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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Si, se puede


"Acabou o Mundial da América. Do Norte, geograficamente fa - lando. Ganhou a Espanha. E bem. Não só foi a equipa mais competente, como também a que soube usar melhor quase todos os jogadores convocados por Luis de la Fuente. O antigo lateral-esquerdo do Atlético de Bilbau, do Sevilha e do Alavés mostrou-se um gestor de homens e de egos, recorrendo a profissionais de clubes de meio da tabela do campeonato espanhol para compor o ramalhete das oito estrelas do FC Barcelona. Do Real Madrid não foi nenhum, mas conseguiram fechar negócio com Cucurella já ao serviço da seleção. Contas feitas, assim se fez uma equipa e não um conjunto de jogadores. Foi justa a vitória, por muito que estivesse a torcer pela Argentina. As minhas raízes familiares falam sempre mais alto nesses momentos, mas, de facto, o título está bem entregue. Se é assim no que diz respeito ao futebol, a vitória é ainda mais merecida se olharmos para os atuais indicadores sociais e políticos de ambos os países. Aí, a Espanha goleia em vários campos. Do lado ibérico, um país inclusivo, com boas práticas, respeito pela diferença e indicadores de crescimento assinaláveis e elogiados. Na outra metade do terreno, um país liderado por um louco que ouve vozes e está a levar as classes baixa e média argentinas para um poço sem fundo. E a entregar o troféu e a querer ficar na fotografia, outro alucinado. Nem o espetáculo do intervalo, a apelar ao amor global, conseguiu fazer esquecer o cenário de perseguição, mentira generalizada, belicismo e divisão nos EUA de Trump, da ICE e dos seus apoiantes. Os cofres dos organizadores devem ter ficado bem cheios, mas a maioria dos adeptos de coração não pôde lá estar a assistir, com preços proibitivos e vistos de entrada sempre em perigo. A mim, este Mundial não deixa saudades. Foi tudo demasiado plástico e descartável. Valeram Espanha, Argentina, Cabo Verde e Noruega para mostrar paixão e qualidade."

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