Últimas indefectivações

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Assistências lucrativas


"CAMPEONATO DO MUNDO DE 1966, A PARCERIA ENTRE EUSÉBIO E TORRES FOI BEM-SUCEDIDA E O PRÉMIO FOI REPARTIDO.

No futebol, as equipas entram em campo com 11 jogadores e exige-se que atuem de forma associativa, organizada e sincronizada. Embora existam figuras que se destaquem pela sua qualidade, garra ou personalidade, é a força do coletivo que sustenta o sucesso duradouro. Ainda assim, muitas dessas dinâmicas constroem-se em parcerias decisivas: a solidez da dupla de centrais, a articulação entre laterais e extremos, a complementaridade no meio-campo ou a cumplicidade entre avançados.
Na estreia de Portugal numa fase final do Campeonato do Mundo, em 1966, Eusébio e Torres, companheiros no ataque do Benfica, transportaram essa parceria para a Seleção Nacional. No primeiro jogo, diante da Hungria, aos 89 minutos, na sequência de um canto cobrado por Eusébio, Torres confirmou o triunfo luso por 3-1. Frente ao Brasil, na 3.ª jornada, os papéis inverteram-se: aos 26 minutos, “Jaime Graça apontou o respetivo livre, por alto e cruzado. Na meia-esquerda, Torres elevou-se bem e cabeceou para […] Eusébio, que se antecipou também a Orlando e, com um oportuno golpe, aplicado com a testa, levou o esférico às malhas”.
Nos quartos de final, perante a Coreia do Norte, num dos encontros mais memoráveis da história dos Mundiais, o “Bom Gigante” voltou a ser determinante. Aos 42 minutos, quando se preparava para finalizar isolado, foi derrubado por Shin Yung-Kyoo dentro da área. Da grande penalidade resultante, Eusébio marcou o seu 2.º golo numa partida em que acabaria por assinar um póquer, liderando uma recuperação épica.
Mesmo na derrota das meias-finais, frente à anfitriã Inglaterra, a dupla voltou a sobressair. Após um cruzamento para o 2.º poste, Torres cabeceou com perigo e obrigou Jack Charlton a intercetar a bola com a mão. Eusébio converteu novamente o castigo máximo, alcançando o 8.º golo na competição. No encontro de atribuição do terceiro lugar, diante da União Soviética, Torres conquistou mais uma grande penalidade, prontamente transformada por Eusébio.
Com 9 golos, o avançado sagrou-se melhor marcador do torneio. Contudo, o espírito de parceria foi além das quatro linhas. Ao receber o prémio de mil libras (80 contos) pelo feito, Eusébio cumpriu o pacto estabelecido com Torres, “que nisto dos golos, o que marca mais, conta sempre com o outro”, e deu 10 contos ao “Bom Gigante”. O gesto simbolizou uma amizade e cumplicidade raras, em que o sucesso individual nunca se sobrepôs ao coletivo.
Saiba mais sobre este e outros feitos na área 24 – O “Pantera Negra” e Outras Lendas, no Museu Benfica – Cosme Damião"

António Pinto, in A Bola

Sem comentários:

Enviar um comentário

A opinião de um glorioso indefectível é sempre muito bem vinda.
Junte a sua voz à nossa. Pelo Benfica! Sempre!