alívio por Jorge Jesus

"Amanhã, o Benfica joga mais que uma finalíssima no campeonato de voleibol. Joga a conquista de uma época de luxo com Supertaça, Taça e Campeonato. Joga a vitória do primado dos jogadores portugueses, porque quatro dos seis jogadores-base são a base da selecção, Coelho, Roberto, Gaspar e Flávio. Joga a aposta numa das mais fantásticas modalidades de pavilhão.
A vitória do Benfica neste campeonato representaria a vitória da modalidade. Modalidade essa que só o Benfica torna nacional, todos os outros clubes ficam na cintura do grande Porto e nas ilhas. É importante que o voleibol mantenha os seus principais emblemas e possa conquistar mais clubes para ter futuro. O esforço de formação que o Benfica vem fazendo no voleibol merece ser recompensado. O esforço de José Jardim e Rui Mourinha, também.
O voleibol é uma modalidade olímpica em franca expansão e uma das mais espectaculares. Esta final ganha valor ao ser disputada contra um Sporting de Espinho de qualidade, com uma defesa baixa óptima e uma recepção apreciáveis. Por tudo isto seria inaceitável não ter um pavilhão ao rubro, cheio de apoio ao Benfica e respeito pelo adversário, que merece pela dedicação que dá ao voleibol.
Amanhã, queremos um ambiente fantástico para uma conquista ímpar. Amanhã, não há desculpas para não ir, por respeito ao Espinho, por gostar de voleibol ou por amor ao Benfica.
Notável entrevista de Jorge Jesus, ontem, neste jornal. Excelente no tempo, na forma e no conteúdo. «Sem casos de arbitragem o título seria do Benfica» era algo que lhe faltava ouvir. Quem como eu tanto defende Jorge Jesus como treinador e tanto o critica na sua estratégia de comunicação, ontem respirou de alívio. Parece estar a ganhar o que lhe faltava. Agora falta ganhar dois jogos... por muitos e preparar a próxima época para ganhar mais títulos."

Sílvio Cervan, A Bola

Entrevista completa de António Carraça

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Entrevista completa de Jorge Jesus

"O treinador do Benfica aceita que lhe apontem erros. Ele, de resto, aponta alguns. Garante, porém, ter a consciência tranquila relativamente às opções tomadas e caminhos percorridos. E diz-se, hoje, tão motivado para trabalhar no clube como em Junho de 2009, quando chegou. Diz que, quando sair, sairá por cima.
- Três anos à frente do Benfica representam um longo caminho. Sente-se com condições para enfrentar a próxima época, quer do ponto de vista pessoal, quer do apoio dos adeptos, atendendo a alguns sinais exteriores de contestação que têm sido perceptíveis desde a derrota em Alvalade?
- Quando se perde, o grau de desânimo é sempre grande, principalmente num clube como o Benfica e, portanto, esses sinais são naturais em momentos como este. Tenho de os considerar e compreender, porque eu próprio sinto essa frustração, mas posso garantir-lhe que tenho, hoje, a mesma ambição e a mesma vontade que tinha quando cá cheguei no primeiro dia. Podem acusar-me de muita coisa, mas há uma garantidamente de que não podem, de falta de dedicação e de não ter dado sempre tudo pelo Benfica.
- Sente um clima diferente, para pior, à sua volta, no universo dos sócios e adeptos, ou entende que os assobios vêm apenas de uma pequena franja mais radical, responsável pelas paredes pintadas na Luz e em Vila do Conde?
- Repito o que disse atrás, manifestações de frustração são naturais, principalmente quando tínhamos uma perspectiva bem diferente daquela que temos hoje. Como acham que vivi alguns dos dias que se seguiram a alguns jogos em que perdemos pontos? Mas alguém pode acreditar que não demos tudo para chegarmos ao fim em primeiro? Portanto, eu partilho dessa frustração e repito que temos de compreender a desilusão dos adeptos. Mas já não posso compreender, como também já disse no passado, as pinturas feitas, não se sabe por quem, e que colocam em causa a pessoa responsável por hoje existir o Benfica tal como o conhecemos.
- Está a referir-se ao presidente?
- Naturalmente. Alguém acha possível que o clube tenha o prestígio que hoje lhe reconhecem, ou tão simplesmente a existência do Benfica como clube se não fosse o seu trabalho? Nessa perspectiva acho perfeitamente injusto e aí sim acredito que essas iniciativas, que não são assumidas, não representam a massa associativa do Benfica.
- Para que não haja equívocos, e de forma muito frontal, por si continua no Benfica?
- Quando cá cheguei em Junho de 2009 vinha com uma ideia do que era o Benfica e com a ambição de ganhar. Efectivamente, estava longe de imaginar exactamente qual era a dimensão do Benfica e é evidente que gostaria de ter ganho mais títulos daqueles que ganhei, mas sinceramente sei que dei tudo e deixei o melhor de mim em cada dia de trabalho. Tenho a consciência tranquila em relação ao que fiz. A resposta é sim. Sim, vou continuar com a mesma vontade, com a mesma determinação. Continuo empenhado em fazer do Benfica aquilo que os sócios e adeptos esperam. É evidente que a emoção conta sempre em momentos como este, mas se forem fazer uma análise seria do trabalho que foi desenvolvido três anos acho que mereço pelo menos o benefício de provar que continuo a ser útil ao Benfica.

IDA PARA O FC PORTO VISTA COMO DISPARATE
-Teve, ou alguém teve por si, algum contacto com o FC Porto ou com outro clube, visando a próxima época?
-Estou farto dessa insinuação que é repetidamente feita com a única intenção desgaste. Estou no Benfica de corpo e alma e não estou interessado em qualquer outro projecto. Quando se chega ao maior clube português alguém pode querer andar para trás? Isso é um completo disparate. Já agora, também lhe devo dizer que estou farto de ouvir e ler que a questão de eu continuar ou não se deve simplesmente ao dinheiro. Totalmente falso. Não é pelo dinheiro que estou no Benfica. Se fosse por uma questão financeira teria saído do Benfica em Janeiro para o estrangeiro e o presidente sabe disso porque acompanhou a abordagem que me foi feita por um clube de outro país. Quero continuar no Benfica porque me sinto útil e porque as pessoas acreditam no meu trabalho.
- E como viu as palavras do professor Manuel Sérgio?
- Se quer que lhe diga, com muita surpresa. Tenho  toda a estima pessoal por ele, mas o que ele disse é um disparate e tenho pena porque tinha obrigação de me conhecer melhor e ao Benfica também. É uma boa pessoa que teve um momento infeliz e que, tal como garantiu ao Benfica, também me garantiu que não tinha dito nada daquilo. É apenas um episódio triste e absurdo, nada mais do que isso.
- Portanto, a questão FC Porto é um assunto encerrado?
- Esse é que é o problema, é que nunca foi assunto. A única coisa que quero do FC Porto é ganhar-lhes. Repito: quem alcança o topo não pode ambicionar a descer. Alguém dizia aqui há alguns meses que treinar determinado clube era a sua ‘cadeira de sonho’. Eu não estou na minha cadeira de sonho, estou na cadeira que qualquer treinador do Mundo ambicionava ter. Acha possível eu querer trocar de cadeira? O que eu quero é continuar nesta cadeira por muitos anos…
- Como tem acompanhado estes nomes que têm surgido na imprensa e aparentemente apontados ao seu lugar?
- Com a mesma naturalidade que vejo todos os dias seis ou mais jogadores serem apontados ao Benfica. É o preço de estar num clube como o Benfica, temos de estar habituados. Mas já agora também é bom dizer o seguinte: há muitos colegas seus que não fazem bem o seu trabalho. Ainda hoje (ontem) li alguns jornais que a equipa sentiu em Vila do Conde a falta do presidente e do Rui Costa. Isto é um atentado à seriedade. O Rui estava de luto, o presidente a trabalhar num processo que está pendente. Falar dos jogadores para justificar esta notícia não é sério. Portanto, voltando ao início, seguramente ainda vão aparecer mais nomes.
- Que sinais tem recebido do presidente, especialmente a partir do momento em que a vantagem no Campeonato se esfumou?
- O presidente é das pessoas que mais sofrem com tudo aquilo que tem acontecido nas últimas semanas e era a primeira pessoa a merecer ganhar este título. Já estamos a trabalhar na próxima época, a ver onde é que podíamos ter feito melhor, em que sectores é que temos de melhorar, é isso que temos vindo a fazer há algum tempo. Não é uma pessoa de baixar os braços...
- Disse, há umas semanas, que faria tudo igual e que manteria as mesmas opções que tomou, mas acaba de dizer que estão a analisar onde é que poderiam ter melhorado, portanto há coisas que faria de forma diferente?
- Quando respondi a essa questão, referia-me a opções técnicas e é evidente que na sua grande maioria as manteria. Se errei? É normal, só não erra quem não tem responsabilidades e já agora é muito fácil jogar ao Euromilhões ao sábado. Mas é evidente que mudaria algumas coisas nomeadamente algumas apostas que fiz em termos de Champions.
- Ou seja, o plantel do Benfica não era suficientemente forte para aguentar duas frentes de batalha? Teria colocado menos ovos no cesto da Champions, salvaguardando a Liga?
- Teria efectivamente colocado, usando a sua expressão, menos ovos na Champions, mas não por não termos um plantel suficientemente forte, mas porque a nossa vantagem na Liga não era suficientemente confortável para fazer o que fizemos.
- Apostou de mais na Champions?
- Quando se joga a esse nível é evidente que temos de aspirar a chegar o mais longe que pudermos, até porque a questão financeira é fundamental para o clube e tudo isso pesa. A partir do momento em que ultrapassamos a fase de grupos, quando se colocou em causa a calendarização dos jogos, hoje possivelmente assumiria opções diferentes, mas lá está, há sempre o reverso da medalha: há jogadores que se valorizaram como não teriam valorizado se não chegássemos onde chegámos, houve muito dinheiro a entrar no clube e tudo isso pesa nas opções que assumimos no momento. E já agora, não é para nos desculparmos, até porque seguramente errei em alguns momentos, mas houve a partir de determinado momento um vento contra que soprou muito forte.
- Está a referir-se às arbitragens?
- Efetivamente estou, mas não me peça para dizer o que penso de algumas porque senão não começo a próxima época no banco.
- Houve algumas arbitragens polémicas, nomeadamente com V. Guimarães, Académica, FC Porto e Rio Ave. Que influência teve esta circunstância no rendimento da equipa e como a explica?
- Se fizer as contas e a relação aos pontos perdidos nesses jogos, com os erros cometidos, faz toda a diferença. São erros que valem o campeonato. Mas por que razão os critérios para a marcação de penalties são uns para o Benfica e outros para outro clube? Há alguma razão? Porque é que uma mão na nossa área é sempre motivo para a marcação de um penalty e na área adversária nunca é? Porque se transforma um penalty em falta atacante na área adversária e noutras sucede-se o contrário? Levo três anos no Benfica e uma das coisas que mais sinto é que para ganharmos um campeonato aqui temos de jogar não apenas contra a equipa adversária, temos de fazer sempre muito mais, porque fazer o suficiente não chega.
- Portanto, do seu ponto de vista, sem casos destes jogos o Benfica teria sido campeão?
- Sem os casos desses jogos e de outros, não tenho dúvidas de que o Benfica teria sido campeão, mas não quero dizer mais nada, caso contrário, como já disse, posso não começar a próxima época no banco! Mas digo-lhe mais isto, os erros de arbitragem afectam desde logo a motivação dos jogadores nos jogos seguintes e, em consequência, o rendimento daqueles. A revolta e indignação na maioria dos casos retira tranquilidade e provoca um desgaste anímico muito grande. E em alta competição então nem se fala...
- O último treinador do Benfica a começar uma quarta época foi Jimmy Hagan em 1973/74 e era tricampeão; não teme que a forma como perdeu este campeonato lhe reduza bastante a margem de manobra junto dos adeptos, no início da temporada, deixando-o vulnerável aos resultados iniciais?
- Sinceramente não. Acho que temos uma equipa muito madura, muito boa do ponto de vista do talento, da entrega, até do ponto de vista humano. É um grupo muito unido e que dá garantias em relação ao futuro. É evidente que o facto de não ganhar o campeonato deixa sempre marcas e temos de estar preparados para elas, mas os tempos de hoje e os tempos de Jimmy Hagan são completamente diferentes, e a nossa missão é exactamente voltar a fazer com que o Benfica volte a viver no presente os tempos de Jimmy Hagan.
- Como explica ter o Benfica perdido uma vantagem de cinco pontos sobre o FC Porto, baixando bastante de produção no derradeiro terço da temporada?
- Já apontámos atrás para algumas explicações. É evidente que empatar na Luz com o FC Porto deixava-nos na frente com igualdade pontual, perder com um golo em fora-de-jogo deixou-nos atrás. Empatar em Coimbra com dois penalties que ficaram por assinalar retirou-nos dois pontos e assim por diante... E como disse, a dado passo há um desgaste e um cansaço psicológico que é difícil contrariar. Quando os jogadores interiorizam que estão a ser prejudicados e que não conseguem sair daquela situação, como é que isso se resolve? Também é verdade que em alguns jogos falhámos demasiadas oportunidades de golo e isso tem o seu custo, mas voltando ainda um pouco atrás como é que se explica a um jogador que vai ficar de fora dois jogos por uma entrada dura mas leal, enquanto os restantes jogadores que foram expulsos durante a época apanharam apenas um jogo, que um jogador que agrediu outro a soco levou apenas um jogo. Tudo isto pesa, não tenho dúvidas.
- Portanto, a todos os jogos anteriores ainda acrescenta o jogo de Olhão?
- Acrescento apenas pela questão do Pablo que não lembra a ninguém, um perfeito disparate. Mas também é verdade que em Olhão falhámos, foi um dos jogos em que claramente não estivemos ao nosso nível. Nos outros fizeram-nos falhar.
- A forma exuberante como o Benfica procura jogar, sempre de prego a fundo e como se não houver amanhã, não é incompatível com uma época que tem a exigência de cerca de 50 jogos oficiais? O modelo de jogo não deve ser repensado?
- Não penso que seja por aí. As grandes equipas europeias têm as mesmas exigências que nós e, se queremos estar a esse nível, e queremos, temos de jogar sempre com essa entrega e essa intensidade. Ao longo da época fomos a equipa que melhor praticou em Portugal, muitos jornalistas europeus elogiaram a forma de jogar do Benfica, foi essa intensidade e essa qualidade que fez os sócios voltar ao estádio.
- E no entanto, o Benfica não foi campeão?
- Sabe, podemos trabalhar bem, podemos fazer as melhores opções, mas há coisas que não se controlam, pelo menos no Benfica, o que é um bom sinal. Sinal da seriedade do clube.
- Considera que o plantel do Benfica é equilibrado? A estrutura que apoia a equipa sénior é sólida?
- A equipa é equilibrada, mas é evidente que há margem para crescer e melhorar. Quando termina uma época há sempre espaço para algumas mudanças. Há que reflectir onde é que se falhou, onde é que se pode melhorar quer no plantel, quer na estrutura, e isso também vai acontecer no Benfica. Seguramente que haverá áreas em que chegaremos à conclusão de que poderíamos ter feito de forma diferente ou que faltou alguma coisa, mas esse é o trabalho que iremos fazer mal o campeonato termine. Mas há uma coisa de que não me posso queixar que é o grau de profissionalismo de toda a estrutura que me rodeia, o António Carraça veio acrescentar valor ao grupo e isso é importante de destacar.
- Em 2012/13, com a previsível entrada directa na Champions, vai poder preparar a época com mais calma. Em termos de plantel prevê muitas mexidas, sente da parte dos responsáveis vontade de reforçar a equipa ou, ao invés, os sinais que lhe chegam apontam para a necessidade de vender os melhores jogadores?
- Já falámos sobre isso e é evidente que a situação económica que vivemos actualmente vai condicionar de alguma forma a preparação da próxima época, mas vai condicionar todos os clubes, não apenas o Benfica, portanto, é normal que havendo boas propostas alguns jogadores venham a sair e, nessa medida, outros irão entrar. Se olharmos para o Chelsea e para o Real Madrid, estão lá quatro jogadores que passaram pelo Benfica nos últimos dois anos e é assim que vamos ter de continuar: comprar bem, formar bem e vender melhor! Não há outro caminho. Quando cheguei ao Benfica, em 2009, o clube era a 23.ª melhor equipa da Europa, hoje somos a 9.ª melhor equipa, este é o melhor sinal daquilo que conseguimos crescer em três anos. Continuamos a vender para as equipas mais fortes do ponto de vista económico, e, ao mesmo tempo, continuamos a competir com elas, pelo menos chegamos onde algumas delas chegam. Nós formamos, eles compram feito e mesmo assim continuarmos a ser competitivos, isto também deve ser valorizado.
- Acusam-no de ser um treinador intenso, que desgasta muito rapidamente a relação com os jogadores. É justa esta crítica?
- Sou efectivamente um treinador exigente, mas todos eles sabem que trabalho de forma séria e que sou o primeiro a defendê-los. Que quando grito ou chamo a atenção é para o bem da equipa, mas admito que é um ponto em que posso melhorar. A verdade é que hoje sou mais paciente e mais tolerante do que era quando aqui cheguei. Os jogadores já sabem quando não fazem aquilo que eu espero deles. Já há cumplicidade, mas admito que sou exigente.
- Em três anos venceu um campeonato, três Taças da Liga, qualificou o Benfica três vezes para a Champions, foi a uma meia-final da Liga Europa e aos quartos-de-final da Liga Europa e da Champions. Estes resultados satisfazem-no ou sabem-lhe a pouco?
- Sinceramente, quando olho para trás sabem-me a pouco. Esta lista poderia ter no mínimo mais dois ou três troféus. Mas não vou ficar agarrado a olhar para trás, o que vou fazer é trabalhar para que no próximo ano alguns desses troféus que nos têm escapado possam estar nesta lista. Quando cheguei a minha ambição era ganhar dois campeonatos nos primeiros três anos. Não consegui, mas posso garantir-lhe que vou sair do Benfica com o Benfica por cima e que esse titulo terá de ser ganho no próximo ano. Há uma coisa que devo dizer, devo muito ao Benfica, o Benfica valorizou-me enquanto treinador. Sei que hoje, enquanto treinador, tenho o reconhecimento que não teria se aqui não estivesse, e é por isso que me dedico de corpo e alma, para poder retribuir tudo o que me deu.
- Na próxima época haverá o FC Porto do costume (este ano, sem deslumbrar, sagrou-se campeão), um Sporting mais forte e um SC Braga que se habituou aos lugares cimeiros. E que Benfica se deve esperar?
- Um Benfica que quer ser campeão, ganhar a Taça de Portugal e a Taça da Liga e chegar o mais longe que for possível na Champions.
- Que mensagem quer deixar aos adeptos? O que podem eles esperar de si na próxima época?
- Pedir-lhes que continuem a apoiar-nos. Sei a desilusão que estão a viver, mas também quero que saibam que essa desilusão não é maior que a minha, a dos jogadores, a do presidente. Fizemos um caminho difícil, por isso é fundamental estarmos unidos, porque só assim vamos conseguir alcançar os nossos objectivos.

CHAMPIONS E DEPOIS CARDOZO
Treinador fala ainda de Matic, Saviola, Emerson, Capdevila, Nélson Oliveira e Rodrigo
- O que quis com a troca, em Vila do Conde, de Matic por Saviola? Foi apenas uma substituição que correu mal?
-Quando faço a substituição estávamos a ganhar 2-1 e o Matic tinha um amarelo, a ideia era fazer o terceiro golo para depois voltar a mexer. A verdade é que sofremos o empate, mas o Saviola criou várias oportunidades de golo, entrou bem no jogo e acabou por sofrer um penalty, mais um não assinalado. Joguei para marcar o terceiro, porque essa deve ser a imagem do Benfica, jogar sempre para marcar, para ganhar. É isso que os adeptos exigem e foi isso que quis com essa substituição.
- Arrependeu-se da ousadia o FC Porto na Luz quando estava a ganhar por 2-1 e não resguardou o meio-campo?
- Já viu a contradição? Em cima acusam-me de ser um treinador demasiado ofensivo, aqui perguntam-me se não devia ter sido mais defensivo. Repito o que lhe disse atrás, é fácil fazer o Euromilhões ao sábado. A verdade é que podíamos ter feito o terceiro golo, mas acabámos, mais uma vez, a jogar com dez jogadores, e sofremos um golo em claro fora-de-jogo. Portanto, o futebol é isto. Se tivéssemos feito o terceiro golo ou se o fora-de-jogo tivesse sido assinalado, talvez hoje não se colocasse esta pergunta.
- Não se arrepende de ter apostado tanto em Emerson e tão pouco em Capdevila?
- Por uma questão de respeito para com os jogadores não vou justificar em público essas opções. São dois bons jogadores, excelentes profissionais e apenas posso assumir a responsabilidade pelas opções que tomei. Sempre o fiz na minha vida e assim continuarei. Acho que um treinador, qualquer que ele seja, não deve ser julgado pelas opções A ou B que toma, mas sim pelo seu trabalho, por tudo o que faz durante a semana. Os jogadores que se equipam no fim de semana são a parte mais visível do nosso trabalho é certo, mas é apenas uma parte daquilo que fazemos.
- Não foi um erro emprestar Rúben Amorim ao SC Braga?
- O Rúben foi uma questão disciplinar. Não se tratou de uma opção técnica, é bom que isso fique bem claro, mas é evidente que quando num determinado grupo se toleram alguns comportamentos isso prejudica toda a organização. E o comportamento que o Rúben assumiu teve consequências, só isso.
- Nélson Oliveira e Rodrigo podem ser titulares num futuro próximo?
- Têm características diferentes, mas são já hoje jogadores em quem podemos confiar. Vão ser seguramente titulares do Benfica no futuro e o Nélson, seguramente, vai mostrar todas as suas qualidades na nossa Selecção.
- Ajudar Óscar Cardozo a ganhar a Bola de Prata das parte da agenda da equipa nos dois jogos que faltam disputar?
- Primeiro estão os objectivos da equipa. Como tal, devemos concentrar-nos em ganhar o próximo jogo que nos dará matematicamente acesso directo à Liga dos Campeões. Depois, logo se vê. Agora, tenho a certeza de que o Cardozo tudo fará para ajudar a equipa e esta tudo fará para o ajudar a consagrar-se como o melhor marcador da Liga, prémio que bem merece. Muitas vezes é um jogador incompreendido, mas a verdade é que é um absurdo que algumas pessoas continuem sem reconhecer todo o potencial de um jogador que marcou 127 golos desde que chegou ao Benfica."

Jorge Jesus, entrevistado por Nuno Paralvas, in A Bola

«Ainda que muitos pretendam esquecer»

"Entre os benfiquistas o tema da continuidade de Jesus não é consensual. Já entre os adversários, há consensualidade: Jesus tem de se ir embora. E é isto que dá que pensar

(...)

INTERESSANTE e educativa semana foi esta com Vieira ausente e com Jorge Jesus lançado às feras e em comedido silêncio, apesar de ver notícias sobre o seu futuro em todas as primeiras páginas dos jornais.
Há, sem dúvida, muitos benfiquistas para quem a saída de Jorge Jesus e uns retoques no plantel significam a garantia automática de dias felizes gloriosamente a caminho.
Não são, no entanto, a maioria porque ainda há muitos mais benfiquistas que podem não perdoar ao seu treinador as apostas em Roberto e em Emerson mais a incapacidade genética da equipa para fazer contenção de bola quando é preciso, mas que reconhecem sem esforço o facto de Jorge Jesus ter posto em três anos um Benfica a jogar para a frente como não se via há muito (muitos) anos na Luz.
E ainda há os que se lembram destas coisas todas apontadas, as más e as boas, mas que também sabem fazer contas. E, por isso, concluem que em três anos de Jorge Jesus o Benfica ganhou 4 competições oficiais - recorde-se que, ainda bem recentemente, o Benfica passou uma década inteirinha sem ganhar um titulozinho sequer - e ainda conseguiu fazer uns brilharetes europeus como também há muito não se via, «ainda que muitos pretendam esquecer»...
Ou seja: entre os benfiquistas o tema Jesus não é consensual como jamais poderia ser no presente rescaldo de um campeonato perdido à antiga portuguesa. E com todos os matadores.
Já entre os adversários do Benfica, há grande consensualidade: Jesus tem de se ir embora rapidamente.
E é isto que dá que pensar.

PS - Sábado, em Vila do Conde, Olegário Benquerença, déjà vu, sempre! Olegário déjà vu Benquerença. Porque déjà vu é o seu nome do meio."

Leonor Pinhão, in A Bola

Quem vê TV sofre mais que no WC

" «Noventa por cento de quem nos critica, se algum dia lhes pusessem um apito na boca borravam-se todos, a começar por um senhor que eu não digo o nome, mas tem o cabelo encaracolado.»
Olegário Benquerença, Setembro de 2010, após críticas do Benfica a seguir a jogo em Guimarães

PRIMEIRA  jornada do campeonato 2011/12: em Guimarães, o FC Porto sente dificuldades; em cima do intervalo, Sapunaru é puxado na área - lance não é muito fácil de ver, mas penalty bem assinalado por Olegário Benquerença. Hulk marca e o FC Porto vence por 1-0.
28.ª jornada: Benquerença apita o Rio Ave-Benfica. Marca um penalty a favor do Benfica, mas não vê mais dois evidentes: empurrões a Cardozo e Saviola.
Há erros que se percebem, lances que a televisão esclarece com facilidade mas que no campo são difíceis de ver. E por isso acho fundamental pôr já a televisão ao serviço do futebol. Sim, ao serviço do futebol. Quem acha que a TV como auxiliar nas decisões dos árbitros prejudicaria a modalidade está a ver o filme ao contrário - como as coisas estão é que não podem continuar, com os erros de arbitragem e entrarem noite sim noite sim nas casas dos adeptos...
Mas não é necessária televisão para ver que Sony caiu em cima de Saviola na área do Rio Ave. Tenho de admitir que, vendo a repetição, Olegário Benquerença continuasse a achar que não era penalty, porque não aceito que não tenha visto bem da primeira vez. E se assim for tem de ser despedido. E se se fizesse isso não sobrariam árbitros.
Ou não... Afinal estamos a falar de Olegário, que na época passada, reconheceu Vítor Pereira, prejudicou o Benfica... em Guimarães, onde na primeira jornada desta Liga não hesitou. E que depois, perante as críticas, teve a tirada brilhante que transcrevi em cima. E que depois disto tudo continua a ser nomeado para jogos do Benfica. A coberto do facto de agora essas nomeações não serem divulgadas.
Assim vai o futebol português."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

As Lanças Apontadas


Ontem só consegui ver os minutos finais do programa As Lanças Apontadas da Benfica TV, mas hoje ao rever a gravação, sou compelido a dar os Parabéns aos intervenientes, tal como fiz na Segunda-feira ao Relatório e Contras. O Ricardo Palacin, o Pedro F. Ferreira, e o Manuel dos Santos tiveram muito bem, usaram do seu direito de liberdade de expressão, criticaram, elogiaram, livremente... Para quem acusa a Benfica TV de seguidismo, não deve ver concerteza estes programas. Sem nunca renegarem o seu Benfiquismo, conseguem ter intervenções públicas mais equilibradas do que os supostos comentadores isentos, nos órgãos de comunicação social generalistas!!!
O Benfica precisa neste momento, de lucidez e serenidade... é fundamental para o futuro próximo do Benfica.

PS: Acho que ainda não 'falhei' um dos programas do Lanças Apontadas, sinal de que gosto do que se diz... mas tenho uma critica a fazer: não concordo com a discussão neste programa de questões ligadas à Politica e Economia do País. Não sou fundamentalista, acho que na Benfica TV existe espaço para temas extra-desportivos, mas não se devem misturar no mesmo local... Um programa especifico, bem 'assinalado', com os diferentes pontos de vista defendidos, pode ter sucesso... até porque nos canais generalistas, existe uma clara partido-dependência em todas as discussões, sendo assim existe um 'nicho' não explorado de perspectivas 'diferentes'!!!

Apanhados

"Vejo, na TV, um homem nervoso que, ao mesmo tempo que maltrata os jornalistas que polidamente o questionam, repete que o sucedido é “um caso de polícia”. Infelizmente, já nos vamos habituando a estes desabafos em todos os quadrantes da vida nacional – todos os dias somos enganados pelo “conto do vigário” da austeridade que não pára em todas as portas, somos roubados nos direitos, somos burlados nas nossas expectativas. Será o caso deste cidadão? Não, não é. Porque ele se chama João Bartolomeu, há alguns anos que dirige os destinos da União de Leiria e a sua indignação nasce daquilo que parece ser uma série de rescisões nos contratos de trabalho de jogadores profissionais.
Bartolomeu, à boa maneira daquele jogo infantil “passa a outro e não ao mesmo”, dispara em todas as direções – o Sindicato dos Jogadores, as forças das trevas que querem destruir a Liga e os pequenos e médios clubes, por aí fora.
Esquece-se este exemplo do pior dirigismo desportivo, corresponsável pelo divórcio litigioso entre uma cidade e um clube, que na base de tudo estão meses de ordenados em atraso, devidos a profissionais que não podem estar sujeitos a ouvir aquilo que alegadamente lhes foi dito pelo homem que os contratou ou caucionou a respetiva contratação – que só recebem se evitarem a despromoção. Bartolomeu, sempre ponderado e nada populista, vai mais longe, noutra ocasião, ao apontar o dedo acusador ao jogador Keita, que teria fugido com uma mala onde estariam 6 mil euros. No capítulo seguinte, já não foi nada disso – houve um equívoco e Keita não será, afinal, um ladrão mas um homem de bem, como o prova a sua disponibilidade para regressar ao seio do clube e da entidade patronal. Pelo meio, há processos que merecem ser postos em causa, tais como as generosas ofertas de um presidente de outro clube e do dirigente máximo da Liga, disponíveis para avalizar uma parte do pagamento devido aos jogadores leirienses. Fiúsa e Figueiredo, ambos “a título pessoal”. Mas o que significa isso se eles são as mesmas pessoas que detêm responsabilidades públicas no futebol? Bartolomeu fala num 25 de Abril dos clubes pequenos. E é nesse momento que coro, engulo em seco, mastigo um palavrão e desligo a televisão. Vergonha!
Quando ligo de novo a TV ouço um treinador de futebol dizer ao canal do seu clube que não se atreve a passar pelo meio dos adeptos porque uns gostam dele, mas outros… Tem medo, visível, da multidão. Faço contas para concluir que foi o técnico que perdeu o campeonato e receia o ajuste de contas? Não, afinal foi o “mister” que viu os seus ganharem, apesar da sua presença. Chama-se Vítor Pereira e, sabemos agora, sofre de agorafobia. Não vai ficar na História."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Contrastes...

"1. De um lado, os orçamentos e folha salarial dos poderosos Real Madrid e Barcelona. De outra, a Espanha com uma taxa de desemprego de 24,5%.
2. De um lado, o alargamento das Ligas. De outro, a vergonha de salários atrasados e falências adiadas.
3. De um lado, mais um clube à beira do fim. De outro, mais mais um estádio do Euro às malvas.
4. De um lado, modalidades que resistem à ditadura do futebol. De outro, clubes históricos dessas modalidades que desistem sem meios e finda a subsidio-dependência.
5. De um lado, a ilusão de um ranking que coloca as equipas portuguesas numa posição privilegiada na Europa. De outro, uma bolha explosiva de penúria nos clubes portugueses.
6. De um lado, a ignominiosa jaula em que os sportinguistas viram o jogo na Luz. De outro, a abençoada grelha metálica que separou os sportingusitas na catedral de San Mamés.
7. De um lado, um Athletic Bilbao que insiste em só ter jogadores bascos ou de ascendência basca. De outro, um Benfica que persiste em jogar sem portugueses.
8. De um lado, centenas de adeptos que aplaudem a sua equipa na derrota, como aconteceu com o Sporting na Liga Europa. De outro, meia-dúzia que assobiam os jogadores na vitória do Benfica na final da Taça da Liga.
9. De um lado, quem fala antes do tempo ou fora dele, em ode proclamatória de sucessos garantidos. De outro, o desaparecimento, em tempos difíceis dos desaires e desilusões, de quem assim fala.
10. De um lado, a relativização de passivos. De outro, a majoração de trocas e baldrocas com proveitos repartidos.
11. De um lado, o futebol. De outro, a crise. E a vida."

Bagão Félix, in A Bola

Liga da mentira

"Confesso surpresa com tanta surpresa que por aí anda. Este é o campeonato da mentira, leio; e tento perceber em que me mentem.
A mentira é o facto de o União Leiria ter jogado com 8 futebolistas uma partida decisiva? Ou haver uma guerra entre os que querem que o moribundo clube desista e os que querem que vá até ao fim?
A mentira é que com tantos penalties por marcar, na primeira e segunda divisão, muitos lugares decisivos teriam outros ocupantes? Ou ainda que todos os anos conseguem inscrever-se na competição clubes que deviam ter há muito declarado falência, pois se podem aspirar a algum título é o de campeão de fintar regulamentos? Não podem inscrever-se com dívidas? Negoceiam-se, pagam qualquer coisita aos credores, e lá estão, inscritos.
O povo - que se julga dono do futebol - reclama: como pode a Liga aceitar tudo isto? Verdade cruel: na Liga manda quem vota. E quem vota faz duas coisas - não paga salários e aprova regulamentos que permitem que quem não pague salários possa fingir que os tem em dia para continuar a jogar. Esta é a Liga da mentira. Como pode o campeonato ser da verdade?
(...)"

Nuno Perestrelo, in A Bola

Derrota no último segundo...


Sporting 33 - 32 Benfica

Normalmente não sofremos tantos golos (mesmo quando jogamos mal), a ausência do Rui Silva pode ter sido importante... mesmo assim, ainda estamos em 2º lugar, faltam 3 jogos, 2 em casa, e 1 na Madeira, neste final de época longe dos títulos, temos que garantir pelo menos o 2º posto...!!!

50 anos...

Comemora-se hoje os 50 anos do Bi-Campeonato Europeu do Benfica. Viva ao Benfica... E um grande obrigado a todos os que ajudaram a conquistar mais esta brilhante página na nossa história...

Um grande senhor...

...que na sua segunda passagem pelo Benfica, também já não servia para o Clube!!! O pior foi o que veio a seguir...!!!

Adiado...


Sp. Espinho 3 - 1 Benfica
19-25, 25-22, 25-23, 26-24

No próximo Sábado no Pavilhão da Luz, temos tudo para comemorar o título... hoje, jogámos abaixo das nossas potencialidades, com alguns erros na recepção e na distribuição... A isto temos que juntar o habitual 'caseirismo' dos apitadores que no final do 3º Set decidiu considerar ponto nulo, numa jogada que o Benfica 'pontuou', aliás já no 1º jogo tinha acontecido a mesma coisa!!! (recentemente com o Fonte Bastardo, até atribuíram directamente ao nosso adversário um ponto, que inicialmente era nosso!!!), a juntar a esta decisão critica, tivemos o habitual festival de 'toques na rede' sempre para o mesmo lado!!!
Para os Benfiquistas que não estão habituados a acompanhar o Volei do Benfica na Sporttv admito que devem ter ficado surpreendidos, mas para os mais calejados nestas andanças, o comportamento da 'menina' comentadora e do parceiro já não surpreende ninguém: simplesmente vergonhoso, nem os comentários da Benfica TV são tão facciosos (e até podiam ser, já que é a TV do Clube)...
É preciso um Pavilhão cheio no Sábado, para ajudar o Benfica a chegar ao mais do que merecido triunfo... O comportamento animalesco do treinador e alguns jogadores do Espinho no final do jogo de hoje, deve ter a resposta devida dentro da quadra: com pontos!!!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Lixívia Extra-Forte XXVIII

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......63 ( -15)...78
Corruptos.....69 (+5)...64
Sporting.......52 (+2)...54
Braga..........59 (+10)...49

Já tudo foi dito, pouco tenho a acrescentar... em Vila do Conde o 'regressado' Olarápio viu e não quis marcar dois penalty's a favor do Benfica, além de disciplinarmente ter perdoado vários cartões aos Vilacondenses, principalmente no início do jogo...
Na Madeira um critério torto tranquilizou os Corruptos, os 2 penalty's marcados a favor dos Corruptos existem, mas ficou um por marcar a favor do Marítimo que daria o 1-1 na altura...
Em Alvalade foram marcados vários foras-de-jogo erradamente ao Sporting, quase no fim so jogo a bola bateu no braço do Polga dentro da área, mas não foi intencional...
Em Braga várias foram as decisões difíceis, mas todas bem ajuizadas... tenho que relevar que o Braga nas últimas duas jornadas teve duas expulsões, as únicas durante toda a época!!! Numa altura onde parece que os apitadeiros parecem querer dar uma ajudinha às finanças Lagartas, com uma possível entrada na Champions!!!

Deixo aqui para memória futura, alguns lances que descrevem bem a fraude competitiva do Futebol em Portugal. Se até o Rui Santolas admitiu que isto é uma farsa, então é porque o caso é mesmo muito grave (eu sei que o Pedro Guerra não é dos Benfiquistas mais 'amados' mas neste caso também merece o tempo de antena)...!!!





Anexos:

Benfica
1ª-Gil Vicente(f) E(2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) V(3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) V(0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4º-Guimarães(c) V(2-1), Duarte Gomes, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Académica(c) E(4-1), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
6ª-Corruptos(f) V(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Paços de Ferreira(c) V(4-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Beira-Mar(f) V(0-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Olhanense(c) V(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
10ª-Braga(f) E(1-1), Proença, Prejudicados, (0-2), -2 pontos
11ª-Sporting(c) V(1-0), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Marítimo(f) V(0-1), Sousa, Nada a assinalar
13ª-Rio Ave(c) V(5-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
14ª-Leiria(f) V(0-4), Cosme, Nada a assinalar
15ª-Setúbal(c) V(4-1), Malheiro, Prejudicados, Sem influência no resultado
16ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
17ª-Feirense(f) V(1-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
18ª-Nacional(c) V(4-1), Jorge Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
19ª-Guimarães(f) D(1-0), Xistra, Prejudicados, (0-0), -1 ponto
20ª-Académica(f) E(0-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), -2 pontos
21ª-Corruptos(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, (2-0), -3 pontos
22ª-Paços de Ferreira(f) V(1-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
23ª-Beira-Mar(c) V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
24ª-Olhanese(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-2), -2 pontos
25ª-Braga(c) V(2-1), João Ferreira, Nada a assinalar
26ª-Sporting(f) D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (1-3), -3 pontos
27ª-Marítimo(c) V(4-1), Bruno Paixão, Prejudicados, Sem influência no resultado
28ª-Rio Ave(f) E(2-2), Olegário, Prejudicados, (2-4), -2 pontos
Corruptos
1º-Guimarães(f) V(0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Leiria(f) V(1-4), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Setúbal(c) V(3-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Feirense(f) E(0-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
6ª-Benfica(c) E(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Académica(f) V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
8ª-Nacional(c) V(5-0), Cosme Machado, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
9ª-Paços de Ferreira(c) V(3-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
10ª-Olhanense(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-1), -2 pontos
11ª-Braga(c) V(3-2), Soares Dias, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
13ª-Marítimo(c) V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
14ª-Sporting(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Rio Ave(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
16ª-Guimarães(c), V(3-1), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
17ª-Gil Vicente(f), D(3-1), Bruno Paixão, Prejudicados, Impossível contabilizar
18ª-Leiria(c), V(4-0), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
19ª-Setúbal(f) V(1-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Feirense(c) V(2-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
21ª-Benfica(f) V(2-3), Proença, Benefeciados, (2-0), +3 pontos
22ª-Académica(c) E(1-1), Marco Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
23ª-Nacional(f) V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
24ª-Paços de Ferreira(f) E(1-1), Pacheco, Beneficiados, (2-1), +1 ponto
25ª-Olhanense(c) V(2-0), Manuel Mota, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
26ª-Braga(f) V(0-1), Olegário, Beneficiados, Impossível contabilizar
27ª-Beira-Mar(c) V(3-0), Bruno Esteves, Beneficiados, Impossível contabilizar
28ª-Marítimo(f) V(0-2), Paulo Baptista, Beneficiados, Impossível contabilizar
Sporting
1ª-Olhanense(c) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) E(0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
4ª-Paços Ferreira(f) V(2-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
5ª-Rio Ave(f) V(2-3), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6ª-Setúbal(c) V(3-0), Cosme Machado, Nada a assinalar
7ª-Guimarães(f) V(0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(6-1), João Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado
9ª-Feirense(f) V(0-2, Gralha, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10ª-Leiria(c) V(3-1), Manuel Mota, Beneficiados, Impossível contabilizar
11ª-Benfica(f) D(1-0), Capela, Beneficiados, Sem influência do resultado
12ª-Nacional(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
13ª-Académica(f) E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
14ª-Corruptos(c) E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Braga(f) D(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Olhanense(f) E(0-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
17ª-Beira-Mar(c) V(2-0), Duarte Gomes, Nada a assinalar
18ª-Marítimo(f) D(0-2), Cosme, Nada a assinalar
19ª-Paços de Ferreira(c) V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Rio Ave(c) V(1-0), Paulo Baptista, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
21ª-Setúbal(f) D(1-0), Gralha, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), -1 ponto
22ª-Guimarães(c) V(5-0), Soares Dias, Nada a assinalar
23ª-Gil Vicente(f) D(2-0), Bruno Paixão, Prejudicados, Impossível contabilizar
24ª-Feirense(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
25ª-Leiria(f) V(0-1), Proença, Beneficiados, Impossível contabilizar
26ª-Benfica(c) V(1-), Soares Dias, Beneficiados, (1-3), +3 pontos
27ª-Nacional(f) V(2-3), Xistra, Nada a assinalar
28ª-Académica(c) V(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado
Braga
1ª-Rio Ave(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) V(2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos
4ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Costa, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f) E(1-1), Pedro Proença, Nada a assinalar
6ª-Nacional(c) V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
7ª-Leiria(f) D(1-o), Marco Ferreira, Nada a assinalar
8ª-Feirense(c) V(3-0), João Ferreira, Nada a assinalar
9ª-Académica(f) E(0-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
10ª-Benfica(c) E(1-1), Proença, Beneficiados, (0-2), +1 ponto
11ª-Corruptos(f) D(3-2), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
12ª-Paços de Ferreira(c) V(5-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
13ª-Olhanense(f) V(3-4), João Ferreira, Nada a assinalar
14ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15ª-Sporting(c) V(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Rio Ave(c) V(2-1), Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
17ª-Marítimo(f) V(1-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
18ª-Setúbal(c) V(3-0), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
19ª-Gil Vicente(f) V(0-3), Hugo Miguel, Nada a assinalar
20ª-Guimarães(c) V(4-0), Capela, Nada a assinalar
21ª-Nacional(f) V(1-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
22ª-Leiria(c) V(2-1), Xistra, Beneficiados, (2-3), +3 pontos
23ª-Feirense(f) V(1-4), Duarte Gomes, Nada a assinalar
24ª-Académica(c) V(2-1), Gralha, Beneficiados, (1-2), +3 pontos 
25ª-Benfica(f) D(2-1), João Ferreira, Nada a assinalar
26ª-Corruptos(c) D(0-1), Olegário, Prejudicados, Impossível contabilizar
27ª-Paços de Ferreira(f), E(1-1), Duarte Gomes, Nada a assinalar
28ª-Olhanense(c), D(1-2), Hugo Pacheco, Nada a assinalar

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Relatório & Contras

Esta noite na Benfica TV, fez-se uma analise muito lúcida do jogo em Vila do Conde e de toda a época 2011/2012... Ricardo Soares, João Queiroz, António Pires Vicente e Afonso de Melo... durante muitas jornadas neste espaço, principalmente por iniciativa do Afonso, criticou-se opções do treinador e da Direcção, criticou-se por vezes a atitude dos jogadores e da equipa, mas esta noite apontou-se a mira para a verdadeira Causa da farsa competitiva nacional... Aconselho a todos...

O chão que pisamos

"Um Campeonato Nacional, três apuramentos para a Liga dos Campeões, uma meia-final e dois quartos de final europeus, três Taças da Liga, 120 milhões de euros em vendas de jogadores, um título de Juvenis e um título de Iniciados, em Futebol; uma UEFA Cup, uma Taça de Portugal e duas Supertaças de Futsal, uma Taça CERS, uma Taça Continental, uma Taça de Portugal e uma Supertaça em Hóquei em Patins; um Campeonato, uma Taça da Liga, duas Supertaças, uma Taça Compal e um Torneio dos Campeões em Basquetebol; uma Taça de Portugal uma Taça da Liga e uma final europeia em Andebol; duas Taças de Portugal e uma Supertaça de Voleibol; dois Campeonatos de Atletismo; um Campeonato de Judo, vários triunfos no Futsal e no Râguebi femininos, entre muitas outras vitórias nas mais diversas modalidades e categorias.
Estes são alguns dados relativos ao último triénio do nosso Clube, e carecem de actualização com o que falta disputar da corrente época, na qual mantemos ainda múltiplas aspirações - designadamente nas modalidades extra-Futebol.
Para quem se queixa dos resultados recentes do Benfica bastará contrastar estes números - reafirmo, apenas relativos aos últimos três anos - com toda a década compreendida entre 1994 e 2003, para perceber cabalmente a nossa realidade actual. E falo apenas de resultados desportivos.

Comparação injusta
Quando analisamos o momento do Benfica, não podemos perder a perspectiva histórica. A memória por vezes é curta, e esconde atrás de si um caminho percorrido, um ponto de partida, e um passado esquecido. Ao ignorar tudo o que não corresponda ao imediatismo reinante, esse esquecimento emperra-nos a lucidez, tolhe-nos o pensamento, afunda-nos a serenidade.
O Benfica dos anos sessenta engrandece a nossa história, mas não é o termo exacto para uma comparação com a actualidade. O Mundo mudou demasiado, o Desporto português também, e hoje temos uma concorrência muitíssimo mais forte (dentro e fora dos campos, por cima e por baixo das mesas) do que a da altura - resumida, então, a um esforçado mas subalterno Sporting, que ainda anda por aí. Com ódio, com corrupção, mas também com determinação e alguma competência, fizeram-nos frente. Inquietaram-nos. De cabeça perdida, demos voltas e reviravoltas, cometemos erros, navegámos em equívocos e em ilusões, andámos para trás, batemos nas paredes. Chegámos ao grau zero da ambição e da esperança. Andámos fora da Europa, e até fora da lei. Recuperámos a identidade perdida, e estamos a caminho do futuro. Ninguém nos pode ainda exigir o céu, mas voltámos a voar bem alto.
Quem de nós não gostaria de ter ganho ainda mais? Quem de nós se satisfaz com o 'bom', existindo o 'óptimo' logo ali à frente? É próprio da natureza do adepto apaixonado, que quer sempre este mundo e o outro. No Desporto, que é um brinquedo de emoções, é legítimo pedir, querer, exigir. Até mesmo protestar. Mas se pararmos para reflectir, veremos a luz de um imenso brilho, que ilumina todo um caminho percorrido.

Muito mais perto da glória
De facto, o Benfica de hoje voltou a orgulhar-nos, e a arrebatar-nos enquanto adeptos do Futebol. São as fortíssimas expectativas criadas (de ser sempre Campeão, de triunfar sempre na Europa, de recuperar uma hegemonia perdida), que nos deixam alguns sentimentos de angústia quando nos temos de confrontar com a desilusão de uma derrota. A oportunidade de golo desperdiçada, o fora-de-jogo que o fiscal-de-linha não vê, o penálti que não é assinalado, são hoje estes, apenas estes, os detalhes que nos levam ao sofrimento.
Naquilo que mais nos move, em três anos ganhámos um título, e estivemos muito perto de um segundo. É pouco? Sim, mas comparando a quê? Alguém, com menos de trinta anos, terá visto o Benfica ser Campeão em dois anos consecutivos? Eu, com mais de quarenta, só festejei um Bi-Campeonato (com Eriksson... em 1984).
A assimetria entre aquilo que é uma nostalgia de tempos que não existem mais, e uma contemporaneidade de crescimento, de vitalidade, de progressão e de esperança, que, porém, ainda não ofusca esse passado, não pode ser raiz de qualquer angústia existencial que nos corroa a alma.
O Benfica de hoje é muito grande. Voltou a ser muito grande. Voltou a estar perto, muito perto, da sua identidade histórica. E se, com lucidez, com empenho, com perseverança, soubermos guiá-lo até mais longe, rapidamente retomará o lugar que essa nostalgia deixou para trás."

Luís Fialho, in O Benfica

Casa onde não há título, todos ralham e ninguém tem razão

"No dia em que o FCP comprou mais um título no supermercado, eriçou-se a toponímia benfiquista com muitas subscrições públicas para a Rua Vieira e para a Rua Jesus. E eu fico parvo com isto. Mais parvo, vá.
Achar que Jesus é culpado por o Benfica não ter ganho este campeonato é o mesmo que achar que Vítor Pereira tem muito mérito na conquista do mesmo: uma tontice, uma ingenuidade.
Jesus não é perfeito, mas também não há nenhum treinador que o seja. Erra de vez em quando, pois erra, como eu e como tu erramos por vezes no desempenho da nossa profissão. O que nós não temos, no desempenho da nossa profissão, é um cabrão de um sistema que nos boicota o trabalho e que branqueia os erros que a concorrência também comete.
Podia dizer-se que, tal como Jesus, eu e tu, também os árbitros cometem necessariamente erros no desempenho das suas funções. Naturalmente que assim é. É uma função nada fácil, a de decidir em fracções de segundos, a correr, com muita gente à frente, aquilo que nós muitas vezes, sentados no sofá, em repetições de vários ângulos e em câmara lenta, temos dificuldade em avaliar. Sabemos isto. Mas também sabemos, há 30 anos pelo menos, quais são os erros que acontecem, e quais são os erros que se deseja que aconteçam.
Um sistema que há 30 anos decide, desde as divisões inferiores, quais são os árbitros que sobem, quais são os árbitros que descem, quais são os que chegam a internacionais, quais são os que são aconselhados a mudar de hobby. Quais são os que ganham viagens ao Brasil pagas por engano como recompensa por bons serviços, e quais é que ganham viagens ao dentista depois de um jogo em que alguém achou que não foi beneficiado como devia ser. Quais é que comem fruta, e a quais é que é mandado servir o jantar. Quais é que precisam de indicações para chegar à casa da Madalena, e quais é que já sabem o caminho de cor. Quais é que pedem aconselhamento matrimonial em vésperas de jogos e quais é que dão facadas no matrimónio a seguir aos jogos.
Este sistema, dizia eu, tem 30 anos. Significa isto que não há hoje, na primeira categoria, nenhum árbitro que não lhe tenha prestado serviços. Não há árbitro que não tenha o rabo preso. Não há árbitro que não tenha vendido a alma ao diabo. Não há árbitro que, na hora do aperto, tenha a coisa sido combinada ou não, tenha dúvidas sobre que lado é melhor não prejudicar.
Tome-se como exemplo esta última jornada (há mais, já lá iremos): em áudio, para não prejudicar aqueles com dificuldades na leitura nem os que já estão fartos de um post com tantas letras:

Tudo isto é ignorado na hora de gritar «Rua, Vieira!», «Rua, Jesus!». A culpa de não terem assinalado um penalty sobre Saviola em Vila do Conde «é de Jesus, que teimou no Emerson». Mas... o Emerson não jogou em Vila do Conde. «Mas jogou noutros jogos! Fora, Jesus!»
Eu pergunto se alguém faria melhor que Jesus nestas circunstâncias. Claro que há gente mais capaz que Jesus. Há gente que conseguiria o mesmo que Jesus, mais ponto, menos ponto. Não estou a querer dizer que Jesus é insubstituível, apenas que é o menor dos nossos problemas. Jesualdo é uma merda no Benfica; chega ao FCP, é tricampeão. Fernando Santos é o engenheiro do penta; chega à Luz, ninguém suporta aquele futebol grego. E vocês ainda acham que os treinadores têm influência no título português? Não me fodam! Como diria alguém que citei ontem no Twitter, «o treinador pode ser um qualquer, os árbitros é que têm de ser destes».
Assim, só posso entender a contestação a Jesus como um meio para contestar Vieira. OK, ninguém está imune a críticas. Vieira também tem as suas falhas lado a lado com os seus méritos. Há quem esteja farto dele? OK, é legítimo. Há quem queira ocupar o lugar dele? OK, é legítimo. Agora, porem-se com contabilidades dos títulos de Vieira sem quererem saber dos sistema oleado há 30 anos é desonestidade intelectual. Vieira pode contratar os melhores treinadores do mundo e os melhores jogadores do planeta, que haverá sempre um Maicon em fora-de-jogo que dará a vitória ao FCP. Para furar o sistema, é preciso que eles tenham de contratar 3 treinadores numa época ou que rebente um escândalo como o Apito Dourado que deixe toda a gente com medo de fazer o habitual.
Imagina que estás sentado no lugar de Vieira. Eu pergunto-te: como lutas contra isto?
Com um Veiga? Para fazer o mesmo, ser apanhado e nos descer de divisão? Se gostas de ganhar a qualquer custo, muda de clube, pá! O meu clube não é assim. E, no que depender de mim, continuará a não ser. Vou-te aos cornos se me vieres tentar convencer do contrário. Estou já a avisar: o gajo que me tentar meter um autocolante «Vota Veiga» ao peito leva uma lostra na hora. Não admito. Não admito mesmo. E volto a perguntar-te: sem fazeres o mesmo, como lutas contra isto?"


PS1: Este é daqueles post's que 'merece' um 'copy/paste' (e não só o link), por diversas razões: primeiro porque o subscrevo totalmente, segundo porque nesta 'barulheira' de final frustrante de época as vozes mais sensatas normalmente ficam caladas... portanto é necessário dar voz e espaço a quem consegue manter alguma lucidez... Não concordando com tudo, recomendo também as palavras do Águia Skywalker no Fórum Benfica, do Pedro Soares Lourenço no Arcádia, e do TC no Benfiquistas desde Pequeninos... e ainda o Pedro Fonseca do Inferno da Luz, e o Jotas na Catedral do Desporto...

PS2: Uma nota também para as palavras do Santolas. Foi preciso o Master Groove fazer o ulpoad para o YouTube para a mensagem 'passar', porque a XIC de forma estranha 'censurou' estas declarações, não repetindo o programa e omitindo estas palavras nos noticiários durante o dia de hoje, enquanto destacaram outras...!!!

Desigualdades

"O recente triunfo sobre o Marítimo, uma das turmas em alta na presente edição da Liga, demonstrou à sociedade a categoria do Benfica e como tudo seria diferente se as arbitragens não tivessem inquinado alguns resultados, sempre em prejuízo (por vezes escandaloso) do nosso Clube. E a questão é tanto mais importante quanto tudo se conjuga para que este Campeonato venha a ser decidido por uma magra vantagem pontual.
O problema não é de hoje, é de ontem, talvez seja de amanhã.
No plano institucional, há anos a esta parte que o Benfica perdeu autoridade. Não que os dirigentes tivessem negligenciado intervenções (sempre lícitas, sublinhe-se), antes porque outras forças (de forma nem sempre lícita, sublinhe-se) ganharam claro ascendente e souberam avolumar favores e privilégios que lhes permitiram atingir os seus objectivos.
A luta tem sido desigual. O problema, vale a pena insistir, não é de hoje, é de ontem, talvez seja de amanhã. O Benfica para triunfar numa competição doméstica, sobretudo no Campeonato, tem que ser categoricamente superior aos seus antagonistas, em especial ao FC Porto. De outra forma, o desfecho é quase sempre o mesmo.
Dir-se-á que o processo 'Apito Dourado' concorreu para tornar o edifício da arbitragem mais higiénico. Trata-se de um dado inquestionável. Só que subsistem ainda muitos resquícios de anos prolongados, nos quais a Verdade Desportiva não passou de mera ficção. É por esse motivo que o Benfica esgrime, por norma, de forma desigual. Há quem entre num jogo já a ganhar, ao Benfica exige-se (quase) sempre que perceba que entra num jogo já a perder. Mas também por essa razão, os nossos triunfos valem mais, são mais saborosos. Porque são limpos, justos, cristalinos."

João Malheiro, in O Benfica

Inocência perdida

"O Sporting, fundado por aristocratas. O Sporting, clube de chá e das boas famílias. O Sporting, clube 'diferente', que se afirmava acima de suspeitas. O Sporting, esse mesmo Sporting, viu-se agora envolvido num episódio a partir do qual jamais poderá invocar qualquer superioridade moral.
O seu vice-presidente, ainda em funções, mandou depositar dois mil euros na conta de um árbitro-assistente que ia apitar um jogo a Alvalade. Os propósitos não são ainda bem conhecidos, tanto podendo passar por uma estratégia de incriminação obtusa e mal calculada (versão oficial a partir da qual o protagonista foi constituído arguido), como por uma tentativa de suborno pura e dura, embora abortada, e rapidamente dissimulada (coisa que pouco me espantaria). Certo é que o nosso rival lisboeta, independentemente daquilo que vai fazendo dentro das quatro linhas (desconheço o desfecho do jogo de Bilbau), viu nestas semanas o seu nome irreversivelmente manchado por alguém que o representa ao mais alto nível, e que já em situações anteriores (pinturas nos balneários, incêndio nas bancadas da Luz) mostrara um comportamento rasteiro e muito pouco edificante para o cargo que desempenha.
É preciso também não esquecer que, aquando da publicação das Escutas do Apito Dourado, quando as evidências permitiam acusar os responsáveis por décadas de corrupção no nosso Futebol, os dirigentes leoninos assobiaram para o lado, nunca deixando de repetir que a eles nada havia a apontar, mal escondendo que sem matéria para meter o Benfica naquele saco, o caso não lhes despertava particular apetite. No fundo, as vitórias do FC Porto - enlameadas ou não - eram, e são, o principal seguro de vida do mundo sportinguista contra os riscos que queriam, e querem, a todo o custo evitar: os de ver um Benfica ganhador.
Agora, para além das omissões de então, temos acções que nos fazem lembrar os sinistros protagonistas daquelas Escutas. Perdendo a face e a virtude, ao Sporting apenas resta agora a vergonha dos sonsos."

Luís Fialho, in O Benfica

É preciso dizer algo?

Ponham os olhos nisto!


Até ao fim da época não visto mais o manto sagrado. Estou, e desculpem-me a palavra, farto desta merda. Porra pá, estávamos a 5 pontos e quando dão por isso... puf! MAS COMO É POSSÌVEL C******?!?!? CINCO PORRA! CINCO! Era pedir muito para mentar essa distântica pá? Era? E a teimosia em teimar com o Emerson enquanto (e desculpa lá Emerson) via-se que ele não estava à altura daquela posição? Ok, Capdevila também não é nenhum deus mas porra pá, vê-se que dá, mesmo que um pouco, mais de confiança à defesa quando está confiante. Não se viu isso no jogo com o chélse? Sinceramente... e agora fico-me por aqui que estou demasiado f***** para continuar. Até mais. Talvez fale mais tarde. Não garanto nada!

"Um campeonato perdido por nós sem honra nem glória.
Um campeonato ganho por outros sem honra nem glória.
"

domingo, 29 de abril de 2012

O filme é sempre o mesmo...!!!


Rio Ave 2 - 2 Benfica

...mais do mesmo, além dos penalty's, um critério técnico e disciplinar do mais torto possível, permitindo entradas duríssimas aos Vila-Condenses desde do primeiro minuto, até ao final...
Com Benfica ainda por cima a 'oferecer' o primeiro golo (com um erro 'individual' a 'dois'!!!), com o Jesus a errar na substituição ao intervalo (o Matic tinha que sair, porque levou amarelo na 1ª parte, mas devia ter entrado logo o Javi), com o guarda-redes adversário a fazer a exibição da vida dele (como é habitual), era impossível vencer hoje... aliás a exibição do apitadeiro ontem na Madeira, as palavras do Corrupto-mor, e a nomeação do Olarápio para o jogo de hoje, são indicadores suficientes para entender que o Campeonato tinha que ficar decidido esta noite...!!! A foto-montagem que ilustra este artigo, dá o relevo merecido ao vencedor de títulos em Portugal nos últimos 30 anos, quem entrar em divagações sobre outras razões está errado, porque não discute a causa... tudo o resto são consequências...  
Neste momento e apesar de ainda faltar dois jogos para terminar a época, tenho que deixar o meu agradecimento especial aos jogadores, todos eles: não é fácil jogar uma época inteira com este tipo de arbitragens e manter a calma, a concentração, e a vontade de vencer... existem dias bons e dias menos bons, todos os temos, mas na minha opinião este plantel do Benfica é digno da camisola que veste...

Repito aquilo que eu já escrevi várias vezes: este foi um dos Campeonatos mais aldrabados de sempre, o campeão este ano é um dos mais fracos de sempre, o treinador campeão este ano é o mais incompetente de sempre... Isto é tão claro, que nem merece qualquer discussão, concluir após tudo isto que o Benfica não é Campeão devido a problemas internos, é ridículo... atacar a Direcção por causa dos erros de arbitragem contra o Benfica é ridículo (a época passada, quando houve 'decisões' fortes da Direcção - boas ou más -a maior parte dos Benfiquistas, não ligou, até criticou...)... Também discordei desde dos primeiros rumores da aproximação da Direcção do Benfica a personagens da qualidade do Nandinho das Facturas, mas alguém pensa que sem o apoio do Benfica ele não teria sido eleito?!!! 10 anos é muito tempo, é verdade, mas alguém tem noção da dimensão Corrupta dos nossos adversários? Será que alguém julga, que enfrentar esta cultura Mafiosa, instalada em todas as estruturas da nossa sociedade é fácil?!!! Quando Tribunais, poderes Legislativos e Executivo se demitem (quando não colaboram activamente) de combater as actividades criminosas patrocinadas pelo Padrinho, alguém julga que o caminho é claro?!!! Ainda por cima com branqueamentos sistemáticos (automáticos)... inclusive por parte de Benfiquistas?!!!

Na noite do nosso último título de Campeão, no final da festa do Marquês, já no Metro de regresso a casa, disse a um consócio: aproveita, porque vamos ter que esperar muito, pela próxima festa!!! Se for de 5 em 5 anos, já não é mau...!!!
A resposta não se fez esperar: acusando-me de agoirento, pessimista desgraçado, ou simplesmente de maluco!!! A jogar assim, ninguém nos 'aguenta'!!!
Se o Universo Benfica não entender que baixar as expectativas, não é um 'baixar' de ambição, mas sim uma chamada à realidade, para ajudar a manter a estabilidade emocional necessária para combater o Sistema Mafioso, as consquências depressivas de cada desaire podem ser suicidas...

7ª Corrida António Leitão


Realizou-se este fim-de-semana a 7ª Corrida do Benfica, este ano baptizada com o nome do nosso saudoso Campeão...
Independentemente dos resultados foi uma jornada de festa, que a Benfica TV levou a todo o universo Benfica...