"CAMPEONATO
DO MUNDO DE 1966,
A PARCERIA ENTRE
EUSÉBIO E TORRES
FOI BEM-SUCEDIDA
E O PRÉMIO
FOI REPARTIDO.
No futebol, as equipas
entram em campo
com 11 jogadores e
exige-se que atuem
de forma associativa, organizada e sincronizada. Embora
existam figuras que se destaquem pela sua qualidade,
garra ou personalidade, é a
força do coletivo que sustenta o sucesso duradouro.
Ainda assim, muitas dessas
dinâmicas constroem-se
em parcerias decisivas: a solidez da dupla de centrais, a articulação entre laterais e extremos, a complementaridade no
meio-campo ou a cumplicidade
entre avançados.
Na estreia de Portugal numa
fase final do Campeonato do
Mundo, em 1966, Eusébio e Torres, companheiros no ataque do
Benfica, transportaram essa
parceria para a Seleção Nacional. No primeiro jogo, diante da
Hungria, aos 89 minutos, na
sequência de um canto cobrado
por Eusébio, Torres confirmou o
triunfo luso por 3-1. Frente ao
Brasil, na 3.ª jornada, os papéis
inverteram-se: aos 26 minutos,
“Jaime Graça apontou o respetivo livre, por alto e cruzado. Na
meia-esquerda, Torres elevou-se
bem e cabeceou para […] Eusébio, que se antecipou também a
Orlando e, com um oportuno
golpe, aplicado com a testa,
levou o esférico às malhas”.
Nos quartos de final, perante
a Coreia do Norte, num dos
encontros mais memoráveis da
história dos Mundiais, o “Bom
Gigante” voltou a ser determinante. Aos 42 minutos, quando
se preparava para finalizar isolado, foi derrubado por Shin Yung-Kyoo dentro da área. Da grande
penalidade resultante, Eusébio
marcou o seu 2.º golo numa partida em que acabaria por assinar
um póquer, liderando uma recuperação épica.
Mesmo na derrota das meias-finais, frente à anfitriã Inglaterra, a dupla voltou a
sobressair. Após um
cruzamento para o 2.º
poste, Torres cabeceou
com perigo e obrigou
Jack Charlton a intercetar a bola com a mão.
Eusébio converteu novamente o castigo máximo, alcançando o 8.º
golo na competição. No
encontro de atribuição
do terceiro lugar, diante
da União Soviética, Torres conquistou mais
uma grande penalidade,
prontamente transformada por Eusébio.
Com 9 golos, o avançado sagrou-se melhor
marcador do torneio.
Contudo, o espírito de
parceria foi além das
quatro linhas. Ao receber
o prémio de mil libras
(80 contos) pelo feito,
Eusébio cumpriu o pacto estabelecido com Torres, “que nisto dos
golos, o que marca mais, conta
sempre com o outro”, e deu 10
contos ao “Bom Gigante”.
O gesto simbolizou uma amizade e cumplicidade raras, em que
o sucesso individual nunca se
sobrepôs ao coletivo.
Saiba mais sobre este e outros
feitos na área 24 – O “Pantera
Negra” e Outras Lendas, no Museu
Benfica – Cosme Damião"
António Pinto, in A Bola

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