Últimas indefectivações

sábado, 27 de abril de 2019

Uma Semana do Melhor... do Raimundo!

Jogo Limpo... Fanha, Guerra & António !!!

Benfiquismo (MCLXIII)

Basket?!!!

O jogo dos jogos

"Sempre que entramos a gerir há sarrabulho. Sempre que entramos a jogar à bola os adversários são atropelados

Bruno Lage sabe pôr a equipa a jogar futebol. Economia e gestão são outros departamentos. Sempre que entramos a gerir ou a economizar há sarrabulho. Sempre que entramos a jogar à bola, a ser Benfica, os adversários saem atropelados. O Benfica sabe é jogar futebol.
Bruno Lage fez uma excelente recuperação, próxima do milagre aos olhos de muitos, mas agora nenhum adepto aceita menos que a concretização deste milagre. São quatro intermináveis jogos e domingo em Braga é o jogo dos jogos.
O Benfica fez uma exibição muito boa frente ao Marítimo, que mesmo organizado nunca mostrou ser capaz de contrariar o rumo definido aos três minutos. 6-0 pode até ser pesado, mas mesmo assim faz do Marítimo a melhor equipa da Madeira este ano na Luz.
A quatro jornadas do fim o Benfica marcou 87 golos e está a caminho de um recorde absoluto de golos. Houve até um merecido castigo para os adeptos encarnados que optaram por sair 10 minutos mais cedo do estádio - não viram três golos. É assim mesmo, na ópera o no ballet também ninguém sai antes do fim.
Marítimo resolvido, mesmo depois de Brexit europeu sem recurso a referendo do VAR, deixou de ser assunto. Agora é Braga o jogo da nossa vida.
Ontem, no Pavilhão João Rocha cheio de adeptos, o Benfica sagrou-se campeão nacional de voleibol frente ao Sporting. Título importante que culmina uma época em que vencemos Supertaça, Taça de Portugal e Campeonato Nacional. Resumindo melhor a época, o Benfica venceu tudo, os adversários todos juntos venceram nada. Mesmo com o primeiro set pouco feliz, o Benfica foi superior ao Sporting no jogo do titulo, como foi sempre durante toda a época (vencemos seis dos sete duelos com o rival).
Com o delicioso comentador da Sporting TV a queixar-se em directo que os atletas do Benfica festejavam os pontos que venciam ou a fazer análises esdrúxulas de decisões, rapidamente corrigidas pela senhora que com ele comentava, foi uma delicia ver o jogo no cómico canal. Enquanto os organizadores colocavam música aos berros, os comentadores do canal desligaram a transmissão, os adeptos leoninos desapareceram e os jogadores leoninos esperaram em campo pela entrega da Taça ao campeão. A ninguém custou mais perder que aos atletas do Sporting, mas foram estes os únicos que dignificaram a camisola e o desporto. Parabéns aos jogadores e técnicos do Benfica pela época, num abraço a José Jardim, responsável do voleibol encarnado."

Sílvio Cervan, in A Bola

Félix e Lage

"Quem acompanha as camadas jovens benfiquistas não se surpreende com as características de João Félix. A inteligência superlativa, a técnica ímpar, a criatividade reservada e poucos, o repentismo fascinante e o faro apuradíssimo pelo golo há muito que estavam identificados. Faltava somente, até para os mais entusiastas pelo seu potencial, aferir se teria capacidade para, num patamar competitivo mais exigente, continuar a demonstrar o seu raro talento.
Rui Vitória não lhe ficou indiferente, cedo apostando nele. No entanto, por convicção ou cedência ao modelo táctico (4-3-3, com extremos abertos), ou ambas, o anterior técnico benfiquista utilizou Félix quase sempre numa das faixas, geralmente a esquerda e sem a firmeza que a capacidade do jogador já merecia (31 jogos possíveis, 14 utilizado, 5 titular, 3 golos, 1 assistência).
A chegada de Bruno Lage revolucionou o futebol benfiquista, e é impossível dissociar essa mudança da aposta convicta em João Félix. A alteração para o 4-4-2 permitiu o regresso de Félix a uma posição central no sector atacante (ou a crença de Lage em Félix permitiu a alteração do modelo táctico), tendo logo bisado no primeiro desafio da era Lage, cuja chegada conferiu ao prodígio do ataque benfiquista o estatuto de titular, o qual actuou em 25 jogos (24 no onze inicial), fazendo 15 golos e 7 assistências, além de se revelar peça fulcral em toda a dinâmica ofensiva da equipa. Só na Alemanha Félix não jogou na posição em que mais se tem notabilizado. Mas se há alguém autorizado a ter tomado essa decisão, é Lage. Não só por ser o treinador, mas por ser aquele que mais acreditou no 'miúdo' e verdadeiramente o lançou."

João Tomaz, in O Benfica

Caro Bruno Lage

"Espero que esteja tudo bem consigo. Comigo está tudo óptimo, em especial graças às alegrias que o Bruno, a sua equipa técnica e os jogadores que convosco trabalham me têm dado. Ainda pensei em fazer uma cartolina e levar para o estádio, mas não tenho grande jeito para colagens, por isso vou aproveitar este espaço no jornal do Glorioso que tenho a honra de preencher quase todas as semanas. Bruno, não lhes ligues, a sério. Nem aos filósofos do futebol e das tácticas, nem aos jornalistas mal-intencionados, nem aos comentadores televisivos que falam de tudo menos de desporto. Não ligue aos ressabiados, aos frustrados e muito menos aos inimigos. Ligue-nos a nós, aos adeptos que acreditam em si e nos seus homens.
A hora da verdade já chegou. Tem acontecido em cada final conquistada neste campeonato onde já ninguém pode esconder a falsidade dos resultados. Olhe para si e para quem tem à sua volta. São vocês os verdadeiros campeões: os que dão espectáculo, que mais golos marcam, que mais gente arrastam, que melhor se portam neste lamaçal em que querem transformar o futebol português.
Neste domingo vamos a Braga. Vamos todos. Vocês no campo, os adeptos nas bancadas, os milhões em casa, pela televisão e agarrados à rádio e à net para saber tudo sobre esta equipa que nos encanta.
Não me interessa quem joga, o Bruno é que sabe. Pode ser um de 18 anos ou um de 30 e tal, português ou sul-americano. Só me interessa a camisola que leva vestida e o símbolo que lá está bordado. Diga-lhes isso, Bruno: nós estamos convosco. Os que interessam estão convosco. Sempre.
Um glorioso abraço!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Florentino Sem Stress Luís

"Boa parte do meu percurso escolar decorreu em instituições ligadas à Igreja Católica. Cresci a ouvir falar de Deus, figura omnipresente, mas confesso que sempre me fez imensa confusão compreender como poderia alguém, por mais hábil que fosse, estar em toda a parte em simultâneo. Seria lá isso possível? Como!?
Aprendi o significado do termo, no entanto nunca fiquei totalmente convencido com a hipótese de alguém deter essa inimaginável perícia da omnipresença. Bem, pelo menos até conhecer o Florentino Luís. Só depois de assistir às exibições do Florentino na equipa principal tive a certeza de que as freiras não me andavam a enganar anos a fio: afinal, é mesmo possível alguém aparecer em todo o lado ao mesmo tempo. E esse alguém costuma vestir uma camisola muito bonita com o número 61 nas costas. Durante o jogo com o Marítimo, juro por tudo que vi o Florentino recuperar uma bola junto à área adversária enquanto recebia um passe do Ferro numa saída do Benfica a jogar. Até esfreguei os olhos para perceber se estaria a ver bem, e entretanto o Florentino já tinha coleccionado mais três desarmes e quatro passes certeiros. Há momentos onde nem se dá pela presença dele, mas depressa surge uma perna esticada desde o círculo de meio-campo até à linha lateral a interceptar uma bola, e percebemos que o Cavaleiro Silencioso - tal como Hélder Conduto o baptizou - está mesmo a jogar. No meio deste panorama, o que mais impressiona é a serenidade constante. Eu pareço mais nervoso quando estou deitado no sofá a comer estrelitas do que este puto de 19 anos com a bola nos pés diante de 50 mil pessoas.
O Tino joga com tanto tino, que eu até desatino."

Pedro Soares, in O Benfica

Estranha forma de vida

"Numa altura em que a luta entre Benfica e FC Porto está ao rubro, há algo de extraordinário que não podemos deixar de notar: um terceiro clube, neste caso o Sporting, mesmo fora da corrida há já bastante tempo, parece tão ou mais empenhado na mesma do que os próprios contendores. O objectivo é simples: impedir a todo o custo que o Benfica se sagre campeão.
Não é novidade que para qualquer sportinguista o Benfica é, e sempre será, o alvo a abater - tal como o é para qualquer portista, sendo que entre uns e outros a rivalidade não passa de mero simbolismo, o que também traduz mais uma das inúmeras expressões da nossa grandiosidade.
A ter de escolher Benfica ou FC Porto, em Alvalade jamais se hesitou. Ver o Benfica perder sempre foi o alimento predilecto daquela gente. Havia, porém, algum pudor em admiti-lo.
A turbulenta passagem de Bruno de Carvalho pelo Sporting, que, com três eleições ganhas, significou um certo fugir dos pés de visconde para o chinelo da vulgaridade, elevou essa matriz ideológica à máxima potência. E hoje vemos toda a comunicação do Sporting, sem pruridos nem vergonhas, firmemente empenhada numa guerra que não é deles. Vale pela frontalidade.
Isto nota-se sobremaneira nos debates televisivos a três, que na verdade são debates de dois contra um - algo que deveria merecer alguma reflexão do ponto de vista editorial, num país em que os campeonatos são ganhos quase sempre por apenas duas equipas.
Nós cá estamos. Preparados para tudo. A inveja dos fracos torna-nos mais fortes. E quem em 45 anos conquistou somente 4 títulos não chega sequer para nos fazer cócegas."

Luís Fialho, in O Benfica

Gloriosas

"O artigo desta semana é integralmente dedicado à equipa de futebol feminino do Sport Lisboa e Benfica. A exibição em Braga, no velho Estádio 1.ª de Maio, foi um hino ao futebol. O treinador João Marques e a sua equipa técnica prepararam muito bem este jogo decisivo que nos deu o acesso à final da Taça de Portugal. Estamos no Jamor porque temos um grupo de trabalho formidável, de uma dedicação exemplar e que sente o Manto Sagrado de uma forma notável.
O empenho, a entrega e, sobretudo, a ambição de vencer foram determinantes.
Como em todos os grandes triunfos, o colinho dos adeptos fez a diferença. Emocionei-me ao ver tantos benfiquistas nas bancadas de um estádio onde já fomos felizes.
O SC Braga - SL Benfica foi marcado para as 11h30, uma hora complexa para muita gente, por todas as razões, e por ser numa quadra festiva. Mas os benfiquistas do Norte, do Minho e de Braga não brincam em serviço. Quando está em jogo o Glorioso, eles escolhem sempre o clube do seu coração. Neste jogo, ficou provado que temos a melhor equipa portuguesa, já que batemos, sem apelo nem agravo, o actual líder da I Liga. Todos sabemos que na 1.ª mão, em nossa casa, só não vencemos porque fomos travados por uma arbitragem incompetente e inaceitável. Tiro o chapéu ao Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol por ter tido a sensatez de nomear para este jogo, Sandra Bastos, a melhor árbitra portuguesa, que estará presente no Mundial, em França.
Que a exibição de sábado seja inspiradora para a equipa competentemente liderada por Bruno Lage, que vai jogar a final deste domingo no magnífico Axa."

Pedro Guerra, in O Benfica

Os PTF

"Na gíria da Fundação Benfica existe uma sigla que designa um projecto fantástico.
Essa sigla é PTF e que dizer 'Para Ti Se não faltares!'. Usamo-la sobretudo internamente para a logística e a comunicação interna entre tantas equipas. Mas também serve para designar carinhosamente os jovens que um dia participaram no projecto e que, entretanto, cresceram e são modelos para os outros.
Muitas vezes actuando como voluntários com responsabilidades crescentes na organização dos momentos mais altos do projecto 'Para ti Se não faltares!'.
O torneio de Ponte de Sor, já tradicional a meio do ano lectivo, é um desses momentos que marcam positivamente as memórias de perto de 4000 jovens. A uma organização impecável, que integra com orgulho PTF, técnicos da Fundação Benfica e do município de Ponte de Sor, juntam-se um parque desportivo municipal de excelência e uma imensa alma de todas as equipas.
Só podia correr bem, e corre sempre!
Desta vez, pela mão dos jovens PTF, o cartão branco viu-se acompanhado de um conselho de ética, e o fair play subiu para lá do Evereste.
O torneio, esse, foi competitivo e mostrou futsal de bom nível como de costume. Houve troféus e palmas, golos e festejos, atitudes e reconhecimentos. Houve de tudo, e pelo meio de tudo, talvez acima de tudo, houve PTF!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Futebol feminino - novo e competente

"Apesar dos registos que a nossa equipa principal de futebol tem alcançado na segunda fase e, em especial, num momento tão decisivo desta época, a redacção do jornal considerou dever destacar o desempenho da equipa de elite de futebol feminino na presente edição. Também me parece uma decisão muito justa. Justa e oportuna.
Foi no segundo semestre do ano passado que, em resultado de estudos dedicados e competentes, a direcção do Sport Lisboa e Benfica tomara a decisão de empreender a intervenção do Clube nas competições federadas de futebol feminino, nos escalões de seniores, sub-19 e sub-20, além de ter decidido institucionalizar a concomitante actividade de equipas do género feminino nos respectivos escalões principais e de formação, nas cinco mais nobres 'modalidades colectivas de pavilhão' - hóquei em patins, voleibol, andebol, basquetebol e futsal - mantendo também, evidentemente, a presença feminina no atletismo, no judo e no râguebi, assim com em todas as restantes modalidades, escalões e especialidades que já tínhamos em exercício.
No texto que aqui publiquei na derradeira edição do ano do jornal O Benfica, tendo em conta todas essas importantes resoluções dos nossos eleitos, não hesitei em considerar 2018 no Benfica como o decisivo Ano da Mulher.
Dada a natureza e projecção do futebol em Portugal e considerando também o estado de desenvolvimento adquirido no nosso país nas mais recentes duas ou três décadas, por acção de alguns clubes históricos como o Boavista, o União 1.º de Dezembro, ou o Futebol Benfica, entre outros, e nas duas últimas épocas, pelo SC Braga e pelos vizinhos aqui do Campo Grande, era natural que o Benfica não deixasse protelar por mais tempo a sua intervenção no futebol feminino.
No seio da direcção do nosso clube, a tarefa conceptual e as diligências estruturais decorrentes daquela relevante resolução foram cometidas ao vice-presidente Fernando Tavares, que desde cedo apresentou aos seus colegas um modelo em coerência com a política globalmente definida na última década pelo presidente Luís Filipe Vieira, visando a futura autossustentação do projecto.
Nesse sentido, o projecto pressupunha a criação de uma equipa principal desde logo fortalecida por um elenco de grandes jogadas de selecções nacionais portuguesa e estrangeiras, preparada para conquistar, ano a ano, os torneios que disputasse; e que, por outro lado, essa elite de jogadoras viesse a poder contar, em breve, com mais jovens atletas já formadas no seio do nosso Benfica, em dois escalões mais jovens.
Ora, como seria de esperar - em face da brilhante carreira desenvolvida no Campeonato da 2.ª Divisão e da conquista do torneio distrital em sub-17 - o recente apuramento das 'Papolas saltitantes' em Braga, sob as indicações do treinador João Marques, para uma primeira final da Taça de Portugal aponta para o futuro de um grande Benfica em futebol feminino.
Por isso estou seguro de que, perante estes pioneiros e inequívocos sinais de competência num campo com tão indesmentível potencial de incremento, o próprio Sport Lisboa e Benfica não se eximirá a ir ajustando progressiva e devidamente as mais adequadas condições de trabalho e merecidos meios estruturais e logísticos às virtualidades já reveladas pelas meninas do nosso futebol feminino, cuja entrada em cena veio representar um novo patamar de actualização no cumprimento das responsabilidades sociais do Glorioso, no desenvolvimento relacional proposto à mulher benfiquista e também, até, para a afirmação da sociedade desportiva portuguesa."

José Nuno Martins, in O Benfica

Justiça desportiva a passo de caracol

"Está a decorrer, na Cidade do Futebol, o II Simpósio Legal da Aliança das Associações Europeias de Treinadores (AEFCA), que tem a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANF) como anfitriã.
Embora o tema seja denso, a matéria é de grande relevância para os profissionais do sector, especialmente nestes tempos de globalização. No primeiro painel da sessão, onde participaram Fernando Santos, Carlos Carvalhal e Gianni De Biasi, foram reveladas várias situações de ordem legal que envolveram tão renomados treinadores, que merecem cuidada análise, de olhos postos no que pode ser melhorado em Portugal. Por exemplo, a descrição, por parte de Carlos Carvalhal, de um processo que viveu enquanto treinador do Sheffield Wednesday, mostra como a aplicação da justiça no futebol pode ser realmente célere e eficaz.
O treinador português foi expulso durante um jogo e teve um desentendimento com um steward, o que lhe valeu uma punição, da qual recorreu. Sem entrar em detalhes, aquilo que poderá dizer-se é que o sistema da Football Association conseguiu, em nove dias úteis, proferir a primeira sentença, receber o recurso, criar um tribunal para apreciação do mesmo, ouvir as partes e proferir a decisão final (que acabou por ser favorável a Carlos Carvalhal).
Atrevo-me a dizer que, se o mesmo tivesse acontecido por cá, os passos atrás referidos não teriam demorado nove dias a conhecer trânsito em julgado, mas nove meses...
Não será chegado o momento de se repensar, em Portugal, uma justiça desportiva que se move a passo de caracol?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Um problema da sociedade

"O futebol tem uma exposição mediática que permite transformar problemas da sociedade portuguesa em quase exclusivos problemas do futebol. Todos, em primeiro lugar como cidadãos, temos responsabilidades na sociedade e no modelo em que pretendemos viver. A base deste modelo é reflexo da vida familiar e educacional. Quando não damos a importância devida à escola, temos gerações mais débeis e menos preocupadas com os problemas que nos rodeiam. Ao abordarmos questões como o tráfico de seres humanos, o trabalho em condições precárias, a contratação de menores, a violência, etc., estamos a tratar de problemas de todos e não de alguns. São matérias que a todos dizem respeito, do governo ao vulgar dos cidadãos. O crescimento destas autênticas pragas só é possível porque há mercado para o seu desenvolvimento e também pelo deficiente comportamento do regulador. Sem uma atitude de combate efectivo no terreno não se consegue impor a lei. Existe um sentimento de impunidade que, além de revoltante, permite que estas actividades tenham margem de progressão. Esta triste realidade tem tendência a aumentar o seu volume de actividade em situações de debilidade económica das famílias. Com a globalização da economia e o avanço tecnológico temos de enfrentar o nosso problema interno e também o externo. Não se minimize o problema a uma única actividade, por muito mediática que ela seja. Por exemplo, a actividade económica paralela representa uma percentagem importante para o PIB, e claramente não é o desporto, e a sua mais representativa modalidade, o futebol, responsável maior por esta realidade. Tapar o sol com uma peneira não resolve o assunto, apenas deixa mais confortáveis os prevaricadores. Por curiosidade escrevo este texto nesta altura do ano, data que representa um conjunto de valores que têm que ser lembrados, pois andam algo esquecidos. A crise também é de valores."

José Couceiro, in A Bola

sexta-feira, 26 de abril de 2019

All in pour le titre

"Avant d’écrire ce texte , j’ai voulu faire preuve de recul et d’analyse. Les matchs et l’ambiance s’accumulaient sans être des meilleurs, les petites lumières et manque d’attitude de notre public casanier me rendaient nerveux et je ne voulais pas exprimer ce sentiment de rage et d’anxiété.
C’est comme un coup de poker où on est pas loin de gagner le tapis et c’est là que le moment de faire les bons choix est face à vous. Notre nation est à ce jour face au même dilemme... on a fait des choix, on a perdu, on a gagné, on a hésité, on doute et il ne reste plus que le championnat à ramasser. 
Refaisons le film de ces dix derniers jours et des 4 cartes jouées ou « matchs passés ».
Europa ligue home : un match plutôt bien réussi de notre part. On a retrouvé un 11 titulaire dynamique et ouvert au jeu. Beaucoup diront qu’ils étaient 10 en face. Moi je préfère mettre l’accent sur la capacité de Lage à faire tourner l’effectif et motiver ses troupes.
Liga Nos : on continue sur notre lancée et on expédie un Vitoria de Setúbal compliqué avec des joueurs impliqués. Match réussi et démonstrateur de notre collectif offensif très puissant.
La pépite : Joao Félix
Le joueur en forme : Rafa
Le taulier : Samaris
La classe : Ferro
Le régulier : Seferovic
L’homme de l’ombre : Florentino
On sortait de ce mini cycle satisfaits et confiants, la seule tâche au tableau étant notre public à la maison manquant de dynamique et d’attitude. (désolé d’insister mais le club marketing a ses limites). 
Europa Ligue away : ce match piège où l’on décide de ne pas jouer toutes ses cartes et d’attendre pour voir le jeu de son adversaire ... Vraie partie de bluff où celui qui sort vainqueur n’est pas le meilleur. Cela valait-il le tapis ? Je ne pense pas ! Je suis sorti plutôt soulagé de cette élimination. Est-ce critiquable ? Oui en effet mais je l’assume. Tous les joueurs sur la table veulent nous sortir du jeu, tout le monde veux nous dépouiller et nous empêcher de gagner le 37.
Nous n’avons pas le choix et devons concentrer toutes nos forces et tactiques pour ce dernier tapis où il nous reste 4 cartes à jouer!
Liga Nos : Marítimo et ses 6 buts. Victoire incontestable et incontestée, tout le monde sur la table baisse la tête et les yeux et on repart pour un tour.
Un nouveau cycle nous attend, nous devrons être sérieux et confiant. Savoir jouer tous les bons coups au bon moment et se souvenir que tout le monde veut nous descendre. La prochaine bataille reste la plus importante, la plus dure alors soyons tous derrière notre équipe, montrons notre union et confirmons ce que nous sommes à l’extérieur : un véritable enfer !
Partons confiants et sachons assumer notre place de plus grand club portugais et montrant qu’on veut aller chercher o 37 !!
Faisons Tapis ! De todos um."

Como condicionar...

"

O condicionamento ao árbitro João Pinheiro (VAR do próximo jogo do SLB) está a ser feito de todas as formas. Será por ter decidido bem os lances do CD Feirense - SL Benfica que passou a ser um alvo a abater? Talvez fosse melhor quando errava descaradamente a favor do FC Porto ou não assinalava penaltys do tamanho do mundo, como num célebre jogo no Bonfim. [ver video] Mais uma mentira desmontada pelo #portoaocolo.
Bernardo Ribeiro, Diretor do Record, continua empenhado no seu papel de avençado e peão da Santa Aliança. Assim que foram tornadas publicas as nomeações para a 31ª Jornada da Liga, através do seu `Jornal´ e refugiando-se em supostas polémicas nas redes sociais – talvez dos blogues, fóruns ou páginas de redes sociais manhosas do seu clube que ele tanto segue e gosta - decidiu dar o mote e lançar a poeira sobre a nomeação de João Pinheiro como VAR para o SC Braga x SL Benfica. 
Ignorando por completo uma arbitragem (CD Feirense x SL Benfica) sem nenhum erro em beneficio do SL Benfica – conforme prova de imagens 3D e com opiniões unânimes de especialistas internacionais - mas que a estratégia e aliados da Torre das Antas, tudo fizeram para criar o contrário. Sempre com base na manipulação e mentira.
É triste a figura que certos indivíduos se prestam. São meras caixas de ressonância da Torre das Antas, que usam todos os truques, para atacar e tentar prejudicar deliberadamente o SL Benfica.

Anormalidades !!!

"É isto o CA do Sr Fontela Gomes.
Alguém pode considerar isto normal?
Um clube que para os seus jogos, tem mais do dobro das nomeações de árbitros da sua própria associação, em relação à segunda associação com mais nomeações.
Que em mais de metade dos jogos (17 em 31) teve como árbitro e/ou VAR, alguém designado da AF Porto. E se juntarmos a AF Braga - outro tentáculo da Teia – é assustador só de pensar.
Que do total de 12 nomeações, cerca de 8 decorreram nos últimos 12 jogos do campeonato e 4 nos últimos 5 jogos. Ou seja, neste período, 80% dos árbitros nomeados são da AF Porto.
É o assumido vale tudo para a fase decisiva da temporada.
Mas quando temas claques legalizadas que fazem a defesa e comunicação publica do Conselho de Arbitragem, nada disto surpreende. O Sr Fontela Gomes é um mero fantoche nas mãos da Torre das Antas. Um testa de ferro que estes usam a seu belo prazer. Uma vergonha!"

45 anos depois... Somos hoje um país diferente e melhor. E o desporto também

"A fluidez que alimenta a memória mediática de curto prazo pode comprometer a memória histórica.  
O que justifica que se recorde a conquista da liberdade e da democracia em Abril de 1974 é o momento mais relevante da História de Portugal Contemporâneo. Repeti-lo nunca é de mais!
Somos hoje um país diferente e melhor. E o desporto também.
O número de praticantes desportivos aumentou. O parque de instalações desportivas desenvolveu-se. O número de participações em competições internacionais cresceu. A qualidade dos resultados alcançados evoluiu. O país acolheu e organizou eventos ao mais elevado nível. Aumentou o número de dirigentes portugueses em organismos internacionais. Aumentou a realização em Portugal de reuniões de âmbito internacional.
Poderia ter sido melhor? Seguramente que sim. Mas a democracia e a liberdade não resolvem tudo. São uma condição necessária, mas não são suficientes. As políticas construídas - públicas, privadas e associativas - é que podem responder pelos resultados alcançados.
O país recebido da ditadura, a construção do regime democrático e a matriz genética dos partidos com vocação governativa explicam, em parte, que o modelo seguido para o desporto tenha ido buscar a sua inspiração aos países de forte intervencionismo estatal.
O histórico atraso do desenvolvimento do país e as vicissitudes porque passaram muitos sectores da economia na fase da transição democrática não deixaram outra alternativa quanto ao caminho a seguir.
O modelo traduziu-se num forte apoio de financiamento por parte das políticas públicas e num significativo esforço na infraestruturação desportiva do país, com particular destaque para a acção das autarquias.
Esta tendência teve efeitos positivos no sistema desportivo português. Com a democracia o país desportivo abriu-se ao exterior. O que tornou o rendimento desportivo um produto fortemente mediatizado, expondo-o à comparação e avaliação permanentes.
E num contexto de crescente internacionalização dos sistemas desportivos uma das questões centrais que se colocou às políticas desportivas foi o de garantirem níveis de competitividade adequados. 
Num país com a nossa dimensão geográfica, a nossa economia e os recursos que esta podia disponibilizar, aliados a uma tradição desportiva pouco relevante, criou-se a expectativa de pensar que era possível aspirar a resultados de relevo internacional num alargado número de modalidades, sem critério de selecção ou de definição de prioridades.
No modelo adoptado, as organizações desportivas, designadamente as federações desportivas, ficaram muito dependentes do financiamento público. E com as prioridades adoptadas provocou-se um desequilíbrio entre o financiamento público e o retorno que esse esforço podia potenciar em termos do desenvolvimento dirigido para a elevação do nível da prática desportiva dos portugueses. 
Portugal também não escapou a tendências internacionais que se acentuaram sobretudo nos últimos vinte anos: por um lado o predomínio do carácter utilitário (fazer bem à saúde) e individualista da actividade física e a sua cultura monolítica que se abrigou à sombra do desporto; por outro a banalização do rendimento desportivo e a sua politização.
O valor de um vencedor de uma qualquer modalidade passou a valer o mesmo que o campeão de uma modalidade olímpica; uma competição à escala do bairro ou de um pequeno leque de participantes premeia o vencedor com uma medalha a que chama de ouro, como se de um campeonato do mundo ou uma competição olímpica se tratasse; pelo país fora reproduzem-se galas de campeões onde a vulgaridade do rendimento desportivo assentou arraiais.
A recente intrusão dos chamados jogos electrónicos (na versão anglófona e-games ou e-sports) como desporto e, nesse caso, até como modalidade/especialidade a poder integrar o programa dos Jogos Olímpicos aí está a provar a chegada de novos tempos no mundo das práticas desportivas.
As organizações desportivas que deveriam ser as guardiãs da identidade do desporto tornaram-se impotentes para travar esta deriva e, em alguns casos, acompanham-na.
Como serão os próximos anos? Ninguém saberá responder com segurança. Mas arriscamos uma previsão: nas próximas décadas o desporto vai mudar mais do que mudou nestes últimos 45 anos."

Vitória inspiradora

"O voleibol do Benfica confirmou ontem um triplete histórico, que irá ser recordado por muitos anos. No pavilhão do seu principal rival, a nossa equipa venceu de forma categórica e conquistou, assim, o campeonato nacional 2018/19 – juntando-o à Taça de Portugal e à Supertaça que também já havia ganho nesta temporada Brilhante!
Uma época que merece ser emoldurada na memória colectiva de todos os Benfiquistas e que, seguramente, terá um lugar especial no Museu Cosme Damião. Nos 46 jogos já realizados, o Benfica soma 43 vitórias e apenas 3 derrotas – uma delas nos quartos de final da Taça Challenge, frente ao Belgorod, da Rússia, que viria a vencer a competição. Extraordinário trabalho de todo o grupo, com uma palavra especial para o treinador, Marcel Matz, que consegue tudo isto em época de estreia. 
Nesta hora de enorme felicidade para o voleibol do Benfica, é da mais elementar justiça evocar a memória de Rui Mourinha, presidente da secção, falecido em Novembro do ano passado. Dedicou décadas da sua vida ao Clube e jamais será esquecido.
A Reconquista do voleibol é já uma realidade, mas… o Benfica quer mais. No domingo, em Braga, pelas 17h30, há uma nova ‘final’ no campeonato nacional de futebol. Nem mais nem menos importante do que as outras: é uma ‘final’ e isso já diz tudo.
A única forma de ter sucesso é manter o nível que a equipa tem mostrado nesta brilhante 2.ª volta: qualidade, compromisso e união.
Só assim – e com o apoio da onda vermelha, que estará em peso no Minho – será possível vencer nesta 31.ª jornada e, dessa forma, conservar a liderança que conquistámos com inteiro mérito. Todos juntos, haveremos de conseguir!"

Benfiquismo (MCLXII)

Bailado!!!

De Frankfurt à Luz

"O sonho de um Benfica europeu caiu por terra uma vez mais. Desta feita, aos pés de um Eintracht que foi um justo vencedor, mas que estava perfeitamente ao alcance do Glorioso. Se o desfecho surpreende, não é, aliás, tanto por aquilo que se passou nos 180 minutos que durou o confronto, é por alguma sensação de alívio que pareceu resultar da eliminação. De forma implícita, fica sugerido que, fora da Europa, a equipa ficaria mais liberta e os microciclos de treino tornar-se-iam mais fáceis de gerir. A abordagem estratégica ao jogo na Alemanha e a forma rígida como a equipa ficou presa ao plano de jogo - que claramente não estava a funcionar - foram os primeiros sinais negativos do breve, intenso e muito positivo consulado de Bruno Lage como técnico do Benfica. Mas, acima de tudo, revelam que o plantel não está dimensionado para os confrontos europeus. Lage pode responder, com inteira justiça, que não foi, nem responsável pelo planeamento da temporada, nem pela política de contratações e que, mesmo assim, foi capaz de colocar a equipa na rota de um título em que já ninguém acreditava. Quanto à direcção, é mais difícil compatibilizar as promessas recorrentes de grandeza europeia com a realidade concreta do plantel.
É mais um exemplo em que o realismo discursivo teria sido mais avisado. nessa perspectiva, o primeiro jogo após a saída da Europa era um teste exigente. Mas tornou-se num teste que a equipa soube tornar fácil, ultrapassando-o com distinção e louvor. Após uma primeira parte de grande passividade e marcada a ritmo de pós - Europa, o Benfica percebeu que a única forma de gerir um jogo e um resultado é aumentando a intensidade e procurando marcar mais golos.
Agora, o Benfica tem 360 minutos para provar que é capaz de manter o ataque continuado e o ritmo elevado que trouxe a equipa de volta à liderança - e que tornou possível ultrapassar obstáculos que muitos anunciavam instransponíveis, de Alvalade ao Dragão passando por Guimarães. E, mais importante, que os princípios de jogo que Lage implementou estão consolidados. Contudo, com menos jogos e um leque de jogadores, agora, de novo mais alargado (Jardel e Fejsa, assim como Cervi e Salvio estão de regresso e a recuperar o ritmo), a questão primordial continua a ser encontrar alguém que ofereça ao jogo do Benfica o que Gabriel oferecia. Com Florentino e Samaris, a consistência defensiva não sai afectada, mas fica a faltar a circulação de bola que o brasileiro dava à equipa.
Mesmo que em apenas 15 minutos e protegido por um resultado confortável, ontem voltamos a ter indícios de que Taarabt é o jogador com mais semelhanças com o brasileiro. Numa temporada cheia de surpresas, se o marroquino acabar por ser determinante, tornar-se-á difícil qualificar aquilo que Lage alcançou."

Joao Felix Delights Benfica Fans but for How Long?

"Lisbon — Benfica teenager Joao Felix is arguably the most exciting young player to have burst onto the European football scene this season yet there is already talk of where he will play next. 
Practically every major club across the continent has at some point been reported as showing interest in the 19-year-old but he does not have to look far to see what can go wrong when a prodigy moves abroad too early.
Three years ago, Renato Sanches made a similar impact for Benfica but his career has stalled after an early move to Germany.
Joao Felix only made his first-team debut in August but has already scored 18 goals in 39 appearances in all competitions. He recently became the youngest player to score a hat-trick in the Europa League, in the 4-2 quarter-final first leg win over Eintracht Frankfurt.
He continued his excellent season with two goals and an assist in the 6-0 demolition of Maritimo on Monday which took Benfica back to the top of the Primeira Liga, on goal difference from Porto. 
Usually playing behind the main striker, he possesses an excellent first touch, likes to run at defenders and has an eye for goal.
Although he has a contract until June 2023, it has a 120 million euro ($134.5 million) release clause and, according to the rumour mill, there are plenty of clubs willing to pay that with the name of Juventus popping up more than most.
But is it too soon for a move to a bigger club where he would have to adapt to a new country and battle for a place in the team?
Sanches appeared to have the world at his feet after he capped an impressive debut season at Benfica by helping Portugal win Euro 2016. Marc Stein's Newsletter Marc Stein has covered Jordan. He's covered Kobe. And LeBron vs. the Warriors. Go behind the N.B.A.'s curtain with the league's foremost expert.
But all that changed when he moved to Bayern Munich, aged 18. He struggled to break into a team brimming with world class talent, starting only six league games and playing a full 90 minutes only once.
It got worse the following season when he was loaned to Swansea City where his confidence drained away and he suffered an injury.
He returned to Bayern this season and, although he started brightly, has once again found himself a bit-part player in the last two months. He has also lost his place in the Portugal team.

Unfair Criticism
Benfica coach Bruno Lage believes that the Joao Felix's talent should be allowed to grow "naturally" and has already railed against the media for criticising his performances when he does not score. 
"Joao is a fantastic lad and he has a lot to learn, technically and tactically," said Lage. "He has to learn how to occupy space and read the game and he has to learn, quickly, that when he is merely 'normal', he will be criticised.
"The day he doesn't score a hat-trick he gets criticised."
On Tuesday, Benfica president Luis Filipe Vieira suggested that the club would try to hold onto the player.
"Benfica will do everything we can so that nobody leaves," he told the Correo da Manha newspaper. "We want to consolidate our project and we will not let go of this principle."
Lage suggested that Benfica was the ideal environment for Joao Felix to develop.
"We don't put any pressure on him... we want him to improve naturally," said Lage. "We all believe he can have a great career and, on the contrary to some people, I believe he can stay among us for many more years.""

O boxe

"Existem vários trabalhos que têm como objecto de estudo o boxe, mas a análise etnológica de Wacquant (2000) é certamente a mais rica sobre a construção dos “habitus pugilísticos” masculinos no domínio do boxe inglês, num bairro negro de Chicago. O autor descreve a importância das aprendizagens técnicas no processo de incorporação das normas e valores no ginásio. De forma detalhada, descreve as relações entre o mundo fechado (o ginásio), o universo pugilístico, a rua, o bairro e o gueto. De forma contrastante de um ambiente hostil, o clube constitui uma ilha estável e ordena as relações sociais, onde os interditos são possíveis. O ginásio não é apenas um espaço de confronto. Ele é protector, permitindo escapar ao quotidiano e à tentação de os praticantes viverem da ilegalidade. Este espaço regula a violência e permite quebrar a rotina. Os pugilistas distinguem-se dos outros jovens do gueto pela vantagem da integração social e pela ligação a uma família não decomposta e relativamente intacta. Eles provêm de famílias de classes operárias, do sub-proletariado e exercem pequenos trabalhos nos serviços. A grande maioria trabalhava como seguranças, canalizadores, pedreiros, limpezas, nas fábricas. Wacquant colocou as luvas e descreve a aprendizagem das práticas, das codificações e das normas implícitas, afastadas de um investigador branco que nunca antes tinha praticado boxe e pertencia às classes sociais cultivas dos universitários.  
Mennesson e Clément (2009) prestaram especial atenção às mulheres nas práticas pugilísticas violentas, reservada aos homens, até um período recente. É um estudo inédito. Os autores procuram estudar este universo das mulheres no boxe francês de 1997 a 2005. Para isso, realizaram trinta entrevistas às pugilistas que participavam em competições de nível nacional e internacional. Para elas, minoritárias neste espaço essencialmente masculino, a aprendizagem das técnicas pugilísticas e o trabalho de “feminização” de aparência corporal são simultâneas. Os autores concluem que a relação diferenciada com a prática do boxe (num estilo mais “hard” e noutro mais “soft”) inscreve-se nas trajectórias escolares e sociais diferentes. São sobretudo mulheres originárias das classes populares que aderiram ao estilo mais “hard”. As pugilistas “soft”, maioritariamente em situação de sucesso escolar no ensino primário e secundário, começam o boxe pelos 20 anos ou mais e as pugilistas do estilo “hard”, muitas vezes confrontadas com o insucesso escolar, iniciam o boxe com cerca de 15 anos. As primeiras descobrem por acaso os aspectos estéticos da prática do boxe francês, as segundas começam a praticar esta modalidade para exprimir o seu gosto pelo confronto e a sua combatividade.
Como nasce e se exporta o boxe?
Grande parte dos desportos que são praticados actualmente no mundo, de uma maneira mais ou menos idêntica, são originários da Inglaterra. Eles expandiram-se para outros países, sobretudo na segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX. O futebol, a luta, o boxe, o ténis, o críquete, o atletismo, a corrida a cavalos, entre outros, são alguns exemplos. Estas modalidades desportivas eram passatempos dos ingleses que se expandiram por um grande número de países entre 1850 e 1950.
Também conhecido por pugilismo, o boxe é um desporto de combate que se caracteriza pela arte de defender e atacar usando apenas os punhos. Na Inglaterra, o primeiro regulamento de boxe surge em 1743. Face à brutalidade nos combates, que não é o que mais agrada a um público no seu conjunto bastante aristocrático, em 1747, é recomendado o uso de luvas e aperfeiçoaram-se as regras. Um primeiro “campeonato do mundo” tem lugar em 1810 entre um branco e um negro, com 25 mil espectadores (Terret, 2008: 16). A federação amadora de boxe é criada em 1884.
O boxe masculino entrou nos jogos Olímpicos em 1904. Relegado para segundo plano, o boxe feminino surge apenas como desporto de demonstração. Praticamente invisível, só entrará, oficialmente, nos jogos Olímpicos de Londres de 2012. 36 mulheres, em três classes de peso, competiram nestes jogos, em comparação com os 250 homens em 10 classes de peso.
E em Portugal?
Em Portugal, o boxe surgiu no início do século XX. Os primeiros duelos de boxe são disputados a partir de 1909, suscitando interesse e curiosidade do público e dos adeptos da modalidade, sobretudo nas grandes cidades. Pouco a pouco, vão-se criando alguns clubes amadores, como, por exemplo, o Ginásio Clube Português, o Clube Arte e Sport, o Sport Cruz Quebradense, o Clube Português de Recreio e Desporto. Da necessidade de se organizar e regulamentar a “nobre arte”, é fundada, em 1914, Federação Portuguesa de Box (FPB).
Após o final da Grande Guerra de 1914-1918, o boxe populariza-se e evolui. Nos anos 20, o boxe partilhava os mesmos lugares onde se representava espectáculos de música e de teatro. O boxe, desde muito cedo, inseriu-se num produto comercial. Nos bairros populares de Lisboa (Alcântara, Bairro Alto, Madragoa, etc.), vão surgindo vários clubes desportivos (Grupo Desportivo da Mouraria, Clube Rio de Janeiro, Sport Lisboa Oriental, Ateneu Comercial, etc.), promovendo a modalidade.
Existem duas categorias de lutadores de boxe: o profissional e o amador. As diferenças entre ambos baseiam-se essencialmente no uso ou não de protecções físicas em combate e na duração dos mesmos. No boxe profissional os lutadores não usam capacete e os combates podem chegar aos 12 “rounds” de 3 minutos cada. Já no boxe amador, considerada modalidade olímpica desde 1920, os lutadores usam capacete e os combates caracterizam-se por 3 “rounds” de 3 minutos cada.
Um recrutamento “popular” não é fácil de se concretizar. O desporto é um mosaico de actividades físicas, que no seu conjunto, em termos de praticantes, não é homogéneo. Esta heterogeneidade apreende-se pelos dados das federações e incluídos nas várias publicações produzidas. Desde a sua implementação, o boxe português tem tido os seus avanços e os seus recuos, nomeadamente ao nível do número de praticantes. Em 2008, haviam 478 praticantes."

quinta-feira, 25 de abril de 2019

8.º Campeonato Nacional

Sporting 1 - 3 Benfica
25-19, 23-25, 16-25, 19-25

Théo(22), Rapha(14), Honoré(8), Zelão(6), Lopes(4), Wolfhi(3), Violas(3), Winters(2), Pinheiro, Gaspar, Flip, Martins, Jardim; Casas

Época 'perfeita': Supertaça, Taça de Portugal e Campeonato Nacional... para ser super-perfeita, só 'faltou' aquela surpresa que teria sido a eliminação dos Russos na Europa... e esteve quase!!!

O CashBall está mais 'fraco' este ano, por razões óbvias (!!!), mas tenho quase a certeza, que este Benfica teria sido Campeão o ano passado!!! Hoje voltámos a ser bastante superiores... em todas as acções do jogo!

Inacreditável a forma como os jogadores do Benfica foram condicionados durante toda a partida, até parecia que não podiam festejar os pontos ganhos... isto quando mais uma vez, passaram o jogo todo a ser insultados, para gáudio da Lagartada, nas bancadas e com os microfones à frente!!!

Para quem não sabe: praticamente toda a equipa do Benfica foi aliciada nas últimas semanas, para ir para a Lagartada na próxima época!!! O CashBall nestas últimas duas épocas, tem usado como base de operações: Fiães (!!!), aparentemente para o ano vão-se mudar para Lisboa... e como os valores daquele gente são inexistentes, parece que tentaram 'baralhar' a cabeça dos nossos jogadores!!! Foderam-se...!!!

Acertámos em cheio na mini-revolução na secção: o Marcel foi um achado (aconselhado pelo Vinhedo...), eu sei que não será fácil manter o Marcel por cá a médio prazo, mas se calhar com a jovem família a adaptar-se bem a Lisboa, quem sabe...; o Théo chegou algo 'pesado' mas melhorou imenso, e com a lesão do Gaspar foi obrigado a jogar 'sempre', o que lhe deu um ritmo impressionante! O Pinheiro na minha opinião devia ter vindo mais cedo para o Benfica (a opção tardia foi dele...), mas mesmo não sendo a primeira opção teve sempre uma excelente atitude, e até as melhorias no Violas creio estarem ligadas aos 'conselhos' do Nuno... O Peter também foi uma excelente contratação, com o Honoré a 'sentir' a idade, foi fundamental... E como não podia deixar de ser: o Rapha... o regresso do Rapha foi importantíssimo, pelo que joga, e pela energia que transmite!!!

PS: Estou curioso para ver a capa d'A Bola esta madrugada!!!

Lanças... a luta não dá tréguas!!!

Vitória no Estoril...

Estoril 0 - 8 Benfica


Apesar de várias alterações (a ausência da Darlene a mais significativa...), voltámos a golear! Sendo que o primeiro golo só apareceu aos 43 minutos...

Mais uma pasquinada !!!

"Porque é um pasquim de merda liderado agora por um lagarto ainda mais fanático que o que lá estava anteriormente, nem sequer vamos colocar aqui o link da "notícia" que o Record do lagarto fanático Bernardo Ribeiro colocou há minutos no site referindo-se a uma eventual polémica por João Pinheiro ter sido nomeado VAR para o jogo Braga-Benfica.
A "notícia", criteriosamente redigida, refugia-se numa polémica gerada nas redes sociais! Ou seja, vão buscar supostas polémicas nas redes sociais para eles próprios lançarem a confusão. Não passam de uns frustrados lagartos cobardes.
Relembramos que no jogo Feirense-Benfica João Pinheiro teve actuação exemplar como comprovado pelas imagens 3D posteriormente apresentadas pela SIC Notícias e pelos testemunhos de árbitros internacionais Brasileiros, Mexicanos e Espanhóis, como aqui demos a conhecer na altura.
Já relativamente à nomeação do homem das pastelarias para o Rio Ave-Calor da Noite, o seboso Bernardo Ribeiro não vê qualquer tipo de polémica.
Enojas enfarda rojões a pingar em gordura!"

25 de abril, sempre! Sport Lisboa e Benfica, sempre!

"Nos 45 anos do 25 de Abril de 1974, relembremos alguns dos motivos, exemplos e casos que mostram que o Sport Lisboa e Benfica é uma das referências e símbolos da Liberdade e da Democracia em Portugal:
1. O Sport Lisboa e Benfica não foi o clube do regime. É um facto.
2. Uma mentira muitas vezes repetida não pode tornar-se verdade. Passa por nós contar e relembrar estas histórias para que não reescrevam a História.
3. O Benfica é na sua génese um clube do povo. Tal como hoje, a nossa força fez-se de gente de diferentes meios, classes, origens ou vivências.
4. O Sport Lisboa e Benfica equipa de vermelho. O vermelho era uma cor «proibida» durante o Estado Novo e riscada pela censura.
5. O Benfica não foi a equipa lisboeta com mais títulos de campeão nacional durante os primeiros anos da ditadura de Salazar.
6. O Sport Lisboa e Benfica não era a equipa portuguesa com mais triunfos no principal campeonato até à brilhante geração de 1960.
7. Manuel da Conceição Afonso foi diversas vezes presidente do clube e era um operário nos mais variados sentidos (enquanto profissão e alicerce do Benfica).
8. Júlio Ribeiro da Costa, presidente e conhecido oposicionista do regime, teve de se demitir para evitar problemas maiores ao clube.
9. A figura de Félix Bermudes é paradigmática. Autor do hino do Benfica, Avante, Avante p'lo Benfica, proibido de usar pela ditadura foi um conhecido filantropo e uma das mais importantes figuras da história do clube.
10. O Benfica realizou sempre eleições livres e directas para os seus órgãos sociais. Foi caso único durante todo o Estado Novo.
11. O ano politicamente mais incómodo para o Estado Novo foi 1961 (desvio do paquete Santa Maria e de um avião da TAP; oposição nas Nações Unidas; apoio de John Kennedy aos movimentos independentistas do Ultramar; massacre em Angola; invasão de Goa pela União Indiana), esse ano fica também marcado pela nossa vitória na final de Berna.
12. Na temporada de 1955/56, o Benfica sagra-se campeão nacional. Na época seguinte realiza-se a primeira edição da Taça dos Campeões Europeus e o representante português foi o Sporting.
13. O Sport Lisboa e Benfica não inaugurou o seu estádio no dia 28 de maio como outros clubes.
14. Os vários recintos por onde o Benfica passou nunca tiveram apoio estatal para a recuperação ou manutenção, foram sempre preservados com o dinheiro, esforço e ajuda dos adeptos e sócios.
15. O Sport Lisboa e Benfica nunca aproveitou uma alteração de estatutos para se manter na primeira divisão.
16. Figuras como Coluna e Santana eram referências como jogadores mas também como homens informados e seriamente politizados.
17. O Benfica nunca teve um presidente ou outra figura da direcção que fizesse igualmente parte de um governo do Estado Novo.
18. Além do futebol, também nas modalidades é notório que a queda do regime fascista não significou o fim de uma hegemonia.
19. O Sport Lisboa e Benfica não foi campeão no ano do caso Calabote. E, igualmente, não teve responsabilidade alguma na irradiação deste árbitro.
20. O Benfica nunca teve uma figura do clube num órgão de poder ou decisão da arbitragem nacional.
21. Em 1961, a Federação não aceitou a mudança de data para o jogo com o Vitória e o Sport Lisboa e Benfica jogou os oitavos de final da Taça de Portugal apenas um dia depois do primeiro título de Campeão Europeu.
22. O Benfica só foi reconhecido como Instituição de Utilidade Pública em 1960, ao contrário de outro clube que o era desde 1928.
23. A selecção nacional esteve 54 anos sem jogar num campo do Sport Lisboa e Benfica.
24. Foram inúmeros os jogadores do Benfica originários de zonas industriais e tendencialmente mais próximas do comunismo, como o Barreiro.
25. Salgueiro Maia.
26. O Benfica nunca realizou uma final da Taça de Portugal no seu estádio.
27. José Magalhães Coutinho não só foi um dos principais directores do jornal O Benfica como foi um dos maiores lutadores pela liberdade de imprensa e democracia em Portugal.
28. Salazar não gostava de futebol, aliás são públicas as afirmações negativas sobre o mesmo.
29. As vitórias no futebol, como no desporto, foram sempre alvo de aproveitamento político pelos regimes ditatoriais, o caso do Benfica não foi excepção.
30. O pavilhão da Luz chegou a receber encontros da Intersindical.
31. Borges Coutinho. Não só foi um dos mais importantes e vitoriosos presidente do Sport Lisboa e Benfica, como teve uma vida de lutador pela liberdade e democracia enquanto piloto da RAF.
32. Guilherme Espírito Santo, Melão e o caso do racismo num hotel madeirense.
33. João Tamagnini Barbosa foi desterrado pelo regime de Salazar para os Açores.
34. Eusébio não saiu do Benfica por manifesta opção e pressão política do Estado Novo.
35. Até Os Belenenses ganhou um campeonato durante a ditadura.
36. Todos os clubes e jogadores foram obrigados a manifestar gestos públicos de apreço para com o regime como, por exemplo, a saudação fascista.
37. Está tudo a pensar no mesmo.
38. O Benfica é povo, é República, e o recinto do Campo Grande foi inaugurado no dia 5 de Outubro.
39. A maior parte dos jogadores bicampeões europeus nunca jogou na Luz pela selecção portuguesa. 
40. O Sport Lisboa e Benfica não deixou de ganhar títulos depois do 25 de Abril.
41. A demora no processo de desobrigação de Eusébio deixa bem patente o poder que o Sporting tinha sobre a Federação.
42. Os sócios e simpatizantes do Benfica têm construído a nossa história na luta pela liberdade e igualdade de direitos entre todos, dentro ou fora do clube.
43. O jornal do clube foi censurado por inúmeras vezes e os seus directores perseguidos.
44. O Sport Lisboa e Benfica não foi o clube do regime. É um facto. Repito: passa por cada um de nós contar e relembrar estas histórias para que não reescrevam a História.
45. «De muitos, um.»"

45 anos da Revolução dos Cravos: o Benfica resistiu contra a Ditadura Salazarista

"Neste dia 25 de abril de 2019, Portugal recorda e celebra o 45º aniversário da Revolução dos Cravos, movimento político e social que derrubou o regime ditatorial e fascista do Estado Novo, o qual durou de 1933 e 1974, e trouxe a Democracia de volta à Terrinha. Dos 41 anos de retrocesso e autoritarismo impostos pela Extrema Direita, 35 foram encabeçados pelo ultranacionalista Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970). Ele se afastou do poder após sofrer um derrame cerebral, dando lugar ao seu primeiro-ministro Marcello Caetano (1906-1980), que prosseguiu com a perseguição aos opositores e a censura à liberdade de expressão.
O nome "Revolução dos Cravos" remete ao cravo, flor-símbolo do país. Revoltados com a recessão econômica e com o desgaste provocado pela Guerra Colonial, onde Portugal se recusava a reconhecer a independência de suas colônias na África e acabou estimulando a formação de movimentos guerrilheiros na Angola, em Moçambique e na Guiné-Bissau, os soldados das Forças Armadas articularam a derrubada do então presidente - àquela altura, Salazar já havia falecido. Após a concretização do plano, os militares rebeldes foram presenteados por cravos pela população, que celebrava o retorno à liberdade e via o general Antônio de Spínola assumir o poder. Deposto, Caetano se mudou para o Brasil, que naquele período vivia a Ditadura Militar (1964-1985). Em território brasileiro, seguiu carreira acadêmica na área de Direito e foi professor universitário. Faleceu no Rio de Janeiro.
Como sabemos, o futebol é uma extensão da sociedade. E o Sport Lisboa e Benfica, clube mais popular entre os portugueses e agremiação democrática em sua essência, foi directamente afectado pela Ditadura. Mesmo sendo anti-futebol, Salazar interferiu no hino do Benfica por considerá-lo "subversivo". A famosa canção "Avante Benfica" foi censurada pelo regime porque o político de Extrema Direita a qualificara como "coisa de comunista", sobretudo pela presença da palavra imperativa "Avante". A equipe lusitana de maior prestígio ainda modificou o apelido, de "Vermelhos" para "Encarnados", como forma de resistir à perseguição.
Eis o hino censurado pelo Estado Novo:

Avante Benfica
“Todos por um!”, eis a divisa
Do velho Clube Campeão,
Que um nobre esforço imortaliza
Em gloriosa tradição.
Olhando altivo o seu passado,
Pode ter fé no seu futuro.
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro.

Refrão
Avante, avante p’lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!
Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Demos-lhe o nosso coração!
Demos-lhe a fé, a alma!
O "Avante Benfica" foi substituído pela canção "Ser Benfiquista".

Ser Benfiquista
Sou do Benfica,
Isso me envaidece.
Tenho a gênica
Que a qualquer engrandece.
Sou de um clube lutador,
Que na luta com fervor
Nunca encontrou rival
Neste nosso Portugal.

Ser benfiquista
É ter na alma
A chama imensa,
Que nos conquista
E leva à palma À luz intensa
Do Sol que lá no céu
Risonho vem beijar.
Com orgulho muito seu,
As camisolas berrantes,
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.

Ser benfiquista
É ter na alma
A chama imensa,
Que nos conquista
E leva à palma
À luz intensa
Do Sol que lá no céu Risonho vem beijar.
Com orgulho muito seu,
As camisolas berrantes,
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.

Ao avaliar o comportamento doentio e obsessivo por trás do Salazarismo, a lembrança do avanço da Extrema Direita em pleno século XXI, onde figuras públicas como Viktor Orbán, Marine Le Pen, Jaroslaw Kaczynski, Steve Bannon, Donald Trump e Jair Bolsonaro, partidos como o espanhol Vox e o italiano Lega Nord e a articulação de movimentos supremacistas nos Estados Unidos e na Europa estão em evidência, é inevitável.
E não para por aí: em Setembro de 1965, o Estado Novo proibiu o SLB de viajar à União Soviética, celeiro do comunismo, onde jogaria um amistoso contra o Spartak Moscou, clube de raiz operária que carrega consigo uma história de luta pela popularização do futebol. O jogo amigável renderia às Águias um cachê de 4 mil contos, valor equivalente a 20 mil euros na cotação actual. Os moscovitas queriam ver de perto o Benfica de Eusébio, Mário Coluna, Antônio Simões e José Augusto. A notícia causou enorme rebuliço em terras portuguesas, de modo que a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), força policial responsável pela repressão aos opositores do Salazarismo, abriu um inquérito em carácter de urgência. Foram interrogados o chefe do departamento de futebol do clube, Gastão Silva, que admitiu o desejo de viajar à URSS, e o director da agência Turexpresso, Albino André, que estava articulando a mencionada viagem - a empresa em questão organizava as viagens do Glorioso ao exterior. Segundo o jornal português Diário de Notícias, as negociações entre Benfica e Spartak também envolviam a proposta de um intercâmbio cultural que levaria a Moscou os cantores Carlos Ramos, Amália Rodrigues e Fernanda Maria e o conjunto Pauliteiros de Miranda.
No dia 8 de Setembro daquele ano, o DN publicou uma nota da assessoria de comunicação do Maior de Portugal, na qual a instituição demonstrava o desejo de “manter o intercâmbio desportivo com todos os clubes do mundo” e se mantinha firme contra a postura anti-soviética do regime de Salazar. “O Benfica não tem quaisquer razões para pensar que seja considerada impossível pelas competentes autoridades portuguesas a realização de um encontro de futebol entre a sua equipe e a de um clube russo”, dizia a nota.
“Com esse comunicado, a direcção do Benfica demarcou-se da posição do governo e espicaçou o regime dizendo que era um clube universalista. Afinal, naquela altura, o time fazia muitas excursões, tendo, inclusive, estado em vários países da América do Sul e, ainda, na Ásia”, afirmou o escritor Alberto Miguéns, que pesquisa a história do Benfica, em entrevista ao Diário de Notícias em 2017. Paralelamente ao discurso cirúrgico e necessário de Miguéns, o ídolo benfiquista Antônio Simões, reconhecido líder na luta pela profissionalização dos jogadores de futebol juntamente com o Rei Eusébio, também dá sua contribuição em conversa com o jornal. “Este episódio prova que o Benfica nunca poderá ser catalogado como o clube do regime”, enfatizou.
O ódio de Antônio Salazar contra manifestações populares como o futebol e o fado, gênero musical de raiz portuguesa conhecido em todo o planeta, não surpreende. Ele os apontava como “aglomeradores de massas, espectáculos de duvidoso gosto popular, potencialmente subversivos e portanto perigosos para a paz social, feita de repressão e apelos ao conformismo”, escreve o cineasta Antônio-Pedro Vasconcelos no veículo de comunicação lusitano Expresso.
O fascismo português também se incomodava com a ligação do Sport Lisboa e Benfica às camadas mais populares da sociedade. O SLB, que sempre elegeu suas directorias através dos sócios, já teve um presidente operário, Manuel da Conceição Afonso, que alternou três mandatos: 1931-1933; 1936-1938; 1946-1947. A PIDE acompanhava de perto as eleições e as assembleias gerais do clube. Além de Manuel da Conceição Afonso, Félix Bermudes (autor do hino "Avante Benfica"), Júlio Ribeiro da Costa (um dos torcedores mais fanáticos) e José Magalhães Godinho (primeiro director do jornal "O Benfica") foram outros renomados benfiquistas e opositores do Estado Novo. No elenco de futebol, o meio-campista Mário Coluna, nascido na Ilha da Inhaca, Moçambique, e o ponta-direita Joaquim Santana, natural de Lobito, Angola, eram declaradamente favoráveis à libertação das colônias portuguesas na África.
Vale lembrar, também, a maiúscula vitória de 8 a 2 contra o arquirrival FC Porto na inauguração da antiga casa azul e branca, o Estádio das Antas, cuja construção teve forte ajuda do Salazarismo e cuja inauguração aconteceu em 28 de maio de 1952, data do 26º aniversário do golpe militar liderado pelo general Gomes da Costa.
Portanto, benfiquistas de Portugal e de todo o mundo, temos muitos motivos para nos orgulharmos do nosso clube. Tal qual 28 de Fevereiro de 1904, 25 de Abril de 1974 também é uma data significativa para a nossa História. Resistimos contra o Fascismo, somos uma nação que nasceu para vencer e formamos o Clube do Povo!"

O tempo e a sorte

"Não vou entrar aqui em grandes reflexões filosóficas sobre comportamentos geracionais, pois falta-me o engenho e a arte para tal. Até podia tentar sacar uma reflexão importante de Bauman, fazendo uma ligação à sua modernidade líquida, mas, lá está, sobra-me a preguiça e o talento escasseia.
O que falta também nos dias que correm é paciência e capacidade para resistir ao imediato, pois rapidamente conseguimos aceder a imensa informação já trabalhada, organizada e agregada para consultar o que queremos. No futebol é fácil saber como joga o defesa direito titular do quarto classificado da liga checa – olá, Tomas Holes – e com meia dúzia de cliques e alguma manha para evitar fake news conseguimos fazer brilharetes entre amigos, quando as discussões futebolísticas aquecem – “o teu clube precisa é de um médio posição 8, com perfil x, conheço um muito bom na liga dinamarquesa”. Se temos acesso a esta informação toda em pouco tempo e não somos profissionais de futebol, estes têm mais que obrigação, do ponto de vista do adepto comum, de garantir num curto espaço de tempo os melhores resultados possíveis e tomar as melhores decisões, independentemente do clube onde estão, dos meios financeiros que têm, ou de outras condicionantes importantes. A falta de resultados – ou quererei dizer sucesso? – de um clube é encarada, por estes dias, como uma grande frustração e a vontade de alterar tudo em pouco tempo passa sempre pela cabeça de muitos.
Os treinadores há muito que são vítimas preferenciais da falta de paciência e de tempo por parte de adeptos e dirigentes. As chicotadas psicológicas em massa são um fenómeno já não muito recente, embora se tenham intensificado nos últimos 25 anos. Já muito se escreveu sobre os efeitos positivos e negativos da mudança de treinador a meio da época. Não quero entrar por aí. Atentem, apenas, no exemplo de Vítor Oliveira. Como era visto este treinador há vinte anos, ele que agora é, e justamente, encarado como um treinador de culto? A quem é que andamos a cortar as pernas nos dias que correm e que se tornará, daqui a duas décadas, no treinador da moda por essa altura?
E não são só os treinadores que sofrem na pele este tratamento. Os jogadores de futebol de elite também já não escapam a esta lógica. Penso, sobretudo, em Marega – mas podia, por exemplo, pegar em Rafa. Pode-se discutir o perfil do maliano, defendendo que não tem qualidades para uma equipa de topo em Portugal ou achar que é um jogador fortíssimo em transições e que assenta como uma luva no estilo de Sérgio Conceição? Claro que sim. Mas Marega já provou que as primeiras impressões sobre a sua qualidade quando chegou ao Dragão foram, como as notícias da morte de Mark Twain, manifestamente exageradas. Por isso, talvez seja importante fazer uma avaliação final quando acabar o consolado do maliano no Futebol Clube do Porto. Até porque durante os reinados de Jardel e Hulk, que a esta distância são encarados como jogadores inquestionáveis em relação à importância que tiveram quando passaram pelo clube portuense, houve quem abrisse os seguintes debates: “a equipa está dependente de Jardel e o brasileiro não joga bem com os pés” e “Hulk é individualista e não estimula o jogo colectivo”. E não, não estou a comparar Marega com nenhum deles. Creio é que se Marega tem marcado pelo menos um golo em Anfield o debate teria contornos diferentes. Faltou também, dirão uns, uma pontinha de sorte.
E por falar em sorte, agora que entramos no tramo final dos vários campeonatos europeus e alguns deles serão decididos por detalhes quer na luta pelo título, quer na luta pela sobrevivência, nós estaremos cá para falar da bola que bate no poste, do corte em cima da linha, do pé preso na relva, da bola que escorregou das mãos do guarda-redes. Os sportinguistas ainda hoje têm pesadelos com o remate de Bryan Ruiz. Os bracarenses sentem que se Mossoró tem marcado a Hélton na final de Dublin talvez hoje tivessem uma competição europeia na vitrine. E os benfiquistas recordam o final da época 12/13 como uma maldição. Sinto-vos a sussurrar “a sorte procura-se” ou “há mérito em provocar o erro do adversário”. Pois tomai lá, não do O’Neill, mas do Nélson Rodrigues: “o que marca o campeão é a sorte, ou seja – uma virtude sobrenatural”."